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A diversidade na Igreja

"A casa do meu Pai tem muitas moradas", diz-nos Jesus no evangelho.

A unidade na diversidade não é sempre aparente na Igreja enquanto povo de Deus, mas é uma realidade em Deus e uma presença na fé cristã desde a sua origem. A Palavra de Deus não é partidária, elitista e exclusiva. O Reino de Deus é como uma árvore que estende os ramos para dar abrigo a todos os pássaros do céu. Cristo não morreu na cruz para salvar uma mão cheia de cristãos. Até o Deus Uno encerra em si o mistério de uma Trindade.

A Palavra de Deus é inequívoca e só pode levar à desinstalação, à abertura ao outro, e a recebê-lo e amá-lo enquanto irmão ou irmã. Ninguém fica de fora, nem mesmo - se tivessemos - os inimigos.

Muitos cristãos crêem nesta Igreja, nesta casa do Pai, corpo de Cristo, templo do Espírito Santo. Mas como esquecer que muitos se sentem "de fora" por se verem rejeitados, amputados e anulados, e afastam-se por ninguém lhes ter mostrado que há um lugar para cada um, com a totalidade do seu ser?

Um blogue para cristãos homossexuais que não desistiram de ser Igreja

Porquê este blogue?

Este blogue é a partilha de uma vida de fé e é uma porta aberta para quem nela quiser entrar. É um convite para que não desistas: há homossexuais cristãos que não querem recusar nem a sua fé nem a sua sexualidade. É uma confirmação, por experiência vivida, que há um lugar para ti na Igreja. Aceita o desafio de o encontrares!

Este blogue também é teu, e de quem conheças que possa viver na carne sentimentos contraditórios de questões ligadas à fé e à orientação sexual. És benvindo se, mesmo não sendo o teu caso, conheces alguém que viva esta situação ou és um cristão que deseja uma Igreja mais acolhedora onde caiba a reflexão sobre esta e outras realidades.

Partilha, pergunta, propõe: este blogue existe para dar voz a quem normalmente está invisível ou mudo na Igreja, para quem se sente só, diferente e excluído. Este blogue não pretende mudar as mentalidades e as tradições com grande aparato, mas já não seria pouco se pudesse revelar um pouco do insondável Amor de Deus ou se ajudasse alguém a reconciliar-se consigo em Deus.
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sábado, 24 de março de 2018

A fé traz-nos vida nova

Vivemos num exílio

(...)
A História do Povo de Deus é, muitas vezes, uma história em que ele é escravo, em que ele está no exílio, em que perdeu a sua independência, em que a sua unidade, o seu território eclipsou-se, passou para as mãos de outro. E isso é uma imagem daquilo que acontece realmente na nossa vida. Porque, tantas vezes a chave da nossa casa, a chave do nosso coração, o elmo da nossa liberdade nós entregamos na mão de outro. E não temos essa capacidade. E olhamos para nós: custa-nos reconhecer mas somos fracos, não somos donos de nós mesmos, não fazemos aquilo que sentimos que devemos fazer. Acabamos por viver na espuma daquilo que é mais fácil.

Hoje, esta leitura do livro de Crónicas conta a ida do Povo de Israel para Babilónia. É um retrato chapado daquilo que nos acontece. Nós vivemos em Babilónia, grande parte da nossa vida estamos na Babilónia, não estamos na Terra Prometida, estamos submetidos a poderes que nós não tivemos a força de enfrentar, que nós não tivemos a coragem de dizer “não”. Dizemos um “nim”, tornamo-nos pragmáticos, achamos que conseguimos mas depois não conseguimos.

Por isso, é importante que cada um de nós entre dentro de si e faça um efetivo diagnóstico da sua situação. Porque, não são só os outros que estão no exílio, possivelmente eu também estou no exílio.

Aquilo que Sophia de Mello Breyner diz num poema: “Numa disciplina constante procuro a lei da liberdade medindo o equilíbrio dos meus passos, mas as coisas têm máscaras e véus com que me prendem e se eu um momento detida me esqueço, a força perversa das coisas ata-me os braços e atira-me, prisioneira de ninguém mas só de laços, para o vazio horror das voltas do caminho.” E é verdade, nós andamos assim. Somos prisioneiros de laços que não vemos, não vivemos na nossa terra, vivemos num exílio, numa pátria dividida. Como voltar? A questão da Quaresma, a questão da Páscoa é esta: como voltar a experimentar a liberdade? É possível sendo velho nascer de novo? É possível com todas estas escravidões, esta miséria, sentir um elan de um renascimento, de um rejuvenescimento interior? É possível que a primavera não seja só das tílias da minha rua mas seja também do meu coração, do meu interior? É possível isso?

Hoje a Carta aos Efésios e o próprio Evangelho de João centram-nos na fé, e dizem-nos isto: “Povo de Deus, acredita. Povo de Deus, tem fé.” Que é como dizer: “Maria, José, Manuel, João, Tolentino, Madalena, Duarte tem fé, acredita. Porque a fé é que te dá a capacidade de renascer, de recomeçar.” E este é o tempo para isso, o tempo para descobrir a força que é a fé na minha vida. Porque, não são as obras que nos salvam ou não é a nossa vontade que é tão débil, mas é a fé. Isto é, o acontecimento de Jesus Cristo na vida de cada um de nós determina um ser novo, qualquer que seja o estádio em que a nossa vida esteja. É possível. É possível porque a fé traz-nos ressurreição, a fé traz-nos vida nova. Por isso, temos de fixar os nossos olhos em Jesus. O tempo da Quaresma é um tempo cristológico, que nos enfoca na pessoa de Jesus e neste olhar de amor, de misericórdia que Ele dedica a cada um de nós. Deus está pronto a ir-nos arrancar ao exílio. Deus está pronto a ir-nos buscar ao exílio, Deus está pronto a ir buscar-nos, a arrancar-nos ao sepulcro, Deus está pronto a ir buscar-nos ao silêncio dos infernos, onde tantas vezes nós esgotamos a nossa vida. Deus está pronto a ir arrancar-nos.

