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A diversidade na Igreja

"A casa do meu Pai tem muitas moradas", diz-nos Jesus no evangelho.

A unidade na diversidade não é sempre aparente na Igreja enquanto povo de Deus, mas é uma realidade em Deus e uma presença na fé cristã desde a sua origem. A Palavra de Deus não é partidária, elitista e exclusiva. O Reino de Deus é como uma árvore que estende os ramos para dar abrigo a todos os pássaros do céu. Cristo não morreu na cruz para salvar uma mão cheia de cristãos. Até o Deus Uno encerra em si o mistério de uma Trindade.

A Palavra de Deus é inequívoca e só pode levar à desinstalação, à abertura ao outro, e a recebê-lo e amá-lo enquanto irmão ou irmã. Ninguém fica de fora, nem mesmo - se tivessemos - os inimigos.

Muitos cristãos crêem nesta Igreja, nesta casa do Pai, corpo de Cristo, templo do Espírito Santo. Mas como esquecer que muitos se sentem "de fora" por se verem rejeitados, amputados e anulados, e afastam-se por ninguém lhes ter mostrado que há um lugar para cada um, com a totalidade do seu ser?

Um blogue para cristãos homossexuais que não desistiram de ser Igreja

Porquê este blogue?

Este blogue é a partilha de uma vida de fé e é uma porta aberta para quem nela quiser entrar. É um convite para que não desistas: há homossexuais cristãos que não querem recusar nem a sua fé nem a sua sexualidade. É uma confirmação, por experiência vivida, que há um lugar para ti na Igreja. Aceita o desafio de o encontrares!

Este blogue também é teu, e de quem conheças que possa viver na carne sentimentos contraditórios de questões ligadas à fé e à orientação sexual. És benvindo se, mesmo não sendo o teu caso, conheces alguém que viva esta situação ou és um cristão que deseja uma Igreja mais acolhedora onde caiba a reflexão sobre esta e outras realidades.

Partilha, pergunta, propõe: este blogue existe para dar voz a quem normalmente está invisível ou mudo na Igreja, para quem se sente só, diferente e excluído. Este blogue não pretende mudar as mentalidades e as tradições com grande aparato, mas já não seria pouco se pudesse revelar um pouco do insondável Amor de Deus ou se ajudasse alguém a reconciliar-se consigo em Deus.
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sábado, 7 de abril de 2018

Igreja é Comunhão

«Comunhão», um dos mais belos nomes da Igreja

Se nos pudéssemos lembrar sempre de que Cristo é comunhão ...

Ele não veio à Terra para criar mais uma religião, mas para dar a todos a possibilidade de uma comunhão em Deus. Os seus discípulos são chamados a, humildemente, ser fermento de confiança e de paz na humanidade.

Quando a comunhão entre os cristãos é uma vivência, e não uma teoria, transporta um brilho de esperança. Mais ainda: ela pode sustentar a indispensável busca da paz do mundo.

Assim sendo, como é que os cristãos podem continuar ainda separados?

A reconciliação dos cristãos é hoje urgente. Não pode ser eternamente adiada para mais tarde, até ao fim dos tempos.

Ao longo dos anos, a vocação ecuménica proporcionou partilhas extraordinárias. São as premissas de uma reconciliação. Mas quando a vocação ecuménica não se concretiza em comunhão, não leva a lado nenhum.

O Patriarca ortodoxo grego de Antioquia, Inácio IV, é o autor destas palavras impressionantes: «As nossas divisões tornam Cristo irreconhecível. Precisamos urgentemente de iniciativas proféticas que façam sair o ecumenismo dos meandros nos quais receio que se esteja a enterrar. Temos uma necessidade urgente de profetas e de santos que ajudem as nossas Igrejas a converterem-se através do perdão recíproco.» E o Patriarca apelava a que se «privilegiasse a linguagem da comunhão em vez da linguagem da jurisdição».

O papa João Paulo II, ao receber em Roma os responsáveis da Igreja Ortodoxa da Grécia, falava do «ecumenismo da santidade, que nos conduzirá por fim à comunhão plena, que não é nem uma absorção nem uma fusão, mas um encontro na verdade e no amor».

Na longa história dos cristãos, a certa altura, multidões de crentes deram por si separadas, por vezes sem sequer saberem porquê. Hoje é essencial fazer tudo para que o maior número possível de cristãos, frequentemente inocentes nessas separações, se descubram em comunhão.

Será que a Igreja pode dar sinais de grande abertura, tão grande que se possa constatar que os que no passado estavam divididos já não estão separados, mas vivem agora em comunhão?

Será dado um passo em frente quando se verificar que existe já uma vida de comunhão em alguns lugares do mundo. Será preciso coragem para o constatarmos e para nos adaptarmos. Os textos virão depois. Se privilegiarmos os textos, não acabaremos por nos distanciar da interpelação do Evangelho: «Vai primeiro reconciliar-te»?

São inúmeras as pessoas que desejam a reconciliação do fundo do coração. Aspiram a esta alegria infinita: um só amor, um só coração e uma só e mesma comunhão.

Sim, a comunhão é a pedra de toque. Ela nasce em primeiro lugar no coração de cada cristão, no silêncio e no amor. Começa, desde logo, no interior de cada pessoa.
Há cristãos que, sem esperar mais, vivem já reconciliados nos lugares onde se encontram, de forma muito humilde e simples.

Através das suas próprias vidas, gostariam de tornar Cristo presente para muitas outras pessoas. Sabem que a Igreja não existe para si mesma, mas para o mundo, para nele depositar um fermento de paz.

«Comunhão» é um dos mais belos nomes da Igreja: nela não há lugar para a brusquidão recíproca, mas apenas para a clareza, a bondade do coração, a compaixão...

Nesta comunhão única que é a Igreja, Deus dá-nos tudo para irmos às fontes: o Evangelho, a Eucaristia, a paz do perdão... E a santidade de Cristo deixa de ser inalcançável; está presente, muito próxima.

Permitam-me que volte a dizer que a minha avó materna descobriu, intuitivamente, uma espécie de chave da vocação ecuménica e que ela me abriu um caminho para a concretizar.

Depois da Primeira Guerra Mundial, habitava nela o desejo de que ninguém tivesse de viver aquilo que ela tinha vivido: na Europa, os cristãos tinham pegado em armas para combater uns contra os outros. Que ao menos eles se reconciliem para tentar impedir uma nova guerra, pensava ela. A minha avó era de origem evangélica mas, começando a reconciliação por si própria, começou a ir à igreja católica, sem, no entanto, romper com as pessoas da sua tradição.

