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A diversidade na Igreja

"A casa do meu Pai tem muitas moradas", diz-nos Jesus no evangelho.

A unidade na diversidade não é sempre aparente na Igreja enquanto povo de Deus, mas é uma realidade em Deus e uma presença na fé cristã desde a sua origem. A Palavra de Deus não é partidária, elitista e exclusiva. O Reino de Deus é como uma árvore que estende os ramos para dar abrigo a todos os pássaros do céu. Cristo não morreu na cruz para salvar uma mão cheia de cristãos. Até o Deus Uno encerra em si o mistério de uma Trindade.

A Palavra de Deus é inequívoca e só pode levar à desinstalação, à abertura ao outro, e a recebê-lo e amá-lo enquanto irmão ou irmã. Ninguém fica de fora, nem mesmo - se tivessemos - os inimigos.

Muitos cristãos crêem nesta Igreja, nesta casa do Pai, corpo de Cristo, templo do Espírito Santo. Mas como esquecer que muitos se sentem "de fora" por se verem rejeitados, amputados e anulados, e afastam-se por ninguém lhes ter mostrado que há um lugar para cada um, com a totalidade do seu ser?

Um blogue para cristãos homossexuais que não desistiram de ser Igreja

Porquê este blogue?

Este blogue é a partilha de uma vida de fé e é uma porta aberta para quem nela quiser entrar. É um convite para que não desistas: há homossexuais cristãos que não querem recusar nem a sua fé nem a sua sexualidade. É uma confirmação, por experiência vivida, que há um lugar para ti na Igreja. Aceita o desafio de o encontrares!

Este blogue também é teu, e de quem conheças que possa viver na carne sentimentos contraditórios de questões ligadas à fé e à orientação sexual. És benvindo se, mesmo não sendo o teu caso, conheces alguém que viva esta situação ou és um cristão que deseja uma Igreja mais acolhedora onde caiba a reflexão sobre esta e outras realidades.

Partilha, pergunta, propõe: este blogue existe para dar voz a quem normalmente está invisível ou mudo na Igreja, para quem se sente só, diferente e excluído. Este blogue não pretende mudar as mentalidades e as tradições com grande aparato, mas já não seria pouco se pudesse revelar um pouco do insondável Amor de Deus ou se ajudasse alguém a reconciliar-se consigo em Deus.
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sexta-feira, 23 de março de 2018

Papa fala aos artistas

Discurso aos membros do movimento “Diaconia da Beleza”
Papa Francisco
Vaticano, 24 de fevereiro de 2018

Caros amigos,

acolho-vos por ocasião do simpósio que organizastes em Roma por ocasião da festa do Beato Fra Angélico [padroeiro dos artistas, 18 de fevereiro]. Agradeço ao arcebispo Roberto Le Gall pelas palavras que me dirigiu em vosso nome. Através de vós desejo exprimir a minha cordial saudação a todos os artistas que procuram fazer resplandecer a beleza, com os seus talentos e a sua paixão, como também às pessoas em condição de fragilidade que se restabelecem graças à experiência da beleza na arte.»

O papa João Paulo II escreve na “Carta aos artistas”: “ O artista vive numa relação peculiar com a beleza. Pode-se dizer, com profunda verdade, que a beleza é a vocação a que o Criador o chamou com o dom do ‘talento artístico’. E também este é, certamente, um talento que, na linha da parábola evangélica dos talentos (cf. Mt 25,14-30), se deve pôr a render”.

Esta convicção de S. João Paulo II ilumina a visão e a dinâmica próprias da “Diaconia da Beleza”, que firmou raízes precisamente aqui, em Roma, ao tempo do sínodo sobre a nova evangelização, em outubro de 2012. Juntamente convosco dou graças ao Senhor pelo caminho realizado e pela variedade dos vossos talentos, que Ele vos chama a desenvolver ao serviço do próximo e de toda a humanidade.

Os dons que recebestes são para cada um de vós uma responsabilidade e uma missão. Com efeito, é-vos pedido que trabalheis sem vos deixardes dominar pela procura de uma vã glória ou de uma fácil popularidade, e ainda menos pelo cálculo tantas vezes mesquinho do único lucro pessoal.

Num mundo em que a técnica é frequentemente entendida como o recurso principal para interpretar a existência, vós sois chamados, mediante os vossos talentos e chegando às fontes da espiritualidade cristã, a propor “uma forma alternativa de entender a qualidade de vida, encorajando um estilo de vida profético e contemplativo, capaz de gerar profunda alegria sem estar obcecado pelo consumo” (“Laudato si’”, 222), e a servir a criação e a tutela de “oásis de beleza” nas nossas cidades, demasiado cheias de cimento e sem alma. Vós sois chamados a fazer conhecer a gratuidade da beleza.

Convido-vos portanto a desenvolver os vossos talentos para contribuir para uma conversão ecológica que reconheça a eminente dignidade de cada pessoa, o seu valor peculiar, a sua criatividade e a sua capacidade de promover o bem comum. A vossa busca da beleza naquilo que criardes seja animada pelo desejo de servir a beleza da qualidade da vida das pessoas, da sua harmonia com o ambiente, do encontro e da ajuda recíproca.

Encorajo-vos por isso, nesta “Diaconia da Beleza”, a promover uma cultura do encontro, a construir pontes entre as pessoas, entre os povos, num mundo em que se erguem ainda tantos muros por medo dos outros. Tende no coração a missão de testemunhar, na expressão da vossa arte, que acreditar em Jesus Cristo e segui-lo “não é apenas uma coisa verdadeira e justa, mas também bela, capaz de preencher a vida de um novo esplendor e de uma alegria profunda, mesmo no meio das provações” (“Evangelli gaudium”, 167).

A Igreja conta convosco para tornar percetível a Beleza inefável do amor de Deus e para permitir a cada pessoa descobrir a beleza de ser amada por Deus, de ser cheia do seu amor, para viver dele e dar-lhe testemunho na atenção aos outros, em particular àqueles que estão excluídos, feridos, refutados nas nossas sociedades.

Ao mesmo tempo que vos confio ao Senhor, por intercessão do Beato Fra Angélico, concedo a bênção apostólica a vós e a todos os membros da Diaconia da Beleza. Obrigado!

In SNPC
Fonte: Sala de Imprensa da Santa Sé

domingo, 10 de dezembro de 2017

A beleza é sempre a marca da presença de Deus no mundo

Deus vem ao mundo em cada meu acto de bem

"(...) O Menino-homem-Deus que (...) vem ao ser mundano recapitula e assume toda a bondade e toda a beleza da criação, toda, a incoativa e toda a que esta permitiu, absolutizando-a, porque a chama a si.

O mal, essa impotência de fazer bem, perante o absoluto da beleza, que é esplendor do bem, de Deus, de insignificante, passa a nulo. Mas não sem que, antes, o Menino, feito homem, tenha de, a fim de tudo ser perfeito na atualização do possível, experimente, não o mal, mas as suas consequências, para logo, manifestando o absoluto poder do bem, da vida, e do bem da vida, restaurar a plenitude da possibilidade do bem, através da sua ressurreição, segundo Natal, segundo absoluto de beleza.

A beleza é sempre a marca da presença de Deus no mundo, a custódia irradiante do absoluto da bondade, isso que dá o ser apenas pelo bem de fazer bem.

A experimentar pelo ser humano, esta glória do bem que se faz, de Deus que vem ao mundo em cada meu ato de bem. Perante isto, como empalidece toda a idolatria do mal de que em grande parte é feita a história."

por Américo Pereira, Universidade Católica Portuguesa, Faculdade de Ciências Humanas 

Ler texto na íntegra em SNPC

segunda-feira, 27 de novembro de 2017

A Beleza fala de Deus

Sam Taylor-Wood
Assim fala a Arte

Publico este texto com uma secreta esperança que a Igreja volte a ter confiança na Arte como uma forma possível e livre de falar de Deus

"Ao longo dos tempos, a Igreja teve uma preocupação especial pela beleza, arte, arquitetura e liturgia, por serem formas muito poderosas de acompanhar pessoas no seu caminho de fé. O próprio conceito de fé é de que vai para além da realidade visível e concreta do dia a dia. O ser humano foi criado com vontade, intelecto e alma, ensina S. Tomás. Todas precisam de ser tratadas se queremos ajudar as pessoas a avançar na sua compreensão de Deus. Neste contexto, a palavra "compreensão" vai para além do puramente intelectual, envolvendo também o nosso lado mais emotivo. Só as palavras, ou só a lógica intelectual, ou só experiências emocionantes não são suficientes para colher algo do próprio ser de Deus. Por um lado, Deus não pode ser plenamente explicado e descrito através do nosso intelecto ou raciocínio intelectual. Ele permanece sempre um mistério inefável para nós, porque Deus é sempre maior, como Santo Anselmo nos recordou. Por outro lado, há modalidades através das quais nos podemos aproximar do coração desse mistério. Ao fazê-lo, avançamos no nosso caminho de fé em direção a Deus.

