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A diversidade na Igreja

"A casa do meu Pai tem muitas moradas", diz-nos Jesus no evangelho.

A unidade na diversidade não é sempre aparente na Igreja enquanto povo de Deus, mas é uma realidade em Deus e uma presença na fé cristã desde a sua origem. A Palavra de Deus não é partidária, elitista e exclusiva. O Reino de Deus é como uma árvore que estende os ramos para dar abrigo a todos os pássaros do céu. Cristo não morreu na cruz para salvar uma mão cheia de cristãos. Até o Deus Uno encerra em si o mistério de uma Trindade.

A Palavra de Deus é inequívoca e só pode levar à desinstalação, à abertura ao outro, e a recebê-lo e amá-lo enquanto irmão ou irmã. Ninguém fica de fora, nem mesmo - se tivessemos - os inimigos.

Muitos cristãos crêem nesta Igreja, nesta casa do Pai, corpo de Cristo, templo do Espírito Santo. Mas como esquecer que muitos se sentem "de fora" por se verem rejeitados, amputados e anulados, e afastam-se por ninguém lhes ter mostrado que há um lugar para cada um, com a totalidade do seu ser?

Um blogue para cristãos homossexuais que não desistiram de ser Igreja

Porquê este blogue?

Este blogue é a partilha de uma vida de fé e é uma porta aberta para quem nela quiser entrar. É um convite para que não desistas: há homossexuais cristãos que não querem recusar nem a sua fé nem a sua sexualidade. É uma confirmação, por experiência vivida, que há um lugar para ti na Igreja. Aceita o desafio de o encontrares!

Este blogue também é teu, e de quem conheças que possa viver na carne sentimentos contraditórios de questões ligadas à fé e à orientação sexual. És benvindo se, mesmo não sendo o teu caso, conheces alguém que viva esta situação ou és um cristão que deseja uma Igreja mais acolhedora onde caiba a reflexão sobre esta e outras realidades.

Partilha, pergunta, propõe: este blogue existe para dar voz a quem normalmente está invisível ou mudo na Igreja, para quem se sente só, diferente e excluído. Este blogue não pretende mudar as mentalidades e as tradições com grande aparato, mas já não seria pouco se pudesse revelar um pouco do insondável Amor de Deus ou se ajudasse alguém a reconciliar-se consigo em Deus.
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terça-feira, 22 de janeiro de 2013

O casamento homossexual liberta a Igreja

Casamento gay e Igreja livre

Um artigo de opinião de um ensaísta católico francês para o Le Monde. Nele o autor aborda a actualidade política do país (direito ao casamento e à adopção por parte dos casais homossexuais) e critica a hierarquia da Igreja por se interessar mais pelas histórias do foro privado do que pela espiritualidade. Sendo a maioria dos franceses a favor do casamento homossexual, os moralistas enveredam pelo ataque à homoparentalidade alegando a falta de referências masculino-feminino. O autor relembra que 2,8 milhões de crianças vivem em famílias monoparentais - sem haver sequer a alteridade de haver 2 referências distintas e que 40.000 crianças vivem já com um casal homossexual, sem nelas se ter notado qualquer perturbação ou trauma derivados especificamente desse factor. Mas o "incómodo" da homoparentalidade vem de medos irracionais, ignorância: hereditariedade ou contágio da homossexualidade. O autor afirma que quando se é crente, se é Igreja, e quando um se diz católico, deve ser testemunha de Cristo e do Evangelho e não se contentar com a repetição cega e obcessiva das opiniões da hierarquia: tem de se saber dialogar com tudo e com todos e passar a mensagem do Evangelho, não alimentar preconceitos sem sentido crítico e construtivo.

Desde o nascimento de Cristo sabemos que a filiação importante não é nem a sexual nem a reprodutiva, mas a adoptiva. José e Maria receberam Jesus sem o conceberem, O mesmo teria acontecido se José fosse uma mulher. O mesmo acontece quando uma criança nasce: ela é declarada ao Estado Civil e os seus pais são os que ficam responsáveis pela sua criação e educação; a criança é adoptada pelos seus pais. Com o Evangelho a família alarga-se a uma família universal. Não interessa se se é órfão, bebé-proveta, filho bastardo, filho de pai gay ou de barriga de aluguer ou se se vem da Assistência Social: todos somos irmãos em Cristo e filhos de Deus. Em termos laicos importa assegurar uma parentalidade colectiva, consensual, integrativa e democrática, ou seja, uma socioparentalidade. Os jovens devem ser associados o mais cedo possível à vida na sua cidade como futuros cidadãos.

Na história a Igreja teve o papel de consolidar o matrimónio que, entre outras coisas, assegurava às crianças que nasceriam um quadro educativo de fundo. As sociedades modernas e democráticas ocupam-se disso actualmente. A abertura do direito ao casamento e à adopção aos casais homossexuais é a última etapa desta lenta evolução. No séc. IX a Igreja ocupava-se com o estado civil e a regulação matrimonial e hoje vê chegar ao fim o seu papel administrativo e civil. O casamento homossexual não põe em causa o matrimónio e a filiação, mas antes liberta a Igreja das suas preocupações de gestão quotidiana da sociedade e dá-lhe espaço para se concentrar na difusão da sua mensagem espiritual. Para isso, os baptizados não devem ser eternamente crianças de colo do nosso Pai que está nos céus, mas tornar-se adultos que, desde a mais tenra juventude, como Jesus, tomam a palavra no Templo e na cidade.

Aqui segue o artigo na íntegra em francês:


Le mariage homosexuel libère l'Eglise


Par Thierry Jaillet, essayiste catholique

Dans quelques semaines ou quelques mois, le gouvernement va mettre en œuvre l'un des engagements du candidat Hollande : l'ouverture du "droit au mariage et à l'adoption aux couples homosexuels". Ce n'est que justice. Mais, je le regrette en tant que catholique pratiquant et engagé, mon Eglise, ou du moins sa partie institutionnelle, va se prononcer contre cette mesure d'équité et de sagesse. En effet, depuis 1968 et l'encyclique Humanae Vitae, fustigeant l'interruption volontaire de grossesse (IVG) et la contraception, nous sommes habitués à ce que notre haut clergé se mêle plus de nos histoires de cul que de spiritualité.


Comme la majorité des Français sont pour le mariage homosexuel, l'angle d'attaque des opposants moralisateurs et plus ou moins homophobes sera l'homoparentalité. Vous rendez-vous compte, ces pauvres enfants, est-ce bien raisonnable qu'ils grandissent sans référent maternel ou paternel ? Réveille-toi, mon frère, ma sœur, 2,8 millions d'enfants vivent dans une famille monoparentale, et leur seul parent, une femme, en général, est, dans la plupart des cas, hétérosexuelle. D'autre part, 40 000 enfants vivent d'ores et déjà avec deux parents homosexuels, et l'on n'a pas détecté chez eux le moindre traumatisme psychologique particulier. Tous les éducateurs sérieux le savent : les difficultés des enfants ne proviennent pas de l'orientation sexuelle de leurs parents, mais de leurs moyens financiers, de leur niveau d'études et de leur intégration dans la société. Mais ce n'est pas avec des arguments de simple raison que l'on peut convaincre sur ce point. L'homoparentalité dérange, on craint faussement qu'elle soit héréditaire, contagieuse, et délétère pour l'espèce humaine. Comment sortir de cette peur irrationnelle qui fait que même des citoyens assez ouverts se disent qu'il faut procéder par paliers, ménager des transitions, distinguer mariage (hétéro) et union civile (homo), de crainte d'encourager l'homophobie, alors qu'il n'y a rien de pire que faire des distinctions pour renforcer les discriminations et l'exclusion ?


