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terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Carlo Maria Martini: palavras de um homem de escuta

Carlo Maria Martini


Por António Marujo, 1 de Setembro de 2012

O cardeal Carlo Maria Martini, o ex-arcebispo de Milão que durante vários anos foi um dos nomes mais fortes como "candidato" à sucessão de João Paulo II e que morreu esta sexta-feira, disse na sua última entrevista que a Igreja Católica está "200 anos atrasada" em relação ao tempo presente.


A edição deste sábado do jornal Corriere della Sera divulga aquela que foi a última entrevista do cardeal, que há dez anos sofria de Parkinson. Na conversa, gravada no mês de Agosto, o cardeal diz que "a Igreja está cansada... e os nossos lugares de oração estão vazios". E acrescenta, de acordo com a BBC, que a Igreja deve reconhecer os seus erros e escolher um caminho de mudança, a começar pelo Papa.

Martini morreu esta sexta-feira ao princípio da tarde, horas depois de a diocese de Milão ter anunciado o agravamento do seu estado de saúde. Foi o actual arcebispo de Milão, o cardeal Angelo Scola, quem deu a notícia da morte do eminente intelectual e especialista da Bíblia, que defendia uma atitude da Igreja mais aberta e compreensiva do mundo contemporâneo.

O cardeal escreveu dezenas de livros e textos, traduzidos em muitas línguas (vários deles em português), entre os quais "Em Que Crê Quem Não Crê" (ed. Gráfica de Coimbra), um diálogo com o filósofo Umberto Eco. Num dos últimos, "Colóquios Nocturnos em Jerusalém" (ed. Gráfica de Coimbra), diz: “"Sim, desejo uma Igreja aberta, uma Igreja cujas portas estejam abertas à juventude, uma Igreja com horizontes vastos. A Igreja não se tornará atraente por adaptações ou por ofertas tíbias. Eu confio na palavra radical de Jesus, nessa palavra que temos que traduzir para o nosso mundo como ajuda para a vida, como Boa Nova que Jesus quer trazer."


Na entrevista publicada pelo Corriere della Sera, Martini – cujo funeral se realiza segunda-feira – dizia, referindo-se ao catolicismo: "A nossa cultura envelheceu, as nossas igrejas são grandes e estão vazias e a burocracia aumenta, os nossos ritos religiosos e as vestes que usamos são pomposos."

Apesar de ter sido sempre crítico de várias posições oficiais da Igreja, Martini era muito respeitado na instituição católica. A sua inteligência e brilhantismo, a que aliava a forma subtil de manifestar as suas posições, não seriam estranhos a esse facto. Quer João Paulo II, que o nomeou para Milão em 1980, quer o actual Papa, com quem se encontrou em Junho, sempre confessaram a sua admiração pelo cardeal.


A Rádio Vaticana, conta a agência Ecclesia, recordou esse último encontro entre o Papa e o seu "amigo jesuíta" – Martini integrava esta ordem. O cardeal admitiu, já nessa altura, que se vive "um momento muito difícil para a Igreja".

Nesta manhã de sábado, Bento XVI enviou um telegrama ao cardeal Scola, manifestando a sua tristeza pela notícia da morte e acrescentando que Martini realizou um "competente e fervoroso serviço" à divulgação da Bíblia, "abrindo cada vez mais a comunidade eclesial aos tesouros da Sagrada Escritura".

Afastamento das pessoas

Outra das críticas que Martini fazia era a aspectos da encíclica Humanae Vitae, sobre a regulação dos nascimentos, na qual se fixa a ideia de que a Igreja não admite o uso do preservativo. Esse documento, de Julho de 1968, levara "ao afastamento de muitas pessoas", dizia Martini, que defendia que o preservativo pode ser usado como um "mal menor".


Na entrevista agora publicada pelo jornal italiano, dada a um padre jesuíta, o cardeal disse ainda que, a menos que a Igreja adopte uma atitude mais acolhedora em relação às pessoas divorciadas, ela perderá as futuras gerações. A questão, acrescentava ainda, segundo a BBC, não é se os casais divorciados podem receber a comunhão na missa, mas como é que a Igreja pode ajudar as pessoas em situações familiares complexas.

