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A diversidade na Igreja

"A casa do meu Pai tem muitas moradas", diz-nos Jesus no evangelho.

A unidade na diversidade não é sempre aparente na Igreja enquanto povo de Deus, mas é uma realidade em Deus e uma presença na fé cristã desde a sua origem. A Palavra de Deus não é partidária, elitista e exclusiva. O Reino de Deus é como uma árvore que estende os ramos para dar abrigo a todos os pássaros do céu. Cristo não morreu na cruz para salvar uma mão cheia de cristãos. Até o Deus Uno encerra em si o mistério de uma Trindade.

A Palavra de Deus é inequívoca e só pode levar à desinstalação, à abertura ao outro, e a recebê-lo e amá-lo enquanto irmão ou irmã. Ninguém fica de fora, nem mesmo - se tivessemos - os inimigos.

Muitos cristãos crêem nesta Igreja, nesta casa do Pai, corpo de Cristo, templo do Espírito Santo. Mas como esquecer que muitos se sentem "de fora" por se verem rejeitados, amputados e anulados, e afastam-se por ninguém lhes ter mostrado que há um lugar para cada um, com a totalidade do seu ser?

Um blogue para cristãos homossexuais que não desistiram de ser Igreja

Porquê este blogue?

Este blogue é a partilha de uma vida de fé e é uma porta aberta para quem nela quiser entrar. É um convite para que não desistas: há homossexuais cristãos que não querem recusar nem a sua fé nem a sua sexualidade. É uma confirmação, por experiência vivida, que há um lugar para ti na Igreja. Aceita o desafio de o encontrares!

Este blogue também é teu, e de quem conheças que possa viver na carne sentimentos contraditórios de questões ligadas à fé e à orientação sexual. És benvindo se, mesmo não sendo o teu caso, conheces alguém que viva esta situação ou és um cristão que deseja uma Igreja mais acolhedora onde caiba a reflexão sobre esta e outras realidades.

Partilha, pergunta, propõe: este blogue existe para dar voz a quem normalmente está invisível ou mudo na Igreja, para quem se sente só, diferente e excluído. Este blogue não pretende mudar as mentalidades e as tradições com grande aparato, mas já não seria pouco se pudesse revelar um pouco do insondável Amor de Deus ou se ajudasse alguém a reconciliar-se consigo em Deus.
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sábado, 7 de abril de 2018

Testemunhas de Jeová e a impossibilidade de um diálogo

As Testemunhas de Jeová, a transfusão sanguínea e a literalidade da interpretação bíblica

Elas apresentam-se com obstinação às portas de nossas casas (exemplares na sua perseverança), com a Bíblia numa mão e a revista "Sentinela" na outra: as Testemunhas de Jeová são uma presença efetiva no nosso horizonte religioso. E também aparecem nas colunas dos jornais quando um juiz retira um dos seus filhos menores à jurisdição paternal porque os seus pais recusam que seja praticada a transfusão sanguínea. Deixando de lado o valor do seu fundamentalismo bíblico e a sua longa história (desde o século XIX), quais são as principais reservas que os católicos lhes podem opor, reservas exprimidas sem demasiado pudor ecuménico?

Vou responder «sem pudor ecuménico» à questão porque o diálogo com as Testemunhas de Jeová está em crise devido à dificuldade em encontrar um ponto de vista comum. Imaginar a Bíblia como base para troca de perspetivas? É através desse caminho que se desenvolve o ecumenismo entre as diversas Igrejas e confissões cristãs. Mas também aqui as Testemunhas de Jeová colocam um obstáculo difícil de ultrapassar com uma questão de princípio e de método.

Impõem-se algumas explicações. Muitos estão persuadidos de que se trata de um problema de tradução bíblica mais ou menos manipulada, argumento com algum fundamento. As Testemunhas partem desde logo de um elemento injustificável com o seu próprio nome, porque "Jeová" é uma aberração linguística que supõe transcrever o nome divino "Jhwh", que os judeus substituíam por "'Adonai", "Senhor", para evitar pronunciá-lo (a pronunciação mais antiga era, provavelmente, "Jahweh").

Além disso, a versão bíblica italiana das Testemunhas de Jeová baseia-se no inglês, e não no original hebraico e grego. Não há nenhum especialista qualificado e rigoroso em exegese bíblica nas Testemunhas de Jeová. Por isso, há numerosas modificações discutíveis nos textos. Por exemplo: «Tomai e bebei. Isto "significa" o meu corpo» (há aqui uma interpretação livre do texto original).

Poderíamos multiplicar os exemplos destes "retoques" em traduções de qualidade menor, mesmo na versão americana, base das outras versões. A verdadeira questão, todavia, não reside aqui: as Testemunhas têm um método de leitura que é inaceitável logo à partida. Trata-se do "fundamentalismo" que nós evocámos [cf. tópico "Questões de fé para crentes e não crentes"].

Recordemos os princípios dessa leitura fundamentalista. Ao ignorar que a Bíblia, Palavra de Deus, se exprime através de palavras humanas e está ligada a uma história, uma cultura, um tempo, um meio humano e ao seu desenvolvimento (por outras palavras, está ligada à incarnação), as Testemunhas limitam a sua leitura à ressonância das palavras, em vez de acolher o valor que elas têm.

Não é difícil demonstrar que o número 12 na linguagem semita é um símbolo de plenitude e 1000 é a imensidão; os 144 000 eleitos do Apocalipse (7, 4) são uma alusão às 12 tribos de Israel que chegaram à plenitude, o povo de Deus que alcançou a salvação definitiva, enquanto que as Testemunhas de Jeová o entendem como o número real e matemático dos eleitos.

Esta leitura literal e fundamentalista da Bíblia pode ter consequências muito graves, apesar da boa fé de quem a recebe; pense-se na interdição da transfusão sanguínea. É verdade que no Antigo Testamento se encontra a interdição de tocar e de "comer" o sangue de uma criatura viva; contudo, na linguagem e cultura do Oriente, o sangue era o sinal da vida, realidade intangível e marcada pelo selo divino (cf. Génesis 9, 6 ou Levítico 17, 10-14). A interdição não é mais do que o respeito e a proteção da vida, qualquer que seja. A transfusão protege e favorece precisamente a vida, evidência paradoxalmente negada por uma leitura literal ou fundamentalista que teme infringir o preceito bíblico.

Sem eufemismo, as Testemunhas de Jeová, que conhecem muitas vezes a Bíblia de maneira aproximativa, selecionam as passagens segundo o seu interesse. Para serem coerentes, seria necessário que dessem uma interpretação literal aos textos violentos, poligâmicos e datados (como o geocentrismo) das Escrituras.

Na maior parte dos casos, elas servem-se de um número restrito de citações isoladas, tiradas do seu contexto, e, de acordo com as necessidades, interpretadas livremente, e já não de maneira literal. Por exemplo, no Génesis (1,1): «No princípio, Deus criou o céu e a terra». Aos seus olhos, o céu é uma metáfora que evoca a revolta dos anjos suscitada por Lúcifer, enquanto que a terra designa metaforicamente Adão e Eva. É uma leitura confusa e embrulhada, tão rígida como evanescente e alegórica, que ignora a sucessão dos textos, os desmembra e os reúne de acordo com as necessidades.

Só é possível sorrir ao ver a junção de três passagens autónomas e de épocas diferentes, o livro de Daniel (4, 7-23), o Apocalipse (12, 6.14) e o livro de Ezequiel (4, 6), para justificar o ano de 1914 como o do fim do mundo - data prolongada com outros estratagemas de interpretação, a fim de salvar a face.

Com tal escolha de princípio e de método, é muito difícil, para não dizer impossível, dialogar de maneira construtiva, tanto ao nível dos fiéis como ao nível dos biblistas sérios, católicos, ortodoxos, protestantes ou laicos.

