Lisboa é uma cidade de festivais. Cada vez há mais eventos de grande qualidade, a nível internacional, que chegam à capital portuguesa. O doc Lisboa não é excepção. Esta mostra de documentários tem-nos aberto mundos desconhecidos e tem-nos brindado com notáveis trabalhos de realização.
Deixei passar em branco nas mensagens do blogue o doc Lisboa 2010, e desde já me desculpo. Mas redimo-me agora escrevendo uma opinião de algo que lá vi e me deixou marcas profundas. Refiro-me ao Combate às escuras de Miguel Clara Vasconcelos. Este documentário foi precedido pelo Documento Boxe, do mesmo realizador e centrado na vida do mesmo protagonista. Documento Boxe é bastante anterior e inroduz-nos ao mundo do boxe em Portugal - mundo este que, confesso, me dizia muito pouco. São os sonhos, a dedicação, o amor à camisola, o trabalho e as paixões dos desportitas e dos treinadores.
Combate às escuras foi, para mim, um balde de água fria - no bom sentido. Fui vê-lo sem saber ao que ia. É a história de um desses atletas, que começou a perder drasticamente a visão. Fala-nos de como ele encara a vida e os acidentes de percurso; é um retrato profundo deste homem com uma força de vontade notável e uma capacidade inacreditável de dar a volta e de se adaptar às novas condicionantes. Confesso que este documentário me comoveu profundamente. Esta garra, esta perseverança, este amor à vida são uma grande lição e não me podem deixar indiferente.
Claro que devo dizer que também gostei da fotografia e dou os meus parabéns ao realizador pelo magnífico trabalho que fez.
Cito a nota sobre o filme associada ao festival:
"Cinco anos após o aclamado “Documento Boxe”, que retrata o universo dos combatentes de boxe em Lisboa, Miguel Clara Vasconcelos volta a filmar a sua personagem principal. Jorge Pina, pugilista profissional, deixou de poder combater.
A sua arte destruiu-lhe a visão e, apesar de várias operações cirúrgicas, ou por causa delas, apenas consegue ver 10% de um dos olhos. Acompanhamos o seu esforço diário para se adaptar à sua nova condição enquanto se prepara para um novo desafio. Recusando o estatuto de “inválido”, ressurge na cena desportiva como um atleta invisual."
http://www.doclisboa.org/pt_filmesAaZ/filmes/filmeC09.php
Outro resumo:
"Um sacrifício humano e a ironia do destino fazem deste boxeur um exemplo de vida
Jorge Pina, pugilista profissional, deixou de poder combater. A sua `arte´ destruiu-lhe a visão e, apesar de várias operações cirúrgicas, ou por causa delas, apenas consegue ver 10 por cento de um dos olhos. Pina, o protagonista de `Documento Boxe` (2005), combina tragédia com persistência. Enquanto o vemos nas aulas de braille e no seu esforço diário para se adaptar à sua nova condição, interiormente prepara-se para um novo desafio. Recusando o estatuto de `inválido´, ele ressurge na cena desportiva como um atleta invisual. Consegue então encontrar um guia compatível com empenho e porte físico suficientes para o acompanhar nos treinos e nas maratonas onde compete. Em menos de dois anos, torna-se num dos representantes de Portugal nos Jogos Paralímpicos de 2008, em Pequim. Há, nesta história de vida, alguns paralelismos com a vida do bíblico Job, que foi sujeito às piores provações, sem nunca perder a sua fé. Também Jorge Pina soube conservar a esperança e ´Combate às Escuras´ é uma parábola sobre o sacrifício humano e a ironia do destino, onde um lutador, depois de perder uma faculdade tão importante como a visão, obtém maior reconhecimento ainda, conseguindo a medalha de ouro na Maratona de Paris. Como ele disse uma vez, ´sei que um dia ainda vou ser muito feliz´. Este documentário é também a história de uma amizade entre o realizador e o ´actor´, construída ao longo de 5 anos e filmada periodicamente, desde o início do primeiro filme."
in RTP
http://tv1.rtp.pt/programas-rtp/index.php?p_id=26924&e_id=&c_id=8&dif=tv

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