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A diversidade na Igreja

"A casa do meu Pai tem muitas moradas", diz-nos Jesus no evangelho.

A unidade na diversidade não é sempre aparente na Igreja enquanto povo de Deus, mas é uma realidade em Deus e uma presença na fé cristã desde a sua origem. A Palavra de Deus não é partidária, elitista e exclusiva. O Reino de Deus é como uma árvore que estende os ramos para dar abrigo a todos os pássaros do céu. Cristo não morreu na cruz para salvar uma mão cheia de cristãos. Até o Deus Uno encerra em si o mistério de uma Trindade.

A Palavra de Deus é inequívoca e só pode levar à desinstalação, à abertura ao outro, e a recebê-lo e amá-lo enquanto irmão ou irmã. Ninguém fica de fora, nem mesmo - se tivessemos - os inimigos.

Muitos cristãos crêem nesta Igreja, nesta casa do Pai, corpo de Cristo, templo do Espírito Santo. Mas como esquecer que muitos se sentem "de fora" por se verem rejeitados, amputados e anulados, e afastam-se por ninguém lhes ter mostrado que há um lugar para cada um, com a totalidade do seu ser?

Um blogue para cristãos homossexuais que não desistiram de ser Igreja

Porquê este blogue?

Este blogue é a partilha de uma vida de fé e é uma porta aberta para quem nela quiser entrar. É um convite para que não desistas: há homossexuais cristãos que não querem recusar nem a sua fé nem a sua sexualidade. É uma confirmação, por experiência vivida, que há um lugar para ti na Igreja. Aceita o desafio de o encontrares!

Este blogue também é teu, e de quem conheças que possa viver na carne sentimentos contraditórios de questões ligadas à fé e à orientação sexual. És benvindo se, mesmo não sendo o teu caso, conheces alguém que viva esta situação ou és um cristão que deseja uma Igreja mais acolhedora onde caiba a reflexão sobre esta e outras realidades.

Partilha, pergunta, propõe: este blogue existe para dar voz a quem normalmente está invisível ou mudo na Igreja, para quem se sente só, diferente e excluído. Este blogue não pretende mudar as mentalidades e as tradições com grande aparato, mas já não seria pouco se pudesse revelar um pouco do insondável Amor de Deus ou se ajudasse alguém a reconciliar-se consigo em Deus.
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domingo, 3 de dezembro de 2017

Sete perguntas sobre Jesus

1. Jesus existiu?
Sim. A sua historicidade é comummente admitida. Se o Novo Testamento e os escritos dos primeiros Padres da Igreja constituem o material mais abundante para os historiadores, estes apoiam-se também nos testemunhos de autores profanos. Nas "Antiguidades judaicas", o historiador judeu Flávio Josefo (que morreu cerca do ano 100) alude a Jesus no âmbito do processo de Tiago, «irmão de Jesus, chamado o Cristo».

Arquivista na corte do imperador Adriano, Suetónio evoca em "As vidas dos doze césares" «judeus que não cessavam de perturbar a cidade (Roma) por causa de um certo "Christus"». Tácito, outro historiador romano, descreve o incêndio que destruiu Roma em 64, causado, segundo o imperador Nero, pelos cristãos: «Este nome de cristão vem-lhes do nome de Cristo, que foi condenado no reino de Tibério, pelo procurador Pôncio Pilatos (...)».

Encontram-se outras alusões a Cristo e aos seus seguidores no governador Plínio, o Jovem (61-114), no filósofo romano Celso (séc. II) e também no Talmude de Babilónia, que reteve por escrito, no séc. IV, toda a tradição judaica oral: «Na véspera da Páscoa, suspendeu-se Yeshu (...)».

Esta acumulação de testemunhos judaicos e romanos, insuspeitos de simpatias, e até mesmo hostis ao cristianismo, sustenta a convicção dos cientistas quanto à existência histórica de Jesus.

2. Os Evangelhos são "fiáveis"?
Sim. «Mas na condição de os analisar com critérios históricos», sublinha Jean-Christian Petitfils, autor de "Jesus", obra que procura esboçar o seu retrato histórico a partir dos recursos da ciência. Com efeito, os Evangelhos apresentam entre si importantes diferenças.

O fio cronológico de Lucas, Marcos e Mateus, por exemplo, não segue o de João. Os primeiros obedecem a um plano linear: a pregação de João Batista, o batismo de Jesus, a pregação na Galileia durante um ano, a subida a Jerusalém, a crucificação e ressurreição; João, por seu lado, refere várias idas e regressos de Jerusalém e a pregação de Jesus dura três anos.

«Os textos de Lucas, Marcos e Mateus foram, na verdade, redigidos por vários autores e relatam a vida de Jesus com um fim didático», sustenta Petitfils. «João, testemunha ocular direta dos acontecimentos, surge como o mais fiável aos olhos dos historiadores.»

Recentemente, descobertas arqueológicas vieram corroborar a existência de personagens e práticas citadas nos Evangelhos. A base de uma estátua com os nomes de Tibério e Pôncio Pilatos foi exumada em Cesareia, atual Israel, em 1961.

«É o primeiro documento epigráfico que diz respeito ao que os cristãos consideram uma referência história maior porque o seu nome é o único mencionado no Credo - "crucificado sob Pôncio Pilatos"», destaca o teólogo Michel Quesnel. Foram também descobertos numerosos túmulos semelhantes ao de Jesus, segundo a descrição dos Evangelhos, escavados em encostas e fechados com uma pedra rolada até à entrada; o corpo envolvido em pano e deposto num leito de pedra.

Jean-Christian Petitfils sublinha também que «numa sociedade em que os textos sagrados se transmitiam oralmente, as técnicas de memorização rabínicas eram suficientemente eficazes para que se possa creditar os Evangelhos com um alto grau de fidelidade».

3. Jesus nasceu no ano zero?
Não. Em primeiro lugar porque a contagem dos anos a partir do nascimento de Cristo não comporta um ano zero. Depois porque o monge Denys le Petit (que morreu em 545), a quem se deve o calendário, errou nos cálculos.

