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A diversidade na Igreja

"A casa do meu Pai tem muitas moradas", diz-nos Jesus no evangelho.

A unidade na diversidade não é sempre aparente na Igreja enquanto povo de Deus, mas é uma realidade em Deus e uma presença na fé cristã desde a sua origem. A Palavra de Deus não é partidária, elitista e exclusiva. O Reino de Deus é como uma árvore que estende os ramos para dar abrigo a todos os pássaros do céu. Cristo não morreu na cruz para salvar uma mão cheia de cristãos. Até o Deus Uno encerra em si o mistério de uma Trindade.

A Palavra de Deus é inequívoca e só pode levar à desinstalação, à abertura ao outro, e a recebê-lo e amá-lo enquanto irmão ou irmã. Ninguém fica de fora, nem mesmo - se tivessemos - os inimigos.

Muitos cristãos crêem nesta Igreja, nesta casa do Pai, corpo de Cristo, templo do Espírito Santo. Mas como esquecer que muitos se sentem "de fora" por se verem rejeitados, amputados e anulados, e afastam-se por ninguém lhes ter mostrado que há um lugar para cada um, com a totalidade do seu ser?

Um blogue para cristãos homossexuais que não desistiram de ser Igreja

Porquê este blogue?

Este blogue é a partilha de uma vida de fé e é uma porta aberta para quem nela quiser entrar. É um convite para que não desistas: há homossexuais cristãos que não querem recusar nem a sua fé nem a sua sexualidade. É uma confirmação, por experiência vivida, que há um lugar para ti na Igreja. Aceita o desafio de o encontrares!

Este blogue também é teu, e de quem conheças que possa viver na carne sentimentos contraditórios de questões ligadas à fé e à orientação sexual. És benvindo se, mesmo não sendo o teu caso, conheces alguém que viva esta situação ou és um cristão que deseja uma Igreja mais acolhedora onde caiba a reflexão sobre esta e outras realidades.

Partilha, pergunta, propõe: este blogue existe para dar voz a quem normalmente está invisível ou mudo na Igreja, para quem se sente só, diferente e excluído. Este blogue não pretende mudar as mentalidades e as tradições com grande aparato, mas já não seria pouco se pudesse revelar um pouco do insondável Amor de Deus ou se ajudasse alguém a reconciliar-se consigo em Deus.
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quinta-feira, 29 de março de 2018

Sexta-feira Santa

A dor como mestra

«O homem é um aprendiz, a dor o seu mestre:/ ninguém se conhece a si próprio até que sofra.» Dia de dor, a Sexta-feira Santa parece reassumir em si todo o sofrimento do mundo.

O Cristo crucificado é o emblema de um tormento universal que faz olhar para Ele crentes e ateus, como dizia o escritor italiano Alfredo Oriani (1852-1909): «Crentes ou incrédulos, ninguém sabe subtrair-se ao encanto dessa figura, nenhuma dor renunciou sinceramente ao fascínio da sua promessa».

Voltemo-nos, também nós, para essa realidade que tememos e da qual procuramos evadir-nos. Na verdade, a dor não é só maldição, e é isso que nos recorda o poeta romântico francês Alfred de Musset (1810-1857) na sua poesia "A noite d'outubro", composta precisamente quanto estava doente e provado pelos excessos de uma vida atormentada.

A dor é uma espécie de mestre que nos purifica da banalidade, da estupidez, da superficialidade, reenviando-nos para a interioridade, para as realidades que verdadeiramente contam, para a consciência, para o sentido da vida.

Esopo, o célebre contador de fábulas grego, cunhou um jogo de palavras, "pathèmata-mathèmata", «os sofrimentos são ensinamentos». Reencontremos, então, a capacidade de atravessar o território tenebroso da provação não com o desespero no coração, mas com a expetativa de uma aurora.

Também Cristo, apesar de gritar a sua extrema desolação («meu Deus, meu Deus, porque me abandonaste?»), no fim aplaca-se na confiança: «Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito». Será ainda o mesmo Musset a escrever: «Nada nos torna tão grandes como uma grande dor».

P. (Card.) Gianfranco Ravasi In Avvenire
Tradução SNPC

terça-feira, 24 de outubro de 2017

A Igreja tem de conhecer os católicos LGBT e olhá-los como pessoas

Precisamos construir uma ponte entre a comunidade LGBT e a Igreja Católica. 
(Parte II)

por James Martin, S.J
tradução de José Leote (Rumos Novos)

2) Compaixão. O que significaria para a igreja mostrar compaixão para com os homens e mulheres LGBT? A palavra compaixão significa «experimentar com, ou sofrer com.» Portanto, o que é que significa para a igreja institucional, para a hierarquia, não somente respeitar os/as católicos/as LGBT, mas estar com eles/as, experienciar a vida com eles/as e mesmo sofrer com eles/as?

A primeira coisa e o requesito mais essencial é o escutar. É praticamente impossível experimentar a vida de uma pessoa, ou ser compassivo, se não escutarmos essa pessoa, ou se não fazemos perguntas. As perguntas que os líderes católicos podem colocar aos seus irmãos e irmãs LGBT são: como é a vossa vida? Como foi crescer como rapaz gay ou rapariga lésbica ou pessoa transgénero? Como foi o sofrimento? Quais são as alegrias? E: qual é a sua experiência de Deus? Qual é a sua experiência da igreja? Quais são as suas esperanças, desejos e orações? Para a igreja exercer compaixão, precisamos de escutar.

Os líderes da igreja também precisam de defender os seus irmãos e irmãs LGBT sempre que estes/as são perseguidos/as. Em muitas partes do mundo, as pessoas LGBT sofrem, novamente nas palavras do Catecismo, incidentes terríveis de «discriminação injusta»: preconceito, violência e mesmo homicídio. Nalguns países, pode ser-se preso por ser-se gay ou ter relações com pessoas do mesmo sexo e ser-se assassinado por se ser um líder gay. Nesses países a igreja institucional tem o dever moral de se levantar publicamente em prol dos seus irmãos e irmãs. Lembremo-nos que o catecismo afirma: «qualquer sinal de discriminação injusta» deve ser evitado. Ajudar alguém, defender alguém quando este/a está a ser agredido/a é parte da compaixão. É parte do ser-se discípulo de Jesus Cristo. Se duvidarmos disso, devemos ler a parábola do bom Samaritano (Lc 10, 25-37).

