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A diversidade na Igreja

"A casa do meu Pai tem muitas moradas", diz-nos Jesus no evangelho.

A unidade na diversidade não é sempre aparente na Igreja enquanto povo de Deus, mas é uma realidade em Deus e uma presença na fé cristã desde a sua origem. A Palavra de Deus não é partidária, elitista e exclusiva. O Reino de Deus é como uma árvore que estende os ramos para dar abrigo a todos os pássaros do céu. Cristo não morreu na cruz para salvar uma mão cheia de cristãos. Até o Deus Uno encerra em si o mistério de uma Trindade.

A Palavra de Deus é inequívoca e só pode levar à desinstalação, à abertura ao outro, e a recebê-lo e amá-lo enquanto irmão ou irmã. Ninguém fica de fora, nem mesmo - se tivessemos - os inimigos.

Muitos cristãos crêem nesta Igreja, nesta casa do Pai, corpo de Cristo, templo do Espírito Santo. Mas como esquecer que muitos se sentem "de fora" por se verem rejeitados, amputados e anulados, e afastam-se por ninguém lhes ter mostrado que há um lugar para cada um, com a totalidade do seu ser?

Um blogue para cristãos homossexuais que não desistiram de ser Igreja

Porquê este blogue?

Este blogue é a partilha de uma vida de fé e é uma porta aberta para quem nela quiser entrar. É um convite para que não desistas: há homossexuais cristãos que não querem recusar nem a sua fé nem a sua sexualidade. É uma confirmação, por experiência vivida, que há um lugar para ti na Igreja. Aceita o desafio de o encontrares!

Este blogue também é teu, e de quem conheças que possa viver na carne sentimentos contraditórios de questões ligadas à fé e à orientação sexual. És benvindo se, mesmo não sendo o teu caso, conheces alguém que viva esta situação ou és um cristão que deseja uma Igreja mais acolhedora onde caiba a reflexão sobre esta e outras realidades.

Partilha, pergunta, propõe: este blogue existe para dar voz a quem normalmente está invisível ou mudo na Igreja, para quem se sente só, diferente e excluído. Este blogue não pretende mudar as mentalidades e as tradições com grande aparato, mas já não seria pouco se pudesse revelar um pouco do insondável Amor de Deus ou se ajudasse alguém a reconciliar-se consigo em Deus.

quarta-feira, 26 de outubro de 2016

São Sebastião em imagens (parte 4)


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Carlos de Foucauld, uma lição de gratuidade

O pequeno Charles

Transcrevo um belo texto sobre um grande homem da Igreja e do Mundo

"Desde o primeiro momento em que vi o seu rosto, há mais de 30 anos, percebi que Charles de Foucauld haveria de ter, de uma maneira ou de outra, grande importância para mim. Todos desejamos deixar, com o nosso pensamento e a nossa ação, uma marca neste mundo: criamos famílias, escrevemos livros, fundamos instituições... Poucos, os imprescindíveis, deixam a marca da sua passagem sobre a Terra graças à sua contemplação e à sua paixão. Charles de Foucauld foi sem dúvida um deles. Mais do que fazer, e no entanto fez muito, deixou-se fazer; mais que pensar, e pensou muitíssimo, esvaziou-se a si próprio ao ponto de não ser senão pura recetividade.

O seu rosto, terno e vigoroso ao memo tempo, vincado pelo rigor e da indulgência, é seguramente um espelho fiel da sua alma. Foucauld fez da sua vida uma obra de arte, ou seja, um testemunho eloquente da gratuidade. (...) O rosto deste eremita e missionário reflete a alegria e a gratidão que são os sinais inconfundíveis do verdadeiro amor.

Para mim Foucauld é um padre do deserto contemporâneo (...) A fonte de onde beberam aqueles padres do deserto e que depois deu vida ao movimento hesicasta é a mesma da qual bebe o irmão Carlos, cuja missão - esta é a minha tese - não foi a de fundar algo de radicalmente novo, mas de re-inaugurar para o Ocidente uma via contemplativa que no Oriente cristão não tinha conhecido solução de continuidade, em particular na república monástica do Monte Athos. Na minha visão, Foucauld recebe o colossal encargo de recuperar aquela milenária tradição de sabedoria e de a atualizar. É por isso que a sua obra, sempre do meu ponto de vista, está ainda no estádio inicial. No atual século e nos vindouros dar-nos-emos conta muito melhor da relevância da sua figura e do alcance da sua missão.

Para ilustrar a minha tese tomo sete palavras que, a meu ver, refletem mais integralmente o contributo daquele que chamamos "irmão universal": procura, consciência, deserto, adoração, nome, coração e fracasso. Com elas pretendo não só dar conta das categorias fundamentais que orientaram o nosso personagem, mas também indicar as razões da sua atualidade.

Procura

Um olhar superficial pela biografia de Foucauld (a meta das suas viagens, os hábitos e os uniformes que vestiu, as pessoas de quem se rodeava, as casas que habitou...) é suficiente para constatar que a vida deste homem foi realmente insólita. Foucauld não se assemelha a ninguém. A sua vida foi um contínuo peregrinar. Dizia de si, na segunda das diversas épocas, que queria ser monge ou eremita; o que é certo é que viajou muitíssimo, que se estabeleceu em lugares diferentes, que foi um peregrino estrutural. Tais mudanças de horizontes, geográficos mas sobretudo existenciais, as metamorfoses constantes que o levaram a ser hoje explorador travestido de judeu e amanhã autor de um dicionário tuaregue, hoje soldado do exército francês e amanhã jardineiro de alguns monges em Nazaré, realçam o seu constante estar à procura. Foucauld não cessou de responder ao chamamento do seu eu profundo, onde fosse que Deus o chamasse.

Foucauld, como Gandhi ou Simone Weil a outros níveis, fez da própria vida uma autêntica e contínua experimentação. Encontramos a razão nas palavras seguintes.

Consciência

Um olhar mesmo superficial aos escritos de Charles de Foucauld, sobretudo diários espirituais e cartas, faz-nos compreender como ele atravessou a vida escrutinando a própria consciência, entrando nas motivações dos próprios atos, revendo as intenções, examinando minuciosamente o mínimo detalhe, como tinha aprendido de Santo Inácio, projetando sonhos com os quais dar corpo a uma intuição, observando-se no espelho de Jesus Cristo, o seu Bem-amado, estudando o que seria mais aconselhável e oportuno, censurando-se as falhas, agradecendo os dons recebidos, louvando por tanto bem e bondade, programando o impossível... Foucauld, que na juventude foi soldado, não cessou de o ser plenamente na maturidade. Não era apenas um enamorado, é inútil dizê-lo, mas também um estratega, alguém que projeta o próprio dar-se: que reforça os lados mais fracos, que traça planos para dar fecundidade ao seu ingovernável amor. Foucauld percorre um grande número de dias e de horas na mais rigorosa solidão e no mais estrito silêncio. É neste terreno de cultura que aprendeu a escutar. O aspeto mais surpreendente da sua personalidade é que não escutou simplesmente a si próprio e, por esta via, Deus e os outros, mas que obedecia às vozes que escutava e, ainda mais, que fez de tal escuta e obediência um estilo de vida: sempre a escutar e a obedecer, sempre dentro da aventura de ser si mesmo. Reconhecendo sempre que era ele a melhor palavra, melhor, a única, que Deus lhe tinha concedido.

Deserto

Foi este o cenário privilegiado da escuta permanente, uma escuta quase assustadora, de Charles de Foucauld. E não por acaso. Foucauld converte-se na África do Norte, surpreendido pela extraordinária religiosidade dos muçulmanos. Entende o deserto em primeiro lugar em chave metafórica, por isso experimentou ser monge inicialmente na região de Ardèche, em França, depois em Akbés, na Síria, portanto na Terra Santa; mas não tardou a regressar ao deserto do Sara, o da sua juventude, o seu amado Marrocos e a sua desejada Argélia. O destino e a Providência marcaram-lhe lá encontro. Os fenomenólogos e os historiadores das religiões realçaram como o Médio Oriente foi o principal berço das religiões. Não penso apenas nas tradições monoteístas - judaísmo, cristianismo e islão - que claramente lá têm o seu tronco, mas também nos fenícios, babilónicos, egípcios... Para aquelas terras também se dirigiu o nosso Foucauld, talvez porque poucas regiões da Terra como essa, na sua desolação, sabem evocar o mundo interior e a ele o remeter com tanta força. O vazio externo, portanto, como incitamento àquela obra de esvaziamento que no cristianismo chamamos esquecimento de si ou pobreza espiritual. O deserto como lugar da vitória sobre a provação ou, que é o mesmo, como descoberta da sarça ardente ou chama de amor viva a que se acede para além da noite escura do abandono e da solidão.

