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A diversidade na Igreja

"A casa do meu Pai tem muitas moradas", diz-nos Jesus no evangelho.

A unidade na diversidade não é sempre aparente na Igreja enquanto povo de Deus, mas é uma realidade em Deus e uma presença na fé cristã desde a sua origem. A Palavra de Deus não é partidária, elitista e exclusiva. O Reino de Deus é como uma árvore que estende os ramos para dar abrigo a todos os pássaros do céu. Cristo não morreu na cruz para salvar uma mão cheia de cristãos. Até o Deus Uno encerra em si o mistério de uma Trindade.

A Palavra de Deus é inequívoca e só pode levar à desinstalação, à abertura ao outro, e a recebê-lo e amá-lo enquanto irmão ou irmã. Ninguém fica de fora, nem mesmo - se tivessemos - os inimigos.

Muitos cristãos crêem nesta Igreja, nesta casa do Pai, corpo de Cristo, templo do Espírito Santo. Mas como esquecer que muitos se sentem "de fora" por se verem rejeitados, amputados e anulados, e afastam-se por ninguém lhes ter mostrado que há um lugar para cada um, com a totalidade do seu ser?

Um blogue para cristãos homossexuais que não desistiram de ser Igreja

Porquê este blogue?

Este blogue é a partilha de uma vida de fé e é uma porta aberta para quem nela quiser entrar. É um convite para que não desistas: há homossexuais cristãos que não querem recusar nem a sua fé nem a sua sexualidade. É uma confirmação, por experiência vivida, que há um lugar para ti na Igreja. Aceita o desafio de o encontrares!

Este blogue também é teu, e de quem conheças que possa viver na carne sentimentos contraditórios de questões ligadas à fé e à orientação sexual. És benvindo se, mesmo não sendo o teu caso, conheces alguém que viva esta situação ou és um cristão que deseja uma Igreja mais acolhedora onde caiba a reflexão sobre esta e outras realidades.

Partilha, pergunta, propõe: este blogue existe para dar voz a quem normalmente está invisível ou mudo na Igreja, para quem se sente só, diferente e excluído. Este blogue não pretende mudar as mentalidades e as tradições com grande aparato, mas já não seria pouco se pudesse revelar um pouco do insondável Amor de Deus ou se ajudasse alguém a reconciliar-se consigo em Deus.
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domingo, 25 de março de 2018

Arquitectura: Capela da Praia, China

Uma capela junto ao mar

Imaginámos a "Seashore Chapel" (Capela da Praia) como um barco antigo que há muito tempo está à deriva no oceano. O mar, retraindo-se gradualmente, deixou uma estrutura vazia, que ainda está na praia.

O espaço é dividido verticalmente. A parte exterior coberta torna-se para todos lugar de repouso na praia. É também um espaço que liga um lugar religioso à vida mundana. Quando a maré sobe, este espaço é submerso pela água: nesse momento, a imagem do barco que desliza emerge em relação à da capela.

A atmosfera, no piso superior, é intensamente sagrada e religiosa. A experiência espacial começa num percurso de 30 metros que conduz à capela. Aproximando-se gradualmente, a partir de uma fenda de 60 cm de largura colocada no centro das grandes escadas, emerge o sinal que indica do outro lado o espaço em que o edifício parece flutuar.

Com o fundo do oceano à distância, ao aproximar-se das escadas, atravessa-se o limiar e, rodando em torno das paredes perimétricas, tem-se a visão aberta para o oceano. A relação entre este espaço e o oceano é mais próxima graças à posição mais elevada. A vista é isolada da praia e das pessoas, de modo a deixar ao olhar apenas a imensidão do oceano.

Há poucas aberturas na capela. A única grande janela horizontal com vista para o oceano está na fachada oriental. A sua altura de 2,7 m ajuda a evitar a entrada excessiva luz para o interior, mas também a enquadrar a vista do oceano.

Alguns cortes estreitos entre as paredes também difundem a luz natural. A iluminação é cuidadosamente controlada num espaço interior com 10 m de altura que reflete luz difusa.

Na fachada oriental triangular, uma abertura ilumina docemente, de baixo e de cima, uma cruz. Outro canal horizontal na parte superior do telhado permite que a luz natural seja filtrada através de um espaço de 30 cm entre a parede dobrada a norte e o teto inclinado.

Ao meio dia, na primavera, verão e outono, quando a altitude solar é quase perpendicular, a luz projeta-se diretamente na parede norte, gerando um efeito vívido de reverberação luminosa.

O espaço parece adaptar-se à pessoa com as paredes laterais que envolvem o corpo e ampliam a perceção visual em direção ao oceano longínquo. O desenho da capela reflete o estudo da ventilação natural. Para manter o aspeto uniforme e contínuo no exterior, todas as janelas estão escondidas nos vazios formados entre o invólucro principal e as diferentes aberturas deslizantes paralelas às paredes.

A capela está ao serviço da comunidade turística na parte ocidental do novo bairro de Beidaihe. Para a comunidade é o espaço construído mais perto do oceano. Na capela, além de ritos religiosos, estão previstos vários eventos públicos e comunitários. Juntamente com a biblioteca Seashore, trata-se de lugares espirituais colocados diante do oceano, onde as pessoas podem abrandar o seu passo, experimentar a natureza e examinar a sua condição interior.

Localização: Novo bairro de Beidaihe, China
Arquitetos: Gong Dong (arq. principal); Vector Architects (gabinete de arquitetura)
Projeto e construção: 2014-15

Vector Architects In Thema
Imagens: ArchDaily
Tradução e edição: SNPC

quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

Sobre o divórcio entre Igreja e Arte moderna e contemporânea

«A arte pode viver sem desconfiança» em relação «ao mundo do espírito»

O escultor Rui Chafes, recentemente distinguido com o Prémio Pessoa, está convicto de que arte e espírito não têm de ser antagónicos, ainda que a contemporaneidade tenha perdido uma das características da Idade Média, o «ir para Deus através da arte».

Em entrevista publicada este sábado no suplemento do semanário "Expresso", Chafes (n. Lisboa, 1966) diz que «tecnicamente» não se considera uma pessoa religiosa, embora pense que o seu trabalho «está muito próximo do sentido religioso das pessoas».

«Por vezes é como se não estivesse a trabalhar por vontade própria mas como alguém que obedece a uma voz que lhe diz "agora vais fazer isto"», voz que «é qualquer coisa imaterial, misteriosa, espiritual e absolutamente irracional», assinala.

Rui Chafes, que também se exprime artisticamente através do desenho, menciona também a «separação da arte da igreja, no mundo ocidental»: «Esse afastamento mútuo está relacionado com o modernismo. Com o facto de a Igreja desconfiar da arte moderna e a arte moderna desconfiar da Igreja».

«Alguma arte tentou consolar as pessoas que ficaram órfãs dessa vida espiritual. E esse consolo é muito curioso porque transforma a arte numa divindade, numa religião. Dá um sentido às coisas. Houve artistas que quiseram ser uma espécie de xamãs para uma humanidade sem religião. E isso é um motivo de esperança e ao mesmo tempo de ceticismo», declara.

A «atração» que sente pela Idade Média funda-se, entre «várias razões», na «proximidade entre as pessoas e a arte, através de uma coisa que elas não sabiam o que era, que era a fé, a espiritualidade».

«Uma catedral era uma imensa instalação que tinha pintura e escultura, era uma obra de arte total, um ir para Deus através da arte. Isso perdeu-se. Creio que hoje já aprendemos a respeitar a arte como uma linguagem possível e partilhável e não ter de ir vê-la ao jardim zoológico», afirma.

A mudança na forma como a arte é vista é feita de passos, como as obras que o próprio Rui Chafes tem em igrejas da Áustria e da Alemanha, ou «quando a catedral de Colónia encomenda um vitral a Gerhard Richter» ou quando uma «igreja em Zurique encomendou vitrais a Sigmar Polke».