Card. Gianfranco Ravasi
Biblista, presidente do Pontifício Conselho da Cultura
Publicado em SNPC

domingo, 10 de dezembro de 2017

O que a Bíblia NÃO diz sobre a homossexualidade



Bibliografia:
- ALISON, James. Fé Além do Ressentimento: fragmentos católicos em voz gay. São Paulo: É Realizações, 2010.
- ALTHAUS-REID, Marcella. The Queer God. London: Routledge, 2001.
- BESSON, Claude. Homossexuais Católicos: Como sair do Impasse. São Paulo: Edições Loyola, 2015.
- BUSIN, Valéria Melki. Homossexualidade, religião e gênero: a influência do catolicismo na construção da autoimagem de gays e lésbicas. Dissertação (Mestrado em Ciências da Religião). São Paulo: Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, 2008.
- CANDIOTTO, Cesar; SOUZA, Pedro de (orgs.). Foucault e o cristianismo. Belo Horizonte: Autêntica, 2012.
- CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA. 9. ed. Petrópolis: Vozes, 1998.
- CONGREGAÇÃO PARA A DOUTRINA DA FÉ. Carta aos Bispos da Igreja Católica sobre o Atendimento Pastoral das Pessoas Homossexuais. 1986.
- ENDSJØ, Dag Øistein. Sexo e Religião: do baile das virgens ao sexo sagrado homossexual. São Paulo: Geração Editorial, 2014.
- FOUCAULT, Michel. História da Sexualidade I: A Vontade de Saber. Rio de Janeiro: Graal, 1988 [1976].
- GOMES, Ademildo; TRASFERETTI, José. Homossexualidade: orientações formativas e pastorais. São Paulo: Paulus, 2011.
- GREENBERG, Steven (Rabino). Judaísmo e Homossexualidade. Palestra (em inglês) oferecida em 26 de maio de 2014, no Midrash Centro Cultural, Rio de Janeiro:
- MACHADO, Maria das Dores Campos; PICCOLO, Fernanda Delvalhas (orgs.). Religiões e Homossexualidades. Rio de Janeiro: FGV, 2010.
- MUSSKOPF, André. A Teologia que sai do armário - um depoimento teológico. Impulso, Piracicaba, 14(34): 129-146, 2003.
- MUSSKOPF, André. Talar Rosa: Homossexuais e o Ministério na Igreja. São Leopoldo: Oikos, 2005
- NATIVIDADE, Marcelo. Deus me aceita como eu sou? A disputa sobre o significado da homossexualidade entre evangélicos no Brasil. Tese (Doutorado em Sociologia e Antropologia). Rio de Janeiro: Universidade Federal do Rio de Janeiro, Instituto de Filosofia e Ciências Sociais, 2008.
- REDELL, Petra Carlsson. Mysticism as Revolt: Foucault, Deleuze and Theology Beyond Representation. Aurora, Colorado: The Davies Group, 2014.
- RUBIO, Alfonso García. Elementos de Antropologia Teológica: salvação cristã: salvos de quê e para quê? 6 ed. Petrópolis: Vozes, 2013.
- SAGRADA CONGREGAÇÃO PARA O CLERO. Diretório Catequético Geral. DCG. 1971.
- SEVERO, Julio. O Movimento Homossexual. Venda Nova: Betânia, 1998.
- WINK, Walter et. al. Homossexualidade: Perspectivas Cristãs. São Paulo: Fonte Editorial, 2008

História de Maria e nossa história

Carl Heinrich Bloch
Comentário a Lucas 1, 26-38

«Naquele tempo, o Anjo Gabriel foi enviado por Deus a uma cidade da Galileia chamada Nazaré, a uma Virgem desposada com um homem chamado José, que era descendente de David. O nome da Virgem era Maria.
Tendo entrado onde ela estava, disse o Anjo: «Ave, cheia de graça, o Senhor está contigo».
Ela ficou perturbada com estas palavras e pensava que saudação seria aquela.
Disse-lhe o Anjo: «Não temas, Maria, porque encontraste graça diante de Deus.
Conceberás e darás à luz um Filho, a quem porás o nome de Jesus. Ele será grande e chamar-Se-á Filho do Altíssimo. O Senhor Deus Lhe dará o trono de seu pai David; reinará eternamente sobre a casa de Jacob e o seu reinado não terá fim».
Maria disse ao Anjo: «Como será isto, se eu não conheço homem?». O Anjo respondeu-lhe: «O Espírito Santo virá sobre ti e a força do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra. Por isso o Santo que vai nascer será chamado Filho de Deus. E a tua parenta Isabel concebeu também um filho na sua velhice e este é o sexto mês daquela a quem chamavam estéril; porque a Deus nada é impossível».
Maria disse então: «Eis a escrava do Senhor; faça-se em mim segundo a tua palavra». 

O Evangelho de Lucas desenvolve a narrativa do anúncio a Maria como o zoom de uma câmara de cinema: parte da imensidão dos céus, restringe progressivamente o olhar até uma pequena povoação, depois a uma casa, ao primeiro plano de uma jovem entre muitas, ocupada nas suas atividades e nos seus pensamentos. O anjo Gabriel veio até ela. É belo pensar que Deus te acaricia, te toca na tua vida diária, na tua casa. Fá-lo num dia de festa, no tempo das lágrimas ou quando dizes a quem amas as palavras mais belas que conheces.

A primeira palavra do anjo não é uma simples saudação, dentro vibra aquela coisa boa e rara que todos os dias procuramos: a alegria: regozija-te, rejubila, sê feliz. Não pede: reza, ajoelha-te, faz isto ou aquilo. Mas simplesmente: abre-te à alegria como uma porta se abre ao sol. Deus aproxima-se e aperta-te num abraço, vem e traz uma promessa de felicidade.

A segunda palavra do anjo revela o porquê da alegria: és cheia de graça. Um termo novo, nunca ressoado na Bíblia ou nas sinagogas, literalmente inaudito, de tal maneira que perturba Maria: és repleta de Deus, que se inclinou sobre ti, enamorou-se de ti, deu-se a ti e dele transbordas. O seu nome é: amada para sempre. Ternamente, livremente, sem arrependimento amada. Cheia de graça chama-a o anjo, Imaculada di-la o povo cristão. E é a mesma coisa. Não está cheia de graça porque disse "sim" a Deus, mas porque Deus disse "sim" a ela, antes ainda da sua resposta. E di-lo a cada um de nós: cada qual cheio de graça, todos amados como somos, por aquilo que somos; bons e menos bons, cada qual amado para sempre, pequenos ou grandes cada um repleto de céu.

A primeira palavra de Maria não é um sim, mas uma pergunta: como é possível? Está diante de Deus com toda a sua dignidade humana, com a sua maturidade de mulher, com a sua necessidade de entender. Uma a inteligência e depois pronuncia o seu sim, que então tem o poder de um sim livre e criativo. Seguramente, como disseram profetas e patriarcas, sou a serva do Senhor. Serva é palavra que nada tem de passivo: serva do rei é a primeira depois do rei, aquela que colabora, que cria juntamente com o Criador.

«A resposta de Maria é uma realidade libertadora, não uma submissão remissiva. É ela pessoalmente a escolher, em autonomia, a pronunciar aquele "sim" corajoso que a contrapõe a todo o seu mundo, que a projeta nos desígnios grandiosos de Deus» (M. Marcolini).

A história de Maria é também a minha e a tua história. Uma vez mais o anjo é enviado à tua casa e diz-te: alegra-te, és cheio de graça! Deus está dentro de ti e cumula a vida de vida."

por Ermes Ronchi in "La Chiesa"
Tradução de Rui Jorge Martins para SNPC

segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

Desporto e espiritualidade

As olimpíadas e o cristianismo

"As festas de Olímpia no Peloponeso eram as mais antigas e celebradas da Grécia clássica, ao ponto de se tornarem, na sua cadência quadrienal a medida de rferência da própria cronologia. As várias competições desportivam tinham como base uma visão geral da pessoa, da sociedade e da própria cultura. A "paideia", isto é, a formação grega da pessoa, associava-se à "euritmia", ou seja, a harmonia física (pense-se nas imagens das pinturas vasculares ou no "Discóbolo" do escultor "Míron). As mesmas Olimpíadas ligavam-se à poesia, como atestam as "Olímpicas", célebres odes de Píndaro (séc. V a.C.) e as dos poetas Simónides e Baquilides.

