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A diversidade na Igreja

"A casa do meu Pai tem muitas moradas", diz-nos Jesus no evangelho.

A unidade na diversidade não é sempre aparente na Igreja enquanto povo de Deus, mas é uma realidade em Deus e uma presença na fé cristã desde a sua origem. A Palavra de Deus não é partidária, elitista e exclusiva. O Reino de Deus é como uma árvore que estende os ramos para dar abrigo a todos os pássaros do céu. Cristo não morreu na cruz para salvar uma mão cheia de cristãos. Até o Deus Uno encerra em si o mistério de uma Trindade.

A Palavra de Deus é inequívoca e só pode levar à desinstalação, à abertura ao outro, e a recebê-lo e amá-lo enquanto irmão ou irmã. Ninguém fica de fora, nem mesmo - se tivessemos - os inimigos.

Muitos cristãos crêem nesta Igreja, nesta casa do Pai, corpo de Cristo, templo do Espírito Santo. Mas como esquecer que muitos se sentem "de fora" por se verem rejeitados, amputados e anulados, e afastam-se por ninguém lhes ter mostrado que há um lugar para cada um, com a totalidade do seu ser?

Um blogue para cristãos homossexuais que não desistiram de ser Igreja

Porquê este blogue?

Este blogue é a partilha de uma vida de fé e é uma porta aberta para quem nela quiser entrar. É um convite para que não desistas: há homossexuais cristãos que não querem recusar nem a sua fé nem a sua sexualidade. É uma confirmação, por experiência vivida, que há um lugar para ti na Igreja. Aceita o desafio de o encontrares!

Este blogue também é teu, e de quem conheças que possa viver na carne sentimentos contraditórios de questões ligadas à fé e à orientação sexual. És benvindo se, mesmo não sendo o teu caso, conheces alguém que viva esta situação ou és um cristão que deseja uma Igreja mais acolhedora onde caiba a reflexão sobre esta e outras realidades.

Partilha, pergunta, propõe: este blogue existe para dar voz a quem normalmente está invisível ou mudo na Igreja, para quem se sente só, diferente e excluído. Este blogue não pretende mudar as mentalidades e as tradições com grande aparato, mas já não seria pouco se pudesse revelar um pouco do insondável Amor de Deus ou se ajudasse alguém a reconciliar-se consigo em Deus.
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quarta-feira, 18 de outubro de 2017

A Igreja desconfia de quem pensa diferente

Uma entrevista a Dom Pio Alves no final do seu segundo mandato na Comissão Episcopal da Cultura, Bens Culturais e Comunicações Sociais, publicada no site do SNPC a 30 de Abril de 2017. Partilho-a pois revejo na análise de D. Pio Alves a realidade de uma igreja, e em particular muitos sacerdotes, que temem a cultura e a arte contemporânea e que a desejam "controlar" e "manipular" sem conhecimento de causa nem preparação para o fazer. Acredito que há muita falta de visão e de humildade por parte de muitos, o que dificulta e limita a criação de Obras de Arte Sacra contemporâneas que venham a tomar parte na grande História Universal da Arte.

Igreja tem de afastar «clichés de desconfiança» com quem pensa diferente, afirma bispo responsável pela Cultura

"O bispo responsável pelo setor da Pastoral da Cultura na Igreja católica em Portugal considera que a Igreja tem de «saber pôr de lado clichés de desconfiança que não levam a parte nenhuma» e que levam a cultivar «distâncias que na realidade não existem».

D. Pio Alves termina agora o segundo mandato de três anos à frente da Comissão Episcopal da Cultura, Bens Culturais e Comunicações Sociais, o que estatutariamente o impede de ser reeleito.

O novo responsável será provavelmente eleito esta quarta ou quinta-feira, último dia da assembleia plenária da Conferência Episcopal Portuguesa, que decorre em Fátima, e que tem em agenda a eleição dos presidentes das várias Comissões Episcopais.

Em entrevista ao Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura, o prelado, também bispo auxiliar do Porto, mostra-se surpreendido pela disponibilidade e cordialidade que tem encontrado em pessoas afastadas da Igreja mas que aceitam colaborar nas iniciativas promovidas por ela.

Nestes seis anos o que descobriu sobre a realidade da Pastoral da Cultura?O que descobri com mais clareza, ainda que não tenha sido uma novidade radical, foi todo o trajeto que vinha a ser feito de diálogo e encontro, formal e informal, com pessoas dos mais variados âmbitos da cultura. Um trajeto que continua a ser feito sem constrangimentos, sem pedras no sapato, mas ao mesmo tempo aberto à conversa e com resposta muito positiva aos pedidos de colaborações em diferentes iniciativas por parte de pessoas de quem se poderia pensar, à partida, que não estariam disponíveis nem interessadas num trabalho de proximidade com instituições da Igreja católica.

Essa aproximação deve-se à atenuação de alguma tensão que houve entre a Igreja e o mundo da cultura?A atenuação que se vai construindo resulta da disponibilidade dos interlocutores, mas principalmente do à-vontade com que a Igreja se encontra com pessoas que supostamente não estariam interessadas em dialogar connosco.
Uma coisa que sempre me impressiona no contacto com pessoas procedentes dos diversos âmbitos da cultura, tal como em intervenções de carácter pastoral no meu ministério na diocese do Porto, é que nós, com alguma frequência, temos uma imagem negativa, ou pelo menos de um certo temor, relativamente a pessoas que por vezes efabulamos que não querem ou não gostam, e tenho sido sempre muito gratamente surpreendido pela sua disponibilidade, amabilidade e recetividade. É evidente que tudo isto pressupõe, da nossa parte, respeito, saber estar e, ao mesmo tempo, sabermos apresentarmo-nos com clareza, sem nos escondermos.

Inclusive com não crentes?Tenho essa experiência com pessoas não crentes concretamente no âmbito do Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura, e o mesmo acontece, por iniciativa e mérito dos diretores dos respetivos Secretariados, nos Bens Culturais e nas Comunicações Sociais, pela via de pedidos de colaboração, pela via de portas que se abrem, em que encontrei habitualmente uma resposta de muita disponibilidade e, sempre, de respeito e agradecimento por parte das pessoas, sendo como são, respeitando nós a sua legitima maneira de ser e diferença, e, repito, não nos escondendo nós atrás de falsas especificidades.

Que fatores mais positivos identifica nestes dois mandatos?Saliento as iniciativas que vinham da presidência anterior da Comissão [D. Manuel Clemente], e que se prolongaram, no primeiro mandato que me foi confiado, com a direção do Secretariado por parte do P. Tolentino e depois com o Prof. José Carlos Seabra Pereira, e que se mantiveram em sentido crescente, sempre com a preocupação de não pôr ninguém de lado.
Sublinho também, como factor de identidade para o Secretariado, para a Comissão e para a Igreja em Portugal, o "site" da Pastoral da Cultura, que, devo dizê-lo publicamente, é muito da responsabilidade do Rui Martins. É um lugar de enorme visibilidade, um lugar a que acorrem pessoas das mais variadas sensibilidades, as quais sabem, assumidamente, que estão a consultar uma informação que resulta de uma instituição que formalmente depende e é da Igreja católica. Penso que o "site" é uma porta aberta e um sinal clarividente daquilo que é a nossa relação construtiva com o mundo da cultura, especificamente, e com a sociedade em geral, uma vez que o "site" é consultado por pessoas das mais diversas proveniências.