Referindo-se à relação da arte com a Igreja, Rui Chafes sustenta que «há uma convergência», e dá como exemplo um projeto que tem em mãos: «Eu vou fazer uma instalação na igreja de São Cristóvão, em Lisboa. Num projeto do Paulo Pires do Vale, que vai dinamizar a igreja com peças de vários artistas».

«O padre [Edgar Clara], que é um homem novo, tem uma visão sem complexos do que pode ser a participação das pessoas na igreja. E isso mostra que a arte pode viver sem desconfiança e sem ressabiamento em relação ao mundo do espírito».

Chafes lembra que «cineastas como Tarkovski, por exemplo, tiveram mil razões para fugir da Rússia, mas o que se passava é que ele tinha uma necessidade imensa dessa espiritualidade e a Rússia dos anos 60 e 70 negava-lhe isso».

Questionado sobre se a sua religião é a arte, o escutor é perentório: «Sim, absolutamente. A minha religião é a arte, a música, a literatura, que é tudo a mesma coisa. E se não houver nem música, nem pintura, nem escultura, se não houver arte, caímos na barbárie, como o Estado Islâmico quer».

«Talvez por isso se pergunte se o Estado Islâmico tem alguma coisa a ver com religião e claro que não tem, tem a ver com terrorismo. Com crime. Com assassinos», acentua.

E será que a arte pode salvar? «É uma boa ideia», mas não é certo que possa acontecer: «Pelo menos a arte não pode salvar uma sociedade, não pode salvar uma política, não pode salvar um sistema social. Mas pode salvar a ética das pessoas, pode dar esperança e nesse sentido pode salvar o mundo».

A «única bandeira política» que considera «realmente válida é o anarquismo» - onde se sente acompanhado por «grandes companheiros, como Jesus Cristo e Friedrich Nietzsche» -, sistema político que seria «civilizado, não violento, feito de e para pessoas responsáveis e que não precisariam de polícias nem de soldados».

«Para mim não existe arte se não houver essa ambição de criar silêncio, de criar um momento onde o tempo é suspenso. E alguma arte contemporânea suspende o tempo», assinala Rui Chafes.

Com o valor de 60 mil euros, o Prémio Pessoa, atribuído pelo "Expresso" com o patrocínio da Caixa Geral de Depósitos, reconhece a intervenção de uma personalidade portuguesa na vida cultural e científica de Portugal.

Para os autores da entrevista, Alexandra Cabrita e Celso Martins, a atribuição da distinção a Rui Chafes «valoriza a coerência de um programa e a teimosia de uma ética inabalável».

Rui Jorge Martins
Publicado pelo SNPC a 19 de dezembro de 2015

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

A estética do sagrado

O estético, o ético e o sacro: breve "excursus" sobre a encíclica "Luz da fé"

O estético, o ético e o sacro representam a evidência simbólica da consciência crente na sua tematização estética e ética. De acordo com a hermenêutica gadameriana, a arte e religião, o belo e mito, estão na base da experiência hermenêutica originária (Verdade e Método). Esta manifestação do sentido originário presente nas coisas interpela o sujeito humano que vive na história segundo o dinamismo interior. Assim «a interioridade torna-se tema de reflexão e apropriação precisamente através da qualidade espiritual à qual a exterioridade sensível, mediante a ressonância do sentimento e o simbolismo da imaginação, dirige a consciência» (P. Sequeri). A qualidade estética da experiência crente está profundamente relacionada com a descoberta da interioridade no processo de hominização e humanização.

Os estados interiores, as imagens que povoam a nossa mente, resultantes de representações, pensamentos e ideias, provêm do sentimento das emoções que influenciam de algo modo o nível de confiança que o ser humano atribui a si mesmo e aos outros. A interioridade – que aqui podemos estabelecer paralelamente com a mente – ganha qualidade espiritual na medida em que é capaz de aliar a si a sensibilidade cristalizada no sentimento e na imaginação. A qualidade espiritual, o sentimento e a imaginação não são apenas componentes constitutivos da consciência mas a sua condição cognoscitivo-prática. A consciência cristalizada na emoção, no sentimento, no desejo, no afeto funda a dimensão estética que é o âmbito da sensibilidade da consciência.

A perceção do sentir, ou perceção da emoção, dá-se na consciência estética enquanto categoria que explicita o affectus fidei, o afecto da fé, ou a reapropriação teórica e prática dos diversos modos em que se percepciona o manifestar-se de Deus. A estética teológica assim entendida estabelece a «relação entre o teológico e o modo da percepção. Porque não basta olhar, há modos e modos de olhar; não basta tocar, há modos e modos de tocar» (P. Sequeri). Isto supõe que à experiência estética, à experiência da beleza evocativa da justiça originária que conduz ao cumprimento da promessa de sentido último, seja subjacente à inteligência e à vontade humana. É neste contexto que emerge a percepção do sacro que institui uma relação diferenciadora com a realidade. Esta percepção do sacro insere-se na justiça da afeição de Deus «porque sem nenhuma referência a uma origem divina não posso ser perfeitamente justo, porque sem este referimento, sem uma não apropriação do género, colocar-me-ei no lugar de juiz supremo, de mestre da justiça e isto é início de toda a espoliação» (F. Hadjadj).

A consciência estética supõe portanto a consciência crente e a consciência ética. Sem estas instâncias não é possível colher a experiência estética no seu núcleo metafísico e universal. O perigo subjacente é a degeneração do belo em sedução, do medo em pânico, da alegria em histerismo, e assim por diante. Portanto, a experiência de beleza que o sujeito faz está profundamente ligada ao sentido da justiça e da verdade, isto é ao saber originário da consciência, a uma metafísica dos afectos, que subtrai o humano ao útil, ao funcional e ao poder sedutor incontrolável da imediateza. É verdade quando Pierre Levy afirma que «se o mundo humano subsistiu até hoje é porque sempre houve justos suficientes. Porque as práticas de acolhimento, de ajuda, de abertura, de atenção, de reconhecimento, de construção, acabam por ser mais numerosas ou mais fortes do que as práticas de exclusão, de indiferença, de negligência, de ressentimento, de destruição».

Na verdade, a autêntica experiência estética situa-se ao nível da qualidade espiritual do humano e não no sentido primário do usufruto, do gozo sentimental. A beleza sem a bondade e a inteligência é um estéril sentimento, momento sedutor que afasta a verdade das coisas, colocando-a ao nível de um simples jogo de sedução. A consciência estética está profundamente ligada à experiência religiosa e não tanto ao gozo imediato de uma obra de arte. Se a beleza não invoca a justiça e a verdade originária inscrita no coração humano converte-se em banal encantamento, sedução sentimental, aparência de bem, auto-referencial. À estética teológica caberá fazer apelo à interioridade humana, mantendo em relação a dimensão corpórea (cognitiva) e a dimensão espiritual (afectiva) do sentir. Por exemplo, a música enquanto «ciência da anima» tem a missão de explicitar, invocar e discernir a qualidade sensível e espiritual da experiência humana e religiosa. A música surge como a evidência simbólica da consciência crente. A música como síntese do sensível leva o humano a sentir uma experiência originária vital, libertando o seu imaginário frequentemente preso às palavras e gestos, a ritos e representações.

Há portanto, aqui uma ressonância afectiva e cognitiva que liberta a interioridade humana e a predispõe para o acolhimento da Revelação. A «fé é, substancialmente, escuta emocionada da palavra de Deus» (Ricotta), ou melhor: «reconhecimento que se nutre de agradecimento» (Sequeri). A razão teológica apresenta uma evidência simbólica (ético, símbolo e rito) que faz apelo ao reconhecimento a partir da interioridade do sujeito mas ao mesmo tempo o dispõe para uma abertura re-memorativa à Tradição, a um existir que o precede e funda. Em parte, poder-se-ia ver neste reconhecer-se (sentir-se) reconhecido uma certa receptividade passiva do sujeito. Mas a evidência simbólica da razão teológica é mais do que uma ideia ou uma representação de um ideal. Ela assume, na verdade, uma figuração ontológico-hermenêutica do princípio verdade/justiça da ordem afectiva instaura pelo ágape livremente oferecido de Deus.

