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A diversidade na Igreja

"A casa do meu Pai tem muitas moradas", diz-nos Jesus no evangelho.

A unidade na diversidade não é sempre aparente na Igreja enquanto povo de Deus, mas é uma realidade em Deus e uma presença na fé cristã desde a sua origem. A Palavra de Deus não é partidária, elitista e exclusiva. O Reino de Deus é como uma árvore que estende os ramos para dar abrigo a todos os pássaros do céu. Cristo não morreu na cruz para salvar uma mão cheia de cristãos. Até o Deus Uno encerra em si o mistério de uma Trindade.

A Palavra de Deus é inequívoca e só pode levar à desinstalação, à abertura ao outro, e a recebê-lo e amá-lo enquanto irmão ou irmã. Ninguém fica de fora, nem mesmo - se tivessemos - os inimigos.

Muitos cristãos crêem nesta Igreja, nesta casa do Pai, corpo de Cristo, templo do Espírito Santo. Mas como esquecer que muitos se sentem "de fora" por se verem rejeitados, amputados e anulados, e afastam-se por ninguém lhes ter mostrado que há um lugar para cada um, com a totalidade do seu ser?

Um blogue para cristãos homossexuais que não desistiram de ser Igreja

Porquê este blogue?

Este blogue é a partilha de uma vida de fé e é uma porta aberta para quem nela quiser entrar. É um convite para que não desistas: há homossexuais cristãos que não querem recusar nem a sua fé nem a sua sexualidade. É uma confirmação, por experiência vivida, que há um lugar para ti na Igreja. Aceita o desafio de o encontrares!

Este blogue também é teu, e de quem conheças que possa viver na carne sentimentos contraditórios de questões ligadas à fé e à orientação sexual. És benvindo se, mesmo não sendo o teu caso, conheces alguém que viva esta situação ou és um cristão que deseja uma Igreja mais acolhedora onde caiba a reflexão sobre esta e outras realidades.

Partilha, pergunta, propõe: este blogue existe para dar voz a quem normalmente está invisível ou mudo na Igreja, para quem se sente só, diferente e excluído. Este blogue não pretende mudar as mentalidades e as tradições com grande aparato, mas já não seria pouco se pudesse revelar um pouco do insondável Amor de Deus ou se ajudasse alguém a reconciliar-se consigo em Deus.
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segunda-feira, 9 de abril de 2018

Winning Dad

Um filme de 2015 que aborda questões ligadas à aceitação da homossexualidade por parte dos pais 

domingo, 8 de abril de 2018

Hoje eu quero voltar sozinho

Trailer do filme brasileiro de 2014 Hoje eu quero voltar sozinho (The way he looks), um belíssimo filme a não perder

segunda-feira, 26 de março de 2018

Casais gays e monogamia

A nova geração gay é monogâmica e quer casar-se

Um estudo interessante afirma que cerca de 92% dos homens gays jovens quer vir a casar-se e cerca de 90% deles procura encontrar um parceiro monogâmico.

Ainda que exista a crença falsa e generalizada de que os homens gays somente desfrutam permanecendo solteiros e avidamente consumindo as aplicações de namoro - e que o poliamor e as relações abertas são o futuro que desejam -, nada mais longe da realidade: a monogamia continua a triunfar.

Recentemente investigou-se as novas tendências das relações dos jovens gays entre os 18 e os 39 anos de idade por parte de Lanz Lowen e Blake Spears, dois investigadores da Universidade de São Francisco. Inquiriu-se um elevado número de homens, dos quais cerca de 42% eram solteiros e os outros 58% estavam numa relação. Neste estudo, no qual participaram 832 homens gays, chegou-se ao resultado assombroso de que cerca de 92% deles queria casar-se algum dia e que cerca de 90% dos mesmos somente procurava relações monogâmicas.

Ainda que estudos anteriores tenham constatado que dois terços dos casais que continuam juntos por mais do que cinco anos se envolvem em relações abertas, este estudo faz luz sobre o que a maioria dos jovens gays preferem: a monogamia.

O estudo chega à mesma conclusão de que as relações entre homens, tanto monogâmicas como não monogâmicas, parecem estar mais saudáveis do que nunca, já que a maioria dos homens gays que vivem em casal (cerca de 90%) vê a sua relação como sã e estável; estão felizes e satisfeitos com ela e afirmam que provavelmente continuarão durante, pelo menos, mais cinco anos com os seus companheiros atuais.

Artigo original em espanhol in Shangai.com

segunda-feira, 19 de março de 2018

Padre anglicano português fala sobre activismo LGBT cristão

É possível ser activista LGBT e cristão?

"É possível ser activista LGBT e cristão? Foi esse o ponto de partida da intervenção do padre anglicano Fernando Santos, no encontro “dezanove ao vivo”, que decorreu no Centro LGBT, em Lisboa.

“Não há utopia nisto, há várias realidades. No caso português há timidamente situações de gays cristãos a afirmarem e a envolverem-se no activismo. Temos o caso concreto da Rumos Novos, que é uma associação de católicos homossexuais, com quem de vez em quando colaboro”, referiu Fernando Santos, pároco em vários locais na zona da Grande Lisboa e que destacou que este activismo cristão, apesar de não ser conhecido do grande público, tem um percurso de décadas. “Um ano antes da manifestação de Stonewall, nos Estados Unidos, tinha sido fundada a primeira igreja exclusivamente para homossexuais, em que houve um primeiro culto onde 11 pessoas LGBT. Podemos achar que é um trabalho ineficaz e sem sentido. Mas há vários países onde várias igrejas aprovaram o casamento entre pessoas do mesmo sexo, como a igreja anglicana ou a luterana no Norte da Europa. Mas isto não caiu do ar. Houve um activismo LGBT cristão no seio dessas igrejas que foi trabalhando e está a trabalhar para que isso possa acontecer”.

No caso da igreja anglicana em Portugal, designada por Igreja Lusitana, ainda não se realizou qualquer debate sobre a questão do casamento religioso entre pessoas do mesmo sexo. Cada país onde a igreja anglicana está presente tem autonomia para decidir sobre esta matéria. “Temos um modelo democrático em que o governo da igreja é feito com o clero e o povo. Temos algo que chamaríamos, de forma mais civil, assembleia geral, mas que nós chamamos de sínodo, onde as decisões da igreja são votadas”. É este modelo que permitiu que o casamento religioso entre pessoas do mesmo sexo tenha sido aprovados nos Estados Unidos ou na Escócia ou que em Maio vá a votação no Brasil. Mesmo assim, admitiu Fernando Santos existem algumas “tensões internas” na comunhão anglicana, já que existem igrejas nacionais contra o casamento ou defesa dos direitos civis das pessoas LGBT.

Num encontro marcado por várias questões do público, Fernando Santos relatou ainda que testemunhou, tanto na vigília em memória das vítimas de Orlando como na última Marcha do Orgulho LGBT de Lisboa, “uma série de cartazes que me incomodam e me agridem naquilo em que acredito. Quando vejo cartazes a ofender directamente uma entidade em que acredito e que é fundamental na minha vida, desculpem os termos, é pior que chamar prostituta à minha mãe. Alguns dqueles que não acreditam e que têm o direito em não acreditar, às vezes não têm a noção de quem quem tem fé, esta dimensão da fé é importante e até pode ser vital”, apontou, a propósito de cartazes ou slogans anti-religião presentes em manifestações LGBT."

13 de dezembro de 2017 no dezanove

terça-feira, 24 de outubro de 2017

Confiar que Deus quer a unidade

Precisamos construir uma ponte entre a comunidade LGBT e a Igreja Católica. 
(Parte IV)

por James Martin, S.J
tradução de José Leote (Rumos Novos)

JUNTOS NA PONTE

No geral, o convite para pisar a ponte do «respeito, compaixão e delicadeza» mútuos é dirigido tanto à igreja institucional como à comunidade LGBT.

