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A diversidade na Igreja

"A casa do meu Pai tem muitas moradas", diz-nos Jesus no evangelho.

A unidade na diversidade não é sempre aparente na Igreja enquanto povo de Deus, mas é uma realidade em Deus e uma presença na fé cristã desde a sua origem. A Palavra de Deus não é partidária, elitista e exclusiva. O Reino de Deus é como uma árvore que estende os ramos para dar abrigo a todos os pássaros do céu. Cristo não morreu na cruz para salvar uma mão cheia de cristãos. Até o Deus Uno encerra em si o mistério de uma Trindade.

A Palavra de Deus é inequívoca e só pode levar à desinstalação, à abertura ao outro, e a recebê-lo e amá-lo enquanto irmão ou irmã. Ninguém fica de fora, nem mesmo - se tivessemos - os inimigos.

Muitos cristãos crêem nesta Igreja, nesta casa do Pai, corpo de Cristo, templo do Espírito Santo. Mas como esquecer que muitos se sentem "de fora" por se verem rejeitados, amputados e anulados, e afastam-se por ninguém lhes ter mostrado que há um lugar para cada um, com a totalidade do seu ser?

Um blogue para cristãos homossexuais que não desistiram de ser Igreja

Porquê este blogue?

Este blogue é a partilha de uma vida de fé e é uma porta aberta para quem nela quiser entrar. É um convite para que não desistas: há homossexuais cristãos que não querem recusar nem a sua fé nem a sua sexualidade. É uma confirmação, por experiência vivida, que há um lugar para ti na Igreja. Aceita o desafio de o encontrares!

Este blogue também é teu, e de quem conheças que possa viver na carne sentimentos contraditórios de questões ligadas à fé e à orientação sexual. És benvindo se, mesmo não sendo o teu caso, conheces alguém que viva esta situação ou és um cristão que deseja uma Igreja mais acolhedora onde caiba a reflexão sobre esta e outras realidades.

Partilha, pergunta, propõe: este blogue existe para dar voz a quem normalmente está invisível ou mudo na Igreja, para quem se sente só, diferente e excluído. Este blogue não pretende mudar as mentalidades e as tradições com grande aparato, mas já não seria pouco se pudesse revelar um pouco do insondável Amor de Deus ou se ajudasse alguém a reconciliar-se consigo em Deus.
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terça-feira, 20 de outubro de 2015

O elogio da Diferença

O espírito da diferença

A beleza da vida social depende principalmente do jogo e do entrelaçar das diferenças. A beleza da terra não se deve apenas à grande variedade de borboletas e flores. É muita a beleza que vem das diferenças, modos e formas de fazer economia, empresa, banca. Maior ainda é a beleza que nasce das diferenças entre pessoas, do encontro de talentos diversos, do diálogo entre motivações.

Muitas “obras de arte” civis que continuam a embelezar a nossa terra comum nasceram de motivações mais fortes que os incentivos económicos, de “porquês” mais profundos que os monetários. Se os fundadores tivessem obedecido à lei férrea dos "business plans", não teríamos hoje os tantos "Cottolengo" [designação de obras de assistência para pobres e deficientes profundos, extraída do nome do seu fundador, católico] que amaram os nossos filhos especiais, nem as milhares de cooperativas nascidas do desejo de vida e futuro dos nossos pais, mães e avós.

Estas obras que brotaram de ideais maiores resistiram ao tempo e às ideologias, atravessaram séculos e continuam a atravessá-los. Nascidas de motivações grandes souberam gerar grandes coisas, duradoiras e fecundas. A vida económica e civil, que é vida humana, tem necessidade extrema de todos os recursos de humanidade, incluindo as suas motivações mais profundas. Uma economia reduzida a pura economia perde-se e deixa de ser capaz de gerar vida; não gera sequer boa economia.

