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A diversidade na Igreja

"A casa do meu Pai tem muitas moradas", diz-nos Jesus no evangelho.

A unidade na diversidade não é sempre aparente na Igreja enquanto povo de Deus, mas é uma realidade em Deus e uma presença na fé cristã desde a sua origem. A Palavra de Deus não é partidária, elitista e exclusiva. O Reino de Deus é como uma árvore que estende os ramos para dar abrigo a todos os pássaros do céu. Cristo não morreu na cruz para salvar uma mão cheia de cristãos. Até o Deus Uno encerra em si o mistério de uma Trindade.

A Palavra de Deus é inequívoca e só pode levar à desinstalação, à abertura ao outro, e a recebê-lo e amá-lo enquanto irmão ou irmã. Ninguém fica de fora, nem mesmo - se tivessemos - os inimigos.

Muitos cristãos crêem nesta Igreja, nesta casa do Pai, corpo de Cristo, templo do Espírito Santo. Mas como esquecer que muitos se sentem "de fora" por se verem rejeitados, amputados e anulados, e afastam-se por ninguém lhes ter mostrado que há um lugar para cada um, com a totalidade do seu ser?

Um blogue para cristãos homossexuais que não desistiram de ser Igreja

Porquê este blogue?

Este blogue é a partilha de uma vida de fé e é uma porta aberta para quem nela quiser entrar. É um convite para que não desistas: há homossexuais cristãos que não querem recusar nem a sua fé nem a sua sexualidade. É uma confirmação, por experiência vivida, que há um lugar para ti na Igreja. Aceita o desafio de o encontrares!

Este blogue também é teu, e de quem conheças que possa viver na carne sentimentos contraditórios de questões ligadas à fé e à orientação sexual. És benvindo se, mesmo não sendo o teu caso, conheces alguém que viva esta situação ou és um cristão que deseja uma Igreja mais acolhedora onde caiba a reflexão sobre esta e outras realidades.

Partilha, pergunta, propõe: este blogue existe para dar voz a quem normalmente está invisível ou mudo na Igreja, para quem se sente só, diferente e excluído. Este blogue não pretende mudar as mentalidades e as tradições com grande aparato, mas já não seria pouco se pudesse revelar um pouco do insondável Amor de Deus ou se ajudasse alguém a reconciliar-se consigo em Deus.
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segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

Clericalismo e fariseísmo

Papa fala sobre o clero

"Ser anunciador de uma verdade não chega, é preciso ser humilde, próximo e coerente, pois só assim se conquista autoridade e confiança junto dos crentes, frisou hoje o papa na missa a que presidiu, no Vaticano.

A homilia, centrada na leitura do Evangelho proclamada nas missas desta terça-feira (Marcos 1, 21-28), criticou os comportamentos dos pregadores e responsáveis religiosos que se afastam do povo e não mostram coerência entre palavras e atos.

«[Jesus] tinha uma atitude de servidor, e isso dava autoridade. Ao contrário, estes doutores da lei que as pessoas, é verdade, escutavam, respeitavam, mas não sentiam que tivessem autoridade sobre elas, tinham uma psicologia dos princípios: “Nós somos os mestres, os príncipes, e nós ensinamos-vos. Não serviço: nós comandamos, vós obedeceis”», apontou o papa, citado pela Rádio Vaticano.

Por ser próximo, «Jesus não tinha alergia às pessoas: tocar os leprosos, os doentes, não lhe causava repugnância», enquanto os fariseus e doutores da lei se mantinham distantes dos crentes, prosseguiu.

Os religiosos do tempo de Jesus «tinham uma psicologia clericalista: ensinavam com uma autoridade clericalista, isto é, o clericalismo», declarou Francisco.

«Primeiro, servidor, de serviço, de humildade: o chefe é aquele que serve, vira tudo de pernas para o ar, como um icebergue. Do icebergue vê-se o topo; ao contrário, Jesus vira ao contrário e o povo está em cima e Ele que comanda está em baixo, e de baixo comanda», afirmou.

Outro aspeto que diferencia a autoridade dos religiosos e de Jesus é a coerência: «Havia como uma unidade, uma harmonia entre o que pensava, sentia, fazia», ao passo que quem se sente mais importante tem «uma atitude clericalista».

