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A diversidade na Igreja

"A casa do meu Pai tem muitas moradas", diz-nos Jesus no evangelho.

A unidade na diversidade não é sempre aparente na Igreja enquanto povo de Deus, mas é uma realidade em Deus e uma presença na fé cristã desde a sua origem. A Palavra de Deus não é partidária, elitista e exclusiva. O Reino de Deus é como uma árvore que estende os ramos para dar abrigo a todos os pássaros do céu. Cristo não morreu na cruz para salvar uma mão cheia de cristãos. Até o Deus Uno encerra em si o mistério de uma Trindade.

A Palavra de Deus é inequívoca e só pode levar à desinstalação, à abertura ao outro, e a recebê-lo e amá-lo enquanto irmão ou irmã. Ninguém fica de fora, nem mesmo - se tivessemos - os inimigos.

Muitos cristãos crêem nesta Igreja, nesta casa do Pai, corpo de Cristo, templo do Espírito Santo. Mas como esquecer que muitos se sentem "de fora" por se verem rejeitados, amputados e anulados, e afastam-se por ninguém lhes ter mostrado que há um lugar para cada um, com a totalidade do seu ser?

Um blogue para cristãos homossexuais que não desistiram de ser Igreja

Porquê este blogue?

Este blogue é a partilha de uma vida de fé e é uma porta aberta para quem nela quiser entrar. É um convite para que não desistas: há homossexuais cristãos que não querem recusar nem a sua fé nem a sua sexualidade. É uma confirmação, por experiência vivida, que há um lugar para ti na Igreja. Aceita o desafio de o encontrares!

Este blogue também é teu, e de quem conheças que possa viver na carne sentimentos contraditórios de questões ligadas à fé e à orientação sexual. És benvindo se, mesmo não sendo o teu caso, conheces alguém que viva esta situação ou és um cristão que deseja uma Igreja mais acolhedora onde caiba a reflexão sobre esta e outras realidades.

Partilha, pergunta, propõe: este blogue existe para dar voz a quem normalmente está invisível ou mudo na Igreja, para quem se sente só, diferente e excluído. Este blogue não pretende mudar as mentalidades e as tradições com grande aparato, mas já não seria pouco se pudesse revelar um pouco do insondável Amor de Deus ou se ajudasse alguém a reconciliar-se consigo em Deus.
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segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Abraçados podemos voar

Partilho este belíssimo texto sobre o amor e o casamento

Abraçados podemos voar


(...) Tenho tido nestes anos, como padre, a gratíssima alegria de casar dezenas de amigos. Sei por eles, e da forma mais pura, a verdade daquele verso de Dante que diz: «o amor move o sol e as outras estrelas». Ao olhar para o interior das suas vidas, para dentro dos seus sonhos e até dos seus temores é esse incomparável mistério que se deteta: o modo como o amor, como a frágil força do amor é capaz de mover, de transfigurar e de unir, até ao fim, cada fragmento do corpo e cada filamento da alma.

Um outro autor italiano escreveu: «Somos anjos de uma asa apenas. Só permanecendo abraçados podemos voar». O casamento é a serena e criativa conjugação destes dois sentimentos que, fora dele, pareciam destinados a existir unicamente em contraste: a solidão e a comunhão. O amor agudiza a consciência de sermos um; descobre, aos nossos próprios olhos, a irresolúvel incompletude que individualmente nos caracteriza, a nossa insuperável carência; e ensina-nos o sabor de uma, até aí desconhecida, solidão: aquela que se sente por estar privados do ser amado. No bíblico livro de Rute isso vem assim explicitado: «a vida tratar-me-á com duros rigores se outra coisa, a não ser a morte, me impedir de olhar diariamente o teu rosto» (Rt 1,17). A solidão incandescente com que o amor fere os que se amam é, porém, o que faz dele uma prática de desejo e de caminho, um exercício de mendicância (na verdade, o amor é sempre uma conversa entre mendigos) e de busca, uma forma de entrega e de súplica. Por alguma razão a experiência religiosa da mística recorre a uma linguagem próxima desta amorosa. Os enamorados percebem o estado dos grandes orantes e vice-versa, creio.

Mas o amor é sobretudo milagre da comunhão. Uma comunhão construída também com esforço, é claro, conquistada continuamente ao território muito defendido do egoísmo, traduzida em decisões quotidianas e vigilantes. Porém, não é propiamente de uma conquista que se trata, mas do arrebatamento comum pelo dom, do espanto inesgotável, de uma hospitalidade radical. «Se me tapares os olhos: ainda poderei ver-te. Se me tapares os ouvidos: ainda poderei ouvir-te. E mesmo sem pés poderei ir para ti. E mesmo sem boca poderei invocar-te». O fundamental é vislumbrado e servido em completa dádiva, acontece sem porquês, no âmbito de uma gratuidade infatigável, numa geografia sem condições nem reservas. O amor não se explica: implica-se. É uma voluntária hipoteca, um sigilo de sangue, entrelaçamento vital. Os enamorados conspiram com o milagre e, por isso, tornam-se, de forma tão íntima, cúmplices de Deus.

Compreendo o aviso meio irónico que Auden faz contra as festas de casamento. Ele diz que os noivos deviam ser humildes e não fazer logo no primeiro do seu casamento uma festa colossal, quando, no fundo, está ainda tudo por construir. Mas também acho impossível não celebrar a alegria do casamento, e fazê-lo com uma simbólica desmesura. Poucos momentos dão a ver assim a vida na sua transparência.
José Tolentino Mendonça
In Diário de Notícias da Madeira, 14.09.11
Publicado em SNPC

domingo, 1 de abril de 2012

A caridade sem preço, sem peso e sem fim

Se Deus é amor, a caridade não deve ter fim

Diz o Senhor no Evangelho de João: Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos, se tiverdes amor uns aos outros (Jo 13,35). E também se lê numa Carta do mesmo Apóstolo: Caríssimos, amemo-nos uns aos outros, porque o amor vem de Deus e todo aquele que ama nasceu de Deus e conhece Deus. Quem não ama, não chegou a conhecer Deus, pois Deus é amor (1Jo 4,7-8).

Examine-se a si mesmo cada um dos fiéis, e procure discernir com sinceridade os mais íntimos sentimentos de seu coração. Se encontrar na sua consciência algo que seja fruto da caridade, não duvide que Deus está com ele; mas esforce-se por tornar-se cada vez mais digno de tão grande hóspede, perseverando com maior generosidade na prática das obras de misericórdia.

Se Deus é amor, a caridade não deve ter fim, porque a grandeza de Deus não tem limites. Para praticar o bem da caridade, amados filhos, todo o tempo é próprio. Contudo, estes dias da Quaresma, a isso nos exortam de modo especial. Se desejamos celebrar a Páscoa do Senhor com o espírito e o corpo santificados, esforcemo-nos o mais possível por adquirir essa virtude que contém em si todas as outras e cobre a multidão dos pecados.

Ao aproximar-se a celebração deste mistério que ultrapassa todos os outros, o mistério do sangue de Jesus Cristo que apagou as nossas iniquidades, preparemo-nos em primeiro lugar mediante o sacrifício espiritual da misericórdia; o que a bondade divina nos concedeu, demo-lo também nós àqueles que nos ofenderam.

Seja, neste tempo, mais larga a nossa generosidade para com os pobres e todos os que sofrem, a fim de que os nossos jejuns possam saciar a fome dos indigentes e se multipliquem as vozes que dão graças a Deus. Nenhuma devoção dos fiéis agrada tanto a Deus como a dedicação para com os seus pobres, pois nesta solicitude misericordiosa ele reconhece a imagem de sua própria bondade.

Não temamos que essas despesas diminuam nossos recursos, porque a benevolência é uma grande riqueza e não podem faltar meios para a generosidade onde Cristo alimenta e é alimentado. Em tudo isso, intervém aquela mão divina que ao partir o pão o faz crescer, e ao reparti-lo multiplica-o.