Por ocasião do acontecimento olímpico do Rio de Janeiro, tentaremos um esboço sobre a relação entre desporto e espiritualidade no cristianismo. O judaísmo, a esse respeito, foi mais reticente, por causa do risco de contaminação idolátrica, como aconteceu em alguns judeus "traidores" durante a grande epopeia dos macabeus. Eles, com efeito, entravam nus nos "ginásios", as sedes educativas e desportivas helenistas, e chegavam ao ponto de se submeter a uma intervenção cirúrgica, dita em grego "epispasmós", para eliminar o sinal da circuncisão.

A reserva anti-idolátrica estava presente também em alguns Padres da Igreja - reserva que se alargava aos espetáculos teatrais -, que se opuseram aos Jogos Olímpicos, como Ambrósio, que impede o imperador romano Teodósio de os repropor em 393. Na raiz, além do risco de contaminação com a idolatria e o paganismo, havia a crítica ao exibicionismo dos atletas que, através do exercício físico, pareciam contradizer ou deformar a obra do Criador em relação ao corpo humano.

Todavia, diferente foi a atitude nas origens cristãs primordiais. O próprio Jesus, efetivamente, tinha partido do jogo das crianças para definir a geração que o estava a ouvir, incapaz de uma opção como aqueles jovens que, «estando sentados na praça gritam aos companheiros: tocámos a flauta e não dançastes, entoámos lamentações e não batestes no peito» (Mateus 11, 16-17). Dito por outras palavras, àquelas crianças tinham sido propostos os jogos mais díspares, como imitar uma festa de casamento ou um funeral, mas elas tinham sempre oposto uma recusa pouco amigável.

É, contudo, sobretudo S. Paulo que, por diversas vezes, recorre a metáforas desportivas para delinear o compromisso apostólico e do cristão. Em particular, ele faz referência à corrida no estádio e ao pugilismo, dois desportos muito praticados na sociedade greco-romana.

Interessante é um parágrafo da Primeira Carta aos Coríntios onde é usado o léxico técnico desportivo: «Não sabeis que nas corridas no estádio todos correm, mas só um conquista o prémio? Correi também vós de modo a conquistá-lo. Mas cada atleta ("agonizómenos", "que compete lutando") submete-se em tudo à disciplina. Fazem-no para onter uma coroa corruptível, nós, ao contrário, incorruptível. Eu, portanto, corro mas não como quem está sem meta. Faço pugilato ("pyktéuô", "faço com murros"), mas não como alguém que bate no ar. Na realidade, atinjo duramente ("hypopiàzô", literalmente "atinjo sob os olhos", isto é, no ponto mais fraco do adversário) o meu corpo e reduzo-o à escravidão, para que não suceda que, depois de ter pregado aos outros, eu próprio seja desqualificado» (9, 24-27).

Também naquela espécie de testamento que ele endereça ao seu fiel colaborador Timóteo, o apóstolo, depois de ter usado imagens rituais (o ser «entregue em libação»), náuticas ou nómadas («desfazer as velas» ou «as tendas») e militares («combati a boa batalha»), recorre à cena desportiva da corrida no estádio para exprimir o seu compromisso total em conservar alta a chama da fé. A frase em grego é até ritmada, "ton drómon tetélexa, ten pístin tetéreka", «levei ao termo a corrida, conservei a fé» (2 Tomóteo 4, 7). E continua, referindo-se sempre à simbologia desportiva: «Resta-me a coroa de justiça que o Senhor, justo juiz, me entregará nesse dia, não só a mim mas a todos aqueles que esperaram com amor a sua epifania» (4, 8).

Chegados aqui não podemos, contudo, ignorar um capítulo que é dramaticamente verdadeiro também para o desporto. Em termos religiosos é o exercício da liberdade no pecado que atinge também este âmbito. Assim, o jogo-desporto torna-se lucro económico, e já não é mais livre exercício; o espetáculo transforma-se em doença violenta (a palavra italiana "tifosi", "adeptos", baseia-se no grego "typhos", "febre"); a beleza e a força física são devastadas pelo "doping", falsificando o exercício desportivo que nas Olimpíadas gregas era dito "àskesis", isto é, "ascese". Ela amplia ao máximo a potencialidade do organismo, tornando o ato físico natural e espontâneo, como acontece à dançarina clássica ou ao atleta autêntico. Além disso, o jogo, de instrumento até de cura ("ludoterapia"), degenera em formas maníacas ("ludopatia"). As sublevações mais ameaçadoras e obscuras do ser humano revelam-se através da brutalidade, a vulgaridade e o racismo nos estádios.

Uma nota particular de partilha e de apoio merecem, ao contrário, os atletas dos Jogos Paralímpicos que não se deixam vencer pela sua deficiência, empenhando-se em superá-lo num desafio contínuo a ir mais longe, em direção a uma meta mais prestigiosa. Assim, além de representarem um verdadeiro e próprio exemplo no desafiar os limites das possibilidades físicas - alma de toda a competição desportiva -, são chamados a superar também a fasquia da sua deficiência. São, por isso, pessoas que podemos legitimamente considerar "duplamente atletas".

As Paralimpíadas nasceram oficialmente nos anos 60 do século passado, contribuindo para contar e representar inúmeras histórias de feitos atléticos, acompanhadas de emoções, sentimentos, lágrimas e sorrisos, alegrias e sofrimentos. Permitiram descrever autênticos feitos heróicos, ajudando-nos a superar preconceitos ancestrais, lugares-comuns destituídos de qualquer fundamento. Comovemo-nos com estas mulheres e estes homens, vendo demolidos os muros da indiferença e do ceticismo, da suficiência coberta de comiseração, admirando-os pela coragem e pela orgulhosa dignidade dos seus gestos atléticos, convictos de que as medalhas por eles conquistadas não valem menos do que as olímpicas.

Concluímos regressando à relação entre jogo e religião, fazendo-o, em espírito ecuménico, com uma bela representação que Lutero delineia da meta paradisíaca precisamente na base da analogia do jogo: «Então o homem com o Céu e com a Terra, jogará com o Sol e com todas as criaturas. E todas as criaturas experimentarão um prazer imenso e uma felicidade lírica e rirão contigo, Senhor». Também o monge Notker, da abadia de S. Galo, falecido em 912, poeta, músico e bibliotecário, descreveu assim a Igreja que joga em paz sob a videira fecunda, símbolo de Cristo, no jardim celeste: «Eis, ó Cristo, a tua Igreja que joga serena e em paz á sombra de uma videira luxuriante»."

Card. Gianfranco Ravasi, Presidente do Conselho Pontifício da Cultura In "Italpress"
Tradução de Rui Jorge Martins publicada pelo SNPC em 31 de julho de 2016

domingo, 3 de dezembro de 2017

A nudez do pai

Robert Sherer
A Bíblia, uma história de família

"Noé, cultivador da terra, começou a plantar uma vinha. Tendo bebido o vinho, embriagou-se e despiu-se dentro da tenda. Evocamos esta passagem do capítulo 9 do Génesis não tanto pelo tema, difundido em todas as culturas mediterrânicas, do vinho, elemento que por natureza é ambíguo, capaz de «alegrar o coração do homem» (Salmo 104, 15), mas também causa de degeneração (leia-se o irónico excerto de Provérbios 23, 29-35).

Em vez disso, fixaremos a atenção na continuidade da narração. Observa-se que «Cam [um dos três filhos de Noé: Sem, Cam, Iafet], o pai de Canaã, ao ver a nudez do pai, saiu a contar o sucedido aos seus dois irmãos», que estavam fora da tenda onde o pai embriagado jazia nu (9, 22). Provavelmente quer-se condenar a falta de respeito de Cam ao chefe da família. O Génesis já mostrou, até este ponto, a rutura, devida ao pecado, das relações entre homem e mulher no casal, entre irmão e irmão (Caim e Abel) entre o homem e Deus.

Agora é atingida outra relação, entre filho e pai, que é fundamental no interior da estrutura social, tanto mais que é protegida inclusivamente por um mandamento do Decálogo, acompanhado de uma bênção: «Honra o teu pai e a tua mãe, para que se prolonguem os teus dias sobre a terra que o Senhor, teu Deus, te dá» (Êxodo 20, 12).