Marcado pelo testemunho da sua vida, e ainda muito novo, encontrei a minha identidade de cristão seguindo as suas pisadas, reconciliando em mim mesmo a fé das minhas origens com o mistério da fé católica, sem quebrar a comunhão com ninguém.

Ir. Roger de Taizé
In "Não pressentes a felicidade?", ed. Paulinas
Publicado em Janeiro de 2015 in SNPC

sábado, 24 de março de 2018

Ritos e Sacramentos: para lá da magia e do teatro

Católicos são mais mágicos do que religiosos

Partilho com os leitores de moradasdedeus este texto, por constatar que tanto na Igreja é visto à luz da magia, do milagre e do fantástico e como é tão fácil esquecer o mais fantástico de tudo: que Deus se fez ser humano, que a boa nova revelada por Jesus nada tem de mágico nem de fantasia, que o reino de Deus se constrói aqui e hoje, e que Deus está presente no faminto, no que chora, no que está preso... (e se o cristão faz genuflexão frente ao sacrário, deveria atirar-se ao chão sempre que vê um pedinte ou que compactua com uma situação de injustiça, mesmo que essa cumplicidade seja feita por omissão ou por se calar)

"Os sacramentos da Igreja já não significam quase nada para a grande maioria daqueles que ainda participam neles. Um sinal que deixa de significar já não é um sinal, mas um jogo de magia. Os ritos cristãos e os símbolos em que se fundamentam degeneraram, para a maioria dos crentes, em pura magia. Claro que os homens e mulheres de hoje ainda precisam da magia, ou seja, de palavras e gestos que de uma maneira automática e irracional nos vinculem com o transcendente. Todavia, essa não é a questão.

Defendo que muitos dos comportamentos dos sacerdotes e leigos durante a celebração eucarística são essencialmente mágicos, não religiosos. Imaginaremos os apóstolos ajoelhados diante de Jesus ou Jesus a recolher migalhas do prato? Estes comportamentos refletem que a nossa atitude diante do sinal sacramental é mais mágica do que religiosa.

Para que possam significar, os sinais são para ser compreendidos. A doutrina da ex opere operato, que postula que o sacramento é eficaz, independentemente do entendimento de quem a recebe, desvinculou o sinal do sujeito, degenerou-o e coisificou-o. Os sacramentos são para ser entendidos, pelo menos em certa medida. Caso contrário, não sacramentalizam nada, que é o que sucede hoje nos nossos templos. Ninguém entende nada. O que as nossas missas me trazem à memória é o teatro do absurdo de Beckett.

Tomemos o exemplo da Eucaristia, cujos símbolos são o pão e o vinho. O pão é, desde logo, quotidiano, macio e nutritivo. Que o pão seja símbolo de Deus significa que Deus é algo quotidiano, macio, nutritivo. Mas se o símbolo é o pão, o sinal ou sacramento é o pão partido, repartido e consumido. Assim, trata-se de partir e repartir conscientemente o pão; de levá-lo conscientemente à boca; de, conscientemente, o mastigar e de o tragar.

Conscientemente significa, saber que não basta dar pão aos outros, mas ser pão para eles, de convertermo-nos em alimento que alivia as suas necessidades. Comer deste pão dá-nos força para ser pão. Na mesma linha, o sinal não é apenas o vinho, mas o vinho repartido e bebido. Beber deste vinho possibilita-nos ser vinho para os demais. E o vinho é o sangue, isto é, a vida: ser vida para os outros.

E isso de reservar a Eucaristia num sacrário, o que é? Não dissemos que o verdadeiro sinal é reparti-lo? A prova de que a nossa mentalidade é mágica, é pensarmos que Deus está no sacrário e não fora dele. ... Mas isso é um absurdo! Não é que ele esteja mais ali do que noutros lugares. Ele está lá para significar que está em toda a parte, para que o recordemos. Deus está em toda parte, dizemos, porém, de seguida, nós o colocamos dentro de uma caixa. Colocámo-lo em algumas teorias a que chamamos de teologia e em símbolos que chamamos de sacramentos, mas não sacramentalizam nada.

Resta apenas uma solução: explicar tudo como se nunca tivesse sido explicado, pois, quiçá, seja essa a situação; e resta, naturalmente, fazê-lo como se fosse a primeira vez, porque, talvez, o seja de verdade. Veremos, então, maravilhados, a potência dos nossos símbolos, resgataremos os nossos ritos, descobriremos, finalmente, o seu poder transformador da alma humana.

Mas existirá alguém na Igreja que se atreva? Haverá alguém que apresente estes símbolos e ritos não só como aqueles em que se cifra a mais genuína identidade cristã, mas como símbolos e ritos de valor universal, adequados para todos, cristãos ou não? Haverá alguém, em fim, que apresente o cristianismo como uma religião e humanismo inclusivo, não excludente nem exclusivo?

O respeito pela diferença de outras tradições espirituais não nos deve fazer perder da visão do cristianismo como proposta de humanização universal. Descubro em meus contemporâneos não só uma fome de espiritualidade, mas um desejo de recuperar, de forma compreensiva e atual, a tradição religiosa da qual provimos. O cuidado do silêncio, uma sensibilidade que está a crescer, comportará um cuidado da palavra e do gesto. Mas haverá alguém na Igreja que se atreva? Onde estão os profetas que nos fazem entender que só é possível a fidelidade ao passado a partir da criatividade e da renovação no presente?"

Pablo D’Ors
Padre e escritor espanhol, membro do Conselho Pontifício da Cultura, autor de "Biografia do silêncio" (ed. Paulinas)
Publicado em 26 de junho de 2015, in "Vida Nueva" (nº 2/947)
Tradução de João Paulo Costa
Publicado em SNPC

sexta-feira, 11 de abril de 2014

Sobre a Eucaristia

Porque a Páscoa se aproxima, parece-me oportuno algumas leituras em profundidade sobre o mistério da Eucaristia

Exigência da Eucaristia

A Eucaristia não é a conservação mágica de uma presença materializada, é a oferenda infinitamente real de uma presença universal à qual não podemos unir-nos senão tornando-nos nós próprios universais: na realidade a Eucaristia, que reúne toda a Igreja, que é o lugar eminente da Caridade, é uma exigência formidável.
É que a Eucaristia supõe que nós estejamos dispostos a todos os despojamentos, a todas as humildades, a todos os perdões que o nosso encontro com o Homem-Deus implica.
A Eucaristia implica que, para suscitar a humanidade dos nossos irmãos, para que os nossos irmãos se tornem ou sejam homens autênticos e verdadeiros, seja necessário mostrar-lhes em nós mesmos esse espaço ilimitado e silencioso onde se respira Deus!

