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A diversidade na Igreja

"A casa do meu Pai tem muitas moradas", diz-nos Jesus no evangelho.

A unidade na diversidade não é sempre aparente na Igreja enquanto povo de Deus, mas é uma realidade em Deus e uma presença na fé cristã desde a sua origem. A Palavra de Deus não é partidária, elitista e exclusiva. O Reino de Deus é como uma árvore que estende os ramos para dar abrigo a todos os pássaros do céu. Cristo não morreu na cruz para salvar uma mão cheia de cristãos. Até o Deus Uno encerra em si o mistério de uma Trindade.

A Palavra de Deus é inequívoca e só pode levar à desinstalação, à abertura ao outro, e a recebê-lo e amá-lo enquanto irmão ou irmã. Ninguém fica de fora, nem mesmo - se tivessemos - os inimigos.

Muitos cristãos crêem nesta Igreja, nesta casa do Pai, corpo de Cristo, templo do Espírito Santo. Mas como esquecer que muitos se sentem "de fora" por se verem rejeitados, amputados e anulados, e afastam-se por ninguém lhes ter mostrado que há um lugar para cada um, com a totalidade do seu ser?

Um blogue para cristãos homossexuais que não desistiram de ser Igreja

Porquê este blogue?

Este blogue é a partilha de uma vida de fé e é uma porta aberta para quem nela quiser entrar. É um convite para que não desistas: há homossexuais cristãos que não querem recusar nem a sua fé nem a sua sexualidade. É uma confirmação, por experiência vivida, que há um lugar para ti na Igreja. Aceita o desafio de o encontrares!

Este blogue também é teu, e de quem conheças que possa viver na carne sentimentos contraditórios de questões ligadas à fé e à orientação sexual. És benvindo se, mesmo não sendo o teu caso, conheces alguém que viva esta situação ou és um cristão que deseja uma Igreja mais acolhedora onde caiba a reflexão sobre esta e outras realidades.

Partilha, pergunta, propõe: este blogue existe para dar voz a quem normalmente está invisível ou mudo na Igreja, para quem se sente só, diferente e excluído. Este blogue não pretende mudar as mentalidades e as tradições com grande aparato, mas já não seria pouco se pudesse revelar um pouco do insondável Amor de Deus ou se ajudasse alguém a reconciliar-se consigo em Deus.

sábado, 11 de junho de 2011

Religiosidade na Música

Música e religião


É catolicamente tradicional a crença na música como forma de expressão mais capaz de traduzir a atividade do sentimento religioso. Para alguns místicos - por exemplo para a religiosa francesa do século XVII Margarida Romanet - o sentido por excelência da via unitiva seria pois o ouvido. Diz ela: «Pode ser-se fiel sem olhos, sem olfato, sem paladar e sem tato... Basta ouvir; o ouvido é o único sentido indispensável à .Esposa para agradar ao seu Esposo...» (...)



Mais humanamente claro, pois escrevia um tratado de música, foi o nosso teórico também seiscentista - o Padre Manuel Nunes da Silva - quando na sua Arte Mínima (1685) sustenta que a música compreende todas as ciências e que bastava Deus tê-la infundido ao primeiro homem para de todas as ciências o fazer conhecedor. A tese de moral geral do nosso compatriota é fácil de resumir: Sendo a música uma ordem, melhor a boa ordem, ela destrói toda a desordem...
(...)

A própria dança se rege pelos números: «...se procuras a causa motriz dos membros do próprio artista verás que está no número, visto que se movem calculadamente. E se lhe tiras das mãos a obra e do espírito a intenção de o fazer por forma a que a atividade dos seus membros não tenha outro fim senão o prazer ou a distração, tal atividade toma então o nome de dança. Se então queres saber o que agrada na dança responder-te-á o número: Eis-me» (Santo Agostinho).
(...)

Muitos degraus tem a escada da via unitiva. Não é a música por si só que produz, cria ou desenvolve o sentido religioso. Não é o «número» dos filósofos antigos ou dos cientistas modernos a sua causa. O matemático de Leibniz (“dum Deus calculai fit mundus”) -do mesmo Leibniz que considerava a arquitetura «música, cristalizada» - é outra reduçãode uma realidade que nos transcende.

Por essa razão, como o notou Henri Davenson numa extraordinária obra concebida na lição de Santo Agostinho, «porque não exigiríamos um Deus músico»?. Não longe desta ideia andava o nosso compatriota acima citado, pelo seu amor à arte dos sons...

No admirável livro de Davenson o princípio da moral cristã da música, quanto à sua prática, está em não esquecer que a música se situa na ordem dos valores humanos - eu diria, generalizando, na ordem dos valores naturais.

Trata-se sempre de colocar os valores na sua devida ordem da escala permanentemente ascendente se a queremos usada utilmente. É o que diz S. João Clímaco no seu tratado “Scala Paradisi”resumido por Davenson: «Para as almas puras que amam verdadeiramente a Deus, toda a música, tanto a profana como a sagrada, condu-las naturalmente para a alegria interior, para o amor divino e para as santas lágrimas; quanto aos que amam a voluptuosidade carnal, será precisamente o contrário. Tudo é puro para os puros; o mesmo é válido para a música e para toda a espécie de beleza: o próprio da alma que se tornou perfeita é, logo ao ascender para o Criador, tirar dessa perfeição proveito para cantar a glória de Deus... Se alguém se tornou capaz de tal e constante inclinação de espírito, podem dizer que desde logo está ressuscitado incorruptível sem esperar a Ressurreição Geral.»

O difícil é distinguir a «religiosidade» pura, da paixão ou até do sensualismo. O terreno é delicado e talvez não possível de distinções extremes, visto sobre a terra não podermos adquirir os corpos gloriosos que nos são destinados na bem-aventurança eterna. Não antecipemos pois...

É, por exemplo, pela própria etimologia dos termos quando despida de sentidos analógicos, inteiramente o contrário de cristãmente -místico este pensamento de Nietzsche que define a música como única arte «capaz de dar ideia do que se deve entender por justificação do mundo enquanto fenómeno estético.» Análogas observações, apesar da aparência, se podiam fazer a propósito de Schopenhauer que pretende ser a música a única arte que fala do ser, ao passo que as outras apenas dele exprimem a sombra... Para ele o mundo tanto poderia ser «música materializada» como «vontade materializada».
Estamos bem longe das conceções antigas...

Por certo alguns antigos Padres recearam a música, mas apenas a música sensual. (...)