Uma das tendências mais radicais do "humanismo imunitário" do capitalismo contemporâneo é a necessidade de controlar, limitar, normalizar as motivações mais profundas dos seres humanos, sobretudo as motivações intrínsecas de onde nascem gratuidade e liberdade. Na verdade, quando ativamos as paixões, os ideais, o espírito, sucede que o nosso comportamento foge ao controle das organizações. As nossas ações tornam-se imprevisíveis, porque livres; por isso põem em crise os protocolos e a normalização dos procedimentos de trabalho. E principalmente põem em crise a gestão, cuja função e natureza é tornar controláveis e previsíveis os comportamentos na organização. Para poder gerir muitas pessoas diversas e orientá-las todas para os objetivos simples da empresa é preciso proceder a uma forte homologação e normalização dos comportamentos, que assim ficam incapazes de criatividade (que todos, nas palavras, afirmam desejar).

As motivações intrínsecas são as mais poderosas, e por isso as mais desestabilizadoras. Libertam-nos do cálculo de custo-benefício, o que nos dá capacidade de fazer coisas apenas pela felicidade intrínseca da ação. Sem motivações intrínsecas não teríamos investigação científica, poesia, grande parte das expressões artísticas, espiritualidade verdadeira; como não teríamos muitas empresas, comunidades e organizações que nascem das paixões e dos ideais dos fundadores e se mantêm vivas porque e enquanto houver alguém que continue a trabalhar não apenas por dinheiro. Em toda a verdadeira criatividade são essenciais as motivações intrínsecas.

Como tragicamente todos os dias podemos constatar, porém, as motivações intrínsecas estão também na raiz dos piores comportamentos dos seres humanos. Por isso, o espírito moderno – o económico, de modo especial – receando os efeitos potencialmente desestabilizadores das grandes motivações humanas, optou por limitar-se às motivações instrumentais ou extrínsecas. A gestão do jogo público de diferenças e identidades foi deixada à democracia e expulsa das empresas. Deste modo, a cultura das organizações procura transformar em incentivos todas as várias motivações humanas, reduzir os muitos “porquês” a um único, simplicíssimo, “porquê”. Assim se reduziram as feridas (a vulnerabilidade) dentro das empresas; mas reduziram-se também as bênçãos (o bem-estar).

O incentivo tornou-se o grande instrumento para controlar e gerir pessoas “reduzidas” e despotencializadas nas suas múltiplas motivações, para assim ficarem alinhadas com os objetivos das organizações (o "incentivus" era o instrumento de sopro que servia para afinar os instrumentos da orquestra, a trompa que incitava a tropa para a batalha, a flauta do encantador de serpentes). A economia e as ciências de gestão acabaram por contentar-se com as motivações menos poderosas dos seres humanos – mesmo quando procuram instrumentalizá-las, prometendo aos recém-admitidos um paraíso que não podem nem querem dar. Também isto está no preço da modernidade.

A operação de nivelamento motivacional é sempre perigosa, porque “o homem a uma só dimensão” não funciona bem em lado nenhum; sobretudo não é feliz. Onde, porém, a expulsão de motivações mais profundas, criativas e livres é fatal, é nas organizações nascidas e alimentadas por ideais, carismas ou paixões – designadas OMI (Organizações de Motivação Ideal). São organizações “diferentes” que têm necessidade fundamental de uma parcela, ainda que pequena, de trabalhadores, dirigentes, fundadores com motivações intrínsecas, isto é, dotados de um “código genético” diferente do que foi concebido e implementado pela teoria de gestão dominante. Essas pessoas operam nas empresas sociais e civis, nas comunidades religiosas, em muitas ONG, em movimentos espirituais e culturais, nos mundos do ambientalismo, do consumo crítico, dos direitos humanos; mas também acontece, e com bastante frequência, encontrá-las fundando empresas familiares e em muita da economia “normal” realizada por artesãos, pequenos empresários, cooperativas, finança ética e territorial.

Essas organizações e comunidades não existiriam sem a presença de tais pessoas “fermento”, criativas, geradoras e muitas vezes desestabilizadoras da ordem constituída; são “movidas por dentro”, têm em si um “carisma” que as impele a agir obedecendo ao seu "daimon". Estes trabalhadores com motivações intrínsecas apresentam duas notas motivacionais dominantes. Por um lado são pouco motivados pelos incentivos económicos da teoria de gestão, respondem pouco ou nada ao som exterior da flauta encantatória; do que gostam mesmo é de ouvir outras melodias internas. Paralelamente, são muitíssimo sensíveis às dimensões ideais da organização que fundaram ou em que trabalham por motivos não apenas económicos: motivos ideais com os quais se identificam, ou para os quais se sentem vocacionados.

