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A diversidade na Igreja

"A casa do meu Pai tem muitas moradas", diz-nos Jesus no evangelho.

A unidade na diversidade não é sempre aparente na Igreja enquanto povo de Deus, mas é uma realidade em Deus e uma presença na fé cristã desde a sua origem. A Palavra de Deus não é partidária, elitista e exclusiva. O Reino de Deus é como uma árvore que estende os ramos para dar abrigo a todos os pássaros do céu. Cristo não morreu na cruz para salvar uma mão cheia de cristãos. Até o Deus Uno encerra em si o mistério de uma Trindade.

A Palavra de Deus é inequívoca e só pode levar à desinstalação, à abertura ao outro, e a recebê-lo e amá-lo enquanto irmão ou irmã. Ninguém fica de fora, nem mesmo - se tivessemos - os inimigos.

Muitos cristãos crêem nesta Igreja, nesta casa do Pai, corpo de Cristo, templo do Espírito Santo. Mas como esquecer que muitos se sentem "de fora" por se verem rejeitados, amputados e anulados, e afastam-se por ninguém lhes ter mostrado que há um lugar para cada um, com a totalidade do seu ser?

Um blogue para cristãos homossexuais que não desistiram de ser Igreja

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Este blogue é a partilha de uma vida de fé e é uma porta aberta para quem nela quiser entrar. É um convite para que não desistas: há homossexuais cristãos que não querem recusar nem a sua fé nem a sua sexualidade. É uma confirmação, por experiência vivida, que há um lugar para ti na Igreja. Aceita o desafio de o encontrares!

Este blogue também é teu, e de quem conheças que possa viver na carne sentimentos contraditórios de questões ligadas à fé e à orientação sexual. És benvindo se, mesmo não sendo o teu caso, conheces alguém que viva esta situação ou és um cristão que deseja uma Igreja mais acolhedora onde caiba a reflexão sobre esta e outras realidades.

Partilha, pergunta, propõe: este blogue existe para dar voz a quem normalmente está invisível ou mudo na Igreja, para quem se sente só, diferente e excluído. Este blogue não pretende mudar as mentalidades e as tradições com grande aparato, mas já não seria pouco se pudesse revelar um pouco do insondável Amor de Deus ou se ajudasse alguém a reconciliar-se consigo em Deus.

domingo, 1 de abril de 2012

Comparação e imitação: o perigo de seguir um modelo

Viver sem se comparar

Para falar, o homem usa comparações. Não são elas essenciais à descoberta e à expressão da verdade? O próprio Cristo age assim quando quer «revelar» coisas escondidas desde a fundação do mundo. «Com que hei-de comparar o Reino dos céus…?» E Santo Inácio, para que se torne visível o que é invisível, propõe à pessoa que está a fazer retiro uma «composição de lugar» que é uma verdadeira «comparação corporal»!

Contudo, se tem de comparar, o homem deve reconhecer que comparar-se é entrar no jogo mortal da rivalidade e da inveja. Para nos encontrarmos a nós mesmos, devemos renunciar a todo o modelo, isto é, num primeiro sentido: «aquilo que se reproduz por imitação. Latim: “modulus” medida… por analogia pessoa, objecto… que merecem ser imitados.» (Grand Larousse encyclopédique de 1963).

A imitação é um conceito que, para ser bem compreendido e vivido, deve ser convertido, sobretudo quando se trata «de imitar Jesus-Cristo». Seguir Jesus-Cristo é passar para além do mimetismo para deixar viver o desejo. Quando Cristo nos diz: «Amai-vos como eu vos amei», o como é analógico, respeita a diferença; segundo bons exegetas, dever-se-ia traduzi-lo «segundo a medida do meu amor». E cada um segundo a medida da sua graça! Com efeito, Cristo é único e inimitável. Aliás, há vários «modelos» no Evangelho. Qual escolher? O da Galileia ou o de Jerusalém? Temos opção?

Paradoxalmente é renunciando a toda a imagem imitável, mesmo à de Jesus Cristo, que nos tornaremos nós próprios, e conseguiremos assemelhar-nos àquele cuja imagem somos chamados a reproduzir (Romanos 8, 29). (…)

Assim, sem sacralizar nenhuma via, mesmo que ela seja excelente, chegaremos àquela que as «ultrapassa a todas»: a via do amor verdadeiro.

«Senhor, e que vai ser deste…?
Se eu quiser… que tens tu com isso? Tu, segue-me!» (João 21, 21-22)

[Editorial do n.º 133 Janeiro de 1987 da revista CHRISTUS]

Imitar e seguir

No filme Viridiana, de Buñuel, uma jovem noviça é levada, por razões de família, a deixar o convento. Depois da sua saída, tenta imitar com exactidão no mundo aquilo que ela tinha ouvido e aprendido no convento da vida exemplar de Jesus. Reúne mendigos à volta dela, dá-lhes de comer e quereria fazer deles um grupo de devotos. Contudo, a «santa empresa» falha e provoca precisamente o contrário daquilo que a jovem mulher se propunha. Produz-se uma explosão de violência à qual a própria benfeitora escapa a muito custo.

A questão posta por este filme de Buñuel não é artificial; uma observação atenta descobre alguma coisa análoga na vida dos santos. Antes da sua conversão, Inácio de Loyola era um cavaleiro ambicioso e um soldado. Ferido em combate, entusiasmou-se, sob a influência de uma vida dos santos, por um ideal novo, e pôs-se a copiar, a partir do exterior, o género de vida de São Francisco e de São Domingos, e tentou mesmo superá-los aos dois por meio do rigor das mortificações corporais. Tudo correu bem durante alguns meses, depois desencadeou-se uma crise que o mergulhou numa perturbação profunda e que cresceu até à tentação do suicídio. A imitação de um ideal a partir do exterior tinha resultado muito rapidamente nele numa auto-agressão maciça. Não foi senão graças a um claro discernimento dos efeitos devastadores do seu zelo cego e a uma nova experiência do Espírito que ele foi libertado desse estado insuportável e perigoso. Por esta reviravolta da sua maneira de pensar (espécie de «segunda conversão»), Inácio aprendeu a distinguir entre imitar a partir do exterior e seguir segundo a condução do Espírito. Mais tarde, ele devia desenvolver o método dos Exercícios a partir desta visão central.

O mecanismo da imitação

René Girard analisou minuciosamente, utilizando grandes romances da literatura universal, a relação que existe entre a imitação/mimésis e a agressão. Ele mostra, com o testemunho dos grandes escritores, que os homens não se bastam a si próprios, aspiram a realizar-se mais e imitam desejos que lhes são alheios, porque eles próprios não sabem o que poderia dar-lhes a felicidade ardentemente desejada. Todas as espécies de modelos fascinantes podem suscitar a imitação, mas ela nasce, no fim de contas – antes de todo o julgamento e de toda a comparação – de uma «imediatidade quase-osmótica»[1] com essa imagem ideal que entra por acaso numa vida. Como este desejo é uma cópia de um desejo alheio, ele é espontaneamente dirigido para o bem que o modelo já procura alcançar. Se o bem for limitado, o conflito é inevitável porque dois desejantes não podem possuir o bem de uma maneira igual. Tal é a origem da célebre estrutura triangular do desejo que desempenha um papel determinante não só nas relações eróticas mas também na luta pelo poder e mesmo em todo o lugar em que se trate de influência e de relações.

As análises de Girard permitem compreender que da admiração, e mesmo da união «quase-osmótica» com um ideal, podem nascer espontaneamente conflitos e rivalidades, sem que uma intenção consciente perversa ou uma agressão congénita devam entrar necessariamente em jogo. A imitação fundada na admiração leva à rivalidade pelo seu dinamismo próprio. Estas mesmas análises mostram além disso que a continuação do conflito é determinada pela mimésis porque a hostilidade incipiente leva também à imitação. Assim a rivalidade pode facilmente crescer até à agressão consumada e à violência. Nesta questão, representações abstractas e ideias estranhas à vida desempenham também frequentemente um papel de modelos. Por exemplo, o Dom Quixote de Cervantes tinha perante o seu olhar interior, em todas as suas acções, o rei Artur dos romances de cavalaria. Esta imitação, a bem dizer, não o desviava para a violência física, porque o seu modelo/adversário (o rei Artur) estava demasiado distante e era absolutamente impossível combatê-lo fisicamente uma vez que ele não existia senão nos livros; mas Dom Quixote movia-se num mundo irreal e ele foi levado a lutar contra moinhos de vento.

Girard analisa também, em relação com a mimésis, os problemas da auto-agressão. Um modelo que sente que um desejo admirador e imitador aspira à mesma coisa que ele, adopta habitualmente uma conduta hostil a seu respeito. Normalmente, ele não fica apesar disso menos um modelo. É por isso que a sua tendência agressiva contra o «discípulo» é copiada também por este. Deste modo o imitador – numa união «quase-osmótica» com o seu modelo que se vira contra ele - é levado a «lutar» contra si mesmo. Fenómenos tais como o sadismo e o masoquismo podem encontrar assim uma explicação elucidativa.[2]

Estas análises da mimésis tornam muito explícitas as primeiras experiências religiosas de Inácio, porque o cavaleiro basco, depois da sua conversão, parece ter-se extraviado de duas maneiras no mecanismo da imitação. Por um lado, ele imitava os aspectos exteriores austeros do género de vida e as mortificações corporais dos santos que lhe tinham surgido como modelos novos e ele punha-se a tratar duramente o seu próprio corpo. Por outro lado, o velho ideal cavaleiresco, segundo o qual é preciso «superar» e «suplantar» os outros, continuava a actuar nele. Por isso é que ele queria fazer ainda mais do que os seus modelos novos e as suas rudes mortificações corporais. Deste modo ele foi arrastado para uma dupla dureza e «agressão» contra si próprio, e teve de experimentar que, no fim de contas, crescia nele a tentação do suicídio.