A escrupulosidade exagerada não é obviamente um atributo da perfeição mas com certeza impede a demasiada «elasticidade» de costumes. Periodicamente a Igreja nos vem lembrar que o seu canto litúrgico tradicional é o chamado canto gregoriano.

É lendário o caso da música polifónica religiosa, prestes a ser banida da Igreja por exageros de simplicidade, modéstia ou ascetismo, ter sido salva por Giovanni Pierluigi da Palestrina (1524-1594) com a sua missa dedicada ao efémero Papa Marcello; mas as lendas fazem-se à custa da História, quantas vezes iluminando-a e tirando dela a lição lapidar que convém fixar.

Assim sempre foi necessário acrisolar, purificar a tradição, compilá-la e fixá-la, ainda que sempre provisoriamente, por isso que a tradição é coisa vivente e portanto mutável.

Foi o que fez Santo Ambrósio em Milão (339-397) - daí o «canto anbrosiano» - e mais tarde S. Gregório Magno (papa de 590 a 604) - donde o «canto gregoriano» - cuja apologia da música religiosa - a que nos liga a Deus - Se pode ler em “Enerratio in Psalmos Davidicos”.

Toda a história bíblica está cheia de cânticos e danças. O canto dos Salmos tudo supera pois «o salmo é o louvor de Deus vez da Igreja, musical profissão de fé. O Apóstolo proibiu as mulheres de falar na Igreja, mas não de cantar... Que é pois o salmo senão o órgão das virtudes que pulsado pelo venerável profeta com o plectro do Espírito Santo espargiu na terra a doçura dos seus celestiais sons?»

Mais rigorista é S. Cirilo de Alexandria que proscreve da Igreja a música instrumental. O salmista menciona liras, cistros e Outros instrumentos, porque tais instrumentos, como os sacrifícios cruentos, se admitiam na Antiga Lei mas, aos que foram reformados peio Espírito, se lhes manda cantar um cântico novo «Cantare domino canticum novum...»

S. Bernardo de Claraval (1090-1153) definiu cabalmente o que se pede ao canto religioso: «O canto deve ser cheio de gravidade; não será nem mundanal, nem demasiado rude e pobre. Deve ser suave, mas não efeminado e, ao mesmo tempo que agrada ao ouvido, deve mover os corações. Há de aliviar a tristeza, moderar a ira. Não contrariará o sentido das palavras, mas relevá-lo-á, pois não há pequena perda de graça espiritual em sermos distraídos do proveito do sentido pela beleza de canto, e em sermos levados a atentar na mera exibição vocal quando deveríamos pensar no que se canta.»

Mas o nosso propósito não é fazer a história da música religiosa nem sequer o da música litúrgica. O mais despretensiosamente que nos fosse possível quereríamos dar uma ideia de que seja a verdadeira religiosidade na música; a sua serventia e a sua grandeza, enquanto meio -entre material e espiritual, atuante na via unitiva, o caminho místico que nos deve conduzir a Deus.

Repito com S. João Clímaco: «para os puros tudo é puro»; e comento ou acrescento que, para eles, o próprio mal é meio de exercer a virtude e que a graça tem ínvios caminhos que nos não é dado prescrutar. Que o menos puro possa purificar também ou ser um degrau da tal escada do Paraíso que dá o título à obra de que citámos o passo imediatamente atrás, é o que nos não repugna a aceitar. Será o «pão partido em pequeninos» um rápido fugidio raio de luz, mas não bastará por mercê de Deus para salvar alguém? Mesmo essa música menos pura pode bem ser o rumo que a Deus nos leve... (...)

Para rapidamente me desempenhar de parte da primeira, das minhas intenções vou arrimar-me à autoridade de Henri Davenson no livro de que já me socorri e que leva a sua excelência e bondade ao ponto de fornecer um resumo «sob forma de esquema geométrico» de tido o seu riquíssimo conteúdo.

«Como servirmo-nos da música?» Já o dissemos: Para o saber fazer «é preciso situar a música na ordem dos valores humanos». Dois erros fundamentais se nos apresentam no decorrer da história. O primeiro é o erro a que Davenson chama «romântico e gnóstico»: a música, é tomada como revelação do Absoluto, é equivalente da experiência mística. Tal erro repugna à consciência cristã, e baseia-se na ilusória confusão entre o silêncio do espírito e o «éon Silêncio, o Abismo da mitologia gnóstica.»

Outro erro é o do formalismo (como já o fora do Islamismo): toma-se a música como jogo vão, mera frivolidade, eco da beleza do mundo perecível. Quer a nossa experiência quer a realidade musical se encarregam de o refutar. Corresponde à definição setecentista da música como arte de combinar os sons por forma a agradarem ao ouvido...

Em contrapartida o augustianismo franciscano, explicitado pelos monges de Santa Catarina do Sinai, S. João Clímaco e S. Francisco de Assis, acolhe a música não se limitando a tolerá-la mas concebendo-a como meio de oração e caminho para, de dentro de nós próprios, caminharmos para Deus.

Como técnica auxiliar da vida espiritual a música, segundo Davenson, apropria-se do homem, fixa a sua atenção, liberta a consciência do seu conteúdo sensível, o que constitui o seu papel de aspeto dionisíaco - função aliás provisória e inferior. Aprofundando-se conduz a alma ao silêncio do espírito, se formos capazes de levar a experiência até às suas últimas consequências. Assim conduz a um recolhimento e a uma paz que dão à alma espiritual a possibilidade de receber uma primeira imagem da Beleza infinita. Esta aplicação da música «variará em fecundidade conforme a vocação de cada um; sob a sua forma mais elevada será uma imitação do estado angélico.»

Em quatro «exercícios de aplicação» Henri Davenson dá-nos excelentes exemplos de aplicação da teoria.
O primeiro refere-se ao «paradoxo da música ligeira»; lícita e útil para os lazeres do auditor, mas «séria» mesmo quando «ligeira», porque sempre será «imaterial» e «espiritual». Não é «triste» nem «alegre» por sua natureza: situar-se para além do alegre ou do triste.

Outro caso «resolvido» é o da «antinomia da música pura». A questão tem feito e fará correr rios de tinta. Para Davenson, o conceito é útil ao filósofo, mas a música pura por essência não deve servir para esquecer a finalidade humana da arte: Há que criar «música humana, plenamente humana que nem por sê-lo deixe de ser menos música». A conclusão agradará no que lhes é permitido... - aos mais esturrados materialistas...

A ética do compositor expõe-se no terceiro «exercício». O artista não é, como mais ou menos pretendiam os românticos, nem um deus criador nem um profeta. Artesão e operário, mas homem e não ave canora. Nunca se deverá esquecer que é sua obrigação salvaguardar a sua dignidade humana e a finalidade da sua arte.