«Essa gente não era coerente e a sua personalidade estava dividida, ao ponto de Jesus aconselhar aos seus discípulos: “Fazei o que vos dizem, mas não o que fazem”: diziam uma coisa e faziam outra. Incoerente. Eram incoerentes. E o adjetivo que muitas vezes Jesus lhes atira é hipócrita», continuou o papa.

É compreensível, sublinhou Francisco, «que alguém que se sente príncipe, que tem uma atitude clericalista, que é um hipócrita, não tenha autoridade. Dirá a verdade, mas sem autoridade. Ao contrário, Jesus, que é humilde, que está ao serviço, que está próximo, que não despreza as pessoas e que é coerente, tem autoridade. E esta é a autoridade que o povo de Deus sente». "

por Rui Jorge Martins em SNPC

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Servir o próximo

O Papa no Rio
parte 6

Serviço

Ele que é frequentemente apelidado de «papa dos pobres», ele que escolheu o nome de Francisco e que não hesitou, alguns dias depois da eleição, a celebrar a Quinta-feira Santa numa prisão e lavar os pés a jovens detidos, aproveitou a viagem ao Brasil para transmitir uma mensagem social, mas também convocar os jovens a colocarem-se ao serviço uns dos outros.

«Para anunciar Jesus, Paulo fez-se "escravo de todos". Evangelizar significa testemunhar pessoalmente o amor de Deus, significa superar os nossos egoísmos, significa servir, inclinando-nos para lavar os pés dos nossos irmãos, tal como fez Jesus.» (Homilia na missa final)

Cruz

«Muitos rostos acompanharam Jesus no caminho para o Calvário: Pilatos, o Cireneu, Maria, as mulheres... Eu pergunto-vos hoje: Vós, como quem quereis ser? Quereis ser como Pilatos, que não teve a coragem de ir contracorrente para salvar a vida de Jesus e lavou as mãos? Dizei-me: Vós sois dos que lavam as mãos, fazem-se distraídos e olham para o outro lado, ou sois como o Cireneu, que ajuda Jesus a levar aquele madeiro pesado, como Maria e as outras mulheres, que não têm medo de acompanhar Jesus até ao fim, com amor, com ternura. E vós, com qual deles quereis ser? Como Pilatos, como o Cireneu, como Maria? Jesus olha para ti agora e diz-se: queres ajudar-me a levar a cruz? Irmão e irmã, com toda a tua força de jovem, que lhe respondes?» (Via-sacra)

Aymeric Christensen
In La Vie

ler mais em:
SNPC
neste blogue:
parte 1
parte 2
parte 3
parte 4
parte 5

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Donde nos vem a força?

Raghu Rai/Magnum
Aprender a servir com madre Teresa de Calcutá

Onde foi que Madre Teresa encontrou a força para se dedicar completamente ao serviço do próximo? Encontrou-a na oração e na contemplação silenciosa de Jesus Cristo, do seu Santo Rosto, do seu Sagrado Coração. Ela mesma o disse: "O fruto do silêncio é a oração; o fruto da oração é a fé; o fruto da fé é o amor; o fruto do amor é o serviço, o fruto do serviço é a paz". A paz, mesmo ao lado dos moribundos, nas nações em guerra, na presença de ataques e de críticas hostis. Era uma oração que enchia o seu coração com a paz de Cristo e lhe permitia irradiar essa paz aos outros.

João Paulo II

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Testemunho: uma alternativa ao sofá

Estar ao serviço do outro

"Acontece várias vezes: alguém chegar junto a mim e dizer com ar sonhador que, também, gostava de um dia fazer voluntariado.
Pergunto logo, a essa pessoa, o que falta para dar esse passo. Muitas vezes são respostas lacónicas que oiço ou desculpas várias.
 
Pois…. Há tantos motivos que nos levam a ficar no comodismo ou no quentinho do sofá.
Mas, ao contrário, há um argumento maior que nos leva a sair de nós mesmos, ao encontro do outro: o Amor.
 
É o Amor, a Boa Nova que Jesus Cristo nos traz e que nos deixa como proposta de Vida e, ao longo dos últimos 10 anos, é esse Amor, vivido com a nossa Fé em Deus Pai, que tem levado o grupo Diálogos, Leigos Svd para a missão, a promover vários projectos de voluntariado.
 
