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A diversidade na Igreja

"A casa do meu Pai tem muitas moradas", diz-nos Jesus no evangelho.

A unidade na diversidade não é sempre aparente na Igreja enquanto povo de Deus, mas é uma realidade em Deus e uma presença na fé cristã desde a sua origem. A Palavra de Deus não é partidária, elitista e exclusiva. O Reino de Deus é como uma árvore que estende os ramos para dar abrigo a todos os pássaros do céu. Cristo não morreu na cruz para salvar uma mão cheia de cristãos. Até o Deus Uno encerra em si o mistério de uma Trindade.

A Palavra de Deus é inequívoca e só pode levar à desinstalação, à abertura ao outro, e a recebê-lo e amá-lo enquanto irmão ou irmã. Ninguém fica de fora, nem mesmo - se tivessemos - os inimigos.

Muitos cristãos crêem nesta Igreja, nesta casa do Pai, corpo de Cristo, templo do Espírito Santo. Mas como esquecer que muitos se sentem "de fora" por se verem rejeitados, amputados e anulados, e afastam-se por ninguém lhes ter mostrado que há um lugar para cada um, com a totalidade do seu ser?

Um blogue para cristãos homossexuais que não desistiram de ser Igreja

Porquê este blogue?

Este blogue é a partilha de uma vida de fé e é uma porta aberta para quem nela quiser entrar. É um convite para que não desistas: há homossexuais cristãos que não querem recusar nem a sua fé nem a sua sexualidade. É uma confirmação, por experiência vivida, que há um lugar para ti na Igreja. Aceita o desafio de o encontrares!

Este blogue também é teu, e de quem conheças que possa viver na carne sentimentos contraditórios de questões ligadas à fé e à orientação sexual. És benvindo se, mesmo não sendo o teu caso, conheces alguém que viva esta situação ou és um cristão que deseja uma Igreja mais acolhedora onde caiba a reflexão sobre esta e outras realidades.

Partilha, pergunta, propõe: este blogue existe para dar voz a quem normalmente está invisível ou mudo na Igreja, para quem se sente só, diferente e excluído. Este blogue não pretende mudar as mentalidades e as tradições com grande aparato, mas já não seria pouco se pudesse revelar um pouco do insondável Amor de Deus ou se ajudasse alguém a reconciliar-se consigo em Deus.
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quarta-feira, 20 de junho de 2018

Relendo a história Javista da Criação

Este artigo é de autoria de Carlos Osma, teólogo protestante catalão. Foi gentilmente traduzido e enviado por um leitor do blogue moradasdedeus, elemento do grupo CADIV:

Relendo a história Javista da Criação

No livro do Génesis encontramos duas histórias diferentes que explicam a criação do ser humano. A primeira encontramo-la no capítulo um[1], e faz parte do que se denomina tradição sacerdotal[2] (fonte P); enquanto que a segunda aparece nos capítulos dois e três, e provem da tradição javista[3] (fonte J). Muitas pessoas fazem uma leitura literal destas histórias, ou pelo menos isso é o que dizem, porque relendo esta tarde a segunda, que relata o ocorrido no jardim do Éden, assaltava-me um mar de dúvidas e perguntas.

Para começar, pareceu-me irónico que, se para muitas pessoas o Éden é um lugar paradisíaco onde o ser humano vivia sem responsabilidade alguma, o texto o que diz é que o homem foi criado com a intenção de o trabalhar e dele cuidar. Depois senti-me um pouco incomodado ao ler que a mulher foi criada por Deus com a única intenção de que a sua primeira criação, o homem, não estivesse só. Mas em seguida disse a mim próprio… Vejamos, vejamos… É evidente que os autores desta história têm uma ideia clara do que e quem eram Adão e Eva… Mas: Como se compreendiam a si próprios Eva e Adão segundo o texto javista?

“Então Deus formou o homem do pó da terra[4]”… Que significava para Adão ser um homem se era o primeiro e nunca tinha visto um? Ser ligeiramente diferente da terra? Não ser Deus? Ser o jardineiro do Éden? Estar aborrecido? Como se deve comportar um ser humano para ser um homem se ninguém o ensinou a sê-lo? Adão imitava Deus? É Deus um homem? E se o que tornava um homem a Adão era algo físico… Como sabia que o pedaço de carne que tinha entre as pernas era mais determinante do que a sua orelha para o classificar dentro da categoria humana como um homem? E se fosse a sua orientação sexual… Se não tinha mais seres humanos, quando foi criado: Adão via-se como heterossexual? … Porquê? Talvez porque não tinha nenhum tipo de atração pelos animais aos quais depois deu nome? Tinha algum tipo de atração sexual?

“Da costela que Deus tinha tirado do homem formou uma mulher…[5]”. Ser criada a partir de um osso e não do barro, converteu-a em mulher? Ou foi o não saber-se única no mundo? Ser mulher para Eva era não receber o nome diretamente de Deus mas de outro ser humano? Somos portanto todos mulheres depois de Adão? E se a categoria mulher tinha que ver com o seu corpo… Ser mulher significava não ser homem? Poder-se-ia ser as duas coisas ao mesmo tempo? A única diferença entre o seu corpo e o de Adão eram os genitais? Porque ser mais alta ou mais baixa, mais gorda ou mais magra, importava menos que ter mais peitos que Adão para ser nomeada “mulher”? E sim, ser mulher é sentir-se exclusivamente atraída sexualmente por um homem… Eva estava atraída por Adão? Como podia saber que não lhe atraíam também (ou exclusivamente) outras mulheresse não tinha visto nenhuma? Ou é que ser heterossexual é o que ocorre a milhões de mulheres no mundo que não podem escolher elas próprias quem as atrai? Pensando um pouco, se eu tivesse sido o segundo ser humano e me tivessem chamado “mulher”, creio que pensaria que ser mulher significava ser companheira de outro ser humano, formar comunidade (unicamente a partir de Eva existe a comunidade humana), ser capaz de ver, conviver, ajudar e ser ajudada por outro ser humano…

Depois de nos detalhar a criação do homem e da mulher, o javista diz-nos aquelas palavras tão conhecidas: “Por esse motivo o homem deixará o pai e a mãe, para se unir à sua mulher; e os dois serão uma só carne[6]”. Surpreende, lido milhares de anos depois, que a história contada anteriormente se utilize como a justificação do matrimónio heteronormativo. De facto, nem Adão nem Eva abandonaram pais ou mães, mais ainda, no povo Israelita os homens não abandonavam a casa familiar para se casar (não seriam homens?), mas as mulheres. Mas a história não acaba aqui… se não que continua a explicar-nos como Adão e Eva desobedeceram a Deus e comeram do fruto proibido. E de repente, após este facto: “abriram-se os olhos a ambos e aperceberam-se que estavam nus[7]”. E eu interrogo-me, se Adão e Eva não se tinham apercebido de como era o seu corpo ou o do seu par: Como podem ser a justificação do matrimónio heteronormativo? Segundo o libro dos Génesis, a Adão não lhe interessavam os genitais de Eva para se unir em “uma só carne”e nem a esta os de Adão. É evidente que a quem interessa os seus genitais são aos leitores homófobos de esta lenda, mas a Adão e Eva, não.

Se lemos literalmente a história javista da criação, é difícil ver nela homens e mulheres, ou machos e fêmeas. Pelo menos se estes conceitos são os que utilizamos atualmente. Por outra parte, muito debateram, os literalistas, sobre se houve ou não houve sexo no paraíso, mas o que é claro é que sexo heterossexual só houve nas suas mentes, porque seria difícil catalogar dessa maneira uma relação sexual entre dois seres humanos que são incapazes de se verem como homens ou mulheres e que não podem ver o corpo nu do outro. Se Adão e Eva fossem uma só carne no Éden do literalismo, tê-lo-iam feito sem que essa carne tivesse necessariamente uma forma determinada. De facto, a primeira confirmação clara de sexo na Bíblia, encontramo-la fora do Éden: “Adão conheceu Eva, sua mulher, Ela concebeu e deu à luz Caim[8]”… Forçando um pouco alguns conceitos poderíamos catalogar esta prática sexual como heterossexual… Mas é impossível fazê-lo dentro do Éden. Só depois do pecado, da caída, há heterossexualidade. Antes, em todo o caso, houve dois seres humanos que se relacionavam livremente sem nenhum tipo de tabu nem condicionante. Não havia categorias, nem identidades. Só dois seres humanos que se encontravam e se complementavam mutuamente. Todo o mais virá depois, depois da queda, depois do pecado, depois da expulsão do Éden.