O mecanismo da mimésis ajuda a compreender de uma maneira nova tanto os personagens de romances como muitas experiências tiradas das vidas dos santos. Poder-se-ia ilustrar também a sua importância considerável com exemplos triviais como os da publicidade televisiva, porque esta publicidade não elogia, em geral, produtos isolados de todo o contexto, mas mostra pessoas sedutoras que desempenham a função de modelos e possuem o produto em questão. Deste modo é suscitado no telespectador o desejo secreto de ter o mesmo objecto. Os especialistas da publicidade parecem portanto ter descoberto instintivamente esta lei da mimésis da qual Girard fez uma análise sistemática. Mas, para o nosso tema, o que é mais significativo é que, graças a uma inteligência mais penetrante do mecanismo da mimésis, textos bíblicos capitais se tornam mais eloquentes.

A via de Cristo e a imitação

«O Reino de Deus está próximo.» Jesus inaugura a sua vida pública com esta mensagem. Antes de tentar converter os homens a um comportamento novo, indica-lhes um bem novo, o Deus próximo, capaz de satisfazer completamente a sua aspiração mais profunda e que não provoca nenhuma rivalidade, porque Ele está pronto a dar-se a todos sem limite. Os homens, no fundo do seu coração, não têm de se colocar sob uma lei nova ou sob um modelo novo, mas de perceber uma realidade nova, de se deixarem abrir a ela e determinar por ela. Jesus proclamava que o Pai celeste era um Deus intimamente próximo dos homens e que se interessava pelos pecadores com amor. Para poder reconhecer neste «Pai» o verdadeiro Deus, é preciso seguramente romper com a atracção instintiva dos modelos terrestres.

É por isso que Jesus, pela sua mensagem do poder de Deus muito próximo, exigia também aos homens uma transmutação radical daquilo que é considerado como um modelo segundo os olhos do mundo (Bem-aventuranças). Face aos ricos ele coloca os pobres, face àqueles que riem os que choram, face aos guerreiros e aos combatentes vitoriosos os mansos e os artífices da paz. No lugar dos que o mundo admira instintivamente, ele elogia os homens normalmente considerados sem valor. Deste modo ele tenta abrir para novas experiências e dar novas possibilidades de vida.

No Antigo Testamento fazia autoridade o princípio «olho por olho, dente por dente» (Êxodo 21, 24). Não era um princípio de dureza cruel como frequentemente o pensam, mas uma máxima de moderação sensata num mundo de pecado. Com efeito, os homens tendem por si mesmos para represálias sem limites, como bem o mostra o Génesis com as personagens de Caim e de Lamec que tinham por princípio vingar-se sete vezes, até setenta vezes sete (Génesis 4, 23). Jesus não se afastava somente de Caim e de Lamec; pela sua mensagem ele visava mesmo mais do que a lei das represálias únicas e comedidas, e atacava assim o mecanismo da mimésis. Com efeito, aí onde segundo o princípio «olho por olho, dente por dente» se responde a uma má acção com uma retaliação proporcionada, aí reina a imitação que, por si – apesar da tentativa de sábia moderação -, não tem fim, estando cada um persuadido de que não foi ele quem começou com o mal, mas que ele deve apenas «exercer represálias» contra uma anterior má acção do seu adversário. A escalada no mal não pode pois ser superada na raiz senão se o mecanismo da imitação for revelado e se resistirmos desde o início à sua secreta atracção.

É justamente o que Jesus pede com esta palavra decisiva: «Não oponhais resistência ao mau» (Mateus 5, 39). Com isso Ele não queria de maneira nenhuma incitar a entregar-se passivamente ao malvado visto que Ele mesmo travou um «combate impiedoso» contra as forças de perdição. A sua exortação dirigia-se contra a tendência espontânea dos homens para se oporem ao mal no mesmo plano e com as mesmas armas – tendência que não é outra coisa senão uma das múltiplas variantes da mimésis. Tanto tempo quanto ela dominar, toda a tentativa de moderação sensata está ameaçada e espreita-nos o perigo da vingança renovada sete vezes e setenta vezes sete. Afastando claramente este mau excesso, Jesus fala do excesso do amor e convida os seus discípulos a um perdão renovado setenta vezes sete (Mateus 18, 22), portanto a um comportamento que de modo nenhum se deixa arrastar, pela maldade quase sem limites do adversário, para «contramedidas» que se lhe assemelhem.

Não foi com palavras apenas que Jesus preveniu contra o perigo das retaliações imitadoras: ele teve também de enfrentar até ao fim este problema na sua própria vida. Como Ele se apresentava com poder e, pelo seu comportamento, tornava visível em sinais o mundo novo do seu Pai celeste, Ele podia suscitar em muitos uma confiança nova. Com as suas palavras sublimes e os seus sinais de salvação ele resplandecia de glória, fascinava e tinha sucesso entre o povo. Ele também era secretamente admirado pelos dirigentes (cf. João 11, 47ss.) ao mesmo tempo que foi rapidamente sentido como um concorrente. E justamente, a sua conduta plena de poder e de fascínio provoca ainda mais essa rivalidade que Ele queria superar na sua raiz. Nisto se manifesta o poder dissimulado do mal que, por meio da mimésis, pode incendiar-se também contra o seu contrário.

Nesta rejeição de Jesus, a mimésis desempenhava um papel determinante sob um outro ponto de vista, como bem o mostra sobretudo o Evangelho de São João. Depois da narrativa da actividade pública de Jesus, ele tem esta reflexão: «Embora Jesus tivesse realizado diante deles tantos sinais portentosos, não acreditavam nEle… Apesar disso, até entre os chefes, muitos acreditaram nEle, mas não o confessavam por causa dos fariseus, para não serem expulsos da Sinagoga, pois amavam mais a glória dos homens do que a glória de Deus» (João 12, 37-43).

Aquilo que neste texto é chamado «glória» (consideração), coincide largamente com aquilo que nós considerámos até aqui nos vocábulos de «mimésis» e de «imitação». Aquele que se deixa levar pela aspiração à glória, conforma-se, no seu agir, com a atitude daqueles que, na sociedade em que estão, já usufruem do reconhecimento social e são considerados como modelos para muitas pessoas. Esta «lei» funciona também no povo ao qual Jesus se dirigia, e funciona em prejuízo dEle. Graças à sua conduta sublime, Ele irradiava na verdade uma autoridade e muitos voltavam-se para Ele; mas havia ainda uma outra autoridade, a dos Fariseus que tinham desempenhado até então o papel de dirigentes. A partir do momento em que estas autoridades entravam em conflito, as pessoas tinham de se determinar e seguiam o partido que era reconhecido desde há muito tempo e que instintivamente admitiam que a grande maioria do povo seguiria no futuro. Quem usufrui da glória é imitado, e quem é imitado por muitas pessoas adquire uma glória suplementar. Assim nasce um turbilhão a cuja atracção, normalmente, as pessoas podem dificilmente escapar.

Esta atracção funcionava também contra Jesus. A sua força aparece claramente no comportamento dos mais próximos dos seus discípulos. Tanto tempo quanto Ele foi senhor dos seus movimentos, a impressão que Ele produzia sobre eles era tão forte que ela podia neutralizar todos os poderes contrários. A partir do momento em que Ele foi preso, a sua «glória» exterior desapareceu e os seus discípulos caíram sob a influência do poder nascido da glória dos Fariseus. O pastor foi ferido e as ovelhas dispersaram-se (Mateus 26, 31). Só os encontros com o Ressuscitado e a descida do Espírito Santo puseram de novo fim a esse fascínio com novas e profundas experiências.

O Espírito Santo e a imediatidade dos modelos

Se o poder atractivo da imitação é tão grande é porque os modelos actuam no fim de contas antes de toda a reflexãoconsciente e antes de toda a comparação consciente, e porque eles determinam as aspirações e a avidez segundo uma imediatidade quase-osmótica. Esta imediatidade permite compreender por que razão as palavras de Jesus deixaram de actuar logo que a acção da sua pessoa foi contestada como modelo a imitar. As suas palavras não puderam exercer uma acção nova senão aí onde uma imediatidade nova – a presença do Espírito Santo – destruiu o fascínio quase-osmótico dos modelos. Graças à experiência do Pentecostes, os discípulos puderam vencer o respeito humano que encontra a sua fonte no jogo do modelo e da imitação.

Ao mesmo tempo, eles aprendiam também a reconhecer com mais profundidade que o Deus pregado por Jesus não é um ídolo ao lado de outros ídolos e que ele não cativa de modo nenhum os homens por meio do fascínio violento do divino. Não tendo ele próprio, no momento da maior aflição humana, nem combatido nem vencido os seus adversários por meio da força exterior, mas tendo-se oposto a eles pela sua Palavra e com toda a liberdade interior, Jesus revelava que o seu Pai era um Deus da liberdade incondicionada. Este Deus da liberdade torna possível a liberdade verdadeira das suas criaturas, porque ele supera, pelo seu Espírito, o respeito humano, o fascínio do colectivo e dos chefes reconhecidos, e a autoridade rígida da letra pretensamente «santa».

O Espírito do Pai desmascara também a verdadeira natureza do «espírito adverso», de «Satanás». A forma mais subtil da mimésis opera aí onde, não uma criatura mas uma «imagem» do próprio Deus, age à maneira de um modelo e suscita a imitação por avidez. Este problema exprime-se em linguagem simples na narrativa da queda original. Dando um mandamento ao primeiro casal humano, Deus mostra-se aí como o senhor do bem e do mal. A voz do tentador, que intervém precisamente a seguir, é uma voz que quer imitar esse Deus, porque ela não sussurra a Eva nada de diferente do desejo de conhecer, como Deus, o bem e o mal. O espírito sedutor e satânico faz-se passar pois pelo espírito da imitação de Deus por avidez.

