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segunda-feira, 7 de março de 2011
Genética e Homossexualidade
Transcrevo uma adaptação da mensagem publicada por Teleny no blogue retorno (G-A-Y)
Já escrevi (...) algumas vezes sobre a principal dificuldade enfrentada num (eventual) diálogo sobre a homossexualidade. Quando leio os argumentos, tanto dos "simpatizantes" quanto "antipatizantes", tenho a impressão de que, ao falar, estamos a usar línguas diferentes (ainda que (...) [n]a mesma língua portuguesa). Muitas vezes, altera-se (propositalmente) o conteúdo das afirmações de opositores, para "ganhar pontos" na sua própria argumentação. É evidente que, desta maneira, o diálogo torna-se ainda mais difícil (ou praticamente impossível). Acrescentemos aqui toda aquela carga emocional e já temos pronta uma briga sem fim.
Como exemplo, trago aqui uma declaração de José Manuel Giménez Amaya, professor de Anatomia e Embriologia na Universidade Autónoma de Madrid e director do grupo de pesquisa "Ciência, razão e fé" da Universidade de Navarra. O texto completo encontra-se no portal católico de notícias, Zenit [1]. O professor Amaya afirma:
"Há condicionamentos genéticos do homem que estão relacionadas com o seu comportamento, mas não se pode dizer que são absolutamente determinantes. Infelizmente, muitas vezes, quando se fala sobre os chamados genes que regulam o nosso comportamento, por exemplo, o ‘gene da conduta sexual', pretende-se dar a entender que tudo no homem é determinado pelo genoma. E neste caso, é importante notar, portanto, que, do ponto de vista científico, esta tese não pode ser sustentada."
A pergunta que surge naturalmente é: como é que um professor universitário tira conclusões tão precipitadas? Como sabe o que, de facto "pretende-se dar a entender"? Na linguagem popular, isso chama-se a isso "colocar palavras na boca alheia". Quem pretende aqui alguma coisa é o próprio Amaya.
Se a frase em questão tivesse o termo "muito" no lugar de "tudo", não seria tão tendenciosa. Desta maneira as coisas ficariam mais objectivas. Vejamos: Quando se fala sobre os chamados genes que regulam o nosso comportamento, por exemplo, o ‘gene da conduta sexual', pretende-se dar a entender que muito no homem é determinado pelo genoma. Pretende-se sim, [senhor] professor! Todos os cientistas, sem "interesses partidaristas" (homo- ou heterossexuais), continuam as investigações, nas mais diversas áreas do conhecimento do ser humano, procurando (entre muitas outras coisas) aproximar-se de uma explicação mais ampla das origens de homossexualidade. Acontece que, quando um cientista é mais cientista e menos activista, os resultados do seu trabalho merecem crédito.
O que se sabe, realmente, é que para formar (por exemplo) uma identidade sexual, contribuem muitos factores, sem excluir, evidentemente, o da genética. Li recentemente uma matéria de Dr. Dráuzio Warella [2], médico oncologista e escritor brasileiro, conhecido por popularizar a medicina através de programas de rádio e TV. [O referido artigo tem um ponto de vista bastante diferente e esclarecedor sobre esta questão. Dado o seu interesse e relevância, será publicado como uma mensagem separada neste blogue. Contudo, para os leitores mais ávidos, poderão ir à nota [2] e lê-lo já na íntegra]
Esta é a sua opinião:
(...) A propriedade mais importante do sistema nervoso central é sua plasticidade. De nossos pais herdamos o formato da rede de neurônios que trouxemos ao mundo. No decorrer da vida, entretanto, os sucessivos impactos do ambiente provocaram tamanha alteração plástica na arquitetura dessa rede primitiva que ela se tornou absolutamente irreconhecível e original. Cada indivíduo é um experimento único da natureza porque resulta da interação entre uma arquitetura de circuitos neuronais geneticamente herdada e a experiência de vida. (...)
[1] Ler aqui o artigo
[2] Ler aqui o artigo

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