Foucauld voltou ao deserto como fez Israel ao sair do Egito ou como fez o próprio Jesus Cristo pouco antes de dar início ao seu ministério público. Por isso Foucauld é, para mim, um novo Moisés, mas sem povo, ou com um povo invisível. Ou um novo e amoroso Jonas que prega na sua Nínive. Foucauld é um pró-memória permanente de como não há caminho espiritual sem deserto e purificação.

Adoração

No meio do deserto, espelho da sua consciência e território das suas procuras, Foucauld adorava. É uma palavra que hoje nos soa estranha, mas adoração significa, simplesmente e linearmente, que o homem não se realiza sobre a via do ego, mas quando sai do próprio micromundo e vence essa tendência tão nefasta e generalizada que é a posse e a autoafirmação. Adorar quer dizer apenas parar de viver a partir do pequeno eu para ceder o passo ao eu profundo, onde habita o hóspede divino. A adoração, ou oração contemplativa, é a única medicina para a idolatria do eu. «Ao Senhor, teu Deus, adorarás: só a Ele prestarás culto» é a resposta de Jesus à última tentação com que o diabo o prova. Hoje poderemos traduzir: tu não és o centro do mundo, sai de ti mesmo. E é quanto Foucauld fazia dia e noite, durante horas e horas sem interrupção, de joelhos diante do seu pequeno tabernáculo, cheio ou vazio. Foucauld corre o risco da solidão e da diversidade como poucos outros homens e mulheres do nosso tempo. O risco de se perder definitivamente.

Como poucos atravessou o muro de silêncio que lhe pôs diante de si a sua miséria e que, depois de anos de luta, o conduz a uma doce, íntima certeza. Quer o saibamos ou não, todos aqueles que estão á procura têm - temos - em Charles de Foucauld um mestre insigne. Amou muito porque calou muito. Hoje nós falamos dele porque se esvaziou de si.

Nome

Esta adoração, esta nudez absoluta cada vez mais radical, esta peregrinação ao próprio centro em que se encontra o templo da verdade, Foucauld levou-a ao termo, à maneira dos padres do deserto um milénio e meio antes, como uma arma tão simples quanto eficaz: o doce nome de Jesus. Poucos homens na história como Foucauld deixaram um testemunho escrito tão eloquente do seu apaixonado amor por Jesus de Nazaré. Ao abrir qualquer um dos seus diários e qualquer uma das suas páginas encontrar-se-á sempre, sempre, expressões incendiadas por um ardor quase insuportável: «Amo-te, adoro-te, quero dar-te tudo, quanto me amas, quanto te amo, dou-te graças, entrego-me nas tuas mãos, faz de mim o que quiseres, louvo-te, meu Bem-amado...». O nome de Jesus acompanhou-o, como um incessante mantra, durante quase todos os minutos da sua vida. Foucauld era um louco de amor, um apaixonado deste nome. Alguém que deixou que o nome, e a pessoa que ele evoca, o possuíssem.

Isto significa que a solidão na qual Foucauld viveu, por quão dura pudesse às vezes ser, era uma solidão acompanhada. E que o seu silêncio era sonora, por quão doloroso pudesse, muitas vezes, ser para ele. Uma só palavra explica a incrível vida de Charles de Foucauld: Jesus.

Coração

O nome de Jesus, incessantemente repetido, invocado, sonhado, escrito em centenas de milhares de páginas, radicou-se progressivamente na sua consciência e no seu coração, finalmente unidos naquilo que poderemos chamar o coração consciente, e que eram o lugar no qual tal Presença residia. A certo ponto da sua vida, esmagado por tanto amor, Foucauld cozeu um coração vermelho no seu hábito branco, dando uma clara prova de como aquele coração o tinha atado. Foucauld foi certamente um sentimental, mas no interior de uma personalidade poliédrica de incomparável riqueza. Ainda que a sua fosse uma vocação à oração contemplativa e silenciosa, nunca abandonou a oração afetiva, alimentada por palavras e imagens que a mantiam acesa.

Praticou aquela que os hesicastas chamam a custódia do coração: sentir a vida, oculta e frágil, em cada palpitação; sentir a Vida com maiúscula nesta nossa vida, tão limitada e intensa, tão humana e tão divina.

Fracasso

No termo da vida, pouco antes de ser assassinado, Foucauld encontrou-se - serviram-lhe décadas inteiras para chegar a isto - com as mãos felizmente vazias. Poder-se-ia dizer que ao longo da sua existência recolheu um fracasso após o outro: último da sua classe no exército, no qual esteve várias vezes para ser expulso por causa dos seus escândalos e indisciplina. Fracasso também como patriota e fez abortar a sua vocação de explorador, atirando às urtigas uma brilhante carreira profissional. Monge fracassado na trapa de Cheikhlé. Resultou também em nada o seu quimérico de adquirir o Monte das Bem-aventuranças para aí se estabelecer como eremita. Inútil também como simples ajudante ou doméstico. Nem uma só conversão em tantos anos de apostolado.

Nem sequer um seguidor depois de ter redigido tantos esboços de Regra para os eremitas que projetava. Ignorado pela administração civil como pela eclesiástica, não teve junto a si nem um escravo libertado nem um companheiro para a sua missão... Foucauld é um dos mais conseguidos ícones do fracasso. Porque preferiu os últimos lugares aos primeiros, a vida oculta à pública, a humilhação à elevação.

Por tudo isto, Foucauld é a imagem em que podem reconhecer-se todos os fracassados da história. E por tudo isto vejo as pessoas do mundo caminharem muitas vezes para uma direção e Foucauld na oposta. Não é, todavia, o único; há outros com ele, todos solitários, todos loucos. E o primeiro desta fila é o próprio Jesus Cristo, o mais louco de todos.

Termino este léxico de Foucauld com uma nota pessoal. Em maio de 2014 fundei na minha cidade a associação "Amigos do Deserto", uma rede de meditação, com crentes e não crentes, interessados no aprofundamento e na difusão da experiência do silêncio a partir da tradição espiritual do hesicasmo. Desde então quase um milhar de pessoas foram iniciadas, em diversos pontos da geografia espanhola e europeia, à oração do coração. E todos, numa ocasião ou noutra, muitos diariamente, recitamos as palavras que Foucauld, verdadeiro fundador destes Amigos do Deserto, deixou escritas como testamento: 

«Pai meu, eu me abandono a ti. Faz de mim aquilo que quiseres. O que quer que faças de mim, eu te agradeço. Estou pronto para tudo, aceito tudo, desde que a tua vontade se cumpra em mim e em todas as tuas criaturas. Não desejo nada mais, meu Deus. Entrego a minha alma nas tuas mãos, dou-ta, meu Deus, como todo o amor do meu coração, porque te amo. E é para mim uma exigência de amor o dar-me, o entregar-me nas tuas mãos sem medida, com uma confiança infinita, porque tu és o Pai meu». 

Quanto escuto esta oração, às vezes proclamada em uníssono por centenas de Amigos do Deserto, sinto subir em mim uma profunda ação de graças e compreendo, como nunca, que não basta uma vida para ver os frutos de uma sementeira.

Pablo d'Ors
In "L'Osservatore Romano", 19.9.2016
Traduzido por Rui Jorge Martins e publicado a 20 de Setembro de 2016 em snpc

Igreja ainda atira a primeira pedra, mesmo com telhados de vidro

Uma notícia recente do Jornal Público sobre o livro lançado pelo ex-padre Krzystof Charamsa. 