A beleza, arte, arquitetura e liturgia não são apenas poesia para os iletrados. São meios poderosos em que a presença e essência de Deus se exprimem e experienciam, ainda que Ele seja basicamente o ser inefável que é. Neste sentido, também há "ferramentas" poderosas para os responsáveis pelo acompanhamento de pessoas. Isto inclui os jovens de hoje, porque apesar de o número de visitas a museus e teatros poder estar em declínio, a beleza, arte, arquitetura e até a liturgia falam uma linguagem poderosa que pode ser compreendida sem muita explicação anterior. Estas "ferramentas" existem para serem experienciadas, e assim ajudam a pessoa a avançar no seu caminho para Deus. Isto corresponde-se com um importante elemento do acompanhamento, em que a pessoa que acompanha deve retirar-se de tempos a tempos e «deixar que o Criador lide diretamente com a criatura», como dizia Santo Inácio de Loyola. Obviamente isto não significa que quem acompanha só deve ir atrás e responder ao que é experienciado. Há ocasiões onde é precisa uma liderança clara. Acompanhamento quer igualmente dizer orientação espiritual no sentido de ajudar a ver mais além, caminhar à frente onde necessário. Quando aos jovens são dados apenas alguns elementos fundamentais para melhor lerem e compreenderem a beleza, a arte, a arquitetura e a liturgia, podem apreciar melhor a sua mensagem mais profunda, deixando essas "ferramentas" ajudarem-nos a aproximarem-se do mistério de Deus.

A liturgia tem uma função de ponte entre o ser humano e Deus. Ainda que a forma da liturgia seja feita pelo homem, a sua essência vem diretamente de Deus. Por exemplo, a maneira como celebramos a Eucaristia é o produto de um desenvolvimento ao longo dos tempos, mas a essência do que Jesus disse aos discípulos para fazerem em sua memória nunca mudou. A liturgia é um momento precioso onde Céu e Terra estão muito perto, como poderosamente se expressa no canto do Santo. A liturgia fala a todos os sentidos humanos: por exemplo, a escuta de palavras e música, o cheiro do incenso e do óleo perfumado, a visão da beleza e dos símbolos, o tocar e o beijar da cruz ou das relíquias, o gosto do pão e do vinho. A liturgia dirige-se a todo o ser humano, tal como fomos criados por Deus. Ele sabe melhor que nós o que precisamos e o que é importante nas nossas vidas. Na liturgia, arte e arquitetura desempenham o seu papel mais elevado: as ideias que transpiram são canalizadas para uma só mensagem, o amor de Deus por cada ser humano e o seu desejo de que todos respondam positivamente ao seu convite.

No desenho para a basílica da Sagrada Família [Barcelona], o arquiteto espanhol Antoni Gaudí pretendeu criar uma construção que honrasse Deus em cada detalhe, e ao mesmo tempo expressasse a grandeza do seu plano amoroso de salvação para todos os que a visitassem. Ao fazê-lo, Gaudí criou uma monumental estrutura de evangelização. Sendo ele próprio um devoto cristão, desejou que outros encontrassem o amor de Deus e quis que o seu trabalho contribuísse para tal. Por isso, ainda hoje, o turista que olhe para uma das torres da basílica inadvertidamente louva Deus quando lê "Sanctus, Sanctus". O visitante que leve tempo a contemplar uma das fachadas reconhecerá que a história que narra vai para além do seu ou da sua experiência na Terra. E quem entrar na nave será atingido pela luz, pelas formas orgânicas, a grandeza e a naturalidade com que o olhar é dirigido para o espaço central da igreja, o altar onde a liturgia é celebrada.

A modalidade mais forte em que beleza, arte e arquitetura se juntam nesta obra-prima de Gaudí é aquando da participação numa das grandes liturgias celebradas na basílica. Nesse momento tudo se reúne: enquanto cada um dos sentidos está a ser abordado e ajuda a reconhecer a presença de Deus, a arquitetura como um todo aponta apenas para uma direção, a do amor do próprio Deus. Neste sentido, a basílica da Sagrada Família é um grande exemplo de como beleza, arte, arquitetura e liturgia podem ser hoje poderosos aliados no acompanhamento de jovens no seu caminho com Deus."

Fr. Michel Remery In "Simpósio sobre acompanhamento de jovens (Conselho das Conferências Episcopais da Europa)"
Traduzido por SNPC e publicado em 31 de março de 2017

segunda-feira, 17 de outubro de 2016

Um poema de Fernando Pessoa

O meu Olhar

O meu olhar é nítido como um girassol.
Tenho o costume de andar pelas estradas
Olhando para a direita e para a esquerda,
E de, vez em quando olhando para trás...
E o que vejo a cada momento
É aquilo que nunca antes eu tinha visto,
E eu sei dar por isso muito bem...
Sei ter o pasmo essencial
Que tem uma criança se, ao nascer,
Reparasse que nascera deveras...
Sinto-me nascido a cada momento
Para a eterna novidade do mundo...

Creio no mundo como num malmequer,
Porque o vejo. Mas não penso nele
Porque pensar é não compreender...

O mundo não se fez para pensarmos nele
(pensar é estar doente dos olhos)
Mas para olharmos para ele e estarmos de acordo...

Eu não tenho filosofia: tenho sentidos...
Se falo na natureza, não é porque saiba o que ela é,

Mas porque a amo e amo-a por isso,
Porque quem ama nunca sabe o que ama
Nem sabe porque ama, nem o que é amar
Amar é a eterna inocência,
E a única inocência não pensar...

Fernando Pessoa, in O Guardador de Rebanhos

terça-feira, 29 de outubro de 2013

Resgate à beleza

Salvar a beleza do mundo

A feliz expressão de Fédor Dostoievski, «a beleza salvará o mundo», faz com que cada um chegue à perceção de que o mundo pode ser resgatado com a beleza, a beleza do gesto, da inocência, do sacrifício, do ideal, da gratuitidade.

Hoje, porém, num mundo que relegou a beleza para o campo do fútil ou do ornamental, é legítimo interrogar-se: quem salvará a beleza do risco de se tornar vazia? Na nossa modernidade, a beleza rebaixa-se, permanece uma palavra que todos pronunciam, de que não conseguem privar-se, mas está confinada a um ângulo banal e sem valor: o efémero.

Foi reduzida a pouca coisa, frente às questões económicas, financeiras e científicas que agitam a nossa sociedade. Foi-lhe reservado um lugar entre as mil coisas inúteis da vida, ficou confinada ao decorativo, àquilo que é máscara da realidade. Marginalizada também pela teologia.

É necessário salvar a beleza do mundo (Stefano Zecchí). Ela encontra-se, hoje, perante uma encruzilhada: entre a beleza-cosmética, autorreferencial, para a qual não tem sentido a busca do bem e do verdadeiro, porque não existe verdade, e a beleza-símbolo, porta que abre para o conhecimento e para o futuro, em que o homem aperfeiçoa a sua pessoa, intensifica a pesquisa, leva a cabo contínuas aproximações ao ser.

«O bem, separado da verdade e da beleza, é apenas um sentimento indefinido, um impulso privado de força. A beleza sem bem e verdade não passa de um ídolo. A verdade é o bem; a beleza é esse mesmo bem e essa mesma verdade encarnados numa forma viva e concreta» (Vladimir Solov'êv).

A beleza, em sentido próprio, é aquela que nos faz continuar a interrogar-nos com obstinado amor sobre o que vemos. Ela traz uma memória e uma profecia: evoca o reflexo de uma justiça ou de uma harmonia originária da criação, prefigura, com a força do seu fascínio, a restituição da criação ao seu sentido.

Ao invés, desviada da sua profecia, distraída da sua memória, a beleza autorreferencial encoraja também uma extinção voraz do desejo, uma posse destrutiva, como para Narciso. Exilada do seu nómos primeiro, que é o amor, pode introduzir uma trágica anestesia diante da dor do mundo, uma indiferença aos aviltamentos da Terra. A beleza separa-se, então, da esperança do homem.

Cabe a cada um, com as suas escolhas individuais, salvar esta beleza do mundo. Preservar a beleza que conserva em nós a capacidade de êxtase e de comunhão, a possibilidade do prazer de viver e de crer. Preservar o deslumbramento matinal do mundo.

