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sábado, 28 de julho de 2012

Muito mais que teatro

Fui ver e aconselho. É um espectáculo de teatro, mas é muito mais do que isso: é um serão intimista, é um lavar de alma e de sentidos, um exercício de simplicidade, um mergulho na poesia medieval.

LAVDA: Loas e Prantos de Nossa Senhora
O Teatro Taborda, em Lisboa, recebe na sua Capela até 31 de julho, o espetáculo “Lavda - Loas e Prantos de Nossa Senhora”, de Mestre André Dias (1348-1437).

«Lavda é um exercício de piedade mariano dividido em duas partes, as loas e os prantos. A meio caminho entre a oratória e o teatro», anuncia a nota de imprensa enviada ao Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura.

A peça segue os textos que o religioso beneditino português redigiu no “Livro de Laudas e Cantigas Espirituais” (1435). Depois de obter o grau de mestre em Teologia no ano de 1393, na Áustria, André Dias dedicou-se ao ensino da disciplina, inclusivamente em Roma. Fundou a Confraria do Bom Jesus no Convento de S. Domingos, em Lisboa, e foi nomeado bispo de Mégara, na Grécia.

A encenação, concebida e dirigida por Miguel Loureiro, sobe ao palco às 23h00, com as interpretações do diretor e de Maria Duarte, Simão Biernat e Vera Kalantrupmann.

Os bilhetes, a 7,5 euros, podem ser reservados através dos telefones 21 885 41 90 e 96 801 52 51, bem como pelo endereço eletrónico jbelo@teatrodagaragem.com.
in snpc

Quando a arte atravessa o livro

Raymond Queneau (foto de Rui Martins)
Em período de férias, como não aproveitar o que está à mão de semear para saír da rotina? Passear à beira rio, ler à sombra de uma árvore, conversar com o amigo ao pôr do sol, conhecer um museu, ir ver uma exposição. Aqui vai uma proposta para quem gosta de arte antiga, arte contemporânea e do livro como objecto de arte.

Tarefas infinitas. Quando a arte e o livro se ilimitam


A Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, inaugurou esta sexta-feira a exposição “Tarefas Infinitas. Quando a arte e o livro se ilimitam”.
O curador, Paulo Pires do Vale, colaborador do Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura, apresenta uma exposição «remete para o diálogo infinito que a arte e o livro travam há séculos» a partir das coleções do Museu Gulbenkian e da Biblioteca de Arte.
«Ao longo do percurso expositivo, livros iluminados medievais surgem em diálogo com livros de artista contemporâneos, livros ilustrados do século XVII são exibidos junto a livros conceptuais do século XX e livros de horas confrontam-se com livros futuristas e livros de poesia visual», refere o texto de apresentação publicado no site da Fundação.
Ao construir estas «pontes improváveis», o comissário quis que esta não fosse «uma exposição de livros de artista mas antes um lugar de “ensaio” no sentido filosófico», permitindo «articular e gerar sentidos entre os objetos expostos e os processos, físicos e mentais, que lhes deram existência objetual», escreve João Castel-Branco Pereira, diretor do Museu Gulbenkian.

«De modo teatral o comissário da exposição simula hesitações e dúvidas na abordagem dos livros de artista, aplicando a figura da retórica clássica que é a aporia. E com esta estratégia nos convida a confrontar a tarefa ilimitada que é a da transmissão e desenvolvimento do conhecimento de nós e do mundo, através dos livros ou da interrogação do seu valor de existência», acrescenta.

São exibidas obras e livros de artistas como Amadeo de Souza-Cardoso, Ana Hatherly, Vieira da Silva, Lurdes Castro, Alberto Carneiro, Fernando Calhau, Ed Ruscha, Filippo Marinetti, Stéphane Mallarmé, Jean-Luc Godard, William Kentridge, Gordon Matta-Clark, Lawrence Weiner, Bas Jan Adar, Diogo Pimentão, José Escada, John Latham, Robert Filliou, Christian Boltanski e Olafur Eliasson, entre outros.
in snpc

mais informação e imagens
http://www.snpcultura.org/tarefas_infinitas_quando_a_arte_e_o_livro_se_ilimitam_imagens.html
http://www.gulbenkian.pt/index.php?article=3728&langId=1&format=404