Ex-padre acusa a Igreja Católica de hipocrisia quanto à homossexualidade

"Um ex-sacerdote católico polaco, que pertenceu à Congregação para a Doutrina da Fé, acusa a Igreja Católica de "hipocrisia", relativamente à homossexualidade, e desafia a hierarquia "a despertar do seu sono desumano que atingiu o insuportável".

Krzystof Charamsa faz estas afirmações na obra A primeira pedra. Eu, padre gay, e a minha revolta contra a hipocrisia da Igreja, que é publicada na quarta-feira, em Portugal, numa tradução de Marta Pinho/João Quina Edições.

Segundo afirma o ex-monsenhor, "o problema da Igreja não é apenas a perseguição dos homossexuais, mas também a sexualidade de toda a humanidade".

Krzystof Charamsa, de 44 anos, conta neste livro o seu percurso como católico fervoroso, sacerdote, que iniciou carreira na nomenclatura da Santa Sé, tendo sido segundo secretário da Comissão Teológica Internacional e oficial da Congregação para a Doutrina da Fé (ex-Santo Ofício). Em Outubro do ano passado, assumiu publicamente a sua homossexualidade, tendo-lhe sido retiradas todas as funções, por ter quebrado o voto de celibato.

Referindo-se à assumpção da sua homossexualidade, Krzystof Charamsa escreve: "Rezava a Deus para que aquele homem verdadeiro nunca mais me deixasse sozinho. Mas como? Na verdade, ele deveria deixar-me o mais rapidamente possível, porque eu... era padre. E ele não sabia". Todavia, segundo afirma, nessa altura, viu Deus que o amava e aceitava porque o compreendia.

"Eu, especialista em Deus e em tudo o que é divino e ... homofóbico ao mesmo tempo, vira finalmente Deus. Encontrava um homem, mas vira Deus. E felizmente estava a perder de vista a sua Igreja medíocre".

Sacerdote católico durante 18 anos, período durante o qual contactou com outros padres homossexuais, Krzystof Charamsa inclui no livro uma carta que enviou, em Outubro do ano passado, ao papa Francisco, na qual rejeita "publicamente a violência da Igreja relativamente às pessoas homossexuais, lésbicas, bissexuais, transexuais e intersexuais".

"Não posso continuar a suportar o ódio homofóbico, a exclusão, a marginalização e a estigmatização das pessoas como eu", escreveu o sacerdote polaco ao papa Francisco.

Esta carta foi enviada nas vésperas do Sínodo sobre a família, que se reuniu em Roma, e cujas conclusões o desapontaram.

Krzystof Charamsa publicou na mesma altura, e inclui nesta obra publicada pela Planeta Editora, o Novo manifesto de libertação gay em dez pontos, que aponta como "indispensável para que as pessoas LGBTIQ [Lésbicas, Gay, Bissexuais, Transsexuais, Intersexuais e Queer (teoria segundo a qual considera que o género e as relações são fluídas e não estáticas)] possam encontrar paz na Igreja Católica".

Este manifesto também indica, na sua opinião, os dez passos que a Igreja deve dar para um "programa de 'conversão' intelectual e espiritual", pois, como afirma, "a Igreja está ainda à espera da sua revolução de Stonewall", referindo-se ao movimento contestatário em defesa dos direitos dos homossexuais, que emergiu em 1969, num bar nova-iorquino, contra a violência policial.

Para Krzystof Charamsa, actualmente ativista dos direitos LGBTIQ, em Barcelona, "defendendo-se os direitos das minorias, defende-se os direitos de todos"."
Ler também o artigo do moradas de deus "o padre que saiu do armário".

terça-feira, 25 de outubro de 2016

Igreja foi à marcha do orgulho LGBT

Igreja fez-se representar na marcha de S. Paulo

Eis uma notícia de esperança por constatar que há uma parte da Igreja que procura estar atenta ao que os seus irmãos e irmãs vivem. Um sinal de abertura ao mundo contemporâneo e à sociedade de braços e coração bem abertos:

Nota da Comissão Justiça e Paz da Arquidiocese de São Paulo

Fiel à sua missão de anunciar e defender os valores evangélicos e civilizatórios dos Direitos Humanos, a Comissão Justiça e Paz de São Paulo (CJPSP) vem a público manifestar-se por ocasião da 18ª Parada do Orgulho LGBT que se realiza na Av. Paulista no próximo domingo, dia 04 de maio de 2014.

Nosso posicionamento se fundamenta na Constituição Pastoral Gaudium et Spes, aprovada pelo Concílio Vaticano II, que diz: “As alegrias e esperanças, as tristezas e angústias dos homens de hoje, sobretudo dos pobres e de todos aqueles que sofrem, são também as alegrais e as esperanças, as tristezas e as angústias dos discípulos de Cristo; e não há realidade verdadeiramente humana que não encontre eco no seu coração.”

Assim, a defesa da dignidade, da cidadania e da segurança das pessoas LGBT – lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais – é imprescindível para a construção de uma sociedade fraterna e justa. Por isso não podemos nos calar diante da realidade vivenciada por esta população, que é alvo do preconceito e vítima da violação sistemática de seus Direitos Fundamentais tais como a saúde, a educação, o trabalho, a moradia, a cultura, entre outros. Além disso, enfrentam diariamente insuportável violência verbal e física, culminando em assassinatos, que são verdadeiros crimes de ódio.

Diante disso, convidamos as pessoas de boa vontade e, em particular, a todos os cristãos, a refletirem sobre essa realidade profundamente injusta das pessoas LGBT e a se empenharem ativamente na sua superação, guiados pelo supremo princípio da dignidade humana.

São Paulo, 30 de abril de 2014

segunda-feira, 24 de outubro de 2016

4 novos países descriminalizaram a homossexualidade em 2016

Balanço do direito LGBTI no mundo

Moçambique (Sudeste de África), Seychelles (Oceano Índico, a Norte de Madagáscar), Nauru (Oceano Índico, sobre a linha do Equador, a Nordeste da Austrália) e Belize (pequeno país vizinho do México) descriminalizaram as relações sexuais entre pessoas do mesmo sexo durante este ano.

Na página Legislação sobre pessoas LGBT no mundo da Wikipedia, além de uma válida contextualização histórica e cultural, pode-se consultar uma tabela onde aparecem descriminadas as informações disponíveis relativamente aos direitos LGBTI aplicados em cada país do mundo.

Em G1.globo.com os leitores de moradas de deus podem ler um interessante artigo (actualizado a 17 de Junho de 2016) sobre as leis activas nos países de todo o planeta referentes à orientação sexual. A relação homossexual é ainda crime em 73 países e 13 prevêem pena de morte.






Mais informação em: Relatório da ILGA

Os 23 países do mundo onde há casamento gay

Mapa-mundi do casamento entre duas pessoas do mesmo sexo

O casamento entre pessoas do mesmo sexo é o casamento entre duas pessoas do mesmo sexo biológico ou da mesma identidade de género. Os defensores do reconhecimento legal de casamento do mesmo sexo geralmente referem-se ao seu reconhecimento como casamento igualitário.

Desde o começo do século XXI, 23 países permitem que pessoas do mesmo sexo se casem em todo o seu território.

O primeiro país do mundo a legalizar o casamento entre pessoas do mesmo sexo, assim como o divórcio e o direito de adoção de crianças por esses casais, foi a Holanda. Aprovado em dezembro de 2000, o projeto alterou apenas uma frase da legislação sobre casamentos, que passou a ser "um casamento pode ser contraído por duas pessoas de diferentes ou do mesmo sexo".

Os países onde foi aprovada a lei do casamento entre duas pessoas do mesmo sexo até hoje são:  Holanda (2001), Bélgica (2003), Canadá e Espanha (2005), África do Sul (2006), Noruega e Suécia (2009), Argentina, Islândia e Portugal (2010), Dinamarca (2012), Brasil, França, Nova Zelândia e Uruguai (2013), Escócia, Inglaterra, Luxemburgo e País de Gales (2014), Irlanda, Finlândia e Estados Unidos(2015) e Colômbia (2016).

