Documentos em destaque no blogue

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Sexo, amor e homofobia

Eis o livro com prefácio de Desmond Tutu recém lançado pela Amnistia Internacional, referido na mensagem abaixo a homofobia é como o apartheid.
http://www.amnesty.org.uk/news_details.asp?NewsID=15450

Os laços deslassados

Ainda há preconceito, ainda há ideias feitas que falam mais forte do que o amor entre pais e filhos. Ainda há gente que sofre consequências dilacerantes por afirmar quem é, por aceitar seguir o que o seu coração ordena.
Dedico este vídeo a uma pessoa muito especial e corajosa - e a todos os que vivem situações semelhantes - que viveu a ruptura familiar e o drama de ter de sair de casa por desejar ser mais inteira.

Maria João & Mário Laginha - Beatriz (Edu Lobo/Chico Buarque)

Carta de um padre aos pais que têm filhos com orientação homossexual

Prezados pais,
Os vossos filhos são um presente de Deus criador a vós e à humanidade, assim como a vida de todo o ser humano. E vocês são para eles um instrumento da Providência divina, para que tenham vida, afecto, educação e valores.

Chamamos Deus de ‘Pai’, conforme a nossa tradição judaico-cristã. Usamos a nossa linguagem e experiência humanas para nos dirigirmos a alguém que ultrapassa os limites do mundo e da nossa vivência. Também reconhecemos nele os traços da ternura materna. A experiência do amor incondicional, que os pais proporcionam, é fundamental para o despertar da fé e para uma sadia relação com Deus.

Ter filhos homossexuais remete-vos para a complexa realidade da diversidade sexual. Ao longo da história e em diferentes culturas, esta questão foi tratada de vários modos.

A nossa tradição de séculos longínquos e recentes já considerou a relação entre pessoas do mesmo sexo uma abominação e uma séria doença, impondo um pesado fardo a gays e lésbicas. No entanto, há mudanças que não podem ser negligenciadas, como a evolução dos direitos humanos, a superação da leitura à letra da Bíblia e, nos anos 90 do século passado, a supressão da homossexualidade da lista de doenças da Organização Mundial de Saúde. Trata-se de uma condição, e não de uma opção, que alguns carregam por toda a vida.

A sociedade e as famílias necessitam aprender uma nova maneira de lidar com a homoafectividade; a Igreja Católica, que é parte da sociedade, também. Ao se falar da Igreja, frequentemente pensa-se em proibições e condenações. Este não é um ponto de partida adequado.

A Igreja ensina que ninguém é um mero homo ou heterossexual, mas antes de tudo um ser humano, criatura de Deus e, pela graça divina, filho Seu e destinado à vida eterna. E acrescenta que os homossexuais devem ser tratados com respeito e delicadeza. Deve-se evitar para com eles toda a forma de discriminação injusta.

No nível local, há mudanças importantes acontecendo na Igreja. Em 1997, os bispos católicos norte-americanos escreveram uma bela carta pastoral aos pais dos homossexuais. O título é: Always our children (Sempre Os Nossos Filhos). Segundo eles, Deus não ama menos uma pessoa por ela ser gay ou lésbica. A SIDA não é um castigo divino. Deus é muito mais poderoso, mais compassivo e, se for preciso, mais capaz de perdoar do que qualquer pessoa neste mundo. Os bispos exortam os pais a amarem-se a si mesmos e a não se culparem pela orientação sexual dos filhos, nem pelas suas escolhas. Os pais de homossexuais não são obrigados a encaminhar os seus filhos para terapias de reversão para torná-los heteros. Os pais são encorajados, sim, a demonstrar-lhes amor incondicional. E dependendo da situação dos filhos, observam os bispos, o apoio da família é ainda mais necessário.

Prezados pais, os vossos filhos serão sempre vossos filhos. Vocês não fracassaram e nem erraram por causa da sua orientação sexual. O estigma de infâmia e de doença ligado à homossexualidade precisa ser vencido. A aceitação da condição de vossos filhos torna a vida de ambos muito melhor e mais feliz. Esta tarefa não é fácil, mas também não é impossível. A prova disso é o depoimento de tantos pais que já o conseguiram, ainda que tenham levado alguns anos.

A confiança no bom Deus, fonte de todo o bem e do amor incondicional, há de tornar este caminho mais suave e com êxito.

Cordialmente,
Pe. Luís Corrêa Lima, S.J

Ciclo de cinema LGBT em Cascais

À semelhança do ciclo em Lisboa no mês de Abril passado, a rede ex aequo vai organizar com o apoio da Câmara Municipal de Cascais um ciclo no próximo mês.

Será entre os dias 17 de 19 de Setembro. As exibições dos filmes (seguidas de debate), estão marcadas para o Espaço Memória dos Exílios, na Avenida Marginal, 7152 -A.
A entrada é livre e os filmes estão legendados em português.
http://www.rea.pt/

A homofobia é como o apartheid

O antigo líder da Igreja Anglicana da África do Sul [Desmond Tutu] fez esta afirmação no lançamento do livro “Sex, Love & Homophobia”, publicado no passado mês de Julho pela Amnistia International – Reino Unido. Tutu escreveu o prefácio do livro editado por esta organização de defesa dos direitos humanos.

