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A diversidade na Igreja

"A casa do meu Pai tem muitas moradas", diz-nos Jesus no evangelho.

A unidade na diversidade não é sempre aparente na Igreja enquanto povo de Deus, mas é uma realidade em Deus e uma presença na fé cristã desde a sua origem. A Palavra de Deus não é partidária, elitista e exclusiva. O Reino de Deus é como uma árvore que estende os ramos para dar abrigo a todos os pássaros do céu. Cristo não morreu na cruz para salvar uma mão cheia de cristãos. Até o Deus Uno encerra em si o mistério de uma Trindade.

A Palavra de Deus é inequívoca e só pode levar à desinstalação, à abertura ao outro, e a recebê-lo e amá-lo enquanto irmão ou irmã. Ninguém fica de fora, nem mesmo - se tivessemos - os inimigos.

Muitos cristãos crêem nesta Igreja, nesta casa do Pai, corpo de Cristo, templo do Espírito Santo. Mas como esquecer que muitos se sentem "de fora" por se verem rejeitados, amputados e anulados, e afastam-se por ninguém lhes ter mostrado que há um lugar para cada um, com a totalidade do seu ser?

Um blogue para cristãos homossexuais que não desistiram de ser Igreja

Porquê este blogue?

Este blogue é a partilha de uma vida de fé e é uma porta aberta para quem nela quiser entrar. É um convite para que não desistas: há homossexuais cristãos que não querem recusar nem a sua fé nem a sua sexualidade. É uma confirmação, por experiência vivida, que há um lugar para ti na Igreja. Aceita o desafio de o encontrares!

Este blogue também é teu, e de quem conheças que possa viver na carne sentimentos contraditórios de questões ligadas à fé e à orientação sexual. És benvindo se, mesmo não sendo o teu caso, conheces alguém que viva esta situação ou és um cristão que deseja uma Igreja mais acolhedora onde caiba a reflexão sobre esta e outras realidades.

Partilha, pergunta, propõe: este blogue existe para dar voz a quem normalmente está invisível ou mudo na Igreja, para quem se sente só, diferente e excluído. Este blogue não pretende mudar as mentalidades e as tradições com grande aparato, mas já não seria pouco se pudesse revelar um pouco do insondável Amor de Deus ou se ajudasse alguém a reconciliar-se consigo em Deus.
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sábado, 7 de abril de 2018

Igreja é Comunhão

«Comunhão», um dos mais belos nomes da Igreja

Se nos pudéssemos lembrar sempre de que Cristo é comunhão ...

Ele não veio à Terra para criar mais uma religião, mas para dar a todos a possibilidade de uma comunhão em Deus. Os seus discípulos são chamados a, humildemente, ser fermento de confiança e de paz na humanidade.

Quando a comunhão entre os cristãos é uma vivência, e não uma teoria, transporta um brilho de esperança. Mais ainda: ela pode sustentar a indispensável busca da paz do mundo.

Assim sendo, como é que os cristãos podem continuar ainda separados?

A reconciliação dos cristãos é hoje urgente. Não pode ser eternamente adiada para mais tarde, até ao fim dos tempos.

Ao longo dos anos, a vocação ecuménica proporcionou partilhas extraordinárias. São as premissas de uma reconciliação. Mas quando a vocação ecuménica não se concretiza em comunhão, não leva a lado nenhum.

O Patriarca ortodoxo grego de Antioquia, Inácio IV, é o autor destas palavras impressionantes: «As nossas divisões tornam Cristo irreconhecível. Precisamos urgentemente de iniciativas proféticas que façam sair o ecumenismo dos meandros nos quais receio que se esteja a enterrar. Temos uma necessidade urgente de profetas e de santos que ajudem as nossas Igrejas a converterem-se através do perdão recíproco.» E o Patriarca apelava a que se «privilegiasse a linguagem da comunhão em vez da linguagem da jurisdição».

O papa João Paulo II, ao receber em Roma os responsáveis da Igreja Ortodoxa da Grécia, falava do «ecumenismo da santidade, que nos conduzirá por fim à comunhão plena, que não é nem uma absorção nem uma fusão, mas um encontro na verdade e no amor».

Na longa história dos cristãos, a certa altura, multidões de crentes deram por si separadas, por vezes sem sequer saberem porquê. Hoje é essencial fazer tudo para que o maior número possível de cristãos, frequentemente inocentes nessas separações, se descubram em comunhão.

Será que a Igreja pode dar sinais de grande abertura, tão grande que se possa constatar que os que no passado estavam divididos já não estão separados, mas vivem agora em comunhão?

Será dado um passo em frente quando se verificar que existe já uma vida de comunhão em alguns lugares do mundo. Será preciso coragem para o constatarmos e para nos adaptarmos. Os textos virão depois. Se privilegiarmos os textos, não acabaremos por nos distanciar da interpelação do Evangelho: «Vai primeiro reconciliar-te»?

São inúmeras as pessoas que desejam a reconciliação do fundo do coração. Aspiram a esta alegria infinita: um só amor, um só coração e uma só e mesma comunhão.

Sim, a comunhão é a pedra de toque. Ela nasce em primeiro lugar no coração de cada cristão, no silêncio e no amor. Começa, desde logo, no interior de cada pessoa.
Há cristãos que, sem esperar mais, vivem já reconciliados nos lugares onde se encontram, de forma muito humilde e simples.

Através das suas próprias vidas, gostariam de tornar Cristo presente para muitas outras pessoas. Sabem que a Igreja não existe para si mesma, mas para o mundo, para nele depositar um fermento de paz.

«Comunhão» é um dos mais belos nomes da Igreja: nela não há lugar para a brusquidão recíproca, mas apenas para a clareza, a bondade do coração, a compaixão...

Nesta comunhão única que é a Igreja, Deus dá-nos tudo para irmos às fontes: o Evangelho, a Eucaristia, a paz do perdão... E a santidade de Cristo deixa de ser inalcançável; está presente, muito próxima.

Permitam-me que volte a dizer que a minha avó materna descobriu, intuitivamente, uma espécie de chave da vocação ecuménica e que ela me abriu um caminho para a concretizar.

Depois da Primeira Guerra Mundial, habitava nela o desejo de que ninguém tivesse de viver aquilo que ela tinha vivido: na Europa, os cristãos tinham pegado em armas para combater uns contra os outros. Que ao menos eles se reconciliem para tentar impedir uma nova guerra, pensava ela. A minha avó era de origem evangélica mas, começando a reconciliação por si própria, começou a ir à igreja católica, sem, no entanto, romper com as pessoas da sua tradição.

Marcado pelo testemunho da sua vida, e ainda muito novo, encontrei a minha identidade de cristão seguindo as suas pisadas, reconciliando em mim mesmo a fé das minhas origens com o mistério da fé católica, sem quebrar a comunhão com ninguém.

Ir. Roger de Taizé
In "Não pressentes a felicidade?", ed. Paulinas
Publicado em Janeiro de 2015 in SNPC

domingo, 18 de março de 2018

Papa inspira os não-cristãos

Alexandra Lucas Coelho fala sobre o Papa

A jornalista e escritora Alexandra Lucas Coelho considera que «não é pouco» o que o papa «inspira em não-cristãos, talvez especialmente não-crentes», como também «não é pouco que muitos milhões de cristãos no mundo tenham em Francisco a sua referência de carne-e-osso».

«Nas palavras escolhidas» pelo papa há «uma qualidade rara da própria palavra, do verbo resgatado à usura, ao abuso», assinala a cronista em texto publicado esta sexta-feira no portal Sapo.

Depois de referir que Francisco «é o primeiro papa» que ouve «como um contrapoder», ao tornar-se «uma voz visceralmente avessa ao capitalismo contemporâneo, a voz de um outro futuro», Alexandra Lucas Coelho escreve: «Não acredito num Deus mas acredito em Francisco».

