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A diversidade na Igreja

"A casa do meu Pai tem muitas moradas", diz-nos Jesus no evangelho.

A unidade na diversidade não é sempre aparente na Igreja enquanto povo de Deus, mas é uma realidade em Deus e uma presença na fé cristã desde a sua origem. A Palavra de Deus não é partidária, elitista e exclusiva. O Reino de Deus é como uma árvore que estende os ramos para dar abrigo a todos os pássaros do céu. Cristo não morreu na cruz para salvar uma mão cheia de cristãos. Até o Deus Uno encerra em si o mistério de uma Trindade.

A Palavra de Deus é inequívoca e só pode levar à desinstalação, à abertura ao outro, e a recebê-lo e amá-lo enquanto irmão ou irmã. Ninguém fica de fora, nem mesmo - se tivessemos - os inimigos.

Muitos cristãos crêem nesta Igreja, nesta casa do Pai, corpo de Cristo, templo do Espírito Santo. Mas como esquecer que muitos se sentem "de fora" por se verem rejeitados, amputados e anulados, e afastam-se por ninguém lhes ter mostrado que há um lugar para cada um, com a totalidade do seu ser?

Um blogue para cristãos homossexuais que não desistiram de ser Igreja

Porquê este blogue?

Este blogue é a partilha de uma vida de fé e é uma porta aberta para quem nela quiser entrar. É um convite para que não desistas: há homossexuais cristãos que não querem recusar nem a sua fé nem a sua sexualidade. É uma confirmação, por experiência vivida, que há um lugar para ti na Igreja. Aceita o desafio de o encontrares!

Este blogue também é teu, e de quem conheças que possa viver na carne sentimentos contraditórios de questões ligadas à fé e à orientação sexual. És benvindo se, mesmo não sendo o teu caso, conheces alguém que viva esta situação ou és um cristão que deseja uma Igreja mais acolhedora onde caiba a reflexão sobre esta e outras realidades.

Partilha, pergunta, propõe: este blogue existe para dar voz a quem normalmente está invisível ou mudo na Igreja, para quem se sente só, diferente e excluído. Este blogue não pretende mudar as mentalidades e as tradições com grande aparato, mas já não seria pouco se pudesse revelar um pouco do insondável Amor de Deus ou se ajudasse alguém a reconciliar-se consigo em Deus.

quinta-feira, 24 de março de 2011

Desporto britânico contra a homofobia

Matt Schiermeier
Carta do desporto apresentada no Reino Unido pela ministra da Igualdade

Foi apresentada esta semana uma inovadora carta do desporto LGBT convida organismos nacionais a empenharem-se no combate à homofobia.

O anúncio foi feito pela ministra das Igualdade, Lynne Featherstone, quando assistia a um jogo da liga de rugby Sheffield Eagles em que os jogadores usaram equipamento contra a homofobia. No equipamento estava visível o slogan "Homofobia, pláca-a!" numa referência à ação de placar no rubgy situação em que alguém é parado pelo adversário.



A Ministra Lynne Featherstone disse que estava otimista sobre a nova Carta, que visa tornar o desporto mais seguro e acolhedor para gays, lésbicas, bissexuais, transexuais e transgéneros.

Ela comentou: "A homofobia e a transfobia não têm lugar no desporto e estou muito contente que tantos organismos desportivos estejam a apoiar a nossa campanha para erradicá-la em todos os níveis, a partir dos clubes locais até aos estádios olímpicos."

Centenas participaram no jogo que foi patrocinado pelo LGBT History Month e Pride Sports, juntamente com o diversos sindicatos de professores de todos os níveis de ensino e a intersindical Unison

in Portugalgay

Uganda: leis contra os homossexuais ainda mais duras

Lei anti-homossexuais vai ser apresentada ao parlamento ugandês novamente

A lei que criminalizaria ainda mais a homossexualidade no Uganda está prestes a ser apresentada no parlamento. O Parlamento de Uganda vai rever na próxima semana o projecto de lei anti-homossexualidade apresentado pela primeira vez em 2009.


O sexo consentido entre adultos já é punível com prisão perpétua no país africano com cerca de 30 milhões de habitantes, mas a nova lei iria impor a pena de morte a gays condenados por relações sexuais com menores ou deficientes. A pena de morte também passaria a ser aplicável a homens seropositivos que tenham sexo com outros homens.

Para completar o pacote de reformas, o projecto também apresenta pena de prisão para todos aqueles que tendo responsabilidades sociais, como professores, não informem a polícia sobre pessoas que suspeitem ser homossexuais.

A lei gerou polémica fora do país, especialmente nos EUA quando se conclui que a criminalização da homossexualidade foi fortemente apoiada por parte de evangelistas cristãos norte-americanos que se deslocaram ao Uganda. A esmagadora maioria da população do país é cristã.

in Portugalgay

Direitos LGBT na África Austral

Criminalização da homossexualidade questionada em tribunal no Botswana

Um grupo LGBT levou a tribunal a constitucionalidade do artigo 164 do código penal, que criminaliza as relações homossexuais.

No dia 25 de Fevereiro foi apresentada uma acção no Supremo Tribunal desafiando a constitucionalidade do artigo 164 do código penal do Botswana. A iniciativa foi do coordenador grupo LGBT Legabibo e põe em causa a condenação "do conhecimento carnal contra-natura" do texto legal e que é punível com até sete anos de prisão. O próprio grupo viu recusada a pretensão de se legalizar como associação com o fundamento que ira "agrupar criminosos". E há alguns casos registados de condenação de actos homossexuais recorrendo ao artigo 164 embora raros.

in Portugalgay

A exclusão não é coisa irlandesa!

Ministro irlandês critica organizadores de Parada de St Patrick em New York

O Ministro dos Negócios Estrangeiros irlandês, Eamon Gilmore, criticou a organização da Parada de St. Patrick em New York por esta proibir a participação de grupos LGBT.

Eamon Gilmore que assumiu a pasta na semana passada afirmou: "A exclusão não é uma coisa irlandesa."



A declaração foi feita durante uma reunião com activistas LGBT irlandeses no Consulado da Irlanda em Manhattan. Mas o Ministro foi mais longe e reforçou que o desfile é uma "celebração da Irlanda e irlandismo" e que era preciso comemorar a verdadeira Irlanda e não uma coisa imaginária. Reforçando que a igualdade é algo central na "identidade" dos irlandeses.

