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A diversidade na Igreja

"A casa do meu Pai tem muitas moradas", diz-nos Jesus no evangelho.

A unidade na diversidade não é sempre aparente na Igreja enquanto povo de Deus, mas é uma realidade em Deus e uma presença na fé cristã desde a sua origem. A Palavra de Deus não é partidária, elitista e exclusiva. O Reino de Deus é como uma árvore que estende os ramos para dar abrigo a todos os pássaros do céu. Cristo não morreu na cruz para salvar uma mão cheia de cristãos. Até o Deus Uno encerra em si o mistério de uma Trindade.

A Palavra de Deus é inequívoca e só pode levar à desinstalação, à abertura ao outro, e a recebê-lo e amá-lo enquanto irmão ou irmã. Ninguém fica de fora, nem mesmo - se tivessemos - os inimigos.

Muitos cristãos crêem nesta Igreja, nesta casa do Pai, corpo de Cristo, templo do Espírito Santo. Mas como esquecer que muitos se sentem "de fora" por se verem rejeitados, amputados e anulados, e afastam-se por ninguém lhes ter mostrado que há um lugar para cada um, com a totalidade do seu ser?

Um blogue para cristãos homossexuais que não desistiram de ser Igreja

Porquê este blogue?

Este blogue é a partilha de uma vida de fé e é uma porta aberta para quem nela quiser entrar. É um convite para que não desistas: há homossexuais cristãos que não querem recusar nem a sua fé nem a sua sexualidade. É uma confirmação, por experiência vivida, que há um lugar para ti na Igreja. Aceita o desafio de o encontrares!

Este blogue também é teu, e de quem conheças que possa viver na carne sentimentos contraditórios de questões ligadas à fé e à orientação sexual. És benvindo se, mesmo não sendo o teu caso, conheces alguém que viva esta situação ou és um cristão que deseja uma Igreja mais acolhedora onde caiba a reflexão sobre esta e outras realidades.

Partilha, pergunta, propõe: este blogue existe para dar voz a quem normalmente está invisível ou mudo na Igreja, para quem se sente só, diferente e excluído. Este blogue não pretende mudar as mentalidades e as tradições com grande aparato, mas já não seria pouco se pudesse revelar um pouco do insondável Amor de Deus ou se ajudasse alguém a reconciliar-se consigo em Deus.
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segunda-feira, 9 de abril de 2018

segunda-feira, 26 de março de 2018

Casais gays e monogamia

A nova geração gay é monogâmica e quer casar-se

Um estudo interessante afirma que cerca de 92% dos homens gays jovens quer vir a casar-se e cerca de 90% deles procura encontrar um parceiro monogâmico.

Ainda que exista a crença falsa e generalizada de que os homens gays somente desfrutam permanecendo solteiros e avidamente consumindo as aplicações de namoro - e que o poliamor e as relações abertas são o futuro que desejam -, nada mais longe da realidade: a monogamia continua a triunfar.

Recentemente investigou-se as novas tendências das relações dos jovens gays entre os 18 e os 39 anos de idade por parte de Lanz Lowen e Blake Spears, dois investigadores da Universidade de São Francisco. Inquiriu-se um elevado número de homens, dos quais cerca de 42% eram solteiros e os outros 58% estavam numa relação. Neste estudo, no qual participaram 832 homens gays, chegou-se ao resultado assombroso de que cerca de 92% deles queria casar-se algum dia e que cerca de 90% dos mesmos somente procurava relações monogâmicas.

Ainda que estudos anteriores tenham constatado que dois terços dos casais que continuam juntos por mais do que cinco anos se envolvem em relações abertas, este estudo faz luz sobre o que a maioria dos jovens gays preferem: a monogamia.

O estudo chega à mesma conclusão de que as relações entre homens, tanto monogâmicas como não monogâmicas, parecem estar mais saudáveis do que nunca, já que a maioria dos homens gays que vivem em casal (cerca de 90%) vê a sua relação como sã e estável; estão felizes e satisfeitos com ela e afirmam que provavelmente continuarão durante, pelo menos, mais cinco anos com os seus companheiros atuais.

Artigo original em espanhol in Shangai.com

sexta-feira, 23 de março de 2018

Deus não nos quer submissos

No amor não há submissão

A igreja estava calorosa e acolhedora na festa da Sagrada Família, no passado mês de dezembro. Antes que a missa começasse, ofereci a minha oração habitual para estar aberta às graças da liturgia. Logo depois o meu coração fechou-se abruptamente quando ouvi a leitura da epístola. Depois de proclamar a instrução de S. Paulo para nos revestirmos «de sentimentos de misericórdia, de bondade, humildade, mansidão e paciência» na sua carta aos Colossenses, o leitor leu: «Esposas, sede submissas aos vossos maridos, como convém no Senhor» (Colossenses 3, 18).

Há anos que ouço essas palavras proclamadas numa igreja. Desta vez, a mensagem pareceu ainda mais ofensiva do que no passado. Durante meses, ouvimos uma série de mulheres a falar sobre assédio sexual, abuso e condutas impróprias às mãos de homens poderosos. Também ouvimos as mulheres a dizer «acabou o tempo», o que significa que chegou o momento em que esses comportamentos já não são tolerados e as mulheres deixaram de ficar em silêncio.

Ouvir uma leitura das Escrituras que apoia a submissão das mulheres neste contexto parecia seriamente errado.

O dicionário define «submeter» como «pôr debaixo de», «tornar dependente», «sujeitar; obrigar; subjugar». Instruir as esposas a serem submissas aos seus maridos perpetua a ideia de que as mulheres devem ser obedientes aos homens e contribui para uma cultura do domínio masculino. Este tipo de pensamento abre uma caixa de Pandora para a subjugação das mulheres numa escala mais ampla. Com efeito, se as mulheres são consideradas inferiores ao seu parceiro no casamento, certamente serão tratadas como inferiores na sociedade em geral.

As palavras de S. Paulo foram escritas num tempo em que as mulheres eram consideradas inferiores aos homens. Mas os tempos mudaram. Porque é que, hoje em dia, a Igreja católica ainda proclama leituras das Escrituras que suportam um entendimento das mulheres como submissas? (…)

Se se ler todo o terceiro capítulo da carta aos Colossenses, observar-se-á que contém instruções para os escravos, dizendo: «Escravos, obedeçam em tudo aos vossos mestres humanos» (3, 22). Não ouvimos esta parte proclamada no ambão porque não está incluída no lecionário. Se a ouvíssemos, reconheceríamos que a leitura está desatualizada. Poderíamos objetar ao percebermos que a Igreja estaria a aceitar a escravidão quando se proclamasse um trecho da Escritura que diz aos escravos como se hão de comportar.

Então por que é que o lecionário inclui partes das Escrituras sobre esposas que também estão desatualizadas e são objetáveis?

A submissão das mulheres no contexto do casamento é inconsistente com o ensino da Igreja e a prática pastoral. O Catecismo da Igreja católica refere-se ao casamento como uma parceria entre um homem e uma mulher e fala de amor mútuo (1602, 1604). A bênção nupcial lida durante o sacramento do Matrimónio reza: «Confie nela o coração do seu marido, honrando-a como companheira igual em dignidade».

O papa Francisco desenvolve ainda mais esta mensagem de amor mútuo. Na sua exortação apostólica Amoris laetitia refere-se ao amor conjugal como «uma união que tem todas as características duma boa amizade: busca do bem do outro, reciprocidade, intimidade, ternura, estabilidade e uma semelhança entre os amigos que se vai construindo com a vida partilhada». No casamento «partilha-se tudo (…) sempre no mútuo respeito».

Expandindo até à noção de amor matrimonial, escreve Francisco: «O amor confia, deixa em liberdade, renuncia a controlar tudo, a possuir, a dominar. Esta liberdade, que possibilita espaços de autonomia, (…) consente que a relação se enriqueça».

Neste género de amor não há lugar para a submissão.

A compreensão que o papa tem do amor como uma força que não controla, possui ou domina é uma mensagem extremamente necessária na Igreja e na sociedade hoje. Este género de amor no contexto do casamento apoia a igualdade entre os cônjuges e encoraja o crescimento individualmente e em conjunto. Este género de amor que enriquece e expande os relacionamentos promove a cura e assegura o poder de transformar.

Temos um longo caminho a percorrer para mudar a nossa cultura de uma onde em que a má conduta sexual contra as mulheres é generalizada e tolerada para uma cultura em que as mulheres são tratadas com dignidade e respeito. A Igreja tem um papel importante a desempenhar na realização desta transformação. Podemos dar um passo simples e no entanto substancial nessa direção ao não proclamar textos da Escritura que submetem as mulheres. Melhor ainda, vamos remover completamente esses textos dos nossos lecionários.

Acabou o tempo.

Nancy Small In National Catholic Reporter
Tradução e edição: SNPC

terça-feira, 17 de outubro de 2017

Primeiro-damo

Durante a manhã, Destenay juntou-se às primeiras-damas numa visita ao Museu Magritte
(Foto de Eric Lalmand/AFP/Getty Images)
O marido do primeiro-ministro luxemburguês

Não é uma notícia nova, mas só agora consegui publicá-la. Partilho-a mas desejaria que não fosse necessário escrever notícias sobre estes assuntos... que o respeito fosse regra em todas as sociedades humanas.

"É a foto de família das primeiras-damas da NATO. Entre nove mulheres, está um homem. É Gauthier Destenay, o marido do primeiro-ministro do Luxemburgo.

***

Já é habitual. As mulheres dos líderes mundiais que se reúnem nas cimeiras da NATO posam para a fotografia oficial das primeiras-damas. A deste ano introduz um pormenor histórico. Pela primeira vez, há um marido de um primeiro-ministro entre as nove mulheres. É Gauthier Destenay, casado com o líder do Luxemburgo.

