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A diversidade na Igreja

"A casa do meu Pai tem muitas moradas", diz-nos Jesus no evangelho.

A unidade na diversidade não é sempre aparente na Igreja enquanto povo de Deus, mas é uma realidade em Deus e uma presença na fé cristã desde a sua origem. A Palavra de Deus não é partidária, elitista e exclusiva. O Reino de Deus é como uma árvore que estende os ramos para dar abrigo a todos os pássaros do céu. Cristo não morreu na cruz para salvar uma mão cheia de cristãos. Até o Deus Uno encerra em si o mistério de uma Trindade.

A Palavra de Deus é inequívoca e só pode levar à desinstalação, à abertura ao outro, e a recebê-lo e amá-lo enquanto irmão ou irmã. Ninguém fica de fora, nem mesmo - se tivessemos - os inimigos.

Muitos cristãos crêem nesta Igreja, nesta casa do Pai, corpo de Cristo, templo do Espírito Santo. Mas como esquecer que muitos se sentem "de fora" por se verem rejeitados, amputados e anulados, e afastam-se por ninguém lhes ter mostrado que há um lugar para cada um, com a totalidade do seu ser?

Um blogue para cristãos homossexuais que não desistiram de ser Igreja

Porquê este blogue?

Este blogue é a partilha de uma vida de fé e é uma porta aberta para quem nela quiser entrar. É um convite para que não desistas: há homossexuais cristãos que não querem recusar nem a sua fé nem a sua sexualidade. É uma confirmação, por experiência vivida, que há um lugar para ti na Igreja. Aceita o desafio de o encontrares!

Este blogue também é teu, e de quem conheças que possa viver na carne sentimentos contraditórios de questões ligadas à fé e à orientação sexual. És benvindo se, mesmo não sendo o teu caso, conheces alguém que viva esta situação ou és um cristão que deseja uma Igreja mais acolhedora onde caiba a reflexão sobre esta e outras realidades.

Partilha, pergunta, propõe: este blogue existe para dar voz a quem normalmente está invisível ou mudo na Igreja, para quem se sente só, diferente e excluído. Este blogue não pretende mudar as mentalidades e as tradições com grande aparato, mas já não seria pouco se pudesse revelar um pouco do insondável Amor de Deus ou se ajudasse alguém a reconciliar-se consigo em Deus.
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domingo, 11 de março de 2018

Oportunidade e prática: a Quaresma

O tempo da Quaresma é um tempo prático

"Começamos hoje o tempo da Quaresma. São 40 dias que representam uma oportunidade especial, de preparação para a grande celebração, para o grande acontecimento da Páscoa de Jesus, nas nossas vidas. São 40 dias que recordam os 40 anos que o povo de Deus fez na travessia do deserto até entrar na Terra Prometida, e representam também esses 40 dias em que o próprio Jesus se preparou no deserto para a Sua vida pública. Isso quer dizer: os grandes encontros de Deus na nossa vida são encontros preparados. É claro: tantas vezes encontramos Deus de surpresa, e isso é muito bom. Mas encontramos Deus, também, por um ato de preparação, por uma abertura sincera de coração, por uma conversão interior, que nos aproxima de Deus, que nos abre à Sua presença e nos faz viver de uma forma mais sincera, mais objetiva, o “sim” que, como discípulos do Senhor, nós dizemos a Jesus.

Há uma frase de Kafka, que nos impressiona muito e descreve, em grande medida, o que é a nossa cultura contemporânea, o que é a nossa experiência, de mulheres e de homens, que atravessam este tempo: “Existe a meta, mas não há um caminho.” Existe a meta. Nós somos cristãos, batizados há sete ou há setenta anos, sabemos que há uma meta, olhamos para Jesus, ouvimos a Sua Palavra dominicalmente ou diariamente, alimentamo-nos dela e sabemos que sim, há uma meta, um ideal, sabemos aquilo a que somos chamados. E, contudo, como Kafka, também dizemos: “Mas não vemos um caminho. Não há um caminho.” E o que acontece quando há uma meta mas não há um caminho? Acontece um divórcio muito grande, entre o ideal e o real, entre a teoria e a prática, entre o que sabemos ser a vontade de Deus e, depois, a forma quotidiana, concreta, como vivemos ou deixamos de viver segundo essa vontade de Deus.

O tempo da Quaresma é um tempo prático, não é um tempo teórico. A Igreja, nestes 40 dias, entra para retiro, entra para exercícios, entra para manobras, para reconstrução, entra para conversão. E é assim que nos devemos sentir nestes 40 dias. Há uma expressão, um entendimento da vida que hoje está um bocado fora de moda, mas que ouvíamos em parte atravessando as leituras da Palavra de Deus, que hoje lemos, e que é o combate espiritual. Isto é: não há cristão sem combate espiritual. A fé é um dom, claro, mas também é um trabalho, uma fadiga, um compromisso, também é uma conquista, também é uma luta. E a divisão entre o bem e o mal, entre Deus e a sombra, não acontece apenas no mundo, acontece antes de tudo dentro de nós. Por isso mesmo, um cristão vive em luta, vive num desassossego, vive numa inquietação, porque sabe que é dentro de si que a verdade do reino começa por se construir. Não é fora de nós, é dentro de nós. Nesse sentido, toda a Palavra de Jesus é muito clara. Ele dizia tantas vezes: “Não é o que entra de fora do homem que o atinge, mas é do interior do homem que sai todo o mal.” Há no nosso interior tantas contradições, tantos paradoxos, tanta indecisão, tanta sombra que nós temos de olhar. Nós cristãos não temos nenhuma superioridade moral em relação aos outros homens e mulheres, nós somos pecadores. Nós estamos aqui porque somos pecadores chamados à santidade, tocados, feridos pela santidade de Deus, iluminados pela santidade de Deus, mas na vulnerabilidade, na fragilidade das nossas histórias.

Aquilo que diz S. Paulo, na Carta aos Romanos, é tantas vezes o que sentimos: “Quem me livrará deste corpo de morte? Que não faço o bem que quero, mas faço o mal que odeio.” Tantas vezes a nossa vida é assim, não fazemos o bem, que sabemos que é bem, mas fazemos o mal, as coisas mesquinhas, vivemos uma vida banal, recebemos tesouros que não pomos a render, adiamos, continuamente, a nossa vida para depois, achamos que é para o outro, que não é para nós. E este tempo da Quaresma é um tempo que pede de nós um cristianismo sério, uma adesão profunda de coração. Exige de nós este combate, esta luta, porque a conversão não é apenas uma palavra bonita, a conversão é um osso duro de roer. A conversão é uma fadiga, é um trabalho que precisamos de abraçar, sabendo que não há outra maneira de expormos a nossa vida no caminho pascal.

