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A diversidade na Igreja

"A casa do meu Pai tem muitas moradas", diz-nos Jesus no evangelho.

A unidade na diversidade não é sempre aparente na Igreja enquanto povo de Deus, mas é uma realidade em Deus e uma presença na fé cristã desde a sua origem. A Palavra de Deus não é partidária, elitista e exclusiva. O Reino de Deus é como uma árvore que estende os ramos para dar abrigo a todos os pássaros do céu. Cristo não morreu na cruz para salvar uma mão cheia de cristãos. Até o Deus Uno encerra em si o mistério de uma Trindade.

A Palavra de Deus é inequívoca e só pode levar à desinstalação, à abertura ao outro, e a recebê-lo e amá-lo enquanto irmão ou irmã. Ninguém fica de fora, nem mesmo - se tivessemos - os inimigos.

Muitos cristãos crêem nesta Igreja, nesta casa do Pai, corpo de Cristo, templo do Espírito Santo. Mas como esquecer que muitos se sentem "de fora" por se verem rejeitados, amputados e anulados, e afastam-se por ninguém lhes ter mostrado que há um lugar para cada um, com a totalidade do seu ser?

Um blogue para cristãos homossexuais que não desistiram de ser Igreja

Porquê este blogue?

Este blogue é a partilha de uma vida de fé e é uma porta aberta para quem nela quiser entrar. É um convite para que não desistas: há homossexuais cristãos que não querem recusar nem a sua fé nem a sua sexualidade. É uma confirmação, por experiência vivida, que há um lugar para ti na Igreja. Aceita o desafio de o encontrares!

Este blogue também é teu, e de quem conheças que possa viver na carne sentimentos contraditórios de questões ligadas à fé e à orientação sexual. És benvindo se, mesmo não sendo o teu caso, conheces alguém que viva esta situação ou és um cristão que deseja uma Igreja mais acolhedora onde caiba a reflexão sobre esta e outras realidades.

Partilha, pergunta, propõe: este blogue existe para dar voz a quem normalmente está invisível ou mudo na Igreja, para quem se sente só, diferente e excluído. Este blogue não pretende mudar as mentalidades e as tradições com grande aparato, mas já não seria pouco se pudesse revelar um pouco do insondável Amor de Deus ou se ajudasse alguém a reconciliar-se consigo em Deus.
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segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

Carta de Rosa Luxemburgo

Uma alegria interior e um olhar de compaixão

"Um dos textos mais comoventes que conheço é uma carta de Rosa Luxemburgo escrita a uma amiga a partir da prisão feminina de Breslavia, na Polónia, por ocasião do Natal, poucos meses antes da sua execução.

Era o último vislumbre daquele paradoxal ano de 1917, e poucos se arriscavam a dizer com certeza para que destino o mundo estava a ser arrastado. O texto de Rosa Luxemburgo confirma um compromisso explícito naquele contexto histórico e toma a defesa da revolução então em curso na Rússia, em oposição à perspetiva dos «correspondentes dos jornais burgueses» que descreviam a nova situação como um desencadeamento insano. Esta é, seguramente, a parte mais datada, parcial e envelhecida da carta. Rosa sabe ser profética quanto à Alemanha, entrevendo a possibilidade de um “pogrom”, mas não o é da mesma maneira em relação à Rússia.

Na verdade, o que faz da sua carta um «documento de humanidade e poesia», para citar Karl Kraus, que deveria ser ensinado «às gerações futuras», são as duas partes seguintes. Era o terceiro Natal que a filósofa e sindicalista passava na prisão. Procura uma árvore de Natal para si, mas não consegue encontrar melhor do que um arbusto mísero e despido, que ainda assim transporta para a própria cela. E isto leva-a a interrogar-se sobre a «alegre embriaguez» que conseguia conservar naquele inferno, naquela irredutível espécie de confiança que nela persistia, a despeito do desconforto e da desolação.

