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A diversidade na Igreja

"A casa do meu Pai tem muitas moradas", diz-nos Jesus no evangelho.

A unidade na diversidade não é sempre aparente na Igreja enquanto povo de Deus, mas é uma realidade em Deus e uma presença na fé cristã desde a sua origem. A Palavra de Deus não é partidária, elitista e exclusiva. O Reino de Deus é como uma árvore que estende os ramos para dar abrigo a todos os pássaros do céu. Cristo não morreu na cruz para salvar uma mão cheia de cristãos. Até o Deus Uno encerra em si o mistério de uma Trindade.

A Palavra de Deus é inequívoca e só pode levar à desinstalação, à abertura ao outro, e a recebê-lo e amá-lo enquanto irmão ou irmã. Ninguém fica de fora, nem mesmo - se tivessemos - os inimigos.

Muitos cristãos crêem nesta Igreja, nesta casa do Pai, corpo de Cristo, templo do Espírito Santo. Mas como esquecer que muitos se sentem "de fora" por se verem rejeitados, amputados e anulados, e afastam-se por ninguém lhes ter mostrado que há um lugar para cada um, com a totalidade do seu ser?

Um blogue para cristãos homossexuais que não desistiram de ser Igreja

Porquê este blogue?

Este blogue é a partilha de uma vida de fé e é uma porta aberta para quem nela quiser entrar. É um convite para que não desistas: há homossexuais cristãos que não querem recusar nem a sua fé nem a sua sexualidade. É uma confirmação, por experiência vivida, que há um lugar para ti na Igreja. Aceita o desafio de o encontrares!

Este blogue também é teu, e de quem conheças que possa viver na carne sentimentos contraditórios de questões ligadas à fé e à orientação sexual. És benvindo se, mesmo não sendo o teu caso, conheces alguém que viva esta situação ou és um cristão que deseja uma Igreja mais acolhedora onde caiba a reflexão sobre esta e outras realidades.

Partilha, pergunta, propõe: este blogue existe para dar voz a quem normalmente está invisível ou mudo na Igreja, para quem se sente só, diferente e excluído. Este blogue não pretende mudar as mentalidades e as tradições com grande aparato, mas já não seria pouco se pudesse revelar um pouco do insondável Amor de Deus ou se ajudasse alguém a reconciliar-se consigo em Deus.
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quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

Em carne viva

De que carne se fez Deus?

"O que distingue um ser humano de um cadáver é que o ser humano é carne e o cadáver é matéria. Temos plena consciência da dureza da afirmação que acabou de ser proferida. Mas a vida – olhe-se em redor e veja-se o que se passa fora dos ambientes adocicados pelo ar condicionado – é diamantinamente dura e não se compromete com mentiras, antes delas se livra assim que pode. A radical verdade do ato do real acaba sempre por emergir, aniquilando toda a impostura, toda a ilusão.

O que se comemora no Natal não é algo outro que não a humana e terrena consubstanciação do amor de Deus pelo mundo e pelos seres humanos na forma da carne. Repetimos, na forma da carne. O bebé Jesus não é um espírito com carne, um fantasma que se reveste de matéria, o bebé Cristo é carne. E por tal, rigorosamente por tal, é vida, a Vida.

O literal advento de Deus na forma da humana carne é o momento culminante do ser: não há ser mais perfeito do que este. Os anjos nunca tiveram um Deus que fizesse o equivalente a “incarnar” em forma de anjo. E os anjos, segundo o forte mito cristão, bem disso necessitam, pois é da sua estirpe o tentador. Mas não há incarnação do bebé Jesus para as criaturas-anjo em carne-de-anjo, pois esta última não existe.

Melhor, há uma incarnação, mas é no modo da colateralidade da assunção da plena forma humana: este ato, em humana carne, é dado ao todo do criado, mas é dado na forma precisa da carne. Não numa outra qualquer. Significativo. Porque não há uma outra qualquer. Só o ser humano possui carne.

Desta carne não se encontra no talho, salvo no talho da humana perversidade histórica, quando a carne humana sacrifica a carne humana. Como se fez ao menino Cristo em tempo pascal.
Mas a carne humana do menino já homem assim sacrificado, incarnando a morte, revisitou o mundo em que nascera, amara, fora morta.

