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A diversidade na Igreja

"A casa do meu Pai tem muitas moradas", diz-nos Jesus no evangelho.

A unidade na diversidade não é sempre aparente na Igreja enquanto povo de Deus, mas é uma realidade em Deus e uma presença na fé cristã desde a sua origem. A Palavra de Deus não é partidária, elitista e exclusiva. O Reino de Deus é como uma árvore que estende os ramos para dar abrigo a todos os pássaros do céu. Cristo não morreu na cruz para salvar uma mão cheia de cristãos. Até o Deus Uno encerra em si o mistério de uma Trindade.

A Palavra de Deus é inequívoca e só pode levar à desinstalação, à abertura ao outro, e a recebê-lo e amá-lo enquanto irmão ou irmã. Ninguém fica de fora, nem mesmo - se tivessemos - os inimigos.

Muitos cristãos crêem nesta Igreja, nesta casa do Pai, corpo de Cristo, templo do Espírito Santo. Mas como esquecer que muitos se sentem "de fora" por se verem rejeitados, amputados e anulados, e afastam-se por ninguém lhes ter mostrado que há um lugar para cada um, com a totalidade do seu ser?

Um blogue para cristãos homossexuais que não desistiram de ser Igreja

Porquê este blogue?

Este blogue é a partilha de uma vida de fé e é uma porta aberta para quem nela quiser entrar. É um convite para que não desistas: há homossexuais cristãos que não querem recusar nem a sua fé nem a sua sexualidade. É uma confirmação, por experiência vivida, que há um lugar para ti na Igreja. Aceita o desafio de o encontrares!

Este blogue também é teu, e de quem conheças que possa viver na carne sentimentos contraditórios de questões ligadas à fé e à orientação sexual. És benvindo se, mesmo não sendo o teu caso, conheces alguém que viva esta situação ou és um cristão que deseja uma Igreja mais acolhedora onde caiba a reflexão sobre esta e outras realidades.

Partilha, pergunta, propõe: este blogue existe para dar voz a quem normalmente está invisível ou mudo na Igreja, para quem se sente só, diferente e excluído. Este blogue não pretende mudar as mentalidades e as tradições com grande aparato, mas já não seria pouco se pudesse revelar um pouco do insondável Amor de Deus ou se ajudasse alguém a reconciliar-se consigo em Deus.

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Quando a beleza dói

 O artista que escolheu gente comum para encarnar personagens da Bíblia

Caravaggio recorria a pessoas comuns das ruas de Roma (e dos outros sítios por onde passou) para retratar Maria e os apóstolos. A sua inspiração estava entre os comerciantes, prostitutas, marinheiros e todo o tipo de pessoas que não eram de nobre estirpe.

A obra de Caravaggio

Grande parte da sua pintura foi de cariz religioso (ou sacro) - a maioria dos seus mecenas foram homens da Igreja que, conhecendo um pouco do mau génio do pintor e da sua conduta de vida, não deixaram que o "julgamento" sobre as suas acções o impedissem de trabalhar para esta instituição.

É impressionante como as personagens que habitam as suas telas emanam a humanidade e a realidade da vida comum das pessoas, e como o artista consegue "construir o sagrado" a partir do "humano", ou seja, como consegue compreender o mistério da Encarnação divina e do amor de Deus pelo homem e pela mulher (o próprio Jesus escolheu rodear-se de pescadores, pecadores, pobres e prostitutas).

O artista levou este princípio estético às últimas consequências, a ponto de ter sido acusado de usar o corpo de uma prostituta apanhada morta no rio Tibre para pintar A Morte da Virgem. Esta foi uma das duas mais importantes características das suas pinturas: retratar o aspecto mundano dos eventos bíblicos, usando o povo comum das ruas de Roma.

Outra característica marcante foi a dimensão e impacto realista que ele deu aos seus quadros, ao usar um fundo sempre raso, obscuro, muitas vezes totalmente negro, e agrupar a cena em primeiro plano com focos intensos de luz sobre os detalhes, geralmente os rostos - uma abordagem quase cénica ou teatral dos acontecimentos representados. Este uso de sombra e luz é marcante nas suas telas e atrai o observador para dentro da cena - como é tão claro em A Ceia em casa de Emmaus. Os efeitos de iluminação que Caravaggio criou receberam um nome específico: tenebrismo.

A nova linguagem

Caravaggio reagiu às convenções do Maneirismo e opôs a elas uma pintura natural, directa, e até mesmo brutal e crua que, pela sua franqueza, renovou até a mera natureza morta (Cesta de frutas - 1596), as cenas profanas (Baco, 1593-1594) e os temas religiosos (Descanso durante fuga para o Egipto, 1594-1596).

No fim do Renascimento, os grandes mestres caminhavam para uma visão mais obscura e realista das escrituras sagradas. Caravaggio pintou versões próprias desses temas - A conversão de São Paulo, a caminho de Damasco e Crucificação de São Pedro - que ilustram como foi capaz de igualar, e até superar os seus mestres.

A própria vida do artista, entre conflitos e fugas, terá imprimido e inspirado muito do sofrimento representado nas suas obras. Na obra de Caravaggio, a beleza do ser humano é posta à luz nas suas formas, volumes e corpos. E é uma beleza que não se abstém do feio, do vulgar, da dor, do sofrimento, da violência, da velhice, da luta interior, dos vis sentimentos: é uma beleza amassada com a dureza da vida.

Curiosidade:
A 10 de Novembro de 2006, um quadro do pintor, parte da colecção da Rainha Isabel II de Inglaterra, foi autenticado depois de seis anos de análise tecnica. Até então, fora considerado uma cópia.
Mensagem escrita a partir de informações encontradas em Wikipedia
Ler neste blogue: biografia de Caravaggio

Parabéns Caravaggio!

retrato de Caravaggio
No ano passado celebrou-se o 4º centenário da morte de Caravaggio. 400 anos ... é obra! E obra que vale a pena conhecer.

No moradasdedeus serão publicadas algumas mensagens acerca deste vulto incontornável da História da Arte. Quem foi Caravaggio? O que fez? O que ficou?

frame do filme Caravaggio
A vida conturbada de Caravaggio

Michelangelo Merisi da Caravaggio nasceu em Milão a 29 de Setembro de 1571 e morreu em Porto Ercole, comuna de Monte Argentario, a 18 de Julho de 1610.

Foi um pintor italiano que trabalhou em Roma, Nápoles, Malta e Sicília, entre 1593 e 1610. É identificado como artista Barroco, estilo do qual ele é o primeiro grande representante a nível da pintura. O nome Caravaggio, so seu nome artístico pelo qual ficou conhecido, era o nome da aldeia natal da sua família.


Durante a vida Caravaggio era considerado "enigmático, fascinante e perigoso". Nascido no Ducado de Milão, onde o seu pai, Fermo Merisi, era administrador e arquitecto-decorador do marquês de Caravaggio, Michelangelo Merisi surgiu na cena artística romana em 1600 e, desde então, nunca lhe faltaram comissões ou patronos/mecenas.


Porém ele lidou mal com o seu sucesso de maneira. Uma nota precocemente publicada a propósito dele, em 1604, descrevia o seu estilo de vida três anos antes: "após uma quinzena de trabalho, ele irá descansar por um mês ou dois com a espada a seu lado e um servo que o segue, de um salão de baile para outro, sempre pronto para se envolver nalguma luta ou discussão, de maneira que é bastante torpe acompanhá-lo." (Floris Claes van Dijk; Roma, 1601)

Considerado um boémio inconsequente, vivia com problemas com a polícia, sem dinheiro e andava à procura de brigas nos "pulgueiros" da cidade. Em 1606, matou um jovem durante uma briga e foge de Roma, com a cabeça a prémio. Passou por Nápoles, depois por Malta e pela Sicília, onde pintou telas de lirismo transfigurado, como: A ressurreição de Lázaro (Messina), na qual, sob o pavor de um imenso espaço vazio, um raio de luz rasante parece imobilizar o drama sagrado.

Em Malta (1608) envolveu-se noutra briga, e numa outra em Nápoles (1609) - possivelmente um atentado premeditado contra a sua vida devido às suas acções, por inimigos nunca identificados. No ano seguinte, após uma carreira de pouco mais do que uma década, Caravaggio morre, aos 38 anos.

Curiosidade:
A16 de junho de 2010, uma equipa de cientistas e universitários italianos do "Comité Caravaggio" anunciou a identificação dos restos mortais do pintor, graças a análises de DNA e de carbono-14.

Adaptado a partir de Wikipedia

Ler notícia da descoberta dos restos mortais do pintor (em francês)

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

A pertinência da inutilidade

Escher
Porque é que o inútil é importante?


Sei os riscos que corro ao propor um tema como este: o elogio da inutilidade. Por um lado, estamos claramente perante um termo ambíguo. A inutilidade parece à primeira vista um valor negativo ou um contravalor. Quando é que a inutilidade é boa e libertadora? Por outro lado, a nossa cultura, que idolatra a produção e o consumo, assumiu o útil como um dos critérios máximos para avaliar as nossas vidas. Se é útil, é bom. Quando nos sabemos úteis, sentimo-nos compensados. A vida tornou-se uma espécie de grande maratona da utilidade. Contudo, o termómetro que assinala a nossa vitalidade interior não pode dispensar a pergunta pelo lugar que saudavelmente damos ao inútil.

