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A diversidade na Igreja

"A casa do meu Pai tem muitas moradas", diz-nos Jesus no evangelho.

A unidade na diversidade não é sempre aparente na Igreja enquanto povo de Deus, mas é uma realidade em Deus e uma presença na fé cristã desde a sua origem. A Palavra de Deus não é partidária, elitista e exclusiva. O Reino de Deus é como uma árvore que estende os ramos para dar abrigo a todos os pássaros do céu. Cristo não morreu na cruz para salvar uma mão cheia de cristãos. Até o Deus Uno encerra em si o mistério de uma Trindade.

A Palavra de Deus é inequívoca e só pode levar à desinstalação, à abertura ao outro, e a recebê-lo e amá-lo enquanto irmão ou irmã. Ninguém fica de fora, nem mesmo - se tivessemos - os inimigos.

Muitos cristãos crêem nesta Igreja, nesta casa do Pai, corpo de Cristo, templo do Espírito Santo. Mas como esquecer que muitos se sentem "de fora" por se verem rejeitados, amputados e anulados, e afastam-se por ninguém lhes ter mostrado que há um lugar para cada um, com a totalidade do seu ser?

Um blogue para cristãos homossexuais que não desistiram de ser Igreja

Porquê este blogue?

Este blogue é a partilha de uma vida de fé e é uma porta aberta para quem nela quiser entrar. É um convite para que não desistas: há homossexuais cristãos que não querem recusar nem a sua fé nem a sua sexualidade. É uma confirmação, por experiência vivida, que há um lugar para ti na Igreja. Aceita o desafio de o encontrares!

Este blogue também é teu, e de quem conheças que possa viver na carne sentimentos contraditórios de questões ligadas à fé e à orientação sexual. És benvindo se, mesmo não sendo o teu caso, conheces alguém que viva esta situação ou és um cristão que deseja uma Igreja mais acolhedora onde caiba a reflexão sobre esta e outras realidades.

Partilha, pergunta, propõe: este blogue existe para dar voz a quem normalmente está invisível ou mudo na Igreja, para quem se sente só, diferente e excluído. Este blogue não pretende mudar as mentalidades e as tradições com grande aparato, mas já não seria pouco se pudesse revelar um pouco do insondável Amor de Deus ou se ajudasse alguém a reconciliar-se consigo em Deus.
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domingo, 18 de março de 2018

Sacramentos aos recasados: a posição da Arquidiocese de Braga

Arquidiocese de Braga “abre” sacramentos a divorciados recasados

in Observador

A Arquidiocese de Braga vai constituir um grupo para acompanhamento dos cristãos que se divorciaram e voltaram a casar, abrindo-lhes a possibilidade do acesso aos sacramentos.

A Arquidiocese de Braga vai constituir um grupo para acompanhamento dos cristãos que se divorciaram e voltaram a casar, abrindo-lhes a possibilidade do acesso aos sacramentos, foi anunciado esta quarta-feira

Em nota publicada na sua página, a Arquidiocese refere que a decisão de constituir aquele grupo foi aprovada, por unanimidade, no Conselho Presbiteral, em que foram definidas orientações para a renovação da Pastoral Familiar.

O grupo que irá acompanhar os divorciados recasados será composto por leigos e sacerdotes.

“Para além de informar e aconselhar sobre processos de declaração de nulidade do matrimónio, a equipa irá acompanhar cada caso, para que, após um processo de discernimento pessoal, seja reavaliado o acesso aos sacramentos e a possibilidade de virem a ser padrinhos/madrinhas”, acrescenta a nota.

O objetivo da resolução, sublinha, “passa por integrar a pessoa na comunidade cristã, após um verdadeiro processo de discernimento, que conduzirá a uma conversão, um trabalho sério da consciência”.

“Há que evitar dar a entender que se trata de uma ‘autorização’ geral para aceder aos sacramentos. De facto, trata-se de um processo de discernimento pessoal, no foro interno, acompanhado por um pastor com encontros regulares, que ajuda a distinguir adequadamente cada caso singular à luz do ensinamento da Igreja”, pode ler-se no documento intitulado “Construir a Casa sobre a Rocha”, que será divulgado em breve.


O documento vai de encontro à exortação apostólica “Amoris Laetitia” (Alegria do Amor), do papa Francisco.

No documento da Arquidiocese de Braga, é ainda reforçada a importância e responsabilidade da Pastoral Familiar na preparação matrimonial e no acompanhamento dos casais nos primeiros anos de vida conjugal.

São sugeridas algumas ações baseadas nas propostas apresentadas pelo papa, como a realização de reuniões de casais, retiros, conferências de especialistas sobre problemáticas da vida conjugal e familiar, espaços de espiritualidade, preparação de agentes pastorais para falar com os casais acerca das suas dificuldades e aspirações e escolas de formação para pais.

Polémica dos divorciados e da abstinência sexual

Divorciados, abstinência sexual e Igreja. 8 perguntas para perceber a polémica

por João Francisco Gomes a 8 de fevereiro de 2018 no Observador

Como começou a polémica sobre os divorciados recasados?

Em 2016, depois do Sínodo da Família, o Papa Francisco publicou a exortação apostólica Amoris laetitia, dedicada às questões da família. Neste extenso documento, o pontífice recorda a doutrina da Igreja Católica sobre a família — designadamente sobre a indissolubilidade do matrimónio –, mas sublinha, a dada altura, que “um pastor não pode sentir-se satisfeito apenas aplicando leis morais àqueles que vivem em situações ‘irregulares’, como se fossem pedras que se atiram contra a vida das pessoas”.

“Por causa dos condicionalismos ou dos factores atenuantes, é possível que uma pessoa, no meio de uma situação objetiva de pecado — mas subjetivamente não seja culpável ou não o seja plenamente –, possa viver em graça de Deus, possa amar e possa também crescer na vida de graça e de caridade, recebendo para isso a ajuda da Igreja”, continua Francisco. O Papa refere-se aqui, entre outros, às situações dos católicos casados pela Igreja que, tendo-se divorciado, tornaram a casar sem que lhes tenha sido declarado nulo o matrimónio.