A heteronormatividade e o binarismo de género, tentam voltar a entrar todos os dias naquele paraíso longínquo para se apoderar do conhecimento do bem e do mal… Eles dizem que aquele lugar lhes pertence. Que aquele é o seu lugar e de ninguém mais. Mas não há que dar-lhes demasiada importância, aquele jardim não é de ninguém, e aqueles que tentem apropriar-se dele encontrarão à entrada querubins e a chama de uma espada zigzagueante que os impedirão de entrar. Melhor seria para eles e elas, mas também para nós, dirigirmo-nos para a cruz em vez de para o Éden. Ali está realmente a medida de qualquer identidade que pretenda ser verdadeiramente humana e essencialmente cristã.

Carlos Osma
(Tradução de Aníbal Liberal Neves)

NOTAS:
[1] Concretamente até ao capítulo 2 e versículo 3.
[2] Os autores seriam os sacerdotes. Composta no exílio da Babilónia por volta de 450 a.C.
[3] Provem do Reino de Judá. É a mais antiga e foi composta cerca de 950 a.C.
[4] Gn 2,7
[5] 2,22
[6] 2,24
[7] 3,7
[8] 4,1

Ler em: https://homoprotestantes.blogspot.com/2018/06/releyendo-la-historia-yahvista-de-la.html#more


terça-feira, 18 de abril de 2017

Fátima não é um dogma, a Igreja em Portugal, o Papa, sexualidade dos padres, ordenação de mulheres e de homens casados e muito mais


Padre Anselmo Borges: “É evidente que Nossa Senhora não apareceu em Fátima”

Anselmo Borges, padre da Sociedade Missionária Portuguesa, falou ao Expresso a propósito do lançamento do seu novo livro, “Francisco: Desafios à Igreja e ao Mundo”

por Cristiana Martins, no Expresso

"Decidiu ser padre aos 19 anos porque a morte o inquietava. Ainda pensa na finitude, mas diz que “a única porta de salvação para uma vida eterna” foi Jesus quem lha abriu. Entrou há 50 anos, ao ser ordenado pelo cardeal Cerejeira. Nunca deixou a Igreja mas arrepiou caminho e escolheu a via da crítica ativa. Professor universitário em Coimbra, lança um novo livro — “Francisco: Desafios à Igreja e ao Mundo” —, prefaciado por Artur Santos Silva e, a partir da próxima semana, vai andar pelo país a apresentá-lo, na presença de pessoas tão diferentes como Ramalho Eanes, Frederico Lourenço, Pedro Mexia, Pedro Rangel, Maria de Belém, Carlos Fiolhais ou Isabel Allegro de Magalhães.

No seu livro levanta questões mais comuns ao discurso de não católicos. Ainda se revê na Igreja?
Pertenço por convicção à Igreja Católica e procurei ser leal, mas há duas questões fundamentais. A primeira é que Deus é amor. A outra tentativa de definir Deus surge no Evangelho segundo São João: no princípio era o logos, a razão, e Deus é razão. Para mim, se Deus é razão, devemos estar na Igreja com dimensão crítica. E se a fé não deriva da razão, à maneira das ciências matemáticas, para ser humana, não a pode contradizer.

O livro é um alerta para situações com as quais não concorda?
Exatamente. Há uma crítica para dentro da Igreja, seguindo alertas que vêm do Papa Francisco. Porque este Papa é cristão no sentido mais radical, não é apenas batizado, ele segue Jesus. E quando olhamos para a Igreja, nem sempre vemos um verdadeiro discipulado de Jesus. Assistimos a uma hierarquia que frequentemente vive na ostentação, que não se bate pelos direitos humanos, que têm de ser praticados dentro da Igreja. Depois do Concílio Vaticano II, a primavera da Igreja, veio o inverno, que teve uma expressão dramática na condenação de teólogos.

Francisco trouxe uma nova primavera?
As pessoas gostam dele, ele faz o que Jesus fazia, é amor.

Mas basta? Jesus provocou ruturas. E o Papa Francisco?
Jesus opôs-se à religião estabelecida, foi crucificado por ter sido condenado, em primeiro lugar, pela religião oficial. Foi condenado como blasfemo e subversivo. E o Papa Francisco, se não tivesse operado ruturas, não tinha tanta oposição de alguns cardeais.

A oposição existe em Portugal?
O que mais noto aqui é que o Papa Francisco não está vivo e operante, em primeiro lugar, na hierarquia católica. Diria até que há mais simpatia para com ele fora da Igreja.

No livro diz que a Igreja portuguesa parece paralisada. O que Francisco pode provocar em Fátima?
Fátima é um caso muito especial de religiosidade. A Igreja oficial tenta enquadrar Fátima, mas as pessoas vão lá com uma devoção particular.

A mãe de Jesus surgiu em Fátima?
Posso ser um bom católico e não acreditar em Fátima porque não é um dogma. Não me repugna, contudo, que as crianças, os chamados três pastorinhos, tenham tido uma experiência religiosa, mas à maneira das crianças e dentro dos esquemas religiosos da altura. É preciso também distinguir aparições de visões. É evidente que Nossa Senhora não apareceu em Fátima. Uma aparição é algo objetivo. Uma experiência religiosa interior é outra realidade, é uma visão, o que não significa necessariamente um delírio, mas é subjetivo. É preciso fazer esta distinção. E por isso digo que é necessário evangelizar Fátima, ou seja, trazer uma notícia boa. Porque mesmo para aquelas crianças, aquela não foi uma notícia boa: que mãe mostraria o inferno a uma criança?

Que boa notícia seria essa?
Já não se veem pessoas a arrastarem-se e a sangrarem.

Não foram os portugueses que se modernizaram?
Sim, felizmente.

Porque é que o Papa vem a Fátima?
Em primeiro lugar, porque é profundamente devoto de Maria. Sabe porque há tanta devoção a Maria na Igreja? Porque a presença feminina é muito reduzida. As mulheres têm de gostar de Jesus — mesmo que se deem mal com a Igreja oficial e têm razões para isso — porque ele teve mulheres como discípulas e foi uma figura central da emancipação feminina, embora a Igreja seja completamente masculina — Pai, Filho e Espírito Santo — e uma menina faça a socialização religiosa sempre no masculino.

O que dirá o Papa em Fátima?
Estou convicto de que fará um discurso de dimensão mundial, um grande apelo à paz. Deverá apelar ao diálogo inter-religioso e a que católicos pratiquem o Evangelho.

Ficará triste com o comércio?
Qualquer pessoa fica. São, outra vez, os vendilhões do templo, o pior da religião.

Voltando às mulheres e às ruturas: até onde o Papa poderá ir?
O Papa criou um grupo para estudar a possibilidade de as mulheres serem diaconisas, o que causou um grande abalo. Ele herdou uma Igreja profundamente hierarquizada e tem de pisar o terreno com cuidado, o que tem feito com coragem. É jesuíta e sabe o que significa o poder e a eficácia. Não pode causar um cisma.

O que será mais fácil: ordenar mulheres ou homens casados?
Homens casados porque a Igreja é misógina! É a última instituição, verdadeiramente global, que é machista. É também a última monarquia absoluta. Acredito que ainda veremos o Papa Francisco ordenar homens casados, mas também terá de resolver o problema da participação dos leigos e o problema das mulheres. O celibato é uma questão de bom senso, temos de ser pragmáticos. Não há padres suficientes e há leigos, casados, que, ordenados, exerceriam um excelente papel como coordenadores das comunidades cristãs. No primeiro milénio da Igreja não havia celibato. Aquilo que hoje constitui escândalo não o é, se olharmos a origem.

Qual é a sexualidade dos padres? Podem ser homossexuais?
A Igreja não pode impor como lei aquilo que Jesus entregou à liberdade e, por isso, sou partidário do fim ao celibato obrigatório. À frente das comunidades é possível ter leigos, que podem ficar durante um período limitado. Não se percebe porque um bispo, mesmo que incompetente, fique para sempre. Alguns vão sempre optar pelo celibato, serão os coordenadores dos coordenadores. Mas serão muito poucos. É preciso acabar com as vidas duplas.

E a sexualidade dos padres?
Está estudado, se há na população cerca de 8% de homossexuais, na Igreja deverá ser um pouco mais porque muitos entraram no contexto de repressão da sexualidade, para tentarem resolver um problema, mas não vejo razão para serem excluídos. E se assumiram o compromisso da castidade, devem segui-lo como os outros.