Ao definir o nascimento de Jesus no ano 753 da fundação de Roma, entra em contradição com o que é referido por Lucas e Mateus, que situam a natividade durante o reino de Herodes, o Grande, morto em 750 - ou seja, três anos mais cedo.

«Se se considerar que os seus pais só poderiam fugir para o Egito, para escapar à repressão de Herodes, quando Jesus tivesse alguns meses, senão mesmo alguns anos, o seu nascimento remonta ao ano 5 ou 6 da nossa era», explica Michel Quesnel.

Historiadores há que colocam a hipótese do ano 7 a.C., apoiando-se em cálculos astrológicos para explicar a aparição de uma grande estrela na noite do nascimento.

4. Jesus tinha irmãos e irmãs?
Quatro homens são designados como os «irmãos de Jesus» no Novo Testamento: Tiago, o mais conhecido, que se tornará chefe da Igreja de Jerusalém nos anos 50, José, Simão e Judas.

Os seus nomes são citados duas vezes nos Evangelhos: Marcos 6, 3 e Mateus 13, 55. Quanto às «irmãs» de Jesus, os textos nada dizem.

Há três explicações, sintetiza Michel Quesnel. Primeira hipótese: tratar-se-iam de filhos que José e Maria teriam tido após Jesus. Defendida por Helvidius, no séc. IV, é contrariada por uma passagem de Marcos que narra a presença, aos pés da cruz, de «Maria, mãe de Tiago Menor e de José» (15, 40).

Marcos apresenta estes personagens como os «irmãos» de Jesus. Mas para os exegetas, se Tiago e José tivessem nascido da mesma mãe de Jesus, o evangelista teria simplesmente escrito: «Maria, a mãe de Jesus». Tratar-se-ia de outra Maria que não a mãe do Crucificado.

Segunda teoria: os irmãos e irmãs de Jesus designariam parentes próximos. Fortemente defendida no seu tempo por S. Jerónimo, foi sempre a privilegiada pela Igreja católica. O termo "anepsios" remete para o substrato aramaico "hâ", que significa sobrinho, primo, membro de uma mesma família ou de um mesmo clã.

«Na Palestina, naquele tempo, todos eram "irmãos", um pouco como numa aldeia africana», explica Jean-Christian Petitfils.

Por outro lado, antes de morrer na cruz, Jesus confia a sua mãe a João - um dos seus discípulos; se houvesse irmãos ou irmãs de sangue, seria a eles que o cuidado de Maria seria entregue.

Terceira hipótese: os «irmãos» e «irmãs» de Jesus designariam os filhos que José teria de um primeiro casamento. «Várias tradições apócrifas apresentam José como idoso quando toma Maria por esposa», lembra Michel Quesnel. O que a iconografia confirma ao representar José como homem maduro, até envelhecido, ajoelhado diante do presépio.

Esta interpretação goza do favor das Igrejas cristãs orientais.

5. Jesus era um rabi como os outros?
Não. Se Jesus era espiritualmente próximo dos fariseus, uma das três correntes dominantes do pensamento judaico do primeiro século, a sua atitude transgride todas as convenções estabelecidas.

A começar pela maneira de utilizar as «parábolas» - narrativas imagéticas extraídas da vida quotidiana - para apresentar o seu ensinamento moral e religioso. «À exceção de alguns casos no Antigo Testamento, esta forma de expressão não se tinha espalhado. A sua utilização fazia de Jesus um rabi (mestre) inovador aos olhos dos seus contemporâneos», assinala Michel Quesnel.

Os fariseus falavam já da ressurreição e do amor ao próximo. Mas Jesus retoma a mensagem e vai muito mais longe. «Eis alguém que pede, pela primeira vez, para amar os inimigos», realça Jean-Christian Petitfils.

Diferentemente dos profetas que o precederam, Jesus apresenta-se como o Reino que anuncia: «Eu sou o caminho, a verdade e a vida» (João 14, 6).

A sua autoridade extraordinária assombra as multidões e escandaliza os meios sacerdotais. «Moisés disse-vos... Mas Eu digo-vos...», insiste publicamente o carpinteiro de Nazaré. Outra transgressão inconcebível aos olhos de um judeu foi a maneira como Jesus chamou a Deus: «Abba» («Pai», em hebraico).

«O que torna o seu ensinamento credível é a sua atitude misericordiosa para com todos aqueles - inimigos, párias - que Ele encontra: uma prostituta, um coletor de impostos, um legionário romano...», aponta Michel Quesnel. Numa palavra, Jesus perdoa. E é isto que faz a diferença aos olhos dos seus contemporâneos.

«Crente ou não, o historiador acaba por ser confrontado com o mistério da sua pessoa», conclui Jean-Christian Petitfils.

6. Jesus foi crucificado?
Sim. Neste ponto, os Evangelhos são corroborados tanto por autores profanos como pelo Talmude.

No primeiro século havia duas formas de condenação à morte no Império Romano: a decapitação, reservada aos notáveis, e a crucificação, para as pessoas do povo, suplício particularmente terrífico.

Em 1968 foram encontrados os restos de um crucificado num bairro de Jerusalém cujo calcanhar tinha sido atravessado por um prego em ferro com 17 cm.

«Pernas fletidas, tíbias partidas... O estado do esqueleto permitiu reconstituir uma forma precisa de execução aproximadamente correspondente ao suplício descrito nos Evangelhos», afirma Michel Quesnel. Em matéria de crucificação, prática que os romanos teriam tomado dos Partos, existiam muitas variantes. A morte ocorria, geralmente, por asfixia.

7. O sudário de Turim é uma "fotografia" de Jesus?
A incerteza permanece. Muito foi escrito sobre este pano de linho branco de 4,36 x 1,10 m conservado em Turim, atual Itália, que apresenta o desenho de um crucificado que, de acordo com a tradição, teria envolvido o corpo de Jesus no túmulo.

Sobre o "Santo Sudário", que será novamente exposto em 2015 e venerado pelo papa Francisco a 21 de junho, os especialistas confrontam-se com duas questões essenciais: a datação - Idade Média ou primeiro século da nossa era? - e o processo como foi feito, em particular a impressão em "negativo", que nunca se conseguiu reproduzir.