Só há Páscoa como Segundo Natal. O Natal só termina, isto é, só começa na madrugada do retorno da carne ao mundo que a vira nascer, crescer – em sabedoria e graça – e morrer. Os Natais, Primeiro e Segundo, significam o nascimento, crescimento, morte e ressurreição da carne. Mas significam, sobretudo, que a carne, se morre, não é aniquilada: é Cristo-amor que desce aos infernos, não é um fantasma ou uma ideia de Cristo que o faz. Não há, nesta descida, um «que», há um «quem» e não há «quem» sem carne, não um «quem» humano, e Cristo é sempre plenamente humano ou não é Cristo.

É a carne de Cristo, que é o seu amor em forma humana – a carne de Cristo é a forma humana do seu amor –, que desce aos infernos; é ela que, é ele que, nela, ressuscita, trazendo as marcas da perversidade da morte, morte que a carne assume, transfigura, anula como ato retransfigurado, como marca incarnada da vitória da vida. A vida do ressuscitado assume e transporta consigo a morte, parte fundamental da vida. Só os mortos ressuscitam: é preciso morrer para que se possa ressuscitar.

Natal é a sagração, a eucaristização da carne. O espírito de Deus desprofaniza definitivamente a matéria. Uma vez incarnada por Deus, a matéria torna-se, toda ela, sagrada.
Não é, pois, na matéria que reside o mal do mundo. É na relação carnal do ser humano com ela.

Qual é a minha relação com a matéria?

Sigo o paradigma divino do menino-Deus, assim a santificando ato após ato? Ou sigo o paradigma da besta, assim a pervertendo, ato após ato?

Que mundo é o meu, o da sagrada carne de Jesus ou o do profano cadáver, não do que me transcende, mas de mim mesmo?

Neste Natal, escolha-se, sabendo que, desde há cerca de dois mil anos, não há já desculpa.
Bem-vinda Santa Carne!"

Américo Pereira, Universidade Católica Portuguesa, Faculdade de Ciências Humanas
SNPC

Ética da Atenção

Advento: atender e estar atento

A “atenção” (attentio) vem de “atender” (attendere) e significa orientar o espírito e a mente para aquilo que vem. Esta orientação corporal de si pressupõe a vigilância e a meditação enquanto experiência espiritual e lugares onde se exercita a atenção. A oração é um ato corpóreo, de quase suspensão do tempo e do espaço, de mobilização sensível que nos envolve totalmente na reciprocidade de uma relação. O tempo de advento é um tempo de exercitação da atenção, de prática de uma “ética da atenção”, como escreve a filósofa francesa Natalie Depraz (in Attention et vigilance. À la croisée de la phénoménologie et des sciences cognitives).

Atender é olhar o tempo de um outro modo, a partir da doação e da dádiva. Dar tempo, é dar-se por inteiro nesse tempo de espacialidades e vida cruzadas, sem o esgotar e sem se esgotar, é um ato de reconhecimento de que a condição temporal nos é dada; é a acreditação da possível vinda de… Dar o seu tempo é ser dom para os que se sentem esquecidos nas brumas temporais da história, sem eternidade. Dar algo do seu tempo, é fazer do presente grávido de futuro promitente; é atender, olhar o outro/a, é dizer que em cada sobressalto invernal pode florir uma amendoeira; é perguntar: O que te perturba?” (Simone Weil). Vigiar é atender, qual ato litúrgico expectante de floração em tempos de “esplendor do caos” (Eduardo Lourenço) e de barbárie.

Muitos são os lugares e espaços expressivos do exercício vigilante da vida, de desabrochamento da criatividade adormecida dos humanos. A arte, em sua manifestação profunda da condição humana de outrem (além do contentamento autobiográfico), é uma das expressões onde se poderá exercitar essa “ética da atenção”, do olhar proexistencial e proafetivo, de cuidado das vítimas da voragem mecânica dos mercados e da solidão inóspita do abandono total.

Simone Weil, filósofa e mística de olhos abertos ao drama do homem moderno, dá corpo à «ética da atenção», quando, no seu livro À espera de Deus, escreve que «não é apenas o amor a Deus que tem por substância a atenção. O amor ao próximo, que sabemos ser o mesmo amor, é feito da mesma substância. Os infelizes não precisam de outra coisa neste mundo senão de homens capazes de lhe prestarem atenção. A capacidade de prestar atenção a um infeliz é coisa muito rara, muito difícil; é quase um milagre; é um milagre».