A fotografia foi tirada na passada quinta-feira durante um jantar no Castelo Real de Laeken, na Bélgica, enquanto os líderes mundiais estavam reunidos. De fato preto e gravata azul, Destenay posou na segunda fila ao lado dos vestidos e saltos altos das primeiras-damas.

Destenay estava atrás da mulher de Donald Trump e de Emine Erdogan, mulher de Tayyip Erdogan, Presidente da Turquia. Brigitte Trogneux, mulher de Emmanuel Macron, Presidente da França, também estava na fotografia.

Gauthier Destenay, de 44 anos, é arquiteto e casou com o atual primeiro-ministro luxemburguês, Xavier Bettel, em 2015, numa cerimónia com cerca de 500 convidados no Cercle Cité no Place d’Armes, no centro da capital, tornando-se o primeiro líder homem a casar com alguém do mesmo sexo durante o seu mandato. Na altura, o casamento foi visto como um sinal de abertura para o Luxemburgo."

In Observador, a 26 de Maio de 2017

O Casamento

"Xavier Bettel, primeiro-ministro do Luxemburgo, casou-se com Gauthier Destenay. Este é o primeiro casamento homossexual de um líder europeu.

***

O primeiro-ministro do Luxemburgo, Xavier Bettel e o seu parceiro Gauthier Destenay chegaram de mão dada à câmara municipal da capital para se casarem.

A cerimónia civil aconteceu durante a tarde de sexta-feira, dia 15 de maio, e juntou a imprensa e cerca de 250 pessoas. Antes de Bettel entrar na câmara municipal com o seu parceiro, o primeiro-ministro luxemburguês desejou que todos os presentes sejam tão felizes como ele esteve durante o dia do seu casamento.

Tal como previa Stéphane Bern, amigo próximo e locutor francês, foi uma cerimónia “rápida mas com um simbolismo muito forte.

Para além de Bern, estavam entre os convidados Félix Braz, ministro da Justiça luxemburguesa e François Bausch, ministro das Infraestruturas. Também esteve presente o especialista em sociedade Pierre Dillenburg, que recentemente celebrou o seu casamento com Roland Hüdsch.

Charles Michel, primeiro-ministro belga, também assistiu ao acontecimento. Em declarações à imprensa, Michel acredita que este casamento é um sinal de abertura luxemburguesa a certos assuntos sociais, numa altura em que a homofobia cresce na Europa.

Xavier Bettel torna-se o primeiro líder europeu a casar com alguém do mesmo sexo. Após a cerimonia, Bettel e Destenay celebraram a união com cerca de 500 convidados no Cercle Cité no Place d’Armes, no centro da capital. As celebrações continuaram amanhã no La Gaichel, o prestigiado restaurante com uma estrela Michelin.”

In Observador, a 15 de Maio de 2017

terça-feira, 21 de março de 2017

Entrevista com Pádraig Ó Tuama

Poeta, Teólogo e Gay

Uma leitora do moradasdedeus partilhou esta entrevista da "On Being Studios". A americana Krista Tippet entrevista Pádraig Ó Tuama, um poeta e teólogo irlandês, actual responsável da Corrymeela Community (uma organização cristã e ecuménica que trabalha pela paz e pela reconciliação) que, a propósito do seu mais recente livro "In the Shelter: finding a home in the world", aborda temas tão diversos como o medo, a arte de viver, a sua história de vida pessoal, o catolicismo, o casamento entre pessoas homossexuais e muito mais. A entrevista está em inglês: para ouvi-la basta seguir o link abaixo e fazer "Play" sobre o número 5.


Para conhecer mais sobre a história de Corrymeela e o posicionamento de Pádraig Ó Tuama em relação ao casamento homossexual, leia AQUI

segunda-feira, 24 de outubro de 2016

Os 23 países do mundo onde há casamento gay

Mapa-mundi do casamento entre duas pessoas do mesmo sexo

O casamento entre pessoas do mesmo sexo é o casamento entre duas pessoas do mesmo sexo biológico ou da mesma identidade de género. Os defensores do reconhecimento legal de casamento do mesmo sexo geralmente referem-se ao seu reconhecimento como casamento igualitário.

Desde o começo do século XXI, 23 países permitem que pessoas do mesmo sexo se casem em todo o seu território.

O primeiro país do mundo a legalizar o casamento entre pessoas do mesmo sexo, assim como o divórcio e o direito de adoção de crianças por esses casais, foi a Holanda. Aprovado em dezembro de 2000, o projeto alterou apenas uma frase da legislação sobre casamentos, que passou a ser "um casamento pode ser contraído por duas pessoas de diferentes ou do mesmo sexo".

Os países onde foi aprovada a lei do casamento entre duas pessoas do mesmo sexo até hoje são:  Holanda (2001), Bélgica (2003), Canadá e Espanha (2005), África do Sul (2006), Noruega e Suécia (2009), Argentina, Islândia e Portugal (2010), Dinamarca (2012), Brasil, França, Nova Zelândia e Uruguai (2013), Escócia, Inglaterra, Luxemburgo e País de Gales (2014), Irlanda, Finlândia e Estados Unidos(2015) e Colômbia (2016).

A Irlanda entrou para a lista, tornando-se no primeiro país do mundo a aprovar o casamento gay através de um referendo.

No México, os casamentos entre pessoas do mesmo sexo são realizados na Cidade do México e nos estados de Quintana Roo, Coahuila, Chihuahua e Guerrero e são reconhecidos em todo o território mexicano. Algumas das jurisdições que não realizam casamentos homoafetivos, mas reconhecem os que são realizados noutros países ou territórios são: Israel, os países das Caraíbas pertencentes ao Reino dos Países Baixos (Aruba, Curaçao e Saint Marteen), regiões dos Estados Unidos e os 27 estados do México que não celebram essas uniões. A Austrália reconhece casamentos do mesmo sexo apenas se um dos parceiros mudar o seu sexo depois de concretizada a união. Em 2015, havia propostas para introduzir o casamento homoafetivo em pelo menos dez outros países.

mais informações em:

segunda-feira, 4 de abril de 2016

O homem que eu amo: a love story

Quase todos os filmes, livros e referências que temos de vida conjugal feliz e duradoura dizem respeito a casais heterossexuais. O Jornal Público, em 2012, publicou uma entrevista ao cientista Alexandre Quintanilha e ao escritor Richard Zimler que, generosamente falaram sobre uma história de amor e de vida em comum que partilham há 39 anos.




por Anabela Mota Ribeiro, a 11 Nov 2012

Excertos da Entrevista:

Muito mais do que um rótulo: o inesperado de uma paixão
(...)
A.Q. - Os meus pais não eram nada preconceituosos. Não disse que era gay, não existia essa expressão quando tinha 16 anos. Disse aos meu pais que estava apaixonado por um homem e que não percebia. Não havia role models [exemplos] para isso. O meu pai disse-me que não era uma coisa que ele percebesse, mas que se isso me preocupava podia arranjar uma pessoa com quem eu pudesse falar. E fui falar com um psiquiatra, duas vezes. (...) Na primeira vez em que estive com esse homem extraordinário, dei-lhe a ler um diário meu. Estava convencido de que era uma obra-prima da literatura [riso]. Na sessão seguinte, entregou-mo e disse: "Você está apaixonado. Isso é uma sensação maravilhosa. Devia estar satisfeito por estar apaixonado." Eu não tinha a certeza se era mesmo gay ou se era bi. A minha mãe, a única coisa que me disse foi: "Quero é que sejas feliz."
(...)

Olhando retrospectivamente, acha que se apaixonava de facto por homens e por mulheres ou estava a tentar perceber se era mesmo homossexual?
A.Q. - Se calhar, as duas coisas. Com 20 anos, sabemos muito pouco. Quando temos uma grande atracção por uma pessoa, quando a atracção e a admiração, e a paixão, se tornam muito intensas, duvido de que não haja uma parte física, seja qual for a pessoa. Esta coisa de nos definirmos como hetero ou homo... não me defino dessa maneira. Defino-me como uma pessoa que gosta de literatura, que gosta de música, de ciência. Deixou de ser um label[rótulo].
(...)

A.Q. - (...) O que me surpreendeu não foi ser atraído fisicamente por homens e por mulheres; foi apaixonar-me por uma pessoa, o que é diferente. Tenho alguma pena das pessoas que fazem uma separação entre o emocional e o sexual. (Agora faço essa separação, porque somos essencialmente monogâmicos, não queremos ter outras relações.) É uma pena ver duas pessoas que estão muito atraídas uma pela outra espiritualmente e que têm medo de se tocar para além da festa.
(...)

Homossexualidade, heterossexualidade e bissexualidade
(...)
Freud dizia que potencialmente somos todos bissexuais.
A.Q. - Não sei se somos.
R.Z. - Há pessoas que são totalmente heterossexuais - uma minoria - e há pessoas totalmente homossexuais - outra minoria. São poucas as que são 50/50. Sou 90% homossexual. Já tive relações, mas não seria possível manter uma relação duradoura com uma mulher.
A.Q. - É muito forte em mim esta repulsa pelas camisolas. Pertencer ao Futebol Clube do Porto ou ser do Benfica, ser católico ou ser protestante. Ou ser de Joanesburgo, sul-africano, moçambicano. O que é que eu sou? Tenho uma mãe alemã, um pai açoriano, nasci em Moçambique, vivi na África do Sul muito anos, estive na Califórnia, estou em Portugal, tenho nacionalidade portuguesa e americana. Não me faz confusão nenhuma não saber identificar-me.
(...)

