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A diversidade na Igreja

"A casa do meu Pai tem muitas moradas", diz-nos Jesus no evangelho.

A unidade na diversidade não é sempre aparente na Igreja enquanto povo de Deus, mas é uma realidade em Deus e uma presença na fé cristã desde a sua origem. A Palavra de Deus não é partidária, elitista e exclusiva. O Reino de Deus é como uma árvore que estende os ramos para dar abrigo a todos os pássaros do céu. Cristo não morreu na cruz para salvar uma mão cheia de cristãos. Até o Deus Uno encerra em si o mistério de uma Trindade.

A Palavra de Deus é inequívoca e só pode levar à desinstalação, à abertura ao outro, e a recebê-lo e amá-lo enquanto irmão ou irmã. Ninguém fica de fora, nem mesmo - se tivessemos - os inimigos.

Muitos cristãos crêem nesta Igreja, nesta casa do Pai, corpo de Cristo, templo do Espírito Santo. Mas como esquecer que muitos se sentem "de fora" por se verem rejeitados, amputados e anulados, e afastam-se por ninguém lhes ter mostrado que há um lugar para cada um, com a totalidade do seu ser?

Um blogue para cristãos homossexuais que não desistiram de ser Igreja

Porquê este blogue?

Este blogue é a partilha de uma vida de fé e é uma porta aberta para quem nela quiser entrar. É um convite para que não desistas: há homossexuais cristãos que não querem recusar nem a sua fé nem a sua sexualidade. É uma confirmação, por experiência vivida, que há um lugar para ti na Igreja. Aceita o desafio de o encontrares!

Este blogue também é teu, e de quem conheças que possa viver na carne sentimentos contraditórios de questões ligadas à fé e à orientação sexual. És benvindo se, mesmo não sendo o teu caso, conheces alguém que viva esta situação ou és um cristão que deseja uma Igreja mais acolhedora onde caiba a reflexão sobre esta e outras realidades.

Partilha, pergunta, propõe: este blogue existe para dar voz a quem normalmente está invisível ou mudo na Igreja, para quem se sente só, diferente e excluído. Este blogue não pretende mudar as mentalidades e as tradições com grande aparato, mas já não seria pouco se pudesse revelar um pouco do insondável Amor de Deus ou se ajudasse alguém a reconciliar-se consigo em Deus.
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sábado, 7 de abril de 2018

Igreja é Comunhão

«Comunhão», um dos mais belos nomes da Igreja

Se nos pudéssemos lembrar sempre de que Cristo é comunhão ...

Ele não veio à Terra para criar mais uma religião, mas para dar a todos a possibilidade de uma comunhão em Deus. Os seus discípulos são chamados a, humildemente, ser fermento de confiança e de paz na humanidade.

Quando a comunhão entre os cristãos é uma vivência, e não uma teoria, transporta um brilho de esperança. Mais ainda: ela pode sustentar a indispensável busca da paz do mundo.

Assim sendo, como é que os cristãos podem continuar ainda separados?

A reconciliação dos cristãos é hoje urgente. Não pode ser eternamente adiada para mais tarde, até ao fim dos tempos.

Ao longo dos anos, a vocação ecuménica proporcionou partilhas extraordinárias. São as premissas de uma reconciliação. Mas quando a vocação ecuménica não se concretiza em comunhão, não leva a lado nenhum.

O Patriarca ortodoxo grego de Antioquia, Inácio IV, é o autor destas palavras impressionantes: «As nossas divisões tornam Cristo irreconhecível. Precisamos urgentemente de iniciativas proféticas que façam sair o ecumenismo dos meandros nos quais receio que se esteja a enterrar. Temos uma necessidade urgente de profetas e de santos que ajudem as nossas Igrejas a converterem-se através do perdão recíproco.» E o Patriarca apelava a que se «privilegiasse a linguagem da comunhão em vez da linguagem da jurisdição».

O papa João Paulo II, ao receber em Roma os responsáveis da Igreja Ortodoxa da Grécia, falava do «ecumenismo da santidade, que nos conduzirá por fim à comunhão plena, que não é nem uma absorção nem uma fusão, mas um encontro na verdade e no amor».