O que é que esperava que poderia ter sido feito na Pastoral da Cultura mas não foi conseguido?Não podemos multiplicar as iniciativas, até porque os recursos humanos e materiais, sempre necessários, têm as limitações que resultam das disponibilidades de todos. Penso que não se trata propriamente de aumentar o número de iniciativas materiais, mas fundamentalmente de apostarmos na continuidade e na extensão da qualidade das iniciativas que já estão no terreno. Há iniciativas que estão ainda a dar os primeiros passos, algumas resultantes de parcerias com instituições mais próximas ou menos próximas da Igreja católica.
Provavelmente podemos melhorar o dar continuidade, no melhor sentido da palavra, aos contactos pessoais que pela via dos convites se vão fazendo. Estas pontes que se estabelecem devem, sem qualquer intenção invasiva, melhorar e crescer pela via de um relacionamento pessoal, aproveitando as mais variadas circunstâncias. Esse é um campo que estará sempre em aberto e que vale a pena continuar a cultivar.

Como descreveria a sensibilidade do episcopado e de toda a Igreja em Portugal em relação à Pastoral da Cultura?No que diz respeito à preocupação e atenção dos senhores bispos à Pastoral da Cultura e o reflexo disso na Conferência Episcopal, diria que qualquer uma das dioceses tem muitas frentes, muitas questões a resolver, e é evidente que a problemática relacionada com o mundo da cultura é uma delas. Percebo que os senhores bispos, por vezes assoberbados por questões aparentemente muito mais imediatas, possam descansar naquilo que o Secretariado e a Comissão vão fazendo, sendo que, na realidade, o Secretariado pode, como tem vindo a fazer, tomar iniciativas de carácter nacional, ajudar a criar sensibilidade, dar formação, abrir portas; mas na realidade concreta do terreno será cada diocese, com a sua especificidade, quem terá de concretizar iniciativas no setor. Olhando para o todo das dioceses portuguesas, a atenção à realidade da Pastoral da Cultura é diferente de umas para outras. Há dioceses que têm uma resposta mais organizada e estruturada e outras menos, mas isso não significa menor interesse; significa, provavelmente, que as forças não chegam a tudo e há outras necessidades mais imediatas que se vão sobrepondo.
Quanto à segunda parte da pergunta, a minha experiência em âmbitos que vão além do sentido estrito da Pastoral da Cultura, que é a de uma diocese onde encontramos as mais variadas realidades, posso dizer, pelo contacto muito próximo e direto que tenho com as diferentes pastorais, concretamente no Grande Porto, que tenho uma experiência muito grata de contacto com o mundo das escolas e da saúde. Num e noutro caso encontro-me com profissionais de nível académico e onde, à partida, nomeadamente no âmbito escolar, pode parecer que há ressentimentos, autodefesas ou olhares de exclusão em relação à Igreja. No âmbito de visitas pastorais é proposta às escolas a possibilidade de o bispo ir informalmente ao seu encontro para conversar, num gesto de cortesia, com as instituições; a recetividade que sempre, mas sempre, encontrei nas escolas - e não me refiro ao setor da Educação Moral e Religiosa Católica, mas à instituição no seu todo, estruturas diretivas, corpo docente - traduz um ambiente de amabilidade, distendido e, diria mais, de afeto e carinho com a pessoa do bispo. E nos centros de saúde e hospitais a reação é exatamente a mesma
Tudo isto ajuda-nos a perceber que temos de saber pôr de lado clichés de desconfiança que não levam a parte nenhuma e que, por vezes, fazem com que cultivemos distâncias que na realidade não existem.

Como classificaria a relação da Igreja católica em Portugal com o mundo da cultura?É uma relação positiva. Insisto que, muitas vezes, a distância é criada mais na nossa mente do que na realidade. Nós, às vezes, indevidamente, cultivamos o medo e uma distância que não têm tradução na realidade. É evidente, e não se pode negar, que há dificuldades, que nem todos pensam da mesma maneira, que há pessoas que nos querem ver longe, mas não se pode tirar a conclusão de que nos temos de fechar sobre nós mesmos por estarem todos à nossa espera para nos atirarem pedras. Isso não é verdade.

Vai deixar a presidência da Comissão Episcopal da Cultura, Bens Culturais e Comunicações Sociais...Saio feliz com o trabalho que tive a oportunidade de realizar com os meus colegas bispos, e muito concretamente com os diretores dos respetivos Secretariados. Está prevista a limitação a dois mandatos, e eu acho bem."

sábado, 15 de dezembro de 2012

Até que a morte nos separe

Um filme a não perder, que certamente não deixará ninguém indiferente. Passo a publicar a crítica de Margarida Ataíde.

"Amor": incómodo e imensamente belo


Três anos após conquistar uma vasta gama de prémios pelo seu “O Laço Branco”, profunda e perturbante meditação sobre a condição humana, Michael Haneke voltou a arrebatar a mente e o coração de júris, crítica e público com o seu mais recente filme: "Amor".

Georges e Anne Laurent, casal octogenário, vivem confortavelmente a sua reforma na cidade de Paris, na sequência de uma vida dedicada à música. O carinho que nutrem um pelo outro é notório. Um dia, são surpreendidos pela doença de Anne. Um grave problema de natureza vascular, evidenciado por um súbito estado de ausência, limitará, num brevíssimo espaço de tempo, a sua mobilidade. Primeiro confinada a uma cadeira de rodas e mais tarde a uma cama, o estado de Anne agrava-se de dia para dia.

Ao longo deste processo Georges não hesita em assumir, com recurso mínimo à ajuda de terceiros, os cuidados necessários a Anne, sejam de ordem física ou afetiva. Indiferente à sua própria debilidade física e relegando para segundo plano a dor provocada pela degradação humana da mulher da sua vida, é o amor que prevalece, a cada dia, ante a perspetiva de uma morte anunciada...

Com a questão da doença e da morte em solidão a afligir uma envelhecida Europa em tempos de crise e de dúvida, entre tantos outros problemas que apelam à reflexão e à ‘inflexão’ urgente de modelo social e afetivo, “Amor” é uma muito pertinente meditação sobre nós. Todos nós.

Magnificamente interpretado por Jean-Louis Trintignant e Emmanuelle Riva, os dois atores que em tempos atraíram uma geração às salas de cinema pela sua sedutora vitalidade física e emocional, emprestam os mesmíssimos dons artísticos à encarnação de duas personagens no final das suas vidas.

