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A diversidade na Igreja

"A casa do meu Pai tem muitas moradas", diz-nos Jesus no evangelho.

A unidade na diversidade não é sempre aparente na Igreja enquanto povo de Deus, mas é uma realidade em Deus e uma presença na fé cristã desde a sua origem. A Palavra de Deus não é partidária, elitista e exclusiva. O Reino de Deus é como uma árvore que estende os ramos para dar abrigo a todos os pássaros do céu. Cristo não morreu na cruz para salvar uma mão cheia de cristãos. Até o Deus Uno encerra em si o mistério de uma Trindade.

A Palavra de Deus é inequívoca e só pode levar à desinstalação, à abertura ao outro, e a recebê-lo e amá-lo enquanto irmão ou irmã. Ninguém fica de fora, nem mesmo - se tivessemos - os inimigos.

Muitos cristãos crêem nesta Igreja, nesta casa do Pai, corpo de Cristo, templo do Espírito Santo. Mas como esquecer que muitos se sentem "de fora" por se verem rejeitados, amputados e anulados, e afastam-se por ninguém lhes ter mostrado que há um lugar para cada um, com a totalidade do seu ser?

Um blogue para cristãos homossexuais que não desistiram de ser Igreja

Porquê este blogue?

Este blogue é a partilha de uma vida de fé e é uma porta aberta para quem nela quiser entrar. É um convite para que não desistas: há homossexuais cristãos que não querem recusar nem a sua fé nem a sua sexualidade. É uma confirmação, por experiência vivida, que há um lugar para ti na Igreja. Aceita o desafio de o encontrares!

Este blogue também é teu, e de quem conheças que possa viver na carne sentimentos contraditórios de questões ligadas à fé e à orientação sexual. És benvindo se, mesmo não sendo o teu caso, conheces alguém que viva esta situação ou és um cristão que deseja uma Igreja mais acolhedora onde caiba a reflexão sobre esta e outras realidades.

Partilha, pergunta, propõe: este blogue existe para dar voz a quem normalmente está invisível ou mudo na Igreja, para quem se sente só, diferente e excluído. Este blogue não pretende mudar as mentalidades e as tradições com grande aparato, mas já não seria pouco se pudesse revelar um pouco do insondável Amor de Deus ou se ajudasse alguém a reconciliar-se consigo em Deus.
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sábado, 15 de dezembro de 2012

Até que a morte nos separe

Um filme a não perder, que certamente não deixará ninguém indiferente. Passo a publicar a crítica de Margarida Ataíde.

"Amor": incómodo e imensamente belo


Três anos após conquistar uma vasta gama de prémios pelo seu “O Laço Branco”, profunda e perturbante meditação sobre a condição humana, Michael Haneke voltou a arrebatar a mente e o coração de júris, crítica e público com o seu mais recente filme: "Amor".

Georges e Anne Laurent, casal octogenário, vivem confortavelmente a sua reforma na cidade de Paris, na sequência de uma vida dedicada à música. O carinho que nutrem um pelo outro é notório. Um dia, são surpreendidos pela doença de Anne. Um grave problema de natureza vascular, evidenciado por um súbito estado de ausência, limitará, num brevíssimo espaço de tempo, a sua mobilidade. Primeiro confinada a uma cadeira de rodas e mais tarde a uma cama, o estado de Anne agrava-se de dia para dia.

Ao longo deste processo Georges não hesita em assumir, com recurso mínimo à ajuda de terceiros, os cuidados necessários a Anne, sejam de ordem física ou afetiva. Indiferente à sua própria debilidade física e relegando para segundo plano a dor provocada pela degradação humana da mulher da sua vida, é o amor que prevalece, a cada dia, ante a perspetiva de uma morte anunciada...

Com a questão da doença e da morte em solidão a afligir uma envelhecida Europa em tempos de crise e de dúvida, entre tantos outros problemas que apelam à reflexão e à ‘inflexão’ urgente de modelo social e afetivo, “Amor” é uma muito pertinente meditação sobre nós. Todos nós.

Magnificamente interpretado por Jean-Louis Trintignant e Emmanuelle Riva, os dois atores que em tempos atraíram uma geração às salas de cinema pela sua sedutora vitalidade física e emocional, emprestam os mesmíssimos dons artísticos à encarnação de duas personagens no final das suas vidas.

Incómodo e imensamente belo, eis um filme que trata, de modo igualmente notável e delicado, a questão do amor e da morte, em intimíssima relação e definindo claramente o que na nossa natureza prevalece.

Mais uma meditação que Haneke séria e generosamente nos entrega, em que as soluções dificilmente podem ser consideradas ou debatidas sem se olhar aos caminhos que a umas ou outras conduzam...

Margarida Ataíde

Grupo de Cinema do Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura
In Agência Ecclesia / SNPC
06.12.12

quarta-feira, 13 de abril de 2011

A Cinemateca em risco

A Cinemateca é um espaço único em Lisboa em que os filmes podem ser vistos a um preço simbólico e onde a escolha criteriosa dos títulos nos fazem percorrer a já longa história da indústria cinematográfica. É um espaço cultural onde já tenho feito descobertas no mínimo inesperadas e um autêntico museu mutável e dinâmico do Cinema. Aparentemente, como todas as áreas frágeis da cultura, corre graves riscos de se transformar em fumo. Das duas salas já só uma está em uso, o número de sessões diárias caiu drasticamente, muitas têm sido anuladas ou suspensas, já não há folhas de informação impressas nem o programa mensal em papel... 


Divulgo um alerta e um convite que uma amiga me fez chegar:



As imagens só existem com o fogo da projecção. Contudo, é possível queimar as imagens ao interditar a sua projecção como um auto da fé de livros. Marcel Hanoun 

Aos muito lá de casa a quem a Cinemateca importa,
e que lamentam as 13 sessões canceladas em Março e as 46 temporariamente suspensas em Abril, os filmes que não podem ser vistos porque os cortes no financiamento e a recente perda de autonomia -imposta pelo Ministério das Finanças- comprometem o transporte regular de cópias, o habitual programa estar reduzido a pobres fotocópias e o desdobrável apenas disponível on-line, e que lamentam e temem a interrupção do trabalho de restauro e o ANIM  estar em risco e com ele todos os filmes do nosso espólio cinematográfico, por haver quem no poder ainda se pergunte se o cinema é património, 
a quem os filmes possam vir a faltar,
 
encontro marcado na Cinemateca
no dia 13 de Abril, à sessão temporariamente suspensa das 19h30
 
para pensar em formas de acção (projecções, manifestos, ocupações)
pelo cinema que, no contínuo trabalho de coleccionar, preservar, documentar e apresentar, a Cinemateca permite existir.

A Paixão segundo Pasolini na Capela do Rato

É hoje:
Cinema e Espiritualidade na Capela do Rato
“Evangelho Segundo São Mateus” de Pier Paolo Pasolini
Quarta-feira, dia 13 de Abril, 21h

                                      
Maria José Fazenda (Professora de Antropologia da Dança), Rita Benis (Investigadora na área de cinema) e João Miguel Amaro Correia (Arquitecto), moderados por Margarida Avillez Ataíde (jornalista) debatem o histórico filme de Pasolini, numa iniciativa conjunta da Capela do Rato e da Escola de Cinema da Universidade Lusófona.

Em “Evangelho Segundo São Mateus”, um dos cineastas mais polémicos e aclamados da modernidade confronta-se com uma representação literal e profética da figura de Jesus de Nazaré.

Em 1964, data da sua estreia, o filme, que é dedicado à memória do Papa João XXIII, foi recebido com enorme entusiasmo pelos bispos que participavam no Concílio do Vaticano II. Tornou-se assim também um dos ícones da nova relação entre a Igreja e o Mundo que o Concílio ensaiava.