Escreve naquela noite: «Aqui estou eu, deitada, só, em silêncio, envolvida nestes múltiplos e negros lençóis das trevas, do tédio, da prisão invernal – e entretanto o meu coração bate de uma alegria interior incompreensível e desconhecida, como se estivesse a caminhar ao sol radioso sobre um prado florido. (…) Nestes momentos penso em vós e gostaria muito de vos transmitir esta chave mágica e alegre da vida». E quando se pergunta mais profundamente sobre o porquê de tanta «felicidade», declara: «Não encontro nada e não posso impedir-me de sorrir novamente de mim. Creio que este segredo não é outro senão o da própria vida».

A última parte da carta não é menos inesquecível. Rosa Luxemburgo assiste à chegada de vagões cheios de pesados sacos de roupa militar, que os prisioneiros deverão remendar. São puxados por búfalos capturados na Roménia e exibidos como troféus. Pela primeira vez, atenta na indizível dor dos animais. É um choque e uma revelação. Quando se arrisca a pedir «um pouco de compaixão por aquelas criaturas extenuadas, o carreteiro responde-lhe violentamente: «E de nós, quem tem piedade?» E diante dela recomeça a bater com força nos búfalos.

O olhar de Rosa Luxemburgo fixa-se então sobre um deles. O animal deitava sangue mas permanecia imóvel, com os olhos mais dóceis que ela alguma vez tinha visto. Naqueles olhos entrevê uma impotência semelhante à de uma criança que tivesse chorado durante muito tempo sem ter sido escutada. «Era exatamente a expressão de uma criança que acaba de ser duramente castigada e não sabe por que motivo nem para quê, que não sabe como escapar do sofrimento e da força bruta… Eu estava diante dele, o animal olhava-me, as lágrimas caiam dos meus olhos, eram as suas lágrimas. Diante da dor de um irmão querido é impossível não ser sacudido pela mais dolorosa amargura como eu estava na minha impotência diante deste mudo sofrimento».

Da empatia que ligava naquele momento uma mulher a um anónimo animal ferido nascia uma nova forma de resistência à brutalidade e à barbárie. «Diante dos meus olhos vi passar a guerra ao estado puro»: Rosa Luxemburgo compreende que uma comunhão entre os seres humanos e as outras criaturas não é só possível. É urgente e necessária."

José Tolentino Mendonça In "Avvenire"
Tradução de Rui Jorge Martins para SNPC, publicado a 10 de dezembro de 2015

segunda-feira, 11 de junho de 2012

O sexo para procriar: breve sumário da condenação da homossexualidade

Desde quando é que o sexo só serve para procriar?

O judaísmo já pregava que as relações sexuais tinham como único fim a máxima exigida por Deus: “Crescei e multiplicai-vos”. Até o início do século IV, essa ideia, porém, ficou restrita à comunidade judaica e aos poucos cristãos que existiam. Nessa época, o imperador romano Constantino converteu-se à fé cristã – e, na seqüência, o cristianismo tornou-se obrigatório no maior império do mundo. Como o sexo passou a ser encarado apenas como forma de gerar filhos, a homossexualidade virou algo antinatural. Data de 390, do reinado de Teodósio, o Grande, o primeiro registro de um castigo corporal aplicado em gays.


O primeiro texto de lei proibindo sem reservas a homossexualidade foi promulgado mais tarde, em 533, pelo imperador cristão Justiniano. Ele vinculou todas as relações homossexuais ao adultério – para o qual se previa a pena de morte. Mais tarde, em 538 e 544, outras leis obrigavam os homossexuais a arrepender-se de seus pecados e fazer penitência. O nascimento e a expansão do Islamismo, a partir do século VII, juntamente com a força cristã, reforçaram a teoria do sexo para procriação.

No entanto, durante muito tempo - até meados do século 14 - embora a fé condenasse os prazeres da carne, na prática os costumes permaneciam os mesmos. A Igreja viu-se, a partir daí, diante de uma série de crises. Os católicos assistiram horrorizados à conversão ao protestantismo de diversas pessoas após a Reforma de Lutero. E, com o humanismo renascentista, os valores clássicos – e, assim, o gosto dos antigos pela forma masculina – voltaram à tona. Pintores, escritores, dramaturgos e poetas celebravam o amor entre homens. Além disso, entre a nobreza, que costumava ditar moda, a homossexualidade sempre correu solta. E, o mais importante, sem censura alguma – ficaram notórios os casos homossexuais de monarcas como o inglês Ricardo Coração de Leão (1157-1199).