Decidir confiar, aprender a rezar


Um velho rabino atravessava a praça da aldeia, todas as manhãs, a caminho do templo para orar. Uma manhã, um cossaco abordou-o e disse-lhe: «Ó rabino, onde vais?» E o velho rabino respondeu: «Não sei.» O cossaco ficou furioso. «Não te armes em esperto comigo – gritou. – Há vinte e cinco anos que todas as manhãs atravessas esta praça para ir ao templo rezar! Sabes muito bem para onde vais!» Então, o cossaco agarrou no ancião pelo casaco e arrastou-o para a cadeia. Quando estava a ponto de o atirar para uma cela, o rabino virou-se para ele e disse: «Estás a ver? Eu não sabia para onde ia.» (Joseph Goldstein)

É quando começamos a tomar a vida por garantida que mais necessitamos de aprender a rezar.

A verdade é que, durante todo o tempo em que estamos a fazer planos para o que vamos fazer a seguir e como havemos de o fazer, a vida vai acontecendo. As ações caem na Bolsa, perde-se o emprego, o avião não parte a tempo, o projeto falha. Tudo o que planeámos para as nossas vidas, para o nosso futuro, para o momento, dá para o torto.

Então, o deus-problema levanta a sua cabeça feia. Porque é que Deus me fez isto? Que fiz eu para merecer isto? Porque é que Deus não dá um jeito a isto? Como é possível que Deus ignore a nossa oração? Como escreveu George Bernard Shaw: «A maior parte das pessoas não reza; só pede.» Mas, a dada altura, se é que queremos desenvolver-nos espiritualmente, a noção de que a oração serve para tornar a vida naquilo que queremos que ela seja, dissolve-se. Obviamente, não funciona.

A depressão instala-se. Paramos completamente de rezar. Deixamos de ir à igreja. Começa a comprazer-nos a ideia de que todo este tema da oração tenha sido uma espécie de embuste. Teremos dito as orações erradas? Teremos descuidado alguma parte do ritual que teria, certamente, assegurado o nosso sucesso? Será que Deus não nos ama?

Nestes estádios iniciais de oração, o problema é a própria oração. Pior: também colocamos Deus em questão. Então, o que é que nos está a falhar?

A oração é o processo de integrarmos tudo em Deus. Como dizem os místicos, começamos a aprender que só Deus basta.

A verdade é que nenhum de nós sabe, realmente, para onde vai, nem sequer podemos nunca tomar por garantido que vamos a algum lado. Podemos planear as nossas vidas mas não podemos garanti-las.
Quando as nossas orações não são atendidas só uma coisa é certa: nessa altura, o desafio da vida é vivê-la de modo diferente. E é através da oração que descobriremos como proceder. Ao ver Jesus ser levado para fora da cidade, compreendemos que não podemos esperar mais para nós. Ao ver Jesus deprimido no Jardim das Oliveiras, compreendemos que a depressão não é uma perda de fé, é o momento da fé. Ao ver Jesus perder o favor das autoridades, aprendemos que as autoridades não são a medida final das nossas vidas.

Por isso, vamos para a oração livres dos desejos que nos amarram, livres para viver a vida em Deus, livres para escolher a confiança acima da certeza – o que significa, realmente, livres para escolher Deus, acima de nós próprios.

Mantra

Dá-me a confiança precisa para caminhar, através da vida, certo do teu cuidado e do teu amor, através das voltas e reviravoltas da vida.

Leitura bíblica
 Tende cuidado convosco: que os vossos corações não se tornem pesados com a devassidão, a embriaguez e as preocupações da vida, e que esse dia não caia sobre vós subitamente, como um laço; pois atingirá todos os que habitam a terra inteira. Velai, pois, orando continuamente, a fim de terdes força para escapar a tudo o que vai acontecer e aparecerdes firmes diante do Filho do Homem. (Lucas 21, 34-36)

Joan Chittister
In O sopro da vida interior, ed. Paulinas
publicado por snpc

Jogos Olímpicos: A Bíblia fala de desporto?

Jogos Olímpicos: O desporto na Bíblia
As alusões ao desporto são recorrentes na Bíblia para encorajar os fiéis a perseverar na fidelidade a Deus. Disciplina no treino, autocontrolo e respeito pelas regras são tão essenciais para conseguir medalhas como para desenvolver a vida espiritual. São Paulo é o campeão das imagens.