Nesta frase, Francisco coloca uma nota de rodapé que está no centro de toda a discussão que se originou a partir dali: “Em certos casos, poderia haver também a ajuda dos sacramentos“. Francisco acrescenta mais, lembrando as suas próprias declarações na exortação apostólica Evangelii gaudium, de 2013: “Aos sacerdotes, lembro que o confessionário não deve ser uma câmara de tortura, mas o lugar da misericórdia do Senhor” e a Eucaristia “não é um prémio para os perfeitos, mas um remédio generoso e um alimento para os fracos”.

A expressão “ajuda dos sacramentos” marcou o debate em torno daquele documento, que é já o mais citado do Papa. Para os setores mais progressistas, era um sinal de que o pontífice mostrava uma inédita abertura para admitir os divorciados recasados aos sacramentos. Para os mais tradicionalistas, uma afronta aos valores milenares dos sacramentos, sobretudo à comunhão.
Teólogos conservadores acusam papa Francisco de espalhar a heresia

Nunca como por causa deste documento — e daquele capítulo em concreto — o Papa tinha sido tão criticado. Primeiro, quatro importantes cardeais (incluindo o norte-americano Raymond Burke, um dos principais críticos do Papa) assinaram uma carta a exigir esclarecimentos. Depois, teólogos e padres de todo o mundo entraram em rota de colisão com Francisco, publicando um documento a acusar Francisco de “propagar heresias” com aquelas afirmações.

Desde então, a discussão em torno dos divorciados que voltam a casar tem dominado a maioria das discussões públicas em torno do pontificado de Francisco, sendo atualmente o ponto de maior discórdia entre os setores mais progressistas e os mais tradicionalistas da Igreja Católica.

Afinal, o que defende o Papa Francisco que seja feito nestes casos?
A exortação apostólica Amoris Laetitia não indica ações concretassobre como levar a cabo esta integração dos divorciados recasados. Como explica ao Observador o padre Rui Pedro Carvalho, diretor do serviço de pastoral familiar do patriarcado de Lisboa, “o Papa Francisco tem sublinhado a importância de colocar o ónus no confessor, no padre, que conhece bem os casos concretos”.

Uma coisa, contudo, ficou clara naquela exortação apostólica: para o Papa, era necessário acabar com a ideia de que a Igreja está de costas voltadas para os divorciados recasados. “Por pensar que tudo seja branco ou preto, às vezes fechamos o caminho da graça e do crescimento e desencorajamos percursos de santificação que dão glória a Deus”, escreveu Francisco.

O problema residia precisamente no facto de não haver normas concretas, orientações relativas à ação dos padres nestes casos. Não tardaram a surgir interpretações de bispos de todo o mundo: uns achavam que o documento lhes dava abertura para emitir normas para a admissão dos divorciados aos sacramentos, outros não tinham a certeza do que deviam fazer.
Cinco mensagens do Papa sobre a família

Foi então que os bispos da região pastoral de Buenos Aires escreveram uma carta aos padres da sua diocese, intitulado “Critérios básicos para a aplicação do capítulo VIII de Amoris laetitia“. Na carta, os bispos esclarecem, em 10 pontos, qual deve ser a ação dos padres no acompanhamento dos casais nesta situação.

Os bispos argentinos sublinham que não se trata de uma “autorização” para aceder aos sacramentos, mas “sim de um processo de discernimento acompanhado por um pastor”. Até porque, notam os prelados, “este caminho não acaba necessariamente nos sacramentos, mas pode orientar-se para outras formas de se integrar mais na vida da Igreja”.

A mesma carta sublinha que a exortação apostólica do Papa Francisco “abre a possibilidade de acesso aos sacramentos da Reconciliação e da Eucaristia”, nos casos “mais complexos” em que não é possível obter uma declaração de nulidade do matrimónio. “Mas há que evitar entender esta possibilidade como um acesso irrestrito aos sacramentos, ou como se qualquer situação o justificasse“, avisam. Tudo depende do “caminho de integração” acompanhado por um pastor.

Esta carta, que à primeira vista apenas contém normas destinadas aos padres argentinos, reveste-se de singular importância, porque no dia em que foi escrita — 5 de setembro de 2016 — foi enviada também ao Papa Francisco, que respondeu no próprio dia. Na resposta, o pontífice felicita os bispos “pelo trabalho que tiveram”, considerado “um verdadeiro exemplo de acompanhamento aos sacerdotes”.
Divorciados recasados: Afinal, um debate tão antigo como a Igreja

Francisco foi ainda mais longe, ao afirmar: “O escrito é muito bom e explicita cabalmente o sentido do capítulo VIII de Amoris laetitia. Não há outras interpretações. Estou seguro de que fará muito muito bem. Que o Senhor lhes retribua esta esforço de caridade pastoral”.

“Não há outras interpretações.” A expressão deu, de súbito, relevância mundial àquela carta dos bispos argentinos. De todas as interpretações que já tinham surgido, aquela aparecia agora como a única a merecer aprovação papal.

A aprovação formalizou-se já no final de 2017, quando o Papa declarou que aquela carta passava a fazer parte do Magistério da Igreja. Ou seja, a explicação dos bispos de Buenos Aires foi adotada pelo Vaticano e publicada oficialmente nos escritos legais da Santa Sé. A partir desse momento, a posição oficial do Vaticano sobre o assunto passou a ser aquela: em certos casos, dependendo do discernimento de cada cristão em conjunto com o pastor, é mesmo possível para os divorciados recasados terem acesso aos sacramentos.

Em que casos é que a Igreja admite o acesso aos sacramentos?

O próprio Papa Francisco reconhece que os divorciados recasados “podem encontrar-se em situações muito diferentes, que não devem ser catalogadas ou encerradas em afirmações demasiado rígidas“.

“Uma coisa é uma segunda união consolidada no tempo, com novos filhos, com fidelidade comprovada, dedicação generosa, compromisso cristão, consciência da irregularidade da sua situação e grande dificuldade para voltar atrás sem sentir, em consciência, que se cairia em novas culpas”, escreve Francisco. Nestes casos, há “motivos sérios” que justificam que a nova união não seja quebrada, admite a Igreja.