E a Páscoa é isto. Um povo pascal o que é? É um povo acordado, é um povo desperto, é um povo que não se conforma a viver no exílio, é um povo que não se conforma à escravidão mas que tem ânsia de liberdade. E é assim: todos nós sabemos o que é isto. Em cada um de nós isto se traduz de uma determinada maneira. Mas agarremos esta oportunidade. A Quaresma é uma oportunidade, é a grande oportunidade para fixar os nossos olhos em Cristo e sentir que a cruz é a alavanca de uma mudança, de uma conversão, de um renascimento, de uma transformação espiritual que pode verdadeiramente acontecer em nós.

Rezemos uns pelos outros, para não ficarmos parados, para não acharmos que já não é para nós, para não acharmos que burro velho já não se converte. Mas pelo contrário, acreditarmos que é possível, para lá dos imbróglios, da frieza, dos muros que nos separam e atravancam a nossa vida e verdadeiramente não nos deixam ser, não nos deixam viver com autenticidade. Para lá disso há uma possibilidade que Deus inaugura para nós – é possível, é possível, é possível! Um homem velho pode nascer de novo? Pode. Digamos isto no fundo do nosso coração e esta certeza nos ajude a dar os pequenos passos da confiança, da procura, da misericórdia, de um caminho de libertação interior. Porque, só assim, naquele domingo em que nós vamos a correr ao sepulcro, nós encontramos um sepulcro vazio. E o sepulcro que é preciso esvaziar é o nosso, é o da nossa própria vida.

Pe. José Tolentino Mendonça, Domingo IV da Quaresma
Ver na íntegra em Capela do Rato

domingo, 18 de março de 2018

Autonomia e Solidão

Criados pelo amor dos outros

"Penso que é consensual elogiar a nossa autonomia, a autonomia pessoal – cada um de nós se sentir com capacidade de levar a sua vida por diante e fazer responsavelmente as suas escolhas, viver segundo o seu jeito, a seu modo, a sua arte, a sua vocação. Cada um poder desenvolver as suas competências dessa forma autónoma é alguma coisa muito boa nas nossas vidas – sentirmos que a responsabilidade da nossa vida é nossa e que nós temos de responder, e que ninguém vai viver por nós as várias etapas da nossa vida. Somos nós, muitas vezes na nossa irredutível solidão, no nosso silêncio, que temos de dar o passo em frente. E construímos a nossa vida para assumir a responsabilidade que a existência significa.

Viver significa agarrar nas próprias mãos a vida e levá-la por diante. O grande perigo é nós acharmos que somos completamente autónomos, que dependemos apenas de nós, que vivemos em função de nós e que a nossa missão e a nossa vocação fundamental se esgotam no cuidado de nós próprios e na afirmação pessoal nas diversas áreas que compõe a nossa humanidade. Porque, se pensarmos bem, a nossa vida em todos os seus momentos fundamentais foi um dom, foi um dom. Foi objeto de uma conspiração amorosa para que nós pudéssemos ser, para que nós pudéssemos viver.

Ainda esta semana tive a alegria de ser mais uma vez tio-avô. E, a preparação do nascimento da criança que nasceu, o envolvimento de toda a gente, o correr, o andar de um sítio para o outro, fez-me recordar aquilo que está na origem da vida de todos nós e que às vezes nós temos uma dificuldade enorme em trazer à nossa memória: talvez na etapa fundamental da nossa vida, que é a nossa entrada na vida, nós não fomos os protagonistas. Erámos o alvo de toda a atenção, de todo o cuidado, tantas mãos se juntaram, tantas vidas se juntaram para que aquele momento pudesse ser um momento feliz, um momento de chegada tranquila. Mas, naquele momento, nós fomos completamente criados pelo amor dos outros, pela ternura dos outros, pelo profissionalismo dos outros que geraram a nossa vida.

Então, há esta memória fundamental em todos nós que é: Como é que tu nasceste? Como é que tu chegaste? Como é que tu começaste? Mas não só não foi apenas há 80 anos, há 50 anos que aconteceu isto, se olharmos bem está sempre a acontecer.

Por isso, na leitura do profeta Ezequiel, o pastor que representa Deus diz: “Eu cuido diretamente das minhas ovelhas, eu vou cuidar delas, pego-as ao colo, trato da ferida da que anda doente, robusteço e encorajo aquela que está forte. Sou Eu.” Há uma rede de cuidados da qual muitas vezes nós não tomamos consciência, porque olhamos para a vida de uma forma automática. Por um lado, como se tivéssemos direito a tudo, como se o nosso dinheiro comprasse todos os serviços e todo o amor que nos rodeia. Muitas vezes achamos que o pão sai do nosso saco em casa, que as coisas que enchem o nosso frigorífico saem diretamente do nosso frigorífico, que as pequenas e grandes coisas do nosso quotidiano não têm por trás uma rede de cuidadores da nossa própria vida. E não apenas em relação à vida presente, ao aqui e ao agora. Na Carta de S. Paulo aos Coríntios, neste magnífico capítulo 15, S. Paulo diz: “Assim como por um homem começou a existência no mundo, a nova vida, a nova criação também começa por Jesus Cristo.” E Ele vem para dar uma nova criação, para ressuscitar-nos e para garantir que Deus seja tudo em todos. Então, na nossa origem e na nossa escatologia, no nosso meio, nós somos objeto desse cuidado permanente. Por isso, penso que há uma gratidão à vida, há uma gratidão aos outros, um reconhecimento de que, de facto, somos objeto de um amor que muitas vezes nós não temos olhos para o ver, para o saudar, para dizer obrigado, obrigado, obrigado. Por todos os dias, por tudo aquilo que recebemos incessantemente, incessantemente. Se é verdade que às vezes nos lamentamos e nos queixamos: falta isto, falta aquilo, poderia ser de outra maneira, isto foi feito desajeitadamente, não era o que eu merecia. Mesmo assim, o bem supera em larga medida o lado desajeitado ou o lado mais cru da própria existência. Por isso, nós precisamos de aprender a gratidão e de dizer mais vezes obrigado, tomando consciência da rede que nos sustenta, que é uma rede que não é apenas económica. Achar que é a dimensão económica, é o nosso porta-moedas, que resolve o cuidado da nossa vida é tão pouco, é tão pouco. Porque essa é apenas uma parte, é apenas uma mediação, é apenas uma condivisão do dom. Porque, o cuidado mais importante é impagável, o cuidado mais verdadeiro, aquele que nos embala, aquele que nos dá colo não tem preço, não tem medida. E precisamos agradecer, precisamos agradecer e tomar consciência de como Deus cuida de nós, como somos cuidados, como a nossa vida é estimável – é inestimável a nossa vida. E nós somos embalados diariamente nesse amor. Não vivamos como se tivéssemos direito a tudo, como se tudo nos fosse devido, mas expressemos mais vezes o nosso reconhecimento tomando consciência de que, por um lado, nós somos os protagonistas da nossa vida, mas há tantos coprotagonistas sem os quais a nossa vida não seria possível que verdadeiramente o nosso coração se tem de encher de reconhecimento.

