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A diversidade na Igreja

"A casa do meu Pai tem muitas moradas", diz-nos Jesus no evangelho.

A unidade na diversidade não é sempre aparente na Igreja enquanto povo de Deus, mas é uma realidade em Deus e uma presença na fé cristã desde a sua origem. A Palavra de Deus não é partidária, elitista e exclusiva. O Reino de Deus é como uma árvore que estende os ramos para dar abrigo a todos os pássaros do céu. Cristo não morreu na cruz para salvar uma mão cheia de cristãos. Até o Deus Uno encerra em si o mistério de uma Trindade.

A Palavra de Deus é inequívoca e só pode levar à desinstalação, à abertura ao outro, e a recebê-lo e amá-lo enquanto irmão ou irmã. Ninguém fica de fora, nem mesmo - se tivessemos - os inimigos.

Muitos cristãos crêem nesta Igreja, nesta casa do Pai, corpo de Cristo, templo do Espírito Santo. Mas como esquecer que muitos se sentem "de fora" por se verem rejeitados, amputados e anulados, e afastam-se por ninguém lhes ter mostrado que há um lugar para cada um, com a totalidade do seu ser?

Um blogue para cristãos homossexuais que não desistiram de ser Igreja

Porquê este blogue?

Este blogue é a partilha de uma vida de fé e é uma porta aberta para quem nela quiser entrar. É um convite para que não desistas: há homossexuais cristãos que não querem recusar nem a sua fé nem a sua sexualidade. É uma confirmação, por experiência vivida, que há um lugar para ti na Igreja. Aceita o desafio de o encontrares!

Este blogue também é teu, e de quem conheças que possa viver na carne sentimentos contraditórios de questões ligadas à fé e à orientação sexual. És benvindo se, mesmo não sendo o teu caso, conheces alguém que viva esta situação ou és um cristão que deseja uma Igreja mais acolhedora onde caiba a reflexão sobre esta e outras realidades.

Partilha, pergunta, propõe: este blogue existe para dar voz a quem normalmente está invisível ou mudo na Igreja, para quem se sente só, diferente e excluído. Este blogue não pretende mudar as mentalidades e as tradições com grande aparato, mas já não seria pouco se pudesse revelar um pouco do insondável Amor de Deus ou se ajudasse alguém a reconciliar-se consigo em Deus.
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quinta-feira, 5 de maio de 2011

Homenagem ao Frei José Augusto Mourão, op

Morreu esta manhã o Frei José Augusto Mourão, da Ordem dos Dominicanos, um nome tão incontornável como pouco reconhecido da Igreja e da Cultura portuguesa. Vai ser celebrada uma missa no Convento dos Dominicanos (Alto dos Moinhos) hoje (dia 5 de Maio) às 21h.
Cito um texto do Pe. José Tolentino Mendonça como homenagem a este homem:


O VAZIO VERDE
  
Um dia, quando se fizer a história do catolicismo português que nos é agora contemporâneo, há-de ver-se, em toda a clareza, que um dos seus actores magistrais foi, afinal, um frade e poeta, quase clandestino, que morreu esta manhã em Lisboa. Chamava-se José Augusto Mourão, e pertencia à Ordem dos Dominicanos. Nasceu em Vila Real em 1947, e construiu uma inscrição absolutamente invulgar na universidade e na cultura portuguesas. Foi professor na Universidade Nova de Lisboa, especializando-se no campo da semiótica, e prestando uma contínua atenção a expressões de vanguarda que transformam os próprios dispositivos da criação (por exemplo, as mutações da literatura na época de cibernética ou as diversas formas de hipertextualidade ou de hiperficção que a nossa alta modernidade tem gerado). Aí deixa uma obra que, sob muitos aspectos, se pode considerar seminal e profética.

Mas ele transportou também o mesmo espírito de profecia para aquela que é a opera magna da sua existência: a impressionante ponte (apetece escrever a “impossível ponte”) que ele, quase marginalmente, desenha entre o campo da fé e o da razão, entre a liturgia e a poética, entre a regra e o desejo. Por alguma razão, ele nunca foi um criador confortável, nem para o campo católico, nem para os parâmetros da cultura dominante. Os ouvidos crentes só a custo se abriam, porque ele operava com uma gramática inusual e exigente, buscava metáforas vivas, que é como quem diz, novas metáforas. Do mesmo modo, ele nunca obteve a visibilidade que certamente merece da parte da cultura. A sua poesia é, por exemplo, litúrgica, coisa que, em Portugal, é imediatamente catalogada de género menor. E alguns dos seus textos mais fundamentais são homilias: ora, as últimas homilias que a cultura portuguesa ouviu foram as do Padre António Vieira! Talvez um dia se reconheça a originalidade e a marca deste homem e se possa então valorizar o que ele hoje nos deixa em herança. Para já sentimos o grande vazio que a sua morte representa, que, como aponta o título do seu primeiro livro de poemas, somos desafiados a viver como um “Vazio Verde”.

                                                           José Tolentino Mendonça

quinta-feira, 31 de março de 2011

Gandhi bissexual?

Não sei o grau de certezas e de verdade sobre esta esta questão, não conheço o livro e não sei se é apenas uma afirmação para o promover mas, aparentemente, é possível que esta grande figura da humanidade e do século XX tenha sido bissexual. Eu sei que o rótulo - qualquer que seja - não ilustra as realidades complexas nem faz justiça ao ser humano, será, por isso, redutor e simplista: a condição e a orientação sexual é apenas uma parte da totalidade da pessoa e tem peso e importância variável entre cada homem e cada mulher. 
Contudo, publico esta informação por julgar que este tipo de notícias possa ajudar a quebrar alguns preconceitos, questionar algumas idealizações e abrir alguns espíritos:

Mahatma Gandhi era bissexual e deixou a mulher por um homem

Pelo menos são essas as revelações de um novo livro sobre o ícone da Índia, segundo o jornal britânico Daily Mail.

O livro que será lançado amanhã afirma que Gandhi teve um romance com Kallenbach, um arquitecto e culturista alemão entre 1908 e 1914 por quem esteve profundamente apaixonado. O casal viveu junto numa casa construída por Kallenbach em África do Sul.