Algumas destas coisas podem ser difíceis de ouvir por parte da comunidade LGBT. É difícil pisar essa ponte. E algumas destas coisas podem ser difíceis para os bispos ouvirem. Porque nenhuma das faixas da ponte é suave. Nesta ponte, tal como na vida, há portagens. Custa quando vivemos uma vida de respeito, compaixão e delicadeza. Porém, acreditar nesta ponte é acreditar que eventualmente as pessoas a serão capazes de ir e vir nela facilmente e que a hierarquia e a comunidade LGBT serão capazes de se encontrar uns com os outros. É confiar que Deus deseja a unidade.

Estamos todos juntos na ponte. Porque, é claro, a ponte é a igreja. E, em última análise, no outro lado da ponte, para cada um dos grupos, encontra-se o acolhimento, a comunidade e o amor.

À laia de conclusão, gostaria de dizer algo especificamente à comunidade LGBT. Em tempos difíceis podem perguntar: O que é que mantém a ponte de pé? O que é que evita que ela colapse nas rochas afiadas? O que é que nos impede de mergulhar nas águas perigosas por baixo? O Espírito Santo. O Espírito Santo apoia a igreja e apoia-vos a vós.

Pois vós sois filhos amados de Deus que, por virtude do vosso batismo, tendes tanto direito em estar na igreja como o Papa, os bispos locais, ou eu. É certo que essa ponte tem algumas pedras soltas, grandes lombas e buracos enormes, porque as pessoas na igreja não são perfeitas. Nunca o fomos – perguntem simplesmente a S. Pedro. E nunca o seremos. Somos todos pessoas imperfeitas, lutando para dar o nosso melhor à luz das nossas vocações individuais. Somos todos peregrinos a caminho, pecadores amados que seguem o chamamento que, pela primeira vez ouvimos, no nosso batismo e que continuamos a ouvir diariamente nas nossas vidas.

Resumindo, vocês não estão sozinhos. Milhões dos nossos irmãos e irmãs católicos acompanham-vos, como o fazem os vossos bispos, à medida em que juntos caminhamos imperfeitamente nesta ponte. Mais importante, somos acompanhados por Deus, o reconciliador de todos os homens e mulheres de boa vontade, bem como o arquiteto, o construtor e a fundação dessa ponte.

Publicado em português In Rumos Novos

Os católicos LGBT devem orar pela Igreja e usar a linguagem do amor

Precisamos construir uma ponte entre a comunidade LGBT e a Igreja Católica. 
(Parte III)

por James Martin, S.J
tradução de José Leote (Rumos Novos)

A SEGUNDA FAIXA

Vamos agora dar uma volta na outra via da ponte: aquela que conduz desde a comunidade LGBT à igreja institucional. O que significaria para a comunidade LGBT tratar a igreja institucional com «respeito, compaixão e delicadeza»?

Neste momento, na igreja é a hierarquia que possui o poder institucional. Tem o poder de autorizar alguém a receber os sacramentos; autorizar ou proibir os padres de celebrarem os sacramentos; abrir ou encerrar ministérios diocesanos ou paroquiais; permitir que as pessoas mantenham os seus cargos nas instituições católicas e por aí em diante. Porém, a comunidade LGBT também tem poder. Cada vez mais, por exemplo, os media ocidentais são cada vez mais favoráveis à comunidade LGBT do que à hierarquia. Este é um tipo de poder. Mesmo assim, na igreja institucional, a hierarquia detém a posição de poder.

Os católicos LGBT são chamados a tratar os que se encontram no poder com «respeito, delicadeza e compaixão.» Porquê? Porque, como referido, é uma ponte de duas vias. Mais do que isso, porque os católicos LGBT são cristãos e essas virtudes expressam o amor cristão. Essas virtudes também constroem toda a comunidade.

1) Respeito. O que é que significaria para a comunidade LGBT mostrar «respeito» pela igreja? Também aqui, falo especificamente em relação ao Papa e aos bispos, ou seja, a hierarquia e, de forma mais abrangente, o magistério, a autoridade de ensino da igreja.

Os católicos acreditam que os bispos, padres e os diáconos recebem nas respetivas ordenações a graça de um ministério especial de liderança dentro da igreja. Acreditamos igualmente que os bispos em particular têm uma autoridade que lhes advém dos apóstolos. É isto que queremos dizer, em parte, quando professamos a nossa crença aos domingos na Missa: a igreja é «apostólica». Acreditamos igualmente que o Espírito Santo inspira e guia a igreja. Certo está que isso acontece através do povo de Deus que, conforme o Concílio do Vaticano II afirma, estão embuídos com o Espírito; mas isso também acontece através do papa, dos bispos e do clero em virtude da sua ordenação e das suas funções.

Portanto a igreja institucional – papas e conselhos, arcebispos e bispos – fala com autoridade no seu papel de professores. Nem todos falam com o mesmo nível de autoridade (já falamos disso depois), mas todos os católicos devem em oração considerar aquilo que eles ensinam. Para fazer isso, somos chamados a escutar. O seu ensinamento merece o nosso respeito.

Portanto, antes de mais escutar. Em todos os assuntos, não somente sobre os assuntos LGBT. O episcopado fala com autoridade, que lhe advém de uma longa caminhada da tradição. Quando os bispos falam sobre assuntos como, mas não exclusivamente; amor, perdão, misericórdia e cuidado dos pobres e marginalizados, os nascituros, os sem-abrigo, os prisioneiros, os refugiados e por aí adiante, eles estão inspirados não somente nos Evangelhos, mas também no tesouro espiritual da tradição da igreja. Frequentemente, particularmente em questões de justiça social, podemos facilmente concluir que eles nos desafiarão com uma sabedoria que não ouviremos em mais parte nenhuma do mundo.

E quando eles falam sobre temáticas LGBT de uma forma com a qual não estamos de acordo, ou que nos irrita ou ofende, mesmo assim devemos escutar. Pergunta: «O que é que eles estão a dizer? Porquê é que o dizem? O que é que está por detrás das suas palavras?» Escuta, considera mesmo orar e, claro, usa a tua consciência.

Para além daquilo que podemos chamar de respeito eclesial, a hierarquia merece um mero respeito humano. Frequentemente fico destroçado pelas coisas que oiço alguns católicos LGBT e seus aliados dizerem sobre alguns bispos. Oiço estas coisas em privado e em público. Recentemente um grupo LGBT, em resposta a uma declaração dos bispos referente ao casamento entre pessoas do mesmo sexo, disse que os bispos deviam parar de estar «trancados nas suas torres de marfim.» Eu pensei: «Francamente?! Também dizem isso sobre os bispos das dioceses pobres? Que eles vivem em «torres de marfim»? A bispos que pessoalmente ministram aos pobres e que supervisionam paróquias em bairros degradados, apoiam escolas que educam os pobres desses bairros e gerem serviços da Caritas?» Pode não se estar de acordo com os bispos, mas esse tipo de linguagem é, não só desrespeituosa, é imprecisa.

Agora mais seriamente, os católicos LGBT e os seus aliados, algumas vezes com falta de misericórdia, gozam com os bispos devido às suas promesses de celibato, os locais onde vivem e, particularmente, as vestes que usam. A implicação mal disfarçada de colocar online fotografias de bispos vestindo indumentárias litúrgicas elaboradas é a de que eles são efeminados, hipócritas ou que são gays reprimidos. Será que a comunidade LGBT quer verdadeiramente continuar por esse caminho? Querem os homossexuais gozar com os bispos porque são efeminados, quando muitos homossexuais foram provavelmente provocados precisamente sobre essas coisas quando eram jovens? Isso não é simplesmente perpetuar o ódio? Como é que pode alguém castigar um bispo por não respeitar a comunidade LGBT ao mesmo tempo em que não o respeita também? Querem criticar as pessoas pelas suas supostas atitudes não-cristãs, sendo eles mesmos não-cristãos?

Isto pode ser difícil de ouvir por parte de pessoas que se sentem vergastadas pela igreja. Porém, ser respeitador das pessoas com as quais discordamos não é somente a maneira de ser cristão. Mesmo do ponto de vista humano é uma boa estratégia. Se pretendemos influenciar a perspetiva da igreja sobre assuntos LGBT ajuda ganhar a confiança da hierarquia. E um modo de o conseguir é respeitando-os. Portanto quer a abordagem cristã quer a sabedoria simples dizem: respeitem-nos.