Incómodo e imensamente belo, eis um filme que trata, de modo igualmente notável e delicado, a questão do amor e da morte, em intimíssima relação e definindo claramente o que na nossa natureza prevalece.

Mais uma meditação que Haneke séria e generosamente nos entrega, em que as soluções dificilmente podem ser consideradas ou debatidas sem se olhar aos caminhos que a umas ou outras conduzam...

Margarida Ataíde

Grupo de Cinema do Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura
In Agência Ecclesia / SNPC
06.12.12

quinta-feira, 31 de março de 2011

ROM: ricochete do artigo homofóbico

Em Janeiro foi noticiado o artigo homofóbico publicado pela Revista da Ordem dos Médicos (lê-lo inteiro aqui). Parece que este gerou respostas na própria ROM. Para ler mais reacções no blogue, ler a opinião do bastonário da ordem dos médicos, reacção de cristãos homossexuais, comentário de um leitor e a primeira reacção do autor do moradasdedeus.

Artigo homofóbico na Revista da Ordem dos Médicos gera reacções na própria revista

A edição de Fevereiro da Revista da Ordem dos Médicos contém dois artigos particularmente críticos de um texto homofóbico publicado na edição anterior da revista.

Na edição de Janeiro da Ordem dos Médicos foi publicado um artigo que classificava as pessoas homossexuais de forma errónea tendo em conta os critérios científicos actualmente aceites. A revista de Fevereiro vem corrigir a situação com dois artigos em sentido contrário que criticam não só o artigo propriamente dito como a sua publicação na revista da Ordem dos Médicos.

O primeiro artigo é de João Ribeiro que manifesta a sua "profunda indignação" com a publicação do artigo de Janeiro. E esclarece que o artigo anterior "não se trata de um artigo de opinião mas de um artigo de discriminação dirigido a gays e lésbicas e cujos únicos conteúdos são comentários bárbaros, ignorantes, arbitrários e sem qualquer fundamento científico ou sequer argumentação racional".

O médico João Ribeiro refere também que tal artigo é "impublicável" na referida revista, justificando que é preciso distinguir entre a "liberdade de opinião" e a "ofensa insultuosa".

O artigo continua com exemplos de secções do artigo de Janeiro e esclarecendo a posição sobre os mesmos e termina com um lamento que "tantos leitores tenham sido expostos a estas páginas na vossa edição de Janeiro".

Por outro lado Ana Matos Pires enviou um artigo à direcção da revista com o título "A ignorância também ofende". Em primeiro lugar manifesta a sua perplexidade por alguém levar a sério em termos científicos um artigo que começa por referir o "sexto sentido feminino".

Depois Ana Matos Pires questiona a Ordem dos Médicos sobre a razão da publicação do artigo que é supostamente de opinião, o que, na opinião da autora, não pode ser feito sem ser com base em factos.

E Ana Matos Pires indica que "não há ao longo do referido 'artigo', um único facto sustentado no que à homossexualidade diz respeito".

A autora também refere que há no texto ofensas a terceiros contrariando assim as declarações do assessor de imprensa da Ordem dos Médicos ao jornal Público de 22 de Fevereiro. E continua com exemplos de práticas que não faria sentido colocar na revista por serem, objectivamente, contra toda as "responsabilidades clínicas e científicas" da Ordem dos Médicos.

In portugalgay

terça-feira, 29 de março de 2011

Judas fala-nos...

Fui ver a primeira de sete récitas de Morte de Judas, que já tinha aconselhado no blogue. É uma peça muito adequada ao tempo litúrgico que vivemos e fala-nos da humanidade de Judas, do seu epírito racional, prático e "desenrascado", das suas razões e opiniões, dos sentimentos e sensações, das decisões e tomadas de posição, das ideias... enfim, de tantas realidades que nos são tão familiares enquanto seres humanos e que nos levam a pôr em causa o julgamento fácil e a condenação  proferida pela boca de tantos cristãos que esquecem que a Moral é súbdita da humildade e inimiga do orgulho. Aqui cito uma crítica da peça:
"Morte de Judas": entre a liberdade e o medo de ser
É um Judas que fala depois da morte, ciente da sua posição, a começar pela posição vertical, de enforcado, segundo um eixo que une simbolicamente a terra ao céu - se bem que, no seu caso, apontando fortemente para a terra, de acordo com os mais elementares preceitos da gravidade. É o discurso de um homem que pretendeu levar a cabo uma missão simultaneamente humana e transcendente, a de entregar Cristo para que se cumprisse o desígnio de Deus.

«Este Judas quis resgatar a sua vida pelo espírito, embora um espírito contrário ao espírito religioso, como um pequenino Fausto, numa competição com Deus, e a competição com Deus é uma vontade de absoluto, e a vontade de ser absoluto corresponde a uma vontade de a Humanidade se ultrapassar a si própria», diz Luís Miguel Cintra deste monólogo, encenado com a colaboração essencial de Cristina Reis, que imaginou o espaço vertical e fechado de onde sai a cabeça de Dinarte Branco, para falar como o homem que trai.

É um Judas irónico, que usa mesmo o humor: «Perguntais-me se vi milagres. Claro que vi. Não fazíamos mais nada. Era a nossa especialidade. As pessoas não teriam vindo ter connosco se não fizéssemos milagres. A primeira vez, devo confessar, causa mesmo sensação, mas é espantoso como a gente se habitua.»
A este Judas não falta espírito racional, prático, e antes da grande justificação do seu ato de traição procede à elaboração de um magnífico autorretrato, falsamente simplório: «Eu era o que se chama um bom administrador, era a minha especialidade... Não se pode viver eternamente a encher os bolsos com as espigas à mão de semear. Os proprietários acabam por olhar de esguelha para a gente.»

Para Luís Miguel Cintra, e como no anterior “Miserere”, concebido a partir do “Auto da Alma”, de Gil Vicente, trata-se de mais uma peça que coloca questões ligadas com a religião, com «o que é isto de ser pessoa, com o que são os seres humanos, para uma religião que diz que Deus se tornou homem, se tornou carne». É também uma proposta de continuar a ler, de maneira crítica, os evangelhos, que «lidos por uma pessoa que não acredite que Cristo era Deus são livros extraordinários».

Morte de Judas” nasceu de um contratempo, a reorganização da programação em função dos cortes orçamentais sofridos pelas companhias de teatro. Uma das peças previstas foi remetida para mais tarde, uma outra, de grandes exigências de produção, foi substituída por uma de menores dimensões. Assim nasceu esta espécie de extra, feito com poucos meios e com uma carreira curta, dados os compromissos já assumidos por Dinarte Branco.

«É um texto extraordinário do Paul Claudel. Um momento importante de pensamento da relação entre razão e fé, entre a profecia e a instituição, entre a liberdade de ser e o medo de ser», afirmou ao jornal “i”, o diretor do Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura, padre José Tolentino Mendonça.

"Morte de Judas" está em cena no Teatro da Cornucópia, em Lisboa, até 3 de abril.