«Quem já tenha estado no meio de uma multidão a escutar Francisco é testemunha de como este papa tem uma extraordinária capacidade empática, que vem da postura, da voz, da entoação, da proximidade, ou humanidade, que consegue pôr no que diz, sem nada soar a falso, ou a esforço», assinala.

Ainda que parecendo distantes de realidades específicas, as mensagens do papa contêm «uma força que só por si é ação» e podem ser aplicadas a acontecimentos particulares, como acontece quando evoca «um modelo de progresso já ultrapassado» que «continua a produzir degradação humana, social e ambiental».

«Mesmo para tudo o que este ano ardeu em Portugal estas palavras cabem, têm sentido, experimentem aplicá-las aos incêndios tal como eles se deram. Muito do mundo hoje, em todas as suas veredas, cabe nas palavras de Francisco, e essa não é a sua virtude menor. Encontrarmo-nos tantos, e tão diferentes, no que ele diz», aponta.

Alexandra Lucas Coelho manifesta a esperança de que Francisco «ainda venha a ser a pessoa que fará da Igreja Católica uma instituição menos injusta, mais à altura do papa que hoje tem. E como nessa nova imaginação sonhada por ele fariam diferença contrapoderes assim à frente de outras crenças».

Edição: SNPC
Fonte: Sapo
30 de Dezembro de 2017

quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

O cristianismo e a Alegria

Rafael Cardoso
O cristianismo ou causa alegria, ou não é cristianismo

«Um cristão é um homem e uma mulher de alegria, um homem e uma mulher com alegria no coração. Não existe um cristão sem alegria», frisou hoje o papa, na missa a que presidiu, no Vaticano.

Aqueles a quem a alegria lhes é estranha «não são cristãos», reiterou Francisco, citado pela Rádio Vaticano, acrescentando: «Dizem sê-lo mas não o são. Falta-lhes qualquer coisa».

«O bilhete de identidade do cristão é a alegria, a alegria do Evangelho, a alegria de ter sido eleito por Jesus, salvo por Jesus, regenerado por Jesus; a alegria daquela esperança que Jesus nos antecipa, a alegria que, mesmo nas cruzes e nos sofrimentos desta vida, se exprime de outra maneira, que é a paz na segurança que Jesus nos acompanha, está connosco», afirmou.

«Quando nas nossas paróquias, nas nossas comunidades, nas nossas instituições, encontramos pessoas que se dizem cristãs e querem ser cristãs mas estão tristes, alguma coisa não está bem», acentuou.

Francisco também meditou sobre o trecho do Evangelho proclamado nas missas desta segunda-feira (Marcos 10, 17-27), em que um homem pergunta a Jesus o que é preciso para alcançar a vida eterna, obtendo como resposta a necessidade de dar todo o dinheiro aos pobres, escolha que o entristece e o leva a afastar-se.

Para o papa, o homem rico «não foi capaz de abrir o coração à alegria e escolheu a tristeza»: «Estava amarrado aos bens. Jesus tinha-nos dito que não se podem servir dois senhores: ou serves Deus ou serves as riquezas. As riquezas não são más em si mesmas; o que é mau é servir a riqueza».

«A admiração da alegria, o ser-se salvo de viver amarrado a outras coisas, às mundanidades – as muitas mundanidades que nos afastam de Jesus –, apenas se pode com a força de Deus», assinalou.

A homilia terminou com uma oração: «Peçamos hoje a Deus que nos dê a admiração diante dele, diante das muitas riquezas espirituais que nos deu; e com este espanto nos dê a alegria, a alegria da nossa vida e de viver em paz no coração as muitas dificuldades».

«Que Deus nos proteja de procurar a felicidade em tantas coisas que ao fim nos entristecem: prometem muito mas não nos darão nada. Recordai-vos bem: um cristão é um homem e uma mulher de alegria, de alegria no Senhor; um homem e uma mulher de admiração», concluiu Francisco. "

Por Rui Jorge Martins para SNPC

quarta-feira, 18 de outubro de 2017

Encontro com Cristo para católicas e católicos LGBT portugueses

O grupo de Católicas e Católicos LGBT organizou mais um Encontro no passado dia 1 de Outubro. Peço desculpa aos meus leitores por não ter estado atento para noticiar no blogue. De qualquer forma aqui fica a informação da página facebook, para que possam acompanhar os próximos encontros

108º Encontro

E aqui vai o link da página facebook dos Rumos Novos

quarta-feira, 10 de maio de 2017

Deus bem-me-quer

Ou a descoberta de um amor que liberta

Texto escrito a convite de Ricardo Passos para o seu livro "Love Box - A Sagração do Profano"

Os homossexuais não são indiferentes à ideia do Amor: também eles o concebem, experimentam, desejam e vivem. Se para alguns esta afirmação não traz nada de novo, para outros é polémica e provocadora. Poderia falar de muitos países e culturas que, nos dias de hoje, continuam a ignorar os direitos universais do ser humano ao torturar, criminalizar, perseguir e matar homens e mulheres pelo simples facto de serem homossexuais. Mas, mesmo em sociedades que fizeram avanços em questões de igualdade de tratamento, reconhecimento, legislação e defesa dos direitos de pessoas LGBTI (lésbicas, gays, bissexuais, trans ou intersexuais), o preconceito, a discriminação e o desconhecimento – para não dizer ignorância – estão longe da extinção (tal como a abolição da escravatura não erradicou o racismo e a xenofobia e as leis de igualdade de género não fizeram desaparecer o sexismo e o machismo da sociedade).

Em 2010 saiu na revista do jornal Público uma reportagem de Alexandra Lucas Coelho sobre uma realidade pouco conhecida e pouco falada em Portugal: os cristãos praticantes que são homossexuais. Um homossexual cristão vive neste ingrato limbo de ser considerado “bastardo” ou “profano” tanto pela Igreja como pela comunidade homossexual: na subcultura gay é visto como incompreensível, bizarro e incompatível que se possa ser crente, no meio eclesial católico (e no de outras confissões cristãs) é inaceitável e inconcebível que alguém se assuma e “viva como” gay.

Com vista a preparar esse trabalho a jornalista quis entrevistar-me. O contacto foi feito através de uma amiga que, conhecendo a minha condição homossexual, sabia que eu não abandonara a fé e a participação na vida da Igreja, nomeadamente num grupo de reflexão formado por gays cristãos. Ao ser entrevistado pela Alexandra apercebi-me que era urgente deixar uma porta aberta para homossexuais que viessem a ler a reportagem e, sendo cristãos, não tivessem a “sorte” de terem percorrido – ou encontrado alguém que os ajudasse a percorrer – um caminho de fé onde as dimensões da sua sexualidade e afectividade fossem bem integradas. Decidi então criar o blogue “Moradas de Deus”, que tem como subtítulo “um blogue para cristãos homossexuais que não desistiram de ser Igreja”. Os leitores podem aqui encontrar informação, ferramentas, e publicações relativas a uma questão que, apesar de ser muito pessoal, tem repercussões sociais e gera grande sofrimento e isolamento em muitos e muitas dos que vivem esta dupla condição de ser homossexual e crente.

Como chegar a este ponto de pacificação em que deixa de haver um combate constante e uma medição de forças entre consciência e razão? O que hoje é claro para mim, nem sempre o foi. Todos já teremos ouvido a frase “Ama a Deus acima de todas as coisas e ao próximo como a ti mesmo”. Foi Jesus quem resumiu nesta frase os mandamentos do Antigo Testamento, espelhando nesta forma tão “destilada” uma métrica pela qual a vida de qualquer cristão se deve reger. Mas amar ao próximo como a nós mesmos pressupõe que nos amemos a nós mesmos... Quanta gente vive esta angústia de não se amar a si mesmo?