A parada de St. Patrick reúne cerca de 2 milhões de pessoas só em New York, sendo celebrada em diversos outros locais. Uma onda verde (a cor verde, mesmo) enche a cidade e até a cerveja é servida com essa coloração. 

Diversos grupos LGBT têm protestado pacificamente de fora da parada de St. Patrick contra a exclusão que são alvo por parte da organização. E a atitude das pessoas também mudou: se nos primeiros anos estes protestos eram vistos de forma muito negativa pelos participantes e assistência, nos últimos anos tem crescido a aceitação e até começa a haver apoio à participação de LGBT irlandeses.

in Portugalgay

Daniel Radcliffe em imagens

Actor Daniel Radcliffe (Harry Potter) distinguido pela voz e exemplo

Daniel Radcliffe homenageado pelo Trevor Project

A homenagem será feita no evento anual deste projecto de luta contra o suicídio entre jovens LGBT, também será homenageada a empresa Ernst & Young LLP.

Em edições anteriores foram homenageados outros actores e comediantes, incluindo Kathy Griffin, Neil Patrick Harris e Vanessa Williams e empresas pioneiras como a Levi Strauss & Co., Wells Fargo Bank e a CNN pelo seu apoio à juventude LGBT.



"Os jovens merecem viver num mundo que os aceita pelo que são, independentemente da orientação sexual ou identidade de género de uma pessoa ", disse Radcliffe. "Como um aliado, eu estou honrado que o projeto Trevor me tenha escolhido para receber o Prémio Trevor Hero, e vou continuar a promover a divulgação dos recursos que existem para salvar vidas que [o Trevor Project] disponibiliza para a juventude LGBT."

Uma estrela de cinema e teatro, Radcliffe esteve envolvido no projeto Trevor desde 2009, aparecendo em anúncios de serviço público e fazer declarações públicas de apoio à juventude LGBT. O Prémio Trevor Hero reconhece um indivíduo que serve de inspiração para jovens de minorias sexuais e aumenta a visibilidade e compreensão da comunidade LGBT.

"Com o nosso país a colocar-se cada vez mais em sintonia para apoiar as necessidades dos jovens LGBT, é muito importante ter vozes influentes sobre as melhores maneiras de fazer isso. Tanto Daniel Radcliffe como a Ernst & Young LLP, exemplificam que a dignidade para todas as pessoas, independentemente da orientação sexual ou identidade de género, é um valor humano inato ", disse Charles Robbins, director executivo do Trevor Project.

Mais informações em www.thetrevorproject.org.

in Portugalgay

A aplicação "milagrosa" que "curava" homossexuais desapareceu

A Apple removeu a aplicação que apontava aos homossexuais uma organização que os "tratava" da homossexualidade. Para compreender melhor o fenómeno, lê os seguintes textos:

100 mil assinam petição contra aplicação anti-gay para iPhone

"A Apple está a ser alvo de críticas por ter aprovado uma aplicação que permite o acesso a conteúdos de uma organização americana que defende a "libertação" da homossexualidade por via da religião.

À data de publicação deste artigo, 100 mil pessoas tinham assinado uma petição online, dirigida a responsáveis da Apple, entre os quais Steve Jobs, onde é pedida a remoção da aplicação. Ao longo da última hora, o texto conseguiu duas mil novas suibscrições. A empresa tem também sido fortemente criticada na Web e ainda nos comentários à aplicação, na própria loja do iTunes.

A aplicação em cau
sa, que é gratuita, permite, no iPhone, iPod Touch e iPad, o acesso a notícias, calendário de eventos e outra informação da Exodus International. "Com mais de 35 anos de experiência, a Exodus está empenhada em encorajar, educar e equipar o Corpo de Cristo para lidar com a questão da homossexualidade com graça e verdade", lê-se na página da aplicação.

A petição acusa a Exodus de ser uma organização "fanática", aponta para as possíveis consequências negativas das tentativas de "cura" da homossexualidade (particularmente em jovens) e critica a Apple - que é conhecida por ser muito criteriosa nas aplicações que disponibiliza na sua loja - por ter aceite a aplicação, classificando-a como apropriada para maiores de quatro anos, o que significa, de acordo com a classificação da empresa, que não tem conteúdos problemáticos.

"A Apple não permite aplicações racistas ou anti-semitas na sua loja", lê-se na petição. "Mas está a dar luz verde a uma aplicação que dirige a LGBT jovens e vulneráveis a mensagen de que a sua orientação sexual é 'um pecado que tornará o teu coração doente'".

"É preciso dizer à Apple, alto e bom som, que isto é inaceitável", defende o texto.

A Apple já tinha tido um problema semelhante, com uma aplicação contra o casamento de pessoas do mesmo sexo, que acabou por ser retirada, por, segundo a empresa, ser "ofensiva" para um grande número de pessoas.

Ainda não houve um comentário da empresa às críticas."
por N in PÚBLICO

Apple finalmente remove aplicação que "cura" homossexualidade

"A aplicação que, supostamente, permite acabar com a homossexualidade de alguém foi, depois de muita polémica, removida pela Apple sem mais esclarecimentos.

A aplicação foi criada pelo grupo cristão Exodus conhecido por promover a mudança de homossexualidade para heterossexualidade auto-classificando-se como "o maior ministério a nível mundial para aqueles que lutam com a atração pelo mesmo sexo não desejada."

Segundo o grupo a aplicação foi "concebida para ser um recurso útil para os homens, mulheres, pais, estudantes e líderes de ministério". A aplicação oferecia a "libertação da homossexualidade através do poder de Jesus".

A situação da Apple ficou mais complicada tendo em conta que todas as aplicações disponíveis na loja iTunes são pré-aprovadas pela empresa. Aplicações com conteúdo racista ou anti-semita não são permitidas por exemplo.

Uma petição foi colocada no site change.org para denunciar a aprovação de uma aplicação que é direccionada a uma juventude LGBT vulnerável à mensagem que a sua orientação sexual seria "imoral", "satânica" e que precisaria de ser curada.