Na longa história dos cristãos, a certa altura, multidões de crentes deram por si separadas, por vezes sem sequer saberem porquê. Hoje é essencial fazer tudo para que o maior número possível de cristãos, frequentemente inocentes nessas separações, se descubram em comunhão.

Será que a Igreja pode dar sinais de grande abertura, tão grande que se possa constatar que os que no passado estavam divididos já não estão separados, mas vivem agora em comunhão?

Será dado um passo em frente quando se verificar que existe já uma vida de comunhão em alguns lugares do mundo. Será preciso coragem para o constatarmos e para nos adaptarmos. Os textos virão depois. Se privilegiarmos os textos, não acabaremos por nos distanciar da interpelação do Evangelho: «Vai primeiro reconciliar-te»?

São inúmeras as pessoas que desejam a reconciliação do fundo do coração. Aspiram a esta alegria infinita: um só amor, um só coração e uma só e mesma comunhão.

Sim, a comunhão é a pedra de toque. Ela nasce em primeiro lugar no coração de cada cristão, no silêncio e no amor. Começa, desde logo, no interior de cada pessoa.
Há cristãos que, sem esperar mais, vivem já reconciliados nos lugares onde se encontram, de forma muito humilde e simples.

Através das suas próprias vidas, gostariam de tornar Cristo presente para muitas outras pessoas. Sabem que a Igreja não existe para si mesma, mas para o mundo, para nele depositar um fermento de paz.

«Comunhão» é um dos mais belos nomes da Igreja: nela não há lugar para a brusquidão recíproca, mas apenas para a clareza, a bondade do coração, a compaixão...

Nesta comunhão única que é a Igreja, Deus dá-nos tudo para irmos às fontes: o Evangelho, a Eucaristia, a paz do perdão... E a santidade de Cristo deixa de ser inalcançável; está presente, muito próxima.

Permitam-me que volte a dizer que a minha avó materna descobriu, intuitivamente, uma espécie de chave da vocação ecuménica e que ela me abriu um caminho para a concretizar.

Depois da Primeira Guerra Mundial, habitava nela o desejo de que ninguém tivesse de viver aquilo que ela tinha vivido: na Europa, os cristãos tinham pegado em armas para combater uns contra os outros. Que ao menos eles se reconciliem para tentar impedir uma nova guerra, pensava ela. A minha avó era de origem evangélica mas, começando a reconciliação por si própria, começou a ir à igreja católica, sem, no entanto, romper com as pessoas da sua tradição.

Marcado pelo testemunho da sua vida, e ainda muito novo, encontrei a minha identidade de cristão seguindo as suas pisadas, reconciliando em mim mesmo a fé das minhas origens com o mistério da fé católica, sem quebrar a comunhão com ninguém.

Ir. Roger de Taizé
In "Não pressentes a felicidade?", ed. Paulinas
Publicado em Janeiro de 2015 in SNPC

segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

Misericórdia: um escândalo

A loucura e o escândalo da misericórdia

«A misericórdia é qualquer coisa de escandaloso, louco, até, para a lógica humana. Não raro, no decorrer da história e dentro da Igreja, foi interpretada exatamente ao contrário de como Jesus a colocou em prática com a mulher adúltera, que escribas e fariseus queriam apedrejar.»

Enzo Bianchi fala com a verve do homem apaixonado. Cita os Evangelhos, a festa hebraica do Yom Kippur, o profeta Oseias e o místico russo Silvano do Monte Athos. No Salão do Livro de Turim dialogou com o psicanalista Massimo Recalcati, partindo do seu último livro, “L’amore scandaloso di Dio”, o amor escandaloso de Deus (editora San Paolo, 144 págs.).

O prior da Comunidade de Bose sublinha o sentido paradoxal da misericórdia: «Não é o arrependimento que cria o perdão, mas o perdão que nos é dado é que provoca o arrependimento». Isto é possível graças à «força assimétrica», como a define Recalcati, do perdão: «Não perdoo o outro porque se arrepende mas perdoo-o porque este gesto abre o cenário inédito do arrependimento e permite àquele homem recomeçar».

«Na minha experiência de psicanalista sei bem que se há uma experiência humana que mais se assemelha à ressurreição, é a experiência de ser perdoado. Porque permite a quem é perdoado continuar a viver, oferece-lhe uma outra oportunidade, marca um novo início», declara Recalcati.