No curto intervalo entre 1347 e 1351, a peste negra assolou a Europa e matou 25 milhões de pessoas. Como ninguém sabia a causa da doença, a especulação ultrapassava os limites da saúde pública e alcançava os costumes. O “pecado” em que viviam os homens passou a ser apontado como a causa dela e de diversas outras catástrofes, como fomes e guerras. Judeus, hereges e sodomitas tornaram-se a causa dos males da sociedade. Não havia outra solução a não ser a erradicação desses grupos. Medidas enérgicas foram tomadas. Em Florença, por exemplo, a sodomia foi proibida em 1432, com a criação dos Ufficiali di Notte (agentes da noite). O resultado? Setenta anos de perseguição aos homens que mantinham relações com outros. Entre 1432 e 1502, mais de 17 mil foram incriminados e 3 mil condenados por sodomia, numa população de 40 mil habitantes.

Leis duras foram estabelecidas noutros países europeus. Em Inglaterra, o século XIX começou com o enforcamento de vários cidadãos acusados de sodomia. E, entre 1800 e 1834, 80 homens foram mortos. Apenas em 1861 o país aboliu a pena de morte para os atos de sodomia, substituindo-a por uma pena de dez anos de trabalhos forçados.
 
in gays católicos com fé

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Mais um apedrejamento a dois homossexuais no Irão. Eu também sou iraniano!

Adaptação de mensagem publicada no blogue Direitos fundamentais LGBT

A explícita condenação de apedrejamento de homossexuais no Irão e as nossas próprias pedras de cada dia


Ontem foi publicado no Jornal O Globo a notícia que na próxima sexta-feira, dia 21, Ayub, de 20 anos, e Mosleh, de 21, que vivem na cidade de Piranshahr, serão executados em decorrência de uma sentença da Justiça do Irão que os condenou à morte por apedrejamento, acusados de homossexualidade.


Isso mesmo, dois gays serão barbaramente apedrejados até à morte no Irão. (...)

A organização Campanha Internacional pelos Direitos Humanos no Irão (ICHR) tentou mobilizar entidades internacionais para tentar reverter o apedrejamento.

A presidente Dilma Rousseff pronunciou-se oficialmente contra o apedrejamento de uma mulher iraniana, Sakineh Mohammadi Ashtiani, a qual foi poupada da pena de morte. O governo brasileiro agirá com a mesma sensibilidade e igualdade de tratamento em relação a estes dois homossexuais?

Não há sequer sinal que isto possa ocorrer.

Apesar da comparação figurativa, se pararmos para pensar, vamos constatar que aqui no Brasil os homossexuais e transgéneros não recebem tratamento tão diferente assim dos gays do Irão.

As pedras são outras

O Governo também não as atira, mas abstém-se e deixa que outro o faça.

As pedras que atingem aos LGBTs são desde a perda da vida, até agressões físicas e morais, com maltratos, humilhações e tratamento diferenciado dos demais cidadãos, sem reconhecimento de direitos civis iguais e da proteção legal contra a homofobia.

O Governo, por sua vez, faz moeda de troca com os nossos direitos na política, assiste o arquivamento de projectos de leis e não faz que a sua bancada actue pelo reconhecimento da igualdade.

As consequências são os números a cada ano maiores de assassinatos homofóbicos, lâmpadas na cara de homossexuais, discriminação crescente e a perda da dignidade do LGBT nacional. (...)

O Irão também é aqui!

É claro que fico perplexo com a barbárie praticada de forma descarada pelo governo iraniano e uno-me ao grito contra a total desumanidade.

A vida é o maior bem de um ser humano. Mas não se esqueçam que aqui também muitas se perdem.

Não se espantem se muitos que aqui ajudam a atirar “pedras” às bichas, sapatas, travestis e transexuais falem com indignação sobre as pedras de lá.

Sim, temos de exigir uma posição oficial do governo brasileiro contra essa barbaridade do Irão praticada contra os gays ou que tenha por alvo qualquer ser humano, mas não podemos deixar de cobrar dele que retire as inúmeras pedras das mãos dos que aqui nos atingem, a começar pela própria política do Estado.