Quem dá esmola, faça-o com alegria e confiança, porque tanto maior será o lucro quanto menos guardar para si, conforme diz o santo Apóstolo Paulo: Aquele que dá a semente ao semeador e lhe dará pão como alimento, ele mesmo multiplicará vossas sementes e aumentará os frutos da vossa justiça (2Cor 9,10), em Cristo Jesus, nosso Senhor, que vive e reina com o Pai e o Espírito Santo pelos séculos dos séculos. Amen.

S. Leão Magno
publicado por SNPC

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Quem foi S. Valentim?

São Valentim, mártir e protetor dos namorados

A informação mais antiga de São Valentim (175-273) está num documento oficial da Igreja dos séculos VI-VII onde aparece o aniversário da sua morte. No século VIII um outro documento narra alguns detalhes do martírio: a tortura, a decapitação noturna, e a sepultura.

Outros textos do século VI referem que São Valentim, cidadão e primeiro bispo da cidade italiana de Terni, tornado célebre pela santidade da sua vida, caridade e humildade, pelo apostolado zeloso e pelos milagres, foi convidado a ir a Roma por Cratone, orador grego e latino, para que curasse o filho doente há alguns anos. Curado o jovem, converteu-o ao cristianismo juntamente com a família e o filho do prefeito.

Preso sob o imperador Aureliano foi morto a 14 de fevereiro de 273. O seu corpo foi enterrado à pressa num cemitério a céu aberto a pouca distância de Roma para evitar sublevações por parte dos cristãos. Três discípulos exumaram o corpo poucas noites após a execução e levaram-no para Terni, então denominada Interamna, 100 km a norte de Roma e deram-lhe sepultura digna da veneração que lhe era dedicada pelos cristãos.

A festa do bispo e mártir Valentim liga-se aos antigos festejos gregos, itálicos e romanos que ocorriam a 15 de fevereiro em honra de deuses pagãos. Estas celebrações relacionavam-se com a purificação dos campos e os ritos de fecundidade. Tendo-se tornado demasiado licenciosas, foram proibidas pelo imperador Augusto e mais tarde suprimidas por Gelásio em 494.

A Igreja cristianizou os ritos pagãos da fecundidade, antecipando-os para 14 de fevereiro e atribuiu ao mártir a capacidade de proteger os noivos e namorados que se destinavam ao matrimónio e às uniões com filhos. Uma das lendas associadas ao bispo diz que São Valentim oferecia rosas aos pares de noivos para lhes desejar uma união feliz.

Em Terni a Fundação São Valentim programa em fevereiro várias iniciativas de fé, cultura, arte e ciência, com espetáculos e divertimentos. A diocese promove a entrega do Prémio São Valentim, que em 2012 foi para o arcebispo de Saravejo, cardeal Vinko Puljíc.

Durante a guerra da Bósnia distinguiu-se pela «defesa dos direitos inalienáveis da pessoa humana, arriscando ainda a vida», refere o site da diocese, acrescentando que ficou detido durante 12 horas por militares sérvios.

Nas missas solenes celebradas na basílica de Terni nos domingos de 19 e 26 de fevereiro vão ser abençoados os casais que em 2012 assinalam respetivamente 25 e 50 anos de casamento.

Diocese de Terni Narni Amelia
in SNPC

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Testemunho: uma alternativa ao sofá

Estar ao serviço do outro

"Acontece várias vezes: alguém chegar junto a mim e dizer com ar sonhador que, também, gostava de um dia fazer voluntariado.
Pergunto logo, a essa pessoa, o que falta para dar esse passo. Muitas vezes são respostas lacónicas que oiço ou desculpas várias.
 
Pois…. Há tantos motivos que nos levam a ficar no comodismo ou no quentinho do sofá.
Mas, ao contrário, há um argumento maior que nos leva a sair de nós mesmos, ao encontro do outro: o Amor.
 
É o Amor, a Boa Nova que Jesus Cristo nos traz e que nos deixa como proposta de Vida e, ao longo dos últimos 10 anos, é esse Amor, vivido com a nossa Fé em Deus Pai, que tem levado o grupo Diálogos, Leigos Svd para a missão, a promover vários projectos de voluntariado.
 
Começámos com o projecto no Centro João Paulo II, onde talvez o maior desafio que surge que é o de aprender a comunicar com todos os nossos sentidos, com aqueles “meninos” portadores de deficiência profunda. Para isso, vemos como é importante usar todos os dons que Deus nos concede. Só assim conseguimos entender o que aqueles “meninos” nos querem dizer através de um simples olhar. Só assim conseguimos sentir que apesar das nossas diferenças, incluindo físicas, todos somos filhos queridos de Deus.
É este viver, da nossa vocação missionária, que nos tem levado, nos últimos 5 anos, até Vilar Formoso, ao encontro da população maior e nos últimos três até à Quinta do Mocho para trabalhar com crianças e jovens.
 
Projectos que nos fazem redescobrir a urgência de sermos missionários onde quer que estejamos, com quem quer que esteja ao nosso lado.
 
Mas ouvimos, também, a voz de Cristo que continuamente nos tem desafiado a ir até mais longe. Por isso já atravessámos 6 vezes o mar até Angola. Ali junto a uma população pobre de bens materiais, mas rica em fé, sentimos a alegria de quem, com toda a sua simplicidade, partilha os seus dons, alicerçados em valores de paz, justiça e fraternidade.
 
Partir para servir.
Darmo-nos ao outro.
Ser presença amiga que traz a esperança ou que renova o amor.
 
Tudo isto é uma opção de vida. É um responder com sim à missão a que Deus chama.
 
E quem, senão o voluntário, pode descrever tão bem a alegria que sente no coração ao ver o riso da criança a brincar, ou o sorriso do idoso que tem quem o escute, ou do portador de deficiência que tem quem o leva a passear fora das 4 paredes da sua casa, ou ainda a felicidade do homem, cansado dos tempos de guerra, que, apenas, quer contar as suas histórias?
 
Sofá ou comodismo?
Eu prefiro partir e viver a alegria de quem se dá ao serviço dos outros.
Um dar sem medida porque a única medida que conheço é o Amor."
 
Por Fernanda Ramalhoto
in Revista "SVD ao Encontro", nº 62 de Janeiro/Março de 2011

sexta-feira, 11 de março de 2011

As mulheres dos evangelhos: a inominada

Anthony Frederick Sandys

O dia da Mulher passou de forma despercebida, entre o Carnaval e o feriado, a chuva e a festa. Publico um texto a propósito de uma mulher do tempo de Jesus, que vulgarmente se associa à imagem de Maria Madalena mas, de facto, nunca o seu nome foi nomeado. É uma bela imagem para esta Quaresma que começamos: imagem de acolhimento, louvor, perdão, serviço, humildade e amor.
Uma mulher aos pés de Jesus
Um fariseu convidou-o para comer consigo. Entrou em casa do fariseu, e pôs-se à mesa. Ora certa mulher, conhecida naquela cidade como pecadora, ao saber que Ele estava à mesa em casa do fariseu, trouxe um frasco de alabastro com perfume. Colocando-se por detrás dele e chorando, começou a banhar-lhe os pés com lágrimas; enxugava-os com os cabelos e beijava-os, ungindo-os com perfume. Vendo isto, o fariseu que o convidara disse para consigo: «Se este homem fosse profeta, saberia quem é e de que espécie é a mulher que lhe está a tocar, porque é uma pecadora!» Então, Jesus disse-lhe: «Simão, tenho uma coisa para te dizer.» «Fala, Mestre» - respondeu ele. «Um prestamista tinha dois devedores: um devia-lhe quinhentos denários e o outro cinquenta. Não tendo eles com que pagar, perdoou aos dois. Qual deles o amará mais?» Simão respondeu: «Aquele a quem perdoou mais, creio eu.» Jesus disse-lhe: «Julgaste bem.» E, voltando-se para a mulher, disse a Simão: «Vês esta mulher? Entrei em tua casa e não me deste água para os pés; ela, porém, banhou-me os pés com as suas lágrimas e enxugou-os com os seus cabelos. Não me deste um ósculo; mas ela, desde que entrou, não deixou de beijar-me os pés. Não me ungiste a cabeça com óleo, e ela ungiu-me os pés com perfume. Por isso, digo-te que lhe são perdoados os seus muitos pecados, porque muito amou; mas àquele a quem pouco se perdoa pouco ama.» Depois, disse à mulher: «Os teus pecados estão perdoados.» Começaram, então, os convivas a dizer entre si: «Quem é este que até perdoa os pecados?» E Jesus disse à mulher: «A tua fé te salvou. Vai em paz.» (Lucas 7, 36-50)