O Novo Testamento fala claramente, também ele, desse espírito. Na parábola dos maus vinhateiros, mostra-se por exemplo que os caseiros se atiram contra os servos do senhor da vinha e os expulsam ou matam. O motivo para uma tal acção torna-se perfeitamente claro quando surge o próprio filho do senhor da vinha. Então os malvados dizem abertamente um ao outro que querem apoderar-se da herança pela força (Marcos 12, 1-12). Como, segundo a estrutura dos evangelhos, Deus é ele mesmo o senhor e Cristo o seu filho, a parábola descreve os homens que surgem no papel de malvados vinhateiros como seres que querem imitar Deus na sua qualidade de senhor da vinha e Cristo na sua função de herdeiro, para como eles disporem da vinha. «Aquilo que os vinhateiros fazem é o pecado primordial da mimésis, do desejo de querer ser igual a Deus, da hostilidade contra Deus que desencadeia a violência.»[3]

O cúmulo do pecado está portanto exteriormente muito próximo da santidade e o mal não tem ser próprio mas não é outra coisa senão uma imitação do bem. Ele gera a inveja, o espírito do mal manifesta-se antes de mais como esse espírito satânico que imita Deus e transforma-se, desde a vinda de Cristo, em espírito do anticristo que imita o Salvador.[4] Esta táctica subtil, esta arte da vigarice e da distorção não podem ser descobertas nem vencidas apenas por modelos exteriores. Somente o Espírito que introduz completamente na verdade, e está mais intimamente e mais imediatamente próximo dos homens do que qualquer modelo exterior alguma vez poderá estar, é capaz de separar a verdade da aparência ilusória.

Imitar e seguir

Não é necessário entender a crítica da imitação no sentido de que deveria recusar-se todo o modelo para o agir humano e tentar viver na pura espontaneidade. O próprio Girard não tira de modo nenhum essa conclusão da sua análise da mimésis, da rivalidade e da violência. Ele diz pelo contrário: «Os Evangelhos e o Novo Testamento não pregam uma moral da espontaneidade. Eles não pretendem que o homem deva renunciar à imitação; eles recomendam imitar o único modelo que não corre o risco de, se nós o imitarmos verdadeiramente como as crianças o imitam, se transformar por nós em rival fascinante[5]

Esta citação é importante, mas ela permanece ambígua, porque também há, como o mostra o exemplo da Viridiana de Buñuel assim como as experiências de numerosos santos, uma forma de imitação de Cristo que se mantém exterior e que finalmente não supera a rivalidade, mas que não conduz senão a uma forma mais subtil da violência. Girard também conhece esta possibilidade. É por isso que ele escreve, pouco depois da passagem precedentemente citada: «Seguir a Cristo é renunciar ao desejo mimético».[6] Muito tempo antes de Girard, Dietrich Bonhoeffer, no seu livro Nachfolge, põe em evidência a diferença que existe entre imitar e seguir a Cristo. Contrariamente à tradição protestante do sola fide sola gratia que conduziu muitas vezes à ideia de uma «graça a baixo custo»[7] ele sublinha frequentemente a necessidade de seguir o modelo de Cristo na sua própria vida e de obedecer aos seus mandamentos. Encadeando com Lucas 14, 26 onde Jesus exorta os seus discípulos a «odiar» pai, mãe, mulher, filhos, etc., Bonhoeffer mostra de maneira convincente que o verdadeiro discípulo de Cristo deve ultrapassar «a relação imediata com o mundo»[8] - a «imediatidade quase-osmótica» de Girard. Face aos mal-entendidos da tradição católica, ele sublinha mesmo que o «seguimento» de Cristo deve ser dirigido pelo apelo de Cristo e pela fé, e que não é permitido enganar-se a seu respeito considerando-o uma actividade ética. Neste caso, ele (o seguimento, seguir a Cristo) recomeçaria de imediato a suscitar formas subtis de rivalidade com Deus e com os outros homens.

Jesus não colocou na linha da frente as acções exteriores, mas viveu uma experiência nova de Deus; passando pela tentação, ele decidiu-se plenamente por este Deus, e anunciou-o aos homens apresentando-o como Pai deles, «Abba». Olhando para este modelo, nós não temos, nós também não, de copiar primeiro uma ou outra das suas acções mas temos de nos dispor a viver uma experiência nova de Deus e a determinarmo-nos a partir dela, a partir do momento em que esse dom nos é concedido. Esta experiência, sob a sua forma concreta, é única em cada homem e pode, por esta razão, ultrapassar a «pressão mimética». É justamente a entrada nos horizontes abertos pelo modelo Jesus que abre um espaço em que cada ponto de vista é único.

Se prestarmos atenção a todo o caminho seguido por Cristo, torna-se claro por outro lado que ele não viveu apenas a experiência nova de Deus, mas que, nele, o próprio Deus vem até aos homens e comunica-se a eles. Deus já não se manifesta somente como um senhor que exige obediência – e desse modo suscita secretamente rivalidades -, mas apresenta-se como essa insondável e inconcebível liberdade que consente na liberdade humana e que, feito homem, a encontra sob um aspecto que lhe é plenamente conforme.

Mais ainda: Deus revela em Cristo não somente a sua humildade e o seu amor pelos homens mas, na hora da perseguição, expõe-se também à liberdade humana tornada sua rival e percorre o caminho da cruz como um caminho de extrema auto-humilhação. Ele oferece assim um modelo que se opõe em tudo à mimésis por avidez e à rivalidade. Contudo, mesmo este modelo eminente pode ser mais uma vez totalmente invertido. Ele pode, por exemplo, suscitar em alguém a tentação de realizar pelas suas próprias forças uma auto-humilhação igual à de Deus. A humildade mascara então um orgulho satânico.

A acção exemplar do dom de si e do sacrifício pode ser desligada de Cristo, adoptada isoladamente como modelo e imitada. L. Poliakov, no segundo tomo de A Causalidade diabólica[9] que trata da história russa, dá exemplos impressionantes desse orgulho do sacrifício que já não tem nada a ver com o caminho de Deus. O grande historiador do anti-semitismo mostra aqui que papel desempenhou, nos revolucionários nihilistas do século XIX, o «sagrado negativo»[10] . Muitos – sobretudo entre os que tinham sido seminaristas -, primeiro influenciados pelo pensamento cristão do sacrifício e mais tarde perdidos no ateísmo, imitavam aspectos da espiritualidade cristã e esboçavam uma imagem do revolucionário ideal que renuncia a toda a felicidade pessoal e empenha totalmente a sua vida pela causa da revolução. No seu romance Os demónios, Dostoievsky descreveu de modo magistral este «sagrado negativo»; na sua narração do «Grande Inquisidor», ele também desenhou uma outra figura que quer imitar Cristo – contra ele – pretendendo, como ele, sob a sua própria responsabilidade última e na solidão, carregar o pecado e as fraquezas do povo.

O «Grande Inquisidor» não é somente um personagem de romance. Foi também um personagem muito real durante numerosos séculos da história cristã. Os inquisidores de carne e osso nunca quiseram aliás ser anticristãos. De comum acordo com os cruzados e os combatentes da fé, muitos dentre eles testemunhavam mesmo, pela sua vida, uma espiritualidade intensa e acreditavam, pela sua luta contra «heréticos» e «bruxas», seguir o caminho de Jesus. No entanto, outras forças estavam em acção neles. Arriscar a sua vida tentando matar outros homens, ou travar um combate espiritual quando se imita o juízo de Deus e se exige a vida dos outros, isto pouco, e mesmo nada, tem a ver com o espírito do sacrifício de Cristo que não matou outros homens – como também não a si próprio, como o pensa Manuel de Diéguez[11] -, mas se expôs, com um amor dos inimigos livre de toda a violência, ao ataque dos seus adversários e superou desde o íntimo as suas más acções pelo seu amor.

Que a ideia da cruzada e da inquisição tenha podido, contudo, regular o pensamento e a acção dos cristãos, mostra que a mimésis por avidez pode também actuar sob o manto da piedade. Isto mostra também o mal que a avidez foi capaz de gerar em nome de Cristo. É por isso que, seguir verdadeiramente a Cristo, é determinante que o discípulo, antes de todo o agir próprio, acredite totalmente naquilo que Deus fez por ele em Cristo e que ele se deixe pautar por isso. Não são os nossos actos heróicos que podem proteger a imitação de Cristo das perversões subtis, mas somente a fé no Deus que dá e perdoa, e a convicção vivida de que ele se antecipa sempre ao nosso esforço com uma graça inconcebivelmente grande.

Enquanto a voz do tentador, na narração do Paraíso, sussurra aos homens para imitarem Deus por sua livre iniciativa, Jesus-Cristo, no discurso depois da Ceia do Evangelho de S. João, garante aos seus discípulos que recebeu tudo do seu Pai e tudo transmitiu (João 14, 11-14, 26; 15, 15; 17, 7s., 21-24). Se Deus apenas tivesse dado aos homens um dom qualquer e não o dom de si mesmo, o homem não teria sem dúvida alguma nenhum direito a um «mais»; as suas aspirações supremas permaneceriam insatisfeitas, e a impotente rivalidade para com o Criador assim como a tentação satânica de o imitar não deixariam de ter uma aparência de «justificação». Mas porque Deustudo deu aos homens e porque, pelo seu Espírito, ele quer introduzi-los na sua própria vida divina, eles podem tornar-se «como Deus» num sentido muito mais realista do que a ilusão prometida pela voz tentadora da mimésis. Assim se desmascara o extremo absurdo da mimésis por avidez que quer apoderar-se por si mesma daquilo que Deus quereria dar por livre vontade.