Algumas comparações

Se a Eucaristia tem tanto valor para nós, é porque não se trata de maneira nenhuma de um rito mágico.
Tentemos algumas comparações, eu sei que é um terreno um pouco perigoso mas é preciso mesmo assim esclarecer a nossa religião.
Não é porque um livro está em cima da mesa que podemos agarrar, com a mão, a ciência que ele contém com a mão. É que o livro é o símbolo de um saber que nos será necessário assimilar por meio de uma presença espiritual: será preciso, para que ele signifique alguma coisa essencial para nós, que refaçamos à nossa escala todo o trabalho do escritor, todo o trabalho do sábio se for um livro de ciência, e é quando vós próprios tiverdes entrado no diálogo com a verdade que ele contém, que o livro terá cumprido a sua função.
A ciência não pode ser colocada em cima da mesa. Do mesmo modo que não se pode colocar a vossa amizade em cima da mesa, o vosso sorriso em cima da mesa, e pô-lo ao alcance da vossa mão ou da nossa.
Podeis trazer no vosso casaco a carta, e o pensamento, de um ser amado, mas sabeis muito bem que o pensamento do vosso amigo, tal como ele está expresso na carta, vós não o meteis no bolso. Colocais a carta no bolso, mas não o pensamento que ela exprime. Esse, vós colocai-lo no vosso espírito.
Na Eucaristia há algo de análogo: nós não pomos Deus em cima da mesa ou sobre o altar, não colocamos Deus na nossa boca ou no nosso bolso, mas há o pão e o vinho consagrados, como na carta, o veículo de uma presença real, do mesmo modo que a carta é o veículo de um pensamento real. E tal como não podeis entrar em contacto com esse pensamento real na carta ou no livro senão lendo a carta ou o livro, e assimilando espiritualmente o seu conteúdo, da mesma maneira para a Presença real eucarística: ela é infinitamente real, escusado será dizer, mas não é de modo nenhum local, de modo nenhum tangível, de modo nenhum fisicamente acessível, e de modo nenhum podeis entrar em contacto com ela senão através das espécies que, essas, podeis tocar.
Podeis tocar o pão e o vinho consagrados, transportá-los, consumi-los, bebê-los e comê-los, mas todos estes actos não se relacionam com a presença do Senhor, o pão e o vinho consagrados não são outra coisa senão o seu sacramento: a manducação física é o sinal que representa e realiza uma assimilação espiritual, se nós estivermos realmente presentes.

Presença real recíproca

Deus escapa-nos enquanto não vivermos na caridade, Deus escapa-nos enquanto não estivermos na corrente do amor. Deus escapa-nos enquanto não entrarmos nesse horizonte universal. De outro modo, ele seria então um «pequeno Bom Deus» feito à nossa medida, seria um ídolo!
Daqui resulta que a Eucaristia é essencialmente uma presença comunitária, uma presença à comunidade, pela comunidade e para a comunidade.
Não é que Cristo não esteja presente: Ele está sempre inteiramente presente a cada um de nós! É que se nós não podemos ser presentes e interiores aos outros, no interior dos outros, porque somos limitados e as nossas fronteiras nos impedem essa presença aos outros, e porque o nosso egoísmo nos enclausura na nossa solidão, Cristo, Ele, não tem fronteiras, nem limites e, por conseguinte, é interior a cada um de nós: Ele habita-Se no interior dos outros.
Cristo já está portanto presente em todos, dignos ou indignos, Ele é presente em todos, nós é que não estamos presentes em Cristo, e na Eucaristia trata-se precisamente de nos tornarmos presentes nEle, de nos apossarmos dEle, não um apossar-se material, não! Trata-se de, com a nossa intimidade, assimilar esta intimidade de Deus que se nos oferece. E, precisamente, o gesto comunitário, se o realizarmos lealmente, vai dar os seus frutos.
Finalmente, que fazemos nós na liturgia? Não pronunciamos palavras mágicas para pôr Deus num cálice. Que fazemos na Eucaristia? Fazemos com que toda a humanidade invoque Cristo e se solidarize com Ele dizendo sobre Ele: «Isto é o meu corpo, isto é o meu sangue!», vindo toda a humanidade colocar-se aos pés da Cruz.
E Cristo com as mesmas palavras investe a Sua comunidade e dá-Se à humanidade dizendo sobre ela: «Isto é o meu corpo, isto é o meu sangue.» E, no termo da formulação destas palavras, a Presença real é realizada dos dois lados, e Cristo, na refeição da fraternidade, dá-Se verdadeiramente aos seus, dá-Se à comunidade, pela comunidade e para a comunidade.

Uma comparação grosseira

Se quiserdes, ainda uma comparação extremamente grosseira: na missa, ligamos o rádio juntos para entrar em contacto e assimilar uma Presença que já lá está, precisamente como as ondas já lá estão na sala antes de acender o rádio, nós ligamos o rádio para captar essa Presença que é oferecida sempre, que já está em nós, mas à qual nós ainda não estamos presentes. As espécies eucarísticas são uma abertura para essa Presença.
Não se trata de imaginar que Cristo cai do céu sob a forma do pão e do vinho, trata-se bem de ver que o pão e o vinho se abrem a uma Presença que já lá está, interior a nós-mesmos, dada a cada um: ela abre-se e permite-nos entrar em contacto com ela porque, precisamente, as espécies são o símbolo da fraternidade visto que estamos ali numa refeição que reúne virtualmente a humanidade inteira e realiza um horizonte universal.
Nós não nos apossamos fisicamente de Cristo pela Eucaristia, apossamo-nos espiritualmente, e o sinal de que essa ligação espiritual é verdadeiramente realizada é que estamos juntos e realizamos juntos a comunidade humana da qual ninguém é excluído.
E isto é de tal modo verdade – ouvi bem – é de tal modo verdade que, se já não houvesse no mundo um só ser aberto pelo menos no estado de desejo, toda a consagração seria impossível, porque faltaria então a condição essencial: ser um apelo da comunidade, para a comunidade e na comunidade.
Se a consagração pudesse ser válida sem esta garantia de amor, sem esta garantia de uma intimidade humana oferecendo-se à intimidade de Deus, então Deus verdadeiramente seria apanhado na armadilha das fórmulas, e os sacramentos seriam ritos mágicos!
Mas não! Os sacramentos são o horizonte comunitário expresso por meio de sinais que comunicam realmente a presença de Deus tal como a carta comunica realmente o pensamento, tal como o livro comunica realmente a ciência, tal como um beijo comunica realmente a ternura sob a condição de que haja ternura, sob a condição de que as intimidades estejam reconciliadas e se fundem uma na outra.
É claro que, quando as portadas estão fechadas, o sol não pode penetrar, mas não é por culpa do sol. De igual modo Deus quando Ele está presente: se as nossas portadas estiverem fechadas, a sua presença permanece ineficaz.
É claro que todo o sobrenatural repousa sobre esta corrente de amor ao mesmo tempo que sobre esta comunhão da nossa intimidade com a intimidade de Deus: se separardes essa corrente de amor da nossa intimidade com Deus, já não existe senão magia!