A consciência de que somos cuidados tem de nos tornar cuidadores da vida uns dos outros, se não a vida é uma oportunidade perdida. Se não nos tornamos cuidadores perdemos a vida, perdemos a vida. É isso que Jesus nos diz neste capítulo do Evangelho de S. Mateus, onde Ele diz, quase de uma forma crua, como se fosse um juízo universal, o juízo final. Porque tem de haver um momento em que nós percebemos: ou acertei ou falhei. Não vamos andar sempre a enganarmo-nos, não vamos andar sempre numa bolha de ilusão. Há um momento, e na vida de todos nós esses momentos acontecem, em que se despertam sorrisos ou se acordam lágrimas em que nós percebemos: eu perdi a minha vida ou valeu a pena ter vivido, valeu a pena ter estado ali, valeu a pena ser quem era, valeu a pena o caminho que eu fiz porque pude ser, pude servir, pude cuidar. E é, de facto, a dimensão do cuidado que é para Jesus o ponto que nos deve servir para perceber se a nossa vida valeu, ou se a nossa vida em algum momento ficou para trás, em algum momento se perdeu. Jesus é muito concreto, Ele diz: “Vinde, benditos de Meu Pai, recebei em herança o Reino. Porque tive fome e destes-Me de comer, tive sede e destes-Me de beber, era peregrino e Me recolhestes, era peregrino e Me vestistes, estive doente e viestes visitar-Me, estava na prisão e fostes ver-Me.”

Podemos dizer: isto é para interpretar simbolicamente. E é também simbolicamente porque muitas pessoas nos dão de comer. Para mim, às vezes um texto, uma palavra, é como um pão. É tão saborosa ou mais saborosa do que o pão que como. E aquilo que nos dá de beber, e aquilo que nos veste é uma rede também simbólica, é. Mas também, é literal, é literal e nós não podemos esquecer isso. Quer dizer, nós cuidamos uns dos outros de forma simbólica, damo-nos uns aos outros e essa dádiva é muito importante. Mas a literalidade destas palavras que Jesus repete às ovelhas e aos cabritos devem entrar-nos verdadeiramente no coração.

Porque, às vezes, andamos perdidos com muitas coisas, muitas coisas importantes, muitas coisas urgentes, muita coisa que nos enche, muita coisa que nos envaidece. E depois? O essencial da vida, a luta pela sobrevivência, os momentos de crise, os momentos decisivos da vida dos outros nós falhamos, nós falhamos. Porque não damos de comer, não damos de beber, não vestimos, não visitamos, não acompanhamos o dilema, os momentos dilemáticos crucificantes da vida dos outros. E, se não estamos lá, é a nossa vida que perdeu a sua função. Nós não nos tornamos conspiradores para que o grande milagre da vida possa acontecer, deixamo-nos como um pão que fica no saco e fica duro de um dia para o outro, até ter de ser deitado fora porque já não tem utilidade. Não deitemos a nossa vida fora. No último domingo do ano, Jesus vem dizer-nos isto: não deitemos a nossa vida fora, tornemo-nos artesãos deste cuidado fundamental, desta assistência à vida, tornemo-nos parteiros da vida todos os dias fazendo a vida acontecer, trazendo a vida cá para fora, alimentando a ovelhinha fraca, encorajando aquela que caminha, reparando, restaurando, recosendo, alimentando, vestindo.

Sabem, às vezes os nossos amigos oferecem-nos imagens que depois nos ficam na cabeça, eu tenho a certeza de que este amigo já se esqueceu daquilo que fez. Mas eu todos os dias tenho pensado nisso. A semana passada, em Roma, num dia depois de jantar, fomos passear ali pela praça de S. Pedro, e estão muitos sem-abrigo a dormir debaixo das colunas. Íamos a conversar, aquelas coisas importantes que os padres e os teólogos conversam, e ele olhou – e depois eu também olhei – para um homem que estava a dormir, estava muito frio, o homem tinha um cobertor mas tinha os pés de fora, os pés assim espetados de fora. E ele deixou-nos e foi e tapou os pés ao homem. E nós ficamos: “Mas o que é que estás a fazer?” E ele chegou ao pé de nós, olhou para o que fez e viu que o outro pé ainda estava por cobrir, e foi outra vez cobrir o pé daquele homem que dormia com os pés destapados.

