Jesus disse: "Ai de vós também, doutores da Lei, porque carregais os homens com fardos insuportáveis e nem sequer com um dedo tocais nesses fardos!" "Ai de vós, doutores da Lei, porque vos apoderastes da chave da ciência: vós próprios não entrastes e impedistes a entrada àqueles que queriam entrar!" (Lucas 11, 46.52)
Não consigo ler estas duras críticas de Jesus sem fazer um paralelo com a actualidade da Igreja. Os doutores da Lei eram homens rectos e respeitados, homens de poder, referências religiosas e intelectuais.
Assim também acontece com a hierarquia da Igreja: os que ditam as leis e as condutas, os que as declaram universais e sagradas. Mas bem sabemos que estes "fardos" muitas vezes deixam de ser um caminho e ganham o estatuto de meta. Muitas leis são ideais que se querem forçar, são utopias. Eu até compreendo o desejo de as traçar. Só não compreendo a falta de acompanhamento e de escuta que as acompanham. E é nisto onde revejo não haver um dedo que toque nesses fardos.
Aliás, sabemos que muitos dos membros do clero nem conseguem viver as próprias leis que defendem. Com que "lata" se pode exigir ao outro o que o próprio não vive? A verdadeira Lei é aquela que é passada pelo exemplo de vida, e é esta a mais efectiva.

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