A exibição tem Entrada Livre.
Capela do Rato (Calçada Bento Rocha Cabral, 1B)

terça-feira, 5 de abril de 2011

Documentários especiais


Para quem ainda não teve a possibilidade de ver, a Geraldine vai receber durante os meses de Abril e Maio um ciclo de documentários da produtora TERRATREME. Filmes de Tiago Hespanha, Frederico Lobo e Pedro Pinho, João Vladimiro, Leonor Noivo e Nathalie Mansoux circularam por vários festivais nacionais e internacionais e foram agora reunidos numa caixa-DVD que se encontra à venda em várias livrarias.
(Durante as sessões na Geraldine a caixa de DVDs TERRATREME estará à venda com um desconto de 10%.)

Uma edição com o apoio da Fundação Calouste Gulbenkian

A edição da caixa de DVDs com 5 documentários é a primeira experiência da TERRATREME filmes no campo da edição. Este projecto pretende trazer à luz filmes que não teriam outra possibilidade de serem editados dentro dos canais até hoje existentes e que no entanto merecem ser distribuídos, como provam os seus percursos por vários festivais nacionais e internacionais onde têm sido alvo de destaque.O que une estes 5 filmes não são afinidades de género ou de forma mas serem trabalhos de jovens realizadores, praticamente desconhecidos, guiados pela urgência de fazerem os seus filmes à sua maneira e inventando para isso modelos de produção adaptados às necessidades dos seus projectos.

Para mais informação visite:
www.terratreme.com
TERRATREME FILMES no Câmara Clara
SPOT CAIXA DVDS no Vimeo

Ver alguns destes documentários

Sessões de projecção


As sessões contarão sempre que possível com a presença dos realizadores e/ou dos produtores dos filmes.

21 de Abril – 21h30 VISITA GUIADA de Tiago Hespanha
(2009, 56 minutos, Betadigital, 16:9, em Português com legendas em Inglês)
Todos os anos vêm a Portugal milhões de turistas à descoberta de um pais, um povo e uma cultura. Muitos vão contactando com vários guias que lhes tentam passar uma visão da história e da identidade nacional. Visita Guiada toma como ponto de partida a construção desses discursos e a sua leitura, numa viagem de norte a sul de Portugal.
Prémio do Público para melhor curta-metragem, INDIELISBOA 2009 (Portugal)
Sessão de apresentação da caixa de dvds TERRATREME, com a presença do realizador Tiago Hespanha e dos produtores João Matos e Joana Gusmão.


28 de Abril – 21h30 

SANTOS DOS ÚLTIMOS DIAS 
de Leonor Noivo

(2009, 56 minutos, BetaDigital, 16:9, em Português com legendas em Inglês)
Andam aos pares de porta em porta e entram nas casas de quem os quer ouvir. Discutem as questões da fé, da família, do recato, da religião, da existência. O modelo que perseguem assemelha-se a uma prova pessoal, iniciática, durante os dois anos que passam longe de casa. Os Elderes e as Sisters, jovens missionários do movimento Mórmon, saem do seu país, estudam outra língua e outra cultura, absorvidos por esse espírito de missão. Aspiram ser os exemplos dos rapazes e raparigas perfeitos.


12 de Maio – 21h30 

BAB SEBTA 
de Frederico Lobo e Pedro Pinho

(2008, 110 minutos, HDV, 16/9 em Francês com legendas em Português)
Bab Sebta significa em Árabe a porta de Ceuta e é o nome de passagem na fronteira entre Marrocos e Ceuta. É o local para onde convergem aqueles que, vindos de várias partes de África, procuram chegar à Europa. O filme Bab Sebta percorre quatro cidades ao encontro dos tempos de espera e das vozes desses viajantes.
Prix Marseille Esperance, FID MARSEILLE 2008 (França)
Prémio Melhor Documentário Português, DOCLISBOA 2008 (Portugal)
Melhor Filme – FÓRUM DOC BH 2009 (Brasil)

19 de Maio – 21h30 VIA DE ACESSO

 


de Nathalie Mansoux
(2008, 82’, BetaDigital, 16:9, em Português com legendas em Inglês)
Os últimos habitantes da Azinhaga dos Besouros, na periferia de Lisboa, não têm direito a ser incluídos no “Plano Especial de Realojamento”. Vivem a demolição do seu bairro, onde irá ser construída uma via rápida.
Melhor Longa-Metragem Portuguesa, INDIELISBOA 2008 (Portugal)
Melhor Filme de Direitos Humanos, FICCO 2009 (México)


26 de Maio – 21h30 JARDIM de João Vladimiro
(2007, 70 minutos, BetaDigital ,4:3 , em Português legendado em Inglês)
Sim, sei que as árvores não têm olhos, a água não tem boca e as pedras não têm ouvidos. Ainda assim, comunicamos. Neste jardim em especial, acontecem longas conversas caladas, como dois velhos conhecidos que, pela simples presença, se falam de calma, conforto, tristeza. Aqui, assisti aos primeiros passos de uma criança, à chegada de um pato mudo, à queda das folhas de um choupo branco.


Localização: Tv. da Glória, 18-1º, Lisboa

quarta-feira, 23 de março de 2011

Em conversa com uma realizadora

Catarina Mourão: O cinema é uma janela para a transcendência
«A Lourdes e eu andamos vários anos até encontrarmos essa dança comum, ou seja vários anos até percebermos como nos relacionarmos perante a câmara e o filme. Porque uma coisa é a relação por detrás da câmara, outra a relação que a câmara depois traduz.»
Em entrevista ao Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura e Agência Ecclesia, Catarina Mourão, realizadora de “Pelas sombras”, sobre a vida e obra da artista plástica Lourdes Castro, descreve a relação com a protagonista do seu documentário, fala da exibição recente na Capela do Rato, em Lisboa, partilha a sua visão acerca da relação entre cinema e transcendência e critica o panorama da sétima arte em Portugal.

O cinema domina, hoje, a sua vida profissional. Tornar-se realizadora foi uma escolha evidente desde cedo?
Desde cedo que o cinema me fascinou. Tornar-me realizadora foi uma escolha tardia. Licenciei-me em direito, embora nunca tenha gostado do curso. Ao longo do curso estudei música e comecei a trabalhar em cinema, sobretudo como tradutora de guiões e sinopses e, mais tarde, como assistente de produção e realização. Só depois da licenciatura em direito é que fui estudar cinema.

Como surgiu Lourdes Castro e a ideia de a filmar?
A ideia de filmar o trabalho e vida da Lourdes Castro surgiu em 1997. A Valentim de Carvalho Televisão estava na altura a pensar desenvolver um catálogo de documentários sobre artistas plásticos e desafiou-me a escolher uma artista. Eu escolhi a Lourdes Castro. Conhecia o trabalho da Lourdes, de que sempre gostei e, sobretudo, tinha visto uma performance/peça de teatro de sombras em 1985 no CAM que me marcou completamente. E, se calhar, inconscientemente, influenciou o meu cinema hoje. O cinema feito de pequenos gestos, de situações aparentemente invísiveis e anónimas.

À medida que “Pelas Sombras” se desenrola, há uma tal harmonia e fluidez narrativas, nos gestos de Lourdes Castro, na sua intimidade, o que partilha, que dá a sensação de que a vossa afinidade foi automática, de que as coisas surgiram tão claras e evidentes como a própria Lourdes. Foi assim?
Eu acho que houve logo de início uma grande empatia entre as duas, mas isso não quer dizer sintonia. É como uma dança, é preciso perceber os ritmos de cada um. A Lourdes e eu andamos vários anos até encontrarmos essa dança comum, ou seja vários anos até percebermos como nos relacionarmos perante a câmara e o filme. Porque uma coisa é a relação por detrás da câmara, outra a relação que a câmara depois traduz. É evidente que andam as duas muito próximas mas houve obviamente um trabalho de “mise en scène” e ajuste para permitir que os vários encontros entre a Lourdes e eu, o quotidiano e o trabalho, o som e a imagem provocassem qualquer coisa nova. É isso que faz o cinema: não é um mero registo mas a invenção de uma nova realidade a partir da realidade filmada e anteriormente observada.

