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A diversidade na Igreja

"A casa do meu Pai tem muitas moradas", diz-nos Jesus no evangelho.

A unidade na diversidade não é sempre aparente na Igreja enquanto povo de Deus, mas é uma realidade em Deus e uma presença na fé cristã desde a sua origem. A Palavra de Deus não é partidária, elitista e exclusiva. O Reino de Deus é como uma árvore que estende os ramos para dar abrigo a todos os pássaros do céu. Cristo não morreu na cruz para salvar uma mão cheia de cristãos. Até o Deus Uno encerra em si o mistério de uma Trindade.

A Palavra de Deus é inequívoca e só pode levar à desinstalação, à abertura ao outro, e a recebê-lo e amá-lo enquanto irmão ou irmã. Ninguém fica de fora, nem mesmo - se tivessemos - os inimigos.

Muitos cristãos crêem nesta Igreja, nesta casa do Pai, corpo de Cristo, templo do Espírito Santo. Mas como esquecer que muitos se sentem "de fora" por se verem rejeitados, amputados e anulados, e afastam-se por ninguém lhes ter mostrado que há um lugar para cada um, com a totalidade do seu ser?

Um blogue para cristãos homossexuais que não desistiram de ser Igreja

Porquê este blogue?

Este blogue é a partilha de uma vida de fé e é uma porta aberta para quem nela quiser entrar. É um convite para que não desistas: há homossexuais cristãos que não querem recusar nem a sua fé nem a sua sexualidade. É uma confirmação, por experiência vivida, que há um lugar para ti na Igreja. Aceita o desafio de o encontrares!

Este blogue também é teu, e de quem conheças que possa viver na carne sentimentos contraditórios de questões ligadas à fé e à orientação sexual. És benvindo se, mesmo não sendo o teu caso, conheces alguém que viva esta situação ou és um cristão que deseja uma Igreja mais acolhedora onde caiba a reflexão sobre esta e outras realidades.

Partilha, pergunta, propõe: este blogue existe para dar voz a quem normalmente está invisível ou mudo na Igreja, para quem se sente só, diferente e excluído. Este blogue não pretende mudar as mentalidades e as tradições com grande aparato, mas já não seria pouco se pudesse revelar um pouco do insondável Amor de Deus ou se ajudasse alguém a reconciliar-se consigo em Deus.
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segunda-feira, 25 de março de 2019

O Franciscano à frente do Banco

Pobreza e Poder

Partilho o artigo do Observador, intitulado "De onde vem a influência de Vitor Melícias, o padre "malandreco" que manda no Montepio". Ao contrário do que o título sugere, não se trata de um artigo sensacionalista ou difamatório. Partilho-o com os meus leitores por me parecer interessante e por levantar algumas questões ligadas à presença e acção de um cristão no mundo e, neste caso concreto, a acção pública, social e mediática de um sacerdote e de um religioso em meios políticos, sociais, empresariais e económicos. Demito-me de opiniões e deixo que cada um formule as suas.


Morreu Manuel Graça Dias, um arquitecto que não tinha medo da cor

Aos 66 anos, morreu um arquitecto que marcou a década de 1990 da arquitectura portuguesa

Manuel Graça Dias é um nome bem conhecido para quem se interessa pela arquitectura. Trabalhou muito com o arquitecto Egas José Vieira no ateliê Contemporânea. Responsável pelo pavilhão de Portugal na expo de Sevilha em 1992, foi também da sua autoria a reconversão da torre da Galp criando a entrada Sul da expo' 98 em Lisboa. Outras das suas obras mais conhecidas são a sede da Ordem dos Arquitectos em Lisboa, os cinemas Monumental, o Teatro Azul em Almada... Outros projectos mais arrojados não escaparam da polémica, como o edifício Golfinho em Chaves ou projectos utópicos como o elevador para o Castelo de São Jorge em Lisboa - que nunca saiu do papel.  Foi professor universitário de muitas gerações de arquitectos e também ficou conhecido pelos programas na RTP 2 ou os livros que escreveu, com uma linguagem muito acessível ao grande público.

Proponho o artigo do Observador sobre este tema.


sexta-feira, 30 de março de 2018

Mudança de sexo aos 16 anos

Nova lei da identidade de género vai permitir mudança nome e sexo aos 16 anos

A proposta de lei do Governo prevê que os jovens de 16 anos possam mudar de nome e de género. Documento vai ser votado a 6 de abril e PSD deverá dar liberdade de voto aos deputados.
A proposta de lei do Governo para a identidade de género prevê que os jovens possam mudar o nome e o género no cartão de cidadão aos 16 anos (ao contrário dos atuais 18), com autorização dos pais, avança a edição desta sexta-feira do Expresso. Além da descida do limiar da idade, o documento prevê o fim da necessidade de um relatório clínico para esta mudança, que sejam proibidas as cirurgias a bebés intersexo ( não ser que estejam em causa motivos de saúde) e que as escolas passem a tratar as crianças e jovens pelo género com que se identificam.

O documento vai ser votado no Parlamento a 6 de abril e conta com os votos favoráveis do PS, Bloco de Esquerda, PEV, PAN e com a abstenção do PCP. Neste cenário, a aprovação da lei fica dependente de apenas um voto, avança o Expresso. Ao contrário do que era esperado, é provável que o PSD não imponha disciplina de voto contra a proposta e que dê liberdade de voto aos deputados. Neste caso, replicando o que aconteceu com a lei da procriação medicamente assistida, é possível que 20 sociais-democratas votem a favor.

A socialista Isabel Moreira disse ao Expresso que esta lei “é uma lei limpa e clara, que nada tem que ver com tratamentos e processos cirúrgicos”. Já Vânia Dias Silva, do CDS defende que “ao 16 anos, os jovens não têm capacidade de decisão definitiva”.

Nuno Monteiro Pereira, presidente da competência de Sexologia da Ordem dos Médicos, disse ao mesmo jornal que “o problema dos transexuais é viverem numa sociedade que os rejeita” e deu um parecer positivo à proposta do Governo. Explica que em 2017 cerca de 50 pessoas pediram para fazer a cirurgia de redesignação sexual — a maioria eram pessoas que tinham nascido com o género feminino e que queriam passar para o género masculino. Entre 2012 e 2016, foram feitas 38 cirurgias destas em hospitais públicos. Mas entre 2011 e 2017, houve 375 pessoas que mudaram de género no cartão de cidadão.

Por Ana Pimentel in Observador

Município do Oeste lusitano dá exemplo de sustentabilidade

Torres Vedras assume-se como um dos destinos mais sustentáveis do mundo

Torres Vedras destaca-se enquanto um concelho cada vez mais sustentável e assume um papel de destaque no quadro dos ‘Green Destinations’

As preocupações em torno do ambiente e da sustentabilidade têm vindo a ganhar cada vez mais importância na agenda dos municípios. A sustentabilidade e o turismo andam de “braço dado”, com as preocupações ambientais a pesarem cada vez mais na hora da escolha do destino de férias de turistas de todo o mundo. Em Portugal, Torres Vedras destaca-se enquanto um concelho cada vez mais sustentável e assume um papel de destaque no quadro dos ‘Green Destinations’.
Foi no início de março que o município foi distinguido com o 1º lugar na categoria ‘Best of Cities, Communities & Culture’ no âmbito da ITB Berlin, uma das mais importantes feiras de viagem a nível internacional. A distinção, que também integrou a região Oeste de Portugal, foi atribuída na capital alemã numa cerimónia onde os destinos turísticos mais sustentáveis do mundo foram os protagonistas.
A ‘Green Destinations’ organização sem fins lucrativos, tem como finalidade a promoção do turismo sustentável, com preocupações que abrangem valores transversais às restantes esferas da sociedade que regem a ação dos territórios que a integram. É nesse sentido que Torres Vedras também teve de cumprir vários critérios de modo a obter a classificação de ‘Green Destination’, como a promoção de emprego ligado à economia verde, o uso de recursos locais e a promoção e utilização de produtos locais.

Sustentabilidade além-fronteiras

Carlos Bernardes, presidente da Câmara Municipal de Torres Vedras, assume o cargo de presidente da comunidade de Embaixadores Europeus da ‘Green Destinations’, transportando para a agenda do concelho aqueles que são os valores fundamentais daquela plataforma, como o apoio à cultura e à tradição local, a luta contra a violação dos direitos humanos e a promoção de condições para a acessibilidade e mobilidade de todos os cidadãos, a garantia da saúde pública, da segurança e da boa gestão ambiental e a proteção de paisagens, habitats e vida selvagem.
Torres Vedras ergue, desta forma, a bandeira da sustentabilidade, tendo recebido o Encontro Europeu de Embaixadores ‘Green Destinations’. O Encontro, que decorreu em março do ano passado, levou ao concelho os representantes de uma comunidade exclusiva de profissionais comprometidos com o bem-estar dos destinos e o desenvolvimento do turismo responsável. Sublinhe-se que a reunião decorreu no âmbito do Greenfest, o maior evento de sustentabilidade realizado em Portugal, onde se partilham testemunhos sobre o que se faz no âmbito da sustentabilidade nas mais variadas vertentes.
Se os fatores económico, social e ambiental se apresentam, geralmente, como os pilares da sustentabilidade, o certo é que o presidente da Câmara Municipal de Torres Vedras não descura a importância do modelo de governança para uma efetiva política de sustentabilidade. Neste sentido, sublinhe-se a existência de documentos como o primeiro Relatório de Sustentabilidade do Município, publicado em 2016, e o Plano Estratégico de Turismo Sustentável para o Concelho de Torres Vedras.

Terra de vinho, mar e história

Com mais de 7 mil hectares de vinha, a produção vinícola no concelho de Torres Vedras remonta, pelo menos, ao tempo da colonização romana e conhece, aos dias de hoje, reconhecimento internacional. Afinal, os concelhos de Torres Vedras e Alenquer são “Cidade Europeia do Vinho 2018”, distinção atribuída pela Rede Europeia das Cidades do Vinho – RECEVIN.
A distinção conta com um programa de mais de 80 atividades dedicadas à vinha e ao vinho na região que, além de levarem a população a conhecer o património de quintas e adegas, também se dedicam à cultura, ao desporto e à ciência.
Mas nem só de vinha se faz o concelho, que conta com 20 km de costa banhada pelo Atlântico e com 11 praias com Bandeira Azul (2017). Uma costa que conquistou o galardão ‘Quality Coast’, que comprova que toda a área costeira concelhia apresenta um desempenho sustentável excelente, sendo uma referência no domínio do turismo sustentável. O concelho de Torres Vedras foi mesmo um dos primeiros territórios nacionais a exibir este galardão de abrangência europeia, hasteando a bandeira desde 2009.
Também a Área de Paisagem Protegida Local das Serras do Socorro e da Archeira mereceu a certificação internacional para o turismo sustentável de natureza em zonas costeiras da ‘Quality Coast’. Os 1223 hectares que compõem aquela Área distribuem-se por três freguesias e contam com uma diversidade de espécies que vai de pequenos mamíferos a borboletas e aves. Este é um local onde a natureza, a história, a cultura e a paisagem são elementos de valor patrimonial reconhecidos pelo galardão.
Ao território de extensas vinhas, com uma costa Atlântica tão vasta e uma natureza protegida, alia-se a importância história. Com o objetivo de travar a terceira invasão Napoleónica, o General Wellington mandou construir as Linhas de Torres Vedras em 1809. O sistema defensivo visava proteger a capital, contando, para isso, com três linhas que se compunham de 152 obras militares e 600 peças de artilharia. As Linhas de Torres Vedras foram defendidas por 36.000 portugueses, 35.000 britânicos, 8.000 espanhóis e cerca de 60.000 homens de tropas portuguesas não-regulares, ao longo de mais de 88 km.