O terceiro Evangelho [Lucas] é aquele que guarda mais relatos de mulheres: é, por exemplo, o único que conta a história de Isabel (1, 5-25), Maria (1, 26-56), Ana (2, 36-38), a viúva de Naim (7, 11-17), Maria Madalena, Joana, Susana e as outras mulheres que seguiam Jesus (8, 1-3), Marta e Maria (19, 38-42), a mulher encurvada (13, 10-17), a mulher que procura a moeda perdida (15, 8-10), a viúva insistente (18, 1-8) e as mulheres de Jerusalém que choram atrás da cruz (23, 27-31). Para lá daquelas mulheres cuja referência partilha com os outros Sinópticos, como é o caso da sogra de Simão (5, 38-39; Mateus 8, 14-15; Marcos 1, 29-31), a hemorroíssa e a filha de Jairo (8, 40-56; Mateus 9, 18-26; Marcos 5, 21-43), a viúva que dá tudo quanto tinha para o tesouro do Templo (21, 1-4; Marcos 12, 41-44), as mulheres galileias que descobrem o túmulo vazio (24, 1-8; Mateus 28, 1-8; Marcos 16, 1-8).

Para um leitor de Lucas não é, portanto, estranho que uma mulher acorra à procura de Jesus. O encontro com mulheres pontua o caminho de Jesus. E à partida sabe-se que muitas acolhiam a mensagem e a pessoa de Jesus. O aparecimento de uma mulher acaba sempre por trazer um elemento positivo à narração.

O primeiro dado inesperado, por parte do narrador, é o modo como apresenta a mulher: «uma pecadora». Isto é tanto mais espantoso, quando sabemos que Lucas não caracteriza moralmente outros personagens. E, precisamente em relação aos pecadores, ele distingue-se por uma grande delicadeza, feita de silêncio e reserva. Embora alguns comentadores digam tratar-se de uma prostituta isso não nos é referido por Lucas, que poderia ter utilizado o substantivo πóρνη, como o faz noutra passagem, Lucas 15,30. Afirma-se simplesmente que era uma pecadora da cidade (v.37), e tal é reiterado pelo próprio fariseu (v.39).

A mulher irrompe pela narrativa. A sua presença não tem, como no caso anterior, a legitimidade de um convite formulado. Nem ela surge por si, mas porque Jesus se encontra à mesa do fariseu. É, portanto, desde o início, um personagem que se coloca na órbita de outro e assume essa dependência.
Uma justificação que o narrador subtilmente avança para a entrada da mulher deve ler-se no destaque concedido ao alabastro, com perfume, que ela traz: por um lado, o objecto oferece à mulher um motivo, uma função; e, por outro, empresta uma espécie de ingrediente novo e específico à narrativa. Basta comparar 7, 36-50 com 11, 37-54 e 14, 1-24 que mostram sobretudo como Jesus reage às abluções, às disputas dos lugares ou à lógica retributiva que presidia à organização dos banquetes. O perfume como que fornece o móbil que depois a própria trama se encarregará de intricar: a qualidade do acolhimento a Jesus.

É difícil permanecer indiferente ao trânsito deste personagem que nos é descrito num impressionante regime de showing. A mulher entra e sai em silêncio, mas o leitor sente que a sua passagem se revestiu de uma eloquência ímpar. Em vez de palavras ela utilizou uma linguagem plástica, talvez mais contundente que a verbal. Representou, como actriz solitária, no palco da casa do fariseu, o seu monólogo ferido: com o seu pranto prolongado, os cabelos a arrastar-se pelo chão do hóspede, numa coreografia humilde e lancinante, os beijos e o perfume que mais ninguém ali teve a preocupação de ofertar a Jesus. A qualidade penitenciai do personagem é testemunhada pelo território simbólico em que ela opera, os pés de Jesus, sete vezes referidos, e pela convulsão da sua figura (pois «desatar o seu cabelo em presença do homem era considerado, para uma mulher, uma grande desonra»).

Nas passagens paralelas a Lucas 7, 36-50 (Marcos 14, 3-9; Mateus 26, 6-13; João12, 1-8) a mulher unge Jesus, mas não chora. No episódio lucano as suas lágrimas substituem a água da hospitalidade que faltou. «Pelas minhas lágrimas, eu conto uma história», explica Roland Barthes. Segundo aquele ensaísta as lágrimas são uma realidade tudo menos insignificante. Porque temos muitas formas de chorar e essas revelam não só a intensidade do nosso desgosto, mas também a natureza da nossa sensibilidade. Porque ao chorar, mesmo na mais estrita solidão, nos dirigimos a alguém: esforçamo-nos para o outro não ver que nós choramos, mas a verdade é que nós choramos sempre para um outro ver. Porque as lágrimas emprestam um realismo particular, dramático à expressão de nós próprios. Na tradição bíblica é muito comum que o pranto acorde no homem a consciência da dependência divina. Ele reconhece a sua insuficiência, a debilidade das suas seguranças e reclama a intervenção favorável e protectora de Deus (1 Samuel 1, 10; Lamentações 1, 16).

A inominada não cumpre os rituais de hospitalidade ao serviço da casa do fariseu. Em relação ao fariseu ela é uma intrusa, e não uma associada. O seu nexo é com Jesus: os seus gestos, tão distantes, na sua emotividade, daquela delicada indiferença que se requer a quem habitualmente presta, aos hóspedes, esse serviço, são interpretados por Jesus como uma forma de acolhimento na fé: por isso, de pecadora a mulher passará a perdoada. E a transformação do estatuto da mulher derrama um perfume novo não só na perícope, mas pelo próprio Evangelho.

Nota: Esta transcrição omite as notas de rodapé do texto original.

José Tolentino Mendonça
In A Construção de Jesus, ed. Assírio & Alvim
publicado por SNPC

sexta-feira, 4 de março de 2011

Religião e Sexo: apontamentos de um bloguista

Um leitor do blogue, ao comentar a mensagem sobre a nudez na arte sugeriu a leitura de uma mensagem publicada no seu blogue.

Publico-a aqui por ter reconhecido o interesse do seu conteúdo e a clareza e honestidade com que o seu autor aborda temas como corpo, sexo, castidade, singularidade, relação, religião, culto do corpo e amor. Vale a pena dar uma espreitadela:

o.insecto: Religião e Sexo, alguns apontamentos...

quarta-feira, 2 de março de 2011

A vocação da alegria

Procuras a alegria? Dá tudo o que tens!


(...) É a todos nós que experimentamos este desejo persistente [de algo mais - a esperança de que aquilo que ansiamos está ao alcance da mão, seguida do desapontamento e do regresso ao desejo inicial nunca satisfeito-] que Jesus estende o convite: “Vem comigo! Segue o meu caminho”. Muitos de nós estão prontos a dizer-lhe “sim”, mas subsistem algumas perguntas: Como é que eu O sigo? Qual é o seu caminho? Conhecemos a resposta genérica: “Ama a Deus de todo o teu coração e o próximo como a ti mesmo”. Mas como é que este preceito se torna concreto? Como é que podemos construir uma vida orientada em torno deste mandamento?

Começaremos por lembrar que o amor nunca é abstratoos bons sentimentos são simpáticos mas não são amor. O amor é sempre concreto. Damos o nosso amor e cuidado a uma pessoa específica, num determinado momento. Mais: amamos e cuidamos com o que temos e com o que somos, e não com o que outra pessoa tem ou é.