Mais perto de nós, o que é que significaria para a nos Estados Unidos [N.T.: e também em Portugal] dizer, sempre que necessário: «É errado tratar a comunidade LGBT desta forma»? Os líderes católicos publicam regularmente declarações defendendo – como é seu dever – os refugiados e os migrantes, os pobres, os sem-abrigo, os nascituros. Esta é uma forma de estar ao lado das pessoas: colocarmo-nos a caminho, mesmo apanhar por elas.

Porém, onde estão as declarações de apoio aos nossos irmãos e irmãs LGBT? Quando faço esta pergunta, algumas pessoas dizem: «Não se pode comparar aquilo que os refugiados enfrentam com aquilo que as pessoas LGBT enfrentam.» E, enquanto pessoa que trabalhou com refugiados no leste de África, eu sei que isso é verdade. Contudo, é importante não ignorar as taxas altamente desproporcionais de suicídio entre os jovens LGBT e o facto de as pessoas LGBT são as vítimas de proporcionalmente mais crimes de ódio do que outros grupos minoritários no país. No rescaldo do massacre de Orlando, quando a comunidade LGBT por todo o país fazia luto, senti-me entristecido não sentir que mais bispos não tivessem imediatamente manifestado o seu apoio. Claro que alguns o fizeram. Agora, imaginem se os ataques fossem contra, Deus não o permita, uma paróquia metodista. Provavelmente os bispos teriam dito: «Estamos com os nossos irmãos e irmãs metodistas.» Por que isso não aconteceu em Orlando? Pareceu uma espécie de falta de compaixão, uma falha de estar ao lado de e uma falha de sofrer com. Orlando convida-nos todos e todas a refletir sobre isto.

Não precisamos de procurar muito longe um modelo de como fazer isto. Deus fez isto por todos e todas nós – em Jesus. As linhas de abertura do Evangelho de João dizem-nos que «E o Verbo fez-se homem e veio habitar connosco» (Jo 1, 14). O original em grego é mais vívido: O Verbo fez-se carne e «colocou a sua tenda no meio de nós» (eskēnōsen en hēmin). Não é maravilhoso? Deus entrou no nosso mundo para viver entre nós. Foi isto que Jesus fez. Ele viveu connosco. Tomou o nosso partido. Morreu mesmo como nós. Isto é o que a igreja é chamada a fazer com todos os grupos marginalizados, conforme nos lembrou o Papa Francisco, incluindo com os/as católicos/as LGBT: experimentar as suas vidas e sofrer com eles/ elas.

E também alegrar-se com eles e elas! Porque Jesus veio para experimentar todas as nossas vidas, não somente as partes dolorosas. As pessoas LGBT, embora possam sofrer perseguição, partilham as alegrias da condição humana. Também nós poderemos alegrarmo-nos com os nossos irmãos e irmãs LGBT?

3) Delicadeza: Como é que a igreja institucional pode ser «delicada» para com as pessoas LGBT? Essa é uma palavra maravilhosa utilizada pelo catecismo. No dicionário ela é definida como «uma tomada de consciência ou compreensão dos sentimentos da outra pessoa.» Encontra-se relacionada com a interpelação do Papa Francisco de que a igreja seja uma igreja do «encontro» e do «acompanhamento».

Para começar, é quase impossível saber à distância os sentimentos de outra pessoa. Não podemos compreender os sentimentos de uma comunidade, se não conhecemos essa comunidade. Não se pode ser delicado com a comunidade LGBT se somente se publicam documentos sobre ela, se prega sobre ela, ou se tweeta sobre ela, sem a conhecer. Uma das razões pelas quais a igreja lutou com a delicadeza é, na minha opinião, porque muitos líderes da igreja ainda não conhecem muitas pessoas gays ou lésbicas. A tentação é sorrir e dizer que os líderes da igreja conhecem de facto pessoas que são gays: padres e bispos que não saíram do armário em relação à sua homossexualidade. Porém, o meu sublinhado é mais vasto. Muitos líderes da igreja conhecem pessoas LGBT cuja sexualidade é conhecida. Essa falta de familiaridade e amizade significa que é mais difícil ser delicado. Como é que podemos ser delicados com a situação de uma pessoa se não a conhecemos? Portanto, um convite é que a hierarquia os possa conhecer como amigos/as.

O cardeal Christof Schönborn, arcebispo de Viena, lembrou-nos do encontro do Sínodos dos Bispos sobre a família, quando ele falou sobre um casal gay que conhecia e que tinha transformado a sua compreensão em relação às pessoas LGBT. Ele louvou mesmo as uniões entre pessoas do mesmo sexo. O cardeal disse: «Partilham a vida um do outro; partilham as alegrias e os sofrimentos; ajudam-se mutuamente. Temos de reconhecer que estas pessoas fizeram uma caminhada importante para o seu próprio bem e para o bem de outros, ainda que, claro está, esta seja uma situação que a igreja não pode considerar regular.» Ele também anulou a determinação de um padre na sua diocese que proibiu um homem, que vivia numa união do mesmo sexo, de servir num conselho paroquial, ou seja, o cardeal Schönborn esteve ao seu lado. Muito disto veio da sua experiência, conhecimento e amizade em relação às pessoas LGBT. O cardeal Schönborn disse simplesmente: «Temos de acompanhar.»

Nisto, como em todas as coisas, Jesus é o nosso modelo. Sempre que Jesus encontrou pessoas nas margens, ele via não uma categoria, mas uma pessoa. Para que fique claro, não estou a dizer que a comunidade LGBT deva ser, ou deva sentir-se, marginalizada. Em vez disso, eutou a dizer que dentro da igreja muitos deles e delas se sentem marginalizados. São vistos como «outro». Porém, para Jesus não havia «outro».