O Papa Francisco trouxe mais transparência?
Já não é possível esconder a realidade e o Papa chama as coisas pelos nomes. O Evangelho diz que a verdade libertar-nos-á.

Já foi chamado à atenção pela hierarquia por defender estas posições?
Já tive problemas, hoje não.

Desistiram de si?
Não gostavam do que eu dizia, mas eu também não gosto do que dizem.

Poderia ter tido uma carreira diferente? Não foi bispo.
Nunca quis, aliás, se quisesse, não podia ser livre, e esse é o problema a que o Papa tanto se opõe, o carreirismo. O único pecado que tenho é o de não ser suficientemente cristão, talvez não dê suficiente atenção às pessoas. O resto, pensar de maneira diferente? Ainda bem. Na Igreja tem de haver liberdade de pensar e interpretar.

O que sentiria se uma mulher lhe desse a eucaristia?
Comunguei das mãos de uma pastora anglicana em Londres. Não me causou inquietação.

Já deu a eucaristia a divorciados?
Mais do que isso. Um homem, uma figura pública que eu não conhecia, convidou-me para jantar e disse que iria casar-se no dia seguinte e queria que eu lhe abençoasse as alianças, porque não podia casar pela Igreja. Fui ao casamento, estive lá com eles.

Qual foi a primeira vez em que foi ao Vaticano?Em 1967, havia ainda a ebulição do Vaticano II. Sou filho desta primavera.

O que sentiu?Era muito jovem e senti um grande esplendor, mas também achei excessivo. Mas o que na Igreja sempre me preocupou mais foi a falta de liberdade para pensar."

segunda-feira, 7 de março de 2011

Homossexualidade: de quem é a culpa? Qual a origem? Herança, escolha ou facto?

Esta mensagem está em português do Brasil, de acordo com o artigo original.

Causas da homossexualidade

Existe gente que acha que os homossexuais já nascem assim. Outros, ao contrário, dizem que a conjunção do ambiente social com a figura dominadora do genitor do sexo oposto é que são decisivos na expressão da homossexualidade masculina ou feminina.


Como separar o patrimônio genético herdado involuntariamente de nossos antepassados da influência do meio foi uma discussão que monopolizou o estudo do comportamento humano durante pelo menos dois terços do século XX.

Os defensores da origem genética da homossexualidade usam como argumento os trabalhos que encontraram concentração mais alta de homossexuais em determinadas famílias e os que mostraram maior prevalência de homossexualidade em irmãos gêmeos univitelinos criados por famílias diferentes sem nenhum contato pessoal. Mais tarde, com os avanços dos métodos de neuro-imagem, alguns autores procuraram diferenças na morfologia do cérebro que explicassem o comportamento homossexual.

Os que defendem a influência do meio têm ojeriza aos argumentos genéticos. Para eles, o comportamento humano é de tal complexidade que fica ridículo limitá-lo à bioquímica da expressão de meia dúzia de genes. Como negar que a figura excessivamente protetora da mãe, aliada à do pai pusilânime, seja comum a muitos homens homossexuais? Ou que uma ligação forte com o pai tenha influência na definição da sexualidade da filha?

Sinceramente, acho essa discussão antiquada. Tão inútil insistirmos nela como discutir se a música que escutamos ao longe vem do piano ou do pianista.

A propriedade mais importante do sistema nervoso central é sua plasticidade. De nossos pais herdamos o formato da rede de neurônios que trouxemos ao mundo. No decorrer da vida, entretanto, os sucessivos impactos do ambiente provocaram tamanha alteração plástica na arquitetura dessa rede primitiva que ela se tornou absolutamente irreconhecível e original.

Cada indivíduo é um experimento único da natureza porque resulta da interação entre uma arquitetura de circuitos neuronais geneticamente herdada e a experiência de vida. Ainda que existam irmãos geneticamente iguais, jamais poderemos evitar as diferenças dos estímulos que moldarão a estrutura microscópica de seus sistemas nervosos. Da mesma forma, mesmo que o oposto fosse possível - garantirmos estímulos ambientais idênticos para dois recém-nascidos diferentes - nunca obteríamos duas pessoas iguais por causa das diferenças na constituição de sua circuitaria de neurônios. Por isso, é impossível existirem dois habitantes na Terra com a mesma forma de agir e de pensar.

Se taparmos o olho esquerdo de um recém-nascido por 30 dias, a visão daquele olho jamais se desenvolverá em sua plenitude. Estimulado pela luz, o olho direito enxergará normalmente, mas o esquerdo não. Ao nascer, os neurônios das duas retinas eram idênticos, porém os que permaneceram no escuro perderam a oportunidade de ser ativados no momento crucial. Tem sentido, nesse caso, perguntar o que é mais importante para a visão: os neurônios ou a incidência da luz na retina?

Em matéria de comportamento, o resultado do impacto da experiência pessoal sobre os eventos genéticos, embora seja mais complexo e imprevisível, é regido por interações semelhantes. No caso da sexualidade, para voltar ao tema, uma mulher com desejo sexual por outras pode muito bem se casar e até ser fiel a um homem, mas jamais deixará de se interessar por mulheres. Quantos homens casados vivem experiências homossexuais fora do casamento? Teoricamente, cada um de nós tem discernimento para escolher o comportamento pessoal mais adequado socialmente, mas não há quem consiga esconder de si próprio suas preferências sexuais.

Até onde a memória alcança, sempre existiram maiorias de mulheres e homens heterossexuais e uma minoria de homossexuais. O espectro da sexualidade humana é amplo e de alta complexidade, no entanto; vai dos heterossexuais empedernidos aos que não têm o mínimo interesse pelo sexo oposto. Entre os dois extremos, em gradações variadas entre a hetero e a homossexualidade, oscilam os menos ortodoxos.

Como o presente não nos faz crer que essa ordem natural vá se modificar, por que é tão difícil aceitarmos a riqueza da biodiversidade sexual de nossa espécie? Por que insistirmos no preconceito contra um fato biológico inerente à condição humana?

Em contraposição ao comportamento adotado em sociedade, a sexualidade humana não é questão de opção individual, como muitos gostariam que fosse, ela simplesmente se impõe a cada um de nós. Simplesmente, é!

Por Drauzio Varella, in drauziovarella.com.br

Genética e Homossexualidade


Transcrevo uma adaptação da mensagem publicada por Teleny no blogue retorno (G-A-Y)

Já escrevi (...) algumas vezes sobre a principal dificuldade enfrentada num (eventual) diálogo sobre a homossexualidade. Quando leio os argumentos, tanto dos "simpatizantes" quanto "antipatizantes", tenho a impressão de que, ao falar, estamos a usar línguas diferentes (ainda que (...) [n]a mesma língua portuguesa). Muitas vezes, altera-se (propositalmente) o conteúdo das afirmações de opositores, para "ganhar pontos" na sua própria argumentação. É evidente que, desta maneira, o diálogo torna-se ainda mais difícil (ou praticamente impossível). Acrescentemos aqui toda aquela carga emocional e já temos pronta uma briga sem fim.
 
Como exemplo, trago aqui uma declaração de José Manuel Giménez Amaya, professor de Anatomia e Embriologia na Universidade Autónoma de Madrid e director do grupo de pesquisa "Ciência, razão e fé" da Universidade de Navarra. O texto completo encontra-se no portal católico de notícias, Zenit [1]. O professor Amaya afirma:
 
"Há condicionamentos genéticos do homem que estão relacionadas com o seu comportamento, mas não se pode dizer que são absolutamente determinantes. Infelizmente, muitas vezes, quando se fala sobre os chamados genes que regulam o nosso comportamento, por exemplo, o ‘gene da conduta sexual', pretende-se dar a entender que tudo no homem é determinado pelo genoma. E neste caso, é importante notar, portanto, que, do ponto de vista científico, esta tese não pode ser sustentada."
 
A pergunta que surge naturalmente é: como é que um professor universitário tira conclusões tão precipitadas? Como sabe o que, de facto "pretende-se dar a entender"? Na linguagem popular, isso chama-se a isso "colocar palavras na boca alheia". Quem pretende aqui alguma coisa é o próprio Amaya.
 
Se a frase em questão tivesse o termo "muito" no lugar de "tudo", não seria tão tendenciosa. Desta maneira as coisas ficariam mais objectivas. Vejamos: Quando se fala sobre os chamados genes que regulam o nosso comportamento, por exemplo, o ‘gene da conduta sexual', pretende-se dar a entender que muito no homem é determinado pelo genoma. Pretende-se sim, [senhor] professor! Todos os cientistas, sem "interesses partidaristas" (homo- ou heterossexuais), continuam as investigações, nas mais diversas áreas do conhecimento do ser humano, procurando (entre muitas outras coisas) aproximar-se de uma explicação mais ampla das origens de homossexualidade. Acontece que, quando um cientista é mais cientista e menos activista, os resultados do seu trabalho merecem crédito.
 