A misteriosa unidade do homem

A imediatidade «quase-osmótica» dos modelos mostra intensamente que os homens não se bastam a si mesmos em nenhum domínio do seu ser, mas que têm em tudo e totalmente necessidade dos outros. O livro do Génesis descreve uma forma positiva deste enviar para outrem, quando conta que Deus deu a Adão uma «ajudante» e que os dois vieram a ser «uma só carne» (Génesis 2, 18-24). Mas esta forma de unidade não podia impedir um desejo mais profundo, como o mostra a narração da queda. A história de Israel também atesta que a mimésis por avidez, a rivalidade e a violência não podem ser superadas apenas pela atracção dos sexos um pelo outro. O profeta Miqueias faz mesmo uma advertência: «mesmo àquela que dorme nos teus braços não abras a tua boca» (Miqueias 7, 5). O ser humano não pode ser verdadeiramente feliz a não ser que, sem entrar ao mesmo tempo em conflito com o seu «tu» que o satisfaz plenamente (Deus ou ser humano), o seu coração «de pedra» se transforme em coração de «carne» (Ezequiel 36, 26). Sucede que este «coração de carne» é, no fim de contas, o coração trespassado de Jesus-Cristo que, na força do Espírito, está totalmente aberto a Deus e que, ao mesmo tempo, pode ser recebido pelos fiéis na comunhão. Este «tu» é mais interior aos homens do que o seu próprio eu («Não sou eu que vivo, é Cristo que vive em mim», Gálatas 2, 20), por isso ele pode ajudá-los a acolher um «tu» sem rivalidade, porque é ele mesmo o verdadeiro «tu» que satisfaz completamente. Pela comunhão do Corpo de Cristo que sofreu, edifica-se esse corpo que comporta cabeça e membros (1Coríntios 12, 14). Neste corpo, a unidade com este Deus e a unidade dos homens entre si é tão grande que todo o verdadeiro desejo humano é finalmente saciado e a problemática damimésis é superada na raiz, porque o bem que satisfaz plenamente está mais imediatamente próximo dos homens do que todos os modelos exteriores, que nunca o podem estar. A questão da imitação revela-se, no mais profundo, ser assim uma indicação dada sobre o mistério da unidade inconcebível dos homens entre si e com Deus.

Raymond SCHWAGER, s.j. – Innsbruck, Áustria
tradução de Jorge Mendonça

[1]René Girard, To double business bound. Essays on Literature, Mimesis and Anthropology. The John Hopkins University Press, Baltimore and London, 1978, p.89.
[2] René Girard, Mensonge romantique et vérité romanesque. Paris, 1961, pp. 181-196.
[3] R. Pesh, Das Abendmahl und Jesu Todesverständnis, Herder Verlag, 1976, p. 106.
[4] Cf. R. Schwager, «Der Sieg Christi über den Teufel», Zeitschrift für katolische Theologie, 103 (1981), pp. 156-177.
[5] René Girard, Des choses cachées depuis la création du monde.Recherches avec J. M. Oughoulian et Guy Lefort. Paris, 176, p. 452.
[6] Ibid., p. 453.
[7] Bonhoeffer começa a sua obra constatando que «a graça a baixo custo é a inimiga mortal da nossa Igreja… A graça a baixo custo é a graça considerada como uma mercadoria a saldar, o perdão com desconto, a consolação com desconto, o sacramento com desconto… A graça a baixo custo é a graça considerada enquanto doutrina, enquanto princípio, enquanto sistema…» D. Bonhoeffer, op. cit., p. 19.
[8] D. Bonhoeffer, op.cit., p. 68.
[9] L. Poliakov, La Causalité diabolique. Du joug mongol à la victoire de Lénine, 1250-1920. Paris, 1985.
[10] Ibid., pp. 119, 132, 135, 138, 141s, 152.
[11]Manuel de Diéguez, L’Idole monothéiste. Paris, 1981. O autor não pode ver senão, no acto sacrificial de Cristo, uma subtil e perversa imitação dos sangrentos sacrifícios humanos.

A caridade sem preço, sem peso e sem fim

Se Deus é amor, a caridade não deve ter fim

Diz o Senhor no Evangelho de João: Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos, se tiverdes amor uns aos outros (Jo 13,35). E também se lê numa Carta do mesmo Apóstolo: Caríssimos, amemo-nos uns aos outros, porque o amor vem de Deus e todo aquele que ama nasceu de Deus e conhece Deus. Quem não ama, não chegou a conhecer Deus, pois Deus é amor (1Jo 4,7-8).

Examine-se a si mesmo cada um dos fiéis, e procure discernir com sinceridade os mais íntimos sentimentos de seu coração. Se encontrar na sua consciência algo que seja fruto da caridade, não duvide que Deus está com ele; mas esforce-se por tornar-se cada vez mais digno de tão grande hóspede, perseverando com maior generosidade na prática das obras de misericórdia.

Se Deus é amor, a caridade não deve ter fim, porque a grandeza de Deus não tem limites. Para praticar o bem da caridade, amados filhos, todo o tempo é próprio. Contudo, estes dias da Quaresma, a isso nos exortam de modo especial. Se desejamos celebrar a Páscoa do Senhor com o espírito e o corpo santificados, esforcemo-nos o mais possível por adquirir essa virtude que contém em si todas as outras e cobre a multidão dos pecados.

Ao aproximar-se a celebração deste mistério que ultrapassa todos os outros, o mistério do sangue de Jesus Cristo que apagou as nossas iniquidades, preparemo-nos em primeiro lugar mediante o sacrifício espiritual da misericórdia; o que a bondade divina nos concedeu, demo-lo também nós àqueles que nos ofenderam.

Seja, neste tempo, mais larga a nossa generosidade para com os pobres e todos os que sofrem, a fim de que os nossos jejuns possam saciar a fome dos indigentes e se multipliquem as vozes que dão graças a Deus. Nenhuma devoção dos fiéis agrada tanto a Deus como a dedicação para com os seus pobres, pois nesta solicitude misericordiosa ele reconhece a imagem de sua própria bondade.

Não temamos que essas despesas diminuam nossos recursos, porque a benevolência é uma grande riqueza e não podem faltar meios para a generosidade onde Cristo alimenta e é alimentado. Em tudo isso, intervém aquela mão divina que ao partir o pão o faz crescer, e ao reparti-lo multiplica-o.

Quem dá esmola, faça-o com alegria e confiança, porque tanto maior será o lucro quanto menos guardar para si, conforme diz o santo Apóstolo Paulo: Aquele que dá a semente ao semeador e lhe dará pão como alimento, ele mesmo multiplicará vossas sementes e aumentará os frutos da vossa justiça (2Cor 9,10), em Cristo Jesus, nosso Senhor, que vive e reina com o Pai e o Espírito Santo pelos séculos dos séculos. Amen.

S. Leão Magno
publicado por SNPC

Quaresma: a grande limpeza da Primavera

Reaprender a arte da procura (II)

«Ou qual é a mulher que, tendo dez dracmas, se perde uma, não acende a candeia, não varre a casa e não procura cuidadosamente até a encontrar? E, ao encontrá-la, convoca as amigas e vizinhas e diz: “Alegrai-vos comigo, porque encontrei a dracma perdida.” Digo-vos: Assim há alegria entre os anjos de Deus por um só pecador que se converte.» (Lucas 15, 8-10)

Varrer
Varrer é um verbo ativo. Não fico apenas a lamentar o sucedido. Aceito «varrer», limpar, transformar, aclarar. Amontoam-se poeiras e desordens de todo o tipo. Penso, muitas vezes, no minúsculo planeta do Principezinho, a personagem criada por Saint-Exupéry.
«Como em todos os planetas, no planeta do Principezinho havia ervas boas e ervas daninhas e, logo, sementes boas de ervas boas e sementes daninhas de ervas daninhas. Mas as sementes são invisíveis. Dormem no segredo da terra até que a uma lhe dê para acordar... Então, espreguiça-se e começa a lançar timidamente um pequeno rebento inofensivo e encantador em direção ao Sol. Se é um rebento de rabanete ou de roseira, pode crescer à vontade. Mas mal se perceba que é de uma planta daninha, é preciso arrancá-lo imediatamente. No planeta do Principezinho havia umas sementes terríveis... eram as sementes de embondeiro. O solo estava infestado delas. Ora, se só se reparar num embondeiro quando este já for bastante grande, nunca mais ninguém se vê livre dele. Atravanca o planeta todo. Esburaca-o com as raízes. E um planeta muito pequeno, com muitos embondeiros, acaba fatalmente por explodir. "É uma questão de disciplina", dizia-me, dias depois, o Principezinho. "De manhã, quando nos levantamos, lavamo-nos e arranjamo-nos, não é? Pois lá também é preciso ir limpar e arranjar o planeta"... Às vezes, não faz mal nenhum deixar um trabalho para depois. Mas com os embondeiros, é sempre uma catástrofe. Uma vez fui a um planeta habitado por um preguiçoso. Não esteve para se ralar com três arbustos...»
Mesmo se a nossa vida se parece a um ínfimo planeta, os trabalhos são inúmeros e diários. No fundo, trata-se de aceitar que a vida reclama de mim, nesta hora, um enérgico sim. Tenho de lutar para ser eu. Se não varrer a minha casa, ela deixa de ser habitável, deixa de ser minha...
No diário de Paul Claudel há uma frase curiosa: «A vida espiritual não é uma questão de portas, mas de janelas.» De facto, não se trata de sair do que sou ou de buscar na exterioridade a solução, mas de abrir as jane­las e deixar o ar de Deus entrar, deixar circular o vento do Espírito.

Procurar cuidadosamenteA nossa procura de conversão não é exterior. Não pretendemos chegar a fazer uma tabela ou uma lista onde amontoamos as nossas imperfeições, como se entre elas não existisse um nexo... e nesse nexo não estivesse, de facto, o que eu sou. Há razões de fundo e obstáculos interiores em nós que é necessário identificar. «Procurar cuidadosamente», ensina a mulher da parábola. Nós também temos de ir ao fundo e procurar a raiz daquilo que nos desvitaliza espiritualmente. Talvez seja um enorme, um terrível medo... Talvez seja uma insegurança fundamental no amor de Deus... Talvez me falte a confiança e também, por isso, a minha coragem é incipiente... Talvez tudo nasça de uma incapacidade de perdoar, isto é, de sobrepor às feridas e humilhações sofridas a certeza de que o amor é o único bem... Eu procuro cuidadosamente. Pudéssemos nós dizer com Santa Teresa Benedita da Cruz: «A minha procura da verdade foi autenticamente uma oração.»