Começámos com o projecto no Centro João Paulo II, onde talvez o maior desafio que surge que é o de aprender a comunicar com todos os nossos sentidos, com aqueles “meninos” portadores de deficiência profunda. Para isso, vemos como é importante usar todos os dons que Deus nos concede. Só assim conseguimos entender o que aqueles “meninos” nos querem dizer através de um simples olhar. Só assim conseguimos sentir que apesar das nossas diferenças, incluindo físicas, todos somos filhos queridos de Deus.
É este viver, da nossa vocação missionária, que nos tem levado, nos últimos 5 anos, até Vilar Formoso, ao encontro da população maior e nos últimos três até à Quinta do Mocho para trabalhar com crianças e jovens.
 
Projectos que nos fazem redescobrir a urgência de sermos missionários onde quer que estejamos, com quem quer que esteja ao nosso lado.
 
Mas ouvimos, também, a voz de Cristo que continuamente nos tem desafiado a ir até mais longe. Por isso já atravessámos 6 vezes o mar até Angola. Ali junto a uma população pobre de bens materiais, mas rica em fé, sentimos a alegria de quem, com toda a sua simplicidade, partilha os seus dons, alicerçados em valores de paz, justiça e fraternidade.
 
Partir para servir.
Darmo-nos ao outro.
Ser presença amiga que traz a esperança ou que renova o amor.
 
Tudo isto é uma opção de vida. É um responder com sim à missão a que Deus chama.
 
E quem, senão o voluntário, pode descrever tão bem a alegria que sente no coração ao ver o riso da criança a brincar, ou o sorriso do idoso que tem quem o escute, ou do portador de deficiência que tem quem o leva a passear fora das 4 paredes da sua casa, ou ainda a felicidade do homem, cansado dos tempos de guerra, que, apenas, quer contar as suas histórias?
 
Sofá ou comodismo?
Eu prefiro partir e viver a alegria de quem se dá ao serviço dos outros.
Um dar sem medida porque a única medida que conheço é o Amor."
 
Por Fernanda Ramalhoto
in Revista "SVD ao Encontro", nº 62 de Janeiro/Março de 2011

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Dos homens e dos deuses: ode à fé, ao amor ao próximo e ao serviço

Um filme que não quero perder. Quando o vir comentá-lo-ei. Entretanto aqui fica a opinião da Margarida Ataíde:

"Dos homens e dos deuses": fé e despojamento
 Em 1996, sete monges da Ordem Cisterciense da Estrita Observância são raptados e assasinados em Tibhirine, aldeia aninhada na região argelina do Magrebe. É o culminar da escalada de violência que opõe o Grupo Islâmico Armado (GIA), extremista, ao governo que acusa de corrupto. O impacto deste horrível desaparecimento, cujos contornos exactos estão ainda por esclarecer, extende-se até aos nossos dias, levado agora ao cinema sob direção do realizador francês Xavier Beauvois.

A obra, reconhecida com o Grande Prémio do Festival de Cannes e merecedora da forte e comovida chuva de aplausos que encheram o Palais des Festivals na noite do passado 23 de maio, é uma extraordinária ode à fé, ao amor ao próximo e ao espírito de serviço que cumpre, em estilo e estrutura narrativa, o despojamento do seu sujeito.
Com efeito, é-nos dado comungar a forma abnegada como uma comunidade de homens lida com uma realidade adversa para a qual não contribui senão com a sua vocação de amor e dádiva. Uma vocação reafirmada ao arrepio das pressões externas para abandonarem a aldeia que servem à sua sorte.

Sem ceder a tentações sensacionalistas, Beauvois desvenda aos nossos olhos o dia-a-dia daquele pequeno mosteiro de Tibhirine, dos seus sete habitantes e da pacata população da aldeia local, induzindo progressivamente o adensar do contexto violento que involuntariamente envolve uns e outros.

Simples e acessível, a linguagem fílmica pretere o horror dos acontecimentos, trágicos, e da crescente violência, ao espírito com que aquela irmandade os enfrenta. Um espírito sustentado na sua extraordinária força e revitalizado na dúvida e fraqueza pela oração, pelo permanente desejo de união e comunhão, pelo tempo e oportunidade concedidos ao discernimento.
Mais que um nefasto episódio da história política ou religiosa, estamos perante uma obra que nos propõe um caminho, pela busca do verdadeiro sentido da vida: o que os sete monges sacrificados, na sua fé cristã, encontraram, e que Xavier Beauvois tão bem percorre, alumiando-o para crentes e não crentes.
Dos Homens e dos Deuses” (122 minutos) estreia em Portugal esta 5.ª feira, 11 de novembro.
Margarida Ataíde


in © SNPC 10.11.10
http://www.snpcultura.org/vol_dos_homens_e_dos_deuses_fe_despojamento_amor_ao_proximo.html