A assimilação espiritual a Cristo

Se colocarmos um livro em cima da mesa, o livro contém na verdade o saber, mas o saber não está em cima da mesa, e é preciso que nós assimilemos o saber, e o livro é o sacramento do saber quando todo o nosso ser se abrir a ele.
Do mesmo modo, quando recebemos a carta de um amigo, podemos meter a carta no bolso mas não podemos meter no bolso o pensamento do amigo. O nosso pensamento e o nosso coração é que assimilam o conteúdo da carta: a carta é o sacramento do pensamento e da amizade ou do amor do amigo.
Da mesma maneira, não metemos Cristo na nossa boca quando comungamos. A manducação é o sacramento da nossa assimilação espiritual a Cristo que vem realizar-se através dela.
Sem amor não pode haver consagração válida: para que a consagração seja válida, é preciso que haja um apelo vindo do coração da comunidade e, se já não houvesse amor, já não haveria Igreja. A consagração supõe a comunidade que se dá como partilha de amor.
Todos os sacramentos têm um horizonte comunitário com um apelo universal, e não devemos fazer de Deus um ídolo: se já não houvesse uma intenção de amor no sacramento, já não haveria senão uma escandalosa magia!
O sacramento considerado a partir da aparência, sem a nossa presença sobrenatural, é um absurdo e uma negação de Deus e do homem. O sacramento traça um horizonte comunitário e preserva-nos assim da tentação de nele ver magia, e de reduzir Deus à nossa medida.
No sacramento é exigida a nossa presença.
O drama do sobrenatural mágico é de todos os tempos. E na medida em que a cristandade adere a este drama, ela tem a obrigação perante a humanidade de se insurgir contra esse Deus limite e obstáculo, colocado sob tutela.
A nossa intimidade com Deus não pode constituir-se senão como presença a um Deus sem limites e sem fronteiras.

(textos extraídos de MAURICE ZUNDEL, Un autre regard sur l’Eucharistie –Textes inédits présentés par Paul Debains. Paris, Éditions du Jubilé, 2006)


sábado, 2 de novembro de 2013

Comunhão e partilha

Homilia de Francisco no Corpo de Deus

Não devemos ter medo da solidariedade, diz papa, que pede comunhão e partilha

«Caros irmãos e irmãs, no Evangelho que escutámos, há uma expressão de Jesus que me impressiona sempre: «Dai-lhes vós mesmos de comer» (Lc 9,13). Partindo desta frase, deixo-me guiar por três palavras: seguimento, comunhão, partilha.

1. Antes de tudo: quem são aqueles a quem dar de comer? Encontramos a resposta ao início do trecho evangélico: é à multidão. Jesus está no meio das pessoas, acolhe-as, fala-lhes, cura-as e mostra-lhes a misericórdia de Deus. No meio delas escolhe os doze apóstolos para estarem com Ele e se imergirem como Ele nas situações concretas do mundo. E as gentes seguem-no, escutam-no porque Jesus fala e age numa maneira nova, com a autoridade de quem é autêntico e coerente, de quem fala e age com verdade, de quem dá a esperança que vem de Deus, de quem é revelação do rosto de um Deus que é amor. E as gentes, com alegria, bendizem Deus.

Esta noite somos nós a multidão do Evangelho; também nós procuramos seguir Jesus para o ouvir, para entrar em comunhão com Ele na Eucaristia, para o acompanhar e para que nos acompanhe. Perguntemo-nos: como é que eu sigo Jesus? Jesus fala em silêncio no mistério da Eucaristia e todas as vezes nos recorda que segui-lo quer dizer sair de nós mesmos e fazer da nossa vida não uma possessão nossa mas um dom a Ele e aos outros.

2. Demos um passo em frente: de onde nasce o convite que Jesus faz aos discípulos para que tirem eles mesmos a fome à multidão? Nasce de dois motivos: em primeiro lugar da turba que, seguindo Jesus, se encontra em campo aberto, longe de lugares habitados, enquanto se faz noite; e, depois, da preocupação dos discípulos que pedem a Jesus para despedir as pessoas para que vá para as terras vizinhas para encontrar alimento e alojamento (cf. Lc 9,12). Diante da necessidade da multidão, eis a solução dos discípulos: que cada um pense em si próprio; despedir a multidão! Quantas vezes nós, cristãos, temos esta tentação. Não fazemos caso da necessidade dos outros, despedindo-os com um piedoso «Que Deus te ajude", ou com um não tão piedoso "Boa sorte"...

Mas a solução de Jesus vai noutro sentido, um sentido que surpreende os discípulos: «Dai-lhes vós mesmos de comer». Mas como é que é possível sermos nós a dar de comer a uma multidão? «Só temos cinco pães e dois peixes, a menos que vamos nós comprar alimento para toda esta gente» (Lc 9,13). Mas Jesus não se desencoraja: pede aos discípulos para fazerem sentar as gentes em comunidades de cinquenta pessoas, levanta os olhos ao céu, recita a bênção, parte os pães e dá-os aos discípulos para que os distribuam (cf. Lc 9,16). É um momento de profunda comunhão: a multidão saciada pela palavra do Senhor é agora alimentada pelo seu pão de vida. E todos foram saciados, nota o evangelista (cf. Lc 9,17).