A Irlanda entrou para a lista, tornando-se no primeiro país do mundo a aprovar o casamento gay através de um referendo.

No México, os casamentos entre pessoas do mesmo sexo são realizados na Cidade do México e nos estados de Quintana Roo, Coahuila, Chihuahua e Guerrero e são reconhecidos em todo o território mexicano. Algumas das jurisdições que não realizam casamentos homoafetivos, mas reconhecem os que são realizados noutros países ou territórios são: Israel, os países das Caraíbas pertencentes ao Reino dos Países Baixos (Aruba, Curaçao e Saint Marteen), regiões dos Estados Unidos e os 27 estados do México que não celebram essas uniões. A Austrália reconhece casamentos do mesmo sexo apenas se um dos parceiros mudar o seu sexo depois de concretizada a união. Em 2015, havia propostas para introduzir o casamento homoafetivo em pelo menos dez outros países.

mais informações em:

domingo, 23 de outubro de 2016

Ser Gay já não é impeditivo de dar sangue

Doação de Sangue: Acabou a exclusão arbitrária para 'homens que têm sexo com homens'

A página da ILGA publicou no passado dia 19 de Setembro:

"Foi hoje divulgada pela Direção-Geral de Saúde (DGS) a proposta de norma relativa à doação de sangue e aos critérios de exclusão que deverão aplicar-se. Desapareceu finalmente qualquer referência à categoria "homens que têm sexo com homens", que era até agora suficiente para a exclusão automática na doação de sangue de acordo com as instruções dadas pelo Instituto Português do Sangue e Transplantação (IPST).

Em sucessivas reuniões e contactos da ILGA Portugal com a DGS, deixámos claros os pontos principais que, no nosso entender, deveriam nortear a nova norma:

  • a categoria "homens que têm sexo com homens" não especifica comportamentos de risco (que podem acontecer nesta subpopulação tal como noutras), que devem ser o enfoque dos questionários de triagem;
  • a categoria "homens que têm sexo com homens", ao contrário de outras subpopulações definidas enquanto categorias epidemiológicas, contribui para a estigmatização de um grupo social que é alvo de discriminação, sendo que a discriminação com base na orientação sexual é, até, explicitamente proibida pela Constituição da República Portuguesa;
  • a possibilidade de passar de uma exclusão permanente para uma exclusão de todos os homens que tenham tido sexo com homens no último ano equivalia a uma exclusão permanente para qualquer pessoa com atividade sexual minimamente regular, mantendo exatamente a mesma lógica errada que norteou anteriormente a política relativa à doação de sangue.
A nova proposta garante, pelo contrário, a ausência de qualquer menção da categoria "homens que têm sexo com homens", desaparecendo a exclusão deste grupo enquanto tal (permanente ou temporária). Desaparece assim a generalização abusiva de comportamentos de uma população com uma enorme diversidade de práticas, permitindo um enfoque nos comportamentos de risco e não só mantendo como, na realidade, reforçando a preocupação com a qualidade do sangue recolhido.

Acompanharemos com atenção o questionário a ser elaborado pelo IPST para que este possa cumprir esta norma e terminar enfim com um longo período de estigmatização de homens gay ou bissexuais na doação de sangue.

___________

Partilhamos um pequeno resumo da cronologia relacionada com a questão da discriminação na doação de sangue em Portugal:

  • em 2010, a então Ministra da Saúde Ana Jorge, na sequência de uma Resolução da Assembleia da República, anunciou que a política do Ministério da Saúde na questão da dádiva de sangue era clara, no sentido de não eliminar ninguém com base na orientação sexual (o que acontecia com a pergunta que até aí ainda era colocada e gerava a exclusão: "Sendo homem, teve sexo com outro homem?"); o historial e a legislação podem ser encontrados AQUI; as queixas que chegaram à ILGA Portugal depois desse momento foram pontuais e aparentemente relacionadas com a dificuldade de uniformização de procedimentos;
  • em 2011, a nova Direção do Instituto Português do Sangue e da Transplantação (IPST), nomeada pelo Governo de Pedro Passos Coelho, passa a recomendar a exclusão de todos os homens que têm sexo com homens, o que admite primeiro em reunião com a ILGA Portugal e depois em audição no Parlamento; as queixas que chegaram à ILGA Portugal desde 2011 foram recorrentes, indiciando a mudança de política entretanto confirmada;
  • o Governo de então (2011/2015) anunciou a criação de um grupo de trabalho para a revisão da norma relativa à doação de sangue (mantendo a exclusão durante todo o período de existência desse grupo de trabalho); durante muitos anos, tentámos sem sucesso participar nalguma discussão do grupo de trabalho, apesar da disponibilidade manifestada sistematicamente;
  • em agosto de 2015, no final do mandato do Governo anterior, foi subitamente anunciada a decisão de passar de uma exclusão permanente para uma exclusão de todos os homens que tenham tido sexo com homens no último ano (que equivale a uma exclusão permanente para qualquer pessoa com atividade sexual minimamente regular); a reação da ILGA Portugal pode ser consultada AQUI;
  • em março de 2016, e já com o novo Governo em funções, tivemos uma audiência com o Sr. Ministro da Saúde e o Sr. Secretário de Estado Adjunto e da Saúde em que reiterámos a nossa posição face a esta questão e a necessidade de garantir práticas não discriminatórias e estigmatizantes, tendo havido recetividade quanto à necessidade de procurar a melhor formulação dos critérios de exclusão;
  • em abril de 2016, na sequência dessa audiência, tivemos uma primeira reunião com a Direção-Geral de Saúde para análise da norma que tinha sido preparada sob a égide do Governo anterior e na qual reiterámos o seu conteúdo discriminatório, propondo formulações alternativas que garantam critérios de seleção mais incisivos - e não estigmatizantes - e portanto uma forma de redução do risco residual do sangue recolhido;
  • numa nova reunião já em agosto de 2016 pudemos partilhar a nossa posição e reflexão sobre esta questão, defendendo alternativas não estigmatizantes e uma formulação que pudesse servir também de exemplo nesta questão para muitos outros países da Europa.

Colégio Militar: um grande passo na não descriminação

Já se pode ser quem se é?

"Cabe às instituições de educação garantir ambiente seguro a qualquer estudante. Após polémica, o Regulamento Interno do Colégio Militar inclui agora a não discriminação com base na identidade de género ou orientação sexual nos Direitos do Aluno. (in rede ex aequo)"

"O novo regulamento do Colégio Militar deixa agora claro que os alunos não podem ser discriminados em razão da orientação sexual, saúde e identidade de género.

O documento foi homologado pelo director de Educação do Exército a dia 23 de Setembro e agora disponibilizado na página do Colégio Militar. Vigora já neste ano lectivo.

"Ser tratado com respeito e correcção por todos os membros da comunidade educativa, não podendo, em caso algum, ser discriminado em razão da raça, saúde, sexo, orientação sexual, idade, identidade de género, condição económica, cultural, social ou outras convicções pessoais." É esta a primeira alínea do capítulo que estabelece os direitos do aluno do Colégio Militar no regulamento agora revisto

Como explica a agência Lusa, a formulação adoptada, que segue o sentido do que está previsto na lei geral em vigor, o Estatuto do Aluno. No regulamento anterior do Colégio Militar previa-se que o aluno não podia ser discriminado "em razão da raça, sexo, condição económica, cultural, social ou convicções pessoais".

Recorde-se que em Abril o Observador publicou uma reportagem em que o então subdiretor do Colégio Militar, entretanto afastado, assumia a existência, entre alunos, de situações de exclusão em função da orientação sexual. Essa revelação desatou uma polémica que foi acompanhada no dezanove.pt em vários momentos. As alterações ao regulamento agora conhecidas resultam do grupo de trabalho criado pelo general chefe do Estado-Maior do Exército, Rovisco Duarte, que tinha determinado a revisão dos regulamentos internos para "reforçar a mitigação de eventuais riscos que possam conduzir a qualquer forma de discriminação", relembra a Lusa."