A beleza confere, então, à existência, o sentido de uma aventura inédita que, com a arte e a realidade, com as coisas e com o espírito, com os afetos e com o absoluto, se mede por uma incessante maravilha (Salvatore Natali) e com obstinado amor.

Ermes Ronchi
In Tu és beleza, ed. Paulinas

segunda-feira, 21 de março de 2011

O poema: abraço à impureza do mundo

O poema

Simone Weil lamentava que se considerasse a estética como um estudo especial, uma recôndita disciplina universitária, pois «a estética é aquilo que nos torna o espaço e o tempo sensíveis». Sophia de Mello Breyner escreve: «Dizer que a obra de arte, que o poema faz parte da cultura é uma coisa um pouco escolar e artificial. O poema, a obra de arte faz parte do real». De facto, a beleza não é um atributo, um campo à parte, uma moeda de troca, um consolo, uma técnica, um código simbólico, um artifício, uma especialidade, um suplemento, como se o Ser e a Beleza se pudessem, de alguma maneira, separar. Aquilo que o poema ensina é que a beleza é uma metafísica concreta, um ponto de união entre o  invisível e o visível,  encarnação do espírito, forma sensível daquilo que é suprassensível. Contra o mundo domesticado dos discursos, o poema restaura a inevitabilidade da experiência

Procurar uma sílaba: poder-se-ia descrever assim a sua demanda. Enfrentar o máximo no mínimo, no insignificante, no inútil,  no ínfimo, no reduzido, no simples fragmento, na pequena dobra, no pormenor. Enfrentar o absoluto no débil e relativo, a imensidão no côvado minúsculo do que diariamente, do que obscuramente divisamos. Isso que nos esforçamos por esquecer, porque a nossa vida estremeceria se em vez dos discursos que nos saem tão fluidos ou temos à mão para explicar tudo, para nos justificar a nós próprios, tivéssemos que passar pelo embaraço de procurar as sílabas, de habitar o silêncio, a infatigável atenção, a longa e áspera noite do não-saber com seus corredores desertos e alagados, como quem espera a salvação. 

Se a filologia ensina alguma coisa sobre os processos humanos, podemos então concluir que o poema é, antes de tudo, uma forma de ação. A existência é feita de ações: lavar o rosto, preparar os alimentos, declarar um amor, cumprir um rito de tristeza, levantar a mão num aceno quase impercetível. De todas as ações que compõem a vida, umas são exteriores, outras interiores. Umas são passadas, outras ainda chegarão. Mas nenhuma destas divisões é muito rígida. Porque, simplesmente, há coisas que não passam. E há acontecimentos exteriores que se gravam em nós, nunca saberemos bem de que maneira, como o nosso segredo mais íntimo. O poema é uma ação humana, entre outras. Só isso. Que sabedoria a daqueles poetas chineses para quem a arte dos versos não se sobrepunha à arte de varrer o pátio da sua casa.

O poema só pode ser um exercício de dissidência, uma profissão de incredulidade na omnipotência do visível, do estável, do apreendido. O poema é uma forma de apostasia. Não há poema verdadeiro que não torne o sujeito um foragido. O poema obriga a pernoitar na solidão dos bosques, em campos nevados, por orlas intactas. Que outra verdade existe no mundo para lá daquela que não pertence a este mundo? O poema não busca o inexprimível: não há piedoso que, na agitação da sua piedade, não o procure. O poema devolve o inexprimível. O poema não alcança aquela pureza que fascina o mundo. O poema abraça precisamente aquela impureza que o mundo repudia.

José Tolentino Mendonça
In Diário de Notícias (Madeira), publicado por SNPC

quarta-feira, 16 de março de 2011

Tornar audível o anúncio de Jesus Cristo: a Cultura é o novo templo e terra de missão

Cristianismo é «decisão» e diálogo cultural uma «imensa prioridade»
O cristianismo corre o risco de se reduzir «a uma dimensão ornamental» e «puramente sociológica», considera o padre José Tolentino Mendonça, acrescentando que o seguimento de Cristo «tem de ser fermento e vida, uma decisão e um caminho».

Em entrevista à Ecclesia, o diretor do Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura defende que o diálogo cultural é uma «imensa prioridade para a Igreja», que precisa de “tornar Jesus pertinente” para a sociedade atual.
«Há o perigo de termos uma coisa extraordinária, uma boa-nova para anunciar, mas ninguém nos querer ouvir. E nós próprios perdermos a capacidade de tornar o anúncio, audível», afirma.

«A cultura – prossegue – é o novo templo, é o novo espaço da missão, é o novo lugar do anúncio» por ser «tudo aquilo que torna a vida humana decisiva» e por constituir «o horizonte de felicidade que cada tempo procura».
À abundância de culturas e à pluralidade de leituras sobre Cristo, acrescenta-se a particularidade de cada pessoa, que vive «uma história única no seguimento de Jesus», motivo pelo qual a teologia tem vindo a valorizar a «biografia crente», ou seja, «a história de vida, o capital de experiência cristã» que cada fiel constrói e transporta.

Entre os itinerários de fé a que a Igreja é chamada a dar atenção encontram-se os dos «não praticantes», que devem ser olhados «não como um peso mas como um desafio»: «Os cristãos desativados não deixam de ser cristãos”, sublinha.

Depois de frisar que “o discipulado é a base de toda a procura cristã”, o biblista realça que o crescimento espiritual cristão implica “luta”, “resistência” e “desprendimento”, cuja exigência deve ser entendida dentro de uma perspetiva de “ternura” e “esperança”.

A Igreja à procura de Jesus
Para Tolentino Mendonça, a Igreja católica oferece uma imagem de Jesus que não é «imposta» mas «tateada», e «só a mística, a oração e o ambiente litúrgico da fé» são «capazes de a tocar».

O sacerdote madeirense salienta a variedade de representações cristãs existentes dentro desta procura: «A força e a autenticidade do cristianismo passam muito por uma diversidade de abordagens e perspetivas que se complementam».

«Há linhas permanentes na diversidade do modo como o cristianismo é vivido», o que, «antes de tudo», se deve traduzir em «colocar Jesus no centro», assinala o professor da Faculdade de Teologia da Universidade Católica, para quem é possível «falar de uma espiritualidade cristã, sabendo que ela é plural».

O responsável pelo diálogo da Igreja católica portuguesa com a cultura lembra que Jesus viveu no Oriente e que «o cristianismo é sempre uma realidade aberta», mesmo tendo em conta o «impacto» mundial da teologia concebida na Europa. O pensamento tradicional do Velho Continente «é muito positivista», «racional» e «limitado», pelo que é preciso aprender «outras modalidades de abordagem do mistério cristão», por exemplo através da observação da «vitalidade de algumas Igrejas na Ásia» e da leitura de «teólogos do continente africano e americano».

Tolentino Mendonça constata o «regresso à beleza e à estética para falar de Deus» e recorda as liturgias de África, em que as missas não estão limitadas a uma hora de duração e onde os ritos incluem o «gesto» e a «corporeidade», não se limitando a uma «celebração mental».

Rui Martins
In Agência Ecclesia / SNPC

segunda-feira, 14 de março de 2011

Beleza da experiência cristã: unidade, unicidade e vida interior

A palavra que leva ao silêncio
Unificar

"A beleza da visão cristã da vida é a sua visão da unidade. Aos seus olhos, toda a humanidade foi unificada no Único que está em união com o Pai. Toda a matéria, toda a criação se encontra também arrojada ao movimento cósmico para a unidade, que será a realização da harmonia divina. Não é esta uma visão abstrata. Exauda uma profunda alegria pessoal, porque nela se afirma o valor de cada pessoa. Nem uma só e singular beleza se perderá nesta grande unificação, mas cada uma será em todos levada à culminação. Na união tornamo-nos quem somos chamados a ser. Só na união sabemos plenamente quem somos.

Eis a magnífica e preponderante visão que, durante séculos, dominou a tradição cristã. Sem ela, não podemos chamar-nos Seus discípulos. E, no entanto, a tarefa de cada um de nós é alçar-nos a esta visão na nossa experiência pessoal, vê-la por nós próprios ou, antes, com os olhos do Senhor. A tarefa central da nossa vida, na visão cristã, é chegar à união, à comunhão. Afirmar isto sob o ponto de vista em que quase todos começamos significa ir além de todo o dualismo, de toda a cisão dentro de nós mesmos e da alienação que nos separa dos outros. O dualismo que caracterizou as heresias é que ameaçou destruir a fina centralidade, o equilíbrio da perspetiva cristã. É também este dualismo que suscita, para cada um de nós, o impossível e irrealista «ou-ou», que tanta angústia inútil origina: Deus ou a humanidade, o amor de si ou o amor do próximo, o claustro ou a praça pública."