Quand on est l'Eglise et que l'on se dit catholique, on doit dialoguer avec tous, se faire le témoin du message du Christ et des Ecritures et ne pas se contenter de répéter les éventuelles âneries des successeurs de Pierre, lequel Pierre, selon l'Evangile et les Actes des Apôtres, sortit quelques énormes sottises que ses frères ne suivirent pas. Alors, plutôt que de l'entretenir, faisons donc reculer la peur de l'homoparentalité.

Depuis la naissance du Christ, nous savons que la seule filiation qui compte n'est ni sexuelle ni reproductrice, mais adoptive. Joseph et Marie deviennent les parents du Christ parce qu'ils l'acceptent comme enfant, alors que leur relation sexuelle ne l'a pas conçu. Joseph eût été une femme que le Christ eût été tout de même incarné. Nous aussi parents, nous déclarons nos enfants à l'état civil, nous les adoptons aux yeux de la loi et de la société, et nous nous engageons dans leur éducation. Mais avec l'Evangile, nous allons plus loin que jouer au papa et à la maman. Nous agrandissons la famille à l'humanité toute entière. Nous reconnaissons Jésus Christ fils du Dieu Vivant (Mt 16, 16), et nous nous disons fils de Dieu et frères en Jésus-Christ, que nous sortions des bourses d'un père homosexuel, de l'utérus d'une mère porteuse, d'une éprouvette, ou de l'Assistance. Et l'important pour nous n'est pas de sacraliser la famille traditionnelle, car la "Sainte Famille" est tout sauf cela, mais de laisser le Christ, dès l'âge de 12 ans, et nos enfants avec lui, "s'occuper des affaires de son Père" (Luc 2, 49). En termes laïques, cela veut dire que ce qui compte, c'est que la société tout entière s'occupe bien des enfants, les éduque, et les considère pour eux-mêmes, pas seulement en tant que fils et filles de leurs parents, hétérosexuels ou pas. Toujours en termes laïques, cela veut dire aussi que les jeunes doivent être associés au plus tôt à la vie de la cité, en tant que futurs citoyens. Dans cette perspective, l'homoparentalité n'est plus un problème, le vrai défi, c'est d'assurer ensemble une parentalité collective, consensuelle, intégrative et démocratique, une socioparentalité.


Au cours des siècles, l'Eglise a construit sa vision du sacrement du mariage, certes pour asseoir son pouvoir sur la société, mais aussi pour assurer le consentement éclairé des époux, empêcher les mariages forcés pour raisons patrimoniales, limiter la traite des femmes, abolir la répudiation et assurer aux enfants un cadre éducatif minimal. Les sociétés modernes et démocratiques se chargent aujourd'hui de ces protections et sauvegardes. L'ouverture du droit au mariage et à l'adoption aux couples homosexuels est la dernière étape de cette lente évolution. L'Eglise qui prit en charge, aux temps barbares du IXe siècle, état civil et régulation matrimoniale, voit aujourd'hui la toute fin de son rôle administratif et civil. Le mariage homosexuel, loin de remettre en cause mariage et filiation, libère définitivement l'Eglise de ses préoccupations de gestion quotidienne de la société et lui donne tout loisir de se concentrer sur la diffusion de son message spirituel. Mais pour cela, les croyants ne doivent pas rester les petits enfants mineurs de Notre Père qui est aux cieux et de notre Très Saint-Père le Pape qui est à Rome (tiens, deux pères dans cette famille ?). Non, les baptisés se doivent d'être des adultes majeurs qui, dès leur plus jeune âge, comme Jésus, prennent la parole dans le Temple et dans la ville.

Thierry Jaillet est l'auteur de L'Evangile de Michel Onfray (Golias Editions).

In Le Monde de 5 de Junho 2012

sexta-feira, 25 de março de 2011

Defense of Marriage Act (DOMA): o novo combate nos EUA

Proposta de revogação da DOMA apresentada no Congresso norte-americano

Foram apresentadas propostas nas duas câmaras do Congresso com vista à revogação da lei que proíbe o reconhecimento federal de casamentos entre pessoas do mesmo sexo.

As propostas de revogação da Defense of Marriage Act (DOMA) foram apresentadas na passada quarta-feira 16 de março quer na Câmara dos Representantes quer no Senado.

Actualmente a DOMA proíbe o governo federal de reconhecer o casamento entre pessoas do mesmo sexo e dá cobertura aos estados que se recusam a reconhecer os casamentos realizados noutros locais dos EUA.

A proibição de reconhecimento federal foi recentemente considerada inconstitucional pelo presidente Barack Obama e pelo Departamento de Justiça, que parou de a defender numa série de ações judiciais federais em curso.

Na mesma ocasião, o departamento declarou que toda e qualquer discriminação baseada na orientação sexual, tal como acontece com a discriminação baseada em raça ou religião, é inconstitucional automaticamente na ausência de alguma necessidade governamental especial que justifique tratamento diferente de gays e lésbicas.



O projeto de revogação da DOMA, chamada Respect for Marriage Act (algo como "Carta de Respeito pelo Casamento"), poderá não chegar a ser votada em qualquer das câmaras ainda este ano, embora seja provável que avance no Senado, que é controlado pelos democratas.

O projecto foi apresentado na Câmara dos Representantes por Jerry Nadler, John Conyers, Barney Frank, Tammy Baldwin, Jared Polis e David Cicilline, sendo que estes últimos quatro são abertamente homossexuais. Por outro lado foi apresentada no Senado por Dianne Feinstein, Patrick Leahy e Kirsten Gillibrand. Na Câmara, Nancy Pelosi, líder da minoria e Steny Hoyer fiscalizadora da minoria estão entre os mais de 100 patrocinadores da medida. Recorde-se que a Câmara tem 435 votantes, 242 do partido republicano e 193 do partido democrata.

"O debate sobre DOMA não é sobre se é a favor da igualdade do casamento, é sobre se o governo pode selecionar quais os casamentos que gosta, e quais os que não gosta", disse Joe Solmonese, presidente da Human Rights Campaign. "É hora de o governo federal deixa de favoritismos e cria um campo de jogo igual para todas as famílias."

"Em 1996, a DOMA era apenas uma discriminação hipotética porque todos os estados excluíam casais do mesmo sexo no casamento", acrescentou Solmonese. "Hoje temos uma visão muito mais concreta - como discriminação tangível, de cortar o coração, na vida real."

A DOMA priva os ​​casais do mesmo sexo legalmente casados de cerca de 1100 direitos e benefícios federais do casamento - incluindo os benefícios de Segurança Social de sobrevivência, cobertura de sáude do cônjuge de funcionário federal, proteções contra a perda de casas por cônjuges durante emergências médicas, o direito de patrocinar um parceiro estrangeiro para efeitos de imigração, e a capacidade de apresentar uma declaração fiscal conjunta.

Kate Kendell, directora executiva do National Center for Lesbian Rights, disse que a revogação "irá corrigir um ponto vergonhosamente baixo na história da nossa nação."

"A DOMA foi aprovada num momento muito feito de intolerância anti-gay", disse ela. "Cada dia que se mantém em efeito, a DOMA prejudica famílias, estigmatiza os nossos relacionamentos e perpetua um clima de hostilidade para todas as pessoas LGBT".