O ato sábio de saber olhar não é algo inato. A visão sim! O olhar exige aprendizagem em profundidade e amplitude. O olhar, se o é, é sempre um olhar atento, de expectação e pasmo diante do que ou de quem nos chega como absolutamente inesperado. Por que será que deixamos de nos espantar? A filosofia é tida como a arte do questionamento, melhor a arte do espanto diante dos fenómenos que vêm até nós à espera de acolhimento interpretativo. Paul Tillich, filósofo e teólogo crente, tem razão quando escreve que «a espera antecipa o que não é ainda real. Se esperarmos com esperança e paciência, o poder daquilo que esperamos age em nós… Nós somos mais fortes na expectativa do que na posse».

Na base da vigilância está a atenção e a meditação. A atenção porque coloca o sujeito em estado de tensão, de atendimento, de mobilização corpórea da sua sensibilidade para o que vem ou que possa advir de qualquer evento, do interior ou do exterior, de si ou da relação intercorpórea com a “carne do mundo”. A meditação porque ela exercita e coloca em ato a mente corpórea, o estar no mundo como devir, como processo, à espera da irrupção do novo que advém imprevisivelmente. A «atenção é uma espera, e não há consciência sem uma certa atenção à vida. O devir é aí: ele chama-nos, ou melhor ele nos atrai para ele; esta tração ininterrupta, que nos faz avançar sobre a rota do tempo, é a causa de agirmos continuamente. Toda a ação está sedimentada sobre o futuro» (Natalie Depraz) que vem inesperadamente até nós.

De igual modo, o neurofisiologia alemão Wolf Singer assegura que a «meditação é um processo muito ativo, que exige atenção em grande medida, como processos de aprendizagem, que levam a mudanças duradouras das redes neuronais respetivas... Atividades do cérebro deixam vestígios» (referência facultada pelo professor Manuel Moreira Costa Santos). Esta atividade meditativa, mobilização sensível toda de si ou de uma comunidade, gera uma prática intercorpórea da atendibilidade. A meditação profunda, exercitada quotidianamente, é um ato de kenose, de descentramento e despojamento de si, que permite imaginar novas realidades e transfigurar a existência a partir da palavra, do gesto, do silêncio, do encontro, da saudade, da promessa ou da angústia…

A experiência de tudo isso, como uma constante e variante existencial, precede as pias formulações inquestionáveis. A experiência cristã vive da parusia, da atendibilidade, e por isso, o crente dirige a sua atenção, o seu olhar, o seu movimento corpóreo singular e comunitário para à vinda do corpo glorioso. Adventus de advenio, advinda, chegada ou vinda (de algo para vir). A conversão do olhar e de acolhimento afetivo do Outro que nos chega, que surpreendentemente nos aparece e advém até nós. Atender é tornar-se disponível para o quotidiano e para a sua possível transfiguração. A atenção é uma espera, que «não possuímos, e por isso mesmo esperamos» (Paul Tillich), na surpresa e no espanto de um novum existencial.

Este ato de espera é simultaneamente passivo-ativo. Passivo porque nos é dado, está para além das nossas capacidades e méritos, tal como recebemos o nosso nascimento passivamente. Ativo porque envolve a pessoa toda, o seu empenho e compromisso ao longo da sua existência com os outros. E, nesse sentido, é um ato livre, consciente e responsável do humano crente, de reciprocidade aceitante ou não daquilo que vem como dom, como oferta e como totalidade.

Para Natalie Depraz, que tem procurado realizar um profícuo entrelaçamento entre fenomenologia, espiritualidades ortodoxa e neurociências, existe uma ética atencional que «é um movimento de abertura orientado para as coisas, para os outros e para o mundo; ser consciente, é ser consciente de qualquer coisa». Esta consciência corpórea, na medida em que o corpo se movimenta no espaço intersubjetivo de relação a outrem, é uma consciência em vigilância, «qualidade de presença a si que é condição de presença justa aos outros».

Esta dimensão particular do tempo que envolve a espera ativa e vigilante, na atenção e na meditação orante, parece ter desaparecido em geral da experiência cristã contemporânea, excetuando algumas e belas experiências monásticas de alto perfil antropológico. Paradoxalmente, o esquecimento de uma “teologia do advento” enquanto “ética da atenção e da vigilância” é o mais puro esquecimento de Deus feito carne, de uma vida crente centrada mais na formulação doutrinária, na organização estrutural (sedimentação do presente) sem profecia nem poesia.