Do papel para o dia-a-dia

Se as grandes linhas orientadoras que pautam o trabalho pela sustentabilidade podiam ficar no papel, a verdade é que o Município passou de uma certificação básica da Green Destinations, em 2009, para a conquista da platina, em 2016. Um reconhecimento do trabalho que tem vindo a ser feito e que se complementa com a ação contínua de promoção e desenvolvimento da consciência ambiental da população através de polos como o Centro de Educação Ambiental.
O trabalho em busca da sustentabilidade nas suas mais variadas formas conheceu mais um dos seus frutos este mês, com o Município a subir para o 21º lugar no ranking nacional de atratividade, subindo duas posições relativamente ao ano passado. Ainda no âmbito do ‘Portugal City Brand Ranking’, que avalia a atratividade dos concelhos portugueses para viver, visitar ou investir, Torres Vedras subiu 6 posições no ‘Ranking Nacional de Visitar’ – passando para o 30º lugar da lista dos municípios com melhor desempenho nesta dimensão -, a que se junta o 18º lugar na dimensão “Viver” e o 23º na dimensão “Negócios”. Um território carregado de história, que planeia o futuro nas medidas que toma no presente: é assim que Torres Vedras faz da sustentabilidade uma realidade.

28 de março de 2018

domingo, 18 de março de 2018

Entrevista ao novo bispo do Porto: uma lufada de ar fresco?

Bispo do Porto está convencido de que um casal em abstinência sexual não é bem família 

Por João Francisco Gomes, 17 de Março de 2018, no Observador

Em entrevista ao Observador no dia da nomeação, o novo bispo do Porto, D. Manuel Linda, diz-se fã do papa Francisco a "200%" e admite que dará o seu contributo para a discussão sobre os divorciados.


O novo bispo do Porto, D. Manuel Linda, ainda está a fazer as malas para se mudar da casa patriarcal de Lisboa — onde reside, como diz, por “amabilidade do senhor patriarca D. Manuel Clemente”, uma vez que a diocese das Forças Armadas, que liderava até hoje, não tem um território físico. Porém, diz-se decidido a dar, mesmo que não seja para já, o seu contributo para uma das discussões mais atuais da Igreja Católica: a situação dos divorciados que voltaram a casar.

A diocese do Porto está sem bispo desde a morte de D. António Francisco dos Santos, em setembro do ano passado, vítima de um ataque cardíaco fulminante, que deixou a Igreja Católica portuguesa em choque. Por isso, ainda não foram publicadas orientações locais para a aplicação da exortação apostólica Amoris Laetitia, do papa Francisco, sobre a família — como se fez, por exemplo na arquidiocese de Braga (num documento muito elogiado pela abertura que demonstrava) e no patriarcado de Lisboa (num documento que colocou o patriarca D. Manuel Clemente sob fogo por propor a abstinência sexual aos divorciados que casaram novamente).

Em entrevista ao Observador no dia em que foi tornada pública a sua nomeação como bispo do Porto, D. Manuel Linda, 61 anos, que se diz fã do papa Francisco a “200%”, garante que conhece vários casais de divorciados recasados que, “por motivos de fé e da sua convicção interior”, vivem em abstinência sexual. “Mas temos de nos perguntar: isso é mesmo família? Estou convencido de que não é bem família“, considera o novo bispo do Porto.

Na entrevista, D. Manuel Linda conta também como percebeu que o papa Francisco estava “interessado de forma pessoal” no seu nome para a diocese do Porto; garante que apesar de ser “absolutamente contra” o aborto e a eutanásia, não vai passar o seu tempo “na praça pública” a denunciar propostas que choquem com a doutrina da Igreja, preferindo propor a doutrina “a quem a queira ouvir”. E ainda critica a “verdadeira exploração” de muitas freiras ao serviço do clero.

Na mensagem que deixou aos membros das Forças Armadas diz que o pedido do Papa para ir para o Porto era “irrecusável”. Só porque não se pode recusar nada ao Papa, ou o pedido foi especial?
Fundamentalmente por esse motivo, mas depois porque há uma série de indícios em que noto que o Papa estava muito interessado, de forma pessoal, personalizada, no meu nome. Quando assim acontece, a um amigo não se pode dizer que não.

Que indícios eram esses?Uma série de circunstâncias desde outubro até agora (risos). Algumas coisas lidas retrospetivamente, telefonemas que me fizeram de Roma… Eu tinha pedido determinados trabalhos aqui na nossa peregrinação militar a Fátima e foram adiando. Eu não entendia porquê e agora entendo que era uma forma indireta de me dizer “nessa altura podes já estar comprometido com outro assunto”.

Como foi feito o convite?O convite foi feito de forma normal. O embaixador da Santa Sé, que é o núncio apostólico, telefonou-me. Eu estava no estrangeiro com uma peregrinação militar, curiosamente. Ele telefonou-me exatamente a dizer: “O Santo Padre escolheu-o, agora você tem de refletir se aceita ou não aceita”. Quando vim, fui à Nunciatura, depois de muito refletir, dizer que aceitava.

Quanto tempo refletiu?Quase uma semana, de segunda a sexta, creio.

Durante essa reflexão, que fatores pesaram a favor e contra?O grande fator é a vontade do Papa e é também o facto de eu estar habituado a dizer “sim”. Eu não sou militar, mas de alguma maneira a cultura militar passou para mim e quando nos apresentam uma guia de marcha nós não olhamos para trás. Temos de seguir para onde nos mandam.

Havia uma lista que saiu para a imprensa com três nomes. O senhor era um deles, havia o bispo de Coimbra…E também o auxiliar do Porto, D. António Augusto.

O que pesou nessa escolha final? A sua proximidade direta do Papa, de que falava?Aí não me posso pronunciar, só o Santo Padre e quem esteve mais diretamente ligado ao processo é que podia dizer. De qualquer maneira, todos os bispos de Portugal que estão no ativo, todos sem qualquer exceção, podiam ser bispos do Porto. Agora, por exemplo, para ser o meu colega de Coimbra, ao tapar o furo do Porto abria um em Coimbra. O meu colega que vai trabalhar comigo, que é o D. António Augusto, seria um ótimo bispo para o Porto. Mas ele é muito novo. É um jovem, próximo de 50 anos, só tinha um contra: como depois não iria passar de uma diocese importante para outra menos importante, teria de lá ficar 20 ou 25 anos, o que é muito. De resto, insisto nesta tónica: todos os bispos de Portugal, esses dois de que me falou e todos os outros, podiam ser ótimos bispos do Porto.

Passou pela arquidiocese de Braga como auxiliar e depois pelas Forças Armadas, ou seja, esta vai ser a sua primeira experiência à frente de uma diocese, digamos, tradicional. Com um território. Vai ser mais desafiante?A esse nível sim, é mais desafiante, na medida em que aquele âmbito que eu conhecia aqui no Ordinariato era mais de um contacto com as pessoas adultas. Por exemplo, nós praticamente não temos crianças, não temos catequese, não temos formação da juventude, não temos trabalho com adolescentes, não temos lares da terceira idade, não temos colégios. A realidade é outra. A diocese das Forças Armadas só por analogia se pode considerar uma diocese. O trabalho da realidade do dia a dia, de lidar com as mais diversas pessoas, desde o bebé até ao velhinho, entre aspas, aqui nas Forças Armadas não encontrava. Tentarei adaptar-me.

Porque é que as Forças Armadas têm um bispo?Têm em praticamente todas as nações da NATO. Curiosamente os Ordinariatos — chamam-se assim as dioceses militares — nem sequer surgiram na Europa, surgiram na América Latina. O primeiro do mundo foi o Peru. Porquê? Por todos os motivos e mais alguns. Há um conjunto de capelães que prestam assistência às Forças Armadas e às forças de segurança que têm necessidade de uma espécie de referência. Chamemos-lhe, em linguagem simples, um bispo que os coordene. Depois, há também muitos sacramentos que são típicos dos bispos, por exemplo o batismo dos adultos e os crismas. Na própria Inglaterra, que é um país maioritariamente Anglicano, há um Ordinariato Católico para acompanhar os católicos que estão nas Forças Armadas. Portanto, é uma estrutura habitual, que não existe a não ser para militares — em qualquer parte do mundo não há outros Ordinariatos –, e que a Igreja historicamente criou para acompanhar estes homens e mulheres que são portadores de muita mobilidade. Têm missões no exterior e é preciso que haja quem lhes proporcione os sacramentos e quem coordene os capelães.

Em Portugal há muitos militares a procurar esse apoio ou trabalhava com uma minoria dos militares?Trabalho com todos. Mesmo aqueles que porventura não se revejam nos valores católicos são portadores de imensa simpatia. Quando se fala em fé não é passar todo o dia com as mãos erguidas a rezar Pai-Nossos e Avé-Marias. Há dimensões prévias, como a simpatia, o convívio. Também o ouvir e o desabafar, um trabalho tão frequente, o maior trabalho dos capelães e da parte do bispo inclusivamente. Tudo isso, que são relações humanas, são de alguma maneira já enquadradas na assistência religiosa que nós prestamos. Portanto, quando me pergunta se é uma minoria… Se for aos sacramentos, pode ser só o grupo dos que precisam, dos que os procuram. Mas no trabalhar, trabalhamos com todos, incluindo com gente de outras confissões religiosas.

Já estudou os problemas e os desafios da diocese do Porto?Não (risos)! Se calhar lá não há problemas e é tudo muito simples!

Mas então que desafios acha que vai ter?Os grandes desafios são exatamente criar uma cultura de simplicidade, uma cultura do que nós chamamos a corresponsabilidade, todos nos entusiasmarmos pelo mesmo projeto. Enfim, não é na dimensão pastoral, uma técnica nova que vai movimentar todas as pessoas. Não é nada disso, isso não interessa absolutamente nada. O que nos interessa é que falemos todos a mesma linguagem, a linguagem da simplicidade, da abertura ao mundo, de estarmos voltados para os grandes problemas e darmos o nosso contributo para conseguirmos resolver alguns deles.