Centro de prevenção e detenção de infecções sexualmente transmissíveis (IST) para homens que têm sexo com homens (HSH) no Porto


Centro comunitário de prevenção e detecção de IST no Porto

Já está em funcionamento no Porto o Centro Comunitário +Abraço.

Financiado pela Direcção Geral de Saúde este centro tem como principal objectivo a promoção e o acesso à prevenção primária e secundária da infecção por VIH/sida, hepatites víricas e outras infecções sexualmente transmissíveis (IST), garantindo o acesso atempado à informação, meios de prevenção, diagnóstico e cuidados de saúde especializados junto da população de homens que têm sexo com homens (HSH), no distrito do Porto.

O serviço prestado é anónimo, confidencial e gratuito, para o rastreio do VIH/sida, sífilis, hepatite B e C, gonorreia e clamídia. Há aconselhamento pré e pós-teste personalizado com vista à capacitação preventiva do risco de transmissão do VIH/sida e outras IST. É igualmente disponibilizado de forma gratuita de material de prevenção sexual (preservativos e gel lubrificante), e de material com informação sobre VIH/sida e IST. Outra missão é contribuir para o conhecimento epidemiológico da infecção pelo VIH/sida, hepatites víricas e outras IST por parte da população em geral.

Em território europeu, mais precisamente nos países que compõem a União Europeia, o sexo entre homens (HSH) é a forma de transmissão de VIH/sida mais frequentemente indicada no total dos casos diagnosticados, traduzindo-se em 39% dos novos casos diagnosticados. Portugal faz parte desta tendência recente do aumento do número absoluto e relativo de casos notificados referentes a HSH, bem como o decréscimo da idade mediana destes casos, inversa à tendência para as outras categorias de transmissão.

O centro está aberto na Rua Damião de Góis, nº 96, Fracção E, Porto e pode ser contactado por telefone e e-mail: 912 444 300 e centrocomunitario@abraco.pt.

ver notícia em dezanove

Nova Lei de Identidade de Género para Portugal

Autodeterminação de género

"O PAN anunciou que irá avançar ainda esta semana com uma iniciativa legislativa que visa garantir a autonomia e a autodeterminação das pessoas trans. A proposta do partido Pessoas Animais Natureza pretende facilitar o reconhecimento legal da identidade destes cidadãos.

Em causa está a possibilidade de alterar legalmente a identificação de pessoas cuja identidade difere da atribuída à nascença, independentemente da idade e de relatórios médicos. Uma proposta de lei no mesmo sentido já tinha sido anunciada em Maio pelo Bloco de Esquerda.

Também durante a conferência “Diversidade de Género na Infância”, organizada no Sábado passado, no ISCTE, pela associação AMPLOS, a Secretária de Estado para a Cidadania e a Igualdade, Catarina Marcelino, anunciou publicamente que o Governo irá avançar com uma reformulação da lei de identidade de género logo após a discussão do Orçamento de Estado. No blogue Persona Grata, pode ler-se que a futura lei portuguesa será a mais avançada do mundo, assegurou Marcelino.

Vários activistas de defesa dos direitos das pessoas transexuais e intersexo têm contestado a actual lei, aprovada em 2011, por se restringir a maiores de idade e exigir intermediação médica. Apesar de no Verão se ter anunciado o início de operações cirúrgicas de reatribuição sexual no Hospital de São João, no Porto, algumas pessoas transexuais reclamam que as cirurgias no sistema nacional de saúde estão paradas há vários anos."


A fotografia que ilustra o artigo é uma performance de Marina Abramovich

sábado, 22 de outubro de 2016

A Assexualidade, um tabú?




Nem toda a gente é uma bomba sexual

Nunca ouvi ninguém dizer que não gosta de sexo, nunca ouvi ninguém dizer que é "mau na cama", nunca ouvi ninguém falar mal do seu próprio desempenho sexual. De facto, no mundo em que vivemos, acaba por ser um tabú assumir que não se "liga" ao sexo. Tudo o resto se vai normalizando, desde que tenha muito sexo - poli-amor, swing, bondage, poligamia, sado-masoquismo, exploração de fetiches, relações abertas, ménages, orgias... - mas cada vez é maior o silêncio que reveste a insatisfação sexual, quer esta resulte da falta de libido, frigidez, impotência, cansaço, falta de auto-estima ou stress. 

E no entanto há uma enorme quantidade de pessoas que se esforça para ser "normal", isto é, que quer corresponder àquilo que a sociedade aparenta ser, uma fábrica de bombas sexuais, de super-homens e super-mulheres sempre no auge da sua performance sexual. E quem faz esse esforço, não o faz sem sofrimento: por um lado sente-se extremamente só nesse caminho - acha-se "raro" e "esquisito", porque as histórias como a sua não abundam nos media e nos filmes, nem sequer nas conversas entre amigos -, por outro lado sente que este esforço é inglório e luta sem grande esperança - pois não sente grandes avanços nem os pode testar, na medida em que se vai fechando mais aos outros e a experiências que, para si, podem aprofundar as feridas abertas -e, por último, sofre por não ser bem sucedido no "encaixar" e sente-se amarfanhado num sentimento de culpa ou de inferioridade.

A este propósito li um post que me parece muito interessante para abrir à realidade da Assexualidade. Passo a citar:

"Parece estranho que, num mundo onde todos os gestos são passíveis de serem erotizados e a sexualidade é usada para vender detergentes, existam pessoas que não têm interesse em sexo. Não são falhos de nada, não têm qualquer problema físico, mental ou emocional, apenas fogem ao comum e não se movem por pulsões e instintos sexuais. São os Assexuais, um núcleo de pessoas que se vem juntar aos homossexuais, aos não monogâmicos, aos casais que vivem em casas diferentes, aos que têm uma relação com alguém de outra etnia, como mais um quebra-cabeças para o modelo hegemónico e comum de organização de sociedade.

Posto isto, o que significa ser assexual? Em termos simples, um assexual é alguém que não tem desejo sexual. Coisa aparentemente do domínio da psiquiatria mas, ao que parece, não é. Também não é uma promessa de abstinência, um voto de celibato, uma questão de identidade de género, um descontrolo hormonal, medo de relações e de intimidade e, sobretudo, não é uma escolha. E é este o ponto fulcral desta orientação sexual, orientada pela ausência da vontade de ter sexo. O que não significa que não tenham relacionamentos ou não possam estar romanticamente ligados a outrem, simplesmente, o desejo sexual não existe, ou existe por si só, desligado de qualquer pessoa.

Numa sociedade hipersexualizada, parece confuso o mundo sem desejo sexual. Mas, e o amor? De acordo com Mark Carrigan, da Universidade de Warwick, que há muito estuda o tema, existem dois tipos de assexuais no que toca ao tema: os não românticos, que além de não terem interesse sexual também não sentem emoções românticas; e os românticos, que, apesar de não sentirem atração sexual experienciam atração romântica, o que significa que, ao olharem alguém que lhes interesse, o desejo não desperta mas existe um interesse em conhecerem-na melhor, estar mais perto, partilhar.

Uma das confusões mais comuns quando se aborda esta questão é a de pensar que os assexuais têm uma disfunção sexual, sofreram maus tratos ou abusos ou, simplesmente, ainda não encontraram a pessoa certa com quem viver a sua sexualidade, como se a vida sem sexo fosse uma vida menos digna. Este tipo de ideias assenta na convicção de que todos vivemos o sexo da mesma forma, do mesmo modo, o que prova, em si mesmo, o quão pouco sabemos e à vontade estamos com esta temática.

Em Portugal, a comunidade assexual tem dois anos e é encabeçada pela investigadora Rita Alcaire. A sua primeira manifestação pública esteve integrada na marcha LGBT, em Coimbra, onde um grupo de 15 pessoas envergou a bandeira com as cores roxa, branca, cinzenta e preta, justamente as cores da assexualidade. Mas para além do pantone, o grande símbolo que identifica esta comunidade, tanto em Portugal como noutros países, é o bolo. Isto porque, como dizem, “bolo é melhor do que sexo”.