A gestão de pessoas com motivações intrínsecas é crucial quando estas organizações atravessam momentos de crise e conflito que podem surgir, por exemplo, quando há uma nova geração ou liderança, por morte e sucessão do fundador. Esses momentos – que em todas as organizações são delicados – são decisivos para as OMI; o erro mais típico e muito frequente é não se entender as instâncias e protestos provenientes precisamente dos membros mais motivados. Se quem gere ou, como consultor, acompanha essas OMI não reconhecer o valor das motivações mais profundas – e não se trata de incentivos – não só não alcança o objetivo esperado, mas ainda agrava mais a crise destas pessoas e da organização.

Durante as crises de qualidade ideal, os primeiros a protestar são os mais interessados na qualidade que se está a perder. Mas se dirigentes e responsáveis interpretam esse tipo de protesto simplesmente como um custo e o rejeitam, os primeiros a sair são precisamente os melhores (como tentei mostrar em alguns estudos realizados juntamente com Alessandra Smerilli). Sendo estas pessoas pouco sensíveis a incentivos e muitíssimo sensíveis às dimensões ideais e de valor, estão dispostas a dar tudo, muito para além do contrato, enquanto “valer a pena”, enquanto são vivos e reconhecidos os valores em que investiram muito. Mesmo nas empresas, há pessoas que atribuem um valor tão alto aos valores simbólicos e éticos inspiradores do seu trabalho, que por eles estão dispostas a fazer (quase) tudo. Mas logo que se dão conta de que a organização se está a tornar (ou se tornou) outra coisa, toda a recompensa intrínseca que extraíam do seu trabalho ou atividade reduz-se drasticamente; a ponto de, em certos casos, se anular (ou mesmo passar a ser negativa). Também isto exprime a antiga intuição (que remonta a pelo menos S. Francisco) segundo a qual a verdadeira gratuidade não tem preço zero (não é gratuita); tem um preço infinito.

A gestão de crises nas OMI é uma verdadeira arte; requer sobretudo nos responsáveis a capacidade de distinguir os tipos de mal-estar e de protesto, o saber identificar e valorizar o protesto que provém daqueles que protegem e são portadores dos valores ideais da organização. A nova ideologia de gestão, pelo contrário, cada vez mais aplanada num único registo motivacional, não possui categorias para compreender os diversos tipos de protesto; por isso não consegue reconhecer, por detrás de uma ameaça de abandono, um possível grito de amor.

As pessoas com motivações intrínsecas possuem também, de modo geral, uma grande resiliência, uma grande fortaleza nas adversidades. Conseguem aguentar longo tempo numa condição de protesto, preferindo ficar, embora protestando (Albert Hirschman define como leal quem protesta e não sai). A pessoa com forte motivação intrínseca sai e abandona apenas quando perde a esperança de que a organização poderá recuperar os ideais perdidos; por vezes a própria saída é a última mensagem, extrema, para suscitar uma mudança de rumo nos dirigentes. Compreende-se, portanto, que uma OMI é sábia quando consegue manter as pessoas leais, dando direitos de cidadania ao seu protesto, valorizando-o e não o considerando um custo ou empecilho.

A biodiversidade dentro das organizações está a diminuir drasticamente; o nivelamento motivacional produz desconforto e mal-estar crescente, mesmo no coração do capitalismo. Mas quem ama e vive em comunidades e organizações com motivação ideal precisa de defender e salvaguardar as motivações intrínsecas, hoje ameaçadas de extinção. Talvez seja possível resistir anos e anos dentro de uma multinacional sem dar espaço a motivações ideais; mas as OMI depressa morrem se reduzirmos todas as paixões ao triste incentivo.

Nas pessoas, em todas as pessoas, as motivações são muitas, ambivalentes e entrelaçadas umas nas outras. A cultura e os instrumentos da gestão podem favorecer o seu aparecimento e a sustentabilidade das motivações mais profundas e ideais; podem também aumentar o cinismo da organização, na qual cada um se contenta com os incentivos e deixa de pretender demasiado da organização. E assim cedo acaba por nada esperar dela.