A Igreja, neste tempo santo da Quaresma, pede-nos três caminhos ascéticos, três caminhos de subida.
O primeiro deles é a oração. Um cristão, uma cristã, são mulheres e homens de oração, e nós precisamos de redescobrir a oração na nossa vida. A coisa mais urgente que cada um de nós tem para descobrir é o lugar da oração, o sentido da oração, a experiência de oração nas nossas vidas. Na mensagem do Santo Padre para esta Quaresma, o Papa Francisco diz: “Cristãos, deixem-se servir por Cristo, deixem-se tocar por Cristo.” A oração é isso: expor a minha vida a Cristo, dar tempo a Cristo, dar lugar a Cristo. Oração é estabelecer uma relação, não é apenas tratar Deus como uma ideia, como alguém distante, como um princípio filosófico, que nós até aceitamos. Não, na oração nós tratamos a Deus por “tu” ou por “vós”, mas tratamos a Deus numa segunda pessoa. Porquê? Porque Ele é um interlocutor da nossa vida, mantemos com Ele um diálogo vivo e esse diálogo anima-nos. Nós expomos a nossa vida, rezamo-nos, não apenas rezamos, nós rezamo-nos e Deus acolhe-nos, Deus ouve-nos. Há quanto tempo não falamos com Deus? – é a pergunta. Há quanto tempo não O ouvimos? Há quanto tempo não lhe damos um espaço real, um espaço concreto nas nossas vidas? Este tempo da Quaresma é um desafio muito grande à nossa oração pessoal, à nossa oração familiar, à nossa oração comunitária. Precisamos redescobrir a oração nas nossas vidas, porque às vezes a nossa vida é seca, seca. Cheia de tantas coisas, mas, no fundo, vazia, deste fio condutor que a oração representa nas nossas vidas. Por isso, que a Quaresma seja para nós, um grande laboratório de oração, e que no dia a dia nós privilegiemos também um tempo de oração.

“- Ah, mas eu gostava de rezar melhor.”
“- Começa por rezar, começa por rezar.”
“- O que é a bela oração?”
“- Não. Reza muito, reza muito. Porque no meio das coisas que a gente diz ou não diz, Deus é que escolhe, Deus é que escolhe a parte.”

Lembro-me sempre de um diálogo com um jovem – penso que já o contei aqui. Ele tinha descoberto, tinha-se convertido, tinha exposto o seu coração a Deus. E dizia: “Padre Tolentino, tenho rezado como um porco.” E, para mim, é das mais belas definições de oração, nunca ninguém me disse uma coisa tão bela sobre a oração. Porque o porco não escolhe, reza tudo, come tudo, devora tudo. Se a gente escolhe “vou rezar isto, ou vou rezar aquilo”, verdadeiramente não reza. Nós temos de rezar tudo, o importante e o banal, o próximo e o distante, o que é meu e o que é dos outros, o que está perto e o que está longe, temos de rezar tudo. Isto é: A capacidade de fazer de tudo oração, isso é que nos torna uns verdadeiros orantes. Há um poeta contemporâneo, Armando de Silva de Carvalho, que tem um livro chamado: O Cão de Deus. A oração dele é um ganir. Pode acontecer que a nossa oração não seja bem oração. A gente não tem palavras, só tem dores, só tem coisas que queria dizer e não consegue. Então, é a oração do cão, é a oração do ganir. Mas seja, é essa. Que o tempo de Quaresma seja, de facto, um tempo de exposição da nossa vida a Deus.

A outra via é o jejum. E o jejum é um meio muito importante no meio espiritual, que também é usado por outras tradições religiosas. Mas, no fundo, o jejum é a renúncia de uma coisa a que eu tenho direito e que eu posso. Mas renuncio a isso para relativizar o meu próprio eu. Nós temos um sentido crítico apurado em relação a tudo e a todos, exceto a nós próprios. Sem darmos conta, podemos até ser muito adultos, mas vivemos como miúdos caprichosos e mimados e, pior, conseguimos ter tudo o que queremos ou desejamos ou nos dá na gana. E, de repente, somos pequenos tiranos. O nosso eu é tirânico, tirânico em relação aos outros, tirânico em relação aos que vivem mais perto de nós, aos que vivem longe. Só nós existimos, só nós contamos, só nós sabemos, só nós podemos, só nós temos o direito. O jejum é o exercício de morrer para si próprio, dizer: “É meu” mas abdicar, isto de uma forma concreta na alimentação, sermos capazes de transformar a nossa dieta alimentar tornando-a muito mais sóbria do que é. Viver estes 40 dias com sobriedade, sobriedade. Claro que temos direito a isto e aquilo, mas dizemos que não. E, nas sextas-feiras desta Quaresma, nós não apenas vamos intensificar a sobriedade, porque é o dia desta prática ascética. É toda a Quaresma, mas as sextas-feiras são um dia especial. Nesse dia não vamos comer carne, não vamos derramar sangue. É um sinal, é um símbolo, mas a verdade é que nós alimentamo-nos dos outros e matar mais isto ou matar mais aquilo, para nós é completamente indiferente. Ora, vamos não derramar sangue, não dizer “a minha vida é mais importante que a tua”. Não. Vamos calar, calar a vida, morrer um pouco para nós próprios. E isso, claro que é um gesto simbólico mas é um gesto com muito significado. Não vamos dizer “eu quero comer carne, não posso pagar uma taxa?” “- Não, não vais pagar taxa nenhuma. Não vais comer carne.”

Fazer esse esforço para nos unir a uma tradição cristã, que tem séculos e séculos é, no fundo, perceber também o que é a carne, o que é o sangue, perceber o que é a vida, perceber que todas as vidas têm valor – mesmo a vida da vaca ou do frango que compramos no supermercado. Essa vida que alimenta a minha vida tem um valor e isso para nós é uma espécie de pedagogia: se eu dou atenção a esta pequena coisa ou vou dar maior valor às vidas daqueles que me rodeiam e não vou ser tão intolerante, não vou ser tão cheio de mim, ocupando o espaço que devo dar aos outros. Mas o jejum não é apenas esta contenção, esta moderação alimentar. O jejum é tudo aquilo que serve para relativizar o meu eu.

Muitas vezes, o jejum que nós precisamos é da língua. A facilidade com que falamos, com que julgamos, com que dizemos, com que matamos os outros com a nossa língua – no fundo, ser um tempo de silêncio, um tempo de contenção, um tempo para não falar, um tempo para não dizer. E como isso pode ser purificador da nossa vida, e como nós precisamos disso! Mas o jejum pode ser também de um pensamento, de um hábito, de um vício, de um costume que tenho, de uma coisa que me dá muito prazer fazer e que não tem mal nenhum, mas, precisamente neste tempo, vou abdicar disso para ser mais livre. O jejum custa, não há jejum que não custe, mas o jejum é uma máquina de criar liberdade. Porque, sem darmos conta, andamos cheios de chocalhos e de amarras, de algemas, disto e daquilo, prisioneiros, dependentes, ancorados, a achar que precisamos de uma lista enorme de coisas para ser feliz ou para estar em nós próprios. E, de repente, o jejum é cortar um bocadinho esses pesos e isso dá-nos uma liberdade muito grande, liberdade para ser, liberdade para viver, liberdade para acreditar.