Finalmente, como «prolegómenos a um tratado da Forma», Davenson afirma que «forma musical não deve confundir-se com o sistema de fórmulas e esquemas sonoros que não passam de meio secundário - elemento contingente e convencional da músicas.» A forma é «mais para além disso, inseparável do sentido que a obra reveste para a alma e reside na unidade interior e orgânica dessa obra». Para alguns contemporâneos qualquer obra «moderna» não pode ter sentido religioso mesmo quando a intenção do autor tivesse sido insuflá-lo na obra.
(...)

Na linha da doutrina que propusemos insere-se evidentemente - descontando o exclusivismo  «profissional» — o que escreveu  Beethoven a Bettina von Brentano (...): «A música é a única introdutora no mundo superior a este mundo que abraça o homem mas o homem não consegue abraçar». Com certeza tresvaria quando considera a música, em si,como «uma revelação mais alta que toda a sabedoria e toda a filosofia». Poderíamos tentar uma apologia ortodoxa do pensamento de Beethoven, mas cremos que seria forçado exercício sofístico. No entanto quero deixar honestamente a questão em aberto, citando outra vez o grande artista da “Missa Solene”que também não esqueceu “Cristo no Jardim das Oliveiras”:«Tudo o que Deus criou era puro e sem mácula. Se, mais tarde, cego pela paixão, naufraguei no mal, depois de longa expiação e de me ter purificado, voltei à fonte original pura, nobre, à Divindade e à minha arte.»


Se não podemos fazer de Beethoven um modelo de católico, no entanto, se isto não é religiosidade, então não sei o que o seja! Podemos quanto o quisermos - mas certamente  sem nenhuma caridade cristã - duvidar de certas expressões, mesmo musicais, do misticismo de Liszt mas creio que não nos é lícito duvidar da sinceridade do autor da “Missa de Grau” e de “Santa Isabel Rainha da Hungria”, quando em janeiro de 1864 escrevia a um desconhecido correspondente (talvez Jules Janin, seu amigo íntimo) o seguinte: «Segui o vosso bom exemplo aproveitando também de um piedoso retiro. Durante a novena da Circuncisão, no primeiro domingo da Epifania, dois reverendos Padres Dominicanos de grande mérito fizeram uma missão na igreja paroquial da “Madona dei Rosário”contígua ao meu domicílio como sabe. Assisti regularmente às suas pregações quotidianas, e no último domingo foi-me concedida a inefável felicidade da Comunhão. - Depois de tal começo de ano, desejo apenas que no resto dos meus dias no exílio terrestre me aproxime cada vez mais da nossa verdadeira pátria. (...)

Neste ponto da nossa exposição apenas queríamos deixar um lampejo das provas que poderiam aduzir-se para termos a certeza de que o sentimento religioso nunca andou muito alheio ao espírito da grande maioria dos máximos valores da música.

Não há que confundir, primariamente, os efeitos físicos da música com os seus efeitos espirituais, e menos com os seus efeitos finais no que deles nos interessa agora e aqui. É claro que não se deixará de ter em vista a conexão íntima entre corpo e alma. Os efeitos físicos da música são evidentes a qualquer observador de mínima atenção. Menos estudada a sua aplicação sistemática em medicina - o que não quer dizer que o assunto não tenha já uma vasta bibliografia.

Do Velho Testamento é típico o caso de David acalmando Saul, ao som da sua cítara e da sua voz. Conhecidíssimo o efeito do canto de Farinelli sobre a quase loucura de Filipe V de Espanha. A mesma melancolia depressiva - passe o termo vago que deixo aos neurologistas o trabalho de precisar - herdou-a o filho, Fernando VI, e foi ainda Farinelli que o tratou com o seu canto. Milhões de contemporâneos, conscientemente ou não, diariamente usam e abusam da música, alternadamente como calmante e como excitante. É bem provável que seja o menos contraindicado dos «tranquilizadores» e o mais benéfico dos excitantes.

O que nos interessa apenas é frisar que a música religiosa deve começar por conseguir o mais perfeito dos estados físicos propício à comunicação com Deus, em seu louvor, ou em oração impetrativa. Por isso também não confundamos o real sentido da música com a forma de expressão resultante do temperamento e da originalidade do autor ou, menos ainda, com formalismos que podem ser epocais, regionais ou modismos.
(...) 

A catolicidade da liturgia recomenda-nos vivamente o canto gregoriano. Não podemos entrar em questões técnico-históricas sobre as suas origens, mas esses processos têm evidentemente que se procurar no Médio-Oriente, e isto se nos quisermos ater apenas ao período subsequente ao da Incarnação do Salvador.


É questão musicológica delicada saber se o canto litúrgico primitivo, mas já caracterizadamente cristão, era ou não acompanhado com instrumentos de percussão. Dom Jeannin era da opinião que sim. O bispo Theodoreio informa-nos que em Mileto, na Ásia Menor, «o canto dos hinos era acompanhado de palmas, movimentos rítmicos e toques de campainhas...; as intenções mais tardias... provam pelo menos a longa tolerância de tais usos. A polémica em volta do ritmo do canto gregoriano apenas fez com que se obscurecesse o sentido dos termos ligados a esta questão».
.
Seria, se o pudéssemos, ocasião agora de dizer duas palavras sobre danças religiosas cristãs. Se nunca no catolicismo houve propriamente danças litúrgicas, sempre houve, e recentemente se procurou renovar, uma tradição perfeitamente lícita de dança religiosa.
(...)


A polifonia de um Machaut (m. 1377) não tem a doçura de contornos da de um Vittoria (1540-1613) o ibérico - além de que estes como informa o teórico Gaffurio (1541-1522) choram a cantar e são amigos do bemol. Compare-se um trecho da “Messe de Notre Dame” de Dufay, com o responsório “Tenebrae facta sunt” de Vittoria. Mas também não nos esqueçamos da diferença de séculos que separa as duas obras-primas. Continuamos a fazer análise - passe o exagero do termo - meramente estética. É natural que a sensibilidade tivesse evoluído, embora a finalidade fosse sempre a mesma.

Não se pede ao compositor de música religiosa ou até ao da música litúrgica - isto é destinada expressamente a atos litúrgicos fundamentais ou tradicionais - que perca a sua personalidade e individualidade ou originalidade de artista; o que é essencial é que elas se não exprimam “solipsisticamente” e procurem de facto a união da comunidade dos fiéis com a Divindade. Devem ter, afinal, as três virtudes teologais: Fé, Esperança e Caridade... A caridade de dar aos outros para estes entregarem a Deus o que d'Ele afinal veio.