Acção e Contemplação

"Para comunicar a experiência cristã da união, a experiência de Deus em Jesus, temos de resolver estas falsas dicotomias, antes de mais, em nós mesmos. Temos de nos fazer um só por meio do Único que é uno.
Aparentemente, a natureza das dualidades consiste em propagarem-se a si mesmas e, desta forma, em complicarem a totalidade e a simplicidade de que partimos e à qual nos faz regressar a oração profunda

Uma das dualidades mais básicas tem sido a polarização de vida ativa e vida contemplativa, e o seu efeito mais nocivo foi alienar a maioria dos cristãos desta mesma oração profunda que transcende a complexidade e restaura a unidade. Acabámos por nos imaginar a nós próprios ou como contemplativos ou como ativos, e esta distinção aplicou-se aos religiosos e aos leigos. Enquanto ativos, encontrávamo-nos no seio da vasta maioria cuja vida espiritual se baseava nas devoções ou no elemento intelectual, e que não tinha pretensões enfatuadas a uma experiência de Deus. Como contemplativos, fazíamos parte de uma minoria restrita, privilegiada, separada do corpo principal não só por altos muros e estranhos costumes, mas também, muitas vezes, por vocabulários especializados ou até por uma total ausência de comunicação.

Como todas as heresias, esta revelou-se plausível e duradoura, porque possuía um grão de verdade. Há os que são chamados a viver no Espírito à margem da atividade do mundo e cujos valores primordiais são o silêncio, a quietude e a solidão. Os contemplativos não são, porventura, pregadores, mas devem, apesar de tudo, comunicar a sua experiência, porque esta se notifica e transmite a si mesma. A sua experiência é a experiência do amor e o amor estende-se, difunde-se, partilha-se para alargar o reino da sua própria comunhão. A conclusão eduzida da falsa compreensão da dimensão contemplativa da Igreja distorceu o ensinamento explícito do Novo Testamento, a saber, que o apelo à santidade é universal. O apelo do Absoluto dirige-se a cada um de nós e só este apelo nos faculta o sentido derradeiro; o nosso valor último é a liberdade que nos é dada de lhe respondermos. A exclusão da maioria dos cristãos deste apelo teve profundos e desmesurados efeitos na Igreja e na sociedade. Se o nosso valor e significado derradeiros forem negados, como poderemos esperar que a reverência humana recíproca seja o princípio orientador das nossas relações habituais?"

Todos somos seres orantes

Não há na Igreja e no mundo atual necessidade mais urgente do que a compreensão renovada de que é universal o apelo à oração, à oração profunda. Também a unidade entre os cristãos, a longo prazo a unidade entre os diferentes povos e credos assenta na nossa descoberta do princípio interior da unidade como uma experiência pessoal dentro dos nossos corações. Se quisermos perceber que Cristo é, de facto, a paz entre nós, temos de saber que «Cristo é tudo e está em todos». E nós n'Ele. A autoridade com que a Igreja comunica esta experiência será o grau com que nós, a Igreja e o Corpo de Cristo, a tivermos pessoalmente realizado. A nossa autoridade será humilde, isto é, deve enraizar-se numa experiência que nos leve, além de nós mesmos, à plena pessoalidade. A nossa autoridade como discípulos é a nossa vizinhança e contiguidade ao Autor, muito longe do autoritarismo ou do complexo de medo e de culpa com que o poder é utilizado pelo homem contra o homem. Os cristãos, na sua oração, renunciam ao seu próprio poder; deixam para trás o Si mesmo. Ao fazê-lo, têm uma fé absoluta no poder de Cristo como o único poder que aumenta a unidade entre todos os seres humanos, porque é o poder do amor, o poder da própria união. Quando, como cristãos, homens e mulheres de oração abrem os seus corações a este poder, ampliam a capacidade de todas as pessoas para encontrar a paz acima de e para lá da sua compreensão habitual."

Como recuperar a oração

"Que os cristãos devem orar não é uma ideia nova. O repto verdadeiramente atual é que temos de recuperar um modo de oração profunda que nos encaminhará para a experiência da união, longe das distrações superficiais e da autocomiseração. As questões que hoje se levantam sempre ali existiram: Como é que oramos a este nível? Como aprenderemos a disciplina que isso implica? Como concentrar-nos a nós mesmos, de modo inteiramente natural, na mais profunda realidade da nossa fé? Como consumar a transição essencial da imaginação para a realidade, do conceptual para o concreto, do assentimento nocional para a experiência pessoal? Não basta abordarmos estas questões como problemas intelectuais. Elas são muito mais urgentes do que isso. São desafios à nossa existência e só podem ser respondidos com a nossa vida, e não mediante ideias.

A maneira mais simples de responder à questão «Como orar?» pode encontrar-se na afirmação de S. Paulo: «Nem sequer sabemos como devemos rezar, mas o Espírito ora em nós». O cristão, relativamente a todas as questões problemáticas acerca da oração, foi contemplado com a liberdade pela revelação de que o que ele chama a «sua oração» é tão-só um imergir e entrar na experiência orante do próprio Jesus, no Espírito, no vínculo de união com o Pai. Esta experiência pessoal de Jesus é a realidade presente, eternamente presente, no coração de cada consciência humana. Toda a nossa busca de conhecimentos secretos, todos os caminhos ou ensinamentos ocultos se tornaram supérfluos, porque o segredo derradeiro foi revelado: «o segredo é este - Cristo em vós». Por isso, na oração, não nos esforçamos por que algo aconteça. Já aconteceu. Estamos tão-só a cumprir o que já é, caminhando e ingressando mais profundamente na consciência unificada de Jesus, no milagre e na maravilha da nossa própria criação. O cárcere da fixação em si mesmo, que nos impede a realização desta jornada, já não consegue reter os que podem compreender que «possuímos o espírito de Cristo».

Quando percebemos que o centro da oração está em Cristo, não em nós, podemos então perguntar «Como?» e receber uma resposta adequada. A jornada que fazemos até este ponto de partida é uma primeira etapa, e será talvez uma jornada difícil, solitária. Mas, neste momento da nossa vida, acordamos para nós mesmos no seio da comunidade de todos aqueles que já aqui chegaram e que foram mais além. [...]O importante é que reconheçamos e acatemos a oportunidade de conferir plena realidade à nossa experiência pessoal.

A tradição da meditação cristã é uma resposta simples e, acima de tudo, prática a esta questão; e no entanto, no seu seio, está concentrada a rica e profunda experiência dos santos, conhecidos e desconhecidos. É uma tradição radicada nos ensinamentos de Jesus, a tradição religiosa em que viveram e ensinaram a Igreja apostólica e os Padres da Igreja. Bem depressa ela se tornou na Igreja cristã uma tradição associada aos monges e ao monaquismo e, desde sempre, tem sido um canal essencial pelo qual ela se difundiu em todo o Corpo e o alimentou. A meu ver, nada há de misterioso a este respeito. Os monges são, no essencial, homens e mulheres cuja prioridade fundamental é a prática e não a teoria, cuja pobreza interior e exterior visa facilitar mais a «experiência em si» do que a reflexão sobre a experiência. É, pois, natural e até inevitável que a meditação se encontre no coração do monaquismo. E, porque aí se encontra, o monaquismo é importante para a Igreja e para o mundo."

Não é preciso procurar longe

"Semelhante monaquismo, claro quanto à sua própria prioridade, será mais um movimento inclusivo do que exclusivo na Igreja. Saberá que a experiência tem apenas de ser realmente vivida para ser comunicada. Onde a senda é seguida por uns quantos, outros serão arrastados para ela. Algo se deve dizer, por escrito ou em discussão. Mas o ensinamento mais profundo, o fim de todas as palavras será uma participação no momento criativo da oração. O silêncio dos monges é a sua verdadeira eloquência.
As pessoas expressam, por vezes, alguma preocupação acerca da disponibilidade da tradição monástica de meditação. Ao comunicá-la, perguntam «não dizem os monges que ela é a única via? Subjacente está aqui, com muita frequência, o receio de que se faça uma exigência demasiado absoluta aos «cristãos ordinários», aos «não-contemplativos». Mas esta é a exigência, a oportunidade, proposta pelo Evangelho a todos homens e a todas as mulheres em cada época e cultura. Foi a «todos» que Jesus revelou a condição para o seguirem. A ironia é que as pessoas «comuns», aos milhares, têm procurado este caminho fora da Igreja; elas não conseguiram encontrar este ensinamento espiritual na Igreja quando a ela o foram procurar e, por isso, olharam para o Oriente ou para formas da religião oriental, importadas para o Ocidente. Quando tais pessoas ouvem falar da sua própria tradição ocidental cristã de meditação, expressam surpresa: «Porque é que isso nos foi ocultado?», perguntam. O encontro do Oriente e do Ocidente no Espírito - uma das grandes características da nossa época - só pode ser frutuoso se for realizado ao nível da oração profunda. Decerto, isto também vale para a união das diferentes denominações cristãs. A condição prévia é que redescubramos a riqueza da nossa própria tradição, e tenhamos a coragem de a abraçar."