Na minha experiência, a interiorização deste “ama ao outro como a ti mesmo” começou por uma descoberta simétrica: “ama-te a ti mesmo como amas ao outro”. Posso assumir que o meu caminho de auto-aceitação e de descoberta do auto-amor começou muito naturalmente pela aceitação dos outros, do Outro, da sua diversidade e da sua particularidade. Quando, na vida quotidiana, se vai “trabalhando” a receptividade face ao Outro, aceitando-O como é – abdicando de desejar que seja como nós queremos – a aceitação das suas características (aquilo que lhe é característico) torna-se evidente e natural. A homossexualidade será apenas uma das muitas características dessa pessoa.

Para um homossexual, amar-se a si mesmo passa invariavelmente pela aceitação da sua própria condição homossexual ou homoafectiva que, idealmente, o leva a viver a sua sexualidade de uma forma mais integrada e saudável – deixa de viver em negação ou reprimido, dominado pelo medo, sentimento de culpa ou vergonha. A aceitação da minha própria homossexualidade foi um percurso longo e menos evidente do que a aceitação da homossexualidade nos outros. Passou pela aceitação da minha totalidade, como um Ser totalmente criado e amado por Deus – se Deus é criador e me ama, não terá criado nem escolhido amar apenas uma parte “conveniente” de mim. Ocorreu uma espécie de “conversão”: outrora o meu amor por Deus surgia ainda toldado e limitado pelo receio e por escrúpulos, agora manifesta-se no próprio acolhimento e descoberta do Seu amor incondicional, completo, inclusivo e libertador. Foi fazer a transição entre um conceito fundado na minha própria capacidade ou incapacidade, força de vontade, fraqueza e estoicidade – uma atitude que, contrariamente ao que seria expectável, era pouco receptiva à Graça e à transcendência de Deus – e uma abertura radical a este amor gratuito e generoso de Deus. Um amor completo, fecundo e pleno, que sacia, sem condições, um amor por tudo aquilo que eu sou – alma, espírito, razão, sensibilidade, afectividade, corpo, sexualidade... Um amor que se incarna em mim, que não aprisiona, que me deixa voar, que quer que eu seja. Compreender este amor de Deus, levou-me a tentar amar-me como sou e não como idealizava ser, permitiu-me passar do plano das ideias e dos ideais para o plano da realidade. Saber que sou amado por Deus torna-me, assim, mais real. E este amor torna-me livre.

Muitas vezes, nesta etapa do caminho do auto-reconhecimento, um homossexual cristão depara-se com uma realidade visível da Igreja que não corresponde exactamente à sua vocação primordial de Mãe que congrega, ama e acolhe. O discurso mais oficial da Igreja é omisso, moralista, obcecado pelo carácter genital do acto sexual e alheado da riqueza da afectividade, do cultivo de um amor e da construção de uma vida em comum entre duas pessoas homossexuais. A voz da Igreja que mais se faz ouvir soa a inflexível, desrespeitadora, castradora e arrogante. E é aqui que um homossexual cristão se vê a repensar a pertinência de permanecer na Igreja. Muitos decidem então afastar-se, por sentirem que não são integralmente amados, queridos, estimados, escutados, apoiados, incluídos e acolhidos.

No meu caso nunca pesei seriamente esta questão. Sou crente e valorizo ter sido dotado de inteligência e de sentido crítico: procuro viver de forma esclarecida e consequente. Há muito que compreendi que a minha maior responsabilidade não é estar na Igreja, é ser Igreja. Eu preciso tanto da Igreja quanto ela precisa de mim, de todas as minhas características, dons e talentos. Sem mim a Igreja ficaria mais pobre, menos criativa, menos solidária, menos alegre, menos cultural, menos sensível, menos activa, menos inquieta, menos curiosa, menos exigente, menos aberta, menos acolhedora, menos artística, menos comunicativa, menos contemplativa, menos prática, menos gay... Faço falta à Igreja e, felizmente, vou tendo confirmações disso.

Em Portugal há padres e freiras que acompanham pessoas homossexuais cristãs. Enquanto os documentos oficiais da Igreja vão a passo de caracol, vão-se multiplicando as intervenções de figuras da hierarquia e de teólogos que incitam a uma urgência, seriedade e aprofundamento na reflexão sobre estas matérias. Termino com a tradução de alguns parágrafos da página de Internet da arquidiocese de Los Angeles, que me parecem ser uma lufada de ar fresco ao abandonarem o tom moralista do discurso da Igreja – que subestima e profana a dignidade dos cristãos homossexuais e a sacralidade do seu amor:

“Dentro da nossa Comunidade Católica existem muitas pessoas que são gays e lésbicas […] A Igreja ensina que uma orientação lésbica ou gay, por si só, não é pecado. Qualquer católico(a) que descobre que é lésbica ou gay continua a ser membro da Igreja e é chamado a participar na vida paroquial como qualquer outro católico. A pessoa que é gay ou lésbica não é menos que outro membro da Igreja e é chamado(a) a participar nas alegrias, dificuldades e desafios dos ensinamentos católicos sobre a sexualidade humana. A Igreja lamenta os distanciamentos e afastamentos que lésbicas e homossexuais experimentaram. O nosso ministério procura “aliviar” mal-entendidos ou diferenças e procura construir uma ponte de entendimento e de apoio para lésbicas e gays, suas famílias e seus amigos. […] Respeitaremos os seus direitos de privacidade e acolhê-lo(a)-emos como acolheríamos a Cristo.”

Rio Azur, autor do blogue Moradas de Deus

domingo, 12 de março de 2017

Um coro de Igreja junta a voz pelo seu maestro gay

Basta!!

Um artigo no Observador chamou-nos a atenção. Abaixo os nossos leitores poderão ler na íntegra o artigo.

Gostaríamos que o facto de um cristão ser gay nunca fosse um factor de exclusão. Acreditamos que o afastamento de bons cristãos de condição homossexual não é um fruto da caridade nem vai de encontro aos valores pregados no Evangelho. Bem pelo contrário, essas atitudes são alarmantes sinais de incoerência, de desamor, de um coração de pedra longe dos valores palpitantes e vivificantes que Jesus nos revela ao longo do seu ministério.

Gostaríamos de dizer ao João Maria e a quem de uma forma ou de outra se vai sentindo pouco amado pela Igreja - ou por alguns dos seus ministros ou fiéis - que, na medida das nossas possibilidades, estamos aqui de mão estendida, leigos, homossexuais, cristãos como vocês, e acreditamos que a Igreja tem uma palavra de amor para cada ser humano.

Aqui segue o artigo:
A revolta de um Coro de Igreja

sábado, 18 de janeiro de 2014

Reconciliação cristã

foto de Wolfgang Tillmans
Na semana de oração pela unidade dos cristãos, relembramos algumas palavras do fundador da comunidade ecuménica de Taizé

A reconciliação não espera

«Nesta comunhão única que é a Igreja, oposições antigas ou recentes dilaceram Cristo, no seu Corpo.

A luminosa vocação ecuménica é e será sempre realizar uma reconciliação sem demora.

Segundo o Evangelho, a reconciliação não espera: "Se fores apresentar uma oferta sobre o altar e ali te recordares de que o teu irmão tem alguma coisa contra ti, deixa a tua oferta e vai primeiro reconciliar-te com ele."

"Vai primeiro!" e não "deixa para mais tarde!"

O ecumenismo alimenta esperanças ilusórias, quando deixa a reconciliação para mais tarde. Imobiliza-se e encerra-se em si mesmo quando deixa que se criem caminhos paralelos nos quais se esgotam as forças vivas do perdão.

Mas onde encontrar o ardor de um amor que reconcilia? Onde? (...) A reconciliação é uma Primavera do coração. Sim, reconciliar-se sem demora, leva a esta descoberta: o nosso próprio coração transforma-se.»