Factores que, segundo a petição, "contribuem para o suicídio". A petição recorda que a "terapia" oferecida pela Exodus foi rejeitada pelas principais organizações médicas incluindo a American Psychological Association, a American Medical Association, e ainda a American Counseling Association.

No momento em que escrevemos estas linhas a petição já ia em mais de 148000 assinaturas.

Ben Summerskill, diretor executivo do grupo de direitos LGBT britânico Stonewall, fez os seguintes comentários sobre a aplicação: "No grupo Stonewall, todos nós temos vindo a utilizar esta aplicação desde as 08:00 e podemos assegurar todos os interessados que não está a ter nenhum efeito" sob a nossa orientação sexual.

Neste momento a aplicação não está disponível na loja de aplicações da Apple."
in Portugalgay a 23 de Março de 2011

quarta-feira, 23 de março de 2011

Em conversa com uma realizadora

Catarina Mourão: O cinema é uma janela para a transcendência
«A Lourdes e eu andamos vários anos até encontrarmos essa dança comum, ou seja vários anos até percebermos como nos relacionarmos perante a câmara e o filme. Porque uma coisa é a relação por detrás da câmara, outra a relação que a câmara depois traduz.»
Em entrevista ao Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura e Agência Ecclesia, Catarina Mourão, realizadora de “Pelas sombras”, sobre a vida e obra da artista plástica Lourdes Castro, descreve a relação com a protagonista do seu documentário, fala da exibição recente na Capela do Rato, em Lisboa, partilha a sua visão acerca da relação entre cinema e transcendência e critica o panorama da sétima arte em Portugal.

O cinema domina, hoje, a sua vida profissional. Tornar-se realizadora foi uma escolha evidente desde cedo?
Desde cedo que o cinema me fascinou. Tornar-me realizadora foi uma escolha tardia. Licenciei-me em direito, embora nunca tenha gostado do curso. Ao longo do curso estudei música e comecei a trabalhar em cinema, sobretudo como tradutora de guiões e sinopses e, mais tarde, como assistente de produção e realização. Só depois da licenciatura em direito é que fui estudar cinema.

Como surgiu Lourdes Castro e a ideia de a filmar?
A ideia de filmar o trabalho e vida da Lourdes Castro surgiu em 1997. A Valentim de Carvalho Televisão estava na altura a pensar desenvolver um catálogo de documentários sobre artistas plásticos e desafiou-me a escolher uma artista. Eu escolhi a Lourdes Castro. Conhecia o trabalho da Lourdes, de que sempre gostei e, sobretudo, tinha visto uma performance/peça de teatro de sombras em 1985 no CAM que me marcou completamente. E, se calhar, inconscientemente, influenciou o meu cinema hoje. O cinema feito de pequenos gestos, de situações aparentemente invísiveis e anónimas.

À medida que “Pelas Sombras” se desenrola, há uma tal harmonia e fluidez narrativas, nos gestos de Lourdes Castro, na sua intimidade, o que partilha, que dá a sensação de que a vossa afinidade foi automática, de que as coisas surgiram tão claras e evidentes como a própria Lourdes. Foi assim?
Eu acho que houve logo de início uma grande empatia entre as duas, mas isso não quer dizer sintonia. É como uma dança, é preciso perceber os ritmos de cada um. A Lourdes e eu andamos vários anos até encontrarmos essa dança comum, ou seja vários anos até percebermos como nos relacionarmos perante a câmara e o filme. Porque uma coisa é a relação por detrás da câmara, outra a relação que a câmara depois traduz. É evidente que andam as duas muito próximas mas houve obviamente um trabalho de “mise en scène” e ajuste para permitir que os vários encontros entre a Lourdes e eu, o quotidiano e o trabalho, o som e a imagem provocassem qualquer coisa nova. É isso que faz o cinema: não é um mero registo mas a invenção de uma nova realidade a partir da realidade filmada e anteriormente observada.

Quanto tempo durou a rodagem do filme?
As primeiras filmagens datam de 2003, mas de uma forma mais sistemática e com a certeza que estávamos a fazer um filme, a partir de 2007. De 2007 a 2010 filmámos uma semana por estação do ano.

De que forma participou Lourdes na conceção do filme?
A Lourdes participou no filme não só como personagem que se expõe ao longo de todo o filme mas também na medida em que o seu trabalho presente, o quotidiano no jardim e na casa, tomam forma através do filme. Ou seja, é de certa forma no filme que a Lourdes verbaliza de forma mais assumida como a sua obra está em total fusão com a sua vida. Nesse sentido o filme e a sua obra confundem-se um bocado. Ao tornar visível através do filme, uma obra que é aparentemente invisível “por ser grande demais ou pequena demais” (palavras da Lourdes) o filme acaba por participar da obra da Lourdes assim como a obra da Lourdes participa do filme, embora essa construção, representação do trabalho da Lourdes seja feita por mim, através do meu olhar. Mas há como que uma fusão muito grande entre o meu olhar e a construção do filme e a construção da obra da Lourdes através do filme.

Teve a preocupação de se preparar muito bem para filmar Lourdes ou optou por descobri-la à medida da rodagem (pelo menos numa fase inicial)? 
Preparei-me conhecendo a obra da Lourdes, lendo textos sobre o trabalho dela, textos do Manuel Zimbro, textos do João Fernandes. Mas tudo isto é apenas uma contextualização. Uma relação faz-se no terreno, no dia a dia. Uma pessoa tem sempre muito mais dimensões que transcendem a sua obra. Foi na preparação e na rodagem que fui descobrindo a Lourdes e ela a mim. Essa relação e descoberta continua hoje.

Que impacto teve o filme em Lourdes? Teve a perceção se a transformou, de algum modo?...
Acho que qualquer experiência onde nos envolvemos com maior profundidade nos transforma. Neste caso, acho que o tempo da Lourdes e a sua opção de não ter pressa e de valorizar o momento presente foi muito importante para mim, influenciou o filme e influenciou o meu olhar. Permitiu-me relativizar muita coisa e perceber o que é importante. Às vezes esquecemo-nos de que a vida se conjuga no presente e estamos sempre a projetar para a frente. Isso não quer dizer que não se planeie e antecipe algumas coisas mas tudo no sentido de melhor desfrutar a vida presente, o lado sensorial da vida também. Hoje em dia tendemos a ser cada vez mais cérebro e pouco corpo.