Porque é que o inútil é importante? Porque o inútil subtrai-nos à ditadura das finalidades que acabam por ser desviantes em relação a um viver autêntico. Condicionados por esta finalidade, e aquela, e aquela acabamos simplesmente por não viver, por perder o sentido da gratuidade, a disponibilidade para o espanto e para a fruição. Recorrendo a uma expressão do teólogo Dietrich Bonhoeffer, a inutilidade é que nos dá o acesso à “polifonia da vida”, na sua variedade, nos seus contrastes, e na sua realidade escondida e densa. E a polifonia da vida outra coisa não é que a sua inteireza, tantas vezes sacrificada à prevalência contínua do que nos é vendido por útil.

Neste sentido, Jesus de Nazaré é verdadeiramente o Mestre do inútil! Quando lemos os Evangelhos a partir desta chave, encontramos esta preocupação contínua nas palavras de Jesus: a recondução de cada um, não àquelas finalidades subjetivas que se interpõem como obstáculos, mesmo que a gente as veja como grandes oportunidades, mas à abertura fundamental a uma vida segundo o próprio ser. A isso Jesus desafia os discípulos: “Não vos preocupeis quanto à vossa vida, com o que haveis de comer, nem quanto ao vosso corpo como que haveis de vestir, pois a vida é mais que o alimento, e o corpo é mais que o vestuário. Reparai nos corvos… Reparai nos lírios, como crescem. Não trabalham nem fiam… Pois eu digo-vos: nem Salomão em toda a sua glória se vestiu como um deles” (Lc 12, 22).

Num tempo de aperto, em que o útil nos constringe ao máximo empenho, é importante não esquecer o lugar que, precisamente nestes dias difíceis, temos de conceder ao inútil.
José Tolentino Mendonça

Curiosidade: A mostra EXPERIMENTADESIGN deste ano será dedicada ao Useless, isto é, ao inútil.

In Página 1, publicado em SNPC

Religiosidade: um novo livro

Religiosidade - O seu caráter irreprimível - Perspectivas contemporâneas

Organizadores Manuel Sumares, Helena Catalão, Pedro Valinho Gomes
Editora Faculdade de Filosofia da Universidade Católica Portuguesa (Braga)
Ano 2010
Páginas 288
ISBN 978-972-697-192-4

Índice (conteúdos e contributos)

I – Religiosidade e ciência contemporânea
1. A ciência e a experiência religiosa (Alfredo Dinis)
2. Deus e a espiritualidade sob olhares científicos pós-modernos: Limites e possibilidades da nova biologia, da genética e da neurociência no campo da(s) Ciência(s) da Religião (João J. Queiroz)

II – Religiosidade, dom e experiência originária
1. Experiência religiosa e metafísica: Breve leitura de Jean-Luc Marion (João Manuel Duque)
2. A negação, o dom e a perspetiva da “kenosis” no horizonte da experiência religiosa no contemporâneo (Adelino Francisco de Oliveira)
3. “Sacrum Facere”: A cidade dos dons sacrificiais (Pedro Valinho Gomes)
4. Reconhecimento, dom e comunicação não violenta (Helena Catalão)
5. Estética do originário e absoluto nas imediações da fenomenologia de Mikel Duprenne (Carlos Morais)

III – Religiosidade e viragens
1. A religião numa era “pós-cristã” (José Rui da Costa Pinto)
2. Laicismo pós-moderno e privatização da fé (Elias Couto)
3. Religião e educação na pós-modernidade: pressupostos de uma prática (Maria Luiza Guedes)
4. Velhice e pós-modernidade: dimensões e espiritualidade (Ruth Lopes, Suzanna Medeiros, Elisabeth Marcadante)

IV – Religiosidade e contextos
1. Impacto da pós-modernidade sobre o Kardecismo brasileiro: um estudo psicoantropológico de caso (Edênio Valle)
2. Do enigma à verdade no pensamento português contemporâneo (José Gama)
3. Retiradas nordestinas: Condição humana e valor transcendente (Hermide Braga)

V – Religiosidade, linguagens e bio-grafias
1. Os embaraços da língua (e do testemunho) cristão (José Augusto Mourão)
2. Podem as experiências religiosas fundamentar as crenças religiosas? A resposta de William Alston (Gerson Júnior)
3. “Adequatio mentis et viate”: Sobre a experiência religiosa (Manuel Sumares)

Material e espiritual: alma versus corpo?

O Dualismo Material-Espiritual

Um outro dualismo associado à visão tradicional da experiência religiosa é o dualismo matéria-espírito. É comum afirmar-se que a experiência religiosa pertence à esfera espiritual e não à esfera material. Mas o que se entende exatamente por "espiritual"? Tradicionalmente, o "espiritual" é uma dimensão do ser humano radicalmente diferente do material. O espírito é praticamente identificado com a alma, e a matéria com o corpo. Por isso, a experiência religiosa é fundamentalmente de natureza espiritual e tem lugar na alma, embora, dada a união profunda das duas dimensões do ser humano, ela se manifeste visivelmente no corpo material. A teologia cristã tem sempre afirmado a indivisa natureza do ser humano, mesmo afirmando a distinção entre corpo e alma. Mas parece ser a categoria antropológica de relação a que melhor permite entender a experiência religiosa do ser humano enquanto unidade corpo-alma.

O teólogo Joseph Ratzinger considera na sua obra “Introdução ao Cristianismo”que numa linguagem histórica e atualizada, contraposta a uma linguagem mais tradicional e metafísica, a expressão "ter alma", poderá ser substituída, numa lingua­gem mais atual, pela expressão "ser objeto de uma especial relação com Deus":

«Ter alma espiritual quer dizer exatamente ser quisto, conhecido e amado de modo especial por Deus; ter alma espiritual significa ser-se alguém que é chamado por Deus para um diálogo eterno e que por isso, é capaz, por sua vez, de conhecer Deus e de Lhe responder. Aquilo a que, numa linguagem mais substancialista, chamamos 'ter alma, passamos a chamar, numa linguagem mais histórica e atual, “ser interlocutor de Deus”.

Ratzinger rejeita claramente a metafísica dualista da filosofia grega por estar pouco de acordo com a conceção antropológica bíblica. Por conseguinte, o autor não concebe a existência dos dualismos tradicionais, corpo-alma, matéria-espírito, natural-sobrenatural, em sentido estritamente substancialista. De acordo com Ratzinger: «é impossível, em última analise, fazer uma distinção clara entre 'natural' e 'sobrenatural'; o diálogo fundamental, que em primeiro lugar constitui o ser humano enquanto tal, passa a ser, sem rutura, diálogo da graça, que se chama Jesus Cristo».

Nota: Esta transcrição omitiu as notas de rodapé e adotou o novo acordo ortográfico.
Alfredo Dinis, in Religiosidade - O seu caráter irreprimível - Perspetivas contemporâneas, ed. Faculdade de Filosofia, UCP, Braga

Ler mais em SNPC

Receber à mesa

Gabriel Orozco
O que é uma refeição?


Já nos escritos de Plutarco se lê que não nos sentamos à mesa simplesmente para comer, mas para comer com, e esta convivialidade vem a constituir, por exemplo, no quadro de valores do mundo clássico, um fator que distinguia o homem civilizado do bárbaro. Mas a história da refeição começa, certamente, muito antes. A vida dos indivíduos ou dos agregados humanos encontrou, desde sempre, no espaço da refeição um momento privilegiado da sua construção. À volta da mesa celebram-se os eventos fundadores, os nascimentos, os ritos de passagem, os triunfos, mas também o luto, as crises ou a prova. A mesa torna visível e edifica a intimidade familiar. Os amigos sabem que essa permite uma qualidade de encontro que lhes é própria. Dos negócios tem-se a ideia que a mesa os favorece, tal como a busca de resolução para os conflitos mais diversos. É curioso que a euforia comercial com que as nossas sociedades promovem os tempos simbólicos acalma-se, por fim, em torno de uma refeição (é assim no Natal). E, talvez por isso, à mesa pese mais a solidão ou a incomunicabilidade em que muitos vivem.

A refeição é um momento de grande espessura comunicativa, se pensarmos que ela tem as virtualidades de um espelho: aí se colhem alguns dos códigos que nos são mais intrínsecos. Ela funciona como uma espécie de lugar simbólico, um microcosmos que reflete práticas, interditos, tráficos de afeto e de sentido. Bastaria dizer isto: ao observarmos o modo como se desenvolve uma refeição, ficamos na posse da estrutura, valores e prioridades de um determinado grupo humano, bem como dos limites que esse estabelece com o mundo que o rodeia. Acreditam os antropólogos que, quando se chega a perceber a lógica e o conteúdo dos alimentos, bem como a ordem que regula a mesa (com quem se come, onde se come, a lógica dos diversos lugares e funções em torno da mesa, etc), alcança-se um conhecimento humano fundamental.

A mesa é um momento de excelência para a revelação de si, pois todo o comensal traz como dom a narração da sua história. A hospitalidade experimentada em torno da mesa instaura um implícito pacto de linguagem. É um espaço / tempo onde o contar se realiza no contar-se. Diante dos que escutam, abre-se a possibilidade de cada um se dizer, e assim, de recompor fragmentos, enlaçar fios distantes ou recuperar aqueles quebrados, encontrar palavras que segredem a íntima arquitetura da vida. Ulisses, por exemplo, nas diversas etapas do seu retorno a Ítaca, assume o estatuto de comensal, e vai aí revelando, progressivamente, a sua identidade. A ele pediu o rei dos Feácios: «Meu hóspede, não me ocultes o que te vou perguntar; fala com franqueza! Diz-me como na pátria o teu pai e a tua mãe e os outros homens da cidade te chamam... Nomeia também a tua terra, o teu povo e a tua cidade...». É verdade que à mesa não nos alimentamos apenas ao mesmo tempo e dos mesmos alimentos. Alimentamo-nos uns dos outros. Somos uns para os outros, na escuta e na palavra, no silêncio e no riso, no dom e no afeto, um alimento necessário, pois é de vida (e de vida partilhada) que as nossas vidas se alimentam.