2) Compaixão. O que é que significaria ter compaixão pela hierarquia?

Primeiro, recordemo-nos da definição de compaixão: «experimentar com, ou sofrer com.» Parte disso, como mencionei, é conhecer com é a vida dessa pessoa. Então, parte da compaixão em relação à igreja institucional é uma compreensão real, sentida da vida daqueles no poder.

Durante a minha vida de padre jesuíta, conheci muitos cardeais, arcebispos e bispos. Alguns considero mesmo meus amigos. Todos os que conheci são bondosos, trabalhadores e homens de oração, muitos dos quais foram muito gentis para mim pessoalmente e são filhos leais da igreja tentando levar a bom porto os ministérios para os quais foram ordenados.

Nos tempos que correm, para além do normal «triplo ministério» de «ensinar, governar e santificar» (ou seja, ensinar o Evangelho, gerir a diocese e celebrar sacramentos), os bispos têm ainda de fazer o seguinte: (a) lidar com os efeitos colaterais – financeiros, legais e emocionais – dos casos de abuso sexual por parte do clero, normalmente casos com os quais nada têm que ver; (b) arranjar pessoal para as paróquias perante o rápido declínio das vocações para o sacerdócio e para as ordens religiosas; (c) decidir que paróquias e escolas encerrar ou consolidar face a apelos emocionais e protestos irados, piquetes e manifestações de paroquianos, vizinhos, estudantes e alunos; (d) ajudar a angariar dinheiro para quase todas as instituições na diocese, incluindo escolas, hospitais, comunidades para retiro de padres e agências de serviços sociais; e (e) responder a queixas por parte de católicos enfurecidos que chovem nas suas chancelarias, acerca de tudo e mais alguma coisa, incluindo supostos abusos litúrgicos durante a missa, comentários inapropriados que um padre proferiu durante uma homilia, um artigo de que não gostaram no jornal de diocese, ou mesmo um católico que recebeu um prémio de um grupo do qual não gostam.

A compaixão conduz-nos igualmente a uma certa igualdade de coração. Isso significa conseguir ver que, pelo menos, alguns em posições de liderança na nossa igreja podem eles mesmos estar a lutar. Podem ser homens homossexuais, que numa idade mais jovem foram torturados pelas mesmas atitudes de ódio que a maioria das pessoas LGBT sentiram na pele enquanto cresciam, e que entraram no mundo religioso que parecia dar-lhes alguma segurança e privacidade. Este não foi de longe a única razão que levou alguns destes homens a entrarem nos seminários diocesanos e nas casas religiosas de formação, mas pode ter sido um fator de apelo para essa vida: uma certa privacidade, um modo de servir, com sinceridade, a Deus sem ter de admitir a própria sexualidade. Alguns podem ter ficado com essa visão do mundo, mesmo se, ao longo das últimas décadas, a verdade sobre ser-se gay se tenha gradualmente tornado mais fácil de compreender e menos aterradora de viver. Isto é o que é ter-se sido queimado pelos efeitos dos gays e lésbicas que odeiam, particularmente o ódio que existia há décadas, e não ser capaz de admitir uma parte tão profunda de nós próprios. Portanto, os católicos LGBT são convidados a condoer-se com e orar por estes nossos irmãos, mesmo quando os seus passados algumas vezes os levam a comportar-se como se eles fossem nossos inimigos.

O convite é conseguirmos ver estes bispos na sua humanidade, na sua complexidade e entre o grande fardo dos seus ministérios. Há compaixão em tentar fazer isto.

Hoje, muitas pessoas LGBT sentem que a igreja institucional e alguns padres e bispos as têm perseguido. Veem estes homens como seus inimigos ou, no mínimo, como pessoas que não as compreendem. Infelizmente, alguns bispos, padres e diáconos disseram e fizeram, de facto, coisas ignorantes, dolorosas e mesmo odiosas. Porém, acredito que estas ações representam uma minoria ao nível da hierarquia, embora uma que até recentemente parecia ter alguma influência na igreja e que a maré está lentamente a mudar, pois o papado de Francisco e as ações atuais de alguns dos líderes da igreja estão a ajudar a sarar alguma dessa mágoa.

Qual é a resposta cristã quando se sente hostilidade por parte de determinados líderes católicos? Através de uma sugestão, deixem-me contar-lhes uma história. Quando tinha 27 anos, disse aos meus pais que ia entrar para os jesuítas. Atirei-lhes com a novidade sem aviso prévio; nem sequer lhes disse que estava a considerar essa possibilidade. Sem surpresa, ficaram confusos e aborrecidos. Encararam a decisão como imprudente. E isso confundiu-me e aborreceu-me. Questionei-me: como é possível que eles não vissem o que eu estava a fazer? Como é que era possível que eles não me compreendessem? Em resposta o meu diretor espiritual disse: «tu tiveste 27 anos para te habituares a isto, Jim e acabaste de lhe atirar com a notícia. Dá-lhes o dom do tempo.»

Por muito desafiador que isto possa ser ao ouvir e sem pôr de lado o sofrimento que muitas pessoas LGBT experimentaram na igreja, questiono-me se a comunidade LGBT não poderia dar à igreja institucional o dom do tempo. Tempo para vos conhecer: De um modo palpável, uma comunidade LGBT aberta e pública é algo de novo, mesmo no meu tempo de vida. De uma forma muito verdadeira o mundo só agora vos está a conhecer. Também a igreja o faz. Eu sei que é um fardo, mas talvez não seja assim tão surpreendente. É preciso tempo para se chegar a conhecer uma pessoa. Portanto, talvez a comunidade LGBT possa dar à igreja institucional o dom da paciência.

A outra resposta cristã se, mesmo depois de tudo isto, ainda encarares alguns líderes da igreja como inimigos, resta orar por eles. E não sou eu que o digo. É Jesus.

3) Delicadeza. Regressemos a esta palavra maravilhosa. Podemos voltar a utilizá-la em termos de não denegrir os bispos ou a hierarquia. De novo, isso não é simplesmente cortesia humana. É caridade cristã.

Porém, eu gostaria de usar delicadeza de outra forma. Aqui gostaria de convidar a comunidade LGBT a considerar de forma mais profunda quem fala e o modo como o faz. Como católicos acreditamos em vários níveis de autoridade para ensinar na nossa igreja. Nem todos os representantes da igreja falam com o mesmo nível de autoridade. A forma mais simples de explicar isto é a de que o que um Papa diz numa encíclica não possui o mesmo nível de autoridade que aquilo que o teu pastor local diz numa homilia. Há níveis diferentes de ensino com autoridade, que começa com os Evangelhos, depois com os conselhos da igreja e depois com os pronunciamentos papais. Mesmo os vários pronunciamentos papais têm vários níveis de autoridade. Entre os mais elevados estarão as constituições ou encíclicas dirigidas a toda a igreja, depois as cartas apostólicas e os motu proprios, depois as homilias diárias e os discursos do Papa e por aí afora. É importante ser delicado em relação a isso. Há igualmente documentos dos Sínodos e de cada uma das congregações do vaticano. Depois, ao nível local, os documentos provenientes das conferências dos bispos e dos bispos. Cada um tem um nível diferente de autoridade. Todos eles necessitam de ser lidos com espírito de oração, mas é importante saber que nem todos têm o mesmo grau de autoridade.

Claro que a hierarquia não é o único grupo que fala com autoridade. A autoridade reside igualmente na santidade. Homens e mulheres santos que não fazem parte da hierarquia, como Sta. Teresa de Calcutá, e pessoas leigas santas como Dorothy Day ou Jean Vanier, falam com autoridade.

Do mesmo modo, é preciso ter cuidado em levar à letra aquilo a que os media chamam de «ensinamento da igreja». Há algumas semanas li a parangona «Mantenham as Homilias em Oito Minutos, Ordena o Vaticano ao Clero.» E pensei «o Vaticano?» É quase certo que, quando lemos o artigo com cuidado, descobrimos outra coisa. Foi um bispo, a título individual, que deu esta sugestão. A parangona era falsa. O «Vaticano» não fez tal coisa. Portanto, novamente, deve ser-se delicado.