O autor Joseph Lelyveld faz estas e mais revelações sobre a vida íntima de Gandhi no livro ‘Great Soul: Mahatma Gandhi And His Struggle With India’. Segundo Lelyveld, Gandhi casou-se aos 13 anos com a jovem de 14 anos Kasturbai Makhanji e depois de quatro filhos separaram-se e Gandhi passou a viver com Kallebach.

No entanto o casal foi separado em 1914 quando Gandhi voltou à Índia. Kallenbach não o podia acompanhar por ser alemão num clima pós Primeira Guerra Mundial.

Mas desengane-se quem pensa que a vida sexual de Gandhi parou quando foi para a Índia. O livro afirma que Gandhi teve múltiplas amantes e mesmo com 70 anos passava a noite regularmente com a sua sobrinha de 17 e com outras mulheres [nota: já li noutro local que o fazia para se pôr à prova e para lutar contra as tentações da carne]. No entanto ele auto-classificava a concretização das relações sexuais com estas mulheres como uma "vergonha".

A autor Joseph Lelyveld recebeu um Pulitzer em 1986 pelo seu trabalho documental em 'Move Your Shadow' e é um dos editores da revista New York.

In Portugalgay

terça-feira, 29 de março de 2011

Passeio com um p(r)o(f)eta

Uma bela entrevista, que me dá razões para continuar a crer e a esperar na Igreja

Entrevista com Tolentino Mendonça

Se caminhar já é rezar, como dizia São Francisco de Assis, esta não foi uma entrevista. Foi uma oração pelo Príncipe Real


A poesia é um sacerdócio que se ensina e que se aprende. Uma outra maneira de somar palavras para descrever o poeta, o sacerdote, o professor. Tolentino Mendonça, em suma, que afinal o nome que cada um carrega na bagagem é sempre mais forte que a bengala de um título. "O Tesouro Escondido", que entrou esta semana na terceira edição, segue caminho para Itália e Brasil. Pequeno pretexto para uma conversa maior com passagem pelo Teatro da Cornucópia, onde assistiu ao ensaio geral da "Morte de Judas". O dia foi de outra estreia: o interlocutor esqueceu-se da carteira em casa. Na da jornalista, não muito mais precavida, apenas um euro. A providencial moeda chegou para o café. Por sorte, ou por graça de Deus, nenhum dos dois ficou a lavar a loiça.

Comecemos por um esquecimento, que me diz ser obra rara. O da carteira.
Se pensarmos que os nossos esquecimentos são sempre significativos, que querem sempre sinalizar alguma coisa, tem graça nos tempos que correm o desejo de andar sem carteira. Lembra-me uma provocação que vi o Manoel de Oliveira fazer numa entrevista na televisão. Ele dizia estar interessado em pensar o que seria uma sociedade sem dinheiro. Se em vez da compra e da venda, vivêssemos unicamente da troca de bens, de serviços. No fundo, eu penso que em mim há uma nostalgia do dom, uma certa utopia de uma sociedade do dom. Mas de facto para tomar uns cafés, dá jeito trazer a carteira.

Que objectos costuma trazer consigo?
Sabe, eu gosto muito de olhar para os caracóis. Se tivesse que escolher um ser vivo na natureza para falar de mim, era o caracol. Por causa de uma frase que está associada: "Tudo o que tenho, trago comigo". Mesmo quando ando de bolsos vazios, como é o caso deste dia inesperado, penso que trago sempre tudo comigo.

Que essencial é esse?
A verdade do que sou, do que penso. Não há nada mais importante para cada pessoa do que ser inteiro a cada instante e poder sê-lo nas várias situações.

Parte dessa verdade passa pelo nome. Trazia uma grande dúvida antes de aqui chegar. Tratá-lo por padre ou apenas por Tolentino, o autor. Como prefere?
Isso é muito interessante. A maioria das pessoas trata-me pelo nome do meio, Tolentino. Talvez por ser o menos comum, foi adoptado desde criança. Algumas pessoas do universo mais familiar tratam-me por José. E penso que é assim que devemos ser tratados. Nós, portugueses, inflacionamos muito os títulos, somos muito cerimoniosos, o que não quer dizer que tenhamos o sentido da cerimónia. Por exemplo, em Dezembro tive oportunidade de ir com o Centro Nacional de Cultura ao Japão e ali sim, há um sentimento profundo da cerimónia, da atenção ao gesto. Não temos isso. É mais por timidez e defesa que nos colocamos tantos nomes. É curioso. Até nas campainhas das portas colocamos doutor e engenheiro, que é uma forma muito estranha de relação.

Cria uma relação de proximidade tal, talvez pela sua obra, que quase nos esquecemos que também é sacerdote.
Gosto muito de um verso do Ruy Belo que diz "Mesmo quando eu me esqueço de Deus, lembro-me de Deus". Penso que hoje, numa sociedade que reconfigura o lugar do religioso, a pessoa do padre não resiste a uma imagem que o coloque como um ser acima das circunstâncias e da realidade do quotidiano, mas aquilo que se vê é que o padre é cada vez mais chamado a ser um companheiro dos percursos da vida, finalizando, é verdade, uma outra dimensão, mas de uma forma muito simples. O estilo evangélico de Jesus impele-nos a uma atitude de grande simplicidade na relação com os outros.

Uma dimensão espiritual que se cruza com a do conhecimento, como costuma mencionar?
A palavra conhecer quer dizer "nascer com" e o acto de nascer é sempre espiritual. Porque nascemos em vários sentidos, sempre. Esta hora para nós pode ser uma hora de nascimento, a hora em que o leitor está a ler estas palavras. Penso que a espiritualidade liga-se de facto a uma procura de conhecimento, que não é unívoco, ou simplesmente empírico. É uma espécie de abertura, de colocar-se perante o aberto do mundo.

Como tem tempo para sorver este mundo todo? Tem uma quantidade relevante de trabalhos publicados.
É engraçado, eu acabo por achar sempre que faço pouco, que podia fazer muito mais, mas depois olho para trás e vejo que há um caminho percorrido. Mas não tenho essa ideia de estar envolvido num activismo, ou muito preocupado com a produtividade. Talvez porque em cada dia reservo um espaço significativo para a contemplação, para a escuta, para o silêncio. Isso gera de facto uma fecundidade na acção, mas que não é activismo.