Segundo o “Medical Daily”, estima-se que existam cerca de 70 milhões de assexuais em todo o mundo. Setenta milhões de pessoas que não se encaixam naquilo que nos dizem, desde novos, ser o “correcto”, o “certo”, para se ter ter uma família e uma vida feliz. Mas o que fazer quando a natureza do que sentimos e desejamos (ou não desejamos) é diferente do que é suposto sentir e fazer? Antes de mais, perceber o que se sente. Depois, informarmo-nos. Por isso, aqui ficam algumas respostas:
Não sinto atração sexual. Sou assexual? Não necessariamente. A assexualidade é apenas umas das razões para não haver atração sexual. Outros motivos passam por traumas, transtornos psicológicos ou razões hormonais.
A assexualidade é uma doença? Não. Pesquisas recentes mostram que não há nenhuma base patológica associada à assexualidade.
Não tenho atração sexual mas já me apaixonei. Isso significa que não sou assexual? Paixão e desejo sexual não são a mesma coisa. Do mesmo modo que o sexo é possível sem a paixão ou qualquer outro sentimento romântico, isso também existe sem que tenha necessariamente que haver desejo sexual.
Ter praticado sexo significa que não sou assexual? Há muitas razões pelas quais temos sexo com outras pessoas, as quais não se ligam à líbido ou desejo; sendo a mais recorrente a paz ou manutenção da relação.

Se mesmo depois destas questões continua com dúvidas, questione-se: não tem qualquer interesse em sexo? O seu interesse em sexo existe mais de um ponto de vista teórico que prático? Sente-se constrangido a falar de sexo? Se já teve sexo, não considera repeti-lo? Sente-se deslocado por não olhar para o sexo da mesma forma que os outros? Isto são apenas pistas, a resposta a estas perguntas não indicam nada por si só. O importante neste tema, como em toda a sexualidade, é sabermos quem somos nesse plano, do que gostamos, mesmo que isso não se acomode no politicamente correto em que o mundo nos mergulha." Sílvia Baptista, em delas.pt

quarta-feira, 19 de outubro de 2016

A morte da bezerra

Quem espera desespera

Às vezes é bom ouvir frases curtas que nos despertem dos nossos sonos. Podemos até muito rapidamente rotula-las como clichés. Pessoalmente, sou pouco dado a livros de auto-ajuda e a frases-tipo-reforço-positivo que tendem a cair numa linguagem um pouco xaroposa ou belico-doce. Mas há que admitir que muitos de nós, cristãos homossexuais, estamos à espera que nos caia no colo @ noss@ companheir@ de vida:

"You can't stay in your corner of the Forest waiting for others to come to you. You have to go to them sometimes. " A. A. Milne

"Solitude is fine but you need someone to tell that solitude is fine." Honoré de Balzac

Eu e TU

Excerto de homilia sobre Oração e a relação com Deus

Hoje um dos temas das leituras que vamos proclamar é a oração. E a oração que nos diz que a nossa vida é uma vida escutada, o Senhor escuta-nos. Escuta o que dizemos e o que não dizemos, o que somos e o que não conseguimos ser, aquilo que são os nossos sonhos mas também as nossas dúvidas, as nossas hesitações. O Senhor escuta aquilo que nem lhe chegamos a dizer. (...)

Esta é, de facto, a grande força, a grande originalidade dos crentes. É que, para nós, (...) Deus é alguém, Deus é uma presença de amor. (...) E aquilo que nós podemos fazer é comunicar, é entrar em relação, é expormo-nos diante de Deus, é abrirmo-nos na nossa nudez, na nossa vulnerabilidade. É confiarmos tanto que nos entregamos no nosso estar, no nosso falar, no nosso calar, sentindo que Deus é o interlocutor privilegiado das nossas vidas.

O Senhor que criou o universo e os mundos, e o que vemos e o que não vemos, Ele é este “Tu” que eu posso invocar, que eu posso nomear. Por isso, fundamental na oração é o reconhecimento de que Deus é um parceiro da nossa vida, que Deus é um “Tu” a quem nos podemos dirigir. Mas, só há oração verdadeira quando também nós somos um “eu” e sentimos que a nossa vida é também a possibilidade de rezarmos, descobrirmos essa possibilidade dentro de nós.

Às vezes acontece que, sendo cristãos há muitas décadas, há muitos anos ou há pouco tempo, nós ainda não desenvolvemos em nós a capacidade de rezar, nós ainda não descobrimos que somos seres orantes, que temos em nós este dom maravilhoso que é de nos podermos abrir, nos podermos dizer, nos podermos expor em oração.

(...) A verdadeira oração nasce quando nós compreendemos isto: eu sou uma oração, a nossa vida é uma oração. (...) Porque a nossa vida (...)  é um grito, é um apelo, é uma chamada, é um estar diante de Deus. Nós somos continuamente na sua presença, e por isso nós somos uma oração. (...) Antes de tudo, a nossa oração é esta tomada de consciência profunda de que nós estamos diante de Deus e do que isso significa. Porque a nossa vida toda é chamada a exprimir-se, a expressar-se com confiança diante de Deus.

E essa relação, que necessariamente é uma relação de amizade e de amor, que é uma relação de um filho para com o Pai, que é uma relação de criatura para com o Criador, que é uma relação de enamoramento, de confiança, que é uma relação fusional e ao mesmo tempo também uma relação na diferença, porque Deus é Deus e nós somos mulheres e homens, nós somos criaturas, é esta relação fulcral que é no fundo o mistério da oração.

(...) A primeira coisa é: antes de querer aprender orações, aprende que o rezar é respirar, aprende que o rezar é estares diante de Deus, é tomares consciência de que Deus está aqui. Ao longo do nosso dia nós podemos fazer momentos de oração em qualquer lado. O que é um momento de oração que nós construímos? É um momento mais agudo, mais intenso da nossa parte, um momento de consciência, uma tomada de consciência de que nós estamos perante Deus e nessa tomada de consciência há uma qualidade de relação, há uma qualidade de comunicação espiritual que se intensifica e que torna aquele momento um momento precioso, torna aquele momento um momento de comunicação. (...)

A verdadeira oração (...) é a oração que hipoteca todo o nosso ser. (...)

É claro, se nós vivermos com o nome de Jesus nos lábios, se nós vivermos a respirar o nome de Jesus isso transforma a nossa vida por completo, transforma-nos, só pode ser. Nós tornamo-nos uma cristofania, tornamo-nos uma manifestação de Cristo, porque Ele está sempre em nós, a oração é uma habitação. (...) Essa habitação não é habitar numa casa, é habitar no interior de uma relação. O Evangelho de S. João, por exemplo, explica a oração como um permanecer, é uma forma de permanecer. São tudo verbos que mostram o quê? Que a oração tem de ter uma continuidade, que a oração não são as fórmulas que nós dizemos. A oração é um estar, é a nossa vida ser aquilo, ser transformada por aquilo. (...)

Por isso, isto que diz Jesus: O que é a oração? A oração é rezar sem desanimar, oração é insistir na oração, oração é uma insistência com Deus. Quer dizer: a oração é a felicidade da repetição, a felicidade da repetição. Nós estarmos e voltarmos a estar, nós exprimirmos, nós cansarmos Deus com a nossa oração, nós cansarmo-nos a nós mesmos com a nossa oração.

(...) Não podemos fazer depender a oração das nossas sensações, se eu sinto oração, se eu não sinto oração, se eu sinto um eco, uma reverberação luminosa. Nós lemos o diário espiritual de Santa Teresa de Calcutá e ela diz que nunca sentiu nada, nunca sentiu nada. Nunca teve nenhuma experiência favorável, nunca sentiu o coração cheio, nunca sentiu a alma a transbordar de luz. Pelo contrário, seca, seca, seca como um carapau, seca, seca, seca; nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada. E às vezes a nossa oração é o nada, nada, nada, nada. Ou, como dizia Santa Teresa de Ávila, outra grande mestra da vida espiritual, ela dizia que rezou anos e anos e a oração sabia-lhe a palha – é como estar a comer palha.