Já que fala de simplicidade, na primeira mensagem aos católicos do Porto fala muitas vezes em ideias que o papa Francisco repete frequentemente. A proximidade aos mais pobres, às periferias, aos doentes, esta ideia do regresso à simplicidade do Evangelho… É um fã assumido do estilo do papa Francisco?A 200%! Completamente, completamente.

Porquê?Por isso mesmo. A pastoral da Igreja, o anúncio que temos de fazer, não é uma técnica, não é uma sabedoria, não é uma capacidade como os televangelistas — sem desprimor para eles — que usam um discurso eloquente convencidos de que assim cativam muitas pessoas, e porventura cativarão. Não. A nossa pastoral é a presença, uma presença fermentadora. Não há outra chave para abrir o coração humano que não seja a simpatia, a cordialidade, a afetividade, o estarmos ao mesmo nível. Se nos colocamos num patamar diferente, a nossa voz não é ouvida nem os outros querem escutá-la.

É essa a novidade que o papa Francisco trouxe?Fundamentalmente passa por aí, por essa capacidade de nos voltarmos para aqueles a que ele chama os excluídos, os da periferia. Ao fim ao cabo, com um critério de misericórdia, e a misericórdia é um dado muito global e neste sentido muito concreto, que reflete precisamente esta proximidade afetiva, este coração que se aproxima de outro coração, como uma espécie de bluetooth, deixe-me usar uma expressão da tecnologia (risos).

Em 2015, num artigo de opinião da Ecclesia falava da questão do aborto. Na altura, criticou o Parlamento pela forma como discutiu uma petição relativamente à alteração da legislação do aborto e disse que os deputados simplesmente tinham reafirmado os pressupostos ideológicos por trás daquela legislação. Acha que agora, enquanto bispo do Porto, que tem uma visibilidade maior na sociedade, vai ter uma capacidade de intervenção maior nestes assuntos? Por exemplo, agora discute-se a questão da eutanásia.Porventura terei de o fazer, até porque a Igreja e a sociedade esperarão de quem tem uma maior visibilidade uma tomada de posição. Durante muitos anos, eu fui professor de ética social, de moral social, na Faculdade de Teologia, e dizia aos meus alunos uma expressão e permita-me que a repita. A denúncia do mal é uma espécie de carta de condução por pontos. Se nós passamos a vida a denunciar tudo, a dizer mal de tudo, vamos perdendo os pontos e já não temos credibilidade. Portanto, não se espere de mim que passe a vida a dizer mal da sociedade, das propostas que os partidos ou outros setores da cultura ou da sociedade façam e que, porventura, choquem contra os meus pressupostos doutrinais. Não se espere que venha para a praça pública com uma espada da mão e com um elmo noutra mão a desafiar todos. A nossa missão não é tanto de estar a fazer desafios, de denunciar, é propor. Claro que na proposta da doutrina serei irrecusável. Aquela doutrina que é a minha procurarei propô-la aos cristãos e a outras pessoas que a queiram ouvir. Mas uma coisa é propor, outra coisa é passar a vida a denunciar.

Ou seja, em questões como o aborto ou a eutanásia, é absolutamente contra.Absolutamente contra. Disse bem.

Há um assunto que tem estado na ordem do dia que é a forma como as dioceses têm aplicado a exortação Amoris Laetitia, do papa Francisco. O patriarca de Lisboa foi muito criticado pelo documento que fez por ter proposto a abstinência sexual, ao passo que, por exemplo, o arcebispo de Braga fez um documento que foi muito elogiado. O D. Manuel prevê fazer um documento para o Porto que toque neste ponto da abstinência sexual?É verdade que essa é uma problemática, que é mais um processo do que uma tomada de decisão pessoal. É das coisas que não se resolvem fazendo um decreto e pondo lá a minha assinatura. É um processo de consulta, de diálogo, das estruturas de participação da diocese, que tem vários conselhos — o conselho pastoral, o conselho presbiteral, o conselho de consultores. Tudo isso tem de ser implicado. O documento do senhor D. Jorge, de Braga, é exatamente o resultado disso tudo. Também o documento dos bispos do centro de Portugal é resultado disso tudo. Claro que, evidentemente, eu também não ficarei para trás, mas isso é com o tempo. Não se espere que seja daqui a oito dias que vá tomar uma posição. Aqui no Ordinariato nunca a tomei em função de outros âmbitos. Primeiro que tudo, nós não temos o casamento canónico nas nossas capelanias. Há a transcrição do registo civil e são as paróquias territoriais que se encarregam de mandar o processo e de o organizar na relação da Igreja com o Estado. Nós não temos isso, portanto essa problemática dos recasados — já que nós não temos também Tribunal Eclesiástico — diz mais respeito às dioceses territoriais do que propriamente a esta estrutura onde eu estava até este momento.

Vai passar a dizer-lhe mais agora.Agora no Porto vai ter de me dizer mais, evidentemente. Começa a haver caminho feito, caminho que é um processo, que aliás é muito típico deste Papa. Este Papa desencadeia processos e põe toda a Igreja a refletir. Claro que, quando é toda a Igreja na sua diversidade, uns podem seguir mais por uma linha direita, esquerda, de frente, de trás, de um lado e de outro. Mas é depois de tudo isto acalmar, daqui a alguns anos, que poderemos ter uma ideia mais perfeita, mais global. Também darei o meu contributo.

Diz que há várias linhas. A sua linha coincide com a de D. Manuel Clemente?A linha de D. Manuel Clemente é a linha oficial da Igreja, como todas as outras. A forma como ele se expressou a respeito da abstinência sexual é que pode ser mais mal interpretada. E também, se me permite, eu estou convencido de que quem divulgou o documento leu apenas esse bocadinho e não prestou atenção ao contexto. Portanto, não tenho nada contra o documento do senhor D. Manuel Clemente, nem de longe nem de perto. Mas, de facto, para ser sincero, sei que há alguns casais recasados, que já tinham vivido em matrimónio canónico e que depois refizeram a sua vida e estão noutro casamento já não canónico, que por motivos de fé e da sua convicção interior e de consciência, de facto vivem em abstinência sexual. Mas temos de nos perguntar: isso é mesmo família? Estou convencido de que não é bem família. Uma coisa é uma convivência como eu tenho aqui na casa com outras pessoas, mas não somos família. Outra coisa é ser família. Portanto, não insistiria muito neste tema da abstinência sexual, de facto.

Recentemente foi publicado na revista do Osservatore Romano uma reportagem sobre a exploração de freiras por parte de membros do clero. Vai procurar, na diocese do Porto, tentar perceber se isto existe e tentar combater esta realidade?É verdade. Os religiosos [n.d.r. membros consagrados de institutos religiosos, como freiras e frades, mas não padres do clero secular] têm o voto de pobreza. Não querem dinheiro por opção própria. Ninguém lhes impôs, são eles que assim desejam, querem viver à maneira de São Francisco, de São Bento ou de São Domingos, na pobreza, na obediência e na castidade. Como os religiosos, teoricamente, serão mais próximos do pessoal dirigente, dos bispos, dos cardeais de Roma, às vezes algum bispo diz assim: “Ó minha irmã, você não tem aí duas ou três irmãs que queiram, por exemplo, na minha casa, fazer o almoço?”. E depois aquelas pessoas acabam por receber, de facto, uma quantia muito pequenina. Em termos do que nós chamamos o mercado de trabalho, seria uma verdadeira exploração. Verdadeira exploração. Entretanto, não nos podemos esquecer que são pessoas que, por opção, querem viver na pobreza. Estou convencido de que nessas circunstâncias, quando as pessoas trabalham para alguma estrutura da Igreja, devem ganhar o justo. Depois, farão com aquele dinheiro o que muito bem entenderem. O grande entendimento será o de dá-lo aos pobres. Se as pessoas querem viver na pobreza, ótimo. Mas então, aquilo que ganham fruto legítimo do seu trabalho que seja reencaminhado para um fim bom, como serão as carências humanas.

Um problema que esta reportagem levanta é também a desigualdade entre homens e mulheres na Igreja. A maioria, para não dizer a totalidade, dos que faziam aqueles serviços domésticos eram religiosas e não religiosos. A Igreja discrimina as mulheres?Quer dizer, não discrimina as mulheres. O grande teor do âmbito mental de quem escreveu, aquilo a que se referia, era fundamentalmente aos trabalhos domésticos. Ora, por motivo da nossa cultura ocidental, quem faz habitualmente os trabalhos domésticos é a parte feminina, portanto referia-se mais à parte feminina do que aos religiosos masculinos.

Essa ideia de que quem faz os trabalhos domésticos são só as mulheres não está a mudar?Evidente que sim.

E a Igreja não tem de acompanhar essa mudança?Tem, evidentemente. Às vezes nesse campo até cometeu exageros. Por exemplo, antigamente nos seminários os funcionários eram praticamente só homens. Depois, passou exatamente para o contrário, só senhoras. Temos de perder os nossos complexos, se é que os temos, e viver uma naturalidade como ela é na vida e na cultura de hoje.

Suceder a um bispo como D. António Francisco dos Santos, considerado um grande bispo, aumenta a responsabilidade?É óbvio. Não tenhamos ilusão, qualquer pessoa reconhecerá. Só um cego é que é capaz de não o ver. O D. António Francisco não se impôs por um discurso eloquente, embora tivesse essa capacidade. Não foi por gestos mirabolantes. Era por aquela simpatia que cativa e isso deixa marcas. Um pensamento extingue-se facilmente. Uma técnica especial que uma pessoa possua também acaba por, direta ou indiretamente, se desfazer. Mas quando se cativam os corações, eles ficam lá com esta marca muito viva. O D. António Francisco está muito vivo no coração dos diocesanos do Porto. Logicamente, não tenho ilusão, vou ser confrontado com ele. Vai haver quem diga: “O D. António Francisco era assim e o senhor é desta maneira”. Não tenho ilusão, isso vai acontecer de certeza absoluta. Procurarei honrar a sua memória, que muito admiro, exatamente com um comportamento e uma ação muito semelhante à dele.

sexta-feira, 19 de janeiro de 2018

Manuel Cargaleiro, uma vida pela arte

Não tenho medo da morte

Aos 90 anos, o mestre do azulejo, pintura e escultura, afirma que não tem medo da morte: "Vivo o dia de hoje". Manuel Cargaleiro, vulto da arte portuguesa e adoptado por França, foi recentemente homenageado em Itália onde tem um museu dedicado à sua obra.

Veja o VIDEO de Joana Bourgard e Maria João Costa

domingo, 26 de novembro de 2017

Homossexualidade e parentalidade


E esta, hem?

A 13 de novembro deste ano, no programa "E se fosse consigo" da SIC notícias, o tema abordado foi a homossexualidade e parentalidade. Aconselho a visualização do mesmo, pela actualidade e pela relevância do assunto. O programa aborda temas como preconceito, discriminação e aceitação e explora também a reacção das pessoas perante essa mesma discriminação que, por vezes, chega a impressionar.