Aquele gesto eu não me esqueci e penso nele todos os dias. Já não me lembro do que estávamos a conversar, mas lembro-me que ele deixou a conversa para fazer a única coisa que era importante: que era ver quantos pés estavam destapados e tapar os pés daqueles que dormiam na rua. Às vezes pensamos: o que ele teria de fazer era levar o homem para outro sítio. Não, o que temos de fazer é oferecer um copo de água, é dar uma palavra de alento, é limpar uma lágrima, é tapar um pé que está ao frio."

Pe. José Tolentino Mendonça, Domingo XXXIV do Tempo Comum in Capela do Rato

segunda-feira, 12 de março de 2018

Regressar a Deus

Quaresma: Regressar de todo o coração ao coração de Deus

"A Palavra de Deus, no início do caminho quaresmal, dirige à Igreja e a cada um de nós dois convites.

O primeiro é o de S. Paulo: «Deixai-vos reconciliar com Deus». Não é simplesmente um bom conselho paterno, nem sequer uma sugestão; é uma autêntica e própria súplica em nome de Cristo: «Suplicamo-vos em nome de Cristo: deixai-vos reconciliar com Deus».

Porquê um apelo tão solene e fervoroso? Porque Cristo sabe o quanto somos frágeis e pecadores, conhece a fragilidade do nosso coração; vê-lo ferido pelo mal que cometemos e sofremos; sabe quanta necessidade temos de perdão, sabe que nos é necessário sentirmo-nos amados para fazer o bem. Sozinhos não somos capazes: por isso o apóstolo não nos diz para fazermos alguma coisa, mas para nos deixarmos reconciliar por Deus, permitir-lhe perdoar-nos, com confiança, porque «Deus é maior que o nosso coração». Ele vence o pecado e ergue-nos das misérias, se lhas confiarmos. Cabe a nós reconhecermo-nos necessitados de misericórdia: é o primeiro passo do caminho cristão; trata-se de entrar através da porta aberta que é Cristo, onde nos aguarda Ele próprio, o Salvador, e nos oferece uma vida nova e feliz.

Pode haver alguns obstáculos, que fecham a porta do coração. Há a tentação de blindar as portas, ou seja, de conviver com o próprio pecado, minimizando-o, justificando-se sempre, pensando que não se é pior do que os outros; desta maneira, porém, trancam-se as fechaduras da alma e permanece-se encerrado por dentro, prisioneiro do mal.

Um outro obstáculo é a vergonha de abrir a porta secreta do coração. A vergonha, na realidade, é um bom sintoma, porque indica que queremos distanciar-nos do mal; todavia nunca deve transformar-se em temor ou medo.

E há uma terceira insídia, a de nos distanciarmos da porta: acontece quando nos fechamos nas nossas misérias, quando nelas ruminamos continuamente, ligando entre elas as coisas negativas, até nos afundarmos nas profundezas mais negras da alma. Chegamos então até a sermos familiares da tristeza que não desejamos, desencorajamo-nos e ficamos mais frágeis diante das tentações. Isto acontece porque permanecemos sós com nós próprios, fechando-nos e fugindo da luz, enquanto apenas a graça do Senhor nos liberta. Deixemo-nos então reconciliar, escutemos Jesus que diz a quem está cansado e oprimido: «Vem até mim». Não permanecer em si próprio, mas ir até Ele. Nele há alívio e paz.

(...)
Há um segundo convite de Deus, que diz, por meio do profeta Joel: «Regressai a mim de todo o coração». Se é preciso regressar é porque nos afastámos. É o mistério do pecado: afastámo-nos de Deus, dos outros, de nós próprios. Não é difícil darmo-nos conta: todos vemos como nos custa ter verdadeiramente confiança em Deus, confiarmo-nos a Ele como Pai, sem medo; como é árduo amar os outros, em vez de pensar mal deles; como nos custa fazer o nosso verdadeiro bem, enquanto somos atraídos e seduzidos por tantas realidades materiais, que se desvanecem e no fim nos deixam pobres. Junto a esta história de pecado, Jesus inaugurou uma história de salvação. O Evangelho que abre a Quaresma [Mateus 6, 1-6. 16-18] convida-nos a sermos seus protagonistas, abraçando três remédios, três tratamentos que curam o pecado.

Em primeiro lugar, a oração, expressão de abertura e de confiança no Senhor: é o encontro pessoal com Ele, que encurta as distâncias criadas pelo pecado. Orar significa dizer: «Não sou autossuficiente, preciso de ti, Tu és a minha vida e a minha salvação».

Em segundo lugar, a caridade, para ultrapassar a estranheza em relação aos outros. Com efeito, o amor verdadeiro não é um ato exterior, não é dar alguma coisa de forma paternalista para sossegar a consciência, mas aceitar quem precisa do nosso tempo, da nossa amizade, da nossa ajuda. É viver o serviço, vencendo a tentação de se satisfazer.

Em terceiro lugar, o jejum, a penitência, para nos libertarmos das dependências em relação àquilo que passa e exercitarmo-nos para sermos mais sensíveis e misericordiosos. É um convite à simplicidade e à partilha: tirar alguma coisa da nossa mesa e dos nossos bens para reencontrar o bem verdadeiro da liberdade.

«Regressai a mim – diz o Senhor -, regressai de todo o coração»: não só com algum ato externo, mas da profundidade de nós próprios. De facto, Jesus chama-nos a viver a oração, a caridade e a penitência com coerência e autenticidade, vencendo a hipocrisia. A Quaresma seja um tempo de benéfica “poda” da falsidade, da mundanidade, da indiferença: para não se pensar que tudo vai bem se eu estou bem; para compreender que o que conta não é a aprovação, a procura do sucesso ou do consenso, mas a limpeza do coração e da vida; para reencontrar identidade cristã, isto é, o amor que serve, não o egoísmo que se serve.

Coloquemo-nos juntos a caminho, como Igreja (...) e tendo fixo o olhar no Crucificado. Ele, amando-nos, convida-nos a deixarmo-nos reconciliar com Deus e a regressar a Ele, para nos encontrarmos a nós próprios."