Vai tirando notas?
A atenção é a atitude espiritual mais importante. E muitas das coisas que aprendemos em si mesmas, não têm um valor por aí e além, mas servem para nos treinar para a atenção. Lembro-me de um texto de Simone Weil, sobre o estudo escolar. Há muita coisa na nossa formação que se revela sem grande utilidade, mas naquele momento ajudou-nos a construir uma atenção. E isso é o grande valor que cada um de nós transporta. Acredito muito naquilo que os padres do deserto diziam, que o grande pecado é a distracção.

Peca muito?
O povo diz que um santo peca sete vezes ao dia. E eu que não sou um santo...

Socorre-se de auxiliares, para fintar a distracção?
[Tira o bloco azul do bolso] Tenho um bloco comigo. E procuro sempre escrever, porque são muitas coisas, e também me esqueço. Há que organizar também as sensações, e anotá-las. Mas penso que caminho no mundo como uma testemunha, e que essa é a função de cada um de nós. Caminhamos não apenas como espectadores, mas como testemunhas, do sofrimento e do esplendor do mundo.

Acontece-lhe sentir que há leitores que se aproximam mais de Deus pela via dos seus livros que pela Bíblia?
É verdade que algumas pessoas que lêem os meus poemas, e têm um distanciamento em relação à tradição cristã, me dizem algumas vezes que gostam de me ouvir e de me ler como poeta, unicamente. Eu respeito. Respeito porque os tempos de compreensão são coisas muito misteriosas e pessoais. Gosto de fazer coisas diferentes. Por exemplo, antes de vir para cá estava a ler a primeira carta de São Paulo aos Tessalonicenses, que vou dar numa aula amanhã [na quinta-feira], e antes mesmo de sair de casa li um poema do Ruy Belo que tem a ver com o ensaio geral desta peça que a Cornucópia vai mostrar sobre a morte de Judas. Acho que os textos sagrados não se esgotam na Bíblia. A Bíblia é um território sagrado, mas há novos textos sagrados. O poema que li do Ruy Belo é um texto sagrado.

Há quase a ideia de uma estética do espiritual. Sagrado porque belo?
Pela experiencia humana. É sagrado tudo aquilo que dá a ver o ser humano no seu estremecimento. Nesta coisa que é quase original de cada um de nós nascer a cada momento. A aflição, o tumulto, a convulsão, que mesmo quando estamos quietos parece que se adivinha, e que um poema tem obrigação de mostrar nitidamente, e os poemas do Ruy Belo mostram-no.

Como um imperativo de sobressalto que serve de modelo de conduta.
Gosto muito dessa palavra sobressalto. Os cristãos estão agora a viver uma espécie de Primavera interior, que é a quaresma, em vista da Páscoa, e tenho pensado no sentido da palavra ressurreição. O verbo grego quer dizer "levantar-se", mas penso que mais do que levantar-se é um levantamento. Há uma espécie de insurreição naquele acontecimento de Jesus, que de certa forma marca o momento histórico e inaugura uma esperança, que é a possibilidade dos nossos pequenos sobressaltos, do sobressalto de cada dia, que Deus nos dá, de se transformar num grande levantamento, numa espécie de transfiguração.

Se eu preferir ficar aqui no jardim a ler um livro, em vez de ir à igreja, conseguirei esse mesmo levantamento?
Não tenho dúvidas disso. Uma das grandes questões que se põem às comunidades cristãs é justamente viverem com fé. Estes dias dei comigo a pensar nisso, o que é ter fé? É ter fé em Deus, mas é também ter fé na palavra. É acreditar que uma palavra nova, uma palavra comum, pode estar inesperadamente investida de uma força maior. Quem diz uma palavra, diz um gesto. Um cumprimento entre duas pessoas...

[Suprema ironia. Somos abordados por um pedinte. "Viemos sem carteira hoje", responde Tolentino. Quem diz a verdade não merece castigo. Continuemos.]

... pode ser muito mais do que uma rotina. Pode ser um encontro flagrante, fulgurante.

Até no silêncio há fulgor.
Até no silêncio. Os padres do deserto tinham por hábito acolherem numa hospitalidade silenciosa, quando acolhiam um amigo que não viam há muitos anos, não lhe diziam nada. Explicavam: se o meu silêncio não te acolher, a minha palavra ainda menos. Isto para dizer que há novas ritualidades. As comunidades cristãs têm que ter fé nos caminhos humanos, até para vencerem a letargia das suas próprias gramáticas. Queiramos ou não as imagens e palavras gastam-se. Os discursos envelhecem.

Falta imaginação ao quotidiano?
A vida simples, a vida pobre, é o grande módulo da invenção do mundo, da invenção verbal, da oração. Há belas orações nos tratados, que já estão codificadas. Mas há novas orações que estão a ser segredadas, construídas, talvez ainda em fragmentos, de modo inconsciente. Há um potencial de procura de Deus em cada uma das nossas buscas.

Pegando nessa ideia da busca, D. Manuel Clemente dizia que o cristianismo não é um caminho fácil, que se faça a dormir. Como é que acorda para o seu caminho, ainda na Madeira?
Inicio de uma forma muito comum, entre os grupos de amigos, na minha infância, normalíssima, tal como a adolescência. A amizade teve um papel muito importante. A experiência da fé acompanhou-me sempre, a procura do conhecimento, a escuta, marcaram sempre os meus passos.

Nasceu no seio de uma família religiosa?
Sim. A prática religiosa vem do testemunho da minha própria família. Uma das lembranças mais fortes que tenho é ver o meu pai a rezar. Isso marcou-me muito. Começamos a rezar por imitação. Os corpos rezam, são os primeiros a rezar. Pomos as mãos, colocamos o corpo numa determinada posição. Aprendi esta gestualidade num ambiente muito livre. Os meus pais são pessoas de fé, mas de uma forma não impositiva. Sobre a Madeira, há dias revi o filme da Catarina Mourão sobre a Lourdes de Castro, o "Pelas Sombras". Ela dizia que sente muita sorte por ter nascido na Madeira. Também sinto isso.
(...)