Alegrai-vos comigoA reconciliação ficaria inacabada se ela não desembocasse num reencontro com a alegria. Muitas vezes, a alegria é circunstancial: contamos ou ouvimos uma história engraçada, há uma situação divertida que se cria, etc. Mas a mulher alude a uma coisa diferente quando diz: «Alegrai-vos comigo.» Há uma genuína e transbordante alegria por aquilo que Deus faz acontecer em nós: a revitalização surpreendente e pascal da nossa vida. A alegria não é, então, um aparato exterior, mas nós próprios nos tornamos motivo de alegria uns para os outros, uma alegria sentida não apenas na terra, mas que invade os próprios céus.

José Tolentino Mendonça
In O tesouro escondido, ed. Paulinas, publicado por SNPC

A grande Semana dos cristãos

São dezenas os textos que tenho vindo a guardar e que nos ajudam a meditar o mistério da Paixão e da Páscoa. Ao longo desta Semana Santa, a grande semana dos cristãos, irei carregar o blogue com uma selecção de textos que ajudam a aprofundar os Mistérios que são o fundamento da nossa fé.

sexta-feira, 30 de março de 2012

Paixão segundo S. João, Bach

A abertura da Paixão segundo S. João de Bach, com o coral "Herr, unser Herrscher"

Duas propostas para aprofundar a Paixão de Cristo


Leitura dos 4 textos da Paixão e  Bach

Amanhã, sábado dia 31 de Março de 2012, há uma tarde de escuta e reflexão no Mosteiro das Monjas do Lumiar. Começa às 15h30 e será feita a leitura integral dos 4 textos da Paixão pelo actor Luís Miguel Cintra. Cada um dos textos terá uma introdução a cargo do Fr. Mateus Cardoso Peres, O.P.

Hoje às 19h e amanhã às 21h ainda é possível ouvir no grande auditório da Gulbenkian a Paixão segundo S. João de Johan Sebastian Bach. Michel Corboz dirige o coro e orquestra da Gulbenkian.

Moradas de Deus: 2 anos de vida

Vittorio Carvelli
O blogue moradasdedeus conta dois anos de vida. 

80.886 pessoas visitaram o blogue. A mensagem mais lida é ricky martin quer casar quando todos os porto-riquenhos puderem fazê-lo (15.346 leituras) e a página mais popular é eles são católicos, homossexuais e praticam, a entrevista que provocou o nascimento do blogue. Veio do Brasil a maioria das visitas ao blogue, logo seguido por Portugal. Estados Unidos da América vem em terceiro lugar neste Top 10 da origem dos leitores, seguido pela Alemanha em 4º, a Espanha em 5º, o Reino Unido em 6º, França em 7º, Holanda em 8º. O nono país com mais visitas ao blogue é africano (Angola) e o 10º lugar é ocupado pela Itália.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Nos EUA, o primeiro pastor presbiteriano homossexual

São Sérgio e São Baco
Igreja Presbiteriana ordena primeiro pastor homossexual

A Igreja Presbiteriana dos Estados Unidos ordenou oficialmente pela primeira vez um pastor assumidamente homossexual.

Scott Anderson, de 56 anos, natural de Madison, no Wisconsin, foi hoje ordenado pastor numa cerimónia que contou com presença de centenas de apoiantes.

Ao afirmar que pensou que este dia nunca chegaria, Scott Anderson referiu, em declarações à WISC-TV, estar grato pela oportunidade.

Scott Anderson serviu como pastor em Sacramento, na Califórnia, de 1983 até 1990, altura em que um casal descobriu e ameaçou revelar a sua orientação sexual obrigando-o a renunciar ao posto que detinha na congregação.

A situação mudou, em Maio do ano passado, quando a assembleia nacional da Igreja Presbiteriana concordou em levantar a proibição, abrindo caminho à sua ordenação.

por Lusa a 9 Outubro 2011
publicado in DN

Sentimentos, olhares, afectos

Dia dos Namorados: sentimentos, olhares e afetos

Verdade, verdade é que os sentimentos são um atraso de vida.
Paralisam ou põem tudo em rodopio.
Estremecem.
Tiram de órbita.
Afundam e ressuscitam.
Fazem rodar as quatro estações.
Na mesma tarde.
Acreditam?

Verdade, verdade é que os sentimentos atrasam. Deixam o trabalho para depois.
Despistam.
Aproximam o pó das estrelas e distanciam o pó das sebentas.
Que fazer?
Suspiros. Olhares. Olhinhos.
A linguagem passa perigosamente ao estado diminutivo sempre que os sentimentos perigosamente se expandem.
O pior é que nem pela ironia se dá.

Mas a verdade, a grande verdade é que os sentimentos interessam.
Tornam-nos gente.
Ensinam-nos a ser.
Pedem de nós o que trazemos de único e de irrepetível.
E preparam-nos para querer, para desejar receber o mesmo.
Do outro. Da outra.
Um comércio puro, gratuito.
Tão diferente, tão distante
dos rotineiros comércios. (...)

A qualidade do nosso estar, aqui ou noutro lado, as coisas
que temos ou que gostamos mesmo de aprender, os 
outros com que vamos tecendo o quotidiano, o sentido 
mais profundo que buscamos emprestar à nossa vida
dão-nos estofo. Firmeza interior.
Capacidade de construir.

Não aconteça sermos nós
uns atrasos de vida que fazem emperrar
os essenciais sentimentos.

José Tolentino Mendonça

publicado in SNPC

Carta de LGBT cristãos ao Papa Bento XVI

Uma carta escrita por cristãos LGBT em Maio de 2011, alertando o Papa da violação dos direitos humanos básicos das pessoas LGBT ...

Lê-la aqui.

A homossexualidade pode anular um casamento católico


Uma notícia no mínimo curiosa. Será que já inventaram um termómetro para medir a homossexualidade?

Igreja analisa 'grau' de homossexualidade para anular casamentos
A declaração de nulidade de um casamento em que um dos cônjuges é homossexual depende do «grau» em que se encontra, disse hoje à Lusa o presidente da Associação Portuguesa de Canonistas (APC).

«A orientação que temos é que deve ser feita uma perícia psiquiátrica» para aferir se se trata «de uma homossexualidade prevalente ou exclusiva, ou algo de acidental», precisa o cónego Joaquim da Assunção Ferreira, que coordenou o VII Encontro Nacional sobre Causas Matrimoniais, que terminou hoje em Fátima.

Joaquim da Assunção Ferreira explica que há uma escala e que os últimos «graus» tornam a pessoa em causa «incapaz de realizar funções conjugais». Em causa estão os «graus» em que as pessoas são «predominantemente homossexuais, os só acidentalmente heterossexuais e os exclusivamente homossexuais».

Pelo contrário, os «exclusivamente heterossexuais, só acidentalmente homossexuais, predominantemente heterossexuais» e os que são «igualmente uma e outra coisa» podem ser considerados como aptos para «desempenhar perfeitamente os papéis e os fins do matrimónio».

Afinal, «a pessoa pode não ser um heterossexual puro, mas, se algumas tendências pouco significativas existirem, esse matrimónio certamente que se manterá», desde que o indivíduo assuma que «a obrigação dele é viver em castidade [homossexual] e corrigir», argumenta o cónego, que é também vigário Judicial do Tribunal Diocesano de Lamego.

O presidente da APC opina que «há a possibilidade em medicina de correcção, mas não tem sido muito eficaz» porque «a natureza é muito forte», acrescentando que «o psiquiatra pode medir-lhe o grau [de homossexualidade] e receitar algo [medicamentos] que lhe permita recusar essa tendência que o próprio mostre vontade de eliminar».

O VIII Encontro Nacional sobre Causas Matrimoniais teve início na quinta-feira e encerrou hoje em Fátima, organizada pela APC, associação que integra 185 membros.

A iniciativa dirigiu-se a membros dos tribunais eclesiásticos – juízes, defensores do vínculo, notários e advogados -, sacerdotes, psiquiatras e «juristas civis interessados».

O novo presidente da APC, eleito na sexta-feira, e coordenador do encontro, revela que neste momento existem cerca de 150 pedidos de nulidade de casamento nos tribunais eclesiásticos, e que em média os processos esperam entre 18 meses a dois anos para obter uma sentença em primeira instância.

Os motivos invocados mais frequentemente são relativos à «incapacidade por causa psíquica», mas também «à exclusão de elementos essenciais do matrimónio», que vai desde existência de um(a) amante antes do casamento, recusa prévia de ter filhos ou de não assumir o casamento para toda a vida, por exemplo.

Joaquim de Assunção Ferreira diz que «a Igreja sente uma descristianização crescente» e observa «uma mentalidade divorcista», mas lembra que a Igreja continuará a afirmar a sua doutrina e possui muita oferta tanto para a preparação de casamentos, como para a sua consolidação.

in Lusa/SOL, a 12 de Setembro de 2011


Quem foi S. Valentim?

São Valentim, mártir e protetor dos namorados

A informação mais antiga de São Valentim (175-273) está num documento oficial da Igreja dos séculos VI-VII onde aparece o aniversário da sua morte. No século VIII um outro documento narra alguns detalhes do martírio: a tortura, a decapitação noturna, e a sepultura.

Outros textos do século VI referem que São Valentim, cidadão e primeiro bispo da cidade italiana de Terni, tornado célebre pela santidade da sua vida, caridade e humildade, pelo apostolado zeloso e pelos milagres, foi convidado a ir a Roma por Cratone, orador grego e latino, para que curasse o filho doente há alguns anos. Curado o jovem, converteu-o ao cristianismo juntamente com a família e o filho do prefeito.

Preso sob o imperador Aureliano foi morto a 14 de fevereiro de 273. O seu corpo foi enterrado à pressa num cemitério a céu aberto a pouca distância de Roma para evitar sublevações por parte dos cristãos. Três discípulos exumaram o corpo poucas noites após a execução e levaram-no para Terni, então denominada Interamna, 100 km a norte de Roma e deram-lhe sepultura digna da veneração que lhe era dedicada pelos cristãos.

