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domingo, 24 de julho de 2011

Um Papa aberto ao mundo da Arte

Discurso de Bento XVI na inauguração da exposição "O esplendor da verdade, a beleza da caridade"


Senhores Cardeais,
Venerados Irmãos no Episcopado e no Sacerdócio,
Caros Amigos,

é para mim uma grande alegria encontrar-vos e receber a vossa homenagem criativa e multifacetada por ocasião do 60.º aniversário da minha ordenação sacerdotal. Sou-vos sinceramente grato pela vossa proximidade nesta ocasião tão significativa e importante para mim. Na celebração eucarística do passado 29 de junho, Solenidade dos Santos Apóstolos Pedro e Paulo [dia do 60.º aniversário da ordenação sacerdotal de Bento XVI], agradeci ao Senhor pelo dom da vocação sacerdotal. Hoje agradeço-vos pela amizade e gentileza que me manifestastes. Saúdo cordialmente o Cardeal Angelo Sodano, decano do sacro Colégio [Cardinalício], e o Cardeal Gianfranco Ravasi, presidente do Conselho Pontifício da Cultura, que, juntamente com os seus colaboradores organizaram esta singular manifestação artística, e agradeço-vos pelas palavras amáveis que me dirigiram. Endereço também a minha saudação a todos os presentes, de modo particular a vós, caros artistas, que acolhestes o convite para a apresentar uma criação vossa nesta mostra.

O nosso encontro de hoje, no qual tenho a alegria e a curiosidade de admirar as vossas obras, pretende ser uma nova etapa deste percurso de amizade e diálogo que estabelecemos a 21 de novembro de 2009, na Capela Sistina, um acontecimento que trago ainda gravado no coração. A Igreja e os artistas tornam a encontrar-se, a falar-se, a sustentar a necessidade de uma conversa que quer e deve tornar-se sempre mais intensa e articulada, mesmo para oferecer à cultura, sobretudo às culturas do nosso tempo, um exemplo eloquente de diálogo fecundo e eficaz, orientado para tornar este nosso mundo mais humano e mais belo.
Hoje apresentais-me o fruto da vossa criatividade, da vossa reflexão, do vosso talento, expressões dos variados âmbitos artísticos que representais: pintura, escultura, arquitetura, joalharia, fotografia, cinema, música, literatura e poesia. Antes de as admirar juntamente convosco, permiti-me que nos detenhamos um breve momento sobre o sugestivo título desta Exposição: “O esplendor da verdade, a beleza da caridade”. Precisamente na homilia da missa pro eligendo pontifice [eucaristia para a eleição pontifícia, em 18.4.2005, presidida por Bento XVI, então cardeal Joseph Ratzinger], comentei a bela expressão de São Paulo da Carta as Efésios “veritatem facientes in caritate” (4,15), e disse que “fazer a verdade na caridade” como uma fórmula fundamental da existência cristã. E acrescentei: “Em Cristo, coincidem verdade e caridade. Na medida em que nos aproximamos de Cristo, também na nossa vida, verdade e caridade fundem-se. A caridade sem verdade seria cega; a verdade sem caridade seria como "um címbalo que retine" (1 Cor 13, 1).”

É da união, eu diria da sinfonia, da perfeita harmonia de verdade e caridade, que emana a autêntica beleza, capaz de suscitar admiração, deslumbramento e alegria verdadeiras no coração dos homens. O mundo em que vivemos tem necessidade de que a verdade resplandeça e não seja ofuscada pela mentira ou pela banalidade; tem necessidade de que a caridade se incendeie e não seja vencida pelo orgulho e pelo egoísmo. Precisamos que a beleza da verdade e da caridade atinja o íntimo do nosso coração e o torne mais humano.
Caros amigos, gostaria de renovar a vós e a todos os artistas um apelo amigo e apaixonado: nunca separeis a criatividade artística da verdade e da caridade, nunca procureis a beleza longe da verdade e da caridade, mas com a riqueza do vosso génio, do vosso impulso criativo, sede sempre, com coragem, buscadores da verdade e testemunhos da caridade; fazei resplandecer a verdade nas vossas obras e fazei de modo que a sua beleza suscite no olhar e no coração de quem as admira o desejo e a necessidade de tornar bela e verdadeira a existência, toda a existência, enriquecendo-a daquele tesouro infalível, que faz da vida uma obra-prima e de cada homem um extraordinário artista: a caridade, o amor.

