Pesquisar neste blogue

A diversidade na Igreja

"A casa do meu Pai tem muitas moradas", diz-nos Jesus no evangelho.

A unidade na diversidade não é sempre aparente na Igreja enquanto povo de Deus, mas é uma realidade em Deus e uma presença na fé cristã desde a sua origem. A Palavra de Deus não é partidária, elitista e exclusiva. O Reino de Deus é como uma árvore que estende os ramos para dar abrigo a todos os pássaros do céu. Cristo não morreu na cruz para salvar uma mão cheia de cristãos. Até o Deus Uno encerra em si o mistério de uma Trindade.

A Palavra de Deus é inequívoca e só pode levar à desinstalação, à abertura ao outro, e a recebê-lo e amá-lo enquanto irmão ou irmã. Ninguém fica de fora, nem mesmo - se tivessemos - os inimigos.

Muitos cristãos crêem nesta Igreja, nesta casa do Pai, corpo de Cristo, templo do Espírito Santo. Mas como esquecer que muitos se sentem "de fora" por se verem rejeitados, amputados e anulados, e afastam-se por ninguém lhes ter mostrado que há um lugar para cada um, com a totalidade do seu ser?

Um blogue para cristãos homossexuais que não desistiram de ser Igreja

Porquê este blogue?

Este blogue é a partilha de uma vida de fé e é uma porta aberta para quem nela quiser entrar. É um convite para que não desistas: há homossexuais cristãos que não querem recusar nem a sua fé nem a sua sexualidade. É uma confirmação, por experiência vivida, que há um lugar para ti na Igreja. Aceita o desafio de o encontrares!

Este blogue também é teu, e de quem conheças que possa viver na carne sentimentos contraditórios de questões ligadas à fé e à orientação sexual. És benvindo se, mesmo não sendo o teu caso, conheces alguém que viva esta situação ou és um cristão que deseja uma Igreja mais acolhedora onde caiba a reflexão sobre esta e outras realidades.

Partilha, pergunta, propõe: este blogue existe para dar voz a quem normalmente está invisível ou mudo na Igreja, para quem se sente só, diferente e excluído. Este blogue não pretende mudar as mentalidades e as tradições com grande aparato, mas já não seria pouco se pudesse revelar um pouco do insondável Amor de Deus ou se ajudasse alguém a reconciliar-se consigo em Deus.
Mostrar mensagens com a etiqueta acolhimento. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta acolhimento. Mostrar todas as mensagens

sábado, 23 de junho de 2018

Um chamamento de Deus

"Aquarius": Cardeal Ravasi evoca Evangelho sobre acolhimento e desencadeia onda de reações

Uma evocação do Evangelho publicada esta segunda-feira no Twitter pelo presidente do Conselho Pontifício da Cultura, cardeal Gianfranco Ravasi, a propósito do drama vivido pelas pessoas a bordo do barco "Aquarius", no Mediterrâneo, desencadeou uma onda de reações dirigidas ao prelado italiano e à Igreja.

«Era estrangeiro e não me acolhestes», foi a passagem mencionada, extraída do capítulo 25, versículo 43, do Evangelho segundo S. Mateus, que numa tradução em português europeu se lê: «Era peregrino e não me recolhestes, estava nu e não me vestistes, doente e na prisão e não fostes visitar-me».

Gianfranco Ravasi, biblista, aludia ao barco fretado pela organização não governamental SOS Mediterrané, onde se encontram 629 migrantes recolhidos no mar, e que ontem a Itália e Malta recusaram receber, tendo mais tarde recebido ofertas de acolhimento por parte de Espanha e, mais recentemente, da Córsega.

«Eminência, não podemos acolher todos. Como diz a minha velha mamã: primeiro tu, depois os teus, depois os outros, se puder ser...» é o primeiro dos mais de 1600 comentários ao "tweet" do cardeal.

Entre as respostas menos vulgares incluem-se «Que cuide deles o cardeal no Vaticano», «Eram pedófilos e não os prendestes», «O dinheiro do IOR [entidade bancária da Santa Sé] investi-o todo em África», «Vim para traficar, para violar, para islamizar, para viver à borla e não me acolhestes», «Jesus disse que a verdade vos tornará livres. Basta de negros e árabes que comem de borla».

«Abri as portas do Vaticano e colocai lá todos os clandestinos que quiserdes» e «Cardeal vós possuís riquezas imobiliárias superiores à dívida pública italiano, vendei alguns imóveis e ide para África e Médio Oriente para ajudar os pobres; devia estar na primeira linha para cessar o tráfico de escravos», são outros exemplos de comentários.

Há duas horas, o cardeal Ravasi voltou à Bíblia, citando desta vez a primeira carta de S. João (4, 16): «Deus é amor; quem está no amor permanece em Deus e Deus nele», depois de, ontem, ter evocado um autor cristão, Georges Bernanos: «Para encontrar a esperança é preciso ir para lá de todo o desespero. Quando se vai até ao fim da noite, encontra-se uma nova aurora».

«Tempo virá/ em que, exultante,/ te saudarás a ti mesmo chegado/ à tua porta, no teu próprio espelho/ e cada qual sorrirá ante a saudação do outro,/ e dirá: Senta-te aqui. Come./ Amarás de novo o estrangeiro que era o teu Eu./ Dá vinho. Dá pão. Devolve o coração/ a ele próprio, ao estrangeiro que te amou/ toda a tua vida, que ignoraste».

Na coluna que assinava diariamente no jornal italiano "Avvenire", o P. Ravasi, ainda não criado cardal, citou versos da poesia “Amor após amor”, de Derek Walcott, «o cantor dos mestiços, nascido numa ilha das Caraíbas, Santa Lúcia, em 1939».

«Como se intui, unem-se e sobrepõem-se duas fisionomias diversas, a minha e a do outro, o estrangeiro. Se ao espelho olhamos o nosso rosto, descobrimos nele os traços da humanidade, porque a ela todos pertencemos, para além das diferenças étnicas, culturais, religiosas.

"Amarás o estrangeiro que era o teu Eu", diz o poeta. "Amarás o teu próximo como a ti mesmo", diz a Bíblia. Neste paralelo há dois amores que se fundem, o espontâneo por si próprio e aquele que o é para os outros, muitas vezes conquistado com algum esforço mas que deverá ser, da mesma maneira, intenso.

Devemos tentar reconduzir o nosso coração "a si mesmo", isto é, à sua consciência profunda, e aí descobriremos que há o estrangeiro dentro de nós porque ele é semelhante a nós por causa do próprio Deus que o criou, do próprio Cristo que o redimiu, do próprio amor que foi deposto nele e em nós, e do próprio pecado que obscurece a nós e a ele», observou Ravasi.

Numa das múltiplas ocasiões em que se referiu aos migrantes, o papa Francisco lembrou que «tragicamente, no mundo há hoje mais de 65 milhões de pessoas que foram obrigadas a abandonar os seus locais de residência. Este número sem precedentes vai além de toda a imaginação».

«Se formos além da mera estatística, descobriremos que os refugiados são mulheres e homens, rapazes e raparigas que não são diferentes dos membros das nossas famílias e dos nossos amigos. Cada um deles tem um nome, um rosto e uma história, como o inalienável direito de viver em paz e de aspirar a um futuro melhor para os seus filhos», sublinhou em setembro de 2016.

Depois de encorajar «a dar as boas-vindas aos refugiados» nas casas e comunidades, «de maneira que a sua primeira experiência da Europa não seja a traumática de dormir ao frio nas estradas, mas a de um acolhimento quente e humano», Francisco lembrou as palavras evocadas agora pelo cardeal Ravasi, «tive fome e destes-me de comer, tive sede e destes-me de beber, era estrangeiro e acolhestes-me», e lançou um desafio: «Levai estas palavras e os gestos convosco, hoje. Que possam servir de encorajamento e de consolação».

Na segunda-feira, o arcebispo de Madrid, cardeal Carlos Osoro Sierra, também se exprimiu no Twitter: «O mandato é claro: "Fui forasteiro e hospedastes-me". Para além de considerações políticas e legais, ao ler a vida desde o Evangelho, um vai em busca do outro. #Aquarius é um chamamento de Cristo à Europa».

Imagem: D.R.
Publicado por SNPC em 12 de junho 2018

Um náufrago acolhido

Em mês de festas populares da cidade de Lisboa, onde a figura de Santo António não passa despercebida, não deixa de ser actual reflectir sobre a história deste grande santo da cidade...

Santo António

Uma vida aventurosa no rasto do Evangelho e em grande sintonia com Francisco de Assis, que conheceu pessoalmente. Infinitas viagens pela Europa, da natal Lisboa até à última etapa em Pádua. E encontros, muito estudo, meditações, orações, pregações (nas quais era um verdadeiro mestre), caridade.

Santo António (Lisboa, 1195 - Pádua, 1231) é certamente uma das figuras mais veneradas do catolicismo. Em cada canto da Europa e em numerosas localidades do mundo surgem igrejas e santuários dedicadas ao frade franciscano, a ele se elevam súplicas, contam-se os seus milagres.

Hoje, em Pádua, um cortejo histórico com mais de 150 figurantes, que remonta a 1931, sétimo centenário da morte, recorda as últimas horas de vida do santo, culminando com o concerto dos sinos que anuncia o início das celebrações solenes do 13 de junho.

É reconhecido como protetor dos pobres, dos oprimidos, das grávidas, dos prisioneiros, dos viajantes e dos náufragos, e também dos animais. A festa litúrgica de 13 de junho é ocasião para dirigir orações e pedidos de ajuda ao "lírio-cândido", um dos seus múltiplos símbolos. Entrevista ao diretor editorial das Edições Messaggero Padova, Fabio Scarsato, frade menor conventual.

Quais são hoje, em síntese, os contornos e as particularidades da devoção a Santo António?
Creio que a devoção de muitas pessoas que ainda encontram em António um ponto de referência pode definir-se como uma espécie de milagre, porque foi capaz de evoluir no tempo. Passou-se de uma devoção baseada apenas nos milagres a uma em que as pessoas veem em António um estilo de vida, a ideia de que é possível para cada um de nós encontrar o caminho para uma santidade quotidiana.
Outra coisa que me toca, e que pode parecer paradoxal, é que António foi um apurado exegeta e um grande teólogo, mas o seu público de referência, chamando-o assim, foi sempre, e continua a ser hoje, formado sobretudo por gente simples.

Qual é a geografia desta devoção?
Há muitos lugares ligados à figura de António: a partir de Lisboa, onde nasceu, ou Coimbra, sempre em Portugal, onde se fez monge agostinho; mas há também um santuário em França ou o de Samposampiero, próximo de Pádua. Mas o que é impressionante, e digo-o por experiência direta, é que para além destes lugares históricos é difícil encontrar no mundo uma igreja onde não haja uma estátua, um ex-voto ou uma imagem de António ou quaisquer tradições ligadas a ele, por exemplo com referência à caridade e ao famoso "pão de Santo António".

Pela sua biografia, António foi um verdadeiro "santo europeu": o que é que diz hoje a um Velho Continente algo perdido?
Seria quase demasiado fácil ou retórico fazer atualizações. Mas é assim, é inútil negá-lo. António fala-nos de uma Europa que seguramente tinha fronteiras diferentes das nossas, mas era um continente que podia ser "caminhado" de um lado ao outro e que se misturava. António parte de Portugal, chega a Itália, depois passa um período em França...
Era uma Europa em que, de certa forma, onde quer que estivesses, sentias-te em casa, sentias-te cidadão. Sentias que havia um espaço para ti. António, por exemplo, trouxe para a Itália uma importante cultura teológica e enriqueceu o franciscanismo. É nesta mistura que, de certa maneira, todos ganham e todos podem dar passos em frente. Parece-me ser esta a bela ideia de cidadania que António nos dá. Depois há um episódio muito significativo.

Qual?
O naufrágio nas costas da Sicília, no regresso de Marrocos. É um facto que há contornos históricos que não são precisos, mas não há dúvida de que aconteceu, e é um facto que tem uma atualidade fortíssima. António, a certo ponto da sua vida, é um náufrago, mas vive a experiência do acolhimento dos seus confrades. A mim agrada-me a ideia de que se possa naufragar em qualquer lado onde não se conhece pessoalmente ninguém, sabendo que haverá alguém que te acolherá. E hoje esta experiência é cada vez mais rara.