A diretora do Projeto Casamento da Lambda Legal, Jennifer Pizer, disse que o seu grupo "teve relatos de inúmeros casais do mesmo sexo que, por causa da DOMA, tiveram de pagar mais impostos federal relativos a seguro de saúde, viram negadas prestações familiares essenciais através da Segurança Social, suportaram a separação dolorosa se um dos cônjuges não é um cidadão americano, e enfrentaram uma série de outras injustiças desde as mais insignificantes a situações dramáticas. "

Pizer afirma que "a DOMA fez algo que nunca tinha acontecido antes na história dos EUA". Concluindo que a DOMA "definiu que o governo federal iria fingir que toda uma classe de pessoas legalmente casadas ​​não são realmente casadas devido a opiniões religiosas ou morais de outras pessoas sobre estes casais, ou porque não se encaixam na forma como um número de pessoas cada vez menor imagina a família".

A Diretora Executiva da National Gay e Lésbica Task Force, Rea Carey disse: "É chocante que, na América do século 21, casais do mesmo sexo legamente casados sejam apontados e vejam ser seletivamente negados direitos fundamentais pelo seu próprio governo federal."

Uma recente pesquisa nacional pela Greenberg Quinlan Rosner Research, paga pelo HRC, constatou que 51 por cento dos eleitores se opõem à DOMA e apenas 34 por cento a apoiam.

O casamento entre pessoas do mesmo sexo é legal no Connecticut, Iowa, Massachusetts, New Hampshire, Vermont e Washington, DC. Além disso, os casamentos de gays e lésbicas em qualquer parte do mundo são reconhecidos legalmente, em Maryland, México, Nova Iorque, Rhode Island e Califórnia (se o casamento ocorreu antes da aprovação da Proposition 8), apesar de estes estados não permitirem a realização de casamentos entre pessoas do mesmo sexo. 

Por Rex Wockner par portugalgay

domingo, 20 de março de 2011

Considerações sobre as Uniões homossexuais: um documento a desbravar

Um novo Documento em Destaque no blogue é a série de considerações que a Congregação para a Doutrina da Fé, na pessoa do cardeal Ratzinger (actual Papa), publicou no ano de 2003 (ler na íntegra aqui).

O documento, intitulado Considerações sobre os projectos de reconhecimento legal das Uniões entre pessoas homossexuais será um interessante e polémico objecto de estudo, porventura pouco novo mas, ainda assim, esclarecedor no que diz respeito ao que a Igreja (instituição) conhece - ou desconhece - da realidade da homossexualidade. É também espelho da falta de vontade da Igreja se desvincular dos poderes políticos e dum discurso que cai no moralismo dos costumes em vez de ir beber insaciavelmente à revelação do Evangelho.


Este documento encontra-se originalmente no site do Vaticano

quinta-feira, 17 de março de 2011

Um casamento gay abençoado pela Igreja na Idade Média

Um casamento na Galiza no século XI
 Pedro Díaz e Muño Vandilaz concretizaram o primeiro casamento entre pessoas do mesmo sexo da Galiza a 16 de abril de 1061. 
O facto foi revelado na tese "Amigos e sodomitas. A Configuración da homosexualidade na Idade Media", do filólogo Carlos Callón, que acaba de ganhar a 16ª edição do Prémio Vicente Risco de Ciencias Sociales
O casal vivia ao lado da igreja de Santa Maria de Ordes, no concelho de Rairiz de Veiga (Ourense). O documento que assinala o contrato, que teve a anuência do padre da freguesia, está depositado no Arquivo Histórico Nacional de Madrid. O trabalho agora premiado analisa também o nascimento dos preconceitos homofóbicos durante os séculos XI e XII e a sua consolidação ao longo da Baixa Idade Média.

quarta-feira, 16 de março de 2011

Casamento entre homossexuais: números novos nos Estados Unidos da América

Pela primeira vez, sondagem extensa revela mais apoio do que se oposição à igualdade no casamento nos Estados Unidos da América


O General Social Survey de 2010 revela que há mais pessoas nos EUA a favor da igualdade no casamento do que pessoas contra. É a primeira vez que tal acontece neste estudo altamente conceituado entre sociólogos e não só.

O General Social Survey (GSS) é uma pesquisa bienal realizada pelo Centro Nacional de Pesquisa de Opinião da Universidade de Chicago. É destinado a recolher dados sobre as opiniões e crenças de pessoas relativos a uma ampla variedade de fatores demográficos e antecedentes e tornou-se um recurso muito citado por sociólogos desde sua criação em 1972.



A pergunta foi incluída nos inquéritos há 22 anos atrás, quando mais de três quartos dos inquiridos se opunham ao casamento para gays e lésbicas e apenas 12,4 por cento o apoiavam.

Em 2004 os números foram evoluindo com 55.8% contra, 29,6% a favor, e em 2008 a margem já era bem mais pequena: 47,6% contra e 39,7% a favor.

Vale recordar que em 2008 foram levados às urnas diversas alterações legislativas de forma a proibir o casamento entre pessoas do mesmo sexo em diversos estados do país. Actualmente a batalha continua nos tribunais.

Mais informações sobre o General Social Survey em www.norc.uchicago.edu/GSS+Website/.

In Portugalgay

sábado, 5 de março de 2011

A moral de Berlusconi

Berluscony contra os gays

No meio de mais um escândalo sexual, desta vez com queixa-crime por abuso de menores, o Primeiro Ministro de Itália encontrou um novo alvo: os casais gays.

Durante um discurso num congresso de reformistas cristãos Silvio Berlusconi afirmou que "enquanto governarmos este país, os casamentos entre pessoas do mesmo sexo nunca serão equiparados às famílias tradicionais". E para que percebessem que é uma pessoa que defende a família tradicional o milionário dos média aproveitou e esclareceu que "enquanto formos nós a mandar, nunca haverá possibilidade de adopção quer por gays solteiros quer por casais de gays".

As declarações foram feitas poucos dias depois de uma marcha com um milhão de mulheres que vieram pedir a demissão do Primeiro Ministro de 74 anos de idade conhecido pelos seus casos não só com jovens raparigas, mas agora acusado de ter pago para ter sexo com uma emigrante menor.

A primeira defesa de Berlusconi foi referir que "é melhor ser apanhado com miúdas lindas do que ser gay".
In portugalgay

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Quem são os inimigos, estes que somos chamados a amar?

David e Saul
Amar os inimigos
Das leituras para o 7.º Domingo do Tempo Comum (Ano A)

Da santidade de Deus desce o mandamento de amar o próximo como a si mesmo (1.ª leitura); da perfeição de Deus brota o mandamento de amar o inimigo (Evangelho). Os textos propõem uma ética teologal, uma ética que encontra no ser e no agir de Deus para o homem o seu fundamento. O critério ético que orienta o agir humano pode ser expresso assim: “Como Deus agiu para ti, também tu age da mesma fora para com os outros”. Desta maneira, não só se supera o nível da vingança. do “Faz também ao outro o que ele fez a ti”, como é fundado e tornado praticável o amor do inimigo graças à fé em Cristo que amou também os inimigos.

As palavras de Jesus em Mateus 5, 38-42 enfrentam o problema da violência. Se a lei de Talião é já uma barreira à violência indiscriminada e desmesurada, Jesus propõe uma prática de ativa não-violência aplicada a diversos âmbitos. Mas ainda antes de propor uma estratégia que se opõe à violência, a Bíblia e a palavra evangélica em particular, ajudam o homem a discerni-la, a desmascará-la nas suas camuflagens e a reconhecer que não lhe é estranha.

O caso da bofetada (v. 39) refere-se aos casos de explosão violenta nas relações familiares e sociais de todos os dias, integrando-se por conseguinte no horizonte da vida quotidiana. Todos nós conhecemos uma violência diária e subtil que – sem derramamento de sangue e sem cair na agressão física, mas o deixando o coração profundamente ferido – ocorre no interior das relações familiares, nas relações entre irmãos, entre pais e filhos, entre homem e mulher, a do homem que não sabe domesticar a animalidade que habita o próprio coração, a que começa de maneira escondida ou pouco visível, que se insinua furtivamente num olhar, num comportamento, em palavras.