A relação intergeracional é um tema vivo nas culturas de todos os tempos. Pensemos nos muitos conselhos do livro dos Provérbios, onde entra em cena o pai-mestre na relação com o filho-discípulo. É um argumento que está também na origem de êxitos literários modernos, como, por exemplo, o romance "Pais e filhos" (1862), do escritor russo Ivan S. Turgenev, em que se representa toda a complexidade e dramatismo de uma relação que não é meramente genética, mas também social, psicológica, espiritual.

É também esta relação que esteve em foco na psicanálise, com os vários "complexos" freudianos; e na memória de muitos está presente o livro parcialmente autobiográfico de Gavino Ledda, "Padre padrone" (1975), transformado em incisivo filme pelos irmãos Taviani em 1977. Nele se delineia uma questão delicada e complexa, que se agudizou nos nossos dias na denominada «geração sem pais» e na geração de filhos rebeldes. A tudo isto se une a situação do idoso, da sua crise física, do seu isolamento social, da sua devastação espiritual, à semelhança do que acontece na cena de Noé e dos seus filhos.

A este propósito, concluamos com um dado: Sem e Iafet comportam-se de maneira diferente, recobrindo o pai sem olhar para a sua nudez, respeitando assim a sua pessoa, não obstante a degradação a que tinha chegado. Cam é o único a ser condenado, sobretudo através de Canaã, seu filho: aos olhos dos judeus, Canaã era a população autóctone da Terra Santa a eles hostil. Por isso não estamos apenas perante um juízo moral, mas também diante de um elemento de autodefesa e de polémica religiosa contra a idolatria praticada por aquele povo."

Card. Gianfranco Ravasi, Biblista, presidente do Pontifício Conselho da Cultura In "Famiglia cristiana"
Tradução e edição de Rui Jorge Martins publicada pelo SNPC a 14 de janeiro de 2015

segunda-feira, 27 de novembro de 2017

Os números do Amor na Bíblia

Pavel Popov, "Judas betrays Christ with a kiss"
Equações de Amor

"É sabido o quanto é relevante para as Escrituras a simbologia numérica; pense-se que só o Apocalipse encastoa nas suas páginas 283 números cardinais, ordinais e fracionais. Também nós, de forma livre, na onda da tradição judaica e cristã, desejamos identificar alguns números significativos do amor. Trata-se, na verdade, de curiosas equações que se remetem mutuamente. Apontaremos quatro que se combinam idealmente em par.

Primeira equação: de 7 a 77. Encontramo-nos no polo antitético do espetro ideal do amor: trata-se, com efeito, dos números do ódio, exaltados com veemência por Lamec no seu terrível canto da violência em espiral, da espada sempre ensanguentada: «Matei um homem porque me feriu, e um rapaz porque me pisou. Se Caim foi vingado 7 vezes, Lamec sê-lo-á 70x7» (Génesis 4, 23-24).

Estamos perante a vingança sem limites e sem a paridade ofensa-pena que, como veremos, introduzirá a lei de Talião. É a fratura de todo o equilíbrio social. Ao juízo pleno e severo sobre o delito de Caim (sete vezes) opõe-se - novamente através do recurso ao número da plenitude, mas de forma exasperada - o excesso vindicativo (77 vezes).

Segunda equação: de 7 a 70x7. Movemo-nos agora para o extremo oposto do espetro, o positivo do amor total, incarnado no perdão cristão. Diante de Pedro que propõe para o perdão o 7 da plenitude («Quantas vezes devo perdoar o meu irmão se pecar contra mim? Até 7 vezes?»), Jesus replica introduzindo um número que tente para o infinito, sempre na linha do setenário: «Não te digo até 7, mas até 70x7» (Mateus 18, 21-22). É evidente a referência, ainda que por contraste, à equação de Lamec: no amor, às 7 vezes de Pedro opõe-se as 70x7 vezes de Cristo, ilustradas depois pela parábola dos dois devedores, onde outra equação numérica ilustra a formulada no princípio geral: aos 100 denários confrontam-se os 10.000 talentos (Mateus 18, 23-35).

Terceira equação: de 1 a 1. Esta não é explícita mas subjacente à chamada lei de Talião, vocábulo modelado pelo latim "talis": tal a culpa, tal a pena. Lê-se, com efeito, no livro do Êxodo: «Vida por vida, olho por olho, dente por dente, mão por mão, pé por pé, queimadura por queimadura, ferida por ferida, contusão por contusão» (21, 23-25). A dureza da formulação exemplificativa pode encobrir o evidente progresso que se regista relativamente à equação de Lamec. Na realidade agora temos a codificação da justiça distributiva e é um passo relevante para uma melhor normativa jurídica.

Positivamente poder-se-ia transcrever esta lei pensado precisamente no preceito de amar o próximo como a si mesmo (de 1 a 1 também neste caso). Ou na chamada "regra de ouro" presente no livro de Tobite: «Aquilo que não queres para ti, não o faças aos outros» (4, 15). No Talmude, este preceito aparece nesta frase apaixonada: «Não fazer ao próximo teu aquilo que te é odioso: esta é toda a Lei, o resto é só explicação». Jesus transformá-la-á em chave explicitamente positiva: «O que quiserdes que vos façam os homens, fazei-o também a eles, porque isto é a Lei e os Profetas» (Mateus 7, 12).

Quarta equação: de 3/4 a 1000. É o superamento da equação de Talião, cujo valor de justiça permanece mas é excedida pela lógica superior do amor. É o que é aplicado ao agir de Deus seja no Decálogo (Êxodo 20, 5-6), seja na autorrevelação do Sinai, «o bilhete de identidade bíblico de Deus», como definiu Albert Gelin (Êxodo 34, 6-7). Citamos integralmente apenas a fórmula decalógica mais esquemática: «Eu, o Senhor, sou o teu Deus, um Deus cioso que pune a culpa dos pais nos filhos até à 3.ª e 4.ª geração para aqueles que me odeiam, mas que demonstra o seu amor fiel até às 1000 gerações para aqueles que me amam e observam os meus mandamentos». Noutro passo o amor misericordioso divino é ainda mais marcado: «O Senhor, o Senhor, Deus misericordioso e gracioso, lento para a ira e rico de amor e fidelidade, que conserva o seu amor por 1000 gerações e perdoa a culpa, a rebelião e o pecado».

Através da linguagem "geracional" (destinada a sublinhar o aspeto social e não exclusivamente pessoal do pecado) exalta-se, por um lado, a justiça, que deve ter o seu rigor e a sua plenitude, expressa através do 3 e do 4, números que no cálculo simbólico devem ser somados para atingir o 7. Mas, por outro lado, a impor-se em toda a sua grandeza está, em hebraico, o "hesed", ou seja, o amor generoso e fiel que não conhece fronteiras e é infinito, porque tal é o valor do número 1000.

Do número frio e implacável do ódio chegámos, assim, ao cume caloroso e jubiloso do amor que não conhece números mas tende para o infinito como o Deus que é amor (cf. 1 João 4, 8.16). A quem seguir esta equação repleta de amor poderá ser reservada a bem-aventurança de Ben Sira: «Felizes aqueles que adormeceram no amor» (48, 11)."

Card. Gianfranco Ravasi, Presidente do Conselho Pontifício da Cultura In "Avvenire"
Traduzido por SNPC

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Quem era Maria Madalena?

Santa caluniada e glorificada

Em 1989, Giovanni Testori pediu-me para introduzir um perfil bíblico a um seu volume dedicado à iconografia de Maria de Magdala na história da arte (tema em que sagrado e eros se entreteciam, segundo uma tipologia cara ao escritor). Escolhi como título: «Uma santa caluniada e glorificada». Sim, porque bem arraigado na mente dos leitores está o estereótipo que classifica esta mulher evangélica como uma prostituta redimida por Cristo.

A sua história é efetivamente feita de equívocos, que se consumaram a vários níveis. A vida desta discípula de Jesus começa em Magdala (do hebraico "migdol", torre), povoação de pescadores no litoral ocidental do lago de Tiberíades, centro de comércio piscatório denominado em grego "Tarichea", "peixe salgado", descoberto pela arqueologia, ainda que submergido sob as águas daquele lago.

Partiremos da parte final da sua existência. Estamos na alvorada primaveril do primeiro dia de Páscoa, segundo o Evangelho de João (20, 1-18). Maria está diante do sepulcro onde, poucas horas antes, estava deposto o corpo sem vida de Jesus.