O Espírito Santo, artífice de toda a beleza que há no mundo, vos ilumine sempre e vos guie para a Beleza última e definitiva, que aquece a nossa mente e o nosso coração e que esperamos poder contemplar um dia em todo o seu esplendor. Uma vez mais, obrigado pela vossa amizade, pela vossa presença e por trazeres ao mundo um raio desta Beleza, que é Deus. De todo o coração vos concedo, aos vossos queridos e a todo o mundo da arte a minha Bênção Apostólica.

Bento XVI
Vaticano, 04.06.2011
Trad.: Rui Martins
in SNPC | 05.07.11 

Pensar a crise

Os Encontros do Lumiar (nas Monjas Dominicanas) do próximo ano vai abordar o tema Do Bom uso das Crises.

Programa:


15,30 H. CONFERÊNCIA
Seguida de debate e intervalo para o chá
EUCARISTIA

22 Out. É este o tempo de semear?
Serão as crises uma oportunidade?
P. Anselmo Borges

12 Nov. “Entre a dor e o riso”
Tempos interiores de mudança
Leonor Xavier e Alice Vieira

17 Dez. O elogio das crises de Fé
P. José Tolentino Mendonça

14 Jan. Da necessidade do caos para gerar
a estrela que dança
Uma conversa sobre economia
João Meneses

11 Fev. Crise e esperança no itinerário
espiritual de Etty Hillesum
P. Nélio Pita

10 Mar. A crise Pascal e a refiguração
do mundo
Isabel Allegro de Magalhães

12 Maio A crise como caminho para
a Sabedoria em José Augusto Mourão
Teresa Cruz

23 Jun. Viver no aberto de Deus e do mundo
P. José Tolentino Mendonça

25 -29 Jun. TARDES DE RETIRO
P. José Tolentino Mendonça


Num tempo em que escasseiam os mestres, não serão as crises os grandes mestres que têm alguma
coisa a ensinar-nos? É verdade que as crises representam, muitas vezes, aprendizagens interiores e históricas difíceis, para as quais raramente nos considerámos preparados. Mas não escutar, aturadamente, o que as crises nos dizem é desperdiçar uma oportunidade para aceder àquela profundeza que pode devolver sentido à vida.
Talvez precisemos compreender que, no decurso do nosso caminho, colectivo e pessoal, as crises nos
acontecem para que seja evitado algo pior. E pior o que é? Christiane Singer escreve: «O pior é ter tido a infelicidade de atravessar a vida sem naufrágios, é ter ficado apenas à superfície das coisas, ter dançado um enganador baile de máscaras, ter ficado a chapinhar na rasura do diz que diz, das meras aparências e nunca ter habitado uma vida que lhe pertencesse.»
Pe. José Tolentino de Mendonça

Contactos:
Mosteiro de Santa Maria
Quinta do Frade, à Praça Rainha Dª Filipa
1600-681 LISBOA
Tel.: 21 758 96 12
e-mail: monjas.op.lisboa@sapo.pt

Descansar sem "fechar para férias"

Vá para fora por dentro!
Tempo de férias, tempo de paragem. Tempo de passear, de ler, de fazer o que se quiser. Ir à praia, fazer uma viagem, ir visitar os amigos, encontrar alguém da família. Também pode ser um tempo para ficar simplesmente em casa, de arrumar tudo o que se foi acumulando ao longo do ano, de fazer limpezas a fundo, de pôr as coisas de novo em ordem. Talvez este ano seja mesmo um tempo em que muitos ficarão mais por casa.

“Vá para fora cá dentro!”, ouvimos nos anúncios de promoção do turismo em Portugal. Em tempo de crise, esta é capaz de ser mesmo uma grande oportunidade de passear mais no nosso país, de descobrir toda a sua beleza, por vezes ali mesmo ao virar da esquina. Oportunidade para valorizar a serenidade de dias com tempo, sem pressas.