Exibicionismo ou preconceito?
(...)
R.Z. - Todos os dias vejo jovens a beijarem-se em frente a toda a gente; isso também é exibicionismo? Se um casal homossexual fizesse isso, toda a gente ficava horrorizada, mas acontece todos os dias em Lisboa e no Porto e ninguém diz nada. Há um duplo standard. Sou gay, sou judeu, sou americano em Portugal. Há a tendência por parte de pessoas liberais, não-progressistas, de dizer: "Não gosto nada dos judeus, mas gosto de si." Ou: "Não gosto nada de homossexuais, mas tu és fixe." Nessas circunstâncias sou o mais judeu, o mais americano e o mais homossexual possível. Não quero ser aceitável. Quem sou eu para julgar aquele homossexual efeminado ou aquele judeu religioso, ou aquele americano que só come hambúrgueres e pizza?
(...)

Relações de longa duração
(...)
Insisto na longevidade da vossa relação, depois da turbulência dos primeiros anos. O mais difícil numa relação, independentemente da orientação sexual dos cônjuges, é estarem tanto tempo juntos e bem. Por isso as pessoas perguntam: "Qual é o segredo?"
R.Z. - Temos um bocadinho de sorte, e foi um bocadinho de trabalho. Em qualquer relação que é um verdadeiro casamento (e há casamentos que não são casamentos, são duas pessoas a viver juntas), existe a pessoa A, a pessoa B e o casamento. Há três seres vivos numa relação e tem de se ter muito cuidado com o terceiro ser vivo: o próprio casamento. Tem de se valorizar, polir, prestar atenção, senão a relação vai acabar. Os dois estamos muito conscientes disso. Apaixonarmo-nos por uma pessoa é muito fácil (com algumas pessoas que conheço, acontece de duas em duas semanas). Mas é preciso aprender a respeitar o outro. Para o Alexandre, era mais natural, tinha dois pais muito respeitosos. Eu não tinha isso. Os meus pais diziam coisas um ao outro que eu não diria ao inimigo mais feio do mundo, coisas reles. Apaixonar-me por ele era superfácil, mas respeitar a sua opinião, a sua maneira de ser, as coisas que ele dizia e com as quais não concordava, as coisas que ele fez e que não compreendi, levou-me anos.
A.Q. - Não acredito que haja relações duradouras se cada uma das pessoas não tem a sua própria vida construída. Quando o Richard está a escrever (já sei, porque escreveu vários livros), está de tal maneira obcecado com a escrita que eu sou uma espécie de audiência. E quando estou muito ocupado e ando muito cansado, ele sabe que estou a fazer qualquer coisa que para mim é importante. Nessas alturas, temos muito respeito para não exigir mais do outro. Isto aprende-se. Quando a pessoa começa a sentir uma verdadeira realização pessoal com a realização do outro, quando deixa de haver aquela necessidade egocêntrica - "preciso que me dês mais atenção porque estou inseguro" -, isso é que é uma relação conseguida.
(...)

Casar para quê?
(...)
Por que é que para si foi importante casar?
R.Z. - Simbolismo. Ainda há sítios no mundo em que ser homossexual pode ser punido com sentença de morte, com penas de dez anos, ou mais, de prisão. Para mim, como escritor, como ser humano, o facto de ser um crime exprimir o que é melhor dentro de nós, a afeição, a paixão, a solidariedade e a amizade, é inconcebivelmente injusto. É muito importante reivindicarmos os nossos direitos no Ocidente, para que um jovem que tenha acesso à Internet no Burkina Faso, na Nigéria ou na Birmânia, possa ir ao site do PÚBLICO em Portugal [e ler esta entrevista].

É também por isso que dão a entrevista?
R.Z. - Claro que sim. Vivi num mundo em que não era possível as pessoas das pequenas aldeias dos Estados Unidos assumirem-se. E em Portugal talvez ainda não seja possível em aldeias do interior. Falo disto para que aquela jovem lésbica de Castelo Branco, ou o jovem transexual de Fafe possam olhar para mim e para o Alexandre e descobrir: "Não tenho de mudar para ser aceite. Posso ser como sou. Tenho os mesmos direitos dos outros. Não há cidadãos de segunda em Portugal."
A.Q. - Pensei muito sobre se devia dar esta entrevista ou não, porque não tenho de explicar rigorosamente nada. As pessoas são aquilo que fazem e aquilo que são, e não aquilo que dizem. Há uma pequenina coisa que é muito importante: a questão dos role models. A grande diferença entre um casal heterossexual e homossexual, para já - no futuro não vai ser assim - é que os casais heterossexuais têm filhos, têm netos. No nosso caso, como não temos filhos (já pensámos adoptar, volta e meia, mas não foi uma coisa muito premente), essas relações têm de ser substituídas por outras. Temos de inventar outras partes da nossa relação que sejam alternativas a essas. Temos de nos reinventar e dar a noção a outros gays de que isso é possível, realizável. É preciso que o mundo à nossa volta perceba que não me acho especial, positiva ou negativamente, por ser assim. Tive muita sorte em encontrar uma pessoa como o Richard, tive muita sorte em ter os pais que tive, em viver nos sítios onde vivi, apesar de às vezes me sentir muito só e de ter momentos muito difíceis de afirmação pessoal. Isso também é uma história que vale a pena divulgar. Numa sociedade que está cada vez mais competitiva, é importante as pessoas falarem daquilo que não é competição selvagem. É a partilha, é sentirmos - isto parece uma treta... - que o mundo, se tivermos boa vontade e se funcionarmos de boa-fé, vale a pena.

Um conselho de moradasdedeus, vale mesmo a pena ler a entrevista.

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Afirmações católicas sobre o casamento civil entre homossexuais

Nem tanto ao mar nem tanto à terra?

Uma amiga partilhou há uns tempos um ensaio sobre as opiniões que se tecem na Igreja católica sobre o casamento homossexual. O artigo é extenso e em inglês. No final desta mensagem segue o link para o artigo na integra. No corpo da mensagem cito apenas 2 parágrafos:

The goods of marriage are many and varied, but, except for the category of possible reproduction with one’s spouse, same-sex couples are able to participate in them equally with straight couples. Moreover, given what we know about sexual orientation, a ban on marriage for gay and lesbian people would seem, according to Church teaching, to abridge a fundamental human right, and so constitute an attack on their human dignity. Beyond that, many gay and lesbian couples calling for the right to marry are recalling to our culture the social and cultural importance of marriage. Rather than living quietly in a legally unrecognized state, gay and lesbian couples asking for marriage affirm the dignity of the institution. Finally, to reject the most intimate relationships of LGBT people as dangerous to the civil polity stokes savage homophobia, which the Church opposes.

As Christians, we are called by Jesus to one fundamental task in life—to love God and others as well as we can. For most of us, the call to love is answered principally, though not exclusively, in the context of our most intimate relationships, those uniting spouses and those of parents and children. As Catholic Christians, we embrace a moral tradition that addresses social policy in light of the common good, a reasoned assessment of the rights and duties incumbent upon us in order that we may participate in the flourishing of society. Marriage is a key institution, with an array of social goods that include, but are not limited to, procreation. We can all share in those wider, socially critical benefits of marriage, gay and straight, parents and the childless alike. Why would Christians deny to any of our brothers and sisters, at least in the realm of our civil life together, the opportunity for the blending and sharing of life toward, we hope, the “mutual perfection” that Pius XI said was the wider purpose of marriage? Love requires no less than our support of love.

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Teresa Forcades, uma freira do nosso tempo

Entrevista a Teresa Forcades. Freira catalã aceita o aborto e o casamento gay

Por Marta F. Reis
publicado em 22 Out 2013

Irmã beneditina é um rosto da luta pela independência catalã e defende abertamente o direito ao aborto e o casamento homossexual. Vem a Portugal em Novembro

Aos 47 anos, a irmã beneditina Teresa Forcades, com formação em medicina e teologia, divide a vida no mosteiro de St. Benet de Montserrat, a uma hora de Barcelona, com uma participação política intensa, como não tem receio de dizer. É uma das caras do movimento de cidadania Procés Constituent, que está criar o modelo para um estado independente e livre do capitalismo na Catalunha. Vem a Portugal em Novembro, para apresentar o seu livro "A Teologia Feminista na História", agora com tradução portuguesa. Não deixa ninguém indiferente: desde Abril, o movimento catalão reuniu 45 mil militantes. Na internet, há uma petição com 4700 assinaturas que pede à Santa Sé para intervir e repor a paz e calma abalada por Teresa, que defende o aborto ou casamento homossexual. Do Vaticano, diz só ter recebido uma carta em 2009, à qual que respondeu invocando o seu direito à opinião.

Em Setembro a BBC chamou-lhe a freira mais radical da Europa. Gosta deste título?
Nunca gostei de rótulos. Gosto que, em vez de me porem um rótulo, que quem fale de mim seja porque me conhece. Agora, a verdade é que acredito que o Evangelho nos pede uma resposta radical perante a injustiça social. Se é por isso que me chamam radical, porque digo que não se pode servir a Deus e ao dinheiro e hoje temos um sistema económico que coloca acima das pessoas o dinheiro, está certo. É o que sou. É isso que procuro denunciar.

Sente-se a fazer política?
Creio que a palavra política é boa. O que não estou a fazer, nomeadamente na Catalunha, é a criar um partido político. Não me sinto a fazer política partidária, política profissional. Também não sinto que esteja a substituir a minha vocação monástica por uma vocação política. Mas, partindo da minha vocação monástica, assim como todas as pessoas que participam no movimento Procés Constituent têm distintas vocações profissionais, percebemos e defendemos que uma democracia pede a participação política de todas as pessoas. Uma coisa é política partidária e outra, o que quero fazer, é participar em assembleias locais, dar a minha opinião e contribuir para que a vida comum o seja de verdade. Este tipo de mudança nunca pode vir de cima. Para mim o mais importante é que se estruture o poder popular, que nos organizemos para viver realmente em democracia. E precisamos de todos: seja igreja ou não igreja, de todos.