Jesus via para além das categorias; ele ia de encontro às pessoas onde estas se encontravam e acompanhava-as. No Evangelho de Lucas, quando ele encontra o centurião romano que pede a cura do seu servo, Jesus não disse «Pagão!» Em vez disso, viu um homem em estado de necessidade (Lc 7, 1-10). Mais à frente no Evangelho de Lucas, quando Jesus encontra Zaqueu, o cobrador de impostos chefe de Jericó, que teria igualmente sido considerado o chefe pecador da zona, ele não disse «Pecador!» Em vez disso, ele viu uma pessoa que procurava encontrá-lo (Lc 19, 1-10). Jesus tinha vontade de estar com, estar ao lado de e ser amigo dessas pessoas.

Uma objeção comum neste assunto é dizer-se: «Não, Jesus sempre lhes disse, antes de tudo, para não pecarem!» Portanto, não podemos conhecer pessoas gays porque eles pecam e quando os conhecermos, a primeira coisa que devemos dizer é «Parem de pecar!»

Mas este não é o caminho de Jesus. Na história de Zaqueu, como se lembrarão, Jesus vê primeiramente o cobrador de impostos empoleirado num sicómoro, tentando ver Jesus. Jesus disse que jantaria na casa de Zaqueu, um sinal de acolhimento no séc. I, na Palestina, antes que Zaqueu tenha dito ou feito o que quer que fosse. Depois de Jesus lhe ter oferecido acolhimento é que Zaqueu começa a conversar, prometendo pagar as pessoas a quem tinha defraudado. Do mesmo modo, na história do centurião romano, Jesus não repreende o homem por ser um pagão. Em vez disso, louva a fé do homem e, depois, cura-lhe o servo. Para Jesus, frequentemente, é a comunidade em primeiro lugar e a conversão em segundo.

O Papa fez-se eco disto numa conferência de imprensa recente: «As pessoas devem ser acompanhadas,» disse. «Quando uma pessoa que vive esta situação chega em frente a Jesus, Jesus certamente não dirá: «Vai-te embora porque és homossexual.»

A delicadeza baseia-se no encontro, acompanhamento e amizade. E onde é que isso nos leva? Ao segundo significado da palavra, que é, em linguajar comum, uma maior consciencialização sobre o que pode ofender. Somos «delicados» para com as situações das pessoas e, logo, somos «delicados» em relação a tudo o que possa ofender.

Uma forma de sermos delicados é termos cuidado com a linguagem que utilizamos. Alguns bispos já pediram que se rejeite a frase «objetivamente desordenado» quando se trata de descrever a inclinação homossexual (tal como se encontra no catecismo, N.º 2358). A frase refere-se à orientação, não à pessoa, mas mesmo assim é danosa. Dizer que uma das partes mais profundas de uma pessoa – a parte que recebe e dá amor – é «desordenada» em si é desnecessariamente cruel. Colocar de parte tal linguagem foi discutido no recente Sínodo sobre a família, de acordo com várias notícias publicadas. Mais recentemente, um bispo australiano, Vicent Long Van Nguyen, afirmou: «Não podemos falar acerca da integridade da criação, do amor universal e inclusivo de Deus, enquanto ao mesmo tempo fazemos conluio com as forças de opressão no tratamento errado das minorias raciais, das mulheres e das pessoas homossexuais… Isso não resulta em relação aos jovens, particularmente quando sugerimos tratar as pessoas gays com amor e compaixão, mas definimos a sua sexualidade como «intrinsecamente desordenada.»

Parte da delicadeza é compreender isso.


Publicado em português In Rumos Novos

sexta-feira, 5 de agosto de 2016

Islão responde ao terrorismo

Muçulmanos franceses pela paz

O ano 2016 tem sido prolífero em tristes notícias e tragédias, histórias de barbaridade, terrorismo e loucura, não apenas na Síria e em regiões do mundo onde tristemente estes factos não são novidade, mas também no interior da Europa. O recente assassinato do padre francês e o atropelo da multidão em Nice abalaram França.

Tomando posição de uma forma algo inédita, a comunidade muçulmana juntou-se aos fiéis católicos no passado Domingo.

O DN tem uma reportagem que nos fala de todo isto e lança um raio de luz no meio da penumbra incompreensível do sofrimento gratuito: Muçulmanos franceses rezam com católicos pelo padre francês assassinado

sábado, 18 de janeiro de 2014

Porquê o sofrimento?

A dor não se explica...

No Evangelho do II Domingo do Tempo Comum (Ano A), escutamos João Batista que, apresentando Jesus ao mundo, exclama: «Eis o Cordeiro de Deus, eis aquele que tira o pecado do mundo!». O cordeiro, na Bíblia, como aliás noutras culturas, é o símbolo do ser inocente, que não pode fazer mal a ninguém, mas apenas o pode receber. Prosseguindo este simbolismo, a primeira carta de Pedro chama a Cristo «o cordeiro sem mancha», que «ao ser insultado, não respondia com insultos; ao ser maltratado, não ameaçava». Jesus, por outras palavras, é, por excelência, o Inocente que sofre.

Foi escrito que a dor dos inocentes «é a rocha do ateísmo». Após Auschwitz, o problema colocou-se de maneira ainda mais premente. São incontáveis os livros e os argumentos escritos em torno deste tema. Parece que estamos num processo judicial, em que ouvimos a voz do juiz a ordenar ao réu para se levantar. O réu, neste caso, é Deus, a fé.

O que pode a fé responder a tudo isto? Antes de mais, é necessário que nos disponhamos todos, crentes e não crentes, a uma atitude de humildade, porque se a fé é incapaz de "explicar" a dor, a razão ainda o é menos. A dor dos inocentes é algo de demasiado puro e misterioso para poder ser contido dentro das nossas pobres "explicações". Jesus, diante da viúva de Naim e da irmã de Lázaro, não soube fazer melhor do que comover-se e chorar.