Quanto tempo durou a rodagem do filme?
As primeiras filmagens datam de 2003, mas de uma forma mais sistemática e com a certeza que estávamos a fazer um filme, a partir de 2007. De 2007 a 2010 filmámos uma semana por estação do ano.

De que forma participou Lourdes na conceção do filme?
A Lourdes participou no filme não só como personagem que se expõe ao longo de todo o filme mas também na medida em que o seu trabalho presente, o quotidiano no jardim e na casa, tomam forma através do filme. Ou seja, é de certa forma no filme que a Lourdes verbaliza de forma mais assumida como a sua obra está em total fusão com a sua vida. Nesse sentido o filme e a sua obra confundem-se um bocado. Ao tornar visível através do filme, uma obra que é aparentemente invisível “por ser grande demais ou pequena demais” (palavras da Lourdes) o filme acaba por participar da obra da Lourdes assim como a obra da Lourdes participa do filme, embora essa construção, representação do trabalho da Lourdes seja feita por mim, através do meu olhar. Mas há como que uma fusão muito grande entre o meu olhar e a construção do filme e a construção da obra da Lourdes através do filme.

Teve a preocupação de se preparar muito bem para filmar Lourdes ou optou por descobri-la à medida da rodagem (pelo menos numa fase inicial)? 
Preparei-me conhecendo a obra da Lourdes, lendo textos sobre o trabalho dela, textos do Manuel Zimbro, textos do João Fernandes. Mas tudo isto é apenas uma contextualização. Uma relação faz-se no terreno, no dia a dia. Uma pessoa tem sempre muito mais dimensões que transcendem a sua obra. Foi na preparação e na rodagem que fui descobrindo a Lourdes e ela a mim. Essa relação e descoberta continua hoje.

Que impacto teve o filme em Lourdes? Teve a perceção se a transformou, de algum modo?...
Acho que qualquer experiência onde nos envolvemos com maior profundidade nos transforma. Neste caso, acho que o tempo da Lourdes e a sua opção de não ter pressa e de valorizar o momento presente foi muito importante para mim, influenciou o filme e influenciou o meu olhar. Permitiu-me relativizar muita coisa e perceber o que é importante. Às vezes esquecemo-nos de que a vida se conjuga no presente e estamos sempre a projetar para a frente. Isso não quer dizer que não se planeie e antecipe algumas coisas mas tudo no sentido de melhor desfrutar a vida presente, o lado sensorial da vida também. Hoje em dia tendemos a ser cada vez mais cérebro e pouco corpo.

O que lhe suscitou este convite para apresentar o seu filme numa capela? 
Gostei muito da experiência. Acho que os filmes só ganham em ser mostrados em contextos diferentes, com públicos diferentes. De certa forma a atenção e concentração que se tem numa igreja pode ter pontes de contacto com a atenção que se tem no cinema.

Em que medida considera a importância do cinema como via de transcendência?
O cinema e as artes em geral podem ser uma via de transcendência. Para mim, transcendência é aquilo que nos transporta para uma dimensão diferente, mais espiritual e emocional. É de certa forma aquilo que nos permite aceder a zonas do nosso inconsciente que não exploramos normalmente, mas também a qualquer coisa que nem sempre conseguimos explicar racionalmente. E a arte tem um papel fundamental nisto. É através dela que podemos organizar emocionalmente aquilo que nos rodeia. O cinema pela sua dimensão onírica é facilmente uma janela para essa transcendência, nele jogam a subjetividade, a poesia, a metáfora, e o sublime também.

E o seu papel na sociedade atual - como motor de reflexão e debate?...
O cinema tem também uma dimensão política, pedagógica. Sobretudo, o cinema documental que convoca a realidade e a transforma, é, sem dúvida, um motor para reflexão e debate. O documentário que me interessa é aquele que não procura dar respostas mas sim levantar questões, acordar o espectador para novas problemáticas e, sobretudo, novos pontos de vista sobre a sociedade em que vivemos. Nesse aspeto acho que o filme “Pelas Sombras” é também um filme político, na medida em que nos chama a atenção para a necessidade de mudarmos um pouco de paradigma na forma como muitos de nós vivemos, numa sociedade demasiado capitalista e orientada para o consumo.

Que balanço faz da sua carreira cinematográfica?
É difícil responder a essa pergunta. A minha carreira tem quase 14 anos. Acho que é um momento de balanço. Em cada filme que faço sinto que estou a sempre a experimentar novas abordagens e acho que o meu percurso será sempre o da experiência. Embora consiga identificar uma continuidade no meu trabalho, há rimas claras de uns filmes para os outros. No entanto, em Portugal aposta-se muito pouco numa continuidade dos artistas, e fazer um filme de quatro em quatro anos é muito pouco.

E projetos?
Neste momento estou a desenvolver um novo projeto na Índia, mas ainda não tenho financiamento, por isso tenho de ir devagar. Estou a escrever e a trabalhar para um projeto de doutoramento sobre a representação do sonho no cinema. Mas dou aulas de cinema, é isso que me permite continuar.

Que comentário faz ao momento atual do cinema em Portugal? 
É um momento muito difícil, mas não tenhamos ilusões: nunca foi fácil fazer cinema em Portugal. Talvez essa dificuldade se reflita na identidade do cinema português para o bem e para o mal. De qualquer forma existe uma certa esquizofrenia no sentido em que o cinema português é muito bem recebido fora de Portugal e depois em Portugal há pouco apoio para a sua divulgação. Este filme “Pelas Sombras” deveria ter tido o percurso natural de um filme e passar com regularidade numa sala de cinema. No entanto, não houve nenhuma distribuidora que quisesse arriscar. Há um preconceito muito grande ainda em relação a este tipo de cinema que não trabalha com atores profissionais e que opta por um modelo de produção diferente do da ficção. Até mesmo nos júris do Instituto de Cinema, onde deveria haver maior informação e abertura, um realizador como eu é sempre classificado de forma inferior ao de um realizador de ficção. Nesse aspeto, o cinema em Portugal ainda é recebido com uma arte muito formatada, sempre sujeita a tipologias e classificações e isso prende-se com a tentativa de aproximar o cinema da indústria; torná-lo rentável economicamente. Só que, às vezes, há muita falta de visão e, filmes aparentemente menos convencionais, podem encontrar o seu público. Acho que os públicos se estão a transformar, não há um público mas sim vários públicos. Por alguma razão este filme, quando consegue ultrapassar o crivo de uma primeira seleção (em festivais por exemplo...), acaba por ser premiado e ter uma grande adesão do público.

Se dispusesse de todos os meios para tal, o que escolheria fazer nos próximos tempos?
Escolheria fazer exatamente o que faço, mas gostaria de ter financiamento para realizar o meu próximo filme na India.

“Pelas sombras” ganhou o prémio Signis Portugal-Árvore da Vida, da Igreja Católica, na edição de 2010 do IndieLisboa, festival internacional de cinema independente.

Por Margarida Ataíde, in SNPC 

sábado, 19 de março de 2011

Ciclo de cinema LGBT

Vai decorrer o 8º ciclo de cinema LGBT organizado pela rede ex aequo. Entre 1 e 3 de Abril de 2011, na livraria Ler Devagar — Lx Factory (R. Rodrigues de Faria, 1300 Lisboa)


Mais informações e programa in rede ex-aequo

segunda-feira, 14 de março de 2011

Um elogio à sombra ou documentário sobre Lourdes de Castro

nota: esta fotografia não corresponde ao documentário
Na próxima quarta-feira, dia 16 de Março, na Capela do Rato em Lisboa. Recordo ainda que uma obra desta artista está exposta no altar da mesma capela.




"Pelas sombras" abre ciclo de cinema e espiritualidade
A Capela do Rato, em Lisboa, vai projetar o documentário "Pelas sombras", de Catarina Mourão, na próxima quarta-feira, 16 de março, pelas 21h00.

O filme é o primeiro do Ciclo de Cinema e Espiritualidade, a decorrer mensalmente naquele espaço, numa iniciativa do Departamento de Cinema da Universidade Lusófona e da Secção de Cinema do Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura (SNPC).