Sentiu necessidade pessoal de participar neste movimento ou fê-lo para mostrar que a igreja também faz parte da sociedade civil?
Entrei para o movimento porque me pediram. Como na Catalunha tenho uma certa popularidade, quando se começa um movimento ter caras conhecidas é importante e fui chamada a dar a cara por ele. Pus a minha popularidade ao serviço de uma causa que considero justa. Não pensei em mais nada, foi espontâneo. Agora sim, dei-me conta de que para muita gente foi uma maneira de pensar que na igreja também há margem para participar nos movimentos de mudança e nos processos democráticos.

Em Portugal vemos padres a comentar política, mas não vemos irmãs, parecem mais escondidas. É também um sinal para as mulheres da igreja?
Sim, isso também é importante para mim. Defendo que as mulheres na igreja devem ter um papel de igualdade em todos os sentidos.

Inclusive poderem celebrar uma missa?
Tenho dito que acredito que, teologicamente, não há nada contrário a isso.

Há uma semana tiveram um momento importante para o vosso movimento, uma concentração.
Sim, tivemos aquilo a que chamámos o primeiro acto central do Procés Constituent, movimento que começou a 10 de Abril. Chamámos a estes primeiros seis meses o ou vai ou racha, não sabíamos se teríamos apoio popular suficiente. Agora entrámos numa nova fase onde o mais importante é termos uma estrutura que nos permita tomar decisões e que nos permita ter influência na política do nosso país. Temos de arranjar uma organização que nos permita afirmarmo-nos e abranger todos. Já somos 45 mil pessoas, somos muitos não é?

Estava à espera de tanta adesão?
Neste acto central reunimos 10 mil pessoas, o que já foi bastante. Mas o que importa é que estamos organizados em quase cem comunidades locais por toda a Catalunha. Agora lançámos uma campanha que se intitula Construímos a República Catalã de 99%, o que exclui uma margem de 1% que é o poder corrupto e instalado. No dia 16 de Novembro vamos ter uma jornada nacional de assembleias em simultâneo e, a 30 Novembro, vamos ter acções de desobediência civil, com um potencial importante de maior mobilização.

Deixam-na fazer esse tipo de acções no mosteiro?
Bom, tive de consultá-los antes de começar. Falei com o bispo e com a minha comunidade e, não estando todos de acordo, estão de acordo que se sinto que isto é um chamamento a algo que devo fazer, não me querem impedir.

Mas sente-o como um chamamento?
Quando mo pediram não saiu de mim. O que fiz foi levar esse pedido a oração, como tudo, e através do meu discernimento senti a responsabilidade de dizer que sim. Estou no movimento não como responsável final, mas como alguém empenhado em tornar esta voz cada vez maior.

O bispo deve ser uma pessoa aberta...
O bispo é um homem de paz, uma pessoa que não entende a sua tarefa de pastor como autoritária mas de serviço.

Sente a mesma empatia com o Papa Francisco?
Creio que o Papa Francisco tem dado sinais de esperança mas, ao mesmo tempo, muito conscientes de que há uma estrutura na igreja que é contrária a mudanças no sentido de justiça. Creio que na igreja temos um défice de democracia real, quero dizer, somos muitas pessoas mas as decisões são tomadas por poucas. Estou com os olhos e ouvidos abertos na esperança de que o Papa Francisco consiga avançar. Mas para mim o importante é que, quer na igreja, quer na sociedade, termos mais justiça social nunca será um movimento de cima para baixo. O Papa Francisco só vai poder fazer mudanças se se aliar com as pessoas de baixo que há muitos anos as pedem. O Papa Bom, João XXIII, fez mudanças com o concílio Vaticano II mas não as fez sozinho. Pode fazê-lo porque durante todo o século XX houve muitos movimentos, como o da reforma litúrgica ou da nova teologia, com pessoas que falavam publicamente e pediam uma aproximação da igreja católica à modernidade. Foi essa base que João XXIII impulsionou no seu papel de Papa. Acho que é nessa posição que está Francisco: não será ele a gerar mudanças. Até porque acredito que, de cima para baixo, só vêm más mudanças, como vemos hoje nos cortes sociais que estamos a ter nos nossos países. Francisco se o fizer vai fazê-lo porque há uma base na igreja católica que há anos pede mudanças.

É um apelo silencioso?
Silencioso e muito na oração. Trabalho com as mãos, com o coração e com a mente. Isto a que chamamos oração é um mistério profundo. Quando falo das pessoas que trabalharam nos últimos anos por mudanças, não falo só das que se reuniram em comissões, que produziram textos e fizeram manifestações públicas. Falo muito das pessoas que no seu coração e na oração pedem mudanças.

Como é que a igreja pode mudar no sentido de apoiar mais a sociedade?
Acho que é essencial a reforma intraeclesial. Hoje há muitas pessoas que se emocionam com os evangelhos e têm um respeito profundo pela figura de Cristo. Mas esbarram logo contra estruturas da igreja impossíveis, que não conseguem aceitar. Por isso acho que o primeiro dever da igreja para com a sociedade é oferecer a mensagem de Cristo sem acrescentar coisas supérfluas.

Por exemplo?
Esta estrutura que obriga, por exemplo, a ter de fazer uma liturgia numa sala previamente consagrada. Pode fazer-se uma liturgia num bosque, mas alguns bispos não o permitem. Qualquer limitação que exista nesse sentido não vem no evangelho. Por exemplo, que os sacerdotes não possam celebrar a eucaristia com divorciados e um divorciado não possa comungar. A comunhão e qualquer outro sacramento não deve ser negado nunca a ninguém.

Nem a divorciados, nem a homossexuais?
Era o que faltava, a ninguém e desde que o peçam. Agora, bom, se for o Pinochet, alguém que comete crimes claros e públicos de que não se arrepende, aí veria uma possibilidade de negação. Agora pessoas que pensam de forma distinta, homossexuais, divorciados ou pessoas que abortaram, nunca se lhes deve negar um sacramento.

Defende mesmo o casamento homossexual. Com que fundamento?
O matrimónio é um sacramento que viabiliza o amor fiel e pessoal entre dois. Penso que sempre que um casal se ama de forma sincera e fiel, deve poder celebrar esse amor como sacramento, quero dizer, como sinal de amor de Deus. Se a possibilidade de procriar fosse um requisito para o sacramento, não deveria ser permitido casar mulheres pós-menopáusicas e isso a igreja sempre o permitiu.

A sua posição em relação ao aborto é também controversa.
Penso que não se deve impor a nenhuma mulher que continue a gravidez. Acho que a atitude que respeita a liberdade da mulher é a mais próxima da forma como acredito que Deus nos trata. Agora, insisto, isto não é porque eu acho que o aborto não tenha importância. Para mim tem importância. Agora eu não quero que a mulher que pensa de forma diferente de mim seja obrigada a continuar a gravidez. Não digo que é igual fazer ou não um aborto, acho que é preciso ajudar a mãe a tomar uma decisão em favor da vida mas respeitando a sua última decisão.

Mas como é que esse respeito se concilia com o mandamento da igreja não matarás?
Trata-se de um conflito entre dois direitos fundamentais: o direito à vida e o direito à autodeterminação. Nunca um ser humano deve ser considerado um meio para salvar a vida de outra pessoa ou grupo de pessoas. O ser humano é sempre um fim em si mesmo, nunca um meio. A minha pergunta é: porque é que não se obriga um pai que tenha um rim compatível a doá-lo para salvar a vida do seu filho? Qual é o princípio moral católico que permite que isso não lhe seja imposto? Porque é que esse princípio não é aplicável no caso da mãe?

Tem problemas com o Vaticano com estas posições?
Em 2009 recebi uma carta da Congregação para a Doutrina da Fé e respondi com uma explicação que está publicada num livro "Diálogos com Teresa Forcades". [Pediram-lhe que manifestasse publicamente a sua adesão à doutrina católica e Forcades disse que respeita o magistério da igreja, mas tem direito a manifestar opiniões contrárias.]

Ainda pratica medicina?
Não. No mosteiro fiquei encarregue da enfermaria mas ultimamente tenho feito alguns estudos e estou a escrever sobre a medicalização da sociedade. É uma forma de continuar ligada.

O que é que a preocupa?
Não só o excesso de medicalização a que assistimos nas nossas sociedades mas sobretudo esta ideia de que os problemas das pessoas se tratam com comprimidos. Veja-se o tratamento da hiperactividade das crianças: temos 10% das crianças medicadas, com medicamentos cuja forma de actuação é parecida com a cocaína. Nos EUA temos uma percentagem de 45% dos jovens que já foram diagnosticados, em algum momento da vida, com depressão. E medicados. Aceito que alguns tenham problemas, mas 45% é impossível, seria uma epidemia.

Isto é falta de quê?
De muitas coisas. Antes achava-se que era normal passar pela idade da estupidez na adolescência. A pessoa começa a pensar fora do núcleo familiar, apaixona-se pela primeira vez, desafia os pais. É normal que tenha dias em que está em baixo. Agora uns pais dizem "anima-te, é normal", outros dizem logo que é preciso ir ao psiquiatra. As famílias têm cada vez menos tempo, o estilo de vida cada vez reduz o tempo entre pais e filhos.

Quando era jovem, pensou em ser freira mas rejeitou essa ideia por causa do celibato. Só entraria para o mosteiro depois dos 30. O que mudou?
Na adolescência pensava que não podia ser feliz se não tivesse um companheiro. Hoje aceito que a vida de comunidade também tem as suas compensações. É diferente da vida de casal, mas desde que sou freira não quer dizer que não tenha experiências de enamoramento. Agora de cada vez que me apaixonei, foi uma comoção. A pessoa é apanhada desprevenida, mas tem de trabalhar isso, sempre entendendo que o que Deus quer a felicidade e não a repressão.

Era capaz de viver em clausura?
Eu vivo em clausura, mas na ordem beneditina temos a clausura constitucional, em que podemos sair. Há outro tipo de clausura que nunca vivi que é a clausura papal, instituída em alguns conventos femininos no século XVI e onde tudo é imposto de fora, não podem sair. Não acho bem.