Para além de tudo isto, há um convite a ser-se delicado no facto de que quando alguém fala no Vaticano – seja o Papa ou uma Congregação do Vaticano – eles falam para todo o mundo, não somente para o Ocidente e certamente não somente para os Estados Unidos. Algo que possa parecer tépido nos Estados Unidos pode ser chocante na América Latina ou em África. Neste sentido, fiquei desapontado com a reação de alguns católicos LGBT, neste país, à exortação apostólica do Papa sobre a família, «Amoris Laetitia» («A Alegria do Amor»). Nesse documento ele afirma: «Gostaríamos, antes de mais, de reafirmar que cada pessoa, independentemente da sua orientação sexual, deve ser respeitada na sua dignidade e tratada com consideração, ao mesmo tempo «em que cada sinal de discriminação injusta» deve ser cuidadosamente evitado, particularmente toda a forma de agressão e violência. Tais famílias devem ser objeto de uma orientação pastoral respeitosa, de modo a que aqueles e aquelas que manifestam uma orientação homossexual possam receber a assistência que necessitam de modo a compreenderem e realizarem plenamente a vontade de Deus nas suas vidas» (N.º 250).

«Antes de mais,» afirma o Papa, as pessoas LGBT devem ser tratadas com dignidade. É uma afirmação imensa e, já agora, em parte nenhuma ele menciona o que quer que seja acerca «desordem objetiva». Apesar disso, no seio de alguns católicos LGBT [neste país] essas linhas foram postas de lado com gritos de «Não chega!»

Bom, talvez no Ocidente essas palavras pareçam insuficientes. Porém, o Papa não escreve apenas para o Ocidente, ainda muito menos para os Estados Unidos. Imaginem o que é ler isso num país onde a violência contra as pessoas LGBT é desenfreada e a igreja tem permanecido em silêncio. Aquilo que é brando nos Estados Unidos é incendiário noutras partes do mundo. Aquilo que pode ser óbvio para um bispo num país, constitui um desafio contundente, mesmo ameaçador, para outro bispo. Aquilo que parece árido para as pessoas LGBT num determinado país, pode ser, num outro, água num deserto estéril.

Portanto, de muitos modos, somos chamados a usar de delicadeza.

A Igreja tem de conhecer os católicos LGBT e olhá-los como pessoas

Precisamos construir uma ponte entre a comunidade LGBT e a Igreja Católica. 
(Parte II)

por James Martin, S.J
tradução de José Leote (Rumos Novos)

2) Compaixão. O que significaria para a igreja mostrar compaixão para com os homens e mulheres LGBT? A palavra compaixão significa «experimentar com, ou sofrer com.» Portanto, o que é que significa para a igreja institucional, para a hierarquia, não somente respeitar os/as católicos/as LGBT, mas estar com eles/as, experienciar a vida com eles/as e mesmo sofrer com eles/as?

A primeira coisa e o requesito mais essencial é o escutar. É praticamente impossível experimentar a vida de uma pessoa, ou ser compassivo, se não escutarmos essa pessoa, ou se não fazemos perguntas. As perguntas que os líderes católicos podem colocar aos seus irmãos e irmãs LGBT são: como é a vossa vida? Como foi crescer como rapaz gay ou rapariga lésbica ou pessoa transgénero? Como foi o sofrimento? Quais são as alegrias? E: qual é a sua experiência de Deus? Qual é a sua experiência da igreja? Quais são as suas esperanças, desejos e orações? Para a igreja exercer compaixão, precisamos de escutar.

Os líderes da igreja também precisam de defender os seus irmãos e irmãs LGBT sempre que estes/as são perseguidos/as. Em muitas partes do mundo, as pessoas LGBT sofrem, novamente nas palavras do Catecismo, incidentes terríveis de «discriminação injusta»: preconceito, violência e mesmo homicídio. Nalguns países, pode ser-se preso por ser-se gay ou ter relações com pessoas do mesmo sexo e ser-se assassinado por se ser um líder gay. Nesses países a igreja institucional tem o dever moral de se levantar publicamente em prol dos seus irmãos e irmãs. Lembremo-nos que o catecismo afirma: «qualquer sinal de discriminação injusta» deve ser evitado. Ajudar alguém, defender alguém quando este/a está a ser agredido/a é parte da compaixão. É parte do ser-se discípulo de Jesus Cristo. Se duvidarmos disso, devemos ler a parábola do bom Samaritano (Lc 10, 25-37).

Mais perto de nós, o que é que significaria para a nos Estados Unidos [N.T.: e também em Portugal] dizer, sempre que necessário: «É errado tratar a comunidade LGBT desta forma»? Os líderes católicos publicam regularmente declarações defendendo – como é seu dever – os refugiados e os migrantes, os pobres, os sem-abrigo, os nascituros. Esta é uma forma de estar ao lado das pessoas: colocarmo-nos a caminho, mesmo apanhar por elas.

Porém, onde estão as declarações de apoio aos nossos irmãos e irmãs LGBT? Quando faço esta pergunta, algumas pessoas dizem: «Não se pode comparar aquilo que os refugiados enfrentam com aquilo que as pessoas LGBT enfrentam.» E, enquanto pessoa que trabalhou com refugiados no leste de África, eu sei que isso é verdade. Contudo, é importante não ignorar as taxas altamente desproporcionais de suicídio entre os jovens LGBT e o facto de as pessoas LGBT são as vítimas de proporcionalmente mais crimes de ódio do que outros grupos minoritários no país. No rescaldo do massacre de Orlando, quando a comunidade LGBT por todo o país fazia luto, senti-me entristecido não sentir que mais bispos não tivessem imediatamente manifestado o seu apoio. Claro que alguns o fizeram. Agora, imaginem se os ataques fossem contra, Deus não o permita, uma paróquia metodista. Provavelmente os bispos teriam dito: «Estamos com os nossos irmãos e irmãs metodistas.» Por que isso não aconteceu em Orlando? Pareceu uma espécie de falta de compaixão, uma falha de estar ao lado de e uma falha de sofrer com. Orlando convida-nos todos e todas a refletir sobre isto.

Não precisamos de procurar muito longe um modelo de como fazer isto. Deus fez isto por todos e todas nós – em Jesus. As linhas de abertura do Evangelho de João dizem-nos que «E o Verbo fez-se homem e veio habitar connosco» (Jo 1, 14). O original em grego é mais vívido: O Verbo fez-se carne e «colocou a sua tenda no meio de nós» (eskēnōsen en hēmin). Não é maravilhoso? Deus entrou no nosso mundo para viver entre nós. Foi isto que Jesus fez. Ele viveu connosco. Tomou o nosso partido. Morreu mesmo como nós. Isto é o que a igreja é chamada a fazer com todos os grupos marginalizados, conforme nos lembrou o Papa Francisco, incluindo com os/as católicos/as LGBT: experimentar as suas vidas e sofrer com eles/ elas.

E também alegrar-se com eles e elas! Porque Jesus veio para experimentar todas as nossas vidas, não somente as partes dolorosas. As pessoas LGBT, embora possam sofrer perseguição, partilham as alegrias da condição humana. Também nós poderemos alegrarmo-nos com os nossos irmãos e irmãs LGBT?

3) Delicadeza: Como é que a igreja institucional pode ser «delicada» para com as pessoas LGBT? Essa é uma palavra maravilhosa utilizada pelo catecismo. No dicionário ela é definida como «uma tomada de consciência ou compreensão dos sentimentos da outra pessoa.» Encontra-se relacionada com a interpelação do Papa Francisco de que a igreja seja uma igreja do «encontro» e do «acompanhamento».