O filme da jovem realizadora Catarina Mourão, que estará presente na sessão, documenta a inspiradora vida e obra de Lourdes Castro, numa tocante homenagem à luz e transparência da artista madeirense.

Escolha do júri "Signis" (Igreja católica) para atribuição do Prémio Árvore da Vida na edição de 2010 do Indielisboa, o filme e a sua passagem pela Capela do Rato cumprem o que, nas palavras do diretor do SNPC, padre Tolentino Mendonça, é “o cinema como lugar teológico, também lugar sacramental, pois está a ver o mais profundo do coração humano”.

A sessão constitui também um convite à reflexão e aprofundamento das relações entre cinema e Igreja, através de um debate que conta com a presença de Inês Gil, professora de Cinema e Fotografia da Universidade Lusófona, Paulo Pires do Vale, professor de Filosofia da Universidade Católica e padre Tolentino Mendonça.

Margarida Ataíde / in SNPC

sábado, 5 de março de 2011

Dois filmes à margem dos Óscares

Venho recomendar dois filmes que não estiveram sob os holofotes de Hollywood. E, por não terem estado, arriscam-se a sair das salas sem que os tenhamos visto.

O primeiro é um filme cru, em que por trás da fealdade e da dureza da vida se vislumbram reflexos de beleza. Fala-nos da decadência, imigração, droga, mercado negro, fragilidade da família, decadência, amor, corrupção, delinquência, fracasso, violência, crime, culpa, luta, pequenas vitórias, efémero e provisório, dos laços afectivos, da bondade, doença, sobrevivência, justiça e oportunidades, expectativas, espiritualidade, vida e morte. É o Biutiful, de Alejandro González Iñarritu, com a extraordinária interpretação de Javier Bardem - um Drama para maiores de 16 anos.

"A odisseia de Uxbal (Javier Bardem), um pai solteiro entre conflitos, que se perde e encontra pelos labirintos do submundo de Barcelona, e que, acima de tudo, tudo fará para salvar os seus filhos e reconciliar-se com um amor perdido enquanto a sua morte parece cada vez mais próxima. Amor e espiritualidade, crime e culpa, conjugam-se para levar Uxbal, com negócios escuros na exploração de imigrantes ilegais e uma suposta capacidade de comunicar com os morto, até ao seu destino de herói trágico... "É um requiem", resume o realizador Alejandro González Iñárritu ("Babel", "21 Gramas", "Amor Cão). O filme, nomeado nos EUA para um Globo de Ouro para melhor filme estrangeiro, valeu ao oscarizado Bardem o prémio para melhor actor no festival de Cannes."
in Público


O segundo é de Clint Eastwood (do qual não sou um fã incondicional). Em Hereafter - outra vida, a morte nunca anda longe. É um filme tocante pelas vidas das personagens que o habitam - um homem nos Estados Unidos da América, uma mulher em França e uma criança em Inglaterra. Também há um lado de sofrimento e de luta que marca cada uma destas experiências: alguém que tenta levar uma vida normal evitando o seu dom natural, outro que tenta viver depois de ter estado às portas da morte, e um que tenta sobreviver à perda da pessoa que lhe era mais próxima, seu cúmplice, segurança e estabilidade e uma parte de si mesmo. É um filme que fala sobretudo do amor para lá da morte e das ligações humanas que nos vão construindo enquanto indivíduos e seres humanos. O filme já está em pouquíssimas salas e não tem sido aclamado por toda a crítica... mas eu não consegui ficar indiferente.
 
"Três pessoas, distantes entre si, estão unidas pela morte. Nos EUA, George (Matt Damon) vive atormentado pelas capacidades paranormais que revela desde muito jovem. Do outro lado do Atlântico, em França, a jornalista Marie (Cécile de France) tenta lidar com o trauma de ter sobrevivido ao tsunami de 2004 no Sudeste asiático. Enquanto isso, em Inglaterra, o pequeno Marcus (George e Frankie McLaren) não consegue lidar com a trágica morte do irmão gémeo. Apesar das suas vidas tão distantes, os seus caminhos cruzar-se-ão... O novo filme do actor e realizador Clint Eastwood baseia-se num argumento original do escritor inglês Peter Morgan, autor de "A Rainha" e "Frost/Nixon"."
in Público

terça-feira, 1 de março de 2011

O prémio de cinema mais mediático

Natalie Portman em O Cisne Negro
Apesar de muitas vezes não me rever nas escolhas dos Óscares, e de muitos dos melhores filmes passarem ao lado desta cerimónia, não posso deixar passar em branco um evento cultural como este, em que o cinema sobe ao palco...

E os Óscares foram...


Entregues em mais uma cerimónia em direto para o mundo, entre faustosos décors e toilettes! Mais uma noite de emoção para os inúmeros candidatos ao mais prestigiado prémio da portentosa indústria cinematográfica americana.

Uma vez mais, as expectativas aumentaram em torno dos resultados, com apostas a correr nos quatro cantos do mundo ou não fosse a comunicação a levar este evento ao seu expoente máximo – distribuindo propostas de votação nos intervalos da agenda noticiosa, multiplicando entrevistas aos concorrentes e sondagens a convidados elegíveis para partilhar as suas previsões.

Uma das grandes novidades do ano foi a seleção de dez filmes a constar na lista dos Melhores do ano, o que de alguma forma tornou mais difícil a escolha do grande vencedor: “O discurso do rei”.

Com efeito, a equipa encarregue de recriar a história por de trás do mais famoso discurso da história do Reino Unido, subiu ao palco para levantar nada menos de quatro Óscares nas categorias Melhor Filme, Melhor Realizador (Tom Hooper), Melhor Ator (Colin Firth) e Melhor Argumento Orignal (David Seidler). Sendo Firth um dos favoritos pelo seu fantástico desempenho, preferência esta que já vinha ganhando forma desde o seu excelente desempenho em “Um homem singular”, a escolha veio efetivamente confirmar as expectativas gerais do público e da crítica. [ler a crítica deste filme no blogue]


Outra das expectativas cumpridas foi a de Natalie Portman, pela dualidade encarnada no papel da bailarina Nina Sayers, em “Cisne negro”. A atriz, de provas consistentes já dadas em “Closer – Perto demais” e “V-de vingança”, vê-se assim consagrada aos 30 anos de idade.


Há muito se diz que os Golden Globes servem de barómetro à noite dos Óscares, mas se os últimos anos não o tivessem já feito, este ano encarregar-se-ia de o tornar um acaso: a prová-lo, os resultados obtidos pelo mais celebrado filme na última edição do certame, “A rede social” que, das quatro grande categorias aí premiadas, viu agora metade confirmadas: Argumento Adaptado e Banda Sonora Original. Além destas, subiu ontem ao palco para agradecer o reconhecimento na qualidade da Montagem.


Na qualidade da Direção Fotográfica, Sonora (montagem e mistura) e de Efeitos Visuais, “A origem” (Christopher Nolan), potente filme de ficção foi justamente escolhido pela excelência técnica.


Numa distribuição bastante equitativa de prémios, a cerimónia dos Óscares de 2011 será ainda lembrada pela premiação dos atores secundários Melisa Leo e Christian Bale por “The Fighter – O último round” e dos já estreados “Inside job – A verdade da crise” (Documentário), “Toy story 3” (Animação) e ”Num mundo melhor” cuja estreia se aguarda ansiosamente para 7 de abril.


Margarida Ataíde

In SNPC

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Cinema às quartas num espaço com estilo

Lisbela e o prisioneiro
A Geraldine é um espaço versátil de móveis, roupa e adereços retro. Funciona também como bar e pode-se lá petiscar qualquer coisa e é, acima de tudo, um espaço cultural e uma referência da descoberta alternativa da cidade. É em Lisboa e é fruto de almas bem criativas.

Nas noites de quarta-feira vai começar a haver uma sessão de cinema e bolo de chocolate. Todos os meses é convidado um amigo da Geraldine para programar um ciclo e vir apresentar os filmes. A entrada é gratuita e não é necessário trazer pipocas: há muito melhor!