A festa do bispo e mártir Valentim liga-se aos antigos festejos gregos, itálicos e romanos que ocorriam a 15 de fevereiro em honra de deuses pagãos. Estas celebrações relacionavam-se com a purificação dos campos e os ritos de fecundidade. Tendo-se tornado demasiado licenciosas, foram proibidas pelo imperador Augusto e mais tarde suprimidas por Gelásio em 494.

A Igreja cristianizou os ritos pagãos da fecundidade, antecipando-os para 14 de fevereiro e atribuiu ao mártir a capacidade de proteger os noivos e namorados que se destinavam ao matrimónio e às uniões com filhos. Uma das lendas associadas ao bispo diz que São Valentim oferecia rosas aos pares de noivos para lhes desejar uma união feliz.

Em Terni a Fundação São Valentim programa em fevereiro várias iniciativas de fé, cultura, arte e ciência, com espetáculos e divertimentos. A diocese promove a entrega do Prémio São Valentim, que em 2012 foi para o arcebispo de Saravejo, cardeal Vinko Puljíc.

Durante a guerra da Bósnia distinguiu-se pela «defesa dos direitos inalienáveis da pessoa humana, arriscando ainda a vida», refere o site da diocese, acrescentando que ficou detido durante 12 horas por militares sérvios.

Nas missas solenes celebradas na basílica de Terni nos domingos de 19 e 26 de fevereiro vão ser abençoados os casais que em 2012 assinalam respetivamente 25 e 50 anos de casamento.

Diocese de Terni Narni Amelia
in SNPC

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

O Natal dos primeiros cristãos

Na página do SNPC há uma entrada do Fr. Isidro Lamelas sobre o Natal dos primeiros cristãos que quero partilhar com os leitores deste blogue. A forma como os padres da Igreja o viviam e como reflectiram sobre o sentido do nascimento do Menino Deus é uma fonte de inspiração para os cristãos do século XXI viverem em profundidado este Mistério Natalício. (Ler mais em http://www.snpcultura.org/natal_primeiros_cristaos.html)

Cito alguns excertos:
«No firmamento brilhou uma estrela maior do que todas as outras! A sua luz era indescritível. A sua novidade causou estranheza. Mas todos os demais astros, incluindo o Sol e a Lua, fizeram coro à Estrela. Esta, porém, ia arremessando a sua luz por sobre todos os demais. Houve, por isso, agitação. Donde lhes viria tão estranha novidade? Desde então, desfez-se toda a magia; suprimiram-se todas as algemas do mal. Dissipou-se toda a ignorância; o primitivo reino corrompeu-se, quando Deus se manifestou humanamente para a novidade de uma vida eterna».

« (...)que aprendamos a tornar-nos ricos nele que se fez pobre por nós; que busquemos nele a liberdade, tendo Ele mesmo assumido por nós a condição de servo; que entremos na posse do céu, tendo Ele por nós surgido da terra».

«Jesus é o novo sol que atravessa as paredes, invade os infernos, perscruta os corações. Ele é o novo sol que com os seus espíritos faz reviver o que está morto, restaura o que está velho, levanta o que está decadente e purifica ainda, com o seu calor, aquilo que é impuro, aquece o que está frio e consome o que o que não presta».

«Preparemo-nos pois, irmãos, para acolher o natal do Senhor, adornemo-nos com vestes puras e elegantes! Falo, claro está, das vestes da alma, não do corpo… Adornemo-nos não com seda, mas com obras boas! Pois as vestes elegantes ornam o corpo, mas não podem adornar a consciência; pois seria muito vergonhoso trazer sob elegantes vestes elegantes, uma consciência contaminada. Procuremos acima de tudo embelezar os nossos afetos íntimos, e poderemos então vestir belas roupas; lavemos as manchas da alma para usarmos dignamente roupas elegantes! »

«Ele está deitado numa manjedoura, mas contém o universo inteiro; mama num seio materno, mas é o pão dos anjos; veio em pobres panos, mas reveste-nos de imortalidade; é amamentado, mas é também adorado; não encontrou lugar na estalagem, mas constrói para si um templo no coração dos seus fiéis. Tudo isto para que a fraqueza se tornasse forte e a prepotência se tornasse fraqueza. Por isso, não só não menosprezamos, mas mais admiramos o seu nascimento corporal e reconhecemos neste acontecimento quanto a sua imensa dignidade se humilhou por nós».

ALELUIA

postal de Natal do SNPC 2011
poema inédito de Jorge Sousa Braga, fotografia de Rui Aleixo

O Advento dos Cristãos

Se o Advento não for, concretamente, tempo de preparação da vinda de Cristo, mentimo-nos como cristãos, traímos o anúncio da Boa-Nova. E preparar a vinda de Cristo implica tentar todos os dias, cada dia, pôr o Evangelho na vida. Nós cristãos contentámo-nos, com um sacramentalismo que não andou de par com a leitura da Escritura. Explico-me: a falta de leitura da Palavra não nos abre às exigências concretas contidas nos Evangelhos ou nas epístolas. Somos cristãos de prática religiosa, rotineira ou cristãos vagamente vocacionados para um anúncio teórico e utópico da BoaNova. Somos sociologicamente bons burgueses, como os outros, esquecidos da nossa condição de batizados ou seja de portadores de uma mensagem de salvação, que é a de Cristo. (...) Como vamos nós anunciar, hoje, em Portugal,

Maria de Lourdes Belchior

imagem de Rui Aleixo para a Capela do Rato (dezembro 2011)

in SNPC 

A expectativa do mistério de Deus


Sentinelas que esperamos a aurora

Quando descobrimos nas nossas vidas a importância do mistério de Deus, entrámos em expectativa. A resposta que é dada a esta espera não consiste em satisfazê-la, mas em aprofundá-la mais. Aí alcançamos o que há de mais espantoso na relação do homem com o mistério de Deus: se este mistério se anuncia em nós, ele não suprime a carência que nos permitiu estarmos atentos a esta revelação. Se o mistério de Deus se revela a partir da expectativa, não é suprimindo a expectativa, é tornando-a mais quotidiana, mais permanente, mais necessária. Por exemplo, o amor não satisfaz a expectativa do amor, a aproximação da verdade não diminui a paixão da verdade. Bastar-nos-ia então estar apaixonados pela verdade para que a nossa vida fosse verdadeira, ser desejosos de amor para amar e ser amado, estar na expectativa do mistério de Deus para que Deus seja presente em nós?

A atitude espiritual que então seria a nossa consistiria em esperar a revelação de Deus mais do que pretender possuir as certezas dela. De qualquer modo, àqueles que estão pouco certos de estarem certos, é proposto serem, na noite, sentinelas que esperam a aurora. Não nos é pedido que tenhamos fé como se possuíssemos o mistério de Deus, mas que sejamos sentinelas que sabem que a noite é a noite e que esperam que a aurora será a aurora. Na paciência que precede o dia, estamos atentos a essa experiência espiritual do mistério de Deus em nós, e estamos dispensados de pronunciar o seu nome.

Mas nós lembramo-nos do seu nome, quando perdemos o rasto. Como é espantoso poder evocar a memória do seu nome, precisamente quando somos os seres do começo, há pouco anunciados. Talvez esteja aí o futuro da fé: Deus é sempre vindouro. Se não houvesse a noite e o dia, as idades e as estações, a alegria e o cansaço, teríamos a «fé dos anjos». A nossa fé é a do tempo do homem, da evidência da juventude à idade madura em que se descobre que a impaciência do tempo se tornou paixão da interioridade.

Sentinelas dessa madrugada que nasce entre nós… Atentos a essas palavras que não podemos pronunciar, que quereriam dizer tudo aquilo que somos e que se entregam num olhar, num silêncio, numa emoção contida. Sentinela do nosso ser que desperta, sentinela do outro, da sua felicidade, e sentinela junto da infelicidade do outro.

Tudo nos vem por reflexo, por eco, por transparência. Entre aquilo que ignoramos do infinito de Deus e aquilo que descobrimos de nós mesmos, nós penetramos no universo maravilhoso das correspondências. Captá-las quando elas passam é a contemplação de que somos capazes.

Bernard Feillet – Les arbres dans la mer. Paris, DDB, 2002, p.70-72.

domingo, 24 de julho de 2011

Um Papa aberto ao mundo da Arte

Discurso de Bento XVI na inauguração da exposição "O esplendor da verdade, a beleza da caridade"


Senhores Cardeais,
Venerados Irmãos no Episcopado e no Sacerdócio,
Caros Amigos,

é para mim uma grande alegria encontrar-vos e receber a vossa homenagem criativa e multifacetada por ocasião do 60.º aniversário da minha ordenação sacerdotal. Sou-vos sinceramente grato pela vossa proximidade nesta ocasião tão significativa e importante para mim. Na celebração eucarística do passado 29 de junho, Solenidade dos Santos Apóstolos Pedro e Paulo [dia do 60.º aniversário da ordenação sacerdotal de Bento XVI], agradeci ao Senhor pelo dom da vocação sacerdotal. Hoje agradeço-vos pela amizade e gentileza que me manifestastes. Saúdo cordialmente o Cardeal Angelo Sodano, decano do sacro Colégio [Cardinalício], e o Cardeal Gianfranco Ravasi, presidente do Conselho Pontifício da Cultura, que, juntamente com os seus colaboradores organizaram esta singular manifestação artística, e agradeço-vos pelas palavras amáveis que me dirigiram. Endereço também a minha saudação a todos os presentes, de modo particular a vós, caros artistas, que acolhestes o convite para a apresentar uma criação vossa nesta mostra.