O que se sabe, realmente, é que para formar (por exemplo) uma identidade sexual, contribuem muitos factores, sem excluir, evidentemente, o da genética. Li recentemente uma matéria de Dr. Dráuzio Warella [2], médico oncologista e escritor brasileiro, conhecido por popularizar a medicina através de programas de rádio e TV. [O referido artigo tem um ponto de vista bastante diferente e esclarecedor sobre esta questão. Dado o seu interesse e relevância, será publicado como uma mensagem separada neste blogue. Contudo, para os leitores mais ávidos, poderão ir à nota [2] e lê-lo já na íntegra]
Esta é a sua opinião:

(...) A propriedade mais importante do sistema nervoso central é sua plasticidade. De nossos pais herdamos o formato da rede de neurônios que trouxemos ao mundo. No decorrer da vida, entretanto, os sucessivos impactos do ambiente provocaram tamanha alteração plástica na arquitetura dessa rede primitiva que ela se tornou absolutamente irreconhecível e original. Cada indivíduo é um experimento único da natureza porque resulta da interação entre uma arquitetura de circuitos neuronais geneticamente herdada e a experiência de vida. (...)


[1] Ler aqui o artigo
[2] Ler aqui o artigo

sexta-feira, 4 de março de 2011

A discórdia na Igreja católica

Uma amiga do blogue sugeriu o link de um texto de Timothy Radcliffe. O texto, em inglês, intitula-se "Overcoming Discord in the Church" (Ultrapassar a discórdia na Igreja). Neste texto, o ex-superior dos Dominicanos reflecte, como é seu hábito, sobre temas cruciais na vida da Igreja. Fala das divisões, das diferentes sensibilidades e "traça" duas categorias de católicos: Os "Católicos do Reino" (Kingdom Catholics) e os "Católicos da Comunhão" (Communion Catholics).

O texto aparece organizado em vários subtítulos, que passo a enunciar:
  • Ambos estão a sofrer: sobre o sofrimento na Igreja e, em particular, nestas duas categorias de católicos
  • Actuando em todas as pessoas: sobre a acção do Espírito Santo
  • Conversa: sobre o diálogo e o encontro de um terreno comum
  • Falar sobre as verdades: sobre a necessidade de falar sobre tudo, inclusivamente as verdades básicas e os dogmas da fé. Sobre mistério e revelação, palavras e silêncio
  • Eu era jovem e tinha cabelo comprido: sobre os medos e as ameaças que, para alguns, parecem espreitar a cada canto; sobre castigo, reconhecimento e amor, catolicismo e universalidade
  • O que significa ser Romano: sobre o sentido de identidade, não estar "de acordo com", criatividade, liturgia como um dom
  • É difícil saber o que dizer: sobre a celebração da Eucaristia, passividade, receber um talento, ética sexual, pastoral, moral e dilema
  • O que diz o Evangelho sobre sexo: sobre o entendimento cristão da nossa sexualidade, o entendimento eucarístico do sexo, e urgências na mudança de atitude e de aprofundamento.
Ler o artigo na íntegra aqui

Sexualidade para crentes

Uma escola em Setúbal organizou uma palestra sobre "Sexualidade segundo várias crenças religiosas". Parabéns à iniciativa. A Setúbal TV acompanhou o evento.

terça-feira, 1 de março de 2011

Sexualidade e educação

Sexualidade e educação para a felicidade


«Talvez nunca como hoje a sexualidade ande tanto nas bocas do mundo. O que não quer dizer que seja pelas melhores razões, mesmo quando se constitui matéria de “educação nacional”.

E se outros motivos não houvesse, estes justificariam, plenamente, o objetivo da publicação: repensar, no contexto atual, os modos de inscrição da sexualidade no ser e no agir do homem; no corpo, nos sentimentos, mas relações interpessoais, na visão do mundo e da vida, no projeto de formação para a felicidade.

Tendo por quadro de referência os valores do humanismo de inspiração cristã, reúnem-se nesta obra os principais contributos saídos do 2.º Congresso Internacional de Pedagogia, subordinado ao tema que dá título à publicação.

O encontro decorreu na Faculdade de Filosofia da Universidade Católica Portuguesa, em Braga, nos dias 6 e 7 de outubro de 2009.» (in texto de apresentação)

Sexualidade e Educação para a Felicidade”, editado pela Faculdade de Filosofia da Universidade Católica Portuguesa (Braga), foi organizado por Miguel Gonçalves, Carlos Bizarro Morais e José Manuel Martins Lopes, integrando textos de Nilo Ribeiro Júnior, José Tolentino Mendonça, Enrique Rojas e Eduardo Sá, entre outros autores.

In SNPC

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Homossexualidade e Orixás

Colóquio: Homossexualidade e Religião

"Analisar a relação entre a religião e a sexualidade, particularmente a homossexualidade, as tensões que lhe são intrínsecas, apresentando os casos das religiões-terreiros afro-brasileiros do Candomblé como lugares onde a homossexualidade e a religião não se encontram em extremos opostos vivenciando-se nas casas de culto dos Orixás, e estudando-o como um case-study".

É já amanhã (sábado, dia 26 de Fevereiro de 2011, às 15h) que o Salão Nobre da Casa do Brasil em Lisboa (R. Luz Soriano, nº 42) vai receber um colóquio sobre a temática da homossexualidade e religião. Entre os temas abordados, vai-se falar de "Género e sexualidade na religião judaico-cristã-islâmica: problemas e potencialidades", "Porque é o cristianismo tão hostil à homossexualidade?", "Adés: a homossexualidade como operadora de mudança no Candomblé".

Mais informações aqui.

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

As sombras e a luz na vida de um artista: transcendência, quotidiano, sexualidade, fuga, liberdade e doença


São João Baptista

Caravaggio, 400 anos: balanço e perspetiva


2010 ficou marcado pela celebração do centenário da morte de um dos artistas que mais marcou a arte europeia. Depois da sua virtual redescoberta, nos anos de 1950, através da grande exposição organizada por Roberto Longhi em Milão, pode dizer-se que Caravaggio tem vindo a crescer em celebridade. A sua vida aventurosa acresce ao fascínio da sua arte. Envolta em mistérios, prestou-se a filmes de sucesso e a livros diversos, onde realidade e especulação se misturam. Talvez nenhuma outra figura artística do passado se tenha transformado tão decididamente num objeto de culto, transcendendo os limites do mundo erudito da arte barroca, para se firmar no turbilhão da cultura de massas, como, antes de si, os seus contemporâneos literários Shakespeare e Cervantes.

Em 1999, uma grande especialista da pintura seiscentista, Helen Langdon dedicou-lhe uma biografia, que se transformou num clássico. No ano anterior, Peter Robb publicou sobre o artista um romance fascinante, solidamente pesquisado e recheado de hipóteses explicativas sedutoras sobre a génese de algumas obras e os enigmas da sua vida. Mistura de erudição e livro de aventuras, rapidamente se transformou num “best-seller”.

Em 2003, um famoso romancista, hoje membro da Academia Francesa, Dominique Fernandez, deu à estampa uma “psicobiografia”do pintor, onde propõe uma inteligente leitura do significado profundo dos principais temas caravaggescos.

Também a historiografia tem vindo a dar resposta a algumas das questões ainda pendentes sobre uma vida cheia de peripécias, vislumbradas a partir de relatórios de polícia e atas de tribunais. Um académico maltês, Keith Sciberras, deslindou finalmente o motivo da queda em desgraça do artista, logo após o seu maior momento de triunfo: a admissão na prestigiosa Ordem de São João de Jerusalém (vulgarmente conhecida por Ordem de Malta). Uma altercação física envolvendo um superior hierárquico ("cavaliere nobilíssimo")levou ao seu encarceramento (e posterior fuga) num dos fortes da ilha de Malta. Numa sociedade rigidamente estratificada e de “ethos”aristocrático, o feitio impetuoso de um pintor plebeu, por muito cavaleiro de graça magistral que fosse, não podia ser tolerado. Resta ainda por confirmar a muito provável intervenção do próprio grão-mestre Alof de Wignacourt, no sentido de facilitar a fuga do artista que o retratara e que se viu forçado a mandar prender e erradicar.