Fevereiro 2011
Suspensão da Suspensão de Descrença
por Nuno Godinho

A Suspensão de Descrença é o processo através do qual o espectador decide de forma voluntária aceitar como verdadeira uma ficção, de forma a conseguir projectar-se emocionalmente na mesma. Um processo fundamental no cinema ficcional. Existem, no entanto, alguns filmes que tornam difícil, ou mesmo impossível, a suspensão de descrença. Neste ciclo apresentamos alguns.

Lisbela e o Prisioneiro, de Guel Arraes

“Lisbela e o Prisioneiro” é, antes de mais, uma história de amor. O amor que o realizador, os espectadores e os próprios personagens sentem pelo cinema. Se por um lado o filme permite que a suspensão da descrença se possa dar por inteiro, por outro o recurso ao filme dentro do filme cria uma dobra que nos vai desafiando ao recordar-nos, ainda que docemente, que não amamos senão uma ilusão. 2 Fevereiro – 21h30

What’s Up Tiger Lily [Que Há De Novo Gatinha], de Woody Allen

Neste seu primeiro filme, Woody Allen em vez de filmar, limitou-se a dobrar o som do filme japonês “International Secret Police: Key of Keys”. Dobrou o som e dobrou a história original. Dobrou-a de tal forma que nós, espectadores, nunca chegamos a conseguir acreditar nela. 9 Fevereiro – 21h30

F For Fake [Verdades e Mentiras], de Orson Welles

Um pseudo-documentário sobre Elmyr de Hory, o mais famoso falsificador de arte de sempre e sobre o seu biógrafo Clifford Irving, também ele um falsário. Mas terá sido só arte que Elmyr falsificou? Não estará também falsificada a história da sua vida aqui contada? E quanto do documentário foi também forjado pelo próprio Orson Welles? Ver para descrer. 16 Fevereiro – 21h30

Funny Games [Brincadeiras Perigosas], de Michael Haneke

Dois jovens psicóticos atacam uma família na sua casa de férias e divertem-se forçando-os a sofrer. Funny Games é um filme-ensaio, sem dó dos personagens, mas, acima de tudo, sem dó do espectador, que é forçado a rever a sua relação com a violência no cinema. 23 Fevereiro – 21h30

Uma mostra bem alternativa e irreverente. Aconselho-a vivamente.

Saber mais sobre a Geraldine e a sua localização.

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Lugares do Belo

Se é verdade que Deus nos fala do Belo, o Belo também nos fala de Deus.

Lugares do Belo: ciclo de cinema documental


O ciclo de cinema documental Lugares do Belo tem como ponto de partida as palavras do Papa Bento XVI aquando da sua visita a Portugal, em maio último, num discurso ao Mundo da Cultura: «… tornai as vossas vidas lugares de beleza

Os três filmes programados falam da beleza que habita os lugares, que habita as vidas, ainda que muitas vezes fruto de histórias sofridas. A beleza, aqui, é resultado de um desejo grande de viver e de abraçar a vida. Isto muitas vezes precisa da capacidade de perdoar, da perseverança, do esforço e da simplicidade, que pode ser uma sombra.

O ciclo começa a 20 de janeiro com Timor Unfinished Journeys, de Rui Nunes, prossegue no dia 27 do mesmo mês com Ícaro, realizado por Pedro Sena Nunes, e termina a 10 de fevereiro com a exibição de Pelas Sombras, de Catarina Mourão.

As projeções, que decorrem no Centro Universitário Padre António Vieira (CUPAV), em Lisboa, às 19h30, contam com a presença dos realizadores.

Lugares do Belo é organizado pelo CUPAV, com a parceria da organização não governamental Leigos para o Desenvolvimento e a Fundação Gonçalo da Silveira.

In SNPC, por Fernando Riberiro sj
http://www.snpcultura.org/vol_lugares_do_belo.html

CUPAV: Estrada da Torre, 26

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Os miúdos ficarão bem...

Nota: a fotografia não corresponde ao filme
Um leitor de uma outra mensagem do blogue, a propósito dessa, partilhou a sua nota crítica do filme "Os miúdos estão bem?" Passo a transcrevê-la. Obrigado pela participação e pela partilha.

Os miúdos estão bem? Aparentemente sim. Lisa Cholodenko (realizadora e argumentista) tenta normalizar neste filme uma família nada convencional: duas senhoras de meia-idade, casadas uma com a outra, com uma filha e com um filho adolescentes gerados por cada uma das mães com o esperma de um dador anónimo Confuso?


Os miúdos estão bem? Aparentemente os problemas são os de todos. Nic (Annette Bening) é uma médica de sucesso, um pouco controladora por ser o garante financeiro da casa o que lhe faz pensar que pode ser ela a ditar as regras. Jules (Julianne Moore) é a mãe que abdicou da carreira profissional para ficar em casa a tratar dos filhos e que, após estarem criados, tenta retomar um trabalho com o que isso implica de nova adaptações no seio familiar. Joni (Mia Wasikowska) vive a apreensão própria de uma adolescente prestes a soltar as asas do ninho familiar com a ida para a universidade; Laser (Josh Hutcherson) é um miúdo de 15 anos, que preocupa as mães por causa do amigo rufia. É dele a (natural??) curiosidade de conhecer o pai biológico, Paul, (Mark Ruffalo), dono de um restaurante e solteirão.

Os miúdos estão bem? Estão. OU não!! Percebe-se que houve verdade sobre a forma como foram gerados, que nada lhes foi escondido durante a sua educação. Mas o conhecimento do pai …há uma mãe perturbada com a complexidade da sua sexualidade, há uma empatia com o bio-pai (???) por causa desse laço biológico mas uma confusão sobre como gerir a entrada dele nas suas vidas e se há mesmo vontade de fazer crescer essa relação. E há um homem atrapalhado com a descoberta de uma suposta família que não sendo sua, tenta, sem sucesso, resgatar para si.

Os miúdos estão bem? Sim. Sente-se que foram criados com amor, esse amor que acaba por vencer mal-entendidos e traições. E como Laser dirá…vocês já são muito velhas para se divorciarem

Os miúdos estão bem? Sim. Cresceram numa família que tal como todas as outras não é perfeita nem normal porque a definição desses conceitos é muito flutuante….A questão que se poderá colocar é a de saber se temos o direito de experimentar novos tipos de relacionamento. Mas mesmo que alguns deles me causem alguns pruridos e bastantes interrogações, tenho de admitir que é isso que, enquanto sociedade, temos feito ao longo do tempo.

(Os Miúdos estão bem tem 4 nomeações para os Globos de Ouro – melhor filme musical ou comédia, melhor argumento, melhor actriz de comédia ou musical [Annette Bening e Julianne Moore]. A seguir o caminho que fará nos Óscares. O filme não deveria não ser considerado uma comédia …Annette Bening merece a nomeação para Actriz Principal).

Publicada por Rui Ivo Lopes em O espaço da tua ausência
http://ruiivo.blogspot.com/
 
Ler na íntegra
http://ruiivo.blogspot.com/2010/12/os-miudos-ficarao-bem.html

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Bancos de esperma e de ovócitos

Identificação dos dadores reduz stocks de bancos de esperma e de ovócitos

Lei portuguesa garante a confidencialidade dos dadores. Só os tribunais podem decidir a divulgação da identidade.

Nic e Jules são um casal de lésbicas do Sul da Califórnia. Ambas tiveram filhos com o recurso a um dador de esperma. Quando Joni, a mais velha, faz 18 anos, o irmão, Lazer, convence-a a encontrarem o pai biológico de ambos. Um quinto elemento que acaba por desestabilizar a família. É o argumento de Os Miúdos Estão bem, filme que hoje se estreia [atenção que a notícia é do mês de Novembro e o filme já passou pelas salas portuguesas]. E em Portugal? É garantido o anonimato dos dadores, o que só poderá ser revelado por decisão do tribunal.