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Seguir os princípios da Doutrina Social

A Igreja e o Vaticano II: Um retrocesso (parte 3)
continuação do discurso de Kevin Dowling, bispo de Rustenburg (África do Sul)

Uma das contribuições realmente significativas da Igreja para a construção de um mundo em que pessoas e comunidades possam viver em paz e com dignidade, com uma qualidade de vida de quem é criado à imagem de Deus, é o “corpo” do que se tem chamado de “Doutrina Social da Igreja”, um compêndio publicado nos últimos anos. Os princípios da doutrina social são: Bem comum, Solidariedade, Opção pelos pobres, Subsidiariedade, Destino universal dos bens, Integridade da criação e a Centralidade da pessoa – todos baseados e seguindo os valores do Evangelho. Aqui temos princípios e directrizes muito relevantes para empregar em realidades sociais, económicas, culturais e políticas complexas (…).

Porém, se a hierarquia da Igreja (…) ousa desaprovar ou criticar políticas económicas e sociopolíticas, quem planeia tais políticas ou mesmo os governos, também deve deixar-se criticar da mesma forma, em relação às suas políticas, à sua vida interna e, especialmente, ao seu modus operandi. Uma cultura e prática democrática, com foco na participação dos cidadãos e mantendo o dever de prestar contas pelos que são eleitos para governar, é cada vez mais desejada (…). Se a Igreja e a sua hierarquia declaram seguir os valores do Evangelho e os princípios da Doutrina Social da Igreja, então a sua vida interna, os seus métodos de governação e o seu uso da autoridade serão analisados com base no que nós acreditamos.

Vamos olhar, por exemplo, para um princípio da doutrina social com importância vital para a garantia da democracia participativa no domínio sociopolítico: a subsidiariedade.

Trabalhei 17 anos com a Conferência Episcopal (da África do Sul), no Departamento de Justiça e Paz. Após a nossa libertação política em 1994, constatámos que esta seria pouco relevante para a realidade dos pobres e marginalizados, se não resultasse na sua emancipação económica. Nós, portanto, decidimos que uma questão fundamental para a África do Sul pós 1994 era a justiça económica. Depois de muita discussão (…) emitimos uma Nota Pastoral em 1999: “Justiça Económica na África do Sul”. O seu foco principal foi necessariamente a economia. Entre outras coisas, tratou de cada um dos princípios da Doutrina Social da Igreja; apresento uma citação do tópico da subsidiariedade:

O princípio da subsidiariedade protege os direitos dos indivíduos e grupos perante os poderosos, especialmente o Estado. Faz com que aquelas coisas que podem ser feitas ou decididas a um nível mais baixo da sociedade não sejam substituídas pelo que vem de um nível mais alto. Assim, reafirma o nosso direito e a nossa capacidade de decidirmos por nós, organizarmos os nossos relacionamentos e entrarmos em sintonia com os outros. (...) Nós podemos e deveríamos dar passos para encorajar tomadas de decisões nos níveis económicos mais baixos, e capacitar o maior número de pessoas a participar o mais possível na vida económica.” (…)

Aplicado à Igreja, o princípio de subsidiariedade requer que a hierarquia promova e encoraje activamente a participação, a responsabilidade pessoal e o empenho efectivo de todos, em âmbitos de vocação e ministério particular na Igreja e no Mundo, de acordo com suas possibilidades e dons.
... (continua)

ver parte 1
http://moradasdedeus.blogspot.com/2010/10/o-vaticano-ii-em-aguas-de-bacalhau.html
ver parte 2
http://moradasdedeus.blogspot.com/2010/10/igreja-deveria-partir-do-principio-que.html

http://www.ihu.unisinos.br/index.php?option=com_noticias&Itemid=18&task=detalhe&id=34406

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

A Igreja deveria partir do princípio que não tem todas as respostas de antemão

A Igreja e o Vaticano II: Um retrocesso (parte 2)
continuação do discurso de Kevin Dowling, bispo de Rustenburg (África do Sul)

Há que reconhecer que para um número significativo de jovens católicos, católicos adultos, padres e religiosos em todo o mundo, o modelo “restaurador” de Igreja que tem sido implementado nos últimos 30/40 anos é procurado e valorizado. Vai de encontro a uma necessidade que têm, dá-lhes uma sensação de pertencerem a algo com claros parâmetros e directrizes para a vida. Traz-lhes um sentido de segurança e clareza sobre o que é verdade e o que moralmente é certo ou errado, pois há uma estrutura de autoridade clara e forte (…) em que confiam absolutamente como sendo de origem divina.