A mais espetacular descoberta do ano ocorreu no verão, quando uma equipa interdisciplinar de uma instituição científica de Ravena, sob a orientação do Prof. Giorgio Gruppioni, pôde identificar os restos mortais do pintor de entre uma pilha de ossos exumados da cripta do cemitério de San Sebastiano de Porto Ercole. Mais exatamente, o crânio, as mandíbulas e o fémur. Aplicada a datação por carbono e outras técnicas forenses, apurou-se que os ossos pertenciam a um indivíduo de cerca de 38 anos e confirmou-se a data de 1610. Recolhido o DNA de membros atuais da família Merisi (longínquos parentes colaterais do pintor), ficou confirmada a identidade. O grau de fiabilidade das conclusões foi estabelecido em 85%.

Morte da Virgem
(Caravaggio não usa o tradicional termo de "dormição")
A análise dos ossos permitiu ainda lançar luz sobre a tão debatida razão da morte do artista. De facto, foi encontrada neles uma dose pouco usual de chumbo, justificada pelo contacto do artista com tintas e pigmentos, mas indiciando fortemente um grau de intoxicação plúmbea, conhecida como saturnismo. Ou seja, terá sido um Caravaggio já muito debilitado internamente que suportou a insolação e o esgotamento naquele julho tórrido de 1610, numa zona infestada de malária. Afastadas ficam, pois, as teorias conspirativas e de assassínio.

Neste mês de julho de 2010, os restos mortais identificados foram transportados para a sua cidade natal de Caravaggio, onde ficaram expostos no município. Regressaram, posteriormente, num veleiro, a Porto Ercole, onde foram levados para o Forte Stella, tendo sido celebrada uma missa, antes do sepultamento definitivo nessa localidade, onde morreu.

Um mês antes, em junho, a polícia alemã localizou em Berlim e apreendeu um dos quadros do mestre, anteriormente roubado do Museu de Odessa. Trata-se de uma das versões da “Captura de Cristo”, durante muito tempo considerada o original, até à descoberta, há duas décadas, da outra versão, hoje exposta em Dublin, na National Gallery of Ireland. A tela, escurecida, jazera largos anos em silêncio numa residência da comunidade jesuíta da capital irlandesa, à qual fora oferecida por uma benfeitora, sem qualquer noção do seu valor. A saga da redescoberta, limpeza e restauro do quadro é narrada por Jonathan Harr, no seu livro “A Obra Prima Desaparecida”, uma crónica que se lê como um verdadeiro romance de aventuras. Trata-se indiscutivelmente da versão original e é um dos quadros mais densos e dramáticos jamais criados por Michelangelo Merisi da Caravaggio, que nele se faz representar, como um criado que ergue uma lanterna para alumiar a cena noturna. Eu próprio tive ocasião de propor uma releitura da obra, à luz deste autorretrato nela inserido, que transforma a cena numa verdadeira alegoria da pintura, no sentido em que a arte “dá a luz”que permite ver a realidade.

Há anos, uma outra redescoberta veio lançar luz sobre a técnica do pintor nos seus anos finais. Foi identificado, numa coleção privada suíça, um “S. João”, como sendo a última tela de Caravaggio, transportada consigo na sua última viagem para Roma, que terminaria fatidicamente num albergue de Porto Ercole. O quadro, presente em algumas das principais exposições dedicadas ao artista nos últimos anos, foi objeto de reconhecimento unânime pela comunidade científica. (...)


Natividade com São Francisco e São Lourenço
 A obra autografa de Caravaggio hoje existente não ultrapassa as cinco ou seis dezenas de quadros. Vários outros, citados pela documentação seiscentista, não chegaram até nós. E, já no século XX, há a lamentar a perda da primeira versão do “S. Mateus e o Anjo”, bem como do retrato de “Fillide”, ambos queimados em Berlim, nos dias derradeiros da II Grande Guerra. Em 1969, de um oratório de Palermo, foi roubada a “Natividade com S. Francisco e S. Lourenço”, que nunca mais apareceu. Os quadros de Berlim são-nos conhecidos por velhas fotografias a preto e branco; da tela siciliana, existem reproduções a cores.

O constante interesse do público pela obra de Caravaggio fez multiplicar, nos últimos anos, o número das exposições a ele consagradas (...).

Neste ano celebratório, centraram-se em Itália, como era de esperar, as principais manifestações em torno do centenário, com particular realce para a grande exposição, que decorreu em Roma, nas “Scuderie”do Quirinal, entre fevereiro e junho. As cavalariças do venerável palácio, que foi dos Papas, dos Reis de Itália e que hoje alberga a Presidência da República Italiana, transformaram-se naquele que é, talvez, o mais espetacular espaço expositivo da capital. Aqui se reuniram 24 obras-primas do artista, quase metade de toda a sua produção remanescente, todas indiscutíveis, em termos de atribuição. Aos tesouros dos museus romanos, milaneses e florentinos, juntaram-se telas vindas de Nova Iorque, S. Petersburgo, Londres, Nancy, Dublin, Messina, Berlim, Viena, Kansas City e Fort Worth. Comissariada por Rossella Vodret e Francesco Buranelli, a exposição completava-se com a proposta de visita dos extraordinários quadros de altar que ornam as igrejas de Sant’Agostino, Santa Maria dei Popolo e San Luigi dei Francesi, todos eles expoentes máximos da produção do artista.

De facto, entre museus e igrejas, concentra-se em Roma cerca de um terço de toda a obra de Caravaggio, inigualável pela qualidade. No último fim de semana da mostra (12/13 de junho), uns e outras mantiveram-se abertos ininterruptamente durante 36 horas, admitindo os últimos milhares de visitantes. Ainda em Roma, em dezembro, no PalazzoVenezia, foi reconstituído o estúdio do artista (“Caravaggio. La Bottega dei Génio”). Prosseguindo as festividades, já este ano, abrirá na primavera, no mesmo museu, uma exposição dedicada ao mestre e aos seus seguidores, organizada em colaboração com o Hermitage de S. Petersburgo. (...)

Um contributo bastante original para este ano de festejos foi a estreia, a 19 de novembro, no festival de cinema de Mar dei Plata, de um filme polémico, “I'm Caravaggio”, de Derek Stonebarger, onde algumas das peripécias da vida do artista são transpostas para a atualidade de um "ghetto" de Las Vegas. (...)

Como se explica este permanente fascínio que continua a prender tão grande número de pessoas? Já em 1986, o filme biográfico de Derek Jarman constituíra um sucesso. As biografias romanceadas de Peter Robb e Dominique Fernandez foram “best-sellers”. As grandes exposições arrastaram largos milhares de visitantes...

Em primeiro lugar, o impacto do realismo brutal das suas figuras, moldadas de luz e sombra, escapando a todas as formas de idealização clássica e saídas do mundo fascinante e violento das ruas e das tabernas, para encarnar santos e anjos, sem, contudo, deixar de dar testemunho da sua própria realidade corpórea. Essa espiritualidade incarnada no quotidiano continua a ser um dos aspetos mais extraordinários da sua arte. As suas figuras são espantosamente modernas e, ao sê-lo, tornam-se intemporais e capazes de dizer algo aos homens do nosso próprio tempo. A mistura de transcendente e quotidiano, patente em tantas das suas telas, tem significado também nesta época sincrética, em busca incessante de valores espirituais, filosóficos, mágicos ou esotéricos, que sejam capazes de transfigurar o mundo material imediato.


detalhe de O martírio de São Mateus
 Em segundo lugar, a “vexata quaestio”da tão debatida sexualidade do artista. Na sua primeira fase, correspondente aos primeiros anos passados em Roma, e sob o alto patrocínio do refinado cardeal Francesco Maria dei Monte, produziu um conjunto de quadros, representando efebos de sexualidade ambígua. Do que sabemos da sua vida, resta a mesma ambi­guidade, que vai da forte relação com duas mulheres, Fillide Melandroni e a prostituta Lena, até ao apego e intimidade com o seu companheiro e discípulo Mário Minniti e outros homens.

Os mistérios da sua vida aventurosa, os anos passados em fuga e, contudo, tão espantosamente produtivos em termos artísticos, o constante papel dos apegos afetivos e da violência na sua vida acrescem ainda ao fascínio do artista.

Michelangelo Merisi é o exemplo acabado do romântico “avant la lettre”, que vive intensamente, produz uma obra artística de altíssimo impacto e valor, para morrer jovem e desamparado, com a liberdade ao alcance da mão, já tão perto e contudo inalcançada.