Enzo Bianchi, prior da comunidade monástica de Bose, num artigo recente, di-lo doutro modo: «Eis o verdadeiro Natal cristão: nós recordamos o teu nascimento em Belém, Senhor, atendemos a tua vinda gloriosa, acolhemos o teu nascimento em nós, hoje. Por isso o místico do século XVII Angelo Silesio podia afirmar: "Mesmo que Jesus nascesse mil vezes em Belém, se não nasce em ti… tudo é inútil"».

João Paulo Costa
SNPC

domingo, 3 de dezembro de 2017

Em Carne e Osso

John Le Grand
Deus de nossa carne: Meditação sobre o Natal de Jesus

Na fórmula da Profissão de Fé do cristão, encontramos, aquando da proclamação da adesão do crente à verdade segundo a qual o «Logos» de Deus «desceu dos céus e encarnou pelo Espírito Santo no seio da Virgem Maria», a indicação de que se deve fazer uma inclinação.

Para quê e porquê? E porquê neste preciso momento e não aquando de um qualquer outro momento? O que há de tão especial neste ato de Deus que mereça uma tal também especial atitude de reverência, de discreta adoração?

Na economia geral da relação de Deus com a criação e especialmente com a criação do ser humano, este é o segundo momento mais importante, a segunda marca absoluta, definitiva.

A primeira deu-se quando Deus criou o mundo a partir de si como infinito ato de superabundante amor. Neste ato de posição absoluta da possibilidade e realidade dos seres, deu ser à humanidade, em momento de especial ápice caritativo, momento no qual dotou algo com a possibilidade de escolher irredutivelmente o seu porvir. Com tal possibilidade passou a haver mundanamente a capacidade de escolher o bem, o que implica, em cada possível ato, poder não escolher o bem, absoluto da possibilidade da origem da realidade do mal. O ser humano traz consigo a possibilidade de bem e de mal e é tal dom que faz dele propriamente humano, não bestial.

A incarnação do Verbo é o momento em que deixa de haver separação entre o criador e a criatura, em que Deus, fazendo-se carne, assume a plenitude da criação, assumindo a plenitude de seu ápice. Não sendo possível ao ser humano assumir Deus, é a este que compete assumir a humanidade. A incarnação cumpre a criação em sua possível plenitude, esta em que é o próprio Deus que experimenta ser como o melhor possível do criado. Pela incarnação, Deus pode saber como é ser-se humano incarnadamente e a criação experimenta a presença à sua medida do próprio criador. A incarnação é o ato de sacralização absoluta do mundo, através da marca sacramental realíssima da carne de Jesus em seu seio. É este o grande batismo de que João fala em Marcos. Cristo é o sacramento batismal do mundo.

Mas não há sacramentos mágicos ou impostos. Se a criação incoativa é uma posição ontológica absoluta sem auscultação do criável, pela razão evidente, o sacramento, como oferta caritativa absoluta do amor de Deus, é passível de ser aceite ou não aceite. Nunca há violência sacramental, mesmo que de tal haja ilusão. Ninguém é obrigado ou obrigável a ser amado. Esta aceitabilidade tem um preço que é a maior ou menor proximidade a Deus por via da maior ou menor proximidade ao seu ato de amor ofertado. A medida exata desta distância é aquilo a que se chama, na sua perfeição, céu, na sua imperfeição pró-total, inferno.

O que o Menino cuja vinda à carne se celebra no Natal, permitida pela escolha de Maria ao dar o seu sim a tal possibilidade, veio trazer ao mundo foi a possibilidade da proximidade sem distância a Deus. O Antigo Testamento é a narrativa da relação distante com Deus, mediada pela natureza bruta e por seres humanos que agem como incarnados anjos de Deus, mantendo este a sua distância dada pela sua pura espiritualidade. Episódios como os da sarça ardente manifestam bem a intransponibilidade da distância entre o ser humano carnal e o Deus puro, puro espírito, puro fogo e pura luz.

O Menino, sendo tão espírito quanto o que a sarça representava, é de carne. O Menino cresceu no seio de Maria, alimentando-se da matéria da Mãe por meio de um cordão umbilical semelhante ao meu, ao teu. O Menino, já parido, já respirando ar, bebeu leite do seio de Maria. O Menino é, precisamente, como diz Mateus, "Emmanuel", «Deus connosco». Mas não apenas «connosco», mas da nossa mesma carne, fazendo, assim que incarnou, que passássemos a ser da sua carne.