Em 1988, a técnica do Carbono 14, bíblia dos arqueólogos, apresentou o seu veredito: o lençol teria sido fabricado entre 1260 e 1390, período que corresponde à sua primeira aparição comprovada (1357) numa igreja de Lirey, no atual departamento de Aube, em França.

Mas a controvérsia não se ficou por aqui. Para os opositores à tese da origem medieval, o sudário remontaria ao século I devido às técnicas de costura, ao fio utilizado e aos detalhes históricos que o sudário revela quanto ao modo como a crucificação foi executada.

Os defensores da autenticidade salientam, ainda, que o material sujeito ao teste do Carbono 14 foi extraído de pontas do sudário, provenientes de um restauro tardio.

E ainda que se trate da "fotografia" de um crucificado, como é verosímil, falta provar, com dados científicos, a quem pertenceu. A devoção, que tem atraído sempre mais pessoas a Turim aquando das ostensões, é outra história."

In "Pèlerin"
Tradução e edição de Rui Jorge Martins para SNPC a 27 de dezembro de 2014

segunda-feira, 17 de outubro de 2016

A Igreja também é para os maus

Reflexão sobre o bom ladrão

S. Lucas descreve dois malfeitores crucificados com Jesus, que a Ele se dirigem com atitudes opostas.

O primeiro insulta-o, (...) impelido pelo desespero: «Não és Tu o Cristo? Salva-te a ti mesmo e a nós». Este grito testemunha a angústia do homem diante do mistério da morte e a trágica consciência de que só Deus pode ser a resposta libertadora: por isso é impensável que o Messias, o enviado de Deus, possa estar na cruz sem fazer nada para se salvar. Não compreendiam o mistério do sacrifício de Jesus. E em vez disso Jesus salvou-nos permanecendo na cruz. E todos nós sabemos que não é fácil permanecer na cruz, nas nossas pequenas cruzes de cada dia. (...) Ali se cumpre a sua doação e amor e brota para sempre a nossa salvação. Morrendo na cruz, inocente entre dois criminosos, Ele atesta que a salvação de Deus pode chegar a qualquer homem em qualquer condição, mesmo a mais negativa e dolorosa, a salvação de Deus é para todos, ninguém está excluído, é oferecida a todos. Por isso o Jubileu é tempo de graça e de misericórdia para todos, bons e maus, aqueles que estão de saúde e aqueles que sofrem. Nada nos pode separar do amor de Cristo. (…)

A Igreja é para todos, não só para os bons ou para aqueles que se creem bons ou pensam sê-lo. A Igreja é para todos, sobretudo para os maus. A quem está pregado numa cama de hospital, a quem vive fechado numa prisão, a quantos estão encurralados pelas guerras, digo: olhai o Crucificado; Deus está convosco, permanece convosco na cruz e a todos se oferece como Salvador.

Deixai que a força do Evangelho penetre no vosso coração e vos console, vos dê esperança e a íntima certeza de que ninguém é excluído do seu perdão. (…) Ninguém é excluído do perdão de Deus, basta que se aproxime, arrependido, de Jesus e com o desejo de ser abraçado. (…)

As palavras do “bom ladrão” são um maravilhoso modelo de arrependimento, uma catequese concentrada para aprender a pedir perdão a Jesus. Primeiro, ele dirige-se ao seu companheiro: «Não tens nenhum temor de Deus, tu que foste condenado à mesma pena?». Assim destaca o ponto de partida do arrependimento: o temor de Deus, o respeito filial. Não o medo de Deus, mas esse respeito que se deve a Deus porque é Deus. O “bom ladrão” recorda a atitude fundamental que abre à confiança em Deus: a consciência da sua omnipotência e da sua infinita bondade. É este respeito confiante que ajuda a dar espaço a Deus e a confiar-se à sua misericórdia, mesmo na escuridão mais profunda. (…)

O “bom ladrão” dirige-se por fim diretamente a Jesus, invocando a sua ajuda: «Jesus, recorda-te de mim quando entrares no teu Reino». Chama-o pelo nome, «Jesus», com confiança, e assim confessa o que esse nome indica: «o Senhor salva». Aquele homem pede a Jesus que se recorde dele. Quanta ternura nesta expressão, quanta humanidade. É a necessidade do ser humano de não ser abandonado, que Deus lhe esteja sempre próximo. Deste modo um condenado à morte torna-se modelo do cristão que se confia a Jesus. É profundo, isto: um condenado à morte é modelo do cristão que se confia a Jesus e também modelo da Igreja que na liturgia tantas vezes invoca o Senhor, dizendo: «Recorda-te… Recorda-te…».

Enquanto o “bom ladrão” fala no futuro - «quando entrares no teu Reino», a resposta de Jesus diz «hoje estarás comigo no Paraíso». Na hora da cruz, a salvação de Cristo atinge o seu auge; e a sua promessa ao “bom ladrão” revela o cumprimento da sua missão: salvar os pecadores.

(...) Jesus é verdadeiramente o rosto da misericórdia do Pai. O “bom ladrão” chamou-o pelo nome, Jesus, uma oração breve que todos nós podemos fazer muitas vezes ao longo do dia. Jesus. Jesus. Jesus.

Papa Francisco
Audiencia geral, Praça de S. Pedro, Vaticano, 28 de Setembro de 2016
Trad. / edição: Rui Jorge Martins para SNPC

terça-feira, 29 de outubro de 2013

Quando Jesus se une a quem sofre

Hino à Cruz
O Papa no Rio

«Tantos rostos acompanharam Jesus no seu caminho até a cruz: Pilatos, o Cireneu, Maria, as mulheres... Também nós diante dos demais podemos ser como Pilatos que não teve a coragem de ir contra a corrente para salvar a vida de Jesus, lavando-se as mãos.

Queridos amigos, a cruz de Cristo ensina-nos a ser como o Cireneu, que ajuda Jesus a levar aquele madeiro pesado, como Maria e as outras mulheres, que não tiveram medo de acompanhar Jesus até o final, com amor, com ternura. E você, como é? Como Pilatos, como o Cireneu, como Maria?»