Para começar, é quase impossível saber à distância os sentimentos de outra pessoa. Não podemos compreender os sentimentos de uma comunidade, se não conhecemos essa comunidade. Não se pode ser delicado com a comunidade LGBT se somente se publicam documentos sobre ela, se prega sobre ela, ou se tweeta sobre ela, sem a conhecer. Uma das razões pelas quais a igreja lutou com a delicadeza é, na minha opinião, porque muitos líderes da igreja ainda não conhecem muitas pessoas gays ou lésbicas. A tentação é sorrir e dizer que os líderes da igreja conhecem de facto pessoas que são gays: padres e bispos que não saíram do armário em relação à sua homossexualidade. Porém, o meu sublinhado é mais vasto. Muitos líderes da igreja conhecem pessoas LGBT cuja sexualidade é conhecida. Essa falta de familiaridade e amizade significa que é mais difícil ser delicado. Como é que podemos ser delicados com a situação de uma pessoa se não a conhecemos? Portanto, um convite é que a hierarquia os possa conhecer como amigos/as.

O cardeal Christof Schönborn, arcebispo de Viena, lembrou-nos do encontro do Sínodos dos Bispos sobre a família, quando ele falou sobre um casal gay que conhecia e que tinha transformado a sua compreensão em relação às pessoas LGBT. Ele louvou mesmo as uniões entre pessoas do mesmo sexo. O cardeal disse: «Partilham a vida um do outro; partilham as alegrias e os sofrimentos; ajudam-se mutuamente. Temos de reconhecer que estas pessoas fizeram uma caminhada importante para o seu próprio bem e para o bem de outros, ainda que, claro está, esta seja uma situação que a igreja não pode considerar regular.» Ele também anulou a determinação de um padre na sua diocese que proibiu um homem, que vivia numa união do mesmo sexo, de servir num conselho paroquial, ou seja, o cardeal Schönborn esteve ao seu lado. Muito disto veio da sua experiência, conhecimento e amizade em relação às pessoas LGBT. O cardeal Schönborn disse simplesmente: «Temos de acompanhar.»

Nisto, como em todas as coisas, Jesus é o nosso modelo. Sempre que Jesus encontrou pessoas nas margens, ele via não uma categoria, mas uma pessoa. Para que fique claro, não estou a dizer que a comunidade LGBT deva ser, ou deva sentir-se, marginalizada. Em vez disso, eutou a dizer que dentro da igreja muitos deles e delas se sentem marginalizados. São vistos como «outro». Porém, para Jesus não havia «outro».

Jesus via para além das categorias; ele ia de encontro às pessoas onde estas se encontravam e acompanhava-as. No Evangelho de Lucas, quando ele encontra o centurião romano que pede a cura do seu servo, Jesus não disse «Pagão!» Em vez disso, viu um homem em estado de necessidade (Lc 7, 1-10). Mais à frente no Evangelho de Lucas, quando Jesus encontra Zaqueu, o cobrador de impostos chefe de Jericó, que teria igualmente sido considerado o chefe pecador da zona, ele não disse «Pecador!» Em vez disso, ele viu uma pessoa que procurava encontrá-lo (Lc 19, 1-10). Jesus tinha vontade de estar com, estar ao lado de e ser amigo dessas pessoas.

Uma objeção comum neste assunto é dizer-se: «Não, Jesus sempre lhes disse, antes de tudo, para não pecarem!» Portanto, não podemos conhecer pessoas gays porque eles pecam e quando os conhecermos, a primeira coisa que devemos dizer é «Parem de pecar!»

Mas este não é o caminho de Jesus. Na história de Zaqueu, como se lembrarão, Jesus vê primeiramente o cobrador de impostos empoleirado num sicómoro, tentando ver Jesus. Jesus disse que jantaria na casa de Zaqueu, um sinal de acolhimento no séc. I, na Palestina, antes que Zaqueu tenha dito ou feito o que quer que fosse. Depois de Jesus lhe ter oferecido acolhimento é que Zaqueu começa a conversar, prometendo pagar as pessoas a quem tinha defraudado. Do mesmo modo, na história do centurião romano, Jesus não repreende o homem por ser um pagão. Em vez disso, louva a fé do homem e, depois, cura-lhe o servo. Para Jesus, frequentemente, é a comunidade em primeiro lugar e a conversão em segundo.

O Papa fez-se eco disto numa conferência de imprensa recente: «As pessoas devem ser acompanhadas,» disse. «Quando uma pessoa que vive esta situação chega em frente a Jesus, Jesus certamente não dirá: «Vai-te embora porque és homossexual.»

A delicadeza baseia-se no encontro, acompanhamento e amizade. E onde é que isso nos leva? Ao segundo significado da palavra, que é, em linguajar comum, uma maior consciencialização sobre o que pode ofender. Somos «delicados» para com as situações das pessoas e, logo, somos «delicados» em relação a tudo o que possa ofender.

Uma forma de sermos delicados é termos cuidado com a linguagem que utilizamos. Alguns bispos já pediram que se rejeite a frase «objetivamente desordenado» quando se trata de descrever a inclinação homossexual (tal como se encontra no catecismo, N.º 2358). A frase refere-se à orientação, não à pessoa, mas mesmo assim é danosa. Dizer que uma das partes mais profundas de uma pessoa – a parte que recebe e dá amor – é «desordenada» em si é desnecessariamente cruel. Colocar de parte tal linguagem foi discutido no recente Sínodo sobre a família, de acordo com várias notícias publicadas. Mais recentemente, um bispo australiano, Vicent Long Van Nguyen, afirmou: «Não podemos falar acerca da integridade da criação, do amor universal e inclusivo de Deus, enquanto ao mesmo tempo fazemos conluio com as forças de opressão no tratamento errado das minorias raciais, das mulheres e das pessoas homossexuais… Isso não resulta em relação aos jovens, particularmente quando sugerimos tratar as pessoas gays com amor e compaixão, mas definimos a sua sexualidade como «intrinsecamente desordenada.»

Parte da delicadeza é compreender isso.


Publicado em português In Rumos Novos

Uma ponte entre os católicos LGBT e a hierarquia da Igreja

Precisamos construir uma ponte entre a comunidade LGBT e a Igreja Católica. 
(Parte I)

por James Martin, S.J
tradução de José Leote (Rumos Novos)

"O relacionamento entre a comunidade LGBT católica e a Igreja Católica nos Estados Unidos tem sido, algumas vezes, contencioso e combativo e, noutros momentos, aconchegante e acolhedor. A maior parte da tensão que caracteriza este relacionamento complicado resulta de uma falta de comunicação e, infelizmente, de uma grande dose de desconfiança entre os católicos LGBT e a hierarquia. O que é preciso é uma ponte entre essa comunidade e a igreja.

Convido-vos a caminharem comigo ao longo dessa importante ponte. Com essa finalidade, gostaria de refletir sobre o modo como a igreja tenta alcançar a comunidade LGBT e o modo como esta tenta alcançar a igreja. Isto porque boas pontes levam as pessoas em ambos os sentidos.

Como sabem, o Catecismo da Igreja Católica afirma que os católicos são chamados a tratar a pessoa homossexual com «respeito, compaixão e delicadeza» (2358).

O que é que isto pode significar? Vamos meditar nisso e também numa segunda pergunta: O que é que pode significar para a comunidade LGBT tratar a igreja com «respeito, compaixão e delicadeza»? Claro está que os católicos LGBT fazem parte da igreja, pelo que, num determinado sentido, estas perguntas implicam uma falsa dicotomia. A igreja é todo o povo de Deus e é estranho discutir a forma como o povo de Deus se pode relacionar com uma parte do povo de Deus. Portanto, é boa moda jesuíta, deixem-me refinar os nossos termos. Quando, nesta discussão, me refiro à igreja, quero significar a igreja institucional, ou seja, o Vaticano, a hierarquia, os funcionários de igreja e o clero.

A PRIMEIRA FAIXA

Vamos dar uma volta na primeira faixa da ponte, aquela que conduz da igreja institucional à comunidade LGBT e que reflete sobre o «respeito, compaixão e delicadeza».

1) Respeito. O que é que pode significar para a igreja ter «respeito» pela comunidade LGBT?

Primeiro, respeito significa, no mínimo, reconhecer que a comunidade LGBT existe e que, como qualquer outra comunidade, deseja ver a sua existência reconhecida. Significa igualmente reconhecer que a comunidade LGBT traz dons únicos à igreja, tal como acontece com qualquer outra comunidade.