Noutros casos, continua o Papa, há aqueles “que fizeram grandes esforços para salvar o primeiro matrimónio e sofreram um abandono injusto“, e também os que, como lembrava João Paulo II, “contraíram uma segunda união em vista da educação dos filhos, e, às vezes, estão subjetivamente certos em consciência de que o precedente matrimónio, irremediavelmente destruído, nunca tinha sido válido”.
Papa Francisco. “Os divorciados não estão excomungados, são sempre parte da Igreja”

No entanto, o Papa sublinha que há outro tipo de situações, como “uma nova união que vem de um divórcio recente, com todas as consequências de sofrimento e confusão que afetam os filhos e famílias inteiras, ou a situação de alguém que faltou repetidamente aos seus compromissos familiares“.

O padre Rui Pedro Carvalho, diretor do serviço de pastoral familiar do Patriarcado de Lisboa, diz que “é difícil tipificar”, uma vez que “há uma realidade composta por muitos casos diferentes“, mas lembra que a questão da culpa é um critério importante para definir que pessoas estão em causa neste esforço de integração.

“É muito diferente a parte que favorece a quebra do casamento da parte que é abandonada”, explica o sacerdote, sublinhando que, quer o documento do Papa Francisco, quer o documento mais recente, publicado por D. Manuel Clemente, são muito claros “ao falar da especificidade de cada caso”.

Em todos os casos, trata-se de pessoas que contraíram matrimónio na Igreja Católica, se divorciaram e tornaram a casar civilmente, mantendo a união inicial aos olhos da Igreja. Por isso, explica Rui Pedro Carvalho, “o Tribunal Eclesiástico pode ser uma ajuda, uma vez que alguns destes casamentos podem ser declarados nulos”. Mas esta situação só se verifica em alguns casos. Noutros, é necessário “encontrar outros caminhos de integração“.

O que faz a Igreja para facilitar as declarações de nulidade do matrimónio?

Para fazer face às enormes dificuldades em declarar a nulidade de um matrimónio, o Papa Francisco escreveu, em 2015, uma carta apostólica em que alterou as regras do processo, tornando-o mais célere. Se até então era necessário que fossem proferidas sentenças em duas instâncias para que o casamento fosse declarado nulo, passou a bastar uma. E os bispos passaram a poder recorrer ao processo breve, em casos em que os motivos para a nulidade sejam facilmente comprováveis.

O processo passou a ser gratuito (à exceção dos custos administrativos) e passou a ter um prazo máximo de 45 dias no caso de se tratar do processo breve.

“Tanta gente espera anos por uma sentença, que confirmem ‘sim, é verdade, o teu matrimónio é inválido’ ou que diga ‘não, o teu matrimónio é válido’. Alguns procedimentos são tão demorados e tão densos que alguns acabam mesmo por abandonar os processos”, lamentava, na altura, o Papa.
Nulidade do casamento católico. Saiba o que mudou

O padre Rui Pedro Carvalho confirma, sublinhando que os processos se tornaram mais céleres no Patriarcado de Lisboa. “Um ou dois anos“, para os processos normais, explica o sacerdote, lembrando que antes desta alteração das regras os processos tinham de ir para a arquidiocese de Évora, para serem julgados em segunda instância.

O sacerdote lembra, porém, que a nulidade do matrimónio não é decretada em todos os casos de divórcio. “O que se faz no processo é muito simples: olha-se para o momento do vínculo para perceber se naquele ‘sim’ estavam reunidos todos os elementos necessários ao casamento católico. Em alguns casos, o casamento foi mesmo válido, não pode ser declarado nulo“, explica. É nesses casos que se devem procurar os tais “caminhos de integração” alternativos de que Francisco fala na exortação apostólica, que podem passar pelo acesso aos sacramentos.

Ainda assim, no final de 2016, um ano depois da entrada em vigor das novas regras, o número de pedidos de nulidade aumentou: em 2015, foram registados 129 processos, número que em 2016 subiu para 196.

Porque é que o cardeal-patriarca escreveu agora este documento?

Precisamente na sequência da publicação da exortação apostólica Amoris Laetitia e da declaração da carta dos bispos argentinos como parte do Magistério da Igreja, bispos de todo o mundo começaram a publicar orientações, normas ou conselhos para os padres das suas dioceses, tendo em conta as realidades diferentes nas várias regiões do mundo.

Portugal não foi exceção, e já algumas dioceses, como Braga e Aveiro, publicaram documentos de orientação sobre como aplicar nos seus territórios as orientações dadas pelo Papa Francisco no que toca ao acompanhamento dos divorciados recasados.

Esta semana, foi D. Manuel Clemente, patriarca de Lisboa, quem publicou as orientações destinadas aos padres da diocese de Lisboa.

E o que diz o documento?
O cardeal-patriarca começa por sublinhar que o Papa Francisco “não esquece as situações de fragilidade, especialmente as assim chamadas ‘irregulares’, em que ao matrimónio sucedeu a rutura e um casamento civil” e que os padres devem agir segundo as orientações do seu bispo. D. Manuel Clemente pega em três documentos: a exortação Amoris Laetitia, as cartas entre Francisco e os bispos argentinos, e ainda as indicações dadas aos sacerdotes da diocese de Roma pelo Papa, em jeito de exemplo aos restantes bispos.

Num primeiro de cinco pontos, D. Manuel Clemente contextualiza o problema, sublinhando a questão da ausência de culpabilidade, fator que pode ser uma atenuante para a “situação objetiva de pecado” que os divorciados vivem aos olhos da Igreja Católica, e chamando a atenção para a célebre nota de rodapé que abre a porta à admissão aos sacramentos das pessoas em situação “irregular”.

O bispo prossegue, recordando os vários pontos elencados pelos bispos argentinos: o facto de não se tratar de “autorizações” para aceder aos sacramentos, a proposta a fazer ao casal em causa na segunda união de que viva “em continência” — ou seja, “segundo o ensinamento de S. João Paulo II“, abstendo-se de relações sexuais –, e ainda que, em casos mais complexos que possam originar situações conflituosas, o acesso aos sacramentos seja feito “de modo reservado”.
Católicos recasados são aconselhados a abster-se de ter relações sexuais

O que significa “de modo reservado”? O padre Rui Pedro Carvalho explica que depende de cada caso, mas lembra que há situações em que “pessoas externas ao casal ou à família conhecem partes da história e podem considerar que aquelas pessoas não têm condições para comungar”. Segundo o sacerdote, nesses casos “normalmente o confessor tem elementos que a maior parte das pessoas não tem” e pode autorizar o acesso ao sacramento. Contudo, pode sugerir que tal aconteça, por exemplo, numa outra comunidade onde o casal não seja conhecido, ou numa celebração de menor dimensão.

