Nem todos os heterosexuais são chamados a viver o celibato (aliás, poucos são-no, menos do que os que são ordenados ou consagrados). Os homossexuais também não são todos chamados a viver o celibato (e os que são, não podem ser ordenados se falarem da sua orientação sexual). Aos olhos de Deus não há cristãos de primeira e segunda categoria.
Acho que ligada a esta questão está outra que me assola (ou assusta) há muito tempo. Parece-me haver uma noção generalizada que ser homossexual se reduz a uma questão sexual. Por isso, parece-me urgente ajudar a sociedade (uso este termo - que não me agrada - por não me lembrar de um melhor) a perceber que tal como a heterossexualidade não se reduz à relação sexual, também a homossexualidade é muito mais que isso.
ResponderEliminarIsto é: não acredito que um amor heterossexual que por alguma razão não tem expressão corpórea (e há muitas às quais o/a amante e a/o amada/o são alheios - e lembro-me por exemplo da distância ou da impossibilidade física) seja de algum modo um amor menor ou mesmo incompleto, já que a expressão sexual é uma dimensão do amor, muito importante, mas não exclusiva (e muito menos que faça dessas pessoas "menos heterossexuais"). Dessa mesma forma entendo a homossexualidade, como ultrapassando em larga escala a questão puramente sexual, embora, e volto a dizer esta seja muito importante.
Jk, acho que tens toda a razão: a genitalidade é um dos muitos aspectos da sexualidade. Infelizmente constato que essa questão está tão presente nas reflexões da moral cristã, que a tornam num moralismo. Existem tantos medos, tantos receios, tantos pudores, que acaba por se dar relevância àquilo que se quer evitar a todo o custo - o que acaba por ser contra-producente. A genitalidade e as questões sexuais só podem ser compreendidas e bem vividas na medida em que são integradas numa sexualidade mais fecunda, onde sejam abordadas as questões da relação, do amor próprio e do amor pelo outro, dos afectos, da amizade, do respeito mútuo, da entrega e do acolhimento... (cito estes aspectos, mas muitos mais deverão tomar parte nesta reflexão)
ResponderEliminarA razão do título desta mensagem deve-se a esta ser uma questão viva e urgente para muitos homossexuais cristãos. Não nos devemos esquecer que os leitores do blogue estão em fases distintas nos seus processos.
ResponderEliminarMuitos parabéns! Adorei o que li até agora: franco e solidário. Creio que é pela partilha, pelo dar voz, que a Igreja pode e deve mudar acolhendo-nos a todos, tal como Deus nos acolhe nas suas mãos, todas as horas da nossa vida. Obrigada pelo testemunho e ideia. Afinal parece que um homossexual também pode conseguir relacionar-se de uma forma criativa e fecunda com os outros. Quem diria... ;-P
ResponderEliminarObrigado pelo teu interesse. Sim, eu acredito que Deus não nos deu esta capacidade criativa para estarmos de braços cruzados, mas participarmos na construção de uma sociedade melhor. E sinto como um chamamento (uma vocação) esta vontade de ir à procura, de trilhar caminhos e de procurar o meu. Nem todos os caminhos foram já experimentados e trilhados: por vezes somos os primeiros a fazê-lo.Claro que é mais assustador, porque não temos o termo de comparação, não temos a experiência acumulada. Mas não deixa de ser importante dar esse passo e creio ser a única forma de sermos plenamente cidadãos do mundo.
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