Até à incarnação do Verbo, o ser humano era de carne humana, mas, após a incarnação do Verbo, o ser humano passa a ser da carne de Deus, pois Deus acabou de assumir a carne humana. Sendo esta assunção perfeita, a carne deixa de ser humana, para passar a ser divina. Algo que se esquece, mas que é fundamental, decisivo. Desde que Cristo é carne que a carne é divina, participando nós, seres humanos, da divina carne.

Não é já Cristo que partilha da carne dos seres humanos, são os seres humanos que participam da carne de Cristo. A carne é, assim, desde que Cristo a assumiu e tornou perfeita, em si mesma, imaculada. É a nossa relação com a nossa carnalidade que serve ou não a sua pureza, que a cumpre constantemente em sua radical divindade ou a perverte. Mas a besta não é a carne, sou eu quando lhe não sou fiel.

Que lhe não sou fiel como Maria e Jesus foram.

A divina relação carnal entre Maria e Jesus purifica para sempre o sentido da carnalidade: por meio da liturgia soteriológica da carne de Maria, foi ao Verbo possível ganhar carne. Ao ganhar carne, o Verbo imediatamente divinizou toda a carne que, como Maria, é carne ao serviço da salvação do mundo. Compreende-se melhor qual a razão pela qual Maria, em sua carne, mereceu acompanhar imediatamente a carne de sua carne no Céu, isto é e logicamente, junto do Filho cuja carne permitiu.

Como o santo Evangelho, a santa caridade da boa-nova, está longe da peçonha maniqueia e pagã da demonização da carne, impossível em termos cristãos, pois não há perfeito Cristo sem perfeita carne, na perfeição de sua carne.

Amaldiçoar a carne, é amaldiçoar o Verbo em sua carne. Tal é simplesmente blasfemo.

«Bendito é o fruto de teu ventre», diz a Isabel de Lucas a Maria. Neste ventre, por este ventre, não apenas passou, mas continua sempre a passar a salvação do mundo. Esta salvação tem precisamente no sim de Maria o seu paradigma. Salvar-se é acolher o Verbo de Deus em seu seio. O único necessário.

Se o Espírito sopra de infinitas formas, como e onde quer, a incarnação é a forma de o Espírito soprar Deus na carne. Literalmente informar-se na, para si absolutamente nova, forma da carne. Forma velha para nós. Forma para sempre rejuvenescida pela frescura da mocinha Maria, que permitiu ao Espírito dar-se em puro carnal amor ao mundo, reconsagrando-o, batizando-o.

O joanino «Logos» do princípio, eterno companheiro do Pai, na união do Espírito, paradigma de toda a relação possível, carne lógica da caridade oblativa que eternamente os une, enlevo do Pai, manifesta-se no mundo criatural não como fantasma, não como terrífico poder, mas como indefeso e frágil pedacinho de terna carne humana, de que nada há a temer – "me phobou Mariam" (não temas Maria), diz Gabriel –, todo-poderoso como dom de possibilidade de amor e de amor em ato. Promessa eterna de salvação que se cumpre até à morte e ressurreição.

«Nada temas, Maria». Nada a temer, se fores Maria. Deus põe-te como ato de amor. Se fores fiel a este ato, nada tens de temer. Mesmo a morte de teu Filho será vivida por ti como um ato de oblação. Nada temas. Mesmo no mais profundo sofrimento, nunca abandonarás o teu Filho. E ele nunca te abandonará. Que temer, então, Maria?

Ao contemplarmos o Menino, absolutamente frágil, mas todo-poderoso como dom absoluto de caridade divina, pensemos em como fazer da nossa carne a sua carne, em como transformar cada um de nossos atos na carne do bem da caridade, sempre frágil, mas todo-poderosa de cada vez que põe bem na continuidade da criação.

Lembremos que, sendo assim, não há como pecar. A caridade é a impossibilidade do pecado. Não a sua morte, a sua impossibilidade. Onde está a caridade, não só habita Deus, como nunca poderá habitar o pecado.

Diz o poeta, num momento de terrível angústia: «Meu Deus, e eu que não tenho a caridade!...» [Fernando Pessoa, "Poesias de Álvaro de Campos", Lisboa, Ática, 1980, "Ali não havia eletricidade"], reconhecendo a absoluta vacuidade de tudo o mais. A caridade feita frágil carne é tudo. O mais é nada.