Paradoxal é o equívoco que tem por protagonista a mesma mulher que confunde Jesus, regressado à nova vida e presente diante dela, pelo cuidador do recinto cemiterial de Jerusalém. Como é possível ter ocorrido aquele engano? A resposta está na própria natureza do acontecimento pascal que incide na história, mas é ao mesmo tempo um ato sobrenatural, misterioso, transcendente. Para "reconhecer" o Ressuscitado, não chegam os olhos do rosto, nem sequer ter andado com ele e escutado os seus discursos nas praças palestinas, ou ceado com ele. É necessário um olhar profundo, uma via de conhecimento superior. De facto, Maria "reconhece" Jesus só quando ele a chama pelo nome, e os olhos da sua alma se abrem e «exclamou em hebraico: «Rabbuni!» - que quer dizer: «Mestre!» (20,16), e, assim, recebe a missão de ser testemunha da ressurreição: «Vai ter com os meus irmãos e diz-lhes: "Subo para o meu Pai, que é vosso Pai, para o meu Deus, que é vosso Deus." Maria Madalena foi e anunciou aos discípulos: "Vi o Senhor!" E contou o que Ele lhe tinha dito» (20,17-18).

Ora, Maria de Magdala entrou em cena pela primeira vez no Evangelho de Lucas como uma das mulheres que assistiam Jesus e os discípulos com os seus bens. Naquela ocasião, foi acrescentada uma precisão muito significativa: dela «tinham saído sete demónios» (8,1-3). Foi precisamente sobre esta informação que se consumou o equívoco radical que nunca mais a deixou. Esta expressão na linguagem bíblica podia indicar um gravíssimo (o sete é o número da plenitude) mal físico ou moral, que tinha atingido a mulher e de que Jesus a tinha libertado.

Mas a tradição, mil vezes repetida na história da arte e persistente até aos nossos dias, fez de Maria uma prostituta. Isto aconteceu apenas porque na página evangélica precedente - o capítulo 7 de Lucas - é narrada a história da conversão de uma anónima «conhecida naquela cidade como pecadora», que tinha derramado óleo perfumado aos pés de Jesus, hóspede na cada de um fariseu distinto, lavou-os com as suas lágrimas e secou-os com os seus cabelos. Foi assim, sem nenhuma ligação textual real, que se identificou Maria de Magdala com aquela prostituta sem nome.

Este gesto de veneração será repetido noutra ocasião, aquando do encontro de Jesus com uma outra Maria, a irmã de Marta e Lázaro (João 12,1-8). E assim se consumará um outro equívoco para Maria de Magdala, que em algumas tradições populares será identificada com esta Maria de Betânia, depois de ter sido confundida com a prostituta da Galileia.

Mas ainda não tinha terminado a deformação do rosto desta mulher. Alguns textos apócrifos cristãos, compostos no Egito cerca do séc. III, identificam Maria de Magdala até mesmo com Maria, a mãe de Jesus! Lentamente, a sua transformação ampliou-se a tal ponto que, em alguns escritos não canónicos, converteu-se num símbolo, isto é, numa imagem da Sabedoria divina que sai da boca de Cristo. É por isto - e não por maliciosas alusões a que seremos tentados a crer a partir de uma leitura superficial, alusões transformadas em desprezíveis "provas" históricas de "O código Da Vinci", de Dan Brown - que o Evangelho apócrifo de Filipe diz que Jesus «amava Maria mais do que todos os discípulos e a beijava na boca».

Ora, na Bíblia diz-se que a Sabedoria «sai da boca do Altíssimo» (Ben-Sirá 24,3). Estranho destino o de Maria de Magdala, rebaixada a prostituta e elevada a Sabedoria divina. Por felicidade, o único que a chamou pelo nome e a reconheceu foi o próprio Jesus, o seu Mestre, o Rabbuni, naquela manhã de Páscoa.

Aqui chegados, regressemos brevemente ao livro a que fazíamos referência. A obra introduz Maria Madalena com um perfil totalmente espiritual, mas sempre segundo os equívocos acima indicados, que a faziam irmã de Marta e Lázaro e, naturalmente, ex-prostituta.

A elaboração deste retrato coube a um importante representante da escola francesa de espiritualidade, o cardeal Pierre de Bérulle, nascido em 1585 no castelo de Sérilly, em Troyes, cidade onde foi assinado o famoso tratado homónimo que pôs fim ao segundo período da Guerra dos Cem Anos. Pierre de Bérulle exerceu um notável influxo sobre a cultura religiosa do seu tempo, fundou uma congregação, compôs uma vasta bibliografia, delineou uma espiritualidade fortemente cristocêntrica de matriz paulina, que tinha como eixo temático a "kénosis" - isto é, o "esvaziamento" que o Filho de Deus experimenta ao tornar-se homem, ou seja, na Incarnação -, e chegou a ser conselheiro do rei francês Luís XIII e da sua mãe, Maria de Médici, antes de morrer, em 1629.

Card. Gianfranco Ravasi
Presidente do Pontifício Conselho para a Cultura
In Il Sole 24 Ore

Trad.: rjm in SNPC publicado a  07.08.13

sábado, 28 de julho de 2012

Jogos Olímpicos: A Bíblia fala de desporto?

Jogos Olímpicos: O desporto na Bíblia
As alusões ao desporto são recorrentes na Bíblia para encorajar os fiéis a perseverar na fidelidade a Deus. Disciplina no treino, autocontrolo e respeito pelas regras são tão essenciais para conseguir medalhas como para desenvolver a vida espiritual. São Paulo é o campeão das imagens.

«Não sabeis que os que correm no estádio correm todos, mas só um ganha o prémio? Correi, pois, assim, para o alcançardes. Os atletas impõem a si mesmos toda a espécie de privações: eles, para ganhar uma coroa corruptível; nós, porém, para ganhar uma coroa incorruptível. Assim, também eu corro, mas não às cegas; dou golpes, mas não no ar. Castigo o meu corpo e mantenho-o submisso, para que não aconteça que, tendo pregado aos outros, venha eu próprio a ser eliminado.» (1 Cor 9, 24-27)

«Aquele que participa numa competição não recebe o prémio, se não competir segundo as regras» (2 Tim 2, 5)

«O exercício físico de pouco serve, mas a piedade é útil para tudo, pois tem a promessa da vida presente e da futura» (1 Tim 4, 8)

«Não que já o tenha alcançado ou já seja perfeito; mas corro, para ver se o alcanço, já que fui alcançado por Cristo Jesus. Irmãos, não me julgo como se já o tivesse alcançado. Mas uma coisa faço: esquecendo-me daquilo que está para trás e lançando-me para o que vem à frente, corro em direção à meta, para o prémio a que Deus, lá do alto, nos chama em Cristo Jesus.» (Fl 3, 13-14)

«Combate o bom combate da fé, conquista a vida eterna, para a qual foste chamado» (1 Tim 6, 12)

«Deixando de lado todo o impedimento e todo o pecado, corramos com perseverança a prova que nos é proposta, tendo os olhos postos em Jesus, autor e consumador da fé» (Heb 12, 1-2)

«Porventura não sabes? Será que não ouviste? O Senhor é um Deus eterno, que criou os confins da terra. Não se cansa nem perde as forças. É insondável a sua sabedoria. Ele dá forças ao cansado e enche de vigor o fraco. Até os adolescentes se cansam e se fatigam e os jovens tropeçam e vacilam. Mas aqueles que confiam no Senhor renovam as suas forças. Têm asas como a águia, correm sem se cansar, marcham sem desfalecer.» (Is 40, 28-31)

A Bíblia também menciona atividades vitais para a subsistência que com o tempo se transformaram em desporto.
Jacob lutou com uma personagem misteriosa – talvez tivesse aplicado golpes de boxe, judo ou ou outra arte marcial. Os apóstolos eram pescadores. Vela e remo são modalidades muito apreciadas mas ao tempo da Bíblia eram essenciais para as deslocações. Paulo teve de nadar para se salvar após o naufrágio ao largo de Malta.