Tudo isto culmina na terceira via, que a Igreja nos aponta nesta Quaresma, que é a via da esmola. Nós somos chamados, à imagem de Jesus na Eucaristia, a fazer da nossa vida um dom. A nossa vida só se realiza quando se torna dom, quando se torna Eucaristia. Isto é: quando se torna serviço, quando se dá aos outros. Então a esmola, antes de tudo, é um dar-se. Dar-se mais aos outros, dar mais tempo, ir falar a um amigo que não vejo há muito tempo, ir visitar uma pessoa a um lar, um parente a um lar, ir visitar um doente. Gastar do tempo da minha vida para os outros, dar-me, dar-me, repartir-me aos outros. E, depois, também dar das coisas que possuo, repartir o que ganho, ter isso em atenção, dar uma esmola, pensar numa instituição, juntar-me à renúncia diocesana, que a Igreja toda neste tempo faz em vista de uma obra comum. É muito importante que nos privemos de pequenas coisas para podermos ajudar, para podermos perceber o que significa a caridade. A caridade – que Deus tem tanta para connosco e, por vezes, nós temos tão pouca para com o nosso próximo. No fundo, é no dom, é na esmola, que pode ser uma coisa um bocadinho difícil de entender culturalmente, mas a esmola tem um sentido espiritual muito forte. Quer dizer: Não é dar uma coisa do alto do meu porta-moedas ou da minha conta bancária, mas é partilhar daquilo que eu vivo, partilhar do meu trabalho, partilhar do que eu tenho, e ter esse sentido muito profundo da comunhão. Porque os bens escravizam-nos e, se a gente fecha a nossa mão sobre o que julga possuir, somos possuídos por isso. O dinheiro é um brinquedo muito complicado num caminho espiritual, porque é uma barreira dificílima de vencer. E nós, cristãos, temos de ganhar uma liberdade muito grande face aos bens, porque a verdade é que os bens têm de ser simplesmente instrumentais, têm de servir – e isso de uma forma clara.

Queridos irmãs e irmãos, este tempo da Quaresma é, assim, um tempo que nos coloca perante o Deus que vê no segredo. Não podemos viver uma vida só de aparente virtude, de quem olha para nós e diz “sim, senhor, fulana de tal, muito boa pessoa; sim senhor, fulano de tal uma pessoa muito respeitável” – mas, depois, dentro de nós é uma confusão, é um embaraço, um desnorte.

A Quaresma é uma bússola para afinar a nossa vida pela vida de Jesus, por aquilo que recebemos Dele. Vamos pedir ao Senhor que nos dê este espírito de conversão. É importante que cada um de nós faça o seu programa de Quaresma, que defina: “Nesta Quaresma decidi fazer isto, isto e aquilo.” Não tem de ser muitas coisas. Pode ser uma, duas, três, mais não, senão depois ficamos irreconhecíveis e isso também Deus não quer. Mas fazer aquilo que é pequeno, coisas pequenas, porque as coisas grandes depois não as conseguimos fazer. Fazer coisas pequenas e fazer coisas pessoais. Isto é: A Quaresma não é para os outros. Eu não posso decretar: “A partir de agora só se come batatas lá em casa.” E os outros, que não gostam de batatas? Não, é para mim, não é para o outro. É para mim, vou dizer o que é para mim e deixar a liberdade para o outro ser. E serem coisas possíveis, porque às vezes entusiasmamo-nos e queremos coisas impossíveis. Não, há uma arte dos pequenos passos, das pequenas coisas, a arte dos possíveis – e isso é também fundamental numa vida espiritual. Vamos por isso, com este espírito, pedir ao Senhor que desça sobre nós, que seja o Seu Espírito a transformar-nos, a abrir o nosso coração, e a tornar-nos discípulos autênticos do Senhor."

Pe. José Tolentino Mendonça, Quarta-feira de Cinzas de 2015, homilia na Capela do Rato

quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

Ética da Atenção

Advento: atender e estar atento

A “atenção” (attentio) vem de “atender” (attendere) e significa orientar o espírito e a mente para aquilo que vem. Esta orientação corporal de si pressupõe a vigilância e a meditação enquanto experiência espiritual e lugares onde se exercita a atenção. A oração é um ato corpóreo, de quase suspensão do tempo e do espaço, de mobilização sensível que nos envolve totalmente na reciprocidade de uma relação. O tempo de advento é um tempo de exercitação da atenção, de prática de uma “ética da atenção”, como escreve a filósofa francesa Natalie Depraz (in Attention et vigilance. À la croisée de la phénoménologie et des sciences cognitives).

Atender é olhar o tempo de um outro modo, a partir da doação e da dádiva. Dar tempo, é dar-se por inteiro nesse tempo de espacialidades e vida cruzadas, sem o esgotar e sem se esgotar, é um ato de reconhecimento de que a condição temporal nos é dada; é a acreditação da possível vinda de… Dar o seu tempo é ser dom para os que se sentem esquecidos nas brumas temporais da história, sem eternidade. Dar algo do seu tempo, é fazer do presente grávido de futuro promitente; é atender, olhar o outro/a, é dizer que em cada sobressalto invernal pode florir uma amendoeira; é perguntar: O que te perturba?” (Simone Weil). Vigiar é atender, qual ato litúrgico expectante de floração em tempos de “esplendor do caos” (Eduardo Lourenço) e de barbárie.

Muitos são os lugares e espaços expressivos do exercício vigilante da vida, de desabrochamento da criatividade adormecida dos humanos. A arte, em sua manifestação profunda da condição humana de outrem (além do contentamento autobiográfico), é uma das expressões onde se poderá exercitar essa “ética da atenção”, do olhar proexistencial e proafetivo, de cuidado das vítimas da voragem mecânica dos mercados e da solidão inóspita do abandono total.

Simone Weil, filósofa e mística de olhos abertos ao drama do homem moderno, dá corpo à «ética da atenção», quando, no seu livro À espera de Deus, escreve que «não é apenas o amor a Deus que tem por substância a atenção. O amor ao próximo, que sabemos ser o mesmo amor, é feito da mesma substância. Os infelizes não precisam de outra coisa neste mundo senão de homens capazes de lhe prestarem atenção. A capacidade de prestar atenção a um infeliz é coisa muito rara, muito difícil; é quase um milagre; é um milagre».

O ato sábio de saber olhar não é algo inato. A visão sim! O olhar exige aprendizagem em profundidade e amplitude. O olhar, se o é, é sempre um olhar atento, de expectação e pasmo diante do que ou de quem nos chega como absolutamente inesperado. Por que será que deixamos de nos espantar? A filosofia é tida como a arte do questionamento, melhor a arte do espanto diante dos fenómenos que vêm até nós à espera de acolhimento interpretativo. Paul Tillich, filósofo e teólogo crente, tem razão quando escreve que «a espera antecipa o que não é ainda real. Se esperarmos com esperança e paciência, o poder daquilo que esperamos age em nós… Nós somos mais fortes na expectativa do que na posse».