O caso apontado no v. 40 diz respeito a um processo de arresto: entreveem-se as situações de injustiça e violência social, estrutural; as instituições que, colocadas ao serviço da justiça, podem tornar-se instrumentos de injustiça. Podemos pensar na violência da burocracia, com a sua impessoalidade e indiferença à individualidade humana.

O caso do v. 41 refere-se à coação, à tirania, à violência do abuso, de dobrar a vontade do outro para que ele faça o que nós queremos. E o alcance do abuso abrange o plano físico e sexual, psicológico e espiritual. E pode também configurar-se como violência a pressão, a insistência de um pedido para obter dinheiro e empréstimos (v. 42). O âmbito económico é certamente desencadeador de cobiça e violência.

Jesus pede ao crente para não opor resistência ao malvado: esta dimensão negativa será completada pelo mandamento positivo de amar o inimigo (v. 41). A violência faz parte do mundo não libertado, opondo-se ao Reino de Deus, pelo que não pode reentrar na prática messiânica. O pedido de amar os inimigos situa-se no coração da “diferença cristã”: o que é que diferencia o cristão em relação a pagãos e publicanos, a indiferentes e não crentes? Jesus pede aos crentes para sair do fechamento daquilo que é homólogo, similar, recíproco, autoreferencial: amar quem já se ama, saudar só os irmãos. Trata-se, em vez disso, de ousar a alteridade, de ter a coragem da diversidade e de vencer com o amor o medo do diferente e do outro. São fatores de violência a absolutização do mesmo, do idêntico, que se pode traduzir na redução das relações sociais à mera materialidade dos elementos naturais, à exaltação da consanguinidade, da homogeneidade do elemento étnico.

Praticar o amor com o inimigo contém em si uma promessa escatológica que tem implicações históricas no hoje: «Fazendo assim, tornar-vos-eis filhos do vosso Pai que está no Céu» (v. 45). Viver o amor do inimigo significa estar imerso no amor de Deus que em Cristo se manifestou como amor pelos inimigos: essa imersão regenera o crente, dá à luz um filho de Deus, pertencente a Deus e semelhante a Jesus Cristo. O útero e a matriz deste nascimento à semelhança de Deus (cf. v. 48) é a experiência do amor universal de Deus, do seu amor a bons e maus, da sua bondade incondicional.

Luciano Manicardi, da Comunidade de Bose

Tradução de Rui Martins in SNPC
Ler sobre o Mosteiro de Bose

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

"Next step" no Reino Unido: Da União Civil ao Casamento entre pessoas do mesmo sexo

No Reino Unido o governo avança na igualdade do casamento

O Governo do Reino Unido está a estudar a possibilidade de permitir o casamento entre pessoas do mesmo sexo e não apenas as uniões civis registadas. A uniões entre pessoas do mesmo sexo passarão a poder incluir elementos religiosos.


A notícia é avançada pelo Sunday Telegraph. Segundo o jornal será assim possível ter elementos religiosos numa celebração da união entre duas pessoas do mesmo sexo, algo que até agora estava estritamente vedado em termos legais.

Outra alteração mais profunda é acabar com a distinção entre o casamento para heterossexuais e a união civil registada pala homossexuais. O casamento passará, aos olhos da lei, a ser aplicável em ambos os casos.

O porta-voz do Home Office afirmou que "o governo está a estudar qual o próximo passo para as uniões civis registadas, incluindo o modo como algumas organizações religiosas podem registrar o relacionamento de casais do mesmo sexo num contexto religioso, se desejarem fazê-lo". Segundo o porta-voz foram ouvidas diversas organizações sobre esta questão e o anúncio será feito mais tarde.
A Igreja da Inglaterra, já tinha vindo a público informar que não permitirá que qualquer um de seus edifícios seja usado para cerimónias de união civil registada entre pessoas do mesmo sexo. No entanto há outros grupos religiosos que vêm com bons olhos a abertura a este tipo de cerimónias num contexto religioso tais como os quakers, unitaristas, e os judeus liberais.

As uniões civis registadas (Civil Partnerships) foram introduzidas no Reino Unido em dezembro de 2005. Dão aos casais homossexuais praticamente todos os direitos dos casais heterossexuais excepto na forma de celebrar a cerimónia e no reconhecimento fora de fronteiras.

Segundo as regras actuais, as cerimónias devem ser laicas e não podem conter elementos religiosos, como o canto de hinos e leituras da Bíblia. Em Maio de 2010 já tinham sido formalizadas mais de 26 mil parcerias civis.

Portugal tem o casamento entre pessoas do mesmo sexo desde Junho de 2010. Actualmente as uniões civis registadas realizadas no Reino Unido não são reconhecidas como casamento civil em Portugal.
 
In Portugalgay

domingo, 23 de janeiro de 2011

A transexualidade vista por uma mãe

Carta de uma mãe de um homem transexual dirigida a outros pais

Quarta-feira, 6 de Janeiro de 2010

Para os pais como eu…

O cérebro dos homens não é igual ao das mulheres.
Um Transexual é um ser que nasce com um cérebro de um sexo no corpo de outro sexo. Como não podemos modificar o cérebro, modifica-se o corpo.
(Dr. João Décio Ferreira – Cirurgião plástico)

O caminho é longo e doloroso. Os pais dos transexuais sofrem, zangam-se, têm dúvidas, sentem responsabilidade no que aconteceu e a maior parte das vezes nem sabem bem do que se trata.

Depois de perder um bébé com 3 anos de uma forma súbita e trágica, o mundo desabou. Ao fim de cinco anos fiquei grávida e sempre pensei que seria um rapaz.

Quando nasceu uma menina a alegria foi a mesma, a infância foi normal, a adolescência é que não. Hoje, olhando para trás, vejo os pequenos sinais de alarme que foram crescendo ao longo do tempo até ir a uma psicóloga, aos 19 anos, que me telefona a dizer do risco de suicídio.

E quando em conversa me diz que finalmente sabe que é um transexual, fiquei desorientada a perguntar:
- Mas o que é isso?

Fui ver documentários, ouvi palestras dos canais estrangeiros que me falavam em prostitut@s, vida nocturna e descriminação social e eu sabia que não era nada disso.

Então dirigimo-nos, o meu marido e eu, a um psiquiatra e falámos longamente com ele. Foi aí que percebi que não valia a pena lutar, mas sim apoiar, aceitar, ajudar.

A alma mais que os olhos chora de tristeza, de angústia, de aflição. E agora? A minha linda filha vai ser escortejada, amputada? E se não corre bem? Como vai a sociedade aceitar isto? E a família, o que vai dizer?

O caminho é duro, é longo, é difícil, mas se os pais apoiarem e aceitarem, lá chegaremos.
Primeiro veremos a mudança da parte exterior, a seguir as operações, mais tarde a luta pela mudança de nome, a busca de empregos que lhes são negados só porque são diferentes. Graças a Deus têm um médico extraordinário que os trata como família, que se preocupa, que os opera, que os ajuda. À medida que vão avançando no processo, mostram-se mais felizes, mais confiantes, com vontade de viver.

E nós pais? Vamos pô-los de parte como fazem os outros? Vamos obrigá-los a ser o que não são? Vamos chantageá-los com dinheiro, ameaças, etc.

Finalmente temos que pensar que se nós sofremos, eles sofrem o dobro. Sofrem mais que os homossexuais e as lésbicas que não têm que se sujeitar a operações difíceis e dolorosas, nem têm que mostrar o B.I. de mulher quando fisicamente são homens e vice-versa; que não têm que se sujeitar a um exame desumano no Instituto de Medicina Legal, que não têm que ir ao Tribunal e em frente de um Juiz justificar o pedido de mudança de nome e de sexo legal.