O que lhe suscitou este convite para apresentar o seu filme numa capela? 
Gostei muito da experiência. Acho que os filmes só ganham em ser mostrados em contextos diferentes, com públicos diferentes. De certa forma a atenção e concentração que se tem numa igreja pode ter pontes de contacto com a atenção que se tem no cinema.

Em que medida considera a importância do cinema como via de transcendência?
O cinema e as artes em geral podem ser uma via de transcendência. Para mim, transcendência é aquilo que nos transporta para uma dimensão diferente, mais espiritual e emocional. É de certa forma aquilo que nos permite aceder a zonas do nosso inconsciente que não exploramos normalmente, mas também a qualquer coisa que nem sempre conseguimos explicar racionalmente. E a arte tem um papel fundamental nisto. É através dela que podemos organizar emocionalmente aquilo que nos rodeia. O cinema pela sua dimensão onírica é facilmente uma janela para essa transcendência, nele jogam a subjetividade, a poesia, a metáfora, e o sublime também.

E o seu papel na sociedade atual - como motor de reflexão e debate?...
O cinema tem também uma dimensão política, pedagógica. Sobretudo, o cinema documental que convoca a realidade e a transforma, é, sem dúvida, um motor para reflexão e debate. O documentário que me interessa é aquele que não procura dar respostas mas sim levantar questões, acordar o espectador para novas problemáticas e, sobretudo, novos pontos de vista sobre a sociedade em que vivemos. Nesse aspeto acho que o filme “Pelas Sombras” é também um filme político, na medida em que nos chama a atenção para a necessidade de mudarmos um pouco de paradigma na forma como muitos de nós vivemos, numa sociedade demasiado capitalista e orientada para o consumo.

Que balanço faz da sua carreira cinematográfica?
É difícil responder a essa pergunta. A minha carreira tem quase 14 anos. Acho que é um momento de balanço. Em cada filme que faço sinto que estou a sempre a experimentar novas abordagens e acho que o meu percurso será sempre o da experiência. Embora consiga identificar uma continuidade no meu trabalho, há rimas claras de uns filmes para os outros. No entanto, em Portugal aposta-se muito pouco numa continuidade dos artistas, e fazer um filme de quatro em quatro anos é muito pouco.

E projetos?
Neste momento estou a desenvolver um novo projeto na Índia, mas ainda não tenho financiamento, por isso tenho de ir devagar. Estou a escrever e a trabalhar para um projeto de doutoramento sobre a representação do sonho no cinema. Mas dou aulas de cinema, é isso que me permite continuar.

Que comentário faz ao momento atual do cinema em Portugal? 
É um momento muito difícil, mas não tenhamos ilusões: nunca foi fácil fazer cinema em Portugal. Talvez essa dificuldade se reflita na identidade do cinema português para o bem e para o mal. De qualquer forma existe uma certa esquizofrenia no sentido em que o cinema português é muito bem recebido fora de Portugal e depois em Portugal há pouco apoio para a sua divulgação. Este filme “Pelas Sombras” deveria ter tido o percurso natural de um filme e passar com regularidade numa sala de cinema. No entanto, não houve nenhuma distribuidora que quisesse arriscar. Há um preconceito muito grande ainda em relação a este tipo de cinema que não trabalha com atores profissionais e que opta por um modelo de produção diferente do da ficção. Até mesmo nos júris do Instituto de Cinema, onde deveria haver maior informação e abertura, um realizador como eu é sempre classificado de forma inferior ao de um realizador de ficção. Nesse aspeto, o cinema em Portugal ainda é recebido com uma arte muito formatada, sempre sujeita a tipologias e classificações e isso prende-se com a tentativa de aproximar o cinema da indústria; torná-lo rentável economicamente. Só que, às vezes, há muita falta de visão e, filmes aparentemente menos convencionais, podem encontrar o seu público. Acho que os públicos se estão a transformar, não há um público mas sim vários públicos. Por alguma razão este filme, quando consegue ultrapassar o crivo de uma primeira seleção (em festivais por exemplo...), acaba por ser premiado e ter uma grande adesão do público.

Se dispusesse de todos os meios para tal, o que escolheria fazer nos próximos tempos?
Escolheria fazer exatamente o que faço, mas gostaria de ter financiamento para realizar o meu próximo filme na India.

“Pelas sombras” ganhou o prémio Signis Portugal-Árvore da Vida, da Igreja Católica, na edição de 2010 do IndieLisboa, festival internacional de cinema independente.

Por Margarida Ataíde, in SNPC 

A caridade cristã é para todos os seres humanos: mais um retrato de um perito do Vaticano II

Jean Daniélou: Um regresso às fontes
No ano de 1967 dizia Jean Daniélou em “Evangelho e Mundo Moderno”, ao falar do amor, que «a caridade cristã abrange todo o homem, mas precisamente porque o abrange totalmente, vê-o à luz do que lhe dá a plenitude, a sua vocação de eternidade». O padre Daniélou sabia do que falava, pois sendo filho de um anticlerical podia entrever de perto no que poderia consistir a ausência desta vocação para o eterno. Seu pai, Charles Daniélou fora deputado e ministro da 3.ª República francesa. Sua mãe, Madeleine Daniélou, era uma mulher cristã que fundou o Instituto de Santa Maria e uma universidade feminina gratuita. 

Jean Daniélou nasceu no dia 14 de maio de 1905 em Neuilly-sur-Seine, França. Realizou os seus estudos primários e secundários na sua cidade natal, para os continuar na Sorbonne onde termina a licenciatura em Letras e faz a agregação em Gramática no ano de 1927, tornando-se professor associado da mesma disciplina. E no ano de 1929 entra na Companhia de Jesus em Laval, onde fará os seus votos a 21 de novembro de 1931.

Após os estudos de teologia na Universidade Católica de Lyon, é ordenado sacerdote a 24 de agosto de 1938 e no ano de 1941, em plena 2.ª Guerra Mundial, volta a Paris para dar início ao seu doutoramento no Instituto Católico da capital francesa.