Gianni Borsa/SIR
Trad./edição: SNPC Publicado em 12 de junho de 2018

domingo, 8 de abril de 2018

Amarás o estrangeiro

Eu e o estrangeiro

Tempo virá
em que, exultante,
te saudarás a ti mesmo chegado
à tua porta, no teu próprio espelho
e cada qual sorrirá ante a saudação do outro,
e dirá: Senta-te aqui. Come.
Amarás de novo o estrangeiro que era o teu Eu.
Dá vinho. Dá pão. Devolve o coração
a ele próprio, ao estrangeiro que te amou
toda a tua vida, que ignoraste.

Como sempre, a poesia, para ser apreciada, requer uma leitura serena: antigamente, cada leitura dos textos escritos exigia a pronúncia exterior, de modo que as palavras reverberassem, deixando em torno de si quase como que um halo, um eco interior. Citámos aqui versos da poesia “Amor após amor”, do grande poeta Derek Walcott, o cantor dos mestiços, nascido numa ilha das Caraíbas, Santa Lúcia, em 1939.

Como se intui, unem-se e sobrepõem-se duas fisionomias diversas, a minha e a do outro, o estrangeiro. Se ao espelho olhamos o nosso rosto, descobrimos nele os traços da humanidade, porque a ela todos pertencemos, para além das diferenças étnicas, culturais, religiosas.

«Amarás o estrangeiro que era o teu Eu», diz o poeta. «Amarás o teu próximo como a ti mesmo», diz a Bíblia. Neste paralelo há dois amores que se fundem, o espontâneo por si próprio e aquele que o é para os outros, muitas vezes conquistado com algum esforço mas que deverá ser, da mesma maneira, intenso.

Devemos tentar reconduzir o nosso coração «a si mesmo», isto é, à sua consciência profunda, e aí descobriremos que há o estrangeiro dentro de nós porque ele é semelhante a nós por causa do próprio Deus que o criou, do próprio Cristo que o redimiu, do próprio amor que foi deposto nele e em nós, e do próprio pecado que obscurece a nós e a ele.

P. (Card.) Gianfranco Ravasi
Presidente do Pontifício Conselho da Cultura In "Avvenire"
Tradução e adaptação de Rui Jorge Martins para SNPC

terça-feira, 24 de outubro de 2017

Uma ponte entre os católicos LGBT e a hierarquia da Igreja

Precisamos construir uma ponte entre a comunidade LGBT e a Igreja Católica. 
(Parte I)

por James Martin, S.J
tradução de José Leote (Rumos Novos)

"O relacionamento entre a comunidade LGBT católica e a Igreja Católica nos Estados Unidos tem sido, algumas vezes, contencioso e combativo e, noutros momentos, aconchegante e acolhedor. A maior parte da tensão que caracteriza este relacionamento complicado resulta de uma falta de comunicação e, infelizmente, de uma grande dose de desconfiança entre os católicos LGBT e a hierarquia. O que é preciso é uma ponte entre essa comunidade e a igreja.

Convido-vos a caminharem comigo ao longo dessa importante ponte. Com essa finalidade, gostaria de refletir sobre o modo como a igreja tenta alcançar a comunidade LGBT e o modo como esta tenta alcançar a igreja. Isto porque boas pontes levam as pessoas em ambos os sentidos.

Como sabem, o Catecismo da Igreja Católica afirma que os católicos são chamados a tratar a pessoa homossexual com «respeito, compaixão e delicadeza» (2358).

O que é que isto pode significar? Vamos meditar nisso e também numa segunda pergunta: O que é que pode significar para a comunidade LGBT tratar a igreja com «respeito, compaixão e delicadeza»? Claro está que os católicos LGBT fazem parte da igreja, pelo que, num determinado sentido, estas perguntas implicam uma falsa dicotomia. A igreja é todo o povo de Deus e é estranho discutir a forma como o povo de Deus se pode relacionar com uma parte do povo de Deus. Portanto, é boa moda jesuíta, deixem-me refinar os nossos termos. Quando, nesta discussão, me refiro à igreja, quero significar a igreja institucional, ou seja, o Vaticano, a hierarquia, os funcionários de igreja e o clero.

A PRIMEIRA FAIXA

Vamos dar uma volta na primeira faixa da ponte, aquela que conduz da igreja institucional à comunidade LGBT e que reflete sobre o «respeito, compaixão e delicadeza».

1) Respeito. O que é que pode significar para a igreja ter «respeito» pela comunidade LGBT?

Primeiro, respeito significa, no mínimo, reconhecer que a comunidade LGBT existe e que, como qualquer outra comunidade, deseja ver a sua existência reconhecida. Significa igualmente reconhecer que a comunidade LGBT traz dons únicos à igreja, tal como acontece com qualquer outra comunidade.

Reconhecer que os católicos LGBT existem tem implicações pastorais importantes. Significa pôr em prática ministérios que algumas dioceses e paróquias já fazem e muito bem. Exemplos incluem celebrar Missas com grupos LGBT, patrocinar programas diocesanos e paroquiais de acolhimento e, em geral, fazer com que os católicos LGBT se sintam parte da igreja e se sintam amados.

Alguns católicos levantam objeções a esta abordagem, dizendo que tal acolhimento pode ser um sinal de acordo tácito com tudo o que cada um na comunidade LGBT diz ou faz. Esta parece ser uma objeção injusta, porque não é colocada em relação a nenhum outro grupo. Se uma diocese patrocina, por exemplo, um grupo de acolhimento para homens de negócios católicos, isso não significa que a diocese esteja de acordo com todos os valores personificados pela América corporativa. Nem tão pouco significa que a igreja santificou tudo aquilo que cada homem ou mulher de negócios faz. Ninguém está a sugerir isso. Por que não? Porque as pessoas compreendem que a diocese está a tentar ajudar uma comunidade particular a se sentir mais ligada à sua igreja, a igreja à qual pertencem em virtude do seu batismo.

Em segundo lugar, o respeito significa chamar a um grupo aquilo que ele pede que lhe chamem. Num nível pessoal, se uma pessoa diz: «Prefiro ser chamado Jim em vez de James», costumamos ter isso em consideração. É cortesia comum. O mesmo se passa ao nível grupal. Já não dizemos «Pretos». Porquê? Porque esse grupo se sente mais confortável com outros nomes: «Afroamericanos» ou «negros». Recentemente, foi-me referido que «pessoas deficientes» não é tão aceitável como «pessoas portadoras de deficiência». Portanto, a última expressão é aquela que passarei a utilizar. Porquê? Porque é respeitoso chamar as pessoas pelo nome que elas escolhem. Toda a gente tem o direito de nos dizer o seu nome.

Esta não é uma preocupação menor. Nas tradições judaica e cristã os nomes são importantes. No Antigo Testamento, Deus dá a Adão e a Eva a autoridade para darem nome às criaturas (Gn 2, 18-23). Deus também renomeia Abrão como Abraão (Gn 17, 4-6). Os nomes no Antigo Testamento representam a identidade de uma pessoa. Saber o nome de uma pessoa significa que a conhecemos. Essa é uma razão pela qual, quando Moisés pergunta o nome de Deus, Deus diz-lhe: «Eu sou aquele que sou.» Por outras palavras, não tens nada com isso (Ex 3, 14). Mais tarde, no Novo Testamento, Jesus renomeia Simão como Pedro (Mt 16, 18; Jo 1, 42). O perseguidor Saul renimeia-se como Paulo. Os nomes são também importantes atualmente na nossa igreja. A primeira pergunta que um padre ou diácono faz aos pais no batismo de uma criança é: «Que nome dais a esta criança?»

Os nomes são importantes. Deste modo, os líderes da igreja são convidados a estarem atentos à forma como chamam a comunidade LGBT e deixar descansar frases do tipo «afligidos por atrações do mesmo sexo» que nenhuma pessoa LGBT que conheço utiliza e, eventualmente, «pessoa homossexual», que parece excessivamente clínica para muitas pessoas. Não estou a prescrever que nomes utilizar, embora «gay e lésbica», «LGBT» e «LGBTQ» sejam as mais comuns. Estou a afirmar que as pessoas têm o direito de se atribuírem os nomes que entenderem. Utilizar esses nomes é parte do respeito. E se o Papa Francisco pode utilizar a palavra gay, também o resto da igreja o pode fazer.

Finalmente, respeitar as pessoas LGBT significa aceitá-las enquanto filhos amados e filhas amadas de Deus. A igreja tem uma responsabilidade especial na proclamação do amor de Deus por pessoas que são frequentemente feitas sentir como mercadoria estragada, não merecedores do ministério e mesmo sub-humanos, seja por parte das suas famílias, vizinhos ou líderes religiosos. A igreja é convidada a simultaneamente proclamar e demonstrar que as pessoas LGBT são filhos amados e filhas amadas de Deus.

Respeitar as pessoas L.G.B.T. significa aceitá-las como filhos amados e filhas amadas de Deus e deixá-los aperceber-se de que são filhos amados e filhas amadas de Deus

Ainda mais, as pessoas LGBT são filhos amados e filhas amadas de Deus com dons – quer individuais quer como comunidade. Estes dons constroem a igreja em formas únicas conforme S. Paulo nos disse quando comparou as pessoas de Deus a um corpo humano (1 Cor 12, 14-27). Cada parte desse corpo é importante: a mão, o olho, o pé. Consideremos somente os dons trazidos por católicos LGBT que trabalham em paróquias, escolas, chancelarias, centros de retiros, hospitais e agências de serviço social. Aqui está um exemplo pessoal: alguns dos mais dotados ministros de música que conheci ao longo dos meus quase 30 anos como jesuíta eram homens gay, que trouxeram uma tremenda alegria às suas paróquias. Pois também eles se encontram entre as pessoas mais alegres que conheço ao nível da igreja.

A igreja no seu todo é convidada a meditar sobre a forma como os católicos LGBT constroem a igreja através da sua presença, do mesmo modo que os idosos, adolescentes, mulheres, possoas portadoras de deficiência, grupos étnicos variados ou qualquer outro grupo constrói uma paróquia ou diocese. Embora seja errado generalizar, podemos ainda colocar a questão: Quais podem ser esses dons?

Muitas, se não a maioria, pessoas LGBT sofreram, desde muito cedo, incompreensões, preconceito, ódio, perseguição e mesmo violência e, com frequência, sentem compaixão pelos marginalizados. A compaixão é um dom. Muitas vezes as fizeram sentir não bem-vindas nas suas paróquias e na sua igreja, mas elas perseveraram devido à sua fé vigorosa. A perseverança é um dom. As pessoas LGBT frequentemente perdoam ao clero e outros colaboradores da igreja que as trataram como mercadoria danificada. O perdão é um dom. Compaixão, perseverança, perdão são todos dons.

Deixem-me acrescentar outro dom: aquele dos padres celibatários e irmãos que são homossexuais e dos membros castos das ordens religiosas masculinas e femininas e que são gays ou lésbicas. Há várias razões que explicam porque praticamente nenhum clérigo e religioso/a gay ou lésbica saem do armário em relação à sua sexualidade. Entre eles encontram-se os seguintes: são meramente pessoas reservadas; os seus bispos ou superiores religiosos pediram-lhes para não falar nisso; eles próprios sentem-se desconfortáveis em relação à sua sexualidade; ou temem represálias dos paroquianos. Porém, existem muitos clérigos santos e trabalhadores e membros das orden religiosas que são gays ou lésbicas e que vivem as suas promessas de celibato e votos de castidade e que ajudam a igreja. Eles e elas dão-se livre e integralmente à igreja. Eles e elas próprios são o dom.

Ver e nomear todos estes dons é parte do respeitar os nossos irmãos e irmãs LGBT.

quinta-feira, 22 de outubro de 2015

Falando de família...

Excerto da homilia do Pe Tolentino no dia de abertura do Sínodo dos Bispos

(...)
Nós sabemos como este Sínodo é uma segunda etapa deste acontecimento que o Papa Francisco quis promover para aprofundar a teologia da família, o significado da família no mundo contemporâneo, e para pensar no interior da Igreja o que é a beleza da missão da própria família, ao mesmo tempo meditando sobre o modo como a Igreja há de exercer o seu ministério da misericórdia sobre as feridas, as vulnerabilidades, as fragilidades da própria família.

Ainda ontem o Santo Padre, na vigília na Praça de S. Pedro, dizia precisamente isso: “Este Sínodo é, por um lado, para todos termos mais claro a beleza da família. O que significa a família, a sua importância na história de cada um de nós, no futuro da Humanidade. A família é um laboratório do nosso futuro. Por isso a família tem de ser redescoberta, a família tem de ser celebrada na sua vocação e na sua missão. E ao mesmo tempo, termos uma atenção misericordiosa para com as fragilidades da família, as vulnerabilidades da família.”