“Insistindo no acolhimento cordial e respeitoso de todas as pessoas, especialmente nos casos referidos, o Papa Francisco pretende sobretudo ressaltar o valor do matrimónio cristão e a necessidade de o preparar e acompanhar”, escreve ainda o cardeal-patriarca, deixando no final seis “alíneas operativas” retiradas da documentação referida, que os padres de Lisboa devem ter em consideração no acompanhamento dos divorciados que manifestem intenção de se reaproximar da Igreja:
“Acompanhar e integrar as pessoas na vida comunitária, na sequência das exortações apostólicas pós-sinodais”;
“Verificar atentamente a especificidade de cada caso”;
“Não omitir a apresentação ao tribunal diocesano, quando haja dúvida sobre a validade do matrimónio”;
“Quando a validade se confirma, não deixar de propor a vida em continência na nova situação”;
“Atender às circunstâncias excepcionais e à possibilidade sacramental, em conformidade com a exortação apostólica e os documentos acima citados”;
“Continuar o discernimento, adequando sempre mais a prática ao ideal matrimonial cristão e à maior coerência sacramental”.

O cardeal-patriarca aconselha os divorciados recasados a não terem relações sexuais?

A “vida em continência” é referida em duas passagens desta nota. A primeira cita a carta dos bispos de Buenos Aires, um documento que assumidamente surge como inspirador desta missiva: «… pode-se propor o compromisso em viver em continência. A Amoris laetitia não ignora as dificuldades desta opção (cf. nota 329) e deixa aberta a possibilidade de aceder ao sacramento da Reconciliação, quando se falhe nesse propósito (cf. nota 364, segundo o ensinamento de S. João Paulo II ao Cardeal W. Baum, de 22/03/1996)». A seguir expõe as circunstâncias em que não sendo possível a continência se pode mesmo assim ter acesso a alguns Sacramentos.

A segunda referência é mais adiante, numa das “alíneas operativas” deixadas no final do texto, quando D. Manuel Clemente diz aos padres da sua diocese que não devem “deixar de propor a vida em continência” aos casais que estão unidos em segundo casamento que não tenham tido o seu matrimónio católico declarado nulo. Isto sem deixar de “atender às circunstâncias excecionais e à possibilidade sacramental, em conformidade com a exortação apostólica e os documentos acima citados”.

A proposta, porém, não é nova. A doutrina da Igreja é bem conhecida no que toca à sexualidade e esta questão concreta está escrita nos documentos da Igreja desde 1981, altura em que o Papa João Paulo II escreveu na exortação apostólica Familiaris Consortio que, “quando o homem e a mulher [divorciados e casados de novo], por motivos sérios — quais, por exemplo, a educação dos filhos — não se podem separar, assumem a obrigação de viver em plena continência, isto é, de abster-se dos actos próprios dos cônjuges“.

Isto leva o diretor do serviço de pastoral familiar do patriarcado de Lisboa, padre Rui Pedro Carvalho, a dizer que “não é D. Manuel quem aconselha, é o Papa João Paulo II”, e que é “redutor” afirmar que o patriarca se lembrou agora de fazer esta proposta.

“Imaginemos um casal, uma segunda união, em que ambas as pessoas são fiéis e querem aproximar-se novamente da Igreja, mas apercebem-se de que há um primeiro casamento que não foi dissolvido. Aquilo que se propõe é que para viver nesta comunhão total vivam como irmãos, que vivam em continência“, explica o sacerdote.
Abstinência sexual. “Não é D. Manuel Clemente quem aconselha, é o Papa João Paulo II”

Mas, afinal, porque é que a Igreja pede isto aos divorciados? É preciso compreender, em primeiro lugar, o que é que a doutrina da Igreja diz sobre a sexualidade para todos. Segundo o Catecismo da Igreja Católica, documento que compreende toda a doutrina da Igreja, é na sexualidade — que tem como fundamental propósito a geração dos filhos — que “se exprime a pertença do homem ao mundo corporal e biológico”, sendo os atos sexuais “honestos e dignos”.

A doutrina católica não diz, porém, que os atos sexuais sirvam apenas para a procriação. “A continência periódica, os métodos de regulação da natalidade baseados na auto-observação e no recurso aos períodos infecundos estão de acordo com os critérios objetivos da moralidade“, esclarece o Catecismo, sublinhando que apenas os métodos contracetivos — os que se propõem, “como fim ou como meio, tornar impossível a procriação” são considerados maus.

Para a Igreja Católica, os atos sexuais são “próprios e exclusivos dos esposos”, não sendo algo “puramente biológico”, mas que “diz respeito ao núcleo íntimo da pessoa humana como tal”. “Ela só se realiza de maneira verdadeiramente humana se for parte integral do amor com o qual homem e mulher se empenham totalmente um para com o outro até à morte”, lê-se no Catecismo. Esta dimensão da doutrina determina que a sexualidade deve estar confinada ao casamento, pelo que qualquer ato sexual fora do casamento é entendido como pecado.

Ora, se um casal se divorciar e as pessoas em causa voltarem a casar civilmente, mas o seu matrimónio não for declarado nulo, aos olhos da Igreja continuam casados com o primeiro cônjuge. Isso significa que, do ponto de vista da Igreja, qualquer ato sexual com o novo parceiro é considerado como “fora do casamento” — portanto, pecado. Por isso, a Igreja considera que se um casal de divorciados (ou em que um dos elementos é divorciado) quiser estar em comunhão com a Igreja, deve viver “como irmãos”, ou seja, em abstinência sexual.

Que outras dioceses portuguesas estão a aplicar estas novas orientações? E de que forma?

A iniciativa de D. Manuel Clemente não é inédita em Portugal. Pelo menos duas dioceses, Aveiro e Braga, já publicaram documentos ou cartas pastorais sobre a forma como pretendem levar a cabo este acompanhamento dos divorciados nos seus territórios.