Natal é a caridade e a caridade é o Natal, não apenas o Natal de Jesus, mas o nosso Natal de cada ato em cada ato de caridade, abençoada carne do amor.

Américo Pereira, Universidade Católica Portuguesa, Faculdade de Ciências Humanas
publicado pelo SNPC a 22 de dezembro de 2014

sábado, 1 de dezembro de 2012

O que nos diz a Incarnação

John Collier
Como falar de Deus ao nosso tempo?


A questão central que hoje nos colocamos é a seguinte: como falar de Deus no nosso tempo? Como comunicar o Evangelho, para abrir caminhos à sua verdade salvífica no coração frequentemente fechado dos nossos contemporâneos e nos seus espíritos às vezes atordoados pelos numerosos clarões ofuscantes da sociedade?

O próprio Jesus, dizem-nos os evangelistas, ao anunciar o Reino de Deus interrogou-se sobre esta questão: «A que coisa podemos comparar o reino de Deus ou com que parábola poderemos descrevê-lo?» (Marcos 4, 30). Como falar de Deus hoje?

A primeira resposta é que podemos falar de Deus porque Ele falou connosco. A primeira condição do falar de Deus é por isso a escuta que quando o próprio Deus disse. Deus falou connosco! Deus não é portanto uma hipótese longínqua sobre a origem do mundo; não é uma inteligência matemática muito afastada de nós. Deus interessa-se por nós, ama-nos, entrou pessoalmente na realidade da nossa história, autocomunicou-se até se incarnar. Assim Deus é uma realidade da nossa vida, é de tal forma grande que também tem tempo para nós, ocupa-se de nós.

Em Jesus de Nazaré encontramos o rosto de Deus, que desceu do seu céu para penetrar no mundo dos homens, no nosso mundo, e ensinar a «arte de viver», a estrada da felicidade; para nos libertar do pecado e tornar-nos filhos de Deus (cf. Efésios 1, 5; Romanos 8, 14). Jesus veio para salvar-nos e mostrar-nos a vida boa do Evangelho.
Falar de Deus quer dizer antes de tudo ter bem claro o que devemos levar aos homens e às mulheres do nosso tempo: não um Deus abstrato, uma hipótese, mas um Deus concreto, um Deus que existe, que entrou na história e está presente na história; o Deus de Jesus Cristo como resposta à pergunta fundamental do porquê e do como viver.
Por isso, falar de Deus requer uma familiaridade com Jesus e o seu Evangelho, supõe um nosso pessoal e real conhecimento de Deus e uma forte paixão pelo seu projeto de salvação, sem ceder à tentação do sucesso, mas seguindo o método do próprio Deus.

O método de Deus é o da humildade - Deus faz-se um de nós - é o método realizado na Incarnação na casa simples de Nazaré e na gruta de Belém, o da parábola do grão de mostarda. É preciso não temer a humildade dos pequenos passos e confiar no fermento que penetra na massa e lentamente a faz crescer (cf. Mateus 13, 33).
No falar de Deus, na obra de evangelização, sob a orientação do Espírito Santo, é necessário reencontrar a simplicidade, regressar ao essencial do anúncio: a boa notícia de um Deus que é real e concreto, um Deus que se interessa por nós, um Deus-amor que se faz próximo de nós em Jesus Cristo até à cruz e que na ressurreição nos dá a esperança e nos abre para uma vida que não tem fim, a vida eterna, a vida verdadeira.
(...) falar de Deus quer dizer dar espaço Àquele que o dá a conhecer, que nos revela o seu rosto de amor; quer dizer afastar o próprio eu oferecendo-o a Cristo, na consciência de que não somos nós a poder ganhar os outros para Deus, mas devemos esperá-lo do próprio Deus, pedir-Lho. O falar de Deus nasce, assim, de uma escuta, da nossa consciência de Deus que se realiza na familiaridade com Ele, na vida de oração e segundo os Mandamentos.
Comunicar a fé, para São Paulo, não significa levar-se a si mesmo, mas dizer aberta e publicamente o que se viu e sentiu no encontro com Cristo, o quanto se experimentou na existência desde então transformada por esse encontro: é levar aquele Jesus que sente presente em si e que se tornou a verdadeira orientação da sua vida, para fazer compreender a todos que Ele é necessário para o mundo e é decisivo para a liberdade de cada pessoa.
O apóstolo não se contenta em proclamar palavras mas convoca toda a sua própria existência na grande obra da fé. Para falar de Deus é preciso dar-lhe espaço, na confiança de que é Ele que age na nossa fraqueza; dar-lhe espaço sem medo, com simplicidade e alegria, na convicção profunda que quanto mais colocarmos Deus ao centro, e não nós, mais a nossa comunicação será frutuosa.
E isto vale também para as comunidades cristãs: são chamadas a mostrar a ação transformadora da graça de Deus, superando individualismos, fechamentos, egoísmos, indiferenças, e vivendo o amor de Deus nas relações do dia a dia. Perguntemo-nos se são verdadeiramente assim as nossas comunidades. Devemos pôr-nos a caminho para nos tornarmos sempre e realmente assim, anunciadores de Cristo e não de nós próprios.
Aqui chegados devemos perguntar-nos como é que o próprio Jesus comunicava. Jesus na sua unicidade fala do seu Pai - Abbà - e do Reino de Deus com o olhar pleno de compaixão pelos problemas e dificuldades da existência humana. Fala com grande realismo e, diria, o essencial do anúncio de Jesus é que Ele torna o mundo transparente o mundo e a nossa vida tem valor para Deus.
Jesus mostra que no mundo e na criação transparece o rosto de Deus e mostra-nos como na história quotidiana da nossa vida Deus é presente. Seja na parábolas da natureza, o grão de mostarda, o campo com várias sementes, ou na nossa vida - pensemos na parábola do filho pródigo, em Lázaro e outras parábolas de Jesus.