Na sua complexidade e ambivalência, Caravaggio surge-nos como perfeitamente contemporâneo. Violento e frágil, rebelde e insubmisso, amigo de banqueiros, cardeais, aristocratas, e também de vagabundos e rufias, portador de uma visão nova e única, revolucionário na técnica e na temática, inovador na expressão plástica do quotidiano mais banal e da mais alta espiritualidade, assim nos aparece hoje este homem, cuja arte ultrapassou as barreiras do tempo. Quatro séculos decorridos desde a sua morte, está mais vivo do que nunca na consciência contemporânea, como paradigma prometaico de quem se não resigna às limitações do quotidiano, antes molda o seu próprio destino. Pagou, por isso, um alto preço: fuga, clandestinidade, prisão, banimento, morte trágica às portas de Roma e da liberdade. Pelo caminho, deixou um legado artístico sem par, que hoje ainda continua a maravilhar e a arrastar multidões.

José Alberto Gomes Machado
(Professor catedrático de História da Arte, diretor da Escola de Ciências Sociais da Universidade de Évora)

In Brotéria 172 (n.º 1/2011)
Publicado por SNPC

Ler no blogue:
http://moradasdedeus.blogspot.com/2011/02/quando-beleza-doi.html
http://moradasdedeus.blogspot.com/2011/02/parabens-caravaggio.html
Ver no blogue:
http://moradasdedeus.blogspot.com/2011/02/caravaggio-em-imagens.html

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Eucaristia e conflito interior

Comungar ou não comungar?
3

"Provavelmente a maioria dos homossexuais católicos vive um grave conflito interior em relação à Eucaristia.

Muitos, simplesmente, abandonaram a Missa e a Comunhão, desde o momento em que assumiram (ainda que apenas perante si mesmos) a sua identidade homossexual.

Outros tiveram experiências traumáticas ao procurarem a Confissão ou aconselhamento junto a um sacerdote. Alguns (talvez graças a uma sensibilidade da sua consciência) recorrem ao Sacramento da Reconciliação, desde que não estejam a viver num relacionamento "estável", e procuram a absolvição (e o acesso à Eucaristia) depois de cada "pecado contra castidade".

Acredito que, devido à dolorosa ausência de formação espiritual específica voltada directamente para os homossexuais (Pastoral para Homossexuais), exista grande confusão neste assunto.

Quem não abandonou definitivamente a Igreja, procura "improvisar". Ou, então, encontra algum meio para "casar" a sua fé com a própria sexualidade.

Como não encontrei ainda O texto que fale exactamente sobre esta questão, resolvi recorrer às opiniões mais "genéricas" [1], que podem ser interpretadas, também, no contexto da homossexualidade. [...] A opinião do atual Papa [2] não é muito animadora. Na próxima postagem prometo apresentar outro ponto de vista..."


Por Teleny, in retorno (G-A-Y)

[1] O texto de Joseph Ratzinger, apresentado anteriormente, é sobre os "casais de segunda união" e a Comunhão eucarística; o autor da mensagem aqui transcrita faz uma analogia entre a situação destes e a dos homossexuais católicos. 
[2] que é o corpo da última mensagem - a parte 2 de "Comungar ou não comungar?"

Ler no blogue:
parte 1 http://moradasdedeus.blogspot.com/2011/02/comungar-ou-nao-comungar-eis-questao.html
parte 2 http://moradasdedeus.blogspot.com/2011/02/o-ritual-social-e-individual-da.html

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Cuidado com o que se afirma! Homofobia é punida por lei.

Páginas homofóbicas no Facebook podem dar prisão


Divulgar conteúdos que incitem à discriminação sexual é punido por lei com pena que pode chegar aos cinco anos de prisão.


Os comentários relativos ao homicídio de Carlos Castro têm-se multiplicado, tanto nas edições online de jornais e revistas como nas redes sociais. Poucos dias depois da violenta morte do jornalista, uma utilizadora do Facebook criou um grupo chamado "Eu apoio Renato Seabra, matar gays não devia ser crime".

Segundo o advogado Arrobas da Silva, a haver violação da lei, "deve ser o Ministério Público a promover uma acção penal. Parece-me, pela descrição, que deverá ser um crime público ou semipúblico", explica o causídico. Este tipo de crime contra a identidade cultural e a integridade pessoal está contemplado no artigo 240.º do Código Penal português e pode resultar numa pena de prisão de seis meses a cinco anos. "Eu creio que a pena se aplica a quem cria e a quem adere. Pode haver depois uma graduação de responsabilidades, mais para quem tem a direcção", explica o jurista.

Arrobas da Silva afirma também que dado o fenómeno recente das redes sociais urge uma reformulação da lei que contemple este tipo de casos: "Há 20 anos, por exemplo, havia pessoas que praticavam burlas informáticas e, como não estava previsto no Código Penal, não era crime. Houve que acrescentar à tipicidade do Código Penal novos crimes."

Sobre a necessidade da criação de uma entidade reguladora para situações como incitamento à homofobia, o advogado acrescenta que a situação deverá ser avaliada pelas instâncias competentes. "Se houver um crescendo de sentimentos - mais do que comentários - desta natureza, pode ser que haja necessidade no futuro de criar uma entidade reguladora. Neste caso, seria de bom tom o Ministério Público comentar estas situações, que constituem crime de incentivo à homofobia", afirma Arrobas da Silva.

Contactado pelo DN, o presidente da ILGA Portugal explica, a propósito de a maioria dos comentários colocados no Facebook e no ciberespaço serem feitos por homens, que "a homofobia está ligada ao sexismo. Há uma relação quase umbilical entre género e sexualidade". Paulo Côrte Real explica ainda que, segundo dados do Eurobarómetro, "a discriminação segundo a orientação sexual é a que tem maior prevalência em Portugal. Isto é um problema mundial mas temos um grande trabalho a fazer, apesar de, no ano passado, termos dado passos importantes nesse sentido".

In Diário de Notícias
http://dn.sapo.pt/inicio/pessoas/interior.aspx?content_id=1755459

domingo, 19 de dezembro de 2010

Bispos anglicanos gays: há algum problema?

São notícias do mês de Setembro, mas parece-me importante que figurem no blogue, por serem questões pertinentes na Igreja anglicana e, quem sabe um dia, também na católica.

Arcebispo de Cantuária não vê problema em bispos homossexuais


Perguntas incómodas levam arcebispo a abrir feridas na Igreja Anglicana, em torno do difícil tema da sexualidade dos religiosos


O arcebispo de Cantuária, Rowan Williams, líder espiritual dos anglicanos em todo o mundo, está sob intensas críticas públicas após ter admitido numa entrevista ao jornal The Times que bispos homossexuais não serão um problema, desde que não tenham relações sexuais. Esta questão poderá abrir novas divisões no interior da comunidade anglicana, de 70 milhões de pessoas, e dificultar o diálogo ecuménico com Roma.

Na semana passada, o arcebispo Rowan Williams recebeu o Papa Bento XVI em Londres, em mais um passo na aproximação entre católicos e anglicanos.

Na polémica entrevista, o arcebispo sofre uma barragem de perguntas incómodas sobre a sexualidade. Embora tente evitar as questões, entra progressivamente em terrenos de controvérsia. Questionado sobre um texto seu em que considera não haver problema no sexo de casais homossexuais, o líder dos anglicanos responde com uma evasiva.

Sobre os bispos homossexuais, admite não haver problema, desde que não haja sexo. A pergunta seguinte refere-se a um bispo homossexual [Jeffrey John] celibatário, e Rowan Williams tem grande dificuldade em explicar a forma como recusou apoiar este religioso em 2003, quando John foi forçado a não aceitar uma nomeação. A pergunta final é a mais dramática. O jornalista pergunta se o arcebispo espera que a Igreja Anglicana tenha no futuro bispos homossexuais com parceiros. Williams responde apenas: "passo".

Recentemente, a propósito do escândalo de pedofilia, o arcebispo de Cantuária tinha feito afirmações polémicas sobre a igreja católica irlandesa, acabando depois por suavizar as declarações.