O «dar-se da Vida como autoafeição pática cruza-se com o próprio poder da incarnação» (Viola), visibilidade do invisível, o Logos crístico que revela, na sua configuração histórico-hermenêutica. A consciência estética (beleza) desenvolve uma evidência simbólica (rito, símbolo, ethos) capaz de ordenar os afectos, de manifestar a vida invisível, inconsciente, ao si humano consciente, restituindo-o a sua afectividade originária. Na verdade, uma «semelhante fenomenologia do espírito-vida, no corpo-mundo, poderá chegar a tocar a realidade da vida espiritual, porém, somente aonde o espírito seja compreendido, na sua acepção mais originária, como vida gerada no logos da afeição e libertada pela justiça do sentido» (Sequeri). Sem racionalidade, sem afecto e sem o justo sentido da existência a mente humana permanece à deriva de si e dos outros. Fica a interrogação apelativa: «aquilo que se comunica na Igreja, o que se transmite na sua Tradição viva é a luz nova que nasce do encontro com o Deus vivo, uma luz que toca a pessoa no seu íntimo, no coração, envolvendo a sua mente, vontade e afectividade, abrindo-a a relações vivas na comunhão com Deus e com os outros»? (Carta Encíclica Lumen Fidei, 40).

João Paulo Costa
in SNPC a 29.07.13

sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Alargar o abraço

As quatro vias para a espiritualidade cristã contemporânea de Etty Hillesum
parte III

Um espírito ecuménico

Uma forma de o espírito contemplativo ser forjado é o recurso às tradições de outras religiões. Etty tinha um vasto e inclusivo espírito ecuménico. Na sua busca, ela atravessava, sem qualquer consciência disso, as fronteiras que a separavam de outras tradições religiosas. O seu exemplo ajusta-se ao inquiridor moderno que não se preocupa com a fonte de onde provém a sabedoria (embora a Igreja possa preocupar-se). Etty quebra o nosso nervosismo, dizendo-nos: alargai os vossos horizontes.

Aqueles dentre nós que pertencem à Igreja cresceram dentro das fronteiras da «nossa» fé, em contraposição com a fé de outros: judeus, muçulmanos, hindus, budistas e sikhs. Foi assim que nos ensinaram a pensar. Há uma longa e sangrenta história de medo e desconfiança entre as tradições de fé do mundo, dos cruzados e do colonialismo e o conflito inter-religioso. E isto ainda se mantém, apesar de mudanças e avanços significativos em termos de diálogo e de entendimento nos últimos anos. Não obstante, nós continuamos a pensar apenas em termos da «nossa» fé, observando mentalmente as suas fronteiras. Isto é compreensível, pois cada tradição religiosa tem as suas próprias narrativas e símbolos, que brotam da sua própria história e contexto particulares. Assim, cada tradição religiosa é diferente, e tais diferenças precisam de ser respeitadas. Esta abordagem, porém, também pode ser demasiado restritiva. Nós continuamos a ter uma ignorância profunda acerca das outras tradições religiosas, e permanecemos desconfiados e tímidos, receosos de ultrapassar as fronteiras para aprender com elas.

Etty Hillesum não tinha nenhum problema deste tipo. A ideia teológica mais fundamental para ela residia na raiz da tradição judaica: todos os seres humanos transportam a imagem de Deus dentro de si, por muito escondida e esquecida que essa imagem possa estar; todos são criados para se irem tornando cada vez mais semelhantes a Ele.

Portanto, não existem fronteiras, e tudo o que nos possa ajudar a desenterrar esse Deus oculto do nosso coração deve ser valorizado e apreciado... seja qual for a sua proveniência. Assim, incentivada por Spier, Etty ia lendo o Novo Testamento; mergulhou nos Evangelhos, sobretudo de Mateus, sem consciência aparente de que pertencessem a uma tradição «diferente»; regressou uma e outra vez a Santo Agostinho «tão austero, tão fervoroso e tão cheio de simples devoção nas suas cartas de amor a Deus»; citava continuamente «o judeu Paulo», que deixara para trás a sua identidade judaica - mas isso não a incomoda: foi o seu cântico ao amor, na sua carta aos Coríntios, que trabalhou nela «como uma vara divinizante». O seu maior amor era Rilke, que escreveu o Livro das Horas, na pessoa de um monge ortodoxo russo. Quando, à sua chegada a Westerbork, a sua malinha foi revistada, encontraram aí, lado a lado, o Alcorão e o Talmude; além disso, durante o seu último ano de vida, Etty leu muitas obras de Mestre Eckhart.

Tal como o monge cisterciense Thomas Merton, que acolheu e abraçou conceitos inspirados do budismo zen e da tradição sufi, Etty chama-nos a tomar consciência de que as intuições das diversas tradições religiosas se cruzam e complementam nas profundezas do coração do contemplativo onde se dá a adoração daquele que está para lá de todos os nomes.

Um convite a ver

Terceiro, a história de Etty quebra a forma fácil como nós falamos e nos confrontamos - ou não nos conseguimos «confrontar» (pois esta palavra sugere olharmo-nos de frente) - com o nosso inimigo. Tal como entendemos o conflito primordial do nosso tempo, Etty convida-nos a ultrapassar abismos de desentendimento do nosso mundo e a explorar aquilo que pode estar implicado no ver, abrindo assim caminho para a justiça e a reconciliação.

(...) Como judia da Holanda, em 1941, Etty foi confrontada com um inimigo cego por uma terrível ideologia de pureza racial ativada pelo ódio, e que tinha por objetivo destruir o seu povo.

Hoje em dia, o mundo ocidental confronta-se com um inimigo terrorista cujo terrorismo é impelido por uma ideologia religiosa profundamente distorcida. Esta encerra em si um ódio profundo pelo mundo ocidental, de modo particular pela América. Esse ódio deu azo a terríveis atos de violenta destruição contra cidadãos de países ocidentais. E, como reação, suscitou o medo.

A forma como Etty reagiu à sua realidade interpõe-se às formas pelas quais nós podemos reagir à nossa, pondo-as em questão. Primeiro, Etty recusou-se a odiar o seu inimigo. Trata-se, por si só, de uma postura perturbadora, pois significa que temos de repensar a nossa. Recusar-se a odiar é, em última análise, recusar-se a ver alguém, ou um grupo de pessoas - que são manifestamente um inimigo votado à nossa destruição - comoum «inimigo». É viver com este paradoxo e implica - mesmo que o nosso país se defenda do seu ódio - tentar prestar atenção ao contexto mais vasto e mais complexo das suas vidas, e perguntar, de forma inquisitiva, porque é que eles estão, e porque é que nós estamos, enredados nesse ódio? Quem somos nós para eles, e quem são eles para nós?

[Ver] o inimigo como ser humano

Apesar da compreensão clara daquilo com que se estava a confrontar, Etty esforçou-se por ver aqueles que a perseguiam como seres humanos. Olhou no rosto o jovem oficial da Gestap, «digno de dó», que a ameaçou junto ao balcão dos registos, e tentou estabelecer ligação com a sua humanidade; perscrutou os rostos dos guardas grosseiros na esperança de detetar o mínimo vislumbre de vida dentro deles. Muito raramente, o seu olhar era recompensado. Liesl, uma amiga de Etty, conta que um soldado alemão a quem esta encontrou na rua, lhe meteu um papel na mão dizendo-lhe que ela lhe fazia lembrar a filha de um rabino de quem ele, o soldado alemão, tratara, e que gostaria de visitá-la. Foi um pequeno raio de luz no meio da escuridão do ódio. Etty escreveu: «Do meio de todos aqueles uniformes, um deles agora recebeu um rosto. Haverá ainda outros rostos, nos quais poderemos ver qualquer coisa compreensível...» Um uniforme que agora recebeu um rosto.