O nosso encontro de hoje, no qual tenho a alegria e a curiosidade de admirar as vossas obras, pretende ser uma nova etapa deste percurso de amizade e diálogo que estabelecemos a 21 de novembro de 2009, na Capela Sistina, um acontecimento que trago ainda gravado no coração. A Igreja e os artistas tornam a encontrar-se, a falar-se, a sustentar a necessidade de uma conversa que quer e deve tornar-se sempre mais intensa e articulada, mesmo para oferecer à cultura, sobretudo às culturas do nosso tempo, um exemplo eloquente de diálogo fecundo e eficaz, orientado para tornar este nosso mundo mais humano e mais belo.
Hoje apresentais-me o fruto da vossa criatividade, da vossa reflexão, do vosso talento, expressões dos variados âmbitos artísticos que representais: pintura, escultura, arquitetura, joalharia, fotografia, cinema, música, literatura e poesia. Antes de as admirar juntamente convosco, permiti-me que nos detenhamos um breve momento sobre o sugestivo título desta Exposição: “O esplendor da verdade, a beleza da caridade”. Precisamente na homilia da missa pro eligendo pontifice [eucaristia para a eleição pontifícia, em 18.4.2005, presidida por Bento XVI, então cardeal Joseph Ratzinger], comentei a bela expressão de São Paulo da Carta as Efésios “veritatem facientes in caritate” (4,15), e disse que “fazer a verdade na caridade” como uma fórmula fundamental da existência cristã. E acrescentei: “Em Cristo, coincidem verdade e caridade. Na medida em que nos aproximamos de Cristo, também na nossa vida, verdade e caridade fundem-se. A caridade sem verdade seria cega; a verdade sem caridade seria como "um címbalo que retine" (1 Cor 13, 1).”

É da união, eu diria da sinfonia, da perfeita harmonia de verdade e caridade, que emana a autêntica beleza, capaz de suscitar admiração, deslumbramento e alegria verdadeiras no coração dos homens. O mundo em que vivemos tem necessidade de que a verdade resplandeça e não seja ofuscada pela mentira ou pela banalidade; tem necessidade de que a caridade se incendeie e não seja vencida pelo orgulho e pelo egoísmo. Precisamos que a beleza da verdade e da caridade atinja o íntimo do nosso coração e o torne mais humano.
Caros amigos, gostaria de renovar a vós e a todos os artistas um apelo amigo e apaixonado: nunca separeis a criatividade artística da verdade e da caridade, nunca procureis a beleza longe da verdade e da caridade, mas com a riqueza do vosso génio, do vosso impulso criativo, sede sempre, com coragem, buscadores da verdade e testemunhos da caridade; fazei resplandecer a verdade nas vossas obras e fazei de modo que a sua beleza suscite no olhar e no coração de quem as admira o desejo e a necessidade de tornar bela e verdadeira a existência, toda a existência, enriquecendo-a daquele tesouro infalível, que faz da vida uma obra-prima e de cada homem um extraordinário artista: a caridade, o amor.

O Espírito Santo, artífice de toda a beleza que há no mundo, vos ilumine sempre e vos guie para a Beleza última e definitiva, que aquece a nossa mente e o nosso coração e que esperamos poder contemplar um dia em todo o seu esplendor. Uma vez mais, obrigado pela vossa amizade, pela vossa presença e por trazeres ao mundo um raio desta Beleza, que é Deus. De todo o coração vos concedo, aos vossos queridos e a todo o mundo da arte a minha Bênção Apostólica.

Bento XVI
Vaticano, 04.06.2011
Trad.: Rui Martins
in SNPC | 05.07.11 

Pensar a crise

Os Encontros do Lumiar (nas Monjas Dominicanas) do próximo ano vai abordar o tema Do Bom uso das Crises.

Programa:


15,30 H. CONFERÊNCIA
Seguida de debate e intervalo para o chá
EUCARISTIA

22 Out. É este o tempo de semear?
Serão as crises uma oportunidade?
P. Anselmo Borges

12 Nov. “Entre a dor e o riso”
Tempos interiores de mudança
Leonor Xavier e Alice Vieira

17 Dez. O elogio das crises de Fé
P. José Tolentino Mendonça

14 Jan. Da necessidade do caos para gerar
a estrela que dança
Uma conversa sobre economia
João Meneses

11 Fev. Crise e esperança no itinerário
espiritual de Etty Hillesum
P. Nélio Pita

10 Mar. A crise Pascal e a refiguração
do mundo
Isabel Allegro de Magalhães

12 Maio A crise como caminho para
a Sabedoria em José Augusto Mourão
Teresa Cruz

23 Jun. Viver no aberto de Deus e do mundo
P. José Tolentino Mendonça

25 -29 Jun. TARDES DE RETIRO
P. José Tolentino Mendonça


Num tempo em que escasseiam os mestres, não serão as crises os grandes mestres que têm alguma
coisa a ensinar-nos? É verdade que as crises representam, muitas vezes, aprendizagens interiores e históricas difíceis, para as quais raramente nos considerámos preparados. Mas não escutar, aturadamente, o que as crises nos dizem é desperdiçar uma oportunidade para aceder àquela profundeza que pode devolver sentido à vida.
Talvez precisemos compreender que, no decurso do nosso caminho, colectivo e pessoal, as crises nos
acontecem para que seja evitado algo pior. E pior o que é? Christiane Singer escreve: «O pior é ter tido a infelicidade de atravessar a vida sem naufrágios, é ter ficado apenas à superfície das coisas, ter dançado um enganador baile de máscaras, ter ficado a chapinhar na rasura do diz que diz, das meras aparências e nunca ter habitado uma vida que lhe pertencesse.»
Pe. José Tolentino de Mendonça

Contactos:
Mosteiro de Santa Maria
Quinta do Frade, à Praça Rainha Dª Filipa
1600-681 LISBOA
Tel.: 21 758 96 12
e-mail: monjas.op.lisboa@sapo.pt

Descansar sem "fechar para férias"

Vá para fora por dentro!
Tempo de férias, tempo de paragem. Tempo de passear, de ler, de fazer o que se quiser. Ir à praia, fazer uma viagem, ir visitar os amigos, encontrar alguém da família. Também pode ser um tempo para ficar simplesmente em casa, de arrumar tudo o que se foi acumulando ao longo do ano, de fazer limpezas a fundo, de pôr as coisas de novo em ordem. Talvez este ano seja mesmo um tempo em que muitos ficarão mais por casa.

“Vá para fora cá dentro!”, ouvimos nos anúncios de promoção do turismo em Portugal. Em tempo de crise, esta é capaz de ser mesmo uma grande oportunidade de passear mais no nosso país, de descobrir toda a sua beleza, por vezes ali mesmo ao virar da esquina. Oportunidade para valorizar a serenidade de dias com tempo, sem pressas.

Férias são sobretudo um tempo de descanso, de reparação, de ganhar forças. Por isso, talvez fosse bom encarar estes dias não com a urgência de conseguir encaixar tudo o que se ansiou e sonhou ao longo do ano de trabalho, mas com a expectativa do que nos pode trazer cada dia, deixando-nos levar sem pressas. Em que é que descansamos? O que é que nos descansa de verdade? Pensava como por vezes estamos tão cansados interiormente, tão dispersos, com tanto ruído, com tantas preocupações que nos consomem e tiram ânimo, liberdade, lucidez. Nada que uns dias na praia não resolvam, pensamos nós. Sim, é verdade, os dias na praia com certeza que ajudam a acalmar. Mas o verdadeiro descanso precisa também de uma paragem e de um reencontro interior.

“Vá para fora por dentro!”, este poderia ser o mote para umas férias de fundo, em que a paragem exterior é acompanhada por uma renovação interior. Fazer silêncio e ir abrandando os motores, deixando a poeira assentar, deixando vir ao de cima tudo o que vai ficando abafado com o imediato do dia a dia. Ordenar a vida, arrumar “a casa”, perceber o que me tem vindo a cansar ao longo do ano, perceber onde me encontro, onde descanso, onde me sinto em paz, e onde me sinto dividido. Dar tempo às limpezas internas, deixando o sol entrar bem por todos os poros. Isto sim, é descansar.

Atrevermo-nos a reservar uns dias das nossas férias para pararmos por dentro e descansarmos em Deus, é sem dúvida uma aposta ganha. Não se trata apenas de trazer Deus para as férias, trata-se de reservar um tempo para estar de férias sobretudo com Ele. Nem sempre a vida permite “este tempo”, mas cada um, segundo a sua realidade e as suas possibilidades, pode procurar como pôr este plano em prática, na certeza de que o “vá de férias por dentro” se pode sempre concretizar, por mais magro que seja o nosso orçamento de férias e por menos tempo que tenhamos apenas por nossa conta. Fazer um retiro de fim de semana em algum centro de espiritualidade? Fazer uma peregrinação? Fazer um retiro de silêncio de uma semana? Procurar uma abadia com hospedaria onde possa ter um tempo mais forte de oração e contemplação da natureza? Várias e diversas são as ofertas neste “nicho de mercado”, cada um deverá descobrir o “pacote turístico” que mais lhe convier. Trata-se de pôr a criatividade a funcionar e “partir” para um tempo e espaço tendo como principal bagagem nós próprios.

Encarar as férias como tempo para voltar ao essencial faz com que a nossa atenção fique mais desperta, a nossa sensibilidade mais apurada. Tudo passa a ocupar o lugar que lhe é devido e ficamos mais preparados para viver cada dia agradecidos, enfrentando com mais força as dificuldades que vão surgindo. O regresso ao dia a dia e ao trabalho será mais suave e com mais sentido.

Com estes dias pelo meio, as férias por fora ganham então outra dimensão: o mar na praia envolve-nos na sua imensidão, as montanhas onde fazemos caminhadas falam-nos do mistério da Criação; os jantares e petiscos com os amigos tornam-se espaços de partilha de vida; os dias passados na nossa terra trazem-nos à memória a nossa história; os dias de descanso passados em casa são de facto reparadores. E esta paz de fundo vai-se prolongando no regresso à vida do dia a dia, deixando a marca que nos faz ir percebendo quando devemos parar no meio das correrias, nos curtos espaços de tempo possíveis.

É o Senhor que nos diz “Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, que Eu hei de aliviar-vos. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração e encontrareis descanso para o vosso espírito. Pois o meu jugo é suave e o meu fardo é leve.” (Mt 11, 25-30)Pois é isso mesmo, aqui está um bom convite para estas férias!