Esta noite, também nós estamos à roda da mesa do Senhor, à mesa do sacrifício eucarístico, no qual Ele nos dá mais uma vez o seu Corpo, torna presente o único sacrifício da cruz. E na escuta da sua palavra, no nutrir-se do seu Corpo e do Seu Sangue, que Ele nos faz passar do ser multidão ao ser comunidade, do anonimato à comunhão. A Eucaristia é o sacramento da comunhão, que nos faz sair do individualismo para vivermos juntos o seguimento, a fé nEle. Devemos então perguntar-nos diante do Senhor: como vivo eu a Eucaristia? Vivo-a de modo anónimo ou como momento de verdadeira comunhão com o Senhor, mas também com todos os irmãos e irmãs que partilham esta mesma mesa? Como são as nossas celebrações eucarísticas?

3. Um último elemento: de onde nasce a multiplicação dos pães? A resposta está no convite de Jesus aos discípulos: «Dai vós mesmos...», "dar", partilhar. O que é que os discípulos partilham? O pouco que têm: cinco pães e dois peixes. Mas são precisamente aqueles pães e aqueles peixes que nas mãos do Senhor tiram a fome a toda a multidão. E são os próprios discípulos, perplexos diante da incapacidade dos seus meios, na pobreza do que podem colocar à disposição, a fazer acomodar as pessoas e a distribuir - confiando-se na palavra de Jesus - os pães e peixes que alimentam a multidão. E isto diz-nos que na igreja, mas também na sociedade, uma palavra chave de que não devemos ter medo é «solidariedade», saber colocar à disposição de Deus o que temos, as nossas humildes capacidades, porque só na partilha, no dom, a nossa vida será fecunda, dará fruto. Solidariedade: uma palavra malvista pelo espírito do mundo.

Esta noite, mais uma vez, o Senhor distribui para nós o pão que é o seu Corpo, faz-se dom. E também nós experimentamos a "solidariedade de Deus" com o homem, uma solidariedade que nunca se esgota, uma solidariedade que não cessa de nos surpreender: Deus faz-se próximo de nós, no sacrifício da cruz abaixa-se, entrando na escuridão da morte para dar-nos a sua vida, que vence o mal, o egoísmo e a morte. Jesus também esta noite dá-se-nos na Eucaristia, partilha o nosso próprio caminho, faz-se alimento, o verdadeiro alimento que sustém a nossa vida mesmo nos momentos em que o caminho se torna duro e os obstáculos abrandam os nossos passos. E na Eucaristia o Senhor faz-nos percorrer o seu caminho, o do serviço, da partilha, do dom, e aquele pouco que temos, aquele pouco que somos, se partilhado, torna-se riqueza, porque o poder de Deus, que é o do amor, desce à nossa pobreza para a transformar.

Perguntemos então esta noite, adorando o Cristo presente realmente na Eucaristia: deixo-me transformar por Ele? Deixo que o Senhor que se dá a mim, me guie a sair cada vez mais do meu pequeno espaço, a sair e a não ter medo de dar, de partilhar, de amar a Ele e aos outros?
Irmãos e irmãs: seguimento, comunhão, partilha. Rezemos para que a participação na Eucaristia nos leve sempre: a seguir o Senhor a cada dia, a sermos instrumentos de comunhão, a partilhar com Ele e com o nosso próximo aquilo que somos. Então a nossa existência será verdadeiramente fecunda. Ámen.»

Papa Francisco
Solenidade do Corpo de Deus, Roma, 30.5.2013
in SNPC (trad.) a 31.05.13

sexta-feira, 29 de março de 2013

Servindo as mulheres

Com este novo Papa, muitas pedras têm sido mandadas para o meio do pântano de águas estagnadas dos costumes. Já tinha estado em celebrações da Ceia do Senhor onde eram lavados pés a mulheres, mas estas sempre foram longe da "ribalta" das liturgias mais solenes e "oficiais". Agora chega-nos um Papa que lava os pés de duas raparigas numa prisão, sendo uma delas muçulmana...
Será que o clero e os "ritualistas" da Igreja católica portuguesa vão saber andar ao mesmo passo deste Papa? Saberão descartar-se das "rendas", folhos e bajulações e aproximarem-se da imagem deste Jesus que se dobra e se põe ao serviço?
Cito agora uma reportagem sobre a quinta feira Santa e os gestos do Papa Francisco:

Rembrandt
O Papa Francisco lavou os pés a duas raparigas e uma delas é muçulmana


Por Ana Gomes Ferreira a 28 de Março de 2013
O Papa Francisco celebrou nesta quinta-feira a cerimónia pascal do lava-pés de uma forma inédita: numa casa prisão de Roma (Itália), o Casal del Marmo, que alberga jovens delinquentes. Não foi inédita pelo acto, mas pelos escolhidos: lavou e beijou os pés de dez rapazes e, pela primeira vez, de duas raparigas, uma muçulmana de origem sérvia, relatou a Rádio Vaticano que disse que se tratou de um momento “muito emocionante”

A cerimónia da lavagem dos pés relembra o momento em que Jesus, num gesto de humildade, lavou os pés dos seus 12 discípulos depois da última ceia, antes de ser preso e, mais tarde, crucificado.
Na capela da prisão, Francisco, o Papa argentino eleito a 13 de Março — depois da renuncia de Bento XVI —, celebrou uma missa, que improvisou, e na qual usou uma linguagem acessível, simples e calorosa, diz a agência noticiosa francesa AFP.

Lavar os pés, explicou Francisco, é “um gesto que simboliza um carinho de Jesus”, é um “gesto que vem do coração” e que disse fazer “como padre e como bispo” — não se identificou como Papa, este Francisco que já renunciara aos adornos vermelhos, que manteve a cruz de ferro que usava como arcebispo de Buenos Aires, que não quis a viatura oficial e que não dorme nos aposentos oficiais.

“Jesus veio para nos servir, para nos ajudar. Pensemos bem: estamos mesmo dispostos a servir os outros?”, perguntou o Papa aos jovens deste Instituto Penal para Menores. “O Senhor deu o exemplo. Não se trata aqui de lavar os pés dos outros todos os dias, mas de sabermos que temos de nos ajudar. Se estivermos em cólera uns contra os outros, perdemo-nos”, disse, usando uma expressão popular junto dos jovens italianos, “lascia perdere”. Houve cantos e música de guitarra a acompanhar toda a cerimónia.

O Papa foi à Casal del Marmo, não foram os jovens que viajaram até à sua presença — a cerimónia costuma acontecer na imensa e fria (descrição da AFP) basílica de São João Latrão, a catedral do bispo de Roma (o Papa é bispo de Roma, por isso as primeiras palavras de Francisco foram para os romanos, pedindo-lhes a bênção).