Na base da vigilância está a atenção e a meditação. A atenção porque coloca o sujeito em estado de tensão, de atendimento, de mobilização corpórea da sua sensibilidade para o que vem ou que possa advir de qualquer evento, do interior ou do exterior, de si ou da relação intercorpórea com a “carne do mundo”. A meditação porque ela exercita e coloca em ato a mente corpórea, o estar no mundo como devir, como processo, à espera da irrupção do novo que advém imprevisivelmente. A «atenção é uma espera, e não há consciência sem uma certa atenção à vida. O devir é aí: ele chama-nos, ou melhor ele nos atrai para ele; esta tração ininterrupta, que nos faz avançar sobre a rota do tempo, é a causa de agirmos continuamente. Toda a ação está sedimentada sobre o futuro» (Natalie Depraz) que vem inesperadamente até nós.

De igual modo, o neurofisiologia alemão Wolf Singer assegura que a «meditação é um processo muito ativo, que exige atenção em grande medida, como processos de aprendizagem, que levam a mudanças duradouras das redes neuronais respetivas... Atividades do cérebro deixam vestígios» (referência facultada pelo professor Manuel Moreira Costa Santos). Esta atividade meditativa, mobilização sensível toda de si ou de uma comunidade, gera uma prática intercorpórea da atendibilidade. A meditação profunda, exercitada quotidianamente, é um ato de kenose, de descentramento e despojamento de si, que permite imaginar novas realidades e transfigurar a existência a partir da palavra, do gesto, do silêncio, do encontro, da saudade, da promessa ou da angústia…

A experiência de tudo isso, como uma constante e variante existencial, precede as pias formulações inquestionáveis. A experiência cristã vive da parusia, da atendibilidade, e por isso, o crente dirige a sua atenção, o seu olhar, o seu movimento corpóreo singular e comunitário para à vinda do corpo glorioso. Adventus de advenio, advinda, chegada ou vinda (de algo para vir). A conversão do olhar e de acolhimento afetivo do Outro que nos chega, que surpreendentemente nos aparece e advém até nós. Atender é tornar-se disponível para o quotidiano e para a sua possível transfiguração. A atenção é uma espera, que «não possuímos, e por isso mesmo esperamos» (Paul Tillich), na surpresa e no espanto de um novum existencial.

Este ato de espera é simultaneamente passivo-ativo. Passivo porque nos é dado, está para além das nossas capacidades e méritos, tal como recebemos o nosso nascimento passivamente. Ativo porque envolve a pessoa toda, o seu empenho e compromisso ao longo da sua existência com os outros. E, nesse sentido, é um ato livre, consciente e responsável do humano crente, de reciprocidade aceitante ou não daquilo que vem como dom, como oferta e como totalidade.

Para Natalie Depraz, que tem procurado realizar um profícuo entrelaçamento entre fenomenologia, espiritualidades ortodoxa e neurociências, existe uma ética atencional que «é um movimento de abertura orientado para as coisas, para os outros e para o mundo; ser consciente, é ser consciente de qualquer coisa». Esta consciência corpórea, na medida em que o corpo se movimenta no espaço intersubjetivo de relação a outrem, é uma consciência em vigilância, «qualidade de presença a si que é condição de presença justa aos outros».

Esta dimensão particular do tempo que envolve a espera ativa e vigilante, na atenção e na meditação orante, parece ter desaparecido em geral da experiência cristã contemporânea, excetuando algumas e belas experiências monásticas de alto perfil antropológico. Paradoxalmente, o esquecimento de uma “teologia do advento” enquanto “ética da atenção e da vigilância” é o mais puro esquecimento de Deus feito carne, de uma vida crente centrada mais na formulação doutrinária, na organização estrutural (sedimentação do presente) sem profecia nem poesia.

Enzo Bianchi, prior da comunidade monástica de Bose, num artigo recente, di-lo doutro modo: «Eis o verdadeiro Natal cristão: nós recordamos o teu nascimento em Belém, Senhor, atendemos a tua vinda gloriosa, acolhemos o teu nascimento em nós, hoje. Por isso o místico do século XVII Angelo Silesio podia afirmar: "Mesmo que Jesus nascesse mil vezes em Belém, se não nasce em ti… tudo é inútil"».

João Paulo Costa
SNPC

A morte do Pai Natal

Na génese: a arte do Dom

"Quando as crianças se dão conta - e dão-se conta muito depressa - que o Pai Natal não existe, falam disso entre elas, mas diante dos adultos fingem que não o sabem ainda durante algum tempo, porque percebem que isso lhes dá prazer. O Pai Natal é uma crença extremamente efémera que se torna numa representação cultural ou familiar tácita, apenas isso. Não admira que muitos se interroguem sobre a razão da persistência da sua figura quando, grandes ou pequenos, muito poucos acreditam verdadeiramente nela. O Pai Natal seria então uma imposição meramente comercial, um ícone vazio, um símbolo gasto e esgotado que não tem nada mais a dizer? Provavelmente sim, se pensarmos na banalização massiva que assistimos ano após ano.

Em todo o caso, vale a pena sondar esta estranheza que faz com que os pais continuem a atribuir a uma outra entidade - uma entidade gráfica e pitoresca como o Pai Natal - os dons que eles mesmos compram para os próprios filhos. Seria lógico pensar que faria mais sentido que o presente fosse ligado ao seu rosto, um rosto bem conhecido, que transmite confiança e afeto, um rosto que reforça o contexto habitual da criança. O dom é, em vez disso, atribuído a uma entidade anónima, desconhecida, que aparece anualmente e de modo fugaz, sem uma relação personalizada com aqueles que oferecem os dons. Mas é precisamente este fato que nos induz a refletir sobre aquilo que se ativa no ato de dar e de receber. Que significa dar? Quem é o agente do dom? De quem recebemos aquilo que nos é dado? É aqui que se decide o sentido submerso do Pai Natal.

Sublinhemos, antes de mais, que o Pai Natal não deixa de ser um pai. O, melhor, o pai de um pai, um avô, se tivermos em consideração a sua idade, a sua barba branca, o seu humor tilintante e redondo, a sua bondade um pouco extravagante. Trata-se, no fundo, de um predecessor, de alguém que não representa apenas o instante atual mas quanto nos é transmitido de geração em geração, aquilo que os nossos pais nos dão porque o receberam antes dos seus pais e assim por diante.

O Pai Natal alarga os restritos metros quadrados da família contemporânea e estende os laços, testemunhando também tudo aquilo que se recebe dos outros, e não só dos pais, não só daqueles que constituem o quadro normal da vida. Deste modo, ele une cada criança a todas as crianças do mundo na expectativa e no entusiasmo pelo dom, sem o qual a vida nada seria. O dom, não o esqueçamos, é muito diferente do circuito frio, tão sonâmbulo e voraz, da troca e do comércio, mesmo se hoje parece totalmente sequestrado por essas lógicas.

O que é que de mais precioso podemos dar aos outros que a nossa atenção criativa, o nosso cuidado, o nosso tempo, a nossa fidelidade ao que cada um, em cada instante, é? O dom gera dom, mas não no sentido da gramática mercantil que procura o proveito próprio mais do que a experiência autêntica da oferta de um presente.

O citadíssimo "do ut des" (dou-te para que me dês) é um mote que trai a beleza do dom, o qual pode ser unicamente uma expressão de amor sem cálculo nem medida. Por isso é urgente resistir à pressão comercial que enche o saco do Pai Natal de coisas, coisas e mais coisas, que têm o único efeito de neutralizar a relação, de perpetuar de modo camuflado a indiferença e a distância, em vez de construir uma presença calorosa, disponível, confiante na nossa humanidade diante da humanidade dos outros.