(…)
«Jesus com a sua cruz atravessa os nossos caminhos para carregar os nossos medos, os nossos problemas, os nossos sofrimentos, mesmo os mais profundos. Com a cruz, Jesus une-se ao silêncio das vítimas da violência, que já não podem clamar, sobretudo os inocentes e indefesos; nela Jesus une-se às famílias que passam por dificuldades, que choram a perda de seus filhos, ou que sofrem vendo-os presas de paraísos artificiais como a droga; nela Jesus une-se a todas as pessoas que passam fome, num mundo que todos os dias deita fora toneladas de comida; nela Jesus une-se a quem é perseguido pela religião, pelas ideias, ou simplesmente pela cor da pele; nela Jesus une-se a tantos jovens que perderam a confiança nas instituições políticas, por verem egoísmo e corrupção, ou que perderam a fé na Igreja, e até mesmo em Deus, pela incoerência de cristãos e de ministros do Evangelho.»

«O que foi que a cruz deixou naqueles que a viram, naqueles que a tocaram? O que deixa em cada um de nós? Deixa um bem que ninguém mais pode nos dar: a certeza do amor inabalável de Deus por nós.»

«Na cruz de Cristo, está todo o amor de Deus, a sua imensa misericórdia. E este é um amor em que podemos confiar, em que podemos crer. Queridos jovens, confiemos em Jesus, abandonemo-nos totalmente a Ele. Só em Cristo morto e ressuscitado encontramos salvação e redenção. Com Ele, o mal, o sofrimento e a morte não têm a última palavra, porque Ele dá-nos a esperança e a vida: transformou a cruz, de instrumento de ódio, de derrota, de morte, em sinal de amor, de vitória e de vida.»

«O primeiro nome dado ao Brasil foi justamente o de "Terra de Santa Cruz". A cruz de Cristo foi plantada não só na praia, há mais de cinco séculos, mas também na história, no coração e na vida do povo brasileiro e não só: o Cristo sofredor, sentimo-lo próximo, como um de nós que compartilha o nosso caminho até o final. Não há cruz, pequena ou grande, da nossa vida que o Senhor não venha compartilhar connosco.»

«A cruz de Cristo também convida-nos a deixar-nos contagiar por este amor; ensina-nos, pois, a olhar sempre para o outro com misericórdia e amor, sobretudo quem sofre, quem tem necessidade de ajuda, quem espera uma palavra, um gesto; ensina-nos a sair de nós mesmos para ir ao encontro destas pessoas e lhes estender a mão.»

in SNPC

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Servir o próximo

O Papa no Rio
parte 6

Serviço

Ele que é frequentemente apelidado de «papa dos pobres», ele que escolheu o nome de Francisco e que não hesitou, alguns dias depois da eleição, a celebrar a Quinta-feira Santa numa prisão e lavar os pés a jovens detidos, aproveitou a viagem ao Brasil para transmitir uma mensagem social, mas também convocar os jovens a colocarem-se ao serviço uns dos outros.

«Para anunciar Jesus, Paulo fez-se "escravo de todos". Evangelizar significa testemunhar pessoalmente o amor de Deus, significa superar os nossos egoísmos, significa servir, inclinando-nos para lavar os pés dos nossos irmãos, tal como fez Jesus.» (Homilia na missa final)

Cruz

«Muitos rostos acompanharam Jesus no caminho para o Calvário: Pilatos, o Cireneu, Maria, as mulheres... Eu pergunto-vos hoje: Vós, como quem quereis ser? Quereis ser como Pilatos, que não teve a coragem de ir contracorrente para salvar a vida de Jesus e lavou as mãos? Dizei-me: Vós sois dos que lavam as mãos, fazem-se distraídos e olham para o outro lado, ou sois como o Cireneu, que ajuda Jesus a levar aquele madeiro pesado, como Maria e as outras mulheres, que não têm medo de acompanhar Jesus até ao fim, com amor, com ternura. E vós, com qual deles quereis ser? Como Pilatos, como o Cireneu, como Maria? Jesus olha para ti agora e diz-se: queres ajudar-me a levar a cruz? Irmão e irmã, com toda a tua força de jovem, que lhe respondes?» (Via-sacra)

Aymeric Christensen
In La Vie

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SNPC
neste blogue:
parte 1
parte 2
parte 3
parte 4
parte 5

sexta-feira, 25 de outubro de 2013

A vida de Edith Stein

A radicalidade da Cruz

Duas foram as dimensões que animaram a vida desta filósofa, santa e mártir do século XX: a profunda demanda da verdade e a força da Cruz, ou melhor, a verdade enformada pela radicalidade da cruz, que é para uns loucura e para outros sabedoria e poder de Deus.

Nas suas palavras: «Uma ‘Scientia Crucis’ podemos obtê-la somente quando somos capazes de seguir a Cruz até ao fundo. Disto fui persuadida desde o primeiro momento e disse de coração: “Ave crux, spes unica”».

Edith Stein nasceu de uma família judaica no dia 12 de Outubro de 1891, em Breslau, Alemanha, sendo a mais nova dos onze filhos de Siegfried com Auguste. Todavia, quatro dos seus irmãos morreriam ainda na infância e o seu pai, Siegfried, falecia quando Edith tinha apenas dois anos, ficando a sua mãe Auguste a tomar conta da família.

Embora fosse sempre excelente aluna, aos 14 anos comunicou aos professores, que se lhe opuseram, e à família que iria abandonar os estudos. Foi então viver para Hamburgo com a irmã Else. Durante esse tempo afastou-se cada vez mais do “Deus de Abraão, de Isaac e Jacob”. De tal maneira se distanciou que, livre e conscientemente, decidiu não rezar mais, embora a habitasse um desejo profundo pela verdade.

O seu propósito de deixar de estudar não durou muito e passado um ano voltou para Breslau e para o colégio. Simpatizante dos movimentos femininos da época, Edith termina o bacharelato no colégio em 1911, tornando-se uma das primeiras universitárias da Alemanha.