A concretização do amor a que somos individualmente chamados é definida pelos dons que Deus nos confiou. Por um lado, isto quer dizer que, provavelmente, os meus leitores não vão ser chamados a ser a Madre Teresa de Calcutá, e eu, definitivamente, não sou chamado a ser o organista da paróquia. Mas também significa que temos de nos esforçar arduamente para ver, nomear e desenvolver os nossos dons, a fim de os podermos partilhar com quem precisa do que temos para oferecer.

A intensa e ansiosa procura pela alegria, que todos nós tão bem conhecemos, nunca será plenamente satisfeita nesta vida. Mas se olharmos, identificarmos e desenvolvermos os nossos melhores dons e os dividirmos de coração aberto com todos os que deles necessitam, principiaremos a experimentar a alegria que sempre desejámos. Começaremos então a conhecer a paz para a qual fomos criados.
Mons. Dennis Clark

In Catholic Exchange
Trad. / adapt: Rui Martins, In SNPC

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Quem são os inimigos, estes que somos chamados a amar?

David e Saul
Amar os inimigos
Das leituras para o 7.º Domingo do Tempo Comum (Ano A)

Da santidade de Deus desce o mandamento de amar o próximo como a si mesmo (1.ª leitura); da perfeição de Deus brota o mandamento de amar o inimigo (Evangelho). Os textos propõem uma ética teologal, uma ética que encontra no ser e no agir de Deus para o homem o seu fundamento. O critério ético que orienta o agir humano pode ser expresso assim: “Como Deus agiu para ti, também tu age da mesma fora para com os outros”. Desta maneira, não só se supera o nível da vingança. do “Faz também ao outro o que ele fez a ti”, como é fundado e tornado praticável o amor do inimigo graças à fé em Cristo que amou também os inimigos.

As palavras de Jesus em Mateus 5, 38-42 enfrentam o problema da violência. Se a lei de Talião é já uma barreira à violência indiscriminada e desmesurada, Jesus propõe uma prática de ativa não-violência aplicada a diversos âmbitos. Mas ainda antes de propor uma estratégia que se opõe à violência, a Bíblia e a palavra evangélica em particular, ajudam o homem a discerni-la, a desmascará-la nas suas camuflagens e a reconhecer que não lhe é estranha.

O caso da bofetada (v. 39) refere-se aos casos de explosão violenta nas relações familiares e sociais de todos os dias, integrando-se por conseguinte no horizonte da vida quotidiana. Todos nós conhecemos uma violência diária e subtil que – sem derramamento de sangue e sem cair na agressão física, mas o deixando o coração profundamente ferido – ocorre no interior das relações familiares, nas relações entre irmãos, entre pais e filhos, entre homem e mulher, a do homem que não sabe domesticar a animalidade que habita o próprio coração, a que começa de maneira escondida ou pouco visível, que se insinua furtivamente num olhar, num comportamento, em palavras.

O caso apontado no v. 40 diz respeito a um processo de arresto: entreveem-se as situações de injustiça e violência social, estrutural; as instituições que, colocadas ao serviço da justiça, podem tornar-se instrumentos de injustiça. Podemos pensar na violência da burocracia, com a sua impessoalidade e indiferença à individualidade humana.

O caso do v. 41 refere-se à coação, à tirania, à violência do abuso, de dobrar a vontade do outro para que ele faça o que nós queremos. E o alcance do abuso abrange o plano físico e sexual, psicológico e espiritual. E pode também configurar-se como violência a pressão, a insistência de um pedido para obter dinheiro e empréstimos (v. 42). O âmbito económico é certamente desencadeador de cobiça e violência.

Jesus pede ao crente para não opor resistência ao malvado: esta dimensão negativa será completada pelo mandamento positivo de amar o inimigo (v. 41). A violência faz parte do mundo não libertado, opondo-se ao Reino de Deus, pelo que não pode reentrar na prática messiânica. O pedido de amar os inimigos situa-se no coração da “diferença cristã”: o que é que diferencia o cristão em relação a pagãos e publicanos, a indiferentes e não crentes? Jesus pede aos crentes para sair do fechamento daquilo que é homólogo, similar, recíproco, autoreferencial: amar quem já se ama, saudar só os irmãos. Trata-se, em vez disso, de ousar a alteridade, de ter a coragem da diversidade e de vencer com o amor o medo do diferente e do outro. São fatores de violência a absolutização do mesmo, do idêntico, que se pode traduzir na redução das relações sociais à mera materialidade dos elementos naturais, à exaltação da consanguinidade, da homogeneidade do elemento étnico.

Praticar o amor com o inimigo contém em si uma promessa escatológica que tem implicações históricas no hoje: «Fazendo assim, tornar-vos-eis filhos do vosso Pai que está no Céu» (v. 45). Viver o amor do inimigo significa estar imerso no amor de Deus que em Cristo se manifestou como amor pelos inimigos: essa imersão regenera o crente, dá à luz um filho de Deus, pertencente a Deus e semelhante a Jesus Cristo. O útero e a matriz deste nascimento à semelhança de Deus (cf. v. 48) é a experiência do amor universal de Deus, do seu amor a bons e maus, da sua bondade incondicional.

Luciano Manicardi, da Comunidade de Bose

Tradução de Rui Martins in SNPC
Ler sobre o Mosteiro de Bose

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Particularidades do amor cristão


Caravaggio
 "O amor cristão não é a palavra – nem sequer a última palavra – do mundo sobre si mesmo, mas a palavra definitiva de Deus sobre si próprio e, portanto, também sobre o mundo. Na cruz, a palavra do mundo é, antes de mais, atravessada por uma palavra de todo diferente, que o mundo de nenhum modo quer ouvir. O mundo quer viver e ressuscitar antes de morrer, o amor de Cristo, porém, quer morrer para ressuscitar além da morte, na morte, na forma de Deus. (...) A esta vontade de viver, peculiar ao mundo, a palavra de Deus em Jesus Cristo traz a única esperança, imprevisível, para lá de todas as possíveis construções do mundo. Para a vontade do mundo, é uma solução “desesperada” porque lhe sugere a morte, mas, ao mesmo tempo, patenteia a vontade do mundo como “desesperada”, porque ela não pode prevalecer contra a morte. Só à vontade desesperada de viver é que a proposta divina surge como uma solução de desespero, em si ela é puro amor que, na morte, se revela mais forte do que a morte, portanto já triunfou daquilo que a vontade do mundo em vão combate. O mundo decide-se por neutralizar entre si os dois desesperos, descobre que a palavra de Deus a seu respeito não lhe é exterior, mas o realiza interiormente, isto é, o conduz para onde ele essencialmente deve ir (...).


[À] luz da cruz, o ser do mundo recebe um sentido, as formas e as vias incoativas do amor que, de outro modo, correm o risco de se encaminhar para um beco sem saída, podem ser referidas ao seu verdadeiro fundamento transcendente. Mas quando esta relação (de natureza e de graça) é destruída, no sentido da dialéctica mencionada que opõe o “saber” e a “fé”, o ser finito é necessariamente colocado sob o signo do “saber” sempre superior a tudo o mais, e assim as potências imanentes de amor no mundo são subjugadas e abafadas pela ciência, pela técnica e pela cibernética. Nasce então um mundo sem mulheres, sem filhos, sem respeito pela forma de pobreza e de humildade do amor, um mundo onde tudo é visto em função do lucro e da aquisição de poder, onde tudo o que é desinteressado e gratuito é desprezado, perseguido e extinto, e onde até à arte se impõe a máscara e o rosto da técnica.


Mas se o criado se encarar com os olhos do amor, é então compreendido contra todas as verosimilhanças que parecem apontar para o vazio de amor no mundo. Compreendido na sua definitiva razão de ser: não só da sua essência que se pode clarificar de algum modo graças às numerosas relações significativas entre as naturezas particulares, mas também da sua existência em geral, para a qual, aliás, nenhuma filosofia consegue encontrar um fundamento suficiente. Porque é que realmente existe algo em vez de nada? – a questão surge tanto na afirmação, como na negação, da existência de um Ser absoluto. Se este Ser não existe, que razão pode haver para que existam, no seio do nada, estas coisas finitas e efémeras que nem por adição, nem por evolução, alguma vez podem desembocar no Absoluto? Mas se o Absoluto existir e se bastar a si como absoluto, então ainda é quase mais incompreensível porque é que, fora dele, deveria haver algo de diferente. Só uma filosofia do amor autónomo e livre pode justificar a nossa existência, mas não sem interpretar ao mesmo tempo a essência do ser finito em função do amor. Em função do amor, e não, em última instância, da consciência ou do espírito, do saber ou do poder, do prazer ou da utilidade, mas de tudo isso considerado apenas como modos e pressupostos em vista do único acto que tudo perfaz, e que brilha esplendorosamente no sinal de Deus. (...)