João Carneiro (excepto último parágrafo)
In Expresso (Atual), 26.3.2011
Fotografia de Luís Santos 

publicado in SNPC



Ler mais em Teatro da Cornucópia
Ler no blogue http://moradasdedeus.blogspot.com/2011/03/judas-ou-o-outro-morto.html

sábado, 5 de março de 2011

Dois filmes à margem dos Óscares

Venho recomendar dois filmes que não estiveram sob os holofotes de Hollywood. E, por não terem estado, arriscam-se a sair das salas sem que os tenhamos visto.

O primeiro é um filme cru, em que por trás da fealdade e da dureza da vida se vislumbram reflexos de beleza. Fala-nos da decadência, imigração, droga, mercado negro, fragilidade da família, decadência, amor, corrupção, delinquência, fracasso, violência, crime, culpa, luta, pequenas vitórias, efémero e provisório, dos laços afectivos, da bondade, doença, sobrevivência, justiça e oportunidades, expectativas, espiritualidade, vida e morte. É o Biutiful, de Alejandro González Iñarritu, com a extraordinária interpretação de Javier Bardem - um Drama para maiores de 16 anos.

"A odisseia de Uxbal (Javier Bardem), um pai solteiro entre conflitos, que se perde e encontra pelos labirintos do submundo de Barcelona, e que, acima de tudo, tudo fará para salvar os seus filhos e reconciliar-se com um amor perdido enquanto a sua morte parece cada vez mais próxima. Amor e espiritualidade, crime e culpa, conjugam-se para levar Uxbal, com negócios escuros na exploração de imigrantes ilegais e uma suposta capacidade de comunicar com os morto, até ao seu destino de herói trágico... "É um requiem", resume o realizador Alejandro González Iñárritu ("Babel", "21 Gramas", "Amor Cão). O filme, nomeado nos EUA para um Globo de Ouro para melhor filme estrangeiro, valeu ao oscarizado Bardem o prémio para melhor actor no festival de Cannes."
in Público


O segundo é de Clint Eastwood (do qual não sou um fã incondicional). Em Hereafter - outra vida, a morte nunca anda longe. É um filme tocante pelas vidas das personagens que o habitam - um homem nos Estados Unidos da América, uma mulher em França e uma criança em Inglaterra. Também há um lado de sofrimento e de luta que marca cada uma destas experiências: alguém que tenta levar uma vida normal evitando o seu dom natural, outro que tenta viver depois de ter estado às portas da morte, e um que tenta sobreviver à perda da pessoa que lhe era mais próxima, seu cúmplice, segurança e estabilidade e uma parte de si mesmo. É um filme que fala sobretudo do amor para lá da morte e das ligações humanas que nos vão construindo enquanto indivíduos e seres humanos. O filme já está em pouquíssimas salas e não tem sido aclamado por toda a crítica... mas eu não consegui ficar indiferente.
 
"Três pessoas, distantes entre si, estão unidas pela morte. Nos EUA, George (Matt Damon) vive atormentado pelas capacidades paranormais que revela desde muito jovem. Do outro lado do Atlântico, em França, a jornalista Marie (Cécile de France) tenta lidar com o trauma de ter sobrevivido ao tsunami de 2004 no Sudeste asiático. Enquanto isso, em Inglaterra, o pequeno Marcus (George e Frankie McLaren) não consegue lidar com a trágica morte do irmão gémeo. Apesar das suas vidas tão distantes, os seus caminhos cruzar-se-ão... O novo filme do actor e realizador Clint Eastwood baseia-se num argumento original do escritor inglês Peter Morgan, autor de "A Rainha" e "Frost/Nixon"."
in Público

domingo, 23 de janeiro de 2011

A história de um santo, no teatro de São Luiz

A Paixão de São Julião Hospitaleiro


Em 1877 foram publicados os "Três Contos", de Flaubert, que integram "A Lenda de São Julião o Hospitaleiro". Trata-se de obras de grande maturidade, o que não será com certeza estranho a algumas das características mais importantes de "A Lenda..." - a sua grande concisão, a brevidade, a velocidade narrativa e a grande intensidade, intensidade poética, emocional e, potencialmente, dramática. Para além de fontes escritas, um motivo expresso de inspiração terá sido um vitral da catedral de Rouen, que descreve a vida do santo. Este detalhe é importante do ponto de vista da interpretação, como é sugerido, aliás, no próprio texto ("E eis a história de São Julião o Hospitaleiro, tal como, mais ou menos, se encontra num vitral de igreja, na minha região").

Em 1912, na Bretanha, Amadeo de Sousa-Cardoso copiou a pincel o texto de Flaubert e acompanhou essa cópia de ilustrações. O resultado foi um sumptuoso livro, cuja edição fac-similada foi publicada pela Fundação Gulbenkian. Foi este livro que esteve na origem imediata do espetáculo concebido e encenado por António Pires.

A adaptação dramatúrgica do conto de Flaubert, feita por António Pires e por Maria João Cruz, segue a estrutura tripartida do texto original, com que se faz a narração da vida de Julião: o seu nascimento num ambiente de paz e de riqueza, a sua aprendizagem da escrita e das artes e, principalmente, da caça. É a partir desta especial relação com os animais que se revela o carácter desequilibrado do jovem invulgarmente dotado e que o vai levar ao assassínio dos pais. Na terceira e última parte da história, Julião renuncia ao mundo e conquista a santidade com uma voluntária atitude de autossacrifício.


Na comparação com a obra de Flaubert, o espetáculo perde alguma da miraculosa celeridade daquela. A adaptação introduz registos dialogais, comentários e reflexões que estão ausentes da obra original. Algumas destas alterações poderiam ter sido evitadas, mas são feitas com cuidado e legitimidade. Os figurinos não são particularmente felizes, no seu carácter entre o fantástico e o alusivo (ao texto de Flaubert?, aos desenhos de Amadeo de Sousa-Cardoso?), mas o cenário de João Mendes Ribeiro é totalmente eficaz na sua simplicidade, assim como os excelentes vídeos de João Botelho, falsamente mas eficazmente naturalistas. A música de Paulo Abelho e João Eleutério é eficaz, salvo quando articulada com palavras canta­das, com acidentes prosódicos infelizes. A coreografia e os bailarinos são equilibrados.


Uma das maiores virtudes do espetáculo reside, contudo, para além da ideia original, no excelente trabalho de actores, com destaque para Graciano Dias, Marcello Urgeghe - Julião e Pai, respetivamente - e, muito especialmente, Maria Rueff, que aqui mostra, uma vez mais, que o teatro dito 'sério' é o seu elemento natural; a sua belíssima voz, a sua praticamente impecável dicção e elocução, a sua sóbria presença são um trunfo maior desta realização. É um espetáculo bem sucedido, um caso de simbiose entre o corpo, a palavra, a música, o movimento e a imagem visual. Ou entre arte e moral.