Durante este tempo é simultaneamente capelão do Grupo Católico de Letras e da Escola Superior Feminina de Sèvres. No ano de 1942 publica um pequeno livro intitulado “Le Signe du Temple ou de la Présence de Dieu”. Dado que o seu interesse intelectual e académico versava sobre os Padres da Igreja, Daniélou dá início em 1941, com o padre Henri de Lubac, à coleção “Sources chrétiennes, cujo primeiro volume foi “La vie de Moïs”, de São Gregório de Nissa, publicado em 1943. Em 1944 termina o seu doutoramento com uma tese sobre a espiritualidade daquele santo, tornando-se nesse mesmo ano professor de História das Origens do Cristianismo, no Instituto Católico de Paris.

Em 1961 o padre Daniélou torna-se decano da Faculdade de Teologia daquele Instituto e no ano seguinte, quando tem início o 2.º Concílio Ecuménico do Vaticano, é chamado a participar como “perito”, tendo trabalhado no documento “Gaudium et Spes”, sobre a relação da Igreja no mundo. Quatro anos após terminar o Concílio é ordenado bispo em Paris, no dia 21 de abril de 1969, sendo nomeado cardeal pelo Papa Paulo VI sete dias depois da ordenação episcopal. No ano de 1972, a 9 de novembro, o cardeal Daniélou é eleito membro da Academia Francesa, tendo sido oficialmente recebido na mesma no dia 22 de novembro de 1973, um ano antes da sua morte.

O cardeal Daniélou foi autor de numerosas obras no campo da História da Igreja no que diz respeito às suas fontes (“Origéne” [1948]; “Histoire des doctrines chrétiennes avant Nicée” em 3 volumes [1958]; “Les origines du christianisme latin”; “L’être et le temps chez Grégoire de Nysse” [1970]), contribuindo assim para um regresso às fontes histórico-patrísticas do cristianismo, do qual ainda hoje somos devedores e beneficiários, pelas preciosas e rigorosas edições das “Sources chrétiennes”.

Por L. Oliveira Marques in SNPC

"Coisa Curiosa": a Bíblia

"A Bíblia, coisa curiosa" na Casa Fernando Pessoa
«Álvaro de Campos chamou à Bíblia «coisa curiosa» e a classificação é certeira. Livro sagrado para crentes de mais de uma religião, super clássico da literatura, chave de decifração do pensamento ocidental, objeto interminável de receção, estudo e curiosidade, eis a Bíblia.
Escrita numa gramática singularíssima, abarca géneros tão meticulosos e díspares que, por si só, representam um desafio colossal a qualquer leitor. Ela pode ser tomada como cancioneiro, livro de viagens, memórias de corte, antologia de preces, cântico de amor, panfleto político, oráculo profético, correspondência epistolar, livro de imagens, texto messiânico.
A Bíblia continua a ser um texto, claro. Mas também, e de um modo irrecusável, constitui hoje um metatexto, uma espécie de chave para a decifração do real. Da filosofia às ciências políticas, da psicanálise à literatura, da arquitetura explícita das cidades ao desenho implícito dos afetos, da arte dita sacra às formas sonoras da expressão: a Bíblia é um parceiro, voluntário ou involuntário, nessa comunicação.»

A Casa Fernando Pessoa, em Lisboa, realiza em março e abril, um ciclo de conversas intitulado “A Bíblia, coisa curiosa: novos olhares sobre um livro de sempre”. As sessões, com entrada livre, decorrem das 18h00 às 20h00.

Programa
31 de março
Bíblia & Música
Bíblia & Panque Roque: Tiago Guillul (cantautor)
Moderador: Diogo Brito
Bíblia e criação musical
Mesa-redonda com os compositores Eurico Carrapatoso, Ivan Moody e João Madureira
Moderador: Alfredo Teixeira

7 de abril 
Bíblia, Psiquiatria & Psicanálise
Evangelho e Psicanálise: Evocar Françoise Dolto
Alberto Vaz da Silva (escritor)
Moderadora: Dora Guimarães
Leituras Cruzadas: Mesa-redonda
Paraíso e Transgressão: Armindo Vaz (teólogo) e Ana Catarina Silva Duarte (psicanalista)
A propósito de Job: Luísa Almendra (teóloga) e Filipe Sá (psicanalista)
A hospitalidade e Marta e Maria: José Tolentino Mendonça (teólogo) e Emília Leitão (psiquiatra)
Moderadora: Daniel Nascimento

14 de abril
Bíblia & Poesia
O que sabe a Bíblia sobre a palavraJoão Lourenço (teólogo)
Moderador: Luís Marques
Os Poetas abrem a BíbliaMesa-redonda com os poetas Adília Lopes, Armando Silva Carvalho, Mário Avelar e Pedro Braga Falcão
Moderador: José Tolentino Mendonça

A iniciativa envolve a parceria com o Projeto Bíblia, Comunicação & Arte, Centro de Estudos de Religiões e Culturas da Universidade Católica Portuguesa e Federação Internacional de Universidades Católicas.
A Casa Fernando Pessoa localiza-se no n.º 16 da Rua Coelho da Rocha.

in SNPC

terça-feira, 22 de março de 2011

Björk, o minimalismo e a música de Arvo Pärt

Na segunda-feira passada, o Grande auditório da Gulbenkian acolheu Passio, a Paixão de Jesus Cristo segundo João posta em música por Arvo Pärt.

Aparentemente a compositora islandesa Björk é uma admiradora da obra deste compositor nascido na Estónia e residente em Berlim. Em 1997 foi convidada pela BBC para entrevistar Arvo Pärt no programa Modern Minimalism:


Para Björk, a música de Pärt contém tanto espaço que se pode entrar nela e nela viver. Usou também a comparação com a história do Pinóquio: de um lado parece existir uma voz humana a errar, a sofrer e a causar sofrimento, do outro a voz (do grilo) ocupada em consolar. Pärt fica contente com a alusão e acrescenta que uma das vozes é como a condutora de pecados e a outra a remissão (perdão) dos mesmos.