Carlos Alexandre Neves Lima
http://carlosalexlima.blogspot.com/2011/01/explicita-condenacao-de-apedrejamento.html?utm_source=feedburner&utm_medium=feed&utm_campaign=Feed%3A+DireitosFundamentaisLgbt+%28Direitos+Fundamentais+LGBT%29

sábado, 18 de dezembro de 2010

Uma prenda de Natal: acrobatas despem-se para Bento XVI

O Papa Bento XVI pode não ver com bons olhos a homossexualidade, mas foi obrigado a ver um show bastante gay na última semana.

Um quarteto de acrobatas apresentou-se no Vaticano para Sua Santidade e todo o séquito da Santa Sé para mostrar os seus talentos. No entanto, não o fizeram sem se desembaraçarem dos seus casacos brancos e revelarem torsos musculados e depilados e calças brancas justas que deixam adivinhar a "boa forma" dos rapazes.

Como ignorar o homoerotismo do espectáculo?

Acrobats strip for Pope Benedict XVI, perform topless in Vatican

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Mundial 2022 sem sexo para os homossexuais

Presidente da FIFA sugere que gays e lésbicas devem fazer abstinência sexual se forem ao Mundial em Qatar

O presidente da FIFA Sepp Blatter diz que os adeptos gays e lésbicas não devem ter relações sexuais durante o Mundial 2022 de Futebol no Qatar, país onde a homossexualidade é proibida.

A afirmação foi feita mais ou menos a brincar por Blatter quando foi questionado se os gays e as lésbicas se devem preocupar por causa da atitude hostil do país do Médio Oriente em relação à homossexualidade. No entanto Blatter espera que haja a "abertura" da cultura islâmica para o Mundial.

"É uma outra cultura e outra religião, mas no futebol não temos limites", disse Blatter a partir da Soccer City em Johannesburgo, África do Sul durante a noite do encerramento oficial do Mundial 2010.

"Estamos abertos a todo o mundo e acho que não deve haver qualquer discriminação contra qualquer ser humano (...)."

"O futebol é um jogo que não afecta qualquer tipo de discriminação. Pode ter a certeza ... se as pessoas quiserem assistir a um jogo no Qatar em 2022, serão admitidos para os jogos."

O Qatar pune os actos sexuais consentidos entre adultos do mesmo sexo com uma pena até cinco anos de prisão.

in PortugalGay.PT
http://portugalgay.pt/news/141210A/qatar:_presidente_da_fifa_sugere_que_gays_e_lesbicas_nao_devem_fazer_sexo_se_forem_ao_mundial

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Condenar a homossexualidade é como voltar a condenar Galileu

O que qualquer cristão deve saber sobre a homossexualidade
"E conhecereis a verdade e a verdade vos libertará!" (João 8,32)
10/10


A Bíblia é um conjunto de livros muito antigos, repletos de imagens simbólicas, parábolas e figuras de estilo. Interpretar as Escrituras literalmente demonstra ignorância e fanatismo (…).

Tenho ainda muitas coisas a dizer-vos, mas não sois capazes de as compreender por agora. Quando Ele vier, o Espírito da Verdade, há-de guiar-vos para a Verdade completa" (João 16,12-13).

Assim como Galileu nos ensinou a verdade a respeito da Astronomia, corrigindo a visão da Bíblia e opondo-se à crença dos cristãos da sua época, também, na actualidade, todos os ramos da Ciência garantem que a homossexualidade é um comportamento normal, saudável e tão digno moralmente como a orientação sexual da maioria das pessoas. Negar esta evidência científica é repetir a mesma ignorância intolerante do Papa que condenou Galileu.

Não devemos temer a verdade que liberta, pois o próprio Jesus nos indicou o exemplo do "doutor da Lei instruído acerca do Reino do Céu” que “é semelhante a um pai de família, que tira coisas novas e velhas do seu tesouro" (Mateus 13,52).