Por isso, quando nós, adultos, nos sentamos junto às crianças, mesmo àquelas que ainda não sabem escrever, para as ajudar a redigir a sua cartinha ao Pai Natal, é importante que tenhamos bem claro dentro de nós a oportunidade e o sentido que naquele momento estão em jogo. Precisamos de reaprender a arte do dom."

José Tolentino Mendonça In "Avvenire"
Traduzido por Rui Jorge Martins e publicado no SNPC a 19 de dezembro de 2015

sábado, 2 de dezembro de 2017

O sentido dos presentes de Natal

Porquê dar no Natal?
"O Natal é a festa do dom supremo: o nascimento de Jesus. Por amor a nós, Deus envia o seu Filho para nos salvar. Mas porquê oferecer presentes? Porque eles exprimem de maneira concreta este amor que temos uns pelos outros. Todos temos necessidade de atenção e ternura. Os presentes, escolhidos com amor, são o sinal do reconhecimento que se tem por cada pessoa e que também existe por nós. Mesmo se nem todas as pessoas lhes dão a mesma importância e a mesma atenção – nomeadamente por causa das diferentes culturas familiares ou devido às diferenças de idade –, os presentes são mais do que um simples ritual: têm sentido. Desde a mais tenra idade vale a pena encorajar as crianças a dar presentes, para lhes dar o gosto de agradar e ensinar-lhes a prestar atenção aos outros. Um presente pode ser um meio de dizer «amo-te», «gosto muito de ti» ou «obrigado».

Como escolher um presente?
Não é fácil escolher o presente certo, que agradará, ao mesmo tempo que faz sentido para nós. Para os familiares, como satisfazer uma criança e, simultaneamente, escolher alguma coisa de educativo que lhe convenha? O bom presente é sem dúvida aquele que permite a quem oferece responder à expetativa do outro, dando-lhe alguma coisa de si próprio – não para o estragar ou suscitar gratidão, mas para verdadeiramente o agradar e dar resposta às suas necessidades ou desejos.

Saber receber
Saber oferecer, mas também saber receber. Num presente, tudo conta, cada um tem a sua linguagem. Algumas pessoas não gostam de os aceitar. E há toda uma arte de os receber: não esperar demasiado deles, deixá-los falar, deixá-los dizer o amor de que são portadores. Isto supõe acolhê-los verdadeiramente, encontrar-lhes um lugar de onde, de tempos a tempos, nos possam piscar o olho. E então, através de um misterioso retorno, somos levados a pensar naqueles que os ofereceram.

Abrir o coração aos outros
A visita dos magos ou dos pastores ao presépio realça um cenário de dons. A mirra, o ouro e o incenso, bem como os cordeiros oferecidos pelos reis e pastores vindos de todos os horizontes, de etnias diferentes, de distintas camadas sociais, entronizam o poder divino. É um ato que une. Além daqueles que amamos porque nos são próximos, há também aqueles que conhecemos por necessidade. A esses com quem nos cruzamos diariamente, podemos também dar um pequeno presente ou ter um gesto que diz mais do que aquilo que é esperado. Há muita alegria ao dar um presente a desconhecidos, a irmãos e irmãs do outro lado do mundo ou que estão mais perto, a quem podemos chegar através de associações de solidariedade. Nestes casos, o presente não tem troca, mas não deixa de ter efeito, quer para quem recebe como para quem oferece.

Sermos presentes uns para os outros
Somos todos chamados a ser presentes uns para os outros. Para além dos dons materiais, aproveitemos o período do Natal para regressar ao essencial, aos sentimentos que nos ligam, ao que nós podemos ser ou fazer por alguém."

Véronique Fruchard In "Fêter Nöel"
Tradução de Rui Jorge Martins, publicado por SNPC a 15 de dezembro de 2014

terça-feira, 24 de outubro de 2017

Uma ponte entre os católicos LGBT e a hierarquia da Igreja

Precisamos construir uma ponte entre a comunidade LGBT e a Igreja Católica. 
(Parte I)

por James Martin, S.J
tradução de José Leote (Rumos Novos)

"O relacionamento entre a comunidade LGBT católica e a Igreja Católica nos Estados Unidos tem sido, algumas vezes, contencioso e combativo e, noutros momentos, aconchegante e acolhedor. A maior parte da tensão que caracteriza este relacionamento complicado resulta de uma falta de comunicação e, infelizmente, de uma grande dose de desconfiança entre os católicos LGBT e a hierarquia. O que é preciso é uma ponte entre essa comunidade e a igreja.

Convido-vos a caminharem comigo ao longo dessa importante ponte. Com essa finalidade, gostaria de refletir sobre o modo como a igreja tenta alcançar a comunidade LGBT e o modo como esta tenta alcançar a igreja. Isto porque boas pontes levam as pessoas em ambos os sentidos.

Como sabem, o Catecismo da Igreja Católica afirma que os católicos são chamados a tratar a pessoa homossexual com «respeito, compaixão e delicadeza» (2358).

O que é que isto pode significar? Vamos meditar nisso e também numa segunda pergunta: O que é que pode significar para a comunidade LGBT tratar a igreja com «respeito, compaixão e delicadeza»? Claro está que os católicos LGBT fazem parte da igreja, pelo que, num determinado sentido, estas perguntas implicam uma falsa dicotomia. A igreja é todo o povo de Deus e é estranho discutir a forma como o povo de Deus se pode relacionar com uma parte do povo de Deus. Portanto, é boa moda jesuíta, deixem-me refinar os nossos termos. Quando, nesta discussão, me refiro à igreja, quero significar a igreja institucional, ou seja, o Vaticano, a hierarquia, os funcionários de igreja e o clero.

A PRIMEIRA FAIXA

Vamos dar uma volta na primeira faixa da ponte, aquela que conduz da igreja institucional à comunidade LGBT e que reflete sobre o «respeito, compaixão e delicadeza».

1) Respeito. O que é que pode significar para a igreja ter «respeito» pela comunidade LGBT?

Primeiro, respeito significa, no mínimo, reconhecer que a comunidade LGBT existe e que, como qualquer outra comunidade, deseja ver a sua existência reconhecida. Significa igualmente reconhecer que a comunidade LGBT traz dons únicos à igreja, tal como acontece com qualquer outra comunidade.

Reconhecer que os católicos LGBT existem tem implicações pastorais importantes. Significa pôr em prática ministérios que algumas dioceses e paróquias já fazem e muito bem. Exemplos incluem celebrar Missas com grupos LGBT, patrocinar programas diocesanos e paroquiais de acolhimento e, em geral, fazer com que os católicos LGBT se sintam parte da igreja e se sintam amados.