(...) É preciso ir ao encontro das vidas feridas, é preciso ir ao encontro com misericórdia. Nós sabemos que hoje a realidade, o fenómeno, a experiência, a condição da homossexualidade feminina e masculina ganhou nas nossas sociedades uma visibilidade que nós não podemos ignorar. As pessoas têm de viver e temos de escutar a voz das pessoas, temos de escutar o que elas vivem e temos de aprender, temos de acolher e temos de aprender, fazer um caminho com as pessoas. Porque, no fundo, nós muitas vezes pomos o dedo: “Este é este, aquela é aquela.” E nós ignoramos tanto da vida dos outros, do sofrimento dos outros… A verdade é que muitas vezes impomos cargas aos ombros dos outros que nós nem com um dedo as levamos.

Nesse sentido, temos de fazer silêncio e escutar. A Igreja também precisa de escutar, também precisa de ouvir a voz daqueles que muitas vezes não têm voz no meio de nós, e encontrar formas de diálogo, de acompanhamento. Isso é tão importante.

Aqui, na nossa comunidade, há uma experiência de cristãos homossexuais que se reúnem para rezar uma vez por mês na nossa capela. É tão importante dar esse espaço para que as pessoas rezem as suas vidas, para que as pessoas se confrontem com a palavra de Deus de uma forma que não seja para as julgar, para as condenar à partida. Mas, pelo contrário, para dizer que os homossexuais são nossos filhos, são nossos irmãos, são nossos amigos, são nossos companheiros de trabalho, são cristãos como nós, estão na nossa comunidade. Nós temos de encontrar um modelo pastoral, porque também é disso que se trata. Temos de encontrar um modelo pastoral onde a integração seja uma realidade mais vivida, e este ministério da compaixão que Jesus Cristo confia à Igreja seja um ministério praticado por todos nós.

Vamos por isso rezar ao Senhor, é uma hora muito importante da vida da Igreja este mês de outubro, não é um mês qualquer, é um mês importante, jogam-se coisas decisivas. O Santo Padre pediu aos bispos para falarem com liberdade. A palavra grega é uma palavra que vem muito no Cristianismo, que é “parrésia”. “Falem com parrésia”, isto é, falem com desassombro, falem com abertura, falem com verdade, digam o que pensam. Foi isso que o Santo Padre pediu aos bispos, aqueles 270 que estão ali, e pede à Igreja. Falemos com esta abertura, com esta simplicidade, com esta verdade para encontrarmos um caminho comum que tem de ser o caminho da comunhão.

Pe José Tolentino Mendonça

segunda-feira, 19 de outubro de 2015

Uma mãe que sabe sorrir: assim deve ser a Igreja

Mãe Igreja

O Papa vincou que «a Igreja é mãe», e não «uma associação rígida», durante a missa a que presidiu no Vaticano, celebração em que participou o grupo de nove cardeais instituído por Francisco para o ajudar no governo na Igreja e para estudar uma reforma da Cúria Romana.

A «maternidade» da Igreja, à imagem de uma mãe, cultiva a atitude de humildade, bondade e perdão e ternura, assinalou o papa, segundo a Rádio Vaticano, acrescentando que Francisco baseou a homilia no trecho do Evangelho em que Jesus, na cruz, se dirige ao apóstolo amado e a Maria dizendo: «Filho, eis a tua mãe».

Com estas palavras, frisou o papa, a maternidade de Maria «alarga-se na figura daquele novo filho, alarga-se a toda a Igreja e a toda a humanidade»: «Este é também o nosso orgulho: temos uma mãe, uma mãe que está connosco, que nos protege, que nos acompanha, que nos ajuda, mesmo nos tempos difíceis».

Os monges russos, prosseguiu Francisco, têm uma imagem de Maria que remete para o aconchego: «[Dizem que] nos momentos de turbulência espiritual, devemos andar debaixo do manto da Santa Mãe de Deus [e assim ela] nos acolhe e nos protege e toma conta de nós».

Da maternidade de Maria, nasce a «maternidade da Igreja»: «A Mãe Maria e a mãe Igreja sabem acariciar os seus filhos, dão ternura. Pensar a Igreja sem esta maternidade é pensar numa associação rígida, uma associação sem calor humano, órfã».

«A Igreja é mãe e recebe-nos a todos nós como mãe; Maria mãe, a Igreja mãe», maternidade que se «exprime nas atitudes de humildade, de acolhimento, de compreensão, de bondade, de perdão e de ternura», assinalou.

Para Francisco, «onde há maternidade e vida, há vida, há alegria, há paz, cresce-se em paz»; pelo contrário, quando falta a maternidade «apenas permanece a rigidez, a disciplina, e não se sabe sorrir. Uma das coisas mais belas e humanas é sorrir a uma criança e fazê-la sorrir».

por Rui Jorge Martins in SNPC

domingo, 26 de outubro de 2014

Conclusões preliminares do Sínodo dos bispos sobre a família

Não invalidando a leitura do documento na íntegra, aqui seguem os itens que dizem especificamente respeito ao acolhimento (ou falta de) dos homossexuais na Igreja. É minha impressão ou é uma no cravo a outra na ferradura? A amarelo sublinhei o que me parecem ser novas abordagens...


Providing for homosexual persons
   
50. Homosexuals have gifts and qualities to offer to the Christian community. Are we capable of providing for these people, guaranteeing [...] them [...] a place of fellowship in our communities? Oftentimes, they want to encounter a Church which offers them a welcoming home. Are our communities capable of this, accepting and valuing their sexual orientation, without compromising Catholic doctrine on the family and matrimony?

51. The question of homosexuality requires serious reflection on how to devise realistic approaches to affective growth, human development and maturation in the Gospel, while integrating the sexual aspect, all of which constitute an important educative challenge. Moreover, the Church affirms that unions between people of the same sex cannot be considered on the same level as marriage between man and woman. Nor is it acceptable that the pastor’s outlook be pressured or that international bodies make financial aid dependent on the introduction of regulations based on gender ideology.

52. Without denying the moral problems associated with homosexual unions, there are instances where mutual assistance to the point of sacrifice is a valuable support in the life of these persons. Furthermore, the Church pays special attention to [...] children who live with same-sex couples and stresses that the needs and rights of the little ones must always be given priority.

Ler mais sobre o assunto:
verão portuguesa e comentário em conclusões preliminares do sinodo dos bispos (parte 2)
documento integral em português em sínodo 2014

sábado, 18 de janeiro de 2014

A vocação da Igreja

"Igreja, torna-te naquilo que és, no mais profundo de ti mesma: terra dos vivos, terra de reconciliação, terra de simplicidade.

Igreja, "terra dos vivos", responde à nossa espera.

Abre as portas da esperança: ela brilhará como um sol de verão. Abre bem as portas da confiança: ela vencerá a dúvida, a desconfiança e a vergonha de existir. Escancara as portas da alegria e a oração comunitária será celebração de uma festa sem fim. (...)

Igreja, sê terra de reconciliação.

Não deixarás mais, nunca mais, Cristo dilacerado, jazendo à beira da estrada. Então a divisão dos cristãos, em diferentes confissões, já não será tolerável. (...) A reconciliação visível entre os cristãos não admite mais adiamento. Reconciliar-se, não para ser mais fortes contra quem quer que seja, mas essencialmente para ser fermento de paz e de confiança entre todas as nações do mundo. (...)

Igreja, sê terra de simplicidade.

É preciso tão pouco para acolher. Os meios muito simples revigoram uma comunhão. Os meios fortes assustam e dilaceram a universalidade do apelo de Cristo... Se, mais do que nunca, organismos e administrações da Igreja deixassem o seu ministério ser transfigurado pelo fogo irreprimível de um coração pastoral… Longe de acumular, ousa partilhar. A Fé, a confiança em Deus, pressupõe correr riscos. (...)

Igreja, sê terra de partilha para seres também terra de paz."

Irmão Roger de Taizé
in Les sources de Taizé - Dieu nous veut heureux

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Igreja: um banquete para todos?

Papa Francisco fala sobre comunhão, festa, cristianismo e Igreja
publicado em e por Rumos Novos a 7 de Novembro de 2013

No âmago do Cristianismo encontra-se um convite para o banquete do Senhor. Esta foi a mensagem do Papa Francisco na Missa desta manhã (5 de novembro) na Casa de Santa Marta. O papa disse que a Igreja “não é somente para pessoas boas”, pois o convite para ser parte dela diz respeito a toda a gente. Acrescentou que devemos “participar integralmente” no banquete do Senhor e com toda a gente. Não podemos tirar e escolher. Os cristãos, disse o Papa, não se podem contentar em constar simplesmente da lista de convidados: não participar integralmente é o mesmo que lá não estar.

As leituras do dia, disse o Papa, são a identidade do cristão e destacou que “antes de mais, a essência cristã é um convite: somente nos tornamos cristãos se formos convidados.” É um “convite grátis” à participação que Deus nos faz. Não podemos pagar para entrar no banquete, avisou ainda: “ou se é convidado ou não podemos entrar,” Se “na nossa consciência”, disse, “não tivermos esta certeza de sermos convidados” então “não compreendemos o que é ser cristão”: “Um cristão é alguém que é convidado. Convidado para quê? Para uma loja? Para ir dar um passeio? O Senhor pretende dizer-nos algo mais: És convidado a juntar-te ao banquete, à alegria de seres salvo, à alegria de seres perdoado, à alegria de partilhar a vida com Cristo. Isto é uma alegria! És convocado para uma festa! Um banquete é uma reunião de pessoas que caminham, riem, celebram, estão felizes juntas. Nunca vi ninguém fazer uma festa sozinho. Isso seria muito aborrecido, não é verdade? Abrir a garrafa de vinho… Isso não é uma festa, é outra coisa qualquer. Temos de festejar com outros, com a família, com os amigos, com aqueles que foram convidados, tal como eu fui convidado. Ser cristão significa pertencer, pertencer a este corpo, às pessoas que foram convidadas para o banquete: isto é a pertença cristã.”

Voltando-se para a carta aos romanos, o Papa afirmou então que este banquete é um “banquete de unidade”, tendo sublinhado o facto de todos terem sido convidados, “os bons e os maus”. E os primeiros a serem convidados são os marginalizados: “A Igreja não é somente a Igreja para as pessoas boas. Será que queremos descrever quem pertence à Igreja, a este banquete? Os pecadores. Todos nós pecadores estamos convidados. Neste momento há uma comunidade que tem diversos dons: um tem o dom da profecia, outro o do ministério… Todos temos qualidades e forças. Porém, cada um de nós traz para o banquete um dom comum. Cada um de nós é chamado a participar integralmente no banquete. A existência cristã não pode ser compreendida sem esta participação. “Eu vou ao banquete, mas não passo da antecâmara porque somente quero estar com as três ou quatro pessoas com as quais estou mais familiarizado…”. Não podemos fazer isto na Igreja! Ou se participa integralmente ou ficamos no exterior. Não podemos selecionar e escolher: a Igreja é para todas as pessoas, a começar por aquelas que já referi: as mais marginalizadas. É a Igreja de toda a gente!”

Falando acerca da parábola na qual Jesus disse que alguns dos que foram convidados começaram a encontrar desculpas, o Papa Francisco disse: “Eles não aceitam o convite! Dizem ‘sim’, porém as suas ações dizem ‘não’.” Estas pessoas, disse o Papa, “são cristãos que se contentam em estar na lista de convidados: cristãos escolhidos.” Porém, avisou, isto não é suficiente, porque se não participamos não somos cristãos. “Estávamos na lista,” disse, mas isto não é suficiente para a salvação! Isto é a Igreja: entrar na igreja é uma graça; entrar na Igreja é um convite.” E este direito, acrescentou, não pode ser comprado. “Entrar na Igreja”, disse, “é tornar-se parte duma comunidade, a comunidade da Igreja. Entrar na Igreja é participar em todas as virtudes, as qualidades que o Senhor nos deu no nosso serviço de uns pelos outros.” O Papa Francisco continuou, “Entrar na Igreja significa ser responsável por aquelas coisas que o Senhor nos pede.” Finalmente, acrescentou, “entrar na Igreja é entrar neste povo de Deus, na sua caminhada em direção à eternidade.” Ninguém, avisou, é o protagonista da Igreja: mas temos UM,” que fez todas as coisas. Deus “é o protagonista!” Nós somos os seus seguidores… e “aquele que não O segue é aquele que se exclui a si próprio” e não vai ao banquete.