Desde a manhã de hoje, milhares de pessoas passam diante do corpo do cardeal, na catedral de Milão, onde Martini foi arcebispo mais de duas décadas.

No seu último livro, sobre a figura do bispo, o cardeal diz que aquele deve ser antes de mais "íntegro, honesto, leal, capaz de não mentir nunca, paciente, misericordioso, pronto a oferecer esperança a quem sofre, mas, acima de tudo, um homem verdadeiro, capaz de ouvir a todos, mesmo não crentes, separados, divorciados e homossexuais".


O bispo, acrescenta ainda, deve estar "atento aos pobres, aos encarcerados, aos doentes, aos estrangeiros", mas também a quem é obrigado a viver fora da Igreja "como os separados, os divorciados e os homossexuais". Citado pelo La Repubblica, o cardeal acrescenta no livro: "Mesmo salvaguardando o princípio de que o matrimónio é único e indissolúvel, muitos separados e divorciados têm um novo companheiro e uma nova família com filhos. Eles devem ser ouvidos, merecem atenção, porque é como estar diante dos náufragos aos quais é preciso fazer todo o possível para que não se afoguem."

Acolhimento de homossexuais

A AFP recorda outras posições de Carlo Maria Martini, como a denúncia da "tentação" de alguns católicos em refugiar-se em novos movimentos católicos que se tomam como "valor absoluto", transformando-os em "verdadeiras ideologias".


O cardeal Martini considerava "desejável" uma "evolução" em relação ao celibato dos padres, sem que a Igreja Católica tivesse de renunciar completamente a essa disciplina. Martini foi também dos primeiros a falar da importância de um novo concílio – a magna assembleia de todos os bispos do mundo. Martini considerava que o Vaticano II, cujos 50 anos se completam este ano, estava já ultrapassado em vários aspectos.

A falta "dramática" de padres, o papel da mulher na Igreja e na sociedade, a sexualidade, as relações com os ortodoxos e o ecumenismo em geral, bem como a relação entre a democracia e as leis morais, eram temas para os quais Martini propunha novas abordagens da Igreja e a necessidade de debate num novo concílio.

Nascido em Turim, em 15 de Fevereiro de 1927, Carlo Martini era membro da Companhia de Jesus. Biblista de formação, foi designado pelo Papa Paulo VI como reitor do Instituto Bíblico, onde esteve até 1978. Desempenhou depois as mesmas funções na Universidade Pontifícia Gregoriana, até ser momeado arcebispo de Milão, a maior diocese da Europa, onde esteve durante 22 anos. Entre 1986 e 1993, foi também presidente do Conselho das Conferências Episcopais da Europa. Em 2000, recebeu o prémio Príncipe das Astúrias em Ciências Sociais.


Em Milão, entre muitas outras coisas, incentivou iniciativas de diálogo com não-crentes e de acolhimento de homossexuais. Em 2002, quando completou 75 anos e deixou a diocese, foi viver para Jerusalém. Acabou por voltar a Milão em 2008, por causa do agravamento das suas condições de saúde.

Um padre idoso citado pela AFP mas que quis manter o anonimato, anunciara também a morte de Martini aos jornalistas diante da casa dos jesuítas onde o cardeal residia, afirmando: "Era um grande homem, um grande erudito que nos deixou muitos ensinamentos e um homem de Deus."

