A edição do Queer Lisboa 14 terminou em grande. A Argentina saiu vencedora com prémios de melhor filme, melhor actor e melhor actriz (que foi partilhado pelas três actrizes do filme) em El Último Verano de la Boyita (de Julia Solomonoff), Plano B (de Marco Berger) e novamente El Último Verano de la Boyita. Open (de recebeu menção honrosa no prémio de melhor filme. O melhor documentário foi o sueco Angrarna – Regretters de Marcus Lindeen e menção honrosa para I Shot My Love do israelita Tomer Heymann. A melhor curta-metragem votada pelo público foi Toiletzone, realizada por Didier Blasco (França).
Tudo o que vi neste último dia de festival foi de muita qualidade, passo a referir:
Os filme El Cónsul de Sodoma, de Sidfrid Monléon (Espanha, 2009) e Plan B, de Marco Berger (Argentina, 2009). Realço este último pelo tema explorado ao longo do filme: a procura da identidade e a descoberta paciente de um amor construído com base na amizade. A fotografia é belíssima, assim como a interpretação (bem atribuído o prémio de melhor actor a Lucas Ferraro) e a credibilidade da narrativa, porque descobrir quem se é e como se ama é uma construção morosa, irregular, dolorosa e pouco evidente... e assim é na vida. Um filme que respira.
Os dois documentários excelentes (para mim os melhores do festival):
Dzi Croquettes, de Tatiana Issa e Raphael Alvarez (Brasil, 2009) sobre um grupo de artistas, performers, dançarinos, actores e cantores que revolucionaram o panorama artístico brasileiro e a própria vivência da sexualidade nesse país. São de facto artistas de uma qualidade excepcional e vanguardista, à frente do seu tempo e apagados pela ditadura militar. O trabalho de pesquisa foi notável e é um documentário maravilhoso que me marcou profundamente.
I shot my love de Tomer Heymann (Israel e Alemanha, 2010), um pungente retrato das relações afectivas do realizador. Ele conduz-nos através dos seus olhos (câmara) e dá-nos a conhecer as pessoas que mais ama (o seu namorado, a sua mãe), e simultaneamente o próprio realizador é-nos revelado, assim como mensagens essenciais e universais tão importantes quanto o sentido de uma relação a dois, o acompanhamento familiar, a amizade, a cumplicidade, a coragem, o perdão... E a trama tece-se em contextos delicados de passado e presente, fossos culturais e humanos. Soberbo e marcante.
mais sobre os prémios
http://dezanove.pt/2010/09/25/q-os-vencedores-do-queer-lisboa-14-4632
mais opiniões sobre o festival
http://moradasdedeus.blogspot.com/2010/09/balanco-intermedio-do-festival-de.html
mais sobre I shot my love
http://www.ishotmylove.com/

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