Papa Francisco, Missa de Quarta-feira de Cinzas de 2016
Tradução de Rui Jorge Martins para SNPC

domingo, 11 de março de 2018

Oportunidade e prática: a Quaresma

O tempo da Quaresma é um tempo prático

"Começamos hoje o tempo da Quaresma. São 40 dias que representam uma oportunidade especial, de preparação para a grande celebração, para o grande acontecimento da Páscoa de Jesus, nas nossas vidas. São 40 dias que recordam os 40 anos que o povo de Deus fez na travessia do deserto até entrar na Terra Prometida, e representam também esses 40 dias em que o próprio Jesus se preparou no deserto para a Sua vida pública. Isso quer dizer: os grandes encontros de Deus na nossa vida são encontros preparados. É claro: tantas vezes encontramos Deus de surpresa, e isso é muito bom. Mas encontramos Deus, também, por um ato de preparação, por uma abertura sincera de coração, por uma conversão interior, que nos aproxima de Deus, que nos abre à Sua presença e nos faz viver de uma forma mais sincera, mais objetiva, o “sim” que, como discípulos do Senhor, nós dizemos a Jesus.

Há uma frase de Kafka, que nos impressiona muito e descreve, em grande medida, o que é a nossa cultura contemporânea, o que é a nossa experiência, de mulheres e de homens, que atravessam este tempo: “Existe a meta, mas não há um caminho.” Existe a meta. Nós somos cristãos, batizados há sete ou há setenta anos, sabemos que há uma meta, olhamos para Jesus, ouvimos a Sua Palavra dominicalmente ou diariamente, alimentamo-nos dela e sabemos que sim, há uma meta, um ideal, sabemos aquilo a que somos chamados. E, contudo, como Kafka, também dizemos: “Mas não vemos um caminho. Não há um caminho.” E o que acontece quando há uma meta mas não há um caminho? Acontece um divórcio muito grande, entre o ideal e o real, entre a teoria e a prática, entre o que sabemos ser a vontade de Deus e, depois, a forma quotidiana, concreta, como vivemos ou deixamos de viver segundo essa vontade de Deus.

O tempo da Quaresma é um tempo prático, não é um tempo teórico. A Igreja, nestes 40 dias, entra para retiro, entra para exercícios, entra para manobras, para reconstrução, entra para conversão. E é assim que nos devemos sentir nestes 40 dias. Há uma expressão, um entendimento da vida que hoje está um bocado fora de moda, mas que ouvíamos em parte atravessando as leituras da Palavra de Deus, que hoje lemos, e que é o combate espiritual. Isto é: não há cristão sem combate espiritual. A fé é um dom, claro, mas também é um trabalho, uma fadiga, um compromisso, também é uma conquista, também é uma luta. E a divisão entre o bem e o mal, entre Deus e a sombra, não acontece apenas no mundo, acontece antes de tudo dentro de nós. Por isso mesmo, um cristão vive em luta, vive num desassossego, vive numa inquietação, porque sabe que é dentro de si que a verdade do reino começa por se construir. Não é fora de nós, é dentro de nós. Nesse sentido, toda a Palavra de Jesus é muito clara. Ele dizia tantas vezes: “Não é o que entra de fora do homem que o atinge, mas é do interior do homem que sai todo o mal.” Há no nosso interior tantas contradições, tantos paradoxos, tanta indecisão, tanta sombra que nós temos de olhar. Nós cristãos não temos nenhuma superioridade moral em relação aos outros homens e mulheres, nós somos pecadores. Nós estamos aqui porque somos pecadores chamados à santidade, tocados, feridos pela santidade de Deus, iluminados pela santidade de Deus, mas na vulnerabilidade, na fragilidade das nossas histórias.

Aquilo que diz S. Paulo, na Carta aos Romanos, é tantas vezes o que sentimos: “Quem me livrará deste corpo de morte? Que não faço o bem que quero, mas faço o mal que odeio.” Tantas vezes a nossa vida é assim, não fazemos o bem, que sabemos que é bem, mas fazemos o mal, as coisas mesquinhas, vivemos uma vida banal, recebemos tesouros que não pomos a render, adiamos, continuamente, a nossa vida para depois, achamos que é para o outro, que não é para nós. E este tempo da Quaresma é um tempo que pede de nós um cristianismo sério, uma adesão profunda de coração. Exige de nós este combate, esta luta, porque a conversão não é apenas uma palavra bonita, a conversão é um osso duro de roer. A conversão é uma fadiga, é um trabalho que precisamos de abraçar, sabendo que não há outra maneira de expormos a nossa vida no caminho pascal.

A Igreja, neste tempo santo da Quaresma, pede-nos três caminhos ascéticos, três caminhos de subida.
O primeiro deles é a oração. Um cristão, uma cristã, são mulheres e homens de oração, e nós precisamos de redescobrir a oração na nossa vida. A coisa mais urgente que cada um de nós tem para descobrir é o lugar da oração, o sentido da oração, a experiência de oração nas nossas vidas. Na mensagem do Santo Padre para esta Quaresma, o Papa Francisco diz: “Cristãos, deixem-se servir por Cristo, deixem-se tocar por Cristo.” A oração é isso: expor a minha vida a Cristo, dar tempo a Cristo, dar lugar a Cristo. Oração é estabelecer uma relação, não é apenas tratar Deus como uma ideia, como alguém distante, como um princípio filosófico, que nós até aceitamos. Não, na oração nós tratamos a Deus por “tu” ou por “vós”, mas tratamos a Deus numa segunda pessoa. Porquê? Porque Ele é um interlocutor da nossa vida, mantemos com Ele um diálogo vivo e esse diálogo anima-nos. Nós expomos a nossa vida, rezamo-nos, não apenas rezamos, nós rezamo-nos e Deus acolhe-nos, Deus ouve-nos. Há quanto tempo não falamos com Deus? – é a pergunta. Há quanto tempo não O ouvimos? Há quanto tempo não lhe damos um espaço real, um espaço concreto nas nossas vidas? Este tempo da Quaresma é um desafio muito grande à nossa oração pessoal, à nossa oração familiar, à nossa oração comunitária. Precisamos redescobrir a oração nas nossas vidas, porque às vezes a nossa vida é seca, seca. Cheia de tantas coisas, mas, no fundo, vazia, deste fio condutor que a oração representa nas nossas vidas. Por isso, que a Quaresma seja para nós, um grande laboratório de oração, e que no dia a dia nós privilegiemos também um tempo de oração.