O primeiro a ser conhecido foi o da arquidiocese de Braga, cujo arcebispo, D. Jorge Ortiga, publicou no final do ano passado a carta pastoral “Construir a casa sobre a rocha” (na página 25 são expostos os critérios de orientação pastoral para a aplicação do capítulo VIII da Amoris Laetitia).

A grande novidade naquela diocese é a criação de um grupo específico — composto por leigos e sacerdotes — para se dedicar a acompanhar os cristãos que se divorciaram e voltaram a casar. “Para além de informar e aconselhar sobre processos de declaração de nulidade do matrimónio, a equipa irá acompanhar cada caso, para que, após um processo de discernimento pessoal, seja reavaliado o acesso aos sacramentos e a possibilidade de virem a ser padrinhos/madrinhas“, explicou na altura a diocese.

Reforçando que, tal como explicaram os bispos argentinos, não pretende dar autorizações gerais para aceder aos sacramentos, o documento sublinha que se trata “de um processo de discernimento pessoal, no foro interno, acompanhado por um pastor com encontros regulares, que ajuda a distinguir adequadamente cada caso singular à luz do ensinamento da Igreja”.
Arquidiocese de Braga “abre” sacramentos a divorciados recasados

Já em Aveiro, o bispo D. António Manuel Moiteiro Ramos publicou o documento “Acompanhar, discernir, integrar“, com um guia completo a ser usado naquela diocese para o acompanhamento dos casais divorciados e recasados.

No documento, em tudo semelhante ao publicado recentemente em Lisboa, são referidos os pontos apresentados pelos bispos argentinos e é feita a mesma proposta que agora causou celeuma em Lisboa:

“Quando as circunstâncias concretas de um casal o tornem factível, especialmente quando ambos sejam cristãos com um caminho sólido de fé, pode-se examinar a possibilidade do compromisso de viverem em continência conjugal“, lê-se no documento.

Nas próximas semanas ou meses, todas as dioceses portuguesas deverão elaborar e publicar documentos semelhantes, muitos deles replicados dos já conhecidos, disse ao Observador fonte eclesiástica.

No que diz respeito ao patriarcado de Lisboa, não se prevê para já a criação de um grupo específico para o acompanhamento destas situações, segundo o padre Rui Pedro Carvalho. “Aqui, a indicação é a de que cada padre faça esse trabalho. Claro que temos as estruturas da diocese, como a pastoral familiar e o tribunal, para ajudar e aconselhar, mas é o padre de cada comunidade que conhece bem os casos“, explica o sacerdote.

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Teresa Forcades, uma freira do nosso tempo

Entrevista a Teresa Forcades. Freira catalã aceita o aborto e o casamento gay

Por Marta F. Reis
publicado em 22 Out 2013

Irmã beneditina é um rosto da luta pela independência catalã e defende abertamente o direito ao aborto e o casamento homossexual. Vem a Portugal em Novembro

Aos 47 anos, a irmã beneditina Teresa Forcades, com formação em medicina e teologia, divide a vida no mosteiro de St. Benet de Montserrat, a uma hora de Barcelona, com uma participação política intensa, como não tem receio de dizer. É uma das caras do movimento de cidadania Procés Constituent, que está criar o modelo para um estado independente e livre do capitalismo na Catalunha. Vem a Portugal em Novembro, para apresentar o seu livro "A Teologia Feminista na História", agora com tradução portuguesa. Não deixa ninguém indiferente: desde Abril, o movimento catalão reuniu 45 mil militantes. Na internet, há uma petição com 4700 assinaturas que pede à Santa Sé para intervir e repor a paz e calma abalada por Teresa, que defende o aborto ou casamento homossexual. Do Vaticano, diz só ter recebido uma carta em 2009, à qual que respondeu invocando o seu direito à opinião.

Em Setembro a BBC chamou-lhe a freira mais radical da Europa. Gosta deste título?
Nunca gostei de rótulos. Gosto que, em vez de me porem um rótulo, que quem fale de mim seja porque me conhece. Agora, a verdade é que acredito que o Evangelho nos pede uma resposta radical perante a injustiça social. Se é por isso que me chamam radical, porque digo que não se pode servir a Deus e ao dinheiro e hoje temos um sistema económico que coloca acima das pessoas o dinheiro, está certo. É o que sou. É isso que procuro denunciar.

Sente-se a fazer política?
Creio que a palavra política é boa. O que não estou a fazer, nomeadamente na Catalunha, é a criar um partido político. Não me sinto a fazer política partidária, política profissional. Também não sinto que esteja a substituir a minha vocação monástica por uma vocação política. Mas, partindo da minha vocação monástica, assim como todas as pessoas que participam no movimento Procés Constituent têm distintas vocações profissionais, percebemos e defendemos que uma democracia pede a participação política de todas as pessoas. Uma coisa é política partidária e outra, o que quero fazer, é participar em assembleias locais, dar a minha opinião e contribuir para que a vida comum o seja de verdade. Este tipo de mudança nunca pode vir de cima. Para mim o mais importante é que se estruture o poder popular, que nos organizemos para viver realmente em democracia. E precisamos de todos: seja igreja ou não igreja, de todos.

Sentiu necessidade pessoal de participar neste movimento ou fê-lo para mostrar que a igreja também faz parte da sociedade civil?
Entrei para o movimento porque me pediram. Como na Catalunha tenho uma certa popularidade, quando se começa um movimento ter caras conhecidas é importante e fui chamada a dar a cara por ele. Pus a minha popularidade ao serviço de uma causa que considero justa. Não pensei em mais nada, foi espontâneo. Agora sim, dei-me conta de que para muita gente foi uma maneira de pensar que na igreja também há margem para participar nos movimentos de mudança e nos processos democráticos.

Em Portugal vemos padres a comentar política, mas não vemos irmãs, parecem mais escondidas. É também um sinal para as mulheres da igreja?
Sim, isso também é importante para mim. Defendo que as mulheres na igreja devem ter um papel de igualdade em todos os sentidos.

Inclusive poderem celebrar uma missa?
Tenho dito que acredito que, teologicamente, não há nada contrário a isso.