Ver este programa deixou-me esperançoso e orgulhoso com o país onde vivo.

Ver AQUI

quarta-feira, 18 de outubro de 2017

Deus em Sophia

Este texto é de autoria de Frederico Lourenço, foi publicado na sua página de Facebook e foi-me autorizada a sua utilização neste blogue.

Deus – nos poemas de Sophia de Mello Breyner Andresen

"No dia 2 de Setembro deste ano, tive o grato prazer de participar numa conversa íntima (só que diante de 400 pessoas) sobre a obra poética de Sophia de Mello Breyner Andresen. Os meus interlocutores eram Ana Luísa Amaral e Miguel Sousa Tavares. Fomos admiravelmente moderados por Anabela Mota Ribeiro. O auditório da Biblioteca Almeida Garrett (Porto) encheu-se para nos ouvir – e tanto a Ana Luísa como o Miguel deram pistas extraordinárias para a compreensão da poesia de uma autora que, cada vez mais, se revela aos falantes de língua portuguesa como criadora de uma obra que, na sua aparente e desarmante simplicidade, está, como a de Mozart, ao nível do maior conseguimento artístico em termos absolutos.

A minha intervenção centrou-se sobretudo no tema «Sophia e Deus». Há muito tempo que esta pista para a compreensão da sua obra me atrai e fascina. Mas não é uma clave de leitura evidente. Na verdade, quem faça a extraordinária viagem da alma que é ler, de fio a pavio, as mais de 900 páginas da Obra Poética de Sophia de Mello Breyner Andresen na excelente edição da Assírio & Alvim, rapidamente chega a esta conclusão: nos poemas da genial autora não faltam «deuses». Mas «deus» é uma palavra que encontramos com muito menos frequência. E as vezes em que por «deus» se pode entender «Deus» são mesmo raríssimas.

No entanto, a obra poética de Sophia está cheia de Deus. Quantas vezes é enunciada a palavra «Deus» na «Arte da Fuga» de Bach? O facto de a resposta ser «zero» não significa que a «Arte da Fuga» não tenha como sujeito, tema e objecto «Algo» que só podemos enunciar por meio da palavra Deus.

Deus é ubíquo na obra poética de Sophia, porque é a sua aparente ausência que denuncia a sua presença. Num livro publicado em 1958, a autora escreve «és sempre um deus que nunca tem um rosto / por muito que eu te chame e te persiga» (Mar Novo).

Já antes, num livro publicado em 1947, lêramos uma das mais assombrosas definições de Deus que eu conheço: «Deus é no dia uma palavra calma / um sopro de amplidão e de lisura» (Dia do Mar).

Para Sophia, Deus não está ausente do mundo: está dentro dele, em cada milímetro quadrado do mundo. Basta estarmos atentos para captarmos a presença de «esse deus que se oferece, como um beijo, nas paisagens» (Dia do Mar).

Deus é o visível, é a imanência do real. Amá-lo significa amar a realidade, o visível: o «amor pelas coisas visíveis» e o canto poético que as celebra actuam como «oração em frente do grande Deus invisível» (Livro Sexto). Amar a Deus é amar o real.

Cinco anos após a publicação de Livro Sexto, foi-nos dado a ler em Geografia (1967) este credo extraordinário: «não trago Deus em mim mas no mundo o procuro / sabendo que o real o mostrará» (Geografia).

A relação entre o plano divino e o plano humano é vista como um enigma de sugestão e de silêncio: «Escuto e não sei se o que oiço é silêncio ou deus» (Geografia).

Que deus é este? É o Deus criador do céu e da terra? Em Geografia, lemos «o universo não brota das mãos de um deus do gesto e do sopro de um deus da alegria e da veemência de um deus».

É o Deus trino dos cristãos? «O Deus uno de desvios nos protege» (Ilhas)

É um Deus que nos dá a vida eterna? A única resposta de Sophia é: «Buscamos um deus que vença connosco a morte.... pois caminhamos nos cadafalsos do tempo» (Geografia).

Dentro deste deus não estarão deuses anteriores ao Deus cristão? Dioniso, «deus que nos deste a vida e o vinho» (Poesia, 1944)? E Apolo, «deus puro... deus sem espinhos e sem cruz» (Dia do Mar)?

Mas o Deus cristão também é puro. O que O separa do nada é a palavra. E não é o teólogo que tem poder sobre ela, mais sim o poeta, o aedo, «o recitador... que entoa a veemência pura da palavra, / Fronteira de puro Deus e puro nada» (O Nome das Coisas)

Numa obra poética exígua em igrejas cristãs, mas rica em templos gregos, afinal onde Deus está é cá fora – não é na igreja, não é no templo.

Porquê? Porque «a casa de Deus está na terra onde os homens estão» (Poemas Dispersos).

E perguntemos de novo: porquê? «Porque Deus nos criou para a alegria» (Poemas Dispersos)"

A Igreja desconfia de quem pensa diferente

Uma entrevista a Dom Pio Alves no final do seu segundo mandato na Comissão Episcopal da Cultura, Bens Culturais e Comunicações Sociais, publicada no site do SNPC a 30 de Abril de 2017. Partilho-a pois revejo na análise de D. Pio Alves a realidade de uma igreja, e em particular muitos sacerdotes, que temem a cultura e a arte contemporânea e que a desejam "controlar" e "manipular" sem conhecimento de causa nem preparação para o fazer. Acredito que há muita falta de visão e de humildade por parte de muitos, o que dificulta e limita a criação de Obras de Arte Sacra contemporâneas que venham a tomar parte na grande História Universal da Arte.

Igreja tem de afastar «clichés de desconfiança» com quem pensa diferente, afirma bispo responsável pela Cultura

"O bispo responsável pelo setor da Pastoral da Cultura na Igreja católica em Portugal considera que a Igreja tem de «saber pôr de lado clichés de desconfiança que não levam a parte nenhuma» e que levam a cultivar «distâncias que na realidade não existem».

D. Pio Alves termina agora o segundo mandato de três anos à frente da Comissão Episcopal da Cultura, Bens Culturais e Comunicações Sociais, o que estatutariamente o impede de ser reeleito.

O novo responsável será provavelmente eleito esta quarta ou quinta-feira, último dia da assembleia plenária da Conferência Episcopal Portuguesa, que decorre em Fátima, e que tem em agenda a eleição dos presidentes das várias Comissões Episcopais.

Em entrevista ao Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura, o prelado, também bispo auxiliar do Porto, mostra-se surpreendido pela disponibilidade e cordialidade que tem encontrado em pessoas afastadas da Igreja mas que aceitam colaborar nas iniciativas promovidas por ela.

Nestes seis anos o que descobriu sobre a realidade da Pastoral da Cultura?O que descobri com mais clareza, ainda que não tenha sido uma novidade radical, foi todo o trajeto que vinha a ser feito de diálogo e encontro, formal e informal, com pessoas dos mais variados âmbitos da cultura. Um trajeto que continua a ser feito sem constrangimentos, sem pedras no sapato, mas ao mesmo tempo aberto à conversa e com resposta muito positiva aos pedidos de colaborações em diferentes iniciativas por parte de pessoas de quem se poderia pensar, à partida, que não estariam disponíveis nem interessadas num trabalho de proximidade com instituições da Igreja católica.

Essa aproximação deve-se à atenuação de alguma tensão que houve entre a Igreja e o mundo da cultura?A atenuação que se vai construindo resulta da disponibilidade dos interlocutores, mas principalmente do à-vontade com que a Igreja se encontra com pessoas que supostamente não estariam interessadas em dialogar connosco.
Uma coisa que sempre me impressiona no contacto com pessoas procedentes dos diversos âmbitos da cultura, tal como em intervenções de carácter pastoral no meu ministério na diocese do Porto, é que nós, com alguma frequência, temos uma imagem negativa, ou pelo menos de um certo temor, relativamente a pessoas que por vezes efabulamos que não querem ou não gostam, e tenho sido sempre muito gratamente surpreendido pela sua disponibilidade, amabilidade e recetividade. É evidente que tudo isto pressupõe, da nossa parte, respeito, saber estar e, ao mesmo tempo, sabermos apresentarmo-nos com clareza, sem nos escondermos.

Inclusive com não crentes?Tenho essa experiência com pessoas não crentes concretamente no âmbito do Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura, e o mesmo acontece, por iniciativa e mérito dos diretores dos respetivos Secretariados, nos Bens Culturais e nas Comunicações Sociais, pela via de pedidos de colaboração, pela via de portas que se abrem, em que encontrei habitualmente uma resposta de muita disponibilidade e, sempre, de respeito e agradecimento por parte das pessoas, sendo como são, respeitando nós a sua legitima maneira de ser e diferença, e, repito, não nos escondendo nós atrás de falsas especificidades.

Que fatores mais positivos identifica nestes dois mandatos?Saliento as iniciativas que vinham da presidência anterior da Comissão [D. Manuel Clemente], e que se prolongaram, no primeiro mandato que me foi confiado, com a direção do Secretariado por parte do P. Tolentino e depois com o Prof. José Carlos Seabra Pereira, e que se mantiveram em sentido crescente, sempre com a preocupação de não pôr ninguém de lado.
Sublinho também, como factor de identidade para o Secretariado, para a Comissão e para a Igreja em Portugal, o "site" da Pastoral da Cultura, que, devo dizê-lo publicamente, é muito da responsabilidade do Rui Martins. É um lugar de enorme visibilidade, um lugar a que acorrem pessoas das mais variadas sensibilidades, as quais sabem, assumidamente, que estão a consultar uma informação que resulta de uma instituição que formalmente depende e é da Igreja católica. Penso que o "site" é uma porta aberta e um sinal clarividente daquilo que é a nossa relação construtiva com o mundo da cultura, especificamente, e com a sociedade em geral, uma vez que o "site" é consultado por pessoas das mais diversas proveniências.

O que é que esperava que poderia ter sido feito na Pastoral da Cultura mas não foi conseguido?Não podemos multiplicar as iniciativas, até porque os recursos humanos e materiais, sempre necessários, têm as limitações que resultam das disponibilidades de todos. Penso que não se trata propriamente de aumentar o número de iniciativas materiais, mas fundamentalmente de apostarmos na continuidade e na extensão da qualidade das iniciativas que já estão no terreno. Há iniciativas que estão ainda a dar os primeiros passos, algumas resultantes de parcerias com instituições mais próximas ou menos próximas da Igreja católica.
Provavelmente podemos melhorar o dar continuidade, no melhor sentido da palavra, aos contactos pessoais que pela via dos convites se vão fazendo. Estas pontes que se estabelecem devem, sem qualquer intenção invasiva, melhorar e crescer pela via de um relacionamento pessoal, aproveitando as mais variadas circunstâncias. Esse é um campo que estará sempre em aberto e que vale a pena continuar a cultivar.