A lei portuguesa estabelece como regra a confidencialidade do dador ou dadora. Só em situações excepcionais, por exemplo, que envolvam um casamento, é que o jovem pode pedir ao Conselho Nacional de Procriação Medicamente Assistida (CNPMA) para que seja fornecida a identidade genética. E só em tribunal se coloca a hipótese de informar a identidade civil.

"A lei diz que poderá haver a divulgação da identidade civil na sequência de um pedido do jovem em tribunal. É uma norma em branco, porque não é possível definir à partida que situações podem levar a esse tipo de decisão. Mas espero que avaliem bem o que a divulgação significa para os dadores", sublinha Eurico Reis, presidente do CNPMA. E acrescenta que a consequência imediata seria a diminuição de dadores.

A diminuição de dadores é, também, salientada como um dos obstáculos à divulgação do nome por Carlos Plancha, embriologista do Centro Médico de Assistência à Reprodução, em Lisboa. E diz que esta não é uma questão colocada pelos casais que recorrem a tratamentos de infertilidade.

Na maioria dos Estados membros, é garantida a confidencialidade dos dadores, mas no Reino Unido e nos países nórdicos há a possibilidade de divulgar o nome quando a criança atinge a maioridade. É o que também acontece nos Estados Unidos, desde que o dador autorize. E, se não autorizar, os jovens sempre podem recorrer aos tribunais.

"No Reino Unido e na Suécia houve diminuição de dadores e, agora, têm de recorrer a Espanha", diz Eurico Reis, que explica que o padrão médio dos dadores nos EUA são jovens universitários que vêem na doação de espermatozóides uma hipótese de aumentar o orçamento. Com os ovócitos o processo é mais complexo.

Rita Paulos, da Rede Ex-Aequo, associação de lésbicas, bissexuais, transgéneros e simpatizantes, entende que a questão é complicada, mas aceita a possibilidade de o nome dos dadores ser divulgado quando o jovem atinge a maioridade. "Talvez seja legítimo conceder esse conhecimento, já que é uma informação importante para a história da criança, desde que sejam respeitados os direitos legais das figuras parentais. As leis acabam por colocar a questão da confidencialidade para proteger sobretudo os dadores", defende.

Afonso Barros é pioneiro na procriação medicamente assistida (PMA) e sempre defendeu o sigilo. "É a única forma de proteger as pessoas, seja o dador, o casal ou o indivíduo". E, quanto ao direito de a criança saber quem doou o esperma, argumenta: "É uma célula e não tem a importância que lhe é atribuída no sentido de pôr em causa a confidencialidade."

Em Portugal, só as pessoas casadas ou que vivam em união de facto têm acesso à PMA. As lésbicas portuguesas acabam por, em regra, recorrer aos bancos espanhóis, onde a confidencialidade também é protegida. Apenas os centros privados fazem recolha de espermatozóides e ovócitos, esperando-se a abertura do primeiro banco público, já autorizado.

por Céu Neves, in diário de notícias online a 18 de Novembro de 2010
http://dn.sapo.pt/inicio/portugal/interior.aspx?content_id=1713710

sábado, 27 de novembro de 2010

A morte de Luís II da Baviera: uma ópera no Filme do Desassossego

de O filme do desassossego
Um concerto a não peder na belíssima sala de madeira que tem por nome Sala da Sociedade de Geografia (ao lado do Coliseu de Lisboa). Será na próxima 2ª feira dia 29 de Novembro, pelas 21h30.
A obra é do compositor Eurico Carrapatoso e chama-se "A morte de Luís II da Baviera"

Drama musical em uma cena e um acto
Sobre texto de Bernardo Soares (Livro do desassossego)
Libreto de João Botelho
Obra encomendada pela ARDEFILMES, incluída em O filme do desassossego de João Botelho

MORTE - Angélica Neto, soprano
PROVIDÊNCIA - Elsa Cortez, soprano
Coro Ricercare (dir. Pedro Teixeira)
Sinfonietta de Lisboa
dir. Vasco Azevedo

"Enquanto João Botelho me explicava o filme e o projecto da ópera fumava cigarros pensativos.
A sua exaltação era contagiosa. Eu dizia-lhe "calma, mais devagar, espere" e ele falava-me de Morte, de Providência, de coros de pajens, de atimbales, de metais e arcos; e eu dizia-lhe "calma, calma, mais devagar", mas ele falava-me de filmagens ao ar livre, de planos, de jogos de luz e sombra caravaggianos, de travellings sobre a orquestra e sobre a cena da morte; e eu dizia-lhe "calma, mais devagar! mas ao ar livre? tem a certeza?", e ele falava-me de uma encenação em pleno bosque de Sintra; e eu dizia-lhe "calma, mais devagar, mas ao ar livre? o quê? em Sintra? tem a certeza? e os elementos: o frio? a chuva? o nevoeiro?", e ele dizia-me "sim, sim... conhece outro local mais apropriado para a cena da morte de Luís II, conhece?".

E então leu-me Bernardo Soares:

Senhor Rei, Pastor das vigílias,
cavaleiro andante das Angústias,
sem glória e sem dama
ao luar das estradas,
senhor nas florestas,
nas escarpas,
perfil mudo de viseira caída

Contempla da janela do meu castelo
Não o luar e o mar
Que são coisas belas e por isso imperfeitas;
Mas a noite vasta e materna,
O esplendor indiviso do abismo profundo.

Foi assim que conspirámos o projecto, envoltos em tabaco e nevoeiro.
Aos poucos o texto de Bernardo Soares foi-se insinuando como as púrpuras e os oiros bizantinos de Klimt.

Passados uns dias começou-me a doer. Assim nasceu a obra.
E em Março lá estávamos nós a filmar, em pleno bosque de Sintra, na mítica Peninha, inundada de um sol picardo e refulgente que furava as folhagens em mil matizes."

Eurico Carrapatoso, Novembro de 2010

Serão também interpretadas neste concerto obras de:
JOÃO FRANCISCO NASCIMENTO
JOLY BRAGA SANTOS
LUÍS DE FREITAS BRANCO
VIANNA DA MOTTA

Ler no blogue
http://moradasdedeus.blogspot.com/2010/11/o-filme-do-desassossego-continua-sem.html
http://moradasdedeus.blogspot.com/2010/10/desassossego.html

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Cinema católico em Almada

rodagem de Single Man
A Pastoral Universitária da diocese de Setúbal (pólo de Almada) e o município da cidade organizam entre 2 e 5 de dezembro um ciclo de cinema católico.

As sessões decorrem no Fórum Romeu Correia, às 21h00 com a exibição do filme, seguindo-se um debate entre a assistência e os comentadores convidados.

A entrada é livre e as obras são legendadas em português.


Dia 2
A Ilha
de Pavel Lounguine

Sinopse: Algures no Norte da Rússia, num pequeno mosteiro, vive um homem singular que pelos seus actos bizarros desperta a desconfiança nos outros monges. Contudo, para outros que visitam a ilha, este homem estranho tem o poder de curar, exorcizar demónios e prever o futuro...

Comentário: Maria do Rosário Luppi Bello (Universidade Aberta)

Dia 3
Deus tem necessidade dos homens
de Jean Delannoy

Sinopse: Na ausência do pároco, que abandonou a sua comunidade, os fiéis forçam o sacristão, pescador, a deixá-los entrar na igreja. Impelido pela vontade unânime dos habitantes, Thomas dá o seu melhor para suprir o lugar de pároco, chegando mesmo ao ponto de romper o noivado.

Comentário: P. Rodrigo Mendes (vice-reitor do Seminário de Almada)

Dia 4
Mendel, o jardineiro de Deus
de Liana Marabini

Sinopse: Gregor Mendel, um padre do século XIX, revolucionou a ciência no campo da Genética com as suas experiências de cruzamento de plantas, no mosteiro de Brunn.

Comentários: Liana Marabini, João Aires de Sousa (Universidade Nova de Lisboa, Faculdade de Ciências e Tecnologia).