Foi uma maravilhosa exceção. No meio da carnificina da guerra, Etty continuava a procurar rostos. «Tento olhar de frente para o rosto das coisas», escreveria ela, «até dos piores crimes, e descubro o pequeno ser humano nu por entre os destroços monstruosos causados pelos atos desvairados dos homens» .

No meio dos destroços monstruosos das atrocidades que experimentámos - os terríveis «atos desvairados» que moldaram os acontecimentos deste novo século - é muito duro para nós ver os autores de tais atos como «pequenos» e «nus» - isto é, vulneráveis e «humanos». Contudo, em todos os conflitos e ataques, é sempre a realidade mais profunda que se deve procurar. Oculta atrás do rosto distorcido daqueles que cometem atos tão monstruosos, há, algures, um pequeno ser humano vulnerável. Etty sabia que o mal, em última análise, é apenas uma máscara, uma grosseira distorção que pode obscurecer por completo o verdadeiro rosto da pessoa subjacente, mas, no entanto, continua a ser apenas uma máscara.«Ninguém - insistia Etty, dirigindo-se a Klaas - é verdadeiramente "mau" no seu ser mais profundo.» No dia em que não conseguiu ver um rosto no comandante que estava a enviar mil judeus para a morte, mas apenas «uma longa e fina cicatriz», Etty não se rendeu a essa convicção. Ela nunca perdeu a esperança de ver - através dos abismos da guerra - o rosto de outro que também seja humano. Tal como nós, também eles são portadores da imagem divina, por muito alterada e oculta que possa estar, por isso, são pessoas a quem nós pertencemos.

Remover da mente o rótulo de «inimigo» é como remover as persianas de uma janela e deixar a luz entrar. Se não os quisermos odiar, então, talvez comecemos a vê-los. Aqueles que desejam destruir-nos são seres humanos. Têm histórias para contar, e famílias e comunidades de onde provêm, tal como nós. Tal como nós, foram moldados pelos seus próprios contextos pessoais e sociais muito particulares. As suas fidelidades, costumes e tradições fazem deles aquilo que eles são. E também têm desgostos, injustiças e humilhações - por vezes terríveis - com que se confrontar.

Esta remoção das persianas permitiu a Etty, no seu tempo, ver a guerra à escala humana, (des) construindo assim a sua mitologia.

Embora teimosamente centrada na pessoa, ela também reconheceu que as guerras e os conflitos são maiores do que os indivíduos. As pessoas são arrebatadas por sistemas que as devoram: «...não podemos extravasar o nosso ódio sobre os indivíduos - escreveu ela -, a culpa não é de ninguém, o sistema assumiu o controlo...» Com isto Etty queria dizer que a ideologia nazi que envenenara a mente coletiva de um povo inteiro «...uma estrutura ameaçadora capaz de cair sobre nós, esmagando-nos a todos, tanto os que interrogam como os que são interrogados».

Este fenómeno também nos convida a ver e a compreender: a desconstruir sistemas coletivos de pensamento - incluindo o nosso - e a perguntar como e por que razão eles surgiram, e o que está subjacente a eles. As pessoas de ambas as partes dos conflitos podem ficar cegas. Tudo isso só é possível se não houver ódio, pois só assim podemos ser suficientemente desapaixonados para ter alguma probabilidade de ver.

Quando os alemães invadiram a Holanda e a perseguição começou, o ódio passou a ser a moeda corrente de cada conversa entre os judeus, de tal modo que eles já não podiam ver, só podiam odiar. Não conseguiam «apreender as tendências principais», «sondar correntes subterrâneas», não conseguiam perguntar «Porquê?». E os amigos de Etty não queriam fazê-lo. Preferiam o caminho mais fácil. Mantinham as persianas fechadas e só falavam de ódio - tudo muito «claro e muito feio».

Quando nos apercebemos da intensidade da paixão de Etty por desvelar a verdade, o leitor do Novo Testamento é recordado das palavras que se repetem uma e outra vez como um suave e insistente convite dirigido ao leitor, no início do Evangelho de João: «Vinde... e vede.»

Nota: Esta transcrição omite as notas de rodapé.
por Patrick Woodhouse, In Etty Hillesum - Uma vida transformada, ed. Paulinas
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A fé fora do templo


As quatro vias para a espiritualidade cristã contemporânea de Etty Hillesum
parte II


Um convite à oração

A segunda forma pela qual a vida de Etty nos interpela e desafia é sobre as pressuposições da própria religião: de que as instituições a detêm e controlam, acerca da questão que reside no cerne da mesma e a forma pela qual nós pensamos nas suas fronteiras. (...)

A sua caminhada até à fé em Deus transformou a sua vida, mas aconteceu fora de qualquer instituição religiosa. Etty é uma figura contemporânea, também neste sentido. A sua história convida-nos a reconhecer caminhadas de fé alheias a instituições religiosas, e anima-nos nessa caminhada. Também desafia aqueles que trabalham nas instituições religiosas a refletir mais profundamente sobre a razão pela qual são tão desconsiderados, e a escutar aqueles que se encontram para lá das suas fronteiras.

Grande número de pessoas do mundo ocidental, sobretudo jovens, sentindo as pressões de uma irrequieta sociedade consumista, sentem que o seu estéril secularismo não lhes oferece nada em termos das questões de significado mais profundo. Podem sentir-se num deserto espiritual... e assim, por entre as exigências, as pressões e o ritmo de vida vivido à superfície das coisas, existe uma fome profunda de «espiritualidade». Contudo, este interesse pela «espiritualidade», que se revela numa grande diversidade de maneiras, não se encaixa facilmente nas narrativas e nas expectativas das instituições religiosas preestabelecidas. Assim, na Europa (a situação nos Estados Unidos parece ser diferente), verifica-se a situação paradoxal de que um interesse crescente pela «espiritualidade» corresponde a um declínio da frequência institucional da Igreja. Isto conduz-nos ao que reside no coração da espiritualidade num mundo pós-moderno.

Num útil artigo intitulado «A crise da pós-modernidade», o escritor e teólogo Philip Sheldrake sugere que, aqui, se verifica uma confusão de interrogações. Há a interrogação em que as instituições religiosas ainda se centram com afinco, nomeadamente, «O que é ou quem é Deus?» Mas, por detrás da «busca espiritual contemporânea», há uma questão diferente (embora, na tradição mística, com ela relacionada), designadamente, «Quem sou eu?» O problema para as instituições religiosas é que, nos seus credos, liturgias e, muitas vezes, na sua pregação, exploram e expõem uma resposta para a primeira questão, que tem vindo a ser cada vez menos colocada.
(...)

A questão do ego

(...)Esta questão sobre Deus já não é o ponto em que começa a busca espiritual contemporânea. O que conduz esta busca é a questão - a surpreendente, e até misteriosa questão - do ego. Quem sou eu, no caráter único dos meus sentimentos, relações, reações e sentido de pertença ou não pertença; no contexto particularíssimo da minha vida, da minha história e do meu possível futuro?

As instituições religiosas não parecem ter apreendido toda a força desta mudança: o poder do terramoto secular a nível do entendimento que ocorreu e que alterou o centro dos interesses. Continuam a comportar-se como se a antiga visão do mundo continuasse a imperar. Não deviam estar tão surpreendidos pelo facto de os seus números continuarem a declinar.

Etty Hillesum fala ao mundo moderno porque a sua caminhada começou com a psicoterapia, com a questão que muitos outros fazem, de vários modos: «Quem sou eu?» Ela começou com o enigma desconcertante e perturbador de si própria, e a sua caminhada prosseguiu fora de qualquer instituição religiosa.