Como descreveria a sensibilidade do episcopado e de toda a Igreja em Portugal em relação à Pastoral da Cultura?No que diz respeito à preocupação e atenção dos senhores bispos à Pastoral da Cultura e o reflexo disso na Conferência Episcopal, diria que qualquer uma das dioceses tem muitas frentes, muitas questões a resolver, e é evidente que a problemática relacionada com o mundo da cultura é uma delas. Percebo que os senhores bispos, por vezes assoberbados por questões aparentemente muito mais imediatas, possam descansar naquilo que o Secretariado e a Comissão vão fazendo, sendo que, na realidade, o Secretariado pode, como tem vindo a fazer, tomar iniciativas de carácter nacional, ajudar a criar sensibilidade, dar formação, abrir portas; mas na realidade concreta do terreno será cada diocese, com a sua especificidade, quem terá de concretizar iniciativas no setor. Olhando para o todo das dioceses portuguesas, a atenção à realidade da Pastoral da Cultura é diferente de umas para outras. Há dioceses que têm uma resposta mais organizada e estruturada e outras menos, mas isso não significa menor interesse; significa, provavelmente, que as forças não chegam a tudo e há outras necessidades mais imediatas que se vão sobrepondo.
Quanto à segunda parte da pergunta, a minha experiência em âmbitos que vão além do sentido estrito da Pastoral da Cultura, que é a de uma diocese onde encontramos as mais variadas realidades, posso dizer, pelo contacto muito próximo e direto que tenho com as diferentes pastorais, concretamente no Grande Porto, que tenho uma experiência muito grata de contacto com o mundo das escolas e da saúde. Num e noutro caso encontro-me com profissionais de nível académico e onde, à partida, nomeadamente no âmbito escolar, pode parecer que há ressentimentos, autodefesas ou olhares de exclusão em relação à Igreja. No âmbito de visitas pastorais é proposta às escolas a possibilidade de o bispo ir informalmente ao seu encontro para conversar, num gesto de cortesia, com as instituições; a recetividade que sempre, mas sempre, encontrei nas escolas - e não me refiro ao setor da Educação Moral e Religiosa Católica, mas à instituição no seu todo, estruturas diretivas, corpo docente - traduz um ambiente de amabilidade, distendido e, diria mais, de afeto e carinho com a pessoa do bispo. E nos centros de saúde e hospitais a reação é exatamente a mesma
Tudo isto ajuda-nos a perceber que temos de saber pôr de lado clichés de desconfiança que não levam a parte nenhuma e que, por vezes, fazem com que cultivemos distâncias que na realidade não existem.

Como classificaria a relação da Igreja católica em Portugal com o mundo da cultura?É uma relação positiva. Insisto que, muitas vezes, a distância é criada mais na nossa mente do que na realidade. Nós, às vezes, indevidamente, cultivamos o medo e uma distância que não têm tradução na realidade. É evidente, e não se pode negar, que há dificuldades, que nem todos pensam da mesma maneira, que há pessoas que nos querem ver longe, mas não se pode tirar a conclusão de que nos temos de fechar sobre nós mesmos por estarem todos à nossa espera para nos atirarem pedras. Isso não é verdade.

Vai deixar a presidência da Comissão Episcopal da Cultura, Bens Culturais e Comunicações Sociais...Saio feliz com o trabalho que tive a oportunidade de realizar com os meus colegas bispos, e muito concretamente com os diretores dos respetivos Secretariados. Está prevista a limitação a dois mandatos, e eu acho bem."

Encontro com Cristo para católicas e católicos LGBT portugueses

O grupo de Católicas e Católicos LGBT organizou mais um Encontro no passado dia 1 de Outubro. Peço desculpa aos meus leitores por não ter estado atento para noticiar no blogue. De qualquer forma aqui fica a informação da página facebook, para que possam acompanhar os próximos encontros

108º Encontro

E aqui vai o link da página facebook dos Rumos Novos

terça-feira, 17 de outubro de 2017

Um bispo que servia o povo

Segue uma segunda partilha que homenageia um bispo português e um homem bom, que soube servir o povo que lhe era confiado.

Bispo Vermelho

por Joaquim Franco a 25 de Setembro de 2017


"Recebia trabalhadores e sindicalistas, batia à porta de políticos e empresários, andava pelas ruas da cidade ao encontro dos que das ruas da cidade faziam casa". Joaquim Franco evoca Manuel Martins, o "bispo vermelho".

Aquela entrevista, nos idos anos 80, teria impacto na ainda pueril carreira do jornalista que ousava dedicar-se a um tema editorialmente difícil. "A Igreja tem de ser a voz dos sem voz". Ali estava uma âncora de frescura. Uma oportunidade de trazer a vivência eclesial, com todas as suas contradições e tensões, para a rama da informação. Pela voz de um homem de pequena envergadura, sorridente, que apoiava as palavras com o movimento das mãos dando-lhes a consistência de uma presença. Quando, na sua pronúncia do norte, o bispo Manuel Martins falava das "injustiças" e da "dignidade da pessoa humana", soava a poesia prática e assertiva.

Discípulo do pensamento de António Ferreira Gomes, e tal como Hélder Câmara, Manuel Martins dava o corpo e a alma à coerência evangélica. Com coragem, com frontalidades que lhe valiam inimigos e dissabores, mas com o respeito de todos. Sobretudo dos que se reviam naquele bispo combativo, dos mais pobres e humildes, dos desempregados, dos que não conseguiam chegar aos frios guichés da burocracia e da caridade, dos que na península de Setúbal trabalhavam sem receber salário. As periferias, de que agora tanto se fala, eram o espaço pastoral e social do bispo Manuel Martins.

Chegou à então recém-criada diocese de Setúbal em 1975. Moldou a ação à época pós-revolucionária. Quando a cintura industrial cedeu na península e as fracturas sociais alastraram, não hesitou em tomar partido pelas pessoas. Com a força da denúncia ou com a ação discreta e empenhada, no terreno, fazia pontes. Recebia trabalhadores e sindicalistas, batia à porta de políticos e empresários, andava pelas ruas da cidade ao encontro dos que das ruas da cidade faziam casa, sem teto, por imposição do desemprego ou apanhados depois nas redes da droga. A Cáritas de Setúbal, instituição solidária da Igreja, transformar-se-ia num refúgio para muitas destas pessoas. Também com o incentivo de Manuel Martins, havia em Setúbal uma tradição de padres operários. Nas fábricas, ombro a ombro, incentivavam os trabalhadores a reivindicar a dignidade. Alguns optaram pela política partidária e pelo movimento sindical, outro território de ação que o bispo acabaria por compreender.

São conhecidas as altercações com os poderes políticos. Martins denunciou a fome na península quando parecia que Lisboa não queria falar de tão incómodo assunto. Mário Soares e Cavaco Silva terão ficado muitas vezes com as orelhas vermelhas. Mais tarde, Soares diria em público que aqueles gritos de alerta do bispo de Setúbal lhe tinham feito bem.

Manuel Martins entendia que "a Igreja devia ser de esquerda e não de direita" (TSF, 26 março 2017). A expressão tem um contexto e deriva de uma visão própria sobre os critérios definidores do espectro político. Mas é esclarecedora quanto à forma como Manuel Martins posicionava a acção fundada no evangelho para a intervenção política e social. A Igreja "tem medo" (SIC, 22 fevereiro 2014), dizia, "e mudou o Credo, que passou a ser 'creio na Santa Igreja, católica, apostólica e... adormecida'", criticava.

Era um homem por vezes difícil de localizar, mas afável e disponível. Numa fria madrugada de novembro de 1991, recebeu no Paço a chamada de uma rádio a solicitar um comentário sobre a situação em Dili. Não só se disponibilizou, como esteve uma boa meia hora à conversa com o jornalista antes de entrar na emissão. Timor-Leste seria desde a primeira hora outra das suas causas visíveis, numa altura em que, pela tradição da prudência ou por desconhecimento, a diplomacia da Santa Sé e o clero em Portugal ainda hesitavam no alinhamento dos discursos. Chegou a fazer circular uma carta dirigida aos bispos europeus para que se unissem por Timor. Casalori repreendeu-o e proibiu-o de prosseguir com a ação.

Há uma vida de histórias reveladoras da personalidade. Quando chegou a Setúbal, foi, discreto e sem se identificar, assistir a um culto numa igreja protestante local. As cortes locais dos partidos mais à direita chegaram a recusar ir a missas presididas pelo "bispo vermelho". E que dirá aquela mulher que inadvertidamente deitou as chaves de casa no lixo e viu o bispo mergulhar no contentor para a ajudar a encontrá-las?

A morte é a mais previsível das contingências humanas. Morte física, porque a outra fica ao abrigo da fé e das interpretações filosóficas ou religiosas. Se pela condição da idade, estaríamos à espera da partida de Manuel Martins, já a morte recente de António Francisco dos Santos apanhou a Igreja e o país de surpresa. Manuel Martins sofreu muito com a morte precoce do bispo do Porto.

Não fomos a tempo de os juntar à mesa do café para registar a revisão sintonizada de memórias e leituras deste tempo de perplexidades. Devem estar juntos noutra dimensão, a limpar as arestas da Igreja e do mundo. Ou a usar o sentido de humor que os caracterizava - por vezes cáustico e incisivo na voz de Manuel Martins - para medir as acusações de heresia feitas ao Papa Francisco por um grupo de católicos integristas..."


Crise de bispos em Portugal

Bispos e padres acusam núncio em Lisboa de ser pouco humano e nada “franciscano”

Por António Marujo a 14 de Outubro de 2017

“Muitas vezes, é pouco humano.” O desabafo, em declarações ao Expresso, de um dos bispos portugueses, acerca do núncio (embaixador) da Santa Sé em Portugal é revelador do mal-estar que, numa parte significativa do clero, existe em relação a Rino Passigato.

Outro bispo, que tal como o anterior, prefere não ser identificado – como quase todos os vinte membros do clero com quem o Expresso falou – recorda que são conhecidos “os problemas que ele criara” na Bolívia e no Peru, onde esteve antes de vir para Portugal, no final de 2008. “Os bispos que ele nomeava eram de uma linha tradicionalista” ou apenas interessados na carreira e no poder, acrescenta. Em Portugal, diz ainda, também o tem tentado fazer, apesar de, em alguns casos, ter tido a oposição de bispos ou padres.

Um terceiro bispo acrescenta, sem rodeios, que o núncio “só faz disparates” e ouve poucas pessoas. E lembra que eram conhecidas as relações difíceis entre ele e o anterior patriarca de Lisboa, D. José Policarpo.

O desagrado começou cedo: pouco depois de chegar a Portugal, o conselho permanente da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) perguntou a Passigato que critérios tinha para a nomeação de bispos, pois o núncio deixara de pedir sugestões de nomes. Os responsáveis da CEP queriam saber como passara a ser.