E isto dura anos e anos.

Eu perdi uma filha triste, fechada e revoltada, mas ganhei um filho feliz, forte e com garra de viver.
Deveríamos fundar uma associação de pais de transexuais?

Talvez ajudasse falarmos uns com os outros, mas de uma coisa tenho a certeza; é nossa obrigação de pais, pelo amor que lhes temos de os ajudar até a exaustão, de compreender mesmo não compreendendo bem e sobretudo de os amar e apoiar incondicionalmente.

De uma mãe (69 anos)

Publicado por blog-grit
http://grit-ilga.blogspot.com/2010/01/carta-de-uma-mae-de-um-homem-transexual.html

Sobre o GRID (Grupo de Reflexão e Intervenção sobre Transsexualidade)
http://grit-ilga.blogspot.com/2007/09/apresentao.html

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Adopção homoparental

No Brasil a questão do casamento entre pessoas homossexuais está na ordem do dia. Aqui vai uma adaptação de uma partilha de um blogger:

Casamento e adopção

O site da agência Zenit publicou uma entrevista com Ingrid Tapia, advogada, especialista em direito constitucional e direitos humanos, professora decana de direito romano no Instituto Tecnológico Autónomo do México. O assunto: casamento de pessoas do mesmo sexo e adoção de crianças pelos mesmos casais.

Achei (...) o tom das declarações (...) suave embora, nalguns pontos, sarcástico. Ingrid parece até defender os homossexuais, reconhecendo o mal da discriminação, mas não deixa de sustentar alguns argumentos errados. Por exemplo: Todas as pessoas de um país devem ser reconhecidas pelo Estado, todos nós devemos fazer um esforço por incluir e não discriminar as pessoas por sua preferência sexual ou crença religiosa. Estar comprometidos com a não-discriminação não significa que as leis das maiorias devam ser criadas segundo o capricho das minorias.

Pergunto: por que é que, de repente, os direitos passam a ser considerados "caprichos"? Qual é fundamento para isso? Só porque são manifestados pela minoria?

Outro exemplo:
"O que dizer em relação às adopções por parte de homossexuais?
Isso é o cúmulo. Em França, Inglaterra e em 46 estados da União Americana, a adopção homoparental é proibida. O que a corte fez é um ultraje; as crianças são concebidas como objectos de satisfação, e não como sujeitos." (...)

Pergunto: qual é o fundamento para afirmar tal coisa? Os casais heterossexuais procuram ter filhos e sentem uma grande satisfação quando isso acontece. Mas a satisfação (ou a felicidade) de ser pai ou mãe não impede que eles reconheçam os filhos como "sujeitos". Por outro lado, há muito mais exemplos de abandono ou agressão em relação às crianças nas famílias basadas no casamento heterossexual (os pais imaturos entediados com o brinquedo chamado filho) e não somente pelo facto de serem estes casais uma evidente maioria. De facto, um casal homossexual que precisa enfrentar inúmeros obstáculos até conseguir realizar o seu desejo de ter filho(s), dá muito valor à presença de uma criança em sua casa. Não quero dizer que isso seja algo fácil ou que sempre dá certo. Mas, sem dúvida, há aqui muito amor (...)

Noutro momento da entrevista, Ingrid Tapia diz: A criança em adopção seria destinatária de desprezo devido às decisões de seus pais. Por outras palavras: há muita homofobia na nossa sociedade. O que, então, está certo? Reconhecer o preconceito como algo normal e, por isso, evitar (ou impedir) a adopção dos filhos pelos casais homossexuais? Ou investir numa educação da mesma sociedade, libertando-a da homofobia? O primeiro parece mais fácil. Mas o que está mais correto? Enfim, a polémica continua e não tem previsão de um final feliz próximo...
In Retorno (G - A - Y)
http://teleny-retorno.blogspot.com/2011/01/casamento-e-adocao.html

A entrevista de Ingrid Tapia na íntegra
http://www.zenit.org/article-27015?l=portuguese

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Os miúdos ficarão bem...

Nota: a fotografia não corresponde ao filme
Um leitor de uma outra mensagem do blogue, a propósito dessa, partilhou a sua nota crítica do filme "Os miúdos estão bem?" Passo a transcrevê-la. Obrigado pela participação e pela partilha.

Os miúdos estão bem? Aparentemente sim. Lisa Cholodenko (realizadora e argumentista) tenta normalizar neste filme uma família nada convencional: duas senhoras de meia-idade, casadas uma com a outra, com uma filha e com um filho adolescentes gerados por cada uma das mães com o esperma de um dador anónimo Confuso?


Os miúdos estão bem? Aparentemente os problemas são os de todos. Nic (Annette Bening) é uma médica de sucesso, um pouco controladora por ser o garante financeiro da casa o que lhe faz pensar que pode ser ela a ditar as regras. Jules (Julianne Moore) é a mãe que abdicou da carreira profissional para ficar em casa a tratar dos filhos e que, após estarem criados, tenta retomar um trabalho com o que isso implica de nova adaptações no seio familiar. Joni (Mia Wasikowska) vive a apreensão própria de uma adolescente prestes a soltar as asas do ninho familiar com a ida para a universidade; Laser (Josh Hutcherson) é um miúdo de 15 anos, que preocupa as mães por causa do amigo rufia. É dele a (natural??) curiosidade de conhecer o pai biológico, Paul, (Mark Ruffalo), dono de um restaurante e solteirão.

Os miúdos estão bem? Estão. OU não!! Percebe-se que houve verdade sobre a forma como foram gerados, que nada lhes foi escondido durante a sua educação. Mas o conhecimento do pai …há uma mãe perturbada com a complexidade da sua sexualidade, há uma empatia com o bio-pai (???) por causa desse laço biológico mas uma confusão sobre como gerir a entrada dele nas suas vidas e se há mesmo vontade de fazer crescer essa relação. E há um homem atrapalhado com a descoberta de uma suposta família que não sendo sua, tenta, sem sucesso, resgatar para si.

Os miúdos estão bem? Sim. Sente-se que foram criados com amor, esse amor que acaba por vencer mal-entendidos e traições. E como Laser dirá…vocês já são muito velhas para se divorciarem

Os miúdos estão bem? Sim. Cresceram numa família que tal como todas as outras não é perfeita nem normal porque a definição desses conceitos é muito flutuante….A questão que se poderá colocar é a de saber se temos o direito de experimentar novos tipos de relacionamento. Mas mesmo que alguns deles me causem alguns pruridos e bastantes interrogações, tenho de admitir que é isso que, enquanto sociedade, temos feito ao longo do tempo.

(Os Miúdos estão bem tem 4 nomeações para os Globos de Ouro – melhor filme musical ou comédia, melhor argumento, melhor actriz de comédia ou musical [Annette Bening e Julianne Moore]. A seguir o caminho que fará nos Óscares. O filme não deveria não ser considerado uma comédia …Annette Bening merece a nomeação para Actriz Principal).

Publicada por Rui Ivo Lopes em O espaço da tua ausência
http://ruiivo.blogspot.com/
 
Ler na íntegra
http://ruiivo.blogspot.com/2010/12/os-miudos-ficarao-bem.html

sábado, 8 de janeiro de 2011

Gays e lésbicas brasileir@s podem ter filhos

No Brasil, Reprodução Medicamente Assistida está disponível para gays e lésbicas

O Conselho Federal de Medicina (CFM) do Brasil divulgou ontem as novas regras para acesso a técnicas de reprodução medicamente assistida. Uma das novidades é que gays e lésbicas passam a ter acesso a esta possibilidade.