Há uma semana tiveram um momento importante para o vosso movimento, uma concentração.
Sim, tivemos aquilo a que chamámos o primeiro acto central do Procés Constituent, movimento que começou a 10 de Abril. Chamámos a estes primeiros seis meses o ou vai ou racha, não sabíamos se teríamos apoio popular suficiente. Agora entrámos numa nova fase onde o mais importante é termos uma estrutura que nos permita tomar decisões e que nos permita ter influência na política do nosso país. Temos de arranjar uma organização que nos permita afirmarmo-nos e abranger todos. Já somos 45 mil pessoas, somos muitos não é?

Estava à espera de tanta adesão?
Neste acto central reunimos 10 mil pessoas, o que já foi bastante. Mas o que importa é que estamos organizados em quase cem comunidades locais por toda a Catalunha. Agora lançámos uma campanha que se intitula Construímos a República Catalã de 99%, o que exclui uma margem de 1% que é o poder corrupto e instalado. No dia 16 de Novembro vamos ter uma jornada nacional de assembleias em simultâneo e, a 30 Novembro, vamos ter acções de desobediência civil, com um potencial importante de maior mobilização.

Deixam-na fazer esse tipo de acções no mosteiro?
Bom, tive de consultá-los antes de começar. Falei com o bispo e com a minha comunidade e, não estando todos de acordo, estão de acordo que se sinto que isto é um chamamento a algo que devo fazer, não me querem impedir.

Mas sente-o como um chamamento?
Quando mo pediram não saiu de mim. O que fiz foi levar esse pedido a oração, como tudo, e através do meu discernimento senti a responsabilidade de dizer que sim. Estou no movimento não como responsável final, mas como alguém empenhado em tornar esta voz cada vez maior.

O bispo deve ser uma pessoa aberta...
O bispo é um homem de paz, uma pessoa que não entende a sua tarefa de pastor como autoritária mas de serviço.

Sente a mesma empatia com o Papa Francisco?
Creio que o Papa Francisco tem dado sinais de esperança mas, ao mesmo tempo, muito conscientes de que há uma estrutura na igreja que é contrária a mudanças no sentido de justiça. Creio que na igreja temos um défice de democracia real, quero dizer, somos muitas pessoas mas as decisões são tomadas por poucas. Estou com os olhos e ouvidos abertos na esperança de que o Papa Francisco consiga avançar. Mas para mim o importante é que, quer na igreja, quer na sociedade, termos mais justiça social nunca será um movimento de cima para baixo. O Papa Francisco só vai poder fazer mudanças se se aliar com as pessoas de baixo que há muitos anos as pedem. O Papa Bom, João XXIII, fez mudanças com o concílio Vaticano II mas não as fez sozinho. Pode fazê-lo porque durante todo o século XX houve muitos movimentos, como o da reforma litúrgica ou da nova teologia, com pessoas que falavam publicamente e pediam uma aproximação da igreja católica à modernidade. Foi essa base que João XXIII impulsionou no seu papel de Papa. Acho que é nessa posição que está Francisco: não será ele a gerar mudanças. Até porque acredito que, de cima para baixo, só vêm más mudanças, como vemos hoje nos cortes sociais que estamos a ter nos nossos países. Francisco se o fizer vai fazê-lo porque há uma base na igreja católica que há anos pede mudanças.

É um apelo silencioso?
Silencioso e muito na oração. Trabalho com as mãos, com o coração e com a mente. Isto a que chamamos oração é um mistério profundo. Quando falo das pessoas que trabalharam nos últimos anos por mudanças, não falo só das que se reuniram em comissões, que produziram textos e fizeram manifestações públicas. Falo muito das pessoas que no seu coração e na oração pedem mudanças.

Como é que a igreja pode mudar no sentido de apoiar mais a sociedade?
Acho que é essencial a reforma intraeclesial. Hoje há muitas pessoas que se emocionam com os evangelhos e têm um respeito profundo pela figura de Cristo. Mas esbarram logo contra estruturas da igreja impossíveis, que não conseguem aceitar. Por isso acho que o primeiro dever da igreja para com a sociedade é oferecer a mensagem de Cristo sem acrescentar coisas supérfluas.

Por exemplo?
Esta estrutura que obriga, por exemplo, a ter de fazer uma liturgia numa sala previamente consagrada. Pode fazer-se uma liturgia num bosque, mas alguns bispos não o permitem. Qualquer limitação que exista nesse sentido não vem no evangelho. Por exemplo, que os sacerdotes não possam celebrar a eucaristia com divorciados e um divorciado não possa comungar. A comunhão e qualquer outro sacramento não deve ser negado nunca a ninguém.

Nem a divorciados, nem a homossexuais?
Era o que faltava, a ninguém e desde que o peçam. Agora, bom, se for o Pinochet, alguém que comete crimes claros e públicos de que não se arrepende, aí veria uma possibilidade de negação. Agora pessoas que pensam de forma distinta, homossexuais, divorciados ou pessoas que abortaram, nunca se lhes deve negar um sacramento.

Defende mesmo o casamento homossexual. Com que fundamento?
O matrimónio é um sacramento que viabiliza o amor fiel e pessoal entre dois. Penso que sempre que um casal se ama de forma sincera e fiel, deve poder celebrar esse amor como sacramento, quero dizer, como sinal de amor de Deus. Se a possibilidade de procriar fosse um requisito para o sacramento, não deveria ser permitido casar mulheres pós-menopáusicas e isso a igreja sempre o permitiu.

A sua posição em relação ao aborto é também controversa.
Penso que não se deve impor a nenhuma mulher que continue a gravidez. Acho que a atitude que respeita a liberdade da mulher é a mais próxima da forma como acredito que Deus nos trata. Agora, insisto, isto não é porque eu acho que o aborto não tenha importância. Para mim tem importância. Agora eu não quero que a mulher que pensa de forma diferente de mim seja obrigada a continuar a gravidez. Não digo que é igual fazer ou não um aborto, acho que é preciso ajudar a mãe a tomar uma decisão em favor da vida mas respeitando a sua última decisão.