Irmão Roger de Taizé
In Les sources de Taizé - Dieu nous veut heureux

Amar não é sonhar

O amor cristão é concreto

O papa Francisco vincou esta quinta-feira no Vaticano que o amor cristão, em particular o que é referenciado na primeira carta de João, proclamada hoje nas missas, é totalmente distinto daquele que é narrado nos folhetins que passam na televisão.

«Vede que o amor de que fala João não é amor das telenovelas! Não, é outra coisa. O amor cristão tem sempre uma qualidade: a concretude. O amor cristão é concreto. O próprio Jesus, quando fala do amor, fala-nos de coisas concretas: dar de comer aos famintos, visitar os doentes e muitas coisas concretas», apontou na missa a que presidiu, revela a Rádio Vaticano.

O excerto bíblico lido nas celebrações eucarísticas desta quinta-feira começa assim: «Nós devemos amar, porque Deus nos amou primeiro. Se alguém disser: “Amo a Deus” e odiar o seu irmão, é mentiroso. Quem não ama o seu irmão, que vê, não pode amar a Deus, que não vê».

Quando não há factos concretos que sustentem o amor, «pode viver-se um cristianismo de ilusões, porque não se compreende bem onde está o centro da mensagem de Jesus. Este amor não chega a ser concreto: é um amor de ilusões», sublinhou.

«Nós em Deus e Deus em nós: esta é a vida cristã. Não permanecer no espírito do mundo, não permanecer na superficialidade, não permanecer na idolatria, não permanecer na vaidade», acentuou Francisco.

Segundo o papa, o «primeiro critério» dos cristãos é «amar com as obras, não com as palavras. Palavras leva-as o vento. Hoje existem, amanhã não. O segundo critério de concretização é: no amor é mais importante dar do que receber. Quem ama, dá, dá… Dá coisas, dá vida, dá-se a si próprio a Deus e aos outros».

Pelo contrário, «quem não ama, quem é egoísta, procura sempre receber, procura sempre ter coisas, ter vantagens. Permanecer com o coração aberto, não como o dos discípulos, que estava fechado, que não compreendia nada».

Com estas palavras, o papa referia-se à leitura do Evangelho de hoje (cf. "Artigos relacionados"), quando os apóstolos se assustam ao ver Jesus a caminhar sobre o mar: «O seu espanto nasce de uma dureza de coração».

Rui Jorge Martins
in SNPC | 09.01.14

sábado, 2 de novembro de 2013

A política: forma elevada da caridade

Envolvimento na política «é uma obrigação para um cristão»

«Envolver-se na política é uma obrigação para um cristão», vincou o papa esta sexta-feira, ao responder a perguntas colocadas por algumas das nove mil crianças e jovens de escolas e movimentos Jesuítas com quem se encontrou no Vaticano. Os cristãos não podem «fazer de Pilatos, lavar as mãos»: «Devemos implicar-nos na política, porque a política é uma das formas mais elevadas da caridade, visto que procura o bem comum», frisou Francisco (…). «Os leigos cristãos devem trabalhar na política. Dir-me-ão: não é fácil. Mas também não o é tornar-se padre. A política é demasiado suja, mas é suja porque os cristãos não se implicaram com o espírito evangélico. É fácil atirar culpas... mas eu, que faço? Trabalhar para o bem comum é dever de cristão», apontou.

Francisco pediu aos participantes para se tornarem «homens e mulheres com os outros e para os outros, verdadeiros campeões no serviço aos outros». «Num mundo que tem tanta riqueza e tantos recursos para dar de comer a todos, não se pode compreender como há tantas crianças esfomeadas, tantas crianças sem educação, tantos pobres. A pobreza, hoje, é um grito. Todos nós devemos pensar se nos podemos tornar um pouco mais pobres», assinalou.

O papa sublinhou que «a esperança se encontra em Jesus pobre», e que ele é quem abre «a janela ao horizonte». Francisco afirmou ainda que não quis ser papa e explicou que prefere viver na Casa de Santa Marta, e não no Palácio Apostólico, como os seus antecessores, porque gosta de «estar entre as pessoas».

(…)
O elemento fundamental do ensino é fazer com que os estudantes aprendam a ter «o coração grande» e «grandes ideais», sublinhou Francisco, que não leu o discurso previamente redigido. (…) «Não se pode educar apenas na zona de segurança; isso é impedir que a personalidade cresça. Mas também não se pode educar apenas na zona de risco, que é demasiado perigoso», acrescentou.

Rui Jorge Martins
Com agências
in SNPC (texto) a 07.06.13

Uma profunda alegria

O louvor de Deus

«Nós, cristãos, não estamos muito habituados a falar de alegria», disse Francisco na missa a que presidiu no Vaticano (…). Depois de apontar que «muitas vezes» os cristãos têm mais gosto no lamento do que no contentamento, o papa salientou que «sem alegria» os crentes não podem ser «livres» (…).

O papa Paulo VI sublinhava que «não se pode levar adiante o Evangelho com cristãos tristes, abatidos» e «desencorajados», recordou Francisco. «Muitas vezes os cristãos têm mais cara de que estão num cortejo fúnebre do que estão a louvar a Deus», assinalou. O louvor a Deus, prosseguiu Francisco, concretiza-se «saindo de si próprio», «gratuitamente», como é gratuita a graça divina. (…)

As palavras de Francisco foram proferidas no dia em que os católicos evocam a visitação da Virgem Maria, grávida de Jesus, a Isabel, que apesar de idosa também se preparava para dar à luz João Batista. No evangelho das missas do último dia de maio é proclamado o Magnificat, canto de ação de graças a Deus pronunciado por Maria, figura que para o papa constitui modelo de louvor para a Igreja.

Rui Jorge Martins
in SNPC a 31.05.13

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Descer à realidade das próprias sombras

Para uma espiritualidade terrena

Quem ignora as suas necessidades, permite que a sua espiritualidade trace caminhos agressivos. A agressividade contra si mesmo conduz à dureza na relação com os outros. Quem reprime as suas próprias dúvidas, luta contra todos aqueles que não acreditam ou acreditam de forma diferente e contra aqueles que escolhem outro caminho espiritual.

Só quem encontra a coragem de descer ao reino das sombras da sua própria repressão se livra de tais divisões. E então passará a lidar de forma misericordiosa consigo e com os outros. Deixará de projetar o seu lado reprimido nos outros, e percorrerá com o caminho da mudança interna juntamente com eles.

Espiritualidade terrena significa ainda outra coisa para mim. Ela tem formas concretas. Ela não se passa apenas na cabeça ou nas emoções. Ela não está suspensa sobre a realidade, mas encontra na vida de todos os dias a sua expressão. Exprime-se em rituais purificadores e numa cultura de vida cristã.

Eu vejo hoje muitos cristãos que estão suspensos de Deus e das suas experiências profissionais. Mas a sua vida não espelha nada de Deus. A sua piedade não muda a sua vida. Ela não é visível no exterior. O caminho espiritual precisa de formas muito concretas para ser visível aos outros, mas acima de tudo para nos mudar.

Precisamos de uma cultura de vida cristã. O espírito quer tornar-se carne. A espiritualidade precisa de visibilidade. Se um pregador fala de amor de Deus, mas a sua face exprime brutalidade, não convence as pessoas. Não tem qualquer efeito se alguém delira de tão crente e confiante, e os seus ombros exprimem medo. As pessoas querem ver e experimentar espiritualidade.

(…)
Às pessoas, hoje, não interessa em primeira linha a verdade das palavras, mas a aparência de uma pessoa e aquilo que ela irradia. É no seu corpo, nos seus olhos, no seu contacto com as coisas, que se vê se ela está realmente penetrada pelo espírito de Deus.