Enzo Bianchi recorda a sua história de vida: «O tema do perdão não me é dado nem da infância nem da educação católica. Até aos 30 anos era rigorista, os meus modelos eram Joana d’Arc e Thomas Beckett». Depois aconteceu o encontro com o texto bíblico e com aquela afirmação que o profeta Oseias coloca na boca de Deus: «Quero misericórdia, e não sacrifícios, o conhecimento de Deus mais do que holocaustos».

O monge explica o sentido da dupla afirmação: «Sacrifícios e holocaustos, concetualmente, estão juntos, e isso percebemo-lo; mais difícil de perceber, porque radicalmente novo, é juntar misericórdia e conhecimento de Deus. Significa que só podemos conhecer Deus numa experiência passiva de misericórdia, de amor e de reconciliação; de outro modo torna-se um ídolo que fabricamos sob medida, o produto das nossas projeções. O inferno, para o homem, para cada um de nós, é não ser perdoado por ninguém».

O religioso comenta a parábola do pai misericordioso, ou do filho pródigo, do Evangelho segundo S. Lucas: «Ao início, quando regressa a casa, o filho pródigo não o faz por estar arrependido mas porque estava mal e não tinha o que comer, tanto que diz ao pai, perentoriamente, como uma ordem: “Trata-se como um dos teus assalariados”. O pai não procura explicações, dá-lhe desde logo a veste mais bela, o anel no dedo e prepara o vitelo gordo para fazer festa. O perdão do pai precede o arrependimento do filho pródigo. Eis o escândalo».

O último tópico do diálogo é sobre o sacrifício. Diz Bianchi: «O sacrifício é comum a todas as religiões e não raro gera violência. Se o sacrifício é mortificação, não tem nada a ver com a vida cristã. Se, pelo contrário, é renunciar a algo pelo outro, então todos os dias fazemos sacrifícios».

Conclui o psicanalista Massimo Recalcati: «O sacrifício torna-se patológico quando gera uma satisfação no sujeito e se torna critério de superioridade moral em relação aos outros. Este é um risco sempre presente na psicologia do homem religioso».

Antonio Sanfrancesco in "Famiglia Cristiana"
Redação de Rui Jorge Martins para SNPC

sábado, 18 de janeiro de 2014

Avançar é preciso

Qual a medida do nosso coração?

Alguns anos após a Guerra Civil nos EUA ter terminado, o famoso general Robert Lee visitou a plantação de um amigo no Kentucky. Diante da mansão estavam ainda os tristes vestígios de uma grande magnólia, cujos ramos tinham sido destruídos pela artilharia.

Apesar da passagem do tempo, a dona da casa vivia ainda com um sentimento amargo, e chorou lágrimas encolerizadas quando mostrou ao general o tronco cicatrizado e enegrecido da árvore. A mulher fez uma pausa, na expetativa de que a sua raiva fosse reforçada por palavras que reprovassem o odioso inimigo.

O general ficou silencioso durante alguns instantes. Depois, olhou para o que restava da magnólia e disse: «Deite-a abaixo, querida senhora, e esqueça».

Durante anos, a mulher envenenou e reduziu a sua vida ao afeiçoar-se àquelas memórias amargas. Mudar de atitude implicava uma profunda mudança do coração. Porque é com o nosso coração que olhamos para o mundo, tiramos-lhe as medidas e decidimos como reagir a ele.

Se os nossos corações são amargos, maus ou pequenos, eles projetarão a sua imagem estreita e horrível do mundo. Nele encontraremos precisamente o que estamos à espera de encontrar, ou seja, nada de bom. Reduziremos os nossos amigos a inimigos e as oportunidades a problemas. E nesta dinâmica, os nossos coração tornar-se-ão, eles também, cada vez mais pequenos e estreitos, com cada vez menos espaço para a amizade e para o amor que as pessoas nos querem dar. É o que Jesus quer dizer quando afirma: «A medida que usardes com os outros será usada convosco».

Mas, e se os nossos corações não forem frios, duros e pequenos? O que acontecerá se os nossos corações forem calorosos, abertos e otimistas? O que é que veremos? Um mundo muito diferente, um mundo cheio de pessoas boas que ainda não se completaram, um mundo de pessoas que lutam para que a sua vida dê certo, pessoas que conseguirão crescer se lhes dermos uma mão em vez de lhes virarmos as costas. Grandes corações podem visualizar tudo isto, e podem converter os inimigos em amigos, e podem amar as pessoas no seu todo, como elas são, tal como Deus as ama.