O que nunca será critério são de reconhecimento de religiosidade na música é o de esta ser imediatamente agradável ou não ao ouvido. Nunca é demais demonstrar a inanidade da definição hedonística de música, como arte de organizar os sons por forma que satisfaçam o ouvido. Por analogia teríamos como artes irmãs da música (feita para agradar ao ouvido), a culinária (arte de agradar ao paladar), a perfumística (arte de agradar ao olfato) e outra “arte” “inominata”... de agradar ao tato! Não vou discutir o que essas técnicas possam ter de arte nem sequer atormentar os ouvintes com música que eu julgue religiosa, mas não considero mais ou menos imediatamente aceitável ao gosto médio dos que me leem.

Prefiro chegar ao século XVIII e considerar a religiosidade profunda de um trecho do “StabatMater» de Pergolesi, Um passo atrás no tempo e lembremos um trecho da música de Frescobaldi (1538-1643) da “Messa della Madona”.

Outro em frente e escutemos um pouco de Beethoven na sua “Missa Solene” certamente não litúrgica, mas à qual só um extremismo rigorista negará religiosidade. Dos nossos dias oiçamos um pouco do místico teatro trágico da “Jeanne d'Arc au Bûcher” de Claudel e Honneger.

E religiosidade perfeitamente litúrgica se encontra no “Padre-nosso” e na “Ave Maria” que vos quero lembrar para terminar esta descosida exposição. Talvez não seja fácil adivinhar o século a que pertence quem compôs essas páginas de ática elegância, economia de meios e... religiosidade. É um contemporâneo. Ainda vivo. Dado algum dia por o maior revolucionário musical do nosso século... Sim. Devem-se a Igor Stravinsky. Numa dialética perfeita negou Stravinsky que fosse um revolucionário. Pelo contrário: odiaria todo o “revolucionarismo”. Confessa-o na sua estupenda “Poética Musical”, em que recolheu as lições professadas pelo mestre na sua cadeira de Poética, instituída por Charles Eliot Norton na Universidade de Harvard. E será Stravinsky... religioso? Quanto à economia de meios cita ele S. Dionísio Aeropagita ou, se o quiserem, o Pseudo-Dionísio, para quem a dignidade dos anjos é também maior na hierarquia celeste quanto menor é o número de palavras de que dispõe a sua linguagem. Quanto à obra em si, diz Stiravinsky que uma vez realizada se espalha para se comunicar, e reflui para o seu princípio. «O ciclo fecha-se então. E assim se nos apresenta a música como elemento de comunhão com o próximo - e com o ser».Ora o ser, em boa metafísica é, no caso sujeito, Deus.

Não vejo mal de maior que Beethoven, por exemplo, pensasse na humanidade ao escrever música religiosa. Não nos esqueçamos que o homem é ao mesmo tempo corpo e alma; não olvidemos que os exageros de pureza têm conduzido às piores aberrações - «qui veut faire l’ange fait la bête” disse lapidarmente Pascal.

E não nos esqueçamos, sobretudo, da caridade. O grande Apóstolo nos deixou a palavra de advertência: — «Como dizeis amar a Deus invisível se não amais o próximo como Sua imagem visível?»

Esta transcrição omite as notas de rodapé.

José Blanc de Portugal
In Brotéria (1960)

O texto na íntegra está publicado in SNPC

quinta-feira, 9 de junho de 2011

O regresso

Estive longe do blogue mais de um mês... Foi a primeira grande interrupção desde o começo do blogue. Há alturas da vida assim, em que de repente precisamos de parar, necessitamos olhar para as coisas com uma certa distância. A união faz a força, diz o povo. E é bem verdade! Por vezes sentimos falta de outros que nos possam acompanhar nos nossos projectos, há momentos em que esmorece a perseverança.

Estou cansado, mas de volta. Os temas que enchem os jornais são de desalento: a crise, as guerras, as catástrofes... Como encontrar a força que precisamos para viver? Como encontrar a profundidade do Evangelho quando corremos o risco de perder o básico para garantir a nossa dignidade de seres humanos? Dizia um velho missionário: "como anunciar a Palavra de Deus aos pobres sem lhes dar primeiro o pão para lhes matar a fome?"

Durante este período de "afastamento" recebi uma mensagem de um novo leitor, que me falava da sua descoberta e do seu espanto com o blogue. Obrigado pelas palavras tão simples que para mim serviram de alento e de impulso para voltar a pôr as "pantufas" de lado e calçar as sapatilhas de corrida. Cá estou eu de volta a este desafio!


quinta-feira, 5 de maio de 2011

Homenagem ao Frei José Augusto Mourão, op

Morreu esta manhã o Frei José Augusto Mourão, da Ordem dos Dominicanos, um nome tão incontornável como pouco reconhecido da Igreja e da Cultura portuguesa. Vai ser celebrada uma missa no Convento dos Dominicanos (Alto dos Moinhos) hoje (dia 5 de Maio) às 21h.
Cito um texto do Pe. José Tolentino Mendonça como homenagem a este homem:


O VAZIO VERDE
  
Um dia, quando se fizer a história do catolicismo português que nos é agora contemporâneo, há-de ver-se, em toda a clareza, que um dos seus actores magistrais foi, afinal, um frade e poeta, quase clandestino, que morreu esta manhã em Lisboa. Chamava-se José Augusto Mourão, e pertencia à Ordem dos Dominicanos. Nasceu em Vila Real em 1947, e construiu uma inscrição absolutamente invulgar na universidade e na cultura portuguesas. Foi professor na Universidade Nova de Lisboa, especializando-se no campo da semiótica, e prestando uma contínua atenção a expressões de vanguarda que transformam os próprios dispositivos da criação (por exemplo, as mutações da literatura na época de cibernética ou as diversas formas de hipertextualidade ou de hiperficção que a nossa alta modernidade tem gerado). Aí deixa uma obra que, sob muitos aspectos, se pode considerar seminal e profética.