O Senhor é muito generoso. O Senhor abre todas as portas. O Senhor compreende igualmente aqueles que Lhe dizem, “Não, Senhor, eu não quero ir contigo.” Ele compreende e espera-os, porque é misericordioso. Porém, o Senhor não gosta daqueles que dizem ‘sim’ e fazem o contrário; que pretende agradecer-Lhe por todas as coisas boas; que têm bons modos, mas que seguem o seu próprio caminho e não o caminho do Senhor: aqueles que sempre apresentam desculpas, aqueles que não conhecem a alegria, que não experimentam a alegria da pertença. Peçamos ao Senhor esta graça da compreensão: o quão maravilhoso é ser-se convidado para o banquete, o quão maravilhoso é tomar parte nele e partilhar as nossas qualidades, o quão maravilhoso é estar-se com Ele e o quão errado é oscilar entre o ‘sim’ e o ‘não’, para dizer ‘sim’, mas contentar-se em ser simplesmente um cristão de fachada.

Artigo original: NEWS.VA
Tradução: José Leote (Rumos Novos)

domingo, 1 de abril de 2012

Quaresma: a grande limpeza da Primavera

Reaprender a arte da procura (II)

«Ou qual é a mulher que, tendo dez dracmas, se perde uma, não acende a candeia, não varre a casa e não procura cuidadosamente até a encontrar? E, ao encontrá-la, convoca as amigas e vizinhas e diz: “Alegrai-vos comigo, porque encontrei a dracma perdida.” Digo-vos: Assim há alegria entre os anjos de Deus por um só pecador que se converte.» (Lucas 15, 8-10)

Varrer
Varrer é um verbo ativo. Não fico apenas a lamentar o sucedido. Aceito «varrer», limpar, transformar, aclarar. Amontoam-se poeiras e desordens de todo o tipo. Penso, muitas vezes, no minúsculo planeta do Principezinho, a personagem criada por Saint-Exupéry.
«Como em todos os planetas, no planeta do Principezinho havia ervas boas e ervas daninhas e, logo, sementes boas de ervas boas e sementes daninhas de ervas daninhas. Mas as sementes são invisíveis. Dormem no segredo da terra até que a uma lhe dê para acordar... Então, espreguiça-se e começa a lançar timidamente um pequeno rebento inofensivo e encantador em direção ao Sol. Se é um rebento de rabanete ou de roseira, pode crescer à vontade. Mas mal se perceba que é de uma planta daninha, é preciso arrancá-lo imediatamente. No planeta do Principezinho havia umas sementes terríveis... eram as sementes de embondeiro. O solo estava infestado delas. Ora, se só se reparar num embondeiro quando este já for bastante grande, nunca mais ninguém se vê livre dele. Atravanca o planeta todo. Esburaca-o com as raízes. E um planeta muito pequeno, com muitos embondeiros, acaba fatalmente por explodir. "É uma questão de disciplina", dizia-me, dias depois, o Principezinho. "De manhã, quando nos levantamos, lavamo-nos e arranjamo-nos, não é? Pois lá também é preciso ir limpar e arranjar o planeta"... Às vezes, não faz mal nenhum deixar um trabalho para depois. Mas com os embondeiros, é sempre uma catástrofe. Uma vez fui a um planeta habitado por um preguiçoso. Não esteve para se ralar com três arbustos...»
Mesmo se a nossa vida se parece a um ínfimo planeta, os trabalhos são inúmeros e diários. No fundo, trata-se de aceitar que a vida reclama de mim, nesta hora, um enérgico sim. Tenho de lutar para ser eu. Se não varrer a minha casa, ela deixa de ser habitável, deixa de ser minha...
No diário de Paul Claudel há uma frase curiosa: «A vida espiritual não é uma questão de portas, mas de janelas.» De facto, não se trata de sair do que sou ou de buscar na exterioridade a solução, mas de abrir as jane­las e deixar o ar de Deus entrar, deixar circular o vento do Espírito.

Procurar cuidadosamenteA nossa procura de conversão não é exterior. Não pretendemos chegar a fazer uma tabela ou uma lista onde amontoamos as nossas imperfeições, como se entre elas não existisse um nexo... e nesse nexo não estivesse, de facto, o que eu sou. Há razões de fundo e obstáculos interiores em nós que é necessário identificar. «Procurar cuidadosamente», ensina a mulher da parábola. Nós também temos de ir ao fundo e procurar a raiz daquilo que nos desvitaliza espiritualmente. Talvez seja um enorme, um terrível medo... Talvez seja uma insegurança fundamental no amor de Deus... Talvez me falte a confiança e também, por isso, a minha coragem é incipiente... Talvez tudo nasça de uma incapacidade de perdoar, isto é, de sobrepor às feridas e humilhações sofridas a certeza de que o amor é o único bem... Eu procuro cuidadosamente. Pudéssemos nós dizer com Santa Teresa Benedita da Cruz: «A minha procura da verdade foi autenticamente uma oração.»

Alegrai-vos comigoA reconciliação ficaria inacabada se ela não desembocasse num reencontro com a alegria. Muitas vezes, a alegria é circunstancial: contamos ou ouvimos uma história engraçada, há uma situação divertida que se cria, etc. Mas a mulher alude a uma coisa diferente quando diz: «Alegrai-vos comigo.» Há uma genuína e transbordante alegria por aquilo que Deus faz acontecer em nós: a revitalização surpreendente e pascal da nossa vida. A alegria não é, então, um aparato exterior, mas nós próprios nos tornamos motivo de alegria uns para os outros, uma alegria sentida não apenas na terra, mas que invade os próprios céus.

José Tolentino Mendonça
In O tesouro escondido, ed. Paulinas, publicado por SNPC

domingo, 20 de março de 2011

Acolhimento dos homossexuais na Igreja católica

Deus Cidadão e Cidadania Cristã

Na passada sexta-feira o Metanoia (Movimento Católico de Profissionais) promoveu um encontro dentro do tema Deus Cidadão e Cidadania Cristã. Lamentavelmente não o soube atempadamente para divulgar neste blogue, já que o tema me parece bastante oportuno para o teor do moradasdedeus.

O encontro foi preparado por três mulheres e congratulo-me por este estar a ser um ano em que o tema da homossexualidade tem passado o umbral das portas da Igreja em Portugal: recorde-se o encontro Fé e Cultura organizado pelos Jesuítas para o próximo dia 9 de Abril (ler mais aqui) e o Encontro do Lumiar (Na Fronteira de Deus e do Mundo), intitulado "Viver como cristão - a condição homossexual" no dia 8 de Janeiro (ler mais aquiaqui e aqui).

Cito um texto sobre Deus Cidadão e Cidadania Cristã:

"Evangelizar um homem é dizer-lhe: “Tu és amado por Deus, no Senhor Jesus Cristo”. E não é apenas dizê-lo, mas pensá-lo realmente. E não é apenas pensá-lo, mas tratar esse homem de forma a que ele o sinta e descubra em si qualquer coisa de grande, qualquer coisa de maior, e assim desperte para uma nova consciência de si próprio – de filho de Deus e irmão de todos os homens. Isto é anunciar-lhe a Boa Nova!
Autor desconhecido

As nossas aproximações a muitos temas começam pelo amor concreto aos que nos são mais queridos. Na proximidade afectiva, ultrapassamos o desconhecido e vamos ao encontro do outro. O seu mundo torna-se-nos próximo, só porque é seu. E a realidade daquilo que vive, até então abstracta e obscura para nós, vem
iluminar o nosso olhar. Se reconhecemos no outro morada de Deus, no mesmo movimento em que nos convertemos [voltamos] para o outro, convertemo-nos [voltamo-nos] para Deus. Através do outro, Deus chama-nos a ir ao Seu encontro.

Esta experiência é única, porque Deus faz-se presente em cada uma e cada um de nós, e nos chama a ir sempre mais longe. Comecemos pela proximidade afectiva, se nos for mais fácil no início, e não paremos por aí. O caminho é longo, mas o convite faz-se presente a cada instante.

No próximo encontro do Metanoia queremos trazer à reflexão o acolhimento das mulheres e homens homossexuais no seio da Igreja. Abordemos a possibilidade de as orientações da Igreja levarem, algumas vezes, a afastamentos e pertenças perdidas. Mas não fiquemos presos a essa possibilidade. Deus não se faz perdido nem distante, faz-se encontrado e próximo – em quaisquer circunstâncias.

O convite a esta reflexão é um convite à reconciliação e ao apaziguamento.

Tertuliano dizia que não nascemos cristãos, tornamo-nos cristãos. Mas não nos tornamos cristãos apenas no Baptismo. Tornamo-nos cristãos pelo acolhimento, pelo encontro com o outro. Só assim acolhemos a Cristo – cuja própria vida é uma sucessão de encontros. Acolher o desconhecido é também acolher a Deus no seu
mistério.


Procuremos ter sobre o outro um olhar reflexivo – que reflicta a Luz recebida. Ao procurar o olhar de Cristo, confiamos: Deus ama-me pelo que sou. O Deus cidadão convida – com vida – a uma cidadania cristã. Aos olhos de Deus possuímos a mesma dignidade e somos iguais. Deus não exclui, inclui. Deus não fractura, une.
Deus não divide, partilha.


Princípio da Igualdade
1. Todos os cidadãos têm a mesma dignidade social e são iguais perante a lei.
2. Ninguém pode ser privilegiado, beneficiado, prejudicado, privado de
qualquer direito ou isento de qualquer dever em razão de ascendência, sexo,
raça, língua, território de origem, religião, convicções políticas ou ideológicas,
instrução, situação económica, condição social ou orientação sexual.
Constituição da República Portuguesa, Artigo 13.º

Deus, que se faz igual através do Seu Filho, habita o princípio da Igualdade.

Importa viver o Amor enquanto encontro sério, compromisso de união e de partilha. O Amor não começa nem termina na conjugalidade – homossexual ou heterossexual – ou no celibato – também ele homossexual ou heterossexual. O Amor não começa nem termina na orientação sexual. O Amor começa e termina em Deus. É vivido no encontro. Na abertura ao outro. Nas nossas relações. Porque todos somos chamados ao Amor. Em Cristo.

Propomos que a preparação para este encontro comece por dentro, na procura do olhar reflexivo. E que prossiga com uma pesquisa de temas relacionados com o acolhimento das mulheres e homens homossexuais no seio da Igreja, com palavras-chave como: “homossexualidade e catolicismo”, “igreja católica e pessoas
homossexuais”. No site oficial do Vaticano, podem ser consultados os seguintes documentos oficiais: “Carta aos Bispos da Igreja Católica sobre o Cuidado Pastoral das Pessoas Homossexuais”, “Considerações sobre os Projectos de Reconhecimento Legal das Uniões entre Pessoas Homossexuais”. Sobre uma
temática mais específica mas relacionada, a revista Viragem nº 52 inclui o artigo “Os homossexuais podem ser padres?”, de Timothy Radcliffe. (...)"

Mais sobre Metanoia – Movimento Católico de Profissionais:
metanoia.mcp@gmail.com
www.metanoia-mcp.org

domingo, 13 de março de 2011

O problema de considerar a homossexualidade um problema: um começo infeliz

Pastoral Homossexual

2

Começar mal

"Mencionei recentemente a "Carta sobre o atendimento pastoral das pessoas homossexuais" (o texto deste documento está no site do Vaticano e é um dos documentos deste blogue: aqui). [Vou tecer uma série de reflexões com base neste e começo por] completar os [seus] dados: dirigida aos bispos da Igreja Católica e assinada pelo então Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, Cardeal Joseph Ratzinger (atual Papa Bento XVI) e por um secretário, no dia 1 de Outubro de 1986. Acho útil relembrar a data para facilitar a nossa percepção de uma eventual evolução do pensamento da Igreja: por exemplo, a redacção do Catecismo da Igreja Católica foi concluída em 1992 e, já nestes poucos anos, podemos notar algumas diferenças na definição da homossexualidade (sobre isso vou falar noutra ocasião). 



[...] [Na passada mensagem] citei uma pequena parte [...] para mostrar a recomendação da Igreja para promover uma pastoral específica, voltada aos homossexuais. Hoje vou começar a falar sobre o quanto a própria Igreja ainda precisa de superar, dentro do seu próprio ponto de vista, para que tal pastoral possa existir de facto e trazer algum benefício (tanto para os homossexuais quanto para a Igreja):

"O problema da homossexualidade e do juízo ético acerca dos atos homossexuais tornou-se cada vez mais objeto de debate público, mesmo em ambientes católicos." (In Carta sobre o atendimento pastoral das pessoas homossexuais, alínea 1) 

Ainda bem que se tornou cada vez mais objecto de debate público. É, sem dúvida, o mérito e a conquista de vários homossexuais e pessoas simpatizantes, organizados ou não, numa campanha pela visibilidade que, por sua vez, é a reacção mais que justificada, diante de toda a intolerância, muitas vezes manifestada de forma violenta. Há, também, contribuição da ciência e dos média. 