Continua a ser um bom caminhante na cidade?
São Francisco de Assis dizia que caminhar a pé é já rezar. Se for assim, já tenho rezado muito. Há itinerários de que gosto muito. O jardim das Amoreiras, Campo de Ourique. Lisboa é tão bonita e diversificada. Sempre um espanto que nos é oferecido. Nunca regressamos pelo mesmo caminho por onde partimos.

Pelo meio, tem uma agenda cultural bastante rica.
Sim. Vi duas vezes o filme "Poesia". Agora vou ao teatro. Procuro acompanhar o que me é possível.

E traz essas referências para o Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura, que dirige. No site somos recebidos pela poesia da Adília Lopes.
É verdade. Acho que a Adília é uma das grandes escritoras espirituais do Portugal contemporâneo. Interessa-me muito o que ela escreve e pensa. A sua amizade é muito importante para mim.

Alguma vez recebeu feedback negativo de autores, que não se revêem na associação ao seu trabalho?
Não. Os retornos que tenho tido são sempre muito positivos, até pela surpresa. Há a ideia de que a Igreja não lê poesia, está desligada das artes contemporâneas, que os padres são incultos, não acompanham o mundo. De repente, não é assim. Neste processo de transformação cultural e de modelos religiosos há lugares de rarefacção da prática religiosa e novas vitalidades. O mundo actual é um laboratório fascinante.

Tal como as pessoas hoje se casam menos, mas ao fazê-lo manifestam uma fé superior a qualquer obrigação histórica, o ritual religioso, se por um lado vem decaindo, por outro não será hoje mais genuíno, para quem o segue? Ou seja, teremos menos, mas talvez melhores cristãos?
Hoje não existe a pressão social que existia há décadas. Nascia-se católico. Hoje voltamos a compreender aquilo que Tertuliano dizia. Não nascemos cristãos, tornamo-nos cristãos. A prática religiosa é uma escolha, entre outras. Isso aproxima a religião mais do desejo, do amor, da criatividade, da individualidade.

É isto que é ser hoje bom cristão?
Precisamos de duas coisas. De voltar a escutar Jesus de Nazaré, a sua palavra, a originalidade do seu discurso. Jesus não é só uma mensagem, Ele próprio é a palavra. Depois, é importante sermos crentes originais. Cada cristão sentir que não tem de repetir. A fé não é um puro movimento mimético. Hoje o espaço católico precisa de um católico que seja um bailarino, outro que pela caridade apresente um testemunho interpelador, outro porque vive no silêncio, outro porque pensa a vida.

Mesmo que nunca tenha folheado a Bíblia?
Penso que mesmo antes de folhearmos a Bíblia já a folheámos. A Bíblia ensopa a experiência de todas as nossas histórias e a experiência espiritual que o cristianismo é.

Segue daqui para o ensaio geral da peça "Morte de Judas", no Teatro da Cornucópia. Já está atrasado, aliás.
É um texto extraordinário do Paul Claudel. Um momento importante de pensamento da relação entre razão e fé, entre a profecia e a instituição, entre a liberdade de ser e o medo de ser.

Segue-se-lhe uma conversa, moderada pelo Luís Miguel Cintra. Convidam-no muito para estas discussões em volta da fé, do mundo?
Sim, a Bíblia acaba por ser um texto do mundo, um parceiro na sua construção. Nesse âmbito convidam-me muitas vezes para conversas. É sempre muito estimulante. A Bíblia é um texto muito aberto e às vezes toca-nos de modo surpreendente. Acredito no que dizia a Maria Gabriela Llansol, no encontro inesperado do universo.

Já tem planos para o resto do dia? O que vai fazer quando sair do teatro?
Vou continuar a estudar, a escrever, até à meia-noite.

Tem material para publicar em breve?
Tenho uma peça escrita, uma encomenda de Guimarães Capital Europeia da Cultura, que espero que seja apresentada. Agora estou a preparar um tema de estudo que me vai ocupar o próximo ano, sobre o comentário que o pensador italiano Giorgio Agamben faz à Carta de São Paulo aos Romanos. É um texto identitário. Ele diz que hoje a Carta atingiu um grau máximo de legibilidade, mais que em outra época, pela natureza messiânica e política.

Costuma acompanhar os desenvolvimentos políticos, pela televisão, por exemplo?
Vejo muito pouca televisão. Hoje possivelmente verei [é quarta-feira, dia em que José Sócrates, horas mais tarde, viria a apresentara sua demissão], porque a situação política é tão forte que é impossível não ter uma atenção.

Como tem seguido estes tempos de incerteza?
Sigo como todos os portugueses, com preocupação.

Quando dispensa a televisão, acompanha os seus serões de escrita com o silêncio?
Às vezes, quando estou muito cansado, o truque para continuar é colocar música de fundo, e por vezes retirar essa música e fazer silêncio.
(...)

Passando para o lado académico, e porque já falamos com o Tolentino poeta e o Tolentino sacerdote, os seus alunos na Universidade Católica também têm o dom do sobressalto? Fazem-lhe perguntas curiosas?
Faço muito o exercício de pedir às pessoas que me falem de um texto. Chama-me muito a atenção o que cada um vê. Fiz o doutoramento sobre um texto de São Lucas e pedia a amigos e desconhecidos para me darem opinião sobre o texto. Fui colhendo coisas que não via. Por isso a hermenêutica bíblica tem que ser aberta.

É habitual citar uma série de referências, de autores e das respectivas obras. Nesta entrevista não foi excepção. É uma muleta consciente?
É um sentido de comunidade. Se for uma muleta, não gosto, porque gosto de ser original. Cada um deve ter um pensamento com consciência própria, mas ao mesmo tempo é importante o testemunho do que se vive em companhia. A Adília Lopes diz: "Eu sou uma obra dos outros". Também sinto isso, por isso não me custa nada lembrar o que os outros disseram, porque também eu sou uma obra deles.
por Maria Ramos Silva, Publicado em 26 de Março de 2011
in I

quarta-feira, 23 de março de 2011

A caridade cristã é para todos os seres humanos: mais um retrato de um perito do Vaticano II

Jean Daniélou: Um regresso às fontes
No ano de 1967 dizia Jean Daniélou em “Evangelho e Mundo Moderno”, ao falar do amor, que «a caridade cristã abrange todo o homem, mas precisamente porque o abrange totalmente, vê-o à luz do que lhe dá a plenitude, a sua vocação de eternidade». O padre Daniélou sabia do que falava, pois sendo filho de um anticlerical podia entrever de perto no que poderia consistir a ausência desta vocação para o eterno. Seu pai, Charles Daniélou fora deputado e ministro da 3.ª República francesa. Sua mãe, Madeleine Daniélou, era uma mulher cristã que fundou o Instituto de Santa Maria e uma universidade feminina gratuita. 