Mas ele transportou também o mesmo espírito de profecia para aquela que é a opera magna da sua existência: a impressionante ponte (apetece escrever a “impossível ponte”) que ele, quase marginalmente, desenha entre o campo da fé e o da razão, entre a liturgia e a poética, entre a regra e o desejo. Por alguma razão, ele nunca foi um criador confortável, nem para o campo católico, nem para os parâmetros da cultura dominante. Os ouvidos crentes só a custo se abriam, porque ele operava com uma gramática inusual e exigente, buscava metáforas vivas, que é como quem diz, novas metáforas. Do mesmo modo, ele nunca obteve a visibilidade que certamente merece da parte da cultura. A sua poesia é, por exemplo, litúrgica, coisa que, em Portugal, é imediatamente catalogada de género menor. E alguns dos seus textos mais fundamentais são homilias: ora, as últimas homilias que a cultura portuguesa ouviu foram as do Padre António Vieira! Talvez um dia se reconheça a originalidade e a marca deste homem e se possa então valorizar o que ele hoje nos deixa em herança. Para já sentimos o grande vazio que a sua morte representa, que, como aponta o título do seu primeiro livro de poemas, somos desafiados a viver como um “Vazio Verde”.

                                                           José Tolentino Mendonça

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Duas descobertas


Rothko Chapel
Para uma dupla descoberta: a musical e a desta Basílica em pleno Alentejo
Festival Terras Sem Sombra revela Feldman e Liszt na Basílica Real de Castro Verde
Famosa por aliar o esplendor artístico a uma acústica extraordinária, a Basílica Real de Castro Verde recebe a 30 de abril, pelas 21h30, um dos momentos culminantes da 7.ª edição do Festival Terras sem Sombra de Música Sacra, organizado pela diocese de Beja.

O concerto “Para lá do Tempo” abrange duas obras fundamentais da modernidade e do Romantismo: “Rothko Chapel” para viola, celesta, percussão e coro, do compositor norte-americano Morton Feldman (1926-1987), e “Via Crucis” para coro e piano, do húngaro Franz Liszt (1811-1886).

As obras serão interpretadas pelo Coro da Arena de Verona (Itália), dirigido pelo maestro titular, Giovanni Andreoli, e acompanhado por três instrumentistas notáveis: Kodo Yamagishi (piano e celesta), Alexandre Delgado (viola) e Rui Gomes (percussão).

“Rothko Chapel” foi escrita em homenagem a Mark Rothko, pintor de origem russa, responsável pela conceção da capela que tem o seu nome, construída em Houston, EUA. O espaço octogonal, que o artista pretendia ser aberto aos diferentes credos e religiões, é composto por 14 telas, tantas quantos os passos da Via Sacra.

Franz Liszt foi ordenado a 31 de julho seguinte de 1865. Parece paradoxal que o mais célebre pianista de então, com uma carreira e reconhecimento inigualáveis, habituado à fama, rico e viajado, e defendendo, sobretudo como compositor, ideais progressistas e revolucionários a respeito do papel da música e das técnicas de composição, decidisse a dado momento terminar a sua carreira de intérprete e renunciar a tudo, em favor da espiritualidade e do recolhimento.

Liszt começou a escrever «Via Crucis» em 1866, sobre textos escolhidos pela princesa Wittgenstein, e doze anos depois, no verão de 1878, a obra estava concluída. A sua publicação foi inicialmente rejeitada (segundo o editor, por se tratar de uma obra demasiado inovadora e sem perspetivas de venda) e o compositor nunca chegou a assistir à estreia, que só aconteceu em Budapeste, na Sexta-Feira da Paixão de 1929.

Sem perder de vista as origens e a essência da música religiosa, ela oferece ao mesmo tempo um pensamento verdadeiramente inovador e a abertura de caminhos de grande valor e interesse para o futuro da composição. Descontente com o uso da música nas cerimónias litúrgicas ao longo da primeira metade do século, Liszt terá confidenciado ao cardeal Hohenlohe que pretendia renovar a música religiosa.

O Coro da Arena de Verona nasceu com os espetáculos líricos no anfiteatro romano desta cidade, em 1913. Entre as suas grandes produções históricas incluem-se «La forza del destino», «Otello», «Il trovatore», «Carmen», «Turandot», «La Gioconda», «Norma», «Mefistofele», «Samson et Dalila» e «Boris Godunov».
Além do seu contributo para as óperas, o Coro tem realizado concertos como a «Messa da Requiem», de Verdi, a «Nona Sinfonia», de Beethoven, «La damnation de Faust», de Berlioz, e «La Resurrezione di Cristo», de Perosi.

A defesa da biodiversidade é uma causa apadrinhada pelo Festival Terras sem Sombra, que pretende estabelecer a triangulação entre património cultural, música e natureza, fazendo justiça ao facto de que muitas igrejas do Baixo Alentejo, com os seus campanários e adros, serem santuários da vida selvagem.

O Coro da Arena de Verona, incluindo o seu maestro, vai colaborar a 1 de maio em ações de salvaguarda da avifauna. Uma das iniciativas, com o apoio da Liga para a Proteção da Natureza, será a instalação de caixas-ninho para peneireiros-das-torres na Basílica de Castro Verde. As atividades de âmbito ecológico estão abertas à participação de voluntários mediante inscrição no site do Departamento do Património Histórico e Artístico da diocese de Beja.

O concerto de 30 de abril, de acesso livre até se completar a lotação da Basílica Real, vai ser gravado e retransmitido na íntegra pela RTP. A organização aconselha a reserva (gratuita) de lugares, até 29 de abril.

publicado in SNPC
Ouvir Rothko Chapel no Youtube
Ouvir Via Crucis no Youtube

O fatalismo não é solução

Contrariar a ideologia da decadência
Desde o Ultimatum de 1890 quando Lord Salisbury ameaçou o estatuto imperial do nosso país que Portugal não se vê tão absorvido numa ideologia da decadência.
Os desafios que se avizinham assustam – é bem verdade. Esgueiram-se como correntes de ar nas casas dos portugueses e portuguesas. A crise financeira e política parece aninhada numa desconfiança geral. Estamos entrelaçados no nosso casulo por ramos espinhosos de informação: são pedaços pequenos com os quais queremos nos proteger do vento e frio mas arranham o conformismo. Muita informação impede por vezes que se veja além do nosso fatalismo.

Desconfiar em tudo e todos parece o caminho mais fácil, mais do que acreditar na força atrativa do Oceano, no grande mar povoado de tempestades onde já se escreveu história. Ernest Renan escreveu que cada nação assenta num consenso centrado não só sobre o que recordar mas também sobre o que esquecer. Eu receio que continuemos a centrar o português nessa hiperamnésia de valores que atravessam os discursos e as práticas quotidianas.

Na semana passada evocava-se Françoise Dolto num painel sobre a Bíblia e a Psicologia, onde se lembrava que aquela precursora da psicanálise em criança perguntava porque implicavam tanto com Judas quando sem ele jamais haveria a paixão de Jesus? Escolhido para levar o Mundo a ver como Cristo era o filho de Deus, não estamos nós inocentes almas a implicar tambem com o nosso Império do sentido? Onde sopra uma razão ao sentido não vale a pena calafetarmo-nos. Vivamos o nosso império do sentido de ser português com a devida paixão!