"A paixão de São Julião Hospitaleiro" está em cena no Teatro Municipal São Luiz, em Lisboa, até 23 de Janeiro.

Por João Carneiro, In Atual (Expresso), a 15 de Janeiro de 2011
 
publicado por SNPC a 16 de Janeiro de 2011
http://www.snpcultura.org/vol_a_paixao_de_sao_juliao_hospitaleiro.html
 
Ler mais em São Luiz
http://www.teatrosaoluiz.pt/catalogo/detalhes_produto.php?id=213
 
Ler a Lenda de São Julião Hospitaleiro e ver as ilustrações de Amadeo de Sousa-Cardoso
http://www.snpcultura.org/tvb_a_lenda_s_juliao_hospitaleiro.html

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Um Santo Natal!

Um "presente envenenado", uma visão crítica e mordaz do Natal e da forma como este é explorado e vivido por grande parte das sociedades ditas desenvolvidas.

domingo, 19 de dezembro de 2010

O diálogo interreligioso: não há Verdade abstracta

Getty images
Religião e diálogo inter-religioso


O livro de Anselmo Borges “Religião e Diálogo Inter-Religiosoé uma obra-prima que honra a coleção Estado da Arte da Imprensa da Universidade de Coimbra, onde foi editado.

É uma síntese rigorosa e acessível sobre as temáticas que nele são discutidas, um livro de bolso para todos os que se preocupam em saber do que falam, quando falam de religião.

(...)
O livro é uma síntese de reflexões sobre o fenómeno religioso que não esconde o contributo de obras de referência de autores como A. Comte-Sponville, A. Torres Queiroga, Hans Küng, Johann Figl, Juan Tamayo, J.Martin Velasco, J.de Sahagún Lucas, mas é também um ensaio original, particularmente, no que se refere à “definição” de religião.

É um trabalho de um padre da Sociedade Missionária Portuguesa que estudou teologia, filosofia, ciências sociais, com muito mundo, muitas leituras e sobretudo muita e sábia reflexão.

Antes de sermos religiosos ou não religiosos somos todos seres humanos confrontados com os desafios da vida, com a relação com os outros, com a nossa contingência radical, com a morte, que nos interroga e provoca, já que como diz um verso de Jorge de Sena “de morte natural nunca ninguém morreu.

Para o homem religioso, como afirma Anselmo Borges “a realidade não se esgota na sua imediatidade empírica; para a sua compreensão adequada, a realidade mesma aparece-lhe como incluindo uma Presença que não se vê em si mesma, mas implicada no que se vê.

Na religião devemos distinguir um pólo objetivo e um pólo subjetivo. Anselmo Borges considera: “Não é ousado afirmar que todo o ser humano é religioso, na medida em que é confrontado com a pergunta pela ultimidade. Só poderíamos falar de não religiosidade no caso de alguém se contentar com a imediatidade empírica, recusando todo e qualquer movimento de transcendimento”. Isto não significa que todos os que se confrontam com a pergunta sobre a ultimidade sejam crentes. Neste sentido pode-se ser simultaneamente religioso e ateu, como é o caso de A. Comte-Sponville.

O Sagrado pode ter também diversas configurações. A mera existência de diversas confissões religiosas testemunha a diversidade de aproximações e experiências religiosas.

Como refere, Anselmo Borges: “É preciso entender que não há verdade abstrata. Por um lado Deus revela-se na história. Por outro, a pessoa religiosa relaciona-se com o Divino pela mediação histórico-concreta de uma tradição religiosa particular: a sua”.

O diálogo inter-religioso é um contributo incontornável para que seja possível a paz no mundo, incluindo os agnósticos e ateus, mas é também uma exigência moral para qualquer homem ou mulher religiosos que pensem que Deus é sempre maior do que a imagem que dEle construímos ou da experiência que dele temos, que não somos nós que possuímos Deus, mas é Deus que nos possui.

Deixo-vos com estas modestas notas, tentando apenas despertar-vos para a leitura deste livro, que tem a ver com toda a nossa vida do dia a dia.

Termino, adotando as palavras de Hans Küng, citadas por Anselmo Borges: “para mim como cristão crente” - só há uma única religião verdadeira: a minha; a atitude ecuménica significa ao mesmo tempo “firmeza e disposição para o diálogo”: “para mim pessoalmente manter-me fiel à causa cristã, mas numa abertura sem limites aos outros.

José Leitão

In http://inclusaoecidadania.blogspot.com/

publicado por © SNPC a 21 de Novembro de 2010
http://www.snpcultura.org/vol_religiao_e_dialogo_inter_religioso.html

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

O que qualquer cristão deve saber sobre a homossexualidade: nota crítica

Foi publicada no blogue uma série de 10 mensagens com o título "O que qualquer cristão deve saber sobre a homossexualidade". Trata-se de uma adaptação de uma publicação do blogue http://www.ggb.org.br/cristao.html.

Nem tudo o que é afirmado corresponde à minha forma de pensar ou de formular as questões em causa. Algumas afirmações considero-as exageradas ou tendenciosas, mas pareceu-me relevante dar a conhecer este trabalho aos leitores deste blogue. As adaptações que fiz foram no âmbito da língua e pequenas incorrecções (nomeadamente referências bíblicas).

Ler no blogue:

da rubrica O que qualquer cristão deve saber sobre a homossexualidade
http://moradasdedeus.blogspot.com/2010/11/biblia-fala-dos-homossexuais.html
http://moradasdedeus.blogspot.com/2010/11/o-que-apareceu-primeiro.html
http://moradasdedeus.blogspot.com/2010/11/casamento-homossexual-ha-3400-anos-e-as.html
http://moradasdedeus.blogspot.com/2010/11/o-hino-de-amor-homossexual-da-biblia.html
http://moradasdedeus.blogspot.com/2010/11/antigo-testamento-e-homo-erotismo.html
http://moradasdedeus.blogspot.com/2010/11/sodoma-e-gomorra-condenacao-da.html
http://moradasdedeus.blogspot.com/2010/11/qual-e-o-verdadeiro-pecado-de-sodoma.html
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http://moradasdedeus.blogspot.com/2010/12/o-exemplo-de-acolhimento-de-jesus.html
http://moradasdedeus.blogspot.com/2010/12/condenar-homossexualidade-e-como-voltar.html

domingo, 28 de novembro de 2010

O Papa, os homossexuais e os padres: incoerência, cegueira ou ignorância? Um Apagão comentado...

Ai, meu Deus, é uma no cravo outra na ferradura. Quando uma pessoa pensa que houve uma luzinha que se acendeu, vem logo um apagão para desmentir. Cito um artigo e, já que de tão triste se torna cómico, tomo a opção de fazer comentários em notas de rodapé:

Papa reafirma que homossexualidade é incompatível com ser padre

No mesmo livro em que fala dos preservativos e VIH [ou HIV] o Papa Bento XVI reafirma as suas ideias sobre as pessoas homossexuais.