Tem planos para vir a Portugal em breve?
Sim, em Novembro. Vou apresentar o meu livro e participar num congresso sobre teologia feminista, nos dias 14 e 15.

No seu Facebook há muitas críticas à austeridade. Trata de uma mensagem também nesse sentido?
Vejo a austeridade como algo positivo por isso o que desejo é que se mude o nome das medidas impostas pela troika europeia aos países que não cumprem os seus critérios de convergência económica: não são medidas de austeridade, são medidas de criminalidade. Impõem sanções aos cidadãos com rendimentos mais modestos e desviam o dinheiro, via resgates bancários, para os mais ricos.

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

domingo, 24 de novembro de 2013

Inquérito sobre questões ligadas à família

Queridos leitores do moradasdedeus,

Como preparação para o Sínodo da Família de 5 a 19 de Outubro de 2014, o Papa pediu que se fizesse um inquérito aos católicos de todo o mundo sobre questões relacionadas com a Família. Evidentemente, não é uma votação: é uma consulta importante. 

Parece-me que vivemos algo de verdadeiramente único na história da Igreja e parace-me igualmente essencial que todos contribuamos e não deleguemos esta responsabilidade aos outros, porque também somos Igreja e porque somos cristãos que sentimos na pele e na primeira pessoa espinhos e sofrimentos ligados a estas reflexões e a outras.

Esta é uma iniciativa inédita, na linha de uma Igreja mais participativa. Responde-se online no seguinte link: http://familia.patriarcado-lisboa.pt/sinodofamilia.

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

O Papa quer conhecer a opinião dos fiéis: uma sondagem inédita

esta notícia foi retirada do jornal da diocese de Angra, nos Açores, por esta razão há algumas questões abordadas que têm a ver com a região em causa:

O Vaticano faz uma sondagem alargada sobre as principais questões ligadas à família e casamento: divórcio, casais do mesmo sexo… - opinião de uma diocese dos Açores

A consulta alargada às comunidades católicas dos cinco continentes, sobre as principais questões ligadas à família e ao casamento, com vista à preparação do Sínodo sobre a Família, em Outubro do próximo ano, vai merecer “um grande acolhimento e empenhamento” por parte da Diocese de Angra .

Em declarações ao Portal da Diocese, o responsável diocesano pela Pastoral da Família assegura que se trata de um momento “muito importante” no qual a Igreja revela “uma vez mais a sua atenção às problemáticas da sociedade” e que “está disponível para procurar novas soluções pastorais para novos problemas”.

José Constância diz que o documento preparatório enviado pelo Vaticano “é muito abrangente, inédito e atual” ao abordar questões como as uniões de facto, as uniões entre pessoas do mesmo sexo e a educação de crianças no seio de famílias desavindas , entre outras, mas é igualmente “inovador” na forma como a Santa Sé está a organizar este Sínodo em dois andamentos: primeiro uma Assembleia Geral e extraordinária em 2014, destinada a especificar “o estado da questão” e depois, em 2015, uma segunda Assembleia Geral, desta vez ordinária, com vista à definição de linhas de ação concretas da Pastoral da Pessoa e da Família.

“Isto mostra que a Igreja foi célere na identificação do problema mas quer ser prudente e abrangente no discernimento para fazer opções seguras” afirma José Constância para quem o questionário enviado é “muito pertinente”, revela “um enorme sentido pedagógico” e requer “respostas muito concretas à luz da doutrina da Igreja”.

No fundo, conclui, “trata-se de um questionário para ajudar a definir as linhas pastorais que possam ir de encontro às novas realidades da famíli , integrando-as na pastoral, sem desvirtuamento daquilo que é a doutrina da Igreja”, sempre numa perspetiva de “inclusão”.

Para levar por diante o processo de consulta foi dirigido um convite às dioceses para que “difundam o documento [preparatório] nos decanatos [divisões eclesiásticas das Igrejas de tradição oriental] e nas paróquias”, como adiantou esta manhã em conferência de imprensa, o responsável pela preparação do Sínodo de 2014, que vai ser dedicado aos ‘desafios pastorais da família no contexto da evangelização’.

A Secretaria Geral do Sínodo pediu que as respostas ao inquérito sejam enviadas à Santa Sé até ao final de janeiro de 2014, altura em que serão analisadas a fim de se elaborar o “instrumento de trabalho” da 3ª assembleia sinodal extraordinária.

D. Lorenzo Baldisseri destacou que a “crise social e espiritual” do mundo atual tem impacto sobre as famílias e provoca uma “verdadeira urgência pastoral”.

No encontro com os jornalistas, o relator geral do próximo Sínodo extraordinário dos Bispos, cardeal Péter Erdo, aludiu aos desafios levantados pelo “individualismo” que colocam em causa “a solidariedade entre as gerações”.

“A família surge como instituição fundamental da sociedade humana, ligada com a própria ordem da criação”, declarou o arcebispo de Budapeste (Hungria) e presidente do Conselho das Conferências Episcopais da Europa.

Segundo este responsável, não se pode “recusar” o matrimónio na Igreja, por causa de “pouca religiosidade” ou falta de “fé religiosa”, aos noivos católicos que o desejem celebrar.

O relator geral destacou o aumento dos casais que vivem sem matrimónio religioso ou civil, explicando ainda que as questões colocadas no final do documento de preparação do Sínodo de 2014 procuram “abrir o horizonte para o reconhecimento do facto de que a família é um verdadeiro dom do Criador à humanidade”.

D. Bruno Forte, arcebispo de Chieti-Vasto (Itália), secretário especial da próxima assembleia sinodal, destacou por sua vez a intenção manifestada pelo Papa Francisco de “valorizar a colegialidade episcopal”, visível na participação pessoal nos trabalhos do último conselho ordinário do Sínodo, a 7 e 8 de outubro.

Para o prelado, o Papa quer promover uma “escuta ampla e profunda da vida da Igreja”, para chegar junto das “famílias laceradas e de quantos vivem em situações irregulares, do ponto de vista moral e canónico”, com “atenção, acolhimento e misericórdia”.

O Sínodo dos Bispos pode ser definido, em termos gerais, como uma assembleia consultiva de representantes dos episcopados católicos de todo o mundo, a que se juntam peritos e outros convidados, com a tarefa de ajudar o Papa no governo da Igreja.

por Carmo Rodeia/Ecclesia

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Vida a dois

Compromisso para a construção de uma relação

Antes de tudo,
comprometo-me a considerar
[a nossa união]
como a realidade mais sagrada da minha existência.

Por isso não tenho outra expectativa
que não seja a de amar-te contra ventos e marés.

Anseio poder dar o melhor de mim
para contribuir para a tua realização,
ajudar-te a valorizar os teus talentos,
ser água e luz para a flor única que tu és.

Farei tudo para te acolher como és, e não como eu te sonhei.

Habituar-me-ei a estar disponível para te ouvir,
entrar no teu universo
e abrir-te a porta do mundo que me habita.

Não serei um vigilante dos teus jardins secretos.

Procurarei evitar os mal-entendidos.

Desejo ser suficientemente inteligente
para respeitar a tua visão das coisas:
«a tua diferença engrandece-me».

Aplicar-me-ei em não deixar escapar
as confidências que achares por bem fazer-me,
mesmo se elas me perturbam ou me põem em questão.

Esforçar-me-ei por não caricaturar ou refrear
as tuas opiniões
quando contrariam as minhas.

Habituar-me-ei a expulsar os meus pensamentos negativos
e a alargar os recursos do humor.

Esforçar-me-ei por não manifestar irritação
se a tua gestão do tempo
não tem o mesmo ritmo que a minha.

Tentarei afastar todo o ciúme,
porque a minha confiança
é o mais belo presente que te posso oferecer.

Não cairei na cilada do queixume reivindicativo e amargo.

Evitarei toda a afronta estéril:
as crises podem ser oportunidades para crescermos juntos.

Comprometo-me a procurar contigo
a harmonia dos nossos desejos nos nossos abraços,
e a não me recusar a ti por ressentimento.

E como me acontece
«não fazer o bem que quero, e fazer o mal que não quero» (Rm 7,19),
comprometo-me a ser suficientemente humilde
para saber pedir-te perdão.

Desejo nunca adormecer antes de ter extinguido
todo o foco de discórdia entre nós.

Não serei escasso de elogios.
Uma palavra gentil, um gesto terno, um sorriso,
enchem de sol o dia.

Que Deus, que nos confiou um ao outro,
venha em nosso auxílio!

adaptação a partir de P. Stan Rougier
In Prier Trad.: rjm Adaptação: rioazur
publicado in SNPC a 01.08.13

domingo, 20 de outubro de 2013

Cardeal de Berlim pede igualdade de tratamento para as relações homossexuais

esta é uma notícia que já tem algum tempo (Maio 2012)

Cardinal Calls for Equality of Heterosexual and Homosexual Relationships


So far I’ve only seen one news report in English about this item, but there are several in German that are floating around the web. It is too good not to report, even though the information is rather sparse.

Berlin’s Cardinal Rainer Maria Woelki told a major Catholic conference in Germany that relationships of same-gender couples should be treated equally with heterosexual couples. An article inThe Local, an English news source in Germany reports:

“He told a crowd on Thursday that the church should view long-term, faithful homosexual relationships as they do heterosexual ones.

” ‘When two homosexuals take responsibility for one another, if they deal with each other in a faithful and long-term way, then you have to see it in the same way as heterosexual relationships,’
Woelki told an astonished crowd, according to a story in theTagesspiegel newspaper.

“Woekli acknowledged that the church saw the relationship between a man and a woman as the basis for creation, but added that it was time to think further about the church’s attitude toward same sex relationships.”