Jean Daniélou nasceu no dia 14 de maio de 1905 em Neuilly-sur-Seine, França. Realizou os seus estudos primários e secundários na sua cidade natal, para os continuar na Sorbonne onde termina a licenciatura em Letras e faz a agregação em Gramática no ano de 1927, tornando-se professor associado da mesma disciplina. E no ano de 1929 entra na Companhia de Jesus em Laval, onde fará os seus votos a 21 de novembro de 1931.

Após os estudos de teologia na Universidade Católica de Lyon, é ordenado sacerdote a 24 de agosto de 1938 e no ano de 1941, em plena 2.ª Guerra Mundial, volta a Paris para dar início ao seu doutoramento no Instituto Católico da capital francesa.

Durante este tempo é simultaneamente capelão do Grupo Católico de Letras e da Escola Superior Feminina de Sèvres. No ano de 1942 publica um pequeno livro intitulado “Le Signe du Temple ou de la Présence de Dieu”. Dado que o seu interesse intelectual e académico versava sobre os Padres da Igreja, Daniélou dá início em 1941, com o padre Henri de Lubac, à coleção “Sources chrétiennes, cujo primeiro volume foi “La vie de Moïs”, de São Gregório de Nissa, publicado em 1943. Em 1944 termina o seu doutoramento com uma tese sobre a espiritualidade daquele santo, tornando-se nesse mesmo ano professor de História das Origens do Cristianismo, no Instituto Católico de Paris.

Em 1961 o padre Daniélou torna-se decano da Faculdade de Teologia daquele Instituto e no ano seguinte, quando tem início o 2.º Concílio Ecuménico do Vaticano, é chamado a participar como “perito”, tendo trabalhado no documento “Gaudium et Spes”, sobre a relação da Igreja no mundo. Quatro anos após terminar o Concílio é ordenado bispo em Paris, no dia 21 de abril de 1969, sendo nomeado cardeal pelo Papa Paulo VI sete dias depois da ordenação episcopal. No ano de 1972, a 9 de novembro, o cardeal Daniélou é eleito membro da Academia Francesa, tendo sido oficialmente recebido na mesma no dia 22 de novembro de 1973, um ano antes da sua morte.

O cardeal Daniélou foi autor de numerosas obras no campo da História da Igreja no que diz respeito às suas fontes (“Origéne” [1948]; “Histoire des doctrines chrétiennes avant Nicée” em 3 volumes [1958]; “Les origines du christianisme latin”; “L’être et le temps chez Grégoire de Nysse” [1970]), contribuindo assim para um regresso às fontes histórico-patrísticas do cristianismo, do qual ainda hoje somos devedores e beneficiários, pelas preciosas e rigorosas edições das “Sources chrétiennes”.

Por L. Oliveira Marques in SNPC

quarta-feira, 16 de março de 2011

Um teólogo do Ecumenismo

Yves Congar: entre a paciência e a esperança
Embora se considerasse um homem impaciente, Yves Marie Joseph Congar afirmou: «As pessoas que têm muita pressa, que desejam compreender o objeto dos seus desejos imediatamente, são incapazes de o fazer. O semeador paciente, que confia a sua semente à terra e ao sol, é também o homem de esperança. Coventry Patmore disse também que o homem que espera que as coisas se revelem em si mesmas, demonstra ter a coragem de não negar na escuridão o que viu na luz».

O teólogo dominicano nasceu a 8 de abril de 1904 em Sedan, França. Durante a Primeira Guerra Mundial a sua casa é ocupada pelos alemães e o jovem Congar escreve vários diários sobre a longa permanência germânica.

Durante os anos 20, após o armistício, passa três anos num convento carmelita, onde encontra a filosofia tomista veiculada pela leitura das obras do filósofo católico Jacques Maritain e de Lagrange. Mais tarde sente-se atraído pela vida beneditina, o que o leva a passar algum tempo com esta congregação. Em 1925, nova mudança: entra no noviciado dos frades dominicanos em Amiens, de onde não voltaria a sair.
Terminado o noviciado, segue os seus estudos teológicos no Seminário de Le Saulchoir in Etiolles, perto de Paris, onde se fazia sentir a preponderância dada à teologia histórica e onde tem como professor Marie-Dominique Chenu.

Sente-se chamado a trabalhar na causa ecuménica. Após a ordenação sacerdotal, em 1930, escolhe como tema da sua tese “A Unidade da Igreja”, pela qual haveria sempre de se bater.
Enquanto docente no Seminário de Le Saulchoir toma contacto com o teólogo protestante Karl Barth, de quem se torna amigo. Na primavera de 1932 conhece D. Lambert Beauduin, que a pedido do Papa Pio XI havia fundado um mosteiro de monges de rito oriental e ocidental. Ainda em 1932 conhece o Abbé Courtier, que foi o preponente da oração universal pela unidade dos cristãos. Desta amizade nasce o convite feito em 1936 a Congar para realizar um conjunto de sermões no primeiro Oitavário pela Unidade dos Cristãos, na histórica paróquia do Sacré Coeur, em Paris. Estas pregações estiveram na origem, em 1937, do seu livro “Cristianismo dividido: um estudo católico sobre o problema da reunião”. O livro chamou a atenção da autoridade eclesial. As suas intervenções sobre a unidade do cristianismo tornam-se um aspeto importante na sua vida e no seu ministério.

Em 1939, início da 2.ª Guerra Mundial, foi chamado para o exército francês, como capelão. De 1940 a 1945 foi feito prisioneiro de guerra pelos alemães em Colditz.