Alguns católicos levantam objeções a esta abordagem, dizendo que tal acolhimento pode ser um sinal de acordo tácito com tudo o que cada um na comunidade LGBT diz ou faz. Esta parece ser uma objeção injusta, porque não é colocada em relação a nenhum outro grupo. Se uma diocese patrocina, por exemplo, um grupo de acolhimento para homens de negócios católicos, isso não significa que a diocese esteja de acordo com todos os valores personificados pela América corporativa. Nem tão pouco significa que a igreja santificou tudo aquilo que cada homem ou mulher de negócios faz. Ninguém está a sugerir isso. Por que não? Porque as pessoas compreendem que a diocese está a tentar ajudar uma comunidade particular a se sentir mais ligada à sua igreja, a igreja à qual pertencem em virtude do seu batismo.

Em segundo lugar, o respeito significa chamar a um grupo aquilo que ele pede que lhe chamem. Num nível pessoal, se uma pessoa diz: «Prefiro ser chamado Jim em vez de James», costumamos ter isso em consideração. É cortesia comum. O mesmo se passa ao nível grupal. Já não dizemos «Pretos». Porquê? Porque esse grupo se sente mais confortável com outros nomes: «Afroamericanos» ou «negros». Recentemente, foi-me referido que «pessoas deficientes» não é tão aceitável como «pessoas portadoras de deficiência». Portanto, a última expressão é aquela que passarei a utilizar. Porquê? Porque é respeitoso chamar as pessoas pelo nome que elas escolhem. Toda a gente tem o direito de nos dizer o seu nome.

Esta não é uma preocupação menor. Nas tradições judaica e cristã os nomes são importantes. No Antigo Testamento, Deus dá a Adão e a Eva a autoridade para darem nome às criaturas (Gn 2, 18-23). Deus também renomeia Abrão como Abraão (Gn 17, 4-6). Os nomes no Antigo Testamento representam a identidade de uma pessoa. Saber o nome de uma pessoa significa que a conhecemos. Essa é uma razão pela qual, quando Moisés pergunta o nome de Deus, Deus diz-lhe: «Eu sou aquele que sou.» Por outras palavras, não tens nada com isso (Ex 3, 14). Mais tarde, no Novo Testamento, Jesus renomeia Simão como Pedro (Mt 16, 18; Jo 1, 42). O perseguidor Saul renimeia-se como Paulo. Os nomes são também importantes atualmente na nossa igreja. A primeira pergunta que um padre ou diácono faz aos pais no batismo de uma criança é: «Que nome dais a esta criança?»

Os nomes são importantes. Deste modo, os líderes da igreja são convidados a estarem atentos à forma como chamam a comunidade LGBT e deixar descansar frases do tipo «afligidos por atrações do mesmo sexo» que nenhuma pessoa LGBT que conheço utiliza e, eventualmente, «pessoa homossexual», que parece excessivamente clínica para muitas pessoas. Não estou a prescrever que nomes utilizar, embora «gay e lésbica», «LGBT» e «LGBTQ» sejam as mais comuns. Estou a afirmar que as pessoas têm o direito de se atribuírem os nomes que entenderem. Utilizar esses nomes é parte do respeito. E se o Papa Francisco pode utilizar a palavra gay, também o resto da igreja o pode fazer.

Finalmente, respeitar as pessoas LGBT significa aceitá-las enquanto filhos amados e filhas amadas de Deus. A igreja tem uma responsabilidade especial na proclamação do amor de Deus por pessoas que são frequentemente feitas sentir como mercadoria estragada, não merecedores do ministério e mesmo sub-humanos, seja por parte das suas famílias, vizinhos ou líderes religiosos. A igreja é convidada a simultaneamente proclamar e demonstrar que as pessoas LGBT são filhos amados e filhas amadas de Deus.

Respeitar as pessoas L.G.B.T. significa aceitá-las como filhos amados e filhas amadas de Deus e deixá-los aperceber-se de que são filhos amados e filhas amadas de Deus

Ainda mais, as pessoas LGBT são filhos amados e filhas amadas de Deus com dons – quer individuais quer como comunidade. Estes dons constroem a igreja em formas únicas conforme S. Paulo nos disse quando comparou as pessoas de Deus a um corpo humano (1 Cor 12, 14-27). Cada parte desse corpo é importante: a mão, o olho, o pé. Consideremos somente os dons trazidos por católicos LGBT que trabalham em paróquias, escolas, chancelarias, centros de retiros, hospitais e agências de serviço social. Aqui está um exemplo pessoal: alguns dos mais dotados ministros de música que conheci ao longo dos meus quase 30 anos como jesuíta eram homens gay, que trouxeram uma tremenda alegria às suas paróquias. Pois também eles se encontram entre as pessoas mais alegres que conheço ao nível da igreja.

A igreja no seu todo é convidada a meditar sobre a forma como os católicos LGBT constroem a igreja através da sua presença, do mesmo modo que os idosos, adolescentes, mulheres, possoas portadoras de deficiência, grupos étnicos variados ou qualquer outro grupo constrói uma paróquia ou diocese. Embora seja errado generalizar, podemos ainda colocar a questão: Quais podem ser esses dons?

Muitas, se não a maioria, pessoas LGBT sofreram, desde muito cedo, incompreensões, preconceito, ódio, perseguição e mesmo violência e, com frequência, sentem compaixão pelos marginalizados. A compaixão é um dom. Muitas vezes as fizeram sentir não bem-vindas nas suas paróquias e na sua igreja, mas elas perseveraram devido à sua fé vigorosa. A perseverança é um dom. As pessoas LGBT frequentemente perdoam ao clero e outros colaboradores da igreja que as trataram como mercadoria danificada. O perdão é um dom. Compaixão, perseverança, perdão são todos dons.

Deixem-me acrescentar outro dom: aquele dos padres celibatários e irmãos que são homossexuais e dos membros castos das ordens religiosas masculinas e femininas e que são gays ou lésbicas. Há várias razões que explicam porque praticamente nenhum clérigo e religioso/a gay ou lésbica saem do armário em relação à sua sexualidade. Entre eles encontram-se os seguintes: são meramente pessoas reservadas; os seus bispos ou superiores religiosos pediram-lhes para não falar nisso; eles próprios sentem-se desconfortáveis em relação à sua sexualidade; ou temem represálias dos paroquianos. Porém, existem muitos clérigos santos e trabalhadores e membros das orden religiosas que são gays ou lésbicas e que vivem as suas promessas de celibato e votos de castidade e que ajudam a igreja. Eles e elas dão-se livre e integralmente à igreja. Eles e elas próprios são o dom.

Ver e nomear todos estes dons é parte do respeitar os nossos irmãos e irmãs LGBT.

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

O Pobre de Assis: Teologia do Dom

«São Francisco de Assis: uma teologia da pobreza e do dom

O novo Papa escolheu o nome de Francisco com evidente referência a São Francisco de Assis. Um sinal de regresso ao essencial que nos oferece a ocasião para revisitarmos a teologia da pobreza e do dom desenvolvida pelo franciscano São Boaventura interpretando a vida de São Francisco de Assis.

São Francisco tornou-se pobre entre os pobres: ele viveu a experiência do dom de si e da pobreza; a partir desta experiência São Boaventura criará uma conceptualização do dom segundo quatro formas do dom:

1)Dom do ter: dar aquilo que se tem
São Francisco assumiu para si o versículo do Evangelho de São Mateus: «Se queres ser perfeito, vai, vende tudo o que tens e segue-me.» Assim, Francisco despoja-se e dá o seu dinheiro e os seus bens aos pobres. É o dom do ter.