No recente encontro com o Papa Bento XVI, o diálogo entre os dois líderes da igreja correu de forma considerada pelos observadores como cordial. O arcebispo lembrou que as duas igrejas não procuram "controlo político ou o domínio da fé cristã na esfera pública; mas a oportunidade para testemunhar, para argumentar, por vezes para protestar, por vezes para afirmar, para participarmos nos debates públicos das nossas sociedades". A igreja de Inglaterra viveu nos últimos anos um conflito interno em torno do celibato dos religiosos, ordenação de mulheres e homossexualidade. E as divisões têm aumentado.

in dn por L.N. a 26 de Setembro de 2010
http://dn.sapo.pt/inicio/globo/interior.aspx?content_id=1671369&seccao=Europa

domingo, 28 de novembro de 2010

Qual é o verdadeiro pecado de Sodoma

O que qualquer cristão deve saber sobre homossexualidade
"E conhecereis a verdade e a verdade vos libertará!" (João 8,32)
7/10

A própria Bíblia e o Filho de Deus dão-nos a chave para corrigir esta maliciosa identificação de Sodoma e Gomorra com a homossexualidade. Segundo os mais respeitados estudiosos das Sagradas Escrituras, o pecado de  Sodoma é a injustiça e a anti-hospitalidade, nunca a violação homossexual.

Prova disto, é que todos os textos que aludem a Sodoma no Antigo Testamento atribuem a sua destruição a outros pecados e não ao "homossexualismo":
  • falta de justiça e de arrependimento (Isaías 1,10-17 e 3,9-11);
  • adultério e hipocrisia (Jeremias 23,14);
  • orgulho, intemperança na comida, insolência e "não socorrer o pobre e oindigente" (Ezequiel 16,49);
  • insensatez, insolência, falta de hospitalidade e escravização (Sabedoria 10,8; 19,14; Ben Sira 16,8).
No Novo Testamento, não há qualquer ligação da destruição de Sodoma com a sexualidade e, muito menos, com a homossexualidade (Mateus 10,14; Lucas 10,11-12; 17,29).

Em toda a Bíblia, é só nos livros neo-testamentários tardios de Judas e Pedro que aparece alguma ligação entre Sodoma e a sexualidade (Judas 6-7; 2 Pedro 2,4.6.10). Mesmo aí, não existe qualquer menção ao "homo-erotismo".

Adaptação de uma publicação do blogue http://www.ggb.org.br/cristao.html que está a ser apresentada em várias mensagens.

Ler no blogue:
sobre homossexualidade ao longo da história

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

"O puro prazer deve ser inserido no gozo" e "Amar verdadeiramente sendo amado definitivamente"

A Igreja precisa de uma reforma nas questões do amor, afirma o cardeal
Segunda Parte

Castidade e sexualidade são sentidas como antíteses...

A castidade mantém o Eu ordenado. Eliminá-la significa reduzir o amor a mera habilidade sexual, veiculada por uma subestrutura de relações humanas que se fundamenta num grave equívoco e isto está na ideia de que no homem exista um ‘instinto sexual’ como ocorre com os animais. A psicanálise demonstra que não é verdade: também no nosso inconsciente mais profundo nada se joga sem o envolvimento do Eu. O sacrifício e o distanciamento requeridos pela castidade mantêm o Eu pessoal unido, abrindo caminho para uma possessão mais autêntica. O sacrifício não anula a posse, é a condição que o expõe.

Os doutores da Igreja falavam de ‘gaudium’ (gozo). O puro prazer, que por sua natureza acaba rapidamente, pede para ser inserido no gozo, pois se ficar fechado em si mesmo a posse o anula lentamente, enfraquece, deprime. Impressiona-me o facto de, quando digo estas coisas aos jovens, encontrar mais surpresa do que crítica.

Gozo e sexualidade parecem conceitos incompatíveis com a doutrina católica.

Não é assim. A mensagem bíblica foi a primeira, historicamente falando, a fazer ver a diferença sexual de uma óptica absolutamente positiva e criativa, como dom de Deus. Mas como em todas as coisas humanas, o positivo, o bem, o verdadeiro nunca são fáceis. Mas sem o belo, o bom, o verdadeiro, a vida enfraquece, não há em si energia para conduzir ao marasmo do real.

No livro dos Provérbios, entre as coisas muito árduas para compreender, o autor considera ‘o caminho do homem numa jovem mulher’. A mulher é a figura daquela que está no começo: eu saio dela ao nascer. Então, quando o homem e a mulher se encontram, fazem ao mesmo tempo a experiência de recomeçar aquilo que de qualquer forma já conheciam e de dar vida a uma novidade. Aqui existe a intrínseca raiz da fecundidade. O amor objectivo nunca é uma relação a dois. Aprendemo-lo através da Trindade.

Mas o que tem a reforma da Igreja a ver com isso?

Tem tudo a ver! Fundamental para a reforma da Igreja é reencontrar testemunhas credíveis do belo amor que Cristo, com uma infinidade de santos na sua grande maioria anónimos, introduziu na história. Penso em tantas gerações vividas na lógica do belo amor. Penso nos meus pais, nos olhos com que o meu pai aos noventa anos olhava a minha mãe também com noventa, doente, debilitada por um cancro violento nos rins. (...) Que amor teria sobrevivido melhor ao Eu do que esta ligação indissolúvel? Objectivamente não há comparação entre a densidade de uma experiência assim definitiva e o passar indefinido de uma sequência de relações precárias. No fim, quer seja a necessidade de amar definitivamente, quer seja a fragilidade sexual serão marcadas pelo terror da morte.

Para amar verdadeiramente devo ser amado definitivamente, ou seja, além da morte; e é isto que Jesus veio fazer. Se há um delito que nós, cristãos, cometemos, é não mostrar o dom maravilhoso de Jesus: dar a vida para nos fazer entender a beleza do amor objectivo e efectivo. Isto tem sempre um carácter nupcial, inseparável conexão de diferença, dom de si e fecundidade. O outro não está fora do meu Eu, o outro permeia-me todos os dias; a minha própria concepção está ligada a este permear-me. Por isso, humanizar a sexualidade através da castidade é um recurso capital para vencer a aposta do pós-moderno, para o homem do terceiro milénio que queira salvar o caminho do belo amor, que nos faz gozar verdadeiramente a vida.

Entrevista de Aldo Cazzullo, publicada no jornal Corriere della Sera, a de 18 de Julho de 2010; tradução de Alessandra Gusatto, adaptada por rioazur.

Ler Primeira Parte no blogue

A satisfação plena do desejo é encontrar o verdadeiro rosto do outro

Eu sou a mãe do belo amor…”. O cardeal Angelo Scola, patriarca de Veneza, a partir de passagens das Escrituras sobre o “belo amor”, aborda temas delicados como a sexualidade, pedofilia, virgindade e celibato.


A Igreja precisa de uma reforma nas questões do amor, afirma o cardeal
Primeira Parte

Porquê esta escolha?

Pela dificuldade com que nós, cristãos, temos em divulgar que o estilo de vida afectivo e sexual indicado pela Igreja é bom e conveniente para o homem de hoje. Pelo contrário, parece até que esta proposta não está apenas ultrapassada e é incapaz de satisfazer o desejo humano de alegria plena, mas também que é, de facto, contrária à liberdade e irreal, incapaz de levar em conta aquilo que o homem aprendeu a respeito de si mesmo e a respeito do mundo das emoções, dos afectos, das relações com o outro, graças a uma longa história e às recentes descobertas científicas.

Ouvi tudo isto como uma provocação afirmando que os homens e as mulheres de hoje, talvez involuntariamente, arriscam-se a perder algo profundo, perdem uma grande possibilidade de realização, distanciam-se da proposta cristã ligada à vida afectiva e sexual.

Mas em que se baseia essa proposta?

Parece-me que a ideia bíblica do ‘belo amor, que a tradição cristã aprofundou, seja particularmente adequada, exactamente pela sua capacidade de conjugar o amor e a beleza, de vê-lo surgir desta e percebê-lo como ‘difusor’ de beleza, capaz de fazê-la brilhar no rosto dos outros.

Os Padres da Igreja referem-se ao tema bíblico do ‘belo amor’ não apenas em relação a Nossa Senhora, mas também a Jesus. Falam da beleza como do ‘esplendor da verdade; (…) aquele que contempla Deus, ou seja, que o ama, torna-se completamente belo.

Mas esta capacidade muitas vezes falta à experiência sexual dos homens e das mulheres de hoje. Viver a beleza significa arrancar da sexualidade o dualismo entre espírito e corpo; como se amarrassemos a sexualidade no animalesco e depois separadamente tivéssemos ímpetos espirituais de intenção de belo amor. Pascal dizia que o homem está a meio-caminho entre o animal e o anjo, mas deve estar bem atento para não cuidar apenas de um ou do outro; cada um de nós, inseparável da alma e do corpo, deve considerar a dimensão sexual do próprio Eu durante toda a vida, do nascimento até à morte.