Utopia no bulício da vida?

"Mas não passará tudo isto de uma simples utopia religiosa? Este livro baseia-se na convicção de que não é assim. E tal convicção baseia-se na experiência que tivemos como um mosteiro comunicando e partilhando esta tradição enquanto realidade viva. Na nossa Comunidade temos, como prioridade nossa, quatro períodos de meditação em cada dia, que estão integrados na recitação da Liturgia das Horas e na Eucaristia. Além disso, o nosso trabalho é comunicar e partilhar a nossa tradição com quem quer que a ela deseje abrir-se. A maioria dos que acorrem aos nossos grupos semanais de meditação, dos que vêm estar connosco como hóspedes ou meditar connosco nos nossos tempos comunitários de oração, são pessoas com famílias e carreiras, com as responsabilidades normais e exigentes da vida. Todavia, a meditação falou-lhes fundo, criou nas suas vidas, em cada manhã e à noite, um espaço de silêncio, e isto proporcionou-lhes a estrutura e a disciplina na sua demanda de profundeza e de enraizamento em Cristo. Rotulá-los, sem mais, de «ativos» ou «contemplativos» erra o alvo. São pessoas que escutaram o Evangelho e que, no nível mais profundo do seu ser, tentam responder à dádiva infinita que receberam no amor de Deus, que vem a nós em Jesus. Sabem que esta resposta é uma jornada para as profundezas infindas do amor de Deus. Começaram tão-só a empreender esta jornada.

Este livro foi suscitado e estimulado pela resposta dessas pessoas à meditação. A sua substância, o seu conteúdo, é um conjunto de gravações feitas, há alguns anos, na Inglaterra como introdução à meditação e como meio de encorajamento para aqueles que começaram a meditar, sobretudo para os que não podiam visitar-nos ou estar connosco. Iniciou-se, pois, com a palavra falada e penso que esta continua a ser o meio ideal de comunicar semelhante tradição. O mistério a que a meditação nos conduz é um mistério pessoal, o mistério da nossa própria pessoalidade, que encontra o seu cumprimento na pessoa de Cristo. E assim, quanto mais pessoal for o modo de ele ser comunicado, tanto mais se aproximará da sua fonte e da sua meta.

Peço, por isso, que vos lembreis de que as palavras impressas neste livro vieram originalmente à vida como palavras proferidas e espero que, ao recordar isso, elas vos falem a partir de uma tradição que sempre se há de reavivar na nossa própria experiência."
  
John Main
In A palavra que leva ao silêncio, ed. pedra Angular
publicado por SNPC

sábado, 5 de março de 2011

Dois filmes à margem dos Óscares

Venho recomendar dois filmes que não estiveram sob os holofotes de Hollywood. E, por não terem estado, arriscam-se a sair das salas sem que os tenhamos visto.

O primeiro é um filme cru, em que por trás da fealdade e da dureza da vida se vislumbram reflexos de beleza. Fala-nos da decadência, imigração, droga, mercado negro, fragilidade da família, decadência, amor, corrupção, delinquência, fracasso, violência, crime, culpa, luta, pequenas vitórias, efémero e provisório, dos laços afectivos, da bondade, doença, sobrevivência, justiça e oportunidades, expectativas, espiritualidade, vida e morte. É o Biutiful, de Alejandro González Iñarritu, com a extraordinária interpretação de Javier Bardem - um Drama para maiores de 16 anos.

"A odisseia de Uxbal (Javier Bardem), um pai solteiro entre conflitos, que se perde e encontra pelos labirintos do submundo de Barcelona, e que, acima de tudo, tudo fará para salvar os seus filhos e reconciliar-se com um amor perdido enquanto a sua morte parece cada vez mais próxima. Amor e espiritualidade, crime e culpa, conjugam-se para levar Uxbal, com negócios escuros na exploração de imigrantes ilegais e uma suposta capacidade de comunicar com os morto, até ao seu destino de herói trágico... "É um requiem", resume o realizador Alejandro González Iñárritu ("Babel", "21 Gramas", "Amor Cão). O filme, nomeado nos EUA para um Globo de Ouro para melhor filme estrangeiro, valeu ao oscarizado Bardem o prémio para melhor actor no festival de Cannes."
in Público


O segundo é de Clint Eastwood (do qual não sou um fã incondicional). Em Hereafter - outra vida, a morte nunca anda longe. É um filme tocante pelas vidas das personagens que o habitam - um homem nos Estados Unidos da América, uma mulher em França e uma criança em Inglaterra. Também há um lado de sofrimento e de luta que marca cada uma destas experiências: alguém que tenta levar uma vida normal evitando o seu dom natural, outro que tenta viver depois de ter estado às portas da morte, e um que tenta sobreviver à perda da pessoa que lhe era mais próxima, seu cúmplice, segurança e estabilidade e uma parte de si mesmo. É um filme que fala sobretudo do amor para lá da morte e das ligações humanas que nos vão construindo enquanto indivíduos e seres humanos. O filme já está em pouquíssimas salas e não tem sido aclamado por toda a crítica... mas eu não consegui ficar indiferente.
 
"Três pessoas, distantes entre si, estão unidas pela morte. Nos EUA, George (Matt Damon) vive atormentado pelas capacidades paranormais que revela desde muito jovem. Do outro lado do Atlântico, em França, a jornalista Marie (Cécile de France) tenta lidar com o trauma de ter sobrevivido ao tsunami de 2004 no Sudeste asiático. Enquanto isso, em Inglaterra, o pequeno Marcus (George e Frankie McLaren) não consegue lidar com a trágica morte do irmão gémeo. Apesar das suas vidas tão distantes, os seus caminhos cruzar-se-ão... O novo filme do actor e realizador Clint Eastwood baseia-se num argumento original do escritor inglês Peter Morgan, autor de "A Rainha" e "Frost/Nixon"."
in Público

sexta-feira, 4 de março de 2011

Linguagens da evangelização

Curso sobre «Evangelização e Linguagens» em Lisboa


O Instituto Diocesano da Formação Cristã do Patriarcado de Lisboa promove um curso de 4 sessões sobre «Evangelização e Linguagens» que terá início a 14 de Março, na Igreja do Coração de Jesus.

Na sua actividade evangelizadora e missionária, “a Igreja tem de conhecer e de dominar bem as linguagens eruditas e populares, que são meios privilegiados para se dirigir aos homens” – lê-se no comunicado enviado à Agência Ecclesia.

Nesse sentido, o referido instituto realiza esta actividade que pretende “fomentar a reflexão acerca dos caminhos a percorrer para alcançar a meta almejada” – anuncia.

Programa

14 de Março
«Religião, Mediação e Linguagem» - Juan Ambrósio
21 de Março
«Evangelização e Beleza» - Paulo Pires do Vale
28 de Março
«Evangelização e Música» - padre Teodoro Sousa
4 de Abril
«Evangelização e Linguagem» - José Victor Adragão

Por LFS, in Ecclesia

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

A nudez na arte: do pudor ao que interessa

Nota: neste artigo de opinião "pornográfica" deveria ser substituída bastantes vezes por "erótica" pois, a meu ver, pornográfico é tudo o que é produzido pela "indústria do sexo" e para consumo de um determinado mercado; "erótico" não é tão restrito, é algo que estimula os sentidos e o desejo, mas que não está vocacionado para o mercado da "indústria pornográfica". Contudo, por lealdade para com a autora do texto, não fiz a substituição de um termo pelo outro, cabendo ao leitor a tarefa de discernimento. 

Caminhos cruzados: a arte, a nudez e a pornografia

Male nude known as Hector, David jacques Louis
O corpo humano causa fascínio e é exaltado como algo naturalmente belo. Instintivamente, a nudez sempre foi e será o meio pelo qual o homem busca uma ligação com o seu próprio ser e com a criação.