Mesmo que o Papa ou os pastores continuem a negar os direitos humanos dos gays e lésbicas, mesmo que cristãos ignorantes continuem a repetir as ultrapassadas abominações do Antigo Testamento, para os verdadeiros crentes o que conta é o exemplo do Filho de Deus, Jesus Cristo, que nunca condenou a prática da homossexualidade.

"Conhecereis a verdade e a verdade vos tornará livres" (João 8,32).


Sugestões de Leitura:
  • Homossexualidade: Ciência e Consciência, de Marciano Vidal (Edições Loyola, SP, 1985).
  • A sexualidade humana: novos rumos do pensamento católico americano, de Anthony Kosnik (Editora Vozes de Petrópolis, RJ, 1982).
  • Pastoral com homossexuais, do Padre José Transferetti (Editora Vozes de Petrópolis, RJ, 1999).
Adaptação de uma publicação do blogue http://www.ggb.org.br/cristao.html que está a ser apresentada em várias mensagens.

Ler no blogue:
da rubrica O que qualquer cristão deve saber sobre a homossexualidade http://moradasdedeus.blogspot.com/2010/11/biblia-fala-dos-homossexuais.html
http://moradasdedeus.blogspot.com/2010/11/o-que-apareceu-primeiro.html
http://moradasdedeus.blogspot.com/2010/11/casamento-homossexual-ha-3400-anos-e-as.html
http://moradasdedeus.blogspot.com/2010/11/o-hino-de-amor-homossexual-da-biblia.html
http://moradasdedeus.blogspot.com/2010/11/antigo-testamento-e-homo-erotismo.html
http://moradasdedeus.blogspot.com/2010/11/sodoma-e-gomorra-condenacao-da.html
http://moradasdedeus.blogspot.com/2010/11/qual-e-o-verdadeiro-pecado-de-sodoma.html
http://moradasdedeus.blogspot.com/2010/12/sao-paulo-condena-os-homossexuais.html
http://moradasdedeus.blogspot.com/2010/12/o-exemplo-de-acolhimento-de-jesus.html
sobre homossexualidade ao longo da história
http://moradasdedeus.blogspot.com/2010/05/homossexualidade-luz-dos-tempos.html

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

São Paulo condena os homossexuais?

O que qualquer cristão deve saber sobre a homossexualidade
"E conhecereis a verdade e a verdade vos libertará!" (João 8,32)
8/10

Dirão, agora, os crentes mais intolerantes: e as condenações de São Paulo aos homossexuais?

Autoridades exegetas, protestantes e católicas – McNeill, Thevenot, Noth, Kosnik, entre outros –, ao examinarem cuidadosamente na língua original os textos das epístolas aos Romanos (1,27), 1 Coríntios (6,9), Colossenses (3,5) e 1 Timóteo (1,10), concluíram que, até agora, os cristãos têm feito uma interpretação errada a estas passagens.

Quando Paulo afirma que certas categorias de pecadores não entrarão no Reino dos Céus – a par com os adúlteros, bêbedos e ladrões – muitas versões da Bíblia incluem nesta lista os efeminados e homossexuais.

Logo à partida, existe uma condenação injusta, pois muitos dos efeminados (tal como muitas das mulheres masculinizadas no comportamento) não são necessariamente homossexuais.

As mais modernas e abalizadas pesquisas exegéticas concluem que, se Paulo de Tarso quisesse condenar especificamente os praticantes do homo-erotismo, teria empregue o termo corrente na sua época e do seu perfeito conhecimento: pederastas. Em vez desta palavra, Paulo usou as expressões gregas malakoi, arsenokoitai e pornoi – que as melhores edições da Bíblia em português traduzem por perversos, pervertidos e imorais.

Portanto, foram estes pecadores que Paulo incluiu na lista dos afastados do Reino dos Céus, e não os pederastas, e muito menos os homossexuais, palavra desconhecida [, porque inexistente,] na Antiguidade.

Segundo os historiadores, vivendo São Paulo numa época de grande licenciosidade sexual – tempo de Calígula, Nero e de Satiricon –, esperando o regresso próximo do Cristo e o fim do mundo, ele condenou, sim, os excessos e abusos sexuais dos povos vizinhos, mas nunca o amor inocente e recíproco, à semelhança do de David e Jónatas.