José Tolentino Mendonça

In Diário de Notícias da Madeira, publicado por SNPC

Reacções ao artigo da Revista da Ordem dos Médicos

Homossexuais católicos contra artigo "homofóbico" da Revista da Ordem dos Médicos

Texto diz que sexualidade dos gays é resultado de alterações genéticas "aberrantes". Ordem diz que os médicos são livres de publicar as suas opiniões.

Homofóbica, "destituída de qualquer verdade científica" e até criminosa. É assim que o Rumos Novos - Grupo Homossexual Católico critica a visão da sexualidade que diz ressaltar de um artigo de opinião, publicado na edição de Janeiro da Revista da Ordem dos Médicos (OM), onde se diz que "as civilizações mais evoluídas" toleram a homossexualidade, "pois a humanidade aprende a respeitar os doentes, os defeituosos, os anormais, os portadores de taras".

Em comunicado, o Rumos Novos "expressa a sua mais veemente repulsa" pelo artigo intitulado A Genética e os Sentidos. Em particular esta frase: "A sociedade em geral é testemunha das alterações genéticas definidoras do sexo e classifica os seres com essas alterações aberrantes como homossexuais." O autor do texto é William H. Clode, chefe de serviço hospitalar do Instituto Português de Oncologia, aposentado desde Setembro de 1997. Actualmente com 83 anos, o especialista em Radioterapia e Medicina Nuclear exerce pontualmente como clínico geral. Em declarações ao PÚBLICO, o médico admite que o tema seja polémico. "Mas ainda bem que é, porque o assunto merece ser discutido." E garante que não pretendeu ofender ninguém.

A OM, através do assessor de imprensa Diamantino Cabanas, diz que a revista da ordem é uma publicação "plural e abrangente, que publica as opiniões que lhe chegam dos médicos" e que "é obviamente possível que quem quiser rebater a opinião do doutor William H. Clode o faça". Diferentes visões devem ser divulgadas, diz, "desde que não ofendam ninguém".

O Rumos Novos considera, no entanto, que o texto é ofensivo. E vai mais longe: "O conceito verberado em relação à homossexualidade é um crime previsto e punido pelo artigo 240.º do Código Penal, pois injuria um grupo de pessoas." O grupo pede, por fim, a demissão do médico - desconhecendo que está aposentado - e aponta o dedo à OM. "Tendo o dever de exercer um controlo responsável das suas publicações, não só não o exerceu como permitiu que esses impropérios sejam feitos."

O psiquiatra Daniel Sampaio, um dos médicos que em 2009 lançaram uma petição onde lembrava que a homossexualidade não é considerada doença desde 1973 e condenava "qualquer intervenção dita de "reconversão" da orientação sexual", não leu ainda o artigo. Mas, confrontado com excertos, diz que eles constituem uma "opinião absolutamente ideológica, sem nenhuma evidência científica". Não são os genes que definem a orientação sexual, exemplifica, "é um processo de construção do indivíduo ao longo da vida". E continua: "Não digo que o autor não tenha direito a ver publicada a sua opinião, mas o editor da revista - que tem particulares responsabilidades na informação que divulga - devia ter suscitado o contraditório".

O artigo já chegou ao conhecimento da Ilga, associação de defesa dos direitos de lésbicas, gays, bissexuais e transgénero. Paulo Côrte-Real, dirigente da associação, diz que vai interpelar a OM sobre "a falta de base científica" do texto, mas também o Ministério da Saúde, sobre as práticas que impedem ou dificultam o acesso dos homossexuais, bissexuais e transgénero aos serviços de saúde. "Opiniões deste teor existem entre clínicos", diz. "Há medidas para lidar com o problema previstas no plano nacional da igualdade". Mas é preciso saber o que já está a ser posto em prática.
William Clode diz que não afirma que a homossexualidade é uma doença. Fala antes de "aberrações de sentidos" - tal como há pessoas que não conseguem identificar uma cor ou uma música, pode haver "uma anomalia" no que considera um sexto sentido, o do sexo. "A genética dos sentidos não está feita ainda."

Por Andreia Sanches in Público a 22 de Fevereiro de 2011

Ler o artigo que causou esta polémica

Ler mais no blogue:
http://moradasdedeus.blogspot.com/2011/02/um-comentario-ao-artigo-homofobo.html
http://moradasdedeus.blogspot.com/2011/02/e-suposto-os-medicos-serem-pessoas.html

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Um comentário ao artigo homófobo publicado na ROM

Artigo homófobo na Revista da Ordem dos Médicos

Então a história conta-se assim:

O senhor William H. Clode começa por elaborar a propósito do sentido do sexo – supostamente “um sentido primordial para a perpetuação das espécies; uma súmula dos cinco sentidos ainda não devidamente esclarecido”. Compara-o, nesta medida, ao “chamado ponto G (...) conhecido há poucas décadas e não estando definido como órgão, uma localização a partir da qual se desencadeiam os orgasmos (...).

Se continuarmos a ler as reflexões do senhor William H. Clode recebemos uma aula de Introdução à Genética, onde nos é explicada a forma como as características são transmitidas à descendência, dando como exemplo o caso do daltonismo, uma doença associada ao cromossoma X. Para resumir, e porque a lição do já referido senhor até nem está mal explicada, basta dizer que se um homem tiver no seu cromossoma X o gene para a percepção da cor alterado então esse homem será daltónico; para uma mulher ser daltónica terá de ter alterados os genes para a percepção da cor em ambos os seus cromossomas X. Utilizando, então, este exemplo, o senhor Clode vai mais longe, sugerindo a “existência semelhante numa situação relativa aos outros sentidos: olfacto, audição, paladar e tacto”, não se esquecendo, no entanto, de nos voltar a recordar a existência do tal “sentido do sexo”. “Na natureza o daltonismo do sentido do sexo pode existir como o daltonismo de outros sentidos”. Diga-se, em abono da verdade, que o próprio senhor Clode reconhece que “o daltonismo dos sentidos está ainda por ser identificado e estudado”. Ora já se está a ver onde é que o senhor Clode começa, lentamente, a querer chegar. Tem uma mente um bocadinho tortuosa, começa a querer-me parecer...

O senhor Clode, teve entretanto, um ano para continuar a relectir sobre este assunto. Embora reconheça a influência dos ecossistemas (será que ele sabe o que é isto?) e do “meio cívico e cultural na organização da educação tão importante na transmissão de conhecimentos e de hábitos”, o senhor Clode conclui que “os Genes (com maiúsculas dele) definem o SER” e que “nós somos o que os genes nos destinaram”. Começa agora a falar dos desvios à norma, referindo que “a alteração dos genes individuais podem não significar doença, mas resultam num desvio do normal”. Vem aí matreirice, ou é impressão minha? Fala-nos então da forma como os desvios podem, ou não, ser facilmente corrigidos ou como podem, ou não, pôr em causa a actividade do ser de acordo com as disfunções resultantes desse desvio do normal. Mas, sejamos honestos, também nos informa que “os estudos genéticos são relativamente recentes, minuciosos e morosos pelo que, por agora, só podemos admitir hipóteses e não dissertar sobre certezas”. O que para o senhor Clode significa, parece-me óbvio, que se pode então dizer e escrever qualquer disparate sobre estes assuntos, uma vez que a Ciência não pode, nem provar, nem contrariar. Ai, ai senhor Clode! Mais uma matreirice! Ou começa a ser pior que isso?

E pronto! A partir daqui, é uma diarreia mental! Afinal, para o senhor Clode, o daltonismo do sexo é mesmo uma evidência, sendo o que recebe mais estímulos de todos os restantes, primordial e complexo e, é claro, dependendo da constituição genética de cada ser. Assim sendo, e porque os genes definem o masculino e o feminino, para este senhor é óbvio que os machos e fêmeas distinguem-se não só pela morfologia que aparentam, mas também pelos seus comportamentos. Mas, não nos esqueçamos que já tínhamos sido alertados para a questão dos desvios ao normal e, portanto, não nos espantemos com o que nos é dito de seguida e que, no fundo, era a tão desejada meta a alcançar pelo senhor William H. Clode: “Os desvios da genética levam a alterações com vários graus de diferenciação (...) desde as mais discretas às mais descaradamente evidentes. A Sociedade em geral é testemunha das alterações genéticas definidoras do sexo e classifica os seres com essas aberrações como homossexuais (...). A sociedade homossexual diferencia-se da heterossexual pelos gestos, pela fala, pela indumentária, pelos gostos e por manifestações subtis que identificam um comportamento”. Afinal, quer-me parecer que o senhor Clode não se fica pela matreirice... Há mais: “os homossexuais estimulam-se individualmente e, entre si se associam, organizando-se como se os genes não estivessem alterados”, “no daltonismo sexual há uma segunda pessoa, igualmente daltónica”, “as condutas sexuais aberrantes embora respeitadas são repugnantes quando desvirtuadas e sujeitas a uma higiene degradante”.

Mas congratulemo-nos! O senhor Clode não é daqueles que se limita a identificar o problema! Não! Ele apresenta-nos soluções: tendo em conta que a genética, por enquanto, não consegue corrigir-se a si própria, o senhor Clode aborda a questão através de “correcções [que] feitas pela educação fazem parte de ambicioso programa atribuído à epigenética”.