Seremos melhores, passada esta grande transição, se criarmos organizações mais bio-diversificadas, menos niveladas nas motivações e onde haja espaço para a pessoa inteira; organizações habitadas por trabalhadores um pouco mais difíceis de controlar e de gerir, mas mais criativos, mais felizes, mais humanos.

Luigino Bruni
In "Avvenire"
Trad.: José Alberto Bacelar Ferreira, P. António Bacelar
Publicado em SNPC

segunda-feira, 11 de junho de 2012

A riqueza da diversidade

Sagrada Família, Barcelona
As diferenças entre cristãos são um problema ou uma riqueza?

Este artigo desenvolve uma passagem da «Carta 2012 – Rumo a uma nova solidariedade» na qual o irmão Alois de Taizé escreve:

Temos que reconhecer que nós, cristãos, ofuscamos muitas vezes a mensagem de Cristo. Concretamente, como podemos irradiar paz, quando permanecemos divididos entre nós?


O mundo actual entende o indivíduo como ponto de partida. Os nossos contemporâneos possuem um forte sentido da igualdade, ou pelo menos da parecença entre todos os seres humanos, e ficam impacientes com todas as distinções naturais ou culturais. Potencialmente, todos deveriam fazer tudo, serem livres de inventar a sua própria existência. Esta atitude leva, na vida concreta, a uma exaltação da diversidade. A identidade de todos parece ser algo garantido, mas, de forma mais concreta, é a pluralidade que mais importa.

Não surpreende que esta visão das coisas não favoreça a comunhão. Qual é o «cimento» capaz de voltar a ligar todas as unidades idênticas e separadas? Na vida da Igreja, acontece elogiar-se a diversidade de entendimentos, ao mesmo tempo que a unidade continua a ser teórica. Outros procuram, como reacção, impor uma uniformidade e excluir o que não entra no molde comum.

A visão bíblica permite sair deste impasse. Ela não parte do indivíduo, mas de um Deus de amor que chama os seres à existência (ver Rom 4,17). E ele não os chama de forma separada, mas para um projecto comum. Jesus Cristo revela-nos este projecto: que a humanidade acolha a própria vida de Deus, fonte de uma amizade universal, para formar um só Corpo (ver Col 3,15).

Nesta perspectiva, cada pessoa tem um papel insubstituível para desempenhar, dons únicos para fazer frutificar, mas sempre no interior de uma comunhão englobante. Eu não devo fazer tudo, ter tudo, uma vez que os outros suprem as minhas faltas. Eu preciso deles, porque não me poderei desenvencilhar sozinho. Ao mesmo tempo, o meu contributo é essencial para que todos caminhem para a frente.
São Paulo explica isso com a imagem muito conhecida do corpo (ver Rom 12,4-5; 1 Co 12). Esta metáfora liga uma grande diversidade a uma forte unidade. Se a mão quisesse ser cabeça a qualquer preço, ou o coração tornar-se um pé, o corpo não funcionaria. E mesmo os membros aparentemente mais insignificantes têm uma função absolutamente necessária. Com efeito, não se deve continuar a falar do membro maior ou do mais pequeno, uma vez que eles não concorrem entre si, mas de uma só vida, partilhada.

Um cristão não deve ter medo dos seus limites ou negar as diferenças que o constituem. Sabendo que ele não cria a sua existência sozinho, cabe-lhe descobrir os dons específicos que Deus lhe deu, para os pôr a dar frutos. Deve pôr estes dons ao serviço de todo o Corpo. Além disso, a mesma coisa é verdadeira para as diferentes comunidades cristãs. O seu «direito à diferença» apenas tem sentido no interior de um projecto global de Deus para «submeter tudo a Cristo» (Ef 1,10). Se perdermos de vista esta comunhão universal, as diferenças podem tornar-se um problema. No interior deste projecto, pelo contrário, elas tornam-se uma grande riqueza, reflexo das «várias graças de Deus» (1 Ped. 4,10).

in taize.fr

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

A dificuldade da Fraternidade: não há lei que obrigue sentir o outro como irmão ou irmã

parece-me esta abordagem de D. Manuel Clemente muita válida para nossa reflexão e os três pontos (no final) bons princípios para tentar pôr em prática.