Dia 5
O nono dia
de Volker Schlöndorff

Sinopse: O abade Henri Kremer é surpreendentemente libertado do campo de concentração e mandado para casa. Assim que chega, é chamado pela Gestapo local e vem a saber que na realidade não foi libertado, mas que dispõe apenas de uma licença temporária de nove dias, devido à morte da mãe. Caso tente escapar, todos os seus colegas detidos no “bloco dos padres” do campo de concentração de Dachau serão executados.

Comentário: Orlindo Gouveia Pereira (psiquiatra)

in © SNPC a 25 de Novembro de 2010

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Um outro olhar sobre um mesmo filme

Entre a terra e o céu

Tem um belo título, “Dos Homens e dos Deuses”. Grande Prémio do Júri de Cannes 2010. O seu [Xavier Beauvois, realizador] maior êxito comercial até à data (mais de dois milhões de entradas em França). O filme que representará a França na candidatura ao ‘Óscar dos estrangeiros’. Nada disto quer dizer grande coisa... mas, enfim, a distribuição abriu os olhos.

Deuses e homens, altos e baixos, o céu e a terra – sempre os houve no cinema de Beauvois. As suas personagens deterministas sempre estiveram entre uns e outros. Foi assim com a desintegração familiar do pialatiano “Nord”, com o negro romantismo de “N’Oublie Pas Que Tu Vas Mourir”, com o idealismo do jovem recruta da polícia de “Le Petit Lieutenant”.

Beauvois adensou mais o mistério entre estas duas fronteiras metafísicas ao interessar-se por um certo mosteiro perdido nas montanhas do Magrebe em que decorre “Dos Homens e dos Deuses”. Estamos nos anos 90. Oito monges franceses cristãos vivem em harmonia com o povo muçulmano – mas essa harmonia vai terminar. O filme inspira-se num facto real: as últimas semanas de vida dos monges cistercienses do mosteiro de Thibirine, na Argélia, raptados e degolados em 1996 por extremistas muçulmanos, em condições que permanecem ainda misteriosas.

Nas suas horas de filme, sentimos a violência crescer, pouco a pouco, passo a passo, até ao insustentável. E perguntamo-nos, tal como pergunta Beauvois: porque esperaram pela morte aqueles monges?, o que levou os irmãos Christian, Luc ou Christophe, homens de fé (abandonados por Deus?), a cerrarem ainda mais as fileiras, mantendo-se unidos perante a escalada do terror.

Beauvois nada vai acrescentar ao fait-divers de uma história que, todos sabem à partida, tem final terrível. O que lhe interessa não é o aspeto trivial e jornalístico do episódio, nem sequer aquilo que, para muitos, será o tema fundamental do filme: o extremismo religioso (e, para escavar mais fundo, o terrorismo). Além disso, temos ‘más notícias’ a dar; Beauvois não é, nunca foi um ‘cineasta de temas’. Será por isso que aqueles monges, a partir de certo ponto, se olham entre si como quem olha sereno para a luz de um vitral? Quanto mais apela ao divino (ou à falta dele), mais este filme se torna humano.

Acontece que as personagens de Beauvois, numa direção de actores irrepreensível, se ‘elevam’ religiosa e moralmente, ao encontro de outras criaturas (místicas) da história. Blasfémia? Não: Beauvois guarda uma distância que dá provas da sua modéstia. Não se trata aqui de imitar o que fizeram Dreyer, Rossellini ou Bresson. Apenas de tentar manter um tom de humildade que, essencialmente, documenta gestos do quotidiano, procurando ficar à altura daqueles que estão à nossa frente.

As personagens, por outro lado, são o maior segredo do filme. Consagrados à vida monástica, os monges de Beauvois manter-se-ão fiéis a uma forma de resistência que os condena a ficar – e vão até ao fim do sacrifício. Até que aquele receio de morrer se transforme numa certeza pacificadora, fraternal, que se sabe pronta para o que vai receber. Nesta transformação está a profissão de fé de um filme torturado, controverso, que desafia a nossa consciência.

Francisco Ferreira
In Expresso, 13.11.2010

ler mais sobre o filme neste blogue:
http://moradasdedeus.blogspot.com/2010/11/vida-ate-morte.html
http://moradasdedeus.blogspot.com/2010/11/dos-homens-e-dos-deuses-ode-fe-ao-amor.html
trailer:
http://moradasdedeus.blogspot.com/2010/11/estreia-esta-semana.html

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Vida até à morte

Fui ver o filme "Dos homens e dos deuses" e, como tinha prometido, aqui fica a minha opinião. É provavelmente o melhor filme que vi em 2010.

Ao longo do filme vai-nos sendo caracterizada a comunidade de cristãos, padres e monges, que vive na cordilheira dos Atlas, Argélia - África do Norte - e no coração de conflitos entre rebeldes e exército, lutas de poder, corrupção e violência gratuita.

Estes homens são consagrados a Deus e ao serviço aos seus próximos. E os seus próximos são a população muçulmana de uma aldeia que cresceu em volta do mosteiro, que os estima e que acorre ao mosteiro como quem vai buscar água à fonte. É uma comunidade composta por homens que, como todos, vacilam, hesitam, têm crises de fé e duvidam.

É uma bela parábola, e ainda mais bela por retratar factos verídicos. E é um filme incrível no seu realismo, traçado por uma atenção meticulosa aos pequenos detalhes, por um cenário que não aparece como cenário, mas como palco verdadeiro de uma vida monástica, por uma respiração verdadeiramente espiritual em que entramos como quem vai passar uns dias de retiro num mosteiro habitado e vivo. Os actores que personificam os irmãos, juraríamos que são realmente homens de fé consagrados. A vida comunitária aparece retratada fielmente, tanto na parte visível que as comunidades religiosas mostram a quem as visita, como também na sua vida mais íntima de cumplicidade, fraternidade, espiritualidade, partilha, oração e questões ligadas ao funcionamento, organização e separação de tarefas.

E para além disto, como se fosse pouco, o filme fala-nos de coisas tão importantes como o medo, a confiança, o desespero, o abandono, a vocação, a entrega, o limite e o cerne das religiões. Apresenta-nos o Islão que tantas pessoas vivem, mas que é muito menos mediatizado do que o Islão fundamentalista, violento e intransigente. E mostra-nos o Cristianismo que lança pontes, o da prática diária do serviço e do amor ao próximo, da comunhão e da verdadeira busca e conhecimento do outro e das suas necessidades. O Cristianismo radical no sentido de entrega, e não nos fundamentalismos vazios baseados na palavra que foi inscrita em pedra (e por isso se resume a uma lista de princípios e teorias mais ou menos moralizantes, elitistas e exclusivistas) e anda longe do coração e da carne.

Ver este filme dá anos de crescimento espiritual e humano. Mesmo quem não tem fé, acredite: não vai ficar indiferente!

E para que conste no blogue, o realizador deste filme (Xavier Beauvois) é gay.
ver o trailer na mensagem:
http://moradasdedeus.blogspot.com/2010/11/estreia-esta-semana.html
ler mais em
http://moradasdedeus.blogspot.com/2010/11/dos-homens-e-dos-deuses-ode-fe-ao-amor.html

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

O Filme do Desassossego continua sem parar

Percorrendo o país, o filme é mostrado em escolas e auditórios. Em Novembro passará mais uma vez pela capital, desta vez no Teatro Nacional de S. Carlos. O Olga Cadaval em Sintra também o acolherá. Abaixo transcrevo a leitura crítica de Margarida Ataíde. A minha, podem lê-la em: http://moradasdedeus.blogspot.com/2010/10/desassossego.html

Filme do Desassossego: A inquietude de Pessoa e de Botelho

Procurou a inquietação do poeta, ele próprio incomodado com uma realidade cinematográfica: a voragem do cinema comercial, o consumo insonso de uma meia ideia por um ror de sequências meramente visuais e mais uma série de preocupações a juntar ao que o próprio afirma ter sido um período difícil da sua vida.