A música de Arvo Pärt é tão espiritual que quase sempre parece entrar na experiência mística. E desde os anos 70 é igualmente uma música que aparenta uma grande simplicidade - para alguns é até simplista. Pärt usa poucos elementos: "uma nota tocada de forma bela ou um momento de silêncio são já suficientes". A tríade (as três notas de um acorde) são a base das suas obras. Tal como um sino fica a ressoar, e não se sabe ao certo quando tocou, assim também as tríades são distribuídas por vozes ou instrumentos que vão entoando em diferentes oitavas estes sons e que se tornam quase imatéricos, incaracterizáveis e irreconhecíveis. 

Em Passio, as vozes  - Jesus (baixo solista), Evangelista (quarteto vocal de solistas), Pilatos (tenor solista) e Multidão e restantes personagens (coro) - são caracterizadas subtilmente: duração de notas (tempo mais lento ou mais rápido), dinâmica (forte ou piano), timbre e tecitura (Jesus tem a voz mais grave) e acorde ou modo que percorrem (cada elemento da narrativa é fiel à harmonia que o caracteriza; a linha melódica não se afasta dela: vai percorrendo-a para cima e para baixo, por nota mantida ou por saltos entre oitavas). O texto em latim é o fio condutor e é trabalhado com o detalhe de quem saboreia cada sílaba.

Com o recurso a poucos elementos, a música contém uma variedade notável, em que a dissonância e a consonância, o silêncio, a alternância de timbre e de registo, de solos, duetos, trios, quartetos ou coro vão construíndo uma textura que nada tem de simples mas que soa a simplicidade. O órgão funciona como pano de fundo a quase toda a obra - parece a folha de papel em que o Evangelho está escrito - e o quarteto de instrumentos dialoga com o quarteto vocal, sendo-lhe complementar ao interpretar aquilo que fica por dizer ou realçar o que é dito .

Eis um comentário à música que tive o prazer de escutar neste princípio de semana, e um desafio para que os nossos leitores descubram esta música incontornável e profundamente espiritual deste compositor que dá sons aos mistérios de Deus.

segunda-feira, 21 de março de 2011

O poema: abraço à impureza do mundo

O poema

Simone Weil lamentava que se considerasse a estética como um estudo especial, uma recôndita disciplina universitária, pois «a estética é aquilo que nos torna o espaço e o tempo sensíveis». Sophia de Mello Breyner escreve: «Dizer que a obra de arte, que o poema faz parte da cultura é uma coisa um pouco escolar e artificial. O poema, a obra de arte faz parte do real». De facto, a beleza não é um atributo, um campo à parte, uma moeda de troca, um consolo, uma técnica, um código simbólico, um artifício, uma especialidade, um suplemento, como se o Ser e a Beleza se pudessem, de alguma maneira, separar. Aquilo que o poema ensina é que a beleza é uma metafísica concreta, um ponto de união entre o  invisível e o visível,  encarnação do espírito, forma sensível daquilo que é suprassensível. Contra o mundo domesticado dos discursos, o poema restaura a inevitabilidade da experiência

Procurar uma sílaba: poder-se-ia descrever assim a sua demanda. Enfrentar o máximo no mínimo, no insignificante, no inútil,  no ínfimo, no reduzido, no simples fragmento, na pequena dobra, no pormenor. Enfrentar o absoluto no débil e relativo, a imensidão no côvado minúsculo do que diariamente, do que obscuramente divisamos. Isso que nos esforçamos por esquecer, porque a nossa vida estremeceria se em vez dos discursos que nos saem tão fluidos ou temos à mão para explicar tudo, para nos justificar a nós próprios, tivéssemos que passar pelo embaraço de procurar as sílabas, de habitar o silêncio, a infatigável atenção, a longa e áspera noite do não-saber com seus corredores desertos e alagados, como quem espera a salvação. 

Se a filologia ensina alguma coisa sobre os processos humanos, podemos então concluir que o poema é, antes de tudo, uma forma de ação. A existência é feita de ações: lavar o rosto, preparar os alimentos, declarar um amor, cumprir um rito de tristeza, levantar a mão num aceno quase impercetível. De todas as ações que compõem a vida, umas são exteriores, outras interiores. Umas são passadas, outras ainda chegarão. Mas nenhuma destas divisões é muito rígida. Porque, simplesmente, há coisas que não passam. E há acontecimentos exteriores que se gravam em nós, nunca saberemos bem de que maneira, como o nosso segredo mais íntimo. O poema é uma ação humana, entre outras. Só isso. Que sabedoria a daqueles poetas chineses para quem a arte dos versos não se sobrepunha à arte de varrer o pátio da sua casa.

O poema só pode ser um exercício de dissidência, uma profissão de incredulidade na omnipotência do visível, do estável, do apreendido. O poema é uma forma de apostasia. Não há poema verdadeiro que não torne o sujeito um foragido. O poema obriga a pernoitar na solidão dos bosques, em campos nevados, por orlas intactas. Que outra verdade existe no mundo para lá daquela que não pertence a este mundo? O poema não busca o inexprimível: não há piedoso que, na agitação da sua piedade, não o procure. O poema devolve o inexprimível. O poema não alcança aquela pureza que fascina o mundo. O poema abraça precisamente aquela impureza que o mundo repudia.

José Tolentino Mendonça
In Diário de Notícias (Madeira), publicado por SNPC

Visitar o Aqueduto das Águas Livres e celebrar o Dia da Água

Paulo Freire
Aqueduto das Águas Livres reaberto dia 22 de Março

No Dia Mundial da Água, 22 de Março, será aberto o troço do Vale de Alcântara, permitindo percorrer os 914 metros entre Campolide e Monsanto. 

O troço, que esteve fechado em 2010 devido a obras, será reaberto no Dia Mundial da Água, dia em que, como habitualmente, o acesso será gratuito

Este troço com perto de um quilómetro é talvez o mais emblemático de todo o percurso de 58 quilómetros do aqueduto, feito construir em 1732 por D. João V, ao incluir o maior arco ogival em pedra do mundo, com 62 metros de altura por 29 de largura.

Sobre o Aqueduto

"Classificado como Monumento Nacional, é um dos mais extensos sistemas de abastecimento de água existentes no mundo, alcançando os 58 quilómetros; o seu nome deve-se ao facto de as águas correrem apenas pela força da gravidade, isto é, livremente.