A partir de agora a fertilização in vitro e a inseminação artificial passam a estar disponíveis para pessoas solteiras, incluindo homossexuais. Anteriormente só era permitido para pessoas casadas, o que no Brasil implica serem de sexo diferente.

Outra novidade é a possibilidade de utilizar a "Barriga Solidária", ou seja: que o embrião e feto se desenvolva na barriga de uma mulher externa ao casal, mas que seja da família. No entanto tal actividade não poderá ser remunerada.

Num casal homossexual masculino, o esperma pode ser de um dos parceiros e o óvulo de uma doadora anónima. Depois de fecundado, o embrião é introduzido no útero de uma parente de um dos dois. Entre mulheres, o doador do sémen pode ser desconhecido ou não. Uma deverá desenvolver o embrião.

Esta abertura a gays e lésbicas é tão mais significativa quanto diversas outras medidas incluídas na resolução passam a definir limites mais estritos à actividade de reprodução medicamente assistida. Por exemplo o número de máximo de embriões a serem implantados numa mulher com menos de 35 anos passou de 4 para 2.

As medidas foram aprovadas por unanimidade pelo Conselho.

In PortugalGay.PT
http://portugalgay.pt/news/060111A/brasil:_reproducao_medicamente_assistida_disponivel_para_gays_e_lesbicas

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Ministra dos Direitos Humanos defende adopção por casais homossexuais

Futura ministra brasileira dos Direitos Humanos apoia adopção por gays e lésbicas

Maria do Rosário, que está indicada para a pasta do Ministério dos Direitos Humanos pela presidente eleita, Dilma Roussff, declarou hoje que apoia a adopção por casais do mesmo sexo.

A notícia foi divulgada pelo jornal Folha de S. Paulo onde a deputada federal afirma que a capacidade para educar e criar um filho não está relacionado com a orientação sexual.

No entanto poderá ser complicado à futura ministra conseguir por em prática esta posição devido ao grupo de fundamentalistas evangélicos no Congresso brasileiro que são frontalmente contra o reconhecimento da parentalidade de casais de gays e lésbicas.

Maria do Rosário também defendeu políticas eficazes contra a homofobia, considerando as recentes agressões como algo que tem de ser resolvido com urgência, e irá tomar medidas imediatas contra estes crimes, assim que assumir o novo cargo.

in PortugalGay.Pt
http://portugalgay.pt/news/181210A/brasil:_futura_ministra_de_direitos_humanos_apoia_adopcao_por_gays_e_lesbicas

sábado, 27 de novembro de 2010

Alegre pouco gay em questões de adopção

Candidato Presidencial partilha sua posição sobre adopção LGBT

Em entrevista ao jornal Sol, Manuel Alegre revela que não se sente muito à vontade com a adopção por casais do mesmo sexo.

Quando questionado sobre a adopção por casais do mesmo sexo, Manuel Alegre partilhou que considerava "inevitável" este passo legislativo após a aprovação do casamento entre pessoas do mesmo sexo "independentemente da opinião pessoal" que teria sobre o assunto.

Revela também que sempre viu a adopção por casais do mesmo sexo com "mais problemas, mais engulhos do que o resto". Para o candidato presidencial as crianças são "muito cruéis" afirmando que não tem preconceito.

Concluindo que "seja como for" é pela eliminação das discriminações e pelas liberdades.

O ex-deputado do PS, com 74 anos irá concorrer em 23 de Janeiro de 2011 nas eleições presidenciais na tentativa de vencer o actual presidente Cavaco Silva eleito em 2006. Cavaco Silva promulgou a lei de abertura do casamento civil a casais do mesmo sexo fazendo um duro discurso contra a mesma e revelando que apenas o fez porque não teria, na prática, capacidade para vetar a lei se a mesma fosse novamente aprovada na assembleia, o que era previsível.

Se as eleições fosse hoje Cavaco Silva seria reeleito à primeira volta segundo as últimas sondagens.
 
In PortugalGay.PT, 26 de Novembro de 2010
http://portugalgay.pt/news/261110A/portugal:_candidato_presidencial_partilha_sua_posicao_sobre_adopcao_lgbt

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

"O puro prazer deve ser inserido no gozo" e "Amar verdadeiramente sendo amado definitivamente"

A Igreja precisa de uma reforma nas questões do amor, afirma o cardeal
Segunda Parte

Castidade e sexualidade são sentidas como antíteses...

A castidade mantém o Eu ordenado. Eliminá-la significa reduzir o amor a mera habilidade sexual, veiculada por uma subestrutura de relações humanas que se fundamenta num grave equívoco e isto está na ideia de que no homem exista um ‘instinto sexual’ como ocorre com os animais. A psicanálise demonstra que não é verdade: também no nosso inconsciente mais profundo nada se joga sem o envolvimento do Eu. O sacrifício e o distanciamento requeridos pela castidade mantêm o Eu pessoal unido, abrindo caminho para uma possessão mais autêntica. O sacrifício não anula a posse, é a condição que o expõe.

Os doutores da Igreja falavam de ‘gaudium’ (gozo). O puro prazer, que por sua natureza acaba rapidamente, pede para ser inserido no gozo, pois se ficar fechado em si mesmo a posse o anula lentamente, enfraquece, deprime. Impressiona-me o facto de, quando digo estas coisas aos jovens, encontrar mais surpresa do que crítica.

Gozo e sexualidade parecem conceitos incompatíveis com a doutrina católica.

Não é assim. A mensagem bíblica foi a primeira, historicamente falando, a fazer ver a diferença sexual de uma óptica absolutamente positiva e criativa, como dom de Deus. Mas como em todas as coisas humanas, o positivo, o bem, o verdadeiro nunca são fáceis. Mas sem o belo, o bom, o verdadeiro, a vida enfraquece, não há em si energia para conduzir ao marasmo do real.

No livro dos Provérbios, entre as coisas muito árduas para compreender, o autor considera ‘o caminho do homem numa jovem mulher’. A mulher é a figura daquela que está no começo: eu saio dela ao nascer. Então, quando o homem e a mulher se encontram, fazem ao mesmo tempo a experiência de recomeçar aquilo que de qualquer forma já conheciam e de dar vida a uma novidade. Aqui existe a intrínseca raiz da fecundidade. O amor objectivo nunca é uma relação a dois. Aprendemo-lo através da Trindade.

Mas o que tem a reforma da Igreja a ver com isso?

Tem tudo a ver! Fundamental para a reforma da Igreja é reencontrar testemunhas credíveis do belo amor que Cristo, com uma infinidade de santos na sua grande maioria anónimos, introduziu na história. Penso em tantas gerações vividas na lógica do belo amor. Penso nos meus pais, nos olhos com que o meu pai aos noventa anos olhava a minha mãe também com noventa, doente, debilitada por um cancro violento nos rins. (...) Que amor teria sobrevivido melhor ao Eu do que esta ligação indissolúvel? Objectivamente não há comparação entre a densidade de uma experiência assim definitiva e o passar indefinido de uma sequência de relações precárias. No fim, quer seja a necessidade de amar definitivamente, quer seja a fragilidade sexual serão marcadas pelo terror da morte.

Para amar verdadeiramente devo ser amado definitivamente, ou seja, além da morte; e é isto que Jesus veio fazer. Se há um delito que nós, cristãos, cometemos, é não mostrar o dom maravilhoso de Jesus: dar a vida para nos fazer entender a beleza do amor objectivo e efectivo. Isto tem sempre um carácter nupcial, inseparável conexão de diferença, dom de si e fecundidade. O outro não está fora do meu Eu, o outro permeia-me todos os dias; a minha própria concepção está ligada a este permear-me. Por isso, humanizar a sexualidade através da castidade é um recurso capital para vencer a aposta do pós-moderno, para o homem do terceiro milénio que queira salvar o caminho do belo amor, que nos faz gozar verdadeiramente a vida.