“- Ah, mas eu gostava de rezar melhor.”
“- Começa por rezar, começa por rezar.”
“- O que é a bela oração?”
“- Não. Reza muito, reza muito. Porque no meio das coisas que a gente diz ou não diz, Deus é que escolhe, Deus é que escolhe a parte.”

Lembro-me sempre de um diálogo com um jovem – penso que já o contei aqui. Ele tinha descoberto, tinha-se convertido, tinha exposto o seu coração a Deus. E dizia: “Padre Tolentino, tenho rezado como um porco.” E, para mim, é das mais belas definições de oração, nunca ninguém me disse uma coisa tão bela sobre a oração. Porque o porco não escolhe, reza tudo, come tudo, devora tudo. Se a gente escolhe “vou rezar isto, ou vou rezar aquilo”, verdadeiramente não reza. Nós temos de rezar tudo, o importante e o banal, o próximo e o distante, o que é meu e o que é dos outros, o que está perto e o que está longe, temos de rezar tudo. Isto é: A capacidade de fazer de tudo oração, isso é que nos torna uns verdadeiros orantes. Há um poeta contemporâneo, Armando de Silva de Carvalho, que tem um livro chamado: O Cão de Deus. A oração dele é um ganir. Pode acontecer que a nossa oração não seja bem oração. A gente não tem palavras, só tem dores, só tem coisas que queria dizer e não consegue. Então, é a oração do cão, é a oração do ganir. Mas seja, é essa. Que o tempo de Quaresma seja, de facto, um tempo de exposição da nossa vida a Deus.

A outra via é o jejum. E o jejum é um meio muito importante no meio espiritual, que também é usado por outras tradições religiosas. Mas, no fundo, o jejum é a renúncia de uma coisa a que eu tenho direito e que eu posso. Mas renuncio a isso para relativizar o meu próprio eu. Nós temos um sentido crítico apurado em relação a tudo e a todos, exceto a nós próprios. Sem darmos conta, podemos até ser muito adultos, mas vivemos como miúdos caprichosos e mimados e, pior, conseguimos ter tudo o que queremos ou desejamos ou nos dá na gana. E, de repente, somos pequenos tiranos. O nosso eu é tirânico, tirânico em relação aos outros, tirânico em relação aos que vivem mais perto de nós, aos que vivem longe. Só nós existimos, só nós contamos, só nós sabemos, só nós podemos, só nós temos o direito. O jejum é o exercício de morrer para si próprio, dizer: “É meu” mas abdicar, isto de uma forma concreta na alimentação, sermos capazes de transformar a nossa dieta alimentar tornando-a muito mais sóbria do que é. Viver estes 40 dias com sobriedade, sobriedade. Claro que temos direito a isto e aquilo, mas dizemos que não. E, nas sextas-feiras desta Quaresma, nós não apenas vamos intensificar a sobriedade, porque é o dia desta prática ascética. É toda a Quaresma, mas as sextas-feiras são um dia especial. Nesse dia não vamos comer carne, não vamos derramar sangue. É um sinal, é um símbolo, mas a verdade é que nós alimentamo-nos dos outros e matar mais isto ou matar mais aquilo, para nós é completamente indiferente. Ora, vamos não derramar sangue, não dizer “a minha vida é mais importante que a tua”. Não. Vamos calar, calar a vida, morrer um pouco para nós próprios. E isso, claro que é um gesto simbólico mas é um gesto com muito significado. Não vamos dizer “eu quero comer carne, não posso pagar uma taxa?” “- Não, não vais pagar taxa nenhuma. Não vais comer carne.”

Fazer esse esforço para nos unir a uma tradição cristã, que tem séculos e séculos é, no fundo, perceber também o que é a carne, o que é o sangue, perceber o que é a vida, perceber que todas as vidas têm valor – mesmo a vida da vaca ou do frango que compramos no supermercado. Essa vida que alimenta a minha vida tem um valor e isso para nós é uma espécie de pedagogia: se eu dou atenção a esta pequena coisa ou vou dar maior valor às vidas daqueles que me rodeiam e não vou ser tão intolerante, não vou ser tão cheio de mim, ocupando o espaço que devo dar aos outros. Mas o jejum não é apenas esta contenção, esta moderação alimentar. O jejum é tudo aquilo que serve para relativizar o meu eu.

Muitas vezes, o jejum que nós precisamos é da língua. A facilidade com que falamos, com que julgamos, com que dizemos, com que matamos os outros com a nossa língua – no fundo, ser um tempo de silêncio, um tempo de contenção, um tempo para não falar, um tempo para não dizer. E como isso pode ser purificador da nossa vida, e como nós precisamos disso! Mas o jejum pode ser também de um pensamento, de um hábito, de um vício, de um costume que tenho, de uma coisa que me dá muito prazer fazer e que não tem mal nenhum, mas, precisamente neste tempo, vou abdicar disso para ser mais livre. O jejum custa, não há jejum que não custe, mas o jejum é uma máquina de criar liberdade. Porque, sem darmos conta, andamos cheios de chocalhos e de amarras, de algemas, disto e daquilo, prisioneiros, dependentes, ancorados, a achar que precisamos de uma lista enorme de coisas para ser feliz ou para estar em nós próprios. E, de repente, o jejum é cortar um bocadinho esses pesos e isso dá-nos uma liberdade muito grande, liberdade para ser, liberdade para viver, liberdade para acreditar.