Considerando-se ateia, que o foi durante dez anos, estudou germânicas, história e psicologia. Mas desiludida com esta ciência, ruma em 1913 para Göttingen, onde ensinava o fundador da fenomenologia, Edmund Husserl, do qual se tornaria discípula e depois assistente. Aí conhece Max Scheler e Adolf Reinach, discípulos daquele. Neste círculo começa a estudar filosofia e fica impressionada com a objectividade da fenomenologia e com o seu método para conhecer a verdade, que a própria tanto desejava.

Em 1915 Edith conclui a licenciatura, mas a 1.ª Guerra Mundial estava em pleno desenvolvimento, por isso interrompe a sua carreira académica e oferece-se como voluntária num hospital militar. Encerrado este, acompanha Husserl para a Universidade de Freiburg, onde recebe o doutoramento em 1916 com uma tese sobre a “Empatia”, sendo-lhe atribuída a nota de “summa cum laude’”. Torna-se a primeira mulher doutorada em filosofia da Alemanha.

O tempo da guerra marcará ainda a vida de Edith. Depois da morte em combate do amigo Reinach, vem a conhecer a sua mulher, que a impressiona pela calma e paz, tudo porque a sua força lhe vinha da fé em Jesus e da sua cruz, como ela mesma havia confessado a Edith.

Stein começa a ler o Novo Testamento e no ano de 1918 separa-se de Husserl por considerar que a sua filosofia se torna mais cada vez mais estreita. Volta a Breslau e sucede a Martin Heidegger na universidade. Edith tenta uma cátedra em filosofia mas nunca lhe foi dada; e mesmo Husserl e Heidegger a criticam por tal pretensão, pois era mulher.

Em 1920 dá-se um acontecimento decisivo para a conversão de Edith Stein. Ela que se encontrava em crise por não encontrar o sentido último da sua vida, vai passar férias com uma amiga católica, Hedwig. Estando uma tarde só em casa dela, retirou da estante a biografia de Santa Teresa de Jesus. Leu-a numa noite e no fim concluiu que estava diante da verdade.

Posteriormente comprou um catecismo católico, o qual estudou com afinco, e após participar na missa pediu a um padre para receber o baptismo. Alguns meses mais tarde, no dia 1 de Janeiro de 1922, era baptizada Edith Stein.

Deseja entrar no Carmelo mas por conselho de alguns amigos sacerdotes, e por respeito à mãe, não o faria de imediato. Nos anos seguintes tornou-se professora no colégio das dominicanas, em Speyer. Nesse tempo traduz as cartas e os diários de Newman, além de São Tomás de Aquino. Desta maneira, mudava o seu pensamento filosófico e aproximava-se cada vez mais e com mais profundidade do cristianismo.

No ano de 1932 Edith Stein é chamada para leccionar no Instituto Alemão de Pedagogia Científica, em Munique, mas alguns meses mais tarde, com a subida de Hitler ao poder, foi demitida, pois era público a sua ascendência judaica. Edith Stein viu no acontecimento o momento oportuno para entrar finalmente no Carmelo, o que veio acontecer no dia 15 de Outubro de 1933, recebendo o nome Teresa Benedita da Cruz.

O regime torna-se cada vez mais hostil para com os judeus e emite em 1935 novas leis racistas. A mãe de Edith, que considerou a sua conversão uma traição ao povo judeu, morre em 1936, sem que ambas se tivessem reconciliado.

Stein segue os seus estudos no Carmelo, onde lê Santa Teresa e São João da Cruz. Em 1936 nasce a sua maior obra filosófica: “Ser finito e Ser eterno”. Embora desejasse partilhar “a sorte” do seu povo, Edith muda-se do convento de Colónia para o de Echt na Holanda em 1938.

Alguns meses mais tarde começa a 2.ª Guerra Mundial e no ano de 1940 também a Holanda é ocupada. Edith, tranquila, escreve, com base na obra de São João da Cruz, o seu último livro, que deixou incompleto: “A ciência da Cruz”. Ciência que estaria perto de adquirir, pois no dia 2 de Agosto as tropas alemãs tomam o convento de Echt. Teresa Benedita da Cruz, com a sua irmã Rosa, que se havia convertido ao catolicismo, são levadas primeiro para o campo de concentração de Westerbork e depois para Auschwitz, na Polónia, onde se supõe que tenham morrido nas câmaras de gás no dia 9 de Agosto de 1942.

Edith Stein viria a ser beatificada por João Paulo II a 1 de Maio de 1987, e no ano de 1998 foi canonizada pelo mesmo papa, que em 1999 a declarou co-padroeira da Europa.

L. Oliveira Marques
in SNPC | Atualizado em 08.08.12

sábado, 19 de outubro de 2013

Não basta ser cristão do bem estar

in Revista Cult
Permiti-me publicar este artigo, tendo a certeza que ela não corresponde a uma imagem do fácil e do rápido e do fashionable; publico-a porque me faz pensar... e isso é bom!

reflexões do Papa Francisco



"O papa Francisco afirmou esta sexta-feira no Vaticano que a prova para cada pessoa saber se se é cristão está na capacidade de «suportar as humilhações com alegria e paciência».

Referindo-se ao apóstolo Pedro, que não queria acreditar que Jesus fosse humilhado e morto, o papa afirmou que a mesma atitude ocorre entre os católicos quando estão dispostos apenas a seguir Cristo «até um certo ponto».

«É esta a tentação do bem-estar espiritual: Temos tudo: temos a igreja, temos Jesus Cristo, os sacramentos, a Virgem Maria, tudo, um belo trabalho para o Reino de Deus; somos bons, todos. (…) Mas não basta o bem-estar espiritual até certo ponto». (...) «Como aquele jovem que era rico: queria andar com Jesus, mas até um certo ponto. Falta esta última unção do cristão, para ser cristão verdadeiro: a unção da cruz, a unção da humilhação», apontou.

«Esta é a pedra angular, a verificação da nossa realidade cristã: sou um cristão de cultura e de bem-estar? Sou um cristão que acompanha o Senhor até à cruz? O sinal é a capacidade de suportar as humilhações».