Speaking at the 98th Katholikentag (Catholic), a conference of 60,000 Catholics in Mannheim, Woelki joins a growing chorus of episcopal voices who are calling for change in the hierarchy’s traditionally absolutist refusal to acknowledge the moral goodness of lesbian and gay relationships.

Last December, London’s Archbishop Vincent Nichols made headlines by supporting civil partnerships for lesbian and gay couples in the U.K. That same month, Fr. Frank Brennan, a Jesuit legal scholar in Australia, also called for similar recognition of same-sex relationships. In January, Bishop Paolo Urso of Ragusa, Italy, also called for recognition of civil partnerships in his country.

March of 2012 saw an explosion of questioning from prelates of the hierarchy’s ban on marriage equality. At New Ways Ministry’s Seventh National Symposium,Bishop Geoffrey Robinson of Australia called for a total re-examination of Catholic sexual ethics to allow for, among other things, moral approval of same-sex relationships. The Diocese of Manchester, New Hampshire, supported a bill that would legalize civil unions (albeit as a stopgap measure to prevent marriage equality). Bishop Richard Malone of Portland, Maine, announced that the diocese would not take an active role in opposing the state’s upcoming referendum on marriage equality, as it had in 2009. In Italy, Cardinal Carlo Maria Martini of Milan stated in his book, Credere e Cognoscere (Faith and Understanding), that “I do not agree with the positions of those in the Church who takes issue with civil unions.” You can read excerpts, in Italian, from the book here. An English translation of a different set of excerpts, thanks to the Queering the Church blog, can be foundhere.

While opposition to marriage equality from the hierarchy, especially in the United States, is still massive and strong, it is significant that these recent statements are all developing a similar theme of at least some recognition of the intrinsic value of lesbian and gay relationships, as well as the need for civil protection of them. May this trend continue and grow.

–Francis DeBernardo, New Ways Ministry

segunda-feira, 20 de maio de 2013

Nova Zelândia e França, dois países onde o casamento já é igualitário

Égalité apesar da violência

“Egalité!” Foi ao grito de igualdade que a Assembleia Nacional de França aprovou esta terça-feira o casamento para todos, a designação adoptada neste país e que concede iguais direitos a casais homossexuais e heterossexuais. A adopção de crianças por casais do mesmo sexo é permitida automaticamente por inerência da lei do casamento. O Parlamento francês aprovou o casamento entre pessoas do mesmo sexo por 331 votos a favor e 225 contra.
Depois de uma promessa eleitoral de François Hollande, que ainda terá que ratificar a lei, assistiram-se nos últimos 12 meses a vários revezes, manifestações com milhares de pessoas nas ruas e a uma escalada de violência homofóbica sem precedentes, como foi mediatizado através do caso Wilfred de Bruijn.
Além de Hollande, a principal impulsionadora da lei foi Christiane Taubira, Ministra da Justiça, nome pela qual esta reforma acabou por se tornar conhecida. Esta tarde após a votação no Parlamento Taubira declarou: “Não tirámos nada a ninguém. Pelo contrário, reconhecemos os direitos dos nossos concidadãos e concedemos os direitos a todos os casais”.
No Marais, o bairro adoptado pela comunidade gay de Paris, a festa começou logo que a votação foi conhecida.

Nos últimos dias foram várias as manifestações de protesto pela previsível aprovação da lei hoje ocorrida. Foi criado inclusive um grupo para combater esta lei, os Hommen. (...) Os protestos e confrontos com a polícia sucederam-se frente à Assembleia Nacional. Os Conservadores querem um referendo e já anunciaram que irão recorrer ao Tribunal Constitucional para declarar a lei inconstitucional.
(...) Os primeiros casamentos podem realizar-se a partir de Junho e não estão restritos apenas aos cidadãos de nacionalidade francesa.

In dezanove

O número 13: Nova Zelândia

O parlamento da Nova Zelândia legalizou no dia 17 de Abril deste ano o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Este é o primeiro país na região do Pacífico a fazê-lo. Apesar da oposição de grupos Cristãos, a lei foi aprovada com uma maioria de 77 votos a favor e 44 contra.
Após a aprovação o público presente no Parlamento de Wellington decidiu entoar um cântico de celebração em língua indígena Maori dedicado a Louisa Wall, a deputada lésbica que promoveu esta alteração na lei neozelandesa. Louisa Wall, do partido Trabalhista declarou: “Na nossa sociedade o significado de casamento é universal, é uma declaração de amor e compromisso para com aquela pessoa especial” e continuou “neste momento estou muito orgulhosa de ser neozelandesa”. Centenas de pessoas celebraram também esta decisão à porta do parlamento, considerando-a um marco histórico para a igualdade.
A união civil entre pessoas do mesmo sexo é legal na Nova Zelândia desde 2005.
Contudo, a alegria não foi unânime, Bob McCroskrie, fundador do grupo Family First, disse que a lei enfraquece o conceito tradicional de casamento: “Historicamente e culturalmente o casamento sempre foi entre um homem e uma mulher e não se deveria mudá-lo.”
A Nova Zelândia torna-se assim no 13º país a legalizar o casamento entre pessoas do mesmo sexo, seguindo o exemplo de países como a Holanda, Bélgica, Argentina, África do Sul, Portugal e mais recentemente o Uruguai. Os vizinhos australianos chumbaram a lei para legalizar o casamento entre pessoas do mesmo sexo em Setembro passado, contudo, alguns dos seus estados permitem uniões civis.

In dezanove

Brasil: a Justiça decidiu!

Casamento entre 2 pessoas do mesmo sexo é legal no Brasil

Por 14 votos a 1, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) aprovou esta terça-feira uma resolução que obriga todos os cartórios do Brasil a celebrar o casamento civil entre pessoas do mesmo sexo. Ao contrário do que ocorreu nos outros países onde este direito está estabelecido, coube à justiça e não ao parlamento aprovar o casamento igualitário.

O tema foi proposto ao CNJ pelo presidente, Joaquim Barbosa, que também preside o Supremo Tribunal Federal (STF), instância máxima do sistema judicial brasileiro. O casamento entra em vigor mal seja publicada a deliberação no Diário de Justiça, que deverá ocorrer ainda esta semana.
"É vedada às autoridades competentes [os cartórios] a recusa de habilitação, celebração de casamento civil ou de conversão de união estável em casamento entre pessoas de mesmo sexo", refere a resolução, que apresenta as sanções para os cartórios que decidam não cumprir a norma: "A recusa prevista no artigo 1° implicará a imediata comunicação ao respectivo juiz corregedor para as providências cabíveis".
Em 2011, o STF já tinha reconhecido, por unanimidade, a equiparação da união civil homossexual à heterossexual, permitindo que casais de pessoas do mesmo sexo tivessem direitos como herança e pensões. Neste momento o casamento entre pessoas do mesmo sexo é possível em 14 países. Na América Latina é legal na Argentina e no Uruguai. França e o estado do Minnesota foram os mais recentes territórios a dizer “sim”.

In dezanove

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

O casamento homossexual liberta a Igreja

Casamento gay e Igreja livre

Um artigo de opinião de um ensaísta católico francês para o Le Monde. Nele o autor aborda a actualidade política do país (direito ao casamento e à adopção por parte dos casais homossexuais) e critica a hierarquia da Igreja por se interessar mais pelas histórias do foro privado do que pela espiritualidade. Sendo a maioria dos franceses a favor do casamento homossexual, os moralistas enveredam pelo ataque à homoparentalidade alegando a falta de referências masculino-feminino. O autor relembra que 2,8 milhões de crianças vivem em famílias monoparentais - sem haver sequer a alteridade de haver 2 referências distintas e que 40.000 crianças vivem já com um casal homossexual, sem nelas se ter notado qualquer perturbação ou trauma derivados especificamente desse factor. Mas o "incómodo" da homoparentalidade vem de medos irracionais, ignorância: hereditariedade ou contágio da homossexualidade. O autor afirma que quando se é crente, se é Igreja, e quando um se diz católico, deve ser testemunha de Cristo e do Evangelho e não se contentar com a repetição cega e obcessiva das opiniões da hierarquia: tem de se saber dialogar com tudo e com todos e passar a mensagem do Evangelho, não alimentar preconceitos sem sentido crítico e construtivo.

Desde o nascimento de Cristo sabemos que a filiação importante não é nem a sexual nem a reprodutiva, mas a adoptiva. José e Maria receberam Jesus sem o conceberem, O mesmo teria acontecido se José fosse uma mulher. O mesmo acontece quando uma criança nasce: ela é declarada ao Estado Civil e os seus pais são os que ficam responsáveis pela sua criação e educação; a criança é adoptada pelos seus pais. Com o Evangelho a família alarga-se a uma família universal. Não interessa se se é órfão, bebé-proveta, filho bastardo, filho de pai gay ou de barriga de aluguer ou se se vem da Assistência Social: todos somos irmãos em Cristo e filhos de Deus. Em termos laicos importa assegurar uma parentalidade colectiva, consensual, integrativa e democrática, ou seja, uma socioparentalidade. Os jovens devem ser associados o mais cedo possível à vida na sua cidade como futuros cidadãos.

Na história a Igreja teve o papel de consolidar o matrimónio que, entre outras coisas, assegurava às crianças que nasceriam um quadro educativo de fundo. As sociedades modernas e democráticas ocupam-se disso actualmente. A abertura do direito ao casamento e à adopção aos casais homossexuais é a última etapa desta lenta evolução. No séc. IX a Igreja ocupava-se com o estado civil e a regulação matrimonial e hoje vê chegar ao fim o seu papel administrativo e civil. O casamento homossexual não põe em causa o matrimónio e a filiação, mas antes liberta a Igreja das suas preocupações de gestão quotidiana da sociedade e dá-lhe espaço para se concentrar na difusão da sua mensagem espiritual. Para isso, os baptizados não devem ser eternamente crianças de colo do nosso Pai que está nos céus, mas tornar-se adultos que, desde a mais tenra juventude, como Jesus, tomam a palavra no Templo e na cidade.