Tudo isto culmina na terceira via, que a Igreja nos aponta nesta Quaresma, que é a via da esmola. Nós somos chamados, à imagem de Jesus na Eucaristia, a fazer da nossa vida um dom. A nossa vida só se realiza quando se torna dom, quando se torna Eucaristia. Isto é: quando se torna serviço, quando se dá aos outros. Então a esmola, antes de tudo, é um dar-se. Dar-se mais aos outros, dar mais tempo, ir falar a um amigo que não vejo há muito tempo, ir visitar uma pessoa a um lar, um parente a um lar, ir visitar um doente. Gastar do tempo da minha vida para os outros, dar-me, dar-me, repartir-me aos outros. E, depois, também dar das coisas que possuo, repartir o que ganho, ter isso em atenção, dar uma esmola, pensar numa instituição, juntar-me à renúncia diocesana, que a Igreja toda neste tempo faz em vista de uma obra comum. É muito importante que nos privemos de pequenas coisas para podermos ajudar, para podermos perceber o que significa a caridade. A caridade – que Deus tem tanta para connosco e, por vezes, nós temos tão pouca para com o nosso próximo. No fundo, é no dom, é na esmola, que pode ser uma coisa um bocadinho difícil de entender culturalmente, mas a esmola tem um sentido espiritual muito forte. Quer dizer: Não é dar uma coisa do alto do meu porta-moedas ou da minha conta bancária, mas é partilhar daquilo que eu vivo, partilhar do meu trabalho, partilhar do que eu tenho, e ter esse sentido muito profundo da comunhão. Porque os bens escravizam-nos e, se a gente fecha a nossa mão sobre o que julga possuir, somos possuídos por isso. O dinheiro é um brinquedo muito complicado num caminho espiritual, porque é uma barreira dificílima de vencer. E nós, cristãos, temos de ganhar uma liberdade muito grande face aos bens, porque a verdade é que os bens têm de ser simplesmente instrumentais, têm de servir – e isso de uma forma clara.

Queridos irmãs e irmãos, este tempo da Quaresma é, assim, um tempo que nos coloca perante o Deus que vê no segredo. Não podemos viver uma vida só de aparente virtude, de quem olha para nós e diz “sim, senhor, fulana de tal, muito boa pessoa; sim senhor, fulano de tal uma pessoa muito respeitável” – mas, depois, dentro de nós é uma confusão, é um embaraço, um desnorte.

A Quaresma é uma bússola para afinar a nossa vida pela vida de Jesus, por aquilo que recebemos Dele. Vamos pedir ao Senhor que nos dê este espírito de conversão. É importante que cada um de nós faça o seu programa de Quaresma, que defina: “Nesta Quaresma decidi fazer isto, isto e aquilo.” Não tem de ser muitas coisas. Pode ser uma, duas, três, mais não, senão depois ficamos irreconhecíveis e isso também Deus não quer. Mas fazer aquilo que é pequeno, coisas pequenas, porque as coisas grandes depois não as conseguimos fazer. Fazer coisas pequenas e fazer coisas pessoais. Isto é: A Quaresma não é para os outros. Eu não posso decretar: “A partir de agora só se come batatas lá em casa.” E os outros, que não gostam de batatas? Não, é para mim, não é para o outro. É para mim, vou dizer o que é para mim e deixar a liberdade para o outro ser. E serem coisas possíveis, porque às vezes entusiasmamo-nos e queremos coisas impossíveis. Não, há uma arte dos pequenos passos, das pequenas coisas, a arte dos possíveis – e isso é também fundamental numa vida espiritual. Vamos por isso, com este espírito, pedir ao Senhor que desça sobre nós, que seja o Seu Espírito a transformar-nos, a abrir o nosso coração, e a tornar-nos discípulos autênticos do Senhor."

Pe. José Tolentino Mendonça, Quarta-feira de Cinzas de 2015, homilia na Capela do Rato

terça-feira, 21 de maio de 2013

D. Manuel Clemente e o Pentecostes

Fazer a paz, reconciliar sempre

(...) Um cristão, batizado e crismado, tem (...) uma única tarefa e missão: fazer a paz, reconciliar sempre. Oiçamos de novo: “Recebei o Espírito Santo: àqueles a quem perdoardes os pecados ser-lhes-ão perdoados…”. Sim, é verdade, que a reconciliação sacramental é feita pela Igreja através dos ministros ordenados, na sucessão do ministério apostólico. Mas o Espírito de Cristo, que todos recebemos e hoje reforça em vós a Sua presença, (...) conta convosco para a obra de reconciliação universal que, de algum modo, a todos incumbe. (...) Deixai-O trabalhar então, realizando em vós aquela absoluta unidade de inteligência e vontade, sensibilidade e propósito que havia em Cristo, Filho de Deus e homem perfeito. E (...) acontecerá em vós como aconteceu em tantos homens e mulheres que o Espírito fez santos, a mais linda e urgente aventura: gente reconciliada para reconciliar o mundo. Gente de perdão, para retomar as vidas, primavera final dum recomeço sem retorno. (...)
Contrariamente ao que se diga, todos somos insubstituíveis, e o que cada um não fizer, por fazer ficará, nesse modo e ocasião. Deixai-me pedir-vos (...): - Acolhei o que o Espírito vos pedir, no fundo da consciência e na interpelação da Igreja. Tem alguma razão o nosso povo, quando diz que “cada qual é para o que nasce”; mais razão há decerto para que o Espírito requeira de cada um de vós a coincidência da vida com uma vocação específica. Na vida laical ou na vida religiosa, no sacerdócio ou na missão, para cada um de vós o Espírito tem um segredo e um apelo. Escutai-O hoje, que para tal o recebereis de seguida. Aí encontrareis a felicidade, que só reside na vontade de Deus. Aí a encontrarão tantos outros, que esperam o vosso sim. O Espírito em vós, para a salvação do mundo. Nada menos do que isso e precisamente assim. Amen!»

