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A diversidade na Igreja

"A casa do meu Pai tem muitas moradas", diz-nos Jesus no evangelho.

A unidade na diversidade não é sempre aparente na Igreja enquanto povo de Deus, mas é uma realidade em Deus e uma presença na fé cristã desde a sua origem. A Palavra de Deus não é partidária, elitista e exclusiva. O Reino de Deus é como uma árvore que estende os ramos para dar abrigo a todos os pássaros do céu. Cristo não morreu na cruz para salvar uma mão cheia de cristãos. Até o Deus Uno encerra em si o mistério de uma Trindade.

A Palavra de Deus é inequívoca e só pode levar à desinstalação, à abertura ao outro, e a recebê-lo e amá-lo enquanto irmão ou irmã. Ninguém fica de fora, nem mesmo - se tivessemos - os inimigos.

Muitos cristãos crêem nesta Igreja, nesta casa do Pai, corpo de Cristo, templo do Espírito Santo. Mas como esquecer que muitos se sentem "de fora" por se verem rejeitados, amputados e anulados, e afastam-se por ninguém lhes ter mostrado que há um lugar para cada um, com a totalidade do seu ser?

Um blogue para cristãos homossexuais que não desistiram de ser Igreja

Porquê este blogue?

Este blogue é a partilha de uma vida de fé e é uma porta aberta para quem nela quiser entrar. É um convite para que não desistas: há homossexuais cristãos que não querem recusar nem a sua fé nem a sua sexualidade. É uma confirmação, por experiência vivida, que há um lugar para ti na Igreja. Aceita o desafio de o encontrares!

Este blogue também é teu, e de quem conheças que possa viver na carne sentimentos contraditórios de questões ligadas à fé e à orientação sexual. És benvindo se, mesmo não sendo o teu caso, conheces alguém que viva esta situação ou és um cristão que deseja uma Igreja mais acolhedora onde caiba a reflexão sobre esta e outras realidades.

Partilha, pergunta, propõe: este blogue existe para dar voz a quem normalmente está invisível ou mudo na Igreja, para quem se sente só, diferente e excluído. Este blogue não pretende mudar as mentalidades e as tradições com grande aparato, mas já não seria pouco se pudesse revelar um pouco do insondável Amor de Deus ou se ajudasse alguém a reconciliar-se consigo em Deus.
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quinta-feira, 22 de março de 2018

4ª meditação do P. Tolentino no retiro do papa

Quando renunciamos à sede começamos a morrer

A acédia, estado de apatia, desânimo, fraqueza, tristeza e melancolia, é o contrário da sede e do desejo de vida: foi este o tema que esteve no centro da meditação proposta na manhã desta quarta-feira pelo P. José Tolentino Mendonça durante os exercícios espirituais da Quaresma que o papa Francisco e membros da Cúria Romana estão a realizar em Ariccia (...).

«Quando renunciamos à sede, então começamos a morrer. Quando desistimos de desejar, de encontrar gosto nos encontros, nas conversa, nos intercâmbios, na saída de nós mesmos, nos projetos, nos trabalhos, na própria oração», apontou o poeta e biblista português na sua quarta reflexão.

Este desânimo que atinge a relação com Deus tem outros sintomas: «Quando diminui a nossa curiosidade pelo outro, a nossa abertura ao inédito, e tudo nos soa como um requentado “déjà vu” que consideramos como um peso inútil, incongruente e absurdo, que nos esmaga».

Parece que a vida que «eu vivo» é a de outra pessoa, recordava Kierkegaard (séc. XIX), enquanto que Evágrio Pôntico (séc. IV) falava do «demónio da acédia» e S. João Cassiano (sécs. IV-V) recordava as consequências na vida dos monges: uma insatisfação profunda que leva à perda do entusiasmo.

A própria exortação apostólica “Evangelii gaudium”, sobre o anúncio do Evangelho no mundo atual, do papa Francisco, adverte para os efeitos nefastos da «psicologia do túmulo», «que pouco a pouco transforma os cristãos em múmias de museu» e pode conduzir «a uma tristeza melosa, sem esperança, que se apodera do coração como o mais precioso elixir do demónio».

Os estados depressivos não se curam só com comprimidos

A contemporaneidade «medicalizou a acédia, enfrentando-a como uma patologia que deve ser tratada do ponto de vista psiquiátrico». «Mesmo dentro de um quadro clínico, é evidente que a acédia ou os estados depressivos» não se podem curar só com «pastilhas», mas «devem envolver na cura a pessoa inteira».

«Há muitos sofrimentos ocultos cuja origem devemos descobrir que se radica no mistério da solidão humana», e nesse contexto pertencem também ao domínio do itinerário espiritual (...).

O “burnout”: Um esgotamento emocional


Há também outro problema que «se amplia cada vez mais», o “burnout”, que literalmente significa “queimar-se”, um esgotamento emocional que pode atingir inclusivamente os sacerdotes.

Em geral, quando uma pessoa se sente abandonada, permanece apenas um vazio, que se enche com angústia ou com falsos paliativos, como a mundanidade, o álcool, as redes sociais, o consumismo ou a hiperatividade. Há quem traga as feridas de lutas ou fracassos, do abandono ou abusos quando eram crianças, da pobreza económica, da guerra.

Jonas, Jacob e o jovem rico

São três as figuras que podem fazer compreender esta dinâmica. Na história de Jonas vê-se como o diálogo entre surdos é muitas vezes o que caracteriza a nossa relação com Deus, na qual não se ouve porque se está «relutante ao conteúdo da vontade de Deus», à lógica da sua misericórdia.

Jacob, ao contrário, lutou com Deus até ao amanhecer: há nele um desejo de vida, enquanto que Jonas é «caprichoso», colide com o desejo de vida de Deus, que quer introduzir todos os seres humanos numa relação existencial nova.

A tristeza ligada à acédia recorda também a do jovem rico, que obedecia a todos os mandamentos mas na hora decisiva prefere os seus bens, em vez da aventura aberta de viver na confiança. «Não é raro que a nossa tristeza provenha desta incapacidade», afirmou o P. Tolentino Mendonça.

Urge fazer um exame sobre a desvitalização do desejo: nem sempre o problema é o excesso de atividade, mas o não ter as motivações adequadas.

Amar como Jesus
A resposta à acédia está em Jesus. O laço com Ele passa necessariamente pela configuração na Paixão. Na palavra da esposa do Apocalipse, «vem», revela-se a necessidade profunda que a Igreja experimenta em relação à vinda do Espírito, como destacava também Simone Weil.

«Nesta palavra está a marca de tudo aquilo de que temos necessidade, a razão do nosso grito, a razão da nossa esperança e, muitas vezes, a razão da nossa desesperança, do nosso fracasso, do nosso cansaço, e a necessidade de superar tudo isto em Deus.

Aquele a quem dizemos “vem!” é o mesmo que nos diz: «Vinde a mim, vós todos que estais cansados e oprimidos, e eu vos darei alívio. Tomai o meu jugo sobre vós e aprendei de mim”», assinalou o P. Tolentino Mendonça.

Debora Donnini In Vatican News

Tradução e edição de SNPC
Ler 1ª meditação
Ler 2ª meditação

A boa solidão

Ir para dentro de si e não encontrar ninguém durante horas

«Uma só coisa é necessária: a solidão. A grande solidão interior. Ir para dentro de si e não encontrar ninguém durante horas: a isto é preciso chegar.