O final da primeira frase desta Carta parece expressar um espanto, parecido com aquele de Cristóvão Colombo, quando "descobriu" a América. É como se a Igreja esperasse um silêncio por parte dos seus próprios membros acerca de uma realidade que toca, em massa, os próprios católicos. Se a Igreja fala sobre políticos, trabalhadores, migrantes, cientistas, alcoólicos, doentes de sida, cegos, jovens, crianças e idosos, homens e mulheres, negros e brancos [...] é porque, em primeiro lugar, reconhece no seu interior a presença e o valor dessas pessoas. 

Jesus falou sobre a importância de “reconhecer os sinais dos tempos” e, ainda que muito lentamente, a Igreja sempre procurou manter o olhar atento ao mundo e a todos os fenómenos que nele ocorrem. Portanto a expressão “mesmo em ambientes católicos”, no contexto do crescente debate sobre “a homossexualidade”, por um lado não surpreende muito - visto retratar a postura habitual da Igreja enquanto instituição -, mas por outro cria, logo à partida, uma sensação de desânimo perante todo o documento que se segue. Imagine uma notícia semelhante: "Nesta tarde choveu na nossa cidade. Várias pessoas ficaram molhadas, mesmo as católicas". 

Enquanto muitos documentos da Igreja começam de uma maneira animadora (por exemplo "Gaudium et spes" do Concílio Vaticano II), esta Carta é o contrário. 

Outra coisa é rotular logo à partida a “homossexualidade” como “problema”. Digamos que é igualmente desencorajador. Se alguém falasse do “problema” da cor da pele ou do "problema" do judaísmo, teria, sim, um grande problema! [...]"

Por Teleny, in retorno (G-A-Y)

Ler neste blogue:

Nos anos 80: a Igreja deve acompanhar a pessoa homossexual

Esta é a primeira de uma série de mensagens sobre a ideia de uma pastoral homossexual. São mensagens adaptadas a partir de um blogue do outro lado do Atlântico (Brasil).

Pastoral Homossexual 

1

A Igreja recomenda atendimento aos homossexuais


"A ideia de uma Pastoral, estruturada para acolher e atender os homossexuais, não é minha. A própria Igreja, através de alguns documentos, recomenda este trabalho. A Congregação para a Doutrina da Fé, chefiada por vários anos pelo atual Papa Bento XVI (então Cardeal Joseph Ratzinger), enviou a todos os bispos da Igreja Católica a "Carta sobre o atendimento pastoral das pessoas homossexuais"(leia aqui o texto completo). Apesar de apresentar várias opiniões discutíveis (até mesmo do ponto de vista da ciência), o documento traz um incentivo (não sei se posso chamá-lo "ordem") aos bispos: 

Esta Congregação encoraja os Bispos a promoverem, nas suas dioceses, uma pastoral para as pessoas homossexuais, plenamente concorde com o ensinamento da Igreja. (...) Um programa pastoral autêntico ajudará as pessoas homossexuais em todos os níveis da sua vida espiritual, mediante os sacramentos [...], como também através da oração, do testemunho, do aconselhamento e da atenção individual. Desta forma, a comunidade cristã na sua totalidade pode chegar a reconhecer sua vocação de assistir estes seus irmãos e irmãs, evitando-lhes tanto a desilusão como o isolamento. Desta abordagem diversificada podem advir muitas vantagens, entre as quais não menos importante é a constatação de que uma pessoa homossexual, como, de resto, qualquer ser humano, tem uma profunda exigência de ser ajudada contemporaneamente em vários níveis. 

Evidentemente, os trechos acima, parecem bastante animadores e, realmente, vale a pena aproveitá-los para dar o primeiro passo. O resto do texto é, digamos, extremamente cauteloso (para não dizer contraditório), mas isso também podemos compreender. O próprio assunto continua ainda a assustar os líderes da Igreja, assim como a maioria do povo. Precisamos de tempo, de perseverança e de uma corajosa clareza na hora apresentar ao povo tal projeto. 

Lembro-me, neste momento, das primeiras iniciativas em implantar as casas de acolhimento para portadores do vírus HIV (anos 80). Houve muitos protestos, não raro bastante violentos, promovidos pelos habitantes naquelas localidades. Muitas casas, simplesmente, não tiveram chance alguma para começar a sua missão. E tudo isso devido uma tremenda falta de conhecimento básico[...]. 

Assim como, naquela época (e às vezes até hoje), as pessoas acreditavam que o vírus "se pega" respirando o mesmo ar, da mesma forma muitos acham que os gays, só pela sua presença, irão "perverter os normais", especialmente as crianças e os jovens, mas também alguns piedosos e honestos pais e mães de família. Outra "ideia genial" diz que a moda, promovida pelo poderoso lobby gay, faz com que "a praga entre até na Igreja, como se não bastasse a invasão nos média e o escândalo das paradas de orgulho gay". 

Resumindo: temos argumento nas mãos (a recomendação do Vaticano), mas também um árduo e longo trabalho pela frente. Vamos? Alguém se arrisca?

por Teleny, in Retorno (G-A-Y)

sexta-feira, 11 de março de 2011

As mulheres dos evangelhos: a inominada

Anthony Frederick Sandys

O dia da Mulher passou de forma despercebida, entre o Carnaval e o feriado, a chuva e a festa. Publico um texto a propósito de uma mulher do tempo de Jesus, que vulgarmente se associa à imagem de Maria Madalena mas, de facto, nunca o seu nome foi nomeado. É uma bela imagem para esta Quaresma que começamos: imagem de acolhimento, louvor, perdão, serviço, humildade e amor.
Uma mulher aos pés de Jesus
Um fariseu convidou-o para comer consigo. Entrou em casa do fariseu, e pôs-se à mesa. Ora certa mulher, conhecida naquela cidade como pecadora, ao saber que Ele estava à mesa em casa do fariseu, trouxe um frasco de alabastro com perfume. Colocando-se por detrás dele e chorando, começou a banhar-lhe os pés com lágrimas; enxugava-os com os cabelos e beijava-os, ungindo-os com perfume. Vendo isto, o fariseu que o convidara disse para consigo: «Se este homem fosse profeta, saberia quem é e de que espécie é a mulher que lhe está a tocar, porque é uma pecadora!» Então, Jesus disse-lhe: «Simão, tenho uma coisa para te dizer.» «Fala, Mestre» - respondeu ele. «Um prestamista tinha dois devedores: um devia-lhe quinhentos denários e o outro cinquenta. Não tendo eles com que pagar, perdoou aos dois. Qual deles o amará mais?» Simão respondeu: «Aquele a quem perdoou mais, creio eu.» Jesus disse-lhe: «Julgaste bem.» E, voltando-se para a mulher, disse a Simão: «Vês esta mulher? Entrei em tua casa e não me deste água para os pés; ela, porém, banhou-me os pés com as suas lágrimas e enxugou-os com os seus cabelos. Não me deste um ósculo; mas ela, desde que entrou, não deixou de beijar-me os pés. Não me ungiste a cabeça com óleo, e ela ungiu-me os pés com perfume. Por isso, digo-te que lhe são perdoados os seus muitos pecados, porque muito amou; mas àquele a quem pouco se perdoa pouco ama.» Depois, disse à mulher: «Os teus pecados estão perdoados.» Começaram, então, os convivas a dizer entre si: «Quem é este que até perdoa os pecados?» E Jesus disse à mulher: «A tua fé te salvou. Vai em paz.» (Lucas 7, 36-50)

O terceiro Evangelho [Lucas] é aquele que guarda mais relatos de mulheres: é, por exemplo, o único que conta a história de Isabel (1, 5-25), Maria (1, 26-56), Ana (2, 36-38), a viúva de Naim (7, 11-17), Maria Madalena, Joana, Susana e as outras mulheres que seguiam Jesus (8, 1-3), Marta e Maria (19, 38-42), a mulher encurvada (13, 10-17), a mulher que procura a moeda perdida (15, 8-10), a viúva insistente (18, 1-8) e as mulheres de Jerusalém que choram atrás da cruz (23, 27-31). Para lá daquelas mulheres cuja referência partilha com os outros Sinópticos, como é o caso da sogra de Simão (5, 38-39; Mateus 8, 14-15; Marcos 1, 29-31), a hemorroíssa e a filha de Jairo (8, 40-56; Mateus 9, 18-26; Marcos 5, 21-43), a viúva que dá tudo quanto tinha para o tesouro do Templo (21, 1-4; Marcos 12, 41-44), as mulheres galileias que descobrem o túmulo vazio (24, 1-8; Mateus 28, 1-8; Marcos 16, 1-8).

Para um leitor de Lucas não é, portanto, estranho que uma mulher acorra à procura de Jesus. O encontro com mulheres pontua o caminho de Jesus. E à partida sabe-se que muitas acolhiam a mensagem e a pessoa de Jesus. O aparecimento de uma mulher acaba sempre por trazer um elemento positivo à narração.

O primeiro dado inesperado, por parte do narrador, é o modo como apresenta a mulher: «uma pecadora». Isto é tanto mais espantoso, quando sabemos que Lucas não caracteriza moralmente outros personagens. E, precisamente em relação aos pecadores, ele distingue-se por uma grande delicadeza, feita de silêncio e reserva. Embora alguns comentadores digam tratar-se de uma prostituta isso não nos é referido por Lucas, que poderia ter utilizado o substantivo πóρνη, como o faz noutra passagem, Lucas 15,30. Afirma-se simplesmente que era uma pecadora da cidade (v.37), e tal é reiterado pelo próprio fariseu (v.39).

A mulher irrompe pela narrativa. A sua presença não tem, como no caso anterior, a legitimidade de um convite formulado. Nem ela surge por si, mas porque Jesus se encontra à mesa do fariseu. É, portanto, desde o início, um personagem que se coloca na órbita de outro e assume essa dependência.
Uma justificação que o narrador subtilmente avança para a entrada da mulher deve ler-se no destaque concedido ao alabastro, com perfume, que ela traz: por um lado, o objecto oferece à mulher um motivo, uma função; e, por outro, empresta uma espécie de ingrediente novo e específico à narrativa. Basta comparar 7, 36-50 com 11, 37-54 e 14, 1-24 que mostram sobretudo como Jesus reage às abluções, às disputas dos lugares ou à lógica retributiva que presidia à organização dos banquetes. O perfume como que fornece o móbil que depois a própria trama se encarregará de intricar: a qualidade do acolhimento a Jesus.

É difícil permanecer indiferente ao trânsito deste personagem que nos é descrito num impressionante regime de showing. A mulher entra e sai em silêncio, mas o leitor sente que a sua passagem se revestiu de uma eloquência ímpar. Em vez de palavras ela utilizou uma linguagem plástica, talvez mais contundente que a verbal. Representou, como actriz solitária, no palco da casa do fariseu, o seu monólogo ferido: com o seu pranto prolongado, os cabelos a arrastar-se pelo chão do hóspede, numa coreografia humilde e lancinante, os beijos e o perfume que mais ninguém ali teve a preocupação de ofertar a Jesus. A qualidade penitenciai do personagem é testemunhada pelo território simbólico em que ela opera, os pés de Jesus, sete vezes referidos, e pela convulsão da sua figura (pois «desatar o seu cabelo em presença do homem era considerado, para uma mulher, uma grande desonra»).

Nas passagens paralelas a Lucas 7, 36-50 (Marcos 14, 3-9; Mateus 26, 6-13; João12, 1-8) a mulher unge Jesus, mas não chora. No episódio lucano as suas lágrimas substituem a água da hospitalidade que faltou. «Pelas minhas lágrimas, eu conto uma história», explica Roland Barthes. Segundo aquele ensaísta as lágrimas são uma realidade tudo menos insignificante. Porque temos muitas formas de chorar e essas revelam não só a intensidade do nosso desgosto, mas também a natureza da nossa sensibilidade. Porque ao chorar, mesmo na mais estrita solidão, nos dirigimos a alguém: esforçamo-nos para o outro não ver que nós choramos, mas a verdade é que nós choramos sempre para um outro ver. Porque as lágrimas emprestam um realismo particular, dramático à expressão de nós próprios. Na tradição bíblica é muito comum que o pranto acorde no homem a consciência da dependência divina. Ele reconhece a sua insuficiência, a debilidade das suas seguranças e reclama a intervenção favorável e protectora de Deus (1 Samuel 1, 10; Lamentações 1, 16).

