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quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Boicote à missa: revolução na Igreja católica?

A reportagem é de Patsy McGarry, publicada no jornal Irish Times, a 20 de Agosto de 2010. Mensagem baseada na tradução de Moisés Sbardelotto, publicada no Riacho a 23/08:
O comentador religioso norte-americano Robert Blair Kaiser afirmou num discurso que, a propósito das notícias (...) sobre a convocação de Jennifer Sleeman (80 anos) para um boicote à missa dominical do dia 26 de Setembro em protesto contra o tratamento do Vaticano para com as mulheres, "essa avó de Cork" pode "já ter começado uma revolução".
"Ela obviamente acredita no que eu acredito, que podem ter voz e voto na sua própria Igreja e ainda ser católicos e, ao mesmo tempo, irlandeses", disse.
Autor de 13 livros, muitos sobre a reforma da Igreja Católica, Kaiser foi homenageado com um prémio Overseas Press Club pela sua cobertura do Concílio Vaticano II como correspondente da revista Time.
(…) Sobre o tema "Reforma da Igreja Católica: Tronos nunca mais", afirmou que, "até à revolução coperniciana, os monarcas exerceram o controlo absoluto sobre seus súbditos por direito divino. Mas quando os povos do mundo, informados sobre uma nova cosmologia, colocaram o direito divino dos reis na lixeira da história, eles esqueceram-se de também atirar ao lixo o direito divino dos papas".

E enfatizou: "Não estou a atacar a nossa fé católica. Estou a falar sobre a tirania especial e corrosiva que os papas têm exercido sobre os católicos em todos os lugares".


"Durante mil anos, os papas promoveram uma Igreja clerical em vez de uma Igreja de Jesus. Os Padres do Concílio Vaticano II trabalharam durante sérios quatro anos para devolver a Igreja ao povo. E os papas João Paulo II e Bento XVI passaram os 30 anos seguintes a anular os seus trabalhos e a permitir que a corrupção reinasse, um movimento que deixou a nossa Igreja, que é o corpo de Cristo na terra, despedaçada".
"Vocês podem ajudar a criar uma Igreja do povo?", questionou. "Sim! Podem, se quiserem. Nesse contexto, eu gostaria de citar o papa João Paulo II. Em 1978, ele foi a Varsóvia e disse a milhões de polacos: 'Podem recuperar o vosso país se o exigirem'. Vocês poderiam dizer a mesma coisa: 'Nós podemos recuperar a nossa Igreja se o exigirmos' ".
"Os polacos estavam a lutar contra todas as probabilidades – o próprio poderio militar da União Soviética. Mas venceram a batalha".
"As notícias da última década sobre a nossa Igreja em ruínas e que abusa da sua autoridade podem querer dizer que a mudança já está a acontecer, e a acontecer mais rápido do que se pensa".

Em resposta, o vice-director do jornal Irish Catholic, Michael Kelly, disse que o clericalismo na Igreja "foi o cerne do escândalo dos abusos sexuais". Por "clericalismo", referia-se a "uma mentalidade elitista, com estruturas e padrões de comportamento a ela associados, que partem do princípio que os clérigos são intrinsecamente superiores aos outros membros da Igreja e que merecem automaticamente deferência. A passividade e a dependência são a sina dos leigos".
http://riacho.blogs.sapo.pt/139570.html

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