Estar só como está só a criança. Se nos aproximamos de uma criança absorta num jogo ou na exploração de um objeto, tem-se repentinamente da sua parte uma reação brusca: ele gosta de estar só consigo próprio, com as suas fantasias, os seus arabescos gestuais e mentais.

Depois, quando cresce, perde esta capacidade de estar consigo próprio e começa, sim, a vida em companhia, mas também a lógica do bando e do rumor de fundo, uma espécie de distração permanente do silêncio. Desta maneira perde-se a possibilidade de se encontrar a si próprio, de escutar-se, de penetrar no secreto da consciência.»

É isto que o grande poeta austríaco Rainer Maria Rilke (1875-1926) evoca numa das suas “Cartas a um jovem poeta”. Estar só contém em si o germe da reflexão, da maturação, da fineza espiritual, da própria contemplação de fé.

Infelizmente é um exercício que desapareceu do horizonte educativo e das práticas quotidianas, inclusive dos adultos. É assim que sobe o grau da superficialidade, da irritabilidade, da banalidade e da indiferença.

O silêncio para «ir para dentro de si» é uma espécie de dieta da alma que nos purifica das misérias, nos eleva das coisas, nos liberta do tagarelar, nos despoja das realidades inúteis.

Mas atenção: ainda que sejam parecidos exteriormente, a verdadeira solidão não é isolamento, porque este é uma prisão da alma e um terreno onde pode florescer a erva daninha da infelicidade ou acontecer a morte do amor.

P. (Card.) Gianfranco Ravasi
In Avvenire, publicado pelo SNPC em 15 de fevereiro de 2018

domingo, 18 de março de 2018

Autonomia e Solidão

Criados pelo amor dos outros

"Penso que é consensual elogiar a nossa autonomia, a autonomia pessoal – cada um de nós se sentir com capacidade de levar a sua vida por diante e fazer responsavelmente as suas escolhas, viver segundo o seu jeito, a seu modo, a sua arte, a sua vocação. Cada um poder desenvolver as suas competências dessa forma autónoma é alguma coisa muito boa nas nossas vidas – sentirmos que a responsabilidade da nossa vida é nossa e que nós temos de responder, e que ninguém vai viver por nós as várias etapas da nossa vida. Somos nós, muitas vezes na nossa irredutível solidão, no nosso silêncio, que temos de dar o passo em frente. E construímos a nossa vida para assumir a responsabilidade que a existência significa.

Viver significa agarrar nas próprias mãos a vida e levá-la por diante. O grande perigo é nós acharmos que somos completamente autónomos, que dependemos apenas de nós, que vivemos em função de nós e que a nossa missão e a nossa vocação fundamental se esgotam no cuidado de nós próprios e na afirmação pessoal nas diversas áreas que compõe a nossa humanidade. Porque, se pensarmos bem, a nossa vida em todos os seus momentos fundamentais foi um dom, foi um dom. Foi objeto de uma conspiração amorosa para que nós pudéssemos ser, para que nós pudéssemos viver.

Ainda esta semana tive a alegria de ser mais uma vez tio-avô. E, a preparação do nascimento da criança que nasceu, o envolvimento de toda a gente, o correr, o andar de um sítio para o outro, fez-me recordar aquilo que está na origem da vida de todos nós e que às vezes nós temos uma dificuldade enorme em trazer à nossa memória: talvez na etapa fundamental da nossa vida, que é a nossa entrada na vida, nós não fomos os protagonistas. Erámos o alvo de toda a atenção, de todo o cuidado, tantas mãos se juntaram, tantas vidas se juntaram para que aquele momento pudesse ser um momento feliz, um momento de chegada tranquila. Mas, naquele momento, nós fomos completamente criados pelo amor dos outros, pela ternura dos outros, pelo profissionalismo dos outros que geraram a nossa vida.

Então, há esta memória fundamental em todos nós que é: Como é que tu nasceste? Como é que tu chegaste? Como é que tu começaste? Mas não só não foi apenas há 80 anos, há 50 anos que aconteceu isto, se olharmos bem está sempre a acontecer.

Por isso, na leitura do profeta Ezequiel, o pastor que representa Deus diz: “Eu cuido diretamente das minhas ovelhas, eu vou cuidar delas, pego-as ao colo, trato da ferida da que anda doente, robusteço e encorajo aquela que está forte. Sou Eu.” Há uma rede de cuidados da qual muitas vezes nós não tomamos consciência, porque olhamos para a vida de uma forma automática. Por um lado, como se tivéssemos direito a tudo, como se o nosso dinheiro comprasse todos os serviços e todo o amor que nos rodeia. Muitas vezes achamos que o pão sai do nosso saco em casa, que as coisas que enchem o nosso frigorífico saem diretamente do nosso frigorífico, que as pequenas e grandes coisas do nosso quotidiano não têm por trás uma rede de cuidadores da nossa própria vida. E não apenas em relação à vida presente, ao aqui e ao agora. Na Carta de S. Paulo aos Coríntios, neste magnífico capítulo 15, S. Paulo diz: “Assim como por um homem começou a existência no mundo, a nova vida, a nova criação também começa por Jesus Cristo.” E Ele vem para dar uma nova criação, para ressuscitar-nos e para garantir que Deus seja tudo em todos. Então, na nossa origem e na nossa escatologia, no nosso meio, nós somos objeto desse cuidado permanente. Por isso, penso que há uma gratidão à vida, há uma gratidão aos outros, um reconhecimento de que, de facto, somos objeto de um amor que muitas vezes nós não temos olhos para o ver, para o saudar, para dizer obrigado, obrigado, obrigado. Por todos os dias, por tudo aquilo que recebemos incessantemente, incessantemente. Se é verdade que às vezes nos lamentamos e nos queixamos: falta isto, falta aquilo, poderia ser de outra maneira, isto foi feito desajeitadamente, não era o que eu merecia. Mesmo assim, o bem supera em larga medida o lado desajeitado ou o lado mais cru da própria existência. Por isso, nós precisamos de aprender a gratidão e de dizer mais vezes obrigado, tomando consciência da rede que nos sustenta, que é uma rede que não é apenas económica. Achar que é a dimensão económica, é o nosso porta-moedas, que resolve o cuidado da nossa vida é tão pouco, é tão pouco. Porque essa é apenas uma parte, é apenas uma mediação, é apenas uma condivisão do dom. Porque, o cuidado mais importante é impagável, o cuidado mais verdadeiro, aquele que nos embala, aquele que nos dá colo não tem preço, não tem medida. E precisamos agradecer, precisamos agradecer e tomar consciência de como Deus cuida de nós, como somos cuidados, como a nossa vida é estimável – é inestimável a nossa vida. E nós somos embalados diariamente nesse amor. Não vivamos como se tivéssemos direito a tudo, como se tudo nos fosse devido, mas expressemos mais vezes o nosso reconhecimento tomando consciência de que, por um lado, nós somos os protagonistas da nossa vida, mas há tantos coprotagonistas sem os quais a nossa vida não seria possível que verdadeiramente o nosso coração se tem de encher de reconhecimento.

