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quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Igreja Católica distingue filmes da Bienal de Veneza

Reconciliação do erotismo com a espiritualidade?



A professora de cinema Inês Gil marcou a estreia de Portugal no júri Signis do Festival de Veneza, uma das mais importantes mostras internacionais da 7.ª arte, que decorreu entre 1 e 11 de Setembro.

A delegação da Signis (Associação Católica Mundial para a Comunicação), composta por sete jurados da Europa, Ásia e América Latina, atribuiu o prémio principal ao filme “Meek’s cutoff” (“O atalho de Meek”), da realizadora norte-americana Kelly Reichardt.

A Signis decidiu igualmente distinguir com uma menção honrosa o filme “Silent souls” (“Almas silenciosas”), do russo Alexei Fedorchenko, que também ganhou o prémio de melhor fotografia.

Em entrevista à Agência Ecclesia e ao Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura, Inês Gil falou sobre as implicações religiosas dos filmes premiados e da relação entre a Igreja e o cinema.

Falando do filme a que o júri Signis atribuiu o prémio principal, “Meek’s cutoff” Inês Gil fala dos temas da confiança e desconfiança, de "uma grande dificuldade de comunicação que surge quando deixa de haver referências e quando se trata de uma questão de sobrevivência", da imigração, do papel das mulheres e da busca de um futuro melhor. "Por outro lado, os personagens fazem uma viagem à procura de água, que é o símbolo da vida e da espiritualidade. Esse itinerário transfere-se para uma procura do transcendente, ligada ao imanente, que é a sobrevivência. É uma busca da confiança e da fé".
Um filme anti-Western, povoado de anti-heróis.

Já sobre “Silent souls”, um filme espiritual e poético, Inês Gil nota que Alexei Fedorchenko "fala de imagens através de imagens", com simbolismo à mistura. Um trabalho que exibe questões culturais e rituais e erotismo. Um tema que a professora considera interessante por estar muito ligado à espiritualidade. "Trata-se de uma questão que ainda não é suscitada com frequência, dado que, durante muitos anos, os dois conceitos opuseram-se, em vez de se interligarem. E nesse filme há uma reconciliação". Também é sobre o amor que pode ultrapassar a morte, a (in)capacidade de expressar este mesmo amor.

Questionada sobre a possibilidade de um festival de cinema religioso, Inês Gil diz que não será para já e que "se é para mostrar filmes comerciais, como a “Paixão de Cristo”, de Mel Gibson" não considera muito interessante. Acredita mais "na ideia de exibir e discutir obras que não sejam explicitamente religiosas".

para ler a entrevista completa
http://www.snpcultura.org/pcm_igreja_premiou_filmes_festival_veneza.html

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