Se por um lado o papa defende que os homossexuais são "seres humanos"[1] e que não devem ser "discriminados por causa disso", por outro indica casos específicos em que essa discriminação é obrigatória e aponta supostas razões para validar essa discriminação.

Mas o discurso do papa não fica por aqui, afirmando que a homossexualidade é "contrária à essência do que Deus originalmente desejava"[2].

Relativamente ao sacerdócio, para o papa a questão está no celibato... segundo a imagem que Bento XVI apresenta no livro, quando um homossexual quer ser padre não tem de renunciar a uma vida com outra pessoa (pois nunca irá celebrar o matrimónio católico com alguém do mesmo sexo), ao contrário do que acontece com os heterossexuais que têm essa possibilidade [3].

E como se não bastasse, Bento XVI continua a fazer referência a um documento do Vaticano de 2005 em que se diz que os candidatos homossexuais não podem ser padres porque, supostamente, a sua homossexualidade iria interferir no "bom sentido da paternidade" necessário para ser padre [4].

E no final Bento XVI esclarece ainda que também é importante evitar uma "situação em que o celibato dos padres seria praticamente vista como uma tendência para a homossexualidade."[5]

E ficamos assim todos e todas esclarecidos sobre as últimas da visão da Igreja Católica sobre os homens homossexuais.

In PortugalGay.PT a 27 de Novembro de 2010

COMENTÁRIOS:
[1] Uau! Será que somos?

[2] ... será que entendi bem? O Papa pensa que Deus se enganou? Ou o homossexual é tão "criativo" que sai fora do âmbito da Criação de Deus?

[3] vejo aqui algumas pontas soltas: Mas se um homossexual quer ser padre, naturalmente deve estar de acordo ou pelo menos aceitar as normas vigentes da Igreja, logo deverá certamente querer viver em celibato, certo? Mas por este ponto de vista, um heterossexual também NÃO TEM DE renunciar a uma vida com outra pessoa... E por isso é que há filhos de padres, e mulheres/amantes de padres e Vidas Duplas. Mas no caso dos heterossexuais não se parte do princípio que estes casos são a maioria, certo? E porque é que se parte do princípio que a maioria dos padres homossexuais não vive em celibato? É certo que muitos não o fazem, mas os outros não podem pagar por tabela; até porque, de facto, há muitos que o são, mas não se sabe porque não o apregoam - nem o puderam dizer nunca, não é verdade?!

[4] Ha! Ha! Ha! A maioria dos padres que conheço não dariam bons pais e, supostamente, são heterosexuais. E quem disse que um gay não tem vocação de paternidade? (nunca o li na Bíblia, devo ter faltado à sessão de catequese em que se falou disso)

[5] Tarde de mais, Santo Padre, é o que mais se vê por aí! Enquanto os padres não se puderem casar, há muitos heterossexuais que põem logo de parte a hipótese de serem padres, por ser incompatível com formar família. E há muitas falsas vocações e muita gente com sérios distúrbios e problemas psicológicos, sociais, morais ou relacionais que vão para o seminário pelas razões ERRADAS: para ver se se libertam do sentimento de culpa, para forçar uma vivência mais desligada com o seu corpo achando que conseguirão vencer "a tentação" (pois nunca o souberam integrar, nem a sua sexualidade, no desenvolvimento humano), por uma atracção pelo rito, pelo fausto, pela aura e pela veneração com que um padre é visto nalguns "meios" da Igreja. E enquanto não houver um sério discernimento vocacional e psicológico dentro do seminário, esta realidade não mudará. E esse discernimento, obviamente, não deverá nem poderá ser feito por ninguém de dentro do seminário, mas por profissionais imparciais e de reconhecidas capacidades.
Deixo a ressalva que existem, felizmente, muitos bons padres e padres pelas boas razões. Mas vão escasseando...

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Um outro olhar sobre um mesmo filme

Entre a terra e o céu

Tem um belo título, “Dos Homens e dos Deuses”. Grande Prémio do Júri de Cannes 2010. O seu [Xavier Beauvois, realizador] maior êxito comercial até à data (mais de dois milhões de entradas em França). O filme que representará a França na candidatura ao ‘Óscar dos estrangeiros’. Nada disto quer dizer grande coisa... mas, enfim, a distribuição abriu os olhos.

Deuses e homens, altos e baixos, o céu e a terra – sempre os houve no cinema de Beauvois. As suas personagens deterministas sempre estiveram entre uns e outros. Foi assim com a desintegração familiar do pialatiano “Nord”, com o negro romantismo de “N’Oublie Pas Que Tu Vas Mourir”, com o idealismo do jovem recruta da polícia de “Le Petit Lieutenant”.

Beauvois adensou mais o mistério entre estas duas fronteiras metafísicas ao interessar-se por um certo mosteiro perdido nas montanhas do Magrebe em que decorre “Dos Homens e dos Deuses”. Estamos nos anos 90. Oito monges franceses cristãos vivem em harmonia com o povo muçulmano – mas essa harmonia vai terminar. O filme inspira-se num facto real: as últimas semanas de vida dos monges cistercienses do mosteiro de Thibirine, na Argélia, raptados e degolados em 1996 por extremistas muçulmanos, em condições que permanecem ainda misteriosas.

Nas suas horas de filme, sentimos a violência crescer, pouco a pouco, passo a passo, até ao insustentável. E perguntamo-nos, tal como pergunta Beauvois: porque esperaram pela morte aqueles monges?, o que levou os irmãos Christian, Luc ou Christophe, homens de fé (abandonados por Deus?), a cerrarem ainda mais as fileiras, mantendo-se unidos perante a escalada do terror.

Beauvois nada vai acrescentar ao fait-divers de uma história que, todos sabem à partida, tem final terrível. O que lhe interessa não é o aspeto trivial e jornalístico do episódio, nem sequer aquilo que, para muitos, será o tema fundamental do filme: o extremismo religioso (e, para escavar mais fundo, o terrorismo). Além disso, temos ‘más notícias’ a dar; Beauvois não é, nunca foi um ‘cineasta de temas’. Será por isso que aqueles monges, a partir de certo ponto, se olham entre si como quem olha sereno para a luz de um vitral? Quanto mais apela ao divino (ou à falta dele), mais este filme se torna humano.

Acontece que as personagens de Beauvois, numa direção de actores irrepreensível, se ‘elevam’ religiosa e moralmente, ao encontro de outras criaturas (místicas) da história. Blasfémia? Não: Beauvois guarda uma distância que dá provas da sua modéstia. Não se trata aqui de imitar o que fizeram Dreyer, Rossellini ou Bresson. Apenas de tentar manter um tom de humildade que, essencialmente, documenta gestos do quotidiano, procurando ficar à altura daqueles que estão à nossa frente.