O crescimento de grupos e organizações conservadores na Igreja nos últimos 40 anos ou mais, que atraem um grande número de adeptos, levou a um fenómeno que eu considero difícil de lidar. Uma igreja com um olhar “para dentro”, atemorizante, ou até antagónico, em relação a um mundo secular com o “perigo” concomitante do relativismo, especialmente em relação à verdade e à moralidade – frequentemente referido pelo papa Bento XVI. Uma igreja que dá uma impressão de “sair pela retaguarda”, e que confia numa autoridade forte centralizada para garantir a unidade através da uniformidade do credo e da prática perante semelhantes perigos. Há medo de, caso fosse autorizada qualquer liberdade de decisão sem supervisão e controlo, mesmo em questões menos importantes, se poder abrir a porta para a divisão e para o colapso da unidade da Igreja.

Isto acontece por uma “visão” fundamentalmente diferente na Igreja e da Igreja. Onde é que actualmente podemos encontrar os grandes líderes teológicos e pensadores do passado, como o Cardeal Frings de Colónia (Alemanha) e Alfrink de Utrecht (Holanda), e os grandes bispos profetas dos quais as vozes e testemunhos foram uma chamada de trombeta pela justiça, direitos humanos e uma comunidade global de distribuição justa – o testemunho do Arcebispo Romero de El Salvador, as vozes dos cardeais Arns e Lorscheider, e os bispos D. Hélder Câmara e Casadaliga do Brasil? Novamente, quem no mundo de hoje, “por ai”, ainda dá ouvidos, ou pelo menos aprecia ou permite ser desafiado pela liderança da Igreja na actualidade? Penso que a autoridade moral da liderança da Igreja nunca esteve tão fraca. É, portanto, importante, no meu ponto de vista, que a liderança da Igreja, ao invés de dar uma impressão do seu poder, privilégio e prestígio, deveria ser experimentada como ministério humilde, em busca conjunta com as pessoas, para discernir a resposta mais apropriada ou viável que poderia servir para complexificar as questões éticas e morais – uma liderança, portanto, que não presume ter constantemente todas as respostas.
... (continua)
ver parte 1

O Vaticano II em "águas de bacalhau"

Kevin Dowling, bispo de Rustenburg (África do Sul), proferiu um discurso que teve uma grande repercussão nos países anglófonos. Um grupo de “católicos leigos influentes” pediu-lhe que dissesse algo sobre a situação actual da Igreja.

O discurso de D. Kevin Dowling foi publicado no site National Catholic Reporter no dia 8 de Julho de 2010.




A Igreja e o Vaticano II: Um retrocesso (parte 1)
[devido à extensão do texto, será publicado em diferentes mensagens]
Dowling começou a palestra lendo uma nota do correspondente do National Catholic Reporter em Washington, Jerry Filteau, sobre uma Missa Latina celebrada em Abril passado na Basílica do Santuário Nacional da Imaculada Conceição nesta cidade. Edward Slattery, bispo de Tulsa, celebrou a missa envergando a cappa magna [1], um “adereço” litúrgico vermelho brilhante com quase 20 metros, um dos símbolos do renascimento da missa tridentina.


The Southern Cross (jornal católico semanal da África do Sul) (…) publicou uma fotografia do bispo Slattery com sua cappa magna. Para mim, tal demonstração, que representa o triunfalismo, numa Igreja despedaçada por escândalos de abusos sexuais, é muito infeliz. O que aí aconteceu reproduziu as marcas de uma corte real medieval, não a liderança humilde e servidora demonstrada por Jesus. Mas parece-me que isto é também um símbolo do que tem ocorrido na Igreja (…) – e isto é (…) o desmantelamento cuidadosamente planeado da teologia, da eclesiologia, da visão pastoral, (…) da “abertura das janelas” do Concílio Vaticano II –, (…) [restaurando-se] um modelo de Igreja anterior, mais controlável através de uma estrutura de poder cada vez mais centralizada. Estrutura essa que agora controla tudo na vida da Igreja através de uma rede de congregações do Vaticano, lideradas por cardeais que asseguram a estrita observância do que por eles é considerado “ortodoxo”. Aqueles que não obedecem arcam com censura e punição. Por exemplo, os teólogos que são proibidos de leccionar em faculdades católicas.