Cavalos e cavaleiros são os protagonistas do hipismo mas antigamente a sua arte ganhava combates. Falando em guerras, flechas e espadas têm agora um uso mais pacífico através do tiro com arco e esgrima. E ao assistir ao lançamento do dardo é impossível não imaginar as tropas lançando setas aos inimigos.

O alpinismo é um desporto mas não foi para ouvir o hino que Moisés subiu ao Monte Sinai e que Pedro, Tiago e João escalaram a montanha onde Jesus se transfigurou. A marcha é uma modalidade olímpica mas no longo trajeto até Emaús, na companhia de Cristo incógnito, os discípulos ganharam muito mais do que medalhas.

O papa antecipou neste domingo o início da 30.ª edição da Era Moderna dos Jogos Olímpicos, que decorrem a partir de sexta-feira em Londres, tendo sublinhado a Igreja Católica «olha para eles com particular simpatia e atenção».

«As Olimpíadas são o maior acontecimento desportivo mundial, no qual participam atletas de muitas nações, e como tal revestem-se também de forte valor simbólico», afirmou Bento XVI depois da oração do Angelus que recitou em Castel Gandolfo, próximo do Vaticano, onde passa férias.
Bento XVI, citado pela Sala de Imprensa da Santa Sé, pediu orações para que «segundo a vontade de Deus, os Jogos de Londres sejam uma verdadeira experiência de fraternidade entre os povos da Terra».

Falando em inglês, Bento XVI saudou os «organizadores, atletas e espectadores», antes de rezar para que «no espírito da «Trégua Olímpica» o «bem» gerado pelos Jogos, que se prolongam até 12 de agosto, produza «frutos», na «promoção da paz e reconciliação em todo o mundo».

Rui Jorge Martins

© SNPC 25.07.12
in snpc

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Músicos falam da Bíblia

Bíblia inspira música contemporânea
A influência dos textos bíblicos na composição musical e a procura da transcendência através da veneração a artistas foram algumas das questões refletidas esta quinta-feira (31 de março), em Lisboa, na abertura do ciclo de conversas "A Bíblia, coisa curiosa". A iniciativa, organizada pela Casa Fernando Pessoa, que acolheu o encontro, e pelo diretor do Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura, padre José Tolentino Mendonça, foi inaugurada com o tema ‘Bíblia & Música’.

O cantautor Tiago Cavaco recordou alguns dos trechos bíblicos pontuados pela música, como «os Salmos», o «Cântico dos Cânticos», as «lamentações proféticas do Antigo Testamento», a «subida de Jesus a Jerusalém» e as «erupções teológicas de São Paulo» intervaladas por cânticos litúrgicos.

Para Eurico Carrapatoso, o momento em que um anjo comunica a Maria que vai ser mãe de Jesus – a “Anunciação” – constitui um «momento fulminante e absolutamente marcante» da escritura.
O compositor transmontano destaca entre os seus trabalhos de inspiração bíblica a peça “Horto Sereníssimo”, que integra um «tríptico mariano» no qual se inclui o “Magnificat em Talha Dourada”, uma das suas obras mais conhecidas.

«Toda a minha música tem a ver com o facto histórico mais importante da história do mundo, que é a ressurreição de Cristo», afirmou por seu lado o padre ortodoxo Ivan Moody, de origem inglesa.
Depois de aludir aos livros do Génesis e do Apocalipse – primeiro e último da Bíblia – como inspiradores das suas composições, o presbítero do Patriarcado Ecuménico de Constantinopla referiu que as suas obras são marcadas por «uma grande transparência, que não é só técnica mas também espiritual».
Perante as 80 pessoas que assistiram ao encontro, Ivan Moody expressou a sua perplexidade pelo facto de autores que não acreditam em Deus se inspirarem em textos considerados sagrados: «Não percebo como um ateu pode musicar textos litúrgicos».

Assumindo-se como um «compositor crente», João Madureira falou sobre o «momento de festa e linguagens diferentes» da “Missa de Pentecostes”, que a comunidade da Capela do Rato, em Lisboa, lhe encomendou em 2010. «A Bíblia, como é muitas vezes revisitada musicalmente, convida-nos a ultrapassar esse enorme obstáculo que é a linguagem. Acho que há algo de pré e pós linguagem que podemos sentir como fundamental», assinalou. 
Um dos «fascínios» sentidos por João Madureira ao abordar a música religiosa é a possibilidade de romper os cânones da «vanguarda» e da «tradição»: «Muitas vezes o que se sente no campo cultural é a criação de bastião intocáveis que se rejeitam mutuamente. E eu não quero fazer parte disso».

Além de servir para alimentar a fé e transmitir uma mensagem, a música tem conotações com o transcendente que nem sempre implicam a pertença a uma Igreja ou a adesão a uma religião.
«Um fã de algum artista ou estilo musical tende a viver de maneira religiosa», associando-se a eles como uma «devoção», explicou Tiago Cavaco, que também passou por esse processo durante a adolescência relativamente ao “panque-roque”.
«Querer justificar que alguém deve ser ouvido pelas circunstâncias biográficas pode no imediato ser atraente mas facilmente descamba numa contemplação mórbida», salientou o missionário protestante conhecido no meio artístico por Tiago Guillul.

Por Rui Martins
In Agência Ecclesia, publicado em SNPC

Ler o programa de A Bíblia, coisa curiosa

Pessoa e a Bíblia

A escritora Inês Pedrosa qualificou esta quinta-feira de «desassossegada» a relação que Fernando Pessoa manteve com a Bíblia e o padre José Tolentino Mendonça recordou as «marcas de leitura» daquele texto presentes na poesia pessoana. A questão da fé não era «acessória» para o autor do 'Livro do Desassossego', referiu à Agência Ecclesia a diretora da Casa Fernando Pessoa, instituição lisboeta que acolheu esta quinta-feira a primeira sessão do ciclo"A Bíblia, coisa curiosa".
«Era um homem completamente viciado em enigmas e por isso nunca se fixou numa religião, como nunca se fixaria a nada», lembrou Inês Pedrosa, acrescentando: «Foi muita coisa em simultâneo e em catadupa», pelo que «nunca poderia dizer “Eu sou deste dogma”, dado que não saberia se amanhã acordaria assim». Pessoa «tinha a noção do sagrado, como acho que os grandes artistas têm sempre», salientou a responsável, e embora «não se possa dizer que fosse católico», era todavia “um homem de fé”.

Para Inês Pedrosa, a evocação de Jesus que «desce do céu e vem brincar connosco» constitui um texto «realmente bíblico e sublime»: «Esse momento é particularmente forte e mostra bem o brilho» que a figura de Cristo tinha para Fernando Pessoa. O menino Jesus «rebelde, luminoso e salvador» evocado pelo heterónimo Alberto Caeiro em “O Guardador de Rebanhos” constitui um excerto que para Inês Pedrosa «faz parte da Bíblia».

A iniciativa que a Casa Fernando Pessoa organiza em parceria com a Faculdade de Teologia da Universidade Católica pretende alargar o debate sobre a fé para além das igrejas e instituições eclesiais.
«A intenção do padre Tolentino quando se aproximou de nós foi trazer a fé para a sociedade civil», assinalou Inês Pedrosa, para quem a «função» da Casa Fernando Pessoa é suscitar a discussão «sobre assuntos que não estão a ser debatidos». A escritora considera que «a reflexão da fé é importante e particularmente interessante nos tempos de hoje, muito marcados por extremismos e por uma certa apatia do mundo ocidental» em relação a ela.

Tolentino Mendonça lembra que Fernando Pessoa, através do heterónimo Álvaro de Campos, adjetivou a Bíblia de «coisa curiosa», uma forma que o poeta madeirense diz ser «muito acertada» para falar dos livros que a compõem.

«A Bíblia está na gestação de cultura, sendo comentada não apenas por teólogos e exegetas, mas também por músicos, poetas e pintores», realçou o diretor do Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura.

Na catequese quaresmal pronunciada este domingo, o cardeal-patriarca de Lisboa, D. José Policarpo, sublinhou que as «interpretações individuais» da Bíblia «que se afastem do sentir da Igreja, enfraquecem a fé pessoal chegando a adulterá-la gravemente».