A resposta cristã ao problema da dor inocente está contida num nome: Jesus Cristo. Jesus não veio dar-nos doutas explicações sobre a dor, mas veio para a tomar silenciosamente sobre si. Tomando-a sobre si, no entanto, mudou-a por dentro: de sinal de maldição, fez dela instrumento de redenção. Mais: fez dela o valor supremo, a ordem de grandeza mais elevada neste mundo.

Jesus não deu, porém, apenas um sentido à dor inocente; conferiu-lhe também um poder novo, uma misteriosa fecundidade. Olhemos para o que brota do sofrimento de Cristo: a ressurreição e a esperança para todo o género humano. (…)

O mais importante, no entanto, quando se fala de dor inocente, não é explicá-lo; é não aumentá-la com os nossos atos e com as nossas omissões. E também não chega não aumentar a dor inocente; é preciso igualmente procurar aliviar a que existe.

Diante de uma criança tolhida de frio que chorava de fome, um homem gritou um dia a Deus, do fundo do coração: «Ó Deus, onde estás? Porque não fazes alguma coisa por esta criança inocente?». E Deus respondeu-lhe: «Certamente que fiz algo por ela: fiz-te a ti!».

P. Raniero Cantalamessa
In Lachiesa.it
Trad.: rjm para SNPC a 17.01.2014

terça-feira, 29 de outubro de 2013

Quando Jesus se une a quem sofre

Hino à Cruz
O Papa no Rio

«Tantos rostos acompanharam Jesus no seu caminho até a cruz: Pilatos, o Cireneu, Maria, as mulheres... Também nós diante dos demais podemos ser como Pilatos que não teve a coragem de ir contra a corrente para salvar a vida de Jesus, lavando-se as mãos.

Queridos amigos, a cruz de Cristo ensina-nos a ser como o Cireneu, que ajuda Jesus a levar aquele madeiro pesado, como Maria e as outras mulheres, que não tiveram medo de acompanhar Jesus até o final, com amor, com ternura. E você, como é? Como Pilatos, como o Cireneu, como Maria?»

(…)
«Jesus com a sua cruz atravessa os nossos caminhos para carregar os nossos medos, os nossos problemas, os nossos sofrimentos, mesmo os mais profundos. Com a cruz, Jesus une-se ao silêncio das vítimas da violência, que já não podem clamar, sobretudo os inocentes e indefesos; nela Jesus une-se às famílias que passam por dificuldades, que choram a perda de seus filhos, ou que sofrem vendo-os presas de paraísos artificiais como a droga; nela Jesus une-se a todas as pessoas que passam fome, num mundo que todos os dias deita fora toneladas de comida; nela Jesus une-se a quem é perseguido pela religião, pelas ideias, ou simplesmente pela cor da pele; nela Jesus une-se a tantos jovens que perderam a confiança nas instituições políticas, por verem egoísmo e corrupção, ou que perderam a fé na Igreja, e até mesmo em Deus, pela incoerência de cristãos e de ministros do Evangelho.»

«O que foi que a cruz deixou naqueles que a viram, naqueles que a tocaram? O que deixa em cada um de nós? Deixa um bem que ninguém mais pode nos dar: a certeza do amor inabalável de Deus por nós.»

«Na cruz de Cristo, está todo o amor de Deus, a sua imensa misericórdia. E este é um amor em que podemos confiar, em que podemos crer. Queridos jovens, confiemos em Jesus, abandonemo-nos totalmente a Ele. Só em Cristo morto e ressuscitado encontramos salvação e redenção. Com Ele, o mal, o sofrimento e a morte não têm a última palavra, porque Ele dá-nos a esperança e a vida: transformou a cruz, de instrumento de ódio, de derrota, de morte, em sinal de amor, de vitória e de vida.»

«O primeiro nome dado ao Brasil foi justamente o de "Terra de Santa Cruz". A cruz de Cristo foi plantada não só na praia, há mais de cinco séculos, mas também na história, no coração e na vida do povo brasileiro e não só: o Cristo sofredor, sentimo-lo próximo, como um de nós que compartilha o nosso caminho até o final. Não há cruz, pequena ou grande, da nossa vida que o Senhor não venha compartilhar connosco.»

«A cruz de Cristo também convida-nos a deixar-nos contagiar por este amor; ensina-nos, pois, a olhar sempre para o outro com misericórdia e amor, sobretudo quem sofre, quem tem necessidade de ajuda, quem espera uma palavra, um gesto; ensina-nos a sair de nós mesmos para ir ao encontro destas pessoas e lhes estender a mão.»

in SNPC

sábado, 19 de outubro de 2013

Não basta ser cristão do bem estar

in Revista Cult
Permiti-me publicar este artigo, tendo a certeza que ela não corresponde a uma imagem do fácil e do rápido e do fashionable; publico-a porque me faz pensar... e isso é bom!

reflexões do Papa Francisco



"O papa Francisco afirmou esta sexta-feira no Vaticano que a prova para cada pessoa saber se se é cristão está na capacidade de «suportar as humilhações com alegria e paciência».

Referindo-se ao apóstolo Pedro, que não queria acreditar que Jesus fosse humilhado e morto, o papa afirmou que a mesma atitude ocorre entre os católicos quando estão dispostos apenas a seguir Cristo «até um certo ponto».

«É esta a tentação do bem-estar espiritual: Temos tudo: temos a igreja, temos Jesus Cristo, os sacramentos, a Virgem Maria, tudo, um belo trabalho para o Reino de Deus; somos bons, todos. (…) Mas não basta o bem-estar espiritual até certo ponto». (...) «Como aquele jovem que era rico: queria andar com Jesus, mas até um certo ponto. Falta esta última unção do cristão, para ser cristão verdadeiro: a unção da cruz, a unção da humilhação», apontou.

«Esta é a pedra angular, a verificação da nossa realidade cristã: sou um cristão de cultura e de bem-estar? Sou um cristão que acompanha o Senhor até à cruz? O sinal é a capacidade de suportar as humilhações».