Assim, que não deixemos de destacar (…) este facto importante: Vaticano II foi um concílio ecuménico, ou seja, um exercício solene do Magistério da Igreja, ou ainda, o colégio de bispos reunidos com o bispo de Roma exercitando uma função de ensino para toda a Igreja. Por outras palavras, a sua visão, os seus princípios e directivas, devem ser seguidos e implementados por todos, do Papa ao camponês lavrador nas Honduras.

Desde o concílio Vaticano II, não houve tal exercício de autoridade de ensino do magistério. Em vez disso, uma série de decretos, declarações e decisões, (…) mas na realidade são simplesmente as interpretações ou opiniões teológicas ou pastorais dos que têm poder no centro da Igreja. Eles não foram definidos solenemente como pertencentes ao “depositário da Fé” para serem (…) seguidos por todos os católicos, como outros dogmas solenemente proclamados.

Quando trabalhei internacionalmente, a partir da minha base congregacional religiosa em Roma, de 1985 a 1990 - Dowling é Redentorista [Congregação do Santíssimo Redentor] -, (…) uma das minhas responsabilidades era a construção da Pastoral de Jovens em conjunto com as nossas comunidades nos países europeus, onde tantos jovens estavam longe da Igreja. Desenvolvi relações com muitas centenas de jovens católicos que procuravam de forma sincera, bem abertos a questões de injustiça, pobreza e miséria no mundo, conscientes da injustiça estrutural nos sistemas políticos e económicos que dominam o mundo. Eles sentiam cada vez mais que a Igreja “oficial” não estava apenas a perder a noção da realidade, mas a dar mau testemunho às aspirações de católicos pensadores e conscientes, que procuram uma experiência diferente de Igreja.
Por outras palavras, procuravam uma experiência que os deixasse acreditar que a Igreja a que pertenciam possuia algo de relevante para dizer e testemunhar neste mundo desafiante em que vivemos. Muitos, mas mesmo muitos destes jovens, desde então, deixaram a Igreja definitivamente.


[1] a fotografia desta capa encontra-se na mensagem abaixo: Será que a Igreja reconhece Jesus Cristo?
... (continua)
http://www.ihu.unisinos.br/index.php?option=com_noticias&Itemid=18&task=detalhe&id=34406

Porque estou aqui

Sinto-me privilegiado por ter encontrado na Igreja um lugar vazio, feito à minha medida. É certo que tê-lo encontrado (ou encontrá-lo renovadamente, pois não é dado adquirido) foi também mérito da minha sede, do meu empenho, de não baixar os braços e achar, passivamente, que não seria possível. Passo a contextualizar: a comunidade onde vou à missa é pequena e acolhedora, e podia bem não o ser. Ao mesmo tempo, sentia um desejo grande de reflexão de vida cristã e encontrei um casal (heterosexual) que tinha a mesma vontade. Começámo-nos a reunir semanalmente numa pequena comunidade de oração e reflexão que, apesar de crítica, nos tem ajudado a sermos Igreja e a nela nos revermos. Paralelamente, face ao contínuo desencanto em relação a algumas posturas e pontos de vista de uma Igreja mais institucional e hierárquica, tive a graça de encontrar um grupo de cristãos homossexuais, que se reuniam com um padre regularmente, sem terem de se esconder ou de ocultar parte de si.

Sei que muitos cristãos homossexuais nunca pensaram sequer na eventualidade de existirem grupos cristãos em que se pudessem apresentar inteiros, quanto mais pensarem poder tomar parte e pôr em comum fé, questões, procuras, afectos e vidas.

Por tudo isto me sinto grato a Deus e me sinto responsável para tentar chegar a quem não teve, até agora, uma experiência tão feliz como a minha.

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Os textos e as imagens

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As imagens que ilustram as mensagens são retiradas da Internet. Quando se conhece a sua autoria, esta é referida. Quando não se conhece não aparece nenhuma referência. Caso detectem alguma fotografia não identificada e conheçam a sua autoria, pedimos que nos informem da mesma.

As imagens são ilustrativas e não são sempre directamente associáveis ao conteúdo da mensagem. É uma escolha pessoal do autor do blogue. Há um critério de estética e de temática ligado ao teor do blogue. Espero, por isso, que nenhum leitor se sinta ofendido com as associações livres entre imagem e conteúdo.

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