A inominada não cumpre os rituais de hospitalidade ao serviço da casa do fariseu. Em relação ao fariseu ela é uma intrusa, e não uma associada. O seu nexo é com Jesus: os seus gestos, tão distantes, na sua emotividade, daquela delicada indiferença que se requer a quem habitualmente presta, aos hóspedes, esse serviço, são interpretados por Jesus como uma forma de acolhimento na fé: por isso, de pecadora a mulher passará a perdoada. E a transformação do estatuto da mulher derrama um perfume novo não só na perícope, mas pelo próprio Evangelho.

Nota: Esta transcrição omite as notas de rodapé do texto original.

José Tolentino Mendonça
In A Construção de Jesus, ed. Assírio & Alvim
publicado por SNPC

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Receber à mesa

Gabriel Orozco
O que é uma refeição?


Já nos escritos de Plutarco se lê que não nos sentamos à mesa simplesmente para comer, mas para comer com, e esta convivialidade vem a constituir, por exemplo, no quadro de valores do mundo clássico, um fator que distinguia o homem civilizado do bárbaro. Mas a história da refeição começa, certamente, muito antes. A vida dos indivíduos ou dos agregados humanos encontrou, desde sempre, no espaço da refeição um momento privilegiado da sua construção. À volta da mesa celebram-se os eventos fundadores, os nascimentos, os ritos de passagem, os triunfos, mas também o luto, as crises ou a prova. A mesa torna visível e edifica a intimidade familiar. Os amigos sabem que essa permite uma qualidade de encontro que lhes é própria. Dos negócios tem-se a ideia que a mesa os favorece, tal como a busca de resolução para os conflitos mais diversos. É curioso que a euforia comercial com que as nossas sociedades promovem os tempos simbólicos acalma-se, por fim, em torno de uma refeição (é assim no Natal). E, talvez por isso, à mesa pese mais a solidão ou a incomunicabilidade em que muitos vivem.

A refeição é um momento de grande espessura comunicativa, se pensarmos que ela tem as virtualidades de um espelho: aí se colhem alguns dos códigos que nos são mais intrínsecos. Ela funciona como uma espécie de lugar simbólico, um microcosmos que reflete práticas, interditos, tráficos de afeto e de sentido. Bastaria dizer isto: ao observarmos o modo como se desenvolve uma refeição, ficamos na posse da estrutura, valores e prioridades de um determinado grupo humano, bem como dos limites que esse estabelece com o mundo que o rodeia. Acreditam os antropólogos que, quando se chega a perceber a lógica e o conteúdo dos alimentos, bem como a ordem que regula a mesa (com quem se come, onde se come, a lógica dos diversos lugares e funções em torno da mesa, etc), alcança-se um conhecimento humano fundamental.

A mesa é um momento de excelência para a revelação de si, pois todo o comensal traz como dom a narração da sua história. A hospitalidade experimentada em torno da mesa instaura um implícito pacto de linguagem. É um espaço / tempo onde o contar se realiza no contar-se. Diante dos que escutam, abre-se a possibilidade de cada um se dizer, e assim, de recompor fragmentos, enlaçar fios distantes ou recuperar aqueles quebrados, encontrar palavras que segredem a íntima arquitetura da vida. Ulisses, por exemplo, nas diversas etapas do seu retorno a Ítaca, assume o estatuto de comensal, e vai aí revelando, progressivamente, a sua identidade. A ele pediu o rei dos Feácios: «Meu hóspede, não me ocultes o que te vou perguntar; fala com franqueza! Diz-me como na pátria o teu pai e a tua mãe e os outros homens da cidade te chamam... Nomeia também a tua terra, o teu povo e a tua cidade...». É verdade que à mesa não nos alimentamos apenas ao mesmo tempo e dos mesmos alimentos. Alimentamo-nos uns dos outros. Somos uns para os outros, na escuta e na palavra, no silêncio e no riso, no dom e no afeto, um alimento necessário, pois é de vida (e de vida partilhada) que as nossas vidas se alimentam.

José Tolentino Mendonça

In Diário de Notícias da Madeira, publicado por SNPC

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Uma comunidade de braços e corações abertos: as monjas dominicanas do Lumiar


No passado sábado deu-se um encontro organizado pelas irmãs dominicanas (Monjas dominicanas do Mosteiro de Santa Maria) que, ousaria dizer, é um sinal de esperança e um marco para a história da Igreja em Portugal.


No ciclo Encontros do Lumiar, com o belo título Na Fronteira de Deus e do Mundo, abordou-se o tema Viver como cristão - a condição homossexual. A sala estava cheia, cheia de ouvintes, cheia de generosidade e cheia de amor fraterno e cristão. Mas em relação à "conferência" - que nome imperfeito para falar de uma partilha de vida - haverá posteriores mensagens que tentarão fazer um "apanhado" do que ali se viveu.

Serve esta mensagem para prestar homenagem e agradecer a forma tão concreta e cristã com que estas irmãs vivem a fecundidade do seu amor. Bem hajam!

No site desta comunidade as palavras que lemos em jeito de boas-vindas são: "Somos uma pequena comunidade de Monjas da Ordem dos Pregadores ou "Monjas Pregadoras". No seio da Ordem e da Igreja, a presença de Monjas, aponta para o essencial pela vivência do Evangelho - o seguimento de Cristo. Desejamos que nestes espaços possa "encontrar" o Invisível, o essencial para que eles apontam." E a boa notícia é que este Encontro se faz, o que parece revelar a veracidade da vocação que estas mulheres procuram viver.

Ler mais:
http://www.monjasoplisboa.com/
A vida da comunidade
http://www.monjasoplisboa.com/index.asp?art=12141
Dia-a-dia
Fotografias
Na Fronteira de Deus e do Mundo (programa)
Localização
http://www.monjasoplisboa.com/index.asp?flintro=off&lang=&art=12144&menu=9037

Porque estou aqui

Sinto-me privilegiado por ter encontrado na Igreja um lugar vazio, feito à minha medida. É certo que tê-lo encontrado (ou encontrá-lo renovadamente, pois não é dado adquirido) foi também mérito da minha sede, do meu empenho, de não baixar os braços e achar, passivamente, que não seria possível. Passo a contextualizar: a comunidade onde vou à missa é pequena e acolhedora, e podia bem não o ser. Ao mesmo tempo, sentia um desejo grande de reflexão de vida cristã e encontrei um casal (heterosexual) que tinha a mesma vontade. Começámo-nos a reunir semanalmente numa pequena comunidade de oração e reflexão que, apesar de crítica, nos tem ajudado a sermos Igreja e a nela nos revermos. Paralelamente, face ao contínuo desencanto em relação a algumas posturas e pontos de vista de uma Igreja mais institucional e hierárquica, tive a graça de encontrar um grupo de cristãos homossexuais, que se reuniam com um padre regularmente, sem terem de se esconder ou de ocultar parte de si.

Sei que muitos cristãos homossexuais nunca pensaram sequer na eventualidade de existirem grupos cristãos em que se pudessem apresentar inteiros, quanto mais pensarem poder tomar parte e pôr em comum fé, questões, procuras, afectos e vidas.

Por tudo isto me sinto grato a Deus e me sinto responsável para tentar chegar a quem não teve, até agora, uma experiência tão feliz como a minha.

Este blogue também é teu

São benvindos os comentários, as perguntas, a partilha de reflexões e conhecimento, as ideias.

Envia o link do blogue a quem achas que poderá gostar e/ou precisar.

Se não te revês neste blogue, se estás em desacordo com tudo o que nele encontras, não és obrigado a lê-lo e eu não sou obrigado a publicar os teus comentários. Haverá certamente muitos outros sítios onde poderás fazê-lo.

Queres falar?

Podes escrever-me directamente para

rioazur@gmail.com

ou para

laioecrisipo@gmail.com (psicologia)


Nota: por vezes pode demorar algum tempo a responder ao teu mail: peço-te compreensão e paciência. A resposta chegará.

Os textos e as imagens

Os textos das mensagens deste blogue têm várias fontes. Alguns são resultados de pesquisas em sites, blogues ou páginas de informação na Internet. Outros são artigos de opinião do autor do blogue ou de algum dos seus colaboradores. Há ainda textos que são publicados por terem sido indicados por amigos ou por leitores do blogue. Muitos dos textos que servem de base às mensagens foram traduzidos, tendo por vezes sofrido cortes. Outros textos são adaptados, e a indicação dessa adaptação fará parte do corpo da mensagem. A maioria dos textos não está escrita segundo o novo acordo ortográfico da língua portuguesa, pelo facto do autor do blogue não o conhecer de forma aprofundada.

As imagens que ilustram as mensagens são retiradas da Internet. Quando se conhece a sua autoria, esta é referida. Quando não se conhece não aparece nenhuma referência. Caso detectem alguma fotografia não identificada e conheçam a sua autoria, pedimos que nos informem da mesma.

As imagens são ilustrativas e não são sempre directamente associáveis ao conteúdo da mensagem. É uma escolha pessoal do autor do blogue. Há um critério de estética e de temática ligado ao teor do blogue. Espero, por isso, que nenhum leitor se sinta ofendido com as associações livres entre imagem e conteúdo.