O poeta e pintor inglês William Blake afirmou que “a arte jamais poderia existir sem expor a beleza da nudez.” Desde os primórdios dos tempos a nudez pertence à arte, estando presente nos ateliês de artistas clássicos e contemporâneos, assim como está presente em todas as outras vertentes artísticas. O corpo humano é visto como uma obra de arte. E como tal é contemplado. Afinal, é uma notável composição de músculos, uma máquina que reage e funciona à base de emoções. Que sangra, que expressa. Que causa prazer para quem sente e vê, de uma desconcertante (im)perfeição.

Mas antes da admiração, há uma eterna e cansativa discussão acerca do que é arte e do que é pornografia. Discussão errada. Com isto, infelizmente, a retratação da nudez ganhou rótulos, que se tornaram mais importantes do que a própria arte.

O rapto das Sabinas, Rubens
Todos sabemos o que é algo pornográfico, não é necessário dizer. A arte pode ser pornográfica, sem dúvida. Mas nem toda a pornografia pode ser arte. É, no entanto, delicado determinar o que é ou não arte. Cada um vê a beleza de modo muito particular. Por isso, coloca-se uma questão mais importante: é boa arte? Por vezes uma mente imatura, ou puritana, execra toda e qualquer manifestação da nudez, sem levar em consideração que não se trata apenas da estética, mas sim do conceito que encarna naquela obra. É preciso ver para além do que se vê. Isso deixa claro que, em determinadas ocasiões, é uma questão puramente de moralismo: ofender-se com uma imagem pornográfica é mais conveniente, desqualificando-a como arte.

É estranho que algumas pessoas se escandalizem com a exposição dos órgãos genitais, alegando que é algo grotesco e que alude puramente a luxúria, mas não se importam em admirar uma imagem sensual. Ora, a simples sensualidade é tão obscena quanto a pornografia, pois revela o que não está, desperta a imaginação, usa a nudez como pano de fundo para uma ideia mais subtil, mas que seduz e convence. Pablo Picasso disse ser “a arte algo perigoso, pois é reveladora”. E não é somente uma arte pornográfica que revela.


Prometheus, Christian Griepenkerl
Então esqueça os rótulos de pornográfico, erótico ou o que o valha. Não é isso o que importa. Independente da maior ou menor exposição do corpo é preciso entender que mais importante é identificar a qualidade artística de um trabalho. Alguns deles não pretendem mesmo ser mais do que apenas o sexo, numa exposição direta. É a libido na sua forma mais crua e explícita, mas nem por isso deixa de ser arte.

A famosa escultura de David – de Michelangelo – é a mais óbvia e explícita exposição do corpo humano. É pornografia ou é arte? A pergunta soa estúpida, não? A questão é que David é uma das mais belas obras a exaltar o corpo humano. É tecnicamente bem feito, é hiper-realista, é inebriante. Uma obra espectacular incontestável do Renascimento que fala connosco por meio da nudez e muito além da nudez. Se for boa arte, o que chamará a atenção não será apenas o corpo exposto mas sim uma série de impressões e conceitos inerentes a ela. É o que acontece com o bom observador.


L'apparition, Daniel Barkley
O escritor britânico Joseph Conrad disse sabiamente que “o autor escreve apenas metade de um livro. A outra metade fica por conta do leitor”. Creio que tal ideia pode ser aplicada à arte. O observador é uma extensão daquilo que observa, pois é dele a interpretação, independente da intenção do artista. São os conhecimentos e as inferências feitas pelo observador que vão responder à pergunta que realmente deve ser feita: é boa arte?

Adaptação para português (de Portugal) de um texto de Rejane Borges, in Obvious

Ler um texto de opinião sobre o trabalho de Egon Schiele

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Quando a beleza dói

 O artista que escolheu gente comum para encarnar personagens da Bíblia

Caravaggio recorria a pessoas comuns das ruas de Roma (e dos outros sítios por onde passou) para retratar Maria e os apóstolos. A sua inspiração estava entre os comerciantes, prostitutas, marinheiros e todo o tipo de pessoas que não eram de nobre estirpe.

A obra de Caravaggio

Grande parte da sua pintura foi de cariz religioso (ou sacro) - a maioria dos seus mecenas foram homens da Igreja que, conhecendo um pouco do mau génio do pintor e da sua conduta de vida, não deixaram que o "julgamento" sobre as suas acções o impedissem de trabalhar para esta instituição.

É impressionante como as personagens que habitam as suas telas emanam a humanidade e a realidade da vida comum das pessoas, e como o artista consegue "construir o sagrado" a partir do "humano", ou seja, como consegue compreender o mistério da Encarnação divina e do amor de Deus pelo homem e pela mulher (o próprio Jesus escolheu rodear-se de pescadores, pecadores, pobres e prostitutas).

O artista levou este princípio estético às últimas consequências, a ponto de ter sido acusado de usar o corpo de uma prostituta apanhada morta no rio Tibre para pintar A Morte da Virgem. Esta foi uma das duas mais importantes características das suas pinturas: retratar o aspecto mundano dos eventos bíblicos, usando o povo comum das ruas de Roma.

Outra característica marcante foi a dimensão e impacto realista que ele deu aos seus quadros, ao usar um fundo sempre raso, obscuro, muitas vezes totalmente negro, e agrupar a cena em primeiro plano com focos intensos de luz sobre os detalhes, geralmente os rostos - uma abordagem quase cénica ou teatral dos acontecimentos representados. Este uso de sombra e luz é marcante nas suas telas e atrai o observador para dentro da cena - como é tão claro em A Ceia em casa de Emmaus. Os efeitos de iluminação que Caravaggio criou receberam um nome específico: tenebrismo.

A nova linguagem

Caravaggio reagiu às convenções do Maneirismo e opôs a elas uma pintura natural, directa, e até mesmo brutal e crua que, pela sua franqueza, renovou até a mera natureza morta (Cesta de frutas - 1596), as cenas profanas (Baco, 1593-1594) e os temas religiosos (Descanso durante fuga para o Egipto, 1594-1596).

No fim do Renascimento, os grandes mestres caminhavam para uma visão mais obscura e realista das escrituras sagradas. Caravaggio pintou versões próprias desses temas - A conversão de São Paulo, a caminho de Damasco e Crucificação de São Pedro - que ilustram como foi capaz de igualar, e até superar os seus mestres.

A própria vida do artista, entre conflitos e fugas, terá imprimido e inspirado muito do sofrimento representado nas suas obras. Na obra de Caravaggio, a beleza do ser humano é posta à luz nas suas formas, volumes e corpos. E é uma beleza que não se abstém do feio, do vulgar, da dor, do sofrimento, da violência, da velhice, da luta interior, dos vis sentimentos: é uma beleza amassada com a dureza da vida.

Curiosidade:
A 10 de Novembro de 2006, um quadro do pintor, parte da colecção da Rainha Isabel II de Inglaterra, foi autenticado depois de seis anos de análise tecnica. Até então, fora considerado uma cópia.
Mensagem escrita a partir de informações encontradas em Wikipedia
Ler neste blogue: biografia de Caravaggio

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Cristo era necessariamente belo? Onde se encontra a Beleza?

Sobre Beleza

Desde pequeno sempre me incomodou que as "imagens" e representações dos santos quase sempre roçassem um "kitch" que, de tanto se querer perfeito, suave, sereno e bonito, cai no artificial, no estereótipo e até no feio. O que é certo é que a Beleza fala de Deus e nem tudo o que "ornamenta" as nossas igrejas fala Dele.

Mas a reflexão e procura da Beleza não vem de agora, e mesmo hoje não há unanimidade em muitos temas que a ela dizem respeito. Para alimentar um pouco a fogueira, aqui vai uma pequena reflexão sobre a beleza (ou falta dela) de Cristo:

«Talvez hoje nos espante saber que uma das discussões mantidas pelos Padres da Igreja era decidir se Cristo era ou não belo. Não é uma questão menor ou fútil como, talvez, à primeira vista possamos julgar. De facto, é a própria Liturgia que continua a alimentar esse debate. Ela, por exemplo, aplica a Jesus o Salmo 45:


«O meu coração vibra com belas palavras;
vou recitar ao rei o meu poema!
A minha língua é como pena de hábil escriba.
Tu és o mais belo dos filhos dos homens!
O encanto se derramou em teus lábios!
Por isso, Deus te abençoou para sempre!» (...)

A Beleza, e a Beleza de Cristo em particular, captura o nosso coração, fere-nos intimamente, abre-nos à revelação, faz com que deixemos de pertencer a nós mesmos, obriga-nos a relativizar o que éramos, a esquecer muitas vezes a nossa pátria e a casa dos pais, atrai-nos para si. É isso que a Igreja reza no Salmo 45.