Férias são sobretudo um tempo de descanso, de reparação, de ganhar forças. Por isso, talvez fosse bom encarar estes dias não com a urgência de conseguir encaixar tudo o que se ansiou e sonhou ao longo do ano de trabalho, mas com a expectativa do que nos pode trazer cada dia, deixando-nos levar sem pressas. Em que é que descansamos? O que é que nos descansa de verdade? Pensava como por vezes estamos tão cansados interiormente, tão dispersos, com tanto ruído, com tantas preocupações que nos consomem e tiram ânimo, liberdade, lucidez. Nada que uns dias na praia não resolvam, pensamos nós. Sim, é verdade, os dias na praia com certeza que ajudam a acalmar. Mas o verdadeiro descanso precisa também de uma paragem e de um reencontro interior.

“Vá para fora por dentro!”, este poderia ser o mote para umas férias de fundo, em que a paragem exterior é acompanhada por uma renovação interior. Fazer silêncio e ir abrandando os motores, deixando a poeira assentar, deixando vir ao de cima tudo o que vai ficando abafado com o imediato do dia a dia. Ordenar a vida, arrumar “a casa”, perceber o que me tem vindo a cansar ao longo do ano, perceber onde me encontro, onde descanso, onde me sinto em paz, e onde me sinto dividido. Dar tempo às limpezas internas, deixando o sol entrar bem por todos os poros. Isto sim, é descansar.

Atrevermo-nos a reservar uns dias das nossas férias para pararmos por dentro e descansarmos em Deus, é sem dúvida uma aposta ganha. Não se trata apenas de trazer Deus para as férias, trata-se de reservar um tempo para estar de férias sobretudo com Ele. Nem sempre a vida permite “este tempo”, mas cada um, segundo a sua realidade e as suas possibilidades, pode procurar como pôr este plano em prática, na certeza de que o “vá de férias por dentro” se pode sempre concretizar, por mais magro que seja o nosso orçamento de férias e por menos tempo que tenhamos apenas por nossa conta. Fazer um retiro de fim de semana em algum centro de espiritualidade? Fazer uma peregrinação? Fazer um retiro de silêncio de uma semana? Procurar uma abadia com hospedaria onde possa ter um tempo mais forte de oração e contemplação da natureza? Várias e diversas são as ofertas neste “nicho de mercado”, cada um deverá descobrir o “pacote turístico” que mais lhe convier. Trata-se de pôr a criatividade a funcionar e “partir” para um tempo e espaço tendo como principal bagagem nós próprios.

Encarar as férias como tempo para voltar ao essencial faz com que a nossa atenção fique mais desperta, a nossa sensibilidade mais apurada. Tudo passa a ocupar o lugar que lhe é devido e ficamos mais preparados para viver cada dia agradecidos, enfrentando com mais força as dificuldades que vão surgindo. O regresso ao dia a dia e ao trabalho será mais suave e com mais sentido.

Com estes dias pelo meio, as férias por fora ganham então outra dimensão: o mar na praia envolve-nos na sua imensidão, as montanhas onde fazemos caminhadas falam-nos do mistério da Criação; os jantares e petiscos com os amigos tornam-se espaços de partilha de vida; os dias passados na nossa terra trazem-nos à memória a nossa história; os dias de descanso passados em casa são de facto reparadores. E esta paz de fundo vai-se prolongando no regresso à vida do dia a dia, deixando a marca que nos faz ir percebendo quando devemos parar no meio das correrias, nos curtos espaços de tempo possíveis.

É o Senhor que nos diz “Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, que Eu hei de aliviar-vos. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração e encontrareis descanso para o vosso espírito. Pois o meu jugo é suave e o meu fardo é leve.” (Mt 11, 25-30)Pois é isso mesmo, aqui está um bom convite para estas férias!

Margarida Alvim
Fundação Evangelização e Culturas
In Agência Ecclesia, publicado por SNPC

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Lucian Freud

Morreu um grande homem das artes, foi um marco na pintura do século XX. Chama-se Lucian Freud. A ele presto a minha homenagem e fico-lhe grato pelo contributo que deu ao mundo.

Ler aqui e aqui um artigo sobre a sua vida, obra e morte.