2)Dom do ser: dar-se a si-mesmo
Mas não basta ajudar os pobres, é preciso tornar-se a si-mesmo pobre, tal como Deus se tornou homem despojando-se da sua condição divina. Deste modo, tal como Deus se deu a Si-mesmo, é preciso dar-se a si-mesmo. É o dom do ser.

3)Dom do dom: liberalidade, aban-dono [em francês: aban-don]
A pobreza perfeita não retém [não reserva] nada para si-mesma, nem mesmo a própria pobreza: «o saber do dom mata o dom» dizia Derrida, ou ainda: «toda a reciprocidade do dom mata o dom» segundo Jean-Luc Marion. Assim, realizar verdadeiramente o dom é dar o dom, isto é, nada esperar dele em troca e não orgulhar-se dele. É o dom do dom, o aban-dono [aban-don]. Reconhecemos aqui o debate contemporâneo sobre a doação em que Jean-Luc Marion elabora a posição seguinte: colocar entre parênteses o doador (visto que não é preciso esperar nada do dom), colocar entre parênteses o recebedor (visto que é preciso libertar-se das suas dívidas) e colocar entre parênteses o próprio dom (uma vez que não é preciso registá-lo). Assim desaparecidos doador e doado, apenas permanece o acto de doação.

4) A humildade, a dependência: reconhecimento da sua condição de criatura
Mais perfeita ainda do que o dom do dom, é a humildade, isto é, o reconhecimento por parte da criatura de que nada é e de que só de Deus depende [humildade: humus: terra (cf. Génesis 1)]. Aqui não se trata da humildade de servidão tal como a encontramos em S. Paulo ou em S. Bernardo. A humildade é a etapa suprema do dom: o franciscano dá-se de tal maneira que já não tem nada, nem mesmo a si-próprio, e já não depende senão de Deus. É a forma mais conseguida do dom.

A partir da obra de Emmanuel Falque, Saint Bonaventure et l’entrée de Dieu en théologie, 2001»

Nota do tradutor: Esta quarta forma do dom tem o seu equivalente no conceito de desprendimento (abegesheidenheit, détachement) de Mestre Eckhart.
Tradução de José Mendonça

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Dar

Como e o que Dar?

O que não presta para nós, não presta, decerto, para ninguém. Por isso, a dádiva tem de ser incondicional, tem de ser uma partilha genuína. 
Tem de ser uma atitude de continuidade, adotada por cada um como uma forma de estar na vida. 
Não damos tudo, mas damos do que é bom, do que é útil, do que faz bem, ainda que nos possa vir a fazer falta. 
Damos sem medo. 
Damos sem esperar nada em troca, sabendo, contudo, que quanto mais dermos, mais viremos a receber.

Margarida Cordo

In Minutos de reflexão, ed. Paulinas

sexta-feira, 4 de março de 2011

A discórdia na Igreja católica

Uma amiga do blogue sugeriu o link de um texto de Timothy Radcliffe. O texto, em inglês, intitula-se "Overcoming Discord in the Church" (Ultrapassar a discórdia na Igreja). Neste texto, o ex-superior dos Dominicanos reflecte, como é seu hábito, sobre temas cruciais na vida da Igreja. Fala das divisões, das diferentes sensibilidades e "traça" duas categorias de católicos: Os "Católicos do Reino" (Kingdom Catholics) e os "Católicos da Comunhão" (Communion Catholics).

O texto aparece organizado em vários subtítulos, que passo a enunciar:
  • Ambos estão a sofrer: sobre o sofrimento na Igreja e, em particular, nestas duas categorias de católicos
  • Actuando em todas as pessoas: sobre a acção do Espírito Santo
  • Conversa: sobre o diálogo e o encontro de um terreno comum
  • Falar sobre as verdades: sobre a necessidade de falar sobre tudo, inclusivamente as verdades básicas e os dogmas da fé. Sobre mistério e revelação, palavras e silêncio
  • Eu era jovem e tinha cabelo comprido: sobre os medos e as ameaças que, para alguns, parecem espreitar a cada canto; sobre castigo, reconhecimento e amor, catolicismo e universalidade
  • O que significa ser Romano: sobre o sentido de identidade, não estar "de acordo com", criatividade, liturgia como um dom
  • É difícil saber o que dizer: sobre a celebração da Eucaristia, passividade, receber um talento, ética sexual, pastoral, moral e dilema
  • O que diz o Evangelho sobre sexo: sobre o entendimento cristão da nossa sexualidade, o entendimento eucarístico do sexo, e urgências na mudança de atitude e de aprofundamento.
Ler o artigo na íntegra aqui

quarta-feira, 2 de março de 2011

A vocação da alegria

Procuras a alegria? Dá tudo o que tens!


(...) É a todos nós que experimentamos este desejo persistente [de algo mais - a esperança de que aquilo que ansiamos está ao alcance da mão, seguida do desapontamento e do regresso ao desejo inicial nunca satisfeito-] que Jesus estende o convite: “Vem comigo! Segue o meu caminho”. Muitos de nós estão prontos a dizer-lhe “sim”, mas subsistem algumas perguntas: Como é que eu O sigo? Qual é o seu caminho? Conhecemos a resposta genérica: “Ama a Deus de todo o teu coração e o próximo como a ti mesmo”. Mas como é que este preceito se torna concreto? Como é que podemos construir uma vida orientada em torno deste mandamento?

Começaremos por lembrar que o amor nunca é abstratoos bons sentimentos são simpáticos mas não são amor. O amor é sempre concreto. Damos o nosso amor e cuidado a uma pessoa específica, num determinado momento. Mais: amamos e cuidamos com o que temos e com o que somos, e não com o que outra pessoa tem ou é.

A concretização do amor a que somos individualmente chamados é definida pelos dons que Deus nos confiou. Por um lado, isto quer dizer que, provavelmente, os meus leitores não vão ser chamados a ser a Madre Teresa de Calcutá, e eu, definitivamente, não sou chamado a ser o organista da paróquia. Mas também significa que temos de nos esforçar arduamente para ver, nomear e desenvolver os nossos dons, a fim de os podermos partilhar com quem precisa do que temos para oferecer.

A intensa e ansiosa procura pela alegria, que todos nós tão bem conhecemos, nunca será plenamente satisfeita nesta vida. Mas se olharmos, identificarmos e desenvolvermos os nossos melhores dons e os dividirmos de coração aberto com todos os que deles necessitam, principiaremos a experimentar a alegria que sempre desejámos. Começaremos então a conhecer a paz para a qual fomos criados.
Mons. Dennis Clark

In Catholic Exchange
Trad. / adapt: Rui Martins, In SNPC

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

"O puro prazer deve ser inserido no gozo" e "Amar verdadeiramente sendo amado definitivamente"

A Igreja precisa de uma reforma nas questões do amor, afirma o cardeal
Segunda Parte

Castidade e sexualidade são sentidas como antíteses...