Fraternidade: O item não legislável

Do ideário de 1789 a fraternidade será porventura o item mais difícil, porque menos legislável e certamente mais anímico. É duma "alma" nova que se trata, em que nos sintamos realmente próximos, com a verdade que a palavra "irmão/irmã" transporta, enquanto vinculação íntima, disponível e gratuita.

Não é espontânea, a fraternidade, nem pela lei nem pelo espírito. A legislação incidirá na liberdade cívica e na igualdade política e social, ao menos no capítulo das oportunidades. Mas ninguém nos pode "obrigar" a sentir o outro como irmão, ou a nós mesmos como irmãos dos outros, de todos e de cada um dos outros...

Em sociedades tradicionais, especialmente nas tocadas pelo cristianismo, as vizinhanças eram espontâneas e a vida confraternal mais ativa e expressiva. A aldeia – ou a concentração de "aldeias" que era a cidade emergente – vivia problemas idênticos em ritmos comuns, com momentos simbólicos igualmente gerais. Assim se consideravam "fregueses" (= filhos da mesma igreja) e nalguns lugares até "irmãos de pia [batismal]", porque irmanados num só sacramento.

É verdade que esta relação essencial convivia com maiores ou menores disparidades na escala social e material. Mas é também verdade que a prática religiosa habitual lembrava insistentemente a fraternidade sacramental e a universalidade dum juízo final e iminente para ricos e pobres, nobres e plebeus, clérigos e leigos. Como igualmente se exortava à concretização orante e caridosa da fraternidade, por sufrágios e esmolas.

O grande movimento confraternal que se desenvolveu na Europa, da Idade Média para a Moderna, assinala fortemente tudo isso: confrarias, irmandades. Misericórdias... O traço comum foi o duma fraternidade "ideal", que não desistia de concretizações práticas e mobilizadoras, inclusive no campo cultural e artístico. Aí podemos encontrar até uma das radicações mais certas das atuais democracias, que nem sempre conseguiram manter o ânimo fraternal e cristão que lhes assegurou as origens.

Por outro lado, a evolução comercial, industrial e citadina da Europa contemporânea dificilmente conseguiu e consegue manter as proximidades efetivas e afetivas da sociedade antiga. Bem pelo contrário, verificamos que quanto mais contíguos, habitacional ou laboralmente, também mais ambíguos nos manifestamos, na discrepância flagrante entre a "fraternidade" ideologicamente enunciada e a pouca em que realmente (con)vivemos, por falta de motivação religiosa ou filantrópica. É o caso tão verificado de a habitação em pequenos "fogos" de grandes prédios proporcionar menos vizinhança real do que a habitação em casas apartadas da mesma rua ou bairro. A proximidade forçada ou forçosa, desperta mais o autofechamento, zeloso da sua intimidade, do que predispõe à conversa da rua ou praça comum, de quem se sente seguro de si e dos seus.

Concomitantemente, o trabalho de cada um, em lugares sucessivos e dependente de fatores mutáveis, mais ocasiona individualismo e concorrência do que solidariedades fraternas. Não foi por acaso que a Revolução Francesa, tão fixada na autodisponibilidade burguesa, cedo extinguiu as antigas corporações de artífices... As associações operárias ou patronais que vieram depois expressam outra lógica, de defesa de grupo e "fraternidades" sectoriais e contrapostas. Hoje talvez nem isso, dada a maior mobilidade social e a muito maior individualização dos percursos, além da rarefação ideológica própria da pós-modernidade.

Aqui nos situamos, se é que de que de “situação” se pode falar em terreno tão resvaladiço. Para quem não desista de inspirar cristãmente a cultura, o desafio redobra com as atuais fraturas, que só nos abrem a “fraternidades” de escolha e particularíssima escolha, parecendo insanável a rutura entre as antigas solidariedades prévias e as atuais solidariedades de escolha, tendendo estas a serem sucessivas, discrepantes e restritas. Para “outra margem” passa-nos Jesus de Nazaré, começando com um pequeno grupo, em que podiam coexistir publicanos (Mateus) e zelotas (Simão); uma fraternidade tão universal como única é a origem de nós todos, relativizando consequentemente tudo quanto a possa obnubilar: “Quanto a vós, não vos deixeis tratar por ‘Mestres’, pois um só é o vosso Mestre, e vós sois todos irmãos” (Mt 23, 8).