E nesta dinâmica de procurar o bem nos outros e ajudá-lo a ampliar-se, esses corações grandes e abertos tornar-se-ão cada vez maiores. E então encontraremos em nós uma capacidade totalmente nova de recebermos e alegrarmo-nos com o amor e a amizade que as pessoas nos querem dar. A medida que usarmos com os outros será aquela com que seremos medidos.

Em que mundo queremos viver? Num mundo hostil, cheio de inimigos e vazio de alegria? Ou num mundo pacífico, totalmente habitado por irmãos e irmãs? A escolha é nossa. E quer o saibamos ou não, os nossos corações estão neste preciso momento a criar o mundo que escolhemos. Com a ajuda de Deus, pode ser um mundo luminoso, com espaço suficiente para todos os filhos de Deus.

P. Dennis Clark
Trad./adapt.: rjm publicado por SNPC | 09.01.14

sexta-feira, 11 de março de 2011

As mulheres dos evangelhos: a inominada

Anthony Frederick Sandys

O dia da Mulher passou de forma despercebida, entre o Carnaval e o feriado, a chuva e a festa. Publico um texto a propósito de uma mulher do tempo de Jesus, que vulgarmente se associa à imagem de Maria Madalena mas, de facto, nunca o seu nome foi nomeado. É uma bela imagem para esta Quaresma que começamos: imagem de acolhimento, louvor, perdão, serviço, humildade e amor.
Uma mulher aos pés de Jesus
Um fariseu convidou-o para comer consigo. Entrou em casa do fariseu, e pôs-se à mesa. Ora certa mulher, conhecida naquela cidade como pecadora, ao saber que Ele estava à mesa em casa do fariseu, trouxe um frasco de alabastro com perfume. Colocando-se por detrás dele e chorando, começou a banhar-lhe os pés com lágrimas; enxugava-os com os cabelos e beijava-os, ungindo-os com perfume. Vendo isto, o fariseu que o convidara disse para consigo: «Se este homem fosse profeta, saberia quem é e de que espécie é a mulher que lhe está a tocar, porque é uma pecadora!» Então, Jesus disse-lhe: «Simão, tenho uma coisa para te dizer.» «Fala, Mestre» - respondeu ele. «Um prestamista tinha dois devedores: um devia-lhe quinhentos denários e o outro cinquenta. Não tendo eles com que pagar, perdoou aos dois. Qual deles o amará mais?» Simão respondeu: «Aquele a quem perdoou mais, creio eu.» Jesus disse-lhe: «Julgaste bem.» E, voltando-se para a mulher, disse a Simão: «Vês esta mulher? Entrei em tua casa e não me deste água para os pés; ela, porém, banhou-me os pés com as suas lágrimas e enxugou-os com os seus cabelos. Não me deste um ósculo; mas ela, desde que entrou, não deixou de beijar-me os pés. Não me ungiste a cabeça com óleo, e ela ungiu-me os pés com perfume. Por isso, digo-te que lhe são perdoados os seus muitos pecados, porque muito amou; mas àquele a quem pouco se perdoa pouco ama.» Depois, disse à mulher: «Os teus pecados estão perdoados.» Começaram, então, os convivas a dizer entre si: «Quem é este que até perdoa os pecados?» E Jesus disse à mulher: «A tua fé te salvou. Vai em paz.» (Lucas 7, 36-50)

O terceiro Evangelho [Lucas] é aquele que guarda mais relatos de mulheres: é, por exemplo, o único que conta a história de Isabel (1, 5-25), Maria (1, 26-56), Ana (2, 36-38), a viúva de Naim (7, 11-17), Maria Madalena, Joana, Susana e as outras mulheres que seguiam Jesus (8, 1-3), Marta e Maria (19, 38-42), a mulher encurvada (13, 10-17), a mulher que procura a moeda perdida (15, 8-10), a viúva insistente (18, 1-8) e as mulheres de Jerusalém que choram atrás da cruz (23, 27-31). Para lá daquelas mulheres cuja referência partilha com os outros Sinópticos, como é o caso da sogra de Simão (5, 38-39; Mateus 8, 14-15; Marcos 1, 29-31), a hemorroíssa e a filha de Jairo (8, 40-56; Mateus 9, 18-26; Marcos 5, 21-43), a viúva que dá tudo quanto tinha para o tesouro do Templo (21, 1-4; Marcos 12, 41-44), as mulheres galileias que descobrem o túmulo vazio (24, 1-8; Mateus 28, 1-8; Marcos 16, 1-8).