Também no Vaticano a imagem do núncio em Lisboa “é muito fraca”, diz outro prelado. E pelo menos dois cardeais com funções muito importantes junto do Papa falam de um comportamento e uma forma de decidir “deplorável” e “incompetente”.

Todo este mal-estar se reavivou com a morte inesperada do bispo do Porto, D. António Francisco dos Santos, que criou mais uma vaga no episcopado português, a acrescentar a uma lista de substituições nada fácil: Évora (desde Abril do ano passado), Funchal (Abril deste ano) e Viseu, cujo bispo pediu também no mês passado – e viu ser aceite – a sua renúncia ao cargo, por razões de saúde.

Vila Real entra no rol já no próximo mês de Abril, quando Amândio Tomás completar 75 anos – por essa razão, terá de apresentar o pedido de renúncia. Santarém esteve sem bispo durante um ano, tendo o sucessor de Manuel Pelino sido nomeado sábado passado. Esta conjugação de vagas significa que o actual núncio moldará de forma decisiva o episcopado português dos próximos anos.

Receios e más memórias

Os receios de membros do clero em relação ao papel de Passigato prendem-se, também, com casos anteriores. Um deles tem a ver com a mudança de António Francisco, de Aveiro para o Porto, em Março de 2014. O processo demorou nove meses, depois da saída de Manuel Clemente para Lisboa, e a lentidão mereceu muitas críticas públicas à nunciatura.

Na altura, o bispo que agora morreu também resistiu à nomeação – e sofreu com ela: Aveiro era um barco à medida dos seus remos, costumava ele dizer, acabando nomeado contra a sua vontade e sem ter em conta a boa relação da diocese com o bispo. Os católicos de cada diocese também deveriam ser chamados a dar a sua opinião, dizia, em 2015, em entrevista à revista espanhola “Vida Nueva”, o próprio D. António Francisco.

No último momento antes da nomeação para o Porto, um grupo de padres aveirenses tentou demover o núncio. Passigato foi alertado para os problemas cardíacos do bispo – pouco tempo antes, tinha mesmo feito um cateterismo e os pais morreram ambos com um AVC.

O núncio “não esteve bem”, diz ao EXPRESSO o padre João Alves, ex-reitor do Seminário de Aveiro e, desde Setembro, pároco numa das paróquias da cidade. “A nomeação para o Porto não teve em conta os problemas de saúde”, sublinha. E diz: “Quando ele saiu de Aveiro, muitos previmos um futuro não muito longo, porque conhecíamos bem o seu jeito próximo de ser bispo.” Desde o início, vários perceberam que uma morte assim “era previsível.”

Por tudo isso, o padre aveirense – que, em 2014, esteve com o núncio – escreveu, logo depois da morte de D. António, ao diplomata, lamentando a “frieza” com que foram acolhidos há três anos e o desfecho do processo, mesmo se “não se deve falar em culpados”. Até ao fecho desta edição, não recebera qualquer resposta.

Outros padres recordam ainda o caso do actual bispo de Angra, João Lavrador. Conta-se que ele pediu ao núncio para não ir para os Açores, por ter ambos os pais acamados e a precisar de apoio. Acabou mesmo nomeado, em Setembro de 2015. O pai morreu em Abril de 2016 e a mãe em Janeiro deste ano. “Fala-se muito sobre a família, mas depois tomam-se decisões destas”, lamenta um padre. O próprio bispo não comentou.

Há uma outra voz que recorda: no livro “Cartas ao Papa”, o antigo bispo do Porto, D. António Ferreira Gomes, obrigado ao exílio por Salazar na década de 1960, dizia que seria “bem mais competente e eficaz” que o papel dos núncios fosse desempenhado pelos bispos locais e pelas conferências episcopais.

Dia 27 de Setembro, o Expresso dirigiu várias perguntas ao núncio apostólico. Apesar da insistência, não foram recebidas quaisquer respostas."

Vozes de um bispo chegam ao céu

A propósito da recente morte do antigo bispo de Setúbal D. Manuel Martins, partilho um artigo de Setembro passado em modo de homenagem

Morre um bispo, vai morrendo meia Igreja
Marcelo Rebelo de Sousa na análise aos “católicos progressistas”.

Por Paulo Mendes Pinto

"Quando no dia 19 de Abril assisti à apresentação do livro de Joaquim Franco e António Marujo sobre o Papa Francisco (Papa Francisco - A Revolução Imparável, Manuscrito, 2017), não esperava grande reflexão por parte de Marcelo Rebelo de Sousa, que apresentava a obra. A simples presença do Presidente da República na inspiradora igreja do convento dos dominicanos, em Lisboa, era por si só motivo de aglomeração de gentes. Era já um facto inegável e um momento especial. Mas nada me faria prever uma mensagem que fosse além do que seria normal dizer sobre a pastoral de um jesuíta auto transformado em Francisco.

Mas como o melhor da vida são as coisas inesperadas, a apresentação do livro feita pelo Chefe de Estado fez jus ao que de melhor tem o professor Marcelo Rebelo de Sousa. Católico, conhecedor da realidade da sua Igreja, ator e personalidade atenta a esse universo e a toda a sociedade civil, Marcelo rapidamente complementou a sua reflexão sobre o Papa Francisco com uma reflexão sobre os autores, a forma apaixonada como abordaram este Papa e, acima de tudo, o próprio catolicismo nacional.

Teria sido muito bom se muitos bispos tivessem assistido à única e irrepetível aula de Marcelo sobre Cristianismo Contemporâneo e, em especial, sobre catolicismo e sociedade no Portugal contemporâneo. Se todos o sabemos conservador, de direita, o que ele afirmou foi de uma sobriedade, de um esclarecimento, de uma capacidade de entender o tecido social e a sua relação com as instituições, verdadeiramente única.

Que os autores do livro se posicionavam do lado dos que aguardavam do Papa ainda mais reformas, ainda mais posições a favor das questões sociais, das problemáticas que a Igreja tem vindo a adiar, isso era claro para Marcelo, tal o era para todos os que, em sintonia, assistimos à sessão. Mas Marcelo foi mais longe. Ao olhar intelectualmente para os autores, para o Joaquim Franco e para o António Marujo, fazendo a ressalva das suas jovens idades, colocava-os na genealogia dos católicos progressistas da década de sessenta do século passado.

E ao alinhar estes dois jornalistas com essa plêiade de intelectuais católicos, e de esquerda, valorizava de forma clara, explicitando-o, o lugar social da luta de esquerda dentro de uma Igreja que não pode ser monolítica. O ponto alto, para um quase êxtase místico de muitos que não esperavam ouvir isto, foi quando o católico e conservador Presidente da República afirmou que hoje faz falta, à Igreja e à sociedade, o incómodo, a luta desses católicos comprometidos com um discurso político de esquerda. E a Igreja está mais pobre na medida em que esse grupo vindo das décadas de sessenta e de setenta se vai erodindo, vai perdendo gente e espaço social, vai sendo menos influente. Essa via de pensamento e de atitude faz falta à Igreja Católica, afirmava Marcelo Rebelo de Sousa.

E hoje, essa via faz ainda mais falta. Faleceu talvez a voz mais consequente dos chamados católicos de esquerda, o “Bispo Vermelho”. É claro que a vitalidade de pensamento da Igreja Católica em Portugal tem várias outras vozes de consenso com a rutura, que não se preocupam por se aproximarem das margens, por fazerem novo pensamento fora da tradição e do imobilismo que gera o conservadorismo. Podemos ler Frei Bento Domingues, o.p., tal como o fazemos com Anselmo Borges. Podemos ter sempre a voz também incómoda e até irreverente de Januário Torgal Ferreira, bispo emérito das Forças Armadas e de Segurança, ou de Frei Fernando Ventura. Mas retomo Marcelo Rebelo de Sousa na sua ímpar capacidade de analisar a complexidade social.

Se as sociedades são diversas, se as interpretações dos Textos Sagrados são, também elas, diversas, então a unanimidade nunca será saudável em horizonte religioso, qualquer que ele seja. Marcelo Rebelo de Sousa deu-nos duas lições nessa sessão. Por um lado, que faz falta a diversidade, especialmente quando ela funciona como alarme social para nos fazer pensar e agir. Mas, por outro, deu-nos uma segunda lição: que a diversidade é sempre positiva e deve ser valorizada. Quem dera que os católicos de esquerda tivessem hoje mais peso, disse Marcelo.

Hoje têm, de facto, menos peso, numa Igreja que precisa destas vozes que nos estremeçam e nos retirem da letargia. Seja na Igreja Católica ou noutra confissão, seja em casa, na família ou no trabalho.

Ser conformado é a pior das sinas.

Coordenador da área de Ciências das Religiões da Universiade Lusófona"
In Público, 26 de Setembro de 2017

segunda-feira, 15 de maio de 2017

Um encontro de bloggers LGBTI

Nem só de palavras vive o gay

O autor do blogue adolescente gay tomou a iniciativa de organizar um jantar / encontro da blogosfera. É uma óptima iniciativa à qual o moradas de deus se vai associar. O intuito será apenas o convívio entre autores de blogues que abordam a temática LGBTI em Portugal. Os leitores dos blogues também estão convidados.

Para saberes mais, lê AQUI

sexta-feira, 12 de maio de 2017

Holofotes em Fátima

Fátima, 100 anos depois

Não querendo deixar passar a data em branco, e por não ser um especialista de Fátima, moradasdedeus partilha com os seus leitores o Macroscópio de ontem, publicado no Observador, de José Manuel Fernandes

"Amanhã chegará a Portugal o Papa Francisco que presidirá à peregrinação que marca o centenário da primeira das aparições, a 13 de Maio de 1917. Uma boa ocasião para regressar a uma reflexão sobre o sentido de Fátima e sobre o seu significado para os portugueses. (...) Vamos apenas procurar guiá-lo através de alguns textos que podem ajudar a compreender melhor Fátima e as controvérsias quase tão antigas como a primeira das aparições.
A abrir gostaria de chamar a atenção para um dos textos que ajudaram a divulgar as aparições e mais terão contribuído para a credibilização do milagre de Fátima: a reportagem do enviado do jornal “O Século”, Avelino de Almeida, que a 13 de Outubro de 1917, foi uma das testemunhas do chamado “milagre do Sol”. A reportagem – Coisas espantosas! Como o sol bailou ao meio dia em Fátima – está reproduzida em vários sites (como este) e seria depois complementada com um testemunho porventura mais pessoal publicado duas semanas depois na Ilustração Portuguesa em conjunto com a reportagem fotográfica de Judah Ruah (de quem são a maioria das fotografias conhecidas desse da multidão que nesse dia se reuniu na Cova de Iria, nomeadamente a que abre esta newsletter). É desse segundo texto aquela que é, porventura, a passagem mais conhecida do seu testemunho: “E, quando já não imaginava que via alguma coisa mais impressionante do que essa rumorosa mas pacífica multidão animada pela mesma obsessiva ideia e movida pelo mesmo poderoso anseio, que vi eu ainda de verdadeiramente estranho na charneca de Fátima? A chuva, à hora prenunciada, deixar de cair; a densa massa de nuvens romper-se e o astro-rei – disco de prata fosca – em pleno zénite, aparecer e começar dançando n’um bailado violento e convulso, que grande número de pessoas imaginava ser uma dança serpentina, tão belas e rutilantes cores revestiu sucessivamente a superfície solar… / Milagre, como gritava o povo; fenómeno natural, como dizem sábios? Não curo agora de sabê-lo, mas apenas de te afirmar o que vi… o resto é com a Ciência e com a Igreja…

(Quanto aos testemunhos do que se passou nesse dia de Outubro o Observador recolheu alguns deles, assim como reuniu as imagens mais significativas, numa fotogaleria especial, em grande formato: 13 testemunhos sobre o "milagre do Sol".)