Patriarca, conhece a crítica feita aos homens da Igreja: falam de coisas que não vivem, por vezes de maneira anormal, e estas não lhes dizem respeito.

Acabei de dizer que ‘cada homem e cada mulher’ deve considerar a dimensão sexual durante toda a vida! Certo, quem é chamado à virgindade ou ao celibato fá-lo de maneira diferente mas, fique bem claro, sem mutilações psicológicas ou espirituais. A mensagem cristã é transportada em vasos de barro e, portanto, o facto de os homens da Igreja poderem cair em contradições trágicas e graves a nível afectivo e sexual, não invalida em si a proposta enquanto tal. Obviamente não o digo para encobrir escândalos.

Como sair do escândalo da pedofilia?

O Santo Padre, na ‘Carta aos Católicos da Irlanda’, soube encarar a situação de modo claro e decidido: uma condenação sem meios-termos pela gravidade extrema deste pecado e deste crime. As palavras-chave – misericórdia, justiça em leal colaboração com as autoridades civis, e penitência – fazem com que se possa confrontar qualquer caso.

O Papa não subestima a responsabilidade de cada membro do único corpo eclesiástico e, principalmente, do colégio episcopal. É um escândalo que diz respeito a toda a Igreja, chamada a uma profunda penitência e a uma reforma que não poderá deixar nenhum nível da sua missão de fora. Uma coisa, porém, tocou-me neste caso: aqueles que deveriam falar, para ajudar-nos a entender as raízes deste mal e tentar eliminá-lo, estão calados.

A quem se refere?

Aos psicólogos, aos educadores, aos pedagogos, aos homens chamados a aprofundar estes lados obscuros do Eu. A imprensa denunciou o fenómeno com ênfase compreensível, em termos até justificáveis, mas indiscutivelmente de maneira excessiva.

Fala da necessidade de reforma na Igreja…

Como o Santo Padre nos indicou, os casos terríveis de pedofilia e as comprovadas responsabilidades de cobertura ingénua ou negligência por parte das autoridades clamam fortemente a condição de realidade sempre em reforma da Igreja. Bento XVI exige penitência, chegar às raízes da misericórdia, ou seja, ir ao encontro pessoal do Tu de Cristo, e relembra que os inimigos mais perigosos da Igreja estão no meio dela e não vêm de fora.

Mas em que consiste a reforma?

Especificamente, redescobrir o sentido entre o belo amor e a sexualidade. Mostrar que a satisfação plena do desejo é encontrar o verdadeiro rosto do outro, sobretudo na relação entre homem e mulher. E aprender, de novo, como a esfera da sexualidade exige ser integrada no Eu através de uma grande virtude, infelizmente em desuso: a castidade. Para redescobri-la, precisamos de coragem para falar sobre os moldes em que vivemos actualmente a esfera sexual.

A que moldes se refere?

Cito o exemplo mais sofisticado. Os mais recentes estudos da neurociência, como o de Helen Fisher, relacionam todas as dimensões do amor, inclusive ‘o amor romântico’, com simples modificações neuronais do nosso cérebro. A liberdade e a criatividade caberão neste âmbito?

É verdade que temos necessidade de comer e beber, como os animais; mas não comemos e bebemos como animais, pelo contrário, a cozinha tornou-se numa arte, num aspecto de civilização; e isto vale ainda mais para a dimensão sexual. Uma presunção reducionista como aquela de Fisher é uma variante da tentação de conceber o homem como simples experiência de si mesmo. Assim se cria uma mentalidade, um clima no qual o desejo, a energia da liberdade que encontra a realidade, se torna livre de sentido, e a dimensão sexual assume uma fisionomia quase animalesca. Mas, estes homem e mulher, quando estão em si, não podem aceitá-lo.
...continua

Entrevista de Aldo Cazzullo, publicada no jornal Corriere della Sera, a de 18 de Julho de 2010; tradução de Alessandra Gusatto, adaptada por rioazur.

terça-feira, 23 de novembro de 2010

O que apareceu primeiro: a homossexualidade ou a Bíblia?

O que qualquer cristão deve saber sobre homossexualidade
"E conhecereis a verdade e a verdade vos libertará!" (João 8, 32)
2/10

A prática do amor entre pessoas do mesmo género  é muito mais antiga que a própria Bíblia. Há documentos egípcios de 500 anos antes de Abraão, que revelam práticas homossexuais não somente entre os homens, mas também entre deuses - Horus e Seth.

Segundo o poeta e escritor Goethe, "a homossexualidade é tão antiga quanto a humanidade". Certamente, cada tempo com a sua experiência singular, mas com o mesmo direccionar de desejo: [o homo], o “igual”.

Adaptação de uma publicação do blogue http://www.ggb.org.br/cristao.html que está a ser apresentada em várias mensagens.

Ler no blogue:

domingo, 21 de novembro de 2010

3 reacções à abertura de Bento XVI ao uso do preservativo

O cardeal Elio Sgreccia, há muito tempo principal responsável pela bioética e sexualidade no Vaticano, falou a partir dos comentários do pontífice, ressaltando que era imperativo "ter a certeza de que esta é a única maneira de salvar uma vida." Sgreccia disse à agência de notícias italiana ANSA que é por isso que o Papa, sobre a questão do preservativo, "lidou no campo da excepcionalidade".

A questão do preservativo era uma das que "precisava de uma resposta há muito tempo", terá dito Sgreccia . "Se Bento XVI levantou a questão das excepções, esta excepção tem de ser aceite... e tem de ser verificado que esta é a única maneira de salvar a vida. Isso precisa ser provado", disse Sgreccia.

Christian Weisner, do grupo pró reforma Nós Somos Igreja da Alemanha natal do Papa, disse que os comentários do Papa foram "surpreendentes, e se for esse o caso, pode-se ficar feliz com a capacidade de aprendizagem do Papa."

William Portier, um teólogo católico da Universidade de Dayton, uma escola marianista em Ohio, disse não ter lido o relatório no jornal do Vaticano, mas afirmou que seria errado concluir que os comentários queiram dizer que o Papa fez uma fundamental e ampla mudança nos ensinamentos da Igreja acerca da contracepção artificial. "Ele não o vai fazer num comentário improvisado a um jornalista numa entrevista", disse Portier.

por Nicole Winfield e Frances D'emilio, Associated Press (20 de Novembro de 2010)
traduzida por rioazur para o moradasdedeus
http://news.yahoo.com/s/ap/eu_pope_condoms
 
ver a notícia principal em
http://moradasdedeus.blogspot.com/2010/11/papa-admite-excepcoes-no-uso.html

Porque estou aqui

Sinto-me privilegiado por ter encontrado na Igreja um lugar vazio, feito à minha medida. É certo que tê-lo encontrado (ou encontrá-lo renovadamente, pois não é dado adquirido) foi também mérito da minha sede, do meu empenho, de não baixar os braços e achar, passivamente, que não seria possível. Passo a contextualizar: a comunidade onde vou à missa é pequena e acolhedora, e podia bem não o ser. Ao mesmo tempo, sentia um desejo grande de reflexão de vida cristã e encontrei um casal (heterosexual) que tinha a mesma vontade. Começámo-nos a reunir semanalmente numa pequena comunidade de oração e reflexão que, apesar de crítica, nos tem ajudado a sermos Igreja e a nela nos revermos. Paralelamente, face ao contínuo desencanto em relação a algumas posturas e pontos de vista de uma Igreja mais institucional e hierárquica, tive a graça de encontrar um grupo de cristãos homossexuais, que se reuniam com um padre regularmente, sem terem de se esconder ou de ocultar parte de si.

Sei que muitos cristãos homossexuais nunca pensaram sequer na eventualidade de existirem grupos cristãos em que se pudessem apresentar inteiros, quanto mais pensarem poder tomar parte e pôr em comum fé, questões, procuras, afectos e vidas.

Por tudo isto me sinto grato a Deus e me sinto responsável para tentar chegar a quem não teve, até agora, uma experiência tão feliz como a minha.

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As imagens que ilustram as mensagens são retiradas da Internet. Quando se conhece a sua autoria, esta é referida. Quando não se conhece não aparece nenhuma referência. Caso detectem alguma fotografia não identificada e conheçam a sua autoria, pedimos que nos informem da mesma.

As imagens são ilustrativas e não são sempre directamente associáveis ao conteúdo da mensagem. É uma escolha pessoal do autor do blogue. Há um critério de estética e de temática ligado ao teor do blogue. Espero, por isso, que nenhum leitor se sinta ofendido com as associações livres entre imagem e conteúdo.

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