Durante a celebração da missa e na própria sacristia, nota-se pela atitude do sacristão se existe espiritualidade na sua comunidade. Quando o cálice e os seus panos estão sujos, então sinto a falta de atenção, que se insinua também no encontro com Deus. Nesta paróquia celebram-se missas, mas fala-se de Deus de forma tão insensível, é-se tão pouco atencioso com os rituais e os objetos litúrgicos que isso não passa despercebido às pessoas. Não é naquilo que transmitimos que a nossa fé se torna visível, mas naquilo que somos, naquilo que transmitimos para o exterior.

A espiritualidade terrena de São Bento leva a Terra a sério. Aqui na Terra mostra-se se o Céu está aberto sobre nós. Na minha carne está escrito se Deus habita em mim. Na minha cultura de vida vê-se se eu sou espiritual ou não.

A espiritualidade terrena também tem um aspeto comum. Ela consegue - como Norbert Lohfink diz - uma cultura cristã contrária, uma cena espiritual alternativa. Ela tem um carácter público. Torna-se visível na forma como o serviço religioso é celebrado. Aí as pessoas podem observar espiritualidade ou não. A espiritualidade terrena é visível no aspeto dos edifícios, na forma como os quartos estão mobilados, como os jardins estão dispostos, como os hóspedes são recebidos, como as pessoas se relacionam entre si.

Para muitos, isto pode parecer tudo regulamentação interior. Mas São Bento alerta-nos hoje para nos protegermos de grandes palavras, quando estas não estão revestidas de vida. A palavra quer tornar-se carne. Cristo desceu dos Céus para tornar o Céu uma realidade terrena, para apresentar a Terra de forma mais habitável ou mais humana. A espiritualidade tem de se tornar terrena, para poder modificar a Terra.

Anselm Grün
In Bento de Núrsia, ed. Paulinas

segunda-feira, 13 de maio de 2013

Ama primeiro!

Dá o primeiro passo

Há séculos que o nosso Deus se nos adianta no amor. Há 2000 anos que Jesus nos precede e nos espera na Galileia, essa Galileia do primeiro encontro, essa Galileia que cada um de nós tem em algum lugar do coração. O sentirmo-nos precedidos e esperados acelera o ritmo do nosso caminhar para que o encontro aconteça mais depressa. O mesmo Deus que «nos amou primeiro» também é o Bom Samaritano que se faz próximo e nos diz (...) «Vai e procede da mesma maneira».

Simplesmente, fazer o que Ele faz: sê primeiro entre os teus irmãos no amor; não esperes ser amado, ama primeiro. Dá o primeiro passo. Esses passos que nos farão sair da sonolência (o não ter podido velar com Ele) ou de qualquer quietismo sofisticado. Passo de reconciliação, passo de amor. Dá o primeiro passo na tua família, dá o primeiro passo nesta cidade; faz-te próximo dos que vivem à margem do necessário para subsistir: cada dia são mais. Imitemos o nosso Deus, que nos precede e ama primeiro, realizando gestos de proximidade para os nossos irmãos que sofrem solidão, indigência, desemprego, exploração, falta de tecto, desprezo por serem migrantes, doença, isolamento entre os idosos. Dá o primeiro passo e leva, com a tua própria vida, o anúncio: Ele ressuscitou. Então colocarás, no meio de tanta morte, uma centelha de ressurreição, que Ele quer que tu leves. Então a tua profissão de fé será credível.
Card. Jorge Bergoglio (papa Francisco)
Vigília Pascal, 2000
In El verdadero poder es el servicio, ed. Claretianas
publicado por SNPC

domingo, 12 de maio de 2013

O cristão é uma pessoa inquietante

Ser cristão é entrar noutro mundo


Ser cristão é sair da calha social. Sempre o foi. Quando vivemos a fundo a verdade da Fé, entramos num mundo um pouco estranho. Num outro mundo do mundo. (...)
Um cristão a sério, um cristão a fundo, torna-se uma pessoa inquietante. Se isto não acontece, (...) assumimos um cristianismo que, no fundo, não passa de um resíduo de si mesmo.

Em certo sentido, é compreensível que assim seja: porque é complicado dar o (...) salto decisivo. (...) Nem toda a gente consegue assumir a solidão e o risco necessários para proceder a essa rutura, a essa metamorfose. Contudo, é por esse caminho de perigos que se espreita a felicidade.

A primeira diferença que deve constituir a identidade do cristão é a transparência do mundo: quem segue Cristo intui em tudo a presença de Deus, e cada momento da sua existência, por mais mínimo que seja, faz todo o sentido.
Aprender a ver o mundo entrevendo nele a Deus é um dos pontos mais difíceis da vida de um cristão. Porque a tendência é pensar coisas como: num mundo onde há crianças que morrem de fome onde poderá estar Deus? É curioso que nunca nos ocorre que essas crianças em muitos casos morrem de fome por nossa culpa: podíamos fazer por elas muito mais do que fazemos. Por isso mesmo, a pergunta não deveria ser "Onde está Deus?", mas sim "Onde estou eu?".

O papel da dor na vida humana é outra das estranhezas do cristianismo. Jesus chamava-lhe a Cruz. Mas não se trata de dores sem sentido, mas uma alavanca misteriosa de felicidade, um alicerce de eternidade.
(...) Não existe, para quem tem fé em Cristo, uma dor fechada em si mesma, no seu horror: pelo contrário, cada sofrimento vem acompanhado de uma felicidade, que se lhe segue e que é sempre mais plena, mais feliz do que a felicidade anterior.

Outra perplexidade colocada pelo cristianismo é a de ele supor que cada pessoa existe em fusão absoluta com todas as outras pessoas. Ao dizer «Ama o teu próximo como a ti mesmo», Cristo não estava a enunciar simplesmente um princípio de bondade, de solidariedade humana. Estava sim a afirmar algo de muito mais profundo: cada homem vive embebido nos outros homens. A realidade de que, em nós, devem caber todos os seres humanos é das mais difíceis de compreender na vida cristã.

Para Jesus cada pessoa existe para se dar, para se entregar, e não para realizar as suas ambições: esta é uma das convicções que também afasta os cristãos do pensamento habitual.
A ideia cristã é a de que nós nos percamos naquilo que fazemos. As pessoas que se centram em si próprias e nada de si dão aos outros não se obtêm a si mesmas, enquanto aqueles que a tudo e a todos se entregam acabam por, paradoxalmente, se conquistarem a si próprios.

Mais uma vez um princípio cristão estranho, surpreendente, acaba por se ver confirmado pela vivência concreta. Se queres saber quem és, entrega-te ao mundo e aos outros. Nesse caminho de perda de ti, contigo te encontrarás. Assim, se queres possuir uma coisa, terás de a dar.
Mas não é fácil aprender este caminho de dádiva: os primeiros passos doem, como se fossem dados contra a nossa natureza. Contudo, pouco a pouco, a nossa alma aprende a respirar a brisa encantadora da generosidade. E nada há que nós tenhamos dado que não nos seja devolvido por Deus em alegria, em plenitude, em profunda posse de tudo. Enquanto não nos dermos seremos um presente por abrir.

Gabriel Magalhães
In Espelho meu, ed. Paulinas
publicado por SNPC

segunda-feira, 11 de junho de 2012

A riqueza da diversidade

Sagrada Família, Barcelona
As diferenças entre cristãos são um problema ou uma riqueza?

Este artigo desenvolve uma passagem da «Carta 2012 – Rumo a uma nova solidariedade» na qual o irmão Alois de Taizé escreve:

Temos que reconhecer que nós, cristãos, ofuscamos muitas vezes a mensagem de Cristo. Concretamente, como podemos irradiar paz, quando permanecemos divididos entre nós?