Feita esta rápida incursão ao passado, vejamos o que dizem hoje os historiadores, sendo que estes discutem sobretudo como Fátima se transformou no fenómeno que hoje é, mais do que debatem a autenticidade do que se passou. Ora uma dessas interpretações clássicas é a de Vasco Pulido Valente, que no seu livro A República Velha, dedica um subcapítulo a Fátima. No Observador reproduzimo-lo com o título Fátima, a política e a República. Pequena passagem, relativa à atitude que a Igreja portuguesa foi tendo ao longo dos anos: “Ao começo, a hierarquia manteve uma distância prudente, como se costuma dizer. O que significa que, ajudando e permitindo, só se comprometeu quando a reputação de Fátima estava estabelecida e o seu valor como símbolo político confirmado.

Mas neste ano de 2017 tem sido abundante a publicação de livros, tendo a Rita Cipriano selecionado alguns em O que ler durante a visita do Papa Francisco. Estão lá onze referências sobre Fátima mais três relativas ao Papa Francisco, todas apresentadas de forma muito breve.

Uma análise mais longa da bibliografia recente, comparando-a com as obras clássicas e com a monumental Documentação crítica de Fátima (cinco volumes organizados pela Igreja Católica, mais um volume com uma selecção dos principais documentos relativos ao período 1917-1930 e que está disponível em PDF) é a do longo ensaio de António Araújo no Público, Fátima, cem anos depois, publicado no passado mês de Fevereiro. Na sua síntese, depois de grandes controvérsias, hoje “prevalece uma abordagem mais serena e desapaixonada, da História à Teologia”.

Prova de que há sempre descobertas a fazer foi a revelação, ainda em Março, de que um anúncio no Diário de Notícias previa Fátima dois meses antes. É uma história curiosa, contada por João Céu e Silva, sobre uma pequena inserção publicitária, a 10 de Março de 1917, onde se escrevia: “135917. Não esqueças o dia feliz em que findará o nosso martírio. A guerra que nos fazem terminará." Estranho, mas interessante e sem aparente explicação.

Mas passemos agora à conversa – julgo ser este o termo mais adequado – que se tem desenvolvido entre vários padres e teólogos sobre o sentido e o significado de Fátima e a interpretação a dar ao que foi relatado pelos pastorinhos. Duas entrevistas de D. Carlos Azevedo – uma ao Expresso, outra ao Público – chamaram a atenção pelos seus títulos. “Nossa Senhora não aprendeu português para falar com Lúcia”, no Expresso. “Maria não vem do céu por aí abaixo”, no Público. Eis uma passagem com o essencial da sua posição, retirada desta última referência: “Chegou o momento para falarmos com linguagem exacta. Joseph Ratzinger no ano 2000, quando fez o comentário teológico à última parte do segredo de Fátima, usou sempre a palavra visões e esse é o rigor teológico. O grande teólogo Karl Rahner também escreveu um livro sobre visões e profecias, usando a palavra visões. Esse é o termo exacto.”

Esta leitura remate precisamente para um texto de Joseph Ratzinger escrito antes de ser eleito papa e tomar o nome Bento XVI, um texto teológico de grande densidade que foi escrito pelo então responsável pela Congregação para a Doutrina da Fé a propósito da revelação, por João Paulo II, do famoso “terceiro segredo”. Esse texto, intitulado simplesmente A Mensagem de Fátima, está disponível em português no site do Vaticano.

(Sobre as circunstâncias da revelação desse “terceiro segredo” vale a pena ler a entrevista que Aura Miguel, da Rádio Renascença, fez ao Cardeal Angelo Sodano, o homem que, no ano 2000, por decisão do Papa, levantou o véu do “terceiro segredo” de no final da missa de 13 de Maio, em Fátima, quando se soube que a visão era sobre as lutas contra os cristãos e contra o “homem vestido de branco”. A sua interpretação é que dar a decisão de João Paulo II o fazer foi por querer "relançar uma mensagem de esperança”).

A interpretação desse texto e a discussão sobre se estamos perante “visões” ou “aparições” já suscitou dois textos com interpretações diferentes no Observador: o padre Gonçalo Portocarrero de Almada interrogou-se sobre o tema em Fátima (1): Aparições ou visões?, tendo defendido que “Na Cova da Iria os pastorinhos tiveram visões e não aparições, mas o valor não é menor porque, como notou Bento XVI, visões têm uma força de presença tal que equivalem à manifestação externa sensível”; já o cónego José Manuel dos Santos Ferreira, num texto com um título quase igual, Fátima: visões ou aparições?, seguiu uma linha porventura mais tradicionalista: “Também os fenómenos físicos que acompanharam os acontecimentos de Fátima e foram observados por numerosas testemunhas, não podem ser frutos de uma visão imaginativa. O seu número é impressionante. Esses fenómenos exteriores manifestam sem qualquer dúvida possível a presença efetiva de uma pessoa celeste.

Ao mesmo tempo também há os que, dentro da Igreja Católica, contestem Fátima e o seu significado, nalguns casos de forma muito desabrida, noutras de forma mais moderada. Tânia Pereirinha do Observador falou com alguns deles em “Aquilo para mim não é Nossa Senhora, é um pedaço de barro!”. Dois padres – Anselmo Borges e Mário de Oliveira –, um frade – Frei Bento Domingues – e um bispo – D. Januário Torgal Ferreira – expuseram os seus argumentos. E se a contestação de Mário de Oliveira tem muitas décadas, a reflexão de Anselmo Borges, bem mais moderada, ficou também exposta em dois artigos no Diário de Notícias: O que eu penso sobre Fátima (1) e O que eu penso sobre Fátima (2). Nesses textos, para além de regressar ao tema das visões ou aparições, este padre considera que o núcleo da mensagem de Fátima é, “Em primeiro lugar, a oração. É uma grande mensagem? É. Para crentes e não crentes. Quem não precisa de rezar?” Já à outra mensagem, "Fazei sacrifício e penitência", considera que deve ser dado um enquadramento mais cuidadoso: “O sacrifício pelo sacrifício não vale nada, mas, por outro lado, sem sacrifício, nada de grande, de verdadeiramente valioso, se realiza”.

Ainda no domínio da teologia, uma referência para o texto de Paulo Mendes Pinto, especialista em Ciência das Religiões, na Visão: De “aparição” a “visão”: Ratzinger e a redefinição de Fátima como objecto de teologia. Eis o seu ponto de vista: “Ao definir Fátima como uma “visão”, subalterniza teologicamente o que possa ter acontecido, tornando-o “particular”, mas abre ao infinito todas as possibilidades de interpretação, dando guarida às formas mais pessoais de viver a fé. Isto é, ao libertar Fátima do peso excessivo de toda e qualquer narrativa, colocando sempre acima a Revelação bíblica, o futuro Papa dava a Fátima a possibilidade de fugir ao tempo, ao contexto e de continuadamente se poder recriar na maleabilidade e na subjectividade de cada crente no seu momento e no seu contexto específico.

Mas de todos os textos que tenho vindo a referir, talvez o mais notável, na minha perspectiva, seja o que resultou da conversa muito franca e aberta de João Francisco Gomes, do Observador, com o bispo de Leiria/Fátima, D. António Marto: “Representava melhor o diabo do que o anjo, ironia do destino”. Nela o teólogo que confessa ter sido céptico de Fátima explica como foi evoluindo na sua posição. Primeiro: “Quando acabei o curso, era um racionalista, éramos muito racionalistas. Tudo tinha de passar pelo filtro da razão, portanto tudo o que fosse de um ponto de vista mais do aspeto emocional, sentimental, era desvalorizado. Às vezes olhávamos até com desdém, com desprezo, para as expressões de piedade popular.” E depois: “Punha em causa algumas expressões da fé (risos). Sobretudo a piedade popular, mas isso era típico de uma espécie de cultura de elites, que olha com desprezo para o que é do povo, para o que é popular. A partir daí, mudou a minha maneira de ver e de avaliar esse aspeto da piedade popular. Claro que a piedade popular também precisa de ser purificada com os critérios do Evangelho, mas tem valores profundos, que não podemos desprezar sem mais.

Ao mesmo tempo, a estreia do mais recente do mais recente filme de João Canijo, Fátima –, um filme que acompanha um grupo de mulheres que peregrina desde Vinhais, que Eurico de Barros, no Observador, considerou que irá “ocupar um lugar especial, pelo método de elaboração e pelo ponto de vista, pela ponta inédita em que pega e pela qualidade dramática, pelo peso de verismo e pela isenção de “parti pris” e de julgamento, na filmografia nacional dedicada ao fenómeno fatimista” – suscitou também algum debate – este entre não crentes. O tiro de partida foi dado por Daniel Oliveira, no Expresso, numa coluna a que chamou Fátima, reflectiu sobre como “é difícil compreender este nosso povo sem compreender o culto mariano, a função libertadora do sacrifício e a experiência coletiva da fé.” Viu mais, pois em Fátima sinais de um “espírito comunitário” que aprecia. Fernanda Câncio veio contrariá-lo no Diário de Notícias, em Do ut des, ou Fátima, altar do egoísmo, onde defende a tese completamente oposta, a de ali só existe um “individualismo egomaníaco”.

Partindo deste filme, da entrevista de D. António Marto e também do que se diz nestes textos, eu próprio escrevi no Observador um texto assumidamente pessoal: Fátima, ou a confissão de humildade de um não-crente. Eis a forma como termino: “Não posso, nem devo, deixar de me emocionar quando olho para os peregrinos que se dirigem a Fátima animados por algo que é muito mais do que pedir uma graça, cumprir uma promessa ou simplesmente ajoelhar-se, acender uma vela e rezar. Tal como não posso deixar de pensar naquilo que não alcançamos, recordando de novo Bento XVI nessa mesma aula: “o perigo do mundo ocidental é que o homem, obcecado pela grandeza do seu saber e do seu poder, esqueça o problema da verdade”. Humanamente e simplesmente.