A bordo do heterónimo de Fernando Pessoa, Bernardo Soares, a primeira descoberta: que o seu sofrimento, à vista do do poeta, nada tinha de comparável. Desde então João Botelho embarcou à descoberta do poeta e da sua relação profunda com a cidade e com o mundo, o que conheceu desde Lisboa.

Inspirado na obra quase homónima, “O Livro do Desassossego”, é o primeiro regresso de João Botelho ao comando cinematográfico, depois de “Corrupção”, que abandonou por divergências maiores com o produtor. Entre ambos os filmes há um salto claro, dissidente, segundo o próprio, das obrigações comerciais para o compromisso pessoal, da mera ilustração para a introspeção, do ruído para o silêncio. De alguma forma, Botelho está mais perto dos seus primeiros trabalhos.

Arriscando-se, tenta um filme aberto, numa Lisboa intemporal, que nos seduza e comova pela abdicação expressa, a comoção, o insaciável questionar da vida e da morte, da felicidade e da tristeza, da abastança e da pobreza... multiplicando personagens – com um belíssimo Cláudio Silva a protagonista -, sequências em jogos de associação de ideias, com e sem espelhos, tudo o que, já quase fora de si, incomodou as personas de Pessoa. Tudo o que nos possa fazer pensar.
Adaptação livre do original literário, ritmo e forma narrativos, alguns diálogos mais hirtos, uma ou outra aproximação ao postal poderão não atrair toda a sorte de espetadores.

Não se diminua por isso o mérito de tentar honestamente dar à obra vantagem estética por imagem e movimento e fazê-la percorrer o país de lés a lés, com direito a debate, num circuito paralelo de escolas e cine teatros, à margem dos índices de bilheteira e suas obrigações, do consumo a eito de ideias – tantas vezes tão poucas e tão frágeis – entre a vertigem de imagens gratuitas, sem tempo nem motivo de reflexão.
Margarida Ataíde
© SNPC a 13.10.10
http://www.snpcultura.org/vol_filme_do_desassossego.html

Novos usos para um instrumento musical: Música por uma causa

A Fundação Calouste Gulbenkian abre as portas à “Music Fund” e ao seu projeto de recolha de instrumentos musicais para posterior doação a escolas de música em Moçambique, República Democrática do Congo e Médio Oriente.
Paralelamente à recolha de instrumentos, a iniciativa integra-se num conjunto de iniciativas que decorrem a 12 de dezembro, todas com entrada gratuita:

Beatriz Batarda dirá “A Menina do Mar”, o conto de Sophia de Mello Breyner Andresen musicado por Fernando Lopes-Graça, acompanhada ao piano por Bernardo Sassetti;

Catarina Furtado fará a narração de “Pedro e o Lobo” , de Sergei Prokofiev, pela Orquestra Gulbenkian, dirigida por Joana Carneiro. Será também interpretado O Carnaval dos Animais, de Camille Saint-Saëns, e Guia da Orquestra para Jovens, de Benjamin Britten.

Contam-se ainda actuações de outros artistas e intérpretes que decidiram associar-se a esta acção de solidariedade: Orquestra Geração, Divino Sospiro, o grupo de percussão Drumming, Tocá-Rufar, Mário Laginha Trio, Moreira’s Septeto, Bernardo Sassetti e Beatriz Batarda, Pedro Carneiro, Carlos Martins com os Sons da Lusofonia e Filipe Melo, entre outros.

Serão ainda exibidos vários filmes sobre a temática da inserção social através da música e realizados ateliês e demonstrações de reparações de instrumentos.

A música é «prioritária para os jovens que têm a sorte de poder ter acesso a ela em lugares como Gaza, Kinshasa ou Maputo», diz o belga Lukas Pairon, diretor da Music Fund, organização internacional sem fins lucrativos que apoia a formação musical de jovens de países em desenvolvimento e em zonas de conflito, recolhendo instrumentos, reparando-os e distribuindo-os.

O programa completo:
http://www.musica.gulbenkian.pt/cgi-bin/wnp_db_dynamic_record.pl?dn=db_musica_season_2010_2011_pt&sn=all&orn=158

«Este tipo de evento – refere Lukas Pairon, fundador e presidente de Music Fund - foi desenvolvido com sucesso noutras capitais europeias (Paris, Madrid, Bruxelas ou Amesterdão), tendo como resultado a distribuição de centenas de instrumentos por países como a Palestina, a República Democrática do Congo e Moçambique – outros países virão a ser contemplados em futuras campanhas. Na última destas iniciativas, realizada no ano passado em Madrid e onde foi batido o recorde de ofertas, foram reunidos cerca de 400 instrumentos musicais». A cada instrumento recolhido é atribuído um número de registo, o que permite a cada doador ter conhecimento da utilização dada ao seu instrumento, sabendo sempre onde se encontra e quem o adoptou. Para além de distribuir instrumentos, Music Fund apoia também a formação de técnicos locais para garantir a sua manutenção e reparação.
Uma vez que todos os instrumentos doados são sujeitos a uma reparação, a campanha vai também incentivar donativos financeiros. Estes incentivos destinam-se não só a suportar o envio dos instrumentos para a sede do Music Fund , em Bruxelas, como também a garantir a sua posterior reparação nas oficinas e luthiers parceiros do projecto.


Mais informações:
contacte musicaporumacausa@gulbenkian.pt
consulte http://www.musicfund.be/

Porque estou aqui

Sinto-me privilegiado por ter encontrado na Igreja um lugar vazio, feito à minha medida. É certo que tê-lo encontrado (ou encontrá-lo renovadamente, pois não é dado adquirido) foi também mérito da minha sede, do meu empenho, de não baixar os braços e achar, passivamente, que não seria possível. Passo a contextualizar: a comunidade onde vou à missa é pequena e acolhedora, e podia bem não o ser. Ao mesmo tempo, sentia um desejo grande de reflexão de vida cristã e encontrei um casal (heterosexual) que tinha a mesma vontade. Começámo-nos a reunir semanalmente numa pequena comunidade de oração e reflexão que, apesar de crítica, nos tem ajudado a sermos Igreja e a nela nos revermos. Paralelamente, face ao contínuo desencanto em relação a algumas posturas e pontos de vista de uma Igreja mais institucional e hierárquica, tive a graça de encontrar um grupo de cristãos homossexuais, que se reuniam com um padre regularmente, sem terem de se esconder ou de ocultar parte de si.

Sei que muitos cristãos homossexuais nunca pensaram sequer na eventualidade de existirem grupos cristãos em que se pudessem apresentar inteiros, quanto mais pensarem poder tomar parte e pôr em comum fé, questões, procuras, afectos e vidas.

Por tudo isto me sinto grato a Deus e me sinto responsável para tentar chegar a quem não teve, até agora, uma experiência tão feliz como a minha.

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Os textos e as imagens

Os textos das mensagens deste blogue têm várias fontes. Alguns são resultados de pesquisas em sites, blogues ou páginas de informação na Internet. Outros são artigos de opinião do autor do blogue ou de algum dos seus colaboradores. Há ainda textos que são publicados por terem sido indicados por amigos ou por leitores do blogue. Muitos dos textos que servem de base às mensagens foram traduzidos, tendo por vezes sofrido cortes. Outros textos são adaptados, e a indicação dessa adaptação fará parte do corpo da mensagem. A maioria dos textos não está escrita segundo o novo acordo ortográfico da língua portuguesa, pelo facto do autor do blogue não o conhecer de forma aprofundada.

As imagens que ilustram as mensagens são retiradas da Internet. Quando se conhece a sua autoria, esta é referida. Quando não se conhece não aparece nenhuma referência. Caso detectem alguma fotografia não identificada e conheçam a sua autoria, pedimos que nos informem da mesma.

As imagens são ilustrativas e não são sempre directamente associáveis ao conteúdo da mensagem. É uma escolha pessoal do autor do blogue. Há um critério de estética e de temática ligado ao teor do blogue. Espero, por isso, que nenhum leitor se sinta ofendido com as associações livres entre imagem e conteúdo.

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