"A fé, dentro de uma prisão, é muito importante. É um sinal de esperança. Eles são activos durante o dia, mas chega sempre o momento em que a porta se fecha e ficam sozinhos”, disse aos jornais italianos uma voluntária do Casal del Marmo, Annalisa Marra. Falou na surpresa que foi o anúncio da visita do Papa e na importância que tem para os 50 jovens em reabilitação que lá vivem saberem que “alguém acredita neles”, que “alguém pensa neles e lhes dá o perdão”.
O lavar e o beijar dos pés e a missa que o acompanha são uma tradição da Igreja Católica na Quinta-Feira Santa, que antecede a Páscoa — quando terá acontecido a última ceia de Cristo e dos 12 apóstolos. Francisco quis que esta celebração fosse uma continuidade de discurso desde que foi eleito: uma chamada de atenção sobre os mais desprotegidos, os mais necessitados e vulneráveis; antes falou dos mais pobres, agora dos jovens em sofrimento.

“Não deixem que vos roubem a esperança — ouviram?”, disse-lhes, à despedida.

Na Argentina, o então cardeal Jorge Bergoglio visitava com frequência instituições de jovens em recuperação. No Casal del Marmo informaram-se sobre o novo Papa e propuseram que, entre os menores, houvesse rapazes de fés diferentes, representando toda a comunidade de 50 (católicos, ortodoxos, muçulmanos), e também raparigas, e que uma delas não fosse católica. “Do Vaticano não houve resistência, aceitaram”, explicou ao jornal italiano La Repubblica o padre Gaetano Greco, capelão em Marmo.
O diálogo entre religiões também está entre as prioridades deste Papa, o primeiro que se chama Francisco, em referência a São Francisco de Assis e do seu trabalho evangélico e social entre os mais pobres e desprotegidos. A missa foi à porta fechada, mas a popularidade do Papa levou centenas de pessoas às portas da Marmo, nos arredores de Roma.

In Público

sexta-feira, 4 de março de 2011

A discórdia na Igreja católica

Uma amiga do blogue sugeriu o link de um texto de Timothy Radcliffe. O texto, em inglês, intitula-se "Overcoming Discord in the Church" (Ultrapassar a discórdia na Igreja). Neste texto, o ex-superior dos Dominicanos reflecte, como é seu hábito, sobre temas cruciais na vida da Igreja. Fala das divisões, das diferentes sensibilidades e "traça" duas categorias de católicos: Os "Católicos do Reino" (Kingdom Catholics) e os "Católicos da Comunhão" (Communion Catholics).

O texto aparece organizado em vários subtítulos, que passo a enunciar:
  • Ambos estão a sofrer: sobre o sofrimento na Igreja e, em particular, nestas duas categorias de católicos
  • Actuando em todas as pessoas: sobre a acção do Espírito Santo
  • Conversa: sobre o diálogo e o encontro de um terreno comum
  • Falar sobre as verdades: sobre a necessidade de falar sobre tudo, inclusivamente as verdades básicas e os dogmas da fé. Sobre mistério e revelação, palavras e silêncio
  • Eu era jovem e tinha cabelo comprido: sobre os medos e as ameaças que, para alguns, parecem espreitar a cada canto; sobre castigo, reconhecimento e amor, catolicismo e universalidade
  • O que significa ser Romano: sobre o sentido de identidade, não estar "de acordo com", criatividade, liturgia como um dom
  • É difícil saber o que dizer: sobre a celebração da Eucaristia, passividade, receber um talento, ética sexual, pastoral, moral e dilema
  • O que diz o Evangelho sobre sexo: sobre o entendimento cristão da nossa sexualidade, o entendimento eucarístico do sexo, e urgências na mudança de atitude e de aprofundamento.
Ler o artigo na íntegra aqui

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Quem nos diz se podemos comungar?

Comungar ou não comungar?
5

Nas mensagens anteriores sobre este tema apresentei vários textos e opiniões sobre a Eucaristia e a Comunhão, incidindo sobre o facto do poder ou não comungar. Não me cabe a mim decidir por ti nem dizer-te o que deves fazer, se podes ou não podes comungar, recordo-te apenas o seguinte:
  • É importante que te sintas preparado para receber a comunhão
  • Podes preparar-te para a comunhão
  • Não é a hierarquia da Igreja nem os outros cristãos que te podem dizer se estás preparado ou não para receber esse Sacramento
  • Não te prendas à imagem que os outros têm de ti: comungar exige verdade e não aparência
  • A comunhão não é um troféu, não é um acto social, nem uma medalha de "boas-acções"
  • A comunhão é um sacramento que salva e dá vida, gratuito, reconhecimento do amor de Deus, sinal de pertença ao corpo místico de Cristo
  • A tua consciência é quem te pode dizer se deves ou não e se podes ou não comungar, é a instância acima de qualquer outra instância terrena, é ela que te põe em contacto com as tuas realidades e verdades mais profundas, que te revela o que És acima do que Fazes
  • Procura dar espaço a Deus e à oração na tua vida, procura meditar os teus dias, pô-los a ressoar na tua consciência, apresentá-los a Deus
  • Age de acordo com a tua consciência, isto é, como achas que Jesus agiria
Ler no blogue:
parte 1 http://moradasdedeus.blogspot.com/2011/02/comungar-ou-nao-comungar-eis-questao.html
parte 2 http://moradasdedeus.blogspot.com/2011/02/o-ritual-social-e-individual-da.html
parte 3 http://moradasdedeus.blogspot.com/2011/02/eucaristia-e-conflito-interior.html
parte 4 http://moradasdedeus.blogspot.com/2011/02/eucaristia-e-uma-resposta-ao-amor-de.html

A Eucaristia é uma resposta ao amor de Deus e não uma medalha de bom comportamento

Outro texto sugerido por um amigo do moradasdedeus, autor de um blogue brasileiro também vocacionado para homossexuais cristãos, é do padre jesuíta Matthew Linn. Este texto foi publicado num livro (1) escrito em conjunto com o seu irmão e com a sua cunhada. O texto não se refere explicitamente aos homossexuais mas, mais uma vez, podemos aqui fazer a associação e inclui-los na lista de "casos" mencionados.