Ver trabalho de Lucian Freud no Porto

Uma das mais famosas pinturas de Lucian Freud, que morreu quarta-feira em Londres, está patente no Espaço Fundação EDP Porto até 23 de outubro, integrada na exposição «My Choice - Obras Selecionadas por Paula Rego na Colecção British Council».

Para conhecer melhor o trabalho de Lucian Freud, pode visitar algumas das suas obras aqui.

sábado, 2 de julho de 2011

Festival ao Largo 2011

O Verão está aí e com ele mais uma proposta cultural

Festival ao Largo 2011 - Exterior ao Teatro S. Carlos
30 Jun a 31 Jul

O Festival ao Largo promete animar as noites de Verão, transformando um dos seus largos mais emblemáticos num palco de excelência, com perto de duas dezenas de espectáculos de música sinfónica, coral-sinfónica e dança entre 30 de Junho e 31 de Julho, sempre às 22h e de entrada gratuita.

Programação Festival ao Largo 2011

30 Jun( 5ª F)
1001 Noites
Orquestra Gulbenkian
Susana Gaspar, soprano
Martin André, direcção musical

2 Jul( Sábado)
Polichinelo e O Amor Feiticeiro
Orquestra Gulbenkian
Patrycja Gabrel, soprano
Joana Nascimento, contralto
Mário João Alves, tenor
João Fernandes, baixo
Pedro Neves, direcção musical

4, 5 Jul( 2ª e 3ª F)
Músicas do Mundo - Canto Harmónico de Tuva
Ensemble TUVA (República de Tuva, Rússia)

7, 8 Jul( 5ª e 6ª F)
Estrelas e Planetas
Orquestra Sinfónica Portuguesa
Coro do Teatro Nacional de São Carlos
Jorge Vaz de Carvalho, barítono
Julia Jones, direcção musical

9, 10 Jul( Sábado e Domingo)
Noite Italiana
Orquestra Metropolitana de Lisboa
Cesário Costa, direcção musical

13, 14 Jul( 4ª e 5ªF)
Diálogos, Piano & Percussão
Mário Laginha e Bernardo Sassetti, piano
Elizabeth Davis, Pedro Carneiro, percussão
Artur Pizarro e Vita Panomariovaite, piano

16, 17 Jul( Sábado e Domingo)
Baile Vienense
Orquestra Sinfónica Portuguesa
Peter Guth, direcção musical

19 Jul(3ªF)
Noites de Ópera: Os Grandes Coros
Coro do Teatro Nacional de São Carlos
Kodo Yamagishi, piano
Giovanni Andreoli, direcção musical

22, 23 Jul( Sábado e Domingo)
Noites de Ópera: Grandes Aberturas
Orquestra Sinfónica Portuguesa
Martin André, direcção musical

27, 28 Jul ( 4ª e 5ª F)
Uma coisa em forma de assim
Companhia Nacional de Bailado
Co-criação de 9 Coreógrafos
Música e Interpretação de Bernardo Sassetti (Piano)

30, 31 Jul( Sábado e Domingo)
Noite de Ronda
Companhia Nacional de Bailado
Olga Roriz, coreografia

S. Bento celebrado em Tibães: cultura no mosteiro

Mosteiro de Tibães evoca S. Bento com música, liturgia e cinema

O Mosteiro de S. Martinho de Tibães, na arquidiocese de Braga, realiza em julho a iniciativa "Mês de S. Bento".

As oito atividades culturais e religiosas, que resultam de uma parceria com a paróquia de Mire de Tibães e a Direção Regional de Cultura do Norte, visam evocar a memória e atualidade de um dos santos padroeiros da Europa, festejado liturgicamente a 11 de julho.