O mundo actual entende o indivíduo como ponto de partida. Os nossos contemporâneos possuem um forte sentido da igualdade, ou pelo menos da parecença entre todos os seres humanos, e ficam impacientes com todas as distinções naturais ou culturais. Potencialmente, todos deveriam fazer tudo, serem livres de inventar a sua própria existência. Esta atitude leva, na vida concreta, a uma exaltação da diversidade. A identidade de todos parece ser algo garantido, mas, de forma mais concreta, é a pluralidade que mais importa.

Não surpreende que esta visão das coisas não favoreça a comunhão. Qual é o «cimento» capaz de voltar a ligar todas as unidades idênticas e separadas? Na vida da Igreja, acontece elogiar-se a diversidade de entendimentos, ao mesmo tempo que a unidade continua a ser teórica. Outros procuram, como reacção, impor uma uniformidade e excluir o que não entra no molde comum.

A visão bíblica permite sair deste impasse. Ela não parte do indivíduo, mas de um Deus de amor que chama os seres à existência (ver Rom 4,17). E ele não os chama de forma separada, mas para um projecto comum. Jesus Cristo revela-nos este projecto: que a humanidade acolha a própria vida de Deus, fonte de uma amizade universal, para formar um só Corpo (ver Col 3,15).

Nesta perspectiva, cada pessoa tem um papel insubstituível para desempenhar, dons únicos para fazer frutificar, mas sempre no interior de uma comunhão englobante. Eu não devo fazer tudo, ter tudo, uma vez que os outros suprem as minhas faltas. Eu preciso deles, porque não me poderei desenvencilhar sozinho. Ao mesmo tempo, o meu contributo é essencial para que todos caminhem para a frente.
São Paulo explica isso com a imagem muito conhecida do corpo (ver Rom 12,4-5; 1 Co 12). Esta metáfora liga uma grande diversidade a uma forte unidade. Se a mão quisesse ser cabeça a qualquer preço, ou o coração tornar-se um pé, o corpo não funcionaria. E mesmo os membros aparentemente mais insignificantes têm uma função absolutamente necessária. Com efeito, não se deve continuar a falar do membro maior ou do mais pequeno, uma vez que eles não concorrem entre si, mas de uma só vida, partilhada.

Um cristão não deve ter medo dos seus limites ou negar as diferenças que o constituem. Sabendo que ele não cria a sua existência sozinho, cabe-lhe descobrir os dons específicos que Deus lhe deu, para os pôr a dar frutos. Deve pôr estes dons ao serviço de todo o Corpo. Além disso, a mesma coisa é verdadeira para as diferentes comunidades cristãs. O seu «direito à diferença» apenas tem sentido no interior de um projecto global de Deus para «submeter tudo a Cristo» (Ef 1,10). Se perdermos de vista esta comunhão universal, as diferenças podem tornar-se um problema. No interior deste projecto, pelo contrário, elas tornam-se uma grande riqueza, reflexo das «várias graças de Deus» (1 Ped. 4,10).

in taize.fr

domingo, 1 de abril de 2012

A caridade sem preço, sem peso e sem fim

Se Deus é amor, a caridade não deve ter fim

Diz o Senhor no Evangelho de João: Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos, se tiverdes amor uns aos outros (Jo 13,35). E também se lê numa Carta do mesmo Apóstolo: Caríssimos, amemo-nos uns aos outros, porque o amor vem de Deus e todo aquele que ama nasceu de Deus e conhece Deus. Quem não ama, não chegou a conhecer Deus, pois Deus é amor (1Jo 4,7-8).

Examine-se a si mesmo cada um dos fiéis, e procure discernir com sinceridade os mais íntimos sentimentos de seu coração. Se encontrar na sua consciência algo que seja fruto da caridade, não duvide que Deus está com ele; mas esforce-se por tornar-se cada vez mais digno de tão grande hóspede, perseverando com maior generosidade na prática das obras de misericórdia.

Se Deus é amor, a caridade não deve ter fim, porque a grandeza de Deus não tem limites. Para praticar o bem da caridade, amados filhos, todo o tempo é próprio. Contudo, estes dias da Quaresma, a isso nos exortam de modo especial. Se desejamos celebrar a Páscoa do Senhor com o espírito e o corpo santificados, esforcemo-nos o mais possível por adquirir essa virtude que contém em si todas as outras e cobre a multidão dos pecados.

Ao aproximar-se a celebração deste mistério que ultrapassa todos os outros, o mistério do sangue de Jesus Cristo que apagou as nossas iniquidades, preparemo-nos em primeiro lugar mediante o sacrifício espiritual da misericórdia; o que a bondade divina nos concedeu, demo-lo também nós àqueles que nos ofenderam.

Seja, neste tempo, mais larga a nossa generosidade para com os pobres e todos os que sofrem, a fim de que os nossos jejuns possam saciar a fome dos indigentes e se multipliquem as vozes que dão graças a Deus. Nenhuma devoção dos fiéis agrada tanto a Deus como a dedicação para com os seus pobres, pois nesta solicitude misericordiosa ele reconhece a imagem de sua própria bondade.

Não temamos que essas despesas diminuam nossos recursos, porque a benevolência é uma grande riqueza e não podem faltar meios para a generosidade onde Cristo alimenta e é alimentado. Em tudo isso, intervém aquela mão divina que ao partir o pão o faz crescer, e ao reparti-lo multiplica-o.

Quem dá esmola, faça-o com alegria e confiança, porque tanto maior será o lucro quanto menos guardar para si, conforme diz o santo Apóstolo Paulo: Aquele que dá a semente ao semeador e lhe dará pão como alimento, ele mesmo multiplicará vossas sementes e aumentará os frutos da vossa justiça (2Cor 9,10), em Cristo Jesus, nosso Senhor, que vive e reina com o Pai e o Espírito Santo pelos séculos dos séculos. Amen.

S. Leão Magno
publicado por SNPC

A grande Semana dos cristãos

São dezenas os textos que tenho vindo a guardar e que nos ajudam a meditar o mistério da Paixão e da Páscoa. Ao longo desta Semana Santa, a grande semana dos cristãos, irei carregar o blogue com uma selecção de textos que ajudam a aprofundar os Mistérios que são o fundamento da nossa fé.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Carta de LGBT cristãos ao Papa Bento XVI

Uma carta escrita por cristãos LGBT em Maio de 2011, alertando o Papa da violação dos direitos humanos básicos das pessoas LGBT ...

Lê-la aqui.

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Carta aberta dos cristãos LGBT para Bento XVI

foto: Teleny
O fórum europeu de grupos cristãos LGBT elaborou uma carta aberta a Bento XVI que apela ao respeito pelos direitos humanos e o respeito pela verdadeira integridade das pessoas LGBT.

Em 10 de Junho de 2011, o Fórum Europeu de grupos cristãos de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Transgéneros e Transexuais redigiu uma carta ao Papa Bento XVI apelando ao respeito pelos direitos humanos e da verdadeira "integridade pessoal" das pessoas LGBT. O Fórum representa 44 grupos cristãos de 23 países europeus.

Com esta carta, o Fórum pede ao Papa que uma posição clara contra a violência homofóbica e contra qualquer pressão das autoridades religiosas se submeter a "terapia reparadora", que muitas vezes causam danos psicológicos significativos.

A carta foi apresentada ao público na Conferência Europeia "As pessoas homossexuais e transexuais e as igrejas cristãs na Europa", organizado por ocasião da EuroPride Roma. A conferência, organizada pelo grupo "Nova Proposta", em Roma, com o apoio de grupos cristãos em colaboração com o Fórum Europeu, teve como palestrante John McNeil, um dos fundadores da teologia gay, excluído pela ordem dos jesuítas por causa da sua homossexualidade.