Após o conflito, Congar continuou a ensinar e a escrever, tornando-se um dos mais influentes teólogos católicos em matéria de eclesiologia e ecumenismo, influenciando inclusive o pensamento de Karol Wojtyla, futuro papa João Paulo II.

Em 1947 vê recusado o pedido de publicar um artigo que lhe fora encomendado pelo Conselho Mundial da Igrejas. E durante o pontificado de Pio XII é proibido de ensinar e publicar. Em obediência, retira-se no ano de 1954 para Jerusalém.

Após a eleição do cardeal Roncalli para papa (João XXIII) dá-se a convocação do 2.º Concílio Ecuménico do Vaticano. O padre Congar foi, em 1960, consultado para as comissões de preparação. Tomou parte do Concílio (1962-1965) como perito. Ao que parece é notória a sua influência em muitos dos documentos finais.

Viria a ser ‘feito’ cardeal pelo papa João Paulo II, no ano de 1994, mas por impossibilidade de saúde não pôde tomar parte no consistório.

Yves Congar morreria a 22 de junho de 1995, com 89 anos de idade. A sua vida foi como a do sementeiro paciente que soube aliar à paciência e à cruz a virtude da esperança: «A cruz é a condição de toda a obra sagrada. Deus está no trabalho, que nos parece uma cruz. Apenas por seu intermédio as nossas vidas adquirem uma certa autenticidade e profundidade… Só quando um homem sofreu pelas suas convicções é que ele reconhece nelas uma certa força, uma certa qualidade do inegável, e ao mesmo tempo, o direito de ser ouvido e respeitado».

L. Oliveira Marques
in SNPC

terça-feira, 15 de março de 2011

Um teólogo do Vaticano II

Bernard Häring
Bernard Häring foi o 11.º de 12 irmãos. O seu pai abandonou os estudos para ir trabalhar para o campo, trabalhando na herdade da esposa.
Quando confrontado com a pergunta sobre o papel que a fé desempenhava em sua casa, respondeu: «Como o ar que se respira. Crescemos escutando os nossos pais a rezar. A minha mãe pela manhã e pela noite dava-nos a sua bênção convidando-nos a fazer o sinal da cruz. Nas longas noites de inverno, passadas na companhia de muitos amigos que frequentemente ficavam em nossa casa, ela lia uma página da Sagrada Escritura, convidando-nos depois a todos a uma oração comum».
De seus pais guardava uma memória feliz, pois estes, segundo diz o próprio padre Häring, educaram todos os filhos na virtude do altruísmo.

Häring nasceu a 10 de novembro de 1912 em Württemberg, Alemanha. Com doze anos entra no seminário, pois desejava ser missionário, como os jesuítas Francisco Xavier e Mateus Ricci. A sua decisão vocacional concretiza-se em 1933 e, apesar da sua sedução pela Companhia de Jesus, entra nos Redentoristas, onde tinha estudado. Nesse tempo manifestou ao superior que gostaria de ser missionário no Brasil. Os seus caminhos, contudo, haveriam de ser outros.

Entra na congregação de Santo Afonso Maria de Ligório, em Gars am Inn, perto de Munique, três meses depois de Hitler subir ao poder. Quando iniciou os estudos de Teologia, sentia-se inclinado para a Filosofia, mas gostava também de História da Igreja e de Sagrada Escritura. Todavia, o seu provincial comunicou-lhe que os professores achavam que devia estudar Moral. Aceitou por obediência, como confessará, mas acaba por se apaixonar por aquela disciplina depois de ler a obra do teólogo Tilmann.

Foi ordenado padre no dia 7 de maio de 1939, no ano em que teve início a 2.ª Guerra Mundial, com a invasão da Polónia pela Alemanha nazi. Em setembro desse ano o jovem padre alistou-se no exército, onde serviu conjuntamente com estudantes de medicina, sacerdotes e estudantes de teologia numa secção sanitária, primeiro na Polónia, depois na França e ainda na Rússia. É aqui que participa na batalha de Leninegrado, que o marcará para sempre. Mais tarde reconhece que este confronto, assim como a própria experiência da guerra, contribuíram para o nascimento da sua obra fundamental – “A Lei de Cristo”.

Em 1945, após o fim da guerra, regressa à Alemanha, mas agora para Estugarda. Continuava a querer ser missionário no estrangeiro. Mas o superior da congregação recomenda que volte a estudar e faça o doutoramento, que conclui em 1947.

Obtido este grau académico, começa a lecionar no Seminário de Gars. Dois anos depois o novo provincial pretende abrir nova universidade em Roma, a futura Academia Alfonsiana, dedicada à Teologia Moral, destinada a formar os religiosos redentoristas e depois aberta a todos. Em 1948 é enviado para Roma por um semestre para conhecer a realidade da cidade e ajudar na edificação do projeto. A instituição abriu em 1957 e o padre Häring permaneceu nela 30 anos desde a inauguração, ou seja, até 1987.

Com Congar, Chenu, de Lubac e Rahner, é chamado a participar no Concílio Vaticano II (1962-1965), primeiro na comissão preparatória e, mais tarde, como perito. Foi secretário na sub-comissão encarregue de elaborar o documento que viria a ser intitulado ‘Gaudium Et Spes’, a constituição sobre a presença da Igreja no mundo. Neste tempo conhece o cardeal Karol Wojtyla, futuro Papa João Paulo II, que integra a comissão em 1964.

Häring escreveu mais de 80 livros, entre os quais se destaca “Livres e fiéis em Cristo” (1979), em três volumes, e mais de mil artigos. Morreu a 2 de julho de 1998 em Gars, Alemanha, onde regressou após a docência em Roma.

Por L. Oliveira Marques, in SNPC

segunda-feira, 14 de março de 2011

Filófofa e Santa

Edith Stein: a palavra da Cruz
Duas foram as dimensões que animaram a vida desta filósofa, santa e mártir do século XX: a profunda demanda da verdade e a força da Cruz, ou melhor, a verdade enformada pela radicalidade da cruz, que é para uns loucura e para outros sabedoria e poder de Deus.