E está contada a história que, na realidade, não é mais do que a tentativa completamente distorcida, sem qualquer tipo de base científica de, mais uma vez, atribuir à homossexualidade uma causa genética. E não é a questão da base genética que me faz comichão... Nenhum. O problema é a homofobia mais que latente num artigo de opinião escrito pelo Dr. William H. Clode, Chefe de serviço Hospitalar no Instituto Português de Oncologia, e publicado pela Revista da Ordem dos Médicos em Janeiro de 2011.

Carlos Pereira
 
Nota do moradasdedeus:
nos "Documentos em destaque no blogue" pode ler-se a totalidade do artigo de opinião do Dr. Clode (que, esperamos, seja mais assertivo enquanto médico do que enquanto "opinador"). Pode ser lido também aqui.

É suposto os médicos serem pessoas elucidadas?

Um artigo publicado por um médico saiu na revista da Ordem dos Médicos. Com alguma perplexidade podemos descobrir clichés e informações absolutamente injustificadas e falsas que demonstram muita ignorância e preconceito da parte do seu autor. E não fica por aqui...

Sugestão: Eu já escrevi uma mensagem/sugestão à Ordem dos Médicos, falando do facto de pensar ser inadmissível que esta Ordem "deixe passar" em branco a publicação de um texto com tantos erros e baseado em preconceito e conversas de café.



Pergunto-me o que quer um médico dizer quando se refere a "sociedade homossexual", e como pode resumir a homossexualidade a um "comportamento", associando-o a roupas, fala, linguagem e gestos - neste caso, qualquer heterossexual que não saiba escolher a sua roupa correria graves perigo de se tornar homossexual! -; como pode, em pleno século XXI, falar do "respeito" pelo homossexual pondo-o no "mesmo saco" do doente, do defeituoso (será isto um termo médico?), do anormal (!) e do tarado!!!...

Para escrever um comentário à ordem dos médicos: aqui

Artigo de opinião polémico na revista da Ordem dos Médicos

Na edição de Janeiro da revista da Ordem dos Médicos foi publicado um artigo de opinião intitulado “O sentido do sexo” da autoria de William H. Clode, Chefe do Serviço Hospitalar do instituto Português de Oncologia.
 
O artigo está datado de Dezembro de 2009 e, neste, William H. Clode aborda os cinco sentidos, o "sexto sentido" e o "daltonismo dos sentidos". Nesta última secção, entre outras afirmações, podemos encontrar as seguintes:

"A sociedade homossexual diferencia-se da heterossexual pelos gestos, pela fala, pela indumentária, pelos gostos e por manifestações subtis que identificam um comportamento" e "a homossexualidade é conhecida desde que o ser humano está na História do Planeta. É repudiada em todas as civilizações mas tolerada nas civilizações mais evoluídas pois a humanidade aprende a respeitar os doentes, os defeituosos, os anormais, os portadores de taras…" (...)"
 
In dezanove

Ler o artigo "O sentido do sexo" na íntegra aqui.

Uma associação dedicada à transexualidade e intersexualidade

Uma associação independente para Transexuais e Intersexuais

Elementos do GRIT que recentemente se desassociaram da ILGA Portugal, juntamente com novos elementos, assumem um novo nome: API Associação Pela Identidade - Intervenção Transexual e Intersexo, enquanto a denominação GRIT Grupo de Reflexão e Intervenção sobre Transexualidade continuará como pertencente à Ilga Portugal.

Em comunicado emitido hoje, o GRIT continuará assim a fazer da ILGA Portugal uma associação com um foco cada vez maior na sigla T.

A API torna-se assim na única associação transexual e intersexo independente no panorama das associações e grupos nacionais, com foco na transexualidade e intersexualidade sem, no entanto, pôr de parte outras questões de género, assumindo-se como continuadora da extinta aT, que tinha sido até ao momento, a única associação transexual independente.

Segue-se o comunicado na sua íntegra.
Comunicado:
O GRIT - Grupo de Reflexão e Intervenção sobre Transexualidade vem, no seguimento do comunicado da sua desassociação da Associação ILGA Portugal, anunciar que, doravante, adopta o nome de Associação pela Identidade – Intervenção Transexual e Intersexo, prevendo oficializar-se como associação de solidariedade social com brevidade.

Desta forma, o Grupo de Reflexão e Intervenção sobre Transexualidade mantém-se, com tal denominação, como uma unidade da Associação ILGA Portugal, com a responsabilidade de cuidar dos temas relacionadas com os direitos das pessoas transexuais, dentro desta associação. É, assim, confirmado o objectivo do GRIT em tornar a ILGA Portugal numa associação LGBT cada vez mais inclusiva à sigla T, através da produção de material formativo e informativo, assim como da implementação de iniciativas socioculturais.
A Associação pela Identidade, por sua vez, assume-se como uma unidade autónoma e complementar ao movimento LGBT, com o objectivo de reflectir e intervir em exclusivo nas temáticas da transexualidade, e também da intersexualidade, que assumimos de forma a explorar as afinidades e diferenças entre estas duas condições.

Este é um projecto que descende directamente do GRIT – Grupo de Reflexão e Intervenção sobre Transexualidade, a partir do qual se forma, mas também, indirectamente e em parte, da extinta ªt. – Associação para o Estudo e Defesa do Direito à Identidade de Género, que já procurou trabalhar num activismo voltado em exclusividade para as questões de género. Ou mesmo de todos os que lutaram, à sua maneira, pela melhoria de vida das populações transexuais e intersexo.

Com a reaprovação da Lei de Identidade de Género na Assembleia da República, sem alterações atentatórias aos Direitos Humanos, e com garantia de promulgação pelo Presidente da República, reafirmamos o sentimento de conquista: trata-se do reconhecimento da nossa identidade e cidadania! E acrescentamos o significado da data que se aproxima e assinala os cinco anos sobre o assassinato da mulher transexual Gisberta Salce Júnior, a mesma que nos relembra o quanto há ainda por fazer.

Este momento faz-nos sentir confiantes e positivos na concentração de energias e esforços que nos garantam conquistar cada vez mais e melhores condições de vida, tornando-se claro que este é o momento para que as populações transexuais e intersexo surjam e se estabeleçam num activismo muito próprio, ímpar e seu. Reavivamos o convite para que mais pessoas se juntem a nós!

A Associação pela Identidade – Intervenção Transexual e Intersexo

Contactos:
E-mail: associacaopelaidentidade@gmail.com
Blog: http://associacaopelaidentidade.blogspot.com/

In Portugalgay

Escolas francesas não são um mar de rosas

Estudantes franceses pouco gay-friendly


Um estudo realizado na zona urbana de Paris e arredores chegou à conclusão que os estudantes inquiridos são bem menos gay-friendly do que alguns pensavam.


O inquérito foi realizado na Primavera de 2010 pelo SOS Homofobia e Caélif (Colectivo de associações LGBT dos alunos da Ille-de-France)

Para 82% a homossexualidade é "uma forma de amor como outra qualquer", os outros quase 20% acham que é "uma orientação desviante", "uma moda" e situações similares. Também 19% revelaram ficarem "chocados" ou "revoltados" por um casal do mesmo sexo estar de mãos dadas ou beijar-se em público.

A pesquisa foi realizada entre 7 de Abril a 5 de Maio de 2010, e incidiu sobre 4.638 entrevistados num questionário online.

In Portugalgay

35.000 leitores

Victory, Vittorio Carvel
O blogue acabou de contar mais cinco mil visualizações. Desde o início do blogue já passaram pelo moradasdedeus mais de 35.000 visitantes.

Gostaria de dar as boas vindas aos nossos leitores da Grécia, Macedónia, Hungria, Austrália, Colômbia, Uruguai e Gana.

No final do mês farei uma nova análise dos números relativos ao blogue, incluindo as nacionalidades mais assíduas e as mensagens mais populares.

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Beijos entre homens: do relvado para a rua

Beijos entre homens heterossexuais cada vez mais comum

Um estudo publicado pela revista “Archives of Sexual Behaviour” e conduzido por Eric Anderson, um sociólogo na Universidade de Bath em Inglaterra, chegou à conclusão que os beijos trocados entre pessoas do mesmo sexo é agora a norma nas universidades britânicas.

Esta tendência reflecte uma mudança de direcção a um ideal da masculinidade mais “agradável e suave”. Anderson declarou que “o macho man, vil, rude e homofóbico dos anos 80 morreu.”

Este estudo foi baseado em entrevistas realizadas em 145 universidades e escolas secundárias britânicas e revela que 89% dos inquiridos já tinha beijado um amigo heterossexual. Todos os homens que participaram nesta entrevista declararam ser heterossexuais e não viam o beijo como um acto sexual. Anderson declarou “estes rapazes não são homofóbicos e já não temem ser classificados como gays pelo seu comportamento. Simplesmente, apreciam uma amizade num nível como vemos nas mulheres.” Dos inquiridos que não tinham beijado um colega do mesmo sexo, todos declararam ser uma prática aceitável.

O sociólogo declarou que esta tendência disparou nos últimos anos, tendo começado nos campos de futebol, quando os jogadores se beijam depois de marcar um golo. Este acto fez com que fosse aceitável para os rapazes também se beijarem nos seus jogos na universidade ou liceu. Depois os jogadores levaram esta prática para fora dos relvados.

Contrariamente aos estereótipos machos, os participantes deste estudo declararam que beijavam os seus amigos puramente por afecto e comparavam o acto a um amigável aperto de mãos.