(1) Abuso espiritual & vício religioso, Matthew Linn, Dennis Linn e Sheila Fabricant Linn; Editora Verus, Campinas-São Paulo, 2000; páginas 76-77 e 136

Comungar ou não comungar?
4
 
"Durante anos segui literalmente a lei que recebessem a comunhão somente aqueles que reconhecessem a autoridade do papa, não fossem divorciados e não estivessem em pecado mortal. Eu negava a comunhão a uma parte do corpo místico de Cristo, embora afirmasse durante a comunhão que me tornava Um com o corpo de Cristo. Ignorei o facto de Jesus ter dado comunhão a Judas e de nós chegarmos como pessoas feridas, rezando: “Dizei uma só palavra e serei salvo.”
 
Hoje acredito que a Eucaristia é um sacramento de salvação para ser recebido em resposta ao amor de Deus, não como medalha de honra ao mérito do amor de Deus conseguido através de boas acções. O rebelde em mim quer deixar de lado a letra da lei e agir de acordo com uma lei de amor mais elevada (cf. Mt 22, 34-40).
 
Mas a criança responsável e obediente em mim tem medo de desconsiderar a lei. Sou tentado a obedecer por medo e acho difícil pôr de lado a lei e, com amor, convidar todos para a comunhão. Obedeço por medo, porque não quero arriscar ser censurado pelos bispos e outras autoridades da Igreja.
 
Como posso então amar com minha energia rebelde e, ao mesmo tempo, manter satisfeita a minha criança obediente e responsável?
 
Nos nossos retiros, quando me perguntam sobre a comunhão, cito duas regras, dizendo:
Temos uma regra que não permite que eu publicamente convide a todos para receber a comunhão. Temos outra regra (eu sorrio) que me diz para não recusar comunhão a ninguém que venha recebê-la. Faça o que você acredita que Jesus quer que você faça.
 
Aposto que pode adivinhar o que acontece. Rezo pelo dia em que essas regras farisaicas acabem por ser postas de lado. Até lá, isto é o melhor que posso fazer, porque ainda sou uma criança responsável em processo de cura, assim como é o resto da Igreja.  
(...)

Ao longo dos séculos, quando os cristãos recebem a Eucaristia, as palavras permanecem as mesmas: “O Corpo de Cristo”, às quais a pessoa que comunga responde: “Amen”.
 
Santo Agostinho recordou às pessoas que comungam que “Amen” quer dizer: “Sim, eu sou”. Ao dizer “Amen”, o comungante faz a afirmação mais radical possível para um cristão, ou seja: “Sim, eu sou o corpo de Cristo”. Até o nome “cristão”, que vem de alter Christus (outro Cristo), declara: “Sim, eu sou o corpo de Cristo”.
 
Durante os primeiros séculos da Igreja, todos os cristãos, e não somente os padres, eram considerados e reconhecidos como aqueles cuja identidade mais profunda era aquela do alter Christus.
 
Porque a nossa mais profunda identidade é Cristo (cf. Gal 2, 20), a nossa resposta à lei canónica, à autoridade da Igreja ou a qualquer situação da vida reflecte o nosso verdadeiro eu, até ao ponto de podermos afirmar(...): “Eu fiz o que Jesus teria feito!”"
 
Por Teleny, in retorno (G-A-Y)
 
Ler no blogue:
parte 1 http://moradasdedeus.blogspot.com/2011/02/comungar-ou-nao-comungar-eis-questao.html
parte 2 http://moradasdedeus.blogspot.com/2011/02/o-ritual-social-e-individual-da.html
parte 3 http://moradasdedeus.blogspot.com/2011/02/eucaristia-e-conflito-interior.html

Eucaristia e conflito interior

Comungar ou não comungar?
3

"Provavelmente a maioria dos homossexuais católicos vive um grave conflito interior em relação à Eucaristia.

Muitos, simplesmente, abandonaram a Missa e a Comunhão, desde o momento em que assumiram (ainda que apenas perante si mesmos) a sua identidade homossexual.

Outros tiveram experiências traumáticas ao procurarem a Confissão ou aconselhamento junto a um sacerdote. Alguns (talvez graças a uma sensibilidade da sua consciência) recorrem ao Sacramento da Reconciliação, desde que não estejam a viver num relacionamento "estável", e procuram a absolvição (e o acesso à Eucaristia) depois de cada "pecado contra castidade".

Acredito que, devido à dolorosa ausência de formação espiritual específica voltada directamente para os homossexuais (Pastoral para Homossexuais), exista grande confusão neste assunto.

Quem não abandonou definitivamente a Igreja, procura "improvisar". Ou, então, encontra algum meio para "casar" a sua fé com a própria sexualidade.

Como não encontrei ainda O texto que fale exactamente sobre esta questão, resolvi recorrer às opiniões mais "genéricas" [1], que podem ser interpretadas, também, no contexto da homossexualidade. [...] A opinião do atual Papa [2] não é muito animadora. Na próxima postagem prometo apresentar outro ponto de vista..."


Por Teleny, in retorno (G-A-Y)

[1] O texto de Joseph Ratzinger, apresentado anteriormente, é sobre os "casais de segunda união" e a Comunhão eucarística; o autor da mensagem aqui transcrita faz uma analogia entre a situação destes e a dos homossexuais católicos. 
[2] que é o corpo da última mensagem - a parte 2 de "Comungar ou não comungar?"

Ler no blogue:
parte 1 http://moradasdedeus.blogspot.com/2011/02/comungar-ou-nao-comungar-eis-questao.html
parte 2 http://moradasdedeus.blogspot.com/2011/02/o-ritual-social-e-individual-da.html

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

O ritual social e individual da comunhão

Começo esta série de mensagens com um texto escrito pelo Cardeal Joseph Ratzinger (actual Papa), sobre as pessoas que vivem num casamento civil não reconhecido pela Igreja


Comungar ou não comungar?
2

"Cardeal Joseph Ratzinger: Neste caso, devo precisar primeiro, num sentido jurídico, que essas pessoas não estão excomungadas num sentido formal. A excomunhão é um conjunto de medidas punitivas da Igreja, é uma limitação de se ser membro da Igreja. Essa punição da Igreja não lhes foi imposta. Mesmo que, por assim dizer, o que salta logo à vista, o fato de não poderem comungar, se aplique a eles. Mas, como disse, não estão excomungados num sentido jurídico. São membros da Igreja que não podem comungar por causa de determinada situação na vida. Não há nenhuma dúvida de que isso seja um grande peso, precisamente no nosso mundo, em que o número de casamentos desfeitos aumenta cada vez mais. Julgo que esse peso pode ser suportado quando, por um lado, se torna claro que também existem outras pessoas que não podem comungar. O problema só se tornou tão dramático porque a comunhão é, por assim dizer, um rito social, e uma pessoa é realmente marcada quando não participa. Quando se voltar a tornar visível que muitas pessoas têm de dizer a si mesmas que têm alguma coisa na consciência, e que assim não podem ir à comunhão, e quando, como diz São Paulo, desse modo se voltar a fazer a distinção do Corpo de Cristo, logo tudo será diferente. É uma condição.