Nas suas palavras: «Uma ‘Scientia Crucis’ podemos obtê-la somente quando somos capazes de seguir a Cruz até ao fundo. Disto fui persuadida desde o primeiro momento e disse de coração: “Ave crux, spes unica”».

Edith Stein nasceu de uma família judaica no dia 12 de Outubro de 1891, em Breslau, Alemanha, sendo a mais nova dos onze filhos de Siegfried com Auguste. Todavia, quatro dos seus irmãos morreriam ainda na infância e o seu pai, Siegfried, falecia quando Edith tinha apenas dois anos, ficando a sua mãe Auguste a tomar conta da família.

Embora fosse sempre excelente aluna, aos 14 anos comunicou aos professores, que se lhe opuseram, e à família que iria abandonar os estudos. Foi então viver para Hamburgo com a irmã Else. Durante esse tempo afastou-se cada vez mais do “Deus de Abraão, de Isaac e Jacob”. De tal maneira se distanciou que, livre e conscientemente, decidiu não rezar mais, embora a habitasse um desejo profundo pela verdade.
O seu propósito de deixar de estudar não durou muito e passado um ano voltou para Breslau e para o colégio. Simpatizante dos movimentos femininos da época, Edith termina o bacharelato no colégio em 1911, tornando-se uma das primeiras universitárias da Alemanha.

Considerando-se ateia, que o foi durante dez anos, estudou germânicas, história e psicologia. Mas desiludida com esta ciência, ruma em 1913 para Göttingen, onde ensinava o fundador da fenomenologia, Edmund Husserl, do qual se tornaria discípula e depois assistente. Aí conhece Max Scheler e Adolf Reinach, discípulos daquele. Neste círculo começa a estudar filosofia e fica impressionada com a objectividade da fenomenologia e com o seu método para conhecer a verdade, que a própria tanto desejava.

Em 1915 Edith conclui a licenciatura, mas a 1.ª Guerra Mundial estava em pleno desenvolvimento, por isso interrompe a sua carreira académica e oferece-se como voluntária num hospital militar. Encerrado este, acompanha Husserl para a Universidade de Freiburg, onde recebe o doutoramento em 1916 com uma tese sobre a “Empatia”, sendo-lhe atribuída a nota de “summa cum laude’”. Torna-se a primeira mulher doutorada em filosofia da Alemanha.

O tempo da guerra marcará ainda a vida de Edith. Depois da morte em combate do amigo Reinach, vem a conhecer a sua mulher, que a impressiona pela calma e paz, tudo porque a sua força lhe vinha da fé em Jesus e da sua cruz, como ela mesma havia confessado a Edith.

Stein começa a ler o Novo Testamento e no ano de 1918 separa-se de Husserl por considerar que a sua filosofia se torna mais cada vez mais estreita. Volta a Breslau e sucede a Martin Heidegger na universidade. Edith tenta uma cátedra em filosofia mas nunca lhe foi dada; e mesmo Husserl e Heidegger a criticam por tal pretensão, pois era mulher.

Em 1920 dá-se um acontecimento decisivo para a conversão de Edith Stein. Ela que se encontrava em crise por não encontrar o sentido último da sua vida, vai passar férias com uma amiga católica, Hedwig. Estando uma tarde só em casa dela, retirou da estante a biografia de Santa Teresa de Jesus. Leu-a numa noite e no fim concluiu que estava diante da verdade.

Posteriormente comprou um catecismo católico, o qual estudou com afinco, e após participar na missa pediu a um padre para receber o baptismo. Alguns meses mais tarde, no dia 1 de Janeiro de 1922, era baptizada Edith Stein.

Deseja entrar no Carmelo mas por conselho de alguns amigos sacerdotes, e por respeito à mãe, não o faria de imediato. Nos anos seguintes tornou-se professora no colégio das dominicanas, em Speyer. Nesse tempo traduz as cartas e os diários de Newman, além de São Tomás de Aquino. Desta maneira, mudava o seu pensamento filosófico e aproximava-se cada vez mais e com mais profundidade do cristianismo.

No ano de 1932 Edith Stein é chamada para leccionar no Instituto Alemão de Pedagogia Científica, em Munique, mas alguns meses mais tarde, com a subida de Hitler ao poder, foi demitida, pois era público a sua ascendência judaica. Edith Stein viu no acontecimento o momento oportuno para entrar finalmente no Carmelo, o que veio acontecer no dia 15 de Outubro de 1933, recebendo o nome Teresa Benedita da Cruz.
O regime torna-se cada vez mais hostil para com os judeus e emite em 1935 novas leis racistas. A mãe de Edith, que considerou a sua conversão uma traição ao povo judeu, morre em 1936, sem que ambas se tivessem reconciliado.

Stein egue os seus estudos no Carmelo, onde lê Santa Teresa e São João da Cruz. Em 1936 nasce a sua maior obra filosófica: “Ser finito e Ser eterno”. Embora desejasse partilhar “a sorte” do seu povo, Edith muda-se do convento de Colónia para o de Echt na Holanda em 1938. Alguns meses mais tarde começa a 2.ª Guerra Mundial e no ano de 1940 também a Holanda é ocupada. Edith, tranquila, escreve, com base na obra de São João da Cruz, o seu último livro, que deixou incompleto: “A ciência da Cruz”. Ciência que estaria perto de adquirir, pois no dia 2 de Agosto as tropas alemãs tomam o convento de Echt. Teresa Benedita da Cruz, com a sua irmã Rosa, que se havia convertido ao catolicismo, são levadas primeiro para o campo de concentração de Westerbork e depois para Auschwitz, na Polónia, onde se supõe que tenham morrido nas câmaras de gás no dia 9 de Agosto de 1942.

Edith Stein viria a ser beatificada por João Paulo II a 1 de Maio de 1987, e no ano de 1998 foi canonizada pelo mesmo papa, que em 1999 a declarou co-padroeira da Europa.

L. Oliveira Marques
in SNPC

Um elogio à sombra ou documentário sobre Lourdes de Castro

nota: esta fotografia não corresponde ao documentário
Na próxima quarta-feira, dia 16 de Março, na Capela do Rato em Lisboa. Recordo ainda que uma obra desta artista está exposta no altar da mesma capela.