No Evangelho vemos como Jesus se interessa por todas as situações humanas que encontra, mergulha na realidade dos homens e das mulheres do seu tempo, com confiança plena no auxílio do Pai. E vemos que realmente nesta história, de maneira oculta, Deus está presente, e se estivermos atentos podemos encontrá-lo. E os discípulos, que vivem com Jesus, as multidões que o encontram, veem as suas reações aos problemas mais diversos, veem como fala, como se comporta; veem nEle a ação do Espírito Santo, a ação de Deus. Nele anúncio e vida entrelaçam-se: Jesus age e ensina, partindo sempre de uma relação íntima com Deus Pai.
Este estilo torna-se um indicador essencial para nós, cristãos: o nosso modo de viver na fé e na caridade torna-se um falar de Deus no hoje, porque mostra com uma existência vivida em Cristo a credibilidade, o realismo do que dizemos com as palavras, que não são só palavras, mas mostram a realidade, a verdadeira realidade.
E nesta atitude devemos estar atentos a colher os sinais dos tempos na nossa época, discernindo as potencialidades, os desejos, os obstáculos que se encontram na cultura atual, em particular o desejo de autenticidade, o anseio à transcendência, a sensibilidade pela salvaguarda da criação, e comunicar sem temor a resposta que oferece a fé em Deus.
O Ano da Fé é ocasião para descobrir, com a fantasia animada pelo Espírito Santo, novos percursos a nível pessoal e comunitário, para que em todos os lugares a força do Evangelho seja sabedoria de vida e orientação da existência.
Também no nosso tempo um espaço privilegiado para falar de Deus é a família, a primeira escola para comunicar a fé às novas gerações. O Concílio Vaticano II fala dos pais como os primeiros mensageiros de Deus (cf. Lumen gentium, 11; Apostolicam actuositatem, 11), chamados a redescobrir esta sua missão, assumindo a responsabilidade no educar, no abrir a consciência dos mais pequenos ao amor de Deus como um serviço fundamental à sua vida, no ser os primeiros catequistas e mestres da fé para os seus filhos.
E neste sentido é importante antes de mais a vigilância, que significa saber discernir as ocasiões favoráveis para introduzir na família o discurso da fé e para fazer amadurecer uma reflexão crítica no que respeita aos numerosos condicionamentos a que são submetidos os filhos. Esta atenção dos pais é igualmente uma sensibilidade para acolher as possíveis questões religiosas presentes na interioridade dos filhos, às vezes evidentes, às vezes escondidas.
Depois, a alegria: a comunicação da fé deve ter sempre uma tonalidade de alegria. É a alegria pascal, que não cala ou esconde a realidade da dor, do sofrimento, do cansaço, da dificuldade, da incompreensão e da própria morte, mas sabe oferecer os critérios para interpretar tudo na perspetiva da fé cristã.
A vida boa do Evangelho é precisamente este olhar novo, esta capacidade de ver com os próprios olhos de Deus cada situação. É importante ajudar todos os membros da família a compreender que a fé não é um peso mas uma fonte de alegria profunda, é perceber a ação de Deus, reconhecer a presença do bem que não faz rumor; e oferece orientações preciosas para viver bem a própria existência.
Por fim, a capacidade de escuta e de diálogo: a família deve ser um meio onde se aprende a estar junto, a reconciliar as oposições no diálogo recíproco, que é feito de escuta e de palavra, a compreender-se e a amar-se, para ser um sinal, um para o outro, do amor misericordioso de Deus.
Falar de Deus, portanto, que dizer fazer compreender com a palavra e com a vida que Deus não o concorrente da nossa existência, mas é o seu verdadeiro garante, o garante da grandeza da pessoa humana.
Assim regressamos ao início: falar de Deus é comunicar, com força e simplicidade, com a palavra e com a vida, o que é essencial: o Deus de Jesus Cristo, aquele Deus que nos mostrou um amor de tal forma grande ao ponto de incarnar, morrer e ressuscitar por nós; esse Deus que pede que o sigamos e nos deixemos transformar pelo seu imenso amor para renovar a nossa vida e as nossas relações; esse Deus que nos deu a Igreja, para caminharmos juntos e, através da Palavra e dos Sacramentos, renovar toda a Cidade dos homens, para que se possa tornar Cidade de Deus.
Bento XVI