Esta declaração não implica fechar os textos bíblicos a quem está fora da Igreja: «O sentido pleno da Bíblia brilha na comunidade litúrgica» mas essa convicção «não exclui as infinitas leituras que se podem e devem fazer», sustentou Tolentino Mendonça.

O ciclo de conversas, que prossegue este mês com poetas, teólogos e psicanalistas, pretende «mostrar como há uma multiplicidade de acessos ao texto bíblico que testemunham como ela continua a ser um texto sedutor e cujo charme continua a tocar o coração das mulheres e dos homens do nosso tempo», explicou o sacerdote.

Rui Martins
In Agência Ecclesia, publicada por SNPC
Ler o programa de A Bíblia, Coisa Curiosa

quarta-feira, 23 de março de 2011

"Coisa Curiosa": a Bíblia

"A Bíblia, coisa curiosa" na Casa Fernando Pessoa
«Álvaro de Campos chamou à Bíblia «coisa curiosa» e a classificação é certeira. Livro sagrado para crentes de mais de uma religião, super clássico da literatura, chave de decifração do pensamento ocidental, objeto interminável de receção, estudo e curiosidade, eis a Bíblia.
Escrita numa gramática singularíssima, abarca géneros tão meticulosos e díspares que, por si só, representam um desafio colossal a qualquer leitor. Ela pode ser tomada como cancioneiro, livro de viagens, memórias de corte, antologia de preces, cântico de amor, panfleto político, oráculo profético, correspondência epistolar, livro de imagens, texto messiânico.
A Bíblia continua a ser um texto, claro. Mas também, e de um modo irrecusável, constitui hoje um metatexto, uma espécie de chave para a decifração do real. Da filosofia às ciências políticas, da psicanálise à literatura, da arquitetura explícita das cidades ao desenho implícito dos afetos, da arte dita sacra às formas sonoras da expressão: a Bíblia é um parceiro, voluntário ou involuntário, nessa comunicação.»

A Casa Fernando Pessoa, em Lisboa, realiza em março e abril, um ciclo de conversas intitulado “A Bíblia, coisa curiosa: novos olhares sobre um livro de sempre”. As sessões, com entrada livre, decorrem das 18h00 às 20h00.

Programa
31 de março
Bíblia & Música
Bíblia & Panque Roque: Tiago Guillul (cantautor)
Moderador: Diogo Brito
Bíblia e criação musical
Mesa-redonda com os compositores Eurico Carrapatoso, Ivan Moody e João Madureira
Moderador: Alfredo Teixeira

7 de abril 
Bíblia, Psiquiatria & Psicanálise
Evangelho e Psicanálise: Evocar Françoise Dolto
Alberto Vaz da Silva (escritor)
Moderadora: Dora Guimarães
Leituras Cruzadas: Mesa-redonda
Paraíso e Transgressão: Armindo Vaz (teólogo) e Ana Catarina Silva Duarte (psicanalista)
A propósito de Job: Luísa Almendra (teóloga) e Filipe Sá (psicanalista)
A hospitalidade e Marta e Maria: José Tolentino Mendonça (teólogo) e Emília Leitão (psiquiatra)
Moderadora: Daniel Nascimento

14 de abril
Bíblia & Poesia
O que sabe a Bíblia sobre a palavraJoão Lourenço (teólogo)
Moderador: Luís Marques
Os Poetas abrem a BíbliaMesa-redonda com os poetas Adília Lopes, Armando Silva Carvalho, Mário Avelar e Pedro Braga Falcão
Moderador: José Tolentino Mendonça

A iniciativa envolve a parceria com o Projeto Bíblia, Comunicação & Arte, Centro de Estudos de Religiões e Culturas da Universidade Católica Portuguesa e Federação Internacional de Universidades Católicas.
A Casa Fernando Pessoa localiza-se no n.º 16 da Rua Coelho da Rocha.

in SNPC

sábado, 19 de março de 2011

Obrigado Pai!

Hoje é dia do Pai. Paremos um pouco na figura deste pai que, discretamente, cuidou e amou Jesus. Sem ele a história teria sido outra...
O primado da vida interior em São José
«Também quanto ao trabalho de carpinteiro na casa de Nazaré se estende o mesmo clima de silêncio, que acompanha tudo aquilo que se refere à figura de José. Trata-se, contudo, de um silêncio que desvenda de maneira especial o perfil interior desta figura. Os Evangelhos falam exclusivamente daquilo que José "fez"; no entanto, permitem-nos auscultar nas suas «ações», envolvidas pelo silêncio, um clima de profunda contemplação. José estava quotidianamente em contacto com o mistério "escondido desde todos os séculos", que "estabeleceu a sua morada" sob o teto da sua casa. Isto explica, por exemplo, a razão por que Santa Teresa de Jesus, a grande reformadora do Carmelo contemplativo, se tornou promotora da renovação do culto de São José na cristandade ocidental.

O sacrifício total, que José fez da sua existência inteira, às exigências da vinda do Messias à sua própria casa, encontra a motivação adequada na "sua insondável vida interior, da qual lhe provêm ordens e consolações singularíssimas; dela lhe decorrem também a lógica e a força, própria das almas simples e límpidas, das grandes decisões, como foi a de colocar imediatamente à disposição dos desígnios divinos a própria liberdade, a sua legítima vocação humana e a felicidade conjugal (...) Esta submissão a Deus, que é prontidão de vontade para se dedicar às coisas que dizem respeito ao seu serviço, não é mais do que o exercício da devoção, que constitui uma das expressões da virtude da religião. (...)

Mais ainda, a aparente tensão entre a vida ativa e a vida contemplativa tem em José uma superação ideal, possível para quem possui a perfeição da caridade. Atendo-nos à conhecida distinção entre o amor da verdade (caritas veritatis) e as exigências do amor (necessitat caritatis), podemos dizer que José fez a experiência quer do amor da verdade, ou seja, do puro amor de contemplação da Verdade divina que irradiava da humanidade de Cristo, quer das exigências do amor, ou seja, do amor igualmente puro do serviço, requerido pela proteção e pelo desenvolvimento dessa mesma humanidade.»

João Paulo II
In O guarda do Redentor, publicado em SNPC

sexta-feira, 18 de março de 2011

Ouvir o Cântico dos Cânticos

Henry Scott Tuke

Luís Miguel Cintra lê Cântico dos Cânticos na Capela do Rato 
                                      
Luís Miguel Cintra, actor e encenador do Teatro da Cornucópia, lê o livro bíblico do “Cântico dos Cânticos”, na Capela do Rato, no dia 20 de Março (próximo Domingo), às 21h30.

O Cântico dos Cânticos é um dos poemas mais antigos da humanidade, considerado um dos tesouros dessa biblioteca que é a Bíblia judaico-cristã. A natureza erótica do Cântico dos Cânticos não impediu que ele seja o texto bíblico mais lido e comentado pela mística ocidental.

A oportunidade de ouvir esta obra, lida pelo actor e encenador Luís Miguel Cintra desperta justamente a maior expectativa.

O “Cântico dos Cânticos” começa desta maneira:

«Que ele me beije com beijos da sua boca!
Melhores são as tuas carícias que o vinho,
ao olfacto são agradáveis os teus perfumes;
a tua fama é odor que se difunde.
Por isso te amam as donzelas»

A Entrada é Livre.

Capela do Rato (Calçada Bento Rocha Cabral, 1B, Lisboa)

quarta-feira, 16 de março de 2011

As perguntas de Job...

Ilda David

Actualidade e sentido das perguntas de Job
Porque temos um livro bíblico como o de Job? O que é que a sua leitura provoca ou ilumina em nós? Duas perguntas que se juntam às inúmeras interrogações que percorrem aquele livro sapiencial do Antigo Testamento.

«A longa reflexão que enche prateleiras de bibliotecas inteiras e os inúmeros cenários dramáticos da vida no mundo atual, impressos em nós pela insistência dos meios de comunicação social, sublinham a pertinência do diálogo entre as nossas e as perguntas que este livro nos oferece.» (Texto de apresentação do curso)

As sessões do curso livro “As perguntas de Job – Atualidade e sentido” decorrem em Lisboa, na Universidade Católica Portuguesa (UCP), à quarta-feira, entre as 18h00 e as 20h00.