"Pelas sombras" abre ciclo de cinema e espiritualidade
A Capela do Rato, em Lisboa, vai projetar o documentário "Pelas sombras", de Catarina Mourão, na próxima quarta-feira, 16 de março, pelas 21h00.

O filme é o primeiro do Ciclo de Cinema e Espiritualidade, a decorrer mensalmente naquele espaço, numa iniciativa do Departamento de Cinema da Universidade Lusófona e da Secção de Cinema do Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura (SNPC).

O filme da jovem realizadora Catarina Mourão, que estará presente na sessão, documenta a inspiradora vida e obra de Lourdes Castro, numa tocante homenagem à luz e transparência da artista madeirense.

Escolha do júri "Signis" (Igreja católica) para atribuição do Prémio Árvore da Vida na edição de 2010 do Indielisboa, o filme e a sua passagem pela Capela do Rato cumprem o que, nas palavras do diretor do SNPC, padre Tolentino Mendonça, é “o cinema como lugar teológico, também lugar sacramental, pois está a ver o mais profundo do coração humano”.

A sessão constitui também um convite à reflexão e aprofundamento das relações entre cinema e Igreja, através de um debate que conta com a presença de Inês Gil, professora de Cinema e Fotografia da Universidade Lusófona, Paulo Pires do Vale, professor de Filosofia da Universidade Católica e padre Tolentino Mendonça.

Margarida Ataíde / in SNPC

sábado, 12 de março de 2011

Um filósofo católico do século XX

Maurice Blondel: o pensamento da ação
Diz-se que o seu pensamento filosófico influenciou a teologia contemporânea, bem como o próprio Concílio Vaticano II (1962-1965), uma vez que focou a relação entre a história e a verdade, entre o homem e a graça por meio de uma inclusão originária na qual o verdadeiro real é o sobrenatural, isto é, a comunicação com Deus. O ‘filósofo da ação’ como é muitas vezes designado Maurice Blondel foi sem dúvida um filósofo eminente do seu tempo, influenciando teólogos católicos como Maréchal, Lubac, Rahner.

O ano de 1861 via nascer no dia 2 de novembro um dos maiores filósofos católicos do século XX. Filho de uma família de sólida tradição católica, Maurice Blondel, estudou no liceu da sua terra natal, onde começou a desenvolver a sua vocação filosófica, que continuará na universidade, onde toma contacto com os clássicos do pensamento filosófico, mas também com o espiritualismo francês e com a filosofia de Kant. Contacta com a obra de Maine de Biran e com o pensamento de Leibniz. Da aproximação a este nasce a ideia para uma tese de licenciatura. Em 1881, aos vinte anos, Blondel entra para a Escola Normal Superior de Paris.
Em 1883, um ano depois de casar com Rose Royer, da qual teve três filhos, Blondel defende a sua tese na Sorbonnem intitulada “A Ação. Ensaio de uma crítica da vida e de uma ciência prática”.

Nesta obra, o autor desenvolve uma ‘filosofia da ação’, uma vez que a condução dos espíritos à verdade do catolicismo passava por uma argumentação em torno do caráter decisivo da ação, porque é na ação que se decide a resolução do problema da vida. Blondel desenvolverá uma fenomenologia da ação, no sentido do agir moral como sendo intrinsecamente religioso, pois na vida é necessário optar, sendo que esta opção é essencialmente religiosa.

Todavia a sua tese não teve grande aceitação da parte do júri por ser considerada pouco filosófica, pois faz uma apologia da prática religiosa de onde parte. Fica-lhe mesmo vedado o acesso a uma cátedra de Filosofia em Aix-en-Provence, a qual lhe será dada em 1897, após ter sido “Maître de Conférences”.

Não obstante a crítica, o trabalho foi acolhido pelo público e muito criticado, nomeadamente pelos pensadores católicos da época. Embora tenha sido reimpressa três vezes, Blondel proíbe a sua reimpressão, em 1915, por a considerar uma obra imperfeita e uma filosofia incompleta.

O filósofo francês procede à sua revisão - que nunca concluirá – articulando-a numa primeira trilogia composta pelos dois volumes de “La Pensée” (1934), por “L’Être et les êtres” (1935) e pelos dois volumes de “L’Action” (1936-1937). Segue-se uma segunda trilogia intitulada “La Philosphie et l’Esprit chrétien”, da qual apenas são publicados dois volume em 1944 e 1946.

Os críticos, tanto filósofos como teólogos, parecem não se entender sobre esta reelaboração de Blondel. Contudo, é inegável a contribuição do filósofo cristão da ação, para o pensamento filosófico e teológico do século XX. Maurice Blondel morre no dia 4 junho de 1949 em Aix-en-Provence.

por Luís Oliveira Marques
In SNPC

Porque estou aqui

Sinto-me privilegiado por ter encontrado na Igreja um lugar vazio, feito à minha medida. É certo que tê-lo encontrado (ou encontrá-lo renovadamente, pois não é dado adquirido) foi também mérito da minha sede, do meu empenho, de não baixar os braços e achar, passivamente, que não seria possível. Passo a contextualizar: a comunidade onde vou à missa é pequena e acolhedora, e podia bem não o ser. Ao mesmo tempo, sentia um desejo grande de reflexão de vida cristã e encontrei um casal (heterosexual) que tinha a mesma vontade. Começámo-nos a reunir semanalmente numa pequena comunidade de oração e reflexão que, apesar de crítica, nos tem ajudado a sermos Igreja e a nela nos revermos. Paralelamente, face ao contínuo desencanto em relação a algumas posturas e pontos de vista de uma Igreja mais institucional e hierárquica, tive a graça de encontrar um grupo de cristãos homossexuais, que se reuniam com um padre regularmente, sem terem de se esconder ou de ocultar parte de si.

Sei que muitos cristãos homossexuais nunca pensaram sequer na eventualidade de existirem grupos cristãos em que se pudessem apresentar inteiros, quanto mais pensarem poder tomar parte e pôr em comum fé, questões, procuras, afectos e vidas.

Por tudo isto me sinto grato a Deus e me sinto responsável para tentar chegar a quem não teve, até agora, uma experiência tão feliz como a minha.

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