A fechar, até porque este Macroscópio já vai longo, mais uma inevitável referência ao último Conversas à Quinta, Fátima, da I República à tradição do culto mariano. Como saberão eu seu o primeiro fã deste programa, não por ser o moderador, mas pela imensa qualidade dos dois "conversadores", Jaime Gama e Jaime Nogueira Pinto. Desta vez arrisco dizer que a conversa foi ainda foi melhor do que o habitual. Superlativa, quer pela forma como Jaime Gama enquadrou Fátima na religiosidade popular e na tradição portuguesa, quer pelo que Jaime Nogueira Pinto recordou do Portugal (e do Mundo) de 1917. Não percam (também em podcast)."

terça-feira, 18 de abril de 2017

Fátima não é um dogma, a Igreja em Portugal, o Papa, sexualidade dos padres, ordenação de mulheres e de homens casados e muito mais


Padre Anselmo Borges: “É evidente que Nossa Senhora não apareceu em Fátima”

Anselmo Borges, padre da Sociedade Missionária Portuguesa, falou ao Expresso a propósito do lançamento do seu novo livro, “Francisco: Desafios à Igreja e ao Mundo”

por Cristiana Martins, no Expresso

"Decidiu ser padre aos 19 anos porque a morte o inquietava. Ainda pensa na finitude, mas diz que “a única porta de salvação para uma vida eterna” foi Jesus quem lha abriu. Entrou há 50 anos, ao ser ordenado pelo cardeal Cerejeira. Nunca deixou a Igreja mas arrepiou caminho e escolheu a via da crítica ativa. Professor universitário em Coimbra, lança um novo livro — “Francisco: Desafios à Igreja e ao Mundo” —, prefaciado por Artur Santos Silva e, a partir da próxima semana, vai andar pelo país a apresentá-lo, na presença de pessoas tão diferentes como Ramalho Eanes, Frederico Lourenço, Pedro Mexia, Pedro Rangel, Maria de Belém, Carlos Fiolhais ou Isabel Allegro de Magalhães.

No seu livro levanta questões mais comuns ao discurso de não católicos. Ainda se revê na Igreja?
Pertenço por convicção à Igreja Católica e procurei ser leal, mas há duas questões fundamentais. A primeira é que Deus é amor. A outra tentativa de definir Deus surge no Evangelho segundo São João: no princípio era o logos, a razão, e Deus é razão. Para mim, se Deus é razão, devemos estar na Igreja com dimensão crítica. E se a fé não deriva da razão, à maneira das ciências matemáticas, para ser humana, não a pode contradizer.

O livro é um alerta para situações com as quais não concorda?
Exatamente. Há uma crítica para dentro da Igreja, seguindo alertas que vêm do Papa Francisco. Porque este Papa é cristão no sentido mais radical, não é apenas batizado, ele segue Jesus. E quando olhamos para a Igreja, nem sempre vemos um verdadeiro discipulado de Jesus. Assistimos a uma hierarquia que frequentemente vive na ostentação, que não se bate pelos direitos humanos, que têm de ser praticados dentro da Igreja. Depois do Concílio Vaticano II, a primavera da Igreja, veio o inverno, que teve uma expressão dramática na condenação de teólogos.

Francisco trouxe uma nova primavera?
As pessoas gostam dele, ele faz o que Jesus fazia, é amor.

Mas basta? Jesus provocou ruturas. E o Papa Francisco?
Jesus opôs-se à religião estabelecida, foi crucificado por ter sido condenado, em primeiro lugar, pela religião oficial. Foi condenado como blasfemo e subversivo. E o Papa Francisco, se não tivesse operado ruturas, não tinha tanta oposição de alguns cardeais.

A oposição existe em Portugal?
O que mais noto aqui é que o Papa Francisco não está vivo e operante, em primeiro lugar, na hierarquia católica. Diria até que há mais simpatia para com ele fora da Igreja.

No livro diz que a Igreja portuguesa parece paralisada. O que Francisco pode provocar em Fátima?
Fátima é um caso muito especial de religiosidade. A Igreja oficial tenta enquadrar Fátima, mas as pessoas vão lá com uma devoção particular.

A mãe de Jesus surgiu em Fátima?
Posso ser um bom católico e não acreditar em Fátima porque não é um dogma. Não me repugna, contudo, que as crianças, os chamados três pastorinhos, tenham tido uma experiência religiosa, mas à maneira das crianças e dentro dos esquemas religiosos da altura. É preciso também distinguir aparições de visões. É evidente que Nossa Senhora não apareceu em Fátima. Uma aparição é algo objetivo. Uma experiência religiosa interior é outra realidade, é uma visão, o que não significa necessariamente um delírio, mas é subjetivo. É preciso fazer esta distinção. E por isso digo que é necessário evangelizar Fátima, ou seja, trazer uma notícia boa. Porque mesmo para aquelas crianças, aquela não foi uma notícia boa: que mãe mostraria o inferno a uma criança?

Que boa notícia seria essa?
Já não se veem pessoas a arrastarem-se e a sangrarem.

Não foram os portugueses que se modernizaram?
Sim, felizmente.

Porque é que o Papa vem a Fátima?
Em primeiro lugar, porque é profundamente devoto de Maria. Sabe porque há tanta devoção a Maria na Igreja? Porque a presença feminina é muito reduzida. As mulheres têm de gostar de Jesus — mesmo que se deem mal com a Igreja oficial e têm razões para isso — porque ele teve mulheres como discípulas e foi uma figura central da emancipação feminina, embora a Igreja seja completamente masculina — Pai, Filho e Espírito Santo — e uma menina faça a socialização religiosa sempre no masculino.

O que dirá o Papa em Fátima?
Estou convicto de que fará um discurso de dimensão mundial, um grande apelo à paz. Deverá apelar ao diálogo inter-religioso e a que católicos pratiquem o Evangelho.

Ficará triste com o comércio?
Qualquer pessoa fica. São, outra vez, os vendilhões do templo, o pior da religião.

Voltando às mulheres e às ruturas: até onde o Papa poderá ir?
O Papa criou um grupo para estudar a possibilidade de as mulheres serem diaconisas, o que causou um grande abalo. Ele herdou uma Igreja profundamente hierarquizada e tem de pisar o terreno com cuidado, o que tem feito com coragem. É jesuíta e sabe o que significa o poder e a eficácia. Não pode causar um cisma.

O que será mais fácil: ordenar mulheres ou homens casados?
Homens casados porque a Igreja é misógina! É a última instituição, verdadeiramente global, que é machista. É também a última monarquia absoluta. Acredito que ainda veremos o Papa Francisco ordenar homens casados, mas também terá de resolver o problema da participação dos leigos e o problema das mulheres. O celibato é uma questão de bom senso, temos de ser pragmáticos. Não há padres suficientes e há leigos, casados, que, ordenados, exerceriam um excelente papel como coordenadores das comunidades cristãs. No primeiro milénio da Igreja não havia celibato. Aquilo que hoje constitui escândalo não o é, se olharmos a origem.

Qual é a sexualidade dos padres? Podem ser homossexuais?
A Igreja não pode impor como lei aquilo que Jesus entregou à liberdade e, por isso, sou partidário do fim ao celibato obrigatório. À frente das comunidades é possível ter leigos, que podem ficar durante um período limitado. Não se percebe porque um bispo, mesmo que incompetente, fique para sempre. Alguns vão sempre optar pelo celibato, serão os coordenadores dos coordenadores. Mas serão muito poucos. É preciso acabar com as vidas duplas.

E a sexualidade dos padres?
Está estudado, se há na população cerca de 8% de homossexuais, na Igreja deverá ser um pouco mais porque muitos entraram no contexto de repressão da sexualidade, para tentarem resolver um problema, mas não vejo razão para serem excluídos. E se assumiram o compromisso da castidade, devem segui-lo como os outros.

O Papa Francisco trouxe mais transparência?
Já não é possível esconder a realidade e o Papa chama as coisas pelos nomes. O Evangelho diz que a verdade libertar-nos-á.

Já foi chamado à atenção pela hierarquia por defender estas posições?
Já tive problemas, hoje não.

Desistiram de si?
Não gostavam do que eu dizia, mas eu também não gosto do que dizem.

Poderia ter tido uma carreira diferente? Não foi bispo.
Nunca quis, aliás, se quisesse, não podia ser livre, e esse é o problema a que o Papa tanto se opõe, o carreirismo. O único pecado que tenho é o de não ser suficientemente cristão, talvez não dê suficiente atenção às pessoas. O resto, pensar de maneira diferente? Ainda bem. Na Igreja tem de haver liberdade de pensar e interpretar.

O que sentiria se uma mulher lhe desse a eucaristia?
Comunguei das mãos de uma pastora anglicana em Londres. Não me causou inquietação.

Já deu a eucaristia a divorciados?
Mais do que isso. Um homem, uma figura pública que eu não conhecia, convidou-me para jantar e disse que iria casar-se no dia seguinte e queria que eu lhe abençoasse as alianças, porque não podia casar pela Igreja. Fui ao casamento, estive lá com eles.

Qual foi a primeira vez em que foi ao Vaticano?Em 1967, havia ainda a ebulição do Vaticano II. Sou filho desta primavera.

O que sentiu?Era muito jovem e senti um grande esplendor, mas também achei excessivo. Mas o que na Igreja sempre me preocupou mais foi a falta de liberdade para pensar."

Porque estou aqui

Sinto-me privilegiado por ter encontrado na Igreja um lugar vazio, feito à minha medida. É certo que tê-lo encontrado (ou encontrá-lo renovadamente, pois não é dado adquirido) foi também mérito da minha sede, do meu empenho, de não baixar os braços e achar, passivamente, que não seria possível. Passo a contextualizar: a comunidade onde vou à missa é pequena e acolhedora, e podia bem não o ser. Ao mesmo tempo, sentia um desejo grande de reflexão de vida cristã e encontrei um casal (heterosexual) que tinha a mesma vontade. Começámo-nos a reunir semanalmente numa pequena comunidade de oração e reflexão que, apesar de crítica, nos tem ajudado a sermos Igreja e a nela nos revermos. Paralelamente, face ao contínuo desencanto em relação a algumas posturas e pontos de vista de uma Igreja mais institucional e hierárquica, tive a graça de encontrar um grupo de cristãos homossexuais, que se reuniam com um padre regularmente, sem terem de se esconder ou de ocultar parte de si.

Sei que muitos cristãos homossexuais nunca pensaram sequer na eventualidade de existirem grupos cristãos em que se pudessem apresentar inteiros, quanto mais pensarem poder tomar parte e pôr em comum fé, questões, procuras, afectos e vidas.

Por tudo isto me sinto grato a Deus e me sinto responsável para tentar chegar a quem não teve, até agora, uma experiência tão feliz como a minha.

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