[6 pistas para a caminhada orante]

Houve cinco elementos-chave nessa caminhada: uma relação de aceitação incondicional dentro da qual ela se sentia segura para explorar a sua experiência; exploração intelectual do pensamento de alguns escritores-chave, nomeadamente Jung e Rilke; a influência do seu mentor, uma pessoa de fé, que a introduziu em textos religiosos fundamentais, nomeadamente os Salmos, o Novo Testamento e Santo Agostinho, e em vários outros, ainda; a sua própria resposta à ânsia que sentia dentro de si para rezar; e o desenvolvimento de discipli­nas particulares da vida espiritual.

O seu caminho particular constitui um estímulo e um encorajamento para aqueles para quem parece difícil pertencer às instituições religiosas. Quer uma pessoa continue a ser ou não membro de uma igreja ou sinagoga ou da instituição de qualquer outra tradição de fé, Etty convida-nos a aprofundar mais a nossa exploração pessoal.

(...)
O momento mais íntimo e talvez mais importante da caminhada de Etty foi quando ela começou a rezar. Escreveu que «deu consigo», de repente, ajoelhada no tapete castanho de fibra de coco na casa de banho. Parece ter ocorrido de forma involuntária, como reação a «uma grande necessidade» proveniente mais de uma parte profunda de si própria do que da sua mente. Sentiu-se profundamente embaraçada com isso, e a «porção ateia racional e crítica» da sua pessoa fitou-a, estupefacta, chamando-lhe louca. Eis um momento-chave da sua caminhada de fé: um momento em que temos de nos libertar de todo o nosso «palavreado», de nos libertar do desapego da mente inquisitiva, e de responder a alguma necessidade primitiva do coração, e - ignorando o embaraço e qualquer sentido de insensatez - atrever-se a dizer «Sim».

Uma vez atravessada esta barreira - embora o embaraço volte a surgir e a parte racional e crítica das nossas pessoas, que tem uma importância profunda, certamente volte a afirmar-se - a oração poderá, lentamente, começar a ser habitual, e até, como Etty descobriu, muito necessária. Em determinado ponto do seu diário, Etty escreve: «Continuo a dar comigo em oração.»

Se quisermos entrar realmente neste potencial - para descobrir aonde o mesmo nos pode conduzir - as disciplinas desta vida têm de ser praticadas. Tal como aprender a pintar, ou a tocar um instrumento musical, é um trabalho difícil e não pode ser aprendido de um dia para o outro. Para Etty, a sua espiritualidade e a sua oração significava aprender «a viver artisticamente», uma expressão que ela foi buscar a Rilke. Para o conseguir, ela sabia que «a paciência é tudo» (fazendo ressoar mais uma vez as palavras de Rilke); a paciência e a prática de certas disciplinas. E quais são essas disciplinas?

- silêncio - «há um vasto silêncio em mim que continua a crescer»
- solidão - «no profundo de nós mesmos, todos nós carregamos uma vasta e frutífera solidão»
- atenção, na tomada de consciência e na abordagem dos «rebanhos selvagens» dos pensamentos e sentimentos
- uso de imagens, aprendendo a conhecer tanto o seu poder como os seus perigos
- ler os Salmos, extraindo deles apenas uma frase e plantando-a nas profundezas do coração, onde o seu significado pode crescer.
E (o mais importante para Etty):
- aprender a escutar «tudo o que nos chega de fora... e... tudo o que brota de dentro» - o desenvolvimento de uma consciência intuitiva daquilo que é «mais essencial e mais profundo» em nós próprios, nos outros, na interligação da vida.

Tudo isto e mais ainda fazia parte da caminhada de Etty, que, sobretudo depois de ter deixado os seus amigos em Amesterdão e de Spier ter morrido, se tornou solitária. Na sua carta dirigida a Henny Tideman vislumbramos a sua solidão. Para este trabalho de espiritualidade se manter, precisamos de amizades e de comunidades. Também precisamos, depois de termos confiança suficiente para nos confrontarmos com ele, do desafio, ajuda e correção mais vastos que a instituição religiosa competente pode oferecer à nossa caminhada pessoal. Sejam quais forem as nossas reservas, é isso que dá vida à nossa tradição: o lugar onde a nossa história é publicamente assumida e celebrada. Nós pertencemos-lhe... e precisamos de participar da sua vida e de contribuir para ela.

E assim, além de encorajar os que não pertencem a instituições religiosas, a história de Etty desafia aqueles que têm a responsabilidade de moldar tais instituições, mediante uma interrogação profunda. Como podemos garantir que as nossas liturgias, rituais e cerimónias respiram com o tipo de espírito contemplativo que atrairá os de fora da instituição além de seduzir mais profundamente aqueles que se possam manter hesitantes nas suas margens?

Nota: Esta transcrição omite as notas de rodapé.
por Patrick Woodhouse, In Etty Hillesum - Uma vida transformada, ed. Paulinas
ler mais em SNPC

sábado, 19 de outubro de 2013

Um festival de cinema das Religiões

Religion Today: Laboratório de fé e cultura

O "Religion Today" é um festival itinerante dedicado ao cinema das religiões que tem como objetivo promover, através da Sétima Arte, a cultura do diálogo e da paz entre as religiões, no reconhecimento das diferenças.

Contribuir para a difusão e distribuição do filme religioso como contributo para o desenvolvimento cultural e espiritual, criar um espaço de encontro e intercâmbio para realizadores e operadores dos média de diferentes culturas e religiões e, não menos importante, favorecer a divulgação de uma informação correta sobre as grandes religiões do mundo, constituem também metas deste projeto.

Nascido na cidade de Trento em 1997, o primeiro festival do género no mundo chega este ano à 16.ª edição. Ao longo do seu percurso ampliou o raio de ação, ocupando várias cidades italianas e também do estrangeiro. (...)

O festival, que resulta de parcerias entre entidades religiosas e civis, é em 2013 dedicado ao tema "Visões. Realidade e utopia". Realidade e ficção, crença e dúvida, fé e factos: uma tensão particularmente importante num momento de crise de ideais, de expetativa por uma utopia credível. Questões que o "Religion Today" quer destacar perante um público vasto, privilegiando, como já é tradição, o mundo dos jovens, na convicção de que o cinema pode ser uma boa "oficina" para um conhecimento recíproco entre culturas e religiões, eliminando preconceitos e estereótipos, a fim de construir um mundo menos conflituoso.

O "Religion Today" está aberto a filmes, documentários e curtas-metragens que exploram os vários pontos de vista sobre a existência e o sagrado por diferentes religiões. Todos os anos dezenas de filmes de todo o mundo são examinadas por um júri internacional e inter-religioso que atribui os quatro prémios principais: "No espírito da fé", melhor longa-metragem, melhor documentário e melhor curta-metragem. Em 2013 estarão presentes mais de 50 películas.

Ao concentrar-se em produções escassamente representadas nos grandes circuitos cinematográficos, o festival tem contribuído para a descoberta de cinematografias e cineastas que permanecem na sombra por motivos de censura, mercado ou distribuição, ao mesmo tempo que projeta novas luzes sobre filmes como "A Paixão de Cristo", de Mel Gibson, "Dúvida", de John Patrick Shanley, ou "O Grande Silêncio", de Philip Gröning.

Maria Teresa Pontara Pederiva, in Vatican Insider
em português in SNPC

ver mais em Religion Today

segunda-feira, 11 de junho de 2012

O sexo para procriar: breve sumário da condenação da homossexualidade

Desde quando é que o sexo só serve para procriar?

O judaísmo já pregava que as relações sexuais tinham como único fim a máxima exigida por Deus: “Crescei e multiplicai-vos”. Até o início do século IV, essa ideia, porém, ficou restrita à comunidade judaica e aos poucos cristãos que existiam. Nessa época, o imperador romano Constantino converteu-se à fé cristã – e, na seqüência, o cristianismo tornou-se obrigatório no maior império do mundo. Como o sexo passou a ser encarado apenas como forma de gerar filhos, a homossexualidade virou algo antinatural. Data de 390, do reinado de Teodósio, o Grande, o primeiro registro de um castigo corporal aplicado em gays.