Contribuidores

Amigos do blogue

Mensagens mais visitadas nesta semana

Categorias

11/9 (1) 2011 (1) 25 de Abril (1) 3ª idade (1) 5ª feira Santa (1) abandono (3) abdicar (1) abertura (4) aborto (3) abraão (1) abraço (1) abstinencia sexual (2) abusos (4) acção (4) aceitação (4) acolhimento (19) acompanhamento (3) açores (1) acreditar (1) acrobacia (1) activismo (2) activistas (2) actores (1) actos dos apostolos (1) actualidade (85) adão e eva (1) adesão (1) adeus (2) adilia lopes (2) administrativo (1) admiração (1) adolescentes (1) adopção (15) advento (15) afecto (3) africa (21) África (1) africa austral (1) africa do sul (8) ágape (1) agenda (2) agir (1) agressividade (1) água (2) alan gendreau (1) alegorias (1) alegria (11) aleluia (1) alemanha (15) alentejo (3) alerta (1) alexandra lucas coelho (1) Alexandre Quintanilha (1) alimento (1) alma (4) almada (1) alteridade (2) alternativo (9) amadeo de sousa cardoso (1) amantes (2) amargura (1) américa (5) américa central (1) américa latina (10) AMI (1) amigo (3) amizade (4) amnistia internacional (2) amor (54) amplos (2) androginia (1) andrógino (1) angelo rodrigues (1) angola (2) animal (3) anjos (8) anselmo borges (2) anti-semitismo (1) antigo testamento (15) antiguidade (1) antónio ramos rosa (3) antropologia (1) anunciação (2) anuncio (1) ao encontro (1) aparência (1) aparições (2) apatia (1) API (1) apocalipse (1) apócrifos (2) apoio psicologico (1) apolo (2) apóstola (1) apóstolos (1) apple (1) aprender (1) aproximar (1) aquiles (1) ar livre (1) arabes (1) arabia saudita (2) arbitro (1) arco-iris (4) argélia (4) argentina (9) arquétipo (1) arquitectura (9) arrependimento (1) arte contemporanea (18) arte e cultura (322) arte sacra (59) artes circences (1) artes plásticas e performativas (32) artista (2) arvo pärt (6) árvore de natal (1) ascensão (1) asia (9) asilo (2) assassinato (1) assembleia (2) assexuado (3) assexual (1) assexualidade (2) assintomático (1) associação do planeamento da família (1) associações (1) astronomia (1) ateliers (1) atenção (5) atender (1) ateu (2) atletas (2) australia (6) autoconhecimento (1) autodeterminação de género (2) autonomia (1) autoridade (2) avareza (1) ave-maria (2) avô (1) azul (1) bach (6) bairro de castro (1) baixa (1) banal (1) banco alimentar (3) bancos (2) bandeira (2) baptismo (1) baptizado (2) barcelona (5) barroco (3) basquetebol (1) beatificação (2) beatos (1) beckham (1) beijo (4) beja (1) bela e o monstro (1) beleza (18) bélgica (2) belgrado (1) belo (5) bem (5) bem estar (1) bem-aventuranças (3) ben sira (1) beneditinos (2) bento xvi (35) berlim (5) berlusconi (1) best-sellers (1) bethania (2) betos (1) bi (1) bíblia (45) bibliografia (1) bicha (1) bienal (1) bifobia (1) bigood (1) bill viola (1) binarismo (1) biografias (28) biologia (4) bispos (10) bissexualidade (9) bizantina (1) bjork (1) blogue informações (44) bloguer (1) blogues (2) blondel (1) boa nova (1) boa vontade (1) bom (1) bom pastor (1) bom samaritano (1) bombeiro (1) bondade (2) bonecas (1) bonhoeffer (2) bose (5) botswana (1) boxe (2) braga (2) brasil (15) brincadeira (1) brincar (1) brinquedos (2) britten (1) budismo (2) bullying (5) busca (1) buxtehude (1) cadaver (1) calcutá (1) calendário (3) calvin klein (1) caminhada (1) caminho (5) campanha de prevenção (1) campanha de solidariedade (6) campo de concentração (3) cancro (2) candidiase (1) candomblé (1) canonização (2) cantico dos canticos (3) canticos (2) canto (1) cantores (2) capela do rato (11) capelania (1) capitalismos (1) caraíbas (3) caravaggio (4) carcavelos (1) cardaes (1) carência (1) caridade (7) caritas (2) carlos de foucauld (1) carmelitas (2) carnaval (1) carne (1) carpinteiro (1) carta (15) carta pastoral (2) casa das cores (1) casais (17) casamento (61) casamento religioso (1) castidade (3) castigo (1) catacumbas (1) catalunha (3) catarina mourão (1) catástrofes (1) catecismo (3) catolica (1) catolicismo (26) causas (1) CD (1) cegueira (1) ceia (1) celebração (3) celibato (9) censos (3) censura (2) centralismo (1) cep (1) cepticismo (1) céu (1) chamamento (1) chapitô (1) charamsa (1) charles de foucauld (1) chatos (1) chechénia (1) chemin neuf (1) chicotada (1) chile (2) china (3) chirico (1) chorar (1) ciclone (1) cidade (2) ciência (2) cig (1) cimeira (3) cinema (41) cinemateca (1) cinzas (1) ciparisso (1) circo (1) cisgénero (1) civismo (1) clamidia (1) clarice lispector (1) clarissas (1) clausura (3) clericalismo (3) clero (5) cliché (1) co-adopção (3) coccopalmerio (1) cockinasock (2) cocteau (2) código penal (2) colaborador (1) colegialidade (1) colegio cardenalicio (2) colégio militar (1) colóquio (2) colossenses (1) combate (1) comemoração (2) comentário (1) coming out (1) comissão justiça e paz (1) comodismo (1) compaixão (3) companhia de jesus (11) comparação (1) complexidade (1) comportamento (2) composição (1) compromisso (1) comunhão (18) comunicação (2) comunidade (3) comunidade bahai (1) comunidades (3) conceitos (15) concertos (18) concílio (1) condenação (8) conferência (15) conferencia episcopal portuguesa (2) confessar (1) confiança (4) confissão (3) conformismo (1) conhecer (2) conjugal (1) consagrado (2) consciência (4) consumo (1) contabilidade (1) contemplação (5) contos (1) contracepção (1) convergencia (1) conversão (3) conversas (1) convivência (2) cópia (1) copta (1) coração (5) coragem (4) coreia do norte (1) cores (1) corintios (1) corita kent (1) coro (1) corpo (19) corpo de Deus (2) corporalidade (2) corrupção (1) corrymeela (1) cracóvia (1) crença (1) crente (1) creta (1) criação (5) crianças (8) criatividade (1) crime (8) criquete (1) crise (8) crisipo (2) cristãos lgbt (1) cristianismo (41) cristiano ronaldo (2) crítica (15) crossdresser (2) CRS (2) cruz (11) cuba (1) cuidado (1) cuidar (2) culpa (4) culto (2) cupav (2) cura (2) curia (1) curiosidade (6) cursos (4) CVX (1) dádiva (3) dador (2) dadt (8) daltonismo (1) dança (7) Daniel Faria (4) daniel radcliffe (2) daniel sampaio (1) danielou (1) dar (3) dar a vida (12) dar sangue (2) Dark Hourses (1) David (8) david lachapelle (3) deficiência (1) defuntos (1) delicadeza (1) democracia (1) dependências (1) deportação (1) deputados (1) desânimo (1) desassossego (3) descanso (1) descentralização (1) descobrir (1) desconfiança (1) descrentes (1) descriminalização (4) desejo (5) desemprego (1) desenho (12) deserto (3) desfile (1) desilusão (2) desordenado (1) despedida (1) desperdicio (1) despojar (1) desporto (34) detecção (1) Deus (50) deuses (1) dia (1) dia mundial dos pobres (1) diaconado (1) diácono (1) diálogo (9) diálogo interreligioso (7) diferenças (3) dificuldade (1) dignidade (2) dinamarca (1) dinamismo (1) dinheiro (1) direcção espiritual (1) direito (30) direito laboral (1) direitos humanos (51) direitos lgbt (9) discernimento (1) discípulas (1) discípulos (1) discriminação (29) discurso (2) discussão (5) disforia de género (1) disney (2) disparidade (1) disponibilidade (1) ditadura (1) diversidade (8) divindade (2) divisão (2) divorciados (4) divórcio (3) divulgação (1) doação (1) doadores (1) doclisboa (1) documentários (3) documentos (1) doença (2) dogma (1) dois (1) dom (10) dom helder câmara (1) dom manuel martins (2) dom pio alves (1) doma (1) dominicanas (3) dominicanos (6) donativos (1) dons (1) dor (4) dos homens e dos deuses (1) dostoievsky (1) doutores da igreja (2) doutrina da fé (2) doutrina social (5) drag (2) drag queens (2) dst (2) dureza (1) e-book (1) eckart (2) eclesiastes (3) eco (1) ecologia (6) economia (7) ecos (1) ecumenismo (14) edith stein (3) educação (7) efémero (1) efeminação (1) efeminado (2) egipto (2) ego (1) egoismo (1) elite (1) emas (1) embrião (1) emoção (1) empatia (1) emprego (10) enciclica (2) encontro (16) ensaios (11) ensino (1) entrevista (15) entrudo (1) enzo bianchi (2) equipa (1) equipamentos (1) erasmo de roterdão (1) erotismo (3) escandalo (2) escândalo (2) esclarecimento (1) escócia (1) escolas (5) escolha (2) escravatura (1) escultura (8) escuridão (1) escuta (7) esgotamento (1) esmola (1) espaço (3) espanha (10) espanto (1) esparta (1) espectáculos (1) espera (6) esperança (3) esperma (4) espermatezoide (1) espírito (4) Espírito Santo (4) espiritualidade (100) esquecer (1) estar apaixonado (1) estatística (13) estética (3) estoril (2) estrangeiro (2) estrelas (1) estudos (20) estupro (1) eternidade (1) ética (3) etty hillesum (4) eu (5) EUA (39) eucaristia (11) eugenio de andrade (4) eurico carrapatoso (8) europa (45) eutanásia (1) evangelho (19) evangelização (2) évora (1) ex-padre (1) exclusão social (2) exegese (1) exemplo (3) exercicios espirituais (2) exército (12) exibicionismo (2) exílio (1) exodus (1) exposição (1) exposições (13) ezequiel (1) f-m (1) f2m (1) facebook (4) fado (1) falar (1) falo (2) falocratismo (1) faloplastia (1) família (36) famílias de acolhimento (1) famosos (18) fardo (1) fariseismo (1) fátima (4) favela (1) (22) fé e cultura (5) fecundidade (2) feio (1) felicidade (1) feminino (4) feminismo (3) fernando pessoa (2) festa (2) festival (11) fiat (1) fidelidade (4) FIFA (4) figuras (11) filho pródigo (1) filhos (3) filiação (1) filipinas (1) filmes (27) filoctetes (1) filosofia (4) finlandia (1) firenze (2) flagelação (1) flaubert (1) flauta (2) floresta (1) fome (3) fontana (2) força (1) forças armadas (2) formação (3) fotografia (41) fr roger de taizé (3) fra angelico (1) fracasso (1) fragilidade (5) frança (9) franciscanos (1) francisco de sales (1) francisco I (78) francisco tropa (1) françoise dolto (2) fraqueza (1) fraternidade (4) frederico lourenço (5) freira (3) frescos (1) freud (2) frio (2) fronteira (2) ftm (1) fundacao evangelizacao culturas (3) fundamentalismos (1) funeral (1) futebol (16) futebol americano (1) futuro (3) galileu (1) galiza (1) ganancia (1) gandhi (2) ganimedes (2) gastronomia (2) gaudi (4) gaudium et spes (2) gay (112) gay lobby (3) gaydar (1) gayfriendly (2) género (25) generosidade (1) genes (1) genesis (3) genética (4) genital (1) geografia (1) gestos (1) gilbert baker (1) ginásio (1) global network of rainbow catholics (1) glossário (15) gnr (2) GNRC (1) goethe (1) gomorra (2) gonorreia (1) gozo (2) gratuidade (3) gravura (1) grécia (1) grécia antiga (9) grit (1) grün (1) grupos (1) gula (1) gulbenkian (3) habitação (1) haiti (1) harvey milk (1) hasbro (1) havai (1) heidegger (1) helbig (1) hellen keller (1) hemisfério sul (1) henri de lubac (1) héracles (1) herança (1) heresia (1) hermafrodita (2) hermafroditismo (2) herpes genital (1) heterofobia (1) heteronormatividade (1) heterosexuais (5) heterosexualidade (3) heterossexismo (2) hierarquia (34) hilas (1) hildegarda de binden (1) hildegarda de bingen (1) hinos (1) hipocrisia (3) história (42) história da igreja (1) Hitler (1) holanda (5) holocausto (2) homem (14) homenagem (2) homilia (6) homoafetividade (7) homoerotismo (14) homofobia (65) homoparentalidade (3) homossexualidade (150) honduras (1) hormonas (1) hospitais (1) hospitalidade (4) HPV (1) HSH (3) humanidade (5) humildade (6) humor (9) hysen (2) icone gay (9) icones (4) iconografia (1) idade (1) idade média (2) idealização (1) identidade (13) ideologia do género (2) idiota (1) idolatria (2) idolos (1) idosos (1) ignorância (2) igreja (156) igreja anglicana (7) igreja episcopal (2) igreja lusitana (1) igreja luterana (2) igreja presbiteriana (1) igualdade (9) II guerra mundial (7) ikea (2) ILGA (10) iluminismo (1) iluminuras (1) ilustração (1) imaculada conceição (1) imigração (2) imitação (1) impaciencia (1) impotência (1) imprensa (53) inácio de loyola (1) incarnação (4) incerteza (1) inclusão (5) incoerência (1) inconsciente (1) indemnização (1) india (2) indiferença (1) individuo (1) infalibilidade (1) infancia (1) infância (2) infecção (1) infertilidade (1) infinito (1) informática (1) ingenuidade (1) inglaterra (3) iniciativas (1) inimigos (3) injustiça (1) inocentes (1) inquérito (1) inserção social (1) instinto (1) instrumentos musicais (1) integração (2) inteligencia (1) inter-racial (1) intercessão (1) intercultural (2) interior (4) internacional (3) internet (1) interpretação (1) interrogação (1) intersexualidade (5) intolerância (2) inutilidade (1) inveja (1) investigação (4) invocação (1) invocar (1) iolau (1) irão (1) irlanda (6) irmão (2) irmão luc (1) irmãos de jesus (1) irmãs de jesus (1) irreverencia (1) isaias (2) islandia (1) islão (12) isolamento (1) israel (2) IST (3) italia (5) jacinto (1) jacob (3) jacopo cardillo (1) jacques berthier (1) james alison (4) james martin (4) jantar (1) japão (1) jardim (1) jasão (1) jean vanier (1) jejum (2) Jeová (1) jeremias (1) jerusalem (1) jesuitas (3) jesus cristo (49) JMJ (8) joana de chantal (1) João (8) joao climaco (1) joao paulo II (8) joão XXIII (2) job (2) jogos (2) jogos olimpicos (2) jonas (1) Jonatas (5) jorge sousa braga (1) jornadas (1) jornalismo (2) josé de arimateia (1) josé frazão correia (1) jovens (7) judaismo (9) judas (4) jung (2) justiça (21) juventude (5) kenose (1) kitsch (3) krzystof charamsa (1) l'arche (1) ladrão (1) lady Gaga (2) lagrimas (2) lágrimas (1) laicidade (2) laio (2) lançamento (1) lázaro (1) lazer (2) LD (1) lectio divina (1) lei (25) lei da blasfémia (1) leigos (3) leigos para o desenvolvimento (1) leiria (1) leituras (37) lenda (1) leonardo da vinci (1) lésbica (48) lev tolstoi (1) Levinas (1) levitico (2) levítico (2) lgbt (74) lgbti (20) liberdade (8) libertinagem (1) liderança (3) limpeza (1) linguagem (2) lisboa (83) literalidade (1) literatura (4) lituania (1) liturgia (6) livrarias (2) livros (36) ljungberg (2) londres (1) Lopes-Graça (1) loucura (1) lourdes castro (4) loures (1) louvor (2) lua (1) lubrificante (1) lucas (5) lucian freud (1) luiz cunha (1) luta (5) luto (3) luxemburgo (1) luz (2) m-f (1) M2F (1) macbeth (1) machismo (4) macho (2) madeleine delbrel (1) madre teresa de calcuta (9) madureira (1) mãe (1) mães (7) mafra (1) magdala (2) magia (1) magnificat (8) magrebe (1) mal (2) malasia (2) man (1) mandamentos (1) manifestação (1) manuel alegre (1) manuel cargaleiro (1) manuel clemente (4) manuel graça dias (1) manuel linda (1) manuel neuer (2) maori (1) mãos dadas (2) marcelo rebelo de sousa (1) marcha (5) marcos (1) Maria (18) maria de lourdes belchior (1) maria madalena (4) maria-rapaz (1) marinheiros (1) marketing (1) marrocos (2) martha medeiros (1) martin luther king (1) martini (2) mártir (5) martírio (3) masculinidade (10) masculino (1) mastectomia (1) masturbação (2) matéria (1) maternal (1) maternidade (1) mateus (7) matrimónio (1) mattel (1) mecenas (2) media (2) mediação (1) médicos (2) medio oriente (2) meditacao (8) medo (9) meia-idade (1) melancolia (1) membro (1) memória (1) memorial (1) mendigo (1) menino (4) menores (2) mensagem (2) menstruação (1) mentira (1) mercado (1) mesa (1) mestrado (1) metafora (1) metanoia (1) méxico (3) michael stipe (2) Michelangelo (2) Michele de Paolis (2) micronesia (1) migrante (1) miguel esteves cardoso (2) milão (1) mimesis (1) mineiros (2) minimalismo (1) ministerio publico (1) minorias (1) minorias étnicas (1) mira schendel (1) misericordia (3) misericórdia (3) misoginia (1) missa (7) missão (4) missionarias da caridade (1) missionário (3) mistério (3) mística (6) mitcham (2) mito (3) mitologia (8) mitos (2) moçambique (4) moda (5) modelos (8) modernidade (2) moina bulaj (1) moldavia (1) monge (4) monogamia (1) monoparentalidade (1) montenegro (1) montserrat (1) monumentos (1) morada (1) moral (6) moralismo (1) morte (25) mosteiro (1) movimento civico (1) movimento gay (1) MRAR (1) MSV (1) MTF (1) mudança (1) mudança de nome (1) mudança de sexo (6) mulheres (19) mundial (3) mundo (148) munique (1) murais (1) muro pequeno (2) musculos (1) museus (11) musica (2) música (87) musical (1) namoro (3) nan goldin (1) não crentes (2) não-violência (1) narciso (2) natação (1) natal (43) natividade (3) NATO (3) natureza (5) naufrago (1) nauru (1) nazis (5) newman (1) nigeria (1) nobel (2) noé (1) nómada (1) nome (5) nomeação (1) nós somos igreja (2) nossa senhora (1) nota imprensa (1) notícias (2) nova iorque (2) nova zelandia (2) novelas (1) novo testamento (5) nudez (20) numero (1) núncio apostólico (1) NY (1) o nome da rosa (1) obediência (1) objectivos milénio (1) obra (14) obstáculos (1) oceania (1) ocupação (1) ódio (5) ofensa (1) oferta (1) olhar (4) olho (1) olimpicos (2) olimpo (1) omnissexualidade (1) ONU (14) opinião (157) oportunidades (3) optimismo (2) opus gay (2) oração (59) oração comum (2) oração do nome (1) orar (3) ordem de cister (2) ordem dos advogados (1) ordem dos médicos (6) ordenação de gays (5) ordenação de mulheres (8) orgão (3) orgia gay (1) orgulho gay (7) orientação (12) oriente (1) origem (2) orlando cruz (1) ortodoxia (2) oscar romero (1) ousar (1) outro (2) ovideo (1) ovocitos (1) ovulo (1) paciencia (1) pacificador (1) pacífico (3) pacifista (2) padraig o tuama (1) padre (22) padre antónio vieira (1) padres (2) padres casados (1) padres da igreja (1) padres do deserto (2) paganismo (1) pai (7) pai natal (1) pai-nosso (2) pais (6) pais de gales (2) paixão (15) palácios (1) palavra (8) palestina (1) palestra (1) paneleiro (1) pansexualidade (1) papas (41) papel da mulher (11) papiloma (1) paquistão (1) paradas (3) parágrafo 175 (2) paraíso (3) parcialidade (1) parentalidade (4) paridade (2) paris (7) parlamento (3) paróquias lgbt (1) participação (2) partilha (8) pascal (3) páscoa (4) pasolini (2) pastoral da saúde (1) pastoral homossexual (27) pastoral trans (2) pastoral universitária (2) paternal (1) paternidade (3) patinagem (3) patio dos gentios (2) patriarca (1) património (5) pátroclo (1) paul claudel (4) paulo (5) paulo VI (1) pausanias (1) paz (12) pecado (7) pederasta (1) pederastia (1) pedir (1) pedofilia (10) pedra (1) pedro arroja (1) pélope (1) pena (4) pénis (1) penitência (5) pensamentos (3) pensão (1) pentecostes (2) perdão (6) peregrinação (1) peregrino russo (1) perfeição (2) pergunta (2) periferias (4) perigo (1) perplexidade (1) perseguição (1) perseverança (1) pessimismo (2) pessoa (8) petição (2) piano (1) piedade (1) pina bausch (3) pink narcisus (1) pintura (15) piolho-da-pubis (1) pirítoo (1) pistas (1) pluralidade (1) pobreza (14) poder (1) poesia (53) poitiers (1) polémica (4) poliamor (1) policia (3) polissexualidade (1) política (50) polo aquatico (1) polónia (1) pontes (1) pontificado (1) pontífices (1) POP art (1) população (1) pornodependencia (1) pornografia (2) portas (1) porto (9) porto rico (1) portugal (115) poseidon (1) povo de Deus (3) praia (1) prática (2) prazer (4) prece (3) preconceito (3) pregador (1) prémios (12) presença (2) presentes (1) presépios (5) preservativo (12) presidente (3) prevenção (1) pride (1) primavera (3) primeiros cristãos (1) principes (1) prisão (3) priscilla (1) procriacao (3) procura (4) professores (1) projecto (1) prostituição (4) prostituta (2) protagonista (1) provisório (1) próximo (5) psicanálise (1) psicologia (16) psicoterapia (1) psiquiatria (1) publicidade (4) pudor (1) qatar (4) quaintance (1) quakers (1) quaresma (35) queer (7) quenia (1) questionário (1) quotidiano (2) racial (1) racismo (4) radcliffe (2) rahner (1) rainhas (1) ranking (1) rapto (2) raul brandão (1) rauschenberg (1) razão (2) realidade (5) recasados (3) reciclar (5) reciprocidade (1) recolha de alimentos (1) recolhimento (1) reconciliação (5) rede ex aequo (8) redes sociais (5) refeição (1) reflexão (61) reforma (3) refugiados (3) registo civil (2) reino de Deus (2) reino unido (14) reis (9) relação (14) relatórios (2) religião (18) religion today (1) religiosidade (3) religioso (2) REM (2) Renascimento (1) renúncia (1) repetição (1) repouso (1) repressão (1) reproducao (2) república (1) republica checa (1) respeito (3) respiração (1) responsabilidade (2) ressurreição (2) restauro (1) retiro (10) retrato (4) reutilizar (5) rezar (2) Richard Zimler (1) ricky cohete (1) ricky martin (4) ricos (1) rigidez (1) rilke (4) rimbaud (2) riqueza (1) rival (1) rodin (1) roma (3) romance (1) romanos (1) romenia (1) rosa (6) rosa luxemburgo (1) rosto (1) rothko (1) rotina (1) roupa interior (1) rufus wainwright (5) rugby (4) rui chafes (2) rumos novos (4) russia (4) ryan james caruthers (1) s. bento (7) s. valentim (1) sábado santo (1) sabedoria (2) sacerdócio (2) sacerdotes (1) sacerdotisas (2) sacramentos (4) sacro (1) sagrada família (5) sagrado (7) sahara ocidental (3) sair (2) sair do armario (19) salmos (5) salvação (5) Samuel (1) sanção (1) sangue (1) santa catarina (1) santa cecilia (1) santa hildegarda (1) santa sé (2) santa teresa de avila (2) santarem (4) santas (2) santegidio (1) santidade (8) santo agostinho (3) santo ambrosio (1) santo antonio (1) santos (18) são cristóvão (1) sao francisco (7) sao joao (1) São José (2) sao juliao (1) sao tomas de aquino (1) sao tome e principe (1) sapatas (1) sapatos (1) saramago (1) sartre (1) saúde (26) Saul (1) schütz (1) seamus heaney (1) sebastião (9) séc XX (1) secura (1) sede (10) sedução (1) segurança (2) sem-abrigo (2) semana santa (7) semen (1) seminários (5) sensibilidade (1) sensibilização (1) sentença (1) sentidos (4) sentimentos (2) sepulcro (1) sepultura (1) ser (3) ser humano (3) ser solidário (44) sermões (5) serralves (1) servia (2) serviço (8) setúbal (3) sexismo (2) sexo (10) sexo biológico (2) sexo seguro (2) sexta feira santa (2) sexualidade (23) shakespeare (1) sic (1) sicilia (1) sida (20) sífilis (1) sightfirst (1) silêncio (12) sim (1) símbolos (2) simone weil (4) simplicidade (3) singapura (1) singularidade (1) sínodo (5) sintomas (1) sintomático (1) sobrevivente (1) sobreviver (1) sociedade (89) sociologia (1) sodoma (3) sodomia (2) sofrimento (13) solicitude (1) solidão (13) solidariedade (4) sondagem (10) sonhos (2) Sophia (8) st patrick (1) steven anderson (1) stockhausen (1) stölzel (1) stonewall (2) submissão (1) sudário (1) suécia (4) suicidio (5) sul (1) surrealismo (1) susan sontag (1) sustentabilidade (1) taborda (1) tabu (2) taizé (6) talentos (1) tapeçaria (1) tavener (6) TDOR (1) teatro (14) teatro do ourives (1) tebas (1) tecnologia (3) tel aviv (1) televisão (2) templo (2) tempo (4) temps d'images (1) tenebrismo (1) tentação (2) teologia (46) teologia da libertação (2) teólogo (2) teoria do género (1) terceiro género (1) teresa benedita da cruz (1) teresa forcades (1) terras sem sombra (1) terrorismo (1) teseu (1) teste (1) testemunhas de jeová (1) testemunhos (39) testículos (1) textos (2) the king's singers (1) Thibirine (2) thomas merton (2) tibães (1) timor (1) timoteo (1) tocar (1) tolentino (32) tolerância (5) torres vedlas (1) tortura (1) trabalho (6) trabalho doméstico (1) tradição (1) traição (1) transexualidade (22) transfobia (6) transformista (1) transgender (8) transgeneridade (1) transgéneros (3) trapistas (2) travesti (3) travestismo (3) trevor hero (1) triângulo (5) tribunal (4) tricomoniase (1) Trindade (3) trinidad e tobago (1) tristeza (2) troca (1) troilo (1) tu (2) turim (1) turismo (2) turquia (3) ucrania (2) uganda (6) últimos (1) umberto eco (1) umiliana (1) unção (1) UNESCO (1) união (15) único (1) unidade (7) unitaristas (1) universal (1) universidade (2) universo (1) utero (1) útil (1) vaidade (3) valores (2) vanitas (1) vaticano (48) vaticano II (12) vazio (1) velhice (3) veneza (3) vento (1) verdade (10) vergonha (1) via sacra (10) vício (1) vida (64) vida dupla (1) vidas consagradas (5) video (39) vieira da silva (1) vigarice (1) vigiar (2) vih/hiv (19) vingança (1) vintage (1) violação (4) violência (9) violência doméstica (1) VIP (1) virgindade (1) viril (2) virilidade (1) vírus (1) viseu (1) visibilidade (2) visitação (1) visitas (7) visões (1) vitimas (2) vítor melícias (1) vitorino nemésio (1) vitrais (1) viver junto (2) vocação (5) voluntariado (10) von balthasar (2) vontade (2) voyeur (1) warhol (1) whitman (1) wiley (1) wrestling (1) xenofobia (4) youtube (1) yves congar (1) zeus (1)

As nossas visitas