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quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Seguir os princípios da Doutrina Social

A Igreja e o Vaticano II: Um retrocesso (parte 3)
continuação do discurso de Kevin Dowling, bispo de Rustenburg (África do Sul)

Uma das contribuições realmente significativas da Igreja para a construção de um mundo em que pessoas e comunidades possam viver em paz e com dignidade, com uma qualidade de vida de quem é criado à imagem de Deus, é o “corpo” do que se tem chamado de “Doutrina Social da Igreja”, um compêndio publicado nos últimos anos. Os princípios da doutrina social são: Bem comum, Solidariedade, Opção pelos pobres, Subsidiariedade, Destino universal dos bens, Integridade da criação e a Centralidade da pessoa – todos baseados e seguindo os valores do Evangelho. Aqui temos princípios e directrizes muito relevantes para empregar em realidades sociais, económicas, culturais e políticas complexas (…).

Porém, se a hierarquia da Igreja (…) ousa desaprovar ou criticar políticas económicas e sociopolíticas, quem planeia tais políticas ou mesmo os governos, também deve deixar-se criticar da mesma forma, em relação às suas políticas, à sua vida interna e, especialmente, ao seu modus operandi. Uma cultura e prática democrática, com foco na participação dos cidadãos e mantendo o dever de prestar contas pelos que são eleitos para governar, é cada vez mais desejada (…). Se a Igreja e a sua hierarquia declaram seguir os valores do Evangelho e os princípios da Doutrina Social da Igreja, então a sua vida interna, os seus métodos de governação e o seu uso da autoridade serão analisados com base no que nós acreditamos.

Vamos olhar, por exemplo, para um princípio da doutrina social com importância vital para a garantia da democracia participativa no domínio sociopolítico: a subsidiariedade.

Trabalhei 17 anos com a Conferência Episcopal (da África do Sul), no Departamento de Justiça e Paz. Após a nossa libertação política em 1994, constatámos que esta seria pouco relevante para a realidade dos pobres e marginalizados, se não resultasse na sua emancipação económica. Nós, portanto, decidimos que uma questão fundamental para a África do Sul pós 1994 era a justiça económica. Depois de muita discussão (…) emitimos uma Nota Pastoral em 1999: “Justiça Económica na África do Sul”. O seu foco principal foi necessariamente a economia. Entre outras coisas, tratou de cada um dos princípios da Doutrina Social da Igreja; apresento uma citação do tópico da subsidiariedade:

O princípio da subsidiariedade protege os direitos dos indivíduos e grupos perante os poderosos, especialmente o Estado. Faz com que aquelas coisas que podem ser feitas ou decididas a um nível mais baixo da sociedade não sejam substituídas pelo que vem de um nível mais alto. Assim, reafirma o nosso direito e a nossa capacidade de decidirmos por nós, organizarmos os nossos relacionamentos e entrarmos em sintonia com os outros. (...) Nós podemos e deveríamos dar passos para encorajar tomadas de decisões nos níveis económicos mais baixos, e capacitar o maior número de pessoas a participar o mais possível na vida económica.” (…)

Aplicado à Igreja, o princípio de subsidiariedade requer que a hierarquia promova e encoraje activamente a participação, a responsabilidade pessoal e o empenho efectivo de todos, em âmbitos de vocação e ministério particular na Igreja e no Mundo, de acordo com suas possibilidades e dons.
... (continua)

ver parte 1
http://moradasdedeus.blogspot.com/2010/10/o-vaticano-ii-em-aguas-de-bacalhau.html
ver parte 2
http://moradasdedeus.blogspot.com/2010/10/igreja-deveria-partir-do-principio-que.html

http://www.ihu.unisinos.br/index.php?option=com_noticias&Itemid=18&task=detalhe&id=34406

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