Aqui segue o artigo na íntegra em francês:


Le mariage homosexuel libère l'Eglise


Par Thierry Jaillet, essayiste catholique

Dans quelques semaines ou quelques mois, le gouvernement va mettre en œuvre l'un des engagements du candidat Hollande : l'ouverture du "droit au mariage et à l'adoption aux couples homosexuels". Ce n'est que justice. Mais, je le regrette en tant que catholique pratiquant et engagé, mon Eglise, ou du moins sa partie institutionnelle, va se prononcer contre cette mesure d'équité et de sagesse. En effet, depuis 1968 et l'encyclique Humanae Vitae, fustigeant l'interruption volontaire de grossesse (IVG) et la contraception, nous sommes habitués à ce que notre haut clergé se mêle plus de nos histoires de cul que de spiritualité.


Comme la majorité des Français sont pour le mariage homosexuel, l'angle d'attaque des opposants moralisateurs et plus ou moins homophobes sera l'homoparentalité. Vous rendez-vous compte, ces pauvres enfants, est-ce bien raisonnable qu'ils grandissent sans référent maternel ou paternel ? Réveille-toi, mon frère, ma sœur, 2,8 millions d'enfants vivent dans une famille monoparentale, et leur seul parent, une femme, en général, est, dans la plupart des cas, hétérosexuelle. D'autre part, 40 000 enfants vivent d'ores et déjà avec deux parents homosexuels, et l'on n'a pas détecté chez eux le moindre traumatisme psychologique particulier. Tous les éducateurs sérieux le savent : les difficultés des enfants ne proviennent pas de l'orientation sexuelle de leurs parents, mais de leurs moyens financiers, de leur niveau d'études et de leur intégration dans la société. Mais ce n'est pas avec des arguments de simple raison que l'on peut convaincre sur ce point. L'homoparentalité dérange, on craint faussement qu'elle soit héréditaire, contagieuse, et délétère pour l'espèce humaine. Comment sortir de cette peur irrationnelle qui fait que même des citoyens assez ouverts se disent qu'il faut procéder par paliers, ménager des transitions, distinguer mariage (hétéro) et union civile (homo), de crainte d'encourager l'homophobie, alors qu'il n'y a rien de pire que faire des distinctions pour renforcer les discriminations et l'exclusion ?


Quand on est l'Eglise et que l'on se dit catholique, on doit dialoguer avec tous, se faire le témoin du message du Christ et des Ecritures et ne pas se contenter de répéter les éventuelles âneries des successeurs de Pierre, lequel Pierre, selon l'Evangile et les Actes des Apôtres, sortit quelques énormes sottises que ses frères ne suivirent pas. Alors, plutôt que de l'entretenir, faisons donc reculer la peur de l'homoparentalité.

Depuis la naissance du Christ, nous savons que la seule filiation qui compte n'est ni sexuelle ni reproductrice, mais adoptive. Joseph et Marie deviennent les parents du Christ parce qu'ils l'acceptent comme enfant, alors que leur relation sexuelle ne l'a pas conçu. Joseph eût été une femme que le Christ eût été tout de même incarné. Nous aussi parents, nous déclarons nos enfants à l'état civil, nous les adoptons aux yeux de la loi et de la société, et nous nous engageons dans leur éducation. Mais avec l'Evangile, nous allons plus loin que jouer au papa et à la maman. Nous agrandissons la famille à l'humanité toute entière. Nous reconnaissons Jésus Christ fils du Dieu Vivant (Mt 16, 16), et nous nous disons fils de Dieu et frères en Jésus-Christ, que nous sortions des bourses d'un père homosexuel, de l'utérus d'une mère porteuse, d'une éprouvette, ou de l'Assistance. Et l'important pour nous n'est pas de sacraliser la famille traditionnelle, car la "Sainte Famille" est tout sauf cela, mais de laisser le Christ, dès l'âge de 12 ans, et nos enfants avec lui, "s'occuper des affaires de son Père" (Luc 2, 49). En termes laïques, cela veut dire que ce qui compte, c'est que la société tout entière s'occupe bien des enfants, les éduque, et les considère pour eux-mêmes, pas seulement en tant que fils et filles de leurs parents, hétérosexuels ou pas. Toujours en termes laïques, cela veut dire aussi que les jeunes doivent être associés au plus tôt à la vie de la cité, en tant que futurs citoyens. Dans cette perspective, l'homoparentalité n'est plus un problème, le vrai défi, c'est d'assurer ensemble une parentalité collective, consensuelle, intégrative et démocratique, une socioparentalité.


Au cours des siècles, l'Eglise a construit sa vision du sacrement du mariage, certes pour asseoir son pouvoir sur la société, mais aussi pour assurer le consentement éclairé des époux, empêcher les mariages forcés pour raisons patrimoniales, limiter la traite des femmes, abolir la répudiation et assurer aux enfants un cadre éducatif minimal. Les sociétés modernes et démocratiques se chargent aujourd'hui de ces protections et sauvegardes. L'ouverture du droit au mariage et à l'adoption aux couples homosexuels est la dernière étape de cette lente évolution. L'Eglise qui prit en charge, aux temps barbares du IXe siècle, état civil et régulation matrimoniale, voit aujourd'hui la toute fin de son rôle administratif et civil. Le mariage homosexuel, loin de remettre en cause mariage et filiation, libère définitivement l'Eglise de ses préoccupations de gestion quotidienne de la société et lui donne tout loisir de se concentrer sur la diffusion de son message spirituel. Mais pour cela, les croyants ne doivent pas rester les petits enfants mineurs de Notre Père qui est aux cieux et de notre Très Saint-Père le Pape qui est à Rome (tiens, deux pères dans cette famille ?). Non, les baptisés se doivent d'être des adultes majeurs qui, dès leur plus jeune âge, comme Jésus, prennent la parole dans le Temple et dans la ville.

Thierry Jaillet est l'auteur de L'Evangile de Michel Onfray (Golias Editions).

In Le Monde de 5 de Junho 2012

Luzes de lucidez na hierarquia da Igreja católica

Cardeal de Berlim apela à igualidade na forma de tratamento entre casais heterossexuais e homossexuais

Nota e resumo da mensagem: este é um post em inglês de uma das amigas da página de facebook do moradasdedeus, em que o cardeal de Berlim alerta que se devia olhar para relações duradoiras homossexuais como se olha para as heterossexuais, quando são vividas na fidelidade. A Igreja devia ver e pensar mais longe. A sua voz juntou-se à do Arcebispo de Londres, que apoiou a união civil entre gays e lésbicas no Reino Unido, e à do bispo de Ragusa (Itália) que fez o mesmo no seu país. O bispo Robinson de Austrália, num sínodo, também ergueu a voz no sentido de reexaminar a ética sexual na Igreja, aprovando moralmente, entre outros, as relações entre pessoas do mesmo sexo. O bispo de Portland (Maine) anunciara igualmente que a diocese não teria um papel activo de oposição ao referendo do estado para a igualdade de acesso ao casamento. Carlo Maria Martini, o antigo bispo de Milão, no seu livro Credere e Cognoscere diz que não concorda que, na Igreja, se tomem posições relativas às uniões civis.

Passo a citar a notícia:

Cardinal Rainer Maria Woelki

So far I’ve only seen one news report in English about this item, but there are several in German that are floating around the web. It is too good not to report, even though the information is rather sparse.
Berlin’s Cardinal Rainer Maria Woelki told a major Catholic conference in Germany that relationships of same-gender couples should be treated equally with heterosexual couples. An article in The Local, an English news source in Germany reports:

“He told a crowd on Thursday that the church should view long-term, faithful homosexual relationships as they do heterosexual ones.

” ‘When two homosexuals take responsibility for one another, if they deal with each other in a faithful and long-term way, then you have to see it in the same way as heterosexual relationships,’ Woelki told an astonished crowd, according to a story in the Tagesspiegel newspaper.

“Woekli acknowledged that the church saw the relationship between a man and a woman as the basis for creation, but added that it was time to think further about the church’s attitude toward same sex relationships.”

Speaking at the 98th Katholikentag (Catholic), a conference of 60,000 Catholics in Mannheim, Woelki joins a growing chorus of episcopal voices who are calling for change in the hierarchy’s traditionally absolutist refusal to acknowledge the moral goodness of lesbian and gay relationships.

Last December, London’s Archbishop Vincent Nichols made headlines by supporting civil partnerships for lesbian and gay couples in the U.K. That same month, Fr. Frank Brennan, a Jesuit legal scholar in Australia, also called for similar recognition of same-sex relationships. In January, Bishop Paolo Urso of Ragusa, Italy, also called for recognition of civil partnerships in his country.

March of 2012 saw an explosion of questioning from prelates of the hierarchy’s ban on marriage equality. At New Ways Ministry’s Seventh National Symposium,Bishop Geoffrey Robinson of Australia called for a total re-examination of Catholic sexual ethics to allow for, among other things, moral approval of same-sex relationships. The Diocese of Manchester, New Hampshire, supported a bill that would legalize civil unions (albeit as a stopgap measure to prevent marriage equality). Bishop Richard Malone of Portland, Maine, announced that the diocese would not take an active role in opposing the state’s upcoming referendum on marriage equality, as it had in 2009. In Italy, Cardinal Carlo Maria Martini of Milan stated in his book, Credere e Cognoscere (Faith and Understanding), that “I do not agree with the positions of those in the Church who takes issue with civil unions.” You can read excerpts, in Italian, from the book here. An English translation of a different set of excerpts, thanks to the Queering the Church blog, can be found here.
While opposition to marriage equality from the hierarchy, especially in the United States, is still massive and strong, it is significant that these recent statements are all developing a similar theme of at least some recognition of the intrinsic value of lesbian and gay relationships, as well as the need for civil protection of them. May this trend continue and grow.