Segue-se uma tradução livre para português do documento:

Uma carta aberta dos cristãos LGBT para Bento XVI ter em atenção os direitos humanos

Santo Padre, nós apelamos que condene a violência contra Gays, Lésbicas, Bissexuais, Transgéneros e Transexuais (LGBT) e pedimos a colaboração de Sua Santidade para a descriminalização dos atos homossexuais no mundo.

O silêncio de Sua Santidade muitas vezes é interpretado por pessoas que cometem atos de violência, tortura e assassinato como um parecer favorável às suas ações.

Por exemplo, em janeiro deste ano, David Kato, um ativista na luta pelos direitos LGBT, foi brutalmente assassinado no Uganda.

A violência, tortura e assassinato contra as pessoas LGBT são frequentes em diferentes partes do mundo e que muitas vezes os seus actores parecem convencidos que estão a respeitar a vontade da Igreja Católica .

Esta convicção é reforçada pelo fato de que em dezembro de 2008, a Santa Sé se recusou a apoiar a Declaração da ONU sobre orientação sexual e identidade de género.

A Declaração contém um parágrafo que apela a todos os Estados a assegurar que a orientação sexual ou identidade de género não podem ser em qualquer circunstância, a base para a aplicação de sanções penais, incluindo execuções, prisões ou detenções.

Apelamos pois a Sua Santidade, que forneça informações claras a todos os cristãos sobre as passagens bíblicas que são usados ​​para tentar justificar esses atos abomináveis.

Tal como as medidas a favor da escravidão, os versos usados para apoiar o assassinato de pessoas envolvidas em atividades sexuais com pessoas do mesmo sexo não devem ser interpretados literalmente.

Existe ainda uma forma de pressão de alguns membros do clero da Igreja Católica de Roma para que os cristãos LGB se submetam a "terapias reparadoras" para mudar a sua orientação sexual. Esta estratégia da Igreja e o pedido para que as pessoas LGBT vivam na castidade são a causa de muitas tragédias, incluindo suicídios e estados graves de depressão entre aqueles que heroicamente tentam observar e seguir os ensinamentos da Igreja.

Além disso, de acordo com estudos recentes da psiquiatria e da psicologia, a orientação sexual não pode ser mudado e essas tentativas muitas vezes resultam em graves danos psicológicos. Além disso, uma vida de castidade não pode ser forçada aqueles que não se sente dentro de si esta vocação.

Para os cristãos LGBT não pode ser negado o direito fundamental de um relacionamento amoroso, independentemente do sexo da pessoa amada.

Porque a ciência provou que a homossexualidade é uma variante da sexualidade, pedimos esta evidência científica esteja incluída nos ensinamentos da Igreja.

Assim, solicitamos que Sua Santidade não dê mais como uma indicação de que as pessoas homossexuais devem submeter-se ao tratamento, mas sim que eles têm direito a uma vida que também inclui uma relação amorosa como um sinal de lealdade.

Os benefícios sociais e pessoais disto são: uma vida feliz, saúde mental, a capacidade de dar o seu melhor no trabalho e em ajudar os outros.

Viver de outra forma, muitas vezes se transforma numa triste existência com uma série de tratamentos psicológico e psiquiátrico desnecessários, perda da fé em Deus, na humanidade e no amor, como evidenciado pelas cartas frequentes e bons exemplos de cristãos LGBT.

Mundialmente, muitas lésbicas, gays, transgéneros e transexuais vivem relações baseadas no amor, na fidelidade e na assistência mútua.

Assim como em relações heterossexuais maduras, o amor é essencialmente uma experiência espiritual e também física. Infelizmente, por causa do preconceito e da desinformação, muitas pessoas associam o conceito de homossexualidade só o amor físico.

No que diz respeito à declaração de Sua Santidade, em dezembro de 2008, sobre a necessidade de proteger a humanidade como o ecossistema de uma floresta tropical, após a mesma metáfora, podemos dizer que as pessoas LGBT são menos numerosas, mas uma espécie que se encontra constantemente no ecossistema e, como sabemos, cada espécie é importante e necessária para assegurar um equilíbrio criado por Deus.

Pedimos-lhe que reconsidere a posição da Igreja sobre as relações entre as pessoas do mesmo sexo e sobre pessoas transexuais, além de apoiar a aceitação e bênção destas relações no seio da Igreja.

Fazemos um apelo a Sua Santidade para que deixe de exercer pressão sobre os católicos para votarem contra leis que reconheçam as relações entre pessoas do mesmo sexo.

Relações entre pessoas do mesmo sexo ou com pessoas transexuais não são um perigo para a existência da família tradicional. Pelo contrário, vêem apoiar e reforçar os valores da família e do casamento. As pessoas LGBT representam apenas uma pequena percentagem da população, número que permanece constante ao longo dos tempos.

A experiência de não aceitação de jovens LGBT por parte de suas famílias e da Igreja, quase sempre leva a problemas no desenvolvimento de suas personalidades. As consequências são muitas vezes dramáticas e podem resultar, por exemplo, em tentativas desesperadas para entrar em casamentos heterossexuais, para mascarar a sua orientação sexual ou a escolher a vida religiosa, mesmo sem vocação.

Tendo em conta os motivos que temos apresentado, compreende-se como criar ambiente seguro e acolhedor, permitindo que as pessoas LGBT sejam elas próprios, é importante para a sociedade em geral.

O Catecismo da Igreja Católica diz que os homossexuais devem ser tratados com compaixão, respeito e sensibilidade. Respeito e sensibilidade deve ser concedido a todos, independentemente da orientação sexual ou identidade de género. Se fosse realmente assim, a compaixão não seria necessária. Os comportamentos e pontos de vista homofóbicos são particularmente dolorosos quando agitados por aqueles que se afirmam cristãs, seja seculares ou religiosos, e certamente não são uma forma de respeito.

Deus abençoe a Sua Santidade

Berlim, 7 de maio de 2011

Diane Xuereb (Holanda / Malta) - Dr. Michael Brinkschröder (Alemanha)

(Co-Presidentes dos Grupos do Fórum Europeu de Cristãos Lésbicas, Gays, Bissexuais, Transgéneros e Transexuais em nome dos grupos membros)



Mais informações em: www.euroforumlgbtchristians.eu
in Portugalgay

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Viver como cristãos a condição homossexual pode ser lido no blogue

Jacob lutando com o anjo, Alexandre Louis Leloir, 1865
A conferência do passado mês de Janeiro, inserida nos Encontros do Lumiar e organizada pelas Monjas Dominicanas, com o tema "Viver como cristãos a condição homossexual" já se encontra entre os Documentos em destaque do moradasdedeus (ler aqui). Note-se que a publicação desta pode ser adquirida por €2 na casa das irmãs e na Capela do Rato.

Monjas Dominicanas http://www.monjasoplisboa.com/

domingo, 20 de março de 2011

Acolhimento dos homossexuais na Igreja católica

Deus Cidadão e Cidadania Cristã

Na passada sexta-feira o Metanoia (Movimento Católico de Profissionais) promoveu um encontro dentro do tema Deus Cidadão e Cidadania Cristã. Lamentavelmente não o soube atempadamente para divulgar neste blogue, já que o tema me parece bastante oportuno para o teor do moradasdedeus.

O encontro foi preparado por três mulheres e congratulo-me por este estar a ser um ano em que o tema da homossexualidade tem passado o umbral das portas da Igreja em Portugal: recorde-se o encontro Fé e Cultura organizado pelos Jesuítas para o próximo dia 9 de Abril (ler mais aqui) e o Encontro do Lumiar (Na Fronteira de Deus e do Mundo), intitulado "Viver como cristão - a condição homossexual" no dia 8 de Janeiro (ler mais aquiaqui e aqui).