As personagens, por outro lado, são o maior segredo do filme. Consagrados à vida monástica, os monges de Beauvois manter-se-ão fiéis a uma forma de resistência que os condena a ficar – e vão até ao fim do sacrifício. Até que aquele receio de morrer se transforme numa certeza pacificadora, fraternal, que se sabe pronta para o que vai receber. Nesta transformação está a profissão de fé de um filme torturado, controverso, que desafia a nossa consciência.

Francisco Ferreira
In Expresso, 13.11.2010

ler mais sobre o filme neste blogue:
http://moradasdedeus.blogspot.com/2010/11/vida-ate-morte.html
http://moradasdedeus.blogspot.com/2010/11/dos-homens-e-dos-deuses-ode-fe-ao-amor.html
trailer:
http://moradasdedeus.blogspot.com/2010/11/estreia-esta-semana.html

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Vida até à morte

Fui ver o filme "Dos homens e dos deuses" e, como tinha prometido, aqui fica a minha opinião. É provavelmente o melhor filme que vi em 2010.

Ao longo do filme vai-nos sendo caracterizada a comunidade de cristãos, padres e monges, que vive na cordilheira dos Atlas, Argélia - África do Norte - e no coração de conflitos entre rebeldes e exército, lutas de poder, corrupção e violência gratuita.

Estes homens são consagrados a Deus e ao serviço aos seus próximos. E os seus próximos são a população muçulmana de uma aldeia que cresceu em volta do mosteiro, que os estima e que acorre ao mosteiro como quem vai buscar água à fonte. É uma comunidade composta por homens que, como todos, vacilam, hesitam, têm crises de fé e duvidam.

É uma bela parábola, e ainda mais bela por retratar factos verídicos. E é um filme incrível no seu realismo, traçado por uma atenção meticulosa aos pequenos detalhes, por um cenário que não aparece como cenário, mas como palco verdadeiro de uma vida monástica, por uma respiração verdadeiramente espiritual em que entramos como quem vai passar uns dias de retiro num mosteiro habitado e vivo. Os actores que personificam os irmãos, juraríamos que são realmente homens de fé consagrados. A vida comunitária aparece retratada fielmente, tanto na parte visível que as comunidades religiosas mostram a quem as visita, como também na sua vida mais íntima de cumplicidade, fraternidade, espiritualidade, partilha, oração e questões ligadas ao funcionamento, organização e separação de tarefas.

E para além disto, como se fosse pouco, o filme fala-nos de coisas tão importantes como o medo, a confiança, o desespero, o abandono, a vocação, a entrega, o limite e o cerne das religiões. Apresenta-nos o Islão que tantas pessoas vivem, mas que é muito menos mediatizado do que o Islão fundamentalista, violento e intransigente. E mostra-nos o Cristianismo que lança pontes, o da prática diária do serviço e do amor ao próximo, da comunhão e da verdadeira busca e conhecimento do outro e das suas necessidades. O Cristianismo radical no sentido de entrega, e não nos fundamentalismos vazios baseados na palavra que foi inscrita em pedra (e por isso se resume a uma lista de princípios e teorias mais ou menos moralizantes, elitistas e exclusivistas) e anda longe do coração e da carne.

Ver este filme dá anos de crescimento espiritual e humano. Mesmo quem não tem fé, acredite: não vai ficar indiferente!

E para que conste no blogue, o realizador deste filme (Xavier Beauvois) é gay.
ver o trailer na mensagem:
http://moradasdedeus.blogspot.com/2010/11/estreia-esta-semana.html
ler mais em
http://moradasdedeus.blogspot.com/2010/11/dos-homens-e-dos-deuses-ode-fe-ao-amor.html

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

O Filme do Desassossego continua sem parar

Percorrendo o país, o filme é mostrado em escolas e auditórios. Em Novembro passará mais uma vez pela capital, desta vez no Teatro Nacional de S. Carlos. O Olga Cadaval em Sintra também o acolherá. Abaixo transcrevo a leitura crítica de Margarida Ataíde. A minha, podem lê-la em: http://moradasdedeus.blogspot.com/2010/10/desassossego.html

Filme do Desassossego: A inquietude de Pessoa e de Botelho

Procurou a inquietação do poeta, ele próprio incomodado com uma realidade cinematográfica: a voragem do cinema comercial, o consumo insonso de uma meia ideia por um ror de sequências meramente visuais e mais uma série de preocupações a juntar ao que o próprio afirma ter sido um período difícil da sua vida.

A bordo do heterónimo de Fernando Pessoa, Bernardo Soares, a primeira descoberta: que o seu sofrimento, à vista do do poeta, nada tinha de comparável. Desde então João Botelho embarcou à descoberta do poeta e da sua relação profunda com a cidade e com o mundo, o que conheceu desde Lisboa.

Inspirado na obra quase homónima, “O Livro do Desassossego”, é o primeiro regresso de João Botelho ao comando cinematográfico, depois de “Corrupção”, que abandonou por divergências maiores com o produtor. Entre ambos os filmes há um salto claro, dissidente, segundo o próprio, das obrigações comerciais para o compromisso pessoal, da mera ilustração para a introspeção, do ruído para o silêncio. De alguma forma, Botelho está mais perto dos seus primeiros trabalhos.

Arriscando-se, tenta um filme aberto, numa Lisboa intemporal, que nos seduza e comova pela abdicação expressa, a comoção, o insaciável questionar da vida e da morte, da felicidade e da tristeza, da abastança e da pobreza... multiplicando personagens – com um belíssimo Cláudio Silva a protagonista -, sequências em jogos de associação de ideias, com e sem espelhos, tudo o que, já quase fora de si, incomodou as personas de Pessoa. Tudo o que nos possa fazer pensar.
Adaptação livre do original literário, ritmo e forma narrativos, alguns diálogos mais hirtos, uma ou outra aproximação ao postal poderão não atrair toda a sorte de espetadores.

Não se diminua por isso o mérito de tentar honestamente dar à obra vantagem estética por imagem e movimento e fazê-la percorrer o país de lés a lés, com direito a debate, num circuito paralelo de escolas e cine teatros, à margem dos índices de bilheteira e suas obrigações, do consumo a eito de ideias – tantas vezes tão poucas e tão frágeis – entre a vertigem de imagens gratuitas, sem tempo nem motivo de reflexão.
Margarida Ataíde
© SNPC a 13.10.10
http://www.snpcultura.org/vol_filme_do_desassossego.html

domingo, 26 de setembro de 2010

Último dia do festival de cinema

A edição do Queer Lisboa 14 terminou em grande. A Argentina saiu vencedora com prémios de melhor filme, melhor actor e melhor actriz (que foi partilhado pelas três actrizes do filme) em El Último Verano de la Boyita (de Julia Solomonoff), Plano B (de Marco Berger) e novamente El Último Verano de la Boyita. Open (de recebeu menção honrosa no prémio de melhor filme. O melhor documentário foi o sueco Angrarna – Regretters de Marcus Lindeen e menção honrosa para I Shot My Love do israelita Tomer Heymann. A melhor curta-metragem votada pelo público foi Toiletzone, realizada por Didier Blasco (França).