O primeiro texto de lei proibindo sem reservas a homossexualidade foi promulgado mais tarde, em 533, pelo imperador cristão Justiniano. Ele vinculou todas as relações homossexuais ao adultério – para o qual se previa a pena de morte. Mais tarde, em 538 e 544, outras leis obrigavam os homossexuais a arrepender-se de seus pecados e fazer penitência. O nascimento e a expansão do Islamismo, a partir do século VII, juntamente com a força cristã, reforçaram a teoria do sexo para procriação.

No entanto, durante muito tempo - até meados do século 14 - embora a fé condenasse os prazeres da carne, na prática os costumes permaneciam os mesmos. A Igreja viu-se, a partir daí, diante de uma série de crises. Os católicos assistiram horrorizados à conversão ao protestantismo de diversas pessoas após a Reforma de Lutero. E, com o humanismo renascentista, os valores clássicos – e, assim, o gosto dos antigos pela forma masculina – voltaram à tona. Pintores, escritores, dramaturgos e poetas celebravam o amor entre homens. Além disso, entre a nobreza, que costumava ditar moda, a homossexualidade sempre correu solta. E, o mais importante, sem censura alguma – ficaram notórios os casos homossexuais de monarcas como o inglês Ricardo Coração de Leão (1157-1199).

No curto intervalo entre 1347 e 1351, a peste negra assolou a Europa e matou 25 milhões de pessoas. Como ninguém sabia a causa da doença, a especulação ultrapassava os limites da saúde pública e alcançava os costumes. O “pecado” em que viviam os homens passou a ser apontado como a causa dela e de diversas outras catástrofes, como fomes e guerras. Judeus, hereges e sodomitas tornaram-se a causa dos males da sociedade. Não havia outra solução a não ser a erradicação desses grupos. Medidas enérgicas foram tomadas. Em Florença, por exemplo, a sodomia foi proibida em 1432, com a criação dos Ufficiali di Notte (agentes da noite). O resultado? Setenta anos de perseguição aos homens que mantinham relações com outros. Entre 1432 e 1502, mais de 17 mil foram incriminados e 3 mil condenados por sodomia, numa população de 40 mil habitantes.

Leis duras foram estabelecidas noutros países europeus. Em Inglaterra, o século XIX começou com o enforcamento de vários cidadãos acusados de sodomia. E, entre 1800 e 1834, 80 homens foram mortos. Apenas em 1861 o país aboliu a pena de morte para os atos de sodomia, substituindo-a por uma pena de dez anos de trabalhos forçados.
 
in gays católicos com fé

terça-feira, 5 de abril de 2011

Deus sabe dançar

Creio num Deus que dança

Nietzsche deixou escrito, sublinhando bem a negativa, que não acreditaria num Deus que não dance. Muitas vezes, mesmo se colocado noutro ponto de vista, me apetece ajuntar: eu também. De facto, aquilo que parece ser apenas um severo emblema para a suspeita da não-existência de Deus, pode, ao contrário, tornar-se em proclamação crente da sua presença no tempo.

Acredito num Deus que dança: isto é, num Deus que não se isenta do devir, nem permanece neutral em relação às nossas histórias. Acredito num Deus imiscuído, engajado, detetável até pelo impreciso radar dos sentidos, suscetível de ser invocado pelos motores de busca das nossas persistentes interrogações ou do nosso silêncio. Deus não está unicamente para lá da fronteira do pensável e do dizível: está também aquém; nós vivemos no espanto interminável da sua presença; e as nossas palavras, por pobres que sejam, constituem pontes de corda lançadas sobre a amplidão do seu mistério.

Como me revejo nessa página terrível e extraordinária que Elie Wiesel escreveu, no romance “A noite” (e, de facto, quantas noites a nossa Fé é chamada, todas as horas, a atravessar?). Atrevo-me a reproduzi-la aqui:

«Os S.S. pareciam mais preocupados, mais inquietos do que o costume. Enforcar uma criança diante de milhares de espectadores não era coisa qualquer. O chefe do campo leu a sentença. Todos os olhos estavam fixos no menino. Ele mantinha-se lívido, quase calmo, mordendo os lábios. A sombra da forca projetava-se sobre ele.
Dessa vez, o lagerkapo negou-se a servir de carrasco. Três S.S. o substituíram.
Os três condenados subiram para as suas cadeiras. Os três pescoços foram introduzidos nos nós corrediços ao mesmo tempo.
- Viva a liberdade! – gritaram os dois adultos.
O pequeno, calado.
- Onde está o bom Deus, onde está Ele? – alguém perguntou atrás de mim.
A um sinal do chefe do campo, as três cadeiras foram derrubadas.
Silêncio absoluto em todo o campo. No horizonte, o sol estava a pôr-se.
- Descubram a cabeça! – berrou o chefe do campo. Sua voz era rouca. Quanto a nós, estávamos chorando.
- Cubram a cabeça!
E começou o desfile. Os dois adultos já não viviam. Mas a terceira corda não estava imóvel: tão leve, o menino ainda vivia…Por mais de meia hora ele ficou assim, lutando entre a vida e a morte, agonizando diante dos nossos olhos. E tínhamos de olhá-lo bem de frente. Ainda estava vivo quando passei diante dele. Atrás de mim, ouvi o mesmo homem perguntar:
- E então, onde está Deus?
E senti em mim uma voz que lhe respondia:
- Onde está Ele? Ei-Lo – está aqui, nesta forca».

Crer num Deus que dança implica reconhecê-lo suspenso da corda das vítimas de todos os tempos, pregado ao silêncio do sofrimento injustificável, amordaçado por todas as formas de violência que se abatem sobre o homem. Crer num Deus que dança é crer que na nossa noite, entregues à solidão e aos seus terrores, nós não estamos sós. Como não estamos sós na ronda da nossa esperança. Deus faz da sinfonia inacabada do nosso júbilo a primeira palavra da sua alegria.

José Tolentino Mendonça
In Diário de Notícias (Madeira), publicado em SNPC

sábado, 19 de março de 2011

Diálogo Inter-religioso

Getty images

Alto Comissariado para a Imigração e Diálogo Intercultural propõe formação inter-religiosa
O Alto Comissariado para a Imigração e Diálogo Intercultural (ACIDI), apresentou a 10 de março um módulo de formação de Diálogo Inter-religiosoEm declarações à Renascença, a responsável pela instituição, Rosário Farmhouse, explicou que esta é uma área prioritária para o ACIDI, apesar de Portugal já ser um bom exemplo de convivência entre religiões.

«A realidade do nosso país tem vindo a modificar-se e apesar de sermos um exemplo de sã convivência entre as religiões, temos que nos preparar para saber como lidar e dialogar com pessoas de credos diferentes, ateus ou agnósticos. Este módulo vem no fundo trazer essa oportunidade, de nos desafiar a irmos mais além, não perdendo essa nossa identidade e o que nos orienta, mas estando abertos aos outros e percebendo que há muitas coisas que nos unem e isso só nos traz riqueza e a paz social que todos queremos», sublinhou.

Para Rosário Farmhouse, o diálogo inter-religioso é uma responsabilidade de todos, não só dos líderes das respetivas comunidades ou confissões: «Todos nós, cada um de nós pode ser o agente e pode fazer a diferença. Se conseguir ser aberto ao outro e tiver respeito, tolerância e curiosidade para conhecer o outro, sem dúvida poderá ser um agente de paz, porque o grande fundamento da maior parte das religiões tem a ver com a paz e podemos ser todos construtores de paz».