Entrevista de Aldo Cazzullo, publicada no jornal Corriere della Sera, a de 18 de Julho de 2010; tradução de Alessandra Gusatto, adaptada por rioazur.

Ler Primeira Parte no blogue

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

O que fazer quando o Menino quer ser a Cinderela?

Não gosto muito de talk shows... Contudo vi este vídeo. Foi a segunda vez esta semana que li uma história semelhante: um menino quer vestir-se de menina no Halloween e gosta de vestidos, dos objectos das raparigas e das jóias da mãe. E não estamos a falar de adolescentes, mas de crianças!

A Maria-rapaz, aquela menina que gosta de brincadeiras de rapazes, prática e desembaraçada, irrequieta, aventureira e corajosa: nada contra, nada de mais! É comum e é aceite. É, até, normal!

Porque será mais difícil aceitar que há rapazes que gostam de ficar quietos no seu canto, de brincar com bonecas, gostam das roupas e das coisas brilhantes, bonitas, coloridas e apelativas que fazem parte do universo feminino?

E o que se faz quando é o próprio filho que aparece com um vestido e diz que se quer mascarar de princesa no Carnaval?

Este vídeo é o testemunho de uma mãe, de um pai e do irmão, de uma psicóloga e de uma professora que fala da forma como a escola lidou com a situação. Não é fácil ir contra a opinião pública, não é fácil aceitar a diferença no outro.

My Princess Boy

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Acolhimento familiar de crianças e jovens vulneráveis

Divulgo este projecto da Santa Casa da Misericórdia. Sei que não é possível (ainda) para os casais homossexuais adoptarem em Portugal. Mas este projecto é também para pessoas singulares e, por isso, não depende de um enquadramento familiar plural. "Pedi e dar-se-vos-á"... quem sabe se não é o caso?

Em Portugal existem milhares de crianças em situação de especial desprotecção e vulnerabilidade que necessitam de apoio

A Santa Casa da Misericórdia de Lisboa inicia agora uma campanha de divulgação sobre as Famílias de acolhimento de crianças.

O que é o Acolhimento Familiar?
O Acolhimento Familiar consiste na atribuição da confiança da criança ou do jovem a uma pessoa singular ou a uma família, habilitadas para o efeito, integrando-as em meio familiar e prestando-lhes os cuidados adequados às suas necessidades, bem-estar e a educação necessária ao seu desenvolvimento integral. As crianças que beneficiam da medida de acolhimento familiar passam a viver em casa da família de acolhimento, integrando este núcleo familiar, enquanto durar a impossibilidade de regresso à sua família natural.
A quem se destina?
O Acolhimento Familiar destina-se a crianças em situação de perigo, que necessitam de ser temporariamente integradas numa família alternativa à sua família natural. Pretende-se que as famílias de acolhimento proporcionem um contexto seguro, afectuoso e cuidador à criança, sendo paralelamente efectuada uma intervenção próxima da família natural, no sentido de, sempre que possível, promover a reintegração familiar da criança.
Que apoios pode a família de acolhimento receber?
As famílias de acolhimento beneficiam de sessões de preparação e formação, atenção individualizada, acompanhamento durante (e pós) o acolhimento da criança, apoio telefónico durante 24 horas por dia para situações de emergência, contactos com outras famílias de acolhimento para troca de experiências e ajuda financeira (prevista na Lei) para gastos com o acolhimento.

Contactos:
Largo Trindade Coelho
1200-470 Lisboa
Tel.: 213 235 177 . 213 235 118 . 213 235 406
Fax.: 213 235 077
E-mail: diadij@scml.pt
Horário de atendimento:
Dias úteis das 09h00 às 12h30 e das 14h00 às 17h30.

Mais informações:
http://www.scml.pt/acolhimentofamiliardecriancas/

terça-feira, 21 de setembro de 2010

"Todos têm o direito de viver plenamente a sua existência", diz o bispo italiano

Um bispo que se encontra com um grupo de fiéis gays e um jornal diocesano que dá um enorme destaque ao evento seria algo impensável há poucos anos. Esta mensagem é baseada na reportagem de Valerio Gigante, publicada na revista Adista a 26 de Julho de 2010 e traduzida por Moisés Sbardelotto.


Um bispo italiano encontrou-se com os gays da diocese


Algo está a mudar nas relações entre a hierarquia católica e grupos homossexuais [pelo menos em Itália]:
  1. Apareceu em Cremona um grupo diocesano para a pastoral com as pessoas homossexuais
  2. Foi publicado pela diocese de Turim de um pequeno livro intitulado "Fé e homossexualidade"
  3. Aconteceu o I Fórum Italiano dos Cristãos Homossexuais
  4. Em muitas igrejas cristãs organizaram-se de vigílias de oração por ocasião da IV Jornada Mundial contra a Homofobia

E mesmo que nem todas as dioceses tenham a mesma abordagem pastoral acerca do tema da homossexualidade – basta lembrar as palavras de alguns bispos eméritos ou, mais recentemente, a interdição do vicariato de Roma aos párocos da cidade de hospedar as iniciativas do grupo "Nuova Proposta" –, a linha do diálogo parece ter conseguido o seu espaço.

Assim, foi possível que o grupo de cristãos homossexuais de Parma Arco [1] recebesse a visita do bispo da cidade, D. Enrico Solmi. Uma visita importante se considerarmos que, na Assembleia Geral da Conferência dos Bispos da Itália (CEI) do dia 26 de Março, D. Solmi foi eleito o responsável pela Comissão Episcopal para a Família e Vida.

É provável que, justamente na sequência do seu novo cargo, Solmi tenha pretendido dar ressonância à sua visita ao grupo Arco, para assinalar uma vontade de abertura, não só por parte da Cúria de Parma, mas da própria Conferência Episcopal. Caso contrário não se explicaria o facto do jornal diocesano Vita Nuova, no passado dia 2 de Julho, ter dedicado uma página inteira a este encontro, comentando o seu êxito.

D. Solmi "juntou-se ao grupo de Parma no seu encontro regular do mês de Maio. [...] Um sinal, não apenas da sensibilidade pessoal de D. Solmi", mas principalmente "um apelo claro a não discriminar ninguém (e só Deus sabe o quanto é necessário esse apelo nos nossos dias)". Uma forma de reafirmar, "com autoridade inequívoca, que ninguém está excluído da comunhão eclesial por causa da sua pertença a determinadas categorias sociais". Uma atitude "inclusiva" de D. Solmi, que, para o Vita Nuova, sempre foi "explícita", também por parte do Magistério da Igreja, "desde o documento de 1975 sobre a Pessoa Humana", e do "Catecismo da Igreja Católica, no artigo 2357".

Portanto, continua a publicação, se o encontro entre um bispo e um grupo gay provocasse "perplexidade nalgum leitor", bastaria citar "o texto do magistério da Congregação para a Doutrina da Fé, emitido em 1986, com o título 'O cuidado pastoral das pessoas homossexuais'", em que se afirma que a Igreja "rejeita considerar a pessoa puramente como um 'heterossexual' ou um 'homossexual' e destaca que todos têm a mesma identidade pessoal: ser criatura e, por graça, filho de Deus, herdeiro da vida eterna".

E é muito positivo, afirma o Vita Nuova, “que, com a sua visita, o bispo Enrico tenha reforçado isso para a nossa diocese. É um encorajamento para quem vive essa condição existencial e um alerta à comunidade, para que exerça o acolhimento fraterno às pessoas homossexuais. O novo cargo confiado pela CEI talvez o leve a interessar-se mais directamente sobre essa questão a nível nacional".