Os eventos têm entrada livre e gratuita, excepto o jantar para o qual é necessária inscrição (25 euros)

Programa

Dia 2
17h30: Concerto: Percursos da Polifonia Sacra (Curso de Licenciatura em Música da Universidade do Minho)

Dia 8
21h30: Cinema: “O Grande Silêncio” (ao ar livre, na plataforma do Claustro do Refeitório)

Dia 9
18h30: Concerto: Percursos dos tempos litúrgicos (Coro Gregoriano do Porto)

Dia 10
18h30: Vésperas I da solenidade de São Bento (presididas pelo arcebispo de Braga, D. Jorge Ortiga)

20h00: Jantar de São Bento (preço de 25 Euros, por inscrição) (Restaurante “L’Éau Vive” de Tibães (ementa monástica, encontrada nos arquivos do Mosteiro de Tibães))

Dia 16
18h30: Concerto: Cappella Bracarensis

Dia 23
21h30: Cinema: “Dos homens e dos deuses” (ao ar livre, na plataforma do Claustro do Refeitório)
Nota: já se escreveu neste blogue sobre este filme. Quem puder ver, não perca a oportunidade!

Dia 24
18h00: Concerto: Capella Musical Cupertino de Miranda (no âmbito do Festival Internacional de Polifonia Portuguesa)

Noites de Verão nos Museus

Palácio de Seteais (nota: este palácio não consta no programa)
5.as à Noite nos Museus. Verão 2011
30 Junho a 8 Setembro 2011

Alguns Museus e Palácios do Instituto dos Museus e da Conservação de Lisboa, Porto, Guimarães e Évora
Horário: 18h00-23h00
Entrada gratuita (algumas actividades requerem pagamento)

Ler aqui o programa, datas e museus

O projecto conta com a abertura nocturna à quinta-feira de alguns Museus e Palácios do Instituto dos Museus e da Conservação (IMC). Ao longo de 9 quintas-feiras, 13 espaços museológicos do IMC vão abrir as suas portas “fora de horas”, proporcionando aos visitantes experiências culturais únicas, numa atmosfera inovadora, que poderão incluir: visitas encenadas, espectáculos de música erudita e popular, dança e teatro.

Região de Lisboa: Casa-Museu Dr. Anastácio Gonçalves; Museu de Arte Popular; Museu Nacional de Arqueologia; Museu Nacional de Arte Antiga; Museu do Chiado /Museu Nacional de Arte Contemporânea; Museu Nacional do Azulejo; Museu Nacional dos Coches; Palácio Nacional da Ajuda; Palácio Nacional de Mafra 

Porto: Museu Nacional Soares dos Reis 

Região Norte (Guimarães): Museu de Alberto Sampaio; Paço dos Duques

Poema português no Vaticano

O padre e poeta José Tolentino Mendonça é um dos 60 convidados para a homenagem dos artistas a Bento XVI, por ocasião do 60.º aniversário da sua ordenação sacerdotal que ocorreu a 29 de junho.

No encontro dos artistas com o Papa que vai decorrer esta segunda-feira, 4 de julho, no Vaticano, o diretor do Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura vai estar presente com um poema, que apresentará pessoalmente a Bento XVI.


O Mistério está todo na infância
E, por fim, Deus regressa
carregado de intimidade e de imprevisto
já olhado de cima pelos séculos
humilde medida de um oral silêncio
que pensámos destinado a perder

Eis que Deus sobe a escada íngreme
mil vezes por nós repetida
e se detém à espera sem nenhuma impaciência
com a brandura de um cordeiro doente

Qual de nós dois é a sombra do outro?
Mesmo se piedade alguma conservar os mapas
desceremos quase a seguir
desmedidos e vazios
como o tronco de uma árvore

O mistério está todo na infância:
é preciso que o homem siga
o que há de mais luminoso
à maneira da criança futura

A tradução para italiano que Bento XVI vai ler foi feita por Manuele Masini.

Tutto il mistero risiede nell’infanzia
E, finalmente, Dio ritorna
carico di intimità e d’imprevisto
i secoli ormai lo osservano dall’alto
umile misura di un orale silenzio
che credevamo destinato alla sconfitta

Ecco che Dio sale la scala ripida
che abbiamo ripetuto mille volte
e si trattiene in attesa senza nessuna impazienza
con la dolcezza di un agnello malato

Di noi due, chi sarà l’ombra dell’altro?
Anche se nessuna pietà conserverà le mappe
scenderemo quasi subito
smisurati e vuoti
come il tronco di un albero

Tutto il mistero risiede nell’infanzia:
è necessario che l’uomo segua
ciò che di più luminoso esiste
come fosse il fanciullo futuro

José Tolentino Mendonça
in SNPC