Estes beijos acabam muitas vezes nas páginas de redes sociais como o Facebook, no entanto, quando isto acontece os participantes não se sentem envergonhados nem ninguém questiona a sua sexualidade. Por outro lado, também não estão a gozar com o comportamento gay, declarou Anderson, acrescentando que de facto isto fez com que seja mais fácil para os casais gays demonstrarem afecto em público, “abriu um espaço para que os homossexuais se possam beijar livremente. Agora quando dois homens se beijam em público as pessoas não presumem imediatamente que são gays.”

No entanto, esta crescente aceitação de beijos entre pessoas do mesmo sexo não significa que a homofobia acabou, mas sim que os ideais masculinos estão a mudar. No seu livro intitulado “Inclusive Masculinity: The Changing Nature of Masculinities”, Eric Anderson afirma que quando a homofobia é visível os homens evitam serem vistos como gays. No entanto, quando a homofobia se esbate, descontraem-se e exploram comportamentos diferentes do masculino tradicional. Anderson conclui que a “diminuição da homofobia também tem efeitos positivos nos heterossexuais.”

Por Lúcia Vieira, in dezanove

Lei de união civil no Havai

A Câmara dos Representantes do Havai aprovou esta sexta-feira as uniões civis entre casais do mesmo sexo. Resta a proposta ser votada pelo Senado na próxima semana e pelo recém-eleito governador deste arquipélago, Neil Abercrombie. O novo governador já afirmou ser a favor das uniões civis entre casais do mesmo sexo, pelo que o Havai se tornará o sétimo estado norte-americano a garantir praticamente os mesmos direitos que o casamento entre pessoas do mesmo sexo através de uma lei de união civil.
 
O ano passado a ex-governadora, Linda Lingle, vetou a lei e ficou conhecida pela sua oposição a este tema.

O arquipélago do Havai situa-se no Oceano Pacífico e é o mais isolado estado norte-americano. Foi o 50º a juntar-se aos EUA e é o local de nascimento do actual presidente Barack Obama.

In dezanove

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

O dia da aprovação da lei da alteração de nome e género para pessoas transexuais

Isaak Levitan
Lei de alteração de nome e género aprovada definitivamente em São Bento


Foi hoje a debate e votação a proposta de lei de alteração de nome e género para pessoas transexuais.


A proposta de lei, resultante da fusão de dois projectos autónomos, um do Bloco de Esquerda e outro do Partido Socialista, foi aprovada pelo parlamento a 26 de Novembro e tinha sido vetada pelo presidente da República, Cavaco Silva, a 6 de Janeiro último.

Iniciou o debate José Soeiro, do Bloco de Esquerda, que reiterou a vontade deste partido de aprovar novamente e sem alterações o projecto.

O PSD, na sua intervenção, fez notar três aspectos que considerou negativos na proposta: o facto de ser necessária uma equipe de sexologia clínica, sendo que essa especialidade não é reconhecida em Portugal; Os diagnósticos emitidos no estrangeiro, sem controlo nacional; e o facto dos critérios para o diagnóstico não estarem inseridos na lei.

Seguiram-se o PCP e o PEV, que confirmaram também o sentido de voto da primeira votação. O CDS-PP posicionou-se contra.

O PS posicionou-se a favor, tendo feito notar na sua intervenção que até 14 de Fevereiro, data limite para serem apresentadas propostas de alteração ao documento, nenhuma proposta de alteração veio dos partidos da direita.

Logo de seguida foi a votação: PS - 86 votos a favor, zero contra e zero abstenções. PSD - 7 votos a favor, 52 votos contra e dez abstenções. CDS-PP - Zero votos a favor, 18 contra e zero abstenções. BE - 15 votos a favor, zero contra e zero abstenções. PCP - 13 votos a favor, zero contra e zero abstenções. PEV - 2 votos a favor, zero contra e zero abstenções.

A proposta de lei foi assim novamente aprovada com 123 votos a favor, 70 contra e 10 abstenções.

Assim, de acordo com o Artº 136º da Constituição Portuguesa, Cavaco Silva será desta vez obrigado a promulgar o documento, visto ter sido novamente aprovado sem alterações, que a terem existido permitiriam novo veto presidencial.

As transexuais presentes nas bancadas da Assembleia congratularam-se com a aprovação desta lei, fazendo notar, no entanto, que “ainda há muito que fazer no combate à transfobia e à discriminação, nomeadamente a nível laboral, educacional e mesmo no tratamento e diagnóstico.”

In Portugalgay

Ministério da Educação trava na luta contra o bullying homofóbico

Projecto contra homofobia na Escola encontra bloqueios no Ministério da Educação

O projecto contra homofobia na Escola promovido pela associação rede ex aequo viu recusado apoio do Ministério da Educação que o considera "ideológico".

A notícia é adiantada pelo jornal Público que explica que dois serviços do Ministério da Educação se recusaram a apoiar a distribuição nas escolas dos materiais da rede ex aequo. Os mesmos materiais que foram produzidos com o apoio da Comissão para a Cidadania e a Igualdade de Género.

A associação teve reuniões com o Ministério da Educação para promover a distribuição dos materiais da sua campanha contra a homofobia no meio escolar.

Mas quando se reuniram com a Direcção-Geral de Inovação e Desenvolvimento Curricular e o seu Núcleo de Educação para a Saúde, Acção Social Escolar e Apoios Educativos foram surpreendidos pela resposta de que o Ministério da Educação não poderia ajudar porque consideravam estes materiais ideológicos e que a associação deveria contactar cada escola para pedir a divulgação dos materiais caso-a-caso.

O problema é que, segundo a associação, algumas escolas recusam-se a divulgar os materiais por considerarem que trata "não de uma campanha contra a discriminação, mas sim de uma campanha de promoção da homossexualidade".

Ficamos sem saber como se promove a igualdade com base na orientação sexual sem, de alguma forma, falar sobre a homossexualidade. Vale recordar que os cartazes da campanha são baseados em frases como "Ela é lésbica e estamos bem com isso" e sub-título de "O bullying homofóbico não é aceitável na nossa escola".

A situação já originou requerimentos, questionando a ministra da Educação, por parte dos deputados José Soeiro, do Bloco de Esquerda, e Rita Rato, do PCP.

In Portugalgay
Ler mais sobre este projecto da rede ex aequo

Um estudo da Homossexualidade no contexto português

Foi adicionado um documento em destaque no blogue, acima das mensagens. Trata-se de um estudo de muito interesse intitulado "Descobrindo o Arco-Íris: Identidades Homossexuais em Portugal" e é um trabalho de Ana Cristina Santos e Fernando Fontes.

Aqui segue um texto retirado da introdução, explicando as razões para a escolha da temática:

"A presente comunicação reflecte uma tentativa de abordagem à construção das identidades homossexuais na sociedade portuguesa contemporânea, considerando o papel desempenhado por diversos poderes sociais actuantes em todo o processo, nomeadamente o Estado, a Igreja Católica, os media e a sociedade civil.

Em Portugal, não são abundantes os estudos sobre sexualidade, no âmbito da Sociologia. Excepção feita a algumas incursões nas temáticas do corpo e do género, é visível um défice de investigação na área da Sociologia da Sexualidade, acerca de questões como a moral sexual, a discriminação ou a construção de identidades em contextos sócio-políticos específicos. O tema tem sido, no entanto, amplamente estudado em países como os Estados Unidos, França ou Inglaterra.

A temática das identidades afigura-se-nos como um terreno de investigação promissor, dado que estas não são mais do que representações de quem e do que somos, elementos centrais na forma como definimos estratégias de acção e interagimos com os outros. A importância crescente deste elemento relaciona-se com a própria complexificação das sociedades contemporâneas, onde cada indivíduo condensa uma multiplicidade de identidades, muitas vezes contraditórias, cuja unificação só é possível na narrativa que constitui a vida de cada um de nós, sendo que a ideia de uma identidade completa, segura e coerente não passa de uma mera ilusão (cf. Hall, 1996).

A pertinência do tema parece, assim, justificada por uma necessidade de compreensão da sociedade no seu todo e de desconstrução de ideias preconcebidas apoiadas num biologismo supostamente inviolável e que, à força de serem aceites sem auto-reflexividade, acabam por se justificar a si próprias, convertendo-se em tabus sociais. Por questões de exequibilidade do projecto e de interesse específico, centrámo-nos exclusivamente em Portugal, que, enquanto país semi-periférico, desempenha um papel mediador entre o Norte e o Sul, fornecendo exemplos preciosos de possibilidades de acção alternativa aos modelos hegemónicos de comportamento.

Na escolha o título – Descobrindo o Arco-Íris – quisemos transmitir uma dupla ideia: «descobrir», por um lado, induz a ideia de ir em busca do desconhecido, atributo que encaixa muito bem sobre o que decidimos estudar; por outro lado, descobrir pode também significar desvendar, fazer emergir o que está encoberto ou silenciado, intenção que também é a nossa. Por fim, o arco-íris, que para além do seu significado bíblico, apresenta também um carácter fortemente homossexualizado, uma vez que é o símbolo mais utilizado em eventos homossexuais públicos, chamando a atenção para a existência de uma sociedade multicolorida e pluridiferenciada."