O livro de Job

«O livro de Job constitui, no contexto da Bíblia, um dado bem característico e original. Em primeiro lugar, porque enfrenta a questão da experiência religiosa pessoal como um objeto de reflexão e porque o faz com uma profundidade humana e um dramatismo dignos do melhor humanismo e da mais requintada arte literária; em segundo lugar, porque não representa muito diretamente a linguagem teológica mais característica do Antigo Testamento. O facto é que este livro se impôs como um dos mais elevados momentos literários da Bíblia; e, para a História da teologia, da filosofia e da cultura, até aos dias de hoje, ficou a ser um verdadeiro marco miliário da tomada de consciência dos dramas da experiência humana.

A importância que este livro assumiu na Bíblia e nas religiões bíblicas - Judaísmo e Cristianismo - veio-lhe também, em grande parte, do facto de nele se exprimir um dos temas máximos da cultura e da literatura humanistas do Médio Oriente Antigo. É a questão do sofrimento e das suas repercussões, quer diretamente na experiência de quem sofre, quer indiretamente na interação que se produz entre as conceções morais e outras categorias religiosas fundamentais, tais como sofrimento e doença, pecado e castigo, santidade e felicidade. Enfim, é o problema de saber se existe alguma correlação justa ou lógica entre a maneira honesta como se vive e a maneira como a vida nos corre.» (Bíblia Sagrada, ed. Difusora Bíblica)

Programa

23, 30 de março; 13 de abril; 25 de maio
Job na Bíblia Luísa Almendra
6 de abril
Job na Judaísmo Esther Muzcnik
4 de maio
Job na Filosofia Américo Pereira
11 de maio
Job no Cinema Inês Gil
18 de maio
Job nas Artes Visuais Paulo Pires do Vale
1 de junho
Painel interdisciplinar

As inscrições decorrem entre 14 e 22 de março, entre as 16h00 e as 17h00, no secretariado do Centro de Estudos de Religiões e Culturas (UCP), ou noutro horário, mediante marcação.

A inscrição no curso custa 40 €, com 50% de desconto para alunos da UCP ou outras instituições, mediante a apresentação de comprovativo.
in SNPC

terça-feira, 15 de março de 2011

A primavera interior ou o nascer de novo

A primavera está por toda a parte. Até em nós?

A primavera está por toda a parte. Em nosso redor a natureza parece vencer a imobilidade do inverno e amontoa os traços insinuantes do seu reflorir. Há uma seiva que revitaliza a paisagem do mundo. Mesmo nos baldios, nos pátios e quintais abandonados, nos jardins mais desprovidos a primavera desponta com uma energia que arrebata. Penso muitas vezes nos versos do Cântico dos Cânticos, o mais primaveril poema da Bíblia: «Fala o meu amado e diz-me: “Levanta-te! Anda, vem daí, ó minha bela amada! Eis que o inverno já passou, a chuva parou e foi-se embora; despontam as flores na terra, chegou o tempo das canções, e a voz da rola já se ouve na nossa terra; a figueira faz brotar os seus figos e as vinhas floridas exalam perfume. Levanta-te! Anda, vem daí, ó minha bela amada! Minha pomba, nas fendas do rochedo, no escondido dos penhascos: deixa-me ver o teu rosto, deixa-me ouvir a tua voz; pois a tua voz é doce e o teu rosto, encantador”» (Ct 2, 10-14). Neste poema, a primavera do mundo é uma representação simbólica da primavera interior que nos desafia. Na verdade, o nosso coração não pode continuar eternamente sequestrado pelos impasses dos seus invernos gelados. A nossa vida está prometida à primavera – é a mensagem que o despertar da natureza (e aquele mais íntimo) nos parece segredar.

Mas também acontece que o renascimento do mundo nos parece incomparavelmente mais simples que o nosso. Por nossa parte, sentimo-nos soterrados e sem forças. Achamos que já passou demasiado tempo, que em algum momento do percurso nos perdemos e que talvez isso seja agora irremediável. Vamo-nos deixando ficar num conformismo tácito, insatisfeitos e adiados, a ponto de desistir. Certamente a voz da primavera não nos deixa indiferentes: ela há de sempre sobressaltar-nos. Mas olhamos para ela com mais nostalgia do que com esperança. Contemplámo-la à distância. Ou então defendemo-nos dela como podemos, fingindo não perceber o que significa. No fundo de nós mesmos, consideramos que a primavera já não é para nós. E no nosso coração andamos às voltas com aquela pergunta que também a Bíblia conserva e que não temos paz enquanto não conseguirmos responder: «Pode um homem, sendo velho, nascer de novo?» (Jo 3,4).

Os cristãos começam por estes dias um tempo litúrgico que é uma espécie de pronto-socorro da primavera. Falo da quaresma. Gosto de explicá-la a mim mesmo como um curso intensivo de jardinagem, pois trata-se de revitalizar a paisagem da vida, projetando-a dinamicamente, devolvendo-lhe intensidade e cor. A quaresma aprofunda três sulcos, afinal muito simples (o da oração, o da esmola e o da renúncia a que chamamos jejum), mas pode constituir uma alavanca de transformação que restaura em nós a liberdade de ser, que cimenta a capacidade de reconstruir a vida e de a viver fraternalmente, que nos dá um sentido de confiança capaz de abraçar criativa e serenamente a própria fragilidade, que melhora o nosso ânimo e até o nosso humor. Fazemos Quaresma para arriscar a Páscoa.

José Tolentino Mendonça
In Diário de Notícias (Madeira), publicado por SNPC

Porque estou aqui

Sinto-me privilegiado por ter encontrado na Igreja um lugar vazio, feito à minha medida. É certo que tê-lo encontrado (ou encontrá-lo renovadamente, pois não é dado adquirido) foi também mérito da minha sede, do meu empenho, de não baixar os braços e achar, passivamente, que não seria possível. Passo a contextualizar: a comunidade onde vou à missa é pequena e acolhedora, e podia bem não o ser. Ao mesmo tempo, sentia um desejo grande de reflexão de vida cristã e encontrei um casal (heterosexual) que tinha a mesma vontade. Começámo-nos a reunir semanalmente numa pequena comunidade de oração e reflexão que, apesar de crítica, nos tem ajudado a sermos Igreja e a nela nos revermos. Paralelamente, face ao contínuo desencanto em relação a algumas posturas e pontos de vista de uma Igreja mais institucional e hierárquica, tive a graça de encontrar um grupo de cristãos homossexuais, que se reuniam com um padre regularmente, sem terem de se esconder ou de ocultar parte de si.

Sei que muitos cristãos homossexuais nunca pensaram sequer na eventualidade de existirem grupos cristãos em que se pudessem apresentar inteiros, quanto mais pensarem poder tomar parte e pôr em comum fé, questões, procuras, afectos e vidas.

Por tudo isto me sinto grato a Deus e me sinto responsável para tentar chegar a quem não teve, até agora, uma experiência tão feliz como a minha.

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Os textos e as imagens

Os textos das mensagens deste blogue têm várias fontes. Alguns são resultados de pesquisas em sites, blogues ou páginas de informação na Internet. Outros são artigos de opinião do autor do blogue ou de algum dos seus colaboradores. Há ainda textos que são publicados por terem sido indicados por amigos ou por leitores do blogue. Muitos dos textos que servem de base às mensagens foram traduzidos, tendo por vezes sofrido cortes. Outros textos são adaptados, e a indicação dessa adaptação fará parte do corpo da mensagem. A maioria dos textos não está escrita segundo o novo acordo ortográfico da língua portuguesa, pelo facto do autor do blogue não o conhecer de forma aprofundada.

As imagens que ilustram as mensagens são retiradas da Internet. Quando se conhece a sua autoria, esta é referida. Quando não se conhece não aparece nenhuma referência. Caso detectem alguma fotografia não identificada e conheçam a sua autoria, pedimos que nos informem da mesma.

As imagens são ilustrativas e não são sempre directamente associáveis ao conteúdo da mensagem. É uma escolha pessoal do autor do blogue. Há um critério de estética e de temática ligado ao teor do blogue. Espero, por isso, que nenhum leitor se sinta ofendido com as associações livres entre imagem e conteúdo.

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