Margarida Alvim
Fundação Evangelização e Culturas
In Agência Ecclesia, publicado por SNPC

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Lucian Freud

Morreu um grande homem das artes, foi um marco na pintura do século XX. Chama-se Lucian Freud. A ele presto a minha homenagem e fico-lhe grato pelo contributo que deu ao mundo.

Ler aqui e aqui um artigo sobre a sua vida, obra e morte.

Ver trabalho de Lucian Freud no Porto

Uma das mais famosas pinturas de Lucian Freud, que morreu quarta-feira em Londres, está patente no Espaço Fundação EDP Porto até 23 de outubro, integrada na exposição «My Choice - Obras Selecionadas por Paula Rego na Colecção British Council».

Para conhecer melhor o trabalho de Lucian Freud, pode visitar algumas das suas obras aqui.

sábado, 2 de julho de 2011

Festival ao Largo 2011

O Verão está aí e com ele mais uma proposta cultural

Festival ao Largo 2011 - Exterior ao Teatro S. Carlos
30 Jun a 31 Jul

O Festival ao Largo promete animar as noites de Verão, transformando um dos seus largos mais emblemáticos num palco de excelência, com perto de duas dezenas de espectáculos de música sinfónica, coral-sinfónica e dança entre 30 de Junho e 31 de Julho, sempre às 22h e de entrada gratuita.

Programação Festival ao Largo 2011

30 Jun( 5ª F)
1001 Noites
Orquestra Gulbenkian
Susana Gaspar, soprano
Martin André, direcção musical

2 Jul( Sábado)
Polichinelo e O Amor Feiticeiro
Orquestra Gulbenkian
Patrycja Gabrel, soprano
Joana Nascimento, contralto
Mário João Alves, tenor
João Fernandes, baixo
Pedro Neves, direcção musical

4, 5 Jul( 2ª e 3ª F)
Músicas do Mundo - Canto Harmónico de Tuva
Ensemble TUVA (República de Tuva, Rússia)

7, 8 Jul( 5ª e 6ª F)
Estrelas e Planetas
Orquestra Sinfónica Portuguesa
Coro do Teatro Nacional de São Carlos
Jorge Vaz de Carvalho, barítono
Julia Jones, direcção musical

9, 10 Jul( Sábado e Domingo)
Noite Italiana
Orquestra Metropolitana de Lisboa
Cesário Costa, direcção musical

13, 14 Jul( 4ª e 5ªF)
Diálogos, Piano & Percussão
Mário Laginha e Bernardo Sassetti, piano
Elizabeth Davis, Pedro Carneiro, percussão
Artur Pizarro e Vita Panomariovaite, piano

16, 17 Jul( Sábado e Domingo)
Baile Vienense
Orquestra Sinfónica Portuguesa
Peter Guth, direcção musical

19 Jul(3ªF)
Noites de Ópera: Os Grandes Coros
Coro do Teatro Nacional de São Carlos
Kodo Yamagishi, piano
Giovanni Andreoli, direcção musical

22, 23 Jul( Sábado e Domingo)
Noites de Ópera: Grandes Aberturas
Orquestra Sinfónica Portuguesa
Martin André, direcção musical

27, 28 Jul ( 4ª e 5ª F)
Uma coisa em forma de assim
Companhia Nacional de Bailado
Co-criação de 9 Coreógrafos
Música e Interpretação de Bernardo Sassetti (Piano)

30, 31 Jul( Sábado e Domingo)
Noite de Ronda
Companhia Nacional de Bailado
Olga Roriz, coreografia

S. Bento celebrado em Tibães: cultura no mosteiro

Mosteiro de Tibães evoca S. Bento com música, liturgia e cinema

O Mosteiro de S. Martinho de Tibães, na arquidiocese de Braga, realiza em julho a iniciativa "Mês de S. Bento".

As oito atividades culturais e religiosas, que resultam de uma parceria com a paróquia de Mire de Tibães e a Direção Regional de Cultura do Norte, visam evocar a memória e atualidade de um dos santos padroeiros da Europa, festejado liturgicamente a 11 de julho.

Os eventos têm entrada livre e gratuita, excepto o jantar para o qual é necessária inscrição (25 euros)

Programa

Dia 2
17h30: Concerto: Percursos da Polifonia Sacra (Curso de Licenciatura em Música da Universidade do Minho)

Dia 8
21h30: Cinema: “O Grande Silêncio” (ao ar livre, na plataforma do Claustro do Refeitório)

Dia 9
18h30: Concerto: Percursos dos tempos litúrgicos (Coro Gregoriano do Porto)

Dia 10
18h30: Vésperas I da solenidade de São Bento (presididas pelo arcebispo de Braga, D. Jorge Ortiga)

20h00: Jantar de São Bento (preço de 25 Euros, por inscrição) (Restaurante “L’Éau Vive” de Tibães (ementa monástica, encontrada nos arquivos do Mosteiro de Tibães))

Dia 16
18h30: Concerto: Cappella Bracarensis

Dia 23
21h30: Cinema: “Dos homens e dos deuses” (ao ar livre, na plataforma do Claustro do Refeitório)
Nota: já se escreveu neste blogue sobre este filme. Quem puder ver, não perca a oportunidade!

Dia 24
18h00: Concerto: Capella Musical Cupertino de Miranda (no âmbito do Festival Internacional de Polifonia Portuguesa)

Noites de Verão nos Museus

Palácio de Seteais (nota: este palácio não consta no programa)
5.as à Noite nos Museus. Verão 2011
30 Junho a 8 Setembro 2011

Alguns Museus e Palácios do Instituto dos Museus e da Conservação de Lisboa, Porto, Guimarães e Évora
Horário: 18h00-23h00
Entrada gratuita (algumas actividades requerem pagamento)

Ler aqui o programa, datas e museus

O projecto conta com a abertura nocturna à quinta-feira de alguns Museus e Palácios do Instituto dos Museus e da Conservação (IMC). Ao longo de 9 quintas-feiras, 13 espaços museológicos do IMC vão abrir as suas portas “fora de horas”, proporcionando aos visitantes experiências culturais únicas, numa atmosfera inovadora, que poderão incluir: visitas encenadas, espectáculos de música erudita e popular, dança e teatro.

Região de Lisboa: Casa-Museu Dr. Anastácio Gonçalves; Museu de Arte Popular; Museu Nacional de Arqueologia; Museu Nacional de Arte Antiga; Museu do Chiado /Museu Nacional de Arte Contemporânea; Museu Nacional do Azulejo; Museu Nacional dos Coches; Palácio Nacional da Ajuda; Palácio Nacional de Mafra 

Porto: Museu Nacional Soares dos Reis 

Região Norte (Guimarães): Museu de Alberto Sampaio; Paço dos Duques

Poema português no Vaticano

O padre e poeta José Tolentino Mendonça é um dos 60 convidados para a homenagem dos artistas a Bento XVI, por ocasião do 60.º aniversário da sua ordenação sacerdotal que ocorreu a 29 de junho.

No encontro dos artistas com o Papa que vai decorrer esta segunda-feira, 4 de julho, no Vaticano, o diretor do Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura vai estar presente com um poema, que apresentará pessoalmente a Bento XVI.


O Mistério está todo na infância
E, por fim, Deus regressa
carregado de intimidade e de imprevisto
já olhado de cima pelos séculos
humilde medida de um oral silêncio
que pensámos destinado a perder

Eis que Deus sobe a escada íngreme
mil vezes por nós repetida
e se detém à espera sem nenhuma impaciência
com a brandura de um cordeiro doente

Qual de nós dois é a sombra do outro?
Mesmo se piedade alguma conservar os mapas
desceremos quase a seguir
desmedidos e vazios
como o tronco de uma árvore

O mistério está todo na infância:
é preciso que o homem siga
o que há de mais luminoso
à maneira da criança futura

A tradução para italiano que Bento XVI vai ler foi feita por Manuele Masini.

Tutto il mistero risiede nell’infanzia
E, finalmente, Dio ritorna
carico di intimità e d’imprevisto
i secoli ormai lo osservano dall’alto
umile misura di un orale silenzio
che credevamo destinato alla sconfitta

Ecco che Dio sale la scala ripida
che abbiamo ripetuto mille volte
e si trattiene in attesa senza nessuna impazienza
con la dolcezza di un agnello malato

Di noi due, chi sarà l’ombra dell’altro?
Anche se nessuna pietà conserverà le mappe
scenderemo quasi subito
smisurati e vuoti
come il tronco di un albero

Tutto il mistero risiede nell’infanzia:
è necessario che l’uomo segua
ciò che di più luminoso esiste
come fosse il fanciullo futuro

José Tolentino Mendonça
in SNPC

Porque estou aqui

Sinto-me privilegiado por ter encontrado na Igreja um lugar vazio, feito à minha medida. É certo que tê-lo encontrado (ou encontrá-lo renovadamente, pois não é dado adquirido) foi também mérito da minha sede, do meu empenho, de não baixar os braços e achar, passivamente, que não seria possível. Passo a contextualizar: a comunidade onde vou à missa é pequena e acolhedora, e podia bem não o ser. Ao mesmo tempo, sentia um desejo grande de reflexão de vida cristã e encontrei um casal (heterosexual) que tinha a mesma vontade. Começámo-nos a reunir semanalmente numa pequena comunidade de oração e reflexão que, apesar de crítica, nos tem ajudado a sermos Igreja e a nela nos revermos. Paralelamente, face ao contínuo desencanto em relação a algumas posturas e pontos de vista de uma Igreja mais institucional e hierárquica, tive a graça de encontrar um grupo de cristãos homossexuais, que se reuniam com um padre regularmente, sem terem de se esconder ou de ocultar parte de si.

Sei que muitos cristãos homossexuais nunca pensaram sequer na eventualidade de existirem grupos cristãos em que se pudessem apresentar inteiros, quanto mais pensarem poder tomar parte e pôr em comum fé, questões, procuras, afectos e vidas.

Por tudo isto me sinto grato a Deus e me sinto responsável para tentar chegar a quem não teve, até agora, uma experiência tão feliz como a minha.

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