Todos querem ressuscitar, mas «nem todos» tencionam alcançar esse objectivo pelo caminho da cruz, pelo que, ao lamentarem-se das afrontas que sofrem, comportam-se de maneira oposta ao que Cristo fez e pede para imitar, assinalou. «A verificação de se um cristão é um cristão verdadeiro é sua capacidade de suportar com alegria e com paciência as humilhações; e como isto é algo que não agrada…», disse.

Francisco sintetizou as suas palavras apontando para uma «escolha» pessoal: ou ser-se «cristão do bem-estar» ou «cristão próximo de Jesus, pela estrada de Jesus». "

por Rui Jorge Martins, in SNPC

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Encontrar a Mãe

Passos da Via Sacra (4)

IV Estação
Jesus encontra a sua mãe

"Não há palavras (...) capazes de descrever os sentimentos de Maria naquele momento. Vários autores falam de um encontro que trouxe conforto a Jesus, neste caminho rumo ao Calvário. Eu não tenho tanta certeza. Quando enfrento alguma dificuldade, procuro não envolver a minha mãe naquela situação e, quando ela pergunta, sempre digo: "Estou bem, mãe. Está tudo bem por aqui!". Não quero que ela fique preocupada (...). Talvez a minha reação, vontade e postura fossem diferentes, no caso de uma situação extrema, como a de Jesus na Via Sacra. Se eu estivesse a morrer, gostaria que ela estivesse ao meu lado? Com certeza. Entretanto, a sua dor iria aliviar ou aumentar a minha? (...) A dor é o elemento indispensável (e, até, "constituinte") do amor. O encontro de Jesus com Maria, na via sacra, era necessário e, embora não tenha deixado marca alguma nos textos sagrados, chegou até nós por meio da piedosa tradição do povo. Penso, nesta estação, em Maria Santíssima e no seu lugar no plano da salvação. Muitos teólogos e, de certa forma, o próprio Magistério da Igreja, falam de Maria como "corredentora". Este título não diminui, nem ofusca, os méritos infinitos de Cristo Jesus, o único Redentor da humanidade, mas Deus quis que Ela participasse, de modo todo singular, nesta obra (a mesma lógica se dá em relação à intercessão e/ou mediação entre homens e Deus). 

Logo, em seguida, nesta IV Estação, o meu pensamento vai em direção da minha mãe. Como é importante, para um homossexual, o amor compreensivo e acolhedor de mãe! Eu sei que muitos não tiveram a felicidade de encontrar o apoio e o amor incondicional de suas mães. Ainda assim creio que o desejo maior de cada mãe é ver o seu filho feliz (ainda que, nem sempre, o conceito de felicidade, seja o mesmo para ambos). Muitas mães não estão angustiadas pelo fato de seu filho ser homossexual, mas pela perspectiva de sofrimentos (preconceitos, perseguições, etc.) que isso pode causar na vida deste filho. É algo parecido, um pouco, com a preocupação de mãe, com a sorte do filho-polícia, piloto ou alpinista. A diferença evidente está na eventualidade de persuadir o filho para que desistisse daquela carreira, o que não pode ocorrer, no caso de um filho homossexual (e nem sempre a mãe se dá conta dessa diferença). Apesar de todas as dificuldades e limitações, a presença de mãe, no nosso caminho de homossexuais, é de suma importância.

Oração
Senhor Jesus, obrigado pela Tua Mãe, Maria Santíssima! Mãe, consoladora dos aflitos, acompanha-nos em todos os instantes. O seu terno amor de mãe acolhe, também, os filhos e filhas homossexuais. E nós, muitas vezes magoados pela vida, contamos com este encontro. Pela intercessão de Maria das Dores, peço-Te, Jesus, por todos aqueles que, ao descobrirem a sua identidade homossexual, não tiveram a compreensão e o apoio da própria mãe. Abençoa as nossas mães, para que nunca desistam de seus filhos."

Nós Te adoramos e Te bendizemos, ó Cristo,
porque com tua Santa Cruz remiste o mundo.

Por Teleny in Retorno (G-A-Y)

Carregar a Cruz

do filme de Pier Paolo Pasolini "O Evangelho segundo Mateus"
Passos da Via Sacra (3)

II Estação
Jesus recebe a cruz


"Bem antes de sua Paixão, Jesus disse aos discípulos: Se alguém quiser vir comigo, renuncie-se a si mesmo, tome sua cruz e siga-me. (Mt 16,24) Contemplamos, nesta segunda estação, o momento em que o próprio Jesus tomou a cruz. E, para nós, "tomar a cruz", significa: tomar o quê? Grande parte da reflexão teológica, ao longo dos séculos, identifica esta atitude com a penitência pelos pecados e, neste contexto, também com a aceitação de sofrimentos e adversidades, bem como a fidelidade aos deveres do estado de vida. Há, em todas estas interpretações, o aspecto negativo, triste e pesado. É impossível negar que carregar uma cruz seja uma coisa triste e dolorosa, mas será que aqui está a sua essência? Até hoje, os católicos são associados a uma postura passiva diante de dor, perseguição, pobreza, etc. Tudo está sendo resumido por uma palavra: a cruz. Para muitos, os católicos são aqueles "pobres coitados" que, com resignação, permitem ser pisoteados, humilhados e injustiçados, porque - segundo dizem - tudo isso faz parte da cruz de cada dia. Acredito que, para respondermos à pergunta sobre a verdadeira "essência" da cruz, seja necessário olhar de um ângulo diferente (e único correto): o ponto de vista do próprio Jesus. Como foi que Jesus encarou aquele madeiro? Como enxergou o significado da cruz?