Em termos mais conclusivos e práticos, poderemos insistir numa pastoral assim "cultivada":

1) Na consciencialização da raiz religiosa da fraternidade, com grande incidência ecuménica (unidade da criação). No que ao cristianismo respeita, evidenciar a absoluta fraternidade das atitudes e palavras de Cristo: "Ouvistes o que foi dito: 'Amarás o teu próximo e odiarás o teu inimigo'. Eu, porém, digo-vos: Amai os vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem, fazendo assim, tornar-vos-eis filhos do vosso Pai que está no Céu, pois Ele faz com que o sol se levante sobre os bons e os maus e faz cair a chuva sobre os justos e os pecadores. [...] Portanto, sede perfeitos como é perfeito o vosso Pai celeste" (Mt 5, 43-45.48). E no reconhecimento da origem e convergência de todo o bem que se faça, seja quem for, seja a quem for: "João tomou a palavra e disse: 'Mestre, vimos alguém expulsar demónios em teu nome e impedimo-lo, porque ele não te segue juntamente connosco'. Jesus disse-lhe: 'Não o impeçais, pois quem não é contra vós é por vós'" (Lc 9, 49-50).

2) No mais lídimo espírito cristão e franciscano - da "Galileia dos gentios" às bodas de prata do "espírito de Assis" (1986 ss) - participar e colaborar em tudo o que aproxime grupos, povos e crenças, com incidência humanista, e ultrapasse antigas e atuais manifestações de segregação, desconfiança e mútuo alheamento. Podendo começar pelas nossas próprias comunidades, na valorização da contribuição diferenciada de cada um dos seus membros e grupos, segundo os respetivos carismas, a bem do todo.

3) No campo das "artes e letras", incidir particularmente em tudo quanto manifeste a unidade de origem e destino da nossa humanidade comum, tão expressa na bondade, verdade e beleza essenciais: "De resto, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é nobre, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é respeitável, tudo o que possa ser virtude e mereça louvor, tendo isso em mente. [...] Então, o Deus da paz estará convosco" (Fl 4, 8-9).

D. Manuel Clemente

Bispo do Porto, presidente da Comissão Episcopal da Cultura, Bens Culturais e Comunicações Sociais, no 7.º Encontro Nacional de Referentes da Pastoral da Cultura, Fátima, 29 de Janeiro de 2011)

publicado por © SNPC a 30 de Janeiro de 2011

Porque estou aqui

Sinto-me privilegiado por ter encontrado na Igreja um lugar vazio, feito à minha medida. É certo que tê-lo encontrado (ou encontrá-lo renovadamente, pois não é dado adquirido) foi também mérito da minha sede, do meu empenho, de não baixar os braços e achar, passivamente, que não seria possível. Passo a contextualizar: a comunidade onde vou à missa é pequena e acolhedora, e podia bem não o ser. Ao mesmo tempo, sentia um desejo grande de reflexão de vida cristã e encontrei um casal (heterosexual) que tinha a mesma vontade. Começámo-nos a reunir semanalmente numa pequena comunidade de oração e reflexão que, apesar de crítica, nos tem ajudado a sermos Igreja e a nela nos revermos. Paralelamente, face ao contínuo desencanto em relação a algumas posturas e pontos de vista de uma Igreja mais institucional e hierárquica, tive a graça de encontrar um grupo de cristãos homossexuais, que se reuniam com um padre regularmente, sem terem de se esconder ou de ocultar parte de si.

Sei que muitos cristãos homossexuais nunca pensaram sequer na eventualidade de existirem grupos cristãos em que se pudessem apresentar inteiros, quanto mais pensarem poder tomar parte e pôr em comum fé, questões, procuras, afectos e vidas.

Por tudo isto me sinto grato a Deus e me sinto responsável para tentar chegar a quem não teve, até agora, uma experiência tão feliz como a minha.

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