Uma nova estrutura de incentivos à confiança dos portugueses impõe-se. Hoje temos um enorme desafio no coletivo, mas que passa por cada um de nós. Esquecemos como desviados estamos das qualidades morais como a “franqueza”, a “lealdade”, a “tenacidade” e a “coerência entre o pensamento e a ação” tradicionalmente referido por intermédio da expressão “português velho”.

Em verdade o Ultimato britânico inspirou a letra do hino nacional português, "A Portuguesa". Hoje, na relação tensa com que vivemos a crise podemos confiar mais e viver menos a falha de memória coletiva gerindo talvez a nossa memória individual. Entre a história e o nosso testemunho está um oceano por navegar, onde velas suplicam o vento, e o vento surge das correntes de ar, as mesmas que se esgueiram na nossa vida.

Este texto integra a próxima edição (n.º 15) do "Observatório da Cultura", publicação semestral do Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura.

Tiago Valladares Pacheco
Investigador do SIPA (School of International and Public Affairs), Universidade de Columbia, EUA
in SNPC

João Paulo II A biografia


Reuters
Autor Andrea Riccardi


Editora Paulinas


Ano 2011


Páginas 608
Preço 23,00 €
ISBN 978-989-673-156-4



O mistério Wojtyła

Um estrangeiro
«O novo Papa é africano?», era a pergunta que circulava entre as pessoas na Praça de São Pedro, naquele 16 de outubro de 1978, à tarde, depois das dezoito horas, quando o cardeal Pericle Felici anunciou, em latim e com a sua pronúncia romana, o nome do eleito: «Annuntio vobis gaudium magnum; habemus papam: Eminentissimum ac Reveren dissimum Dominum Carolum Sanctae Romanae Ecclesiae Cardinalem Wojtyła, qui sibi nomen imposuit Ioannem Paulum II.» O eleito não era Carlo Confalonieri, o cardeal decano já com mais de oitenta anos, como se pensou num primeiro momento, quando se ouviu «Carolum», Carlo. A idade avançada do decano não lhe permitia que participasse no conclave (mas assistiu ao anúncio, do seu terraço sobre a Praça de São Pedro). Não era um africano, ao contrário do que aquela pronúncia peculiar do apelido fazia pensar: era o cardeal de Cracóvia, o primeiro Papa não italiano desde 1523, depois da morte de Adriano IV, holandês de Utreque. Uma notícia surpreendente.

Por que razão tinham os cardeais quebrado uma tradição com mais de quatro séculos e meio? Durante o Concílio, encerrado havia quase treze anos, algumas vozes tinham lamentado o excessivo caráter italiano da Cúria romana. Paulo VI, depois do Vaticano II, tinha internacionalizado a Cúria e nomeado o cardeal Villot, um francês, como seu secretário de Estado. Contudo, por morte de Paulo VI, o Sacro Colégio continuou a tradição, escolhendo um Papa italiano. O eleito foi o Patriarca de Veneza, Albino Luciani, que faleceu passados somente trinta e três dias de pontificado. Os cardeais que acorreram a Roma para o novo conclave, em outubro de 1978, estavam numa situação que a Times Magazine definiu eficazmente como «A Igreja em choque». Era preciso encontrar um sucessor capaz de tomar nas suas mãos uma Igreja desorientada. [...]
Quando João Paulo II aparece à varanda da basílica de São Pedro, diante de uma multidão curiosa, incerta e festiva, tem-se a sensação de uma pessoa calorosa e humana...

Depois, abandonando a pose hierática, espontaneamente revela o receio de ser considerado estrangeiro: «Não sei se posso explicar-me bem nesta vossa... nossa língua italiana. Se me engano – diz cometendo um erro –, corrigir-me-eis.» Mas quem é o Papa que pede para ser corrigido? O jornal diário de esquerda francês Libération fala dele como de um «beau gosse» (bom rapaz), «um Papa telegénico para uma política new look». É uma impressão superficial. Para a grande parte dos católicos, para larguíssimos setores do mundo eclesiástico, para quase todos os observadores, Karol Wojtyła é um mistério. Os serviços do Leste, que em Roma seguiam o conclave, como os legados nas embaixadas húngara e checoslovaca, não tinham de modo nenhum previsto a eleição de um Papa não italiano ou proveniente dos países comunistas: ficaram atónitos. [...]

Karol Wojtyła é uma personagem a descobrir. Hoje, depois de João Paulo II ter sido Papa durante vinte e sete anos, e de a sua imagem ter sido tão familiar a mais de uma geração, esta afirmação parece inverosímil. Então, Wojtyła era um homem quase desconhecido. No entanto, quem já o tivesse encontrado ficaria impressionado com a sua humanidade original. Henri de Lubac, o grande teólogo francês, impressionado com a figura de Wojtyła, repetia aos amigos: «Depois de Paulo VI, o meu candidato é Wojtyła.» E acrescentava, irónico: «Mas não tem nenhuma chance».

Um papa polaco

«Ele não fugirá diante das espadas como este italiano...»
Já vimos que, diferentemente dos seus antecessores, Karol Wojtyła, depois de eleito Papa, nunca iria separar-se da sua história pessoal e nacional. Antes, haveria de continuar a voltar a ela e voltar a contá-la. O seu sacerdócio nasceu no cadinho do grande mal da guerra, «diante das espadas», como escreve Słowacki. É aqui que está o germe da missão que, mais tarde, sente como sua. Wojtyła conhece o texto de uma das revelações da Irmã Faustina relativamente a uma visão de Jesus: «Amo a Polónia de modo particular e, se for obediente à minha vontade, levantá-la-ei em poder e santidade. Dela sairá a centelha que preparará o mundo para a minha última vinda.» Não é fácil saber quanto estas palavras, também com tonalidades messiânicas (a centelha que prepara a vinda de Jesus), teriam ressonância na alma de João Paulo II. Numa obra de Juliusz Słowacki, lê-se uma profecia análoga sobre um renascimento da Polónia graças a um Papa eslavo. [...]

A «vocação» de Karol nasce no «grande mal» da ocupação nazi, quando ele nutre esperanças da fé, mas também da épica polaca. A sua vocação é desafiada pelas «espadas», pela guerra e pela violência daqueles anos. Imediatamente depois do fim do conflito, o jovem tem de haver-se com o comunismo soviético. Uma vez mais, encontra-se – para usar as palavras de Słowacki – «diante das espadas». Já não há guerra, mas o futuro polaco parece escuro e marcado por uma violência de outro tipo. [...]