O módulo foi apresentado em dois momentos. Numa primeira fase, jovens representantes das comunidades islâmica, evangélica, baha’i, ortodoxa e católica assistiram à demonstração de uma sessão de formação. À tarde, Rosário Farmhouse e dois dos colaboradores envolvidos na elaboração do módulo explicaram os propósitos, métodos e objetivos do mesmo, perante uma plateia composta por representantes das diversas comunidades religiosas do país.

Estudo das religiões nas escolas

O presidente da Comunidade Islâmica de Lisboa, Karim Vakil, elogiou o trabalho: «Este encontro foi excelente, foi das poucas coisas boas que tenho visto fazer, e com tanta eficácia como vi hoje. Não há dúvida que o ACIDI está a fazer uma atividade excelente». Vakil sublinhou ainda a proposta do jornalista Joaquim Franco, que moderou a sessão, de que nas escolas haja uma disciplina de introdução às religiões. Algo que já se passa no estrangeiro, explica o representante muçulmano.

«Conheço a experiência inglesa e eles têm uma disciplina que é “Religious Studies”. O manual, que traz a descrição das várias religiões, não é para converter ninguém, é para as pessoas ficarem sensibilizadas para o que é a outra religião. Não é a antiga moral e religião que tínhamos, não é catequese, isso pertence às igrejas ou mesquitas; mas nas escolas devemos sensibilizar as pessoas para outras religiões, para nos conhecermos», afirmou Karim Vakil.

in SNPC

sexta-feira, 11 de março de 2011

O Entrudo na soleira das Cinzas: o Carnaval visto por um cristão

Carnaval e alegria cristã
O Carnaval já não é o que era mas continua a ser um tempo fundamental para escapar dos hábitos do dia-a-dia e congregar a população, superando as suas divisões, considera o ator católico Júlio Martín.

O Entrudo «já não tem aquela expressão tão forte como teve noutras alturas, em que era a única possibilidade ao longo do ano de transgredir, de sair de si e de fazer a festa, sobretudo na rua», referiu em declarações ao programa Ecclesia.

No entender do encenador, o Carnaval «é uma festa que celebra coletivamente um período de certa alegria, em que é possível alguma rutura, saindo da rotina do quotidiano», numa dinâmica «importante e estruturante» para a sociedade.

Para Júlio Martín, a alegria dos cristãos é fundamentada na esperança de que é possível «ir além do sofrimento e da realidade, imaginando e pensando outro mundo e fazendo tudo o que é possível para o construir».

O cristianismo, contudo, não vive só da confiança na vida eterna, já que os testemunhos relativos a Jesus transmitidos pelos evangelhos são «de alguém que estava no meio das pessoas e da festa», recorda o ator. «Acreditamos em algo que nos transcende mas também estamos aqui e agora e também acreditamos na vida antes da morte», sublinha o encenador, acrescentando que à semelhança de «Cristo pregado na cruz», os cristãos devem também estar «pregados» à sua realidade para a «transformar, iluminar e dar-lhe esperança e alegria».

O gosto de Júlio Martín pelo teatro começou a concretizar-se nas festas, especialmente no Carnaval, Natal e também nos dias do Pai e da Mãe, através de representações no grupo de jovens da paróquia de Algés, concelho de Oeiras. «Com estas pequenas celebrações fui descobrindo que contar histórias, transmitir esperança e alegria era algo que me agradava», explicou.

A origem dos festejos de Entrudo é pré-cristã, ligando-se posteriormente à Quaresma, que começa no dia a seguir à terça-feira de Carnaval, palavra que segundo algumas interpretações deriva da expressão latina ‘carne vale!’ (adeus, carne!), prenunciando a entrada num tempo marcado pelos apelos a uma prática mais intensa do jejum, esmola e oração.

Rui Martins
In Agência Ecclesia, publicado por SNPC

sexta-feira, 4 de março de 2011

Religião e Sexo: apontamentos de um bloguista

Um leitor do blogue, ao comentar a mensagem sobre a nudez na arte sugeriu a leitura de uma mensagem publicada no seu blogue.

Publico-a aqui por ter reconhecido o interesse do seu conteúdo e a clareza e honestidade com que o seu autor aborda temas como corpo, sexo, castidade, singularidade, relação, religião, culto do corpo e amor. Vale a pena dar uma espreitadela:

o.insecto: Religião e Sexo, alguns apontamentos...

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Homossexualidade e Orixás

Colóquio: Homossexualidade e Religião

"Analisar a relação entre a religião e a sexualidade, particularmente a homossexualidade, as tensões que lhe são intrínsecas, apresentando os casos das religiões-terreiros afro-brasileiros do Candomblé como lugares onde a homossexualidade e a religião não se encontram em extremos opostos vivenciando-se nas casas de culto dos Orixás, e estudando-o como um case-study".

É já amanhã (sábado, dia 26 de Fevereiro de 2011, às 15h) que o Salão Nobre da Casa do Brasil em Lisboa (R. Luz Soriano, nº 42) vai receber um colóquio sobre a temática da homossexualidade e religião. Entre os temas abordados, vai-se falar de "Género e sexualidade na religião judaico-cristã-islâmica: problemas e potencialidades", "Porque é o cristianismo tão hostil à homossexualidade?", "Adés: a homossexualidade como operadora de mudança no Candomblé".

Mais informações aqui.

domingo, 19 de dezembro de 2010

O diálogo interreligioso: não há Verdade abstracta

Getty images
Religião e diálogo inter-religioso


O livro de Anselmo Borges “Religião e Diálogo Inter-Religiosoé uma obra-prima que honra a coleção Estado da Arte da Imprensa da Universidade de Coimbra, onde foi editado.

É uma síntese rigorosa e acessível sobre as temáticas que nele são discutidas, um livro de bolso para todos os que se preocupam em saber do que falam, quando falam de religião.

(...)
O livro é uma síntese de reflexões sobre o fenómeno religioso que não esconde o contributo de obras de referência de autores como A. Comte-Sponville, A. Torres Queiroga, Hans Küng, Johann Figl, Juan Tamayo, J.Martin Velasco, J.de Sahagún Lucas, mas é também um ensaio original, particularmente, no que se refere à “definição” de religião.

É um trabalho de um padre da Sociedade Missionária Portuguesa que estudou teologia, filosofia, ciências sociais, com muito mundo, muitas leituras e sobretudo muita e sábia reflexão.

Antes de sermos religiosos ou não religiosos somos todos seres humanos confrontados com os desafios da vida, com a relação com os outros, com a nossa contingência radical, com a morte, que nos interroga e provoca, já que como diz um verso de Jorge de Sena “de morte natural nunca ninguém morreu.

Para o homem religioso, como afirma Anselmo Borges “a realidade não se esgota na sua imediatidade empírica; para a sua compreensão adequada, a realidade mesma aparece-lhe como incluindo uma Presença que não se vê em si mesma, mas implicada no que se vê.

Na religião devemos distinguir um pólo objetivo e um pólo subjetivo. Anselmo Borges considera: “Não é ousado afirmar que todo o ser humano é religioso, na medida em que é confrontado com a pergunta pela ultimidade. Só poderíamos falar de não religiosidade no caso de alguém se contentar com a imediatidade empírica, recusando todo e qualquer movimento de transcendimento”. Isto não significa que todos os que se confrontam com a pergunta sobre a ultimidade sejam crentes. Neste sentido pode-se ser simultaneamente religioso e ateu, como é o caso de A. Comte-Sponville.

O Sagrado pode ter também diversas configurações. A mera existência de diversas confissões religiosas testemunha a diversidade de aproximações e experiências religiosas.

Como refere, Anselmo Borges: “É preciso entender que não há verdade abstrata. Por um lado Deus revela-se na história. Por outro, a pessoa religiosa relaciona-se com o Divino pela mediação histórico-concreta de uma tradição religiosa particular: a sua”.

O diálogo inter-religioso é um contributo incontornável para que seja possível a paz no mundo, incluindo os agnósticos e ateus, mas é também uma exigência moral para qualquer homem ou mulher religiosos que pensem que Deus é sempre maior do que a imagem que dEle construímos ou da experiência que dele temos, que não somos nós que possuímos Deus, mas é Deus que nos possui.