"Nós combatemos o apartheid em África, apoiados por pessoas de todo o mundo, porque nós negros eramos acusados e passávamos por um enorme sofrimento relacionado com algo que não podíamos alterar: a cor da nossa pele", escreveu este líder religioso. “Passa-se o mesmo com a orientação sexual. Esta é um dado adquirido”, acrescentou.

Desmond Tutu disse que não poderia ter lutado contra a discriminação imposta pelo apartheid sem lutar contra a discriminação sofrida pelos homossexuais. “Tenho orgulho que na África do Sul, quando tivemos finalmente a oportunidade de escrever a nossa própria constituição, os direitos humanos tenham ficado explicitamente inscritos nas nossas leis” disse, acrescentando que espera que em breve esse seja também o caso de outros países.

A África do Sul é até agora o único país do mundo em que a constituição garante direitos iguais independentemente da orientação sexual. Esta posição contrasta com a dos seus países vizinhos nos quais a homossexualidade é muitas vezes punida pelo código penal.

"No entanto, um pouco por todo o mundo, lésbicas, gays, bissexuais e transgéneros são perseguidos" escreve o Arcebispo Tutu. “Tratamo-los como párias e empurramo-los para fora das nossas comunidades. Fazemos com que duvidem que também eles são filhos de Deus – e essa é a última das blasfémias. São acusados simplesmente por serem quem são” acrescenta.

"As Igrejas dizem que a expressão do amor numa relação heterossexual monogâmica – incluindo o lado físico, o tocar-se, abraçar-se, beijar-se, o acto genital – reflecte a totalidade do nosso amor assim manifestado, faz-nos crescer transformando-nos e aproximando-nos de Deus tornando-nos mais próximos do outro, mais solidários. Se é assim para os heterossexuais, porque razão não haverá de ser igual para os homossexuais?” pergunta Tutu.

Também no seio da Igreja Anglicana Sul Africana, a homossexualidade tem sido muito controversa a ponto de ter ameaçado a divisão da própria comunidade anglicana. O actual líder da Igreja Anglicana na África do Sul , Njongonkulu Ndungane, tem sido um grande defensor da inclusão dos homossexuais na comunidade da Igreja, em conflito com outros líderes de outras Igrejas Anglicanas.

Neste livro recém editado, a Aministia Internacional relata histórias de gays e lésbicas um pouco por todo o mundo. Estas incluem Poliyana Mangwiro que liderou o movimento de Gays e Lésbicas do Zimbabwe apesar do Presidente Robert Mugabe defender que a homosexualidade é contra “as tradições Africanas”.

O livro também inclui a história de Simon Nkoli, um Sul Africano activista do ANC que depois de ter passado quatro anos na prisão sob o regime do apartheid continuou a lutar pelos direitos dos gay na África do Sul. Refere ainda histórias de ódio, medo e perseguição que são relatadas a partir da Nigéria, Egipto e outros países, para além de testemunhos de estados em que a homossexualidade é punida com pena de morte; incluindo Sudão, Mauritania e alguns estados da Nigéria do Norte.

Para o Arcebispo Tutu, estas "forças destrutivas" feitas de "maldade e preconceito" são diabólicas. “Um pai que eduque um filho para ser racista estraga esse filho, estraga a comunidade em que ele vive, estraga os nossos desejos de um mundo melhor. Um pai que eduque um filho dizendo-lhe que só há uma orientação sexual e que qualquer outra está errada nega a nossa humanidade assim como a sua própria humanidade,” conclui Desmond Tutu.

Traduzido a partir de:afrol News, 7 Julho 2010 pela amplos

A primavera da Igreja

Neste mês de Agosto celebram-se os 70 anos do começo da comunidade de Taizé, em França. Foi em 1940 que o jovem irmão Roger percorria de bicicleta a zona francesa a norte de Lyon para encontrar um local para começar uma comunidade. Taizé foi a aldeia que escolheu, próxima da região franca (neutra): estavamos em plena Segunda Guerra Mundial.

Foi há 5 anos que morreu o fundador desta comunidade. O irmão Roger foi morto em plena oração comunitária, um acto louco e incompreensível para todos os que conhecem Taizé.

Aqui fica uma pequena nota de louvor, para aquela comunidade que sempre - desde o seu começo - soube acolher e partilhar uma vida simples de oração e beleza com quem por lá passa. João Paulo II deu a Taizé este título carinhoso: a primavera da Igreja. Uma comunidade que acolhe, não olhando a raças, culturas ou confissões. Um exemplo de porta aberta, de Igreja arejada pelo Espírito e fiel às suas primeiras intuições.

A primeira sondagem do blogue

14 leitores participaram na primeira sondagem do blogue. À pergunta o que achas do teor deste blogue? as votações foram as seguintes:

71% (10 votantes) consideram-no importante e com bom conteúdo
57% (8 votantes) acham-no original, abrangente e informativo
50% (7 votantes) afirmam que é recomendável
42% (6 votantes) julgam ser acessível e eficaz
35% (5 votantes) dizem que é original e plural
28% (4 votantes) acreditam que é inovador
21% (3 votantes) vêem-no apelativo
14% (2 votantes) crêem-no ineficaz
7% (1 votante) cataloga-o como desintesessante, irrelevante, elitista, conservador e a não recomendar

Julgo ter sido uma sondagem positiva, com uma clara maioria para adjectivos lisonjeadores e que nos revela também uma pequena amostra proporcional do tipo de leitores do blogue.
A quem já voltou de férias: bom regresso!