Todos os valores do mundo são postos na sua verdadeira luz só pelo sinal de Deus, porque agora se ultrapassam também todos os limites do amor, todas as objecções contra ele, e ainda todas as profundezas misteriosas do amor que se imola são preservadas e subtraídas ao domínio do saber redutor. É sobretudo o homem que se torna verdadeiramente ele próprio no apelo que lhe é dirigido: criado para este fim, chega inteiramente a si próprio como aquele que responde. Ele é a linguagem de que Deus se serve para lhe falar: como é que, neste diálogo, não haveria de se entender a si? Emergindo à luz de Deus, entra na claridade sem pôr em perigo a sua natureza (de modo espiritualista), nem a sua qualidade de criatura (pelo orgulho). Só na salvação concedida por Deus é que o homem se torna plenamente são. Graças ao sinal de Deus que se rebaixa encarnando e se aniquila na morte e no vazio de Deus, é que se pode esclarecer porque é que Deus, já como criador do mundo, saiu de si e desceu abaixo de si: correspondia assim ao seu ser e à sua essência absolutos revelar-se, na sua liberdade abissal e por nada instigada, como o amor insondável, que não é o bem absoluto para lá do ser, mas a profundidade e a altura, o comprimento e a largura do próprio Ser.

Eis porque justamente o primado eterno da palavra divina de amor se oculta numa impotência, que outorga o primado ao amado: o amor de Deus por este filho que é o mundo desperta de tal modo o amor no coração deste que o amor de Deus se pode também tornar filho, um filho que nasceu de sua mãe e que por ela foi despertado para o amor divino-humano. A palavra de Deus suscita a resposta do homem, tornando-se ela própria o amor que responde e que deixa ao mundo a iniciativa. Círculo indestrutível, imaginado e realizado só por Deus, que permanece sem cessar acima do mundo e, por isso mesmo, reside no coração do mundo. No coração se situa o centro; eis porque o coração divino-humano é objecto de veneração, e a cabeça só quando está coberta de sangue e de chagas: como revelação do coração.


Assim se atenua a controvérsia em torno da questão seguinte: consiste a bem-aventurança eterna na visão ou no amor? De facto, ela só pode consistir na “visão” amorosa do amor, pois, que outra coisa se deveria ver em Deus, e como é que o amor poderia ser contemplado, a não ser na comunhão de amor?"

Hans Urs von Balthasar

In "Só o amor é digno de fé", Assírio & Alvim

Ler mais em SNPC
Ler sobre von Balthasar neste blogue

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Ama-me por amor do Amor: um poema de amor da Madre Teresa

Ama-me por amor somente


Não digas:
"Amo-a pelo seu olhar,
o seu sorriso,
ou modo de falar
honesto e brando.
Amo-a porque
se sente minh'alma em
comunhão constantemente
com a sua"

Porque pode mudar isso tudo,
em si mesmo,
ao perpassar do tempo,
ou para ti unicamente.

Nem me ames
pelo pranto
que a bondade
de tuas mãos enxuga,
pois se em mim secar,
por teu conforto
esta vontade de chorar,
teu amor pode ter fim!

Ama-me por amor do Amor,
E assim me hás de querer por
toda a eternidade.

Madre Teresa de Calcutá

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Grupo de leitura: Amor e Responsabilidade

Na Igreja Paroquial de Nossa Senhora do Carmo do Alto do Lumiar, em Lisboa, um grupo de cristãos reúne-se para fazer uma leitura partilhada do livro "Amor e Responsabilidade" de Karol Wojtyla  (João Paulo II). Os encontros começaram no dia 27 de Janeiro e são quinzenais, de entrada livre, às quintas-feiras pelas 21h30 (no dia 19 de Maio será às 22h30).

"Karol Wojtyla publicou Amor e Responsabilidade em 1960, e esta obra é fruto do seu trabalho pastoral, especialmente entre os jovens. A sua análise do verdadeiro significado do amor humano transforma a vida de quem o lê e dá uma nova luz a velhos temas:
  • a autenticidade do amor
  • o significado da amizade
  • as relações entre homem e mulher
  • como alcançar maior intimidade no casamento
e muito mais…

O livro encontra-se à venda na Fnac. A tradução portuguesa é uma edição de 1999 da Editora Rei dos Livros. A sua compra é recomendada mas não obrigatória!"

Contactos e informações: Maria José Vilaça / 917969041 mjvilaca@sapo.pt
 
Nota: Este grupo de leitura publica eventos no facebook. Basta procurar "Amor e Responsabilidade".

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Uma comunidade de braços e corações abertos: as monjas dominicanas do Lumiar


No passado sábado deu-se um encontro organizado pelas irmãs dominicanas (Monjas dominicanas do Mosteiro de Santa Maria) que, ousaria dizer, é um sinal de esperança e um marco para a história da Igreja em Portugal.


No ciclo Encontros do Lumiar, com o belo título Na Fronteira de Deus e do Mundo, abordou-se o tema Viver como cristão - a condição homossexual. A sala estava cheia, cheia de ouvintes, cheia de generosidade e cheia de amor fraterno e cristão. Mas em relação à "conferência" - que nome imperfeito para falar de uma partilha de vida - haverá posteriores mensagens que tentarão fazer um "apanhado" do que ali se viveu.

Serve esta mensagem para prestar homenagem e agradecer a forma tão concreta e cristã com que estas irmãs vivem a fecundidade do seu amor. Bem hajam!

No site desta comunidade as palavras que lemos em jeito de boas-vindas são: "Somos uma pequena comunidade de Monjas da Ordem dos Pregadores ou "Monjas Pregadoras". No seio da Ordem e da Igreja, a presença de Monjas, aponta para o essencial pela vivência do Evangelho - o seguimento de Cristo. Desejamos que nestes espaços possa "encontrar" o Invisível, o essencial para que eles apontam." E a boa notícia é que este Encontro se faz, o que parece revelar a veracidade da vocação que estas mulheres procuram viver.

Ler mais:
http://www.monjasoplisboa.com/
A vida da comunidade
http://www.monjasoplisboa.com/index.asp?art=12141
Dia-a-dia
Fotografias
Na Fronteira de Deus e do Mundo (programa)
Localização
http://www.monjasoplisboa.com/index.asp?flintro=off&lang=&art=12144&menu=9037

domingo, 19 de dezembro de 2010

Um esboço: o amor da Amizade

A Amizade

«Mas quem é que caminha a teu lado?». Quando me reencontro com esta pergunta, trazida por um verso de T.S. Eliot, penso quase sempre nos amigos. Um amigo, por definição, é alguém que caminha a nosso lado, mesmo se separado por milhares de quilómetros ou por dezenas de anos. O longe e a distância são completamente relativizados pela prática da amizade. De igual maneira o silêncio e a palavra. Um amigo reúne estas condições que parecem paradoxais: ele é ao mesmo tempo a pessoa a quem podemos contar tudo e é aquela junto de quem podemos estar longamente em silêncio, sem sentir por isso qualquer constrangimento. Tenho amigos dos dois tipos. Com alguns, sei que a nossa amizade se cimenta na capacidade de fazer circular o relato da vida, a partilha das pequenas histórias, a nomeação verbal do lume mais íntimo que nos alumia. Com outros, percebo que a amizade é fundamentalmente uma grande disponibilidade para a escuta, como se aquilo que dizemos fosse sempre apenas a ponta visível de um maravilhoso mundo interior e escondido, que não serão as palavras a expressar.