Deixo-vos com estas modestas notas, tentando apenas despertar-vos para a leitura deste livro, que tem a ver com toda a nossa vida do dia a dia.

Termino, adotando as palavras de Hans Küng, citadas por Anselmo Borges: “para mim como cristão crente” - só há uma única religião verdadeira: a minha; a atitude ecuménica significa ao mesmo tempo “firmeza e disposição para o diálogo”: “para mim pessoalmente manter-me fiel à causa cristã, mas numa abertura sem limites aos outros.

José Leitão

In http://inclusaoecidadania.blogspot.com/

publicado por © SNPC a 21 de Novembro de 2010
http://www.snpcultura.org/vol_religiao_e_dialogo_inter_religioso.html

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

O diálogo entre as religiões

As religiões e a paz: O diálogo inter-religioso
 A sessão, organizada pelo Centro de Reflexão Cristã, inclui a apresentação do livro “Religião e Diálogo Inter-Religioso», do P. Anselmo Borges.

A iniciativa conta com a presença do autor, bem como do P. Juan Masiá, s.j. (Universidade Sophia, Tóquio) e Miguel Oliveira da Silva (Universidade de Lisboa / Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida). Depois da apresentação realiza-se um debate.

O encontro, com início às 18h30, decorre no dia 16 de Novembro, no Centro Nacional de Cultura (Galeria Fernando Pessoa, Largo do Picadeiro, 10 , 1.º, Lisboa).
 
Entrada livre

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Imprensa católica na Primeira república

Começa este sábado dia 23 de Outubro, no Centro Cultural de Vila das Aves a terceira edição do seminário “Cidadania, Religião e Comunidade”.
A iniciativa é organizada pelo Município de Santo Tirso, Universidade do Minho e Centro de Estudos de História Religiosa (Universidade Católica Portuguesa).

Investigadores analisam imprensa católica dos primeiros 60 anos da República


A primeira sessão, dedicada ao tema “Imprensa e espaço público no século XX em Portugal", vai refletir sobre “A Imprensa Católica e a Primeira República” (Paulo Bruno Alves), “O Poder da Imagem na ‘Illustração Catholica’” (Catarina Miranda), “Imprensa, fonte e expressão do catolicismo (anos 60)” (Sandra Duarte) e "O jornal ‘Encontro’ (1956-1968)" (David Soares).

Das cinco sessões seguintes, só a de 26 de fevereiro é dedicada explicitamente ao religioso: “Dinâmicas urbanas e sociabilidades religiosas contemporâneas”, apresentada por Paulo Fontes e Sérgio Pinto.

Os encontros, que decorrem entre as 10h00 e as 13h00, são abertos a todos os interessados.

Para saber mais (programa integral do seminário, acesso ao local):
http://www.ucp.pt/site/custom/template/ucptplfac.asp?SSPAGEID=4824&lang=1&artigoID=8096

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Encontro entre religiões através da meditação

XIX ENCONTRO INTER-RELIGIOSO DE MEDITAÇÃO
na Comunidade Bahá’í de Portugal

3ª Feira, 21 de Setembro de 2010, 18H30 (Entrada livre)

A Comunidade Bahá’í de Portugal convida todas as comunidades religiosas, e público em geral.

A recepção será a partir das 18H00 e o Encontro terá início às 18H30 com algumas leituras de textos de cada comunidade presente, seguidos de meditação (25 min.).

Não pode haver dúvida alguma de que os povos do mundo, de qualquer raça ou religião, derivam a sua inspiração de uma só Fonte divina e são os súbditos de um único Deus”.

Av. Ventura Terra, 1 – Lisboa (Junto ao Metro de Telheiras)

sábado, 11 de setembro de 2010

11 de Setembro

Num dia que relembra a sombra do ano 2001, gostaria de partilhar convosco esta música pungente do compositor da Estónia Arvo Pärt: Magnificat.

E gostaria também de comentar as notícias recentes das indignações pela localização de uma mesquita ou de um centro de estudos islâmicos na bairro do Ground Zero em Nova Iorque. Não me parece que a intolerância seja um caminho válido para o que quer que seja. E a ignorância é sempre a porta para a descriminação e para o ódio. Não se pode confundir o terrorismo com o Islão. Não se pode reduzir de forma simplista a religião a uma aparência - mesmo que tenha grande visibilidade - de uma fracção minoritária e extremista.

O Islão também é uma religião da Misericórdia de Deus. O Islão é rico em sábios e místicos que nada têm a ver com um lado bélico, violento e político e fértil em crentes pacíficos com corações transbordantes de bondade e generosidade. Não se pode falar sem se conhecer, baseado em preconceitos e nas ideias manipuladas pela política e pelo medo.

Contudo defendo que a religião e o poder político não devem andar de mãos dadas. Deus não aparece no reverso da moeda de César!

Porque estou aqui

Sinto-me privilegiado por ter encontrado na Igreja um lugar vazio, feito à minha medida. É certo que tê-lo encontrado (ou encontrá-lo renovadamente, pois não é dado adquirido) foi também mérito da minha sede, do meu empenho, de não baixar os braços e achar, passivamente, que não seria possível. Passo a contextualizar: a comunidade onde vou à missa é pequena e acolhedora, e podia bem não o ser. Ao mesmo tempo, sentia um desejo grande de reflexão de vida cristã e encontrei um casal (heterosexual) que tinha a mesma vontade. Começámo-nos a reunir semanalmente numa pequena comunidade de oração e reflexão que, apesar de crítica, nos tem ajudado a sermos Igreja e a nela nos revermos. Paralelamente, face ao contínuo desencanto em relação a algumas posturas e pontos de vista de uma Igreja mais institucional e hierárquica, tive a graça de encontrar um grupo de cristãos homossexuais, que se reuniam com um padre regularmente, sem terem de se esconder ou de ocultar parte de si.

Sei que muitos cristãos homossexuais nunca pensaram sequer na eventualidade de existirem grupos cristãos em que se pudessem apresentar inteiros, quanto mais pensarem poder tomar parte e pôr em comum fé, questões, procuras, afectos e vidas.

Por tudo isto me sinto grato a Deus e me sinto responsável para tentar chegar a quem não teve, até agora, uma experiência tão feliz como a minha.

Este blogue também é teu

São benvindos os comentários, as perguntas, a partilha de reflexões e conhecimento, as ideias.

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Nota: por vezes pode demorar algum tempo a responder ao teu mail: peço-te compreensão e paciência. A resposta chegará.

Os textos e as imagens

Os textos das mensagens deste blogue têm várias fontes. Alguns são resultados de pesquisas em sites, blogues ou páginas de informação na Internet. Outros são artigos de opinião do autor do blogue ou de algum dos seus colaboradores. Há ainda textos que são publicados por terem sido indicados por amigos ou por leitores do blogue. Muitos dos textos que servem de base às mensagens foram traduzidos, tendo por vezes sofrido cortes. Outros textos são adaptados, e a indicação dessa adaptação fará parte do corpo da mensagem. A maioria dos textos não está escrita segundo o novo acordo ortográfico da língua portuguesa, pelo facto do autor do blogue não o conhecer de forma aprofundada.

As imagens que ilustram as mensagens são retiradas da Internet. Quando se conhece a sua autoria, esta é referida. Quando não se conhece não aparece nenhuma referência. Caso detectem alguma fotografia não identificada e conheçam a sua autoria, pedimos que nos informem da mesma.

As imagens são ilustrativas e não são sempre directamente associáveis ao conteúdo da mensagem. É uma escolha pessoal do autor do blogue. Há um critério de estética e de temática ligado ao teor do blogue. Espero, por isso, que nenhum leitor se sinta ofendido com as associações livres entre imagem e conteúdo.

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