Há teólogos protestantes que chegam a diagnosticar Paulo de Tarso como homossexual latente (aludindo à sua própria referência ao misterioso "espinho na carne" que tanto o preocupava, além da sua manifesta e cruel misoginia ou ódio às mulheres).

E, se a condenação paulina inclui também os bêbedos, corruptos e caluniadores, para quê atirar tanta pedra exclusivamente aos homossexuais? Também aqui, Freud explica!

E mais: o próprio Filho de Deus disse que "há eunucos que assim nasceram no seio materno" (Mateus 19,12), ensinando, num sentido figurado, que faz parte dos planos do Criador que alguns homens tenham uma sexualidade não reprodutora biologicamente. Todos somos imagem de Deus!

Adaptação de uma publicação do blogue http://www.ggb.org.br/cristao.html que está a ser apresentada em várias mensagens.

Ler no blogue:
da rubrica O que qualquer cristão deve saber sobre a homossexualidade http://moradasdedeus.blogspot.com/2010/11/biblia-fala-dos-homossexuais.html
http://moradasdedeus.blogspot.com/2010/11/o-que-apareceu-primeiro.html
http://moradasdedeus.blogspot.com/2010/11/casamento-homossexual-ha-3400-anos-e-as.html
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sobre homossexualidade ao longo da história
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terça-feira, 21 de setembro de 2010

Direitos dos homossexuais na Arábia Saudita

Na ficha sobre a Arábia Saudita do Relatório 2009 do Departamento de Estado dos Direitos Humanos dos Estados Unidos pode ler-se:

"De acordo com a sharia, tal como é interpretada no país, a actividade sexual entre duas pessoas do mesmo sexo é punível com a morte ou a flagelação. É ilegal para os 'homens se comportarem como mulheres' ou a vestir roupa de mulher e vice-versa. Houve poucos relatos de discriminação social, violência física, ou assédio com base na orientação sexual. Não existem organizações de lésbicas, gays, bissexuais e transexuais. Não há nenhuma discriminação oficial baseada na orientação sexual no emprego, habitação, nacionalidade ou acesso à educação ou à saúde. A orientação sexual pode constituir a base para o assédio, a chantagem, ou outras acções. Não foram reportados tais casos. "

A entrada continua: "Em 13 de Junho, a polícia Riyadh prendeu 67 homens das Filipinas por beberem álcool e se vestirem com roupas de mulher numa festa privada. (...). Em 2007, o jornal Okaz relatou a flagelação pública de dois homens na cidade de Al-Bahah após serem declarados culpados de sodomia. A sentença foi de 7.000 chicotadas."

ver também:

Porque estou aqui

Sinto-me privilegiado por ter encontrado na Igreja um lugar vazio, feito à minha medida. É certo que tê-lo encontrado (ou encontrá-lo renovadamente, pois não é dado adquirido) foi também mérito da minha sede, do meu empenho, de não baixar os braços e achar, passivamente, que não seria possível. Passo a contextualizar: a comunidade onde vou à missa é pequena e acolhedora, e podia bem não o ser. Ao mesmo tempo, sentia um desejo grande de reflexão de vida cristã e encontrei um casal (heterosexual) que tinha a mesma vontade. Começámo-nos a reunir semanalmente numa pequena comunidade de oração e reflexão que, apesar de crítica, nos tem ajudado a sermos Igreja e a nela nos revermos. Paralelamente, face ao contínuo desencanto em relação a algumas posturas e pontos de vista de uma Igreja mais institucional e hierárquica, tive a graça de encontrar um grupo de cristãos homossexuais, que se reuniam com um padre regularmente, sem terem de se esconder ou de ocultar parte de si.

Sei que muitos cristãos homossexuais nunca pensaram sequer na eventualidade de existirem grupos cristãos em que se pudessem apresentar inteiros, quanto mais pensarem poder tomar parte e pôr em comum fé, questões, procuras, afectos e vidas.

Por tudo isto me sinto grato a Deus e me sinto responsável para tentar chegar a quem não teve, até agora, uma experiência tão feliz como a minha.

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