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quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

O sexo dos Anjos

Em tempo de Natal, as imagens de anjos proliferam em montras, luzes, cartazes, publicidade e presépios.

Durante séculos os anjos foram tratados como seres assexuados, homens imberbes, jovens sem um género definido ou jovens raparigas sem qualquer sensualidade que as caracterizasse como mulheres.

Tal como a moda - que nos últimos anos tem permitido uma mistura de estilos inédita e uma coabitação de influências o mais eclética possível -, também hoje observam-se anjos de todos os estilos e feitios: desde os Anjos-meninos roliços e caprichosos, passando pelos seres enigmáticos e etéreos New Age (que já começa a ser "Old Age"), pelos Anjos-Kitsch que fazem alusões aos anos 40 e 50 do século XX e chegando mesmo aos anjos que parecem ter acabado de sair do ginásio Skyes-Place.

A minha intenção é referir esta última classe de anjos, pois parece-me ser a mais recente na história da representação angelical. E parece-me interessante esta categoria ter aparecido na sociedade global... Pergunto-me se a sua origem não virá do imaginário gay.

E estes anjos giraços, com tudo no sítio, parecem-me bastante menos assexuados do que os seus antecessores. Será que os anjos ainda não têm sexo?

Passo a ilustrar esta minha reflexão

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