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segunda-feira, 11 de junho de 2012

A riqueza da diversidade

Sagrada Família, Barcelona
As diferenças entre cristãos são um problema ou uma riqueza?

Este artigo desenvolve uma passagem da «Carta 2012 – Rumo a uma nova solidariedade» na qual o irmão Alois de Taizé escreve:

Temos que reconhecer que nós, cristãos, ofuscamos muitas vezes a mensagem de Cristo. Concretamente, como podemos irradiar paz, quando permanecemos divididos entre nós?


O mundo actual entende o indivíduo como ponto de partida. Os nossos contemporâneos possuem um forte sentido da igualdade, ou pelo menos da parecença entre todos os seres humanos, e ficam impacientes com todas as distinções naturais ou culturais. Potencialmente, todos deveriam fazer tudo, serem livres de inventar a sua própria existência. Esta atitude leva, na vida concreta, a uma exaltação da diversidade. A identidade de todos parece ser algo garantido, mas, de forma mais concreta, é a pluralidade que mais importa.

Não surpreende que esta visão das coisas não favoreça a comunhão. Qual é o «cimento» capaz de voltar a ligar todas as unidades idênticas e separadas? Na vida da Igreja, acontece elogiar-se a diversidade de entendimentos, ao mesmo tempo que a unidade continua a ser teórica. Outros procuram, como reacção, impor uma uniformidade e excluir o que não entra no molde comum.

A visão bíblica permite sair deste impasse. Ela não parte do indivíduo, mas de um Deus de amor que chama os seres à existência (ver Rom 4,17). E ele não os chama de forma separada, mas para um projecto comum. Jesus Cristo revela-nos este projecto: que a humanidade acolha a própria vida de Deus, fonte de uma amizade universal, para formar um só Corpo (ver Col 3,15).

Nesta perspectiva, cada pessoa tem um papel insubstituível para desempenhar, dons únicos para fazer frutificar, mas sempre no interior de uma comunhão englobante. Eu não devo fazer tudo, ter tudo, uma vez que os outros suprem as minhas faltas. Eu preciso deles, porque não me poderei desenvencilhar sozinho. Ao mesmo tempo, o meu contributo é essencial para que todos caminhem para a frente.
São Paulo explica isso com a imagem muito conhecida do corpo (ver Rom 12,4-5; 1 Co 12). Esta metáfora liga uma grande diversidade a uma forte unidade. Se a mão quisesse ser cabeça a qualquer preço, ou o coração tornar-se um pé, o corpo não funcionaria. E mesmo os membros aparentemente mais insignificantes têm uma função absolutamente necessária. Com efeito, não se deve continuar a falar do membro maior ou do mais pequeno, uma vez que eles não concorrem entre si, mas de uma só vida, partilhada.

Um cristão não deve ter medo dos seus limites ou negar as diferenças que o constituem. Sabendo que ele não cria a sua existência sozinho, cabe-lhe descobrir os dons específicos que Deus lhe deu, para os pôr a dar frutos. Deve pôr estes dons ao serviço de todo o Corpo. Além disso, a mesma coisa é verdadeira para as diferentes comunidades cristãs. O seu «direito à diferença» apenas tem sentido no interior de um projecto global de Deus para «submeter tudo a Cristo» (Ef 1,10). Se perdermos de vista esta comunhão universal, as diferenças podem tornar-se um problema. No interior deste projecto, pelo contrário, elas tornam-se uma grande riqueza, reflexo das «várias graças de Deus» (1 Ped. 4,10).

in taize.fr

O sexo para procriar: breve sumário da condenação da homossexualidade

Desde quando é que o sexo só serve para procriar?

O judaísmo já pregava que as relações sexuais tinham como único fim a máxima exigida por Deus: “Crescei e multiplicai-vos”. Até o início do século IV, essa ideia, porém, ficou restrita à comunidade judaica e aos poucos cristãos que existiam. Nessa época, o imperador romano Constantino converteu-se à fé cristã – e, na seqüência, o cristianismo tornou-se obrigatório no maior império do mundo. Como o sexo passou a ser encarado apenas como forma de gerar filhos, a homossexualidade virou algo antinatural. Data de 390, do reinado de Teodósio, o Grande, o primeiro registro de um castigo corporal aplicado em gays.


O primeiro texto de lei proibindo sem reservas a homossexualidade foi promulgado mais tarde, em 533, pelo imperador cristão Justiniano. Ele vinculou todas as relações homossexuais ao adultério – para o qual se previa a pena de morte. Mais tarde, em 538 e 544, outras leis obrigavam os homossexuais a arrepender-se de seus pecados e fazer penitência. O nascimento e a expansão do Islamismo, a partir do século VII, juntamente com a força cristã, reforçaram a teoria do sexo para procriação.