A consciência de que somos cuidados tem de nos tornar cuidadores da vida uns dos outros, se não a vida é uma oportunidade perdida. Se não nos tornamos cuidadores perdemos a vida, perdemos a vida. É isso que Jesus nos diz neste capítulo do Evangelho de S. Mateus, onde Ele diz, quase de uma forma crua, como se fosse um juízo universal, o juízo final. Porque tem de haver um momento em que nós percebemos: ou acertei ou falhei. Não vamos andar sempre a enganarmo-nos, não vamos andar sempre numa bolha de ilusão. Há um momento, e na vida de todos nós esses momentos acontecem, em que se despertam sorrisos ou se acordam lágrimas em que nós percebemos: eu perdi a minha vida ou valeu a pena ter vivido, valeu a pena ter estado ali, valeu a pena ser quem era, valeu a pena o caminho que eu fiz porque pude ser, pude servir, pude cuidar. E é, de facto, a dimensão do cuidado que é para Jesus o ponto que nos deve servir para perceber se a nossa vida valeu, ou se a nossa vida em algum momento ficou para trás, em algum momento se perdeu. Jesus é muito concreto, Ele diz: “Vinde, benditos de Meu Pai, recebei em herança o Reino. Porque tive fome e destes-Me de comer, tive sede e destes-Me de beber, era peregrino e Me recolhestes, era peregrino e Me vestistes, estive doente e viestes visitar-Me, estava na prisão e fostes ver-Me.”

Podemos dizer: isto é para interpretar simbolicamente. E é também simbolicamente porque muitas pessoas nos dão de comer. Para mim, às vezes um texto, uma palavra, é como um pão. É tão saborosa ou mais saborosa do que o pão que como. E aquilo que nos dá de beber, e aquilo que nos veste é uma rede também simbólica, é. Mas também, é literal, é literal e nós não podemos esquecer isso. Quer dizer, nós cuidamos uns dos outros de forma simbólica, damo-nos uns aos outros e essa dádiva é muito importante. Mas a literalidade destas palavras que Jesus repete às ovelhas e aos cabritos devem entrar-nos verdadeiramente no coração.

Porque, às vezes, andamos perdidos com muitas coisas, muitas coisas importantes, muitas coisas urgentes, muita coisa que nos enche, muita coisa que nos envaidece. E depois? O essencial da vida, a luta pela sobrevivência, os momentos de crise, os momentos decisivos da vida dos outros nós falhamos, nós falhamos. Porque não damos de comer, não damos de beber, não vestimos, não visitamos, não acompanhamos o dilema, os momentos dilemáticos crucificantes da vida dos outros. E, se não estamos lá, é a nossa vida que perdeu a sua função. Nós não nos tornamos conspiradores para que o grande milagre da vida possa acontecer, deixamo-nos como um pão que fica no saco e fica duro de um dia para o outro, até ter de ser deitado fora porque já não tem utilidade. Não deitemos a nossa vida fora. No último domingo do ano, Jesus vem dizer-nos isto: não deitemos a nossa vida fora, tornemo-nos artesãos deste cuidado fundamental, desta assistência à vida, tornemo-nos parteiros da vida todos os dias fazendo a vida acontecer, trazendo a vida cá para fora, alimentando a ovelhinha fraca, encorajando aquela que caminha, reparando, restaurando, recosendo, alimentando, vestindo.

Sabem, às vezes os nossos amigos oferecem-nos imagens que depois nos ficam na cabeça, eu tenho a certeza de que este amigo já se esqueceu daquilo que fez. Mas eu todos os dias tenho pensado nisso. A semana passada, em Roma, num dia depois de jantar, fomos passear ali pela praça de S. Pedro, e estão muitos sem-abrigo a dormir debaixo das colunas. Íamos a conversar, aquelas coisas importantes que os padres e os teólogos conversam, e ele olhou – e depois eu também olhei – para um homem que estava a dormir, estava muito frio, o homem tinha um cobertor mas tinha os pés de fora, os pés assim espetados de fora. E ele deixou-nos e foi e tapou os pés ao homem. E nós ficamos: “Mas o que é que estás a fazer?” E ele chegou ao pé de nós, olhou para o que fez e viu que o outro pé ainda estava por cobrir, e foi outra vez cobrir o pé daquele homem que dormia com os pés destapados.

Aquele gesto eu não me esqueci e penso nele todos os dias. Já não me lembro do que estávamos a conversar, mas lembro-me que ele deixou a conversa para fazer a única coisa que era importante: que era ver quantos pés estavam destapados e tapar os pés daqueles que dormiam na rua. Às vezes pensamos: o que ele teria de fazer era levar o homem para outro sítio. Não, o que temos de fazer é oferecer um copo de água, é dar uma palavra de alento, é limpar uma lágrima, é tapar um pé que está ao frio."

Pe. José Tolentino Mendonça, Domingo XXXIV do Tempo Comum in Capela do Rato

quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

Um pensamento de Hellen Keller

Rocío Garcia: Very, very light and very oscuro
I would rather walk with a friend in the dark, than alone in the light. 

Prefiro caminhar no escuro com um amigo do que com luz mas sozinha

Hellen Keller

sábado, 21 de outubro de 2017

Como seres inacabados

«Nas mãos do oleiro/ o universo descobre-se/ inacabado»

Uma das formas fundamentais da sabedoria é a descoberta que cada um de nós vai fazendo, a ciclo e a contraciclo, a tempo e fora de tempo, na nossa vida. E numa vida adulta avançada, muitas vezes é isto que experimentamos: descobrimo-nos inacabados porque nos descobrimos nas mãos do oleiro.

É importante associar a experiência da vida em aberto e a experiência de estarmos a viver continuamente um processo de criação.

Este dia da nossa vida, em que parece que já não há nada para acontecer, em que parece que já vivemos tudo o que havia a viver, é um dia da criação.

«O que se instala na perfeição/ desconhece aquilo/ que só a indigência revela»

Um dos maiores obstáculos na vida espiritual é a ideia ou desejo de perfeição, porque eles se configuram como o anseio de sair para fora da nossa vida, imaginar uma vida outra, viver com a culpa ou a miragem de uma vida que não é nossa.

O objetivo do trabalho espiritual não é colocar-nos fora de órbita, mas reenviar-nos para o coração da existência, para o que somos, abrindo-nos para uma arte inesperada que é a da indigência - percebermos que na nossa imperfeição há uma sabedoria que está a ser revelada.

A verdadeira sabedoria, que nos faz tocar o coração da vida, é a da indigência, da pobreza, do tosco. Tudo o resto são fórmulas, que podem até ser úteis, mas não são a experiência; podem ser um belo sentimento, uma bela paixão, mas não são aquilo que nós podemos viver.

«Diariamente repito/ escolhas e imperfeições:/ a natureza dos seres em solidão»

É importante percebermos que a nossa escolha é sempre imperfeita, e que diariamente habitamos o imperfeito de forma estável.

É importante levarmos a sério a nossa própria vida, aquilo que somos, abraçarmos a nossa solidão. Porque esse abraço àquilo que somos de forma desprevenida, despojada, é a única possibilidade de um abraço de Deus, a única possibilidade de um abraço que nos salva.

«O meu desejo na primavera:/ que mesmo as flores selvagens/ venham florir à minha porta»

Gostamos da arte da jardinagem, e por vezes a nossa vida é uma arte permanente. Olhamos para o jardim, gostamos, não gostamos, intervimos, cortamos, cerceamos; é muitas vezes um jardim à maneira francesa, com aquele gosto pelas figuras geométricas, pelas formas, pelo jogo da simetria, pelo pandã.