«Não sabeis que os que correm no estádio correm todos, mas só um ganha o prémio? Correi, pois, assim, para o alcançardes. Os atletas impõem a si mesmos toda a espécie de privações: eles, para ganhar uma coroa corruptível; nós, porém, para ganhar uma coroa incorruptível. Assim, também eu corro, mas não às cegas; dou golpes, mas não no ar. Castigo o meu corpo e mantenho-o submisso, para que não aconteça que, tendo pregado aos outros, venha eu próprio a ser eliminado.» (1 Cor 9, 24-27)

«Aquele que participa numa competição não recebe o prémio, se não competir segundo as regras» (2 Tim 2, 5)

«O exercício físico de pouco serve, mas a piedade é útil para tudo, pois tem a promessa da vida presente e da futura» (1 Tim 4, 8)

«Não que já o tenha alcançado ou já seja perfeito; mas corro, para ver se o alcanço, já que fui alcançado por Cristo Jesus. Irmãos, não me julgo como se já o tivesse alcançado. Mas uma coisa faço: esquecendo-me daquilo que está para trás e lançando-me para o que vem à frente, corro em direção à meta, para o prémio a que Deus, lá do alto, nos chama em Cristo Jesus.» (Fl 3, 13-14)

«Combate o bom combate da fé, conquista a vida eterna, para a qual foste chamado» (1 Tim 6, 12)

«Deixando de lado todo o impedimento e todo o pecado, corramos com perseverança a prova que nos é proposta, tendo os olhos postos em Jesus, autor e consumador da fé» (Heb 12, 1-2)

«Porventura não sabes? Será que não ouviste? O Senhor é um Deus eterno, que criou os confins da terra. Não se cansa nem perde as forças. É insondável a sua sabedoria. Ele dá forças ao cansado e enche de vigor o fraco. Até os adolescentes se cansam e se fatigam e os jovens tropeçam e vacilam. Mas aqueles que confiam no Senhor renovam as suas forças. Têm asas como a águia, correm sem se cansar, marcham sem desfalecer.» (Is 40, 28-31)

A Bíblia também menciona atividades vitais para a subsistência que com o tempo se transformaram em desporto.
Jacob lutou com uma personagem misteriosa – talvez tivesse aplicado golpes de boxe, judo ou ou outra arte marcial. Os apóstolos eram pescadores. Vela e remo são modalidades muito apreciadas mas ao tempo da Bíblia eram essenciais para as deslocações. Paulo teve de nadar para se salvar após o naufrágio ao largo de Malta.

Cavalos e cavaleiros são os protagonistas do hipismo mas antigamente a sua arte ganhava combates. Falando em guerras, flechas e espadas têm agora um uso mais pacífico através do tiro com arco e esgrima. E ao assistir ao lançamento do dardo é impossível não imaginar as tropas lançando setas aos inimigos.

O alpinismo é um desporto mas não foi para ouvir o hino que Moisés subiu ao Monte Sinai e que Pedro, Tiago e João escalaram a montanha onde Jesus se transfigurou. A marcha é uma modalidade olímpica mas no longo trajeto até Emaús, na companhia de Cristo incógnito, os discípulos ganharam muito mais do que medalhas.

O papa antecipou neste domingo o início da 30.ª edição da Era Moderna dos Jogos Olímpicos, que decorrem a partir de sexta-feira em Londres, tendo sublinhado a Igreja Católica «olha para eles com particular simpatia e atenção».

«As Olimpíadas são o maior acontecimento desportivo mundial, no qual participam atletas de muitas nações, e como tal revestem-se também de forte valor simbólico», afirmou Bento XVI depois da oração do Angelus que recitou em Castel Gandolfo, próximo do Vaticano, onde passa férias.
Bento XVI, citado pela Sala de Imprensa da Santa Sé, pediu orações para que «segundo a vontade de Deus, os Jogos de Londres sejam uma verdadeira experiência de fraternidade entre os povos da Terra».

Falando em inglês, Bento XVI saudou os «organizadores, atletas e espectadores», antes de rezar para que «no espírito da «Trégua Olímpica» o «bem» gerado pelos Jogos, que se prolongam até 12 de agosto, produza «frutos», na «promoção da paz e reconciliação em todo o mundo».

Rui Jorge Martins

© SNPC 25.07.12
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