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segunda-feira, 2 de abril de 2012

Ter a morte por perto ajuda a viver?

A uma certa distância dos nossos corações

Os dias dos seres humanos são como a erva: brota como a flor do campo, mas quando sopra o vento sobre ela, deixa de existir e não se conhece mais o seu lugar. Salmo 103 (102), 15-16

Mesmo ao lado do convento há um grande cemitério. Gosto muito de me passear ali. É sempre muito tranquilo. Às vezes pode ler-se nas sepulturas a história de uma vida: com que idade partiu? Ela tinha marido? Eles tinham filhos? Por vezes inteiramo-nos mesmo da situação social do defunto. O epitáfio também nos fala. A sepultura está cuidada? Vêm visitá-la? Por vezes, como se fosse adolescente, começo a brincar contando a minha idade e quanto me resta ainda para viver.

O sol resplandece neste cemitério e eu começo a sentir progressivamente que o meu espírito e a minha maneira de pensar se tornam cada vez mais equilibrados. Estou inquieto com o que verdadeiramente conta? Vivo plenamente este momento? Consigo amar aquele que me é próximo? Ao fim e ao cabo, não sabeis o dia nem a hora…

Hoje, os cemitérios estão cada vez mais longe de nós. À margem das nossas cidades, a uma certa distância dos nossos corações. Quando eu era adolescente, mais pessoas passeavam nos cemitérios. Hoje, eles estão desertos. É pena, não?

Frère Bernardas Verbickas - Convento de Lille

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