Venho recomendar dois filmes que não estiveram sob os holofotes de Hollywood. E, por não terem estado, arriscam-se a sair das salas sem que os tenhamos visto.
O primeiro é um filme cru, em que por trás da fealdade e da dureza da vida se vislumbram reflexos de beleza. Fala-nos da decadência, imigração, droga, mercado negro, fragilidade da família, decadência, amor, corrupção, delinquência, fracasso, violência, crime, culpa, luta, pequenas vitórias, efémero e provisório, dos laços afectivos, da bondade, doença, sobrevivência, justiça e oportunidades, expectativas, espiritualidade, vida e morte. É o Biutiful, de Alejandro González Iñarritu, com a extraordinária interpretação de Javier Bardem - um Drama para maiores de 16 anos.
"A odisseia de Uxbal (Javier Bardem), um pai solteiro entre conflitos, que se perde e encontra pelos labirintos do submundo de Barcelona, e que, acima de tudo, tudo fará para salvar os seus filhos e reconciliar-se com um amor perdido enquanto a sua morte parece cada vez mais próxima. Amor e espiritualidade, crime e culpa, conjugam-se para levar Uxbal, com negócios escuros na exploração de imigrantes ilegais e uma suposta capacidade de comunicar com os morto, até ao seu destino de herói trágico... "É um requiem", resume o realizador Alejandro González Iñárritu ("Babel", "21 Gramas", "Amor Cão). O filme, nomeado nos EUA para um Globo de Ouro para melhor filme estrangeiro, valeu ao oscarizado Bardem o prémio para melhor actor no festival de Cannes."
in Público
O segundo é de Clint Eastwood (do qual não sou um fã incondicional). Em Hereafter - outra vida, a morte nunca anda longe. É um filme tocante pelas vidas das personagens que o habitam - um homem nos Estados Unidos da América, uma mulher em França e uma criança em Inglaterra. Também há um lado de sofrimento e de luta que marca cada uma destas experiências: alguém que tenta levar uma vida normal evitando o seu dom natural, outro que tenta viver depois de ter estado às portas da morte, e um que tenta sobreviver à perda da pessoa que lhe era mais próxima, seu cúmplice, segurança e estabilidade e uma parte de si mesmo. É um filme que fala sobretudo do amor para lá da morte e das ligações humanas que nos vão construindo enquanto indivíduos e seres humanos. O filme já está em pouquíssimas salas e não tem sido aclamado por toda a crítica... mas eu não consegui ficar indiferente.
"Três pessoas, distantes entre si, estão unidas pela morte. Nos EUA, George (Matt Damon) vive atormentado pelas capacidades paranormais que revela desde muito jovem. Do outro lado do Atlântico, em França, a jornalista Marie (Cécile de France) tenta lidar com o trauma de ter sobrevivido ao tsunami de 2004 no Sudeste asiático. Enquanto isso, em Inglaterra, o pequeno Marcus (George e Frankie McLaren) não consegue lidar com a trágica morte do irmão gémeo. Apesar das suas vidas tão distantes, os seus caminhos cruzar-se-ão... O novo filme do actor e realizador Clint Eastwood baseia-se num argumento original do escritor inglês Peter Morgan, autor de "A Rainha" e "Frost/Nixon"."
in Público

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