Mas como é que esse respeito se concilia com o mandamento da igreja não matarás?
Trata-se de um conflito entre dois direitos fundamentais: o direito à vida e o direito à autodeterminação. Nunca um ser humano deve ser considerado um meio para salvar a vida de outra pessoa ou grupo de pessoas. O ser humano é sempre um fim em si mesmo, nunca um meio. A minha pergunta é: porque é que não se obriga um pai que tenha um rim compatível a doá-lo para salvar a vida do seu filho? Qual é o princípio moral católico que permite que isso não lhe seja imposto? Porque é que esse princípio não é aplicável no caso da mãe?

Tem problemas com o Vaticano com estas posições?
Em 2009 recebi uma carta da Congregação para a Doutrina da Fé e respondi com uma explicação que está publicada num livro "Diálogos com Teresa Forcades". [Pediram-lhe que manifestasse publicamente a sua adesão à doutrina católica e Forcades disse que respeita o magistério da igreja, mas tem direito a manifestar opiniões contrárias.]

Ainda pratica medicina?
Não. No mosteiro fiquei encarregue da enfermaria mas ultimamente tenho feito alguns estudos e estou a escrever sobre a medicalização da sociedade. É uma forma de continuar ligada.

O que é que a preocupa?
Não só o excesso de medicalização a que assistimos nas nossas sociedades mas sobretudo esta ideia de que os problemas das pessoas se tratam com comprimidos. Veja-se o tratamento da hiperactividade das crianças: temos 10% das crianças medicadas, com medicamentos cuja forma de actuação é parecida com a cocaína. Nos EUA temos uma percentagem de 45% dos jovens que já foram diagnosticados, em algum momento da vida, com depressão. E medicados. Aceito que alguns tenham problemas, mas 45% é impossível, seria uma epidemia.

Isto é falta de quê?
De muitas coisas. Antes achava-se que era normal passar pela idade da estupidez na adolescência. A pessoa começa a pensar fora do núcleo familiar, apaixona-se pela primeira vez, desafia os pais. É normal que tenha dias em que está em baixo. Agora uns pais dizem "anima-te, é normal", outros dizem logo que é preciso ir ao psiquiatra. As famílias têm cada vez menos tempo, o estilo de vida cada vez reduz o tempo entre pais e filhos.

Quando era jovem, pensou em ser freira mas rejeitou essa ideia por causa do celibato. Só entraria para o mosteiro depois dos 30. O que mudou?
Na adolescência pensava que não podia ser feliz se não tivesse um companheiro. Hoje aceito que a vida de comunidade também tem as suas compensações. É diferente da vida de casal, mas desde que sou freira não quer dizer que não tenha experiências de enamoramento. Agora de cada vez que me apaixonei, foi uma comoção. A pessoa é apanhada desprevenida, mas tem de trabalhar isso, sempre entendendo que o que Deus quer a felicidade e não a repressão.

Era capaz de viver em clausura?
Eu vivo em clausura, mas na ordem beneditina temos a clausura constitucional, em que podemos sair. Há outro tipo de clausura que nunca vivi que é a clausura papal, instituída em alguns conventos femininos no século XVI e onde tudo é imposto de fora, não podem sair. Não acho bem.

Tem planos para vir a Portugal em breve?
Sim, em Novembro. Vou apresentar o meu livro e participar num congresso sobre teologia feminista, nos dias 14 e 15.

No seu Facebook há muitas críticas à austeridade. Trata de uma mensagem também nesse sentido?
Vejo a austeridade como algo positivo por isso o que desejo é que se mude o nome das medidas impostas pela troika europeia aos países que não cumprem os seus critérios de convergência económica: não são medidas de austeridade, são medidas de criminalidade. Impõem sanções aos cidadãos com rendimentos mais modestos e desviam o dinheiro, via resgates bancários, para os mais ricos.

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Carlo Maria Martini: palavras de um homem de escuta

Carlo Maria Martini


Por António Marujo, 1 de Setembro de 2012

O cardeal Carlo Maria Martini, o ex-arcebispo de Milão que durante vários anos foi um dos nomes mais fortes como "candidato" à sucessão de João Paulo II e que morreu esta sexta-feira, disse na sua última entrevista que a Igreja Católica está "200 anos atrasada" em relação ao tempo presente.


A edição deste sábado do jornal Corriere della Sera divulga aquela que foi a última entrevista do cardeal, que há dez anos sofria de Parkinson. Na conversa, gravada no mês de Agosto, o cardeal diz que "a Igreja está cansada... e os nossos lugares de oração estão vazios". E acrescenta, de acordo com a BBC, que a Igreja deve reconhecer os seus erros e escolher um caminho de mudança, a começar pelo Papa.

Martini morreu esta sexta-feira ao princípio da tarde, horas depois de a diocese de Milão ter anunciado o agravamento do seu estado de saúde. Foi o actual arcebispo de Milão, o cardeal Angelo Scola, quem deu a notícia da morte do eminente intelectual e especialista da Bíblia, que defendia uma atitude da Igreja mais aberta e compreensiva do mundo contemporâneo.

O cardeal escreveu dezenas de livros e textos, traduzidos em muitas línguas (vários deles em português), entre os quais "Em Que Crê Quem Não Crê" (ed. Gráfica de Coimbra), um diálogo com o filósofo Umberto Eco. Num dos últimos, "Colóquios Nocturnos em Jerusalém" (ed. Gráfica de Coimbra), diz: “"Sim, desejo uma Igreja aberta, uma Igreja cujas portas estejam abertas à juventude, uma Igreja com horizontes vastos. A Igreja não se tornará atraente por adaptações ou por ofertas tíbias. Eu confio na palavra radical de Jesus, nessa palavra que temos que traduzir para o nosso mundo como ajuda para a vida, como Boa Nova que Jesus quer trazer."


Na entrevista publicada pelo Corriere della Sera, Martini – cujo funeral se realiza segunda-feira – dizia, referindo-se ao catolicismo: "A nossa cultura envelheceu, as nossas igrejas são grandes e estão vazias e a burocracia aumenta, os nossos ritos religiosos e as vestes que usamos são pomposos."

Apesar de ter sido sempre crítico de várias posições oficiais da Igreja, Martini era muito respeitado na instituição católica. A sua inteligência e brilhantismo, a que aliava a forma subtil de manifestar as suas posições, não seriam estranhos a esse facto. Quer João Paulo II, que o nomeou para Milão em 1980, quer o actual Papa, com quem se encontrou em Junho, sempre confessaram a sua admiração pelo cardeal.