Reconhecer que os católicos LGBT existem tem implicações pastorais importantes. Significa pôr em prática ministérios que algumas dioceses e paróquias já fazem e muito bem. Exemplos incluem celebrar Missas com grupos LGBT, patrocinar programas diocesanos e paroquiais de acolhimento e, em geral, fazer com que os católicos LGBT se sintam parte da igreja e se sintam amados.

Alguns católicos levantam objeções a esta abordagem, dizendo que tal acolhimento pode ser um sinal de acordo tácito com tudo o que cada um na comunidade LGBT diz ou faz. Esta parece ser uma objeção injusta, porque não é colocada em relação a nenhum outro grupo. Se uma diocese patrocina, por exemplo, um grupo de acolhimento para homens de negócios católicos, isso não significa que a diocese esteja de acordo com todos os valores personificados pela América corporativa. Nem tão pouco significa que a igreja santificou tudo aquilo que cada homem ou mulher de negócios faz. Ninguém está a sugerir isso. Por que não? Porque as pessoas compreendem que a diocese está a tentar ajudar uma comunidade particular a se sentir mais ligada à sua igreja, a igreja à qual pertencem em virtude do seu batismo.

Em segundo lugar, o respeito significa chamar a um grupo aquilo que ele pede que lhe chamem. Num nível pessoal, se uma pessoa diz: «Prefiro ser chamado Jim em vez de James», costumamos ter isso em consideração. É cortesia comum. O mesmo se passa ao nível grupal. Já não dizemos «Pretos». Porquê? Porque esse grupo se sente mais confortável com outros nomes: «Afroamericanos» ou «negros». Recentemente, foi-me referido que «pessoas deficientes» não é tão aceitável como «pessoas portadoras de deficiência». Portanto, a última expressão é aquela que passarei a utilizar. Porquê? Porque é respeitoso chamar as pessoas pelo nome que elas escolhem. Toda a gente tem o direito de nos dizer o seu nome.

Esta não é uma preocupação menor. Nas tradições judaica e cristã os nomes são importantes. No Antigo Testamento, Deus dá a Adão e a Eva a autoridade para darem nome às criaturas (Gn 2, 18-23). Deus também renomeia Abrão como Abraão (Gn 17, 4-6). Os nomes no Antigo Testamento representam a identidade de uma pessoa. Saber o nome de uma pessoa significa que a conhecemos. Essa é uma razão pela qual, quando Moisés pergunta o nome de Deus, Deus diz-lhe: «Eu sou aquele que sou.» Por outras palavras, não tens nada com isso (Ex 3, 14). Mais tarde, no Novo Testamento, Jesus renomeia Simão como Pedro (Mt 16, 18; Jo 1, 42). O perseguidor Saul renimeia-se como Paulo. Os nomes são também importantes atualmente na nossa igreja. A primeira pergunta que um padre ou diácono faz aos pais no batismo de uma criança é: «Que nome dais a esta criança?»

Os nomes são importantes. Deste modo, os líderes da igreja são convidados a estarem atentos à forma como chamam a comunidade LGBT e deixar descansar frases do tipo «afligidos por atrações do mesmo sexo» que nenhuma pessoa LGBT que conheço utiliza e, eventualmente, «pessoa homossexual», que parece excessivamente clínica para muitas pessoas. Não estou a prescrever que nomes utilizar, embora «gay e lésbica», «LGBT» e «LGBTQ» sejam as mais comuns. Estou a afirmar que as pessoas têm o direito de se atribuírem os nomes que entenderem. Utilizar esses nomes é parte do respeito. E se o Papa Francisco pode utilizar a palavra gay, também o resto da igreja o pode fazer.

Finalmente, respeitar as pessoas LGBT significa aceitá-las enquanto filhos amados e filhas amadas de Deus. A igreja tem uma responsabilidade especial na proclamação do amor de Deus por pessoas que são frequentemente feitas sentir como mercadoria estragada, não merecedores do ministério e mesmo sub-humanos, seja por parte das suas famílias, vizinhos ou líderes religiosos. A igreja é convidada a simultaneamente proclamar e demonstrar que as pessoas LGBT são filhos amados e filhas amadas de Deus.

Respeitar as pessoas L.G.B.T. significa aceitá-las como filhos amados e filhas amadas de Deus e deixá-los aperceber-se de que são filhos amados e filhas amadas de Deus

Ainda mais, as pessoas LGBT são filhos amados e filhas amadas de Deus com dons – quer individuais quer como comunidade. Estes dons constroem a igreja em formas únicas conforme S. Paulo nos disse quando comparou as pessoas de Deus a um corpo humano (1 Cor 12, 14-27). Cada parte desse corpo é importante: a mão, o olho, o pé. Consideremos somente os dons trazidos por católicos LGBT que trabalham em paróquias, escolas, chancelarias, centros de retiros, hospitais e agências de serviço social. Aqui está um exemplo pessoal: alguns dos mais dotados ministros de música que conheci ao longo dos meus quase 30 anos como jesuíta eram homens gay, que trouxeram uma tremenda alegria às suas paróquias. Pois também eles se encontram entre as pessoas mais alegres que conheço ao nível da igreja.

A igreja no seu todo é convidada a meditar sobre a forma como os católicos LGBT constroem a igreja através da sua presença, do mesmo modo que os idosos, adolescentes, mulheres, possoas portadoras de deficiência, grupos étnicos variados ou qualquer outro grupo constrói uma paróquia ou diocese. Embora seja errado generalizar, podemos ainda colocar a questão: Quais podem ser esses dons?

Muitas, se não a maioria, pessoas LGBT sofreram, desde muito cedo, incompreensões, preconceito, ódio, perseguição e mesmo violência e, com frequência, sentem compaixão pelos marginalizados. A compaixão é um dom. Muitas vezes as fizeram sentir não bem-vindas nas suas paróquias e na sua igreja, mas elas perseveraram devido à sua fé vigorosa. A perseverança é um dom. As pessoas LGBT frequentemente perdoam ao clero e outros colaboradores da igreja que as trataram como mercadoria danificada. O perdão é um dom. Compaixão, perseverança, perdão são todos dons.

Deixem-me acrescentar outro dom: aquele dos padres celibatários e irmãos que são homossexuais e dos membros castos das ordens religiosas masculinas e femininas e que são gays ou lésbicas. Há várias razões que explicam porque praticamente nenhum clérigo e religioso/a gay ou lésbica saem do armário em relação à sua sexualidade. Entre eles encontram-se os seguintes: são meramente pessoas reservadas; os seus bispos ou superiores religiosos pediram-lhes para não falar nisso; eles próprios sentem-se desconfortáveis em relação à sua sexualidade; ou temem represálias dos paroquianos. Porém, existem muitos clérigos santos e trabalhadores e membros das orden religiosas que são gays ou lésbicas e que vivem as suas promessas de celibato e votos de castidade e que ajudam a igreja. Eles e elas dão-se livre e integralmente à igreja. Eles e elas próprios são o dom.

Ver e nomear todos estes dons é parte do respeitar os nossos irmãos e irmãs LGBT.

quarta-feira, 18 de outubro de 2017

Encontro com Cristo para católicas e católicos LGBT portugueses

O grupo de Católicas e Católicos LGBT organizou mais um Encontro no passado dia 1 de Outubro. Peço desculpa aos meus leitores por não ter estado atento para noticiar no blogue. De qualquer forma aqui fica a informação da página facebook, para que possam acompanhar os próximos encontros

108º Encontro

E aqui vai o link da página facebook dos Rumos Novos

quinta-feira, 11 de maio de 2017

Conceitos LGBTI: Masculino, Movimento Gay, M2F

Bruce Sargeant
Glossário LGBTI: letra M

Reconhecendo as minhas próprias limitações relativas a alguns conceitos utilizados ao falar de questões ligadas à comunidade LGBTI, resolvi partilhar com os leitores do blogue um glossário dos termos mais recorrentes. Esta publicação será faseada e é baseada numa publicação do site da rede ex aequo

"Conscientes dos efeitos de estereotipização e da tentativa de normalização, não se pretende com este glossário contribuir ainda mais para o aumento dessa problemática. Pretendemos apenas clarificar alguns conceitos básicos para que possamos todos/as falar a mesma língua.