In Público

O casamento homossexual liberta a Igreja

Casamento gay e Igreja livre

Um artigo de opinião de um ensaísta católico francês para o Le Monde. Nele o autor aborda a actualidade política do país (direito ao casamento e à adopção por parte dos casais homossexuais) e critica a hierarquia da Igreja por se interessar mais pelas histórias do foro privado do que pela espiritualidade. Sendo a maioria dos franceses a favor do casamento homossexual, os moralistas enveredam pelo ataque à homoparentalidade alegando a falta de referências masculino-feminino. O autor relembra que 2,8 milhões de crianças vivem em famílias monoparentais - sem haver sequer a alteridade de haver 2 referências distintas e que 40.000 crianças vivem já com um casal homossexual, sem nelas se ter notado qualquer perturbação ou trauma derivados especificamente desse factor. Mas o "incómodo" da homoparentalidade vem de medos irracionais, ignorância: hereditariedade ou contágio da homossexualidade. O autor afirma que quando se é crente, se é Igreja, e quando um se diz católico, deve ser testemunha de Cristo e do Evangelho e não se contentar com a repetição cega e obcessiva das opiniões da hierarquia: tem de se saber dialogar com tudo e com todos e passar a mensagem do Evangelho, não alimentar preconceitos sem sentido crítico e construtivo.

Desde o nascimento de Cristo sabemos que a filiação importante não é nem a sexual nem a reprodutiva, mas a adoptiva. José e Maria receberam Jesus sem o conceberem, O mesmo teria acontecido se José fosse uma mulher. O mesmo acontece quando uma criança nasce: ela é declarada ao Estado Civil e os seus pais são os que ficam responsáveis pela sua criação e educação; a criança é adoptada pelos seus pais. Com o Evangelho a família alarga-se a uma família universal. Não interessa se se é órfão, bebé-proveta, filho bastardo, filho de pai gay ou de barriga de aluguer ou se se vem da Assistência Social: todos somos irmãos em Cristo e filhos de Deus. Em termos laicos importa assegurar uma parentalidade colectiva, consensual, integrativa e democrática, ou seja, uma socioparentalidade. Os jovens devem ser associados o mais cedo possível à vida na sua cidade como futuros cidadãos.

Na história a Igreja teve o papel de consolidar o matrimónio que, entre outras coisas, assegurava às crianças que nasceriam um quadro educativo de fundo. As sociedades modernas e democráticas ocupam-se disso actualmente. A abertura do direito ao casamento e à adopção aos casais homossexuais é a última etapa desta lenta evolução. No séc. IX a Igreja ocupava-se com o estado civil e a regulação matrimonial e hoje vê chegar ao fim o seu papel administrativo e civil. O casamento homossexual não põe em causa o matrimónio e a filiação, mas antes liberta a Igreja das suas preocupações de gestão quotidiana da sociedade e dá-lhe espaço para se concentrar na difusão da sua mensagem espiritual. Para isso, os baptizados não devem ser eternamente crianças de colo do nosso Pai que está nos céus, mas tornar-se adultos que, desde a mais tenra juventude, como Jesus, tomam a palavra no Templo e na cidade.

Aqui segue o artigo na íntegra em francês:


Le mariage homosexuel libère l'Eglise


Par Thierry Jaillet, essayiste catholique

Dans quelques semaines ou quelques mois, le gouvernement va mettre en œuvre l'un des engagements du candidat Hollande : l'ouverture du "droit au mariage et à l'adoption aux couples homosexuels". Ce n'est que justice. Mais, je le regrette en tant que catholique pratiquant et engagé, mon Eglise, ou du moins sa partie institutionnelle, va se prononcer contre cette mesure d'équité et de sagesse. En effet, depuis 1968 et l'encyclique Humanae Vitae, fustigeant l'interruption volontaire de grossesse (IVG) et la contraception, nous sommes habitués à ce que notre haut clergé se mêle plus de nos histoires de cul que de spiritualité.


Comme la majorité des Français sont pour le mariage homosexuel, l'angle d'attaque des opposants moralisateurs et plus ou moins homophobes sera l'homoparentalité. Vous rendez-vous compte, ces pauvres enfants, est-ce bien raisonnable qu'ils grandissent sans référent maternel ou paternel ? Réveille-toi, mon frère, ma sœur, 2,8 millions d'enfants vivent dans une famille monoparentale, et leur seul parent, une femme, en général, est, dans la plupart des cas, hétérosexuelle. D'autre part, 40 000 enfants vivent d'ores et déjà avec deux parents homosexuels, et l'on n'a pas détecté chez eux le moindre traumatisme psychologique particulier. Tous les éducateurs sérieux le savent : les difficultés des enfants ne proviennent pas de l'orientation sexuelle de leurs parents, mais de leurs moyens financiers, de leur niveau d'études et de leur intégration dans la société. Mais ce n'est pas avec des arguments de simple raison que l'on peut convaincre sur ce point. L'homoparentalité dérange, on craint faussement qu'elle soit héréditaire, contagieuse, et délétère pour l'espèce humaine. Comment sortir de cette peur irrationnelle qui fait que même des citoyens assez ouverts se disent qu'il faut procéder par paliers, ménager des transitions, distinguer mariage (hétéro) et union civile (homo), de crainte d'encourager l'homophobie, alors qu'il n'y a rien de pire que faire des distinctions pour renforcer les discriminations et l'exclusion ?