(...) A oração é sobretudo uma prática e aí é que nós falhamos. Oração é concretizar oração, oração não é uma filosofia, oração é rezar. Por isso, vamos pedir ao Senhor que reze em nós e nos ajude a rezar. Nos ajude a rezar a nossa vida, nos ajude a rezar uns pelos outros, nos ajude a louvar.

Na nossa peregrinação a Assis eu fiquei muito impressionado quando me dei conta que, o Cântico das Criaturas de S. Francisco de Assis, que é aquele poema maravilhoso: “Senhor, altíssimo sempre eterno, eu te dou graças pelo sol, eu te dou graças pelo calor, pela água…”, S. Francisco de Assis o escreveu enquanto enfermo e praticamente cego. Nós pensamos que uma pessoa que faz um elogio ao mundo, à beleza do mundo, à beleza da criação é um jovem, está apaixonado, está a agradecer tudo aquilo que ele vive. Não, Francisco de Assis estava cego, estava enfermo, estava a meses da sua morte quando escreveu este que é um testamento espiritual inacreditável. Isto também é alguma coisa que só a força da oração nos permite, que é no fundo uma grande liberdade face até aos contextos adversos e uma compreensão de que nada nos falta.

Às vezes andamos com carências enormes, com fomes, com necessidades imaginárias e reais, não importa, a oração enche o nosso coração. A experiência de oração é também a experiência de que nada nos falta e que o encantamento pela vida não depende de estarmos a viver tempos cor-de-rosa, S. Francisco já não via nada e ele via tudo.

Pe. José Tolentino Mendonça, Domingo XXIX do Tempo Comum

Ler na íntegra em Capela do Rato

segunda-feira, 17 de outubro de 2016

Deus Pai e Deus Tio

Tomo a liberdade de partilhar com os leitores do blog um artigo de opinião que saiu no Jornal Público em Janeiro de 2014, da autoria de Gonçalo Portocarrero de Almada. Com humor o autor aborda a temática dos comportamentos e posturas de uma certa "ala" da Igreja Católica, muito ligada às "famílias de bem", a movimentos mais conservadores e a uma certa classe social (ou pretensão de ser associado à mesma). Humor aparte, questionem-nos: como vivo a minha fé? As aparências na minha vida têm mais peso do que a verdade? Sinto-me superior aos demais? O que faço para contrariar a arrogância e o orgulho? Como cultivar a humildade e a misericórdia? Como construir uma Igreja mais fiel ao coração de Cristo, menos elitista e mais fraterna?

Os Sobrinhos de Deus

"Há católicos tão bem, tão bem, tão bem, que tratam Deus por tio. De facto, chamá-Lo pai seria ficar automaticamente irmã, ou irmão, dessa gentinha pé-descalça e malcheirosa que vai à Cova da Iria de xaile e garrafão. Tratá-Lo por Senhor seria reconhecer-se de uma condição servil, que está muito bem para as criadas e para os chauffeurs, mas que não é compatível com quem é, há várias gerações, gente de algo.

Os sobrinhos de Deus gostam muito de Jesus, porque Ele é superfantástico: andou sobre o mar e fez montes de coisas giríssimas. Gostam tanto d’Ele que até Lhe perdoam o ter sido carpinteiro, pormenor de gosto duvidoso que têm a caridade de omitir, sempre que, ao chá, falam d’Ele. Também têm muita devoção ao Espírito Santo: à família do banco, claro, pois conhecem-na toda da Quinta da Marinha e de um ror de sítios muito in, que tudo o que é gente frequenta.

Alguns foram a Fátima a pé e acharam o máximo. Levaram uns ténis de marca, roupa desportiva q. b. e um padre da moda. Rezaram imenso, tipo um terço, sei lá. O resto do tempo foi à conversa, sobretudo a cortar na casaca de uns quantos novos-ricos, um bocado beatos, que também se integraram na peregrinação (já agora, aqui para nós, mais por fervor aos sobrinhos de Deus do que a Nossa Senhora, mas note-se que isto não é ser má-língua, mas a pura verdade, à séria).

Têm imenso gosto e casas estupendas. Quando olham para um crucifixo em pau-santo, com imagem de marfim e incrustações de prata, são capazes de reconhecer o estilo, provavelmente indo-europeu, identificar a punção, pela certa de algum antigo joalheiro da Coroa, e a data, até porque, geralmente, é igualzinho a um lá de casa, ou muito parecido ao da capela da quinta. Só não vêem o Cristo, nem a coroa de espinhos, nem as chagas, que são coisas de menos importância.

Detestam essas modernices do abraço da paz ou da Igreja dos pobres, mas não é que tenham nada contra os pobres, apenas receio de doenças contagiosas.

Também não são muito fãs do senhor prior, nem do Papa Francisco, simplórios de mais para os seus gostos sofisticados. Mas derretem-se quando se cruzam, nalgum cocktail, exposição ou concerto na Gulbenkian, ou em São Carlos, com alguém que os fascine pelo seu glamour, pela sua cultura, pela sua inteligência ou poder porque, na realidade, o principal santo da sua devoção é o príncipe deste mundo.

Uma só coisa aflige os sobrinhos de Deus: que o céu, onde já têm lugar reservado, esteja mesmo, como se diz no sermão das bem-aventuranças, cheio de maltrapilhos.

1) Qualquer relação com a realidade não é coincidência, mas um azar dos diabos. "

Ler directamente em Público.pt

O romance gay mais vendido em todo o mundo em formato de e-book

Amor entre atletas

A INDEX ebooks patenteia a primeira tradução para português do The Font Runner (o Corredor de Fundo), de Patricia Nell Warren. Em 2013 este romance já tinha vendido mais de 10 milhões de exemplares em sete idiomas. Este foi o primeiro romance de temática LGBT a entrar na lista de best-sellers do The New York Times em 1974.

INDEX ebooks é uma editora especializada em ebooks de literatura gay em língua portuguesa a preços low-cost, usando conteúdos de domínio público ou com licenças de uso livre.

Mais informações em O Corredor de fundo


Um poema de Fernando Pessoa

O meu Olhar

O meu olhar é nítido como um girassol.
Tenho o costume de andar pelas estradas
Olhando para a direita e para a esquerda,
E de, vez em quando olhando para trás...
E o que vejo a cada momento
É aquilo que nunca antes eu tinha visto,
E eu sei dar por isso muito bem...
Sei ter o pasmo essencial
Que tem uma criança se, ao nascer,
Reparasse que nascera deveras...
Sinto-me nascido a cada momento
Para a eterna novidade do mundo...

Creio no mundo como num malmequer,
Porque o vejo. Mas não penso nele
Porque pensar é não compreender...

O mundo não se fez para pensarmos nele
(pensar é estar doente dos olhos)
Mas para olharmos para ele e estarmos de acordo...

Eu não tenho filosofia: tenho sentidos...
Se falo na natureza, não é porque saiba o que ela é,

Mas porque a amo e amo-a por isso,
Porque quem ama nunca sabe o que ama
Nem sabe porque ama, nem o que é amar
Amar é a eterna inocência,
E a única inocência não pensar...

Fernando Pessoa, in O Guardador de Rebanhos

A Igreja também é para os maus

Reflexão sobre o bom ladrão

S. Lucas descreve dois malfeitores crucificados com Jesus, que a Ele se dirigem com atitudes opostas.

O primeiro insulta-o, (...) impelido pelo desespero: «Não és Tu o Cristo? Salva-te a ti mesmo e a nós». Este grito testemunha a angústia do homem diante do mistério da morte e a trágica consciência de que só Deus pode ser a resposta libertadora: por isso é impensável que o Messias, o enviado de Deus, possa estar na cruz sem fazer nada para se salvar. Não compreendiam o mistério do sacrifício de Jesus. E em vez disso Jesus salvou-nos permanecendo na cruz. E todos nós sabemos que não é fácil permanecer na cruz, nas nossas pequenas cruzes de cada dia. (...) Ali se cumpre a sua doação e amor e brota para sempre a nossa salvação. Morrendo na cruz, inocente entre dois criminosos, Ele atesta que a salvação de Deus pode chegar a qualquer homem em qualquer condição, mesmo a mais negativa e dolorosa, a salvação de Deus é para todos, ninguém está excluído, é oferecida a todos. Por isso o Jubileu é tempo de graça e de misericórdia para todos, bons e maus, aqueles que estão de saúde e aqueles que sofrem. Nada nos pode separar do amor de Cristo. (…)

A Igreja é para todos, não só para os bons ou para aqueles que se creem bons ou pensam sê-lo. A Igreja é para todos, sobretudo para os maus. A quem está pregado numa cama de hospital, a quem vive fechado numa prisão, a quantos estão encurralados pelas guerras, digo: olhai o Crucificado; Deus está convosco, permanece convosco na cruz e a todos se oferece como Salvador.