11.5.2008
Responder às difíceis circunstâncias da sociedade

«E este mundo que nos toca, caríssimos irmãos, este mundo que hoje nos toca a todos, precisa tanto de ser recriado pelo Espírito de Deus! Amados irmãos, (...) percebei o que verdadeiramente se oferece neste Pentecostes do Espírito. Em Cristo, Deus reabilita a humanidade, esta mesma que cada um transporta e concretiza, tão magnífica de potencialidades e tão tragicamente desmentida por tantas contradições íntimas e sociais. Em Cristo, a nossa vida é vivida de forma novamente bela e finalmente refeita, segundo o desígnio de Deus.
Só por isso seremos plenamente cristãos. Reconhecemos em Cristo o que profundamente desejamos ser. Desde o batismo, o seu Espírito atesta em nós que tal é possível. E que nem conseguimos imaginar a totalidade cristã a que o Espírito nos levará… (cf. Ef 3, 20). (...) Prosseguirá através de vós a obra de Cristo no mundo, na força recriadora do Espírito divino. Precisamente assim é que a Igreja de Cristo responde atualmente à expectativa de todos, nas difíceis circunstâncias da sociedade que integramos e onde havemos ser “sal” de conservação e sabor, assim como “luz” de esclarecimento e ânimo (cf. Mt 5, 13-16).»
Sé do Porto, 12 de junho de 2011
Beija a tua cruz e ela há-de florir

«(...) O que aconteceu há dois mil anos com Jesus de Nazaré foi bom de mais, verdadeiro de mais, belo de mais, para que pudesse ficar morto e sepultado como naquela trágica sexta-feira…
E realmente não ficou assim. Este “realmente” refere-se à ressurreição de Jesus, hoje aqui connosco, como na alvorada primeira da Páscoa de que vivemos. Quando repetimos convictamente “Ele está no meio de nós!”, sabemos o que dizemos e experimentamos a vitória de Cristo sobre a morte; a dele e a nossa, como sucede e sucederá também. (...) Cinquenta dias depois da Páscoa (passadas 7 semanas de 7 dias, tempo pleno da colheita pascal), o Espírito que movia Jesus - por isso mesmo “Cristo”, ungido pelo Espírito de Deus - desceu sobre os discípulos para que nada se perdesse do que dissera e nada findasse do que fizera e o Evangelho continuasse, como continua agora, porque “nós também damos testemunho”.
Caros crismandos: Recebereis o Espírito para testemunhar a Cristo e ao seu Evangelho. Há tanta gente à vossa volta que espera de vós o testemunho de Cristo, mais ou menos conscientemente o espera. Não desiludais a esperança do mundo, agora porventura mais insistente ainda. Cada um de vós demonstrará que com Cristo é possível, porque a sua ressurreição é o indubitável futuro do mundo. Na escola e no trabalho – ou na recriação deste –, na família e na comunidade cristã, aqui ou onde for, um crismado é sinal vivo da vitória de Cristo, esperança fundada do futuro que será, certamente será.
Caríssimos irmãos, fragilizados por qualquer enfermidade ou circunstância: O Espírito reproduzirá em vós o sentimento e a fortaleza com que Cristo suportou a fragilidade humana, fazendo mesmo dela instrumento e meio da nossa redenção.
Ofereceram-me há dias uma cruz com esta inscrição: “Beija e tua cruz e ela há de florir”. Dum modo que dificilmente se explica, mas realmente se vive, há dois milénios que o Espírito nos ensina que é assim. A vida salva-se como é, tão magnífica como frágil, qual cálice do vidro mais perfeito. Esse mesmo cálice da nossa vida frágil bebeu-o Jesus, garantindo-nos a sua comunhão absoluta com o que somos e nele havemos de ser. Não temos propriamente um seguro de vida, mas em Cristo temos a vida segura em Deus. Isso nos segreda o seu Espírito e isso mesmo testemunhamos nós, na paz e na esperança. Oferecemos com Cristo o pouco que somos, ganhamos com Cristo o tudo de Deus.
Sé e Vila d’Este, 27 de maio de 2012
D. Manuel Clemente
In Diocese do Porto
publicado por SNPC

Porque estou aqui

Sinto-me privilegiado por ter encontrado na Igreja um lugar vazio, feito à minha medida. É certo que tê-lo encontrado (ou encontrá-lo renovadamente, pois não é dado adquirido) foi também mérito da minha sede, do meu empenho, de não baixar os braços e achar, passivamente, que não seria possível. Passo a contextualizar: a comunidade onde vou à missa é pequena e acolhedora, e podia bem não o ser. Ao mesmo tempo, sentia um desejo grande de reflexão de vida cristã e encontrei um casal (heterosexual) que tinha a mesma vontade. Começámo-nos a reunir semanalmente numa pequena comunidade de oração e reflexão que, apesar de crítica, nos tem ajudado a sermos Igreja e a nela nos revermos. Paralelamente, face ao contínuo desencanto em relação a algumas posturas e pontos de vista de uma Igreja mais institucional e hierárquica, tive a graça de encontrar um grupo de cristãos homossexuais, que se reuniam com um padre regularmente, sem terem de se esconder ou de ocultar parte de si.

Sei que muitos cristãos homossexuais nunca pensaram sequer na eventualidade de existirem grupos cristãos em que se pudessem apresentar inteiros, quanto mais pensarem poder tomar parte e pôr em comum fé, questões, procuras, afectos e vidas.

Por tudo isto me sinto grato a Deus e me sinto responsável para tentar chegar a quem não teve, até agora, uma experiência tão feliz como a minha.

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