Pouco antes da sua morte, o Senhor declarou: Sinto agora grande angústia. E que direi? ‘Pai, livra-me desta hora’? Mas foi precisamente para esta hora que eu vim. (Jo 12, 27) Noutra ocasião disse: Ninguém tem amor maior do que aquele que dá a vida por seus amigos. (Jo 15, 13) Para Jesus, a cruz era a melhor maneira de amar. Ou melhor: a cruz é o amor! Não se trata de masoquismo, mas de um amor autêntico e exigente, capaz de se sacrificar por inteiro. Jesus sabia que essa foi a melhor maneira de expressar o amor ao Pai e aos homens. Jesus ficaria inconsolado se alguém impedisse a sua morte na cruz. Em consequência, "tomar a cruz", significa amar. Amar de maneira com a qual foi formado o nosso coração. Se o meu coração é homossexual, o meu amor será homossexual também.

Oração
Senhor Jesus, tomaste a cruz para realizar divino plano de amor. Obrigado pela Tua cruz e também pela minha. Às vezes tenho dificuldades em compreender o significado da cruz da minha sexualidade. Peço-Te, por isso, que a luz do Teu Espírito ilumine sempre o meu coração, para que eu veja a importância do amor. E que eu saiba sofrer por amor, quando for necessário. Abençoa cada homossexual, sobretudo todo aquele que sofre por ser assim. Ajuda-nos a acreditarmos no amor. Cura-nos do medo de amar. Fortalece aqueles que são perseguidos, porque amam. Convence aqueles que foram desiludidos no amor, que vale a pena começar de novo."

Nós Te adoramos e Te bendizemos, ó Cristo,
porque com tua Santa Cruz remiste o mundo.

Por Teleny in Retorno (G-A-Y)

terça-feira, 5 de abril de 2011

Deus sabe dançar

Creio num Deus que dança

Nietzsche deixou escrito, sublinhando bem a negativa, que não acreditaria num Deus que não dance. Muitas vezes, mesmo se colocado noutro ponto de vista, me apetece ajuntar: eu também. De facto, aquilo que parece ser apenas um severo emblema para a suspeita da não-existência de Deus, pode, ao contrário, tornar-se em proclamação crente da sua presença no tempo.

Acredito num Deus que dança: isto é, num Deus que não se isenta do devir, nem permanece neutral em relação às nossas histórias. Acredito num Deus imiscuído, engajado, detetável até pelo impreciso radar dos sentidos, suscetível de ser invocado pelos motores de busca das nossas persistentes interrogações ou do nosso silêncio. Deus não está unicamente para lá da fronteira do pensável e do dizível: está também aquém; nós vivemos no espanto interminável da sua presença; e as nossas palavras, por pobres que sejam, constituem pontes de corda lançadas sobre a amplidão do seu mistério.

Como me revejo nessa página terrível e extraordinária que Elie Wiesel escreveu, no romance “A noite” (e, de facto, quantas noites a nossa Fé é chamada, todas as horas, a atravessar?). Atrevo-me a reproduzi-la aqui:

«Os S.S. pareciam mais preocupados, mais inquietos do que o costume. Enforcar uma criança diante de milhares de espectadores não era coisa qualquer. O chefe do campo leu a sentença. Todos os olhos estavam fixos no menino. Ele mantinha-se lívido, quase calmo, mordendo os lábios. A sombra da forca projetava-se sobre ele.
Dessa vez, o lagerkapo negou-se a servir de carrasco. Três S.S. o substituíram.
Os três condenados subiram para as suas cadeiras. Os três pescoços foram introduzidos nos nós corrediços ao mesmo tempo.
- Viva a liberdade! – gritaram os dois adultos.
O pequeno, calado.
- Onde está o bom Deus, onde está Ele? – alguém perguntou atrás de mim.
A um sinal do chefe do campo, as três cadeiras foram derrubadas.
Silêncio absoluto em todo o campo. No horizonte, o sol estava a pôr-se.
- Descubram a cabeça! – berrou o chefe do campo. Sua voz era rouca. Quanto a nós, estávamos chorando.
- Cubram a cabeça!
E começou o desfile. Os dois adultos já não viviam. Mas a terceira corda não estava imóvel: tão leve, o menino ainda vivia…Por mais de meia hora ele ficou assim, lutando entre a vida e a morte, agonizando diante dos nossos olhos. E tínhamos de olhá-lo bem de frente. Ainda estava vivo quando passei diante dele. Atrás de mim, ouvi o mesmo homem perguntar:
- E então, onde está Deus?
E senti em mim uma voz que lhe respondia:
- Onde está Ele? Ei-Lo – está aqui, nesta forca».

Crer num Deus que dança implica reconhecê-lo suspenso da corda das vítimas de todos os tempos, pregado ao silêncio do sofrimento injustificável, amordaçado por todas as formas de violência que se abatem sobre o homem. Crer num Deus que dança é crer que na nossa noite, entregues à solidão e aos seus terrores, nós não estamos sós. Como não estamos sós na ronda da nossa esperança. Deus faz da sinfonia inacabada do nosso júbilo a primeira palavra da sua alegria.

José Tolentino Mendonça
In Diário de Notícias (Madeira), publicado em SNPC

quarta-feira, 16 de março de 2011

As perguntas de Job...

Ilda David

Actualidade e sentido das perguntas de Job
Porque temos um livro bíblico como o de Job? O que é que a sua leitura provoca ou ilumina em nós? Duas perguntas que se juntam às inúmeras interrogações que percorrem aquele livro sapiencial do Antigo Testamento.

«A longa reflexão que enche prateleiras de bibliotecas inteiras e os inúmeros cenários dramáticos da vida no mundo atual, impressos em nós pela insistência dos meios de comunicação social, sublinham a pertinência do diálogo entre as nossas e as perguntas que este livro nos oferece.» (Texto de apresentação do curso)

As sessões do curso livro “As perguntas de Job – Atualidade e sentido” decorrem em Lisboa, na Universidade Católica Portuguesa (UCP), à quarta-feira, entre as 18h00 e as 20h00.