Masculino/a – termo criado para descrever as características físicas, emocionais e sociais convencionalmente atribuídas e impostas aos homens.

Movimento Gay (também conhecido por movimento GLBT ou LGBT) – é o esforço ao longo da história para obter compreensão e tratamento igual para gays, lésbicas, bissexuais e transgéneros. É usado frequentemente para designar as lutas contra a discriminação, pelos direitos legais e também as associações que levam a cabo essas lutas.

M-F/MTF/M2F - masculino para feminino. É usado para especificar o sentido da mudança no sexo das pessoas transexuais para o fazer corresponder à sua identidade de género. Neste caso também se pode referir como uma “transexual feminina” ou uma “mulher transexual”."

quarta-feira, 10 de maio de 2017

Conceitos LGBTI: Andrógino, Arco-íris e Assexual

Glossário LGBTI: letra A

Reconhecendo as minhas próprias limitações relativas a alguns conceitos utilizados ao falar de questões ligadas à comunidade LGBTI, resolvi partilhar com os leitores do blogue um glossário dos termos mais recorrentes. Esta publicação será faseada e é baseada numa publicação do site da rede ex aequo


"Conscientes dos efeitos de estereotipização e da tentativa de normalização, não se pretende com este glossário contribuir ainda mais para o aumento dessa problemática. Pretendemos apenas clarificar alguns conceitos básicos para que possamos todos/as falar a mesma língua.

Andrógino/a – pessoa que apresenta uma expressão de género que não é claramente masculina ou feminina.

Arco-íris (bandeira do) – criada como símbolo do orgulho gay e lésbico em São Francisco em 1978 por Gilbert Baker. Foi originalmente o símbolo da Marcha Gay da Liberdade de São Francisco de 1978, querendo-se com ela representar a diversidade das pessoas gays e lésbicas; depois disto o arco-íris e a bandeira do arco-íris foram adotados como símbolos de todo o movimento LGBT.

Assexual – pessoa que não sente atração sexual por pessoas de nenhum género."


terça-feira, 25 de outubro de 2016

Igreja foi à marcha do orgulho LGBT

Igreja fez-se representar na marcha de S. Paulo

Eis uma notícia de esperança por constatar que há uma parte da Igreja que procura estar atenta ao que os seus irmãos e irmãs vivem. Um sinal de abertura ao mundo contemporâneo e à sociedade de braços e coração bem abertos:

Nota da Comissão Justiça e Paz da Arquidiocese de São Paulo

Fiel à sua missão de anunciar e defender os valores evangélicos e civilizatórios dos Direitos Humanos, a Comissão Justiça e Paz de São Paulo (CJPSP) vem a público manifestar-se por ocasião da 18ª Parada do Orgulho LGBT que se realiza na Av. Paulista no próximo domingo, dia 04 de maio de 2014.

Nosso posicionamento se fundamenta na Constituição Pastoral Gaudium et Spes, aprovada pelo Concílio Vaticano II, que diz: “As alegrias e esperanças, as tristezas e angústias dos homens de hoje, sobretudo dos pobres e de todos aqueles que sofrem, são também as alegrais e as esperanças, as tristezas e as angústias dos discípulos de Cristo; e não há realidade verdadeiramente humana que não encontre eco no seu coração.”

Assim, a defesa da dignidade, da cidadania e da segurança das pessoas LGBT – lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais – é imprescindível para a construção de uma sociedade fraterna e justa. Por isso não podemos nos calar diante da realidade vivenciada por esta população, que é alvo do preconceito e vítima da violação sistemática de seus Direitos Fundamentais tais como a saúde, a educação, o trabalho, a moradia, a cultura, entre outros. Além disso, enfrentam diariamente insuportável violência verbal e física, culminando em assassinatos, que são verdadeiros crimes de ódio.

Diante disso, convidamos as pessoas de boa vontade e, em particular, a todos os cristãos, a refletirem sobre essa realidade profundamente injusta das pessoas LGBT e a se empenharem ativamente na sua superação, guiados pelo supremo princípio da dignidade humana.

São Paulo, 30 de abril de 2014

quarta-feira, 21 de outubro de 2015

Projecto Educação LGBT

Para partilhar e divulgar

A Rede Ex Aequo desenvolve um projecto Educação nas Escolas Portuguesas
Aceda AQUI ao vídeo




segunda-feira, 19 de outubro de 2015

Carta de Pe Michele a um grupo LGBT

Deus quer que frutifiquemos com os dons que nos deu

Aqueles que desejam transformá-los em 'heterossexuais', por assim dizer, estarão forçando-os a agir contra a sua natureza e tornando-os psicopatas infelizes. Precisamos colocar em nossas cabeças que Deus, nosso Pai, quer que nós, suas crianças, sejamos felizes e frutifiquemos com os dons que Ele colocou em nossa natureza! (...) 

Vocês têm o direito de procurar um parceiro. E não se preocupem: onde existe o ágape, existe Deus. Vivam a sua vida com alegria. E com a nossa mãe Igreja precisamos ter paciência. A atitude da Igreja com os homossexuais mudará. Neste sentido, inúmeras iniciativas já foram empenhadas.

Ler mais AQUI

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

terça-feira, 29 de outubro de 2013

Imagens homoeróticas do século XX: George Quaintance

George Quaintance (1902 – 1957) foi um artista gay norte-americano, conhecido pelas suas ilustrações idealizadas  e fortemente homoeróticas de meados do século XX - publicadas em revistas gay para adultos. Ele usou temas históricos para justificar a nudez e o afastamento destes da sociedade moderna; a figuração utilizada era de homens nus ou semi-nus e musculados. Foi uma clara referência para artistas homoeróticos posteriores, como por exemplo Tom da Finlândia. Actualmente os seus desenhos parecem oscilar entre o naïf e o kitsch, estética muito adoptada por artistas que mais representam o homoerotismo.

segunda-feira, 20 de maio de 2013

Co-adopção SIM, Adopção ainda não

Portugal dá mais um passo

A adopção de crianças por parte de casais do mesmo sexo voltou a ser chumbada no Parlamento esta sexta-feira, com votos contra de deputados do PSD, PS e CDS. As propostas do Bloco de Esquerda e de Os Verdes pretendiam alargar a possibilidade de adopção. Já a proposta de co-adopção conseguiu passar. Desta forma, passa a ser possível estender ao outro elemento do casal ou da união de facto o vínculo de parentalidade que o outro cônjuge já tem em relação à criança.


O que se discutiu
A proposta de co-adopção em casais do mesmo sexo foi apresentada por Isabel Moreira e Pedro Delgado Alves (PS). Esta forma jurídica existe em vários países e permite que “numa situação conjugal ou de união de facto homossexual, havendo uma criança adoptada por um deles, a outra parte possa também ser co-adoptante”, explicou então Isabel Moreira. Esta sexta-feira a deputada socialista considerou que se estava perante “um passo civilizacional”, mas que “chega atrasado para pais e mães e para crianças que muitas vezes na sua inocência desconhecem que o Estado desconsidera um dos seus pais”. Já os projectos-lei do Bloco de Esquerda e de Os Verdes pretendiam pôr fim à discriminação de casais de pessoas do mesmo sexo no acesso à adopção.

Posições e votos
Havia liberdade de voto nas bancadas do PS e do PSD. Estavam presentes 203 deputados. O projecto da co-adopção registou 99 votos a favor, 94 contra e 9 abstenções. A maioria dos votos contra veio das bancadas do PSD e do CDS. António Braga e João Portugal (PS) também votaram contra a possibilidade de co-adopção. Todos os deputados do PCP, BE e Verdes votaram a favor.
O projecto do Bloco de Esquerda que previa a eliminação da impossibilidade de adopção de casais do mesmo sexo recebeu 104 votos contra (maioria dos deputados do PSD, 6 deputados do PS e a bancada do CDS), 77 a favor (Bloco de Esquerda, Os Verdes, maioria do PS e 12 deputados do PSD. A bancada do PCP absteve-se. Já a proposta de Os Verdes registou o mesmo sentido de voto que a proposta do Bloco.De registar que o PCP absteve-se perante a possibilidade de adopção, quando no debate de 2012 tinha votado contra.