Foi em 1571 que Francisco de Holanda propôs ao rei Dom Sebastião a reconstrução de um aqueduto e da antiga barragem romana de Olissipo, para garantir o abastecimento de água à capital, mas foi só no reinado de Dom João V, em pleno século XVIII, que se decidiu avançar com a sua construção, tendo sido os seus custos integralmente suportados pela população de Lisboa através de taxas que incidiam sobre a carne, o azeite e o vinho.

As obras começaram sob a direcção do arquitecto Manuel da Maia e do sargento-mor Custódio de Vieira, sendo deste último a opção pelos arcos sobre o Vale de Alcântara; vale a pena referir que o Aqueduto das Águas Livres tem o maior arco em alvenaria do mundo.

O aqueduto, que ficou concluído em 1834, apesar de ter começado a abastecer de água a cidade de Lisboa a partir de 1748, evidencia influências góticas em pleno período barroco.

A galeria interior tem dois corredores que têm o nome de Passeio dos Arcos, pelos quais se podia caminhar e disfrutar de uma vista panorâmica, porém o elevado número de suicídios e assassinatos, pelos quais se tornou célebre o bandido Diogo Alves, levou a que a partir de 1844 fechasse ao público. Actualmente, o Museu da Água, que tutela o aqueduto, organiza visitas e passeios em datas e horas que variam consoante as estações."

domingo, 20 de março de 2011

Considerações sobre as Uniões homossexuais: um documento a desbravar

Um novo Documento em Destaque no blogue é a série de considerações que a Congregação para a Doutrina da Fé, na pessoa do cardeal Ratzinger (actual Papa), publicou no ano de 2003 (ler na íntegra aqui).

O documento, intitulado Considerações sobre os projectos de reconhecimento legal das Uniões entre pessoas homossexuais será um interessante e polémico objecto de estudo, porventura pouco novo mas, ainda assim, esclarecedor no que diz respeito ao que a Igreja (instituição) conhece - ou desconhece - da realidade da homossexualidade. É também espelho da falta de vontade da Igreja se desvincular dos poderes políticos e dum discurso que cai no moralismo dos costumes em vez de ir beber insaciavelmente à revelação do Evangelho.


Este documento encontra-se originalmente no site do Vaticano

Os frutos do Encontro do Lumiar sobre viver a homossexualidade enquanto cristão

Texto da conferência publicado

Mais de dois meses depois, recordo o Encontro do Lumiar de Janeiro - encontros estes que este ano abordam temas Na Fronteira de Deus e do Mundo. Nesse sábado falou-se sobre Viver como cristãos - a condição homossexual. Foi um encontro caloroso, inter-geracional e plural, apesar da especifidade do tema. Recebi ecos de participantes - e mesmo de não-participantes - e não me restam dúvidas de este ter sido um encontro que marcou oportunamente e até, de alguma forma, profeticamente a história da Igreja contemporânea em Portugal.


As irmãs Dominicanas, à semelhança dos outros Encontros do Lumiar, fizeram uma pequena edição com o texto desta conferência, que está à disposição na portaria do seu Convento por uma quantia simbólica (que cobre apenas os custos de produção). Parece-me ser um texto importante para quem se interessa por este tema. Além desta edição, aí também se encontram as outras, assim como livros seleccionados, ícones, compotas e bolachas caseiras e muito mais. Será uma boa desculpa para fazer uma visita a esta comunidade tão especial.


Brevemente excertos do texto estarão disponíveis nos "Documentos em destaque" deste blogue.

Ler mais sobre este encontro e sobre as monjas dominicanas do Lumiar no blogue:
http://moradasdedeus.blogspot.com/2011/01/homossexualidade-e-as-fronteiras-de.html
http://moradasdedeus.blogspot.com/2011/01/uma-comunidade-de-bracos-e-coracoes.html

Acolhimento dos homossexuais na Igreja católica

Deus Cidadão e Cidadania Cristã

Na passada sexta-feira o Metanoia (Movimento Católico de Profissionais) promoveu um encontro dentro do tema Deus Cidadão e Cidadania Cristã. Lamentavelmente não o soube atempadamente para divulgar neste blogue, já que o tema me parece bastante oportuno para o teor do moradasdedeus.

O encontro foi preparado por três mulheres e congratulo-me por este estar a ser um ano em que o tema da homossexualidade tem passado o umbral das portas da Igreja em Portugal: recorde-se o encontro Fé e Cultura organizado pelos Jesuítas para o próximo dia 9 de Abril (ler mais aqui) e o Encontro do Lumiar (Na Fronteira de Deus e do Mundo), intitulado "Viver como cristão - a condição homossexual" no dia 8 de Janeiro (ler mais aquiaqui e aqui).

Cito um texto sobre Deus Cidadão e Cidadania Cristã:

"Evangelizar um homem é dizer-lhe: “Tu és amado por Deus, no Senhor Jesus Cristo”. E não é apenas dizê-lo, mas pensá-lo realmente. E não é apenas pensá-lo, mas tratar esse homem de forma a que ele o sinta e descubra em si qualquer coisa de grande, qualquer coisa de maior, e assim desperte para uma nova consciência de si próprio – de filho de Deus e irmão de todos os homens. Isto é anunciar-lhe a Boa Nova!
Autor desconhecido

As nossas aproximações a muitos temas começam pelo amor concreto aos que nos são mais queridos. Na proximidade afectiva, ultrapassamos o desconhecido e vamos ao encontro do outro. O seu mundo torna-se-nos próximo, só porque é seu. E a realidade daquilo que vive, até então abstracta e obscura para nós, vem
iluminar o nosso olhar. Se reconhecemos no outro morada de Deus, no mesmo movimento em que nos convertemos [voltamos] para o outro, convertemo-nos [voltamo-nos] para Deus. Através do outro, Deus chama-nos a ir ao Seu encontro.

Esta experiência é única, porque Deus faz-se presente em cada uma e cada um de nós, e nos chama a ir sempre mais longe. Comecemos pela proximidade afectiva, se nos for mais fácil no início, e não paremos por aí. O caminho é longo, mas o convite faz-se presente a cada instante.