Mas ao mesmo tempo que a Liturgia utiliza amplamente o salmo também considera indispensável a luz que traz ao mistério de Cristo o drama do Servo Sofredor, descrito em Isaías 53,1-4:

«Quem acreditou no nosso anúncio?
A quem foi revelado o braço do Senhor?
O servo cresceu diante do Senhor
como um rebento,
como raiz em terra árida,
sem figura nem beleza.
Vimo-lo sem aspeto atraente,
desprezado e abandonado pelos homens (...)»

José Tolentino Mendonça, in “Reconciliar-se com a beleza” (publicado em "O tesouro escondido")

Ler mais em SNPC

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

A dificuldade da Fraternidade: não há lei que obrigue sentir o outro como irmão ou irmã

parece-me esta abordagem de D. Manuel Clemente muita válida para nossa reflexão e os três pontos (no final) bons princípios para tentar pôr em prática.

Fraternidade: O item não legislável

Do ideário de 1789 a fraternidade será porventura o item mais difícil, porque menos legislável e certamente mais anímico. É duma "alma" nova que se trata, em que nos sintamos realmente próximos, com a verdade que a palavra "irmão/irmã" transporta, enquanto vinculação íntima, disponível e gratuita.

Não é espontânea, a fraternidade, nem pela lei nem pelo espírito. A legislação incidirá na liberdade cívica e na igualdade política e social, ao menos no capítulo das oportunidades. Mas ninguém nos pode "obrigar" a sentir o outro como irmão, ou a nós mesmos como irmãos dos outros, de todos e de cada um dos outros...

Em sociedades tradicionais, especialmente nas tocadas pelo cristianismo, as vizinhanças eram espontâneas e a vida confraternal mais ativa e expressiva. A aldeia – ou a concentração de "aldeias" que era a cidade emergente – vivia problemas idênticos em ritmos comuns, com momentos simbólicos igualmente gerais. Assim se consideravam "fregueses" (= filhos da mesma igreja) e nalguns lugares até "irmãos de pia [batismal]", porque irmanados num só sacramento.

É verdade que esta relação essencial convivia com maiores ou menores disparidades na escala social e material. Mas é também verdade que a prática religiosa habitual lembrava insistentemente a fraternidade sacramental e a universalidade dum juízo final e iminente para ricos e pobres, nobres e plebeus, clérigos e leigos. Como igualmente se exortava à concretização orante e caridosa da fraternidade, por sufrágios e esmolas.

O grande movimento confraternal que se desenvolveu na Europa, da Idade Média para a Moderna, assinala fortemente tudo isso: confrarias, irmandades. Misericórdias... O traço comum foi o duma fraternidade "ideal", que não desistia de concretizações práticas e mobilizadoras, inclusive no campo cultural e artístico. Aí podemos encontrar até uma das radicações mais certas das atuais democracias, que nem sempre conseguiram manter o ânimo fraternal e cristão que lhes assegurou as origens.

Por outro lado, a evolução comercial, industrial e citadina da Europa contemporânea dificilmente conseguiu e consegue manter as proximidades efetivas e afetivas da sociedade antiga. Bem pelo contrário, verificamos que quanto mais contíguos, habitacional ou laboralmente, também mais ambíguos nos manifestamos, na discrepância flagrante entre a "fraternidade" ideologicamente enunciada e a pouca em que realmente (con)vivemos, por falta de motivação religiosa ou filantrópica. É o caso tão verificado de a habitação em pequenos "fogos" de grandes prédios proporcionar menos vizinhança real do que a habitação em casas apartadas da mesma rua ou bairro. A proximidade forçada ou forçosa, desperta mais o autofechamento, zeloso da sua intimidade, do que predispõe à conversa da rua ou praça comum, de quem se sente seguro de si e dos seus.

Concomitantemente, o trabalho de cada um, em lugares sucessivos e dependente de fatores mutáveis, mais ocasiona individualismo e concorrência do que solidariedades fraternas. Não foi por acaso que a Revolução Francesa, tão fixada na autodisponibilidade burguesa, cedo extinguiu as antigas corporações de artífices... As associações operárias ou patronais que vieram depois expressam outra lógica, de defesa de grupo e "fraternidades" sectoriais e contrapostas. Hoje talvez nem isso, dada a maior mobilidade social e a muito maior individualização dos percursos, além da rarefação ideológica própria da pós-modernidade.

Aqui nos situamos, se é que de que de “situação” se pode falar em terreno tão resvaladiço. Para quem não desista de inspirar cristãmente a cultura, o desafio redobra com as atuais fraturas, que só nos abrem a “fraternidades” de escolha e particularíssima escolha, parecendo insanável a rutura entre as antigas solidariedades prévias e as atuais solidariedades de escolha, tendendo estas a serem sucessivas, discrepantes e restritas. Para “outra margem” passa-nos Jesus de Nazaré, começando com um pequeno grupo, em que podiam coexistir publicanos (Mateus) e zelotas (Simão); uma fraternidade tão universal como única é a origem de nós todos, relativizando consequentemente tudo quanto a possa obnubilar: “Quanto a vós, não vos deixeis tratar por ‘Mestres’, pois um só é o vosso Mestre, e vós sois todos irmãos” (Mt 23, 8).

Em termos mais conclusivos e práticos, poderemos insistir numa pastoral assim "cultivada":

1) Na consciencialização da raiz religiosa da fraternidade, com grande incidência ecuménica (unidade da criação). No que ao cristianismo respeita, evidenciar a absoluta fraternidade das atitudes e palavras de Cristo: "Ouvistes o que foi dito: 'Amarás o teu próximo e odiarás o teu inimigo'. Eu, porém, digo-vos: Amai os vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem, fazendo assim, tornar-vos-eis filhos do vosso Pai que está no Céu, pois Ele faz com que o sol se levante sobre os bons e os maus e faz cair a chuva sobre os justos e os pecadores. [...] Portanto, sede perfeitos como é perfeito o vosso Pai celeste" (Mt 5, 43-45.48). E no reconhecimento da origem e convergência de todo o bem que se faça, seja quem for, seja a quem for: "João tomou a palavra e disse: 'Mestre, vimos alguém expulsar demónios em teu nome e impedimo-lo, porque ele não te segue juntamente connosco'. Jesus disse-lhe: 'Não o impeçais, pois quem não é contra vós é por vós'" (Lc 9, 49-50).

2) No mais lídimo espírito cristão e franciscano - da "Galileia dos gentios" às bodas de prata do "espírito de Assis" (1986 ss) - participar e colaborar em tudo o que aproxime grupos, povos e crenças, com incidência humanista, e ultrapasse antigas e atuais manifestações de segregação, desconfiança e mútuo alheamento. Podendo começar pelas nossas próprias comunidades, na valorização da contribuição diferenciada de cada um dos seus membros e grupos, segundo os respetivos carismas, a bem do todo.

3) No campo das "artes e letras", incidir particularmente em tudo quanto manifeste a unidade de origem e destino da nossa humanidade comum, tão expressa na bondade, verdade e beleza essenciais: "De resto, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é nobre, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é respeitável, tudo o que possa ser virtude e mereça louvor, tendo isso em mente. [...] Então, o Deus da paz estará convosco" (Fl 4, 8-9).

D. Manuel Clemente

Bispo do Porto, presidente da Comissão Episcopal da Cultura, Bens Culturais e Comunicações Sociais, no 7.º Encontro Nacional de Referentes da Pastoral da Cultura, Fátima, 29 de Janeiro de 2011)

publicado por © SNPC a 30 de Janeiro de 2011

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Inédito: o calendário das garagens com nu masculino assinado por Lagerfeld

É a primeira vez na história que o calendário da Pirelli - que antigamente figurava nas paredes das garagens, das tascas e das barbearias - tem uma página com um homem, um corpo masculino.

A Pirelli é uma marca de pneus. O tema do próximo ano está ligado à mitologia. Há já algum tempo que os calendários da marca começaram a ter novas preocupações artísticas e passaram das paredes das garagens para as paredes dos museus.

O mundo que conhecemos está a mudar!

"O Calendário Pirelli 2011, agora na sua 38ª edição, foi apresentado à imprensa, aos convidados e aos colecionadores de todo o mundo em estreia mundial, na cidade de Moscovo. A sede do evento foi o Teatro Stanislavsky e Nemirovich-Danchenko, prestigiado palco russo, onde ao longo de mais de 90 anos de história foram apresentadas óperas e ballets que se tornaram parte do acervo artístico do país.