Por vezes, a nossa forma de arrumação torna-se uma obsessiva ilusão, porque a vida é viva, isto é, é informe, em bruto, não trabalhada. Temos de desejar os nossos canteiros muito bem ordenados e floridos, mas também desejar que as flores selvagens, de que não conhecemos o nome nem a forma, venham florir à nossa porta.

Elas dão-nos o espelho do nosso inacabamento, dão-nos a impressão não de uma vida doméstica, que é sempre uma vida domesticada, mas a impressão de uma vida outra, de uma vida na sua torrente, na sua originalidade, na sua verdade.

«A vida monástica/ é uma forma de nudez/ que não se envergonha de si»

É essencial olharmos para uma das imagens iniciais do livro do Génesis, quando Adão e Eva se descobriram nus e se esconderam de Deus. Esta metáfora é também muito da nossa existência.

A nossa vida espiritual é muitas vezes uma arte de esconder, uma arte de não revelar. E a vida que mostramos a Deus é subtraída, é uma vida que nós queremos ser digna de ser vista por Deus, mas que deixa de ser a nossa própria vida.

Os mestres da vida espiritual mostram-nos precisamente o contrário: a Deus, temos de levar a nossa nudez, isto é, a nossa radical verdade, a vida destapada, desoculta e informe."

José Tolentino Mendonça 

Monjas Dominicanas do Mosteiro de Santa Maria, Lumiar, Lisboa a 9 de novembro de 2013
In SNPC

domingo, 27 de outubro de 2013

Carta a um leitor anónimo e solitário

No ano passado recebi um e-mail de um leitor que terá criado uma conta com nome fictício para se sentir mais confortável e mais protegido. Demorei algumas semanas a responder e, quando o fiz, o mail nunca foi entregue - provavelmente a conta foi fechada. Mas como penso que a história contada (fictícia mas com muitos traços de realidade) e a resposta dada possa ser útil a algum leitor, tomo a liberdade de as transcrever para o corpo desta mensagem de moradasdedeus:

Mensagem recebida de um leitor gay católico não assumido

Olá! Estive a fazer umas pesquisas na internet e descobri o teu blogue, que me chamou a atenção.

Confesso que não li muitos posts (até porque eram grandes) mas o que me me fez escrever este e-mail foi a vontade de ouvir e ter contacto com alguém que vai perceber o sofrimento enorme que tenho sentido!

Eu também sou gay (não assumido) e católico. Tenho 25 anos e sou formado em Direito.
Nasci numa família extremamente conservadora (de quem gosto muito) e a maior parte dos meus amigos - ou pelo menos aqueles com quem tenho amizades mais profundas - também são católicos activos e empenhados. 

A minha experiência de fé está muito ligada à espiritualidade Inaciana (aos Jesuítas) que, dentro da Igreja, acabam por ser bastante abertos. Ainda assim, e apesar de me ter sentido sempre acolhido pelos padres com quem falei, estou numa tristeza enorme por ser gay. Sinto-me completamente inferiorizado, tenho pena de ser assim e, no fundo, adorava ter uma família e filhos.

Ultimamente, por sugestão do meu orientador espiritual, tenho procurado, em oração contemplar o olhar amoroso de Deus para mim, gay... E não consigo. Sinto que este é um ponto na minha vida que correu mal. Que deu para o torto. E Deus, que me ama no todo, não ama especificamente essa minha vertente. Eu sei que isto não faz muito sentido. O padre que me orienta até se esforça por me convencer que não existe qualquer fundamento para isso mas eu não consigo avançar na oração.

Também em casa e entre os amigos me sinto sempre inferior. Fico completamente destruído pelas piadas homofóbicas e fico de rastos com a possibilidade de haver suspeitas de que eu sou gay. Este ano especificamente, em que muitos dos meus amigos se vão casar, cada vez que os vejo juntos e felizes fico ainda mais triste com a minha solidão (embora fique feliz por eles).

Por outro lado, não me identifico nada com o mundo gay... as paradas e desfiles, as noites de engate, as bichas histéricas, etc. "A minha cena" é diferente. Acredito em compromisso, em relações profundas e difíceis. Acredito no verdadeiro amor, no que dá trabalho, no que pede investimento e entrega.

Ponto de situação - sinto-me completamente só! Parece que tenho um ácido que me vai destruindo. Tenho imensa pena de não ter uma doença grave, que me faça durar pouco. Ou então de não ter coragem (e pouco respeito pela vida) para me poder suicidar.

Enfim...
Não sei muito bem porque é que te estou a escrever. A verdade é que dificilmente me poderás ajudar, tanto mais que nem me conheces. De qualquer maneira, se tiveres tempo e vontade responde.
Um abraço.

P.S. - Desculpa mas toda a minha identificação é fictícia. Criei este e-mail para poder expressar livremente a minha condição.

Resposta ao leitor

Olá!
Aproveito estes momentos mais tranquilos para responder calmamente ao teu mail.

Antes de mais quero dizer-te que fico muito feliz por teres chegado ao blogue e ainda mais feliz por teres encontrado a coragem de escrever a mensagem. Sinto-me muito privilegiado quando vejo que, de alguma forma, o blogue vai cumprindo a sua primeira vocação: o ser útil a alguém e fazer com que esse alguém compreenda que não está só e não é um caso isolado. E, por essa razão, quero reafirmar-te a minha disponibilidade para te escutar e, se quiseres, para partilhar contigo a minha experiência pessoal e a minha experiência enquanto pessoa que já conheceu muita gente que vive um conflito interior entre a sua condição (homossexual) e a sua fé ou educação, que é muito doloroso e até pode ser muito destrutivo.

O blogue já tem algum tempo, e comecei-o depois de aceitar plenamente a minha homossexualidade e de ter falado com os meus pais e algumas pessoas que me eram mais próximas. Tenho a sorte de ter uma fé bem alicerçada e de ter trabalhado com relativa facilidade o possível conflito entre a minha orientação sexual e a religião. Outras questões foram bem mais morosas e difíceis. Mas não me quero desviar do teu mail. Estava a falar-te do blogue. É verdade que alguns posts são grandes, e não te aconselho a ler o blogue de fio a pavio. Mas quando tiveres questões ou assuntos que te interessem de um modo particular, no fim da primeira página tens uma série de palavras-chave, que te podem conduzir mais directamente ao tema do teu interesse. Outra forma é ires ao historial do blogue e escolheres pelos títulos.

Adiante.
Falaste-me da tua família, dos teus amigos, da espiritualidade com que te identificas mais. Deixa-me dizer-te que tens sorte por teres uma família que amas, e nada disso vai mudar, independentemente do futuro. E tens sorte também por te identificares com a espiritualidade inaciana, que é uma lufada de ar fresco no mofo da Igreja em Portugal (ainda muito conservadora e hierarquizada). Os Jesuítas são homens muito abertos à sociedade onde vivem. São pessoas habituadas a escutar e a ir ao encontro das pessoas e são pessoas normalmente inteligentes e com espírito crítico, sem grandes preconceitos e sem medos (o conhecimento normalmente afasta o receio cego). Tens um director espiritual que te escuta, e isso é extraordinário. É frequente haver directores espirituais que são um pouco manipuladores, e o teu não parece ser. Escolheste ter um director espiritual: se estás contente com o "trabalho" que estão a fazer em conjunto, aconselho-te vivamente a confiares nele.