Francis DeBernardo, New Ways Ministry

In http://newwaysministryblog.wordpress.com/2012/05/20/cardinal-calls-for-equality-of-heterosexual-and-homosexual-relationships/

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Abraçados podemos voar

Partilho este belíssimo texto sobre o amor e o casamento

Abraçados podemos voar


(...) Tenho tido nestes anos, como padre, a gratíssima alegria de casar dezenas de amigos. Sei por eles, e da forma mais pura, a verdade daquele verso de Dante que diz: «o amor move o sol e as outras estrelas». Ao olhar para o interior das suas vidas, para dentro dos seus sonhos e até dos seus temores é esse incomparável mistério que se deteta: o modo como o amor, como a frágil força do amor é capaz de mover, de transfigurar e de unir, até ao fim, cada fragmento do corpo e cada filamento da alma.

Um outro autor italiano escreveu: «Somos anjos de uma asa apenas. Só permanecendo abraçados podemos voar». O casamento é a serena e criativa conjugação destes dois sentimentos que, fora dele, pareciam destinados a existir unicamente em contraste: a solidão e a comunhão. O amor agudiza a consciência de sermos um; descobre, aos nossos próprios olhos, a irresolúvel incompletude que individualmente nos caracteriza, a nossa insuperável carência; e ensina-nos o sabor de uma, até aí desconhecida, solidão: aquela que se sente por estar privados do ser amado. No bíblico livro de Rute isso vem assim explicitado: «a vida tratar-me-á com duros rigores se outra coisa, a não ser a morte, me impedir de olhar diariamente o teu rosto» (Rt 1,17). A solidão incandescente com que o amor fere os que se amam é, porém, o que faz dele uma prática de desejo e de caminho, um exercício de mendicância (na verdade, o amor é sempre uma conversa entre mendigos) e de busca, uma forma de entrega e de súplica. Por alguma razão a experiência religiosa da mística recorre a uma linguagem próxima desta amorosa. Os enamorados percebem o estado dos grandes orantes e vice-versa, creio.

Mas o amor é sobretudo milagre da comunhão. Uma comunhão construída também com esforço, é claro, conquistada continuamente ao território muito defendido do egoísmo, traduzida em decisões quotidianas e vigilantes. Porém, não é propiamente de uma conquista que se trata, mas do arrebatamento comum pelo dom, do espanto inesgotável, de uma hospitalidade radical. «Se me tapares os olhos: ainda poderei ver-te. Se me tapares os ouvidos: ainda poderei ouvir-te. E mesmo sem pés poderei ir para ti. E mesmo sem boca poderei invocar-te». O fundamental é vislumbrado e servido em completa dádiva, acontece sem porquês, no âmbito de uma gratuidade infatigável, numa geografia sem condições nem reservas. O amor não se explica: implica-se. É uma voluntária hipoteca, um sigilo de sangue, entrelaçamento vital. Os enamorados conspiram com o milagre e, por isso, tornam-se, de forma tão íntima, cúmplices de Deus.

Compreendo o aviso meio irónico que Auden faz contra as festas de casamento. Ele diz que os noivos deviam ser humildes e não fazer logo no primeiro do seu casamento uma festa colossal, quando, no fundo, está ainda tudo por construir. Mas também acho impossível não celebrar a alegria do casamento, e fazê-lo com uma simbólica desmesura. Poucos momentos dão a ver assim a vida na sua transparência.
José Tolentino Mendonça
In Diário de Notícias da Madeira, 14.09.11
Publicado em SNPC

sábado, 1 de dezembro de 2012

Reconhecimento de casais do mesmo sexo no Brasil e igualdade de acesso à parentalidade: comunicado da ILGA Portugal

"O direito existe para a vida; não é a vida que existe para o direito"
Brasil reconhece casais do mesmo sexo e garante igual acesso à parentalidade

O Supremo Tribunal Federal do Brasil aprovou ontem uma decisão histórica que confere direitos civis iguais para casais de pessoas do mesmo sexo, incluindo o acesso à adoção, o acesso às técnicas de procriação medicamente assistida e ao registo de filhas/os da/o parceira/o.

Ainda que não conferindo um igual acesso ao casamento, o Supremo Tribunal Federal decidiu, com 10 votos favoráveis e sem oposição, e reconheceu, nas palavras da ministra Cármen Lúcia, que "o direito existe para a vida; não é a vida que existe para o direito”.
A ILGA Portugal congratula o movimento LGBT brasileiro por esta vitória - e congratula o Brasil, que contribui assim para que a afirmação da igualdade se faça cada vez mais em português.
Também nesse sentido, esperamos que, em Portugal, os partidos que concorrem às eleições legislativas marquem a importância do valor da igualdade e da não-discriminação e da salvaguarda de direitos fundamentais. A ILGA Portugal tem travado várias lutas para garantir a cidadania plena das pessoas LGBT – e tem alcançado algumas vitórias importantes, com o apoio de todas as pessoas e instituições que valorizam a liberdade, a igualdade e os Direitos Humanos. A igualdade no acesso ao casamento e a lei da identidade de género colocaram aliás o nosso país como um exemplo a seguir neste âmbito a nível europeu e mundial. No entanto, e ainda que num novo estádio, a luta contra a discriminação com base na orientação sexual e na identidade de género está ainda no seu início.

Desde logo, e seguindo o exemplo do Brasil, parece-nos fundamental assegurar o igual reconhecimento das relações familiares das pessoas LGBT no âmbito da parentalidade: garantindo a igual proteção de crianças que já hoje são criadas por casais de pessoas do mesmo sexo através do reconhecimento legal das suas figuras parentais; alargando o acesso a técnicas de procriação medicamente assistida a mulheres solteiras e casais de mulheres (casadas ou unidas de facto); e removendo a exclusão a priori de casais do mesmo sexo (casados ou unidos de facto) no acesso à candidatura à adoção.

Temos aliás vindo a agendar audiências com os vários partidos com representação parlamentar no sentido de alertar para o trabalho que é fundamental realizar nesta área.

O debate científico relativo ao exercício da parentalidade por casais de pessoas do mesmo sexo está feito a nível internacional (em campos tão diversos como a Psicologia, a Pediatria, a Medicina Familiar ou o Serviço Social) e as conclusões são inequívocas e favoráveis ao fim das atuais restrições legais.

Mas sobretudo já existem muitas crianças que são criadas por casais de pessoas do mesmo sexo no Portugal de hoje e os principais obstáculos que elas enfrentam são precisamente causados por uma lei que não as protege adequadamente por não reconhecer as suas figuras parentais - basta pensar na importância desse reconhecimento na escola, num hospital ou até em casos extremos como uma eventual morte da única figura parental com reconhecimento legal.

Assim, porque também acreditamos que o direito existe para a vida, esperamos que os partidos proponham legislação que garanta a proteção destas crianças em plano de igualdade com as demais, através do reconhecimento legal das suas figuras parentais. Trata-se, afinal, da única atitude responsável por parte de quem se preocupa com o bem-estar das crianças - e com a igualdade.
Lisboa, 6 de Maio de 2011

A Direção e o Grupo de Intervenção Política da Associação ILGA Portugal

Porque estou aqui

Sinto-me privilegiado por ter encontrado na Igreja um lugar vazio, feito à minha medida. É certo que tê-lo encontrado (ou encontrá-lo renovadamente, pois não é dado adquirido) foi também mérito da minha sede, do meu empenho, de não baixar os braços e achar, passivamente, que não seria possível. Passo a contextualizar: a comunidade onde vou à missa é pequena e acolhedora, e podia bem não o ser. Ao mesmo tempo, sentia um desejo grande de reflexão de vida cristã e encontrei um casal (heterosexual) que tinha a mesma vontade. Começámo-nos a reunir semanalmente numa pequena comunidade de oração e reflexão que, apesar de crítica, nos tem ajudado a sermos Igreja e a nela nos revermos. Paralelamente, face ao contínuo desencanto em relação a algumas posturas e pontos de vista de uma Igreja mais institucional e hierárquica, tive a graça de encontrar um grupo de cristãos homossexuais, que se reuniam com um padre regularmente, sem terem de se esconder ou de ocultar parte de si.

Sei que muitos cristãos homossexuais nunca pensaram sequer na eventualidade de existirem grupos cristãos em que se pudessem apresentar inteiros, quanto mais pensarem poder tomar parte e pôr em comum fé, questões, procuras, afectos e vidas.

Por tudo isto me sinto grato a Deus e me sinto responsável para tentar chegar a quem não teve, até agora, uma experiência tão feliz como a minha.

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Os textos e as imagens

Os textos das mensagens deste blogue têm várias fontes. Alguns são resultados de pesquisas em sites, blogues ou páginas de informação na Internet. Outros são artigos de opinião do autor do blogue ou de algum dos seus colaboradores. Há ainda textos que são publicados por terem sido indicados por amigos ou por leitores do blogue. Muitos dos textos que servem de base às mensagens foram traduzidos, tendo por vezes sofrido cortes. Outros textos são adaptados, e a indicação dessa adaptação fará parte do corpo da mensagem. A maioria dos textos não está escrita segundo o novo acordo ortográfico da língua portuguesa, pelo facto do autor do blogue não o conhecer de forma aprofundada.

As imagens que ilustram as mensagens são retiradas da Internet. Quando se conhece a sua autoria, esta é referida. Quando não se conhece não aparece nenhuma referência. Caso detectem alguma fotografia não identificada e conheçam a sua autoria, pedimos que nos informem da mesma.

As imagens são ilustrativas e não são sempre directamente associáveis ao conteúdo da mensagem. É uma escolha pessoal do autor do blogue. Há um critério de estética e de temática ligado ao teor do blogue. Espero, por isso, que nenhum leitor se sinta ofendido com as associações livres entre imagem e conteúdo.

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