Depois da China imortalizada por Patrick Demarchelier na edição de 2008, de Botsuana clicado por Peter Beard em 2009, e do Brasil de Terry Richardson em 2010, "The Cal" 2011 foi assinado pelo génio criativo de Karl Lagerfeld, artista e figura polivalente e, principalmente, esteta celebrado no mundo inteiro.

No seu estúdio parisiense, Karl Lagerfeld deu vida a "Mythology", um calendário que reflecte uma de suas paixões mais profundas, a das lendas e mitos da mitologia greco-romana, que conta a origem do homem e do mundo através das aventuras de deuses e deusas, heróis e heroínas. Numa viagem ao passado, através da linguagem universal da fotografia, "Mythology" leva-nos de volta às raízes da civilização clássica e reaproxima o Calendário Pirelli do Velho Continente onde, há quase 140 anos foram iniciadas as actividades de uma companhia que se tornou uma multinacional que hoje opera em mais de 160 países.

Nas 36 imagens que constituem o Calendário 2011, são retratados 24 temas entre divindades, heróis e mitos. O olho de Lagerfeld propõe-nos fotos 'esculpidas' com rigor estético e referências constantes à arte da escultura e aos seus cânones clássicos. Todas as fotografias são a preto e branco, opção esta que imprime personalidade às imagens, realça a beleza dos corpos mediante o grande contraste claro/escuro e (...) proporciona tridimensionalidade às imagens.


"Actrizes e modelos encarnam os novos heróis e representam a nova ideia de beleza", afirma Karl Lagerfeld, propondo-nos, uma representação ideal e imortal da beleza, através do Calendário Pirelli 2011. Beleza, juventude, culto corporal, desejo sem castigo, simbolizam a nova ideia de beleza e representam a modernidade da mitologia."

http://www.pirelli.com.br/web/company/media/communication/cal-11/default.page
http://www.pirellical.com/thecal/home.page
http://www.pirelli.com.br/web/company/media/communication/calendar/default.page

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

"O puro prazer deve ser inserido no gozo" e "Amar verdadeiramente sendo amado definitivamente"

A Igreja precisa de uma reforma nas questões do amor, afirma o cardeal
Segunda Parte

Castidade e sexualidade são sentidas como antíteses...

A castidade mantém o Eu ordenado. Eliminá-la significa reduzir o amor a mera habilidade sexual, veiculada por uma subestrutura de relações humanas que se fundamenta num grave equívoco e isto está na ideia de que no homem exista um ‘instinto sexual’ como ocorre com os animais. A psicanálise demonstra que não é verdade: também no nosso inconsciente mais profundo nada se joga sem o envolvimento do Eu. O sacrifício e o distanciamento requeridos pela castidade mantêm o Eu pessoal unido, abrindo caminho para uma possessão mais autêntica. O sacrifício não anula a posse, é a condição que o expõe.

Os doutores da Igreja falavam de ‘gaudium’ (gozo). O puro prazer, que por sua natureza acaba rapidamente, pede para ser inserido no gozo, pois se ficar fechado em si mesmo a posse o anula lentamente, enfraquece, deprime. Impressiona-me o facto de, quando digo estas coisas aos jovens, encontrar mais surpresa do que crítica.

Gozo e sexualidade parecem conceitos incompatíveis com a doutrina católica.

Não é assim. A mensagem bíblica foi a primeira, historicamente falando, a fazer ver a diferença sexual de uma óptica absolutamente positiva e criativa, como dom de Deus. Mas como em todas as coisas humanas, o positivo, o bem, o verdadeiro nunca são fáceis. Mas sem o belo, o bom, o verdadeiro, a vida enfraquece, não há em si energia para conduzir ao marasmo do real.

No livro dos Provérbios, entre as coisas muito árduas para compreender, o autor considera ‘o caminho do homem numa jovem mulher’. A mulher é a figura daquela que está no começo: eu saio dela ao nascer. Então, quando o homem e a mulher se encontram, fazem ao mesmo tempo a experiência de recomeçar aquilo que de qualquer forma já conheciam e de dar vida a uma novidade. Aqui existe a intrínseca raiz da fecundidade. O amor objectivo nunca é uma relação a dois. Aprendemo-lo através da Trindade.

Mas o que tem a reforma da Igreja a ver com isso?

Tem tudo a ver! Fundamental para a reforma da Igreja é reencontrar testemunhas credíveis do belo amor que Cristo, com uma infinidade de santos na sua grande maioria anónimos, introduziu na história. Penso em tantas gerações vividas na lógica do belo amor. Penso nos meus pais, nos olhos com que o meu pai aos noventa anos olhava a minha mãe também com noventa, doente, debilitada por um cancro violento nos rins. (...) Que amor teria sobrevivido melhor ao Eu do que esta ligação indissolúvel? Objectivamente não há comparação entre a densidade de uma experiência assim definitiva e o passar indefinido de uma sequência de relações precárias. No fim, quer seja a necessidade de amar definitivamente, quer seja a fragilidade sexual serão marcadas pelo terror da morte.

Para amar verdadeiramente devo ser amado definitivamente, ou seja, além da morte; e é isto que Jesus veio fazer. Se há um delito que nós, cristãos, cometemos, é não mostrar o dom maravilhoso de Jesus: dar a vida para nos fazer entender a beleza do amor objectivo e efectivo. Isto tem sempre um carácter nupcial, inseparável conexão de diferença, dom de si e fecundidade. O outro não está fora do meu Eu, o outro permeia-me todos os dias; a minha própria concepção está ligada a este permear-me. Por isso, humanizar a sexualidade através da castidade é um recurso capital para vencer a aposta do pós-moderno, para o homem do terceiro milénio que queira salvar o caminho do belo amor, que nos faz gozar verdadeiramente a vida.

Entrevista de Aldo Cazzullo, publicada no jornal Corriere della Sera, a de 18 de Julho de 2010; tradução de Alessandra Gusatto, adaptada por rioazur.

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Porque estou aqui

Sinto-me privilegiado por ter encontrado na Igreja um lugar vazio, feito à minha medida. É certo que tê-lo encontrado (ou encontrá-lo renovadamente, pois não é dado adquirido) foi também mérito da minha sede, do meu empenho, de não baixar os braços e achar, passivamente, que não seria possível. Passo a contextualizar: a comunidade onde vou à missa é pequena e acolhedora, e podia bem não o ser. Ao mesmo tempo, sentia um desejo grande de reflexão de vida cristã e encontrei um casal (heterosexual) que tinha a mesma vontade. Começámo-nos a reunir semanalmente numa pequena comunidade de oração e reflexão que, apesar de crítica, nos tem ajudado a sermos Igreja e a nela nos revermos. Paralelamente, face ao contínuo desencanto em relação a algumas posturas e pontos de vista de uma Igreja mais institucional e hierárquica, tive a graça de encontrar um grupo de cristãos homossexuais, que se reuniam com um padre regularmente, sem terem de se esconder ou de ocultar parte de si.

Sei que muitos cristãos homossexuais nunca pensaram sequer na eventualidade de existirem grupos cristãos em que se pudessem apresentar inteiros, quanto mais pensarem poder tomar parte e pôr em comum fé, questões, procuras, afectos e vidas.

Por tudo isto me sinto grato a Deus e me sinto responsável para tentar chegar a quem não teve, até agora, uma experiência tão feliz como a minha.

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Os textos e as imagens

Os textos das mensagens deste blogue têm várias fontes. Alguns são resultados de pesquisas em sites, blogues ou páginas de informação na Internet. Outros são artigos de opinião do autor do blogue ou de algum dos seus colaboradores. Há ainda textos que são publicados por terem sido indicados por amigos ou por leitores do blogue. Muitos dos textos que servem de base às mensagens foram traduzidos, tendo por vezes sofrido cortes. Outros textos são adaptados, e a indicação dessa adaptação fará parte do corpo da mensagem. A maioria dos textos não está escrita segundo o novo acordo ortográfico da língua portuguesa, pelo facto do autor do blogue não o conhecer de forma aprofundada.

As imagens que ilustram as mensagens são retiradas da Internet. Quando se conhece a sua autoria, esta é referida. Quando não se conhece não aparece nenhuma referência. Caso detectem alguma fotografia não identificada e conheçam a sua autoria, pedimos que nos informem da mesma.

As imagens são ilustrativas e não são sempre directamente associáveis ao conteúdo da mensagem. É uma escolha pessoal do autor do blogue. Há um critério de estética e de temática ligado ao teor do blogue. Espero, por isso, que nenhum leitor se sinta ofendido com as associações livres entre imagem e conteúdo.

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