Audiência geral no Vaticano, 28.11.2012
Trad.: SNPC/rjm

in SNPC

Porque estou aqui

Sinto-me privilegiado por ter encontrado na Igreja um lugar vazio, feito à minha medida. É certo que tê-lo encontrado (ou encontrá-lo renovadamente, pois não é dado adquirido) foi também mérito da minha sede, do meu empenho, de não baixar os braços e achar, passivamente, que não seria possível. Passo a contextualizar: a comunidade onde vou à missa é pequena e acolhedora, e podia bem não o ser. Ao mesmo tempo, sentia um desejo grande de reflexão de vida cristã e encontrei um casal (heterosexual) que tinha a mesma vontade. Começámo-nos a reunir semanalmente numa pequena comunidade de oração e reflexão que, apesar de crítica, nos tem ajudado a sermos Igreja e a nela nos revermos. Paralelamente, face ao contínuo desencanto em relação a algumas posturas e pontos de vista de uma Igreja mais institucional e hierárquica, tive a graça de encontrar um grupo de cristãos homossexuais, que se reuniam com um padre regularmente, sem terem de se esconder ou de ocultar parte de si.

Sei que muitos cristãos homossexuais nunca pensaram sequer na eventualidade de existirem grupos cristãos em que se pudessem apresentar inteiros, quanto mais pensarem poder tomar parte e pôr em comum fé, questões, procuras, afectos e vidas.

Por tudo isto me sinto grato a Deus e me sinto responsável para tentar chegar a quem não teve, até agora, uma experiência tão feliz como a minha.

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Os textos e as imagens

Os textos das mensagens deste blogue têm várias fontes. Alguns são resultados de pesquisas em sites, blogues ou páginas de informação na Internet. Outros são artigos de opinião do autor do blogue ou de algum dos seus colaboradores. Há ainda textos que são publicados por terem sido indicados por amigos ou por leitores do blogue. Muitos dos textos que servem de base às mensagens foram traduzidos, tendo por vezes sofrido cortes. Outros textos são adaptados, e a indicação dessa adaptação fará parte do corpo da mensagem. A maioria dos textos não está escrita segundo o novo acordo ortográfico da língua portuguesa, pelo facto do autor do blogue não o conhecer de forma aprofundada.

As imagens que ilustram as mensagens são retiradas da Internet. Quando se conhece a sua autoria, esta é referida. Quando não se conhece não aparece nenhuma referência. Caso detectem alguma fotografia não identificada e conheçam a sua autoria, pedimos que nos informem da mesma.

As imagens são ilustrativas e não são sempre directamente associáveis ao conteúdo da mensagem. É uma escolha pessoal do autor do blogue. Há um critério de estética e de temática ligado ao teor do blogue. Espero, por isso, que nenhum leitor se sinta ofendido com as associações livres entre imagem e conteúdo.

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