Para um leitor de Lucas não é, portanto, estranho que uma mulher acorra à procura de Jesus. O encontro com mulheres pontua o caminho de Jesus. E à partida sabe-se que muitas acolhiam a mensagem e a pessoa de Jesus. O aparecimento de uma mulher acaba sempre por trazer um elemento positivo à narração.

O primeiro dado inesperado, por parte do narrador, é o modo como apresenta a mulher: «uma pecadora». Isto é tanto mais espantoso, quando sabemos que Lucas não caracteriza moralmente outros personagens. E, precisamente em relação aos pecadores, ele distingue-se por uma grande delicadeza, feita de silêncio e reserva. Embora alguns comentadores digam tratar-se de uma prostituta isso não nos é referido por Lucas, que poderia ter utilizado o substantivo πóρνη, como o faz noutra passagem, Lucas 15,30. Afirma-se simplesmente que era uma pecadora da cidade (v.37), e tal é reiterado pelo próprio fariseu (v.39).

A mulher irrompe pela narrativa. A sua presença não tem, como no caso anterior, a legitimidade de um convite formulado. Nem ela surge por si, mas porque Jesus se encontra à mesa do fariseu. É, portanto, desde o início, um personagem que se coloca na órbita de outro e assume essa dependência.
Uma justificação que o narrador subtilmente avança para a entrada da mulher deve ler-se no destaque concedido ao alabastro, com perfume, que ela traz: por um lado, o objecto oferece à mulher um motivo, uma função; e, por outro, empresta uma espécie de ingrediente novo e específico à narrativa. Basta comparar 7, 36-50 com 11, 37-54 e 14, 1-24 que mostram sobretudo como Jesus reage às abluções, às disputas dos lugares ou à lógica retributiva que presidia à organização dos banquetes. O perfume como que fornece o móbil que depois a própria trama se encarregará de intricar: a qualidade do acolhimento a Jesus.

É difícil permanecer indiferente ao trânsito deste personagem que nos é descrito num impressionante regime de showing. A mulher entra e sai em silêncio, mas o leitor sente que a sua passagem se revestiu de uma eloquência ímpar. Em vez de palavras ela utilizou uma linguagem plástica, talvez mais contundente que a verbal. Representou, como actriz solitária, no palco da casa do fariseu, o seu monólogo ferido: com o seu pranto prolongado, os cabelos a arrastar-se pelo chão do hóspede, numa coreografia humilde e lancinante, os beijos e o perfume que mais ninguém ali teve a preocupação de ofertar a Jesus. A qualidade penitenciai do personagem é testemunhada pelo território simbólico em que ela opera, os pés de Jesus, sete vezes referidos, e pela convulsão da sua figura (pois «desatar o seu cabelo em presença do homem era considerado, para uma mulher, uma grande desonra»).

Nas passagens paralelas a Lucas 7, 36-50 (Marcos 14, 3-9; Mateus 26, 6-13; João12, 1-8) a mulher unge Jesus, mas não chora. No episódio lucano as suas lágrimas substituem a água da hospitalidade que faltou. «Pelas minhas lágrimas, eu conto uma história», explica Roland Barthes. Segundo aquele ensaísta as lágrimas são uma realidade tudo menos insignificante. Porque temos muitas formas de chorar e essas revelam não só a intensidade do nosso desgosto, mas também a natureza da nossa sensibilidade. Porque ao chorar, mesmo na mais estrita solidão, nos dirigimos a alguém: esforçamo-nos para o outro não ver que nós choramos, mas a verdade é que nós choramos sempre para um outro ver. Porque as lágrimas emprestam um realismo particular, dramático à expressão de nós próprios. Na tradição bíblica é muito comum que o pranto acorde no homem a consciência da dependência divina. Ele reconhece a sua insuficiência, a debilidade das suas seguranças e reclama a intervenção favorável e protectora de Deus (1 Samuel 1, 10; Lamentações 1, 16).