Quanto à tua tristeza, posso compreendê-la perfeitamente: quem não desejaria ser heterossexual, quem não desejaria ter uma vida mais fácil, uma relação mais socialmente integrada e aceite? Sobretudo quando se deseja ter uma família e filhos...

Também eu passei anos a negar, a querer construir algo que no meu íntimo sabia não ser capaz de construir... Mas sabes, agora já não me sinto tão triste. Não pelo facto de ser gay; às vezes sim pela dificuldade de encontrar alguém com quem possa construir uma relação duradoira. Ou até pela dificuldade de encontrar alguém de uma forma natural e de me apaixonar assim (apesar de não ter nada contra quem conheça pessoas pela net, continuo a acreditar que prefiro apaixonar-me por alguém que conheça na minha vida quotidiana).

Quanto ao descobrires o olhar amoroso de Deus, a mim também me parece fundamental. Achas que se Deus não te quisesse como és, tinha-te feito gay? Acreditas mesmo que Deus se anda a enganar ou a fazer experiências falhadas? Não, a tua vida não deu para o torto, nem vai dar! A vida é uma coisa maravilhosa e incompreensível, e também difícil e tortuosa, mas não teria piada nenhuma se não o fosse... Seria tépida e enjoativa e ninguém construiria nada com as suas vidas. Não haveria artistas, nem santos, nem ninguém lutaria por construir um mundo melhor - porque não acreditariam que fosse possível. Deus ama-te inteirinho. Deus até ama as coisas que nos parecem menos boas. Mas. acredita, ser gay não entra na categoria dos "defeitos" (até ao século passado achava-se que ser canhoto era defeito, assim como ser mulher). Se não fosses gay serias certamente menos sensível, menos atento ao sofrimento alheio. E daqui a uns tempos, quando te conseguires amar e aceitar inteiramente, verás que serás uma pessoa muito melhor e um ser humano mais completo - provavelmente, se não fosses gay, nunca terias de trabalhar isso.

Se em oração não consegues acreditar nesse olhar amoroso que Deus tem para ti, pede-lhe simplesmente perdão pela dificuldade de acolher esse Amor. Oferece-lhe a tua pobreza, o teu medo, a tua insegurança e a falta de amor (a ti mesmo). E podes oferecer-lhe mesmo isso, pois Deus está cheio de tudo de bom o que tens para dar. O que Ele quer mesmo é a tua fraqueza, pois isso Ele não tem, mas pode certamente transformar.

Quanto ao sentimento de seres inferior... Não és, e sabes disso! Ninguém é inferior a ninguém. Somos todos seres humanos. Jesus viveu com homens e mulheres pecadores, seres "inferiores". Não achas que Ele o fez por alguma razão? Achas que o facto de Ele ter morrido e ressuscitado por ti, não mudou nada na tua vida? Na minha mudou!

E os medos das suspeitas. É normal que os tenhas: tu ainda não trabalhaste em ti a aceitação. Como não ter receio que os outros não aceitem? Essa é uma fase seguinte: primeiro tens de acreditar (cabeça) e aceitar (coração) que o G (nome fictício do leitor) é homossexual, e que não há qualquer problema nisso. Depois, aos poucos, vais ficando menos tenso e menos na defensiva, e deixas de ter medo das "suspeitas".

Conheço um rapaz homossexual, que dizia saber desde sempre que era homossexual. Ele não queria nada parecê-lo, e tentava sempre manter uma postura impecável mas muito rígida e inflexível. Uma vez disse-lhe que sempre soube que ele era gay. Ele ficou espantado, perguntou-me se se notava (com receio que algum trejeito o tivesse revelado). Eu disse-lhe para ele não ter receio, pois não era disso que se tratava: era a sua rigidez e constante tensão. Como vês, às vezes o feitiço pode-se virar contra o feiticeiro. E outra coisa que te quero chamar a atenção - pois neste caso isso acontecia -, tens de prestar atenção se esse medo das suspeitas e a tua sensação quando contam piadas homofóbicas não tem a ver com a tua própria homofobia. Sim, podes crer que há muitos gays homofóbicos. E isso é um mecanismo natural de defesa (porque desejavas ser heterossexual, porque tens dificuldade em aceitares-te como és). Não te estou a acusar de nada - não te conheço -, nem te quero ofender, quero somente alertar-te para as "manhas" da nossa cabeça e para a complexidade de todo o processo da aceitação da nossa sexualidade.

A solidão é de facto um fardo pesado a carregar. Não se aplica somente aos homosexuais, mas a todo o ser humano. Mas não podemos confundir o estar sozinho com o estar só. Ao longo da minha vida tenho trabalhado essa questão. Gosto muito quando não estou sozinho, e desejo ter um companheiro de vida, mas acho que aprendi a nunca estar só. Há fases na minha vida em que estou sozinho - por exemplo agora - mas sinto que é importante aprender a estar bem sozinho. Só se está bem acompanhado se se sabe estar bem sozinho. Claro que isso parece um chavão mas, acredita, nos meus 35 anos de vida tem sido uma descoberta. Mas digo-te que também eu, por vezes, sinto a solidão.

O mundo gay com que não te identificas, também eu e a maioria dos gays que conheço não se identifica com ele. A tua "cena" é diferente da "cena cultural gay" mediatizada, mas é a mesma da maioria dos gays. Só que a sociedade faz com que andemos às escondidas, daí não ser fácil ter referências que consideres positivas, construtivas, com as quais te identifiques. Mas elas existem, e cabe-nos construí-las.

Ponto da situação: não estás só! Eu estou aqui, e há muita gente que não conheces que anda por aí. Não deixes que o teu coração escolha o caminho fácil (o do desespero, o de desejar morrer, o do suicidio). Também eu sonhei e pensei muitas vezes nisso. Mas amo demais a vida, e já "morri" uma vez. Aguento o sofrimento, sei disso. E tu também. O ser humano tem uma energia vital e uma capacidade de reconstrução espantosa. Tens uma vida para construir, do que estás à espera? Espero não te assustar com tantas palavras e - aparentemente - tantas certezas. Não o quero fazer, só te quero dar força e dizer-te que estou aqui. E dizer-te também que se quiseres falar de tudo isto estarei cá.

Abraço-te calorosamente, e estou mesmo aqui, para o que for preciso neste processo.
Rioazur

sexta-feira, 25 de outubro de 2013

A fé fora do templo


As quatro vias para a espiritualidade cristã contemporânea de Etty Hillesum
parte II


Um convite à oração

A segunda forma pela qual a vida de Etty nos interpela e desafia é sobre as pressuposições da própria religião: de que as instituições a detêm e controlam, acerca da questão que reside no cerne da mesma e a forma pela qual nós pensamos nas suas fronteiras. (...)

A sua caminhada até à fé em Deus transformou a sua vida, mas aconteceu fora de qualquer instituição religiosa. Etty é uma figura contemporânea, também neste sentido. A sua história convida-nos a reconhecer caminhadas de fé alheias a instituições religiosas, e anima-nos nessa caminhada. Também desafia aqueles que trabalham nas instituições religiosas a refletir mais profundamente sobre a razão pela qual são tão desconsiderados, e a escutar aqueles que se encontram para lá das suas fronteiras.