Todos querem ressuscitar, mas «nem todos» tencionam alcançar esse objectivo pelo caminho da cruz, pelo que, ao lamentarem-se das afrontas que sofrem, comportam-se de maneira oposta ao que Cristo fez e pede para imitar, assinalou. «A verificação de se um cristão é um cristão verdadeiro é sua capacidade de suportar com alegria e com paciência as humilhações; e como isto é algo que não agrada…», disse.

Francisco sintetizou as suas palavras apontando para uma «escolha» pessoal: ou ser-se «cristão do bem-estar» ou «cristão próximo de Jesus, pela estrada de Jesus». "

por Rui Jorge Martins, in SNPC

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Carregar a Cruz

do filme de Pier Paolo Pasolini "O Evangelho segundo Mateus"
Passos da Via Sacra (3)

II Estação
Jesus recebe a cruz


"Bem antes de sua Paixão, Jesus disse aos discípulos: Se alguém quiser vir comigo, renuncie-se a si mesmo, tome sua cruz e siga-me. (Mt 16,24) Contemplamos, nesta segunda estação, o momento em que o próprio Jesus tomou a cruz. E, para nós, "tomar a cruz", significa: tomar o quê? Grande parte da reflexão teológica, ao longo dos séculos, identifica esta atitude com a penitência pelos pecados e, neste contexto, também com a aceitação de sofrimentos e adversidades, bem como a fidelidade aos deveres do estado de vida. Há, em todas estas interpretações, o aspecto negativo, triste e pesado. É impossível negar que carregar uma cruz seja uma coisa triste e dolorosa, mas será que aqui está a sua essência? Até hoje, os católicos são associados a uma postura passiva diante de dor, perseguição, pobreza, etc. Tudo está sendo resumido por uma palavra: a cruz. Para muitos, os católicos são aqueles "pobres coitados" que, com resignação, permitem ser pisoteados, humilhados e injustiçados, porque - segundo dizem - tudo isso faz parte da cruz de cada dia. Acredito que, para respondermos à pergunta sobre a verdadeira "essência" da cruz, seja necessário olhar de um ângulo diferente (e único correto): o ponto de vista do próprio Jesus. Como foi que Jesus encarou aquele madeiro? Como enxergou o significado da cruz?

Pouco antes da sua morte, o Senhor declarou: Sinto agora grande angústia. E que direi? ‘Pai, livra-me desta hora’? Mas foi precisamente para esta hora que eu vim. (Jo 12, 27) Noutra ocasião disse: Ninguém tem amor maior do que aquele que dá a vida por seus amigos. (Jo 15, 13) Para Jesus, a cruz era a melhor maneira de amar. Ou melhor: a cruz é o amor! Não se trata de masoquismo, mas de um amor autêntico e exigente, capaz de se sacrificar por inteiro. Jesus sabia que essa foi a melhor maneira de expressar o amor ao Pai e aos homens. Jesus ficaria inconsolado se alguém impedisse a sua morte na cruz. Em consequência, "tomar a cruz", significa amar. Amar de maneira com a qual foi formado o nosso coração. Se o meu coração é homossexual, o meu amor será homossexual também.

Oração
Senhor Jesus, tomaste a cruz para realizar divino plano de amor. Obrigado pela Tua cruz e também pela minha. Às vezes tenho dificuldades em compreender o significado da cruz da minha sexualidade. Peço-Te, por isso, que a luz do Teu Espírito ilumine sempre o meu coração, para que eu veja a importância do amor. E que eu saiba sofrer por amor, quando for necessário. Abençoa cada homossexual, sobretudo todo aquele que sofre por ser assim. Ajuda-nos a acreditarmos no amor. Cura-nos do medo de amar. Fortalece aqueles que são perseguidos, porque amam. Convence aqueles que foram desiludidos no amor, que vale a pena começar de novo."

Nós Te adoramos e Te bendizemos, ó Cristo,
porque com tua Santa Cruz remiste o mundo.

Por Teleny in Retorno (G-A-Y)

sábado, 19 de março de 2011

Judas ou o outro morto

Caravaggio

Teatro da Cornucópia apresenta "Morte de Judas", de Paul Claudel
O Teatro da Cornucópia vai levar à cena numa muito curta série de espetáculos um texto de Paul Claudel que, como acontece com toda a obra do autor toca em importantes temas de natureza teológica: o monólogo “Morte de Judas”, na tradução de Regina Guimarães.

Ao lado da cruz, imagem simbólica de uma História feita à luz da ideia de um Deus que se fez carne, num curto monólogo, Claudel mostra outro dos mortos daquela Páscoa, mostra outro madeiro, a figueira, onde Judas, o Apóstolo para sempre associado ao Mal, à Traição e ao Demónio, depois de trair Cristo, se enforcou. Inventa a fala do enforcado, faz o exercício de lhe dar voz, de, em oposição aos textos sagrados, contar a Morte de Cristo pelo ponto de vista de quem desencadeou toda a Paixão.

Ao contrário dos Evangelhos que mistificam a narrativa dos acontecimentos, Judas fala do lugar do Homem, e resgata a sua própria condenação moral com um ponto de vista exemplarmente dialético em que demonstra como a sua traição serviu Deus.

A figueira, árvore viva e de ramos em todas as direções torna-se no símbolo da crítica, da lucidez, do materialismo, do próprio "livre arbítrio", do próprio Homem, e opõe-se para sempre à cruz, madeira já morta, indicadora do caminho da salvação.

O resultado é um estranho e incómodo "objeto", o monumento a que o Mal não tem direito. Essa estátua ali fica para sempre e afirma, por outras palavras a frase popular: "Deus escreve direito por linhas tortas". E que é o Homem quem trabalha para Deus. Trata-se, no fundo, de uma resposta aos Evangelhos, sobretudo aos capítulos 26 e 27 de Mateus (cuja leitura integramos no espetáculo), trata-se de uma reflexão sobre a relação do Homem com o Deus do Cristianismo.

