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sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Portugal no ranking da igualdade de género

Portugal sobe no ranking da igualdade de género
por Ana Cristina Pereira

Por força da participação das mulheres no mercado de trabalho e do aumento do seu peso no Governo, Portugal subiu 14 posições no ranking da igualdade de género. O país ocupa agora o 32.º lugar num índice criado pela World Economic Fórum, cujo relatório anual foi ontem divulgado.

O índice foi criado em 2006 com o propósito de captar a dimensão da desigualdade de género e de monitorizar os progressos feitos nesta área. Baseia-se em indicadores de política, de economia, de educação e de saúde. Para figurar na tabela, um país tem de, no mínimo, possuir dados sobre 12 dos 14 indicadores em análise. Este ano, a organização considerou 134 países.

O top 10 não surpreende. Como nos anos anteriores, quatro países da Europa do Norte mantêm-se firmes na dianteira. A Islândia encabeça a lista. Com uma primeira-ministra e um parlamento paritário a quase 100 por cento, é dona de uma das mais elevadas taxas de participação feminina no mercado de trabalho e, em Março, aprovou uma reforma que obriga as empresas públicas com mais de 50 funcionários a ter, no mínimo, 40 por cento de homens ou mulheres nos quadros.

A Noruega ultrapassou a Finlândia, que figura agora em segundo lugar. A Suécia completa o domínio nórdico. A Dinamarca está um pouco atrás - em sétimo. Talvez porque este índice de desigualdade de género está dissociado do nível de rendimento das famílias e do desenvolvimento nacional.
De acordo com o relatório, os nórdicos alcançaram igualdade na literacia há décadas. Há igualdade nos vários níveis de educação, excepto no superior, onde as mulheres já ultrapassaram os homens. A maior parte dos países desenvolvidos logrou este feito, mas poucos conseguem "maximizar o retorno desse investimento". Os cinco estados nórdicos foram os que chegaram mais longe. Tudo porque combinam elevadas taxas de participação feminina no mercado de trabalho com fossos salariais quase inexistentes e garantem às mulheres imensas oportunidades de ascender a cargos de chefia.

No ranking, seguem-se: a Nova Zelândia, a Irlanda, as Filipinas, a Suíça, a Alemanha, a Bélgica, o Reino Unido, a Holanda, a Letónia, a Espanha. Espanha subiu seis posições este ano, graças a "pequenas melhorias" em diversos indicadores. Os autores do relatório destacam um aumento na presença das mulheres no mercado trabalho e no Governo. E são precisamente esses indicadores que enfatizam, mais à frente, quando referem Portugal.

O Governo de Portugal está longe da paridade: tem um primeiro-ministro, 11 ministros e cinco ministras, o que mesmo assim o coloca em 21 lugar a este nível. A lei da paridade, que obriga os partidos a reservar um terço dos lugares das listas para as mulheres, provocou os seus efeitos no ano passado: nas eleições europeias de Junho, nas legislativas de Setembro e autárquicas de Outubro - na Assembleia da República, por exemplo, foram eleitas 62 deputadas, mais 14 do que em 2005.

in Público
http://jornal.publico.pt/noticia/13-10-2010/portugal-sobe-no-ranking-da-igualdade-de-genero-20392721.htm

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