Na véspera do debate, a Amnistia Internacional apelou aos grupos parlamentares para votarem favoravelmente a adopção homossexual. Também a Associação para o Planeamento da Família (APF) voltou a manifestar-se a favor. “Hoje em dia há um consenso científico sobre esta matéria da parentalidade homossexual, a qual sempre existiu, embora não tão explícita”, disse Duarte Vilar, secretário-geral da APF.

Mais polémico foi Marinho Pinto, bastonário da Ordem dos Advogados, que enviou um parecer negativo à Assembleia da República sobre os diplomas em causa. Marinho Pinto argumentou que “os casais do mesmo sexo têm muitos direitos, muitos dos quais, infelizmente, ainda não estão sequer reconhecidos", mas "não têm, seguramente (nem devem ter), direito a adoptar, porquanto esse pretenso direito colide frontalmente com o direito das crianças a serem adoptadas por uma família natural". Um grupo de advogados demarcou-se desta posição.

In dezanove (com títulos alterados)

Nova Zelândia e França, dois países onde o casamento já é igualitário

Égalité apesar da violência

“Egalité!” Foi ao grito de igualdade que a Assembleia Nacional de França aprovou esta terça-feira o casamento para todos, a designação adoptada neste país e que concede iguais direitos a casais homossexuais e heterossexuais. A adopção de crianças por casais do mesmo sexo é permitida automaticamente por inerência da lei do casamento. O Parlamento francês aprovou o casamento entre pessoas do mesmo sexo por 331 votos a favor e 225 contra.
Depois de uma promessa eleitoral de François Hollande, que ainda terá que ratificar a lei, assistiram-se nos últimos 12 meses a vários revezes, manifestações com milhares de pessoas nas ruas e a uma escalada de violência homofóbica sem precedentes, como foi mediatizado através do caso Wilfred de Bruijn.
Além de Hollande, a principal impulsionadora da lei foi Christiane Taubira, Ministra da Justiça, nome pela qual esta reforma acabou por se tornar conhecida. Esta tarde após a votação no Parlamento Taubira declarou: “Não tirámos nada a ninguém. Pelo contrário, reconhecemos os direitos dos nossos concidadãos e concedemos os direitos a todos os casais”.
No Marais, o bairro adoptado pela comunidade gay de Paris, a festa começou logo que a votação foi conhecida.

Nos últimos dias foram várias as manifestações de protesto pela previsível aprovação da lei hoje ocorrida. Foi criado inclusive um grupo para combater esta lei, os Hommen. (...) Os protestos e confrontos com a polícia sucederam-se frente à Assembleia Nacional. Os Conservadores querem um referendo e já anunciaram que irão recorrer ao Tribunal Constitucional para declarar a lei inconstitucional.
(...) Os primeiros casamentos podem realizar-se a partir de Junho e não estão restritos apenas aos cidadãos de nacionalidade francesa.

In dezanove

O número 13: Nova Zelândia

O parlamento da Nova Zelândia legalizou no dia 17 de Abril deste ano o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Este é o primeiro país na região do Pacífico a fazê-lo. Apesar da oposição de grupos Cristãos, a lei foi aprovada com uma maioria de 77 votos a favor e 44 contra.
Após a aprovação o público presente no Parlamento de Wellington decidiu entoar um cântico de celebração em língua indígena Maori dedicado a Louisa Wall, a deputada lésbica que promoveu esta alteração na lei neozelandesa. Louisa Wall, do partido Trabalhista declarou: “Na nossa sociedade o significado de casamento é universal, é uma declaração de amor e compromisso para com aquela pessoa especial” e continuou “neste momento estou muito orgulhosa de ser neozelandesa”. Centenas de pessoas celebraram também esta decisão à porta do parlamento, considerando-a um marco histórico para a igualdade.
A união civil entre pessoas do mesmo sexo é legal na Nova Zelândia desde 2005.
Contudo, a alegria não foi unânime, Bob McCroskrie, fundador do grupo Family First, disse que a lei enfraquece o conceito tradicional de casamento: “Historicamente e culturalmente o casamento sempre foi entre um homem e uma mulher e não se deveria mudá-lo.”
A Nova Zelândia torna-se assim no 13º país a legalizar o casamento entre pessoas do mesmo sexo, seguindo o exemplo de países como a Holanda, Bélgica, Argentina, África do Sul, Portugal e mais recentemente o Uruguai. Os vizinhos australianos chumbaram a lei para legalizar o casamento entre pessoas do mesmo sexo em Setembro passado, contudo, alguns dos seus estados permitem uniões civis.

In dezanove

Brasil: a Justiça decidiu!

Casamento entre 2 pessoas do mesmo sexo é legal no Brasil

Por 14 votos a 1, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) aprovou esta terça-feira uma resolução que obriga todos os cartórios do Brasil a celebrar o casamento civil entre pessoas do mesmo sexo. Ao contrário do que ocorreu nos outros países onde este direito está estabelecido, coube à justiça e não ao parlamento aprovar o casamento igualitário.

O tema foi proposto ao CNJ pelo presidente, Joaquim Barbosa, que também preside o Supremo Tribunal Federal (STF), instância máxima do sistema judicial brasileiro. O casamento entra em vigor mal seja publicada a deliberação no Diário de Justiça, que deverá ocorrer ainda esta semana.
"É vedada às autoridades competentes [os cartórios] a recusa de habilitação, celebração de casamento civil ou de conversão de união estável em casamento entre pessoas de mesmo sexo", refere a resolução, que apresenta as sanções para os cartórios que decidam não cumprir a norma: "A recusa prevista no artigo 1° implicará a imediata comunicação ao respectivo juiz corregedor para as providências cabíveis".
Em 2011, o STF já tinha reconhecido, por unanimidade, a equiparação da união civil homossexual à heterossexual, permitindo que casais de pessoas do mesmo sexo tivessem direitos como herança e pensões. Neste momento o casamento entre pessoas do mesmo sexo é possível em 14 países. Na América Latina é legal na Argentina e no Uruguai. França e o estado do Minnesota foram os mais recentes territórios a dizer “sim”.

In dezanove

Porque estou aqui

Sinto-me privilegiado por ter encontrado na Igreja um lugar vazio, feito à minha medida. É certo que tê-lo encontrado (ou encontrá-lo renovadamente, pois não é dado adquirido) foi também mérito da minha sede, do meu empenho, de não baixar os braços e achar, passivamente, que não seria possível. Passo a contextualizar: a comunidade onde vou à missa é pequena e acolhedora, e podia bem não o ser. Ao mesmo tempo, sentia um desejo grande de reflexão de vida cristã e encontrei um casal (heterosexual) que tinha a mesma vontade. Começámo-nos a reunir semanalmente numa pequena comunidade de oração e reflexão que, apesar de crítica, nos tem ajudado a sermos Igreja e a nela nos revermos. Paralelamente, face ao contínuo desencanto em relação a algumas posturas e pontos de vista de uma Igreja mais institucional e hierárquica, tive a graça de encontrar um grupo de cristãos homossexuais, que se reuniam com um padre regularmente, sem terem de se esconder ou de ocultar parte de si.

Sei que muitos cristãos homossexuais nunca pensaram sequer na eventualidade de existirem grupos cristãos em que se pudessem apresentar inteiros, quanto mais pensarem poder tomar parte e pôr em comum fé, questões, procuras, afectos e vidas.

Por tudo isto me sinto grato a Deus e me sinto responsável para tentar chegar a quem não teve, até agora, uma experiência tão feliz como a minha.

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As imagens que ilustram as mensagens são retiradas da Internet. Quando se conhece a sua autoria, esta é referida. Quando não se conhece não aparece nenhuma referência. Caso detectem alguma fotografia não identificada e conheçam a sua autoria, pedimos que nos informem da mesma.

As imagens são ilustrativas e não são sempre directamente associáveis ao conteúdo da mensagem. É uma escolha pessoal do autor do blogue. Há um critério de estética e de temática ligado ao teor do blogue. Espero, por isso, que nenhum leitor se sinta ofendido com as associações livres entre imagem e conteúdo.

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