O livro de Job

«O livro de Job constitui, no contexto da Bíblia, um dado bem característico e original. Em primeiro lugar, porque enfrenta a questão da experiência religiosa pessoal como um objeto de reflexão e porque o faz com uma profundidade humana e um dramatismo dignos do melhor humanismo e da mais requintada arte literária; em segundo lugar, porque não representa muito diretamente a linguagem teológica mais característica do Antigo Testamento. O facto é que este livro se impôs como um dos mais elevados momentos literários da Bíblia; e, para a História da teologia, da filosofia e da cultura, até aos dias de hoje, ficou a ser um verdadeiro marco miliário da tomada de consciência dos dramas da experiência humana.

A importância que este livro assumiu na Bíblia e nas religiões bíblicas - Judaísmo e Cristianismo - veio-lhe também, em grande parte, do facto de nele se exprimir um dos temas máximos da cultura e da literatura humanistas do Médio Oriente Antigo. É a questão do sofrimento e das suas repercussões, quer diretamente na experiência de quem sofre, quer indiretamente na interação que se produz entre as conceções morais e outras categorias religiosas fundamentais, tais como sofrimento e doença, pecado e castigo, santidade e felicidade. Enfim, é o problema de saber se existe alguma correlação justa ou lógica entre a maneira honesta como se vive e a maneira como a vida nos corre.» (Bíblia Sagrada, ed. Difusora Bíblica)

Programa

23, 30 de março; 13 de abril; 25 de maio
Job na Bíblia Luísa Almendra
6 de abril
Job na Judaísmo Esther Muzcnik
4 de maio
Job na Filosofia Américo Pereira
11 de maio
Job no Cinema Inês Gil
18 de maio
Job nas Artes Visuais Paulo Pires do Vale
1 de junho
Painel interdisciplinar

As inscrições decorrem entre 14 e 22 de março, entre as 16h00 e as 17h00, no secretariado do Centro de Estudos de Religiões e Culturas (UCP), ou noutro horário, mediante marcação.

A inscrição no curso custa 40 €, com 50% de desconto para alunos da UCP ou outras instituições, mediante a apresentação de comprovativo.
in SNPC

sexta-feira, 4 de março de 2011

A discórdia na Igreja católica

Uma amiga do blogue sugeriu o link de um texto de Timothy Radcliffe. O texto, em inglês, intitula-se "Overcoming Discord in the Church" (Ultrapassar a discórdia na Igreja). Neste texto, o ex-superior dos Dominicanos reflecte, como é seu hábito, sobre temas cruciais na vida da Igreja. Fala das divisões, das diferentes sensibilidades e "traça" duas categorias de católicos: Os "Católicos do Reino" (Kingdom Catholics) e os "Católicos da Comunhão" (Communion Catholics).

O texto aparece organizado em vários subtítulos, que passo a enunciar:
  • Ambos estão a sofrer: sobre o sofrimento na Igreja e, em particular, nestas duas categorias de católicos
  • Actuando em todas as pessoas: sobre a acção do Espírito Santo
  • Conversa: sobre o diálogo e o encontro de um terreno comum
  • Falar sobre as verdades: sobre a necessidade de falar sobre tudo, inclusivamente as verdades básicas e os dogmas da fé. Sobre mistério e revelação, palavras e silêncio
  • Eu era jovem e tinha cabelo comprido: sobre os medos e as ameaças que, para alguns, parecem espreitar a cada canto; sobre castigo, reconhecimento e amor, catolicismo e universalidade
  • O que significa ser Romano: sobre o sentido de identidade, não estar "de acordo com", criatividade, liturgia como um dom
  • É difícil saber o que dizer: sobre a celebração da Eucaristia, passividade, receber um talento, ética sexual, pastoral, moral e dilema
  • O que diz o Evangelho sobre sexo: sobre o entendimento cristão da nossa sexualidade, o entendimento eucarístico do sexo, e urgências na mudança de atitude e de aprofundamento.
Ler o artigo na íntegra aqui

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Cristo era necessariamente belo? Onde se encontra a Beleza?

Sobre Beleza

Desde pequeno sempre me incomodou que as "imagens" e representações dos santos quase sempre roçassem um "kitch" que, de tanto se querer perfeito, suave, sereno e bonito, cai no artificial, no estereótipo e até no feio. O que é certo é que a Beleza fala de Deus e nem tudo o que "ornamenta" as nossas igrejas fala Dele.

Mas a reflexão e procura da Beleza não vem de agora, e mesmo hoje não há unanimidade em muitos temas que a ela dizem respeito. Para alimentar um pouco a fogueira, aqui vai uma pequena reflexão sobre a beleza (ou falta dela) de Cristo:

«Talvez hoje nos espante saber que uma das discussões mantidas pelos Padres da Igreja era decidir se Cristo era ou não belo. Não é uma questão menor ou fútil como, talvez, à primeira vista possamos julgar. De facto, é a própria Liturgia que continua a alimentar esse debate. Ela, por exemplo, aplica a Jesus o Salmo 45:


«O meu coração vibra com belas palavras;
vou recitar ao rei o meu poema!
A minha língua é como pena de hábil escriba.
Tu és o mais belo dos filhos dos homens!
O encanto se derramou em teus lábios!
Por isso, Deus te abençoou para sempre!» (...)

A Beleza, e a Beleza de Cristo em particular, captura o nosso coração, fere-nos intimamente, abre-nos à revelação, faz com que deixemos de pertencer a nós mesmos, obriga-nos a relativizar o que éramos, a esquecer muitas vezes a nossa pátria e a casa dos pais, atrai-nos para si. É isso que a Igreja reza no Salmo 45.

Mas ao mesmo tempo que a Liturgia utiliza amplamente o salmo também considera indispensável a luz que traz ao mistério de Cristo o drama do Servo Sofredor, descrito em Isaías 53,1-4:

«Quem acreditou no nosso anúncio?
A quem foi revelado o braço do Senhor?
O servo cresceu diante do Senhor
como um rebento,
como raiz em terra árida,
sem figura nem beleza.
Vimo-lo sem aspeto atraente,
desprezado e abandonado pelos homens (...)»