A castidade mantém o Eu ordenado. Eliminá-la significa reduzir o amor a mera habilidade sexual, veiculada por uma subestrutura de relações humanas que se fundamenta num grave equívoco e isto está na ideia de que no homem exista um ‘instinto sexual’ como ocorre com os animais. A psicanálise demonstra que não é verdade: também no nosso inconsciente mais profundo nada se joga sem o envolvimento do Eu. O sacrifício e o distanciamento requeridos pela castidade mantêm o Eu pessoal unido, abrindo caminho para uma possessão mais autêntica. O sacrifício não anula a posse, é a condição que o expõe.

Os doutores da Igreja falavam de ‘gaudium’ (gozo). O puro prazer, que por sua natureza acaba rapidamente, pede para ser inserido no gozo, pois se ficar fechado em si mesmo a posse o anula lentamente, enfraquece, deprime. Impressiona-me o facto de, quando digo estas coisas aos jovens, encontrar mais surpresa do que crítica.

Gozo e sexualidade parecem conceitos incompatíveis com a doutrina católica.

Não é assim. A mensagem bíblica foi a primeira, historicamente falando, a fazer ver a diferença sexual de uma óptica absolutamente positiva e criativa, como dom de Deus. Mas como em todas as coisas humanas, o positivo, o bem, o verdadeiro nunca são fáceis. Mas sem o belo, o bom, o verdadeiro, a vida enfraquece, não há em si energia para conduzir ao marasmo do real.

No livro dos Provérbios, entre as coisas muito árduas para compreender, o autor considera ‘o caminho do homem numa jovem mulher’. A mulher é a figura daquela que está no começo: eu saio dela ao nascer. Então, quando o homem e a mulher se encontram, fazem ao mesmo tempo a experiência de recomeçar aquilo que de qualquer forma já conheciam e de dar vida a uma novidade. Aqui existe a intrínseca raiz da fecundidade. O amor objectivo nunca é uma relação a dois. Aprendemo-lo através da Trindade.

Mas o que tem a reforma da Igreja a ver com isso?

Tem tudo a ver! Fundamental para a reforma da Igreja é reencontrar testemunhas credíveis do belo amor que Cristo, com uma infinidade de santos na sua grande maioria anónimos, introduziu na história. Penso em tantas gerações vividas na lógica do belo amor. Penso nos meus pais, nos olhos com que o meu pai aos noventa anos olhava a minha mãe também com noventa, doente, debilitada por um cancro violento nos rins. (...) Que amor teria sobrevivido melhor ao Eu do que esta ligação indissolúvel? Objectivamente não há comparação entre a densidade de uma experiência assim definitiva e o passar indefinido de uma sequência de relações precárias. No fim, quer seja a necessidade de amar definitivamente, quer seja a fragilidade sexual serão marcadas pelo terror da morte.

Para amar verdadeiramente devo ser amado definitivamente, ou seja, além da morte; e é isto que Jesus veio fazer. Se há um delito que nós, cristãos, cometemos, é não mostrar o dom maravilhoso de Jesus: dar a vida para nos fazer entender a beleza do amor objectivo e efectivo. Isto tem sempre um carácter nupcial, inseparável conexão de diferença, dom de si e fecundidade. O outro não está fora do meu Eu, o outro permeia-me todos os dias; a minha própria concepção está ligada a este permear-me. Por isso, humanizar a sexualidade através da castidade é um recurso capital para vencer a aposta do pós-moderno, para o homem do terceiro milénio que queira salvar o caminho do belo amor, que nos faz gozar verdadeiramente a vida.

Entrevista de Aldo Cazzullo, publicada no jornal Corriere della Sera, a de 18 de Julho de 2010; tradução de Alessandra Gusatto, adaptada por rioazur.

Ler Primeira Parte no blogue

Porque estou aqui

Sinto-me privilegiado por ter encontrado na Igreja um lugar vazio, feito à minha medida. É certo que tê-lo encontrado (ou encontrá-lo renovadamente, pois não é dado adquirido) foi também mérito da minha sede, do meu empenho, de não baixar os braços e achar, passivamente, que não seria possível. Passo a contextualizar: a comunidade onde vou à missa é pequena e acolhedora, e podia bem não o ser. Ao mesmo tempo, sentia um desejo grande de reflexão de vida cristã e encontrei um casal (heterosexual) que tinha a mesma vontade. Começámo-nos a reunir semanalmente numa pequena comunidade de oração e reflexão que, apesar de crítica, nos tem ajudado a sermos Igreja e a nela nos revermos. Paralelamente, face ao contínuo desencanto em relação a algumas posturas e pontos de vista de uma Igreja mais institucional e hierárquica, tive a graça de encontrar um grupo de cristãos homossexuais, que se reuniam com um padre regularmente, sem terem de se esconder ou de ocultar parte de si.

Sei que muitos cristãos homossexuais nunca pensaram sequer na eventualidade de existirem grupos cristãos em que se pudessem apresentar inteiros, quanto mais pensarem poder tomar parte e pôr em comum fé, questões, procuras, afectos e vidas.

Por tudo isto me sinto grato a Deus e me sinto responsável para tentar chegar a quem não teve, até agora, uma experiência tão feliz como a minha.

Este blogue também é teu

São benvindos os comentários, as perguntas, a partilha de reflexões e conhecimento, as ideias.

Envia o link do blogue a quem achas que poderá gostar e/ou precisar.

Se não te revês neste blogue, se estás em desacordo com tudo o que nele encontras, não és obrigado a lê-lo e eu não sou obrigado a publicar os teus comentários. Haverá certamente muitos outros sítios onde poderás fazê-lo.

Queres falar?

Podes escrever-me directamente para

rioazur@gmail.com

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laioecrisipo@gmail.com (psicologia)


Nota: por vezes pode demorar algum tempo a responder ao teu mail: peço-te compreensão e paciência. A resposta chegará.

Os textos e as imagens

Os textos das mensagens deste blogue têm várias fontes. Alguns são resultados de pesquisas em sites, blogues ou páginas de informação na Internet. Outros são artigos de opinião do autor do blogue ou de algum dos seus colaboradores. Há ainda textos que são publicados por terem sido indicados por amigos ou por leitores do blogue. Muitos dos textos que servem de base às mensagens foram traduzidos, tendo por vezes sofrido cortes. Outros textos são adaptados, e a indicação dessa adaptação fará parte do corpo da mensagem. A maioria dos textos não está escrita segundo o novo acordo ortográfico da língua portuguesa, pelo facto do autor do blogue não o conhecer de forma aprofundada.

As imagens que ilustram as mensagens são retiradas da Internet. Quando se conhece a sua autoria, esta é referida. Quando não se conhece não aparece nenhuma referência. Caso detectem alguma fotografia não identificada e conheçam a sua autoria, pedimos que nos informem da mesma.

As imagens são ilustrativas e não são sempre directamente associáveis ao conteúdo da mensagem. É uma escolha pessoal do autor do blogue. Há um critério de estética e de temática ligado ao teor do blogue. Espero, por isso, que nenhum leitor se sinta ofendido com as associações livres entre imagem e conteúdo.

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