O modo como uma grande amizade começa é misterioso. Podemos descrevê-lo como um movimento de empatia que se efetiva, um laço de afeição ou de estima que se estreita, mas não sabemos explicar como é que ele se desencadeia. Irrompe em silêncio a amizade. Na maior parte das vezes quando reconhecemos alguém como amigo, isso quer dizer que já nos ligava um património de amizade, que nos dias anteriores, nos meses anteriores, como escreveu Maurice Blanchot, «éramos amigos e não sabíamos».

Aquilo de que uma amizade vive também dá que pensar. É impressionante constatar como ela acende em nós gratas marcas tão profundas com uma desconcertante simplicidade de meios: um encontro dos olhares (mas que sentimos como uma saudação trocada entre as nossas almas), uma qualidade de escuta, o compartilhar mais breve ou demorado de uma mesa ou de uma conversa, um compromisso comum num projeto, uma qualquer ingénua alegriaA linguagem da amizade é discreta e ténue. E ao mesmo tempo é inesquecível e impressiva.

Há aquele ditado que diz: «viver sem amigos é morrer sem testemunhas». A diferença entre os conhecidos e os amigos é a mesma que distingue um ocasional espetador daquele que está habilitado a testemunhar. Este último disponibiliza-se realmente a ser presença. Se tivesse de resumir a sua natureza, apetecia-me dizer: um amigo é alguém que foi capaz de olhar, mesmo que por um segundo apenas, o fundo da nossa alma e transporta depois consigo esse segredo, da forma mais gratuita e inocente. E nós retribuímos o mesmo. Em dois ou três poemas de Adília Lopes sublinhei, há tempos, isso. No idioma da poesia de Adília, a amizade era descrita assim: «busquei o amor sem ironia». A amizade, mesmo quando nos fartamos de rir e de alegrar com os outros, é esse transparente amor.

Tenho por uma grande verdade aquilo que escreveu o filósofo Paul Ricoeur: «para ser amigo de si próprio é necessário ter já vivido uma relação de amizade com alguém».

José Tolentino Mendonça

In Diário Notícias (Madeira), publicado a 21 de Novembro de 2010

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

O exemplo de acolhimento de Jesus

O que qualquer cristão deve saber sobre a homossexualidade
"E conhecereis a verdade e a verdade vos libertará!" (João 8,32)
9/10

O maior argumento para se provar que as Escrituras Sagradas não condenam o amor entre pessoas do mesmo género, é o facto de Jesus Cristo nunca dito nada contra os homossexuais! Se o "homossexualismo" fosse uma coisa tão abominável, certamente o Filho de Deus teria incluído esse tema na sua mensagem.

O que Jesus condenou foi a dureza de coração, a intolerância dos fariseus hipócritas, a crueldade dos que dizem “Senhor, Senhor”, mas esquecem-se da caridade e do respeito pelos outros (Cf. Mateus 7,21). E foi o próprio Messias que deu o exemplo da “tolerância” para com os "desviados", andando e comendo com prostitutas, pecadores e publicanos.


E há mais: Jesus Cristo mostrou-se particularmente aberto à homossexualidade, revelando carinhosa predilecção por João Evangelista, "o discípulo que Jesus amava", que, na última Ceia, esteve ternamente recostado no peito do Divino Mestre. Há teólogos que chegam a sugerir que Jesus seria homossexual pois, além de nunca ter condenado o homo-erotismo, conviveu predominantemente com companheiros do seu próprio género, manifestou particular predilecção pelo adolescente João e nunca se casou, além de revelar muita sensibilidade para com as crianças e pelos lírios do campo, comportamentos muito mais comuns entre homossexuais do que entre “machões”.


O ensinamento do discípulo que Jesus amava não podia ser mais claro: "Caríssimos, amemo-nos uns aos outros, porque o amor vem de Deus e todo aquele que ama nasceu de Deus e conhece a Deus" (1 João 4,7).


Adaptação de uma publicação do blogue http://www.ggb.org.br/cristao.html que está a ser apresentada em várias mensagens.


Ler no blogue:
da rubrica O que qualquer cristão deve saber sobre a homossexualidade http://moradasdedeus.blogspot.com/2010/11/biblia-fala-dos-homossexuais.html
http://moradasdedeus.blogspot.com/2010/11/o-que-apareceu-primeiro.html
http://moradasdedeus.blogspot.com/2010/11/casamento-homossexual-ha-3400-anos-e-as.html
http://moradasdedeus.blogspot.com/2010/11/o-hino-de-amor-homossexual-da-biblia.html
http://moradasdedeus.blogspot.com/2010/11/antigo-testamento-e-homo-erotismo.html
http://moradasdedeus.blogspot.com/2010/11/sodoma-e-gomorra-condenacao-da.html
http://moradasdedeus.blogspot.com/2010/11/qual-e-o-verdadeiro-pecado-de-sodoma.html
http://moradasdedeus.blogspot.com/2010/12/sao-paulo-condena-os-homossexuais.html
sobre homossexualidade ao longo da história
http://moradasdedeus.blogspot.com/2010/05/homossexualidade-luz-dos-tempos.html

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

O hino de amor homossexual da Bíblia

O que qualquer cristão deve saber sobre homossexualidade
"E conhecereis a verdade e a verdade vos libertará!" (João 8, 32)
4/10

Se a homossexualidade fosse prática tão condenável, como justificar a indiscutível relação homossexual existente entre David e Jónatas?

Eis a declaração do salmista para o seu bem-amado: "Como eu te amava! O teu amor era uma maravilha para mim mais excelente que o das mulheres." (2 Samuel 1, 26).

Alguns crentes argumentarão que se tratava apenas de um amor espiritual, ágape. Preconceito primário, pois só as coisas materiais são referidas com a expressão "delicioso"[1], e não resta a sombra da menor dúvida que David, na sua juventude, foi adepto do "amor que não ousava dizer o nome".

Não foi gratuitamente que o maior escultor de nossa civilização, Miguel Ângelo, ele próprio homossexual, escolheu o jovem David, nu, como modelo da sua famosa escultura de Florença, em Itália.

Negar o amor homossexual entre estas duas importantes personagens bíblicas ("amizade mais maravilhosa que o amor (Eros) das mulheres") é negar a própria evidência dos factos.

"Tendes olhos e não vedes? Tendes ouvidos e não ouvis?" (Marcos 8,18).

[1] Na tradução da Bíblia usada na mensagem original (em português do Brasil), lia-se “Tu me eras deliciosamente querido” em vez de “Como eu te amava”. A Bíblia usada nesta adaptação do texto original é em português de Portugal (Bíblia Sagrada, da Difusora Bíblica de 2000).

Adaptação de uma publicação do blogue http://www.ggb.org.br/cristao.html que está a ser apresentada em várias mensagens.

Ler no blogue:
da rubrica O que qualquer cristão deve saber sobre a homossexualidade http://moradasdedeus.blogspot.com/2010/11/biblia-fala-dos-homossexuais.html
http://moradasdedeus.blogspot.com/2010/11/o-que-apareceu-primeiro.html
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sobre homossexualidade ao longo da história
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sobre Jónatas e David
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http://moradasdedeus.blogspot.com/2010/11/o-amigo-de-david.html
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http://moradasdedeus.blogspot.com/2010/11/o-rotulo-da-fragilidade.html

"O puro prazer deve ser inserido no gozo" e "Amar verdadeiramente sendo amado definitivamente"

A Igreja precisa de uma reforma nas questões do amor, afirma o cardeal
Segunda Parte

Castidade e sexualidade são sentidas como antíteses...

A castidade mantém o Eu ordenado. Eliminá-la significa reduzir o amor a mera habilidade sexual, veiculada por uma subestrutura de relações humanas que se fundamenta num grave equívoco e isto está na ideia de que no homem exista um ‘instinto sexual’ como ocorre com os animais. A psicanálise demonstra que não é verdade: também no nosso inconsciente mais profundo nada se joga sem o envolvimento do Eu. O sacrifício e o distanciamento requeridos pela castidade mantêm o Eu pessoal unido, abrindo caminho para uma possessão mais autêntica. O sacrifício não anula a posse, é a condição que o expõe.