O segundo ponto é que devem sentir que, apesar disso, são aceites pela Igreja, que a Igreja sofre com elas.

Peter Seewald: Parece uma ilusão.

CJR: Naturalmente, isso deveria poder tornar-se visível na vida de uma comunidade. E, pelo contrário, também se faz alguma coisa pela Igreja e pela humanidade ao tomar essa renúncia sobre si, ao dar, por assim dizer, testemunho do caráter único do casamento. Julgo que disso também faz parte algo que é muito importante: que se reconheça que o sofrimento e a renúncia podem ser algo positivo, e que temos de voltar a encontrar uma nova relação com eles. E, por fim, que voltemos a tomar consciência de que também se pode participar da missa, da Eucaristia, de modo fecundo, sem ir sempre à comunhão.

É uma questão difícil, mas julgo que, quando diversos fatores que estão relacionados uns com os outros se resolverem, também isso será mais fácil de suportar.

PS: O padre pronuncia as palavras: “Felizes os convidados para a ceia do Senhor”. Por conseguinte, os outros deveriam sentir-se infelizes.

CJR: Infelizmente, a tradução tornou o sentido da frase pouco claro. Essa expressão não se relaciona diretamente com a Eucaristia. É tirada do Apocalipse e refere-se ao convite para o banquete nupcial definitivo, representado na Eucaristia. Quem, portanto, não pode comungar no momento, não tem de estar excluído do banquete nupcial eterno. Trata-se sempre de um exame de consciência, de que se pense ser algum dia capaz desse banquete eterno, e que agora também se comungue. Mesmo quem agora não possa comungar, é admoestado através desse apelo, como também todos os outros, a pensar no seu caminho, que um dia será aceite nesse banquete nupcial eterno. E talvez, porque sofreu, possa ter ainda melhor aceitação.

In O sal da terra”, Cardeal Joseph Ratzinger & Peter Seewald; Editora Imago; Rio de Janeiro, 1997; páginas 163-165
Por Teleny, In Retorno (G-A-Y)
 
Nota: O tom desta entrevista é maioritariamente paternalista, tentando ser um conforto para quem, pelas palavras do cardeal, "não pode comungar". São afirmadas algumas verdades, respeitantes ao lado social da Eucaristia - o facto de não comungar, em muitas comunidades, pode fazer alguém sentir-se "de fora" -, e é muito importante que cada um tenha a liberdade interior para comungar ou não comungar de acordo com o seu "exame de consciência", como também é afirmado pelo cardeal. E por esta razão, parece-me essencial que "o que os outros ficam a pensar" nunca entre nesta balança que só pode ser medida pelo acesso à consciência mais profunda, consciência esta à qual só tem acesso Deus e o(a) próprio(a).
 
Ler Comungar ou não comungar?: parte 1

Comungar ou não comungar? Eis a questão

Comungar ou não comungar?
1

Inspirado por um amigo do moradasdedeus, autor de um blogue irmão brasileiro intitulado retorno (G-A-Y), e aproveitando o seu precioso trabalho de pesquisa de textos e documentos, irei num futuro próximo abordar uma questão importante para muitos homossexuais cristãos: deverei ou não comungar?

Porque estou aqui

Sinto-me privilegiado por ter encontrado na Igreja um lugar vazio, feito à minha medida. É certo que tê-lo encontrado (ou encontrá-lo renovadamente, pois não é dado adquirido) foi também mérito da minha sede, do meu empenho, de não baixar os braços e achar, passivamente, que não seria possível. Passo a contextualizar: a comunidade onde vou à missa é pequena e acolhedora, e podia bem não o ser. Ao mesmo tempo, sentia um desejo grande de reflexão de vida cristã e encontrei um casal (heterosexual) que tinha a mesma vontade. Começámo-nos a reunir semanalmente numa pequena comunidade de oração e reflexão que, apesar de crítica, nos tem ajudado a sermos Igreja e a nela nos revermos. Paralelamente, face ao contínuo desencanto em relação a algumas posturas e pontos de vista de uma Igreja mais institucional e hierárquica, tive a graça de encontrar um grupo de cristãos homossexuais, que se reuniam com um padre regularmente, sem terem de se esconder ou de ocultar parte de si.

Sei que muitos cristãos homossexuais nunca pensaram sequer na eventualidade de existirem grupos cristãos em que se pudessem apresentar inteiros, quanto mais pensarem poder tomar parte e pôr em comum fé, questões, procuras, afectos e vidas.

Por tudo isto me sinto grato a Deus e me sinto responsável para tentar chegar a quem não teve, até agora, uma experiência tão feliz como a minha.

Este blogue também é teu

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Envia o link do blogue a quem achas que poderá gostar e/ou precisar.

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Os textos e as imagens

Os textos das mensagens deste blogue têm várias fontes. Alguns são resultados de pesquisas em sites, blogues ou páginas de informação na Internet. Outros são artigos de opinião do autor do blogue ou de algum dos seus colaboradores. Há ainda textos que são publicados por terem sido indicados por amigos ou por leitores do blogue. Muitos dos textos que servem de base às mensagens foram traduzidos, tendo por vezes sofrido cortes. Outros textos são adaptados, e a indicação dessa adaptação fará parte do corpo da mensagem. A maioria dos textos não está escrita segundo o novo acordo ortográfico da língua portuguesa, pelo facto do autor do blogue não o conhecer de forma aprofundada.

As imagens que ilustram as mensagens são retiradas da Internet. Quando se conhece a sua autoria, esta é referida. Quando não se conhece não aparece nenhuma referência. Caso detectem alguma fotografia não identificada e conheçam a sua autoria, pedimos que nos informem da mesma.

As imagens são ilustrativas e não são sempre directamente associáveis ao conteúdo da mensagem. É uma escolha pessoal do autor do blogue. Há um critério de estética e de temática ligado ao teor do blogue. Espero, por isso, que nenhum leitor se sinta ofendido com as associações livres entre imagem e conteúdo.

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