Quand on est l'Eglise et que l'on se dit catholique, on doit dialoguer avec tous, se faire le témoin du message du Christ et des Ecritures et ne pas se contenter de répéter les éventuelles âneries des successeurs de Pierre, lequel Pierre, selon l'Evangile et les Actes des Apôtres, sortit quelques énormes sottises que ses frères ne suivirent pas. Alors, plutôt que de l'entretenir, faisons donc reculer la peur de l'homoparentalité.

Depuis la naissance du Christ, nous savons que la seule filiation qui compte n'est ni sexuelle ni reproductrice, mais adoptive. Joseph et Marie deviennent les parents du Christ parce qu'ils l'acceptent comme enfant, alors que leur relation sexuelle ne l'a pas conçu. Joseph eût été une femme que le Christ eût été tout de même incarné. Nous aussi parents, nous déclarons nos enfants à l'état civil, nous les adoptons aux yeux de la loi et de la société, et nous nous engageons dans leur éducation. Mais avec l'Evangile, nous allons plus loin que jouer au papa et à la maman. Nous agrandissons la famille à l'humanité toute entière. Nous reconnaissons Jésus Christ fils du Dieu Vivant (Mt 16, 16), et nous nous disons fils de Dieu et frères en Jésus-Christ, que nous sortions des bourses d'un père homosexuel, de l'utérus d'une mère porteuse, d'une éprouvette, ou de l'Assistance. Et l'important pour nous n'est pas de sacraliser la famille traditionnelle, car la "Sainte Famille" est tout sauf cela, mais de laisser le Christ, dès l'âge de 12 ans, et nos enfants avec lui, "s'occuper des affaires de son Père" (Luc 2, 49). En termes laïques, cela veut dire que ce qui compte, c'est que la société tout entière s'occupe bien des enfants, les éduque, et les considère pour eux-mêmes, pas seulement en tant que fils et filles de leurs parents, hétérosexuels ou pas. Toujours en termes laïques, cela veut dire aussi que les jeunes doivent être associés au plus tôt à la vie de la cité, en tant que futurs citoyens. Dans cette perspective, l'homoparentalité n'est plus un problème, le vrai défi, c'est d'assurer ensemble une parentalité collective, consensuelle, intégrative et démocratique, une socioparentalité.


Au cours des siècles, l'Eglise a construit sa vision du sacrement du mariage, certes pour asseoir son pouvoir sur la société, mais aussi pour assurer le consentement éclairé des époux, empêcher les mariages forcés pour raisons patrimoniales, limiter la traite des femmes, abolir la répudiation et assurer aux enfants un cadre éducatif minimal. Les sociétés modernes et démocratiques se chargent aujourd'hui de ces protections et sauvegardes. L'ouverture du droit au mariage et à l'adoption aux couples homosexuels est la dernière étape de cette lente évolution. L'Eglise qui prit en charge, aux temps barbares du IXe siècle, état civil et régulation matrimoniale, voit aujourd'hui la toute fin de son rôle administratif et civil. Le mariage homosexuel, loin de remettre en cause mariage et filiation, libère définitivement l'Eglise de ses préoccupations de gestion quotidienne de la société et lui donne tout loisir de se concentrer sur la diffusion de son message spirituel. Mais pour cela, les croyants ne doivent pas rester les petits enfants mineurs de Notre Père qui est aux cieux et de notre Très Saint-Père le Pape qui est à Rome (tiens, deux pères dans cette famille ?). Non, les baptisés se doivent d'être des adultes majeurs qui, dès leur plus jeune âge, comme Jésus, prennent la parole dans le Temple et dans la ville.