No próximo encontro do Metanoia queremos trazer à reflexão o acolhimento das mulheres e homens homossexuais no seio da Igreja. Abordemos a possibilidade de as orientações da Igreja levarem, algumas vezes, a afastamentos e pertenças perdidas. Mas não fiquemos presos a essa possibilidade. Deus não se faz perdido nem distante, faz-se encontrado e próximo – em quaisquer circunstâncias.

O convite a esta reflexão é um convite à reconciliação e ao apaziguamento.

Tertuliano dizia que não nascemos cristãos, tornamo-nos cristãos. Mas não nos tornamos cristãos apenas no Baptismo. Tornamo-nos cristãos pelo acolhimento, pelo encontro com o outro. Só assim acolhemos a Cristo – cuja própria vida é uma sucessão de encontros. Acolher o desconhecido é também acolher a Deus no seu
mistério.


Procuremos ter sobre o outro um olhar reflexivo – que reflicta a Luz recebida. Ao procurar o olhar de Cristo, confiamos: Deus ama-me pelo que sou. O Deus cidadão convida – com vida – a uma cidadania cristã. Aos olhos de Deus possuímos a mesma dignidade e somos iguais. Deus não exclui, inclui. Deus não fractura, une.
Deus não divide, partilha.


Princípio da Igualdade
1. Todos os cidadãos têm a mesma dignidade social e são iguais perante a lei.
2. Ninguém pode ser privilegiado, beneficiado, prejudicado, privado de
qualquer direito ou isento de qualquer dever em razão de ascendência, sexo,
raça, língua, território de origem, religião, convicções políticas ou ideológicas,
instrução, situação económica, condição social ou orientação sexual.
Constituição da República Portuguesa, Artigo 13.º

Deus, que se faz igual através do Seu Filho, habita o princípio da Igualdade.

Importa viver o Amor enquanto encontro sério, compromisso de união e de partilha. O Amor não começa nem termina na conjugalidade – homossexual ou heterossexual – ou no celibato – também ele homossexual ou heterossexual. O Amor não começa nem termina na orientação sexual. O Amor começa e termina em Deus. É vivido no encontro. Na abertura ao outro. Nas nossas relações. Porque todos somos chamados ao Amor. Em Cristo.

Propomos que a preparação para este encontro comece por dentro, na procura do olhar reflexivo. E que prossiga com uma pesquisa de temas relacionados com o acolhimento das mulheres e homens homossexuais no seio da Igreja, com palavras-chave como: “homossexualidade e catolicismo”, “igreja católica e pessoas
homossexuais”. No site oficial do Vaticano, podem ser consultados os seguintes documentos oficiais: “Carta aos Bispos da Igreja Católica sobre o Cuidado Pastoral das Pessoas Homossexuais”, “Considerações sobre os Projectos de Reconhecimento Legal das Uniões entre Pessoas Homossexuais”. Sobre uma
temática mais específica mas relacionada, a revista Viragem nº 52 inclui o artigo “Os homossexuais podem ser padres?”, de Timothy Radcliffe. (...)"

Mais sobre Metanoia – Movimento Católico de Profissionais:
metanoia.mcp@gmail.com
www.metanoia-mcp.org

Porque estou aqui

Sinto-me privilegiado por ter encontrado na Igreja um lugar vazio, feito à minha medida. É certo que tê-lo encontrado (ou encontrá-lo renovadamente, pois não é dado adquirido) foi também mérito da minha sede, do meu empenho, de não baixar os braços e achar, passivamente, que não seria possível. Passo a contextualizar: a comunidade onde vou à missa é pequena e acolhedora, e podia bem não o ser. Ao mesmo tempo, sentia um desejo grande de reflexão de vida cristã e encontrei um casal (heterosexual) que tinha a mesma vontade. Começámo-nos a reunir semanalmente numa pequena comunidade de oração e reflexão que, apesar de crítica, nos tem ajudado a sermos Igreja e a nela nos revermos. Paralelamente, face ao contínuo desencanto em relação a algumas posturas e pontos de vista de uma Igreja mais institucional e hierárquica, tive a graça de encontrar um grupo de cristãos homossexuais, que se reuniam com um padre regularmente, sem terem de se esconder ou de ocultar parte de si.

Sei que muitos cristãos homossexuais nunca pensaram sequer na eventualidade de existirem grupos cristãos em que se pudessem apresentar inteiros, quanto mais pensarem poder tomar parte e pôr em comum fé, questões, procuras, afectos e vidas.

Por tudo isto me sinto grato a Deus e me sinto responsável para tentar chegar a quem não teve, até agora, uma experiência tão feliz como a minha.

Este blogue também é teu

São benvindos os comentários, as perguntas, a partilha de reflexões e conhecimento, as ideias.

Envia o link do blogue a quem achas que poderá gostar e/ou precisar.

Se não te revês neste blogue, se estás em desacordo com tudo o que nele encontras, não és obrigado a lê-lo e eu não sou obrigado a publicar os teus comentários. Haverá certamente muitos outros sítios onde poderás fazê-lo.

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Os textos e as imagens

Os textos das mensagens deste blogue têm várias fontes. Alguns são resultados de pesquisas em sites, blogues ou páginas de informação na Internet. Outros são artigos de opinião do autor do blogue ou de algum dos seus colaboradores. Há ainda textos que são publicados por terem sido indicados por amigos ou por leitores do blogue. Muitos dos textos que servem de base às mensagens foram traduzidos, tendo por vezes sofrido cortes. Outros textos são adaptados, e a indicação dessa adaptação fará parte do corpo da mensagem. A maioria dos textos não está escrita segundo o novo acordo ortográfico da língua portuguesa, pelo facto do autor do blogue não o conhecer de forma aprofundada.

As imagens que ilustram as mensagens são retiradas da Internet. Quando se conhece a sua autoria, esta é referida. Quando não se conhece não aparece nenhuma referência. Caso detectem alguma fotografia não identificada e conheçam a sua autoria, pedimos que nos informem da mesma.

As imagens são ilustrativas e não são sempre directamente associáveis ao conteúdo da mensagem. É uma escolha pessoal do autor do blogue. Há um critério de estética e de temática ligado ao teor do blogue. Espero, por isso, que nenhum leitor se sinta ofendido com as associações livres entre imagem e conteúdo.

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