É o ator Dinarte Branco quem interpretará essa fala do enforcado. Trabalhou o monólogo em diálogo com Luis Miguel Cintra e Cristina Reis. E apesar de se tratar de um espetáculo para qualquer público, julgamos que tem especial interesse para um público católico e para quem assume responsabilidades dentro da Igreja. Sem que propositadamente para isso fosse preparado, não podia ser criado em melhor momento que o tempo litúrgico da Quaresma e ao mesmo tempo que o Papa publica novo livro sobre Jesus.

Os espetáculos, com a duração de 55 minutos, realizam-se nos dias 24, 25, 26, 27 e 31 de março e 1, 2 e 3 de abril, de quinta a sábado às 21h30h, e ao domingo às 16h00, no Teatro do Bairro Alto, em Lisboa.

in SNPC

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Particularidades do amor cristão


Caravaggio
 "O amor cristão não é a palavra – nem sequer a última palavra – do mundo sobre si mesmo, mas a palavra definitiva de Deus sobre si próprio e, portanto, também sobre o mundo. Na cruz, a palavra do mundo é, antes de mais, atravessada por uma palavra de todo diferente, que o mundo de nenhum modo quer ouvir. O mundo quer viver e ressuscitar antes de morrer, o amor de Cristo, porém, quer morrer para ressuscitar além da morte, na morte, na forma de Deus. (...) A esta vontade de viver, peculiar ao mundo, a palavra de Deus em Jesus Cristo traz a única esperança, imprevisível, para lá de todas as possíveis construções do mundo. Para a vontade do mundo, é uma solução “desesperada” porque lhe sugere a morte, mas, ao mesmo tempo, patenteia a vontade do mundo como “desesperada”, porque ela não pode prevalecer contra a morte. Só à vontade desesperada de viver é que a proposta divina surge como uma solução de desespero, em si ela é puro amor que, na morte, se revela mais forte do que a morte, portanto já triunfou daquilo que a vontade do mundo em vão combate. O mundo decide-se por neutralizar entre si os dois desesperos, descobre que a palavra de Deus a seu respeito não lhe é exterior, mas o realiza interiormente, isto é, o conduz para onde ele essencialmente deve ir (...).


[À] luz da cruz, o ser do mundo recebe um sentido, as formas e as vias incoativas do amor que, de outro modo, correm o risco de se encaminhar para um beco sem saída, podem ser referidas ao seu verdadeiro fundamento transcendente. Mas quando esta relação (de natureza e de graça) é destruída, no sentido da dialéctica mencionada que opõe o “saber” e a “fé”, o ser finito é necessariamente colocado sob o signo do “saber” sempre superior a tudo o mais, e assim as potências imanentes de amor no mundo são subjugadas e abafadas pela ciência, pela técnica e pela cibernética. Nasce então um mundo sem mulheres, sem filhos, sem respeito pela forma de pobreza e de humildade do amor, um mundo onde tudo é visto em função do lucro e da aquisição de poder, onde tudo o que é desinteressado e gratuito é desprezado, perseguido e extinto, e onde até à arte se impõe a máscara e o rosto da técnica.


Mas se o criado se encarar com os olhos do amor, é então compreendido contra todas as verosimilhanças que parecem apontar para o vazio de amor no mundo. Compreendido na sua definitiva razão de ser: não só da sua essência que se pode clarificar de algum modo graças às numerosas relações significativas entre as naturezas particulares, mas também da sua existência em geral, para a qual, aliás, nenhuma filosofia consegue encontrar um fundamento suficiente. Porque é que realmente existe algo em vez de nada? – a questão surge tanto na afirmação, como na negação, da existência de um Ser absoluto. Se este Ser não existe, que razão pode haver para que existam, no seio do nada, estas coisas finitas e efémeras que nem por adição, nem por evolução, alguma vez podem desembocar no Absoluto? Mas se o Absoluto existir e se bastar a si como absoluto, então ainda é quase mais incompreensível porque é que, fora dele, deveria haver algo de diferente. Só uma filosofia do amor autónomo e livre pode justificar a nossa existência, mas não sem interpretar ao mesmo tempo a essência do ser finito em função do amor. Em função do amor, e não, em última instância, da consciência ou do espírito, do saber ou do poder, do prazer ou da utilidade, mas de tudo isso considerado apenas como modos e pressupostos em vista do único acto que tudo perfaz, e que brilha esplendorosamente no sinal de Deus. (...)

Todos os valores do mundo são postos na sua verdadeira luz só pelo sinal de Deus, porque agora se ultrapassam também todos os limites do amor, todas as objecções contra ele, e ainda todas as profundezas misteriosas do amor que se imola são preservadas e subtraídas ao domínio do saber redutor. É sobretudo o homem que se torna verdadeiramente ele próprio no apelo que lhe é dirigido: criado para este fim, chega inteiramente a si próprio como aquele que responde. Ele é a linguagem de que Deus se serve para lhe falar: como é que, neste diálogo, não haveria de se entender a si? Emergindo à luz de Deus, entra na claridade sem pôr em perigo a sua natureza (de modo espiritualista), nem a sua qualidade de criatura (pelo orgulho). Só na salvação concedida por Deus é que o homem se torna plenamente são. Graças ao sinal de Deus que se rebaixa encarnando e se aniquila na morte e no vazio de Deus, é que se pode esclarecer porque é que Deus, já como criador do mundo, saiu de si e desceu abaixo de si: correspondia assim ao seu ser e à sua essência absolutos revelar-se, na sua liberdade abissal e por nada instigada, como o amor insondável, que não é o bem absoluto para lá do ser, mas a profundidade e a altura, o comprimento e a largura do próprio Ser.

Eis porque justamente o primado eterno da palavra divina de amor se oculta numa impotência, que outorga o primado ao amado: o amor de Deus por este filho que é o mundo desperta de tal modo o amor no coração deste que o amor de Deus se pode também tornar filho, um filho que nasceu de sua mãe e que por ela foi despertado para o amor divino-humano. A palavra de Deus suscita a resposta do homem, tornando-se ela própria o amor que responde e que deixa ao mundo a iniciativa. Círculo indestrutível, imaginado e realizado só por Deus, que permanece sem cessar acima do mundo e, por isso mesmo, reside no coração do mundo. No coração se situa o centro; eis porque o coração divino-humano é objecto de veneração, e a cabeça só quando está coberta de sangue e de chagas: como revelação do coração.