Recentemente, D. Solmi tinha manifestado uma certa abertura em relação ao mundo gay. Num encontro em Fevereiro de 2009 com os estudantes de um instituto superior, entre os numerosos temas "sensíveis" que aceitou abordar (castidade, contracepção, casamento, política), o bispo também tocou na questão da homossexualidade."Não acho que se deva afirmar", disse naquela ocasião, "que o projecto de Deus é ter homossexuais, mas digo que aquela pessoa é uma grande riqueza, que ama e tem certamente uma boa relação com Deus. Todos têm o direito de viver plenamente a sua existência, com o próprio conceito de amor e na aceitação dos ideais alheios".

[1] desde 1998 reúne crentes e não crentes e conta com a presença de duas missionárias xaverianas a animar a oração. O grupo tem auto-gestão no resto do funcionamento e na escolha dos textos bíblicos.
http://www.ihu.unisinos.br/index.php?option=com_noticias&Itemid=18&task=detalhe&id=34704

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

No México: depois do casamento a adopção

A cidade do México não tem parado. Depois da aprovação do casamento homossexual em Dezembro de 2009, no passado mês de Agosto a Corte Suprema de Justiça da Nação aprovou a adopção por casais homossexuais. Tanto o casamento como a adopção serão válidos no resto do país.

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Carta de um padre aos pais que têm filhos com orientação homossexual

Prezados pais,
Os vossos filhos são um presente de Deus criador a vós e à humanidade, assim como a vida de todo o ser humano. E vocês são para eles um instrumento da Providência divina, para que tenham vida, afecto, educação e valores.

Chamamos Deus de ‘Pai’, conforme a nossa tradição judaico-cristã. Usamos a nossa linguagem e experiência humanas para nos dirigirmos a alguém que ultrapassa os limites do mundo e da nossa vivência. Também reconhecemos nele os traços da ternura materna. A experiência do amor incondicional, que os pais proporcionam, é fundamental para o despertar da fé e para uma sadia relação com Deus.

Ter filhos homossexuais remete-vos para a complexa realidade da diversidade sexual. Ao longo da história e em diferentes culturas, esta questão foi tratada de vários modos.

A nossa tradição de séculos longínquos e recentes já considerou a relação entre pessoas do mesmo sexo uma abominação e uma séria doença, impondo um pesado fardo a gays e lésbicas. No entanto, há mudanças que não podem ser negligenciadas, como a evolução dos direitos humanos, a superação da leitura à letra da Bíblia e, nos anos 90 do século passado, a supressão da homossexualidade da lista de doenças da Organização Mundial de Saúde. Trata-se de uma condição, e não de uma opção, que alguns carregam por toda a vida.

A sociedade e as famílias necessitam aprender uma nova maneira de lidar com a homoafectividade; a Igreja Católica, que é parte da sociedade, também. Ao se falar da Igreja, frequentemente pensa-se em proibições e condenações. Este não é um ponto de partida adequado.

A Igreja ensina que ninguém é um mero homo ou heterossexual, mas antes de tudo um ser humano, criatura de Deus e, pela graça divina, filho Seu e destinado à vida eterna. E acrescenta que os homossexuais devem ser tratados com respeito e delicadeza. Deve-se evitar para com eles toda a forma de discriminação injusta.

No nível local, há mudanças importantes acontecendo na Igreja. Em 1997, os bispos católicos norte-americanos escreveram uma bela carta pastoral aos pais dos homossexuais. O título é: Always our children (Sempre Os Nossos Filhos). Segundo eles, Deus não ama menos uma pessoa por ela ser gay ou lésbica. A SIDA não é um castigo divino. Deus é muito mais poderoso, mais compassivo e, se for preciso, mais capaz de perdoar do que qualquer pessoa neste mundo. Os bispos exortam os pais a amarem-se a si mesmos e a não se culparem pela orientação sexual dos filhos, nem pelas suas escolhas. Os pais de homossexuais não são obrigados a encaminhar os seus filhos para terapias de reversão para torná-los heteros. Os pais são encorajados, sim, a demonstrar-lhes amor incondicional. E dependendo da situação dos filhos, observam os bispos, o apoio da família é ainda mais necessário.

Prezados pais, os vossos filhos serão sempre vossos filhos. Vocês não fracassaram e nem erraram por causa da sua orientação sexual. O estigma de infâmia e de doença ligado à homossexualidade precisa ser vencido. A aceitação da condição de vossos filhos torna a vida de ambos muito melhor e mais feliz. Esta tarefa não é fácil, mas também não é impossível. A prova disso é o depoimento de tantos pais que já o conseguiram, ainda que tenham levado alguns anos.

A confiança no bom Deus, fonte de todo o bem e do amor incondicional, há de tornar este caminho mais suave e com êxito.

Cordialmente,
Pe. Luís Corrêa Lima, S.J

Porque estou aqui

Sinto-me privilegiado por ter encontrado na Igreja um lugar vazio, feito à minha medida. É certo que tê-lo encontrado (ou encontrá-lo renovadamente, pois não é dado adquirido) foi também mérito da minha sede, do meu empenho, de não baixar os braços e achar, passivamente, que não seria possível. Passo a contextualizar: a comunidade onde vou à missa é pequena e acolhedora, e podia bem não o ser. Ao mesmo tempo, sentia um desejo grande de reflexão de vida cristã e encontrei um casal (heterosexual) que tinha a mesma vontade. Começámo-nos a reunir semanalmente numa pequena comunidade de oração e reflexão que, apesar de crítica, nos tem ajudado a sermos Igreja e a nela nos revermos. Paralelamente, face ao contínuo desencanto em relação a algumas posturas e pontos de vista de uma Igreja mais institucional e hierárquica, tive a graça de encontrar um grupo de cristãos homossexuais, que se reuniam com um padre regularmente, sem terem de se esconder ou de ocultar parte de si.

Sei que muitos cristãos homossexuais nunca pensaram sequer na eventualidade de existirem grupos cristãos em que se pudessem apresentar inteiros, quanto mais pensarem poder tomar parte e pôr em comum fé, questões, procuras, afectos e vidas.

Por tudo isto me sinto grato a Deus e me sinto responsável para tentar chegar a quem não teve, até agora, uma experiência tão feliz como a minha.

Este blogue também é teu

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Os textos e as imagens

Os textos das mensagens deste blogue têm várias fontes. Alguns são resultados de pesquisas em sites, blogues ou páginas de informação na Internet. Outros são artigos de opinião do autor do blogue ou de algum dos seus colaboradores. Há ainda textos que são publicados por terem sido indicados por amigos ou por leitores do blogue. Muitos dos textos que servem de base às mensagens foram traduzidos, tendo por vezes sofrido cortes. Outros textos são adaptados, e a indicação dessa adaptação fará parte do corpo da mensagem. A maioria dos textos não está escrita segundo o novo acordo ortográfico da língua portuguesa, pelo facto do autor do blogue não o conhecer de forma aprofundada.

As imagens que ilustram as mensagens são retiradas da Internet. Quando se conhece a sua autoria, esta é referida. Quando não se conhece não aparece nenhuma referência. Caso detectem alguma fotografia não identificada e conheçam a sua autoria, pedimos que nos informem da mesma.

As imagens são ilustrativas e não são sempre directamente associáveis ao conteúdo da mensagem. É uma escolha pessoal do autor do blogue. Há um critério de estética e de temática ligado ao teor do blogue. Espero, por isso, que nenhum leitor se sinta ofendido com as associações livres entre imagem e conteúdo.

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