Ir ao documento em destaque
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Particularidades do amor cristão


Caravaggio
 "O amor cristão não é a palavra – nem sequer a última palavra – do mundo sobre si mesmo, mas a palavra definitiva de Deus sobre si próprio e, portanto, também sobre o mundo. Na cruz, a palavra do mundo é, antes de mais, atravessada por uma palavra de todo diferente, que o mundo de nenhum modo quer ouvir. O mundo quer viver e ressuscitar antes de morrer, o amor de Cristo, porém, quer morrer para ressuscitar além da morte, na morte, na forma de Deus. (...) A esta vontade de viver, peculiar ao mundo, a palavra de Deus em Jesus Cristo traz a única esperança, imprevisível, para lá de todas as possíveis construções do mundo. Para a vontade do mundo, é uma solução “desesperada” porque lhe sugere a morte, mas, ao mesmo tempo, patenteia a vontade do mundo como “desesperada”, porque ela não pode prevalecer contra a morte. Só à vontade desesperada de viver é que a proposta divina surge como uma solução de desespero, em si ela é puro amor que, na morte, se revela mais forte do que a morte, portanto já triunfou daquilo que a vontade do mundo em vão combate. O mundo decide-se por neutralizar entre si os dois desesperos, descobre que a palavra de Deus a seu respeito não lhe é exterior, mas o realiza interiormente, isto é, o conduz para onde ele essencialmente deve ir (...).


[À] luz da cruz, o ser do mundo recebe um sentido, as formas e as vias incoativas do amor que, de outro modo, correm o risco de se encaminhar para um beco sem saída, podem ser referidas ao seu verdadeiro fundamento transcendente. Mas quando esta relação (de natureza e de graça) é destruída, no sentido da dialéctica mencionada que opõe o “saber” e a “fé”, o ser finito é necessariamente colocado sob o signo do “saber” sempre superior a tudo o mais, e assim as potências imanentes de amor no mundo são subjugadas e abafadas pela ciência, pela técnica e pela cibernética. Nasce então um mundo sem mulheres, sem filhos, sem respeito pela forma de pobreza e de humildade do amor, um mundo onde tudo é visto em função do lucro e da aquisição de poder, onde tudo o que é desinteressado e gratuito é desprezado, perseguido e extinto, e onde até à arte se impõe a máscara e o rosto da técnica.


Mas se o criado se encarar com os olhos do amor, é então compreendido contra todas as verosimilhanças que parecem apontar para o vazio de amor no mundo. Compreendido na sua definitiva razão de ser: não só da sua essência que se pode clarificar de algum modo graças às numerosas relações significativas entre as naturezas particulares, mas também da sua existência em geral, para a qual, aliás, nenhuma filosofia consegue encontrar um fundamento suficiente. Porque é que realmente existe algo em vez de nada? – a questão surge tanto na afirmação, como na negação, da existência de um Ser absoluto. Se este Ser não existe, que razão pode haver para que existam, no seio do nada, estas coisas finitas e efémeras que nem por adição, nem por evolução, alguma vez podem desembocar no Absoluto? Mas se o Absoluto existir e se bastar a si como absoluto, então ainda é quase mais incompreensível porque é que, fora dele, deveria haver algo de diferente. Só uma filosofia do amor autónomo e livre pode justificar a nossa existência, mas não sem interpretar ao mesmo tempo a essência do ser finito em função do amor. Em função do amor, e não, em última instância, da consciência ou do espírito, do saber ou do poder, do prazer ou da utilidade, mas de tudo isso considerado apenas como modos e pressupostos em vista do único acto que tudo perfaz, e que brilha esplendorosamente no sinal de Deus. (...)

Todos os valores do mundo são postos na sua verdadeira luz só pelo sinal de Deus, porque agora se ultrapassam também todos os limites do amor, todas as objecções contra ele, e ainda todas as profundezas misteriosas do amor que se imola são preservadas e subtraídas ao domínio do saber redutor. É sobretudo o homem que se torna verdadeiramente ele próprio no apelo que lhe é dirigido: criado para este fim, chega inteiramente a si próprio como aquele que responde. Ele é a linguagem de que Deus se serve para lhe falar: como é que, neste diálogo, não haveria de se entender a si? Emergindo à luz de Deus, entra na claridade sem pôr em perigo a sua natureza (de modo espiritualista), nem a sua qualidade de criatura (pelo orgulho). Só na salvação concedida por Deus é que o homem se torna plenamente são. Graças ao sinal de Deus que se rebaixa encarnando e se aniquila na morte e no vazio de Deus, é que se pode esclarecer porque é que Deus, já como criador do mundo, saiu de si e desceu abaixo de si: correspondia assim ao seu ser e à sua essência absolutos revelar-se, na sua liberdade abissal e por nada instigada, como o amor insondável, que não é o bem absoluto para lá do ser, mas a profundidade e a altura, o comprimento e a largura do próprio Ser.

Eis porque justamente o primado eterno da palavra divina de amor se oculta numa impotência, que outorga o primado ao amado: o amor de Deus por este filho que é o mundo desperta de tal modo o amor no coração deste que o amor de Deus se pode também tornar filho, um filho que nasceu de sua mãe e que por ela foi despertado para o amor divino-humano. A palavra de Deus suscita a resposta do homem, tornando-se ela própria o amor que responde e que deixa ao mundo a iniciativa. Círculo indestrutível, imaginado e realizado só por Deus, que permanece sem cessar acima do mundo e, por isso mesmo, reside no coração do mundo. No coração se situa o centro; eis porque o coração divino-humano é objecto de veneração, e a cabeça só quando está coberta de sangue e de chagas: como revelação do coração.


Assim se atenua a controvérsia em torno da questão seguinte: consiste a bem-aventurança eterna na visão ou no amor? De facto, ela só pode consistir na “visão” amorosa do amor, pois, que outra coisa se deveria ver em Deus, e como é que o amor poderia ser contemplado, a não ser na comunhão de amor?"

Hans Urs von Balthasar

In "Só o amor é digno de fé", Assírio & Alvim

Ler mais em SNPC
Ler sobre von Balthasar neste blogue

Um espaço e um tempo para a beleza e contemplação no centro histórico de Lisboa

Igreja da Reconciliação, em Taizé
Queres encontrar um espaço para rezar no coração do bulício da capital?

Na mensagem anterior falei de Taizé. O centro de toda a espiritualidade desta comunidade monástica são as orações comunitárias. Em Portugal e um pouco por todo o mundo, há orações com cânticos de Taizé em paróquias e igrejas, animadas por jovens e menos jovens, com periodicidades variáveis.

Na Baixa Pombalina, o coração da cidade de Lisboa, há uma oração semanal aberta a todos os que passam por aquela parte da cidade - venham eles do trabalho ou da escola, estejam no regresso a casa ou a caminho do jantar e da saída nocturna, sejam lisboetas ou estranjeiros; todas as sextas-feiras, às 19h45 (logo depois da missa), há oração com cânticos de Taizé na Igreja de São Nicolau (Rua da Victória; metro: Baixa/Chiado; saída Baixa - R. do Crucifixo, R. da Victória). A oração tem a duração aproximada de 1h e é uma óptima forma de encerrar a semana de trabalho.

No Facebook, o grupo que anima as orações em S. Nicolau criou uma página: basta procurar "Oração com cânticos de Taizé na Igreja de São Nicolau - Lisboa", depois de a página aparecer, clicar em "Gosto", do lado direito do título e, já se sabe, visitar a página para acompanhar as novidades.

Também semanal é a oração da quarta-feira às 21h30, na Igreja de São Tomás de Aquino (metro: Laranjeiras). Esta é substituída pela oração no Convento de S. Domingos (metro: Alto dos Moinhos) na primeira quarta de cada mês, à mesma hora.

Espaços para rezar em comunidade não faltam: basta querer!

Ler sobre Taizé
Ler sobre Igreja do Convento de São Domingos
Ler sobre paróquia de São Tomás de Aquino

"Nada te turbe": um poema em música

Na mensagem anterior citou-se o maravilhoso poema de Santa Teresa de Ávila que deu origem a um dos mais belos cânticos que conheço. Quem foi a Taizé - e mesmo quem nunca lá esteve - conhece a atenção que esta comunidade dedica à beleza na liturgia. Os cânticos não são excepção. Este foi composto por Jacques Berthier há mais de vinte anos: ousaria dizer que é intemporal no seu conteúdo e na beleza musical.

Cultivar uma "virtude artificial": maturar a espera que alcança

A Paciência

Para ser sincero, há momentos em que a minha admiração converge toda para a impaciência. Por alguma razão, a mim misteriosa, nunca me pareceu um peso lidar com os impacientes (fossem os outros ou eu próprio). Facilmente se ativa o meu humor perante alguém que ferve em menos água do que aquela que tem um oceano. E, da mesma maneira que me comove a reverência verdadeira, admiro os irreverentes, aprendo com os que se empenham em contrariar indefinidas esperas, agradeço aos que sacodem a estabilidade preguiçosa dos nossos tiques, procuro balançar os motivos dos que dizem “não estou para isso”.

Contudo, acho que descubro sempre mais que a paciência é uma preciosa estação interior na qual todos precisamos maturar. Quando penso na paciência, ancoro muitas vezes na imagem da semente, no desprendimento e na lentidão da semente que aceita a escuridão da terra como condição para florescer. Tanto os que semeiam os campos, como os que depositam sementes nos corações, deveriam primeiro ter formado a alma na paciência. Pois a paciência, ao revelar o escondido processo de germinação da vida, também torna claro que é essa a única forma de cuidar bem dela, de a entender até ao fim, de acompanhá-la, passo a passo, com esperança.