Thierry Jaillet est l'auteur de L'Evangile de Michel Onfray (Golias Editions).

In Le Monde de 5 de Junho 2012

Luzes de lucidez na hierarquia da Igreja católica

Cardeal de Berlim apela à igualidade na forma de tratamento entre casais heterossexuais e homossexuais

Nota e resumo da mensagem: este é um post em inglês de uma das amigas da página de facebook do moradasdedeus, em que o cardeal de Berlim alerta que se devia olhar para relações duradoiras homossexuais como se olha para as heterossexuais, quando são vividas na fidelidade. A Igreja devia ver e pensar mais longe. A sua voz juntou-se à do Arcebispo de Londres, que apoiou a união civil entre gays e lésbicas no Reino Unido, e à do bispo de Ragusa (Itália) que fez o mesmo no seu país. O bispo Robinson de Austrália, num sínodo, também ergueu a voz no sentido de reexaminar a ética sexual na Igreja, aprovando moralmente, entre outros, as relações entre pessoas do mesmo sexo. O bispo de Portland (Maine) anunciara igualmente que a diocese não teria um papel activo de oposição ao referendo do estado para a igualdade de acesso ao casamento. Carlo Maria Martini, o antigo bispo de Milão, no seu livro Credere e Cognoscere diz que não concorda que, na Igreja, se tomem posições relativas às uniões civis.

Passo a citar a notícia:

Cardinal Rainer Maria Woelki

So far I’ve only seen one news report in English about this item, but there are several in German that are floating around the web. It is too good not to report, even though the information is rather sparse.
Berlin’s Cardinal Rainer Maria Woelki told a major Catholic conference in Germany that relationships of same-gender couples should be treated equally with heterosexual couples. An article in The Local, an English news source in Germany reports:

“He told a crowd on Thursday that the church should view long-term, faithful homosexual relationships as they do heterosexual ones.

” ‘When two homosexuals take responsibility for one another, if they deal with each other in a faithful and long-term way, then you have to see it in the same way as heterosexual relationships,’ Woelki told an astonished crowd, according to a story in the Tagesspiegel newspaper.

“Woekli acknowledged that the church saw the relationship between a man and a woman as the basis for creation, but added that it was time to think further about the church’s attitude toward same sex relationships.”

Speaking at the 98th Katholikentag (Catholic), a conference of 60,000 Catholics in Mannheim, Woelki joins a growing chorus of episcopal voices who are calling for change in the hierarchy’s traditionally absolutist refusal to acknowledge the moral goodness of lesbian and gay relationships.

Last December, London’s Archbishop Vincent Nichols made headlines by supporting civil partnerships for lesbian and gay couples in the U.K. That same month, Fr. Frank Brennan, a Jesuit legal scholar in Australia, also called for similar recognition of same-sex relationships. In January, Bishop Paolo Urso of Ragusa, Italy, also called for recognition of civil partnerships in his country.

March of 2012 saw an explosion of questioning from prelates of the hierarchy’s ban on marriage equality. At New Ways Ministry’s Seventh National Symposium,Bishop Geoffrey Robinson of Australia called for a total re-examination of Catholic sexual ethics to allow for, among other things, moral approval of same-sex relationships. The Diocese of Manchester, New Hampshire, supported a bill that would legalize civil unions (albeit as a stopgap measure to prevent marriage equality). Bishop Richard Malone of Portland, Maine, announced that the diocese would not take an active role in opposing the state’s upcoming referendum on marriage equality, as it had in 2009. In Italy, Cardinal Carlo Maria Martini of Milan stated in his book, Credere e Cognoscere (Faith and Understanding), that “I do not agree with the positions of those in the Church who takes issue with civil unions.” You can read excerpts, in Italian, from the book here. An English translation of a different set of excerpts, thanks to the Queering the Church blog, can be found here.
While opposition to marriage equality from the hierarchy, especially in the United States, is still massive and strong, it is significant that these recent statements are all developing a similar theme of at least some recognition of the intrinsic value of lesbian and gay relationships, as well as the need for civil protection of them. May this trend continue and grow.