Grande número de pessoas do mundo ocidental, sobretudo jovens, sentindo as pressões de uma irrequieta sociedade consumista, sentem que o seu estéril secularismo não lhes oferece nada em termos das questões de significado mais profundo. Podem sentir-se num deserto espiritual... e assim, por entre as exigências, as pressões e o ritmo de vida vivido à superfície das coisas, existe uma fome profunda de «espiritualidade». Contudo, este interesse pela «espiritualidade», que se revela numa grande diversidade de maneiras, não se encaixa facilmente nas narrativas e nas expectativas das instituições religiosas preestabelecidas. Assim, na Europa (a situação nos Estados Unidos parece ser diferente), verifica-se a situação paradoxal de que um interesse crescente pela «espiritualidade» corresponde a um declínio da frequência institucional da Igreja. Isto conduz-nos ao que reside no coração da espiritualidade num mundo pós-moderno.

Num útil artigo intitulado «A crise da pós-modernidade», o escritor e teólogo Philip Sheldrake sugere que, aqui, se verifica uma confusão de interrogações. Há a interrogação em que as instituições religiosas ainda se centram com afinco, nomeadamente, «O que é ou quem é Deus?» Mas, por detrás da «busca espiritual contemporânea», há uma questão diferente (embora, na tradição mística, com ela relacionada), designadamente, «Quem sou eu?» O problema para as instituições religiosas é que, nos seus credos, liturgias e, muitas vezes, na sua pregação, exploram e expõem uma resposta para a primeira questão, que tem vindo a ser cada vez menos colocada.
(...)

A questão do ego

(...)Esta questão sobre Deus já não é o ponto em que começa a busca espiritual contemporânea. O que conduz esta busca é a questão - a surpreendente, e até misteriosa questão - do ego. Quem sou eu, no caráter único dos meus sentimentos, relações, reações e sentido de pertença ou não pertença; no contexto particularíssimo da minha vida, da minha história e do meu possível futuro?

As instituições religiosas não parecem ter apreendido toda a força desta mudança: o poder do terramoto secular a nível do entendimento que ocorreu e que alterou o centro dos interesses. Continuam a comportar-se como se a antiga visão do mundo continuasse a imperar. Não deviam estar tão surpreendidos pelo facto de os seus números continuarem a declinar.

Etty Hillesum fala ao mundo moderno porque a sua caminhada começou com a psicoterapia, com a questão que muitos outros fazem, de vários modos: «Quem sou eu?» Ela começou com o enigma desconcertante e perturbador de si própria, e a sua caminhada prosseguiu fora de qualquer instituição religiosa.

[6 pistas para a caminhada orante]

Houve cinco elementos-chave nessa caminhada: uma relação de aceitação incondicional dentro da qual ela se sentia segura para explorar a sua experiência; exploração intelectual do pensamento de alguns escritores-chave, nomeadamente Jung e Rilke; a influência do seu mentor, uma pessoa de fé, que a introduziu em textos religiosos fundamentais, nomeadamente os Salmos, o Novo Testamento e Santo Agostinho, e em vários outros, ainda; a sua própria resposta à ânsia que sentia dentro de si para rezar; e o desenvolvimento de discipli­nas particulares da vida espiritual.

O seu caminho particular constitui um estímulo e um encorajamento para aqueles para quem parece difícil pertencer às instituições religiosas. Quer uma pessoa continue a ser ou não membro de uma igreja ou sinagoga ou da instituição de qualquer outra tradição de fé, Etty convida-nos a aprofundar mais a nossa exploração pessoal.

(...)
O momento mais íntimo e talvez mais importante da caminhada de Etty foi quando ela começou a rezar. Escreveu que «deu consigo», de repente, ajoelhada no tapete castanho de fibra de coco na casa de banho. Parece ter ocorrido de forma involuntária, como reação a «uma grande necessidade» proveniente mais de uma parte profunda de si própria do que da sua mente. Sentiu-se profundamente embaraçada com isso, e a «porção ateia racional e crítica» da sua pessoa fitou-a, estupefacta, chamando-lhe louca. Eis um momento-chave da sua caminhada de fé: um momento em que temos de nos libertar de todo o nosso «palavreado», de nos libertar do desapego da mente inquisitiva, e de responder a alguma necessidade primitiva do coração, e - ignorando o embaraço e qualquer sentido de insensatez - atrever-se a dizer «Sim».

Uma vez atravessada esta barreira - embora o embaraço volte a surgir e a parte racional e crítica das nossas pessoas, que tem uma importância profunda, certamente volte a afirmar-se - a oração poderá, lentamente, começar a ser habitual, e até, como Etty descobriu, muito necessária. Em determinado ponto do seu diário, Etty escreve: «Continuo a dar comigo em oração.»

Se quisermos entrar realmente neste potencial - para descobrir aonde o mesmo nos pode conduzir - as disciplinas desta vida têm de ser praticadas. Tal como aprender a pintar, ou a tocar um instrumento musical, é um trabalho difícil e não pode ser aprendido de um dia para o outro. Para Etty, a sua espiritualidade e a sua oração significava aprender «a viver artisticamente», uma expressão que ela foi buscar a Rilke. Para o conseguir, ela sabia que «a paciência é tudo» (fazendo ressoar mais uma vez as palavras de Rilke); a paciência e a prática de certas disciplinas. E quais são essas disciplinas?

- silêncio - «há um vasto silêncio em mim que continua a crescer»
- solidão - «no profundo de nós mesmos, todos nós carregamos uma vasta e frutífera solidão»
- atenção, na tomada de consciência e na abordagem dos «rebanhos selvagens» dos pensamentos e sentimentos
- uso de imagens, aprendendo a conhecer tanto o seu poder como os seus perigos
- ler os Salmos, extraindo deles apenas uma frase e plantando-a nas profundezas do coração, onde o seu significado pode crescer.
E (o mais importante para Etty):
- aprender a escutar «tudo o que nos chega de fora... e... tudo o que brota de dentro» - o desenvolvimento de uma consciência intuitiva daquilo que é «mais essencial e mais profundo» em nós próprios, nos outros, na interligação da vida.

Tudo isto e mais ainda fazia parte da caminhada de Etty, que, sobretudo depois de ter deixado os seus amigos em Amesterdão e de Spier ter morrido, se tornou solitária. Na sua carta dirigida a Henny Tideman vislumbramos a sua solidão. Para este trabalho de espiritualidade se manter, precisamos de amizades e de comunidades. Também precisamos, depois de termos confiança suficiente para nos confrontarmos com ele, do desafio, ajuda e correção mais vastos que a instituição religiosa competente pode oferecer à nossa caminhada pessoal. Sejam quais forem as nossas reservas, é isso que dá vida à nossa tradição: o lugar onde a nossa história é publicamente assumida e celebrada. Nós pertencemos-lhe... e precisamos de participar da sua vida e de contribuir para ela.

E assim, além de encorajar os que não pertencem a instituições religiosas, a história de Etty desafia aqueles que têm a responsabilidade de moldar tais instituições, mediante uma interrogação profunda. Como podemos garantir que as nossas liturgias, rituais e cerimónias respiram com o tipo de espírito contemplativo que atrairá os de fora da instituição além de seduzir mais profundamente aqueles que se possam manter hesitantes nas suas margens?