É curiosa a etimologia da nossa palavra “paciência”. Deriva de “passio”, isto é, paixão, no sentido de coisa a suportar, a padecer ou no sentido de resistir. A paciência faz-nos mergulhar, como se vê, no âmago da vida. Deve, é claro, ser ensinada às crianças, mas é uma tarefa para ser levada a cabo por um coração adulto. A paciência pede que apreendamos a complexidade de que somos tecidos, que nos debrucemos sobre esta íntima narrativa tecida de esforço e de graça, de sede e de água, de noite e de riso. Não nos deixa esbracejar à tona do tempo, num simplismo atropelado e ofegante. A paciência pede e dá-nos tempo, dilatando as provisórias metas e juízos que equivocadamente erigimos em absolutos. Há uma harmonia secreta, há um suculento sabor que só colhe da vida aquele que abraça com confiança a demora, a lentidão e a espera. São estas frequentemente as ferramentas da paciência, os instrumentos com que ela transforma a nossa agitação epidérmica em expectação serena e criativa. No fundo, a paciência prova-nos como se provam os metais de valor, averiguando o seu (o nosso) grau de autenticidade.

Santa Teresa de Ávila, segundo o que ela conta de si mesma e no acordo dos seus biógrafos, não possuía um temperamento propriamente paciente. Era abrupta na ação, emotiva nos dilemas e combates, inconsolável no desejo de Deus. A paciência raramente é uma virtude natural. A maior parte das vezes faz-se de decisão e caminho. E por isso a impaciente Teresa escreveu um dos mais belos elogios da paciência:

Nada te turbe
nada te espante
quem a Deus tem nada lhe falta.

A paciência tudo alcança
só Deus basta.

Há também um título de um opúsculo de Kierkegaard que podia-nos acompanhar estrada fora: «Adquirir a sua alma pela paciência». O filósofo dinamarquês recorda-nos a verdade essencial: estamos tanto mais em nós mesmos quanto mais aceitamos o desafio da maturação paciente da existência.

José Tolentino Mendonça

In Diário de Notícias (Madeira), publicado por SNPC

Uma foto tipo-passe de Hans von Balthasar

Hans Urs von Balthasar: uma Teologia polifónica

Embora teólogo escreveu sobre música, literatura e filosofia. (...).

Hans Urs von Balthasar é sem dúvida um teólogo colossal do século XX. Nasce, de uma família católica, em Lucerna na Suíça em 12 de agosto de 1905. Seu pai Óscar é um arquiteto de prestígio e sua mãe Gabriela Pietzker era uma ativista do movimento feminino católico. (...) O jovem Balthasar é um pianista virtuoso e toca Schubert, Tchaikovsky, Mozart que comenta em Spiritus Creator. Gosta também de Wagner sobre o qual escreve, de Bach ao qual também dedica páginas, Strauss e Mahler.

Em 1917 frequenta em Engelberg um colégio anexo à antiga abadia beneditina. Mas em 1920 muda-se para o colégio dos jesuítas em Feldkirch onde Karl Rahner também havia estudado. Em 1923 termina o ensino secundário e inscreve-se Universidade de Viena, contrariamente aos que pensavam os seus pais, não para estudar piano, mas literatura, pois para além da sua veia musical, durante a sua adolescência, cultivou um gosto apurado pela literatura. Entre os seus autores favoritos estão Dante, sobre o qual escreve, e Goethe. Ao estudar literatura, estuda também filosofia, sânscrito e indo-germanismo. Conhece Rudolf Allers que incute no jovem estudante de germânicas o gosto pela teologia.

Em 1927 muda-se para Berlim onde conhece Romano Guardini que exerce sobre von Balthasar uma influência decisiva. Termina os seus estudos em Zurique com uma tese sobre o ‘problema escatológico na literatura alemã’. Neste ano de 1927 faz uns exercícios espirituais no verão. Em 1929 entra para o noviciado da Companhia de Jesus e em 1933 depois de estudar filosofia, é enviado para em Lyon para estudar teologia onde conhece Henri de Lubac, pois viviam sobre o mesmo teto, com quem fundará em a revista ‘Communio’. Deste tempo von Balthasar, na entrevista que dá a Angelo Scola, relembra que enquanto os companheiros jogavam futebol, ele juntamente com Daniélou, Bouillard e outros, liam Orígenes, Gregório de Nisa e Máximo. Nestes anos descobre também os grandes poetas franceses como Claudel, Péguy, ao qual dedica páginas, e Bernanos sobre o qual escreve um grosso volume.

A cultura humanista e teológica de von Balthasar é única e profunda. Torna-se um teólogo incontornável. Em 26 de julho de 1936 é ordenado sacerdote. Em 1939 é mandado para Basileia na Suiça e no ano de 1940 conhece a mística Adrienne von Speyr e Karl Barth com o qual estabelece amizade, frequenta a sua casa onde vai ouvir Mozart, pois une os dois teólogos este amor comum. Em 1950 deixa a Companhia de Jesus, sofrendo um período de isolamento e não participa no Concílio Vaticano II (1962-1965).

Hans Urs von Balthasar, o teólogo helvético, que disse que «ser cristão até ao fundo, significa ser também ser humano até ao fundo», morre em Basileia a 26 de junho de 1988, deixando uma obra teológica colossal: a trilogia Glória (7 vol), Teodramática (5 vol), Teológica (2 vol) e ainda mais de 80 obras.

Por L. Oliveira Marques, in SNPC

A "meia-idade" e o meio da vida: será crise?

«A meio do caminho desta vida
me vi perdido numa selva escura.

Este verso de Dante, num dos pórticos da sua Divina Comédia, mostra como há diferentes idades e tempos na nossa vida e como o chamado «meio da vida» nos traz a experiência da complexidade. Muitas vezes, a sensação que nos sobrevém é a de uma desorientação ou de um certo adormecimento interior. Olhamos e a vida tornou-se uma floresta. As evidências parecem-nos menos frequentes e acessíveis. O caminho faz-se, agora, através de ramos e folhagens, por vezes, árduas de transpor. Levamos mais tempo entre um ponto e outro, quando em outros tempos essa viagem nos parecia tão imediata, transparente e possível.


Jesus vem ao nosso encontro em todas as idades e o encontro com Ele torna cada estação uma hora de Graça. Há, de facto, uma possibilidade de Graça para o momento que estamos a viver. Jesus dialoga connosco em cada tempo. (...)»

José Tolentino Mendonça, In “A pergunta do meio do caminho” (publicado em "O tesouro escondido")


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Cristo era necessariamente belo? Onde se encontra a Beleza?

Sobre Beleza

Desde pequeno sempre me incomodou que as "imagens" e representações dos santos quase sempre roçassem um "kitch" que, de tanto se querer perfeito, suave, sereno e bonito, cai no artificial, no estereótipo e até no feio. O que é certo é que a Beleza fala de Deus e nem tudo o que "ornamenta" as nossas igrejas fala Dele.

Mas a reflexão e procura da Beleza não vem de agora, e mesmo hoje não há unanimidade em muitos temas que a ela dizem respeito. Para alimentar um pouco a fogueira, aqui vai uma pequena reflexão sobre a beleza (ou falta dela) de Cristo:

«Talvez hoje nos espante saber que uma das discussões mantidas pelos Padres da Igreja era decidir se Cristo era ou não belo. Não é uma questão menor ou fútil como, talvez, à primeira vista possamos julgar. De facto, é a própria Liturgia que continua a alimentar esse debate. Ela, por exemplo, aplica a Jesus o Salmo 45:


«O meu coração vibra com belas palavras;
vou recitar ao rei o meu poema!
A minha língua é como pena de hábil escriba.
Tu és o mais belo dos filhos dos homens!
O encanto se derramou em teus lábios!
Por isso, Deus te abençoou para sempre!» (...)

A Beleza, e a Beleza de Cristo em particular, captura o nosso coração, fere-nos intimamente, abre-nos à revelação, faz com que deixemos de pertencer a nós mesmos, obriga-nos a relativizar o que éramos, a esquecer muitas vezes a nossa pátria e a casa dos pais, atrai-nos para si. É isso que a Igreja reza no Salmo 45.

Mas ao mesmo tempo que a Liturgia utiliza amplamente o salmo também considera indispensável a luz que traz ao mistério de Cristo o drama do Servo Sofredor, descrito em Isaías 53,1-4:

«Quem acreditou no nosso anúncio?
A quem foi revelado o braço do Senhor?
O servo cresceu diante do Senhor
como um rebento,
como raiz em terra árida,
sem figura nem beleza.
Vimo-lo sem aspeto atraente,
desprezado e abandonado pelos homens (...)»

José Tolentino Mendonça, in “Reconciliar-se com a beleza” (publicado em "O tesouro escondido")

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Entrar no Pai, que é nosso

Fala-se muito de Deus estar em nós, dentro de nós... Eis uma reflexão que nos aponta outra realidade e vocação do cristão: estar em Deus, existir nele.

"Pensando no Pai-Nosso, podemos dizer que o objectivo da oração é colocar-nos no Pai, inscrever-nos no seu coração: eu sou no Pai, existo no Pai.

A principal das orações cristãs não é um argumentário de pedidos, mas a expressão de uma relação confiante. Essa é a originalidade de Jesus. O apelo directo ao Pai é invulgar na tradição judaica.

E torna-se ainda mais significativo quando, no espaço de uma prece tão sóbria como é o Pai-Nosso, Jesus escolhe voluntariamente reconduzir o coração orante à sua essência..."

José Tolentino Mendonça, In “Mostra-nos o Pai” (publicado em "O tesouro escondido)


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Viver a vulnerabilidade é uma força

"Cada um de nós é uma mistura de forças e de fragilidades, e devíamos contar mais com a nossa pequenez, com a nossa fraqueza e vulnerabilidade."
José Tolentino Mendonça, in "Deus faz-me sorrir"

Um novo livro do poeta e padre José Tolentino Mendonça foi lançado. Chama-se "O Tesouro escondido" e contém reflexões sobre vários temas, enraizados numa observação atenta a aspectos importantes da vida humana. É da editora Paulinas (ISBN 978-989-673-140-3)
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quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Manuel Neuer em imagens



O guarda-redes alemão gay-friend

Guarda-redes alemão contra os armários

Mais um futebolista heterossexual que incita à saída do armário

Para Manuel Neuer os fãs do futebol vão aceitar os jogadores que forem abertamente homossexuais.