Cito um texto sobre Deus Cidadão e Cidadania Cristã:

"Evangelizar um homem é dizer-lhe: “Tu és amado por Deus, no Senhor Jesus Cristo”. E não é apenas dizê-lo, mas pensá-lo realmente. E não é apenas pensá-lo, mas tratar esse homem de forma a que ele o sinta e descubra em si qualquer coisa de grande, qualquer coisa de maior, e assim desperte para uma nova consciência de si próprio – de filho de Deus e irmão de todos os homens. Isto é anunciar-lhe a Boa Nova!
Autor desconhecido

As nossas aproximações a muitos temas começam pelo amor concreto aos que nos são mais queridos. Na proximidade afectiva, ultrapassamos o desconhecido e vamos ao encontro do outro. O seu mundo torna-se-nos próximo, só porque é seu. E a realidade daquilo que vive, até então abstracta e obscura para nós, vem
iluminar o nosso olhar. Se reconhecemos no outro morada de Deus, no mesmo movimento em que nos convertemos [voltamos] para o outro, convertemo-nos [voltamo-nos] para Deus. Através do outro, Deus chama-nos a ir ao Seu encontro.

Esta experiência é única, porque Deus faz-se presente em cada uma e cada um de nós, e nos chama a ir sempre mais longe. Comecemos pela proximidade afectiva, se nos for mais fácil no início, e não paremos por aí. O caminho é longo, mas o convite faz-se presente a cada instante.

No próximo encontro do Metanoia queremos trazer à reflexão o acolhimento das mulheres e homens homossexuais no seio da Igreja. Abordemos a possibilidade de as orientações da Igreja levarem, algumas vezes, a afastamentos e pertenças perdidas. Mas não fiquemos presos a essa possibilidade. Deus não se faz perdido nem distante, faz-se encontrado e próximo – em quaisquer circunstâncias.

O convite a esta reflexão é um convite à reconciliação e ao apaziguamento.

Tertuliano dizia que não nascemos cristãos, tornamo-nos cristãos. Mas não nos tornamos cristãos apenas no Baptismo. Tornamo-nos cristãos pelo acolhimento, pelo encontro com o outro. Só assim acolhemos a Cristo – cuja própria vida é uma sucessão de encontros. Acolher o desconhecido é também acolher a Deus no seu
mistério.


Procuremos ter sobre o outro um olhar reflexivo – que reflicta a Luz recebida. Ao procurar o olhar de Cristo, confiamos: Deus ama-me pelo que sou. O Deus cidadão convida – com vida – a uma cidadania cristã. Aos olhos de Deus possuímos a mesma dignidade e somos iguais. Deus não exclui, inclui. Deus não fractura, une.
Deus não divide, partilha.


Princípio da Igualdade
1. Todos os cidadãos têm a mesma dignidade social e são iguais perante a lei.
2. Ninguém pode ser privilegiado, beneficiado, prejudicado, privado de
qualquer direito ou isento de qualquer dever em razão de ascendência, sexo,
raça, língua, território de origem, religião, convicções políticas ou ideológicas,
instrução, situação económica, condição social ou orientação sexual.
Constituição da República Portuguesa, Artigo 13.º

Deus, que se faz igual através do Seu Filho, habita o princípio da Igualdade.

Importa viver o Amor enquanto encontro sério, compromisso de união e de partilha. O Amor não começa nem termina na conjugalidade – homossexual ou heterossexual – ou no celibato – também ele homossexual ou heterossexual. O Amor não começa nem termina na orientação sexual. O Amor começa e termina em Deus. É vivido no encontro. Na abertura ao outro. Nas nossas relações. Porque todos somos chamados ao Amor. Em Cristo.

Propomos que a preparação para este encontro comece por dentro, na procura do olhar reflexivo. E que prossiga com uma pesquisa de temas relacionados com o acolhimento das mulheres e homens homossexuais no seio da Igreja, com palavras-chave como: “homossexualidade e catolicismo”, “igreja católica e pessoas
homossexuais”. No site oficial do Vaticano, podem ser consultados os seguintes documentos oficiais: “Carta aos Bispos da Igreja Católica sobre o Cuidado Pastoral das Pessoas Homossexuais”, “Considerações sobre os Projectos de Reconhecimento Legal das Uniões entre Pessoas Homossexuais”. Sobre uma
temática mais específica mas relacionada, a revista Viragem nº 52 inclui o artigo “Os homossexuais podem ser padres?”, de Timothy Radcliffe. (...)"

Mais sobre Metanoia – Movimento Católico de Profissionais:
metanoia.mcp@gmail.com
www.metanoia-mcp.org

Porque estou aqui

Sinto-me privilegiado por ter encontrado na Igreja um lugar vazio, feito à minha medida. É certo que tê-lo encontrado (ou encontrá-lo renovadamente, pois não é dado adquirido) foi também mérito da minha sede, do meu empenho, de não baixar os braços e achar, passivamente, que não seria possível. Passo a contextualizar: a comunidade onde vou à missa é pequena e acolhedora, e podia bem não o ser. Ao mesmo tempo, sentia um desejo grande de reflexão de vida cristã e encontrei um casal (heterosexual) que tinha a mesma vontade. Começámo-nos a reunir semanalmente numa pequena comunidade de oração e reflexão que, apesar de crítica, nos tem ajudado a sermos Igreja e a nela nos revermos. Paralelamente, face ao contínuo desencanto em relação a algumas posturas e pontos de vista de uma Igreja mais institucional e hierárquica, tive a graça de encontrar um grupo de cristãos homossexuais, que se reuniam com um padre regularmente, sem terem de se esconder ou de ocultar parte de si.

Sei que muitos cristãos homossexuais nunca pensaram sequer na eventualidade de existirem grupos cristãos em que se pudessem apresentar inteiros, quanto mais pensarem poder tomar parte e pôr em comum fé, questões, procuras, afectos e vidas.

Por tudo isto me sinto grato a Deus e me sinto responsável para tentar chegar a quem não teve, até agora, uma experiência tão feliz como a minha.

Este blogue também é teu

São benvindos os comentários, as perguntas, a partilha de reflexões e conhecimento, as ideias.

Envia o link do blogue a quem achas que poderá gostar e/ou precisar.

Se não te revês neste blogue, se estás em desacordo com tudo o que nele encontras, não és obrigado a lê-lo e eu não sou obrigado a publicar os teus comentários. Haverá certamente muitos outros sítios onde poderás fazê-lo.

Queres falar?

Podes escrever-me directamente para

rioazur@gmail.com

ou para

laioecrisipo@gmail.com (psicologia)


Nota: por vezes pode demorar algum tempo a responder ao teu mail: peço-te compreensão e paciência. A resposta chegará.

Os textos e as imagens

Os textos das mensagens deste blogue têm várias fontes. Alguns são resultados de pesquisas em sites, blogues ou páginas de informação na Internet. Outros são artigos de opinião do autor do blogue ou de algum dos seus colaboradores. Há ainda textos que são publicados por terem sido indicados por amigos ou por leitores do blogue. Muitos dos textos que servem de base às mensagens foram traduzidos, tendo por vezes sofrido cortes. Outros textos são adaptados, e a indicação dessa adaptação fará parte do corpo da mensagem. A maioria dos textos não está escrita segundo o novo acordo ortográfico da língua portuguesa, pelo facto do autor do blogue não o conhecer de forma aprofundada.

As imagens que ilustram as mensagens são retiradas da Internet. Quando se conhece a sua autoria, esta é referida. Quando não se conhece não aparece nenhuma referência. Caso detectem alguma fotografia não identificada e conheçam a sua autoria, pedimos que nos informem da mesma.

As imagens são ilustrativas e não são sempre directamente associáveis ao conteúdo da mensagem. É uma escolha pessoal do autor do blogue. Há um critério de estética e de temática ligado ao teor do blogue. Espero, por isso, que nenhum leitor se sinta ofendido com as associações livres entre imagem e conteúdo.

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