A inominada não cumpre os rituais de hospitalidade ao serviço da casa do fariseu. Em relação ao fariseu ela é uma intrusa, e não uma associada. O seu nexo é com Jesus: os seus gestos, tão distantes, na sua emotividade, daquela delicada indiferença que se requer a quem habitualmente presta, aos hóspedes, esse serviço, são interpretados por Jesus como uma forma de acolhimento na fé: por isso, de pecadora a mulher passará a perdoada. E a transformação do estatuto da mulher derrama um perfume novo não só na perícope, mas pelo próprio Evangelho.

Nota: Esta transcrição omite as notas de rodapé do texto original.

José Tolentino Mendonça
In A Construção de Jesus, ed. Assírio & Alvim
publicado por SNPC

domingo, 5 de setembro de 2010

Águas agitadas

Vi hoje um filme profundamente perturbador e notável. O único sítio onde está em exibição em Lisboa é no UCI-Corte Inglés, numa única sessão (19h15). Chama-se Águas Agitadas e é um filme norueguês. É um tema pesado, tratado com uma limpeza escandinava e com interpretações soberbas. Em pano de fundo uma história do passado e outra do presente, Oslo e uma Igreja reformada (e descubram as diferenças entre esta e a Igreja católica romana)... e órgão de tubos como banda sonora omnipresente.

Passo a citar a sinopse e os créditos:
No seu último dia de cadeia e depois de cumprir uma longa pena pelo rapto e morte de uma criança, Yan Thomas (Pål Sverre Valheim Hagen) agarra-se à esperança de avançar com a sua vida em busca de uma segunda oportunidade. Depois de anos como organista da capela da cadeia, resolve candidatar-se a uma vaga numa igreja de Oslo onde, sem que ninguém desconfie do seu passado, acaba por conquistar o amor de Anna (Ellen Dorrit Petersen), a pastora, e o respeito e admiração de todos.

Tudo parece encarrilado até ao dia em que é reconhecido por Agnes (Trine Dyrholm), a mãe da criança a quem ele terá causado a morte. E Agnes, que ainda não ultrapassou a perda nem o sentimento de culpa pela morte do filho, exige saber o que verdadeiramente se passou naquele trágico dia de Inverno...

Último filme da trilogia do norueguês Erik Poppe começada com "Schpaaa" (1998) e "Hawaii.Oslo" (2004), uma história dramática sobre culpa, redenção e segundas oportunidades.

De: Erik Poppe
Com: Pål Sverre Valheim Hagen, Trine Dyrholm, Ellen Dorrit Petersen, Trond Espen Seim
Título original: Troubled Water
Género: Drama
Classificacao: M/16
NOR, 2008, Cores, 115 min

Porque estou aqui

Sinto-me privilegiado por ter encontrado na Igreja um lugar vazio, feito à minha medida. É certo que tê-lo encontrado (ou encontrá-lo renovadamente, pois não é dado adquirido) foi também mérito da minha sede, do meu empenho, de não baixar os braços e achar, passivamente, que não seria possível. Passo a contextualizar: a comunidade onde vou à missa é pequena e acolhedora, e podia bem não o ser. Ao mesmo tempo, sentia um desejo grande de reflexão de vida cristã e encontrei um casal (heterosexual) que tinha a mesma vontade. Começámo-nos a reunir semanalmente numa pequena comunidade de oração e reflexão que, apesar de crítica, nos tem ajudado a sermos Igreja e a nela nos revermos. Paralelamente, face ao contínuo desencanto em relação a algumas posturas e pontos de vista de uma Igreja mais institucional e hierárquica, tive a graça de encontrar um grupo de cristãos homossexuais, que se reuniam com um padre regularmente, sem terem de se esconder ou de ocultar parte de si.

Sei que muitos cristãos homossexuais nunca pensaram sequer na eventualidade de existirem grupos cristãos em que se pudessem apresentar inteiros, quanto mais pensarem poder tomar parte e pôr em comum fé, questões, procuras, afectos e vidas.

Por tudo isto me sinto grato a Deus e me sinto responsável para tentar chegar a quem não teve, até agora, uma experiência tão feliz como a minha.

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