Tudo o que vi neste último dia de festival foi de muita qualidade, passo a referir:


Os filme El Cónsul de Sodoma, de Sidfrid Monléon (Espanha, 2009) e Plan B, de Marco Berger (Argentina, 2009). Realço este último pelo tema explorado ao longo do filme: a procura da identidade e a descoberta paciente de um amor construído com base na amizade. A fotografia é belíssima, assim como a interpretação (bem atribuído o prémio de melhor actor a Lucas Ferraro) e a credibilidade da narrativa, porque descobrir quem se é e como se ama é uma construção morosa, irregular, dolorosa e pouco evidente... e assim é na vida. Um filme que respira.


Os dois documentários excelentes (para mim os melhores do festival):
Dzi Croquettes, de Tatiana Issa e Raphael Alvarez (Brasil, 2009) sobre um grupo de artistas, performers, dançarinos, actores e cantores que revolucionaram o panorama artístico brasileiro e a própria vivência da sexualidade nesse país. São de facto artistas de uma qualidade excepcional e vanguardista, à frente do seu tempo e apagados pela ditadura militar. O trabalho de pesquisa foi notável e é um documentário maravilhoso que me marcou profundamente.


I shot my love de Tomer Heymann (Israel e Alemanha, 2010), um pungente retrato das relações afectivas do realizador. Ele conduz-nos através dos seus olhos (câmara) e dá-nos a conhecer as pessoas que mais ama (o seu namorado, a sua mãe), e simultaneamente o próprio realizador é-nos revelado, assim como mensagens essenciais e universais tão importantes quanto o sentido de uma relação a dois, o acompanhamento familiar, a amizade, a cumplicidade, a coragem, o perdão... E a trama tece-se em contextos delicados de passado e presente, fossos culturais e humanos. Soberbo e marcante.

mais sobre os prémios
http://dezanove.pt/2010/09/25/q-os-vencedores-do-queer-lisboa-14-4632
mais opiniões sobre o festival
http://moradasdedeus.blogspot.com/2010/09/balanco-intermedio-do-festival-de.html
mais sobre I shot my love
http://www.ishotmylove.com/

sábado, 25 de setembro de 2010

Balanço intermédio do festival de cinema gay e lésbico de Lisboa



Perfect Day
 Não é um balanço final, pois amanhã é o último dia. Em relação a anos passados não considero que os filmes que vi tenham tido o mesmo impacto e a mesma qualidade. Vi muitos, perdi alguns que gostaria de ver... Mas considero pouco preocupante a minha constatação, pois sei que os anos não são todos iguais e que os filmes são como o vinho: há melhores e piores colheitas.
Mas gostaria de realçar alguns dos filmes que mais gostei:

Longas metragens:
BoY, de Auraeus Solito (Filipinas, 2009)
Tú Eliges, de Antonia San Juan (Espanha, 2009) - sem dúvida o melhor filme que vi no festival

Documentários:
Daniel Schmid - Le chat qui pense, de Pascal Hofmann e Benny Jaberg (Suíça, 2010)

Curtas:
Caníbales, de Juanma Carrillo (Espanha, 2009)
Amateur, de Daniel Treviño (EUA, 2009)
In their room, de Travis Mathews (EUA, 2009)
Matthew, de Menelaou e Rueberg (EUA, 2009)
e realço as seguintes enquanto objectos artísticos muito interessantes e irreverentes:
If shoe fits e Believe it, de Chris Scherer (Austrália, 2008 e 2009)
Burning Palace, de Mara Mattuschka e Chris Haring (Áustria, 2009)

Não posso deixar de louvar o documentário português, principalmente pelo simples facto de ter sido feito e pelo tema abordado. E agradecer à nossa equipa de Rugby gayfriendly (Dark Hourses) por existirem e por fazerem um extraordinário trabalho. Contudo não apreciei todos os tiques de realização. Achei inoportunas as citações e a interrupção que estas causam no todo da obra (desculpa Luís, mas parece-me que revelaste demasiado o teu universo) e lamento - já que a equipa tenta combater lugares comuns e estereotipos - que alguns estereotipos tenham passado pelo écran, nomeadamente a aparência de todos os jogadores serem ricos e terem casas fantásticas. Mas aqui fica a referência, pois vale a pena ver.
Boys Just Wanna Have Fun, de Luís Hipólito e Margarida Moura (Portugal, 2010)

E amanhã há mais. Não faltam filmes e documentários para ver no último dia do Queer 14
http://moradasdedeus.blogspot.com/2010/09/queer-lisboa-14.html

Porque estou aqui

Sinto-me privilegiado por ter encontrado na Igreja um lugar vazio, feito à minha medida. É certo que tê-lo encontrado (ou encontrá-lo renovadamente, pois não é dado adquirido) foi também mérito da minha sede, do meu empenho, de não baixar os braços e achar, passivamente, que não seria possível. Passo a contextualizar: a comunidade onde vou à missa é pequena e acolhedora, e podia bem não o ser. Ao mesmo tempo, sentia um desejo grande de reflexão de vida cristã e encontrei um casal (heterosexual) que tinha a mesma vontade. Começámo-nos a reunir semanalmente numa pequena comunidade de oração e reflexão que, apesar de crítica, nos tem ajudado a sermos Igreja e a nela nos revermos. Paralelamente, face ao contínuo desencanto em relação a algumas posturas e pontos de vista de uma Igreja mais institucional e hierárquica, tive a graça de encontrar um grupo de cristãos homossexuais, que se reuniam com um padre regularmente, sem terem de se esconder ou de ocultar parte de si.

Sei que muitos cristãos homossexuais nunca pensaram sequer na eventualidade de existirem grupos cristãos em que se pudessem apresentar inteiros, quanto mais pensarem poder tomar parte e pôr em comum fé, questões, procuras, afectos e vidas.

Por tudo isto me sinto grato a Deus e me sinto responsável para tentar chegar a quem não teve, até agora, uma experiência tão feliz como a minha.

Este blogue também é teu

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Os textos e as imagens

Os textos das mensagens deste blogue têm várias fontes. Alguns são resultados de pesquisas em sites, blogues ou páginas de informação na Internet. Outros são artigos de opinião do autor do blogue ou de algum dos seus colaboradores. Há ainda textos que são publicados por terem sido indicados por amigos ou por leitores do blogue. Muitos dos textos que servem de base às mensagens foram traduzidos, tendo por vezes sofrido cortes. Outros textos são adaptados, e a indicação dessa adaptação fará parte do corpo da mensagem. A maioria dos textos não está escrita segundo o novo acordo ortográfico da língua portuguesa, pelo facto do autor do blogue não o conhecer de forma aprofundada.

As imagens que ilustram as mensagens são retiradas da Internet. Quando se conhece a sua autoria, esta é referida. Quando não se conhece não aparece nenhuma referência. Caso detectem alguma fotografia não identificada e conheçam a sua autoria, pedimos que nos informem da mesma.

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