No entanto, durante muito tempo - até meados do século 14 - embora a fé condenasse os prazeres da carne, na prática os costumes permaneciam os mesmos. A Igreja viu-se, a partir daí, diante de uma série de crises. Os católicos assistiram horrorizados à conversão ao protestantismo de diversas pessoas após a Reforma de Lutero. E, com o humanismo renascentista, os valores clássicos – e, assim, o gosto dos antigos pela forma masculina – voltaram à tona. Pintores, escritores, dramaturgos e poetas celebravam o amor entre homens. Além disso, entre a nobreza, que costumava ditar moda, a homossexualidade sempre correu solta. E, o mais importante, sem censura alguma – ficaram notórios os casos homossexuais de monarcas como o inglês Ricardo Coração de Leão (1157-1199).

No curto intervalo entre 1347 e 1351, a peste negra assolou a Europa e matou 25 milhões de pessoas. Como ninguém sabia a causa da doença, a especulação ultrapassava os limites da saúde pública e alcançava os costumes. O “pecado” em que viviam os homens passou a ser apontado como a causa dela e de diversas outras catástrofes, como fomes e guerras. Judeus, hereges e sodomitas tornaram-se a causa dos males da sociedade. Não havia outra solução a não ser a erradicação desses grupos. Medidas enérgicas foram tomadas. Em Florença, por exemplo, a sodomia foi proibida em 1432, com a criação dos Ufficiali di Notte (agentes da noite). O resultado? Setenta anos de perseguição aos homens que mantinham relações com outros. Entre 1432 e 1502, mais de 17 mil foram incriminados e 3 mil condenados por sodomia, numa população de 40 mil habitantes.

Leis duras foram estabelecidas noutros países europeus. Em Inglaterra, o século XIX começou com o enforcamento de vários cidadãos acusados de sodomia. E, entre 1800 e 1834, 80 homens foram mortos. Apenas em 1861 o país aboliu a pena de morte para os atos de sodomia, substituindo-a por uma pena de dez anos de trabalhos forçados.
 
in gays católicos com fé

Casamento religioso entre pessoas homossexuais na Dinamarca

Uma nova lei para uma antiga questão

Dinamarca foi o primeiro país do mundo a permitir que casais homossexuais oficializem uniões civis (07 de junho de 1989). Novamente a Dinamarca foi pioneira no mundo. O Parlamento aprovou uma lei permitindo que o casamento (idêntico ao previsto para heterossexuais) ocorra na Igreja Evangélica Luterana (oficial do Estado dinamarquês). A legislação, porém, deixa aos pastores a opção de realizarem a cerimónia ou de pedirem que outro assuma a responsabilidade, caso considerem que a mesma contrarie as suas convicções. No entanto, por imposição da lei, são obrigados a ajudar o casal a encontrar um pastor. Novos rituais foram escritos por dez dos onze bispos da Igreja em espírito de "boa cooperação", disse um deles.


A lei foi apresentada pelo governo de centro-esquerda no início do ano e foi aprovada com 85 votos a favor e 24 contra no dia 07 de junho de 2012, quando completava exatamente 23 anos a lei da parceria civil. O ministro da Igualdade de Género e de Assuntos Eclesiásticos, Manu Sareen, membro do Parlamento, considerou o voto “histórico”. “É muito importante dar a todos os membros da igreja a possibilidade de se casarem. Actualmente apenas os casais heterossexuais têm permissão”, disse, em entrevista ao jornal The Telegraph. O ministro opôs-se ao porta-voz do direitista Partido do Povo Dinamarquês, que afirmou ao mesmo jornal que o “casamento deveria ser entre um homem e uma mulher”.

A nova lei deve entrar em vigor em 15 de junho deste ano.

Actualmente, no continente europeu, são oito os países que aprovaram a completa igualdade no casamento civil - Holanda, Bélgica, Suécia, Noruega, Espanha, Portugal, Islândia e Dinamarca.

Conheça um pouco mais dos direitos LGBTs na Dinamarca:

Anti-discriminação
Discriminação com base na orientação sexual é proibida nas áreas de emprego e prestação de bens e serviços.

Reconhecimento de género legal de pessoas trans
A Dinamarca tem procedimentos administrativos para obter o reconhecimento legal de género após a cirurgia.

Parceria reconhecimento
Na Dinamarca, casais do mesmo sexo podem casar. Para quem não quer casar, o país também fornece o registro de coabitação de casais do mesmo sexo conferindo direitos limitados.

Direitos parentais
Casais do mesmo sexo têm direito a solicitar um conjunto adopção de crianças e cada um dos outros filhos biológicos.
Inseminação medicamente assistida (tratamento de fertilidade) está disponível para casais de lésbicas.

Direito Penal em discurso de ódio / crime
A orientação sexual está incluído na lei sobre o ódio e a violência é reconhecida como factor agravante.

in direitos fundamentais Lgbt
adaptação de rioazur