José Tolentino Mendonça, in “Reconciliar-se com a beleza” (publicado em "O tesouro escondido")

Ler mais em SNPC

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

A filosofia do Rosto

Emmanuel Levinas e a noção de "Rosto"

Emmanuel Levinas nasceu em 1906 na Lituânia, no seio de uma família judaica, tendo-se naturalizado francês. É pois conhecido como um filósofo francês, cuja cultura adotou e representou, tendo falecido em Paris, em 1995.

Foi muito influenciado pela cultura russa, tendo assistido à revolução de outubro de 1917, pelo pensamento de Edmund Husserl, sobre quem escreveu a sua tese de doutoramento, e pela religiosidade judaica, herdada do berço materno e mantida durante toda a vida. Foi feito prisioneiro pelos alemães na II Guerra Mundial, e após a sua libertação viria a lecionar na Escola Normal Israelita Oriental de Paris, e em várias universidades francesas, entre as quais a Sorbonne. Durante esse período terá escrito a maior parte das suas obras, entre as quais, provavelmente, a mais significativa, Totalidade e Infinito (1961).

Apesar da marcada influência da cultura e religiosidade judaica o pensamento de Lévinas tem inúmeras articulações com o cristianismo. E talvez a mais saliente se condense na noção de rosto, por ele inaugurada, qual eixo e matriz do seu pensamento.

Aqui Rosto humano não é entendido no seu sentido plástico, estético ou psicológico, mas é rosto enquanto marcado pelos traços do sofrimento e da indigência: “Rosto do estrangeiro, da viúva e do órfão, rosto que não posso reconhecer senão pelo dom e pela negativa; sou livre para dar e negar. (…) As coisas não são como pensa Heidegger, o fundamento do lugar, a quinta-essência de todas as relações que constituem a nossa presença no mundo (…) O facto decisivo é a relação do eu com o outro; aqui as coisas não se manifestam como aquilo que é construído, mas aquilo que e dado”, escreve ele em Totalidade e Infinito.

O rosto introduz-nos ao sofrimento do outro: a fome, a pobreza, o frio, a humilhação e a violência sofrida constituem a retórica do rosto, a introdução do rosto no universo dos valores. Neste caso não os valores triunfantes, auto-justificativos ou narcísicos, mas os valores que se revelam no lado oprimido da vida. Estamos pois perante um pensamento que encontra no outro o seu centro de gravidade, e de uma forma bem próxima da que encontramos nas Bem-Aventuranças. Ou mais genericamente na Boa Nova anunciada por Jesus Cristo.

Mais um pensador que não sendo confessionalmente católico, não deixa de nos inspirar através das suas profundas intuições, e do seu pensamento que atravessou grande parte do século vinte.
José Acácio Castro
Universidade Católica Portuguesa
In Voz Portucalense, publicado a 10 de Novembro de 2010
In SNPC 12.11.10
http://www.snpcultura.org/id_emmanuel_levinas.html

Porque estou aqui

Sinto-me privilegiado por ter encontrado na Igreja um lugar vazio, feito à minha medida. É certo que tê-lo encontrado (ou encontrá-lo renovadamente, pois não é dado adquirido) foi também mérito da minha sede, do meu empenho, de não baixar os braços e achar, passivamente, que não seria possível. Passo a contextualizar: a comunidade onde vou à missa é pequena e acolhedora, e podia bem não o ser. Ao mesmo tempo, sentia um desejo grande de reflexão de vida cristã e encontrei um casal (heterosexual) que tinha a mesma vontade. Começámo-nos a reunir semanalmente numa pequena comunidade de oração e reflexão que, apesar de crítica, nos tem ajudado a sermos Igreja e a nela nos revermos. Paralelamente, face ao contínuo desencanto em relação a algumas posturas e pontos de vista de uma Igreja mais institucional e hierárquica, tive a graça de encontrar um grupo de cristãos homossexuais, que se reuniam com um padre regularmente, sem terem de se esconder ou de ocultar parte de si.

Sei que muitos cristãos homossexuais nunca pensaram sequer na eventualidade de existirem grupos cristãos em que se pudessem apresentar inteiros, quanto mais pensarem poder tomar parte e pôr em comum fé, questões, procuras, afectos e vidas.

Por tudo isto me sinto grato a Deus e me sinto responsável para tentar chegar a quem não teve, até agora, uma experiência tão feliz como a minha.

Este blogue também é teu

São benvindos os comentários, as perguntas, a partilha de reflexões e conhecimento, as ideias.

Envia o link do blogue a quem achas que poderá gostar e/ou precisar.

Se não te revês neste blogue, se estás em desacordo com tudo o que nele encontras, não és obrigado a lê-lo e eu não sou obrigado a publicar os teus comentários. Haverá certamente muitos outros sítios onde poderás fazê-lo.

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Os textos e as imagens

Os textos das mensagens deste blogue têm várias fontes. Alguns são resultados de pesquisas em sites, blogues ou páginas de informação na Internet. Outros são artigos de opinião do autor do blogue ou de algum dos seus colaboradores. Há ainda textos que são publicados por terem sido indicados por amigos ou por leitores do blogue. Muitos dos textos que servem de base às mensagens foram traduzidos, tendo por vezes sofrido cortes. Outros textos são adaptados, e a indicação dessa adaptação fará parte do corpo da mensagem. A maioria dos textos não está escrita segundo o novo acordo ortográfico da língua portuguesa, pelo facto do autor do blogue não o conhecer de forma aprofundada.

As imagens que ilustram as mensagens são retiradas da Internet. Quando se conhece a sua autoria, esta é referida. Quando não se conhece não aparece nenhuma referência. Caso detectem alguma fotografia não identificada e conheçam a sua autoria, pedimos que nos informem da mesma.

As imagens são ilustrativas e não são sempre directamente associáveis ao conteúdo da mensagem. É uma escolha pessoal do autor do blogue. Há um critério de estética e de temática ligado ao teor do blogue. Espero, por isso, que nenhum leitor se sinta ofendido com as associações livres entre imagem e conteúdo.

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