O guarda-redes alemão Manuel Neuer apelou aos jogadores de futebol homossexuais a serem abertos sobre a sua homossexualidade e ignorarem a reacção inicial dos fãs. Neuer fez este comentário pouco depois de afirmações homofóbicas de Joseph Blatter, presidente da FIFA sobre o Campeonato do Mundo no Qatar.

Com 24 anos, o jogador do Schalke 04, que está na mira de uma milionária transferência para o Manchester United no Verão, emitiu a sua opinião numa entrevista à revista alemã Bunte. As suas palavras foram: "Sim, aqueles que são gays devem dizê-lo. Alivia um fardo ... E os fãs vão ultrapassar a questão rapidamente. O que importa é o desempenho do jogador, não a sua orientação sexual..."

Neuer não é o único jogador a partilhar esta opinião na Alemanha. Em declarações à mesma revista em Novembro passado, o atacante do Bayern de Munique, Mario Gomez referiu que muitos políticos de topo na Alemanha são abertamente homossexuais e que um jogador gay "iria jogar mais livre". Acrescentando: "Ser gay não devia mais ser uma questão tabu."

Nem Neuer, nem Gomez são homossexuais, eles são simplesmente anti-homofobia. Fizeram parte da jovem equipa multi-racial alemã que impressionou no Campeonato do Mundo na África do Sul no ano passado e chegaram até ao 3º lugar na competição.

In Portugalgay

PALOP dá o exemplo em África na descriminalização de relações homossexuais

Sexo gay vai deixar de ser criminalizado em São Tomé e Príncipe

São Tomé e Príncipe vai descriminalizar o sexo consentido entre homens na próxima revisão do seu Código Penal, segundo declarações em 31 de Janeiro na Universal Periodic Review da ONU.


"Obviamente há uma preocupação com as relações sexuais entre pessoas do mesmo sexo no nosso país", disse o representante. "Actualmente, o Código Penal vem de um tempo em que a situação era totalmente diferente e por isso os tribunais realmente já não têm aplicado esta pena. Assim, apesar do que está no texto da lei, não é aplicável, porque contraria princípios constitucionais. O novo Código Penal que estamos a elaborar não pune as relações sexuais entre pessoas do mesmo sexo."

O novo código deve ficar pronto em quatro meses.

Nauru, a nação da Micronésia terá feito uma declaração similar no dia anterior, na sua sessão de revisão.
A Universal Periodic Review, um projeto do Conselho de Direitos Humanos da ONU, analisa oficialmente o registo de direitos humanos de cada um dos 192 países membros da ONU, num sistema rotativo de quatro anos, e insta os países analisados a protegerem todos os direitos humanos e as liberdades fundamentais.

Por Rex Wockner (EUA), in Portugalgay

O amor conhece fronteiras?

Em Israel adiada-se a decisão sobre expulsão de companheiro de jovem assassinado

O alemão Thomas Schmidt tinha um relacionamento com Nir Katz, israelita. As autoridades queriam expulsar Schmidth do país, mas agora voltaram atrás.
A questão é que com a morte do seu companheiro israelita, o alemão deixou de preencher os requisitos para permanecer no país. No entanto a mobilização dos LGBT do país fizeram o Ministério do Interior voltar atrás na decisão.

Thomas Schmidt e Nir Katz viviam uma relação estável e iniciaram o processo de parceria civil em Israel em 2008. No entanto os planos do casal foram brutalmente interrompidos pelo ataque sangrento no Centro LGBT de Tel Aviv onde um homem encapuçado mata uma menina de 17 anos e Nir Katz de 26 anos.

O ataque chocou o país e o primeiro-ministro, Binyamin Netanyahu, veio a público fazer promessas de justiça e pedir tolerância para as pessoas LGBT. Mais de um ano depois a polícia ainda não encontrou o assassino e a investigação continua em aberto.

Schmidt que vivia em Israel desde 2004 ultrapassou a perda e aproximou-se da família de Nir Katz, deixando de ter contacto com a sua família na Alemanha. Mas as coisas complicaram-se ainda mais quando a renovação do seu visto foi negada pelo Ministério do Interior há poucas semanas atrás. E o Ministério do Interior foi claro: Schmidt terá de abandonar o país até 20 de fevereiro.

Toda a situação gerou polémica no país e o único político abertamente gay no país, Nizan Horowitch, escreveu uma carta ao ministro do Interior, em que explica as "circunstâncias difíceis e excepcionais" que levaram Schmidth a querer ficar em Israel.

Já o diretor executivo da JOH (Jerusalem Open House) é mais incisivo. Em 2009 "tivemos uma pessoa que cometeu um crime de ódio, agora é todo um país que comete um crime de ódio".

Ontem o Ministério do Interior anunciou que a autorização de residência temporária tinha sido estendida, até que haja uma decisão definitiva sobre o caso.

In Portugalgay

"Next step" no Reino Unido: Da União Civil ao Casamento entre pessoas do mesmo sexo

No Reino Unido o governo avança na igualdade do casamento

O Governo do Reino Unido está a estudar a possibilidade de permitir o casamento entre pessoas do mesmo sexo e não apenas as uniões civis registadas. A uniões entre pessoas do mesmo sexo passarão a poder incluir elementos religiosos.


A notícia é avançada pelo Sunday Telegraph. Segundo o jornal será assim possível ter elementos religiosos numa celebração da união entre duas pessoas do mesmo sexo, algo que até agora estava estritamente vedado em termos legais.

Outra alteração mais profunda é acabar com a distinção entre o casamento para heterossexuais e a união civil registada pala homossexuais. O casamento passará, aos olhos da lei, a ser aplicável em ambos os casos.

O porta-voz do Home Office afirmou que "o governo está a estudar qual o próximo passo para as uniões civis registadas, incluindo o modo como algumas organizações religiosas podem registrar o relacionamento de casais do mesmo sexo num contexto religioso, se desejarem fazê-lo". Segundo o porta-voz foram ouvidas diversas organizações sobre esta questão e o anúncio será feito mais tarde.
A Igreja da Inglaterra, já tinha vindo a público informar que não permitirá que qualquer um de seus edifícios seja usado para cerimónias de união civil registada entre pessoas do mesmo sexo. No entanto há outros grupos religiosos que vêm com bons olhos a abertura a este tipo de cerimónias num contexto religioso tais como os quakers, unitaristas, e os judeus liberais.

As uniões civis registadas (Civil Partnerships) foram introduzidas no Reino Unido em dezembro de 2005. Dão aos casais homossexuais praticamente todos os direitos dos casais heterossexuais excepto na forma de celebrar a cerimónia e no reconhecimento fora de fronteiras.

Segundo as regras actuais, as cerimónias devem ser laicas e não podem conter elementos religiosos, como o canto de hinos e leituras da Bíblia. Em Maio de 2010 já tinham sido formalizadas mais de 26 mil parcerias civis.

Portugal tem o casamento entre pessoas do mesmo sexo desde Junho de 2010. Actualmente as uniões civis registadas realizadas no Reino Unido não são reconhecidas como casamento civil em Portugal.
 
In Portugalgay

Porque estou aqui

Sinto-me privilegiado por ter encontrado na Igreja um lugar vazio, feito à minha medida. É certo que tê-lo encontrado (ou encontrá-lo renovadamente, pois não é dado adquirido) foi também mérito da minha sede, do meu empenho, de não baixar os braços e achar, passivamente, que não seria possível. Passo a contextualizar: a comunidade onde vou à missa é pequena e acolhedora, e podia bem não o ser. Ao mesmo tempo, sentia um desejo grande de reflexão de vida cristã e encontrei um casal (heterosexual) que tinha a mesma vontade. Começámo-nos a reunir semanalmente numa pequena comunidade de oração e reflexão que, apesar de crítica, nos tem ajudado a sermos Igreja e a nela nos revermos. Paralelamente, face ao contínuo desencanto em relação a algumas posturas e pontos de vista de uma Igreja mais institucional e hierárquica, tive a graça de encontrar um grupo de cristãos homossexuais, que se reuniam com um padre regularmente, sem terem de se esconder ou de ocultar parte de si.

Sei que muitos cristãos homossexuais nunca pensaram sequer na eventualidade de existirem grupos cristãos em que se pudessem apresentar inteiros, quanto mais pensarem poder tomar parte e pôr em comum fé, questões, procuras, afectos e vidas.

Por tudo isto me sinto grato a Deus e me sinto responsável para tentar chegar a quem não teve, até agora, uma experiência tão feliz como a minha.

Este blogue também é teu

São benvindos os comentários, as perguntas, a partilha de reflexões e conhecimento, as ideias.

Envia o link do blogue a quem achas que poderá gostar e/ou precisar.

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Os textos e as imagens

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As imagens que ilustram as mensagens são retiradas da Internet. Quando se conhece a sua autoria, esta é referida. Quando não se conhece não aparece nenhuma referência. Caso detectem alguma fotografia não identificada e conheçam a sua autoria, pedimos que nos informem da mesma.

As imagens são ilustrativas e não são sempre directamente associáveis ao conteúdo da mensagem. É uma escolha pessoal do autor do blogue. Há um critério de estética e de temática ligado ao teor do blogue. Espero, por isso, que nenhum leitor se sinta ofendido com as associações livres entre imagem e conteúdo.

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