A Rádio Vaticana, conta a agência Ecclesia, recordou esse último encontro entre o Papa e o seu "amigo jesuíta" – Martini integrava esta ordem. O cardeal admitiu, já nessa altura, que se vive "um momento muito difícil para a Igreja".

Nesta manhã de sábado, Bento XVI enviou um telegrama ao cardeal Scola, manifestando a sua tristeza pela notícia da morte e acrescentando que Martini realizou um "competente e fervoroso serviço" à divulgação da Bíblia, "abrindo cada vez mais a comunidade eclesial aos tesouros da Sagrada Escritura".

Afastamento das pessoas

Outra das críticas que Martini fazia era a aspectos da encíclica Humanae Vitae, sobre a regulação dos nascimentos, na qual se fixa a ideia de que a Igreja não admite o uso do preservativo. Esse documento, de Julho de 1968, levara "ao afastamento de muitas pessoas", dizia Martini, que defendia que o preservativo pode ser usado como um "mal menor".


Na entrevista agora publicada pelo jornal italiano, dada a um padre jesuíta, o cardeal disse ainda que, a menos que a Igreja adopte uma atitude mais acolhedora em relação às pessoas divorciadas, ela perderá as futuras gerações. A questão, acrescentava ainda, segundo a BBC, não é se os casais divorciados podem receber a comunhão na missa, mas como é que a Igreja pode ajudar as pessoas em situações familiares complexas.

Desde a manhã de hoje, milhares de pessoas passam diante do corpo do cardeal, na catedral de Milão, onde Martini foi arcebispo mais de duas décadas.

No seu último livro, sobre a figura do bispo, o cardeal diz que aquele deve ser antes de mais "íntegro, honesto, leal, capaz de não mentir nunca, paciente, misericordioso, pronto a oferecer esperança a quem sofre, mas, acima de tudo, um homem verdadeiro, capaz de ouvir a todos, mesmo não crentes, separados, divorciados e homossexuais".


O bispo, acrescenta ainda, deve estar "atento aos pobres, aos encarcerados, aos doentes, aos estrangeiros", mas também a quem é obrigado a viver fora da Igreja "como os separados, os divorciados e os homossexuais". Citado pelo La Repubblica, o cardeal acrescenta no livro: "Mesmo salvaguardando o princípio de que o matrimónio é único e indissolúvel, muitos separados e divorciados têm um novo companheiro e uma nova família com filhos. Eles devem ser ouvidos, merecem atenção, porque é como estar diante dos náufragos aos quais é preciso fazer todo o possível para que não se afoguem."

Acolhimento de homossexuais

A AFP recorda outras posições de Carlo Maria Martini, como a denúncia da "tentação" de alguns católicos em refugiar-se em novos movimentos católicos que se tomam como "valor absoluto", transformando-os em "verdadeiras ideologias".


O cardeal Martini considerava "desejável" uma "evolução" em relação ao celibato dos padres, sem que a Igreja Católica tivesse de renunciar completamente a essa disciplina. Martini foi também dos primeiros a falar da importância de um novo concílio – a magna assembleia de todos os bispos do mundo. Martini considerava que o Vaticano II, cujos 50 anos se completam este ano, estava já ultrapassado em vários aspectos.

A falta "dramática" de padres, o papel da mulher na Igreja e na sociedade, a sexualidade, as relações com os ortodoxos e o ecumenismo em geral, bem como a relação entre a democracia e as leis morais, eram temas para os quais Martini propunha novas abordagens da Igreja e a necessidade de debate num novo concílio.

Nascido em Turim, em 15 de Fevereiro de 1927, Carlo Martini era membro da Companhia de Jesus. Biblista de formação, foi designado pelo Papa Paulo VI como reitor do Instituto Bíblico, onde esteve até 1978. Desempenhou depois as mesmas funções na Universidade Pontifícia Gregoriana, até ser momeado arcebispo de Milão, a maior diocese da Europa, onde esteve durante 22 anos. Entre 1986 e 1993, foi também presidente do Conselho das Conferências Episcopais da Europa. Em 2000, recebeu o prémio Príncipe das Astúrias em Ciências Sociais.


Em Milão, entre muitas outras coisas, incentivou iniciativas de diálogo com não-crentes e de acolhimento de homossexuais. Em 2002, quando completou 75 anos e deixou a diocese, foi viver para Jerusalém. Acabou por voltar a Milão em 2008, por causa do agravamento das suas condições de saúde.

Um padre idoso citado pela AFP mas que quis manter o anonimato, anunciara também a morte de Martini aos jornalistas diante da casa dos jesuítas onde o cardeal residia, afirmando: "Era um grande homem, um grande erudito que nos deixou muitos ensinamentos e um homem de Deus."

In Público

Porque estou aqui

Sinto-me privilegiado por ter encontrado na Igreja um lugar vazio, feito à minha medida. É certo que tê-lo encontrado (ou encontrá-lo renovadamente, pois não é dado adquirido) foi também mérito da minha sede, do meu empenho, de não baixar os braços e achar, passivamente, que não seria possível. Passo a contextualizar: a comunidade onde vou à missa é pequena e acolhedora, e podia bem não o ser. Ao mesmo tempo, sentia um desejo grande de reflexão de vida cristã e encontrei um casal (heterosexual) que tinha a mesma vontade. Começámo-nos a reunir semanalmente numa pequena comunidade de oração e reflexão que, apesar de crítica, nos tem ajudado a sermos Igreja e a nela nos revermos. Paralelamente, face ao contínuo desencanto em relação a algumas posturas e pontos de vista de uma Igreja mais institucional e hierárquica, tive a graça de encontrar um grupo de cristãos homossexuais, que se reuniam com um padre regularmente, sem terem de se esconder ou de ocultar parte de si.

Sei que muitos cristãos homossexuais nunca pensaram sequer na eventualidade de existirem grupos cristãos em que se pudessem apresentar inteiros, quanto mais pensarem poder tomar parte e pôr em comum fé, questões, procuras, afectos e vidas.

Por tudo isto me sinto grato a Deus e me sinto responsável para tentar chegar a quem não teve, até agora, uma experiência tão feliz como a minha.

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