Deixai que a força do Evangelho penetre no vosso coração e vos console, vos dê esperança e a íntima certeza de que ninguém é excluído do seu perdão. (…) Ninguém é excluído do perdão de Deus, basta que se aproxime, arrependido, de Jesus e com o desejo de ser abraçado. (…)

As palavras do “bom ladrão” são um maravilhoso modelo de arrependimento, uma catequese concentrada para aprender a pedir perdão a Jesus. Primeiro, ele dirige-se ao seu companheiro: «Não tens nenhum temor de Deus, tu que foste condenado à mesma pena?». Assim destaca o ponto de partida do arrependimento: o temor de Deus, o respeito filial. Não o medo de Deus, mas esse respeito que se deve a Deus porque é Deus. O “bom ladrão” recorda a atitude fundamental que abre à confiança em Deus: a consciência da sua omnipotência e da sua infinita bondade. É este respeito confiante que ajuda a dar espaço a Deus e a confiar-se à sua misericórdia, mesmo na escuridão mais profunda. (…)

O “bom ladrão” dirige-se por fim diretamente a Jesus, invocando a sua ajuda: «Jesus, recorda-te de mim quando entrares no teu Reino». Chama-o pelo nome, «Jesus», com confiança, e assim confessa o que esse nome indica: «o Senhor salva». Aquele homem pede a Jesus que se recorde dele. Quanta ternura nesta expressão, quanta humanidade. É a necessidade do ser humano de não ser abandonado, que Deus lhe esteja sempre próximo. Deste modo um condenado à morte torna-se modelo do cristão que se confia a Jesus. É profundo, isto: um condenado à morte é modelo do cristão que se confia a Jesus e também modelo da Igreja que na liturgia tantas vezes invoca o Senhor, dizendo: «Recorda-te… Recorda-te…».

Enquanto o “bom ladrão” fala no futuro - «quando entrares no teu Reino», a resposta de Jesus diz «hoje estarás comigo no Paraíso». Na hora da cruz, a salvação de Cristo atinge o seu auge; e a sua promessa ao “bom ladrão” revela o cumprimento da sua missão: salvar os pecadores.

(...) Jesus é verdadeiramente o rosto da misericórdia do Pai. O “bom ladrão” chamou-o pelo nome, Jesus, uma oração breve que todos nós podemos fazer muitas vezes ao longo do dia. Jesus. Jesus. Jesus.

Papa Francisco
Audiencia geral, Praça de S. Pedro, Vaticano, 28 de Setembro de 2016
Trad. / edição: Rui Jorge Martins para SNPC

Agenda das Conferências no Mosteiro de Santa Maria no Lumiar

Uma brisa em Lisboa

As monjas dominicanas do Lumiar têm-nos habituado a um programa de excelência e de horizontes largos. Uma vez por mês o seu pequeno mosteiro abre-se a uma tarde de partilha e reflexão. Conheça o programa:

Conheça mais sobre a comunidade aqui

sexta-feira, 5 de agosto de 2016

Islão responde ao terrorismo

Muçulmanos franceses pela paz

O ano 2016 tem sido prolífero em tristes notícias e tragédias, histórias de barbaridade, terrorismo e loucura, não apenas na Síria e em regiões do mundo onde tristemente estes factos não são novidade, mas também no interior da Europa. O recente assassinato do padre francês e o atropelo da multidão em Nice abalaram França.

Tomando posição de uma forma algo inédita, a comunidade muçulmana juntou-se aos fiéis católicos no passado Domingo.

O DN tem uma reportagem que nos fala de todo isto e lança um raio de luz no meio da penumbra incompreensível do sofrimento gratuito: Muçulmanos franceses rezam com católicos pelo padre francês assassinado

Diaconisas para breve?

Ventos novos, boas novas

O Papa Francisco criou uma comissão para o estudo do diaconado de mulheres, anunciou o Vaticano no passado dia 2 de Agosto. A comissão formada na sua metade por mulheres, irá aprofundar a questão. Em anexo segue um link da revista católica norte-americana: comissão para o diaconado de mulheres

Porque estou aqui

Sinto-me privilegiado por ter encontrado na Igreja um lugar vazio, feito à minha medida. É certo que tê-lo encontrado (ou encontrá-lo renovadamente, pois não é dado adquirido) foi também mérito da minha sede, do meu empenho, de não baixar os braços e achar, passivamente, que não seria possível. Passo a contextualizar: a comunidade onde vou à missa é pequena e acolhedora, e podia bem não o ser. Ao mesmo tempo, sentia um desejo grande de reflexão de vida cristã e encontrei um casal (heterosexual) que tinha a mesma vontade. Começámo-nos a reunir semanalmente numa pequena comunidade de oração e reflexão que, apesar de crítica, nos tem ajudado a sermos Igreja e a nela nos revermos. Paralelamente, face ao contínuo desencanto em relação a algumas posturas e pontos de vista de uma Igreja mais institucional e hierárquica, tive a graça de encontrar um grupo de cristãos homossexuais, que se reuniam com um padre regularmente, sem terem de se esconder ou de ocultar parte de si.

Sei que muitos cristãos homossexuais nunca pensaram sequer na eventualidade de existirem grupos cristãos em que se pudessem apresentar inteiros, quanto mais pensarem poder tomar parte e pôr em comum fé, questões, procuras, afectos e vidas.

Por tudo isto me sinto grato a Deus e me sinto responsável para tentar chegar a quem não teve, até agora, uma experiência tão feliz como a minha.

Este blogue também é teu

São benvindos os comentários, as perguntas, a partilha de reflexões e conhecimento, as ideias.

Envia o link do blogue a quem achas que poderá gostar e/ou precisar.

Se não te revês neste blogue, se estás em desacordo com tudo o que nele encontras, não és obrigado a lê-lo e eu não sou obrigado a publicar os teus comentários. Haverá certamente muitos outros sítios onde poderás fazê-lo.

Queres falar?

Podes escrever-me directamente para

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Nota: por vezes pode demorar algum tempo a responder ao teu mail: peço-te compreensão e paciência. A resposta chegará.

Os textos e as imagens

Os textos das mensagens deste blogue têm várias fontes. Alguns são resultados de pesquisas em sites, blogues ou páginas de informação na Internet. Outros são artigos de opinião do autor do blogue ou de algum dos seus colaboradores. Há ainda textos que são publicados por terem sido indicados por amigos ou por leitores do blogue. Muitos dos textos que servem de base às mensagens foram traduzidos, tendo por vezes sofrido cortes. Outros textos são adaptados, e a indicação dessa adaptação fará parte do corpo da mensagem. A maioria dos textos não está escrita segundo o novo acordo ortográfico da língua portuguesa, pelo facto do autor do blogue não o conhecer de forma aprofundada.

As imagens que ilustram as mensagens são retiradas da Internet. Quando se conhece a sua autoria, esta é referida. Quando não se conhece não aparece nenhuma referência. Caso detectem alguma fotografia não identificada e conheçam a sua autoria, pedimos que nos informem da mesma.

As imagens são ilustrativas e não são sempre directamente associáveis ao conteúdo da mensagem. É uma escolha pessoal do autor do blogue. Há um critério de estética e de temática ligado ao teor do blogue. Espero, por isso, que nenhum leitor se sinta ofendido com as associações livres entre imagem e conteúdo.

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