Assim se atenua a controvérsia em torno da questão seguinte: consiste a bem-aventurança eterna na visão ou no amor? De facto, ela só pode consistir na “visão” amorosa do amor, pois, que outra coisa se deveria ver em Deus, e como é que o amor poderia ser contemplado, a não ser na comunhão de amor?"

Hans Urs von Balthasar

In "Só o amor é digno de fé", Assírio & Alvim

Ler mais em SNPC
Ler sobre von Balthasar neste blogue

sábado, 20 de novembro de 2010

Orar com o canto, com os salmos, com a simplicidade de um gesto

10 pistas para a Oração

3ª pista
Como entrar na oração?

«A oração – lembra o irmão Jean Marie, há 30 anos em Taizé – é um espaço onde nos deixamos conduzir, atraídos por Deus. Em Taizé, os jovens têm a oportunidade de parar, de se deixar conduzir. A música é bela, os cânticos são simples. Mas o vocabulário é o dos Salmos. Um versículo ressoa em nós. Talvez ele nos fale. O canto descentra-nos suavemente, abre a porta à Palavra de Deus. Depois, as leituras iluminam-se frequentemente de outra maneira, e no tempo do silêncio deixamo-nos unir nos recantos mais escondidos do nosso coração pela Palavra de Deus.»

Um conselho: privilegiar a simplicidade dos meios e dos gestos. Um ícone. Uma cruz. Uma Bíblia aberta. Começar com um belo sinal da cruz. Cada um tenha em si palavras como «Eis-me aqui Senhor».

Martine de Sauto
in La Croix
tradução de Rui Martins para o site da SNPC (publicado a 19 de Novembro de 2010)

Ler no blogue:

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Museu judaico dedica exposição à imagem do Crucificado

“Algo deste género nunca aconteceria em Nova Iorque ou em Jerusalém”. Assim se lamentou um dos patronos da Galeria Ben Uri, o museu judaico londrino. Evidentemente, a decisão de uma instituição judaica dedicar uma exposição ao tema do crucifixo é polémica quanto baste.

Mas “Cross Purposes: Shock and Contemplation in Images of the Crucifixion”, não é uma exposição cristã, longe disso. Algumas das representações são de autores cristãos, mas outros são feitos por judeus. Muitos são até influenciados pelo holocausto.

Ao todo são 21 representações, que demonstram, nas palavras do museu, o desejo de “seguir a evolução da representação da crucificação, de uma iconografia especificamente religiosa e cristã para uma expressão genérica de angústia, pensada especificamente para despertar o choque e a contemplação”.

imagem: Apocalipse En Lilás, Capriccio,Marc Chagall (1945)

Porque estou aqui

Sinto-me privilegiado por ter encontrado na Igreja um lugar vazio, feito à minha medida. É certo que tê-lo encontrado (ou encontrá-lo renovadamente, pois não é dado adquirido) foi também mérito da minha sede, do meu empenho, de não baixar os braços e achar, passivamente, que não seria possível. Passo a contextualizar: a comunidade onde vou à missa é pequena e acolhedora, e podia bem não o ser. Ao mesmo tempo, sentia um desejo grande de reflexão de vida cristã e encontrei um casal (heterosexual) que tinha a mesma vontade. Começámo-nos a reunir semanalmente numa pequena comunidade de oração e reflexão que, apesar de crítica, nos tem ajudado a sermos Igreja e a nela nos revermos. Paralelamente, face ao contínuo desencanto em relação a algumas posturas e pontos de vista de uma Igreja mais institucional e hierárquica, tive a graça de encontrar um grupo de cristãos homossexuais, que se reuniam com um padre regularmente, sem terem de se esconder ou de ocultar parte de si.

Sei que muitos cristãos homossexuais nunca pensaram sequer na eventualidade de existirem grupos cristãos em que se pudessem apresentar inteiros, quanto mais pensarem poder tomar parte e pôr em comum fé, questões, procuras, afectos e vidas.

Por tudo isto me sinto grato a Deus e me sinto responsável para tentar chegar a quem não teve, até agora, uma experiência tão feliz como a minha.

Este blogue também é teu

São benvindos os comentários, as perguntas, a partilha de reflexões e conhecimento, as ideias.

Envia o link do blogue a quem achas que poderá gostar e/ou precisar.

Se não te revês neste blogue, se estás em desacordo com tudo o que nele encontras, não és obrigado a lê-lo e eu não sou obrigado a publicar os teus comentários. Haverá certamente muitos outros sítios onde poderás fazê-lo.

Queres falar?

Podes escrever-me directamente para

rioazur@gmail.com

ou para

laioecrisipo@gmail.com (psicologia)


Nota: por vezes pode demorar algum tempo a responder ao teu mail: peço-te compreensão e paciência. A resposta chegará.

Os textos e as imagens

Os textos das mensagens deste blogue têm várias fontes. Alguns são resultados de pesquisas em sites, blogues ou páginas de informação na Internet. Outros são artigos de opinião do autor do blogue ou de algum dos seus colaboradores. Há ainda textos que são publicados por terem sido indicados por amigos ou por leitores do blogue. Muitos dos textos que servem de base às mensagens foram traduzidos, tendo por vezes sofrido cortes. Outros textos são adaptados, e a indicação dessa adaptação fará parte do corpo da mensagem. A maioria dos textos não está escrita segundo o novo acordo ortográfico da língua portuguesa, pelo facto do autor do blogue não o conhecer de forma aprofundada.

As imagens que ilustram as mensagens são retiradas da Internet. Quando se conhece a sua autoria, esta é referida. Quando não se conhece não aparece nenhuma referência. Caso detectem alguma fotografia não identificada e conheçam a sua autoria, pedimos que nos informem da mesma.

As imagens são ilustrativas e não são sempre directamente associáveis ao conteúdo da mensagem. É uma escolha pessoal do autor do blogue. Há um critério de estética e de temática ligado ao teor do blogue. Espero, por isso, que nenhum leitor se sinta ofendido com as associações livres entre imagem e conteúdo.

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