A reportagem é de Patsy McGarry, publicada no jornal
Irish Times, a 20 de Agosto de 2010. Mensagem baseada na tradução de Moisés Sbardelotto, publicada no
Riacho a 23/08:
O comentador religioso norte-americano Robert Blair Kaiser afirmou num discurso que, a propósito das notícias (...) sobre a convocação de Jennifer Sleeman (80 anos) para um
boicote à missa dominical do dia 26 de Setembro
em protesto contra o tratamento do Vaticano para com as mulheres, "essa avó de Cork" pode "já ter começado uma revolução".
"Ela obviamente acredita no que eu acredito, que
podem ter voz e voto na sua própria Igreja e ainda ser católicos e, ao mesmo tempo, irlandeses", disse.
Autor de 13 livros, muitos sobre a reforma da Igreja Católica, Kaiser foi homenageado com um prémio
Overseas Press Club pela sua cobertura do Concílio Vaticano II como correspondente da revista
Time.
(…) Sobre o tema "
Reforma da Igreja Católica: Tronos nunca mais", afirmou que, "até à revolução coperniciana, os monarcas exerceram o controlo absoluto sobre seus súbditos por direito divino.
Mas quando os povos do mundo, informados sobre uma nova cosmologia,
colocaram o direito divino dos reis na lixeira da história, eles esqueceram-se de também atirar ao lixo o direito divino dos papas".
E enfatizou: "
Não estou a atacar a nossa fé católica. Estou a falar sobre a tirania especial e corrosiva que os papas têm exercido sobre os católicos em todos os lugares".
…
"
Durante mil anos, os papas promoveram uma Igreja clerical em vez de uma Igreja de Jesus. Os Padres do Concílio Vaticano II trabalharam durante sérios quatro anos para devolver a Igreja ao povo. E os papas João Paulo II e Bento XVI passaram os 30 anos seguintes a anular os seus trabalhos e a permitir que a corrupção reinasse, um movimento que deixou a nossa Igreja, que é o corpo de Cristo na terra, despedaçada".
"Vocês podem ajudar a criar uma Igreja do povo?", questionou. "Sim! Podem, se quiserem. Nesse contexto, eu gostaria de citar o papa João Paulo II. Em 1978, ele foi a Varsóvia e disse a milhões de polacos: 'Podem recuperar o vosso país se o exigirem'. Vocês poderiam dizer a mesma coisa: 'Nós
podemos recuperar a nossa Igreja se o exigirmos' ".
"Os polacos estavam a lutar contra todas as probabilidades – o próprio poderio militar da União Soviética. Mas venceram a batalha".
"As notícias da última década sobre a nossa Igreja em ruínas e que abusa da sua autoridade podem querer dizer que a mudança já está a acontecer, e a acontecer mais rápido do que se pensa".
Em resposta, o vice-director do jornal
Irish Catholic, Michael Kelly, disse que
o clericalismo na Igreja "foi o cerne do escândalo dos abusos sexuais". Por "clericalismo", referia-se a "
uma mentalidade elitista, com estruturas e padrões de comportamento a ela associados, que partem do princípio que os clérigos são intrinsecamente superiores aos outros membros da Igreja e que merecem automaticamente deferência. A passividade e a dependência são a sina dos leigos".
http://riacho.blogs.sapo.pt/139570.html