Nota: Esta transcrição omite as notas de rodapé.
por Patrick Woodhouse, In Etty Hillesum - Uma vida transformada, ed. Paulinas
ler mais em SNPC

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Abraçados podemos voar

Partilho este belíssimo texto sobre o amor e o casamento

Abraçados podemos voar


(...) Tenho tido nestes anos, como padre, a gratíssima alegria de casar dezenas de amigos. Sei por eles, e da forma mais pura, a verdade daquele verso de Dante que diz: «o amor move o sol e as outras estrelas». Ao olhar para o interior das suas vidas, para dentro dos seus sonhos e até dos seus temores é esse incomparável mistério que se deteta: o modo como o amor, como a frágil força do amor é capaz de mover, de transfigurar e de unir, até ao fim, cada fragmento do corpo e cada filamento da alma.

Um outro autor italiano escreveu: «Somos anjos de uma asa apenas. Só permanecendo abraçados podemos voar». O casamento é a serena e criativa conjugação destes dois sentimentos que, fora dele, pareciam destinados a existir unicamente em contraste: a solidão e a comunhão. O amor agudiza a consciência de sermos um; descobre, aos nossos próprios olhos, a irresolúvel incompletude que individualmente nos caracteriza, a nossa insuperável carência; e ensina-nos o sabor de uma, até aí desconhecida, solidão: aquela que se sente por estar privados do ser amado. No bíblico livro de Rute isso vem assim explicitado: «a vida tratar-me-á com duros rigores se outra coisa, a não ser a morte, me impedir de olhar diariamente o teu rosto» (Rt 1,17). A solidão incandescente com que o amor fere os que se amam é, porém, o que faz dele uma prática de desejo e de caminho, um exercício de mendicância (na verdade, o amor é sempre uma conversa entre mendigos) e de busca, uma forma de entrega e de súplica. Por alguma razão a experiência religiosa da mística recorre a uma linguagem próxima desta amorosa. Os enamorados percebem o estado dos grandes orantes e vice-versa, creio.

Mas o amor é sobretudo milagre da comunhão. Uma comunhão construída também com esforço, é claro, conquistada continuamente ao território muito defendido do egoísmo, traduzida em decisões quotidianas e vigilantes. Porém, não é propiamente de uma conquista que se trata, mas do arrebatamento comum pelo dom, do espanto inesgotável, de uma hospitalidade radical. «Se me tapares os olhos: ainda poderei ver-te. Se me tapares os ouvidos: ainda poderei ouvir-te. E mesmo sem pés poderei ir para ti. E mesmo sem boca poderei invocar-te». O fundamental é vislumbrado e servido em completa dádiva, acontece sem porquês, no âmbito de uma gratuidade infatigável, numa geografia sem condições nem reservas. O amor não se explica: implica-se. É uma voluntária hipoteca, um sigilo de sangue, entrelaçamento vital. Os enamorados conspiram com o milagre e, por isso, tornam-se, de forma tão íntima, cúmplices de Deus.

Compreendo o aviso meio irónico que Auden faz contra as festas de casamento. Ele diz que os noivos deviam ser humildes e não fazer logo no primeiro do seu casamento uma festa colossal, quando, no fundo, está ainda tudo por construir. Mas também acho impossível não celebrar a alegria do casamento, e fazê-lo com uma simbólica desmesura. Poucos momentos dão a ver assim a vida na sua transparência.
José Tolentino Mendonça
In Diário de Notícias da Madeira, 14.09.11
Publicado em SNPC

domingo, 23 de janeiro de 2011

Encontrar a Trindade é escapar da solidão

ícone de Rublev
Conversando com Françoise Dolto


«Há cem anos nascia Françoise Dolto (1908 – 1988). A psicanalista tinha, além do apartamento parisiense, onde viveu e morreu, uma casa de férias em Antibes, a que chamou “La Soledad”. Podemos imaginar a razão desse nome dado a um espaço conquistado às rotinas e fadigas, abrigo de intimidade, criação e silêncio. Um dos seus últimos livros leva também esse nome. É um volume que recolhe dispersos e uma longa conversa acerca do lugar da solidão (e, logo, sobre o desejo de comunhão), e seus efeitos sobre construção inacabada e frágil da vida.

Aí, conversando sobre a solidão, Françoise Dolto irrompe, inesperadamente, a falar da Trindade. E modo como o faz, não a partir das categorias catequéticas tradicionais, mas com a linguagem que ela sempre usou para avaliar e cuidar da vida interior, pode ser muito iluminante. Na tradição cristã, há a consciência que o discurso sobre a Trindade nos obriga a trocar as palavras por balbucios. [...]

Ela escreve: “Acho maravilhoso encontrar em Deus a Trindade, essa relação de amor a três. É algo que encontramos justamente no desejo de viver de cada um de nós. Assumimos aí o nosso papel no interior de uma situação triangular: pai, mãe, filho. […] O facto de remontar à Trindade, ou seja, aos três desejos divinos circulantes, é extraordinário, pois foi assim que fomos concebidos”.

[...] [Em t]odos os “segundos nascimentos”, sempre que a vida nos impele a um recomeço, seja a partir de feridas e perdas, seja a partir de encontros e esperanças, o “esquema trinitário” é-nos imprescindível. “A nossa solidão só pode ser curada quando expressa criativamente e quando ajudada por alguma outra pessoa, que cria assim uma situação triangular. Somos dois, conversamos: o terceiro é a palavra. A palavra, que vem sempre de outro, prova que somos três”.»

José Tolentino Mendonça

In O hipopótamo de Deus e outros textos (2.ª ed.), Assírio & Alvim
http://www.snpcultura.org/vol_o_regresso_de_o_hipopotamo_de_Deus.html

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

O contributo dos homossexuais para a compreensão do Amor

No campo das artes - da literatura à poesia, do cinema ao teatro, da pintura à escultura, da dança à música - muitos foram os homossexuais que abordaram o tema do Amor.´É um contributo a não negligenciar, que abre e alarga o conceito, revelando novos ângulos da própria essência e profundidade do Amar. É fonte de riqueza e de fertilização num conceito tantas vezes tornado estéril pela banalização. O amor não é heterossexual, nem homossexual. O amor, só por si, é uma condição!

É urgente o amor

É urgente o amor.
É urgente um barco na mar.

É urgente destruir certas palavras,
ódio, solidão e crueldade,
alguns lamentos,
muitas espadas.

É urgente invejar alegria,
multiplicar os beijos, as searas,
é urgente descobrir rosas e rios
e manhãs claras.

Cai o silêncio nos ombros e a luz
impura, até doer.
É urgente o amor, é urgente
permanecer.

Eugénio de Andrade

sábado, 20 de novembro de 2010

O caminho solitário da oração e o acompanhamento espiritual

10 pistas para a Oração

9ª pista
É preciso ser acompanhado espiritualmente?

Apoiando-se na narração dos Evangelho onde Jesus foi levado ao deserto para ser tentado (Mateus 4, 1), todas as famílias espirituais asseguram: aquele que reza é forçosamente confrontado com os seus demónios. No século IV, João Cassiano, nas suas conferências sobre a oração que proferia aos monges, comparava o nosso espírito a um moinho cujas pás são movidas pelo vento. Cabe a nós não as impedir de girar, dizia, mas podemos dar-lhes a moer fermento ou joio.