Os doutores da Igreja falavam de ‘gaudium’ (gozo). O puro prazer, que por sua natureza acaba rapidamente, pede para ser inserido no gozo, pois se ficar fechado em si mesmo a posse o anula lentamente, enfraquece, deprime. Impressiona-me o facto de, quando digo estas coisas aos jovens, encontrar mais surpresa do que crítica.

Gozo e sexualidade parecem conceitos incompatíveis com a doutrina católica.

Não é assim. A mensagem bíblica foi a primeira, historicamente falando, a fazer ver a diferença sexual de uma óptica absolutamente positiva e criativa, como dom de Deus. Mas como em todas as coisas humanas, o positivo, o bem, o verdadeiro nunca são fáceis. Mas sem o belo, o bom, o verdadeiro, a vida enfraquece, não há em si energia para conduzir ao marasmo do real.

No livro dos Provérbios, entre as coisas muito árduas para compreender, o autor considera ‘o caminho do homem numa jovem mulher’. A mulher é a figura daquela que está no começo: eu saio dela ao nascer. Então, quando o homem e a mulher se encontram, fazem ao mesmo tempo a experiência de recomeçar aquilo que de qualquer forma já conheciam e de dar vida a uma novidade. Aqui existe a intrínseca raiz da fecundidade. O amor objectivo nunca é uma relação a dois. Aprendemo-lo através da Trindade.

Mas o que tem a reforma da Igreja a ver com isso?

Tem tudo a ver! Fundamental para a reforma da Igreja é reencontrar testemunhas credíveis do belo amor que Cristo, com uma infinidade de santos na sua grande maioria anónimos, introduziu na história. Penso em tantas gerações vividas na lógica do belo amor. Penso nos meus pais, nos olhos com que o meu pai aos noventa anos olhava a minha mãe também com noventa, doente, debilitada por um cancro violento nos rins. (...) Que amor teria sobrevivido melhor ao Eu do que esta ligação indissolúvel? Objectivamente não há comparação entre a densidade de uma experiência assim definitiva e o passar indefinido de uma sequência de relações precárias. No fim, quer seja a necessidade de amar definitivamente, quer seja a fragilidade sexual serão marcadas pelo terror da morte.

Para amar verdadeiramente devo ser amado definitivamente, ou seja, além da morte; e é isto que Jesus veio fazer. Se há um delito que nós, cristãos, cometemos, é não mostrar o dom maravilhoso de Jesus: dar a vida para nos fazer entender a beleza do amor objectivo e efectivo. Isto tem sempre um carácter nupcial, inseparável conexão de diferença, dom de si e fecundidade. O outro não está fora do meu Eu, o outro permeia-me todos os dias; a minha própria concepção está ligada a este permear-me. Por isso, humanizar a sexualidade através da castidade é um recurso capital para vencer a aposta do pós-moderno, para o homem do terceiro milénio que queira salvar o caminho do belo amor, que nos faz gozar verdadeiramente a vida.

Entrevista de Aldo Cazzullo, publicada no jornal Corriere della Sera, a de 18 de Julho de 2010; tradução de Alessandra Gusatto, adaptada por rioazur.

Ler Primeira Parte no blogue

A satisfação plena do desejo é encontrar o verdadeiro rosto do outro

Eu sou a mãe do belo amor…”. O cardeal Angelo Scola, patriarca de Veneza, a partir de passagens das Escrituras sobre o “belo amor”, aborda temas delicados como a sexualidade, pedofilia, virgindade e celibato.


A Igreja precisa de uma reforma nas questões do amor, afirma o cardeal
Primeira Parte

Porquê esta escolha?

Pela dificuldade com que nós, cristãos, temos em divulgar que o estilo de vida afectivo e sexual indicado pela Igreja é bom e conveniente para o homem de hoje. Pelo contrário, parece até que esta proposta não está apenas ultrapassada e é incapaz de satisfazer o desejo humano de alegria plena, mas também que é, de facto, contrária à liberdade e irreal, incapaz de levar em conta aquilo que o homem aprendeu a respeito de si mesmo e a respeito do mundo das emoções, dos afectos, das relações com o outro, graças a uma longa história e às recentes descobertas científicas.

Ouvi tudo isto como uma provocação afirmando que os homens e as mulheres de hoje, talvez involuntariamente, arriscam-se a perder algo profundo, perdem uma grande possibilidade de realização, distanciam-se da proposta cristã ligada à vida afectiva e sexual.

Mas em que se baseia essa proposta?

Parece-me que a ideia bíblica do ‘belo amor, que a tradição cristã aprofundou, seja particularmente adequada, exactamente pela sua capacidade de conjugar o amor e a beleza, de vê-lo surgir desta e percebê-lo como ‘difusor’ de beleza, capaz de fazê-la brilhar no rosto dos outros.

Os Padres da Igreja referem-se ao tema bíblico do ‘belo amor’ não apenas em relação a Nossa Senhora, mas também a Jesus. Falam da beleza como do ‘esplendor da verdade; (…) aquele que contempla Deus, ou seja, que o ama, torna-se completamente belo.

Mas esta capacidade muitas vezes falta à experiência sexual dos homens e das mulheres de hoje. Viver a beleza significa arrancar da sexualidade o dualismo entre espírito e corpo; como se amarrassemos a sexualidade no animalesco e depois separadamente tivéssemos ímpetos espirituais de intenção de belo amor. Pascal dizia que o homem está a meio-caminho entre o animal e o anjo, mas deve estar bem atento para não cuidar apenas de um ou do outro; cada um de nós, inseparável da alma e do corpo, deve considerar a dimensão sexual do próprio Eu durante toda a vida, do nascimento até à morte.

Patriarca, conhece a crítica feita aos homens da Igreja: falam de coisas que não vivem, por vezes de maneira anormal, e estas não lhes dizem respeito.

Acabei de dizer que ‘cada homem e cada mulher’ deve considerar a dimensão sexual durante toda a vida! Certo, quem é chamado à virgindade ou ao celibato fá-lo de maneira diferente mas, fique bem claro, sem mutilações psicológicas ou espirituais. A mensagem cristã é transportada em vasos de barro e, portanto, o facto de os homens da Igreja poderem cair em contradições trágicas e graves a nível afectivo e sexual, não invalida em si a proposta enquanto tal. Obviamente não o digo para encobrir escândalos.

Como sair do escândalo da pedofilia?

O Santo Padre, na ‘Carta aos Católicos da Irlanda’, soube encarar a situação de modo claro e decidido: uma condenação sem meios-termos pela gravidade extrema deste pecado e deste crime. As palavras-chave – misericórdia, justiça em leal colaboração com as autoridades civis, e penitência – fazem com que se possa confrontar qualquer caso.

O Papa não subestima a responsabilidade de cada membro do único corpo eclesiástico e, principalmente, do colégio episcopal. É um escândalo que diz respeito a toda a Igreja, chamada a uma profunda penitência e a uma reforma que não poderá deixar nenhum nível da sua missão de fora. Uma coisa, porém, tocou-me neste caso: aqueles que deveriam falar, para ajudar-nos a entender as raízes deste mal e tentar eliminá-lo, estão calados.

A quem se refere?

Aos psicólogos, aos educadores, aos pedagogos, aos homens chamados a aprofundar estes lados obscuros do Eu. A imprensa denunciou o fenómeno com ênfase compreensível, em termos até justificáveis, mas indiscutivelmente de maneira excessiva.

Fala da necessidade de reforma na Igreja…

Como o Santo Padre nos indicou, os casos terríveis de pedofilia e as comprovadas responsabilidades de cobertura ingénua ou negligência por parte das autoridades clamam fortemente a condição de realidade sempre em reforma da Igreja. Bento XVI exige penitência, chegar às raízes da misericórdia, ou seja, ir ao encontro pessoal do Tu de Cristo, e relembra que os inimigos mais perigosos da Igreja estão no meio dela e não vêm de fora.