Um europeu
Depois da sua eleição, João Paulo II foi geralmente considerado, no Ocidente, muito marcado pela sua origem polaca e por um catolicismo sobremaneira fechado e nacionalista. Na realidade, desde jovem, o polaco Wojtyła teve uma importante experiência humana europeia. Em 1979, durante a primeira viagem do Papa à Polónia, ele haveria de insistir nos seus discursos precisamente sobre a dimensão unitária da Europa, manifestando a consciência de que tinha a missão de exprimir a unidade espiritual do continente, estando este dividido em dois mundos. Karol Wojtyła sente-se europeu. Cracóvia é uma cidade centro-europeia. Na história habsbúrgica da «cidade real», Viena não ficava muito longe, e Cracóvia está muito ligada à cultura austríaca e alemã. [...]

Sentido de universalidade
Com a primeira viagem fora da Polónia, Wojtyła abre-se ao conhecimento do mundo italiano e europeu. Entre as visitas deste período, merece ser recordada a que fez a Assis. Vai lá tendo como guia o livro do luterano dinamarquês Johannes Joergensen, que se converteu ao catolicismo através da via franciscana. O texto, publicado em 1907, representa a primeira renovada biografia católica do santo (uma obra central, além da de Paul Sabatier, protestante liberal que tinha descoberto algumas dimensões de Francisco, ocultadas pela literatura devota). Assis haveria de ser sempre uma memória viva para Wojtyła que, durante o seu pontificado, fez dela «outra Roma», centro católico sem o peso institucional da Urbe, mas terreno de abertura ao universal como uma janela para o mundo. Para aqui, haveria de convocar dois encontros inter-religiosos, em 1986 e em 2002, e a oração pelos Balcãs, num momento de guerras e de choque religioso. [...]

Um bispo fenomenólogo
O amor pela cultura, feito de investigação e de muitas leituras, foi a sua resposta pessoal à clausura dos anos 50-70, típica de um regime totalitarista. Em Pessoa e Ato, a obra filosófica mais criativa de Wojtyła, publicada em 1969, ele fala de «totalismo»: um sistema que «subordina totalmente o indivíduo e o seu bem à comunidade e à sociedade». O cardeal é crítico para com o individualismo, que tudo concentra no bem do indivíduo. Embora critique o individualismo (ocidental), o Papa distancia-se intelectualmente do regime comunista, para afirmar a centralidade da pessoa humana, parte de uma comunidade. Nesta obra, sente-se a dívida intelectual do autor ao filósofo francês Jacques Maritain, especialmente no que se refere ao pensamento personalista. Para Wojtyła, o «totalismo» é um individualismo às avessas, que vê na pessoa «substancialmente o inimigo da comunidade e do bem comum». Por isso, afirma com força que «a realização do bem comum não deve basear-se na constrição». Em 1976, na procissão do Corpus Domini, declara em público: «O próprio materialismo é incapaz de formar um homem forte, uma sociedade forte».

Como criar um homem forte e uma sociedade coesa? O arcebispo não crê no homem novo, prometido como fruto de uma sociedade constritiva e totalizante, que sufoca a pessoa. Em Pessoa e Ato,Wojtyła fala da comunidade e propõe o valor da «solidariedade»: «O homem solidário faz o que lhe compete, não só porque é membro da comunidade, mas também pelo “bem do conjunto”, isto é, pelo bem comum.» [...]
Neste fundo filosófico radica uma atitude humana em que, sobretudo com o pontificado e não obstante as suas altas responsabilidades, Wojtyła revelar-se-á um homem mais propenso à escuta do que a impor a sua opinião. O hábito de receber visitas continuamente, de tomar as refeições sempre com hóspedes, praticado em Cracóvia e, depois, sistematizado em Roma, exprime o desejo radicado de aprender de todas as pessoas. O culto do encontro manifesta uma inclinação pessoal, mas também se radica numa reflexão teórica. Wojtyła, pensador original e não académico, não trabalha com um desenvolvido aparato crítico nas suas obras, mas vai à procura de significados para a vida. João Paulo II haveria de fazer do método fe nomenológico e experiencial um sistema de vida e de governo da Igreja.

O Marxismo e o seu império

A Leste: uma luta muito dura
Durante dez anos, no quadrante do Leste, trava-se uma luta muito dura, que algumas vezes parece chegar à rutura. O Papa pretende alargar os espaços de liberdade, forçando o sistema comunista. É esta a expressão que o líder socialista Bettino Craxi usa numa conversa com Wojtyła, em 1983, da qual sai muito contente com o entendimento: «Tendo feito observar a Wojtyła que, em certo sentido, se podia forçar a situação na Polónia, o Papa grunhiu uma espécie de assentimento». Era o modo típico de João Paulo II manifestar o acordo. A política de fortalecimento do Cristianismo do povo no Leste era uma «coação» calculada. Deve notar-se a flexibilidade do Papa que não renuncia a criar e defender espaços de liberdade na Polónia, mas evita chegar à plena crise que determinaria uma invasão soviética. Para Brzezinski, «sem o Papa, sem a sua tenacidade, sem aquele conjunto de moderação e de obstinação que são o seu estilo, muitas das coisa que se realizaram diante dos nossos olhos nunca teriam começado a acontecer». De facto, a ação de João Paulo II na Polónia é tenaz e obstinada, mas não utópica, porque tem em conta os equilíbrios de influência em que o país está inserido.[...]

Para o Kremlin, não obstante o apreço formal pela atividade do Papa a favor da paz, o juízo sobre João Paulo II é bastante negativo: nota-se uma atitude persistente antissocialista que, segundo Gromyko, é fruto da ligação com os círculos ocidentais. Na realidade, os soviéticos tentam desvalorizar completamente a energia profunda e histórica dos fenómenos espirituais e religiosos (portanto, do catolicismo polaco e da personalidade do Papa). A resistência de Wojtyła não nasce do contacto com os ocidentais, mas é algo de espontâneo na sociedade do Leste. Os documentos atestam que, para os soviéticos, Wojtyła é enquadrável numa «posição de direita». Renuncia «aos ataques frontais contra o socialismo» por motivos políticos e usa «a tática vaticana de expansão através do diálogo».