Francis DeBernardo, New Ways Ministry

In http://newwaysministryblog.wordpress.com/2012/05/20/cardinal-calls-for-equality-of-heterosexual-and-homosexual-relationships/

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Reis com Sophia

A estrela


Eu caminhei na noite
E entre o silêncio e frio
Só uma estrela secreta me guiava.

Grandes perigos na noite me apareceram:
Da minha estrela julguei que eu a julgara
Verdadeira sendo ela só reflexo
Duma cidade a néon enfeitada.

A minha solidão me pareceu coroa.
Sinal de perfeição em minha fronte.
Mas vi quando no vento me humilhava
Que a coroa que eu levava era dum ferro
Tão pesado, que toda me dobrava.

Do frio das montanhas eu pensei:
“Minha pureza me cerca e me rodeia”.
Porém meu pensamento apodreceu
E a pureza as coisas cintilava
E eu vi que a limpidez não era eu.

E a fraqueza da carne e a miragem do espírito

Em monstruosa voz se transformaram:
Pedi às pedras do monte que falassem
Mas elas como pedras se calaram.
Sozinha me vi, delirante e perdida.

E eu caminhei na noite; minha sombra
De gestos desmedidos me cercava
Silêncio e medo
Nos confins dos desertos caminhavam:
Então vi chegar ao meu encontro
Aqueles que uma estrela iluminava
E assim me disseram: “Vem connosco
Se também vens seguindo aquela estrela”.
Então soube que a estrela me seguia.

Era real e não imaginada.
Grandes e humanas miragens nos mostraram
Em direcções distantes nos chamaram
E a sombra dos três homens sobre a terra
Ao lado dos meus passos caminhava.
E eu espantada vi que aquela estrela
Para cidade dos homens nos guiava.

E a estrela do céu parou em cima
duma rua sem cor e sem beleza
Onde a luz tinha o mesmo tom que a cinza
Longe do verde-azul da Natureza.

Ali não vi as coisas que eu amava
Nem o brilho do sol nem o da água.
Ao lado do hospital e da prisão
Entre o agiota e o templo profanado
Onde a rua é mais negra e mais sem luz
E onde tudo parece abandonado
Um lugar pela estrela foi marcado.

Nesse lugar pensei: Quando deserto
Atravessei para encontrar aquilo
Que morava entre os homens tão perto.


Sophia de Mello Breyner Andresen

Uma oração e um desenho para o 4º Domingo do Advento

desenho de Rui Aleixo
Manjedoura

Vais nascer aqui, neste turvo centro
entre a sede e a escassez que os dias levantam
Vais nascer no silêncio rasante das nossas paisagens
no seu tempo que por vezes parece só guardar
o peso de ser tarde
mas ninguém te pode alcançar sem cair em si mesmo
sem descer a teu lado os degraus invisíveis
por caminhos que fazemos sem pés
Vais nascer entre os redemoinhos que nos sorvem
nesta muda passagem
quando com a idade nos cremos não a embarcação
mas os remos que se afundam
A verdade é que ninguém te pode alcançar sem nascer de novo
sem habitar a esperança desdobrada pela Tua palavra

José Tolentino Mendonça

publicado pela Capela do Rato



Uma oração e um desenho para o 3º Domingo do Advento

desenho de Rui Aleixo
Estrela


Que a Tua estrela nos encontre disponíveis
para a viagem
mesmo sem que percebamos tudo

Que o seu brilho nos torne pacientes
com as coisas não resolvidas do nosso coração
e nos ajude a amar as difíceis questões
que por vezes a noite, por vezes o dia
segredam pelo tempo fora

Que a Tua estrela nos faça reconhecer
que nunca é tarde
para que se tornem de novo ágeis e sonhadores
os nossos passos cansados
pois nós próproios nos tornamos em estrelas
quando arriscamos perpetuar
a Tua luz multiplicada


José Tolentino Mendonça

publicado pela Capela do Rato e pelo SNPC