«Em certos momentos, o acompanhamento espiritual pode ser necessário para verificar que não estamos no caminho errado, para desconstruir as armadilhas da ilusão e da omnipotência», afirma a Ir. Véronique Fabre.

«Por exemplo, quando só ouvimos aquilo que temos desejo de ouvir, deixando de lado certas passagens da Bíblia com o pretexto de que não as compreendemos. O acompanhamento pode também ajudar a não avaliar a nossa oração apenas à luz da emoção».

Um conselho: o acompanhamento não é o único meio de ser ajudado a caminhar na oração. O mais importante é não ficar só. Pode ser suficiente participar num grupo para se alimentar da Palavra de Deus, aceitando ser interrogado por ela.

Martine de Sauto
in La Croix
tradução de Rui Martins para o site da SNPC (publicado a 19 de Novembro de 2010)
http://www.snpcultura.org/paisagens_dez_conselhos_oracao.html

Ler no blogue:
1ª pista http://moradasdedeus.blogspot.com/2010/11/10-pistas-para-oracao-quando-onde-e.html
2ª pista http://moradasdedeus.blogspot.com/2010/11/orar-com-o-corpo.html
3ª pista http://moradasdedeus.blogspot.com/2010/11/orar-com-o-canto-com-os-salmos-com.html
4ª pista http://moradasdedeus.blogspot.com/2010/11/rezar-com-ou-sem-palavras.html
5ª pista http://moradasdedeus.blogspot.com/2010/11/ler-e-copiar-e-deixar-se-revestir.html
6ª pista http://moradasdedeus.blogspot.com/2010/11/rezar-aprende-se.html
7ª pista http://moradasdedeus.blogspot.com/2010/11/oracoes-prontas-usar-e-oracao-em-grupo.html
8ª pista http://moradasdedeus.blogspot.com/2010/11/quem-rezamos-afinal-deus-maria-aos.html

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

O homem que dizia adeus

Primeiro em Picoas, depois no Saldanha... também o vi no Restelo. A figura deste homem - o Sr. João - ajudava-me a lembrar que a cidade não é só constução de betão e vidro: ela faz sentido na medida em que congrega pessoas. E as pessoas relacionam-se. O senhor João era uma réstia de humanidade entre o alcatrão e os passeios.

Passava os seus serões de pé, numa zona em que os carros passam velozes. Os condutores que já o conheciam apitavam e ele acenava. Os lisboetas sabiam onde estava, muitos não sabiam como se chamava. De cabelo branco e com uns óculos escuros estava ali, fielmente, à noite:

Morreu ontem. Era uma figura mítica da cidade de Lisboa. E com ele morreu ontem mais um bocadinho da história deste cidade.

"Essa senhora [solidão] é uma malvada, que me persegue por entre as paredes vazias da casa. Para lhe escapar, venho para aqui. Acenar é a minha forma de comunicar, de sentir gente"

João Manuel Serra assumiu por várias vezes nunca ter tido de trabalhar. Vinha de uma família abastada que o deixou com rendimentos fartos e lhe permitiu escolher uma «profissão» diferente. Acenava a quem passava pela zona do Saldanha apenas porque acreditava que, dessa forma, fazia os lisboetas mais felizes.

Presto homenagem ao João Serra, conhecido por "Senhor do Adeus" (1930 -2010). Gostava que ele ficasse na memória não como alguém que dizia adeus, porque não era isso que ele fazia: ele não se estava a despedir de ninguém! Ele acenava para cumprimentar, para saudar: era o "Senhor do Olá". Independentemente de qualquer juízo mais condescendente em relação ao seu estado de saúde mental, aqui fica um obrigado a ele e a tantos que poderiam ficar fechados no conforto das suas vidas, mas que escolhem que ela faz sentido na medida em que a comunicam ao próximo... mesmo que o próximo passe veloz.

domingo, 10 de outubro de 2010

Deus não quer o Homem só!

Vida partilhada

É melhor dois do que um só: tirarão melhor proveito do seu esforço. Se caírem, um ergue o seu companheiro. Mas ai do solitário que cai: não tem outro para o levantar! E se dormirem dois juntos, dormem quentes; mas se alguém está só, como se há-de aquecer? Se um só é oprimido, dois já conseguem resistir a isso; o cordel dobrado em três não se parte facilmente.

Eclesiastes 4, 9-12

Porque estou aqui

Sinto-me privilegiado por ter encontrado na Igreja um lugar vazio, feito à minha medida. É certo que tê-lo encontrado (ou encontrá-lo renovadamente, pois não é dado adquirido) foi também mérito da minha sede, do meu empenho, de não baixar os braços e achar, passivamente, que não seria possível. Passo a contextualizar: a comunidade onde vou à missa é pequena e acolhedora, e podia bem não o ser. Ao mesmo tempo, sentia um desejo grande de reflexão de vida cristã e encontrei um casal (heterosexual) que tinha a mesma vontade. Começámo-nos a reunir semanalmente numa pequena comunidade de oração e reflexão que, apesar de crítica, nos tem ajudado a sermos Igreja e a nela nos revermos. Paralelamente, face ao contínuo desencanto em relação a algumas posturas e pontos de vista de uma Igreja mais institucional e hierárquica, tive a graça de encontrar um grupo de cristãos homossexuais, que se reuniam com um padre regularmente, sem terem de se esconder ou de ocultar parte de si.

Sei que muitos cristãos homossexuais nunca pensaram sequer na eventualidade de existirem grupos cristãos em que se pudessem apresentar inteiros, quanto mais pensarem poder tomar parte e pôr em comum fé, questões, procuras, afectos e vidas.

Por tudo isto me sinto grato a Deus e me sinto responsável para tentar chegar a quem não teve, até agora, uma experiência tão feliz como a minha.

Este blogue também é teu

São benvindos os comentários, as perguntas, a partilha de reflexões e conhecimento, as ideias.

Envia o link do blogue a quem achas que poderá gostar e/ou precisar.

Se não te revês neste blogue, se estás em desacordo com tudo o que nele encontras, não és obrigado a lê-lo e eu não sou obrigado a publicar os teus comentários. Haverá certamente muitos outros sítios onde poderás fazê-lo.

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Os textos e as imagens

Os textos das mensagens deste blogue têm várias fontes. Alguns são resultados de pesquisas em sites, blogues ou páginas de informação na Internet. Outros são artigos de opinião do autor do blogue ou de algum dos seus colaboradores. Há ainda textos que são publicados por terem sido indicados por amigos ou por leitores do blogue. Muitos dos textos que servem de base às mensagens foram traduzidos, tendo por vezes sofrido cortes. Outros textos são adaptados, e a indicação dessa adaptação fará parte do corpo da mensagem. A maioria dos textos não está escrita segundo o novo acordo ortográfico da língua portuguesa, pelo facto do autor do blogue não o conhecer de forma aprofundada.

As imagens que ilustram as mensagens são retiradas da Internet. Quando se conhece a sua autoria, esta é referida. Quando não se conhece não aparece nenhuma referência. Caso detectem alguma fotografia não identificada e conheçam a sua autoria, pedimos que nos informem da mesma.

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