O líder global

Não renunciar à libertação
Em 1981, na Encíclica Laborem exercens, escrita num tempo em que o mundo marxista parecia sólido, João Paulo II escreve: «Os reagrupamentos inspirados pela ideologia marxista, como os partidos políticos, tendem, em função do princípio da “ditadura do proletariado” e com o exercício de in fluências de vários tipos, inclusive a pressão revolucionária, ao monopólio em cada uma das sociedades, para introduzir nelas... o sistema coletivista ». O Papa denuncia a ditadura do proletariado e relança a doutrina social da Igreja num mundo onde ainda existem dois sistemas económicos: o capitalista e o comu nista. [...] Contudo, a firme condenação do comunismo não ate nua o juízo crítico sobre o Ocidente, que o Papa repete na sua próxima encíclica social – Sollicitudo rei socialis [...]. A Igreja católica não aceita o sistema marxista, mas não se deixa esmagar pelo capitalismo. Como se viu nas conversações com Gorbachev, o Papa não espera que o Oriente europeu se reconstrua sobre os modelos ocidentais. Durante o pontificado wojtyłiano assiste-se ao relançamento da doutrina social da Igreja, sobre a qual o Papa escreve três encíclicas. Para ele, essa doutrina deve ser uma instância crítica face aos dois sistemas económicos vigentes. Põe de lado as indecisões católicas, segundo as quais não é possível cultivar – depois do Concílio – uma doutrina social, como se representasse uma utópica terceira via. Wojtyła está convencido de que a Igreja, «perita em humanidade» (como dizia o papa Montini), tem a propor uma larga experiência histórica e social, e visões amadurecidas no tempo.

Depois de 1989, a exigência de uma doutrina social torna-se ainda mais forte, se a Igreja não quiser identificar-se inteiramente com o capitalismo ocidental. O Papa não renuncia à crítica do sistema ocidental, mesmo quando este é já vencedor com a queda do Muro [de Berlim] e a globalização. É expressão disso a Encíclica Centesimus annus de 1991, em que João Paulo II mostra como o fim do comunismo não significa ainda a realização do programa social da Igreja. Até usa palavras duras contra o «capitalismo selvagem» e repropõe novas relações entre o Norte e o Sul do mundo.

A paz e o viver juntos

A visão de Assis
João Paulo II crê que a Igreja católica tem uma missão, para levar mundos diferentes a viverem juntos. Esta visão teve a sua explicitação máxima na jornada de 27 de outubro de 1986, realizada sob o signo franciscano e irénico de Assis. Este encontro inter-religioso foi estudado sob diversos aspetos. Clau dio Bonizzi fala de «ícone de Assis», para significar que foi um evento criativo relativamente à Nostra ætate. [...]

João Paulo II convoca para Assis os líderes mundiais das religiões, depois de contactos e solicitações recebidas (fala-se, entre outros, de Carl Friedrich von Weizsäcker, irmão do presidente alemão que tinha pedido um «concílio da paz», com os representantes cristãos). A ideia alarga-se às religiões – como testemunha o cardeal Willebrands (figura-chave na política ecuménica) – e «a todos aqueles que, empenhados no plano religioso, creem na oração e reconhecem a paz como dom transcendente». Trata-se de uma jornada de jejum e de oração. O evento permanece um das imagens religiosas mais conhecidas e evocativas do séc. XX. É uma imagem simples e fascinante: os líderes das diferentes religiões, reunidos, oram, já não «uns contra os outros», mas uns ao lado dos outros, e não o fazem juntos para evitar uma confusão indesejável. [...]

Assis manifesta algo da mensagem wojtyłiana: os cristãos não devem perder identidade no confronto com as outras religiões; mas estas podem viver juntas em paz, exprimindo a sua dimensão religiosa, que emerge sobretudo na oração. Esta mensagem torna-se uma proposta ao mundo contemporâneo, onde pessoas de religiões diferentes já vivem juntas; onde os não-cristãos emigram para países de antiga tradição cristã; onde povos de religiões diferentes se aproximam e juntam a povos que durante séculos viveram sem comunicação.

A prova da terra Santa
Nesta perspetiva, a obra-prima de João Paulo II é a visita à Terra Santa, no ano 2000, onde, há mais de meio século, a convivência entre tradições e religiões não encontra solução. Durante a viagem, o Papa conseguiu compor aspetos que parecem contraditórios: a tradicional atenção vaticana à causa palestiniana, a peregrinação aos lugares santos cristãos, uma mensagem ao coração de Israel. [...]

Mas a visita à Terra Santa, centrada na peregrinação aos lugares santos cristãos, revela, sobretudo, a «diplomacia» especial de Wojtyła: ser ele próprio com a sua mensagem, compreender as razões dos vários interlocutores, não permitindo que ninguém o empurre para uma ou outra posição, antes transcendendo-as numa visão original e não política. Não é habilidade diplomática, mas a arte do Papa fenomenólogo, espiritual e humano, já velho e doente. O Papa foi capaz de falar a Israel sem se esquecer dos Palestinianos.

Karol Józef Wojtyla nasceu a 18 de maio de 1920 na cidade polaca de Wadowice. Foi eleito papa a 16 de outubro de 1978 e morreu a 2 de abril de 2005. Será beatificado no próximo domingo, dia 1 de maio, em Roma. O livro estará disponível a 3 de maio.

Andrea Riccardi


in SNPC

Porque estou aqui

Sinto-me privilegiado por ter encontrado na Igreja um lugar vazio, feito à minha medida. É certo que tê-lo encontrado (ou encontrá-lo renovadamente, pois não é dado adquirido) foi também mérito da minha sede, do meu empenho, de não baixar os braços e achar, passivamente, que não seria possível. Passo a contextualizar: a comunidade onde vou à missa é pequena e acolhedora, e podia bem não o ser. Ao mesmo tempo, sentia um desejo grande de reflexão de vida cristã e encontrei um casal (heterosexual) que tinha a mesma vontade. Começámo-nos a reunir semanalmente numa pequena comunidade de oração e reflexão que, apesar de crítica, nos tem ajudado a sermos Igreja e a nela nos revermos. Paralelamente, face ao contínuo desencanto em relação a algumas posturas e pontos de vista de uma Igreja mais institucional e hierárquica, tive a graça de encontrar um grupo de cristãos homossexuais, que se reuniam com um padre regularmente, sem terem de se esconder ou de ocultar parte de si.

Sei que muitos cristãos homossexuais nunca pensaram sequer na eventualidade de existirem grupos cristãos em que se pudessem apresentar inteiros, quanto mais pensarem poder tomar parte e pôr em comum fé, questões, procuras, afectos e vidas.

Por tudo isto me sinto grato a Deus e me sinto responsável para tentar chegar a quem não teve, até agora, uma experiência tão feliz como a minha.

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