Mas em que consiste a reforma?

Especificamente, redescobrir o sentido entre o belo amor e a sexualidade. Mostrar que a satisfação plena do desejo é encontrar o verdadeiro rosto do outro, sobretudo na relação entre homem e mulher. E aprender, de novo, como a esfera da sexualidade exige ser integrada no Eu através de uma grande virtude, infelizmente em desuso: a castidade. Para redescobri-la, precisamos de coragem para falar sobre os moldes em que vivemos actualmente a esfera sexual.

A que moldes se refere?

Cito o exemplo mais sofisticado. Os mais recentes estudos da neurociência, como o de Helen Fisher, relacionam todas as dimensões do amor, inclusive ‘o amor romântico’, com simples modificações neuronais do nosso cérebro. A liberdade e a criatividade caberão neste âmbito?

É verdade que temos necessidade de comer e beber, como os animais; mas não comemos e bebemos como animais, pelo contrário, a cozinha tornou-se numa arte, num aspecto de civilização; e isto vale ainda mais para a dimensão sexual. Uma presunção reducionista como aquela de Fisher é uma variante da tentação de conceber o homem como simples experiência de si mesmo. Assim se cria uma mentalidade, um clima no qual o desejo, a energia da liberdade que encontra a realidade, se torna livre de sentido, e a dimensão sexual assume uma fisionomia quase animalesca. Mas, estes homem e mulher, quando estão em si, não podem aceitá-lo.
...continua

Entrevista de Aldo Cazzullo, publicada no jornal Corriere della Sera, a de 18 de Julho de 2010; tradução de Alessandra Gusatto, adaptada por rioazur.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Santa Cecília e a obra-prima do amor

A fé segue esta voz profunda para onde a arte, por si só própria, não pode chegar: segue-a na vida do testemunho, da oferta de si mesmo por amor, como fez Cecília”.
A mais bela obra de arte, a obra-prima do ser humano, é todo o seu acto de amor autêntico, do mais pequeno – no martírio diário – até ao sacrifício extremo. Que a própria vida se faça um canto: uma antecipação daquela sinfonia que cantaremos em conjunto no Paraíso
Bento XVI
in © SNPC 14.10.10
http://www.snpcultura.org/vol_vida_oferecida_obra_arte.html

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Dos homens e dos deuses: ode à fé, ao amor ao próximo e ao serviço

Um filme que não quero perder. Quando o vir comentá-lo-ei. Entretanto aqui fica a opinião da Margarida Ataíde:

"Dos homens e dos deuses": fé e despojamento
 Em 1996, sete monges da Ordem Cisterciense da Estrita Observância são raptados e assasinados em Tibhirine, aldeia aninhada na região argelina do Magrebe. É o culminar da escalada de violência que opõe o Grupo Islâmico Armado (GIA), extremista, ao governo que acusa de corrupto. O impacto deste horrível desaparecimento, cujos contornos exactos estão ainda por esclarecer, extende-se até aos nossos dias, levado agora ao cinema sob direção do realizador francês Xavier Beauvois.

A obra, reconhecida com o Grande Prémio do Festival de Cannes e merecedora da forte e comovida chuva de aplausos que encheram o Palais des Festivals na noite do passado 23 de maio, é uma extraordinária ode à fé, ao amor ao próximo e ao espírito de serviço que cumpre, em estilo e estrutura narrativa, o despojamento do seu sujeito.
Com efeito, é-nos dado comungar a forma abnegada como uma comunidade de homens lida com uma realidade adversa para a qual não contribui senão com a sua vocação de amor e dádiva. Uma vocação reafirmada ao arrepio das pressões externas para abandonarem a aldeia que servem à sua sorte.

Sem ceder a tentações sensacionalistas, Beauvois desvenda aos nossos olhos o dia-a-dia daquele pequeno mosteiro de Tibhirine, dos seus sete habitantes e da pacata população da aldeia local, induzindo progressivamente o adensar do contexto violento que involuntariamente envolve uns e outros.

Simples e acessível, a linguagem fílmica pretere o horror dos acontecimentos, trágicos, e da crescente violência, ao espírito com que aquela irmandade os enfrenta. Um espírito sustentado na sua extraordinária força e revitalizado na dúvida e fraqueza pela oração, pelo permanente desejo de união e comunhão, pelo tempo e oportunidade concedidos ao discernimento.
Mais que um nefasto episódio da história política ou religiosa, estamos perante uma obra que nos propõe um caminho, pela busca do verdadeiro sentido da vida: o que os sete monges sacrificados, na sua fé cristã, encontraram, e que Xavier Beauvois tão bem percorre, alumiando-o para crentes e não crentes.
Dos Homens e dos Deuses” (122 minutos) estreia em Portugal esta 5.ª feira, 11 de novembro.
Margarida Ataíde


in © SNPC 10.11.10
http://www.snpcultura.org/vol_dos_homens_e_dos_deuses_fe_despojamento_amor_ao_proximo.html

domingo, 7 de novembro de 2010

Imagens na arte: Jónatas e David

 
Seria o amor entre Jónatas e David um amor pura e simplesmente espiritual, fraterno ou de amizade? Os artistas, ao longo da história, não o interpretam assim. No texto do 2º livro de Samuel David afirma claramente que o amor de Jónatas era uma maravilha mais excelente que o das mulheres. Pode-se sempre arranjar uma montanha de explicações hipotéticas, rebuscadas e pouco convincentes, mas tudo leva a crer que era um amor maior, e não apenas no campo das ideias. Seria simplesmente o amor entre dois homens e, por isso, um amor homossexual.



As imagens percorrem esta temática nas artes (plásticas e performativas) ao longo dos séculos. Não é uma amostra exaustiva, mas dá para ter uma noção da diversidade formal em que este amor procura ser materializado e na forma em como continua a inspirar os artistas.

mais sobre o tema:
http://moradasdedeus.blogspot.com/2010/11/o-amor-de-david.html
http://moradasdedeus.blogspot.com/2010/11/o-amigo-de-david.html
http://moradasdedeus.blogspot.com/2010/11/sorri.html

Porque estou aqui

Sinto-me privilegiado por ter encontrado na Igreja um lugar vazio, feito à minha medida. É certo que tê-lo encontrado (ou encontrá-lo renovadamente, pois não é dado adquirido) foi também mérito da minha sede, do meu empenho, de não baixar os braços e achar, passivamente, que não seria possível. Passo a contextualizar: a comunidade onde vou à missa é pequena e acolhedora, e podia bem não o ser. Ao mesmo tempo, sentia um desejo grande de reflexão de vida cristã e encontrei um casal (heterosexual) que tinha a mesma vontade. Começámo-nos a reunir semanalmente numa pequena comunidade de oração e reflexão que, apesar de crítica, nos tem ajudado a sermos Igreja e a nela nos revermos. Paralelamente, face ao contínuo desencanto em relação a algumas posturas e pontos de vista de uma Igreja mais institucional e hierárquica, tive a graça de encontrar um grupo de cristãos homossexuais, que se reuniam com um padre regularmente, sem terem de se esconder ou de ocultar parte de si.

Sei que muitos cristãos homossexuais nunca pensaram sequer na eventualidade de existirem grupos cristãos em que se pudessem apresentar inteiros, quanto mais pensarem poder tomar parte e pôr em comum fé, questões, procuras, afectos e vidas.

Por tudo isto me sinto grato a Deus e me sinto responsável para tentar chegar a quem não teve, até agora, uma experiência tão feliz como a minha.

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As imagens que ilustram as mensagens são retiradas da Internet. Quando se conhece a sua autoria, esta é referida. Quando não se conhece não aparece nenhuma referência. Caso detectem alguma fotografia não identificada e conheçam a sua autoria, pedimos que nos informem da mesma.

As imagens são ilustrativas e não são sempre directamente associáveis ao conteúdo da mensagem. É uma escolha pessoal do autor do blogue. Há um critério de estética e de temática ligado ao teor do blogue. Espero, por isso, que nenhum leitor se sinta ofendido com as associações livres entre imagem e conteúdo.

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