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quinta-feira, 22 de abril de 2010

dias da música

Porque não nos alimentamos só do que comemos, aqui fica uma sugestão: no próximo fim de semana (de sexta a Domingo) no CCB em Lisboa, celebram-se os dias da música. É uma oportunidade única para ouvir boa música a bom preço.

sexta-feira, 16 de abril de 2010

como prometido

Como podem constatar, a mensagem anterior foi publicada por um diferente moderador: é um psicólogo, é cristão e é homossexual. Acredito que seja um contributo valioso e mais um olhar sobre questões que nos interessam.

quinta-feira, 15 de abril de 2010

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“juntos na vida, juntos na morte”
inscrição no túmulo de Niankhknum e Khnumhotep, em 2430 a.C.

Muitos séculos, muitas vidas, muitas formas de pensar e perceber o Homem e a sociedade, nos separam do Antigo Egipto em que a homossexualidade era socialmente aceite e integrada e a “modernidade” deste século XXI... apesar de desde 1974, a Associação Americana de Psiquiatria não categorizar a homossexualidade como doença mental (apesar de continuar presente como distúrbio minor), tendo sido definitivamente abandonada de qualquer tipo de categoria de diagnóstico em 1987, muitos continuam a querer convencer ou convencer-se de que a homossexualidade é um desvio. E se não é “doença” é uma escolha, um capricho de alguns homens e mulheres que escolhem esta “forma de estar”, vivendo a sua sexualidade de forma pervertida para escandalizar e trazer problemas a tantas famílias e instituições de “bem”. O reconhecimento pela comunidade psiquiátrica de que a orientação sexual não é uma “doença” foi um passo muito importante para a compreensão da orientação sexual – é que se não é uma doença, não tem cura... mas muitos continuam a achar que é uma escolha, mas nós sabemos que não é...e penso que este pode ser o ponto de partida para a nossa reflexão: ser e pensar/opinar são coisas muito diferentes!

Somos homossexuais e somos católicos... somos! E tal como não escolhi ser homossexual, acredito que também não escolhi ter fé e insistir em querer relacionar-me com Deus nesta Igreja que é a minha... foi-me concedido de graça e pela Graça! Estamos a falar da nossa identidade – conjunto de aspectos conscientes e inconscientes que nos habitam e nos diferenciam– que está intrinsecamente marcada por estes dois aspectos tão importantes: o desejo de Deus e o desejo erótico por pessoas do mesmo sexo que o meu, tendo esta forma de ser reflexo naquilo sou, acredito, aspiro e faço. São infinitas as possibilidades de conjunção de todas estas (e outras) variáveis, por isso devemos falar de “identidades” e não de “identidade”, assim como de “homossexualidades” e não de “homossexualidade”.

Outra verdade de ser humano é a necessidade de pertença, por isso pertencemos a vários grupos (ou precisamos pertencer) – sociedade civil, grupo religioso, família – grupos que tantas vezes me levam a dividir naquele(a) que sou e naquele(a) que os outros esperam que eu seja. Esta dissociação que pode ser necessária por uma questão de sobrevivência, gera conflito(s) interiores que afecta(m) os meus pensamentos, emoções, sensações e intuições (a minha psique), e estes conflitos expressam-se sobre a forma de sintomas, linguagem das perturbações do humor, da ansiedade, somatoformes, do sono ou outras, conforme as minhas fragilidades e características mais profundas.

É para partilhar estes conflitos que este espaço pode servir... a abordagem desta “secção de psicologia” é aquela que tentei apresentar: sou o conjunto de tudo aquilo que em mim é verdade, não sendo possível ignorar uma parte de mim, sem experimentar consequências...
Este espaço não será um “consultório on-line” pois estou convicto que só a relação cura – e eu, pelos grupos a que pertenço (ou preciso pertencer) também aqui me “escondo” atrás de uma máscara que se chama LaioeCrisipo. Mais do que tratar conceitos teoricamente, sinto que este espaço poderá ser um encontro de vidas que experimentam o difícil e o belo de ser homossexual, olhando o significado que isso tem na minha psique e consequentemente na minha vida de todos os dias.

Poderão sempre deixar os vossos comentários/questões publicamente, ou escrever-me directamente para o mail laioecrisipo@gmail.com.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

capa da Pública: Como é ser gay e católico em Portugal

Eis uma grande reportagem que traz à luz uma realidade tão escondida quanto desconhecida.

texto de Alexandra Lucas Coelho
fotografia de Enric Vives-Rubio

"Estas histórias falarão por milhares de portugueses: homens e mulheres, catequistas e ex-seminaristas, professores, gestores, artistas. São católicos homossexuais praticantes."

aqui segue o link:
http://www.publico.pt/Sociedade/eles-sao-catolicos-homossexuais-e-praticam_1431894?all=1

Testemunhos

Sou gay, católico e acredito que Jesus estaria do meu lado
por Vanda Marques com Sandra Pereira, Publicado em 10 de Abril de 2010
http://www.ionline.pt/conteudo/54726-testemunhos-sou-gay-catolico-e-acredito-que-jesus-estaria-do-meu-lado

Brevemente: Psicologia e Teologia

Surgiu a ideia de trazer dois contributos relevantes para um cristão homossexual. Este blogue terá dois novos moderadores, um psicólogo e um teólogo, que poderão partilhar os seus pontos de vista nestas duas áreas tão diferentes e tão essenciais à vida de uma pessoa que se quer conhecer, encontrar e crescer.

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Atirar a primeira pedra

Mas que frenesim é este de defender o indefensável? Sim, é verdade, a hierarquia da Igreja tem calado muitos casos de pedofilia. Sim, é verdade, a hierarquia não tem sido lista a resolver os problemas, nem eficaz: a maior parte das vezes muda o padre em questão de sítio, com a esperança vã que ele mude de comportamentos, ou então recicla-o em Roma. Mas um comportamento desviado e doentio não se trata assim! Sim, é verdade que todos somos falíveis que ninguém se pode declarar inocente e sem mancha. Mas como é que isto pode servir de desculpa para calar o que se tem de denunciar, para resolver o que se tem de resolver, para decidir o que se tem de decidir e para não pôr em banho-maria o que é urgente? Sim, é verdade, não basta pedir desculpa e lamentar, chorar sobre leite derramado! Tem de se evitar a todo o custo que o escândalo seja cortado pela raíz! Sim, é verdade que a hierarquia é célere em pôr paninhos sobre questões como estas, mas não se inibe de marcar com o peso da culpa pessoas que se divorciaram, pessoas que vivem em união de facto ou pessoas homossexuais... Estamos a tempo de evitar futuros pedidos de desculpa! Não se trata de argumentar com a imagem de Maria de Magdala, pois essa imagem fora da fé cristã não tem cabimento. Isto é uma questão de conversão dentro da Igreja, reconhecer o erro e agir para não o repetir. Foi a ponta de um iceberg que apareceu, muitos mais casos virão à luz do dia, até no nosso país à beira mar plantado. A hierarquia não precisa tanto que demonstremos a nossa solidariedade com o seu pecado de omissão, mas que sejamos maduros na nossa fé e sejamos solidários com a sua virtude da humildade e com a sua acção misericordiosa e compassiva para com as reais vítimas destes acontecimentos. Qualquer semelhança dos casos de pedofilia com perseguição a inocentes é mera ficção.